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Esta publicação é o resultado do projeto Click, um olhar curioso sobre o mundo, que promove oficinas de jornalismo comunitário em Pirituba.

ABRIL 2013 | 20ª EDIÇÃO | www.clickumolhar.com

HISTÓRIA: PQ. JARDIM FELICIDADE

Julia Reis

ALIMENTAÇÃO

Terminais de ônibus oferecem lanches e guloseimas que cabem em todos os bolsos, mas o que será que essa comida faz com a sua saúde? | pág 04

FÁBRICA DE PIANOS

“A empresa é muito preocupada com a educação musical”, diz dono da maior indústria do setor na América Latina, sediada aqui no bairro | pág 04

SEGURANÇA 30 anos de Sesc

Comerciantes do Jd. Cidade Pirituba sofrem com assaltos nas redondezas da EMEF Imperatriz Leopoldina e reivindicam mais fiscalização no local | pág 06

Pirituba Acontece inicia série de reportagens sobre parques no bairro. Na primeira matéria, conheça a história do Jardim Felicidade | pág 03

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ARTES GRÁFICAS Tels.: (11) 3903-1409 / 3902-4662 melgraf@uol.com.br

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PIRITUBA ACONTECE | Fala, Click!

PÁG 2 | Abril 2013 | 20ª Edição

Fala, Click!

Olá, leitores ! Abril, o mês do Dia da mentira, já começou! E o Pirituba Acontece chega em sua 20° edição. Promovendo o acesso à cultura, zelando pelo bem-estar da comunidade, e, claro, fugindo das inverdades, e informando com credibilidade. Nesta edição, conheça as mudanças e as possíveis melhorias que a nova lei, aprovada pelo Senado, oferecerá aos empregados domésticos. Confira também a entrevista com o dono da maior fábrica de pianos da América Latina, que está instalada em Pirituba há 56 anos. O especial deste mês trata de um tema muito importante: os sérios problemas de segurança que vem ocorrendo no Jardim Cidade Pirituba. Conheça o panorama desta situação alarmante, e a reivindicação dos moradores e comerciantes da região. Para aqueles que amam um bom passeio, nossa equipe de reportagem visitou a exposição sobre os 30 anos do Sesc Pompeia, vale a pena dar uma olhada! O Pirituba Acontece deste mês está imperdível! Esperamos que você, amigo leitor, aproveite. Com carinho, Equipe Click CLICKERS: Adriane Toscano, André Muzetti, Beatriz Xavier, Caique Resende Peruch, Cris Bibiano, Dayane Santuci, Edson Caldas, Evelyn Kazan, Igor dos Santos, João Gasparotto, Julia Reis, Julio Augusto, Karine Ferreira, Lara Camila, Marina Nagamini, Olga Bagatini, Roberta Caroline, Samuel Parmegiani, Thalita Xavier, Vanessa Coscia, Victhor Fabiano, Yago Rudá. DIAGRAMAÇÃO: Edson Caldas, Evelyn Kazan, Igor dos santos, Julia Reis, Thalita Xavier e Vanessa Coscia. RESPONSÁVEIS: Edson Caldas, Evelyn Kazan. TIRAGEM: 1.000 exemplares. Distribuição gratuita. COPIE E DISTRIBUE, MAS DÊ CREDITOS AO PIRITUBA ACONTECE.

sua opinião Ouvindo Vozes | Aaqui

Cena do filme A Morte do Demônio (2013)

O que você acha de nosso jornal? Queremos ouvir sua opinião! Mande dicas, críticas e elogios para clickumolhar@gmail.com. facebook.com/piritubaacontece

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Olá, meu nome é Nicole, moro em Fortaleza, Ceará. E apesar de não conhecer o bairro, acho super bacana o projeto de vocês. As poucas matérias que eu li e realmente gostei, por isso pretendo acompanhar de verdade as outras edições, porque eu sei que vale a pena. E achei super interessante. Os assuntos foram Nicole Sales, abordados de forma muito estudante legal. Eu admiro demais a http://goo.gl/S3nEl iniciativa de vocês. Olá, Nicole! A Equipe Click agradece pelo vídeo (no link) e pelo carinho que tem pelo projeto.


