Introdução à Administração Financeira - 2ª Ed.

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CLÓVIS LUÍS PADOVEZE é doutor em Controladoria e Contabilidade pela Universidade de São Paulo (FEA-USP), mestre em Ciências Contábeis pela Pontíficia Universidade Católica de São Paulo e professor do mestrado profissional em Administração da Universidade Metodista de Piracicaba – SP.

Em 2009 recebeu o Troféu Cultura Econômica Jornal do Comércio e Caixa RS, de Porto Alegre – RS, pelo melhor livro de contabilidade de 2009, Gerenciamento do Risco Corporativo em Controladoria, editado pela Editora Cengage Learning.

SEGUNDA EDIÇÃO Este livro caracteriza-se pela abordagem prática e metodológica e apresenta uma visão geral da função financeira nas empresas, em seus aspectos fundamentais. Busca o entendimento dos fluxos e das funções financeiras, a compreensão das demonstrações financeiras básicas e seus instrumentos de análise, além dos fundamentos para o planejamento financeiro e o controle orçamentário. A obra é estruturada em três partes. Na Parte I são abordados o fluxo financeiro, os objetivos e as funções das finanças, o entendimento do custo de capital, a análise da rentabilidade e os critérios de avaliação de investimentos. A Parte II é dedicada ao estudo das três funções financeiras fundamentais: a decisão de investimento, a decisão de financiamento e a decisão de dividendos, complementadas com os principais conceitos de análise financeira e administração do capital de giro. A Parte III abrange o planejamento e o controle orçamentário, bem como os fundamentos para a projeção das demonstrações financeiras a partir do orçamento. O livro apresenta exercícios em todos os capítulos.

SEGUNDA EDIÇÃO DE ACORDO COM AS NOVAS PRÁTICAS CONTÁBEIS BRASILEIRAS EM PADRÃO INTERNACIONAL (IFRS) APLICAÇÕES Livro-texto para as disciplinas administração financeira e orçamento dos cursos de Administração, Ciências Contábeis e Economia, e para cursos de especialização em Planejamento Financeiro e Orçamentário. Leitura complementar para as disciplinas controladoria, análise de balanço, contabilidade gerencial e gestão financeira de negócios. Material para utilização e consulta para profissionais das áreas de Gerência Financeira, Contabilidade Geral, Orçamento e Análise de Investimentos.

INTRODUÇÃO À A D M I N I S T R A Ç Ã O FINANCEIRA

É autor de inúmeros livros na área de contabilidade, contabilidade gerencial, controladoria e finanças, além de publicar regularmente artigos em revistas especializadas.

Clóvis Luís Padoveze

Clóvis Luís Padoveze

INTRODUÇÃO

OUTRAS OBRAS ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS – 3ª edição revista e ampliada Clóvis Luís Padoveze e Gideon Carvalho de Benedicto CONTABILIDADE DE CUSTOS – 11ª edição Edward J. VanDerbeck & Charles F. Nagy CONTABILIDADE FINANCEIRA – Introdução aos conceitos, métodos e aplicações – Tradução da 12ª edição norte–americana Clyde P. Stickney e Roman L. Weil

INT R OD UÇ Ã O

CONTABILIDADE GERENCIAL – 2ª edição Warren, Reeve & Fess CONTROLADORIA BÁSICA – 2ª edição revista e atualizada Clóvis Luís Padoveze CONTROLADORIA AVANÇADA Clóvis Luís Padoveze

DE ACORDO COM AS NOVAS PRÁTICAS CONTÁBEIS BRASILEIRAS EM PADRÃO INTERNACIONAL (IFRS)

SEGUNDA EDIÇÃO

ISBN 13 978-85-221-0803-9 ISBN 10 85-221-0803-X

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Clóvis Luís Padoveze

CONTROLADORIA ESTRATÉGICA E OPERACIONAL – 2ª edição revista e atualizada Clóvis Luís Padoveze CURSO BÁSICO GERENCIAL DE CUSTOS – 2ª edição revista e ampliada Clóvis Luís Padoveze


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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Padoveze, Clóvis Luís Introdução à administração financeira : texto e exercícios / Clóvis Luís Padoveze. -- 2. ed. -São Paulo : Cengage Learning, 2010.

