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INSPIRAÇÃO PARA QUEM

MORA LONGE DE CASA

02/2016 ANO IV Editora BMA Disponível nos pontos de distribuição ou no site da Brasileiros Mundo Afora.

DEPOIMENTO

CASAMENTO NA GRÉCIA

Dante

FOTOGRAFIAS DE BIANCA RAMOS

O jogador de futebol fala em entrevista exclusiva sobre sua carreira internacional.Um sonho conquistado com disciplina, foco e perseverança.

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Queridos

Foto: Nitami Pho

brasileiros mundo afora,

tography

Final de 2012, a primeira revista Brasileiros Mundo Afora foi publicada e que alegria foi ver um sonho tornando-se realidade. Hoje publicamos a nossa quarta revista impressa, e ter essa conquista em mãos não tem preço. Fazendo um balanço desses quatro anos de estrada, podemos dizer que conhecemos muitas pessoas fantásticas, com histórias de vida inspiradoras, o que nos dá energia para seguir com o nosso trabalho. Nós produzimos dois mil exemplares cada vez, e nossas revistas são lidas por cerca de 30 mil pessoas online, mundo afora, por edição. Temos muito orgulho disso.

Quem nos acompanha já há muito tempo sabe que um dos nossos desejos era entrevistar o jogador de futebol Dante. E não é que deu certo? Estamos orgulhosas de publicar não somente sobre o jogador, mas também sobre a pessoa simples e encantadora que ele é. Maricélia Wiesböck, nossa parceira de anos, fotografou-o e tornou possível a realização desse sonho. Obrigada! Mas essa edição traz muito mais! Histórias de quem venceu no exterior trabalhando na sua profissão original, um relato maravilhoso sobre o caminho de Santiago de Compostela, dicas e fotos de tirar o fôlego, de nossos amigos e colaboradores brasileiros, que vivem nos quatro cantos do mundo. Fechamos o ano com esta edição e esperamos que você curta tanto quanto nós curtimos escolher, editar e publicar todo esse conteúdo inspirador. Desejamos um feliz Natal e uma ótima passagem de ano! Claudia Bömmels & Marisa Pedro Pfeiffer

Revista disponível em três versões:

A versão impressa e gratuita está disponível nos pontos de distribuição listados no nosso site. A leitura online também é gratuita. Para receber a versão em PDF, basta assinar a nossa Newsletter.

Você curte o nosso projeto e gostaria de nos apoiar? Compre a nossa revista impressa por apenas 5 euros. O envio para a Europa é gratuito. Todas as informações encontram-se aqui: brasileiros-mundo-afora.com

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Reportagens em destaque Brasileiros Mundo Afora - Edição Inverno 2016

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MINHA FILHA É HOMOSSEXUAL… E AGORA?

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BRASILEIROS QUE MORAM NO EXTERIOR E CONTINUAM ATUANDO NA MESMA PROFISSÃO

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LÚCIA AMÉLIA - UMA IMPLACÁVEL DEFENSORA DOS DIREITOS HUMANOS

DANTE FALA EM ENTREVISTA EXCLUSIVA SOBRE SUA TRAJETÓRIA PROFISSIONAL

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SANTORINI MEU AMOR! FOTOGRAFIAS DE CASAMENTO POR BIANCA RAMOS

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RECOMEÇAR: CAMINHO DE SANTIAGO DE COMPOSTELA BERLIM ALÉM DOS PONTOS TURÍSTICOS CINCO PASSOS PARA SER UM HÓSPEDE PERFEITO Dante foi fotografado por Maricélia Wiesböck.


Colaboradores A Brasileiros Mundo Afora é um projeto colaborativo e conta com fotografias e textos de brasileiros que moram nos quatro cantos do mundo. Um obrigado a todos que nos apoiam das mais diferentes maneiras, especialmente a Maria da Graça Leal, Miriam Naef e Daniella Schweizer. Obrigado a todos os colaboradores desta edição: Dante Bonfim Costa Santos, Maricélia Wiesböck, Isabela Campos, Katia Aragão, Lúcia Amélia Brülhardt, Carlos Serra, Lila Rosana, Vanessa Bueno, Bruno Bueno, Rafael Bernardes, Edson Dias, Carla Scheidegger, Bianca Ramos, Fernanda Raso Zamorano, Luana Sarantopoulos Bergamaschi, Fabiano Fernandes, Pamella e Ondrej Kandrac, NITAMI photography, Grace Rufino, Flavia Coelho, Cris Andoni, Janete Reist, Naiara Back, Gisele Soares, Ligia Fascioni, Albrecht Mariz, Martinha Andersen, Nicole Plauto, Pacelli Luckwu, Lucas Reis, Luís Felipe Minnicelli, Marla Rodrigues, Magali Albisser, Cecilia Bradley.

Isabela Campos

Isabela Campos é uma fotógrafa especializada em retratar casamentos e famílias na Alemanha e na Suíça. Profissional talentosa, executa o seu ofício com muita sensibilidade e carinho. O resultado é emocionante. Ela fotografou Teresa e Cristiana para a matéria “Minha filha é homossexual, e agora?”. www.isabelacampos.com

Grace Rufino

Grace Rufino é graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo e assessora de imprensa da XII Mostra Internacional do Cinema Negro. Publicou reportagens em revistas, jornais impressos e trabalhou em comunicação corporativa. Foi produtora e repórter na Rede Mundial de Televisão. Grace escreve sobre o trabalho da fotógrafa e amiga Nithah Stöcklin.


Maricélia Wiesböck

Maricélia Wiesböck nasceu na Bahia, cresceu em São Paulo e mora há mais de 20 anos no exterior. Na Alemanha, onde mora há 17 anos, é uma fotógrafa de sucesso. Em 2011, venceu o concurso da revista internacional Dein Blick, com o tema estampa. Maricélia fotografa há anos Dante e sua família. “Conhecemos a Maricélia há um bom tempo. Ela é muito profissional e faz um trabalho maravilhoso! Estamos todos felizes com as fotos que ela faz da nossa família”, conta Dante. Maricélia fotografou o jogador para a nossa atual capa. www.maricelia.com

Marla Rodrigues

Marla Rodrigues define-se como “jornalista desde criancinha”. Adora contar histórias e garimpá-las enquanto viaja. No seu blog Segundo Marla Rodrigues, filosofa sobre a vida, quebra tabus e dá dicas de viagem. Ela mora em Goiânia, mas vira e mexe viaja para o Velho Continente, com ênfase na Inglaterra, sua grande paixão. Marla escreve nesta edição sobre como ser um hóspede perfeito #daora. “Curto usar gírias e hashtags nos meus textos”. Acompanhe Marla no blog marlarodrigues.com e nas redes sociais: Instagram e Snapchat @rodriguesmarla

Vanessa Bueno

Vanessa Bueno é jornalista e gaúcha, de Porto Alegre. Na Alemanha há quatro anos, escreve sobre as dores e delícias de se viver no exterior. Após dois anos de licença-maternidade, Vanessa escreve nesta edição sobre sua amiga Gisele Soares, que fez o Caminho de Santiago de Compostela. Também entrevistou dois brasileiros bem-sucedidos nas suas profissões fora do Brasil.


Minha filha é homossexual… e agora? Depoimento: Katia Aragão | Foto: Isabela Campos

A pergunta que muitos pais e mães se fazem quando descobrem que seu filho ou sua filha é homossexual. Katia, mãe da Cris, do canal "Viaje com a Cris" no YouTube, abre seu coração e conta em seu depoimento a seguir que muito tentou mudar a filha, até perceber que quem precisava mudar era ela. “Meu nome é Katia, sou mãe da Cristiana (Cris) e moro no interior de São Paulo. Vou contar para vocês como foi saber que minha filha é homossexual. Na verdade, eu não descobri, ela me contou e não foi fácil. A gente geralmente cria os filhos assim: a menina, para casar com o menino e o menino, para casar com a menina. Esse é o nosso desejo, mas não é necessariamente o deles. Tudo começou com a viagem da irmã da Cris, a Fernanda, para a Itália. Lá ela conheceu a Teresa, uma alemã, que ligava muito aqui para casa. Como a Fernanda não falava inglês muito bem, a Cris começou a atender os telefonemas da Teresa. Elas ficavam horas falando no telefone. Um dia a Cris contou que a Teresa faria intercâmbio no Brasil, e eu ofereci a nossa casa para ela. Com a Teresa já no Brasil, comecei a observar que ela tratava a Cris de forma especial. Comentei com o pai dela e com a irmã, assim o pai passou a observar melhor a situação. Um dia, após um passeio, o clima já estava pesado em casa e quando me dei conta, o pai da Cris estava furioso. Eu, sem entender, perguntei o que estava acontecendo e ela então me disse “Estou namorando a Teresa.” Eu fiquei chocadíssima, sem querer acreditar no que tinha ouvido. Como assim, minha filha estava namorando uma garota? E quem a Teresa pensava que era, para ficar na minha casa? Mandei-a arrumar suas coisas e levei-a para uma outra família que também recebe intercambistas. Eu achava que levá-la embora resolveria, mas aprendi que as coisas do coração não são simples assim. Já existia amor entre as duas. E o tempo me mostraria que nem mesmo a grande distância entre o Brasil e a Alemanha as separaria. Até então nem a Cris nem a Teresa haviam tido qualquer relacionamento homossexual. Então pensamos que uma terapia iria resolver esse pequeno desvio no caminho da nossa filha. Cristiana foi para a terapia, as brigas aqui em casa eram constantes e o preconceito na família era muito grande.

8 | PONTO DE VISTA


Para ser sincera, sempre me achei muito aberta, moderna e desprovida de preconceito. Tenho amigos gays, que adoro. Mas, quando aconteceu na minha casa, percebi que sim, eu tinha um preconceito enorme. Fora de casa, eu aceitava a homossexualidade, dentro da minha família, não. Foi uma época muito difícil para todos nós. Como era de se esperar, a terapia não deu certo. O amor das duas era muito maior e assim elas começaram a se encontrar às escondidas. Quando a Teresa foi embora, a Cris visitou-a várias vezes na Alemanha, até o dia em que ela me disse que iria casar e iria morar lá. Nesse meio tempo, a família da Teresa veio para o Brasil, e eu percebi que a acolhida que eles deram para minha filha foi diferente. Então comecei a rever meus conceitos e a me indagar por que a família de lá pode aceitar e eu fico contra as duas? Ou eu aceito, ou eu vou perder a minha filha, foi o que pensei. Ou abraço todo mundo, ou vou perder todo mundo. Seria uma escolha minha. E assim escolhi abraçar a situação, escolhi não perder minha filha. Quando me lembro, me dá vontade de chorar, pois ver seu filho se afastar de você é triste demais.

Teresa e Cristiana

PONTO DE VISTA | 9


Katia com a filha Cristiana e à direita Teresa.

Assim, me vi dentro de um avião, cruzando o oceano e indo para o casamento das duas. Naquele momento, resolvi abrir minha cabeça e meu coração e entendi que a felicidade dela é mais importante que qualquer opção sexual. Fui para a Alemanha sozinha e pude perceber o carinho deles com a Cristiana. O casamento delas foi uma festa linda. Reconheci que eu estava errada em ter tratado mal a Teresa e pedi perdão para ela e para a mãe dela. Me lembro bem, estávamos Cristiana e eu, com Teresa e sua mãe, Helena, em um café, e eu senti necessidade de me desculpar. Passar por tudo isso serviu de aprendizado para mim. Não tenho vergonha de dizer que minha filha é casada com uma menina. A Cristiana é feliz, e é isso que importa. E eu ganhei uma filha. Depoimento extraído do Canal do YouTube Viaje com a Cris. Facebook: ViajeComACris

---------------------------------------------------------------------------------------------------------A homossexualidade no Brasil em números Apesar do preconceito ainda existente, o Brasil é um dos poucos países no mundo em que o casamento homoafetivo é permitido, desde 2013. Os números podem surpreender e dão forte demonstração de como homossexuais e bissexuais estão presentes na sociedade brasileira. De acordo com um levantamento feito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, entre os jovens de 18 a 34 anos, solteiros, 8,6% dos homens se disseram bissexuais, 25,2% homossexuais e 66,3%, heterossexuais. Já entre as mulheres, 14,8% se identificaram como bissexuais, 7,6%, como homossexuais e 77,6%, como heterossexuais. Na média entre os dois gêneros, 72,7% são heterossexuais, enquanto 11,8% são bissexuais e 16,1%, homossexuais. Pelas declarações, há mais bissexuais no público feminino e mais homossexuais no segmento masculino. 10 | PONTO DE VISTA

Fonte: estaticog1.globo.com


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Lúcia Amélia Uma implacável defensora dos direitos humanos Texto: Cris Barros e Lúcia Amélia Brülhardt

Naturalizada suíça, Lúcia Amélia Brülhardt nasceu no Brasil, na cidade de São Paulo. Graduada em Teologia, Estética e Cosmetologia Internacional, ela é uma escritora premiada nacional e internacionalmente por seus trabalhos literários e sociais. Em seu currículo, tem participação como coautora em várias antologias e já publicou vários livros em português, alemão, francês e inglês. Poucos sabem, porém, que suas obras são baseadas em fatos reais.

