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Revista do Colégio Farroupilha - Ano XXI - N° 109 - Setembro/Outubro de 2013


Expediente: Nº 109 – Agosto e Setembro de 2013

PALAVRA DO PRESIDENTE

Revista Bimestral do Colégio Farroupilha Presidente da Associação Beneficente e Educacional de 1858 – ABE 1858 Fernando Carlos Becker Diretora Pedagógica do Farroupilha Marícia Ferri Diretor de Administração e Finanças

Empreendedores sociais em formação

Milton Fattore

Entender como os alunos aprendem é o maior desafio enfrentado

Jornalista Responsável

por instituições de ensino que priorizam a excelência educativa

Cláudia Oliveira MTB 8138 Coordenação Geral Tiago Schmitz Comunicação e Marketing comunicacao@colegiofarroupilha.com.br Diagramação Design de Maria

em todos os seus projetos e suas iniciativas, como é o caso do Colégio Farroupilha. Trabalhamos todos os dias para tornar a escola um lugar de construção do conhecimento, no qual o centro de todo o processo seja o aluno, com a sua potencialidade para olhar o mundo e reconstruí-lo em seu intelecto, gerando a sua própria versão dos fatos, onde a criança e o jovem aprendam a aprender, a

www.designdemaria.com.br

ensinar outras pessoas, onde se crie o espírito cívico e democrático

Revisão Textual

como algo endêmico.

Laboratório de Português Educar exige prestar atenção às singularidades, sem inferiorizações Capa

ou discriminações, ao mesmo tempo em que nos convoca a preser-

Foto do aluno Gustavo L. Nardin, da 2ª

var a identidade do grupo, a coletividade e o caráter social das prá-

série B do Ensino Médio

ticas educativas, sem generalizações. É por isso que estamos, cada vez mais, incentivando os nossos alunos com projetos que priori-

Ouvidoria Farroupilha

zem a educação colaborativa, como o movimento #daescolapravi-

ouvidoria@colegiofarroupilha.com.br

da, que se amplia para fora do espaço escolar e ganha apoio do po-

(51) 3382 1889

der público e de novos parceiros e grupos coletivos que se engajam

Tiragem 1.500 exemplares

a nossa causa de trabalhar em conjunto pelo desenvolvimento da

Versão Online

nossa cidade, tornando-se empreendedores sociais.

www.colegiofarroupilha.com.br Entendemos que o conhecimento é sempre construído, e tudo o Como instalar o leitor de QR Code no seu celular Inventado no Japão em 1994, o QR Code, foi criado para facilitar o acesso à informação por parte de usuários de celulares, podendo ler qualquer coisa de qualquer lugar. Para ler um QR Code, ou Quick Response Code, é preciso instalar um software em seu celular. Ele será responsável por decodificar a imagem capturada. Na internet, há muitos softwares gratuitos disponíveis. É preciso que se baixe um de acordo com o modelo do celular. Em português, o http://reader. kaywa.com é um dos melhores sites para baixar leitores de QR Code. Para aqueles que quiserem criar seus próprios QR Codes, em http://qrcoder.kaywa.com, é possível gerá-los facilmente.

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Revista Farroupilha n° 106

que puder facilitar, melhorar, otimizar, enriquecer essa reconstrução será educação para o século 21. Se a proposta pedagógica deve ser inovadora, mais leve, divertida e conectada com a tecnologia e com os novos recursos que surgem a todo instante, como apontaram os alunos durante a Semana do Estudante, por que não fazê-lo já que a nossa escola é vista como uma organização que busca estratégias a fim de promover o aprendizado? Se falamos em formar cidadãos, o primeiro passo é permitir que todos vivenciem a cidadania enquanto frequentam a escola. É para isso que trabalhamos! Fernando Carlos Becker Presidente da Associação Beneficente e Educacional de 1858


sumário

Opinião

05

A Voz do Aluno

06

O que inspira e desperta para a aprendizagem

Cada um de nós tem o seu jeito de aprender

Cuidar é Básico

08

Os desafios de ensinar a nova geração

Fique por Dentro

12

Idiomas

14

Histórias inspiradoras transformam a educação

Intercâmbio forma líderes comprometidos com a sustentabilidade

Variedades Olhar mágico das crianças sobre os artistas contemporâneos

17

Túnel do Tempo

18

Farroupito

25

Saúde

28

Caminho internacional traçado pela inovação

As formas de aprendizagem na Educação Infantil

Competência emocional na infância

Especial Uma escola divertida e que aponte caminhos inovadores

Destaques Apaixonado pela aprendizagem

30 42

Nossa Comunidade

48

Esporte

50

É preciso avaliar para qualificar sempre!

Esporte desenvolve competências essenciais para a vida

Meio Ambiente Como seria a nossa vida sem petróleo?

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ESPAÇO DO LEITOR

Pais devem estimular o ensino dos filhos Por Júlia Silveira, aluna da 8ª série do Ensino Fundamental.

O

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trabalho compartilhado entre o Colégio

moral, sentem falta daquela frase de incentivo,

e a família possibilita uma maior inte-

como “você consegue!” e “você, certamente,

gração dos familiares em relação ao que

terá outras oportunidades para melhorar...”.

se trabalhou na escola, e tal integração é feita

Infelizmente, há muitos pais que só deixam

através de palestras, projetos, apresentação

o filho no Colégio e não dispõem de tempo

dos trabalhos (em mostras), entre outros. Es-

para ensinar-lhes os valores que a vida solicita

sas atividades possibilitam que os pais tenham

a todo instante. Mesmo tendo uma vida cheia

um controle maior sobre o que se cobra dos

de compromissos, é preciso que se tenha tem-

seus filhos e como são estimulados no Colégio.

po para sentar e ajudar o filho, sem deixá-los

Porém, muitas famílias não participam da vida

dependentes para realizar as tarefas.

escolar dos seus filhos e só fazem cobranças,

A aprendizagem, no entanto, não está total-

ao invés de ajudá-los.

mente vinculada à área do conhecimento,

Como o dever de toda a família é criar um bom

mas também à formação do caráter que, com

cidadão, repassando conceitos e ideais, desta-

o apoio das pedagogas e dos orientadores dis-

ca-se a importância dos pais para estimular a

ciplinares, melhora o processo da aquisição do

aprendizagem dos seus filhos. Quando se pensa

conhecimento, além de orientar os alunos em

em estimulá-los, não se pode somente se referir

certas situações. Palestras, oficinas e trabalhos

à cobrança da realização dos temas e dos traba-

realizados pelo Colégio Farroupilha possibili-

lhos, ou a cobrança por boas notas, mas à aju-

tam a integração do jovem com a sociedade, de

da dada nos trabalhos, no esclarecimento das

forma que, ao eleger um colega para represen-

dúvidas, permitindo que o jovem aprenda de

tá-lo, o estudante já está tendo uma experiên-

acordo com o seu ritmo. Além disso, a ausência

cia sobre democracia para que, no futuro, eleja,

dos pais prejudica muito o aluno, pois, em cer-

com consciência, uma pessoa para representá-

tos momentos, os filhos sentem falta do apoio

-lo na sociedade.

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Opinião

O que inspira e desperta

para a aprendizagem Por Caroline Bücker, publicitária, integrante do grupo colaborativo Thinkers Poa e parceira do d.think, do Rio de Janeiro, e do Crialab do Tecnopuc, em Porto Alegre. Quando falamos em educação, o que vem à mente são

do. Enfim, segue aprendendo, num processo dinâmico

ideias de processos e métodos, quais são os mais indica-

e orgânico, constante, que só cessa quando o aluno se

dos, conhecidos e validados, ou ainda os mais inovado-

esgota em termos de energia ou emoção.

res. No entanto, se pensarmos dessa forma, estaremos

Quando isso acontece, é necessário descansar, desligar,

desconsiderando a questão principal que envolve a

relaxar e reconectar-se consigo mesmo, com aquilo que

aprendizagem, que é o fato de ser feita essencialmente

é, com o que já conhece de si mesmo, do ambiente, dos

de pessoas, de seres humanos e da troca que acontece

colegas, dos professores, da família e do próprio conhe-

entre eles, alunos e professores, e também com seus

cimento. Ele precisa desse tempo de reviver, reconside-

pais e amigos.

rar e reabsorver o que já sabe, que será transformado, como num processo de alquimia, em algo novo.

Como seres humanos, todos estão presentes nesse am-

Venho atuando como facilitadora de metodologias

biente que é a escola e que está completamente conec-

criativas, e essa prática tem me proporcionado muitas

tado com a vida. Tanto alunos como professores, pais e

observações e reflexões. A que mais me toca e sempre

amigos enxergam o mundo e tomam atitudes com base

me surpreende é ver a motivação no olhar e na atitude

em suas várias dimensões, que se complementam o

dos alunos, sejam eles adultos ou jovens. Acredito que

tempo todo, entre elas, a racional, a emocional, a espi-

esse brilho no olhar, o interesse e a atenção que dedicam

ritual e a social.

ao seu aprendizado nesses momentos são estimulados

Se conseguirmos visualizar ou reconhecer que estas di-

pela participação ativa proporcionada pelas metodolo-

mensões se fazem presentes tanto na escola quanto na

gias criativas, que visam otimizar e potencializar a troca

vida, poderemos aceitá-las no ambiente e no processo

entre os alunos, criando um ambiente afetivo e ativo de

de aprendizado. Este é, basicamente, um recurso para

construção do conhecimento.

criar e estabelecer conexões (sinapses cerebrais) de um

Considerando o mundo complexo como o vemos e vive-

novo conhecimento com o já adquirido. Esse reconhe-

mos hoje, torna-se ainda mais importante que a apren-

cimento e estabelecimento das relações é responsável

dizagem seja pensada não como um simples processo

pela sensação de segurança, de apropriação do aprendi-

de transmissão de conhecimentos e capacitação dos

zado – tão importante para que o aluno possa se abrir e

alunos, mas como um processo de formação de indi-

permanecer aberto, curioso e com vontade de descobrir

víduos, de enriquecimento do mundo interior destes,

aquilo que ainda não sabe.

para que estejam preparados para atuar e viver bem,

Podemos dizer que funciona como uma retroalimenta-

para permitir aos alunos que construam uma sociedade

ção, na qual o aluno relaciona, aprende, apropria-se do

ainda melhor do que a de hoje, em constante transfor-

conhecimento, compartilha, alimenta-se e é alimenta-

mação para a evolução.

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A VOZ DO ALUNO

Cada um de nos tem o seu jeito

de aprender Por Karolaine Pereda, presidente do Grêmio Estudantil Farroupilha

O

processo de aprendizagem é fundamental

o exercício, ou seja, a prática. Cada indivíduo tem sua

para todo o ser humano. Nós, jovens, nos en-

forma de apreender, mas parte de cada um de nós, alu-

contramos em uma fase de nossas vidas na

nos, a iniciativa de esforço para que esse processo, que

qual esse fator é intenso. Desde a infância, antes mesmo de começarmos a nossa vida acadêmica, a curiosidade é despertada, como simples desejo da criança de entender tudo o que se passa a sua volta. Após esse momento, com o ingresso na escola, outros tipos de conhecimentos são apreendidos, e, com o passar dos anos, estes só irão se expandir. No decorrer da jornada pelo Colégio, a quantidade de informação adquirida e de conteúdos abordados é enorme. Alguns de nós se interessam mais pela matemática, pela física, outros favorecem a história e a geografia. Além disso, também temos mais facilidade em algumas disciplinas do que em outras. Apesar dessas preferências, é necessário que todas as matérias sejam bem assimiladas para que, futuramente, possamos ingressar nas universidades, obtendo mais conhecimentos, e depois, nos tornando bons profissionais. O correto é que devemos aprender a matéria a qualquer tempo e não somente para passarmos nas avaliações. O processo de aprendizagem é longo e extremamente necessário para o desenvolvimento de qualquer um. A escola e seus profissionais, coordenadores e, principalmente, professores, disponibilizam o treinamento e

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engloba inúmeros fatores, seja realizado com sucesso.


Aprendizado

para a

vida

Acho que o aprendizado que o Colégio me proporciona, seja intencionalmente através das aulas em relação a um conteúdo específico ou simplesmente por conviver com meus colegas expondo e escutando opiniões, me ajuda a amadurecer de diversas maneiras. Acredito que isso é essencial para construir meu futuro.

Gabriela Berwanger, aluna da 1ª série do Ensino Médio.

Se a juventude é a época de formação do caráter e da personalidade, o Colégio é o ambiente para tanto. É importante, nessa idade, estar exposto aos mais diversos estímulos, sejam eles morais ou formais, e o ambiente escolar proporciona o intercâmbio cultural necessário para impulsionar a metamorfose de meras crianças em cidadãos do mundo. Guilherme Becker, aluno da 3ª série do Ensino Médio. As relações que o Colégio nos proporciona são fundamentais: tanto o relacionamento com os outros através da convivência, quanto a relação que aprendemos a fazer entre os conteúdos que assimilamos. Não podemos descartar conhecimentos, pois no mundo conectado de hoje tudo pode ser útil. Julia Jacocciúnas, aluna da 2ª série do Ensino Médio.

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cuidar é básico

Os desafios de

ensinar

a nova geração

Pensar a aprendizagem diante das novas mídias e tecno-

os jovens do século 21, acostumados com a velocidade

logias, conforme a especialista em Psicologia Escolar e

da informação e das inovações tecnológicas. Para ela,

mestre em Educação Valéria de Leonço, é contextualizá-

quando pensamos em aprendizagem, temos que falar

-la diante dos novos arranjos e modelos de família que

em modelos, e, neste caso, o papel da família é funda-

temos hoje, na sociedade. “A aprendizagem circula por

mental para a formação dos valores e do comportamen-

momentos diferentes da nossa vida, mas a família e a es-

to das crianças e dos jovens. “Para que a nova geração

cola são modelos de vida para a nova geração”, acredita

acredite no futuro que eles irão construir, eles precisam

a pedagoga que, no dia 20 de agosto, falou sobre o tema

aprender que vale a pena estudar, vencer desafios, fra-

“Como aprendem as novas gerações”, durante palestra

cassar e seguir em frente. Para isso, os pais têm que ser

geral do Cuidar é Básico, realizada no Auditório do Colé-

exemplos”, disse a palestrante ao lembrar que os alu-

gio. A especialista trouxe a pais e professores desafios e

nos se espelham também na figura do professor duran-

algumas sugestões de como compreender as crianças e

te o processo de aprendizagem.