Bibliografia ISBN 978-85-221-1470-2

1. Administração financeira 2. Administração financeira - Problemas, exercícios etc I. Título.

CDD–658.15

10-08994

Índice para catálogo sistemático: 1. Administração financeira : Empresas 658.15


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INTRODUÇÃO À ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA Texto e Exercícios 2a edição Clóvis Luís Padoveze

Austrália • Brasil • Japão • Coreia • México • Cingapura • Espanha • Reino Unido • Estados Unidos


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Introdução à Administração Financeira – 2a edição Clóvis Luís Padoveze Gerente Editorial: Patricia La Rosa Editora de Desenvolvimento: Gisela Carnicelli Supervisora de Produção Editorial: Fabiana Alencar Albuquerque

©2011 Cengage Learning Edições Ltda. Todos os direitos reservados. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro poderá ser reproduzida, sejam quais forem os meios empregados, sem a permissão, por escrito, da Editora. Aos infratores aplicam-se as sanções previstas nos artigos 102, 104, 106 e 107 da Lei no 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.

Revisão: Daniele Fátima Oliveira e Ivaldo Soares Diagramação: Cia. Editorial Capa: Ale Gustavo

Para informações sobre nossos produtos, entre em contato pelo telefone 0800 11 19 39 Para permissão de uso de material desta obra, envie seu pedido para direitosautorais@cengage.com ©2011 Cengage Learning. Todos os direitos reservados. ISBN-13: 978-85-221-1470-2 ISBN-10: 85-221-1470-6 Cengage Learning Condomínio E-Business Park Rua Werner Siemens, 111 – Prédio 20 – Espaço 4 Lapa de Baixo – CEP 05069-900 São Paulo – SP Tel.: (11) 3665-9900 – Fax: (11) 3665-9901 SAC: 0800 11 19 39 Para suas soluções de curso e aprendizado, visite www.cengage.com.br

Impresso no Brasil. Printed in Brazil. 2 3 4 5 6 7 15 14 13 12 11


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Sumário PARTE I – FUNDAMENTOS Prefácio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . IX Prefácio à 2a edição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . XI Capítulo 1 – Fluxo Financeiro ou de Caixa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 Fluxo Financeiro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 Demonstrações Financeiras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 Demonstração do Fluxo de Caixa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 Métodos de Apresentação do Fluxo de Caixa: Direto e Indireto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20 Fórmulas para Obtenção dos Dados do Fluxo de Caixa pelo Método Direto . . . . . . . . . . 25 Análise do Fluxo de Caixa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 Periodicidade do Fluxo de Caixa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 Depreciação como Fonte de Caixa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 Apêndice: Critérios Básicos de Avaliação dos Elementos do Balanço Patrimonial . . . . . . . 32 Questões e Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35

Capítulo 2 – Objetivos, Funções e Estrutura de Finanças . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39 Objetivo de Finanças: Maximização do Lucro x Maximização da Riqueza x Criação de Valor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39 Lucro Econômico x Lucro Contábil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 Criação de Valor – Atividade Produtiva e Valor Agregado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43 Criação de Valor para o Acionista e Valor Econômico Adicionado (EVA – Economic Value Added ) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44 Modelo de Gestão Econômica para Criação de Valor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46 Valor de Mercado Adicionado (MVA – Market Value Added ) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47 Funções de Finanças . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48 Responsabilidade Social . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52 Risco, Retorno e Liquidez . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52 Teoria da Agência (Agency Theory) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54 Governança Corporativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55 Estrutura Administrativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57 Questões e Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60

Capítulo 3 – Custo de Capital e Rentabilidade do Investimento . . . . . . . . . . . . . . . . . 63 Análise de Rentabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64 Custo de Capital: Parâmetro para Avaliação da Rentabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72 Rentabilidade do Acionista pelo Lucro Líquido . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75


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Rentabilidade da Empresa pelo Lucro Operacional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 78 Rentabilidade do Financiamento pela Alavancagem Financeira . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83 Análise Geral da Rentabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83 Custo de Capital, Estrutura do Passivo e Valor da Empresa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84 Custo do Capital Próprio: Introdução ao Modelo CAPM . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 90 Questões e Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 94

Capítulo 4 – O Processo de Gestão e o Valor do Dinheiro no Tempo . . . . . . . . . . . . . 99 O Processo de Gestão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 99 Planejamento Estratégico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100 Planejamento Operacional e Planejamento de Curto Prazo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 102 Planejamento Financeiro de Longo Prazo ou Orçamento de Capital . . . . . . . . . . . . . . . 102 O Valor do Dinheiro no Tempo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 103 Critérios de Avaliação dos Investimentos – VPL, TIR, Tirm, Payback . . . . . . . . . . . . . . 106 Projetos de Investimento e Fluxo de Caixa Descontado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 114 Questões e Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 120