Foto: Carlos Serra

Lúcia Amélia, hoje com 50 anos, foi vítima do tráfico de seres humanos em sua juventude. Na época, acreditando ter assinado um contrato como dançarina, decidiu deixar o trabalho de secretária e tentar a sorte na Suíça. Partiu incentivada por uma colega do grupo de teatro do qual participava. A amiga, que já havia trabalhado como dançarina no país europeu, convenceua de que seria possível ganhar em uma noite o que Lúcia ganhava em um mês. Mas o sonho logo se transformou em pesadelo.

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Com um contrato de artista no bolso, ela foi levada para um lugar isolado na zona rural da Suíça.“Alguém deve ter me dado alguma droga porque, daquela primeira noite, só me lembro do corredor com tapetes e luz vermelha. Acordei em uma cama com as roupas rasgadas, o salto do sapato quebrado e sentindo muita náusea. Minha perna direita estava com queimaduras de cigarro, e eu tinha hematomas por todo o corpo. Meu passaporte foi confiscado, me vi obrigada à prostituição, além de ter que consumir uma grande dosagem de bebida alcoólica, sete dias por semana. Foram noites intermináveis”, conta Lúcia.


Completamente isolada, manipulada, sem nenhum tipo de assistência, ela começou a escrever para expressar seus sentimentos. O conteúdo serviu de base para a produção de seus livros. Ao fim de um contrato de oito meses, Lúcia estava totalmente endividada. Deveria pagar os gastos da viagem, o aluguel do quarto, além de multas diversas. Foi quando conheceu seu atual marido. Ele pagou integralmente sua dívida, libertando-a. Segundo a escritora, passaram-se anos até ela entender exatamente o que tinha acontecido.

Lúcia Amélia dando uma palestra em uma escola.

Prevenção Madalena’s Lúcia tentou esquecer o passado e viver sua vida, porém não conseguiu se manter em silêncio. Então, há cerca de 15 anos, deu início a um trabalho de prevenção e informação, para que outros não caiam na mesma armadilha. “No começo da minha luta, tentei informar várias autoridades suíças, mas fui tratada com indiferença. Por isso, resolvi agir por conta própria, acomodando, em minha casa, jovens mulheres que eram prisioneiras em bordéis”, conta. Como algumas não tinham passaporte, ela contatou o Consulado Geral do Brasil em Zurique, onde conheceu a embaixadora Vitória Alice Cleaver, que lhe deu a assistência necessária. Percebendo a precariedade na qual, muitas mulheres, viviam em vários cantões da Suíça romana e alemã, Lúcia concluíu que existia uma real necessidade de socorro às vítimas. Assim, ela fundou a Madalena’s, uma organização não governamental (ONG), que tem como objetivo defender os direitos de pessoas de ambos os sexos, vítimas de crueldade e maus-tratos. “O trabalho é feito por meio de uma colaboração intermediária, estreita e leal com as autoridades oficiais”, explica. A ONG Madalena’s já ajudou 142 pessoas detidas contra a sua vontade em bordéis na Suíça, além de impedir milhares de serem exploradas sexualmente, por meio da prevenção feita nas escolas e universidades brasileiras.

No Brasil, o trabalho é voltado para a informação dos jovens sobre o perigo que correm em aceitar propostas de trabalho suspeitas, seja como babá, cozinheira(o), artista, ou um simples pedido de casamento dentro do território nacional ou internacional. Eles são incentivados a estudar, a obter uma formação profissional e a viver no Brasil. O projeto Prevenção Madalena’s é desenvolvido em parceria com as escolas e universidades, que abrem espaço para a apresentação de filmes e realização de palestras, sobre o perigo da exploração sexual, violência doméstica, pedofilia e tráfico humano. “Com meus livros e palestras, espero alertar as pessoas, para que não entrem no mesmo inferno que eu entrei”, comenta Lúcia. Todo esse trabalho não seria possível se não fosse pela garra e pelos ideais de Lúcia Amélia Brülhardt e sua equipe. A cada ano, os projetos e realizações da ONG Madalena’s se ampliam. “Quando uma pessoa me abraça agradecendo pela informação, eu tenho certeza de que vale a pena continuar, utilizando como armas a arte e a literatura”, completa Lúcia.

*A ONG Madalena’s é parceira da revista Brasileiros Mundo Afora

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Foto: Cathy Yeulet

FILHOS E O USO DE CELULARES Por Lila Rosana

Não há dúvida de que os telefones celulares são uma ótima maneira de ficar em contato a qualquer hora, em qualquer lugar. Mas o seu filho tem idade suficiente para ter um? É uma decisão difícil para muitos pais, porque não se refere apenas à idade. Você precisa saber quais são as consequências do uso do celular sobre os seus filhos, antes de deixar-se influenciar pela maioria social e decidir adicionar outra linha a sua conta de telefone. Acredito que eu sou uma das poucas mães que tem um filho de 12 anos, o qual não tem um celular. Meu filho já me perguntou algumas vezes: “Mãe, eu posso ter um celular?” A minha resposta é sempre sim, pois não quero lidar contra argumentos: “Sim, claro, mas não agora!”. De fato, não vejo a necessidade de uma criança de 12 anos ter um telefone móvel e tenho motivos para isso. Muitos pais argumentam que dão um telefone celular aos filhos menores de idade, pois precisam se comunicar com eles. Bem, dependendo da situação, esse argumento pode ser válido; mas a questão é: se o objetivo do telefone cedido à criança é apenas para ligações, por que lhe é ofertado o melhor produto que existe no mercado? Inclusive, muitas vezes, melhor do que o dos pais. A resposta é simples: porque os telefones de hoje em dia fazem tudo, inclusive ligações, mas a opção “ligar” é a menos usada. O celular serve para acessar redes sociais, baixar aplicativos, navegar na internet, conversar com amigos, jogar ou tirar fotos. Bem, antes de ressaltar os motivos contra o uso precoce de celulares por crianças, quero deixar claro que a época em que vivemos, tecnológica e dinâmica, tem outra forma de comunicação. Não nos expressamos mais com a mesma frequência verbal do século 20, e sim “com os dedos”. Ir contra as tendências sociais é um verdadeiro desafio, pois o uso de celulares por crianças só tende a crescer. Estudos recentes na Universidade da Califórnia mostram que 21% das crianças abaixo de oito anos já usam celulares; e 78% das crianças com idade entre 12 e 17 anos já têm o seu próprio telefone móvel. 16 | CONVERSANDO COM LILA


Alguns bons motivos para adiar o uso do celular:

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Nossos filhos têm pouca noção sobre privacidade. Em um mundo de exposição, ser discreto para eles é algo quase impossível. Eles compartilham muitas informações pessoais pela internet, desde endereço da escola, de casa. Atualizam constantemente o check-in em suas redes sociais, postando fotos do que fazem e mesmo de onde estão. Sem falar no excessivo volume de fotos íntimas que compartilham sem a noção real do perigo desse ato.

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Devido a imaturidade inerente à idade e em razão do uso inadequado da tecnologia que tem em mãos, a criança tem a ilusão de liberdade, da ausência de controle pelos pais. Com isso começa a agir quebrando regras, ousando mais, pois não existe punição, nem supervisão do que ela faz na companhia de seus aparelhos celulares. Como a liberdade nas mãos de pessoas imaturas gera ações passíveis de arrependimento, com os nossos filhos, isso não é diferente. “Minha filha de 13 anos disse que a sua amiga já enviou foto sem roupa para um colega da escola. Meu receio é de que não tenha sido a amiga quem fez isso, mas sim ela; mas como vou saber a verdade?” – Diz Joanna*, mãe da menina citada acima.

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O uso de telefone celular entre crianças facilita a prática de abuso por bullying entre elas, pois uma difamação (verdadeira ou falsa) pode facilmente se espalhar através das mídias sociais, gerando constrangimento e isolamento para a vítima.

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O isolamento social é um dos maiores reflexos do uso exagerado de aparelhos celulares, pois a facilidade de enviar uma mensagem de texto, uma gravação de voz ou um pequeno vídeo diminui o contato “cara a cara” entre os amigos. “Nos falamos por mensagem todos os dias!” – diz Clara*, de 12 anos, referindo-se à “interação social” com a melhor amiga.

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Quanto maior for o uso do telefone celular por um estudante, menores as notas na escola, e maior a ansiedade. Esta fórmula é simples: a energia vai para onde se concentra a atenção! Como as crianças estão concentradas em jogos, chats ou navegar em sites, sobra pouco ou nenhum tempo para dedicar-se aos estudos. O resultado é um baixo rendimento escolar e um alto índice de ansiedade.

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A ansiedade gerada nas crianças pelo uso de celulares merece um parágrafo a mais, pois a “necessidade” de saber sobre tudo o que os amigos estão fazendo, aumenta a cada postagem. Sem falar na comparação social que é inerente à facilidade de acesso à vida do outro. “As pessoas estão sempre fazendo coisas mais divertidas do que eu” – diz João*, 13 anos.

Conversei com algumas mães brasileiras sobre esse tema, vamos ver como elas lidam ou lidaram com o assunto dentro de casa: Camila Graciela mora em Vancouver no Canadá e é mãe de uma menina de 16 anos. “Eu nunca controlei o uso de quaisquer dispositivos usados por minha filha, mas gostaria de ter controlado. Quando os filhos ficam mais velhos, é muito mais difícil tentar implementar regras e acompanhar o uso, somado ao fato de que nós trabalhamos fora, e não temos muito tempo para estar em casa. É muito difícil controlar. Quando minha filha tinha 10 anos, meu ex-namorado instalou um Net Nanny* em seu laptop, mas ela descobriu e me contou. Ela me contou porque confiava em mim. Eu a apoiei na época, mas não tenho certeza se agi corretamente. Ela é uma boa menina, apenas gasta muito tempo com o seu celular e demais dispositivos. Eu gostaria de poder mudar isso, mas ela já está quase com 17 anos. Não tenho certeza se fiz a coisa certa ou se falhei”. *Aplicativos que ajudam pais a controlarem acesso dos filhos à internet.

CONVERSANDO COM LILA | 17


Andressa Kimura-Rosa mora no Reino Unido e é mãe de uma menina de 11 anos. “Minha filha adora internet. Acho que os computadores, tablets e telefones têm ocupado um espaço grande na vida das crianças dessa geração e, como tudo na vida, é importante ter equilíbrio no uso desses aparelhos, para que o uso excessivo de tecnologia não consuma o tempo dos nossos filhos e afete a vida social deles. Aqui em casa, eu valorizo muito o tempo em família, e as regras para tempo no computador variam de acordo com as atividades escolares, além de estarem adaptadas à idade da minha filha. Ela ganhou o primeiro tablet aos nove anos. Hoje ela está no ensino médio, então usa o celular e o computador também para trabalhos escolares. Eu ainda não liberei o uso das redes sociais e, geralmente, usamos o Skype para que ela fale com os familiares distantes. As regras que eu imponho são: que todas as tarefas escolares e domésticas estejam feitas antes de jogar no computador, além disso, o horário de ir para a cama deve ser cumprido. Hoje em dia, o uso de celulares e afins é quase inevitável, acredito que balancear as atividades, para que isso não substitua o divertimento das brincadeiras ao ar livre, os passeios de bicicleta, a conversa com os amigos e o contato social, é o segredo de uma infância ou adolescência feliz”. Anelise Farias mora no Canadá, é mãe de um menino de 14 e de uma menina de 12 anos. “Aqui em casa as regras para o uso de eletrônicos são simples: se é durante o período de aulas, eles só usam o computador em dias de escola, se for para fazer tarefa de casa ou estudar. Nos fins de semana, se todas as tarefas estiverem em dia, eles podem jogar. Em época de aulas, os celulares “dormem” no meu quarto a partir das 21 horas. Durante as férias, está quase liberado o uso, a não ser que eles estejam tendo algum problema conosco, aí a consequência, normalmente, é o confisco de celular e o bloqueio do computador”. Karla Klaros mora no Canadá e é mãe de um menino de 15 e de uma menina de 20 anos. “Eu nunca controlei o uso do celular pela minha filha mais velha. Ela sempre tirou notas boas, é bem ajuizada e dedicada na universidade. Já com o meu filho adolescente o negócio é diferente! Ele não é nada acadêmico, então, nos dias de aula, fica sem celular até terminar as tarefas escolares. Quando eu vou dormir, confisco o celular. Depois do recebimento do primeiro boletim dele, tirei o celular de vez. Agora, como ele está de férias, devolvi”. Caso você já tenha dado um telefone aos seus filhos, entenda que regras e limites para o uso são necessários. Aqui algumas dicas para minimizar os problemas que o uso precoce pode gerar: ●

Não permita que seus filhos levem seus celulares para a cama. Na hora de dormir, eles devem desligar os aparelhos e deixá-los em outro cômodo da casa.

