Psicologia, Educação e Novas Tecnologias

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PSICOLOGIA, EDUCAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS


PSICOLOGIA, EDUCAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS


Psicologia, educação Apresentação e novas tecnologias

Apresentação Ter contato com um conteúdo objetivo, conciso, didático e que atenda às expectativas de quem leva a vida em constante movimento: este parece ser o sonho de todo leitor que enxerga o estudo como fonte inesgotável de conhecimento. Pensando na imensa necessidade de atender o desejo desse exigente leitor é que a Cengage Learning criou este produto voltado para os anseios de quem busca informação e conhecimento com o dinamismo dos dias atuais. Com esses ideais em mente nasceram estes livros eletrônicos, com conteúdos de qualidade envolvidos por uma roupagem criativa e arrojada. Em cada título é possível encontrar uma abordagem abrangente de temas, associada a uma leitura agradável e organizada, o que visa facilitar o aprendizado e a memorização de cada disciplina. A linguagem dialógica aproxima o estudante dos temas explorados, promovendo a interação com o assunto tratado. Ao longo do conteúdo, o leitor terá acesso a recursos inovadores, como os tópicos Atenção, que o alertam sobre a importância do assunto abordado, e Para saber mais, que apresenta dicas interessantíssimas de leitura complementar e curiosidades bem bacanas para aprofundar a apreensão do assunto, além de recursos ilustrativos que permitem a associação de cada ponto a ser estudado. Ao clicar nas palavras-chave em negrito, o leitor será levado ao Glossário, para ter acesso à definição da palavra. Para voltar ao texto, no ponto em que parou, o leitor deve clicar na própria palavra-chave do Glossário, em negrito. Esperamos que você encontre neste livro a materialização de um desejo: o alcance do conhecimento de maneira objetiva, concisa, didática e eficaz. Boa leitura!

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Psicologia, educação Prefácio e novas tecnologias

Prefácio Todos os dias observamos o surgimento de uma ferramenta nova, criada no âmbito da tecnologia, visando sempre o aperfeiçoamento e a promoção do processo de aprendizagem. Nesse mesmo contexto, tantos outros mecanismos tornam-se obsoletos e pouco vigentes, o que obriga as pessoas a lidarem com a utilização de meios diversos, promovendo a sua inclusão ou exclusão de uma sociedade de rede. Nos ramos das atividades, cada área teve de se adaptar e otimizar a sua interação com meios modernos, associando o viés da sua atuação com o dinamismo da globalização e tecnologia. Ao tratarmos do ramo da psicologia, algumas problemáticas precisam ser pensadas e refletidas. O contato pessoal que a profissão requer diverge da impessoalidade que certas ferramentas e mecanismos alimentam. Para analisar melhor alguns posicionamentos, o conteúdo de PSICOLOGIA, EDUCAÇÃO E AS NOVAS TECNOLOGIAS foi formulado, enfrentando temas para estudo e reflexão. Na Unidade 1 deste material o leitor vai relembrar alguns conceitos, tais como a andragogia, a interação psicologia e educação, a psicologia e trabalho em grupos na solução de problemas, entre outros assuntos. Já na Unidade 2, vamos rever alguns conceitos importantes acerca da psicologia e, na Unidade 3, os principais campos da psicologia moderna. Finalmente na Unidade 4, vamos tratar da psicologia e da tecnologia e os diversos momentos em que ambas caminham juntas no processo de aprendizagem. A tecnologia é uma realidade que tende a evoluir e não deixará mais de fazer parte do nosso cotidiano. Compreender as suas facilidades para melhorar a atuação em cada área da nossa vida é essencial para aproveitar as facilidades da modernidade contemporânea. Bons estudos.

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Unidade 1 – Psicologia, educação e novas tecnologias

UNIDADE 1 PSICOLOGIA, EDUCAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS A interação entre psicologia e educação: um trabalho com a incerteza, 10

Capítulo 1

Capítulo 2

A psicologia no ensino de jovens e adultos (andragogia), 12

A psicologia e o trabalho em grupos na solução de problemas, 15

Capítulo 3

Capítulo 4 A psicologia e a identificação de estilos de aprendizagem, 19

Psicologia e novas tecnologias: união de esforços ou confronto de ideias?, 21

Capítulo 5

Glossário, 24

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1. A interação entre psicologia e educação: um trabalho com a incerteza Quando trabalhamos na fronteira da comunicação entre diferentes campos do conhecimento humano, todos os nossos esforços são concentrados em verificar como eles podem interagir e o nível de interdisciplinaridade que existe entre estas áreas. Ainda que de forma intuitiva, é possível observar que as duas ciências em foco – a psicologia e a educação - se interpenetram, principalmente quando o estudo é dirigido para o estabelecimento de atitudes e comportamentos que podem ser adotados para a obtenção dos melhores resultados possíveis - no nosso caso, nas atividades de ensino e aprendizagem.