PARTE II – PLANEJAMENTO FINANCEIRO Capítulo 5 – Decisão de Investimento e Estrutura do Ativo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 125 Conceito e Classificação de Investimentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 125 Determinação da Estrutura do Ativo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 127 Modelo de Decisão para Definição da Estrutura do Ativo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 128 Exemplo de Estruturas de Ativos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129 Estrutura do Ativo, Estrutura de Custos e Alavancagem Operacional . . . . . . . . . . . . . . 131 Risco Operacional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 136 Modelo de Decisão da Margem de Contribuição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 138 Margem de Contribuição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 143 Ponto de Equilíbrio (Break-Even Point) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 145 Modelo de Decisão da Margem de Contribuição – Vários Produtos . . . . . . . . . . . . . . . 152 Utilização do Modelo de Decisão da Margem de Contribuição para Maximização do Lucro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 153 Exemplo de Utilização do Modelo e suas Variáveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 153 Questões e Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 155

Capítulo 6 – Decisão de Financiamento e Estrutura do Passivo . . . . . . . . . . . . . . . . 161 Estrutura do Passivo como Opção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .162 Capital Próprio e Capital de Terceiros . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .162 Grau de Endividamento e Risco Financeiro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 163 Alavancagem Financeira e Alavancagem Combinada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 167


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SUMÁRIOMMVII

O Impacto Tributário na Alavancagem Financeira . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 174 Modelos de Decisão para Emprestar ou Não Emprestar: Ponto de Indiferença . . . . . . . 174 Mercados Financeiros e Sistema Financeiro Nacional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 178 Fontes de Financiamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 179 Fontes de Recursos Próprios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 181 Fontes de Recursos de Terceiros . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 183 Questões e Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 186

Capítulo 7 – Decisão de Dividendos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 189 Sinalização para os Investidores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .189 Política de Dividendos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 190 Continuidade da Empresa e Manutenção do Capital . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 191 O Caso Brasileiro – Algumas Características . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 192 Juros sobre o Capital Próprio (JSCP) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 193 Questões e Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 194

Capítulo 8 – Introdução à Gestão do Capital de Giro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 195 Ciclo Operacional, Ciclo Econômico e Ciclo Financeiro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 195 Mensuração e Gestão do Ciclo Operacional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 198 Mensuração e Gestão dos Ciclos Econômico e Financeiro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 201 Mensuração Contábil dos Ciclos Econômico e Financeiro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 201 Gestão do Capital de Giro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 204 Principais Fatores que Afetam a Necessidade Líquida de Capital de Giro . . . . . . . . . . . 211 Estratégias Financeiras: Hedging, Derivativos, Securitização, Factoring . . . . . . . . . . . . 214 Questões e Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 216

Capítulo 9 – Análise das Demonstrações Financeiras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 219 Análise Financeira ou de Balanço . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 219 Análise da Rentabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 231 Valor Econômico Agregado ou Adicionado (EVA® – Economic Value Added) . . . . . . . . . 231 Questões e Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 234

PARTE III – PLANEJAMENTO ORÇAMENTÁRIO Capítulo 10 – Planejamento e Controle Orçamentário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 239 Conceitos e Tipos de Orçamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 241 Orçamento, Inflação e Moedas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 245 Organização e Processo de Elaboração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 246 Estrutura do Plano Orçamentário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 249 Orçamento de Vendas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 252


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VIIIMMINTRODUÇÃO À ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

Orçamento de Produção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 256 Orçamento de Capacidade e Logística . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 257 Orçamento de Materiais e Estoques . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 258 Orçamento de Impostos a Recolher . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 262 Orçamento de Despesas Gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 263 Orçamento de Investimentos e Financiamentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 272 Controle Orçamentário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 277 Questões e Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 279

Capítulo 11 – Projeção das Demonstrações Financeiras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 289 Demonstrativos Contábeis a Serem Projetados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 289 Metodologia das Projeções . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 290 Questões e Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 295