Controle o uso deixando claro por quanto tempo podem ter acesso ao telefone.

Crianças desocupadas usam mais o telefone, então dê tarefas a elas: atividades físicas, dever de casa, ajudar em tarefas domésticas, passeios com a família, etc.

Durante um encontro pessoal (almoço em família, cinema, teatros), não é permitido o uso de telefones, pois não existe nada mais desagradável do que ter alguém à sua frente com a cabeça baixa, olhando para uma tela e não para você.

Utilize a mesada dos filhos (caso eles tenham) para ajudar a pagar a conta do telefone. Ensinar responsabilidades sobre os benefícios cedidos é fundamental.

18 | CONVERSANDO COM LILA

*Nomes fictícios para preservar a identidade das entrevistadas


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Glühwein O Glühwein é uma bebida de inverno muito popular na Europa. Somente na Alemanha, consomem-se mais de 40 milhões de litros por ano dessa bebida feita com vinho tinto ou branco (dependendo da região) e especiarias.

Ingredientes ● ● ● ● ● ● ● ●

750 ml de vinho tinto seco 250 ml de água 2 canelas em pau 3 cravos-da-índia 3 colheres de sopa de açúcar 1 limão 1 laranja cardamomo ou gengibre

Modo de preparar: Coloque o vinho tinto, a água e as especiarias em uma panela. Aqueça lentamente, mas não deixe ferver! Corte o limão e a metade de uma laranja em fatias e adicione. Deixe a mistura uma hora no fogo baixo. Em seguida, peneire o vinho quente para remover as especiarias. Adicione açúcar a gosto e sirva quente. 20 | BEBIDAS QUENTES DE INVERNO


Bebidas quentes Não há nada melhor para aquecer os dias frios de inverno do que uma bebida quente. Veja como preparar sua dose de calor!

Schümli Pflümli Uma bebida típica da Suíça, com café e licor de ameixa. Ingredientes ● ● ● ● ●

150 ml de café quente e forte 1 pitada de cacau ou chocolate em pó 40 ml de licor de ameixa (Pflümli) chantilly a gosto 2 colheres de chá de açúcar

Modo de preparar: Coloque o açúcar em um copo quente e despeje o licor de ameixa, em seguida, o café. Decore com chantilly e polvilhe com chocolate em pó. Servir a bebida com uma colher.

Jagertee O Jagertee ou Jagatee é uma bebida quente feita com chá preto e rum. É uma especialidade austríaca. Ingredientes ● ● ● ● ● ● ●

500 ml de chá preto 4 colheres de chá de açúcar 500 ml de vinho tinto 1 canela em pau 4 cravos-da-índia 80 ml de rum escuro 80 ml de cachaça

Modo de preparar: Aqueça o chá, adicione o açúcar, o vinho tinto, a canela e os cravos. Após cinco minutos, remova as especiarias e adicione o rum escuro e a cachaça. BEBIDAS QUENTES DE INVERNO | 21


Eles mudaram, mas nem tanto! Moram no exterior e continuam atuando na mesma profissão Fotos: arquivo pessoal | Texto: Vanessa Bueno

Após publicarmos diversas histórias inspiradoras de pessoas que se reinventaram profissionalmente mundo afora, mudando completamente de área, apresentamos a vocês Bruno Bueno e Rafael Bernardes, que enfrentam os desafios de morar em outro país em busca de aperfeiçoamento profissional.

Bruno Bueno O publicitário Bruno Bueno, 29 anos, é natural de Porto Alegre, mas cresceu em Florianópolis, onde estudou e começou sua trajetória profissional. Depois de se mudar para São Paulo, ele atuou por sete anos em agências como Leo Burnett, Tailor Made e FCB Brasil. Nos últimos dois anos, conquistou, entre outros prêmios, quatro leões no Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions, na França, sendo um deles de ouro. Em seguida surgiram algumas propostas para trabalhar no exterior, o que se consolidou com a oportunidade na agência Lola Mullen, em Madrid, na Espanha, onde ele atua desde maio deste ano, como diretor de arte. A seguir ele nos conta sobre as dores e delícias de mudar de país, mas não mudar de profissão.

Bueno

Brasileiros Mundo Afora (BMA): Bruno, seu diploma brasileiro é válido na Espanha? Bruno Bueno (BB): Sim, meu diploma é válido aqui. Ele serve como curso superior e ajuda para retirar o visto de trabalho, mas não é obrigatório para o exercício da profissão, já que não é regulamentada. BMA: Como surgiu a oportunidade para trabalhar na Espanha? BB: A publicidade brasileira é reconhecida no mundo inteiro por sua qualidade. É comum agências de vários lugares do mundo contratarem publicitários brasileiros. No meu caso, eu queria ter uma experiência fora do país, mas queria continuar fazendo um trabalho bacana e, quando a agência Lola Mullen me fez uma proposta, foi fácil decidir.

24 | PROFISSÃO EXPATRIADOS


BMA: Como está sendo esse começo? BB: Está sendo muito bacana. Mudar de país traz muitas dificuldades, como dominar a língua, encontrar um lugar para morar, sentir a saudade da rotina antiga, dos amigos e da família. Mas o bom de morar no exterior é descobrir lugares novos, culturas e pontos de vista completamente diferentes. BMA: Como é trabalhar em outra língua e com outra cultura? BB: Absolutamente tudo muda. Publicidade é comunicação e, quando é preciso mudar a forma de se comunicar, tudo fica mais difícil. Agora estou mais adaptado, mas ainda há um longo caminho a percorrer. BMA: Quais as principais dificuldades que encontrou? BB: Quando se trabalha em um mercado há muito tempo, já é possível decifrar como as coisas funcionam. Muda a agência, mas as coisas são iguais na maior parte do tempo. Minha maior dificuldade está sendo entender a agência, justamente por ser muito diferente das agências em que trabalhei no Brasil. BMA: Sente algum preconceito por ser estrangeiro? BB: Não muito, no trabalho menos ainda. Na hora de alugar um apartamento, senti um pouco de desconfiança. Fiquei um mês tentando alugar um apartamento, e sempre os espanhóis tinham algum motivo engraçado para não alugarem. Um deles falou que o apartamento era muito pequeno para mim, agradeci a opinião e enviei a papelada. É claro que a resposta foi negativa. Outra proprietária disse que era muito longe do meu trabalho. Também houve uma que não aceitou meu salário, alegando que o aluguel era mais do que 40% dele, mas não era. Só consegui alugar quando o brasileiro Saulo Rocha, outro diretor de arte da agência, foi comigo visitar um apartamento. Como ele fala muito bem espanhol, o proprietário ficou muito mais tranquilo e aceitou alugar. Acredito que aqui na Espanha tudo seja menos burocrático, eles são muito ‘boa onda’. BMA: O que mais te agrada nessa nova experiência profissional? BB: Ter desafios diferentes de hora em hora é muito legal, por mais difícil que seja, depois de superá-los é recompensador. BMA: O que mais te desagrada? BB: Sem dúvida, não ter tanta segurança para apresentar meus projetos ainda é um grande problema. Trabalho com um argentino que me ajuda muito nesse sentido. BMA: A diferença cultural te ajuda ou atrapalha no desempenho do trabalho? BB: A diferença cultural me ajuda. No Brasil, temos uma mistura cultural muito grande, e eu acredito que isso influencia muito quando trabalhamos em outro país. Conseguimos analisar outras culturas com mais facilidade, até porque nosso país é dividido em regiões com hábitos e costumes próprios. Às vezes, tenho a impressão de que Madrid é mais uma região do Brasil, do que realmente uma cidade em outro país e em outro continente. PROFISSÃO EXPATRIADOS | 25


Rafael Bernardes Ao contrário de Bruno Bueno, Rafael Bernardes, 33 anos, também de Porto Alegre, mudou-se para o exterior sem a garantia de um emprego. Formado em Administração de Empresas, com dois títulos de mestrado e um MBA na área, ele arriscou e conseguiu. Apenas 45 dias após sua mudança para Winnipeg, no Canadá, conquistou uma vaga praticamente igual à que ele tinha no Brasil. É supervisor de planejamento de inventário, na empresa The Dufresne Group. A seguir, ele nos conta como foi o processo de busca e como está sendo a experiência de trabalhar fora.

Brasileiros Mundo Afora (BMA): Por que você escolheu o Canadá para morar e trabalhar? Rafael Bernardes (RB): O fator decisivo para mudar veio depois que eu me casei, em 2015. A Laura Maciel, minha esposa, já tinha morado fora e queria repetir a experiência, desta vez mais focada na profissão. Também era um sonho antigo meu viver fora do país. Aos 23 anos, eu tive um visto de trabalho negado pelo Reino Unido. Nos 10 anos que se passaram até aqui, desenvolvi minha carreira em empresas bem conceituadas e assumi posições de liderança. A convivência com colegas de trabalho que tinham experiências profissionais no exterior fomentou meu sonho ainda mais. Somada a vontade dos dois, com a situação atual de crise e violência no Brasil, decidimos que seria 2016 o ano da mudança. Pesquisamos muito, pois queríamos partir para um país onde seríamos bem-vindos, com programas de migração sérios. Um lugar onde poderíamos ter um padrão de vida legal, onde teríamos condições de criar os filhos com segurança, além de oferecer uma educação de qualidade, caso nossa decisão fosse ficar. Por isso, escolhemos o Canadá. Laura é formada em engenharia e veio para cursar pós-graduação na Universidade de Winnipeg. Eu arrisquei e vim sem nenhum trabalho garantido.

