Planejamento, Avaliação e Didática

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PLANEJAMENTO, AVALIAÇÃO E DIDÁTICA


PLANEJAMENTO, AVALIAÇÃO E DIDÁTICA


Planejamento, Apresentação avaliação e didática

Apresentação Um conteúdo objetivo, conciso, didático e que atenda às expectativas de quem leva a vida em constante movimento: este parece ser o sonho de todo leitor que enxerga o estudo como fonte inesgotável de conhecimento. Pensando na imensa necessidade de atender o desejo desse exigente leitor é que foi criado este produto voltado para os anseios de quem busca informação e conhecimento com o dinamismo dos dias atuais. Com esses ideais em mente, nasceram os livros eletrônicos da Cengage Learning, com conteúdos de qualidade, dentro de uma roupagem criativa e arrojada. Em cada título é possível encontrar a abordagem de temas de forma abrangente, associada a uma leitura agradável e organizada, visando facilitar o aprendizado e a memorização de cada disciplina. A linguagem dialógica aproxima o estudante dos temas explorados, promovendo a interação com o assunto tratado. Ao longo do conteúdo, o leitor terá acesso a recursos inovadores, como os tópicos Atenção, que o alertam sobre a importância do assunto abordado, e o Para saber mais, que apresenta dicas interessantíssimas de leitura complementar e curiosidades bem bacanas, para aprofundar a apreensão do assunto, além de recursos ilustrativos, que permitem a associação de cada ponto a ser estudado. Ao clicar nas palavras-chave em negrito, o leitor será levado ao Glossário, para ter acesso à definição da palavra. Para voltar ao texto, no ponto em que parou, o leitor deve clicar na própria palavra-chave do Glossário, em negrito. Esperamos que você encontre neste livro a materialização de um desejo: o alcance do conhecimento de maneira objetiva, concisa, didática e eficaz. Boa leitura!

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Planejamento,Prefácio avaliação e didática

Prefácio Prever e decidir o que pretendemos realizar é a essência do planejamento. O que deve ser feito, de que forma, como deve ser analisada determinada situação a fim de que se possa vislumbrar o que se almeja e o que já foi alcançado são as finalidades do planejamento. No âmbito da educação, quando se trata do ato de planejar o ensino ou a ação didática, estamos na verdade prevendo as ações e os procedimentos que o professor vai realizar com os alunos, e a organização de suas atividades e da experiência de aprendizagem, visando atingir os objetivos educacionais estabelecidos. Nesse sentido, o planejamento de ensino torna-se a operacionalização do currículo escolar. O estudo da matéria envolve, dessa forma, a abordagem de diversas questões na pauta de um planejamento educacional. Para tanto, o material da disciplina “Planejamento, avaliação e didática” vai tratar de importantes assuntos, essenciais para a compreensão do tema. Na Unidade 1, o conceito de planejamento é esboçado com a apresentação dos níveis e etapas no contexto do aprendizado. Destacam-se também os tipos de recursos didáticos e o estabelecimento de objetivos. A Unidade 2 trata da avaliação, dos métodos e das etapas, bem como da aferição de resultados. Na Unidade 3 é abordada a questão da didática, seu conceito básico e seus fundamentos, entre outros assuntos. Finalmente, a Unidade 4 vai explorar a motivação como cerne do processo de aprendizagem e as suas implicações didáticas. Desejamos bons estudos a todos.

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Unidade 1 – Planejamento

UNIDADE 1 PLANEJAMENTO Capítulo 1

Fundamentos do planejamento, 10

Capítulo 2

Níveis de planejamento em Educação, 10

Capítulo 3

Etapas do planejamento de ensino, 14

Capítulo 4

Construção de objetivos educacionais, 16

Capítulo 5 Definição, seleção e mapeamento de conteúdos, 19 Capítulo 6

Procedimentos de ensino, 24

Capítulo 7

Recursos didáticos, 31

Glossário, 37

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Planejamento, avaliação e didática