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 301


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Prefácio Nosso trabalho foi estruturado tendo como referência uma visão geral de finanças empresariais para a disciplina Administração Financeira e Orçamentária em cursos de graduação em Administração, Economia, Contabilidade e Engenharia. Portanto, caracteriza-se dentro de uma abordagem introdutória. Como, de um modo geral, há o contato com essa disciplina após disciplina ou disciplinas introdutórias de Contabilidade, partimos da premissa de que o leitor já conhece os conceitos básicos das demonstrações financeiras fundamentais, do balanço patrimonial e da demonstração de resultados. A estrutura do trabalho está centralizada na apresentação dos objetivos e modelos que embasam as decisões financeiras fundamentais: a decisão de investimento, a decisão de financiamento e a decisão de dividendos. Para tanto, é necessário entender os fluxos econômicos e financeiros, os fundamentos do custo de capital, a análise financeira, a análise de investimentos e as projeções. A principal opção metodológica que adotamos foi a de fazer uma apresentação do fluxo financeiro ou de caixa antes da apresentação dos objetivos e fundamentos de finanças. Os motivos principais são: a) essa opção permite um reencontro com os fundamentos da demonstração de resultados e o balanço patrimonial, e as inter-relações de seus valores e contas; b) permite ao docente a possibilidade de uma revisão das principais movimentações econômico-financeiras de uma empresa; c) possibilita também uma revisão das diferenças entre os conceitos de geração de lucro e geração de caixa; d) permite desenvolver os modelos de fluxos de caixa direto e indireto, seus elementos formadores e as fórmulas de obtenção dos dados; e) deixa claro o fluxo de caixa como demonstrativo complementar e fundamental ao balanço e à demonstração de resultados para a gestão financeira das empresas. Após o contato com o fluxo financeiro e uma revisão das demonstrações financeiras fundamentais, entendemos que se torna mais fácil e assimilável a apresentação dos objetivos e funções das finanças. Em termos metodológicos, sugerimos aos docentes que, enquanto o primeiro capítulo foi apresentado e treinado, solicitem aos alunos trabalhos de leitura e resumo dos objetivos e funções financeiras, utilizando textos de outros autores. Dessa maneira, a apresentação do segundo capítulo em classe será mais discussão e debate do que propriamente apresentação. Outros recursos didáticos podem ser utilizados – por exemplo, apresentações do tema por grupos de alunos, de forma resumida. A segunda opção metodológica que introduzimos é a apresentação, logo em seguida, do conceito de custo de capital. Temos notado que, em cursos de graduação, esse conceito nem sempre é enfatizado, sendo apresentado de maneira rápida, normalmente em conjunto com os critérios de avaliação de investimentos. Nesse momento, faz-se a apresentação conjugada dos conceitos de custo de capital e rentabilidade do investimento.


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XMMINTRODUÇÃO À ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

Os demais temas são apresentados dentro de uma sequência tradicional, em que cada docente pode trabalhar os diversos temas com mais ou menos ênfase. Todos os capítulos trazem exercícios para aprendizagem. Esperamos que nosso trabalho seja útil, e ficamos gratos por qualquer sugestão de tema a ser inserido.


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Prefácio à Segunda Edição É com imensa satisfação que temos a oportunidade de rever o conteúdo de nosso trabalho para esta segunda edição. Nosso entendimento é que uma nova edição representa uma resposta dos usuários de nosso livro, aprovando sua concepção. Isto nos deixa gratificado, mas também dá-nos uma responsabilidade e desafio de continuar tendo a aprovação de todos, mantendo a qualidade do trabalho. Nesta oportunidade procuramos fazer os ajustes necessários e mesmo algumas correções, procurando sempre deixar o material em condições de utilização para os docentes, discentes e profissionais da área. Várias alterações foram realizadas tendo em vista as recentes modificações na estrutura de apresentação das demonstrações financeiras em razão da adaptação das práticas contábeis brasileiras às normas internacionais de contabilidade determinada pela Lei 11.638 de dezembro de 2007 e corroboradas pela Lei 11.941 de maio de 2009, que alteraram as disposições contábeis da Lei 6.406/76, conhecida como Lei das S/A. As alterações principais nas demonstrações financeiras e práticas contábeis foram: a) Supressão do conceito de Ativo Permanente, sendo substituído pelo conceito de Ativo Não Circulante, que passou a englobar o Realizável a Longo Prazo, os Investimentos, o Imobilizado e o Intangível; b) Eliminação do conceito de Ativo Diferido, que não mais existirá; c) Inclusão do grupo Intangível, que absorverá os direitos de bens incorpóreos que tenham condição de produzir benefícios econômicos futuros e possam ser eles mesmos comercializáveis; d) Introdução do conceito de Passivo Não Circulante, que englobará o Exigível a Longo Prazo; e) Eliminação da possibilidade de Reavaliação de Ativos; f) Introdução do conceito de redução ao valor recuperável de ativos (impairment) para provisionar valores contábeis de ativos acima de valor do mercado ou do valor em uso; g) Introdução do conceito de valor justo (fair value) para aferir o valor dos ativos e passivos ao preço de mercado ou pelo fluxo de caixa descontado (valor em uso). Em relação ao livro, essas alterações restringiram-se basicamente ao formato de apresentação, uma vez que as alterações não trazem substancialmente nenhuma modificação nos aspectos gerenciais e de retorno do investimento. Consideramos a principal alteração financeira nesta nova edição a inclusão no Capítulo 4 – O Processo de Gestão e o Valor do Dinheiro no Tempo, do conceito de Tirm – Taxa Interna de Retorno Modificada. Era uma lacuna que queríamos eliminar e esta nova edição nos deu essa oportunidade. Agradecemos mais uma vez a todos que nos honram com a utilização de nosso trabalho e continuamos disponíveis para sugestões e modificações. Clóvis Luís Padoveze