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A nova geração, segundo a especialista, vive em uma

-chave de um relacionamento. O papel da escola, para

sociedade em que não há espaço para pensar e em que

Valéria, é transmitir conhecimento através do coletivo. É

se colocar no lugar do outro é uma raridade. Além disso,

no ambiente escolar que os alunos aprenderão a convi-

crianças e jovens sofrem com a falta de limites, a dificul-

ver com outros colegas. Daí a importância de se trazer de

dade em se concentrar e de fracassar, e acreditam que

casa modelos familiares sólidos, nos quais exista o respei-

as pessoas são descartáveis e que as coisas materiais

to para com o próximo. “Um bom exemplo familiar conti-

têm mais valor. Tais fatores, na opinião de Valéria, de-

nua sendo o melhor caminho”, concluiu.

sencadeiam uma variedade de síndromes, como pânico, cia. O comportamento que a criança ou o jovem terá no

Confira algumas dicas de como podemos ajudar a nova geração:

ambiente escolar e até mesmo fora dele reflete, muitas

• É importante que haja uma boa estrutura familiar e es-

vezes, na maneira como os modelos familiares são en-

colar, disciplina, desafios, respeito, compreensão e re-

sinados a essas novas gerações. “Aprender significa ter

conhecimento.

fobias, déficits e transtornos na infância e na adolescên-

disciplina. E os pais são os grandes responsáveis por nor-

• A criança precisa sentir-se amada com a mesma inten-

tear esse processo. O que mais vemos são famílias sem

sidade, independentemente do desempenho escolar.

rotina, sem horários, sem diálogo e sem autoridade. O envolvimento dos pais está entre os elementos para que o aluno contemporâneo encare a escola com prazer e

A parceria entre a escola e a família é essencial. • Lembre-se de que todos os alunos podem aprender a estudar melhor. • Incentivar e elogiar esforços e conquistas dos filhos

significado”, afirmou. Acostumada a conseguir tudo o que quer, a nova geração precisa que os pais dialoguem e negociem, duas palavras-

é bastante produtivo, mas sem críticas ou desafios. • É saudável sugerir, em vez de aconselhar.

Temáticas das Reuniões de 2013 DATA

NÍVEL DE ENSINO

TEMÁTICA

15/10

Ensino Fundamental Anos Iniciais

Hábitos para melhorar o aproveitamento escolar

05/11

Ensino Médio

Aprendizagem: desatando os nós

03/12

TODOS

Bem-estar e qualidade de vida de quem cuida

DATA

NÍVEL DE ENSINO

TEMÁTICA

08/10

Ensino Fundamental Anos Iniciais

Saúde escolar

Unidade Correia Lima

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fIQUE POR DENTRO

Inteligência Coletiva a serviço do cidadão P rojetos que geram impactos positivos e que mu-

Alegre, ação que integra o movimento #daescolapravida

dam, para melhor, a vida em sociedade foram

e que, durante um mês, recebeu contribuições para me-

compartilhados na noite de 12 de setembro, du-

lhorar a cidade para a Copa, via aplicativo no Facebook

rante o Inteligência Coletiva, realizado pelo Colégio Far-

do Farroupilha, foram anunciadas pela Diretora Pedagó-

roupilha, no Nós Coworking, no 5º andar do Shopping

gica, Marícia Ferri. “Um dossiê contendo as 55 ideias que

Total. A aluna Júlia Jacocciunas e a presidente do Grêmio

foram postadas no Facebook foi entregue ao prefeito,

Estudantil Farroupilha, Karolaine Pereda, apresentaram o

José Fortunati, durante a reunião da comissão julgado-

Movimento #daescolapravida, criado pelo Colégio no ano

ra que elegeu as três ações vencedoras”, disse Marícia.

passado, a autoridades, formadores de opinião, empresá-

Conforme a Diretora, a intenção do Colégio é ampliar o

rios, alunos, professores, colaboradores, ex-alunos e convi-

movimento #daescolapravida para outras escolas do Rio

dados. Ao lado delas, os representantes dos grupos coleti-

Grande do Sul no ano que vem. “Neste olhar com o outro

vos Vila Flores, Vizinhança, Rastro Urbano de Amor (RUA),

e com a nossa sociedade, de instigar nossas crianças e

Shoot the Shit e Smile Flame mostraram iniciativas que

nossos jovens a pensarem e ajudarem a qualificar esses

inspiram e transformam o dia a dia da população e que

espaços escolares e a própria cidade em que moram, es-

só dependem de cada um de nós para serem realizadas.

taremos cumprindo o nosso compromisso com a socie-

As três ideias vencedoras do projeto Welcome to Porto

dade”, destacou a Diretora.

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Conheça as ideias que serão executadas pelos alunos, em parceria com os autores e o grupo coletivo Shoot the Shit, nos próximos dias:

para o bem-estar social. Isso comprova que o Colégio está

• Adesivos com itinerário para aplicação em ônibus e lota-

do Inteligência Coletiva pensando no que posso fazer para

ções, com 347 votos; • Adesivos com dicas para estabelecimentos comerciais.

à frente de seu tempo, inovando e sabendo adaptar as mudanças do mundo ao seu ambiente com muita destreza. Saí melhorar a minha casa, o meu bairro, a minha cidade e alcançar um mundo melhor”, concluiu Tetelbom.

Exemplo: “Aqui, tem alguém que fala inglês”, com 329 votos; • Criação e aplicação de stancils com nomes de ruas para melhorar a sinalização, com 320 votos.

Movimento #daescolapravida no RS Literalmente encantado com o movimento #daescolapravida, o Superintendente Técnico e de Relações Institu-

Para o analista de pesquisa, Ricardo Tetelbom, o Colégio Far-

cionais da Famurs, Mário Augusto Ribas do Nascimento,

roupilha está construindo uma sociedade mais consciente

aproveitou para comunicar o interesse da Federação dos

ao inspirar muitas pessoas através do movimento #daesco-

Municípios do Rio Grande do Sul em disseminar o projeto.

lapravida. “É muito bonito ver um trabalho tão importante e

“Vamos convocar uma reunião com os prefeitos que repre-

agregador. A escola está mudando e direcionando o cami-

sentam as regiões da Famurs para mostrar essa iniciativa

nho da educação para um lado mais colaborativo e voltado

maravilhosa”, ressaltou o Superintendente.

Conheça os coletivos: Smile Flame:

Shoot the Shit:

Cria projetos divertidos que misturam ações do

Induz, cria e executa projetos com o engajamento

bem com referências legais, fugindo dos clichês

da comunidade para transformar cidades em

e padrões piegas.

lugares mais divertidos, criativos e inteligentes.

Projeto Vizinhança: Desenvolve ações com o intuito de dar vida aos espaços ociosos da cidade.

Projeto Vila Flores: Trabalho voltado para a revitalização de prédios situados em uma esquina das ruas Hoffman e São Carlos, devolvendo à cidade um espaço multicultural com caráter de economia criativa e trabalho colaborativo, com teatro, exposições, restaurante e salas.

Integra o Movimento #daescolapravida, do Colégio Farroupilha, desenvolvendo workshops e palestras para os alunos.

Farroupilha na Globonews: Há poucas semanas, as ações do Movimento #daescolapravida foram mostradas no programa Cidades e Soluções, da Globonews. Acesse o QR Code ao lado (veja mais instruções na página 02) e assista à matéria.

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FIQUE POR DENTRO

Histórias inspiradoras transformam a educação E

screver um livro sobre educação é o sonho do autor da frase acima, o jornalista e pesquisador sobre o comportamento do jovem, André Gra-

vatá, e dos amigos Eduardo Shimaraha, Carla Mayumi e Camila Piza. Nos próximos dias, esse grupo de educadores-deseducadores, fundadores da plataforma digital Educ-Ação, torna real esse sonho coletivo com o lançamento da obra “Volta ao mundo em 13 escolas”. Fonte de inspiração para quem aprecia a inovação, o livro conta a história de pessoas que respiram educação e criaram comunidades de aprendizagens, que valorizaram suas realidades locais em 13 escolas e organizações, mapeadas em nove países: quatro no Brasil, duas nos Estados Unidos, uma na Argentina, África do Sul, Indonésia, Espanha, Inglaterra e Suécia. A seleção das instituições visitadas pelo grupo elegeu como critérios a escolha por espaços que valorizassem a diversidade e O jornalista e pesquisador André Gravatá é um dos autores do livro “Volta ao mundo em 13 escolas”, no qual relata experiências inovadoras implantadas por instituições de ensino e por organizações em nove países.

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a multiplicidade de inteligências e que estivessem em atividade há, pelo menos, três anos.


Em cada escola, o autor permanecia por cinco dias, de-

nessas instituições fossem mais horizontais, a colabora-

dicados a acompanhar e vivenciar o dia a dia da institui-

ção seria mais frequente, e os alunos não teriam receio

ção e a realizar entrevistas com pais, fundadores, direto-

de olhar no olho do professor para, juntos, construírem

res, educadores, alunos e ex-alunos. “Observamos dois

percursos de aprendizagem realmente desafiadores.

pontos importantes e comuns entre essas escolas: a im-

está presa a um modelo padrão, estimulando a autono-

No ano passado, você conheceu escolas inovadoras no Brasil e em diversos países. Que escolas foram essas e o que elas apresentam como diferenciais em termos de inovação?

mia do aluno”, destaca Gravatá. Viabilizada por financia-

Visitei os seguintes espaços de aprendizagem: Politeia,

mento coletivo, no qual 500 pessoas investiram na obra,

EMEF Desembargador Amorim Lima, Cieja Campo Lim-

“Volta ao mundo em 13 escolas” será disponibilizada ao

po e CPCD, todas no Brasil, Escuelas Experimentales (Ar-

leitor nas versões impressa e eletrônica.

gentina), Quest to Learn (EUA), Team Academy (Espanha),

Na entrevista abaixo, Gravatá fala um pouco do cenário

YIP (Suécia) e Schumacher College (Inglaterra). Dois dos

educacional no país e sobre essa experiência inovadora.

pontos em comum que unem esses espaços de aprendi-

“Educação genuína sem diversidade não é possível. A ins-

zagem são o desenvolvimento da instituição como um or-

piração que a gente traz para o Brasil está ligada ao con-

ganismo vivo, que muda constantemente de acordo com

texto das microrrevoluções, relatada na pesquisa “O So-

as circunstâncias que a rodeiam, sem se apegar a fórmu-

nho Brasileiro” (saiba mais sobre o estudo na matéria da

las–padrão que endureçam seus processos; e o estímulo

página 46), de ações locais que geram uma transformação

à autonomia dos alunos, para que eles exercitem sua ca-

significativa”, sintetiza.

pacidade de escolha e entendam a responsabilidade que

portância do professor se colocar no lugar de aprendiz/ do aluno e o fato de a escola ser concebida como um organismo vivo, que se adapta às necessidades e que não

têm na construção do que querem.

Conforme a pesquisa “O Sonho Brasileiro”, os jovens relatam que as escolas e as universidades deveriam valorizar mais as suas experiências. Você acredita que esse fator pode impactar no processo de aprendizagem?

De que forma essas novas metodologias/propostas podem ser adaptadas ao contexto escolar brasileiro? A ideia não é mostrar modelos que podem ser replicados em diferentes contextos daquele do local de origem

As escolas e universidades deveriam valorizar as experiên-

da proposta. A ideia é mostrar que é possível fazer uma

cias dos jovens porque esse tipo de atitude traz benefícios

educação diferente a partir das respostas aos desejos lo-

a todos, tanto para o jovem, que se vê valorizado e sente

cais. A gente mostra espaços de aprendizagem que valo-

que pode contribuir para o seu processo de aprendiza-

rizaram a escuta das pessoas. Essa transformação acon-

gem, quanto para a instituição educacional, que passa a

tece a partir desse comprometimento. Mostramos várias

lidar com a participação ativa de seus alunos.

histórias de educadores que são apaixonados pela educação e que fazem com que essas transformações acon-

O que as escolas e universidades podem fazer para atender as necessidades da nova geração?

teçam nos mais variados contextos, desde aqueles que

As escolas e universidades precisam escutar mais seus

possibilidades financeiras maiores. A inspiração parte

alunos para que eles se sintam à vontade e tragam à tona

do exemplo, do olhar que o outro faz de perceber que

seus sonhos e suas necessidades, atuando como prota-

a gente também é capaz de fazer de um jeito diferente.

gonistas na construção do conhecimento. Se as relações

A educação não precisa ser algo padronizado.

envolvem situações de risco até aqueles contextos com

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IDIOMAS

Intercâmbio Canadá forma líderes comprometidos com a sustentabilidade

D

uas semanas de aulas e um aprendizado voltado

que tenha reconhecimento internacional como a cidade

ao desenvolvimento de capacidades de lideran-

mais verde do mundo”, destaca o coordenador do Ensino

ça, com foco nos desafios de sustentabilidade e

Médio, Rubem Corso.