1. Fundamentos do planejamento Você já reparou que o planejamento está presente em nosso dia a dia? Quem nunca fez uma lista de compras antes de ir ao supermercado? Ou não juntou dinheiro para comprar algum produto muito desejado? Ou, ainda, não verificou na internet o caminho para chegar a algum lugar antes de decidir que rota traçar para ir a uma festa ou a algum evento? Todas essas atividades estão relacionadas ao planejamento. Podemos definir planejamento como a organização dos passos a serem seguidos para atingir um objetivo. Planejar é pensar no futuro sabendo onde se está e aonde se quer chegar. Onde se está é o ponto de partida, ou seja, a situação atual, e aonde se quer chegar são os objetivos que queremos atingir. Nos exemplos citados, você pode perceber que, além de conhecer a situação presente e os objetivos a serem atingidos, é necessário considerar alguns aspectos:

• o tempo que será utilizado (carga horária); • os recursos necessários (humanos, financeiros e materiais); • as estratégias que serão utilizadas (metodologia); e • se os objetivos foram atingidos (avaliação). Para tanto, é necessário análise, reflexão e previsão. Um bom planejamento deve ser:

• flexível – que se adapte de acordo com a necessidade de ajuste ou caso algo não saia conforme o previsto;

• organizado – que possibilite qualquer pessoa entendê-lo e aplicá-lo; • realista – que considere o tempo e os recursos disponíveis, tendo como critério a relação entre as ideias e a prática; e

• preciso – que indique os objetivos gerais e específicos, bem como a avaliação do alcance desses objetivos.

2. Níveis de planejamento em Educação Em Educação, assim como em outras áreas, é muito importante planejar as ações. O planejamento na Educação geralmente é dividido em plano educacional e plano de ensino. O plano educacional é mais abrangente e aborda questões políticas e filosóficas do ato de ensinar. É o planejamento realizado para um país ou um estado, por exemplo.


Unidade 1 – Planejamento

Suas ideias e definições estão registradas em leis, em projetos e em documentos oficiais, como o Plano Nacional de Educação (PNE) aprovado pela Lei n. 13.005, de 25 de junho de 2014.

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ARA SABER MAIS! De acordo com o espaço no site do Ministério da Educação destinado ao Plano Nacional de Educação, “planejar é uma tarefa complexa e desafiadora que implica assumir compromissos com o esforço contínuo de eliminação de desigualdades históricas no país. Desse modo é preciso adotar uma nova postura, construir formas de colaboração cada vez mais orgânicas entre os sistemas de ensino”. Entenda mais sobre o PNE no site <http://pne.mec.gov.br/> (acesso em: 28 abr. 2015).

O plano de ensino refere-se às atividades que o professor realizará em sala de aula, a fim de atingir os objetivos propostos. Ele é um instrumento de trabalho do professor. É o seu guia. Existem três tipos de plano de ensino:

• plano de curso; • plano de unidade; e • plano de aula. O plano de curso é a organização de objetivos, competências, conteúdos, procedimentos de ensino e formas de avaliação de um curso. No ensino regular, o plano do curso geralmente é voltado para um semestre ou para um ano letivo. Em geral, contém:

• objetivos do curso; • conteúdos a serem trabalhados; • procedimentos de ensino que serão adotados; • recursos necessários; • carga horária do curso; • formas de avaliação; e • referências bibliográficas.

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A seguir é apresentado um modelo de plano de curso: Tabela 1: Modelo de plano de curso

Curso: Carga horária total: Objetivo geral: Aula

Objetivo

Conteúdo

Estratégia

Recursos

Avaliação

1 2 3 4 (...)

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TENÇÃO! O plano de curso detalhado facilita a gestão pedagógica, auxiliando os atores envolvidos no processo de ensino-aprendizagem no que se refere aos

objetivos que deverão ser alcançados e ao que será desenvolvido no período letivo.

O plano de unidade é organizado considerando que uma unidade é um conjunto de aulas que abordam o mesmo conteúdo. Sendo assim, indica como as aulas de determinado assunto serão realizadas. Uma unidade pode ser dividida em três grandes blocos: apresentação, desenvolvimento e integração:

Apresentação

Desenvolvimento

Integração

Fase em que o professor apresenta a unidade, explicando aos alunos a importância de seu estudo, bem como contextualizando os conteúdos.