Piritubando | PIRITUBA ACONTECE

por dentro Piritubando | Fique da região

♣ PARQUES EM PIRITUBA ♣

20ª Edição | Abril 2013 | PÁG 3

Todo o mês fala sobre um parque da região

Pq. Jardim Felicidade: um exemplo de cidadania

Símbolo marca uma das entradas do Parque Jardim Felicidade, fundado em 22 de setembro de 1990 | Foto: Vanessa Coscia

Karine Ferreira e Vanessa Coscia

O Parque Jardim Felicidade, localizado na Rua Laudelino Vieira de Campos, foi resultado de uma luta de 25 anos dos moradores locais junto à administração pública de São Paulo. Antes de se tornar um parque, o local era utilizado como lixão, servindo de abrigo para animais e insetos que causavam doenças. Havia também um estacionamento da prefeitura que afundava por ter uma bica de água no local. Cansados de ver o espaço deste jeito e, às vezes, sendo até mesmo vítimas de doenças e animais peçonhentos dentro de casa, alguns moradores da região formaram uma comissão, que junto com o Movimento Político Comunitário (MPC) lutaram para a apropriação do local em uma área de lazer. Antes disso, haviam feito também diversos abaixo-assinados que nunca eram atendidos. De acordo com Wanderley Hidalgo, que também fez parte da comissão dos moradores, “surgiu um boato de que o local se transformaria em uma favela, pois havia um morador que se alojou dentro de um tubo grande de esgoto”. A partir daí, começaram reuniões dos moradores que se interessavam pela ocupação da área, mas ninguém tinha ideia do que poderia ser feito ali. Até que um dia, moradores da região que formavam um grupo musical resolveram fazer um show com artistas locais naquele terreno baldio. Assim começou a ideia de fazer eventos para chamar a atenção da população, procurando apoio. Foi

mandada uma petição para a Prefeitura de São Paulo e assim começou a batalha para o surgimento do parque, com várias sugestões de área verde, playground e quadras poliesportivas. Na época em que a Prefeita Luíza Erundina foi eleita, ela deu apoio aos moradores interessados no projeto e, em 1990, o parque finalmente foi inaugurado. A festa de inauguração foi no dia 22 de setembro daquele ano, contando com a presença de Erundina e apresentação de alunos da escola Prof. Raul Antonio Fragoso. Tendo início às 11h, o programa também contou com a apresentação de diversos grupos musicais da região. Hoje, o Parque Jardim Felicidade possui uma área de 28.800 m² e conta com duas quadras poliesportivas, uma quadra de bocha e um lago, onde habitam diversos tipos de aves e árvores espalhadas por todas as partes. A área de recreação conta com vários tipos de brinquedos típicos de parques, como balanço e trepa-trepa. Mas, atualmente, o parque possui poucos brinquedos, o que leva alguns moradores do bairro questionarem o assunto. Segundo Wanderley, “há algum tempo atrás, o parque possuía muito mais brinquedos do que hoje e era mais frequentado pelos moradores, principalmente aos finais de semana. Mas, chegou uma época que os brinquedos ficaram frágeis, pois não eram reformados e aconteceu um pequeno acidente com uma criança em um deles, que fez com que a Prefeitura tirasse-os por um tempo para a segurança de todos. Hoje, o parque possui pouquíssimos brinquedos, pois a Prefeitura não substituiu os que foram retirados”.


PIRITUBA ACONTECE | Piritubando

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Piano: paixão que passa por gerações

“A música tem a capacidade de mudar a história de vida de uma pessoa”, diz sócio da fábrica

A Fritz Dobbet fabrica pianos, em Pirituba, há mais de 60 anos | Foto: Divulgação

André Muzetti, Karine Ferreira e Vanessa Coscia

A indústria de pianos Fritz Dobbert foi fundada em 13 de maio de 1950, com uma proposta inicial do alemão Otto Halben, que havia trabalhado no ramo em seu país de origem. Ele encontrou os irmãos Celio e Thyrso Bottura, que não tiveram oportunidades para uma educação musical naquela época, mas tinham uma paixão pela música e apoiaram a ideia do amigo alemão de fundar uma fábrica de pianos. Deixaram de lado seus negócios na área de importação de material fotográfico e fabricação de jóias para começarem a Indústria de Pianos Halben. Depois de seis anos, com a saída de Halben, os irmãos Bottura já haviam adquirido experiência no ramo, e decidiram