responsabilidade social em escala mundial, que ficarão re-

Para Bruna Delgado Pagnoncelli, da 3ª série do Ensino

gistradas para o resto de suas vidas. É dessa forma que os

Médio, o intercâmbio trouxe aprendizados que contri-

estudantes da primeira turma do Programa de Liderança,

buirão para o futuro profissional na área de Relações In-

Desenvolvimento Pessoal e Sustentabilidade definem a

ternacionais. “Conhecer os perfis de líderes e saber que o

experiência de terem compartilhado conhecimentos com

equilíbrio encontrado a partir da convivência harmoniosa

jovens do mundo todo durante o intercâmbio na Universi-

entre eles contribui para o desenvolvimento da empresa

ty British Columbia (UBC). “Aprender conceitos sobre sus-

é importante para quem pretende direcionar seu trabalho

tentabilidade em Vancouver tem um valor especial. Além

para o atendimento de corporações”, ressalta ao contar

de a população valorizar esse conceito, ela se preocupa

que tem planos de se preparar para o exame de Toefl no

em aplicá-lo no seu dia a dia, postura essa que faz com

próximo ano e ingressar em uma instituição de ensino de

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Revista RevistaFarroupilha Farroupilhan°n°109 106


nível superior, como a UBC. Com intenção de seguir o mesmo curso para tornar-se diplomata, a colega Bruna Pasetto Condessa destaca que o intercâmbio trouxe a oportunidadede conhecer, respeitar e entender melhor a aplicação de conceitos em outras culturas do mundo. “O intercâmbio foi uma experiência fantástica, em quepude obter mais conhecimento sobre liderança e responsabilidade social, conviver com pessoas de diferentesculturas e aprender que, mesmo em outra parte do mundo, é possível trabalhar em equipe e conquistar novas amizades.” A interação promovida pela metodologia das aulas que

Atividades interativas e educacionais focadas na formação de líderes eficazes e com conhecimentos sólidos foram vistas em Vancouver pelos alunos da primeira turma do programa.

priorizou a realização de trabalhos em grupo foi o que mais

feccionista, ou seja, aquele que valoriza mais a estética e a

despertou a atenção de Bruno Lupinacci Von Der Heyde

imagem em uma organização. Para Silvia, a experiência foi

e de Silvia Levenfus. “Apresentávamos muitos trabalhos

fantástica. “Pude obter mais conhecimento sobre liderança

orais. Essa metodologia contribuiu bastante para a nossa

e responsabilidade social, e aprender que, mesmo em ou-

aprendizagem e também para que pudéssemos trocar

tra parte do mundo, é possível trabalhar em equipe e con-

muitas informações”, analisam os estudantes da 3ª série.

quistar novas amizades”, salienta a aluna. O coordenador

“Expressar com clareza as ideias é muito bom para inter-

do Ensino Médio resume o resultado desse projeto. “Senti

pretar melhor os personagens e aprimorar a conversação

muito orgulho ao ver os nossos alunos falando de igual

com as pessoas”, sintetiza Bruno, futuro aluno do curso de

para igual com estudantes chineses, italianos e coreanos”,

Artes da UFRGS, que descobriu seu perfil como líder: per-

conclui Rubem.

Calendário Cambridge NÍVEL

Dia do exame

Prazo para inscrição

CAE

09.11.2013

04.10.2013

CPE

09.11.2013

04.10.2013

TKT 1

14.12.2013

19.10.2013

TKT 2

14.12.2013

19.10.2013

TKT 3

14.12.2013

19.10.2013

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idiomas

Aprendendo sobre a Alemanha U m grupo de alunos da 8ª série, que viajou para

grupo de alunos da 8ª série do Ensino Fundamental e do

o intercâmbio na Alemanha, em julho deste

Ensino Médio havia aproveitado o recesso de inverno para

ano, participou, no dia 26 de agosto, de um

realizar intercâmbio para a Alemanha, surgiram inúmeras

bate-papo com os estudantes da turma do 1º ano D do

perguntas e curiosidades sobre o país. “O aprendizado é

Ensino Fundamental – Anos Iniciais. O objetivo foi o de

muito importante. Aprendemos na interação com o ou-

apresentar aos colegas a experiência de visitar outra na-

tro, trocando experiências e socializando o conhecimento.

ção e aprender sobre a cultura, a moeda e os costumes

Aprendemos, também, quando surge o desejo do quero

desse país.

conhecer, quero aprender e quero crescer”, frisou Patricia.

A ideia da visita dos alunos do intercâmbio começou quan-

Os alunos adoraram a presença dos “mais velhos” e fica-

do os pequenos estavam aprendendo a escrever bilhetes,

ram fascinados com as descobertas. “Achamos interessan-

contou a professora da turma Patricia Giese. “Escrevemos

te que eles dormiram em casas de famílias”, destacaram

para várias pessoas do Colégio, entre elas, a nossa Diretora

Valentina, Isadora, Letícia e Carolina. “Eles iam à escola de

Pedagógica, Marícia Ferri, que nos recebeu em sua sala”,

bondinho, andaram na maior montanha-russa da Europa

disse. No bilhete à diretora, os alunos desejaram-lhe uma

e comeram pão com salsichão!”, relataram Bernardo, Vi-

boa semana. Como Marícia havia contado à turma que um

cente, Catarina e Victoria.

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Revista RevistaFarroupilha Farroupilhan°n°109 106


variedades

Olhar mágico das crianças sobre os

artistas contemporâneos

E

les são pequeninos, alguns têm um pouco

conferido em “A Poética do Brincar e do Aprender”. “A ex-

mais de um ano; outros já estão descobrindo

posição apresenta um recorte do que é explorado com

as primeiras letras do alfabeto. A arte contem-

as crianças da Educação Infantil, durante os momentos

porânea e nomes consagrados das artes plásticas é o

semanais na Oficina de Criação. Assim como as obras, os

que une esses alunos da Educação Infantil que, duran-

títulos delas também foram escolhidos em parceria com

te todo o mês de outubro, participam da II Oficina de

as turmas”, lembra a Coordenadora da Educação Infantil,

Criação. Pinturas, modelagens e esculturas, entre ou-

Cleusa Beckel. De acordo com a professora Claudia Cos-

tros trabalhos, reunindo leituras feitas pelos alunos a

ta, responsável pela organização da exposição, os traba-

partir de obras assinadas por Van Gogh, Leonardo da

lhos são resultados de dinâmicas realizadas em sala de

Vinci, Wassily Kandinsky, entre outros, estão em expo-

aula. “Além do conhecimento sobre as artes no Brasil e

sição no hall de entrada do Berçário e Maternal e do

no mundo, queremos que os nossos alunos tenham con-

Jardim de Infância.

tato com diferentes técnicas para poder se ambientar

A mostra está dividida por subtítulos. As contribuições

com elas. Ao desenhar, a criança desenvolve a autoex-

das turmas do Berçário e Maternal receberam o nome

pressão e atua de forma afetiva com o mundo, através da

de Quintal Mágico. O olhar dos pequenos do Jardim

utilização de cores, formas, tamanhos e símbolos, entre

de Infância sobre os artistas contemporâneos pode ser

outras imagens”, analisa a professora de Artes.

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Túnel do Tempo

Caminho internacional traçado pela inovação Sempre atentos às novidades que surgem nos quatro cantos do planeta, o grupo de ex-alunos da geração X (representada por pessoas que nasceram entre o final dos anos 1960 e início dos anos 1980) serve de inspiração para os nativos digitais que hoje contribuem para a história do Farroupilha. Bem-sucedidos no mercado de trabalho internacional, Paula Cademartori, Ricardo Marroni e Magda Gebhardt reconhecem a importância do Colégio em suas formações pessoais e profissionais. Para os três, a convivência e o aprendizado adquirido na época em que os professores eram considerados mais rígido foi fundamental para modelar cidadãos que adoram desbravar novos caminhos em um mundo repleto de possibilidades.

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Revista RevistaFarroupilha Farroupilhan°n°109 106

Radicada em Milão, Paula mora há nove anos fora do Brasil. O mundo da moda volta seu olhar para ela a cada lançamento de uma nova coleção de acessórios. Com passagem pelo renomado Instituto Marangogi, de Milão, e por várias grifes (dentre elas a Versace), a designer conquistou fashionistas como Miroslava Duma, Anna Dello Russo e Tommy Ton, e muitos outros, com suas bolsas femininas feitas artesanalmente na Itália e distribuídas em vários países. O estilo contemporâneo, com acabamento impecável, a mistura de cores interessantes, couros exóticos e fecho fivela feito de paládio, característico da marca própria de Paula, agrada mulheres dos cinco continentes. Para a nova geração que pretende lançar-se ao mundo da moda, Paula deixa alguns recados: “Não esqueça as suas origens; tenha humildade para aprender durante os estágios; lembre-se de que o sucesso profissional vem depois de muito trabalho e siga sempre seus verdadeiros sonhos”.


Formado em Engenharia Mecatrônica, Ricardo Marroni trabalha em uma empresa americana, no setor de desenvolvimento de software para o mercado industrial europeu e internacional. Na era dos smartphones e ultra books ou supercomputadores, inovação é palavra de ordem para o dia a dia de Ricardo, que precisa sempre manter-se atualizado sobre as novidades e os lançamentos da área. A rotina de trabalho desse gaúcho, neto de ex-diretor do Colégio Farroupilha, é bem variada. “Tem dias que fico na frente do computador praticamente o tempo todo e outros em que vou a clientes prestar serviços de consultoria

“Trabalhar com artes é uma visão de mundo e uma opção de vida”. A autora da frase é a artista plástica Magda Gebhardt. Depois de uma temporada de quatro anos na Ensba, de Lyon, e um semestre na Künstakademie, de Düsseldorf, a ex-aluna escolheu Paris para desenvolver seu trabalho artístico em paralelo a projetos diversos. A pintura que leva a sua assinatura pode ser encontrada no setor de cancerologia de um conceituado hospital

ou treinamento, assim como a feiras para divulgar os produtos da empresa. Como se diz em alemão ‘Entwicklung ist ein Weg. Kein Zeitpunkt’, ou seja, o desenvolvimento é um caminho e não um momento. Esse caminho começa desde cedo, e acredito que o Farroupilha dá a base e as ferramentas fortes para traçarmos uma trajetória de sucesso”, constata. Sobre o mercado de trabalho na área de tecnologia, Ricardo lembra que hoje existem muitos analistas e poucos executores, assim como pouco criadores. “Sempre existe aquele que critica muito, mas poucos criam, ajudam ou fazem algo para melhorar. Seja o caminho que escolherem, caso acharem que o Brasil não oferece a oportunidade que procuram, tentem conhecer os mercados estrangeiros, mesmo que tenham que juntar dinheiro e viajar para verificar de perto. Vale a pena. Lembrem-se de que o mundo é maior do que os Estados Unidos e a Europa. Não tenham medo se não estiverem bem certos da escolha. Às vezes, é importante tomar uma decisão ao invés de buscar a melhor alternativa”, aconselha ao frisar que o mais importante é aproveitar o tempo de Colégio. “Sempre há a opção de desviar do caminho traçado mais tarde, por mais trabalhoso que seja”, destaca.

da França. “Sendo essa uma profissão bastante autônoma, lido com a instabilidade diariamente: imprevisibilidade de horários e exposição emocional constante. Em contrapartida, tenho a possibilidade de exercer meu ofício com grande liberdade”, conta a farroupilhana ao confidenciar que guarda até hoje um caderno de geografia enfeitado com colagens de algodão, açúcar, feijão e pipoca, usados para exemplificar as matérias-primas extraídas do Brasil e os produtos trazidos da África pelos portugueses. Na França, Magda dedica-se também à coordenação de oficinas de desenho e vídeo para crianças e adultos, trabalhos com cenografia, com ilustração, instalação de obras, além de participar de exposições e de performances artísticas. “No meio de tanta abertura, deve haver um eixo que nos guie no decorrer da carreira. O meu vem do início da minha vida escolar, dos momentos em que manipulávamos diversos materiais dentro da sala de aula, a fim de que o conhecimento se tornasse mais palpável e menos abstrato”, relembra.

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eVENTOS

Alunos da PUC completam trabalho com projetos do Farroupilha Estudantes de diferentes licenciaturas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) visitaram o Colégio Farroupilha no dia 30 de agosto. O grupo formado por aproximadamente 20 alunos conheceu alguns projetos, desenvolvidos em todos os níveis de ensino, como forma de complementar o trabalho realizado na disciplina de Didática. Participaram do encontro a Diretora Pedagógica, Marícia

Ferri, a Coordenadora da Educação Infantil, Cleusa Beckel, a Coordenadora dos Anos Iniciais, Letícia Nunes, a Coordenadora dos Anos Finais, Rafaella Perrone, o Coordenador do Ensino Médio, Rubem Corso, e o Gerente de Comunicação e Marketing do Farroupilha, Tiago Schmitz. “São jovens que estão em formação. Daí a importância de mostrarmos como o Colégio vem se aprimorando para, cada vez mais, elevar a qualidade do ensino”, destacou Marícia.

Estudante espanhol visita o Farroupilha O estudante de Engenharia de Desenho Industrial na Universidade Politécnica de Madrid, Javier Jimenez, visitou o Farroupilha dia 29 de agosto. Ele conversou com os estudantes do Grêmio Estudantil Farroupilha. Javier é criador do Creart Designers, empresa júnior voltada ao mercado industrial de design e de produtos para jovens empreendedores.

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Atração internacional no VII Palco Farroupilha Com novo formato, o Palco Farroupilha traz uma atração internacional para comemorar a sétima edição. É o Grupo Teatral Giras BA Players, de Buenos Aires, que, pela primeira vez, se apresenta no Brasil. As apresentações de peças em inglês integram a Mostra Profissional, que ocorre de 22 a 24 de outubro. Grupos de teatro do Colégio e de escolas convidadas das redes privada e pública compõem a Mostra Estudantil, marcada para os dias 24 e 25 de outubro. Todas as apresentações estudantis serão realizadas no Auditório do Colégio e têm entrada franca.