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PARTE I – FUNDAMENTOS


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1 Fluxo Financeiro ou de Caixa A geração de caixa é o objetivo que suporta a missão das empresas, efetivando financeiramente os lucros necessários à remuneração do capital investido, com isso permitindo a sua continuidade – sua existência por tempo indeterminado. A compreensão da movimentação financeira, portanto, é fundamental para o entendimento das operações da empresa e para a avaliação da viabilidade e retorno do investimento. As empresas nascem a partir de investimentos nas operações necessárias para produzir e vender os produtos e serviços escolhidos. Esses investimentos são destinados aos diversos ativos necessários a essas operações, ativos esses que, movimentados pelas pessoas, produzem e comercializam os produtos e serviços, gerando os lucros necessários para dar o retorno esperado pelos investidores. O retorno necessário é denominado criação de valor. O pequeno e simples exemplo sobre o objetivo de finanças com a abertura de uma empresa, de Ross et al. (2002, p. 26), ilustra bem a questão: “No linguajar financeiro, seria feito um investimento em ativos, como estoques, máquinas, terrenos e mão de obra. O dinheiro aplicado em ativos deve ser contrabalançado por uma quantia idêntica de dinheiro gerado por algum financiamento. Quando começar a vender, sua empresa irá gerar dinheiro. Essa é a base da criação de valor (grifo nosso). A finalidade da empresa é criar valor para o seu proprietário. O valor está refletido no modelo básico da empresa, representado pelo seu balanço patrimonial”.

Fluxo Financeiro As operações para produzir e vender produtos e serviços exigem recursos, que, por sua vez, têm que ser pagos em dinheiro. O recebimento de dinheiro pela venda desses produtos e serviços é a contrapartida pelos esforços realizados. A diferença entre os valores pagos pelos recursos utilizados e os valores recebidos pela venda dos produtos e serviços é a geração operacional de caixa, que decorre do lucro gerado por esses produtos e serviços. Denominamos fluxo financeiro ou de caixa essa movimentação básica de recursos. Acoplado às movimentações financeiras de investimento e entradas de capital, temos o fluxo financeiro geral do empreendimento. Assim, o fluxo financeiro ou de caixa pode ser definido como o conjunto de movimentações financeiras decorrente do pagamento e recebimento dos eventos econômicos das operações da empresa e das atividades de captação de recursos e investimentos de capital.

Geração de Lucro versus Geração de Caixa das Operações Considerando a empresa em continuidade, dentro de uma visão de longo prazo, todos os lucros devem se transformar em caixa. Contudo, no mundo real, o momento da


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geração de lucro não coincide com o momento da geração de caixa. Só há coincidência desses momentos quando todas as operações são realizadas à vista, o que é improvável em uma empresa em condições normais de operação. De um modo geral, a geração de caixa é um evento que acontece em um momento posterior à geração do lucro. Isso pode ser exemplificado de forma simples, considerando as duas atividades principais de uma empresa comercial: a compra e a venda de mercadorias. Vamos supor que uma empresa adquira mercadorias para revenda no valor de $ 100, para pagamento em 30 dias. Essas mercadorias ficarão estocadas nesse primeiro momento. O balanço patrimonial da empresa registra essa movimentação apontando no ativo a conta de Estoque de Mercadorias, e no passivo, a conta de Duplicatas a Pagar a fornecedores, ambas no valor de $ 100. Nesse exemplo, deixaremos de lado quaisquer outros valores patrimoniais, atendo-nos puramente aos eventos dessas operações.

Ativo Estoques

Passivo 100

Duplicatas a Pagar

100

Essa contabilização é feita considerando-se o momento econômico do evento, ou seja, o momento em que aconteceu a compra. A metodologia contábil trabalha sempre com esse conceito, contabilizando os dois momentos básicos das operações: o momento econômico, quando acontece o evento, e o momento financeiro, quando a operação é finalizada financeiramente. O método da contabilidade é executado, então, sob o princípio da competência, que diz que um evento econômico tem que ser escriturado quando de sua ocorrência, independentemente do seu pagamento ou recebimento. Continuando nosso exemplo, vamos supor agora que as mercadorias sejam vendidas, também para recebimento em 30 dias, pelo valor de $ 180. Nesse momento, identificamos três novos elementos: 1. O surgimento de um direito, a ser registrado na conta Duplicatas a Receber, porque o cliente que adquiriu a mercadoria pagará em 30 dias. 2. A geração do lucro de $ 80, uma vez que o valor da venda foi superior ao valor da compra ($ 180 do valor da venda (–) $ 100 do valor da compra). 3. O registro do lucro no passivo, que ficará à disposição dos donos do capital à espera de distribuição.