Bruno Bueno

BMA: Seu diploma é válido no país ou foi preciso passar por algum exame de validação? RB: O meu diploma é válido aqui. Não é preciso fazer nenhum tipo de recertificação. O que existe aqui é um programa para equivalência de diplomas com base no padrão canadense de educação. Sinto que meu título de mestrado conquistado pela Universidade de Poitiers, na França, me abriu portas. BMA: Quanto tempo você procurou por emprego? RB: Entre começar a mandar currículos e ser selecionado foram 45 dias. Cheguei com o objetivo de me candidatar a 100 processos de seleção em um prazo de 90 dias. Em metade do tempo, já havia enviado meu currículo para 75 oportunidades de trabalho. Aqui o processo é muito diferente, é preciso enviar uma carta de apresentação com os motivos de sua inscrição para a determinada vaga. Eu trabalhei muito nesse processo em 45 dias, inclusive nos fins de semana. 26 | PROFISSÃO EXPATRIADOS


BMA: Quais as principais dificuldades que você encontrou? RB: Aqui no Canadá existem diversas associações e programas públicos que auxiliam quem está chegando. Minha primeira dificuldade foi entender o quanto a formatação do meu currículo deveria ser adequada às exigências daqui. A segunda dificuldade foi a demora em receber o retorno das empresas. Recebi oito retornos positivos, das 75 vagas para as quais me candidatei, mas demoraram 30 dias para me chamarem para a primeira entrevista. “Será que estou fazendo a coisa certa?”, me questionava. Durante esses 45 dias, cheguei a pensar em procurar trabalho em outra área, mas, felizmente, consegui manter o meu foco. O terceiro ponto que gostaria de destacar é a dificuldade de equiparar o cargo que eu ocupava no Brasil ao cargo correspondente aqui. As reuniões com uma coaching dessa entidade que faz a integração de estrangeiros me ajudaram muito. BMA: Quais os principais desafios encontrados? RB: A língua é um grande desafio, não no sentido de saber ou não falar o inglês, mas pelo fato de que é preciso ter poder de argumentação. Conseguir vender uma ideia e pensar em outra língua exige bastante de mim. BMA: O que mais lhe agrada? RB: No Canadá, se trabalha intensamente durante o período do trabalho. As pessoas chegam muito cedo. Eu, por exemplo, chego às sete horas da manhã, e às 16 h vou para casa. A vida pessoal é respeitada, não existe constrangimento em sair cedo. Aqui ficar além do período no trabalho é um problema. Essa separação entre vida privada e profissional me agrada muito. BMA: O que mais lhe desagrada? RB: Uma coisa de que sinto falta é de almoçar com os colegas. Isso ajuda a construir relações, e eu considero muito importante estar em contato com a equipe. Aqui é muito diferente. Não existe pausa certa de almoço. Cada um traz sua comida, come-se ali mesmo na mesa de trabalho. Eu esperava que houvesse mais momentos de troca com as pessoas. Estou chegando e devo me adaptar, mas esse é um ponto que eu mudaria se pudesse. Acredito que o momento de amenidades é importante para estreitar relações. BMA: Comente algum episódio sobre a diferença cultural. RB: No Canadá existe a cultura do Potluck, que são encontros para confraternizar. Cada um leva a sua comida, a família e divertem-se juntos. Já na minha primeira semana na empresa, fui convidado para um Potluck em um parque e achei muito interessante, gostei. BMA: Como está sendo a experiência de trabalhar em outra língua e cultura? RB: Vale muito a pena. Eu tive a oportunidade de assumir um cargo de liderança e sei que essa experiência vai me agregar muito. Se voltarmos para o Brasil, acredito que isso me ajudará em uma recolocação. Além disso, é um aprendizado pessoal muito gratificante ir trabalhar todos os dias sabendo que estou muito distante de minha zona de conforto. Tenho a sorte de trabalhar com um time, que é diverso - com pessoas da Índia, China, Indonésia – mas que tem o padrão canadense. Várias dificuldades pelas quais estou passando, por ser novo no país, eles já vivenciaram, então isso ajuda no processo de adaptação. Está sendo uma experiência incrível. Você também tem uma história de sucesso trabalhando no exterior, na sua profissão original? Escreva nos contando! 27 PROFISSÃO EXPATRIADOS || 27


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Parceria para profissionais em transição Um parceiro de transição é uma espécie de personal trainer para os momentos de transição profissional. Por meio de conversas individuais e utilizando a metodologia do coaching, o parceiro de transição vai ajudá-lo a compreender o novo contexto, a olhar a situação sob diversos ângulos, a identificar as habilidades ‘únicas’ e aquelas que terão que ser desenvolvidas para você ser bem-sucedido no novo momento profissional. Combinados a essas conversas, que podem ser feitas pessoalmente ou via Skype, também haverá exercícios e atividades para você praticar novos comportamentos ou estratégias identificadas como as mais eficientes para atingir os seus objetivos profissionais. 30 minutos gratuitos por Skype para você tirar suas dúvidas Se você está vivendo um desses momentos de transição profissional e quer saber mais sobre o meu trabalho, visite o meu site www.lucianabiscaia.com ou entre em contato através do e-mail: luciana.biscaia@icloud.com. Eu ofereço sessões de 30 minutos via Skype gratuitamente, para fornecer informações mais detalhadas e tirar dúvidas. Terei o maior prazer em falar com você. Até lá! | 29


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Jogador de futebol brasileiro fala sobre sua carreira na Europa Fotos: Maricélia Wiesböck | Entrevista: Claudia Bömmels

“É inútil resistir ao sorriso largo de Dante. Se um dia você tiver a sorte de conhecê-lo pessoalmente, siga meu conselho: não tente não gostar dele, pois não terá sucesso. Isso eu garanto”. Com essas palavras, o treinador de futebol alemão Jupp Heynckes abre o prefácio da biografia de Dante, publicada em 2014. Dante Bonfim Costa Santos ou simplesmente Dante é jogador de futebol profissional e já trabalhou com renomados clubes de futebol alemães. Após uma maratona de negociações, em agosto último, ele mudou-se para Nice, onde passa a jogar para o time francês OGC Nice. Dante é conhecido na Alemanha pelo jogo rápido, por sua alegria e por seu cabelo, que se tornou sua marca registrada, durante sua estadia no país. Não era raro ver fãs indo para os estádios de futebol com perucas, imitando seu afro look. Sua passagem pelo clube de maior sucesso na Alemanha, o Bayern München, foi certamente um dos pontos altos da sua carreira. Com esse clube, ele foi campeão da Champions League em 2013. Fazer parte da seleção brasileira foi inesquecível para ele. Outro momento importante na sua carreira foi fazer um gol para o Brasil, em um jogo contra a Itália na Copa das Confederações, no Estádio Fonte Nova*, em 2013, onde sua família estava presente. “Parece brincadeira, cheguei a comprar 60 ingressos para distribuir entre familiares e amigos. Pensei: quem sabe Deus me ilumina e dou essa alegria para os meus parentes?”, falou Dante, em entrevista à Globo depois da partida. Perguntado sobre seus ídolos do futebol, ele cita Ronaldo e Romário: “Foram jogadores incríveis e eu era muito fã deles”.

* Nome ofical: Complexo Esportivo Cultural Octávio Mangabeira, localizado em Salvador, Bahia.

DANTE | 31


Dante e suas tatuagens: todas foram feitas pelo seu tio Doga, que possui um estúdio em Salvador, Bahia. A primeira tatuagem de Dante foi uma figura de Jesus, no braço esquerdo. Dante também tem os nomes dos filhos tatuados. Um desenho modificado de um símbolo de um guerreiro Maori ilustra o braço direito. 32 | SORAIA DANTE DIETSCHE


Dante está feliz com o rumo que sua carreira tomou e vê na França uma chance de crescer profissionalmente. “Em um ano acabei mudando duas vezes. O projeto do clube alemão Wolfsburg foi muito interessante, já que era um time que havia vencido a copa da Alemanha, ficou em segundo no campeonato alemão e venceu a supercopa da Alemanha também. Tivemos a chance de jogar a Champions League e chegamos até as quartas de final, perdendo somente para os atuais campeões. Wolfsburg é uma grande equipe e não deixa a desejar a qualquer outra na Alemanha, mas obtive uma proposta muito boa do clube OGC Nice, onde eu vou jogar com meu ex-treinador Lucien Favre do Borussia Mönchengladbach. O que me motivou a mudar é que tenho certeza de que posso ajudar a equipe a chegar a um patamar mais alto. Também busco mais qualidade de vida para mim e minha família. O contrato de mais três anos me convenceu a abraçar mais um desafio. Vamos trabalhar duro para poder ter sucesso nessa temporada com o Nice”. Na cidade portuária, quando Dante foi lançado oficialmente como jogador do clube OGN Nice, no final de agosto, era visível o orgulho dos diretores, mas principalmente do treinador Lucien Favre, pelo fato de poderem trabalhar novamente juntos. Dante é natural de Salvador na Bahia “onde as pessoas são muito calorosas”. Com 19 anos, começou a jogar profissionalmente no clube Juventude de Caxias do Sul, depois de tempos de incertezas, que exigiram de Dante principalmente muita perseverança e fé no seu sonho. Em Caxias do Sul, ele conheceu Jocelina, seu grande amor. Em 2004, então a grande chance de jogar na Europa surgiu para Dante, quando o clube francês OSC Lille o contratou. Dante mudou-se para o Velho Continente sem saber muito sobre a França, mas determinado a vencer. Jocelina, que trabalhava em um estúdio fotográfico no Brasil, mudou-se também meses depois para a França. “O reencontro foi fantástico. Mas a vida em outro país não foi fácil para nós. Sentimos muito com o frio, a barreira da língua e pouco dinheiro”, conta Dante na sua biografia. Durante todo o livro, ele fala dela com muito carinho e admiração: “Sou muito agradecido à Jocelina, que sempre me acompanhou em todos os passos da minha carreira. Cada mudança de clube trouxe novos desafios para mim, mas também para ela. Nós confiamos muito um no outro e nos fortalecemos mutuamente. Essa é a base do nosso relacionamento que dura há mais de 10 anos”, completa. Hoje com 32 anos, Dante é casado com Jocelina e tem três filhos. “Minha filha mais velha nasceu na Bélgica e meus outros dois filhos nasceram na Alemanha. Estamos adaptados à cultura alemã, que é muito diferente da nossa. Mas agora vamos rumo a um novo desafio no sul da França, onde há mais sol, que é do que eu mais sinto falta do Brasil. Estou feliz com essa nova mudança, vai ser bom para mim e para a minha família”. E completa: “Meu pai sempre me disse para eu lembrar três coisas: disciplina, dedicação e paciência. Mesmo que eu jogue somente por cinco minutos, por exemplo, eu procuro dar o melhor de mim, sempre. Esse é o conselho que eu dou para quem quer seguir uma carreira de sucesso, independentemente da profissão”.

Acompanhe Dante nas redes sociais: Facebook: DanteFootball Twitter: dante_bonfim Instagram: @dantebahia DANTE | 33


Foto: Divulgação OGC Nice

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Nova vida para Dante e família em Nice, sul da França. Desde agosto 2016 Dante joga no clube OGC Nice.


Edson Por Marisa Pedro Pfeiffer

Dias

Nascido em 12 de abril de 1956, Edson Dias começou precoce no futebol. Com apenas 10 anos, já fazia parte do seu dia ir para a escola normal pela manhã e frequentar a escola de futebol à tarde. Naquele tempo, isso era considerado uma conquista, um grande empenho. Graças a essa dedicação, ele aprendeu tudo o que diz respeito à “arte do futebol” e pôde frequentar uma das melhores escolas do Brasil, talvez do mundo, o Santos Futebol Clube, por onde passaram estrelas tais como Pelé, Pepe, Mengalve, Coutinho, Manga, entre outros. Ao fazer uma retrospectiva da carreira, Edson Dias mostra-se honrado por ter sido treinado por celebridades como Olavo Martin, Mauro Ramos, Pepe, Formiga, Telê Santana, Dudu, Dequinha e outros. O contato, quase diário, com seu ídolo, o Rei Pelé, mais parecia um sonho. Aos 17 anos de idade, como jogador profissional, ele fazia parte de um time chamado “Time dos Sonhos”, já que desse time saíam muitas estrelas. Jogador do Santos Futebol Clube e de tantos outros times brasileiros da primeira divisão, Edson passou por equipes internacionais, mostrando seu futebol em vários países, como Chile, Portugal, Bélgica, França, Singapura, Malásia, chegando à Suíça em 1991. Hoje é presidente do FCBB, o Futebol Clube Brasil Basel, fundado em 2003, e tem o sonho de montar a primeira escola de futebol brasileira na Suíça e fora do território brasileiro. “Drible, fantasia, teoria, técnica, disciplina, controle emocional diante de certas situações, sistema de jogo, como dosar o fôlego e outras categorias disciplinares seriam as matérias a serem lecionadas numa escola como esta”, diz Edson, reforçando a grande importância do esporte no desenvolvimento do jovem nos dias de hoje. www.fcbrasilbasel.ch + 41 79 137 07 53 fcbb_edson.dias@hotmail.com 36 | PROJETO CULTURAL


Em uma viagem ao Brasil, em 2015, a comunicadora social Carla Scheidegger encontrou-se com Fabiana Gutierrez, uma antiga colega de trabalho e cofundadora de “Carlotas” no Brasil, que lhe contou sobre o projeto, cujo objetivo é disseminar o respeito entre crianças, jovens e adultos, desconstruindo o perfeito e praticando as habilidades socioemocionais, como a colaboração e a empatia. Esse trabalho, realizado em escolas, ONG, instituições e empresas do Brasil e dos Estados Unidos, onde vive a artista Carla Douglass, cofundadora e idealizadora do projeto, utiliza arte, atividades lúdicas e contação de histórias como ferramentas de vivência. A abordagem dos temas no “Mundo de Carlotas” passa por oficinas, programas em escolas, livros ilustrados, jogos e até mesmo treinamento corporativo. Apesar do estranhamento inicial, o propósito do negócio social não saía da cabeça de Carla Scheidegger, que voltou à Alemanha determinada a testar a metodologia. Foi quando surgiu a oportunidade de apresentar “Carlotas” em um evento bienal realizado em Munique, a Primavera das Fundações. De lá, saiu com um prêmio conferido pela Fundação BMW, Fundação Herbert Quandt e Social Entrepreneurship Akademie. Foi naquele momento que Carla começou sua empreitada para levar a abordagem de “Carlotas” também às crianças, jovens e adultos alemães. Hoje são mais de 600 pessoas impactadas no país, que foram sensibilizadas pela valorização da diversidade, aprenderam como exercitar seu potencial empático para olhar o mundo com mais respeito e aceitação. Contato: Carla Scheidegger carla.s@carlotas.org Tel.: +49 176 8116 8993 www.carlotas.org PROJETO CULTURAL | 37


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Outono

Luah Boutique Hauptstrasse 28 Birsfelden Switzerland + 41 79 198 78 32 | 41


Santorini Meu amor! A fotógrafa brasileira Bianca Ramos retrata há mais de 10 anos casais e famílias mundo afora. Seu local preferido para fotografar é a ilha Santorini, na Grécia. “O lugar com o azul mais lindo do mundo.”