Um fator complicador se insere no contexto da pós-modernidade: a ausência de encontros presenciais e uma orientação para que os professores se tornem companheiros de jornada do aluno, pois são elementos considerados como docentes coletivos, que trabalham com estudantes autônomos. Aqui, a psicologia atua de forma direta ao sugerir que tais comportamentos e habilidades estão direcionados de forma utilitária (pragmática), no sentido de produzir os melhores resultados possíveis. Ela é vantajosa principalmente nas situações difíceis, nas quais o aproveitamento apresenta falhas, dificuldades ou desabilidades (cujo estudo vamos deixar para o campo da neuropedagogia e psicopedagogia).


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Uma primeira constatação é necessária: os psicólogos educacionais apresentam uma grande contribuição às atividades de ensino e aprendizagem e seu campo de trabalho é extenso. Pode-se considerar que ele se inicia com a gestão de conflito da educação que o aluno traz do ensino pré-universitário - comprovadamente assistencialista, que retira a criatividade e a iniciativa dos alunos, e a exigência de independência e autonomia, à qual o aluno não está acostumado. Sem o apoio de diversas técnicas, é muito difícil manter o aluno ligado de forma ativa às atividades de aprendizagem, quando nunca lhe foi dada a independência e as condições de aprender pelo erro, de aprender a aprender, condições estas que trabalham diretamente com a psicologia, que visa dar ao aluno a possibilidade de acreditar em desenvolver o processo de forma facilitada ao conhecer a si próprio. Houve um tempo em que o psicologismo orientou atividades e comportamentos no campo educacional, até que deu lugar a novas teorias que aproximam de forma diferente a psicologia moderna da educação. Como ela foi utilizada nos primórdios, considerava-se que a subordinação da lógica e da epistemologia à psicologia atuava de forma reducionista, ao levar em conta que todos os fenômenos educacionais tinham motivação ou podiam ser melhorados com a intervenção da psicologia. Depois de quase 100 anos de atuação no campo educacional, a psicologia não foi totalmente eliminada, e ainda hoje atua de forma subliminar. Ainda se leva em consideração que a validade dos princípios lógicos e epistemológicos advêm de causas psicológicas, entre outras (filosóficas, sociológicas, gramaticais etc.). Aos poucos, o campo didático e pedagógico buscou a independência que não conseguiu e, assim, passou-se a considerar a educação como um campo sem dono. Fato que se confirma quando se observa que as principais teorias educacionais têm como resultado o estudo de biólogos (Piaget e Vygotsky) e profissionais de outras áreas. Segundo a linha de raciocínio pós-moderna, os psicólogos não mais consideram a psicologia como um ramo da educação e da mesma forma a educação como um ramo da psicologia, tratando os dois campos como interdisciplinares, mas cada um com seu conjunto de conhecimentos independentes. Corta-se um elo que modifica a visão, mas é mantida a relação histórica passada, presente e futura que existe entre educação e psicologia. Na interação entre estas duas áreas da ciência, é possível que elas se ajudem mutuamente. Neste estudo, vamos apresentar aspectos de uma das vias dessa estrada, que é a análise das influências que os aspectos psicológicos têm quanto à participação e motivação dos agentes educacionais no processo de ensino e aprendizagem. O estudo da segunda mão dessa rodovia fica delegado ao programa dos cursos de psicologia. Mas é importante destacar que tal influência existe e tem seu corpo de conhecimento estabelecido.

