Criança, Desenvolvimento e Aprendizagem

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CRIANÇA, DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM


CRIANÇA, DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM


Apresentação

Apresentação Um conteúdo objetivo, conciso, didático e que atenda às expectativas de quem leva a vida em constante movimento: este parece ser o sonho de todo leitor que enxerga o estudo como fonte inesgotável de conhecimento. Pensando na imensa necessidade de atender o desejo desse exigente leitor é que foi criado este produto voltado para os anseios de quem busca informação e conhecimento com o dinamismo dos dias atuais. Com esses ideais em mente, nasceram os livros eletrônicos da Cengage Learning, com conteúdos de qualidade, dentro de uma roupagem criativa e arrojada. Em cada título é possível encontrar a abordagem de temas de forma abrangente, associada a uma leitura agradável e organizada, visando facilitar o aprendizado e a memorização de cada disciplina. A linguagem dialógica aproxima o estudante dos temas explorados, promovendo a interação com o assunto tratado. Ao longo do conteúdo, o leitor terá acesso a recursos inovadores, como os tópicos “Atenção”, que o alertam sobre a importância do assunto abordado, e o “Para saber mais”, que apresenta dicas interessantíssimas de leitura complementar e curiosidades bem bacanas, para aprofundar a apreensão do assunto, além de recursos ilustrativos, que permitem a associação de cada ponto a ser estudado. Ao clicar nas palavras-chave em negrito, o leitor será levado ao Glossário, para ter acesso à definição da palavra. Para voltar ao texto, no ponto em que parou, o leitor deve clicar na própria palavra-chave do Glossário, em negrito. Esperamos que você encontre neste livro a materialização de um desejo: o alcance do conhecimento de maneira objetiva, concisa, didática e eficaz. Boa leitura!

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Prefácio

Prefácio A psicologia pretende explicar o que as pessoas pensam e sentem. Não é uma ciência fácil. Afinal, tentar entender a mente do ser humano não é algo simples de se fazer. Justamente pela complexidade de que esta ciência se reveste é que se identifica a sua importância nos mais diversos campos das relações interpessoais. Neste material, no entanto, a psicologia será estudada para compreender a importância da Criança, do desenvolvimento e da aprendizagem sob dois vieses: a primeira delas é a Psicologia do Desenvolvimento, que tem por objeto explorar os fenômenos comportamentais individuais, descrevendo as capacidades, potencialidades, limitações, ansiedades e angústias típicas de cada faixa etária do ser humano. A segunda é a Psicologia da Aprendizagem, área da psicologia que observa, investiga, registra e analisa o processo por meio do qual o ser humano se apropria das formas de pensar e do conhecimento proveniente da experiência humana a partir da interação social. Para que o estudo possa atingir o seu importante objetivo, ele foi dividido em 4 partes. A primeira explora os conceitos principais dessas duas vertentes da psicologia, passando pelas filosofias de Aristóteles, Sócrates, Platão e Descártes até chegar a Edward Thorndike, Burrhus Frederic Skinner e Edwin R. Guthrie, psicólogos que incentivaram e orientaram a influência da psicologia no processo de desenvolvimento do indivíduo. Na segunda unidade o leitor conhecerá, um pouco, como os seres humanos aprendem e quais são as suas fases evolutivas. A terceira unidade trata dos objetivos da avaliação, trazendo uma importante reflexão acerca desse processo, quais os tipos de avaliação existentes atualmente, quais as normas e técnicas para construção de avaliação e os benefícios do processo de avaliação. Finalmente, na quarta unidade, uma importante e abrangente reflexão sobre a afetividade, aprendizagem e avaliação, a importância do feedback na vida do aluno e a postura a ser adotada pelo educador no processo de avaliação. Trata-se de um contexto sucinto, porém, importante para compreender a importância da psicologia no desenvolvimento do indivíduo.