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Luana Sarantopoulos Bergamaschi ĂŠ organizadora de casamentos e parceira de Bianca Ramos.

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Santorini é chamada oficialmente Tira (em grego: Θήρα). A ilha formou­se após várias erupções vulcânicas. A última erupção foi há de cerca de 3600 anos. As ilhas Aspronisi, Tirasia e Santorini formam a caldeira, com mais de 365 metros de profundidade e 300 metros de altura. FOTOGRAFIA | 45


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Os brasileiros Fernanda Raso Zamorano e Fabiano Fernandes foram clicados por Bianca Ramos.

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Bianca também fotografa em outros lugares da Grécia. Na foto: Mykonos.

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O casal Pamella e Ondrej Kandrac. Ela brasileira, ele da RepĂşblica Tcheca.

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Uma fotógrafa apaixonada pela Grécia

Quando eu era criança, vivia rodeada de desenhos e cores. Minha mãe foi professora por muitos anos e meu pai é um homem muito criativo. Na adolescência, comecei a pintar telas a óleo, e as aquarelas foram por muitos anos a minha paixão. Quando eu descobri a fotografia digital, ela passou a ser a minha pintura instantânea. Quando estou editando minhas fotos, sinto como se estivesse pintando com luz e sombras. Abandonei os pincéis de verdade, troquei o cheiro das tintas e solventes pelas lentes e pelo pincel do programa de edição. Comecei fotografando nas horas vagas e aos poucos também retratando pequenos eventos para amigos e para a família. A fotografia de casamento veio para minha vida como um bálsamo, pois, logo no primeiro evento que fotografei, percebi que tinha encontrado a minha grande paixão. Fotografar casamentos é um trabalho maravilhoso, que requer cuidados e habilidades diferentes. Você tem que gostar de gente, estar aberta às emoções, envolver-se com a história do casal, fazer parte da família naquele dia tão especial e intenso. É assim que procuro trabalhar, e já são quase 10 anos envolvida em emoções e dias de sonhos de noivas do mundo inteiro. Meu primeiro trabalho internacional foi nos EUA em 2012 e, de lá para cá, fotografei em diversas ilhas gregas, em Malta e na Inglaterra, onde moro com meu marido e meu filho. Hoje divido meu tempo entre a Inglaterra e a Grécia, onde fotografo casais brasileiros e de outros países. Logo no primeiro casamento que fotografei na Grécia, me apaixonei por Santorini e me especializei em casamentos na ilha. A parceria com duas brasileiras, que moram no país, foi muito importante para que meu trabalho tivesse destaque. Uma delas é Virna Lize Mitrogianni do blog Uma Brasileira na Grécia, que mora em Atenas há oito anos e fala grego. Ela faz o trabalho de assessoria, acompanhamento e roteiros para quem quer conhecer a Grécia. Muitas pessoas estão em lua de mel ou querem renovar seus votos de casamento. Luana Sarantopoulos completa a parceria. Ela é brasileira, neta de gregos, morou em Santorini e seu trabalho é organizar os casamentos das pessoas que eu fotografo, incluindo a parte burocrática. O diferencial do meu trabalho é que eu sou uma fotógrada apaixonada pela arte, pela fotografia e especialmente pela Grécia. Hoje conheço cada pedacinho da ilha de Santorini, e os casais são fotografados em locais diferentes e especiais, muitos somente conhecidos dos moradores. Algumas pessoas me perguntam por que eu gosto tanto da Grécia e por que Santorini? Eu respondo que basta olhar para as fotos para entender a minha paixão pelo lugar. Para mim, está ali o azul mais lindo do mundo! www.biancaramosphoto.com

FOTOGRAFIA BIANCA RAMOS | 51


“A série fotográfica Dualidade tem como objetivo mostrar a força existencial e a aceitação de cada ser humano em sua totalidade.” 52 52 || FOTOGRAFIA

Nithah Stöcklin


Fotos: NITAMI photography | Texto: Grace Rufino

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FOTOGRAFIA | 55


Fotógrafa inspira seu trabalho na beleza interior do ser humano por Grace Rufino

A fotógrafa e amante das artes Nithah Stöcklin nasceu no Rio de Janeiro, mas foi na cidade de Basel, na Suíça, que encontrou seu caminho. Inspirada pelo modo de vida europeu, mudou-se para estudar alemão e lá ficou. Em solo suíço, ela conheceu seu esposo, Michael Stöcklin, com quem já comemora 25 anos de união. Especialista em computação, também fotógrafo e companheiro da esposa nas artes, Michael é sócio de Nithah na NITAMI photography. Antes de começar a sua carreira como fotógrafa, Nithah já realizava pinturas a óleo na tela que é uma de suas grandes paixões de expressão nas artes plásticas. Mas seu desejo de interagir com o mundo de uma forma mais lúdica, a trouxe para a fotografia, há seis anos, quando ela visitou a exposição do famoso fotógrafo britânico e cineasta, John Rankin Waddell. A fotografia de Nithah tem um compromisso de trazer à tona a beleza interior do ser humano, independente de sua posição social, etnia ou religião. Ela extrai da aparente vulnerabilidade dos seus modelos, a beleza e o poder, que reside dentro de cada pessoa. A carioca tem trabalhos comerciais publicados na Europa em revistas como a Vogue, além de ensaios fotográficos para famosas joalherias suíças. Nithah também dedica o seu tempo à proteção dos direitos humanos das mulheres, tema que retratou em suas imagens em uma exposição de arte sobre o assunto, na Suíça. Em junho deste ano, a fotógrafa lançou sua nova exposição no Brasil, que é chamada Dualidade. Por meio desse novo trabalho, ela traz um pouco da história de sua vida, mostrando o lado positivo e negativo e menciona: “A exposição fotográfica Dualidade tem como objetivo mostrar a força existencial e a aceitação de cada pessoa em sua totalidade. A única forma que nos leva adiante é o amor universal e o respeito ao ser humano.”, acredita. Nithah Stöcklin recebeu um prêmio de reconhecimento de suas obras no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, durante a XII Mostra Internacional de Cinema Negro que foi organizada pelo cineasta Celso Prudente, na presença do governador do Estado de São Paulo e do seu curador artístico Paulo Rufino, em junho de 2016. A exposição "Dualidade" também aconteceu em outubro de 2016 na galeria VORREITHER em Frankfurt, Alemanha. -------------------------------------------------------------------Acompanhe o trabalho de Nithah e Michael Stöcklin: www.nitamiphoto.com Facebook: nitamifoto Instagram: @nithah_stocklin_switzerland 56 | FOTOGRAFIA


Vontade de viajar? Voe com a gente! Sua agência com discrição e serviço individualizado

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SONHO REAL , que vive em Paris, Álbum da cantora carioca traz melodias inspiradas em ritmos brasileiros Flavia Coelho mora há 10 anos fora do Brasil e faz cada vez mais sucesso mundo afora. Do Rio de Janeiro para as ruas célebres de Paris, esta nômade se sente em casa onde quer que esteja. “Muitos dos meus ídolos na música, literatura e em outras artes, viveram em Paris, por isso escolhi essa cidade para seguir o meu caminho profissional”, conta. Juntamente com o produtor e pianista Victor-Attila Vagh-Weinmann e o baterista Al Chonville, Flavia criou sua nova obra em um estúdio em Paris. Na bagagem, levou apenas uma guitarra, sua voz e suas experiências de vida: amigos, amantes, encontros, decepções, alegrias e esperanças. Assim nasceu seu novo álbum: Sonho Real. Sonho Real traz fragmentos de forró, seções de guitarra, teclado, percussão, bateria, baixo e acordeão. Flavia expressa suas canções de forma feliz e sensual, embora algumas letras falem de tristeza e saudade. “O que digo nas minhas letras é como sinto e como vejo as coisas. É verdade que cresci em vários tipos de bairros e temas sociais também estão presentes nas minhas letras.” Por meio da música, Flavia transforma perda, sofrimento e fracasso em força e energia para conduzir o futuro. E esse promete ser de muito sucesso. Flavia e seu grupo fizeram, nos últimos dois anos, mais de 200 concertos, em vários países europeus. Divulgar seu trabalho no Brasil é um grande sonho da cantora. Desejamos sucesso! Acompanhe o trabalho de Flavia nas redes sociais: Facebook: flaviacoelho.officiel Instagram: @flaviacoelhobr

MÚSICA | 59


Foto: Studio Rogerio Vinicius | Produção: Renata Caparelli

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Andoni

CRIS Inevitável sucesso da cantora, que vive seu sonho musical no Brasil Por Janete Reist

Amante da música internacional dos anos 70 e 80, Cris Andoni iniciou sua carreira aos 17 anos tocando com sua banda em festivais de música. Aos 19 anos, mudou-se para Goiânia e em pouco tempo se destacou no cenário musical pop da cidade. Em seguida, foi convidada para tocar na Suíça, onde viveu durante 11 anos. “A Suíça foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida (meu segundo lar). Foi lá que o meu lado poético e compositor aflorou, onde tive a oportunidade de conhecer outras culturas e outros estilos musicais. A Suíça me inspira!” Cris Andoni nasceu em 23 de novembro de 1983 em Minaçu, Goiás, e está passando uma temporada no Brasil, no seu estado natal. Goiás é considerado pelos críticos musicais como o celeiro da música sertaneja no país, mas Cris optou pelo caminho da música rock e pop e segue sem se deixar influenciar, como ela conta: “Na verdade eu acho que foi esse estilo musical que me escolheu e não o contrário. Confesso que não foi fácil chegar até aqui, principalmente por ter nascido e estar morando atualmente em um estado, onde outro estilo musical é tão predominante e onde me perguntam frequentemente por que não canto música sertaneja. Mas eu gosto disso mesmo, de quebrar regras do que é aparentemente impossível, é ai onde vejo toda a magia da coisa. O mundo é enorme e tem espaço para todos”. Cris se define como uma mulher positiva, divertida e falante, que escreve músicas com letras irreverentes, revolucionárias, irônicas. Quando fala de amor, fala de forma intensa e pessoal e acredita que compor e tocar violão são pontos que se somam à rouquidão da sua voz. Seu primeiro álbum chama-se “Inevitável” e contém 11 músicas. A maior parte delas foi produzida na Suíça, juntamente com o produtor Luis Cruz, que já trabalhou com artistas renomados, como o italiano Tiziano Ferro ou Juanes. Três músicas foram produzidas por Cris e seu produtor brasileiro Hermano Araújo, juntamente com Javier, do Studio Coliseum e músicos brasileiros renomados. “Queríamos dar uma identidade diferente ao meu primeiro álbum, com uma mistura louca de feelings e ideias. Estou muito feliz com o resultado”, destaca ela. Cris está muito feliz de realizar seu sonho no Brasil, onde está se aperfeiçoando musicalmente e fala com grande carinho da Suíça: “Adoro a Suíça. Não tem nada mais gratificante, que você passar por alguém na rua e ser comprimentado com um Grüezi, bom dia! A Suíça é um país organizado, limpo e seguro, me sinto honrada por ser tão bem acolhida por esse país”. Acompanhe o trabalho de Cris Andoni no Facebook: Cris Andoni Official