Torcida e diversão no Recreiobol O retorno de um campeonato de futebol tradicional no Colégio durante muitos anos — o Recreiobol — mobilizou os alunos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental Anos Iniciais, no dia 19 de agosto. Proposto pelo Grêmio Estudantil

Farroupilha (GEF), a competição contou com a organização da equipe de Recreação, responsável por montar as tabelas das partidas e apitar os jogos, que aconteceram durante os recreios.

Farroupilha na final da 5ª ONHB As equipes Passado a Limpo e HG, formadas pelos alunos Bianca Ractz, Letícia Mattos e Gustavo Gehlen (da 3ª série do Ensino Médio) e Letícia Gomes, Júlia Araújo e Marthina de Castro (da 2ª série do Ensino Médio), estão na final da 5ª Olimpíada Nacional em História do Brasil. A etapa presencial será realizada nos dias 19 e 20 de outubro, na Universidade Estadual de Campinas, em São Paulo. O

bom nível de conhecimento dos estudantes em história foi decisivo para que o Colégio Farroupilha se classificasse entre as 300 melhores equipes do Brasil. Quando iniciou, em agosto passado, a ONHB contava com a participação de 10.400 equipes. No ano passado, o Colégio Farroupilha ganhou Medalha de Bronze na Olimpíada, sendo a única instituição de Porto Alegre premiada.

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eVENTOS

Intensivo Enem e UFRGS

XXVIII Feira do Livro De 05 a 11 de outubro, acontece a XXVIII Feira do Livro do Colégio Farroupilha. O patrono deste ano é o escritor Ricardo Silvestrin. Uma programação especial será desenvolvida nos turnos da manhã e da tarde, para alunos da Educação Infantil, do Ensino Fundamental e Ensino Médio e também para toda a comunidade escolar. A contribuição de Silvestrin para a literatura serve de embasamento para o e-book de poesias, produzido por estudantes do 6º ano, e para a elaboração de peça do grupo Ateliê de Teatro, formado por alunos do Colégio. Ficou curioso para acompanhar a programação completa? Então acesse o QR Code ao lado (veja mais instruções na página 02) e confira as atrações da XXVIII Feira do Livro!

De 15 a 18 de outubro, acontece a Semana Intensivo Enem e UFRGS com atividades preparatórias para os alunos do Ensino Médio, no Auditório e nas salas do 3º andar, nos turnos da manhã e noite. No dia 18, ocorre o simulado Enem para as turmas da 1ª e 2ª séries nas salas de aula, no turno da manhã. Nesse mesmo dia, os estudantes da 3ª série realizam o simulado UFRGS nas salas de aula, no turno da manhã.

Intensivo

Enem IV Mostra dos Saberes

Festival de Cinema de Língua Estrangeira A sétima arte, interpretada por alunos da 1ª e 2ª séries do Ensino Médio, pode ser conferida dia 31 de outubro, no Auditório do Colégio, durante o Festival de Cinema de Língua Estrangeira. As apresentações acontecem no turno da noite, e a entrada é franca.

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Alunos da Unidade Correia Lima participam, dia 19 de outubro, da IV Mostra de Saberes. O evento será realizado na área coberta e nas salas de aula.


Uma reflexão sobre a escolha profissional Momento importante na vida das famílias, a escolha da profissão, oportuniza o diálogo e a troca de experiências entre pais e filhos. Pensando em contribuir para essa reflexão, o Colégio Farroupilha lançou, em 12 de agosto, um projeto que vai ajudar as famílias de alunos do Ensino Médio diante das constantes mudanças do mercado de trabalho. “Existe uma influência muito grande do mercado profissional, que dita tendências e define as pessoas como se elas pudessem ser catalogadas”, alertou Dulce Ribeiro, professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing, parceira do Farroupilha, durante palestra realizada no Auditório. Para os estudantes, a participação e a compreensão dos pais são fundamentais na hora da escolha da profissão. “Nesse momento de dúvida, de insegurança e de incerteza, é extremamente necessário o apoio paternal, já que a experiência de vida e um conselho valem ouro”, disse a aluna Fernanda Kalil que, em nome do Grêmio Estudantil do Farroupilha, aproveitou o

evento para homenagear os pais. De acordo com a palestrante Dulce Ribeiro, a vocação é o que move o desenvolvimento do mundo. “Fazer o que se gosta é o caminho para a realização e o sucesso profissional”. Para o pai de Roberta, essa descoberta deve ser feita pelos próprios filhos. “Temos que ouvir e dar opinião, mas é o jovem que precisa buscar a sua vocação”, disse o empresário Jorge Schneider da Silva. O administrador José Antônio Madrid compartilha da mesma opinião. “Compete a nós orientá-los, através da nossa experiência e dos nossos princípios, para que possam fazer escolhas com calma e sem pressa. A escolha deve ser sempre livre e nunca algo imposto como uma obrigatoriedade”, sintetizou o pai de Antônio, da 2ª série B. Iniciado em junho, o projeto será encerrado este mês. Os alunos participaram de oficinas de Jornalismo, Comunicação e Negócios e acompanharam a rotina de vários profissionais.

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eVENTOS

Fala Farroups com o Ensino Médio Dia 04 de setembro, alunos do Ensino Médio e um representante do Grêmio Estudantil Farroupilha (GEF) estiveram reunidos para mais uma edição do projeto Fala Farroups. Ao lado da Diretora Pedagógica, Marícia Ferri, eles debateram sobre as melhorias feitas pelo Colégio e sobre os pontos que merecem atenção especial. “O Colégio está mais preocupado com os alunos, em propor atividades diferentes. Isso é muito bom. Estamos conseguindo ver esse processo de mudança”, disse Roberta, representante do GEF no encontro. Joana, aluna da 3ª série, trouxe algumas sugestões dos colegas. “Estamos saindo da escola no final do ano, mas queremos que essas mudanças continuem”, contou.

Aula sobre poesia O patrono da Feira do Livro, Ricardo Silvestrin, ministrou Oficina de Poesia para as turmas do 6º ano do Ensino Fundamental – Anos Finais, no dia 16 de agosto. A obra do autor “Transpoemas” está sendo trabalhada em sala de aula, e a ideia, conforme a professora de Língua Portuguesa, Ilda Pacheco, é montar um livro digital com poemas elaborados por todos os estudantes. Autor de 17 livros, Silvestrin falou com os alunos sobre as suas obras e sobre como começou a escrever. “Aos 15 anos, passei a compor músicas. Fui à biblioteca da minha escola na época para ver como os autores faziam os poemas. Peguei um livro do Manuel Bandeira e, a partir de então, veio o gosto de ler e escrever”, afirmou. Questionado sobre como incentivar o hábito de escrever desde cedo, o autor explicou que ler é fundamental. “O gostar de escrever vem da vontade de fazer algo diferente”, respondeu. Felipe, do 6A, ficou muito feliz em conhecer Silvestrin. “Já tínhamos lido várias obras dele em outros anos”, disse.

VII Mostra do Conhecimento e X Mostra Científica Dia 28 de setembro aconteceram a VII Mostra do Conhecimento e a X Mostra Científica. Pela manhã, os alunos dos Anos Finais expuseram seus trabalhos nas salas de aula e nos corredores do 2º andar. Já a Mostra Científica reuniu 40 trabalhos dos estudantes da 1ª série do Ensino Médio relacionados ao projeto Ethos, elaborado com seis temáticas: drogas, valorização do outro, alimentação saudável, disciplina, espiritualidade, civilidade e cidadania. Os alunos da 2ª série apresentaram 30 trabalhos com os seguintes eixos temáticos: física, sociologia, geografia, química, biologia e história. As apresentações ocorreram das 8h às 11h, nas salas e nos corredores do 3º andar do Colégio.

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Revista RevistaFarroupilha Farroupilhan°n°109 106


FARROUPITO

As formas de aprendizagem na Educação Infantil

A

s vivências compartilhadas pelas crianças ao

des, os quais acabam por estruturar o estudo, fomen-

longo da etapa da Educação Infantil são sem-

tando, sempre, a curiosidade pela busca do conheci-

pre momentos muito valiosos. Sabemos que,

mento e o desejo de pesquisa. Assim, não somente os

nessa faixa etária, a curiosidade, o desejo pelas desco-

momentos de exploração da linguagem oral se tornam

bertas e pelas investigações estão sempre presentes

fundamentais, como suporte para discussões e refle-

nas ações e no pensamento dos alunos. Situações sim-

xões, como também muitas outras situações. Dentre

ples do dia a dia, necessidades da turma e o olhar aten-

elas, destacamos as vivências práticas das saídas de es-

to do professor a estas situações podem ser a alavanca

tudo, as conversas e as trocas de saberes em rodinha, as

de importantes construções dentro da trajetória de um

pesquisas nos diversos portadores de texto, os jogos,

grupo. Assim, constituímos um projeto de trabalho e, a

garantindo o lúdico tão fundamental nessa etapa, e as

partir dele, buscamos respostas para situações-proble-

experimentações diversas.

ma que deram origem ao foco de estudo. As estratégias

Nessa perspectiva, os alunos escolheram algumas tur-

e ferramentas que podemos utilizar nesses momentos

mas do Jardim de Infância do Colégio para descobrir

se constituem em um importante leque de oportunida-

como eles estão aprendendo.

Saídas de estudo A turma da professora Lisiane Silveira, do Nível 2A, com o projeto “Profissões que nos ajudam”, pôde conhecer as mais variadas profissões que existem. Para enriquecer ainda mais o projeto, realizaram uma saída de estudo à Escola de Bombeiros de Porto Alegre. Farroupito: Qual é a profissão que vocês mais gostaram de conhecer? Nível 2A*: “Gostamos de conhecer muitas profissões, como os médicos e os policiais, mas gostamos mais dos bombeiros.” Farroupito: Por que vocês gostaram mais dos bombeiros? Nível 2A*: “Porque nós fomos com o ônibus da Escola até lá para conhecer onde eles trabalham./ Nós lanchamos lá, e foi muito legal./ Descobrimos que os bombeiros salvam as pessoas./ Eles treinam em uma casa que pega fogo e estudam na escola dos bombeiros.”.

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FARROUPITO

Pesquisa

O Nível 3A, da professora Ana Christina Duarte, está explorando o projeto “Grandes Felinos”. Para descobrir mais sobre suas características e curiosidades, a turma realizou algumas pesquisas. Farroupito: O que vocês estão fazendo para conhecer mais sobre os felinos? Nível 3A*: “Pesquisamos no computador com a mamãe e com o papai; depois, eles imprimiram em casa./ Os amigos trouxeram para a aula as imagens que descobriram para apresentar. / Nas pesquisas, descobrimos mais sobre os tigres, os leões e os leopardos.” Farroupito: Onde vocês pesquisaram? Foi legal? Nível 3A*: “Pesquisamos em livros as informações./ Os filmes (DVD) também nos trazem curiosidades. / Gostamos de pesquisar em casa. / Escutamos histórias sobre os felinos. Podemos trazer bichinhos, maquetes, tudo o que for legal sobre os felinos”.

Rodinha Na rodinha do Nível 1D, da professora Juliana Rocha descobrimos que esse espaço é rico em oportunidades de aprendizagem e de desenvolvimento. Farroupito: O que vocês aprendem na rodinha? Nível 1D*: Aprendemos as atividades. / Chamadinhas./ Escolhemos os ajudantes do dia. / Combinações. /Conversamos sobre o nosso projeto que é o “Corpo que Brinca e Aprende”. Farroupito: Vocês fazem combinações na rodinha? Nível 1D*: Sim, a “profe” combina sobre ajudar a guardar os brinquedos na hora que ela pede./ Escutar a “profe”. / Esperar a sua vez de falar e levantar a mão. / Escutar quando o amigo quer falar. / Às vezes, precisamos mandar o corpo ficar quieto. Farroupito: O que vocês mais gostam na rodinha? Nível 1D*: Brincar de lego, ler livros e cantar.

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Resolução de problemas Farroupito: O que vocês estão fazendo para melhorar o planeta? Nível 3C*: Colocamos o lixo no lixo./ Também colocamos no lixo as coisas que estão jogadas na rua./ Fizemos um bolo de cenoura e reaproveitamos as folhas da cenoura. A parte que em casa costumamos jogar fora. É só colocar o talo da cenoura em um pote com um pouco de água e esperar de 15 a 20 dias para aproveitar a folha novamente. Ela pode ser usada em salada e como tempero. Farroupito: Como vamos cuidar do planeta se ele é enorme? Nível 3C*: Não colocando o lixo no chão./ Fazer o mesmo A turma do Nível 3C, da professora Cátia Mata, está desenvolvendo o projeto “Um Planeta Melhor”. Além da ampliação da consciência responsável de cuidar e proteger o planeta que habitam, as crianças pensam

que fizemos com a cenoura, reaproveitando suas folhas./ Reciclar./ Respeitar o trânsito./ Parar no sinal vermelho./ Parar o carro para as pessoas atravessarem./ Ser legal com o amigo.

em ideias no exercício da cidadania e no compromis-

Farroupito: Quem cuida do Planeta Terra?

so coletivo.

Nível 3C*: Nós./ As pessoas./ Os humanos.

Experimentações: No Turno Integral do Jardim de Infância, as crianças têm a oportunidade de vivenciar, toda a semana, na Oficina do Pequeno Cientista, experiências que despertam um novo olhar sobre as coisas que as rodeiam. E é esse olhar in-

* Perguntas e respostas fidedignas às das crianças.

vestigativo que a criança levará por toda a vida, nas suas futuras descobertas.

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Saúde

Competência emocional na infância Por Adriana Fóz, pesquisadora do CNPq em Neurociências na Educação, especialista em Psicopedagogia e em Neuropsicologia, consultora e autora de livros.