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Unidade 1 – Psicologia da educação e do desenvolvimento

UNIDADE 1

PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO E DO DESENVOLVIMENTO

Capítulo 1 O que é Psicologia, 10 Capítulo 2 O que a Psicologia investiga?, 12 Capítulo 3 A psicologia do desenvolvimento na aprendizagem, 17

Glossário, 26

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1. O que é Psicologia? Psicologia é a ciência que visa a compreensão e o esclarecimento a respeito da mente humana. Essa ciência aventura-se a decifrar a nossa mente, o que temos de mais secreto e íntimo, o lugar em que guardamos nossos pensamentos e desejos mais íntimos. A palavra Psicologia, em sua bruta essência, significa o estudo da alma. Trata-se do estudo de nossas funções mentais, como a cognição, além de atitudes, comportamentos, personalidade e reações e relações interpessoais e, também, da maneira como agimos e sentimos. Compreende-se por ser uma ciência complexa, que tenta compreender a subjetividade e o comportamento humano. Essa ciência surgiu na Grécia antiga, com as dúvidas dos filósofos. Para eles, todas as coisas – o ar, a terra, a água, a luz do sol, o amanhecer, o mundo, a alma, o homem – deveriam ter um sentido, uma compreensão, um motivo de existência. Comportamentos, pensamentos e palavras deveriam ter uma definição, um significado, indicando como a nossa mente funcionava. E assim pensavam os antigos filósofos: indagando-se, como crianças na fase dos “por quês”. Os filósofos gregos eram poetas imaginativos. Não podemos distingui-los como cientistas, pois tudo o que queriam elucidar e tentar descrever eram indagações, hipóteses e pensamentos que surgiam de um senso comum, termo este que pode ser definido como algo dito, pensado e observado pelas pessoas.


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Encontramos no Brasil colonial um bom exemplo para explicar o que é senso comum: o leite era uma bebida rara – somente os senhores de engenho e as pessoas que moravam na casa grande podiam desfrutar e saborear esse precioso néctar. Como não se permitia nem se queria que escravos consumissem leite, e como nos pomares das fazendas havia abundância de manga, os senhores do engenho espalharam a ideia de que fazia mal tomar leite com manga, o que se tornou um “senso comum”, ou seja, um mito, uma crendice que se mantém viva até hoje. Para uma ideia se tornar senso comum, é relativamente simples; entretanto, para se tornar científica, ela carece de uma fundamentação empírica, ou seja, a ideia deve ser provada por meio de experiências e de estudos devidamente comprovados. Tantos questionamentos e inquietações, como os dos filósofos antigos, necessitam ser explicados com base em conceitos e métodos científicos. Nesse sentido de busca do real e do abstrato, a Psicologia é uma ciência nova de estudo do indivíduo. Sua abordagem e seus conhecimentos não são processos fechados ou prontos. Então, vamos compreender o homem: diferente dos animais, o homem é um ser em constante transformação, na medida em que procura encontrar e ultrapassar seus limites em seu espaço físico e psíquico. Ele é impulsionado a desafiar novas conquistas, novas formas de ver e de se posicionar no mundo em que vive. Movido por seus desejos, sentimentos, moralidade, racionalidade, pensamentos e atitudes, os quais estão sempre o impulsionando e desafiando para novas conquistas e aventuras, o homem vai transformando-se e modificando o mundo que o cerca, compondo e formando a personalidade humana. Assim, sendo um ser que tem consciência, o homem se diferencia dos animais, tendo a capacidade de analisar os próprios atos e práticas, mas estando sempre à procura e em busca de algo a mais, de alguma coisa que desafie os seus próprios limites. Em razão de vários fatos e fatores, sejam eles sociais, culturais, psicológicos ou biológicos, o homem é um ser complexo e influenciável. A Psicologia, portanto, não pode ser uma ciência fechada. O homem é um sujeito ímpar. Nenhuma pessoa é igual a outra; cada uma tem o seu jeito, a sua maneira de pensar para tomar suas atitudes. Por esse motivo, não existe um padrão de desenvolvimento humano linear, isto é, não podemos e nem devemos padronizar o indivíduo. A partir de 1879, o pai da psicologia científica, um cientista alemão chamado Wilhelm Wundt, procurou entender como funcionava a consciência – a mente humana. Em meio a tantos questionamentos, em variadas situações ocorridas em seus experimentos sobre o comportamento humano, ele acabou criando as primeiras teorias, ou seja, os primeiros métodos de estudo e conceitos sobre o comportamento e desenvolvimento do ser.