VIVO MEU SONHO NO BRASIL

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Pedalando Braga afora com Naiara Back Oi, eu sou a Naiara Back – aquela que pedala mundo afora! Sou publicitária de formação, blogueira por inspiração e ciclista por determinação. As minhas pedaladas começaram na infância, lá pelos meus cinco anos de idade e com uma bicicleta de rodinhas. Foi a partir dela que passei a ver o mundo de uma perspectiva e velocidade diferentes. De lá para cá, nunca mais parei de pedalar. A bicicleta sempre esteve presente na minha vida, tanto para substituir o carro a caminho do trabalho, como para adoráveis pedadalas com os amigos ou sozinha. Mas, foi morando em Braga, Portugal, que ela se tornou mais do que um meio de transporte e lazer. Com ela percebi que posso ir mais longe, como, por exemplo, viajar por Portugal e por que não para outros países e continentes? Braga é uma cidade que, de uns anos para cá, vem melhorando as condições de mobilidade para ciclistas. Já temos várias ciclovias e até algumas ruas sinalizadas. E por Portugal há cada vez mais percursos para pedalar de norte a sul. Minhas pedaladas mundo afora se tornaram uma vontade constante. É um vício que proporciona experiências únicas. Uma pedalada atrás da outra, cada segundo conta como um momento inesquecível. Para mim, não há nada mais libertador do que andar de bicicleta, de senti-la ganhando movimento, de respirar o vento fresco que bate no rosto, de ver um caminho ficando para trás e um novo a minha frente, à espera de ser desbravado. Essa vontade constante de pedalar pelo mundo, as melhorias das condições de mobilidade para ciclistas e a escassa divulgação de pistas para pedalar por Portugal foram os motivos pelos quais criei o projeto Aqueles que viajam de bicicleta, que tem apenas uma missão: inspirar a viajar por Portugal e pelo mundo todo, de bicicleta! A minha primeira viagem para outro país foi de Braga para Santiago de Compostela, na Espanha. Já a segunda foi em território português, onde, além de pedalar os 214 km da Ecovia do Litoral do Alagarve, fiz vários desvios para conhecer as diversas experiências, além da praia, que podemos encontrar nesse destino português. Acompanhe as minhas pedaladas no blog e nas redes sociais: www.aquelesqueviajam.com Facebook: aquelesqueviajam Instagram: @aquelesqueviajam Pinterest: aquelesque PEDALANDO MUNDO AFORA || 63 63


Foto: arquivo pessoal | Texto: Vanessa Bueno

Gisele Soares, 38 anos, é natural de Campo Grande, Minas Gerais, mas vive em São Paulo, capital, desde 2005. De longa data, tinha o desejo de percorrer o caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. Inspirou-se no livro O alquimista, de Paulo Coelho, que leu na adolescência. “Eu tinha o ‘Caminho’ no meu imaginário, como algo que ainda iria fazer um dia”, explica. A separação lhe deu o impulso para fazer uma pausa na rotina, arrumar as malas e partir. Embora o sonho fosse antigo, a decisão só chegou após seis meses de muita leitura e pesquisa. Gisele procurou a Associação de Peregrinos, em São Paulo, que promove palestras para os interessados em fazer o percurso. Além disso, leu livros como Via Láctea, do fotógrafo Guy Veloso, e Caminho do coração, do advogado Antônio Kahlil. As obras, segundo ela, lhe forneceram boas dicas para realizar a caminhada. Dica valiosa foi a preparação física para enfrentar os 800 km de caminhada, percorridos por Gisele em 33 dias. Ela realizou treinos de musculação durante três meses antes de embarcar para a Espanha, em junho de 2010. Em suas pesquisas, também descobriu que só poderia carregar uma mochila com no máximo 10% do seu peso. A roupa de peregrino, indicada para quem vai fazer o caminho, lhe parecia engraçada. Mesmo assim, ela vestiu-se, pegou sua bagagem e rumou para o aeroporto. No caminho, as dúvidas atordoavam-lhe o pensamento. Gisele quis desistir quando, por causa do trânsito de São Paulo, perdeu o voo. Mesmo assim, dirigiu-se até o guichê de passagens para remarcar. Pensou com seus botões: “Se for mais de 100 dólares vou desistir”. Informada de que custaria 120, fechou os olhos e entregou o cartão de crédito: “Seja o que Deus quiser”. 64 | CAMINHO DE SANTIAGO


Às 20 horas do dia seguinte, estava lá novamente quando, para sua surpresa, avistou mais sete peregrinas. Logo começou a pensar que havia sido coisa de Deus perder o voo. A resposta positiva de que seguiam para o mesmo destino foi um alívio. Sentaram-se lado a lado e trocaram confidências. As meninas, da cidade de Criciúma, Santa Catarina, acompanharam Gisele o tempo todo. Caminhar, caminhar, caminhar... Ao chegar a Madrid, pegou uma conexão para Pamplona e de lá um táxi até Saint-JeanPied-de-Port, na fronteira da França com a Espanha, onde foi acolhida por uma associação, que recebe os caminhantes e fornece mapas e informações necessárias. Programar-se para não estar à noite na estrada, hidratar-se corretamente e aceitar os próprios limites são algumas das orientações. Gisele dormiu na casa de um morador da cidade, algo bem comum no local, segundo ela. No dia seguinte, acordou e foi andar. De cara percebeu que são vários os ritmos de caminhada. “Eu decidi respeitar o meu”, explica. Em seu primeiro dia de caminhada, cruzou a cordilheira dos Pireneus. Andou, andou e andou, até que escureceu e seus joelhos doeram. “Foi bem difícil no início”, destaca. Chegou a seu primeiro albergue na cidade de Roncesvalles e pensou: “Como que eu vou conseguir dormir aqui com esse monte de gente?”, mas o cansaço era tanto que ela deitou e apagou. Segundo ela, são cerca de 300 camas em um galpão, onde dormem homens e mulheres de diferentes idades e nacionalidades. Acordou com o canto gregoriano, cantado por monges, às 5 h da manhã. “É lindo”, conta. A regra do albergue é clara: tomar café da manhã e seguir caminhada. É proibido ficar, a não ser que se esteja machucado. E assim foram seus dias, um após o outro... Estado de exaustão Somente por volta do terceiro dia, Gisele conseguiu se desconectar da experiência física e passar para a reflexão sobre o significado de estar ali. Estava decidida a realizar todo o percurso caminhando, pois em Saint-Jean-Pied-de-Port havia recebido um documento chamado “credencial peregrina”, um passaporte que permite ao seu portador pernoitar em albergues, igrejas e mosteiros ao longo do caminho. Nele há espaços a serem carimbados nos lugares por onde os peregrinos passam, de forma a comprovar o roteiro realizado. Ao apresentar a sua credencial, devidamente carimbada, na Oficina do Peregrino em Santiago de Compostela, receberia o seu certificado de Compostelana. O documento, concedido aos caminhantes que completam no mínimo 100 km do percurso a pé ou de bicicleta, é escrito em latim. Lá pelas tantas, o cansaço bateu forte e Gisele vivenciou situações que não sabe se foram reais: Em algum momento da caminhada, avistou um homem com um cachorro branco enorme e depois nunca mais o viu. Também viu as montanhas se mexerem e conversou com um cachorro, que lhe respondia. A explicação científica para isso é que o cansaço é tanto que leva a um estado de exaustão, o que pode provocar alucinações. O significado espiritual do que aconteceu está associado à crença de cada um. CAMINHO DE SANTIAGO | 65


Encontro de almas Sem esperar ou planejar, Gisele encontrou Thomas Moormann. Já no primeiro dia, ela o viu, mas seguiram boa parte do percurso separados. Ele, um holandês que também vivia a experiência, estava acompanhado de outros quatro amigos, cada um de um canto do mundo. Thomas caminhava com uma toalha na cabeça para se proteger do sol, o que chamou a atenção dela. “O achei estranho.”, lembra sorrindo. Uma noite, após chegar tarde ao albergue, Gisele o avistou em sua cama ainda acordado e passou a mão no pé dele, para fazer graça. “A coragem surgiu depois de algumas taças de vinho.”, conta. Mas os desencontros foram muitos até seguirem juntos. Fizeram um lanche juntos, tiveram diarreia juntos, pararam juntos para ir ao banheiro, ou atrás da moita mesmo... Precisaram passar um dia no albergue para se recuperarem do mal-estar intestinal e foram cuidados pelas freiras. “Senti-me acolhida, foi muito bom”. Passaram a se encontrar todos os dias, mesmo sem combinar. Caminharam juntos, contaram um ao outro o motivo de estar ali. Divertiram-se. E foi assim que aconteceu... Monstros interiores Mas, como nem tudo são flores, o momento de catarse também chegou para a nossa caminhante. Ao passar por uma plantação de trigo, ela caminhou debaixo de sol forte. O sofrimento físico trouxe à tona a dor da alma e Gisele entrou em contato com seus monstros interiores. Questionou-se muito, chorou todas as suas tristezas, até que entrou em estado de concentração e meditação. “Eu quase não pensava em nada. Prestava atenção em meus passos, na minha sombra, na minha respiração. Fiquei tão exausta que pensei em pegar um táxi e desistir”, recorda. Thomas tentou de todos os jeitos, até que conseguiu dissuadi-la. “Ali encerrei minha catarse”. Seguiu caminho e, conforme conta, conseguiu se desconectar do sofrimento do passado, concentrando-se no presente. Caminhava para encontrar as pessoas, contemplar as paisagens. Foi quando entrou na Galícia. Lá aproveitou a boa comida e a agradável companhia do holandês, que a essa altura já mexia com seu coração. Chegou a pensar “Por que eu fui me envolver? Mas não tinha mais como evitar. Resolvi deixar rolar”. Quando se aproximavam de Santiago, conversaram sobre o futuro e decidiram que seguiriam suas vidas, valera a experiência. O começo do fim Nos dias que antecederam sua chegada ao destino final, surgiu a sensação de nostalgia. Ela já não tinha pressa. Estava feliz, não queria que acabasse. Em Santiago, conquistou sua tão sonhada Compostelana (na foto à esquerda), foi às compras, dormiu em uma cama confortável e desfrutou dos últimos dias ao lado de seu amor. 66 | CAMINHO DE SANTIAGO


Thomas continuaria até a cidade de Finisterra, o objetivo final das primeiras peregrinações, há milênios de anos. Mas os planos de Gisele só iam até Santiago. Ela precisava retornar ao Brasil e ao trabalho. Após despedir-se, ele contrariou a resolução de não trocarem contatos e entregou-lhe seu cartão. Gisele retornou ao Brasil no início de julho. Em agosto, Thomas já estava em São Paulo para visitá-la. Lá passou três semanas, pouco tempo, mas o suficiente para decidir viver com sua amada. Gisele também esteve na Holanda e os dois ainda se encontraram em San Diego (EUA), antes de decidirem juntar as escovas de dente, o que aconteceu em 2012. Thomas mudou-se para São Paulo e recomeçou a vida. Iniciou timidamente dando aulas de inglês a alunos particulares e hoje já tem a própria escola, com capacidade esgotada. Gisele acredita que os dois terem passado pela experiência do caminho juntos ajuda na hora de administrar as dificuldades culturais. “Essa é uma história de encontros. A gente foi se encontrando, sem programar nada. Até hoje nos encontramos por acaso na cidade. Era para ser. Temos muito respeito por nossa história e diferenças. Acredito que é isso que faz dar certo. Além de um novo amor, o caminho trouxe a Gisele uma “postura mais positiva diante da vida”. Ela também aprendeu que é possível viver com muito pouco e que é preciso, e possível, resolver suas próprias dores e sentimentos sozinha. “Sou muito grata por ter feito o caminho. Foi uma experiência transformadora”. -------------------------------------------------------------------------------------------------

Entenda o caminho de Santiago de Compostela Santiago de Compostela é uma referência ao apóstolo de Cristo, Tiago, Santiago do Campo das Estrelas ou Santiago de Compostela (Campo das Estrelas = Campus Stellae = Compostela). Reza a lenda que, após a ressurreição de Cristo, ele saiu para pregar o evangelho e percorreu a península Ibérica, região hoje conhecida como Galícia, parte do noroeste da Espanha. Como não conseguiu converter muitas pessoas ao cristianismo, ele voltou à Palestina, onde foi capturado pelos judeus e sentenciado à morte por decapitação, isso por volta do ano 44 d.C. Seu corpo foi recolhido por seus discípulos e levado de volta à Galícia, onde foi sepultado em um bosque conhecido como Libredón. Quase 800 anos depois, por volta de 830 d.C., a tumba do apóstolo foi encontrada e a notícia chegou ao rei Afonso II de Astúrias, que mandou construir uma capela, transformada em uma catedral no início do século XX. Logo surgiram visitantes de diversas partes do mundo. Milhares vinham todos os anos e, para auxiliá-los, foram construídos hospitais, albergues, igrejas e criados novos povoados. Após muitos percalços, como assaltos aos peregrinos, guerras, reformas religiosas, o caminho passou cerca de 300 anos esquecido. Em 1878, com a realização de obras na catedral, pouco a pouco os peregrinos voltaram a chegar a Santiago. Atualmente, estima-se que passem de 200 mil os peregrinos que lá chegam todos os anos. Em diversos cantos do mundo, existem as associações de amigos do caminho, que orientam os interessados a realizar a rota. Informações são da Associação de Confrades e Amigos do Caminho de Santiago de Compostela - SP. www.santiago.org.br CAMINHO DE SANTIAGO | 67


Impossível imaginar Berlim sem arte de rua. Nas paredes dos prédios, fachadas, postes de iluminação, em estações de metrô e em painéis por toda a cidade: Berlim é uma galeria a céu aberto, cujas obras não passam despercebidas a um observador atento. A street art atrai entusiastas e visitantes do mundo inteiro. Três brasileiros falam sobre a arte de rua e sua fascinação por Berlim. 68 | STREET ART


Street Art

Berlin Foto: Claudia Bรถmmels

Durante quatro semanas o artista alemรฃo Jadore Tong pintou o elefante no Theodor-Wolff-Park. STREET ART | 69


Obra da artista brasileira Panmela Castro.