D

esde que nos constituímos em um embrião, já

Essa faculdade é denominada plasticidade cerebral. Em

começamos a nos diferenciar e a lapidar nossas

outras palavras, a plasticidade cerebral é uma caracterís-

sinapses. Toda criança tem seu curso de desen-

tica inerente ao cérebro que permite que ele se reorgani-

volvimento em várias esferas, como, por exemplo, motora,

ze, se modifique e se reconfigure. O cérebro é imbuído de

cognitiva, comportamental e emocional. Porém, como uma

possibilidades, modifica-se o tempo todo, mas apresenta

impressão digital, cada cérebro tem suas diferenças.

“regras”. Entendem-se, como regras, as janelas de oportu-

Uma criança precisa de mais estímulos para atividades

nidade e períodos sensíveis, ou melhor, os períodos nos

físicas, outra precisa de mais estímulos para desenvolver

quais uma determinada habilidade ou competência é de-

seu raciocínio lógico-matemático; e, ainda, outra, de uma

senvolvida ou aperfeiçoada.

ajudinha no desenvolvimento da linguagem. Uma crian-

O cérebro aprende desde sempre, por isso a importância de

ça pode ser mais afetiva, outra, mais independente. Essas

o estimularmos para sua melhor competência e bem-estar.

diferenças enriquecem a relação professor-aluno e tra-

Nesse sentido, contamos com as janelas de oportunidade e

zem aos educadores desafios, desafios, estes, por exem-

os períodos sensíveis do cérebro para os aprendizados. Por

plo, de como trabalhar as diferenças em um grupo de 20

exemplo, uma criança que não foi estimulada visualmen-

ou 30 crianças e de como promover o desenvolvimento

te, mesmo sendo aparelhada de um lobo occipital (parte

cognitivo e emocional a partir das diferenças.

posterior do cérebro responsável pelo processamento da

Se começarmos a entender os aspectos e as “regras” do

visão), não aprenderá a ver (de modo geral).

cérebro, teremos muitas pistas. Nascemos com aproxi-

Esse mesmo cérebro plástico, ávido e preparado para o de-

madamente 86 bilhões de neurônios e vamos perdendo

senvolvimento das competências neurocognitivas precisa,

e reorganizando essas células ao longo de nosso processo

com a mesma importância, cuidar das competências emo-

de nos tornarmos mais competentes. Trocamos células,

cionais. Tratando de desenvolvimento emocional, estaremos

reconfiguramos o relacionamento entre elas e temos um

em uma seara bastante complexa das neurociências, mas

dispositivo natural de capacidade de autorregeneração.

que pode nortear a conduta do educador nos aspectos acima.

28 Revista RevistaFarroupilha Farroupilhan°n°109 109


O que são competências emocionais? Goleman (2001)

• Tornar-se mais sensível às emoções dos outros;

ressalta que a Competência Emocional é uma capacida-

• Usar de forma cuidadosa as informações e as ações.

de adquirida, baseada na inteligência emocional, que é

Para tanto, é importante conhecer as sete emoções básicas

a capacidade de criar motivações para si; de persistir em

estudadas por Ekman: — ­ tristeza, raiva, surpresa, medo,

um objetivo apesar das dificuldades; de controlar impul-

nojo, desprezo e alegria.

sos; de saber aguardar pela satisfação de seus desejos; de

Segundo estudos neurocientíficos, o período sensível para

se manter em bom estado de espírito; de impedir que a

o desenvolvimento das emoções situa-se entre 3 e 10 anos.

ansiedade interfira na capacidade de raciocinar; e de ser

O sistema Límbico, responsável pelas emoções, é bastan-

empático e autoconfiante.

te ativado nesse período etário, mas já pode ser “cuidado”

Paul Ekman, considerado o maior especialista mundial na

pela região pré-frontal, responsável pelo controle de im-

análise das emoções e suas emoções e autor de diversos

pulsos, pela flexibilidade mental, pelo planejamento, etc...

livros sobre o assunto, pontua a importância do controle

Goleman (1996) enfatiza que a Inteligência Emocional (IE)

emocional para a qualidade de vida do indivíduo e traba-

irá determinar o potencial de um indivíduo para aprender

lha em prol da identificação e do manejo destas.

as habilidades práticas que estão baseadas nos seguintes

Segundo Ekman, existem, pelo menos, quatro compe-

aspectos: autoconhecimento, controle emocional, auto-

tências que podem ser estimuladas para a melhor com-

motivação e empatia.

preensão e o manejo das emoções:

Essas informações nos explicitam a importância de estimu-

• Tornar-se mais consciente de suas ações, inclusive antes

larmos e trabalharmos as emoções das crianças para um

de elas ocorrerem; • Escolher como se comportar para não se magoar, nem magoar o outro;

desenvolvimento mais saudável e pro-ativo. Logo, trabalhar e capacitar as crianças para a competência emocional é fundamental.

Depois de sofrer um AVC e ficar sem conseguir ler e escrever, Adriana usou a própria doença para desenvolver estudos sobre o funcionamento do cérebro.

29


ESPECIAL

Uma escola

divertida

e que aponte caminhos

inovadores E

sse é o modelo de educação defendido pelos

os mais variados temas, estimulando-os a encontrar

jovens da geração Z, estudantes nascidos entre

novos caminhos e novas soluções ao invés de mera-

1990 e 2010. Curiosos e famintos por informa-

mente apontar respostas. A educação do século 21 faz

ções de forma rápida e clara, essa geração está trans-

com que o aluno seja capaz de gerar a sua própria ver-

formando os espaços escolares dia após dia. Se antes

são das coisas, de olhar o mundo e de reconstruí-lo .

a metodologia de ensino era baseada na transmissão

“A escola não pode dar um caminho de respostas e sim

de conhecimento pelo professor em livros e quadro

vários caminhos de perguntas. Quero uma escola que

negro, hoje a forma de ensinar ganha novos contornos

mude a minha vida”, conta Guilherme da 8ª série do

com esses alunos, conhecidos como nativos digitais,

Ensino Fundamental, ao comentar que aprova a pos-

que chegam às salas de aula e acabam com o reinado

tura do Colégio de ouvir mais os jovens e de se “abrir

das aulas expositivas. Ligada em novidades, essa ge-

para o diálogo”. Uma escola inovadora, na avaliação do

ração quer que o processo de ensino-aprendizagem

advogado Luiz Fernando Gonçalves Silveira, é aquela

seja uma experiência enriquecedora, divertida, leve,

que possibilita aos alunos infinitas formas de aprendi-

lúdica, baseada no diálogo e na troca de experiências,

zagem e convivência. “Além de infraestrutura adequa-

em que o conhecimento esteja contextualizado com a

da, com laboratórios, bibliotecas e tudo o mais, a escola

prática cotidiana.

que prioriza a inovação contribui para que os nossos

Para atrair a atenção desses alunos conectados, dinâ-

filhos sejam questionadores, pensem e encontrem so-

micos, autônomos, imediatistas, críticos, confiantes e

luções para tudo o que os inquietam”, destaca o pai de

inovadores, é preciso muito mais do que intercalar con-

Maria Eduarda, do 2º ano do Ensino Fundamental, ao

teúdos e exercícios. Questionadores, esses estudantes

lembrar que a família deve estar presente em todos os

querem uma escola que os faça refletir e pensar sobre

momentos da vida escolar das crianças e dos jovens.

30 Revista RevistaFarroupilha Farroupilhan°n°109 109


Neurociência a favor do aprendizado Para Marc Prensky, especialista em tecnologia e educação

tos presentes no convívio escolar, como raiva, ansiedade,

pela Universidade de Yale e autor de vários livros, as crian-

tristeza, autocontrole, preguiça e sono, entre outros, faz

ças de hoje já nascem em um mundo caracterizado pelas

com que o educador aprenda a se respeitar enquanto ser

tecnologias e mídias digitais e teriam, portanto, seu perfil

humano e a explorar positivamente habilidades e compe-

cognitivo (de aprendizado) alterado. Essas novas crianças,

tências voltadas para o aprendizado. “Essa compreensão é

conforme o especialista, apresentariam estruturas cere-

fundamental para que ele também entenda essas carac-

brais diferentes e seriam mais rápidas, capazes de realizar

terísticas em seus alunos e consiga lidar melhor com eles,

muitas tarefas ao mesmo tempo e mais autônoma que as

tanto do ponto de vista comportamental quanto peda-

gerações anteriores.

gógico. Acabamos ajudando não só os professores, mas

A neurociência, conforme a pesquisadora do CNPq e espe-

também os alunos, que percebem a mudança de atitude

cialista em Psicopedagogia e Neuropsicologia Adriana Fóz,

do educador e melhoram a relação cotidiana, sentindo-se

é vital para a educação, já que o cérebro é o órgão mais

mais estimulados a aprender outras coisas”, assegura.

importante para as nossas aprendizagens. É nele que se

De acordo com o psicólogo Howard Gardner, da Uni-

encontra o nosso comando central. “O professor tem como

versidade de Harward, a inteligência (capacidade de re-

tarefa, durante o processo de aprendizagem dos alunos,

solver problemas ou elaborar produtos valorizados em

trabalhar a leitura, a matemática, além de, também, tentar

um ambiente cultural ou comunitário) pode ser dividida

entender o funcionamento do cérebro. É essa a principal

em sete diferentes competências que se interpenetram,

função da neurociência na educação: dar aos professores

pois sempre envolvemos mais de uma habilidade na so-

mais instrumentos e ferramentas para que eles sejam capa-

lução de problemas. Quais sejam:

zes de otimizar suas funções”, esclarece a autora.

• Inteligência Verbal ou Linguística: habilidade para lidar

Conforme a especialista, isso é fundamental para minimi-

criativamente com as palavras.

zar um dos principais problemas que envolvem os docen-

• Inteligência Lógico-Matemática: capacidade para

tes: o desgaste profissional. “Em muitos casos, o professor

solucionar problemas envolvendo números e demais

não percebe que cada aluno possui um ritmo diferente de

elementos matemáticos; habilidades para raciocínio

aprendizado e que, naturalmente, ele também precisará de

dedutivo.

orientações durante esse processo”, afirma. Entender como são desencadeados e desenvolvidos no cérebro sentimen-

• Inteligência Cinestésico Corporal: capacidade de usar o próprio corpo de maneiras diferenciadas e hábeis.

Trabalhos em grupo melhoram a relação cotidiana e ajudam a desenvolver habilidades e competências dos alunos.

31


ESPECIAL

• Inteligência Espacial: noção de espaço e direção.

culturais, conforme Gardner, algumas inteligências são

• Inteligência Musical: capacidade de organizar sons de

mais desenvolvidas do que outras. Nos anos 90, Daniel

maneira criativa. • Inteligência Interpessoal: habilidade de compreender os outros; a maneira de como aceitá-los. • Inteligência Intrapessoal: capacidade de introspecção, de autoconhecimento. Habilidade de administrar seus sentimentos e emoções a favor de seus projetos. É a inteligência da autoestima. A partir das relações com o ambiente, com seus aspectos

Goleman, psicólogo da Universidade de Harward, afirmou que ninguém tem menos que nove inteligências. Além das sete citadas por Gardner, Goleman acrescenta mais duas: • Inteligência Pictográfica: habilidade que a pessoa tem de transmitir uma mensagem pelo desenho que faz. • Inteligência Naturalista: capacidade de uma pessoa em reconhecer aspectos da natureza e de sentir-se um componente natural.

Educação emocional Educar os filhos emocionalmente para que eles saibam

Para o aluno Rafael Lippert, da 8ª série, a base de toda a for-

lidar com os desafios impostos pela vida é uma das pre-

mação da criança e do jovem vem de casa. “Se somos edu-

ocupações dos pais. De acordo com o Grupo de Orien-

cados, atenciosos e responsáveis em sala de aula é porque

tação Educacional dos Anos Iniciais, a família deve ser a

aprendemos isso com os nossos pais. Conceitos e valores

preparadora emocional do filho, estimulando, na criança,

importantes para a nossa vida, como respeito e educação,

o desenvolvimento de todos os tipos de inteligência. “As-

são repassados pela nossa família”, acredita.

sim, a criança se desenvolve harmonicamente, de forma

Como preparadores emocionais, sugere-se que os pais:

a valer-se de suas experiências para ajustar-se emocio-

• percebam as emoções dos filhos e as suas próprias;

nalmente”, dizem as psicólogas Sandra Peixoto, Luciana

• reconheçam a emoção como uma oportunidade de inti-

Motta e Diana dos Santos.

midade e orientação;

“A família deve priorizar o acompanhamento escolar dos filhos”, diz o advogado Luiz Fernando Silveira, pai de Maria Eduarda, do 2º ano do Ensino Fundamental.

32 Revista RevistaFarroupilha Farroupilhan°n°109 109


• ouçam com empatia as falas das crianças para legitimar os sentimentos da criança;

responsáveis por uma parte do trabalho, são ótimas para estimular esse aspecto importante da aprendizagem.

• ajudem as crianças a nomear e a verbalizar as emoções;

De acordo com o Grupo de Orientação Educacional, a es-

• imponham limites e ajudem a criança a encontrar solu-

cola que valoriza a educação emocional tende a:

ções para os próprios problemas.

• compartilhar responsabilidades com seus alunos;

Assim como as famílias, a escola também deve defender o

• identificar e promover talentos individuais;

princípio da educação emocional, ensinando aos alunos o

• estimular a atualização permanente de professores;

senso de respeito, importância da cooperação e da respon-

• enfatizar atividades em grupo;

sabilidade por si e pelo outro. Atividades realizadas em

• ressaltar a criatividade de cada aluno;

conjunto, em que todos trabalhem igualmente e sejam

• ensinar o aluno a aprender como aprender.