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Na intersecção dos saberes de ambas as áreas se estabelecem bases cientificas, por exemplo, para identificar as formas mais corretas de orientar a aprendizagem em grupo, o tratamento de conflitos, o estudo das inteligências e sua influência no processo de ensino e aprendizagem, o desenvolvimento da aprendizagem baseada em problemas, além do trabalho com salas de aula invertida. Há diversos campos nos quais a interação educação-psicologia ocorre e será estudada neste material de apoio. Fica reconhecida também a existência de áreas de incompatibilidade e de busca de novos conhecimentos frente a situações de incerteza, em uma sociedade que, desde que passou de industrial para sociedade do conhecimento, tem deixado as pessoas perplexas, sem que esteja definido um rumo certo do que vai acontecer no futuro. A grande pergunta é: para que sociedade estamos educando nossos jovens? A resposta é um grande ponto de interrogação. Segundo Norwich (2000), esta é uma posição clara e que é adotada por muitos psicólogos e pedagogos em estudos sobre essa área de interação, apoiada na incerteza dos resultados possíveis.

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ARA SABER MAIS! Não importa se você é egresso da área de psicologia, pedagogia ou outra qualquer. O importante é que você tenha a noção exata do que significa a expressão “trabalhar com a incerteza” utilizada no texto. Por isto, sugerimos a leitura complementar do artigo “Sentimento de incerteza torna o trabalho inerente à condição humana”, de Flávio Gikovate, disponível na internet por meio do site http://www2. uol.com.br/vyaestelar/sentimento_de_incerteza_torna_trabalho_inerente_para_viver. htm. Obs.: a partir deste texto, outros do mesmo autor relacionados ao tema podem ser acessados no mesmo site.

2. A psicologia no ensino de jovens e adultos (andragogia) Considerando que a educação atual caminha a passos largos para a unificação da EaD e da educação presencial, na modalidade b-learning (blended learning – aprendizagem mista ou híbrida), e que o contexto deste estudo está situado na educação de jovens e adultos, há um ponto de interface entre a psicologia e a andragogia, que substitui o enfoque pedagógico utilizado na educação nos primeiros níveis, com vantagens. Mas há ainda um grande número de professores cuja formação tem uma perspectiva jesuítica, profissionais que não enxergam a grande divergência que existe nos diferentes propósitos de cada faixa etária com relação à educação.


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Smith (1998) considera que, com relação a essa área de interface, a psicologia do desenvolvimento tem assento garantido: os seus estudos condizem exatamente com como a educação ocorre nas diversas fases da vida e com os principais fatores motivacionais que podem ser colocados em movimento para que a atividade de ensino e aprendizagem tenha sucesso. A primeira constatação é a de que a andragogia, até há pouco tempo, recebeu pouca atenção, apesar de não ser um conceito novo. O termo é utilizado desde a Grécia Antiga e foi citado em termos acadêmicos em 1833 pelo educador alemão Alexander Kapp. O estudo que hoje serve de apoio e referencial teórico para a área foi trabalhado por Knowles a partir do início da década de 1980. Em sua obra, Knowles (1984) assume cinco aspectos, todos eles relacionados com a psicologia. O estudo foi mais recentemente recuperado por Kearsley (2010), que retoma a caminhada para que sua utilização seja mais efetiva. Os cinco aspectos assumidos por Knowles são apresentados na lista seguinte, com relação aos adultos:

• eles

têm um autoconceito formado a partir de suas experiências de vida, o que define a sua personalidade;

• eles

têm experiência anterior que, quando utilizada como recurso de aprendizagem, torna o aluno mais produtivo;

• eles têm vontade de aprender e dar direcionamento à sua vida, por processos de formação permanente e continuada;

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• eles

desenvolvem seu estudo e aprendem a partir de conteúdo relevante e aprendizagem significativa; e

• eles se motivam para aprender quando a atividade está diretamente relacionada com sua evolução pessoal e profissional. Todos os dados considerados estão diretamente relacionados com a automotivação, que é um aspecto psicológico que pode ser trabalhado pelos professores, que têm condições de compreender as necessidades do aluno e reconhecer que cada um tem uma forma particular de aprender. As necessidades, os interesses e as habilidades variam de um aluno para outro, ainda que possam ser estabelecidos grupos com características similares. Assim, a psicologia da aprendizagem e do desenvolvimento pode ser diretamente aplicada para despertar o aluno mediante o atendimento dessas necessidades particulares.