mudar o pequeno galpão no bairro do Canindé para instalações maiores em Pirituba. Além da mudança de endereço, a empresa passou a se chamar Pianofatura Paulista S. A., e a produção aumentou para atender a crescente demanda. O Pirituba Acontece entrevistou Célio Bottura Junior, herdeiro e atual dono da fábrica inicialmente inaugurada por seu pai. Ele afirma que “a empresa é muito preocupada com a educação musical, fazendo com que tenham iniciativas voltadas para o ensino da música, seja com objetivos de aprendizado puramente musical, ou com o intuito de inclusão social”. Muitas vezes, a empresa disponibiliza pianos para que alguns projetos possam ser desenvolvidos, pensando em quem quer aprender, mas não tem condições de comprar

um piano ou até mesmo pagar aulas. “Dentre os diversos promotores culturais que apoiamos, destaco a Fundação Bachiana Filarmônica, criada pelo maestro João Carlos Martins em 2004 e responsável por projetos de musicalização de grande importância”, diz Célio. Ao ser questionado sobre a importância da música Bottura Junior diz que “a música tem a capacidade de mudar a historia de vida de uma pessoa”. Ele fala que são “inúmeros exemplos de quem conseguiu realização profissional através da música, ou até mesmo transformar um destino perigoso e que parecia inevitável, em um final feliz”. Afirma que o essencial está na boa formação de caráter que o ensino da música pode proporcionar e melhorar a capacidade intelectual da pessoa. Segundo Célio, as pessoas se enganam ao achar que, para começar a aprender música, é preciso ter algum dom. Basta “ter vontade e ingressar em alguma escola, particular ou pública, ou até mesmo em projetos mantidos por ONGs que têm o princípio da educação musical. Para as crianças, o primeiro passo é a musicalização infantil, depois o instrumento musical. Para os mais velhos, o aprendizado pode ser diretamente no instrumento”, e ele indica o piano, pois é considerado o mais completo dos instrumentos musicais.

Hoje, a Fritz Dobbert é a maior indústria de pianos da América Latina, sendo também líder do segmento de pianos acústicos do Brasil. Ela está localizada em Pirituba, na Av. Raimundo Pereira de Magalhães, 5028, e muitos moradores não sabem de sua existência.


Piritubando | PIRITUBA ACONTECE

20ª Edição | Abril 2013 | PÁG 5

Alimentação à venda nos terminais de ônibus da cidade carece de nutrientes

Em uma sociedade marcada pela efervescência cotidiana, milhões de pessoas que transitam nos terminais de ônibus e metrôs de São Paulo, aderiram aos novos hábitos alimentares fora de casa, principalmente, em anos mais recentes, com a saída das mulheres para o mercado de trabalho, que historicamente, eram as responsáveis pelo preparo, exclusivo, das refeições nos lares. Por conta dessa mudança na nossa sociedade, o Pirituba Acontece decidiu averiguar as condições de alimentação e os produtos consumidos, nos terminais públicos de transporte, pelos cidadãos, que muitas vezes, encontram opções limitadas de consumo nesses espaços por onde transitam diariamente.

Cris Bibiano

Cris Bibiano

Atualmente nas grandes metrópoles, realizar as refeições em casa, está mais complicado comparado há alguns anos atrás, principalmente em São Paulo, onde se despende de muito mais tempo no trânsito. Dentro deste novo contexto social, é importante somar a injusta responsabilidade histórica que as mulheres sempre tiveram nas tarefas domésticas, como se a “obrigação” estivesse relacionada a fatores biológicos, e não a sociais. Em anos recentes elas deixaram o espaço privado do lar, e saíram para o mercado de trabalho, trocando a tarefa de preparo dos alimentos, pelo consumo de refeições já prontas fora de casa. Na praça de alimentação do terminal rodoviário da Barra Funda predomina a venda de alimentos que contém poucos nutrientes e muitas calorias, tais como pizza, biscoitos, sanduíches, batata frita, salgados e refrigerantes, tanto nas redes de varejo, quanto nos pequenos comércios. Difícil encontrar alimentos naturais e considerados mais saudáveis como frutas, iogurtes, suco à base de soja e leite, salada, cereal ou preparações à base de milho. Há uma explicação que é disseminada, equivocadamente, entre os varejistas e departamento de marketing, de que as classes sociais mais baixas tendem a consumir alimentos mais pobres em calorias. Todavia, dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2009 (POF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que alimentos considerados saudáveis como feijão e milho são mais consumidos entre a população de menor renda, da mesma forma que a batata-doce, enquanto a batata frita, considerada altamente