Fase em que o professor aplica a metodologia e utiliza os recursos disponíveis a fim de trabalhar os conteúdos e realizar as atividades planejadas.

Fase em que os participantes aplicam os conteúdos em atividades cotidianas, integrando o que aprenderam com sua vida pessoal e profissional.

Esse é o momento, também, de incentivar os alunos a participar ativamente das aulas.


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Unidade 1 – Planejamento

Sendo assim, o plano de uma unidade com quatro aulas ficaria da seguinte forma: Tabela 2: Modelo de plano de unidade com quatro aulas

Curso: Unidade: Carga horária: Objetivo geral: Aula Apresentação

Objetivo Conteúdo Estratégias Recursos

Avaliação

1 2

Desenvolvimento 3 Integração

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O plano de aula detalha as atividades de cada aula, relacionando-as aos objetivos, conteúdos, recursos e ao tempo de duração.

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TENÇÃO! O plano de aula é bastante útil em cursos que são ministrados por mais de um professor, em que vários professores ficam responsáveis pela mesma aula, pois garante que a condução da aula ocorra de forma padronizada, respeitando, é claro, as características pessoais e as particularidades de cada profissional.

Veja a seguir um modelo de plano de aula. Tabela 3: Modelo de plano de aula

Curso: Unidade: Aula: Carga horária: Objetivo geral: Objetivo

Conteúdo

Estratégias

Recursos

Avaliação

Duração


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Planejamento, avaliação e didática

Para que um plano de ensino seja bem-sucedido, ele precisa ter as seguintes características:

• coerência e unidade – utilizando meios adequados para

alcance dos objetivos

propostos;

• continuidade

e sequência – ordenando as atividades de forma integrada e correlacionada;

• flexibilidade – podendo ser ajustado e adaptado às situações não previstas; • objetividade

e funcionalidade – adequando o plano ao tempo, aos recursos e ao público-alvo, e mapeando os conteúdos de forma funcional, efetiva e prática; e

• precisão e clareza – apresentando linguagem clara e simples.

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TENÇÃO! O plano de ensino não deve ser elaborado como uma simples formalidade para cumprir o que está sendo solicitado pela instituição. Ele deve ser utilizado de forma ativa e dinâmica pelos professores, sendo visto e revisto a todo o momento.

3. Etapas do planejamento de ensino O planejamento de ensino é uma tarefa docente que inclui a elaboração das atividades tanto no que diz respeito a sua organização como a sua execução, coordenação e avaliação, tendo como base os objetivos de ensino. Por meio desse planejamento é possível racionalizar, organizar e coordenar a ação docente, articulando a atividade escolar e as questões sociais. Com o registro do planejamento de ensino é possível:

• cumprir as atividades propostas de forma mais organizada; • saber o que será avaliado; • organizar as ideias, as atividades e os conteúdos de forma sequencial; e • explicitar as etapas para os alunos. As etapas de um planejamento são:

Diagnóstico

Estabelecimento de objetivos

Mapeamento dos conteúdos

Definição da metodologia e dos recursos

Estruturação da avaliação


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Diagnóstico Essa etapa possibilita o conhecimento do ambiente e do público-alvo, respondendo a questões como:

• Por que será desenvolvida a ação educacional? • O que justifica a realização da ação educacional? • Em que espaço ela será aplicada? • Quem

serão os participantes e quais são suas características (faixa etária, interesses, aspecto social, limitações, valores e outros)?

O diagnóstico é o ponto de partida para a definição de todas as demais etapas.

Estabelecimento de objetivos Os objetivos são a manifestação clara e direta do que se deseja atingir com uma ação educacional, que pode ser um curso ou uma aula. Nessa etapa, o docente deve definir quais competências serão desenvolvidas durante a ação.

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TENÇÃO! Os objetivos devem servir de base para a definição dos conteúdos, e não o contrário. Ou seja, primeiro devem ser definidos os objetivos, e a partir deles

devem ser escolhidos os conteúdos.

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Planejamento, avaliação e didática

Mapeamento dos conteúdos Os conteúdos são os conhecimentos sistematizados que serão trabalhados durante a ação educacional. Além dos conteúdos, devem ser mapeadas também as habilidades a serem desenvolvidas.