70 | STREET ART


Foto: Ligia Fascioni

“Arte de rua existe em várias cidades do mundo e é sempre surpreendente e interessante. Mas o que me fascina em Berlim é que ela frequenta não apenas as paredes cegas de prédios comerciais, como na maioria dos lugares. Aqui as pessoas usam street art para decorar fachadas de condomínios e prédios residenciais. Os moradores realmente ousam, seja na fachada principal, seja nos pátios internos. Isso me encanta demais, pois mostra que mora gente aberta e pouco convencional nesses lugares. Onde ver street art em Berlim: os bairros de Kreuzberg e Friedrichshain são pródigos em arte de rua com trabalhos incríveis e que chamam muito a atenção. Mas a Bullowstraße, em Schöneberg, onde fica a sede da Urban Nation, um coletivo de street art, está se tornando um polo interessantíssimo. É lá que vai nascer o primeiro museu de street art da cidade.Vale a pena prestar atenção”.

www.ligiafascioni.com | Instagram e Facebook: @ligiafascioni

STREET ART | 71


Obra do artista italiano BLU.

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Foto: Albrecht Mariz

“Street art faz parte da alma de uma cidade e assim ajuda a criar sua identidade. Na minha opinião, quanto mais arte de rua existir, mais viva é uma cidade. Nesse sentido, pode se dizer que Berlim tem uma alma colorida e uma identidade cultural muito forte. São poucas as cidades onde estive, onde o espaço público é tão fortemente utilizado como em Berlim, apesar do clima não favorecer muito. Seja passear pelo canal de Kreuzberg com um bote inflável, andar de skate no Tempelhofer Feld (um aeroporto desativado, que foi transformado em parque) ou sentar na Admiralbrücke em um final de tarde para tomar uma cerveja e ler um livro, as pessoas sempre estão na rua quando podem. A foto foi tirada na Schlesische Straße, em um terreno, o Cuvrybrache, que passou cerca de um ano ocupado. Hoje esse grafite não existe mais e não se sabe ao certo quem o apagou. Alguns cogitam que o fizeram a pedido do próprio artista, o italiano BLU. O certo é que, devido a isso, Berlim perdeu um pouco da sua alma.”

www.flickr.com/photos/brecht_deandada | Instagram: @brecht.deandada

STREET ART | 73


Obras de diversos artistas. 74 | STREET ART


Foto: Martinha Andersen

“É difícil dizer o que mais amo em Berlim, ela é simplesmente a minha cidade preferida no mundo. Lá eu me sinto em casa e mesmo tendo noções de alemão muito toscas, Berlim é aquela cidade onde eu moraria sem nem pestanejar. Uma cidade surpreendente, com um passado incrível (e doloroso), com sua própria história e que luta dia após dia para preservar o legado histórico do mundo. E, o melhor de tudo, a grande maioria da história de Berlim, você encontra na rua, gratuitamente, assim como a street art, que é muito presente na cidade. Eu adoro fotografar arte de rua, como as pinturas que hoje cobrem o Muro de Berlim. É uma mais linda e impactante que a outra. Berlim é uma cidade cheia de atrações e curiosidades e está em constante mudança. Então a cada ida à cidade, eu sempre descubro algo novo.”

www.viajoteca.com | Facebobok: Viajoteca | Instagram: @viajoteca STREET ART | 75


Foto; tomas1111

76 | DICAS DE VIAGEM


Berlim Desvendando

Foto: Luís Felipe Minnicelli

Brasileiros apaixonados pela cidade criam roteiros para além dos pontos turísticos

Nós somos Nicole Plauto e Pacelli Luckwu, juntos escrevemos o blog Agenda Berlim, com dicas da capital alemã. Nosso trabalho é a nossa paixão: desvendar Berlim. Queremos levar você para passear por lugares menos conhecidos da nossa cidade favorita e escolhemos três bairros diferentes, cada um com suas peculiaridades. Vem com a gente! DICAS DE VIAGEM | 77


Moabit Moabit é um antigo bairro operário que era considerado um local problemático até a década de 80 e que hoje está se transformando em um bairro da moda.

Fotos. Pacelli Luckwu

Nosso passeio começa na estação de trem Bellevue. Desembarcando na rua Bartningallee e indo em direção ao rio Spree, logo se vê na esquina o café Konditorei Buchwald. O local, que já forneceu suas delícias para a família real, é muito bonito e especializado em um bolo tradicional chamado Baumkuchen. Para tomar um café lá, principalmente nos finais de semana, recomendamos reservar com antecedência. Atravessando a ponte Moabiter Brücke, sempre nos deparamos com uma de nossas vistas preferidas de Berlim: o rio Spree, o restaurante Patio, que funciona em um barco e, ao fundo, os belos prédios com fachadas antigas. É possível avistar de longe, logo no final dessa rua, que dá continuação à ponte, a bela Igreja St. Johanniskirche, que foi projetada pelo famoso arquiteto Friedrich Schinkel.

78 | DICAS DE VIAGEM

Logo após a ponte, à esquerda, encontram-se na Straße der Erinnerung, ou Rua da Memória, várias esculturas em homenagem a grandes personalidades alemãs, como Einstein, Konrad Zuse (inventor do primeiro computador eletromecânico), o opositor do nazismo, Georg Elser, entre outros. Caminhando pela Turmstraße, viramos à direita na Wilhelmshavener Straße, onde está localizada uma de nossas hamburguerias preferidas, a Wilhelms Burger. A seguir vamos à Bugenhagenstraße, onde fica o ponto alto deste passeio: o mercado Arminiusmarkthalle. O prédio é construído em tijolos e fica em frente de um pequeno parque. Um achado! Lá você vai encontrar várias opções de restaurantes, um dos quais é o nosso preferido, o Rosa Lisbert, que oferece Flammkuchen*. Fica aberto de segunda a sábado, das 12 h às 22 h. * Uma especialidade da Alsácia com formato redondo. A massa é muito fina e a cobertura com creme de leite, cebolas roxas e bacon.


Scheunenviertel Antigo Bairro Judeu

Essa parte do bairro Mitte nos conta tanto histórias tristes, de perseguições e crimes, quanto histórias de muita coragem daqueles que fizeram o que podiam para minimizar o sofrimento do próximo.

O nosso passeio inicia-se perto da estação Hackescher Markt, onde fica a Neue Promenade, um belo local, com vários restaurantes e bares, que vale a visita tanto de dia como à noite. Afastando-se do Hackescher Markt em direção à Rosenthaler Straße, encontram-se os Hackesche Höfe, um complexo de vários pátios internos do início do século XX, com lojas, cafés, teatro e até cinema. Os Hackesche Höfe foram construídos com o objetivo de melhorar a situação de moradia dos operários, que era muito precária, com pouco acesso à luz do sol e sem circulação de ar. Ao entrar, logo no primeiro pátio, já vemos as belas fachadas internas formadas pelos azulejos. A melhor saída é pelo Rosenhof, o mais bonito de todos os pátios, na Rosenthaler Straße, onde se encontra a entrada com grafites do Museum Foto: Claudia Bömmels

Blindenwerkstatt Otto Weidt, contrastando com a arquitetura dos Hackesche Höfe. Isso é o fascinante em Berlim: estilos tão diferentes coexistem lado a lado, transformando a cidade em um lugar único. O museu conta a história da fábrica de vassouras e como o dono, Otto Weidt, salvou a vida de vários judeus. Lá também é possível visitar uma exposição sobre Anne Frank. A Große Hamburger Straße é o coração da vida judaica em Berlim. Nessa rua, além de muita história, encontram-se belos prédios, tocantes memoriais e muitos cafés. Logo no início da rua vemos um antigo cemitério judeu do século XVII. Continuando na rua, ainda do mesmo lado, vemos a escola judaica Moses Mendelssohn, fundada ainda no século XVIII em moldes bem liberais e já pregava contra o racismo e o antissemitismo. DICAS DE VIAGEM | 79


Foto: Pacelli Luckwu

Mais à frente, encontramos a Sophienkirche, a Igreja de Sophia, que apesar de ser uma igreja cristã, também está ligada à história de combate à intolerância. Foi lá que, em 1964, o pastor e ativista americano Martin Luther King realizou um inflamado discurso contra o racismo. Um belo memorial fica entre o cemitério e o antigo asilo de idosos. Nesse local, onde hoje há apenas um terreno, havia um asilo de judeus. Não podemos deixar de destacar também as Stolpersteine, pedras do tropeço. As pedras existem em Berlim desde 1996, têm 10 centímetros e são uma homenagem às pessoas que foram perseguidas por motivos políticos ou religiosos, principalmente entre 1933 e 1945, durante o nazismo. Mais adiante, o belo prédio em tijolos do hospital Santa Edwiges chama a atenção. A instituição católica teve uma contribuição significativa salvando a vida de judeus durante a guerra, 80 | DICAS DE VIAGEM

pois atuava no mercado negro de documentos falsificados, viabilizando assim a saída deles da Alemanha. A próxima parada nos leva até os HeckmannHöfe, um complexo de três pátios, e um lugar bem aconchegante, com teatro, loja especializada em chás, uma fábrica de bombons e restaurantes. Atravessando o pátio central, podese ver a Nova Sinagoga, que foi destruída nos bombardeios de Berlim durante a guerra, e cuja fachada ainda existe. É possível se visitar o prédio, que se localiza na Tucholskystraße, e subir em sua cúpula. Não longe da sinagoga, fica o Monbijoupark, perfeito para descansar, principalmente a cabeça, após esse intenso passeio. Perto do parque, na Oranienburger Str. 87, fica o nosso restaurante preferido de falafel*, o Esra.Vale a pena provar! * Falafel: bolinhas fritas de purê de grão-de-bico, ervas e especiarias. Uma especialidade árabe.


Kreuzberg O bairro de Kreuzberg é um bairro operário desde o século XIX. Durante a divisão da cidade, o bairro ficou em um setor afastado da antiga Berlim Ocidental e recebeu uma grande quantidade de imigrantes, principalmente turcos, assim como artistas e pessoas alternativas do mundo inteiro. Após a reunificação da Alemanha, Kreuzberg voltou a fazer parte do centro de Berlim. Recentemente houve um movimento de elitização no bairro, quando os prédios foram renovados, tornando o local atrativo para pessoas com maior poder aquisitivo.