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O balanço patrimonial fica agora da seguinte forma: Ativo Duplicatas a Receber

Passivo 180

Duplicatas a Pagar

100

Lucro Gerado

80

Os dois eventos registrados até agora, pelo momento de suas ocorrências, mostraram a geração de lucro de $ 80. Contudo, essa geração de lucro ainda não se transformou em caixa. A geração de caixa ocorrerá quando as transações de compra e venda forem efetivadas financeiramente, ou seja, a duplicata a receber será recebida, e a duplicata a pagar será paga. Em decorrência da venda, surge a possibilidade de apresentar a geração do lucro sob a forma de uma outra demonstração financeira, a Demonstração de Resultados. A mais conhecida é a Demonstração do Resultado do Exercício, que é uma demonstração obrigatória para fins legais e fiscais; ela mostra o lucro gerado em um ano de operações. Contudo, pode-se ter a Demonstração do Resultado de cada transação, para cada mês, para cada trimestre ou para cada período escolhido ou necessário para a gestão econômico-financeira. Essa primeira Demonstração de Resultados pode ser assim apresentada:

Demonstração de Resultados das Operações Venda

180

(-) Custo das Mercadorias Vendidas

(100)

= Lucro na Venda das Mercadorias

80

Para a conclusão de nosso exemplo, vamos supor que, passados os 30 dias, a duplicata do cliente seja recebida e a duplicata do fornecedor seja paga. Recebendo-se $ 180 do cliente e pagando-se $ 100 ao fornecedor, sobram para a empresa $ 80, que ficarão no seu Caixa. O balanço patrimonial refletirá assim essas duas transações financeiras: Ativo Caixa

Passivo 80

Lucro Gerado

80


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Fica claro que, em condições normais, o lucro gerado se transforma em caixa. Em linhas gerais, podemos dizer que a geração de caixa acontece depois da geração de lucro. Essa administração financeira é fundamental, pois, se nesse espaço de tempo a empresa não tiver disponibilidade para fazer face a seus compromissos financeiros, ela se verá em dificuldades. Para tanto, um conjunto de procedimentos financeiros deve ser observado de antemão, de tal forma que a empresa sempre tenha recursos disponíveis ou no seu capital de giro para a gestão financeira entre o momento da geração de lucro e o momento da geração de caixa. Uma outra demonstração financeira pode ser estruturada após essas transações. É a Demonstração do Fluxo de Caixa, ou simplesmente Fluxo de Caixa, evidenciando os valores recebidos e pagos. Ela pode ser assim apresentada:

Demonstração do Fluxo de Caixa

Recebimentos (a) de Duplicatas de Clientes

180

Pagamentos (b) de Duplicatas de Fornecedores

Saldo (a - b) (+) Saldo Inicial de Caixa = Saldo Final de Caixa

(100) 80 0 80

O Aspecto Tridimensional da Gestão Empresarial Como já introduzimos, podemos dizer que a gestão empresarial é segmentada em três aspectos: • o aspecto operacional; • o aspecto econômico; • o aspecto financeiro. Em cada atividade desenvolvida pela empresa observam-se três aspectos interdependentes. “O primeiro diz respeito a qualidade, quantidade e cumprimento de prazo, que denominamos de operacional... Aos recursos consumidos e aos produtos e serviços gerados, podem ser associados valores econômicos... o que carateriza o aspecto econômico da atividade. Finalmente, as operações envolvem prazos de pagamentos e recebimentos, o que carateriza o aspecto financeiro da atividade” (Catelli e Guerreiro, 1992, p. 12).


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Fundamentalmente, o fator tempo está ligado ao aspecto operacional das atividades, ou seja, ao cumprimento dos prazos do processo de produção e comercialização. O aspecto financeiro também evidencia o fator tempo, pois trata de prazos de recebimentos e pagamentos. A Figura 1.1 reflete os efeitos econômico, financeiro e patrimonial do aspecto temporal de execução operacional das atividades, evidenciando o elo entre a avaliação do tempo gasto pelas atividades e o resultado econômico gerado por elas.