Definição da metodologia e dos recursos A metodologia consiste na forma como o curso ou a aula será ministrada e que tipo de método de ensino será utilizado. A escolha da metodologia deve levar em conta:

• a faixa etária dos participantes; • os interesses pessoais e do grupo; • o projeto pedagógico da instituição; e • o ambiente.

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TENÇÃO! O professor deve se sentir à vontade para definir a metodologia.

Os recursos utilizados podem ser:

• materiais – objetos e espaços físicos; • financeiros – dinheiro que será utilizado; e • humanos – profissionais necessários para executar as atividades. Estruturação da avaliação Nessa etapa é definida a forma de avaliar a aprendizagem, o desempenho do professor e as atividades que foram planejadas – ou seja, o plano em si também é avaliado.

4. Construção de objetivos educacionais A prática educacional se orienta pelos objetivos a serem alcançados por meio de ações intencionais e sistemáticas. São definidos os objetivos gerais e os objetivos específicos das ações educacionais. Os objetivos gerais, mais amplos, são alcançados em longo prazo, enquanto os objetivos específicos apontam para os resultados esperados das atividades realizadas pelos alunos, sob a mediação e a orientação dos professores. Eles indicam resultados não observáveis.


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Os objetivos específicos consistem no desdobramento e na operacionalização dos objetivos gerais, e devem ser formulados como resultados a serem atingidos, facilitando o processo de avaliação. Eles devem indicar comportamentos observáveis. São os objetivos específicos que fornecem uma orientação concreta para a seleção das atividades de ensino-aprendizagem e para a avaliação. São eles que contribuem para que o professor:

• defina os conteúdos a serem trabalhados; • estabeleça

os procedimentos de ensino, as atividades e as experiências de aprendizagem a serem vivenciadas pelos alunos;

• determine o que e como avaliar; • defina critérios para avaliar o trabalho docente; e • indique os propósitos de ensino aos alunos, aos pais e a outros educadores.

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TENÇÃO! Cuidado com a escolha das palavras ao redigir os objetivos. Termos ambíguos, por exemplo, tornam o objetivo vago e obscuro.

Os objetivos específicos devem expressar o comportamento a ser atingido pelo aluno. Eles não se referem, portanto, ao comportamento do professor. Observe, como exemplo, os dois objetivos a seguir.

Objetivo 1

Ensinar a adição de números com dois algarismos.

Objetivo 2

Somar números de dois algarismos.

Repare que os dois objetivos estão relacionados ao mesmo conteúdo de Matemática. No entanto, o primeiro está se referindo à ação do professor, e o segundo, ao comportamento do aluno no final da ação educacional. Geralmente, os objetivos são redigidos como o segundo, ou seja, com base no resultado que se almeja alcançar.

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TENÇÃO! Uma dica para redigir um objetivo é completar a frase “O aluno deverá ser capaz de...”. Alguns verbos muito utilizados ao definirmos um objetivo são: identificar, definir, descrever, explicar, interpretar, demonstrar, desenvolver, analisar, comparar, elaborar, resolver, resumir.

Outro ponto importante ao redigir um objetivo é incluir apenas um resultado de aprendizagem por vez, e não uma combinação de resultados. Sendo assim, deve-se utilizar apenas um verbo. Por exemplo, em vez de escrever “somar e

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subtrair números de dois algarismos”, deve-se escrever “somar números de dois algarismos” e “subtrair números de dois algarismos”. Dessa forma, o professor poderá estabelecer a metodologia de ensino de forma mais precisa, bem como a avaliação a ser aplicada, determinando se o objetivo foi alcançado. Mas, além dos objetivos, muitas vezes um plano contempla o que chamamos de competências. Ou seja, indica as competências que os participantes vão desenvolver ou aprimorar ao atuar em uma ação educacional. Mas qual é a diferença entre objetivos e competências? Os objetivos estão mais focados em conteúdos, em conhecimentos, e as competências, além de conhecimentos, envolvem habilidades e atitudes. Ao desenvolver competências, a educação volta-se para a aplicação do conhecimento, para o “saber fazer”, e não apenas para o “conhecer”. De que adianta conhecer muito bem o processo de fazer contas e expressões matemáticas se não sabemos aplicá-las no nosso dia a dia? A ideia é que a educação seja integradora, desenvolvendo competências cognitivas, socioafetivas e psicomotoras, e não meramente uma reprodução de conteúdos. E isso está presente na definição de competências. Veja o exemplo de uma das competências da área Linguagens e Códigos da matriz do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio):

Conhecer e usar língua(s) estrangeira(s) moderna(s) como instrumento de acesso a informações e a outras culturas e grupos sociais.