Falando a língua da geração Z Promover o desenvolvimento de habilidades essenciais

sibilidades. A grande diferença é que o ensino pautado

para a vida – cognitivas, sociais, emocionais e éticas – a

em saberes organizados de modo linear e acumulativo

partir das diferenças de cada aluno traz desafios à rotina

cai por terra. O pensamento da nova geração se orga-

diária dos educadores. São essas diferenças, aliás, que

niza em rede, uma teia de ideias que pode ter diversos

enriquecem o processo de ensino-aprendizagem, já que

sentidos e possibilidades. Em outras palavras, o aluno

cada aluno aprende de um jeito. Uma criança pode ne-

aprende quando vê sentido no que faz, quando se per-

cessitar de estímulos para atividades físicas, outra precisa

cebe autor deste saber e se enxerga capaz de articular

de desafios para desenvolver seu raciocínio lógico – ma-

seu conhecimento com sua vivência cotidiana”, explica

temático – enquanto o colega ao lado pode necessitar de

Haddad. A percepção da pesquisadora é reforçada pela

um empurrãozinho para desenvolver a linguagem.

aluna Luiza, da 8ª série. “Somos muito reservados e tí-

Conforme Nana Haddad, membro do Programa de Pós-

midos. Quando temos intimidade com o professor, fica

Graduação em Doutorado em Educação, da Universida-

mais fácil aprender, porque não temos vergonha de per-

de Estadual de Campinas (Unicamp), o desenvolvimento

guntar o que não sabemos”, confidencia.

afetivo ocorre quando o aluno percebe que o professor o conhece, que reconhece suas particularidades, sabe das dificuldades que enfrenta e dos modos como aprende, e percebe, na figura do docente, um facilitador do processo de ensino e aprendizado. “Quando o aluno se sente confiante e percebe que o professor acredita em sua capacidade de aprender, o desenvolvimento cognitivo é favorecido e potencializado”, destaca a autora do livro “Arte de olhar: percursos em educação”, entre outras publicações. Para se trabalhar com a geração Z, é necessário envolver atividades diversificadas e dinâmicas, com objetivos bem definidos, para que eles possam se motivar a adquirir novas competências e habilidades. “O aprendizado se dá quando o aluno deixa de manipular os dados a que tem acesso como mera informação e os transforma em algo significativo, articulando saberes e compondo novas pos-

Pesquisadora Nana Haddad alerta que o desenvolvimento cognitivo é favorecido quando o aluno percebe que o professor acredita na sua capacidade de aprender.

33


ESPECIAL

Inovação na educação Essa nova realidade impõe aos educadores uma adaptação,

com os educadores e professores do Farroupilha ao longo

fato impensável anos atrás. Eles precisam repensar sobre

do ano, em parceria com a Perestroika, escola de criativi-

como auxiliar os alunos no desenvolvimento de habilidades

dade. A atividade mais recente ocorreu no dia 21 de agos-

distintas, tanto do currículo tradicional quanto de habilida-

to, quando o grupo participou de dinâmica durante en-

des vinculadas a competências do futuro, que inclui softwa-

cerramento do NOVA, curso sobre inovação na educação,

re, hardware, robótica, nanotecnologia, genoma e tantos

com duração de três meses e que utilizou metodologias

outros saberes. Tudo isso sem esquecer de que uma aula

inovadoras, como o Design Thinking, na qual os profissio-

atrativa é aquela que ensina de uma forma divertida, que

nais são estimulados a repensar os problemas. “As ativi-

desperta a curiosidade e o interesse do estudante, possibi-

dades servem para refletirmos onde a gente está e aonde

litando o desenvolvimento de suas habilidades. Outro as-

queremos chegar. Hoje em dia, existem vários tipos de

pecto a considerar é a necessidade de estimular, no aluno,

escolas, cada uma com as suas verdades. Queremos pro-

a autoaprendizagem, instigando sua imaginação e criativi-

vocar reflexões, proporcionar experiências e vivências aos

dade, ensinando-o a superar obstáculos e a compreender o

professores sobre esse mundo de possibilidades que há

mundo social que o rodeia.

na educação”, conta Gabriela Malafaia, Assessora de Ideias

“Aprendemos na interação com o outro, trocando experiên-

e Novos Projetos do Colégio.

cias, socializando o conhecimento e, também, despertando

Durante o workshop, foi organizado um ambiente des-

o desejo de querer conhecer e de aprender sobre determi-

contraído no Auditório, com música, pufes, perfume e

nado tema”, analisa a professora Patrícia Giese, dos Anos

flores. O objetivo era criar experiências e trabalhar os

Iniciais. A aluna Joana, da 8ª série do Ensino Fundamental,

sentidos. Os professores se dividiram em nove grupos.

complementa o pensamento da docente. “Professor bom é

Em cada um deles, havia uma cartolina, canetas e um

aquele que te faz pensar para entender como que você vai

envelope, que continha uma palavra com os módulos

usar em sua vida o conteúdo por ele repassado”, sintetiza a

do curso NOVA, que eram: experiência, currículo, des-

estudante.

centralização, escolas inovadoras e desescolarização.

Repensar a educação como um todo, rompendo velhos

A partir daí, cada grupo discutiu o significado daquela

paradigmas e pensando em novas formas de ensino-

palavra dentro da escola, da sala de aula e na educação.

-aprendizagem para estudantes do século 21 é o propó-

Após essa atividade, os professores circularam pelos

sito dos workshops, das oficinas e dos cursos realizados

grupos para multiplicar saberes e trocar experiências.

34 Revista RevistaFarroupilha Farroupilhan°n°109 109


Facilitação gráfica oportuniza ao estudante a assimilação e a revisão de conteúdos através de uma forma lúdica e criativa.

Recursos que motivam o aprendizado Com o crescimento das tecnologias da informação e

é uma inovadora ferramenta para motivar alunos de di-

comunicação no processo de ensino-aprendizagem,

ferentes estilos cognitivos a descobrirem novas formas

transformaram-se as relações com o saber. Independen-

de memorização de conteúdos a partir da construção

temente da utilização dos recursos midiáticos em sala

de mapas visuais produzidos por eles próprios. “No

de aula tanto o aluno quanto o professor têm contato

momento em que você tem liberdade para colocar no

diário com diversas mídias, ficando armazenadas, em

papel o seu pensamento e a sua expressão visual, ocor-

suas memórias, informações decorrentes de seu coti-

re, naturalmente, no cérebro, uma assimilação e conse-

diano, como: filmes, programas de rádio e TV, atividades

quente memorização do conteúdo e da estruturação de

no computador e na internet, além de jogos interati-

ideias que venham a ter relação direta com o processo

vos, tornando-se referências para novas descobertas e

de aprendizagem”, destaca a engenheira e designer,

aprendizagens, transformando-se em fontes de infor-

Luciane Bergue, ao falar dessa metodologia lúdica que

mações para auxiliar na compreensão de conteúdos e

convida os alunos a relembrarem os primeiros anos de

realização de tarefas.

escola em que lápis de cor, giz de cera e canetinhas co-

É preciso usar a tecnologia a favor do aprendizado e

loridas eram os principais objetos para a aprendizagem.

desenvolver uma nova dinâmica de aula, valorizando

Conforme Luciane, o Farroupilha foi o pioneiro dentre as

processos colaborativos que envolvam a interação de

instituições de ensino do Rio Grande do Sul a adotar esse

alunos, professores e ferramentas de aprendizagem. É

recurso. “A facilitação representa nossas ideias postas no

necessário romper paradigmas, possibilitando maior

papel e serve para gravar o que a gente pensou”, reforça

incentivo à pesquisa, curiosidade e criatividade a partir

Guilherme, aluno da 8ª série que participou de bate-papo

de atividades diferenciadas, tornando as aulas mais di-

promovido durante a Semana do Estudante dos Anos Finais.

nâmicas e atrativas. Nesse sentido, a facilitação gráfica

35


ESPECIAL

Quem somos nós e como aprendemos Dois dias de muita conversa e reflexão e uma constata-

por parte dos professores e jogos são os três pontos em

ção: um professor que entende os alunos, que se inte-

que os estudantes se sentem mais motivados. Ficar quie-

ressa por suas histórias e uma aula criativa e divertida

to é algo que os deixa desanimados. “Eles entendem que,

são considerados fatores fundamentais para favorecer o

em alguns momentos, é preciso se concentrar. Contudo,

aprendizado. A conclusão é dos estudantes do 6º ano do

eles sabem que aprenderão mais se puderem trocar ex-

Ensino Fundamental, que, durante a Semana do Estudan-

periências e informações com os outros colegas tam-

te, participaram do “Workshop Design Thinking – Quem

bém”, acrescenta.

somos nós e como aprendemos?”, com a publicitária Ca-

Após o primeiro momento, cada um precisou definir um

roline Bucker, membro do grupo colaborativo Thinker

problema e depois discuti-lo em grupo. Uma das questões

Poa e parceira do d.think, do Rio de Janeiro e do Crialab

que surgiu foi “Se a aula fosse mais participativa, será que

do Tecnopuc, em Porto Alegre.

eu aprenderia mais?”. A partir do questionamento, os alu-

Na primeira etapa, chamada de empatia, eles refletiram

nos discutiram e propuseram ideias e soluções através de

como eles se sentem e quem eles são. “Eles estão mais

cartazes, de uma peça de teatro e de música. “Eles querem

participativos e conseguem perceber o que os deixa fe-

se divertir, eles querem ser felizes. Quando eles participam,

lizes e tristes”, destaca Caroline. Interação, compreensão

eles se sentem motivados e inteligentes”, definiu Caroline.

36 Revista RevistaFarroupilha Farroupilhan°n°109 109

36


ESPECIAL

Fala, Farroups Um espaço para o diálogo entre a Direção e um grupo de alunos sobre percepções e sugestões para o Colégio é o principal objetivo do “Fala, Farroups”. Este projeto promove encontros mensais com estudantes e conta com a participação de um representante do Grêmio Estudantil Farroupilha. Os bate-papos acontecem na sala do GEF, na última segunda-feira do mês, e, a cada edição, um nível de ensino é contemplado. Alunos da Unidade Correia Lima também participam do Fala Farroups. Os estudantes respondem para a Diretora Pedagógica, Marícia Ferri, como o grupo percebe o Colégio, suas opiniões e sugestões sobre assuntos relacionados à rotina escolar. “Meus primos e a minha irmã já estudaram aqui, e é perceptível o crescimento do Farroupilha. As melhorias que estão ocorrendo propiciam um ambiente mais favorável ao estudo”, destacou Vítória, da 3ª série do Ensino Médio. “O Colégio mudou bastante. Noto, inclusive, que, além das mudanças na infraestrutura, a escola está mais exigente nas avaliações, e isso é positivo”, complementou a colega Nora, da 2ª série.

37 Revista Farroupilha n° 109

37


ESPECIAL

Como será o mercado de trabalho movido pela geração Z Mais exigentes, versáteis e flexíveis são as principais

esperando por um mundo semelhante ao seu, co-

características dos profissionais que, em breve, estarão

nectado, aberto ao diálogo, veloz e global. Tendem a

movimentando o mercado de trabalho. Como nasceu

exigir novos tipos de relações interpessoais e muitas

e vive em um mundo globalizado, a geração Z tem

explicações daquilo que é solicitado. Em empresas

uma visão ampla do seu trabalho. Os futuros profis-

com uma hierarquia flexível, essa atitude é positiva,

sionais enxergarão a empresa em todos os âmbitos e

até encorajada, mas, em companhias com posições

terão uma noção maior daquilo que deve ser feito para

bem definidas, os questionamentos podem não ser

que ela cresça. Também, entenderão que a organiza-

tão bem vistos.

ção está inserida em um universo de conexões, e a importância de mantê-las saudáveis aumentará.

dança e atualizar seus objetivos, criando novas for-

Essa geração pede mudanças. Conectados com o

mas de liderança e motivação, ou lutar contra a maré

mundo digital, os jovens que nasceram sob o domí-

e manter-se conservador frente às mudanças ocorri-

nio da tecnologia chegam ao mercado de trabalho

das nos últimos anos.

Aos empresários, fica a opção de encarar essa mu-

Mercado de trabalho foi um dos enfoques da Oficina de Produção de Vídeo, ministrada pela equipe da ESPM, durante a Semana do Estudante dos Anos Finais.

38 Revista RevistaFarroupilha Farroupilhan°n°109 109

38


destaques

//Jovens sonhadores transformam a realidade coletiva “Todos nós temos um sonho!”, afirmou o jornalista e

lho com satisfação e felicidade. Querem trabalhar com

pesquisador André Gravatá aos estudantes da 2ª série

algo que faça sentido em suas vidas e que possa contri-

do Ensino Médio no dia 02 de setembro, durante con-

buir com o mundo. Eles querem somar e não separar. O

versa, no Auditório do Colégio. Essa turma e todas as

que observamos é que a nova geração tem espírito cole-

outras da 7ª e da 8ª séries do Ensino Fundamental e da

tivo”, disse André.

1ª série do Ensino Médio conheceram a pesquisa “O So-

Agir com honestidade no dia a dia e aproveitar as opor-

nho Brasileiro”, um estudo que retrata a perspectiva de

tunidades que o país oferece são posturas em que os

jovens de 18 a 24 anos sobre o Brasil e o futuro, a qual

jovens acreditam para transformar o Brasil. Esse jovem

foi aplicada pela empresa Box 1824. A atividade abriu

sonhador, conforme André, tem a sua forma de pensar e

as comemorações da Semana da Pátria, e a pesquisa foi

agir impactada por três drivers (influências):

apresentada aos alunos com o objetivo de despertar

Hiperconexão: amplitude que emerge das redes so-

pequenas ações do dia a dia que podem resultar em

ciais, na qual barreiras físicas são quebradas pela alta

grandes sonhos coletivos e que ajudam a transformar o

capacidade de geração e mobilização dos movimentos

país em um lugar com menos corrupção, mais respeito,

coletivos.

cidadania e igualdade para todos.