Fluxo Operacional (Físico)

Fluxo Econômico

Fluxo Financeiro

Fluxo Patrimonial

Recursos

Custos/Estoques

Desembolsos

Estoques

Produção

Receitas

Recebimentos

Contas a Receber

Produtos e Serviços

Resultado Operacional

Saldo de Caixa

Contas a Pagar

Mensuração

Caixa Resultado Financeiro

Patrim. Líquido Final

Resultado Final Ativos Fixos

Figura 1.1 – Fluxo Operacional, Econômico, Financeiro e Patrimonial das Atividades.

Conceito de Caixa e Disponibilidades A palavra Caixa, de forma restrita, representa o numerário existente na empresa em determinado momento. Para fins de gestão financeira e neste livro, essa palavra representa, além do numerário existente, o valor dos saldos bancários e das aplicações financeiras de curto prazo. Esse conjunto de ativos é denominado Disponibilidades pela contabilidade, mas utilizaremos a palavra Caixa como sinônimo. A existência de aplicações financeiras de longo prazo (aplicações com resgate previsto além de um ano da data do encerramento de um balanço patrimonial) é possível, mas sua classificação não é no grupo Disponibilidades. Elas são apresentadas no Realizável a Longo Prazo e se qualificam mais adequadamente como investimento. Contudo, esse tipo de ocorrência é menos comum, pois as empresas, notadamente em nosso país, tendem a manter suas aplicações financeiras como reservas financeiras para utilização a curto prazo.


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Visão Geral da Movimentação Financeira ou do Fluxo de Caixa Apresentamos a seguir, na Figura 1.2, uma visão esquemática das principais movimentações financeiras de uma empresa comercial ou industrial, tendo como referência o caixa.

Visão do Fluxo Econômico – Financeiro

Fluxo de Financiamentos

Fluxo de Investimentos

Capital dos

Empréstimos

Ativos

Sócios

de Terceiros

Fixos

*

Dividendos

Desimobilizações

CAIXA (Caixa,

Estoques

Receitas

Bancos, Aplicações

• Materiais

Financeiras

Financeiras)

• Em Processo • Acabados Fornecedores

Vendas

Clientes

Despesas Mão de Obra

Impostos

Fluxo Operacional (Resultado: Lucro ou Prejuízo) *Amortizações/juros

Figura 1.2 – Visão Geral da Movimentação Econômico-Financeira.

Uma empresa começa com a decisão de investir. Os investimentos são em ativos fixos e em capital de giro. Os ativos fixos recebem essa denominação porque são elementos patrimoniais que a empresa adquire com a intenção de não revender. São representados classicamente pelos ativos imobilizados (terrenos, prédios, equipamentos, máquinas, móveis e veículos). O capital de giro é representado pela necessidade de a empresa ter estoques à mão para produção e vendas, e também pela necessidade de dar um prazo para o recebimento das vendas. O capital de giro representa a operação da empresa. Toda decisão de investimento é acompanhada da decisão de financiamento, pois, para investir, é necessária a obtenção de fundos. Esses fundos podem vir tanto dos proprietários do negócio, que tomaram a iniciativa de investir, como de terceiros, via financiamentos ou empréstimos bancários.


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O fluxo de caixa pode, então, ser segmentado em três grandes áreas: 1. fluxo de investimentos; 2. fluxo de financiamentos; 3. fluxo das operações ou fluxo operacional. O fluxo de investimentos compreende: • Os gastos que a empresa faz para aquisição de seus ativos fixos, correspondendo, então, às saídas de caixa. • O valor recebido pelas desimobilizações, ou seja, o valor obtido pela venda de ativos fixos (imóveis, equipamentos etc.) que não são mais necessários para as operações ou que serão repostos. Corresponde, então, a entradas no caixa. • Os investimentos no capital de giro líquido (estoques, clientes, fornecedores, contas a pagar) constam do fluxo de caixa operacional. O fluxo de financiamentos compreende: • A entrada de dinheiro na empresa a título de entrada de capital, mais os seus incrementos. Essas entradas são denominadas capital próprio, pois a fonte desses recursos são os donos da empresa (sócios, adquirindo cotas da empresa, ou acionistas, adquirindo ações). Essa é, na realidade, em termos conceituais, a primeira entrada de caixa da empresa, pois é o evento que a faz dar origem. A característica básica dessa entrada de caixa é que, fundamentalmente, esse valor não será devolvido aos donos até o encerramento das atividades da empresa. • A entrada de dinheiro de terceiros, por meio da obtenção de empréstimos e financiamentos na rede bancária ou nos mercados financeiros. Essas fontes de recursos são denominadas fontes de capital de terceiros. Correspondem às entradas de caixa, mas, em linhas gerais, devem ser devolvidas no futuro, uma vez que os empréstimos e financiamentos devem ser pagos com os encargos financeiros. • A saída de caixa para o pagamento dos encargos financeiros do capital de terceiros, normalmente denominados despesas financeiras (juros, comissões, spread, variações cambiais ou monetárias etc.). • A saída de caixa para o pagamento do principal dos empréstimos e financiamentos obtidos, nos respectivos vencimentos contratados. O pagamento do principal do capital de terceiros é denominado amortização (da dívida). • A saída de caixa para a distribuição de lucros aos sócios ou acionistas. Quando se refere às empresas limitadas, denomina-se lucros distribuídos. Quando se refere às sociedades anônimas, denomina-se dividendos. No Brasil, existe ainda a figura do pagamento de juros sobre o capital próprio, que é também uma forma de distribuição de lucros, com tributação diferenciada das demais distribuições. • A saída de caixa para devolução do capital social aos sócios ou acionistas. Essas saídas são raras, uma vez que, de um modo geral, só se retorna o valor do capital social quando do encerramento das atividades da empresa. Contudo, existe