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Vamos, neste momento, compreender como a ciência da Psicologia estuda sem se libertar de seus conhecimentos, de sua origem na Grécia antiga e de seus filósofos. O objetivo principal da Psicologia é o de investigar os processos e estados conscientes e inconscientes, permitindo que se tenha um conhecimento abrangente do homem em relação ao mundo que o cerca. Homem e ciência modificam-se, e a Psicologia não poderia ser definida como apenas uma pesquisa sobre a alma e da psique humana, pesquisa essa que não se limita ao estudo de algo abstrato, e sim de um estudo concreto. Trata-se de um estudo real, a partir do qual se passaram a desenvolver teorias, isto é, um conjunto de conhecimentos capazes de serem explicados.

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ARA SABER MAIS: O termo “psique” tem origem na mitologia grega, quando se estudava a compreensão da alma e sua relação com a Psicologia, que é o estudo da mente humana.

2. O que a Psicologia investiga? A Psicologia aventura-se a investigar e esclarecer sensações e comportamentos; uma verdadeira comparação e comprovação entre a subjetividade e a objetividade na psique humana. Seu principal objetivo é o estudo da mente humana. A fim de desvelar suas inquietações acerca de si mesmo e do outro e explicar ações e comportamentos, algumas teorias foram desenvolvidas. Será relevante conhecê-las, para saber de onde surgiram algumas das ideias da Psicologia que são defendidas nos dias hoje, como o estruturalismo, o funcionalismo e o associacionismo. Estruturalismo: Método de observação desenvolvido no século XX, cujos estudos foram elaborados a partir de dados de observação e compreensão


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da subjetividade e das relações humana, e teve por objetivo investigar como se organizava essa estrutura e como os sujeitos interagiam nessa unidade, fosse dentro ou fora do sistema organizacional, ou seja, a sociedade e os sujeitos e suas inter-relações no espaço que ocupam. Qualquer alteração nessa estrutura caracterizada pelas relações humanas poderá provocar uma transformação na organização formal. Cada indivíduo, na sociedade, tem direitos e deveres a desempenhar no espaço em que vive e em suas relações, sejam elas sociais, políticas ou culturais. Como abordamos, o objeto de estudo do estruturalismo é a subjetividade, a consciência humana, e seu método de estudo é a observação, a análise das estruturas das conexões da mente por meio das partes que as formam e se constituem. Funcionalismo: Essa teoria procura estudar o processo dos atos mentais, o modo de pensar. Para a Psicologia, a mente deve ser estudada no intuito de descobrir para que serve e qual é a sua função. Está centrada nos processos que buscam as funções da consciência da mente humana, as do comportamento humano e de sua relação e adaptação com o meio. Como abordamos, objeto de estudo do funcionalismo é a consciência que representa as experiências, as funções e os fenômenos da vida mental. Associacionismo: Teoria da conduta, segundo a qual a vida tem o sentido de adaptação por um processo contínuo de associações de ideias, partindo das mais simples para as mais complexas. Baseava-se na lei do efeito, em que as atitudes que tomamos e que obtivemos êxito serão lembradas e aquelas em que fracassamos serão eliminadas ou esquecidas. Podemos, então, refletir e compreender que não existe uma só teoria, mas várias. A Psicologia não é uma ciência fechada, assim como o homem, que é um ser em eterna transformação, quebrando paradigmas, ou seja, modelos e padrões. Nos estudos das ciências, podemos cauterizar de Paradigmas Científicos. Assim, investigadores e cientistas estão sempre rompendo modelos e ideias. Com tantas e para tantas indagações e inquietações, surgem as correntes teóricas. Elas possuem a finalidade de elucidar os principais conceitos e correntes do comportamento subjetivo e objetivo em suas variadas formas. Na verdade, são muitas as teorias, e elas se organizam dentro dessas correntes ou paradigmas. No caso da Psicologia, cada paradigma busca explicar o “por quê” e o “para quê”, e a maneira como o ser humano se desenvolve em seus comportamentos, sentimentos, relacionamentos, pensamentos e atitudes.

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ARA SABER MAIS: A importância de se estudar as teorias visa a compreensão e a investigação do comportamento, bem como o entendimento da objetividade da consciência humana – a mente – diante de uma realidade ou situação.