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ARA SABER MAIS! Faça a leitura e compreensão dos textos que estão relacionados abaixo. Eles estão disponíveis online e podem ser obtidos diretamente nos endereços fornecidos. Sua linguagem pedagógica facilita a compreensão dos textos: 1. The adult learning theory – Andragogy – of Malcom Knowles 2. Eight important characteristics of adult learners 3. 17 tips do motivate adult learners 4. The adult learning theory

Guarde o primeiro link, pois nele há informações para todos os outros indicados e para outros em que você poderá acessar a parte das atividades normais dos módulos do curso. A ligação da psicologia educacional com os estudos de Bloom (taxonomia de Bloom) apontam para diferentes domínios de aprendizagem: cognitivo, afetivo e psicomotor. A delimitação de tempo não nos permite estender tal conceito, mas você pode acessar outras informações sobre a taxonomia de Bloom e dar continuidade ao seu estudo. Você poderá observar que o tratamento para este caso está totalmente relacionado com a psicologia educacional, principalmente no que diz respeito ao domínio afetivo. Uma das principais dificuldades quando se trabalha com a psicologia educacional diz respeito ao fato de que muitos professores ainda não aceitam que muitos desses alunos tenham uma bagagem cultural maior que a do próprio professor. Ao assumir o papel de facilitador, parece que o professor tem eclipsada a sua atuação, o que é um grave erro de enfoque. Se o docente deixa de ser um transmissor de conhecimentos e orienta o aluno a saber criar conhecimento a partir do elevado volume de informações que ele mesmo irá coletar, e transformar tais dados em informação estruturada, o que


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permite a criação de novos conhecimentos, a importância da atuação do educador cresce de forma exponencial. É importante não esquecer as teorias da aprendizagem e, principalmente, lembrar que quando elas foram criadas a tecnologia não tinha o grau de evolução que apresenta na sociedade contemporânea. Assim, o conectivismo ganha um destaque particular, sem deixar de lado a importância das teorias behavioristas, cognitivistas, socioconstrutivistas e as questões de aprendizagem significativa, criadas por Ausubel, uma vertente psicológica por excelência. A inserção da tecnologia no ambiente educacional traz certa tensão ao relacionamento entre tecnólogos e psicólogos, tornando um pouco mais complexo o campo de aplicação de princípios da psicologia à educação. A psicologia se utiliza muito pouco da tecnologia, mais como uma ferramenta de apoio do que para apropriar conhecimentos que colaborem com conceitos ou fundamentos psicológicos.

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ARA SABER MAIS! É essencial aprofundar o tema contido na afirmativa de que há uma mudança em trânsito no papel do professor: de transmissor de conteúdo para uma nova posição de orientador ou conselheiro. Para tanto, indicamos o texto “O professor como comunicador e mediador do processo ensino e aprendizagem: implicações ambientais e organizacionais em seu desempenho”, dos autores Diane Rocha Miranda, Maurício dos Santos Azeredo, Núbia Regina Hércules Freire e Mônica Pereira de Oliveira. Está disponível na internet: http://www.fara.edu.br/sipe/index. php/renefara/article/viewFile/87/77.

3. A psicologia e o trabalho em grupos na solução de problemas As obras desenvolvidas sobre o relacionamento da psicologia moderna com os grupos de trabalho estão apoiadas na psicologia social de grupos, que, segundo estudos de Sabatelli (2002), é o que direciona os artigos e estudos acadêmicos na área nos dias atuais. A psicologia social atua no ambiente dos cursos na atualidade, muitos deles efetivados em modalidades semipresenciais

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ou não presenciais. Assim, são sugeridos o trabalho desenvolvido em grupos e a utilização da abordagem da aprendizagem baseada em problemas. Além da inteligência emocional, recomendada para que os grupos tenham um processo eficiente de gestão de conflitos, a teoria das inteligências múltiplas constitui um dos primeiros aspectos psicológicos levados em consideração. Os trabalhos com a dinâmica de grupo são invocados logo em seguida e eles também se apoiam em fundamentação psicológica voltada para a motivação dos participantes.