Um local ideal para se iniciar um passeio é a estação Kottbusser Tor. Kreuzberg é um bairro ainda cheio de contrastes. Um exemplo são os prédios enormes, cheios de antenas de televisão e pichados, que são vistos logo quando se sai da estação. Mas não se engane com essa primeira impressão, o bairro tem muito a oferecer. Um ponto interessante é a ponte Admiralbrücke, que proporciona uma linda vista. Lá, muitas tampinhas de garrafas de cerveja estão cravadas no chão, contando um pouco da história das noites boêmias do bairro. Às terças-feiras, sextas-feiras ou aos sábados, acontece a curiosa feiFoto: Lucas Reis

ra turca no Maybachufer, com uma variedade enorme de produtos, que vão desde frutas a tecidos. Seguindo pela Böckhstraße podemos ver prédios recém-renovados, com fachadas intactas e que não foram atingidos nos bombardeios. Sempre observando as imperdíveis fachadas dos prédios, vamos até a Graefestraße, onde há uma variedade de cafés e lojinhas. Uma das nossas ruas preferidas de Berlim é a Dieffenbachstraße, uma rua bem calma, e onde fica o café Weinblatt-Cafe. Vale a pena provar as delícias turcas que eles oferecem. DICAS DE VIAGEM | 81


Foto: Luís Felipe Minnicelli

Lista de Endereços MOABIT Konditorei Buchwald – Bartningallee 29, 10557 Wilhelms Burger – Wilhelmshavener Straße 3, 10551 Arminiusmarkthalle – Arminiusstraße 2-4, 10551 SCHEUNENVIERTEL – ANTIGO BAIRRO JUDEU Hackesche Höfe – Rosenthaler Straße 40-41, 10178 Museum Blindenwerkstatt Otto Weidt – Rosenthaler Straße 39, 10178 Alter Jüdischer Friedhof (cemitério judeu) – Große Hamburger Straße 26-27, 10115 Moses-Mendelssohn-Schule (escola judaica) – Große Hamburger Straße 27, 10115 Sophienkirche (Igreja de Sophia) – Große Hamburger Straße 29-30, 10115 Hospital St. Edwiges – Große Hamburger Straße 5, 10115 Neue Synagoge (Nova Sinagoga) – Oranienburger Straße 28-30, 10117 Esra Bistro I – Oranienburger Straße 87, 10178 KREUZBERG Weinblatt-Cafe – Dieffenbachstraße 59, 10967 Türkischer Markt (feira turca) – Maybachufer

Vem conhecer Berlim com a gente! Dicas, detalhes e passeios em uma cidade que transpira história. Berlim, por quem mora e é apaixonado pela cidade. 82 |

www.agendaberlim.com


5 passos para ser um hóspede perfeito ou seja #daora Por Marla Rodrigues

Em minha última viagem a Londres tive a incrível honra de ficar hospedada na casa de Martin e Helô, do blog Aprendiz de Viajante. Quando me despedia deles, um dia antes de ir embora, ela me pediu para escrever sobre como ser uma hóspede perfeita. Assim escrevi cinco passos para facilitar a vida das pessoas:

Go with the flow Se sua anfitriã te diz para ficar à vontade, fique à vontade. Ela te deu liberdade para abrir a geladeira? Para beliscar uma parada no armário? Para entrar e sair à hora que quiser, incluindo aí chaves da casa? Por favor, use as regalias. Sinta-se em casa. Não fique esperando que ela adivinhe que você está com sede, ou que está com fome, ou que passou frio na última noite porque o cobertor não foi suficiente. Isso vai fazer com que sua estadia seja super #daora e vai facilitar pra caramba a vida da sua anfitriã. O contrário também vale. Se ela pede para que você chegue até um determinado horário ou coma também em horários pre-estabelecidos, cumpra ou vá para um hotel. Resumindo: escute os donos da casa.

Não abuse Não é porque te deram as chaves de casa que você vai chegar bêbada no meio da noite fazendo barulho e acordando a casa toda.

Dê uma mãozinha Não precisa faxinar a casa, mas não custa nada manter tudo em ordem, não é mesmo? É só você que está usando aquele banheiro e quarto? Sorte a sua. Mantenha a coisa toda organizada mesmo assim, ou pelo menos finja que tentou. Tem nada mais horrível que dar uma passadinha na porta e ver toalha em cima da cama ou roupa íntima espalhada pelos cantos. E a regra“sujou, limpou” vale para tudo nesta vida. #ficaadica

Aceite A anfitriã quer te oferecer um jantar, um passeio ou um livro, levante as mãos para o céu, agradeça e aceite. Não fique nessa coisa chata e IN-SU-POR-TÁ-VEL do “ai, não quero incomodar”. Ajude o anfitrião a te ajudar. A pessoa quer te dar amor, aceite. Não está acostumado a ter amor na vida? Escolha amigos novos. Agrade A pessoa te convidou para ficar na casa dela. Ela te recebeu com amor e carinho. Custa trazer um agrado? Custa nada. Pode ser um cartão-postal da sua cidade, um chaveirinho fofo, um par de Havaianas (faz um sucesso no exterior, você não faz ideia!) ou o meu favorito: combo de docinhos brasileiros. Quer fazer o coração de um expatriado bater forte? Leve sonho de valsa ou paçoquita. De nada. Dica Extra Saiba se virar. As pessoas têm uma vida. E às vezes, elas não podem pará-la para te levar para turistar. Peça dicas de como andar por aí e lugares bacanas para visitar, mas não fique em cima do seu anfitrião esperando que ele te leve pra fazer as coisas. Um pouquinho de independência faz de você um hóspede adulto e #daora. Com essas dicas, garanto que sua estadia será um sucesso para você e para seu anfitrião. Você ainda corre o risco de ser chamado várias outras vezes para ser mimado enquanto viaja. Não acredita? Veja por você mesmo. Inclusive, aceito ser hóspede mundo afora. Me convida?! Texto originalmente publicado no blog www.marlarodrigues.com

DICAS DE VIAGEM | 83


Foto: Cecilia Bradley

Magali Albisser Uma história de amor com a Suíça Formada em Turismo no Brasil, Magali Albisser trabalha como guia turística, na Suíça. Para a Brasileiros Mundo Afora, a nordestina, de Recife, abriu seu coração e falou sobre sua paixão pelo país, palco de seu amor pela família e pelo trabalho. 84 | GUIA SUÍÇA


Moro há 12 anos fora do Brasil, mas minha história de amor com a Suíça se iniciou há 15. Conheci meu marido, o suíço Martin Albisser, no aeroporto de Salvador, no Brasil. Permanecemos durante um bom tempo nos comunicando por cartas. Isso mesmo, cartas! E alguns poucos e-mails. Mas fomos somente bons amigos por um bom tempo. Depois que me formei em Turismo pela Universidade Católica de Pernambuco, resolvi estudar alemão na Suíça, para acrescentar ao meu currículo mais uma língua, pois o inglês já dominava e queria me destacar na profissão. Em março de 2004, fui estudar na cidade de Lucerna, na Suíça, durante três meses, depois voltei para o Brasil. Ao regressar para Recife, dei entrada na papelada exigida pelo governo suíço para o visto de estudante de nove meses. Consegui o visto e, com o apoio financeiro e incentivo dos meus pais, voltei para a Suíça. Depois de um mês, Martin e eu começamos a namorar e quase um ano e meio depois nos casamos. Hoje, moramos no cantão de Lucerna e temos uma linda família, com duas filhas. Em 2013, iniciei os serviços de guia de turismo na Suíça, recebendo principalmente amigos. Eles me indicaram para outros amigos e para agências de viagens. Resolvi então trabalhar oficialmente com o Guia Suíça, nome da minha empresa. Atualmente nossa equipe é composta por mim e Luci Strijbis, que possui curso de Turismo realizado em Zurique. O Guia Suíça oferece opções personalizadas para quem quer conhecer a Suíça de forma elegante. Adaptamos os serviços de acordo com o perfil e os desejos dos clientes e vamos além dos livros e blogs com informações sobre a Suíça. Queremos sempre mostrar o melhor para quem nos contrata. Ao garimpar a Suíça com nossos clientes, passamos para eles todas as informações e experiências que obtivemos em mais de 10 anos de moradia e viagens neste país encantador. Também nos informamos bastante por meio de jornais, revistas locais, livros e conversas com os nativos. Os clientes fazem os tours e também conhecem os hábitos suíços, isso é muito importante para nós. Os valores dos nossos pacotes variam de acordo com o que o cliente deseja explorar na Suíça, além do número de pessoas que farão os passeios. Atendemos de uma até no máximo 10 pessoas. Mas abrimos também exceções para grupos maiores. Nossos pacotes variam de City Tour, passeios de barco particulares, passeios de helicóptero, Tour do Chocolate, Tour de Vinho, montanhas, ecoturismo, entre outros. Posso dizer que os preços são acessíveis. Muitas pessoas me perguntam sobre o que não se deve fazer na Suíça. Diria que não se deve falar alto em restaurantes, jogar lixo no chão ou nos rios e nunca furar filas. Ao alugar carros, respeitar as leis de trânsito. Como pedestre, nunca atravessar fora da faixa de segurança. Não desrespeite a cultura local. É difícil enumerar meus lugares preferidos aqui, pois gosto de todas as curvas das cidades, lagos e montanhas da Suíça. Mas posso dizer que, no momento, meus lugares preferidos são: Lucerna e o Monte Pilatus, Zurique, Berna, Monte Titlis e a biosfera de Entlebuch. ” www.guiasuica.com Facebook e Youtube: Guia Suíça Instagram: @guiasuica info@guiasuica.com GUIA SUÍÇA || 85 85


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INSPIRAÇÃO PARA QUEM

A revista Brasileiros Mundo Afora, de Claudia Bömmels e Marisa Pedro Pfeiffer, é uma publicação digital e impressa e está sob a Licença Creative Commons Atribuição-Não Comercial-Sem Derivados 3.0 que estabelece o regulamento a seguir. Você tem a liberdade de compartilhar, copiar, distribuir e transmitir a obra, sob as seguintes condições: Atribuição — Você deve creditar a obra da forma especificada pelo autor ou licenciante, mas não de maneira que sugira que estes concedem qualquer aval a você ou ao seu uso da obra; Uso não comercial — Você não pode usar esta obra para fins comerciais; Vedada a criação de obras derivadas — Você não pode alterar, transformar ou criar em cima desta obra; Ficando claro que qualquer das condições acima pode ser renunciada se você obtiver permissão do titular dos direitos autorais. Domínio Público — Onde a obra ou qualquer um de seus elementos estiver em domínio público sob o direito aplicável, esta condição não é, de maneira alguma, afetada pela licença. Outros Direitos — Os seguintes direitos não são, de maneira alguma, afetados pela licença: ● Limitações e exceções aos direitos autorais ou quaisquer usos livres aplicáveis; ● Os direitos morais do autor; ● Direitos que outras pessoas podem ter sobre a obra ou sobre a utilização da obra, tais como direitos de imagem ou privacidade.

MORA LONGE DE CASA

Editora Brasileiros Mundo Afora Claudia Bömmels Postfach D-14612 Falkensee

Diretora de Arte e Redação Claudia Bömmels Diretora de Publicidade Marisa Pedro Pfeiffer Editora de Conteúdo Claudia Bömmels Revisão Claudia Bömmels Marisa Pedro Pfeiffer Maria da Graça Ferreira Leal Colaboradores desta edição Dante Bonfim Costa Santos, Maricélia Wiesböck, Isabela Campos, Katia Aragão, Lúcia Amélia Brülhardt, Carlos Serra, Lila Rosana, Vanessa Bueno, Bruno Bueno, Rafael Bernardes, Edson Dias, Carla Scheidegger, Bianca Ramos, Fernanda Raso Zamorano, Luana Sarantopoulos Bergamaschi, Fabiano Fernandes, Pamella e Ondrej Kandrac, NITAMI photography, Grace Rufino, Flavia Coelho, Cris Andoni, Janete Reist, Naiara Back, Gisele Soares, Ligia Fascioni, Albrecht Mariz, Martinha Andersen, Nicole Plauto, Pacelli Luckwu, Lucas Reis, Luís Felipe Minnicelli, Marla Rodrigues, Magali Albisser, Cecilia Bradley ISSN (Online) 2364-480X

Para qualquer reutilização ou distribuição, você deve deixar claro a terceiros os termos da licença a que se encontra submetida esta obra. A melhor maneira de fazer isso é com um link para esta página: www.brasileiros-mundo-afora.com

Informações sobre pontos de distribuição e venda online no site: www.brasileiros-mundo-afora.com brasileirosmundoafora@gmx.net comercial@brasileiros-mundo-afora.com | 87


Feliz Natal!

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Brasileiros Mundo Afora - Edição Inverno 2016  

Dante: sonho conquistado com disciplina, foco e perseverança.

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