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Assim sendo, apresentaremos, a seguir, três correntes teóricas ou paradigmas na Psicologia contemporânea: a abordagem psicanalítica, a behaviorista e a da gestalt.

Abordagem psicanalítica O representante dessa abordagem, Sigmund Freud, pesquisou a vida mental e investigou as regiões mais confusas da mente humana, que são o consciente, o inconsciente e o pré-consciente. • Consciente: É a capacidade de percepção de nossas atitudes à lembrança de um sonho, e o ato de pensar, do raciocínio à memória. • Inconsciente: É o que a nossa mente não tem lembrança, como as falhas de memória; é o homem, em seu interior mais profundo. Essa área é constituída pelos nossos desejos, consistindo uma zona mais obscura do ser humano, como os nossos instintos. • Pré-consciente: Trata-se do nosso subconsciente, é a lembrança, por exemplo, do que comemos e do que fizemos no dia anterior à memória. A abordagem psicanalítica tinha como principal objetivo investigar as atitudes traumáticas mais escondidas em seus conflitos emocionais e, em especial, as forças do inconsciente, que determinam o comportamento humano. Essa abordagem, postulada por Freud, retrata a dinâmica do psiquismo humano, do inconsciente – uma área que exerce forte influência em nossa personalidade. Nessa busca de compreensão, rastreando essa teia, essa trama, que é a mente humana, do consciente e o inconsciente, Freud propôs o conceito de id, ego e superego. • Id: Espaço da mente em que se encontra toda a emoção; assim como os desejos e o prazer, seu papel é obter satisfação, é ter e possuir sempre relacionado à libido. O id localiza-se em nossa mente inconsciente, e suas ações não levam em conta a realidade, a noção do real – ele age de uma forma subjetiva, não conhecendo o que é certo e o que é errado. As crianças até 3 anos de idade têm, em sua personalidade, o Id aflorado, pois são puro desejo, são egocêntricas, não conseguindo equilibrar o seu “eu quero”, “é meu” com o mundo real em que estão envolvidas. • Ego: Lugar de nossa mente no qual se encontra a realidade. Estabelece o equilíbrio e o bom senso. Apesar de encontrar-se no limite do inconsciente, suas atitudes e ações são estabelecidas pelo consciente. O Ego é contra o desejo dos impulsos sem limites do ID. O ego, como membro da personalidade, tem a função básica de controlar a percepção e a noção de nossas ações.


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• Superego. É o componente inibidor dos impulsos dos desejos do id, que não conhece a moralidade. Atua como regulador de normas, valores e regras, do conceito de certo e errado, e do que é ou não é permitido. Atua também como autorregulador do ego, controlando-nos e, ao mesmo tempo, impulsionando-nos para um desejo de perfeição. A função social da personalidade está localizada entre o consciente e o pré-consciente.

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ARA SABER MAIS: O id, o ego e o superego são conceitos que Freud elaborou para caracterizar a nossa personalidade, mas são fatores distintos e interdependentes, cada um tendo função e papel próprio.

Abordagem behaviorista Essa abordagem, também conhecida como comportamentalismo, tem por objetivo descrever e analisar o comportamento, ou seja, a conduta, o modo de agir e as atitudes humanas. Entretanto, o behaviorismo não é uma ciência, propriamente dita, caracterizando-se por ser uma filosofia que trata da nossa existência, da verdade, dos valores morais, da nossa mente e do nosso comportamento. O behaviorismo pode ser apresentado em três formas de observação e mensuração: • Behaviorismo metodológico ou clássico: Acredita que é possível controlar e prever a conduta humana, afirmando que, se a mente ou eventos mentais existem, estes não são apropriados para um estudo científico. O comportamento é observável pelo outro. Essa corrente teórica visa o comportamento, as interações entre o sujeito e o espaço em que ele vive. • Behaviorismo metafísico: Afirma que mente ou eventos mentais não existem; portanto, não podem ser observados nem mensurados. • Behaviorismo analítico: Ao citar a mente ou eventos mentais, pressupõe-se que estes possam ser analisados e observados. Contudo, para o behaviorismo e suas formas de observação do comportamento humano, o homem é visto como um ser orgânico, ou seja, um ser que, em sua conduta, responde aos estímulos e às reações provenientes do mundo que o cerca. Nessa corrente, o processo de aprendizagem pode ser visto como uma forma de aprender por condiciona-