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ARA SABER MAIS! Para conhecer mais a respeito da conceituação correta da inteligência emocional e das inteligências múltiplas, recomendamos a leitura de dois textos complementares sobre cada um dos assuntos. Eles estão relacionados a seguir: - “A inteligência emocional no ambiente de trabalho”, de Solange Moreira dos Santos e Carina Aparecida Cervi. Está disponível no site http://www.aems.edu.br/conexao/edicaoanterior/Sumario/2012/downloads/2012/humanas/A%20INTELIG%C3%8ANCIA%20 EMOCIONAL%20NO%20AMBIENTE%20DE%20TRABALHO.pdf; - A teoria das inteligências múltiplas e sua importância para auxiliar nos problemas de aprendizagem. Autoria de Uilma Rezende da Silva. Disponível no site http://www. jornaldaeducacao.inf.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1604#myGal lery1-picture(6)

Todos esses aspectos estão ligados às ciências comportamentais. As relações interpessoais ganham destaque e considera-se que obter sua efetividade está na raiz do sucesso que é possível observar nos grupos de trabalho. Sempre que há um grupo de pessoas com interesses comuns e com uma correta gestão dos conflitos internos, a responsabilidade se divide entre todos os participantes. A relação entre as pessoas sob tais condições, quando muitas delas não se conhecem e devem trabalhar juntas, criando uma dependência favorável, refletem relações sociais mais complexas, já tratadas por Giddens (1991), que questionou a efetivação de relações de confiança entre indivíduos que não se conhecem. As formas de relacionamento no grupo envolvem determinação de papéis, estabelecimento de normas, relações igualitárias, respeito ao multiculturalismo, coesão do grupo e status individual de cada participante. O que comanda tudo isto é o pensamento contemporâneo sobre o processo de atração social (Sabatelli, 2002) e como os seus relacionamentos podem ser incentivados com a utilização de princípios de motivação, objetos de estudo da psicologia social. Para obter uma maior produtividade do grupo, tais fundamentos serão utilizados. Eles são conduzidos por um centralizador, normalmente um tutor ou coacher, o que depende dos custos envolvidos. A tutoria ocorre de um


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para muitos (e às vezes em número excessivo), enquanto o atendimento individual tem custos muito diferenciados. A medida de satisfação do grupo parte do levantamento do atendimento das necessidades de cada um, de acordo com a pirâmide de Maslow (Maslow, 2014), outro conceito psicológico por excelência. É importante essa avaliação, uma vez que é necessário levar em consideração que os indivíduos diferem entre si com relação ao seu grau de satisfação. Eles dependem de segurança financeira, satisfação sexual, companheirismo, além de outros aspectos, para sentir-se satisfeitos. Também devemos considerar o fato de que as pessoas diferem em termos dos níveis de recompensas e custos que elas acreditam que são realisticamente obtidos a partir de um relacionamento. Questões de dependência também entram em consideração e aqui, ao envolver sentimentos entre as pessoas, a psicologia volta a atuar de forma decisiva. É impossível ignorar que os indivíduos são dependentes de seus relacionamentos, de acordo com os resultados decorrentes das relações existentes, e frustram-se quando estas não atingem os resultados positivos necessários. Aqui entra em jogo a gestão de conflitos, pois os indivíduos que são altamente dependentes de seus relacionamentos são menos propensos a agir para terminá-los. Quando os grupos se reúnem com um interesse comum, esta dependência se estabelece de forma natural. Essa reunião pode ou não ser voluntária, dependendo do grau em que os indivíduos são atraídos para suas relações. As pessoas são suscetíveis de comprometimento com os parceiros do grupo e tendem a atuar de forma ativa para sua continuidade. Considera-se ser esta uma possibilidade de diminuição do processo de evasão, que é elevado no contexto que está sendo analisado. Apesar da dificuldade encontrada na composição e no funcionamento efetivo de um grupo de trabalho, ele é gratificante na medida em que é possível se comprovar sua eficácia, quando as pessoas têm apoio durante o desenvolvimento da aprendizagem autônoma, e quando o grupo não tem o significado que alguns querem lhe atribuir, como por exemplo o de seus membros desenvolverem seus trabalhos sozinhos e sem colaboração. Este é um dos mitos que criam o estereótipo do “fantasma da solidão”, que alguns consideram afastar o aluno e provocar sua evasão. A atividade de aprendizagem independente tem grande parte de seu sucesso creditada ao trabalho desenvolvido nas redes sociais, como é a proposta do conectivismo, independentemente de que seja confirmado que o aluno, na realidade, aprende sozinho, mas para chegar até tal ponto, quanto maior o apoio e a participação externa, maior será a possibilidade que ele atinja os seus objetivos.