calórica, é mais consumida na classe de maior renda. Um usuário entrevistado no Terminal do metrô da Barra Funda, que não quis se identificar, ressaltou que para nos quiosques somente para um café preto que custa R$1. Entretanto, no curto período de tempo em que a reportagem ficou ali, presenciou a alta procura de pessoas em lanchonetes que vendem salgados, e que consomem tanto no estabelecimento ou no próprio trajeto. Por falta de opções mais saudáveis muitas pessoas preferem fazer aquela “boquinha” rápida nos quiosques dos terminais a deixá-la de fazer. Estabelecimentos, localizados próximos dos corredores de passagem de usuários, costumam ser os mais procurados, devido à rapidez e facilidade de acesso. De acordo com um usuário entrevistado, se outros produtos estivessem à venda, que não os salgados e sucos em pó, que são de baixo custo, poderiam ser mais caros, impossibilitando o consumo. Percebe-se que prevalece a lógica da oferta de alimentos mais baratos e ricos em calorias, em detrimento daqueles considerados mais saudáveis à população trabalhadora que utiliza as estações de metrô e ônibus. Ainda de acordo com o entrevistado, a possibilidade de algum alimento estar com o prazo de validade vencido é mínima, já que os produtos são repostos incessantemente. Entretanto, é questionável a higiene desses alimentos; nossa equipe flagrou insetos circulando sobre os salgados, dentro da vitrine em que eram expostos. Nessa matéria podemos observar que a população fica à mercê de produtos com pouca qualidade nutricional. Os responsáveis pelas licitações desses espaços poderiam fiscalizar adequadamente cada estabelecimento, promovendo melhores opções aos usuários.


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ESPECIAL: SEGURANÇA PÚBLICA

PIRITUBA ACONTECE | Especial

Após diversos assaltos, comerciantes do Jd. Cidade Pirituba pedem segurança Rua Comendador Feiz Zarzur sofre assaltos frequentes; base comunitária pode ser solução

Os comerciantes desejam a instalação de uma base comunitária nesta rua (ao fundo), utilizada como estacionamento, ou nesta praça | Foto: Julia Reis

Bruna Silva, Edson Caldas Evelyn Kazan, Julia Reis e Thatita Xavier

Assaltos, atentados à vida, conflitos. Na tentativa de amenizar e prevenir esses incidentes, a sociedade cria regras para proteger as pessoas e garantir que todos possam viver em uma comunidade que funcione de maneira justa e equilibrada. Todo ser humano tem direto à segurança, garantido por nossas leis e por meio dos tratados internacionais. Logo, temos o direito de ser protegidos contra violência física ou moral, de andar pelas ruas sem

medo (direito de ir e vir), de proteção da intimidade e da liberdade. “O Estado tem seu papel de ajudar o ser humano a se desenvolver como cidadão. Saúde, educação, segurança são itens básicos de convívio social”, diz o sargento Pedro Sérgio. Contudo, com frequência vemos esses direitos serem violados. E, aqui na região, não é diferente. Moradores e comerciantes do Jd. Cidade Pirituba entraram em contato com o Pirituba Acontece, para reclamar da falta de segurança nas redondezas da Escola Municipal Imperatriz Leopoldina. Os habitantes dizem que o bairro con-

trasta com a região do Shopping Pirituba, onde o policiamento é assíduo, chegando a ser, de acordo com eles, além do necessário. Segundo os moradores, os criminosos não são da região, mas se concentram ali por conta da “falta de fiscalização” na área, que ainda seria uma rota de fuga favorável. “Houve vários assaltos na redondeza e nos comércios também. Muito raro aparecer polícia nessa região, não tem nenhuma polícia comunitária por aqui”, conta uma comerciante que preferiu não se identificar. O tenente Edmilson, do 49º Batalhão de Polícia Militar Me-