Não-dualismo: o mundo não é bipolarizado; apresenta-

Os dados revelam que os jovens são sonhadores e que se

-se sem rupturas, e mentalidades de integração prevale-

preocupam, principalmente, em ter uma boa formação

cem sobre o individualismo.

profissional. “O estudo revela uma nova ressignificação

Microrrevoluções: uma nova maneira de agir no mundo,

do que é o emprego. Esses jovens estão juntando traba-

na qual os heróis são reais; há uma crença na ação co-

39


DESTAQUES

tidiana, em projetos independentes, em que múltiplas

educativos aos usuários do transporte público —, bem

revoluções silenciosas transformam o mundo de forma

como das manifestações realizadas em julho passado.

lenta e gradual. “Hoje, 8% dos jovens já estão transformando a realidade

40

Exposição do projeto “O Sonho Brasileiro”

brasileira. São o que chamamos de ‘jovens-ponte’, que

Um recorte do projeto “O Sonho Brasileiro” pôde ser con-

conectam a realidade de uma forma diferente”, desta-

ferido pela comunidade escolar de 02 a 06 de setembro,

cou o jornalista ao dizer que a pesquisa apontou que

na área coberta do Colégio. A exposição contou com 27

82% dos jovens acreditam que suas ações podem trans-

painéis que revelaram os principais resultados do estudo.

formar a realidade.

A atividade integrou a programação da Semana da Pá-

Para André, a escola deve ser um espaço colaborativo,

tria, desenvolvida em parceria com professores e alunos,

que instigue os alunos. “A escola precisa escutar o jovem

e propôs uma reflexão sobre o Brasil que somos, o Brasil

para que ele possa mostrar o que ele quer e se engajar

que esquecemos e o Brasil que queremos, o que constitui

nas atividades”, frisou o jornalista. Atento aos dados, o

o tema deste ano.

estudante Rafael disse que se considera um “jovem-

Ficou interessado em saber

-ponte”. “Se cada um de nós promover uma mudança,

mais sobre a pesquisa “O Sonho

vamos contagiar e influenciar os outros”, constatou o

Brasileiro”? Então acesse o QR

aluno da 2ª série ao contar que participou do Bonde do

Code ao lado (veja mais instru-

Sorriso — ação realizada por estudantes do movimen-

ções na página 02) e confira o

to #daescolapravida, a qual pretendia distribuir gestos

estudo na íntegra.

Revista RevistaFarroupilha Farroupilhan°n°109 109


Vamos falar sobre política? A partir da sugestão do Grêmio Estudantil Farroupilha

se mobilizaram, e conseguimos resgatar nas pessoas mais

(GEF), estudantes da 8ª série e do Ensino Médio partici-

velhas um sentimento de esperança de que podemos mu-

param, no dia 04 de setembro, da palestra “O gigante

dar o país. É importante participar, ouvir, querer entender

acordou” sobre os novos rumos da política no Brasil após

o que acontece à nossa volta. Quando se quer fazer, a falta

as manifestações ocorridas durante os meses de junho

de tempo não é desculpa”, destacou.

e julho. A convidada para falar sobre o assunto foi Sílvia

A presidente do GEF, Karolaine Pereda, acredita que mo-

Kihara, socióloga e co-fundadora do projeto Voto como

mentos de debate sobre os assuntos da atualidade são fun-

Vamos, plataforma que facilita a relação eleitor-candida-

damentais para complementar o que é aprendido em sala

to. “Criamos o projeto porque éramos muitas pessoas que

de aula. “É uma forma de nos atualizarmos e termos outros

queriam fazer algo pela nossa cidade, mas não sabíamos

olhares para os acontecimentos. Política é sempre o assun-

qual era a melhor maneira”, disse.

to de interesse para nós, alunos”, falou. A palestra fez parte

Sílvia mostrou aos alunos como foi sua participação nas

da programação da Semana da

diversas manifestações ocorridas no primeiro semestre

Pátria do Colégio.

deste ano, enfatizando a importância desses aconteci-

Quer conhecer a plataforma

mentos para fortalecer o espírito de mudança. “As pes-

do projeto Voto como Vamos?

soas se comoveram com a causa e resolveram participar”,

Então, acesse o QR Code (veja

afirmou. Para ela, ir às ruas vai muito além de conseguir a

mais instruções na página 02) e

diminuição do preço da passagem de ônibus. “Os jovens

confira a iniciativa.

41


DESTAQUES

Apaixonado pela aprendizagem M

anter-se atualizado sobre tudo o que acontece no Brasil e no mundo, na avaliação do estudante João Porto Alegre, da 2ª série D do Ensino

Médio, é a regra número um para quem pretende escrever um bom texto. “Quem é bem informado consegue desenvolver e articular melhor as suas ideias”, destaca o aluno ao confidenciar que não abre mão do hábito de todos os dias ler jornais e escutar noticiários. Foi justamente com uma dissertação sobre um tema relacionado à contemporaneidade – a mudança de comportamento e de valores da juventude – que João ficou entre os cinco vencedores do concurso cultural RedAção ZH, disputado por 200 estudantes finalistas. “Apresentei aspectos da história do país que mobilizaram ou que, pelo menos, deveriam mobilizar a juventude nos últimos tempos, como o impeachment de Fernando

Vestibular”, diz o aluno ao contar que a decisão pelo curso

Collor, em 1992, e o Mensalão, em meados de 2000”, re-

que fará na universidade será tomada somente no ano que

corda. Para Ana Luísa Canella, uma das professoras res-

vem. “Não preciso ter pressa. Ainda tenho muito tempo

ponsáveis pelas correções das dissertações, o texto de

para pensar e me decidir”, comenta ao falar que tanto as

João apresentou uma abordagem bastante objetiva, cla-

ciências exatas quanto as humanas lhe agradam.

ra e concisa em relação à postura do jovem. “Além disso,

Além de estar atualizado, João aproveita para dar outras di-

João demonstrou fazer uso qualificado dos recursos coe-

cas para quem pretende produzir textos de qualidade: “Es-

sivos da língua portuguesa”, analisou a docente.

colha o gênero que melhor exprime suas ideias; identifique

O prazer pela escrita foi despertado em casa quando, aos

o perfil de leitor para o qual você está escrevendo; tenha

quatro anos, a mãe lhe apresentou as primeiras letras do al-

domínio sobre o tema usando bons argumentos; e aplique

fabeto. “Com cinco anos, eu já sabia ler e escrever”, relem-

corretamente as regras da língua portuguesa. Lembre-se

bra. Filho de médicos, João sempre encontrou na família o

sempre de que comprometimento e dedicação são fato-

incentivo para os estudos. “Quando não sei o significado

res superimportantes para que você alcance o sucesso em

de uma palavra, pergunto ao meu pai”, fala ao contar que

tudo o que faz”, conclui.

os textos dissertativos são os que mais o atraem. “Essa é

Na próxima página, você confere o texto escrito pelo alu-

uma forma que encontrei de já ir me preparando para o

no João Porto Alegre.

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Revista RevistaFarroupilha Farroupilhan°n°109 109


elhor Por um futuro m e tinham como ões popu lares qu aç st ife an m as er m -se inúm tavam de junho, sucedera iro. Não se consta ile as br Ao longo do mês vo po do o e o desamparo tão presidente sar a insatisfaçã a deposição do en propósito ex pres u de se do an qu desde 1992, imento, manha amplitude desse tip o de mov s ta is on mobilizações de ta ag ot pr , para cá, os jovens Ocorre que, de lá o. Fernando Collor. azelas do govern os a assistir às m ad gn si re e os iv ss mostravam -se pa asileiros, enfim, o, milhares de br ic bl pú e rt po ns o do tra os para a aumento do preç upção até os gast rr co a Sob o pretex to do e sd de , as s diversas caus ra lutar pelas mai nsada do descaso saíram às ruas pa e do Brasil, já ca ud nt ve ju a e qu e modo, de tudo Pode -se dizer, dess otestar a respeit o pr ra pa Copa do Mundo. ta os sp di está, sim, mais seus mandatários, e da leniência de . o que ju lga errado uco se fez para dos anos 2000, po s do ea m em já o, Mensalã to de os au na o escândalo do uente disso é o fa oq el Quando veio à to a ov Pr s. do amente puni trama fossem devid atuais, anos após que os mentores da a de ju lgamentos ut pa o nd se m re tos esta e período? a de compra de vo os jovens naquel m va ta tores desse esquem es de on : sso, questiona -se rvamos em 2013? crimes. A partir di como as que obse a elucidação dos m si as s te en em ve stações promover manife Não deveriam eles e tange à conduta modificação no qu a tic ás dr a um e que houv pouco idade, conclui-se indivíduos, embora os m es Diante dessa real m s se es e be ressaltar qu os ex perientes. Ca na política vigen dos cidadãos men ças significativas an ud m er ov om idos, pr m -se mais der de, quando un mente, assemelha liz fe e, maduros, têm o po qu m tra os esplêndido e m ntam -se do berço última década. te. Para tant o, leva o conformada da çã ra ge à e qu do 80 e 90 cionária dos anos à juventude revolu do as principais junho, consideran de ês m o ic tíd fa cidez o as que brainterpretar com lu das desses ativist an m Ao governo, cabe de às r de en de urgência, at a de ideias é um lação e, em caráter queixas da popu ta que a divergênci vis em do en T a. ic zer polít ta, ex por va forma de se fa a mente mais aber um os dam por uma no tem e qu , ns erne a nós, jove democracia, conc s. Vamos à luta! valor basilar da s digno para todo ai m ro tu fu um de buscar nossos ideais a fim

43


DESTAQUES

Alunos sugerem modelos de escola inspiradora T

ornar a escola um lugar inspirador para aprender e conviver em um caminho aberto para várias possibilidades de escolha a partir da percepção

dos próprios estudantes foi o propósito da Semana do Estudante dos Anos Finais, promovida de 19 a 23 de agosto. Peça de teatro, workshops de design thinking e do movimento #daescolapravida, construção de mapas visuais, bate-papos e oficinas foram realizados em vários espaços do Colégio. “Demos vozes aos alunos para que pudéssemos entender quem são eles, como aprendem, quais são suas habilidades e interesses, o que acham mais significativo na escola, quais os fatores que permeiam e atravessam suas escolhas juvenis e, principalmente, o que levam de tudo o que a escola ensina”, disse a coordenadora dos Anos Finais, Rafaella Messina Perrone, ao destacar que a semana superou todas as expectativas. Sugestões para melhorar as práticas pedagógicas foram apresentadas pelos estudantes durante as atividades. “Falta uma conexão entre os conteúdos apreendidos no 5º e 6º anos”, comenta Guilherme, que estuda no Farroupilha desde o berçário. De acordo com o aluno da 8ª série B, os melhores anos de estudos foram os iniciais, porque havia maior interação entre as diferentes áreas do conhecimento. “As aulas eram mais objetivas e descontraídas”, relembra.

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Revista RevistaFarroupilha Farroupilhan°n°109 109


Para o aluno Fernando Jacob Lazaretti, do 6º ano A, o professor deve dar liberdade para que o estudante escolha os livros que vai ler. “A gente costuma comprar e carregar livros de que somente o professor gosta”, conta ao sugerir que saídas de campo também fossem realizadas por eles. “Isso nos possibilita ver a matéria na hora [in loco]”, reforça. Já as colegas Giovana, Amanda e Raíssa sugeriram que o Colégio adotasse um dia na semana para vir sem uniforme. “Seria mais divertido e mais alegre na hora de estudar”, comenta o grupo. De acordo com a coordenação, muitas das contribuições feitas pelos alunos servirão para que as práticas pedagógicas sejam repensadas. “Queremos, cada vez mais, envolver o aluno no seu processo de aprendizagem e engajá-lo no cotidiano do Colégio Farroupilha, fazendo com que sempre estejam atentos às questões juvenis e sociais que os envolvem”, enfatiza Rafaella. Faça a Leitura do QR Code ao lado (veja mais instruções na página 2) e confira o vídeo da Semana do Estudante.

45


DESTAQUES

Disseminando o bem U

ma manhã repleta de atividades para que famí-

qualquer coisa”, comentou Jaciara ao contar que preten-

lias, alunos, professores e colaboradores pudes-

dem montar, em breve, uma horta suspensa em casa.

sem conviver e ter experiências marcantes no

Para a família do pequeno Felipe, de dois anos, o Far-

Colégio. Assim foi o Farroupilha Day, realizado na manhã

roupilha Day serviu para conhecer melhor o trabalho

de 28 de setembro, na área coberta e no 1º e 2º andares

educativo do Colégio. Surpresos com a infraestrutura da

do Colégio. Nesta segunda edição, a novidade foi a utili-

escola, os pais Aline Oliveira e Tiago Souza consideram o

zação da Moeda do Bem. Leituras de poesias, polichine-

Farroupilha uma instituição de referência em educação

los e cambalhotas foram as moedas usadas na área de ali-

e com um nível de ensino superior às demais escolas da

mentação e na Lixeira Mágica, que devolvia um origami,

Capital. “Já visitamos outras instituições, mas a estrutura

feito de papel reciclado, toda a vez que uma criança, com

daqui é maravilhosa”, disse a mãe. “Ficamos encantados

a ajuda do pai ou da mãe, jogava um papel no seu inte-

com as múltiplas opções oferecidas pelo Colégio, como

rior. Toda a programação seguiu quatro linhas de ações:

as oficinas, as modalidades esportivas, o grupo de teatro

cuidar, conhecer, compartilhar e desfrutar.

e a dança”, complementou o pai.