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ARA SABER MAIS! A situação tratada no último parágrafo é polêmica e você deve estender sobre ela os seus estudos. Assim, sugerimos que você desenvolva a leitura do texto “Formação continuada em EaD” - Descrição de projeto em andamento apresentada para ABED em 2009. Está disponível na internet por meio do site http:// www.abed.org.br/congresso2009/CD/trabalhos/1552009183907.pdf

Assim, se revelam diversos fatores influentes, quando o pensamento se desloca de uma linha rígida de relacionamento e busca na interdisciplinaridade de saberes, soluções mais efetivas para que os processos desenvolvidos por grupos de trabalho aumentem a qualidade do ensino e a aprendizagem. Um aspecto que tem se demonstrado eficiente (resultados de enquetes efetuadas com alunos de pedagogia na modalidade EaD) diz respeito à eliminação dos relacionamentos de poder entre os agentes educacionais. A autonomia e o empoderamento de equipes mostram excelentes resultados no estabelecimento de um clima de trabalho favorável. Elas tornam menos problemáticas quaisquer dependências que possam ocorrer entre os participantes de níveis cognitivos divergentes. As diferenças são mais facilmente aceitáveis. A utilização dos fundamentos da psicologia social tem grande impacto no trabalho desenvolvido por grupos devido também às possibilidades de intercâmbio entre pessoas com diferentes níveis que, ao final de determinado processo, mostram habilidades individuais superiores àquelas que tinham antes do relacionamento. O processo é denominado inteligência coletiva (Lévy, 2014), outro aspecto psicológico influente. O conceito final que relaciona a psicologia com o estudo em grupos e que deve ser levado em consideração diz respeito ao sistema de relação de interdependência entre os participantes, quando há o envolvimento de todos e ninguém do grupo aceita a participação de membros que não sejam atuantes (cuja eliminação pode ser sugerida por questões de gestão de conflitos nos grupos).

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ARA SABER MAIS! Sobre este último parágrafo, é interessante que você aumente seus conhecimentos com a leitura e apreensão do significado de um texto voltado para o trabalho nas organizações, ou seja, uma prática corporativa que é interessante trazer ao conhecimento dos agentes educacionais, acessando: http://www.scielo.br/ scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-65552005000300004


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4. A psicologia e a identificação de estilos de aprendizagem A diversidade cultural é uma das principais características da sociedade contemporânea. Ela acontece de maneira ainda mais manifesta em ambientes de cursos semipresenciais e não presenciais, nos quais são formadas classes que podem apresentar mais de seis mil alunos. Apesar de ser grande o número de pessoas, é possível dizer que cada um tem um estilo de aprendizagem particular. Quando argumentações surgem sobre características comuns, elas podem identificar grupos de pessoas com “características semelhantes”, mas que não são totalmente iguais. McLeod (2013) tem diversas propostas, todas elas com origem nos estudos de Kolb (1984). Esses estudos foram desenvolvidos em 1984 e agora são revisitados por este pesquisador, sob a luz de uma evolução tecnológica sem precedentes e que muda comportamentos e atitudes em praticamente todas as áreas do conhecimento humano. O que diferencia dois alunos entre si são os processos cognitivos internos de cada um deles, que acontecem de forma diferenciada. A aprendizagem ocorre quando se efetivam a aquisição e a compreensão de conceitos abstratos e desenvolve-se a capacidade de imaginação em suas diversas formas de aplicação, em situações analisadas em diferentes contextos. O próprio Kolb (1984) afirma que a aprendizagem é um processo pelo qual o conhecimento é criado mediante a transformação da experiência.

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Os conceitos psicológicos se entremeiam em cada uma das colocações efetuadas neste capítulo. Vejamos:

• a partir da experiência concreta é que se reinterpreta a experiência, sob a luz do conhecimento anterior do aprendiz. Esta interpretação está completamente ligada a aspectos psicológicos;

• da

observação à reflexão, é possível sugerir o desenvolvimento pessoal de acordo com as características de cada um. Tal desenvolvimento pode sofrer influências externas, tal como a criação de um ritual para que a reflexão venha à tona;

• daqui para a conceituação, formula-se uma nova ideia ou a alteração de algum conceito abstrato que o aprendiz detinha anteriormente, outra característica da aquisição do conhecimento ligada diretamente aos aspectos psicológicos de motivação e forma de fazer as coisas; e

• finaliza o processo a aprendizagem eficaz. Assim, trabalhamos em uma perspectiva de experiência, observação, reflexão e formatação de conceitos abstratos. Em cada uma das etapas o trabalho com aspectos psicológicos individuais pode trazer diferentes resultados.