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mento, ou seja, que o homem pode aprender se for condicionado, que o sujeito pode ser moldado. No behaviorismo, o processo da aprendizagem caracterizou-se e evoluiu a partir de quatro princípios de desenvolvimento do conhecimento: • Empirismo: Esse princípio diz que fonte e processo de conhecimento ocorrem por meio de experiências, de como o indivíduo se comporta ao aprender com o outro, em seus experimentos, tendo a aprendizagem sustentada pela observação. • Determinismo: Esse princípio diz que, no processo de aprendizagem, qualquer evento é determinado pelo comportamento do sujeito. • Parcimônia: Esse princípio diz que, diante de duas explicações iguais, o sujeito construirá seu conhecimento optando pela mais simples. • Manipulação científica: Esse princípio diz que os resultados do processo de construção do conhecimento devem ocorrer por meio de experimentos, que demonstram a validade, o que e como, de fato, se chegou ao resultado. Nesse sentido, compreende-se que todo comportamento e conduta de um indivíduo podem ser aprendidos, observados e mensurados, e que o processo de aprendizagem é relevante para os behavioristas.

Abordagem da Gestalt Essa corrente teórica caracteriza-se por algumas leis que regem o nosso comportamento, a nossa percepção e a conclusão de ideias para tornar concreto o que aprendemos e percebemos. A Gestalt, ou Psicologia da Configuração, deriva-se de “concreto”, trazendo esse significado em sua formação. Surgida no século XX, sua função é tornar explícito aquilo que não pode ser visto, mergulhando no inconsciente para descobrir o que se encontra subentendido. E para que serve a corrente teórica da gestalt? Os gestaltistas estão sempre procurando e observando reações e percepções emocionais em suas variadas formas, tornando claro aquilo que poderia estar oculto, que se apresenta de forma inteira na mente, e está sempre buscando uma solução mais simples para fatos e coisas que ocorrem em nosso cotidiano. Essa teoria nos ajuda a resolver os problemas comuns em nossa vida, ou seja, leva-nos a olhar para o todo e não para as partes. Podemos caracterizar algumas leis básicas dessa corrente teórica, são leis que descrevem o procedimento do cérebro ao processo de percepção: Lei da semelhança: De acordo com essa lei, coisas semelhantes se agrupam entre si, como por exemplo, cores, formas, peso.


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Lei da proximidade: De acordo com essa lei, os elementos próximos tendem a se juntar, ou seja, eles se agrupam. Lei da continuidade: De acordo com essa lei, a percepção tem uma direção a seguir, um caminho a ser traçado, uma lógica contínua. Lei da pregnância: De acordo com essa lei, todas as formas tendem a ser percebidas em sua simplicidade; objetos e situações podem ser vistos da forma mais simples possível. Lei da experiência passada: Essa lei, relaciona-se com o pensamento, no processo principal da percepção considerando a forma como ela ocorre. Lei do fechamento: De acordo com essa lei, as formas das situações se completam, se fecham e se organizam entre si e sobre si mesma. A importância em se compreender a psicologia da Gestalt reside em observar que o sentido de figura e forma pode ser usado em nosso cotidiano, como uma maneira de percepção e de observação do meio em que vivemos e da nossa relação com o outro, ou seja, enxergando, em uma sequência lógica, o todo e não as partes, assim como se pode ver a maneira racional de solução de um problema ou como um livro tem papel e letras que podem ser compreendidos e ter um significado e uma significância. Contudo, vimos que várias abordagens, como as teorias e correntes teóricas da Psicologia, têm um espaço e um significado para que possamos decifrar ou compreender um questionamento, uma percepção, um comportamento e uma reflexão na conduta do desenvolvimento humano.

3. A psicologia do desenvolvimento na aprendizagem A psicologia do desenvolvimento nos esclarece e nos ajuda a compreender como ocorre o desenvolvimento mental e o comportamento cognitivo, social e afetivo ao longo da vida. É sempre uma fonte esclarecedora para o estudo do comportamento humano. No processo de ensino e aprendizagem, contribui com o cotidiano dos educadores em suas práticas e metodologias, assim como em sua relação com os educandos. O ser humano, como vimos, está sempre em processo de evolução, seja biológico, seja físico. Assim, a psicologia na educação ajuda a compreender como ocorre o desenvolvimento da aprendizagem, encaminhando o educador para um caminho em sua prática pedagógica, o qual consiste de duas abordagens: O que é ensinar e como ocorre a aprendizagem no desenvolvimento; e a prática pedagógica no desenvolvimento da aprendizagem.