Muitos planos de ensino utilizados na educação profissional são desenvolvidos tomando como base as competências, que estão ligadas ao aprender fazendo. Outro exemplo de competência é a redigida para um curso de técnico de cozinheiro, segundo a qual deve-se produzir alimentos seguros conforme padrões higiênicos sanitários e de segurança no trabalho, respeitando os regulamentos técnicos da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).


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TENÇÃO! Tanto os objetivos quanto as competências devem ser redigidos tendo como base o participante do curso – ou seja, o aluno – e não o professor. Deve-se ter em mente o que é esperado do aluno, e não o que o professor fará durante a aula. Lembre-se: o foco é o aluno!

5. Definição, seleção e mapeamento de conteúdos Uma das tarefas do professor é selecionar os conteúdos que serão trabalhados em sala de aula de acordo com o nível de ensino e os objetivos de aprendizagem.

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ARA SABER MAIS! No Brasil, o Ministério da Educação fornece orientações em relação aos conteúdos que devem ser ministrados em cada nível de ensino. Essas orientações estão publicadas nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), que são referências para os ensinos Fundamental e Médio. De acordo com o INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – os PNC traçam um novo perfil para o currículo, apoiado em competências básicas para a inserção dos jovens na vida adulta; orientam os professores quanto ao significado do conhecimento escolar quando contextualizado e quanto à interdisciplinaridade, incentivando o raciocínio e a capacidade de aprender. Mais informações sobre os PCN no site do MEC, disponível em: <http://portal.mec.gov.br/> (acesso em: 30 nov. 2015).

Essa seleção não deve simplesmente ser uma lista de conhecimentos a serem transmitidos. Ela deve estar relacionada também às habilidades e às atitudes que devem ser desenvolvidas, bem como à contextualização do que será trabalhado. Se pensarmos em uma lista de conteúdos estática, estaremos acreditando em uma educação na qual se valoriza a reprodução do conhecimento, a falta de pensamento crítico, a formação de pessoas e profissionais voltada a reproduzir o que está sendo ensinado, transcrever o que está sendo escrito no quadro de giz, é aceitar o que o professor diz como verdade absoluta, sem questionamento, sem reflexão. Isso reduziria totalmente a aprendizagem humana a um processo de adestramento, de reprodução daquilo que o outro apresenta. A aprendizagem que queremos está relacionada à construção de novos modelos mentais, à formação de sujeitos críticos e autônomos, que possam buscar novos conhecimentos em diversos ambientes de aprendizagem, formais ou informais, a qualquer tempo. A construção dos novos modelos mentais possibilita o desenvolvimento de novos conhecimentos, novas habilidades e novas atitudes. Vejamos a seguir um exemplo de conhecimento, habilidade e atitude relacionado a uma das competências propostas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental sobre Meio Ambiente.

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Planejamento, avaliação e didática

Conhecimento

Conhecer e compreender, de modo integrado e sistêmico, as noções básicas relacionadas ao meio ambiente.

Habilidade

Perceber, em diversos fenômenos naturais, encadeamentos e relações de causa-efeito que condicionam a vida no espaço (geográfico) e no tempo (histórico).

Atitude

Adotar posturas na escola, em casa e em sua comunidade que os levem a interações construtivas, justas e ambientalmente sustentáveis.

Com base na definição dos objetivos ou das competências e no programa oficial da instituição em que atua, descrito no seu Projeto Político Pedagógico, o professor deve definir os conteúdos que serão trabalhados no seu curso ou na sua disciplina. O Projeto Político Pedagógico de uma instituição apresenta o seu modelo pedagógico, que é a referência constitucional da dinâmica necessária para atingir seus objetivos educacionais. Nele estão explicitados os conteúdos que serão expostos em aula, de acordo com o proposto pelo MEC e com as características específicas do seu público-alvo e da cultura em que a instituição está inserida. Esses conteúdos devem ser: válidos, úteis, significativos, viáveis e flexíveis.