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ARA SABER MAIS! Amplie um pouco mais seu acervo sobre processos de construção do conhecimento na leitura do texto sugerido abaixo, no qual a pesquisa, a obtenção de dados, a transformação de dados em informações, o tratamento da informação e a aquisição de conhecimentos, a partir da informação preparada para uma determinada finalidade, são questionados. Sobre o processo de construção do conhecimento: “O papel do ensino e da pesquisa”. Autoria de Vera Rudge Werneck. Está disponível no site http://www.scielo.br/pdf/ensaio/v14n51/a03v1451.pdf

Os estudos de Kolb (1984) não estabelecem um conhecimento dado como acabado e definitivo. Ao contrário, eles são uma orientação para a continuidade de estudo que permita reunir um conjunto de técnicas de motivação psicológica. Elas são escolhidas e determinadas para que o aluno possa, por ele mesmo, ou com ajuda externa, descobrir a forma como aprende. A identificação das inteligências predominantes entre o universo das inteligências coletivas é uma dessas técnicas psicológicas. Por exemplo, quando é detectado que um aluno tem uma inteligência ligada ao visual, a aprendizagem com o uso de vídeos, imagens e gráficos pode ser-lhe mais produtiva. Quando a pessoa conhece o seu estilo próprio de aprendizagem, torna-se mais fácil desenvolver a atividade de orientação, pois então pode ser utilizado o método por ela preferido. O assunto centra-se em uma atividade de estímulo a que o aluno


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utilize o seu estilo de aprendizagem preferido. Kolb (1984) apresenta os quatro estilos mais comumente observados em grupos heterogêneos de alunos:

• Divergente

(CE - Concrete Experience) – cujos componentes são capazes de olhar para as coisas a partir de diferentes perspectivas. Estas experiências são adequadas para o desenvolvimento de atividades de brainstorming, por exemplo, para as quais os alunos apresentam um interesse mais efetivo;

• Assimilativo

(RO - Reflective Observation) – Caracterizado pelas pessoas que assistem e desenvolvem na sequência atividades de reflexão. Neste caso, abordagens concisas e lógicas são mais importantes. Os assimilativos são menos focados em pessoas e mais interessados em conceitos e ideias abstratas;

• Convergente

(AC – Abstract Conceptualization) - Caracterizado pelo fazer e pensar, que são facilmente adequados a propostas de solução de problemas e que utilizam a aprendizagem para encontrar soluções para questões práticas e relacionadas com seu trabalho profissional;

• Acomodativo (AE – Active Experimentation) – Caracterizado pelo fazer e sentir, baseado mais na intuição do que na lógica. Cada um desses grupos age de forma diferente. Assim como ocorre com as inteligências múltiplas, uma mesma pessoa pode apresentar diferentes características, sempre com uma predominante. Esta conclusão orienta os professores a se assegurar de que as atividades concebidas oferecem ao estudante a flexibilidade de escolher a maneira pela qual irá resolvê-las, sendo indicada como mais eficiente a abordagem da aprendizagem baseada em problemas.

5. Psicologia e novas tecnologias: união de esforços ou confronto de ideias? Um dos principais desafios para a psicologia na pós-modernidade é a compreensão dos processos educacionais, agora tornados mais complexos com a intervenção de novas formas de mediação (midiática, tecnológica, social) na atividade de ensino e aprendizagem. A quebra de paradigmas, que traz consigo a exigência da efetivação de novas formas de comunicação entre os agentes educacionais, pode ser considerada como a grande responsável pela inserção dessa complexidade. Quando falamos em comunicação, incentivo, motivação, aspectos envolvidos, nos colocamos diretamente ao lado de questões psicológicas. Não se trata da psicologia da educação, mas sim da psicologia aplicada aos agentes educacionais, para que possam ser obtidos melhores resultados nas atividades de ensino e aprendizagem.

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Este livro aborda o conceito de psicologia e os principais campos de atuação da psicologia moderna, apresentando como ela pode e deve ser aplicada à educação, além de ilustrar a utilização das novas tecnologias na educação associadas à psicologia.


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