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a possibilidade de redução do capital social, ou mesmo a recompra de ações, quando então se caracteriza um tipo de saída de caixa. O fluxo operacional é o caminho para a obtenção do lucro desejado pela empresa. É, portanto, o mais importante, devendo ser analisado de acordo com suas funções básicas. O fluxo das operações tem uma lógica básica que é o processo de comprar, produzir, vender e receber, retornando em seguida o mesmo processo, o que dá a ideia de um movimento circular, repetitivo, contínuo, de forma a gerar lucros ininterruptamente. O fluxo operacional compreende basicamente: • A saída de caixa para aquisição de estoques de mercadorias (se comércio) e matérias-primas e componentes (se indústria). Conforme evidenciado no fluxo, é comum que essa saída de caixa não seja de imediato, uma vez que, de um modo geral, os fornecedores de mercadorias e materiais dão um prazo para operacionalizar o pagamento das entregas. Assim, essa saída de caixa corresponde ao pagamento a fornecedores, por meio da quitação das duplicatas originadas de suas faturas emitidas contra a empresa. • A saída de caixa para pagamento das despesas gerais necessárias para manutenção e operação de todas as atividades empresariais, de produção, comercialização e administração. As despesas compreendem os gastos com mão de obra e seus encargos sociais, obrigatórios e espontâneos, e os gastos diversos com energia, viagens, aluguéis, seguros, fretes etc. São todas as despesas departamentais. • A entrada de caixa pelas vendas efetuadas de mercadorias, produtos ou serviços, por meio do recebimento das duplicatas dos clientes, originadas das faturas emitidas pela empresa. Observe, no fluxo, que o evento que antecede o recebimento das duplicatas dos clientes é a venda. As empresas que têm condições de vender à vista (supermercados, por exemplo) não têm o tempo de espera para realizar financeiramente a venda. Contudo, a maior parte das empresas vende a prazo, para dar tempo aos seus clientes de escriturarem as faturas e providenciar o pagamento. • A saída de caixa para pagamento dos impostos devidos ao governo, em suas diversas esferas e modalidades. Os impostos são gerados pelas vendas, pelo lucro, por movimentação financeira e outros fatos geradores, contidos basicamente nas operações da empresa. Preferimos alocar as receitas financeiras decorrentes das aplicações financeiras separadamente, com a movimentação final de caixa. Alguns autores classificam as receitas financeiras com o fluxo de financiamentos, como redutor das despesas financeiras. Porém, entendemos que esse evento está estritamente ligado ao caixa e ao seu saldo, razão por que não o classificamos em nenhum dos três segmentos do fluxo de caixa.



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INTRODUÇÃO

OUTRAS OBRAS

CLÓVIS LUÍS PADOVEZE é doutor em Controladoria e Contabilidade pela Universidade de São Paulo (FEA-USP), mestre em Ciências Contábeis pela Pontíficia Universidade Católica de São Paulo e professor do mestrado profissional em Administração da Universidade Metodista de Piracicaba – SP. É autor de inúmeros livros na área de contabilidade, contabilidade gerencial, controladoria e finanças, além de publicar regularmente artigos em revistas especializadas. Em 2009 recebeu o Troféu Cultura Econômica Jornal do Comércio e Caixa RS, de Porto Alegre – RS, pelo melhor livro de contabilidade de 2009, Gerenciamento do Risco Corporativo em Controladoria, editado pela Editora Cengage Learning.

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