Especial | PIRITUBA ACONTECE tropolitana, afirmou, no entanto, que no Jd. Cidade Pirituba há policiamento, só que “muitas vezes o cidadão não vê a viatura em decorrência da grande demanda”. Uma comerciante que trabalha há 17 anos no local, calcula ter sido assaltada quase 40 vezes. Em 2013, já foram dois ataques. Acostumada com a ação dos bandidos (em razão de seu estabelecimento funcionar principalmente no período noturno), a mulher esconde-se com rapidez quando percebe movimentação suspeita. A impunidade levou os donos do estabelecimento a desistirem de boletins de ocorrência – assim como outros da área. Entretanto, a atitude torna difícil quantificar a violência e conhecer sua gravidade. “Se as pessoas estão passando por um problema, precisam procurar o policiamento local”, informa o tenente. “Às vezes, a pessoa é roubada e não notifica a polícia. Como que a gente sabe dos roubos? Por meio do [telefone] 190 e dos boletins de ocorrência, que são registrados nas delegacias. É importante que depois que a pessoa sofra alguma ação, ela faça o registro [da ocorrência], pois ele sai na estatística e, com base nisso fazemos nosso planejamento de atuação. ” Os problemas enfrentados na rua Comendador Feiz Zarzur acontecem há tantos anos que alguns moradores dizem não acreditar em qualquer possibilidade de mudança. “Nosso representante [um comerciante local] já falou com o coronel, alguns integrantes iam ao CONSEG [Conselho Comunitário de Segura] e não deu em nada. Já tentamos de tudo, e não deu certo”, desabafa a dona de um estabelecimento na área. “A gente já lavou as mãos, agora quando vemos uma pessoa estranha, ligamos um para o outro e avisamos que tem uma pessoa ‘assim e assim’ e que ►

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É importante que depois que a pessoa sofra alguma ação, ela faça o registro [da ocorrência], pois ele sai na estatística e, com base nisso fazemos nosso planejamento de atuação. Assim, concentramos nosso policiamento na área de maior incidência”.

TENENTE EDNILSON, DO 49º BATALHÃO DE POLÍCIA MILITAR

BALEADO

Um recente assalto à mão armada terminou em estragos para um senhor que trabalha há 18 anos na região – o comerciante foi vítima de uma bala que atravessou suas pernas. Contudo, poderia ter sido pior: o homem afirma que, quando percebeu que o bandido ia efetuar o disparo, desviou-se. “Estamos carentes de segurança”, protesta. “O fato de a pessoa ver [a base comunitária] já inibiria.”

CONQUISTA

Após reclamações sobre o iluminação em uma praça da região, que acabava contribuindo para aumentar os problemas de segurança, os moradores conseguiram que seu pedido fosse atendido com rapidez. Em uma semana, a subprefeitura colocou um poste de luz na área. Embora a instalação seja vítima frequente de atos de vandalismo, o órgão faz a manutenção.


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está parada em determinado lugar de forma suspeita, para ficar de olho”. E é isso que estamos fazendo agora.” Embora a rede de comunicação seja essencial – já que é direito e responsabilidade de todos os cidadãos, a prevenção e a aplicação da lei – a segurança pública, segundo a Constituição, é dever do Estado. Assim, ao perceber uma situação de perigo, é imprescindível avisar à autoridade competente, para que esta possa exercer também sua função. POSSÍVEL SOLUÇÃO Parte dos moradores acredita que a construção de uma base comunitária seria a saída para os problemas. A instalação planejada pelos comerciantes seria construída em uma pequena rua, atualmente utilizada como estacionamento, em frente à EMEF Imperatriz Leopoldina, ou em uma praça, também em frente à instituição. A base seria semelhante a que já existe próxima ao Centro Universitário Anhanguera, na Av. Raimundo Pereira de Magalhães. Mobilizados pela situação, os moradores e comerciantes se oferecem para arcar com as despesas

PIRITUBA ACONTECE | Especial

A gente já lavou as mãos, agora quando vemos uma pessoa estranha, ligamos um para o outro e avisamos que tem uma pessoa ‘assim e assim’ e que está parada em determinado lugar de forma suspeita, para ficar de olho. E é isso que estamos fazendo agora.