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Primeira abordagem: o que é ensinar e como ocorre a aprendizagem no desenvolvimento? Para tratar disso, temos de voltar um pouco no tempo. Sócrates acreditava que aprendíamos por meio do questionamento, levando as pessoas a refletir e a descobrir a verdade por si próprias. Sendo assim, com a descoberta de nossos questionamentos, contradições e reflexões, por vezes errados, chegamos ao novo. É com a dedução que o conhecimento surge. Sócrates acreditava que só aprendemos quando quebramos paradigmas. O ser que tudo sabe e que domina todo o conhecimento não é um sujeito livre, aberto a novos saberes. Para ele, o ser humano está sempre na fase de evolução emocional cognitiva, está sempre aberto para aprender e para se compreender nesse processo contínuo de aprendizagem. Em suas palavras, “este sim é um verdadeiro sábio”. Ele estabeleceu o método da maiêutica, ou seja, temos internamente o conhecimento; só precisamos saber como esse conhecimento tem de nascer, de aflorar, em nosso processo de aprendizagem. No entanto, esse processo somente acontece quando estamos dispostos a buscar algo para o nosso desenvolvimento, de modo que precisamos estar sempre motivados a aprender. Para o filósofo Platão, nós aprendemos quando a nossa alma liberta informações de vidas passadas; para ele, aprender é relembrar fatos e coisas antigas pela percepção de nossa consciência. Aristóteles, por sua vez, utilizou o método dedutivo para o processo de aprendizagem. Ele valeu-se da dedução, aplicando-a em hipóteses de questionamentos para chegar ao conhecimento por meio das experiências vivenciadas e aplicadas no cotidiano. Portanto, à luz dos filósofos, a aprendizagem caracteriza-se por uma contínua mudança de comportamentos enfrentados em determinadas situações. A aprendizagem modifica o homem em seu desenvolvimento, caracterizando-se por uma mudança, por uma atitude, seja no agir, seja no falar, pensar e refletir sobre algo que questionamos. Quando questionamos, podemos aprender por experiências, pois é nesse processo que estabelecemos uma ponte entre nossas vivências e algo que experimentamos e sentimos. Aprendemos quando nos relacionamos com o outro, quando o conhecimento dele se torna também o meu. E aprendemos ainda quando estabelecemos vínculos sociais, culturais e afetivos. Portanto, aprender é um processo permanente. Mas, para que esse processo de aprendizagem ocorra, são necessários alguns elementos de uma situação estimuladora, como a leitura, o hábito de ler, e o brincar.


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A leitura desperta o imaginário da criança nesse processo de aprendizagem. Ao incentivar a criança a ler trabalhamos a cognição, o visual, a percepção, o processo de criatividade, a oralidade e a interação com o outro e com ela mesma. Iremos nos estender um pouco mais sobre o brincar, no processo de desenvolvimento e na da aprendizagem. O brincar durante a infância estimula o processo de desenvolvimento da criança. Mais que uma ferramenta lúdica e pedagógica, é a base essencial para o desenvolvimento da aprendizagem. Ao brincar, a criança desenvolve a motricidade, ou seja, trabalha suas habilidades motoras, estimula a criatividade e a memória, e explora a realidade e a subjetividade em seu imaginário. Educadores podem trabalhar com regras e valores durante as brincadeiras. Ao brincar, a criança aprende a ser e a conhecer sobre a realidade e o mundo que a cerca. Aprende sobre situações e papéis, que podem ser invertidos, com a aluna se tornando professora e a professora, aluna, em um processo de exploração de diversas realidades e situações. O brincar potencializa o desenvolvimento emocional, cognitivo e afetivo tão importante na primeira infância. Enfim, ao brincar a criança aprende a conhecer, saber, fazer, conviver e ser. Ao brincar, estimulamos a confiança e proporcionamos o desenvolvimento da linguagem de uma forma prazerosa, pela a qual as crianças aprendem a fazer e, ultrapassando a realidade, aprendem a conviver e, sobretudo, a ser. Além de estimular a curiosidade, a autoconfiança e a autonomia, brincar proporciona o desenvolvimento do pensamento, da concentração e da atenção.