Válidos Úteis

Confiáveis, representativos e atualizados, condizendo com a realidade. Aplicáveis, auxiliando o aluno em novas atividades.

Significativos

Ligados à realidade do aluno. Ou seja, com significado para ele.

Flexíveis

Passíveis de serem modificados, complementados e adaptados.

Viáveis

Capazes de serem compreendidos pelo aluno, em função do seu estágio cognitivo.

Sendo assim, os conteúdos não devem ser tratados como elementos lineares, estáticos, mortos, cristalizados. Os conteúdos são vivos, são dinâmicos. Eles estão em constante mutação e transformação. Mas será que isso tudo cabe na lista que é organizada para cada matéria? Cabe se essa lista não contiver apenas os conceitos a serem estudados. Os conteúdos englobam também as ideias, os fatos, os processos, os princípios, as


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leis científicas, as regras, os modos de aplicação, os valores, as atitudes e tudo o mais que for relevante para o processo de aprendizagem. Eles devem retratar a experiência social da humanidade e estar sujeitos a transformações pelos estudantes de acordo com suas vivências, seus valores e suas exigências teóricas e práticas. Os conteúdos atuam como objetos de mediação escolar. Eles são o elo entre o professor e o aluno, pois é a partir deles que se torna possível alcançar os objetivos propostos pela ação educacional. Mas como o professor deve proceder ao definir os conteúdos que utilizará na sua disciplina, no seu curso ou em qualquer evento educacional? Ou seja, que conteúdos devem ser trabalhados para que educandos atinjam os objetivos propostos e desenvolvam as competências mapeadas para aquela ação educacional, estejam elas relacionadas ao exercício da cidadania, à realização de atividades profissionais, à produção de novos conhecimentos, à criação de objetos culturais ou de arte ou a outros fins? Para realizar essa seleção, o professor utilizará três fontes:

• a

programação oficial que determina os conteúdos de cada disciplina ou matéria (estipulada pelo MEC, pelo projeto pedagógico da instituição e do curso ou até mesmo no plano de um evento educacional);

• os

conteúdos básicos das ciências, da técnica e da arte transformadas em matérias de ensino;

• as

exigências teóricas e práticas determinadas pelas necessidades práticas dos aprendizes, levando em consideração a sociedade em que vivemos, o mundo do trabalho e o exercício da cidadania.

O processo de seleção dos conteúdos está intimamente ligado ao processo de organização destes. Ao selecioná-los, o professor deve estar atento à sequência lógica de sua apresentação. Nesse sentido, de nada adianta, por exemplo, um aluno de um curso de panificação aprender a fazer um pão seguindo uma receita (ou ficha técnica, como é o nome dado às receitas que usamos na nossa cozinha) se não entender o conceito de fração. Ele precisa saber o que significa ½, que muitas vezes aparece na lista de ingredientes necessários de uma receita. A sequência dos conteúdos é organizada em dois planos:

• Temporal,

ou seja, com organização vertical ao longo dos anos e níveis de

ensino.

• Em uma mesma série, ou seja, estabelecendo-se uma relação horizontal entre áreas ou disciplinas.

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PLANEJAMENTO, AVALIAÇÃO E DIDÁTICA

Este livro tem por objetivo discutir o planejamento em seus fundamentos e etapas, níveis e suas relações, fases de planejamento de ensino, objetivos educacionais, conteúdos, procedimento e recursos de ensino. Traz, ainda, a avaliação em suas diferentes nuances: conceitos, funções, modalidades, etapas, técnicas e instrumentos, além de título de avaliação. O leitor será convidado a entender as implicações filosóficas e psicológicas das didáticas em seus fundamentos, conceitos e divisões. Além disso, o livro conta ainda com a relação da didática da nova escola com as funções da aprendizagem, a motivação como fator da aprendizagem e os instrumentos metodológicos aplicados na educação infantil.


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