COMERCIANTE LOCAL, SOBRE REDE DE COMUNICAÇÃO

da construção. No entanto, dependem do poder público para o funcionamento do ponto. Embora já tenham enviado pedidos e abaixo-assinados à subprefeitura e a um político do bairro, os moradores dizem só ter obtido promessas. A comunidade pode solicitar o pedido de uma base, porém é preciso lembrar que este procedimento faz parte da administração da polícia. Por isso, existe a necessidade de que seja constatada a viabilidade do projeto com o comandante da unidade, para buscar uma melhor solução. Para o tenente Ednilson, “a cria-

ção de uma base, tem uma necessidade de efetivos, um efetivo mínimo para operar”, pois “não adianta criar um posto policial em um determinado local e não ter gente para colocar dentro e não adianta colocar um profissional parado lá dentro, que não faça o serviço de patrulhamento”. O tenente ainda defende que a criação de uma “base comunitária é algo complicado, precisa ser feito um projeto, ele precisa ser aprovado, não cabe só a policia militar, precisa ser mandado para a Secretaria de Segurança Pública. Pode ser implantado? Pode, não é algo impossível”.

COMO ME PREVINIR DE UM ASSALTO?

SENDO ASSALTADO, O QUE DEVO FAZER?

* Procure estar sempre atento, especialmente, ao comportamento de pessoas que estejam próximas a você ou paradas perto dos lugares que frequenta;

* Mantenha a calma, comunique-se e faça movimentos lentos. Responda com calma somente ao que lhe for perguntado ou para avisar sobre qualquer gesto ou movimento a ser realizado (evite brincadeiras);

* Verifique se em seu bairro não existem veículos abandonados, ruas mal iluminadas, ruas bloqueadas, mal sinalizadas, prédios e terrenos abandonados, locais de vandalismo e consumo de drogas, etc; * Oriente as crianças sobre os problemas e locais perigosos do bairro; * Trabalhe de forma integrada com as autoridades policiais e públicas. A solução dos problemas do seu bairro depende da sua participação ativa; * Denuncie crimes e atos de vandalismo (Disque Denúncia: 0800 156 315).

* Não discuta. Entregue ao criminoso o que ele exigir. Assim, o tempo do roubo será menor. Não olhe diretamente para os marginais - isso é visto como uma ameaça; * Procure memorizar todos os detalhes possíveis, fisionomia, modo e frases usadas, roupas, gírias, trajetos e locais visitados, veículos utilizados, etc. * Não tente fugir ou reagir. É muito comum outras pessoas estarem efetuando cobertura; * Ligue para a polícia assim que possível; Instruções do Manual de Segurança do Cidadão, criado pela Polícia Militar para auxiliar os cidadãos na prevenção em diversas situações.


Especial | PIRITUBA ACONTECE

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É UM DIREITO SEU!

PROBLEMA PAULISTANO

Artigo 3 Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. (Declaração Universal dos Direitos Humanos)

A violência é uma questão que assombra toda a cidade. Em 2012, estatísticas provaram que ela só aumentou:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. (Constituição da República Federativa do Brasil - 1988)

Art. 144 A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: I - polícia federal; II - polícia rodoviária federal; III - polícia ferroviária federal; IV - polícias civis; V - polícias militares e corpos de bombeiros militares. (Constituição da República Federativa do Brasil - 1988)

39,8% 1.497

Foi o aumento no número de pessoas assassinadas, segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública de SP Foram as vítimas de homicídio em todo o ano passado contra 1.069 durante do ano anterior

MAPA DO POLICIAMENTO NA REGIÃO CB - Corpo de Bombeiros PC - Polícia Civil PM - Polícia Militar O - Outros


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acontece SP em Pirituba | Onaque cidade?