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É brincando que se aprende, e é com o outro que estabelecemos as primeiras organizações sociais. Ao olhar atento do educador, as crianças, enquanto brincam, podem expressar suas dificuldades e ansiedades. O brincar, nessa fase, torna-se a principal atividade da criança, pois constrói uma realidade que é só dela e sua capacidade de adaptação ao meio. O brincar é uma atividade completa, que proporciona habilidades comunicativas, solução de problemas e funções sensório-motoras. Na produção de novas possibilidades, habilidades de expressão, a criança ocupa o papel de agente fundamental de seu próprio desenvolvimento, pois é por meio desse desenvolvimento que ela constrói as aquisições necessárias para o seu avanço e aprendizado. O desenvolvimento humano está ligado às mudanças e estabilidades que ocorrem em todo o seu ciclo e ao longo da vida.


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Na fase do desenvolvimento humano, e ao brincar, a criança se aprimora e apresenta inúmeras características que a auxiliam em seu processo de observação, compreensão e interpretação, favorecendo condições para um desenvolvimento pleno e global. Brincando, a criança aprende a lidar com o mundo e forma sua personalidade, recria situações do cotidiano e experimenta sentimentos básicos. O mundo da criança é diferente do mundo do adulto. Nele, se encontram o encanto, o conto do faz de conta, da imaginação, do sonhar e do descobrir-se. É por meio das brincadeiras e da espontaneidade do brincar que a criança manifesta as diferentes impressões vivenciadas em seu contexto familiar e social. O brincar, na constituição do conhecimento e no desenvolvimento, permite à criança explorar o mundo interior e o exterior em que vive e se relaciona, o que é uma atitude importante para o seu crescimento físico e mental. A brincadeira, no processo de aprendizagem, é essencial e fundamental para que a aprendizagem se desenvolva espontaneamente. Contudo, na vida humana, esse processo não é restrito à infância. A aprendizagem ocorre durante toda a nossa vida, desde o momento em que nascemos, ou até mesmo antes dele. Logo que a criança nasce, se inicia o processo de aprendizagem, que será contínuo. Todo ser racional tem a capacidade de aprender; é por meio dela que amadurecemos em nossa cognição, ou seja, que adquirimos a capacidade de compreender. Aprendemos em vários espaços – na escola, na família, com os amigos. Em qualquer lugar que exista uma organização social, há um processo de aprendizagem permanente. Por meio da aprendizagem, o homem evolui, construindo conceitos e sua própria sobrevivência, e é nesse processo que ele se identifica, ou seja, que forma a sua identidade e compreende a sua personalidade, preparando-se e adaptando-se para viver em sociedade, e adquirindo a compreensão e o respeito pelo próprio espaço e pelo do outro. Nesse processo, as crianças, principalmente, estão em constante evolução, pois ele leva ao crescimento do comportamento infantil, fazendo a criança integrar-se cada vez mais em seu meio social e afetivo. Portanto, ensinar e aprender podem ser explicados como o processo ou a intenção de promover conhecimento, uma ação destinada a desenvolver a aprendizagem a quem se ensina e como se aprende. Há várias maneiras de aprender, seja pelos nossos erros, seja pelas nossas reflexões. A aprendizagem é um objetivo intencional que, para ser alcançado, necessita dos pilares cognitivo, emocional e motor. Mas, além desses, há outros pilares nos quais esse objetivo intencional se sustenta, quais sejam: motivação, objetividade, preparação e obstáculos.

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CRIANÇA, DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM

Esta obra aborda, dentro da psicologia da educação e do desenvolvimento, as diferentes concepções de aprendizagem, sendo elas inatismo, empirismo e interacionismo. Os leitores irão ainda ler mais sobre Piaget e as teorias de desenvolvimento relacionadas à educação infantil e à construção do conhecimento pela criança. Iremos tratar ainda dos diferentes aspectos do sociointeracionismo de Vygotsky e como Wallon trata a afetividade, a motricidade e a cognição.


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