Para a mãe Jaciara Machado, as oficinas reforçaram valores

Educação e diversão marcaram também o circuito de

ensinados pelos pais e que são importantes para o desen-

trânsito infantil e as oficinas de Pintura Coletiva, Música

volvimento de crianças e adolescentes. A de Hortas Sus-

com Cantigas de Roda, Graffiti, Capoeira, Vídeos e Jogos

pensas, na qual os participantes receberam ensinamentos

Digitais. Parceiro do evento, o Grêmio Estudantil Farrou-

sobre o plantio, os cuidados com as plantas e dicas para

pilha proporcionou aula de yoga, aulão de danças e rit-

decorar os vasinhos, teve um significado especial para o

mos, bolha gigante Aquabol e oficinas de reformulação

filho André, aluno do 1º ano A do Ensino Fundamental da

de uniformes, de fotografia e de moda. Um piquenique

Unidade Correia Lima. “Ele costuma ser muito agitado e

coletivo, realizado durante a apresentação do Grupo

se acalma bastante quando tem esse contato com a ter-

5am, de Florianópolis, marcou o encerramento do Far-

ra. Sem falar que ele tem uma mão fascinante para plantar

roupilha Day.

Segunda edição do Farroupilha Day reuniu famílias, alunos e comunidade em um dia com oficinas e atividades recreativas e lúdicas.

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Receitas para um mundo melhor P

ara alertar sobre a importância de aplicar regras e

ao andar de carro, ao escolhermos o que comemos e a

cumpri-las para se ter melhor qualidade de vida, a

forma como utilizamos a luz e a água em nossas casas.

professora da turma 2A do Ensino Fundamental –

As famílias se unem aos estudantes para levar até a sala

Anos Iniciais, Rosane Dalla Valle, desenvolve com os alunos

de aula alguma ação capaz de transformar o mundo,

o projeto interdisciplinar “Receitas do 2A para um mundo

mostrando como é importante colocar em prática as re-

melhor”. Desenvolvido ao longo do ano, o projeto conta

gras. “Nesta fase, eles estão formando a personalidade, e

com a participação de familiares dos estudantes que cos-

é muito bom saber que eles se preocupam em se torna-

tumam visitar a turma, pelo menos, uma vez por semana.

rem pessoas melhores, respeitando o meio ambiente e

Abordagens sobre regras de trânsito, meio ambiente, sus-

o próximo”, disse Leila, mãe de Arthur. Para a professora

tentabilidade e Código de Convivência do Colégio foram

da turma, os alunos estão mais conscientes das suas ati-

feitas. Vídeos sobre o meio ambiente foram mostrados

tudes. “Eles melhoraram a convivência, a aceitação e o

pela equipe da Tecnologia Educacional para as famílias,

respeito com o outro. E, quando conseguimos envolver

chamando a atenção para os cuidados que devemos ter

a família, o resultado é ainda melhor”, destacou Rosane.

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Nossa comunidade

É preciso

avaliar para qualificar sempre! A

escola avalia os alunos, mas quem avalia a escola a partir de critérios técnicos de educação? Em tempos de mudanças educacionais,

torna-se imprescindível a utilização de instrumentos que contribuam para a qualificação das concepções de ensino e aprendizagem voltadas para a excelência e previstas no planejamento estratégico do Colégio Farroupilha. Elaborado pelo Instituto de Avaliação e Desenvolvimento Educacional (Inade), o novo processo de avaliação serve como uma ferramenta externa e isenta para reestruturar o modelo transformador e inovador de práticas pedagógicas. “A avaliação educacional externa em larga escala traz benefícios para toda a comunidade escolar. Sua proposta é avaliar a qualidade educacional da escola e, portanto, ina rrone, Coordenador Rafaella Messina Pe so es oc pr o e fatiza qu dos Anos Finais, en para como diagnóstico rve se ão aç ali av de agem. diz ren ap oso de ensin aprimorar o proces

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teressa aos alunos, às suas famílias, aos professores e aos gestores. Nela, a aprendizagem dos alunos é medida pela aplicação de testes padronizados cujo objetivo é identificar as habilidades desenvolvidas pelos alunos nas áreas de conhecimento do currículo escolar. Os indicadores de


aprendizagem obtidos na avaliação constituem-se um sistema de informação para os gestores e os professores das escolas”, avalia Regina Cançado, Diretora do Inade. Além do desempenho médio da escola, da turma e de cada aluno, explica Regina, os gestores e os professores têm acesso aos indicadores do domínio dos alunos por competência em cada área de conhecimento, à distribuição dos alunos por nível de aprendizagem e ao indicador do Efeito Escola na aprendizagem dos alunos. “Esses indicadores se complementam e fornecem informações importantes para as tomadas de decisão da equipe pedagógica no trabalho com os professores visando melhorar, cada vez mais, a prática pedagógica da escola. No âmbito

inclusão dos alunos do 3º ano do Ensino Fundamental,

da gestão da escola, a avaliação é uma ferramenta que

criamos uma avaliação exclusiva para o Ciclo de Alfabeti-

identifica os pontos fortes e as fragilidades da gestão e do

zação, uma tendência nacional”, acrescenta Regina.

ambiente educativo da escola”, comenta a Diretora.

Entre os dias 02 e 13 de setembro, foi realizada a segunda

Para garantir transparência, o processo de avaliação es-

etapa do processo de avaliação, este focado no relaciona-

colar foi desenvolvido em duas etapas. Na primeira, reali-

mento com as famílias. A empresa CIENCE responsabili-

zada entre os dias 26 e 30 de agosto, foi feita a Avaliação

zou-se pela aplicação da pesquisa, que consistiu no envio

Educacional 2013. Alunos do 3º ano, 5º ano e 8ª série do

de um questionário para famílias e lideranças estudantis

Ensino Fundamental e da 3ª série do Ensino Médio, jun-

do Colégio Farroupilha e da Unidade Correia Lima. O ob-

tamente com suas famílias, realizaram a identificação de

jetivo era avaliar o nível de satisfação das famílias e dos

pontos positivos e de aspectos que precisam ser melho-

estudantes em relação ao relacionamento e à afetivida-

rados no processo de aprendizagem dos estudantes do

de dos pontos de contato entre o Colégio e as famílias.

Farroupilha. As provas variaram conforme o nível de ensi-

“A avaliação é parte importante no processo de ensino

no do aluno. Os estudantes do 3º ano realizaram testes de

e aprendizagem porque serve como diagnóstico tanto

Produção Textual, Língua Portuguesa e Matemática. Já as

para os alunos quanto para os educadores. Para os alu-

turmas do 5º ano, 8ª série e 3ª série do Ensino Médio res-

nos, a prova tem função essencial, pois demonstra o de-

ponderam ao Questionário do Aluno e fizeram provas de

sempenho de suas aprendizagens, o que já aprenderam

Produção Textual, Língua Portuguesa, Matemática, Ciên-

e o que ainda precisam aprender. Para os educadores,

cias Humanas, Ciências da Natureza. A escolha por essas

propicia a possibilidade de reorientarem os alunos e pro-

turmas-chave do Ensino Fundamental e Médio permite,

porem novas estratégias pedagógicas”, ressalta a Coorde-

na avaliação da Diretora do Inade, o diagnóstico do siste-

nadora dos Anos Finais, Rafaella Messina Perrone. Nesse

ma educacional da escola, o monitoramento dos proces-

sentido, diz Rafaella, escola e família devem ser parceiras.

sos educativos por meio de indicadores de qualidade e a

“As famílias possuem papel de destaque, pois auxiliam na

elaboração de estratégias para melhorias dos processos e

organização dos alunos quanto aos hábitos de estudos e

do desempenho da escola. “Essa escolha se justifica pelo

ao cumprimento das atividades pedagógicas, especial-

fato de a aprendizagem ser cumulativa e, quando se ava-

mente para os alunos que ingressam nos Anos Finais, já

lia aprendizagem dos alunos na última série de um nível

que o sistema de avaliação sofre mudanças e torna-se

de ensino, está avaliando também as habilidades desen-

necessário que se faça um acompanhamento mais siste-

volvidas por eles ao longo das séries anteriores. Com a

mático de suas aprendizagens”, conclui a Coordenadora.

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esporte

Esporte desenvolve

competências e habilidades

essenciais para a vida

Jogos Farroupilha promovem a integração entre alunos, familiares, professores, colaboradores e ex-alunos.

T

ão importante quanto os conhecimentos apre-

são os Jogos Farroupilha. Com o tema “Fazendo esco-

endidos nos espaços escolares, a prática despor-

lhas para um mundo melhor”, os alunos apresentaram,

tiva constitui-se em significativa ferramenta para

no desfile, temáticas relacionadas à convivência, ao rela-

o desenvolvimento integral de crianças e jovens. Como

cionamento, à família, à cidade, à saúde, à educação, ao

instrumento educacional, o esporte capacita o aluno a

meio ambiente, ao trânsito, entre outras.

lidar com as necessidades, as expectativas e os desejos,

As famílias integraram-se aos Jogos, participando da ce-

tanto em nível individual quanto coletivamente. “A prá-

rimônia de abertura no dia 13 de setembro, que contou

tica desportiva estimula o desenvolvimento das compe-

com a apresentação da Banda Apanhador Só. “Nesta

tências técnicas, sociais e comunicativas”, analisa o pro-

41ª edição, queríamos estimular as várias formas de in-

fessor Antônio Cimirro.

clusão, que estão presente no nosso dia a dia. Por isso,

Além de impulsionar o desenvolvimento das individua-

pensamos em atividades específicas para os estudantes

lidades e da formação para a cidadania, no Farroupilha,

que não gostam de jogos”, lembrou Cimirro, organiza-

o esporte é direcionado para a prática social. Prova disso

dor responsável.

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Durante os cinco dias do evento, foram disputadas provas de atletismo e jogos de basquete, caçador, damas, futebol, futsal, handebol, tênis de mesa, voleibol e xadrez, realizados no Complexo Esportivo e nas dependências do Colégio. Para os alunos que não se sentem atraídos pelo esporte, foram oferecidas, entre os dias 16 e 19, oficinas com temáticas sobre trajetória de um atleta olímpico, teatro, Fingerboard e estamparia com customização de camisetas e jeans com estilistas.

Benefícios do esporte É sabido que a prática esportiva oferece vários benefícios ao indivíduo. Entre eles, estão:

Grupo de Pais vence Torneio de Futebol A equipe amarela do Grupo de Pais do Colégio Farrou-

• O desenvolvimento de habilidades cognitivas,

pilha foi campeã invicta no I Torneio Família Anchietana

como raciocinar, planejar, exercitar a memória,

no Esporte, campeonato de futebol que envolveu pais

compreender situações, linguagens e estratégias

de alunos de algumas instituições de ensino da rede

e resolver problemas;

privada durante o mês de agosto. Ao todo, seis equipes

• O aumento da autoestima, pois o exercício libera hormônios que causam bem-estar, elevando a

participaram do torneio – duas do Farroupilha, três do Anchieta e uma do Rosário.

confiança e diminuindo a timidez. O trabalho do equilíbrio emocional, como ganhar, perder, errar,

Sobre o Grupo de Pais

jogar com a incerteza.

O Grupo de Pais do Colégio Farroupilha (GPACF), existente desde 1973, realiza três vezes por semana jogos

Essas são situações comuns na vida e são desenvolvidas

de futebol no campo do Colégio, além de jantares de

durante a prática desportiva.

integração entre os associados. Os jogos acontecem nas

Além disso, ensina o aluno a lidar com a existência do

terças e quintas-feiras, das 20h às 22h, e aos sábados, das

outro, a reconhecê-lo e a compartilhar experiências, seja

16h às 18h.

ele colega, professor ou colaborador da escola. Também

Para se associar ao GPACF, é preciso ser sócio da Asso-

fortalece o trabalho em equipe, desenvolve a autonomia,

ciação Beneficente e Educacional de 1858 (ABE) e pagar

ajudando na tomada de decisões e estimula a criatividade.

uma semestralidade.

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meio ambiente

Como seria a nossa vida

sem petróleo? E

m busca de respostas para essa pergunta, os alu-

mais tempo? “Disponibilizei a internet em sala de aula,

nos do 6º ano do Ensino Fundamental da sede e

e eles mobilizaram-se para buscar informações. Muitos

da Unidade Correia Lima recorreram aos livros e à

levantaram questões sociais, econômicas e políticas que

internet para saber mais sobre esse recurso natural, que

poderiam surgir a partir da existência de guerras entre

impulsiona a economia mundial e é matéria-prima para

os países”, disse Christian.

fabricação de inúmeros produtos, até mesmo de medica-

Energias e combustíveis alternativos e o uso de subs-

mentos. Ninguém sabe de fato quanto combustível existe

tâncias naturais que possam substituir o petróleo foram

no subsolo do planeta, mas os estudantes alertam que

sugeridos pelos alunos. “Nossos pesquisadores têm que

toda a sociedade pode adotar posturas para um consumo

pensar em coisas que temos na natureza, como a casca de

mais consciente. “Hoje, nós usamos muito mal o petróleo.

banana, e que podem ser usadas para fabricar combustí-

Cada vez que vamos ao supermercado, compramos vá-

vel e todas as outras coisas que a gente precisa”, opinou

rias garrafinhas de água e pedimos sacolinhas de plástico

Bruno. Enquanto isso, o colega Enzo recomenda outras

para guardar as nossas compras”, cita Enzo.

atitudes. “Podemos substituir as sacolas de plástico pelas

Sugerido pelo professor de Ciências, Christian Sperb,

de tecido toda a vez que formos ao super”, aconselha.

o projeto teve como ponto de partida duas perguntas

Os alunos produziram alguns vídeos, com duração de

feitas às turmas: Para que a gente usa o petróleo? Onde

até três minutos, sobre o que

ele é produzido? Estimulados, os alunos seguiram as

discutiram do assunto. Ficou

três linhas de discussão sugeridas pelo professor para

curioso para assistir aos vídeos?

elaborar seus trabalhos: Como seria a sociedade sem o

Então, acesse o QR Code ao lado

petróleo? Como seria o dia a dia deles sem o petróleo? E

(veja mais informações na pági-

o que a gente pode fazer hoje para que o petróleo dure

na 02) e confira-os.

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soufarroupilha

colegiofarroupilha.com.br

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Revista farroupilha setembro outubro 2013  

Revista Farroupilha - Edição de setembro e outubro de 2013

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