PIRITUBA ACONTECE | SP em Pirituba

Empregadas domésticas: direitos iguais A Senadora do Amazonas, Vanessa Grazziotin, foi criadora dessa emenda. Apresentou as ideias quanA organização e limpeza do lar de muitas famílias atuais do ainda era deputada federal. Ela ainda faz parte de dependem das empregadas domésticas, uma classe repre- alguns outros projetos que têm como objetivo maior sentada por mais de 7 milhões de trabalhadores. Direitos defender e valorizar a mulher no nosso país, através como seguro-desemprego e pagamento do FGTS agora de seus direitos. são mais que garantidos para todos. A PEC 66/2012 foi aprovada no dia 26 de março em segundo turno no Senado. Você sabe o que mudou? “Eu acho que foi uma vitória para essa categoria”, Agora os direitos do trabalhador doméstico consistem diz Tânia Moraes de Melo, moradora de Pirituba que em: seguro contra acidente de trabalho, auxílio creche já fez questão de agir de acordo com a lei com sua em- e pré-escola para crianças de até cinco anos, pagamento pregada. “É muito importante saber o quanto eles me de hora extra, adicional noturno, indenização em caso valorizam”, conta Aguinalia Santos, que trabalha há 6 de dispensa sem justa-causa, jornada de oito diárias e 44 anos na casa de Tânia. As duas contam que já se relacio- semanais e salário família. nam como família, pois a empregada já se acostumou Cabe ao empregador fiscalizar o pagamento correto com a rotina da casa e afirmam que há muita confiança das horas extras e de outras atividades. Caso o empregaentre as duas. dor não aja de acordo com as novas exigências, o juiz do Com o aumento da escolaridade e de novas opor- Trabalho pede uma fiscalização do Ministério do Trabatunidades de trabalho, o número de empregadas do- lho para que possa puni-lo. mésticas vem diminuindo ao longo dos anos. Isso faz Esses novos direitos beneficiam além das empregacom que a procura e os salários aumentem. Nos ulti- das, as babás, os jardineiros e motoristas. Não atinge as mos oito anos os sálarios aumentaram cerca de 56%. diaristas nem os trabalhadores autônomos. Thalita Xavier e Roberta Caroline

SESC Pompeia completa 30 anos e realiza exposição comemorativa

Há 30 anos, SESC oferece diversas atividades de lazer | Foto: Edson Caldas

Camila Lara, Edson Caldas e João Gasparotto

Até o final de junho, os visitantes do Sesc Pompeia vão poder conferir uma detalhada linha do tempo sobre o espaço, além de vídeos, panfletos e informativos que ilustram os 30 anos do centro de convivência. Com concepção e coordenação geral dos arquitetos

André Vainer e Marcelo Ferraz – que participaram da construção da fábrica como estagiários –, a exposição de aniversário mostra toda a história do Sesc e como a unidade se consolidou em São Paulo. “É um local para diversão e, ao mesmo tempo, para adquirir conhecimento. A cidade deveria ter mais espaços assim”, diz a estudante de jornalismo Mariana Alves (20), que frequenta o Sesc há um ano e meio. Para ela, todos os passeios são marcantes: “principalmente porque vou aos fins de semana com a família e sempre temos um tempo bem agradável”, além disso, “tem uma atmosfera familiar e é bem próximo à minha casa”. Gilmar Ortelan (54) visitou o Sesc durante nove anos e afirma que a experiência não poderia ter sido melhor. “O refeitório era muito bom, aconteciam vários shows, a área de lazer era muito boa e tinham várias exposições legais”, conta. A exposição narra que a história do espaço começou em 28 de fevereiro e fica em cartaz, de terça a domingo, até o dia 30 de junho. A entrada é gratuita.


Lição de Casa | PIRITUBA ACONTECE

20ª Edição | Abril 2013 | PÁG 11

faz Lição de Casa | Você a sua ?

Diário da Educação | por Victhor Fabiano

Uma educação feita por nós Um dos maiores – se não o maior – pedregulho no cenário educacional do país é o analfabetismo. Segundo o IBGE, 13 milhões de brasileiros são analfabetos, dado que representa 9,6% da população, em que a região com maior concentração desta triste realidade situa-se no Nordeste, onde 19,9% estão nessa situação. Relacionando nossa realidade (os dados são de 2011) ao de vizinhos, tais como Venezuela, que possui o título da UNESCO de “País livre do analfabetismo” (a considerar o baixíssimo índice), identificamos um avanço pequeno e situação social alarmante, outrora que ocupemos a posição de sexta economia do mundo, medida pelo PIB. Porém,

será que não sabemos a atitude necessária? O primeiro plano social de avanço, como já mencionado, é a distribuição de renda que exige a permanência dos filhos dos beneficiados na escola, ainda que precisemos de mais: ansiamos de alunos com bom rendimento educacional, não apenas frequência. O segundo plano social de avanço é o largo acesso dos alunos pobres e economicamente desfavorecidos às universidades públicas e privadas de qualidade, por meio da democratização do ensino superior e suas ramificações. O terceiro plano social é o aumento da renda dos brasileiros, porém ainda possuímos

isoladas regiões alheias e graves. O ápice da vitória será quando tivermos a educação de base de extrema qualidade (e distribuída pela nação!), e nas mãos do Estado, tal que deverá financiar em direto auxílio aos municípios a educação fundamental, fomentando intelectualmente e socialmente a veracidade e importância do desenvolvimento educacional; a educação justa nos trará concílio igualitário de cidadania, pois a consciência política e pública de um cidadão apenas chega ao momento em que este recebe o cuidado devido e a capacidade ler os diversos planos filosóficos de seus direitos, deveres e esperanças de mudança.

que passam Na minha opinião... | Textos longe do imparcial

Caô No primeiro dia de abril, comemora-se o Dia da Mentira. Ele recebe diversos outros nomes, como Dia dos Tolos ou dos Bobos. A história da data poucos conhecem, mas o que mais me intriga é o sentido dessa data. De que adianta brincar de mentir em um dia específico se isso acontece em todos os outros dias do ano? Lembro-me da primeira vez que assisti Pinóquio. Eu tive medo e, antes de mentir, eu parava pra pensar na consequência daquele ato. Imagina só se o meu nariz realmente crescesse? Não, eu não queria aquilo de jeito nenhum. Deixei de achar que mentiras tinham um lado bom e os meus pais sempre me ensinaram o mesmo. Além de obedecer a eles quase sempre quando eu tinha aquela idade, eu prezava pelo tamanho do meu nariz. Antes de tomar qualquer decisão, é sempre bom pensar no propósito daquilo. Confesso que, geralmente, eu não penso antes de falar ou agir, mas quando é necessário omitir alguma coisa, a história acaba mudando. No mundo atual, é difícil encontrar verdades. As mentiras começam em casa e terminam no nosso go-

verno. Mas, antes disso, passa pelos comerciais e pelos contos de fadas. É claro que não se pode generalizar, já que existem muitas pessoas com caráter por aí e muitos comerciais que não mentem tanto. Seria, no mínimo, interessante se a ingenuidade que tínhamos quando crianças viesse à tona para evitar certas situações, para que a confiança surgisse mais rápido em qualquer tipo de relacionamento, para que houvesse menos mágoas, menos dúvidas, mais certezas. Acontece que nós mentimos até para nós mesmos, então não se pode cobrar do outro algo que nem nós somos capazes de evitar. Por isso é preciso manter um pé atrás com as pessoas, as propagandas dos lanches do McDonald’s e com os valores das lojas de R$1,99.

Roberta Caroline Estes textos não expressam, necessariamente, a ideologia do veículo. São artigos opinativos escritos por clickers diferentes a cada mês.


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Variedades | Tudo misturado

PIRITUBA ACONTECE | Variedades

CLICK DO MÊS

Amora, Cidadania e Inclusão Social A ONG realizou no dia 30 de março a entrega de ovos de Páscoa para as crianças da comunidade Spama. O evento foi realizado no espaço da entidade, oferecendo gincanas e cachorro-quente para os moradores da comunidade. Os ovos de chocolate foram doados pelos alunos e coordenadores da Faculdade Belas Artes.

Aulas de idiomas

Tobamento

Alunos da PUC oferecem, na E.E. Ermano Marchetti, cursos gratuitos de francês e espanhol, para alunos e ex-alunos.

Após 21 anos, é aceito o processo do Casarão do Anastácio pelo Conselho Nacional de Proteção ao Patrimônio.

Parceiros do SP

No dia 6 de abril, acontecerá um encontro entre a comunidade atuante do bairro e com os parceiros. No Clube Escola Pirituba, 9h30.

ALTOS E BAIXOS Construção do InsDemora no atenditituição Federal de mento da OperaEducação, Ciência ção Tapa-Buraco Tecnologia (IFSP) na rua Laudelino na avenida MutinVieira de Camga - Espaço 951. O pos, no Jd. da campus terá 1500 Felicidade. Para vagas e esta previsto solicitar o servipara ficar pronto ço da prefeitura ate o fim de 2017. ligue para 156.

20ª Edição do Pirituba Acontece  

Versão Online do jornal Pirituba Acontece

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