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(Aceite para publicação em 29 de março de 2018)

PELA FLORESTA Naquele dia, D. Doninha sentia-se muito triste. A prima Didi tinha perdido o seu lugar para morar, o seu habitat, e chegara mesmo a chamuscar o pelo, num horrível incêndio florestal… as lindas árvores autóctones (pinheiros, carvalhos, sobreiros, choupos, salgueiros…) tinham ficado totalmente carbonizadas… Fazia pena ver tudo isso, passarinhos esvoaçando desorientados em busca dos seus ninhos perdidos e muitos animais mortos… D. Doninha só se salvara por ter pedido abrigo à D. Toupeira que solidariamente a conduzira ao longo dos seus túneis mais profundos até a uma saída bem longe dali… Ambas decidiram que tinham de pedir ajuda a alguém pois os inconscientes incendiários deviam ser mesmo bem castigados, na sua opinião. 1


Depois de muito tempo, acabaram por decidir ir falar com o rei vizinho, um homem com fama de ser experiente e justo nas medidas que tomava e nos conselhos que dava. Assim, puseram-se a caminho. Chegadas ao palácio real, após uma longa jornada, bateram à porta e foram atendidas por um senhor alto e bem vestido que lhes perguntou o que queriam. Ao responderem que precisavam de falar com o rei Bartolomeu por causa de uma missão, o senhor pediu-lhes que esperassem um pouco e apareceu logo de seguida para as conduzir à grande sala de audiências onde o rei se encontrava à secretária. Aproximaram-se respeitosamente e, ao vê-las, o rei fez-lhes um sinal de cumprimento e pediu que expusessem a situação que as trazia ali. Foi D. Doninha quem falou: - Bom dia, Majestade! - Bom dia! Então em que posso ajudar-vos? – perguntou o rei, gentilmente. - Alteza, nós estamos muito preocupadas com a destruição das florestas no nosso país, mesmo aqui ao lado… - Ah! Conheço parte do problema… E como tem isso acontecido? É por causa do crescimento das cidades e da construção imobiliária? Muitas casas, muito gasto de madeiras… - Só em parte, Majestade. Na verdade, a grande causa são os incêndios florestais que destroem tudo. Uma prima minha acabou de perder a casa, os amigos, tudo… - Compreendo. O fogo é mesmo devastador… Há muitos fogos por situações de descuido, não é? - Por descuido também, é verdade, mas não a maioria. Há pouca limpeza das matas e as pessoas atiram cigarros mal apagados, fazem fogueiras, deixam nas florestas lixo e objetos que favorecem o início dos incêndios… - Sim, espelhos, vidros que fazem de lentes… Mas ia a dizer que a maioria dos fogos é devida a… - A fogo posto, Majestade! É revoltante! 2


- Fogo posto? Posto por quem? - Penso que, na grande maioria, por pessoas sem personalidade e com pouco juízo que se deixam manipular por outros… - Achas então que são essas pessoas que ateiam o fogo dos grandes incêndios? - Acho, sim. Recebem meia dúzia de euros e dão um prejuízo enorme ao país e à Natureza, numa perda irrecuperável… - Percebo. Há grandes interesses económicos, indiretos, em volta disso tudo, não é? - Pois é Majestade! E, assim, a nossa terra está a ser destruída e não sabemos o que fazer… Vimos apelar à sabedoria de Vossa Alteza, em busca de uma solução… - Bem, eu compreendo a gravidade do vosso problema e vou tentar ajudar-vos. - Obrigada! - interrompeu D. Toupeira, cheia de esperança – Sabíamos que Vossa Alteza é um homem justo e sábio. Foi por isso que viemos… - Está bem, mas vou precisar de uma boa caracterização da vossa floresta… Para começar, a vossa ajuda é muito importante. - Estamos prontas! O que temos de fazer? – perguntaram, ansiosas, as duas, em uníssono. - Tenho de conhecer bem a flora, nomeadamente o tipo de plantas, como por exemplo o tipo de árvores… para saber o que pode ser feito, realmente. - Compreendo, Majestade! - assentiu D. Doninha. - Reparem! – continuou o rei. – O problema tem de ser visto pelo lado material e pelo lado social… - Não entendi bem, Majestade, peço desculpa… - interrompeu D. Toupeira. - Eu explico-vos: pelo lado social é preciso haver uma vigilância eficiente e castigos severos para os incendiários e para os mandantes… - É verdade! – retorquiu D. Doninha. – A polícia tem de investigar mais, porque são verdadeiros crimes ambientais… - Pois, e por outro lado, vou ter de conhecer bem as espécies da vossa floresta, para estabelecermos um plano estratégico do ordenamento florestal no sentido de aumentar a resistência ao fogo e ao seu alastramento… As espécies mais resistentes ao fogo podem constituir 3


barreiras. Conhecer e valorizar as espécies autóctones pode ser a chave do problema… - Espécies autóctones, Majestade? - Sim, as espécies de árvores autóctones são aquelas que existiriam naturalmente num local, sem a intervenção humana… vocês sabem que algumas pessoas levam sementes e plantas de uns países para os outros, não é? Isso também origina problemas… - Pois… E então o que teremos mesmo de fazer? – voltou a perguntar D. Toupeira, ansiosa por começar esta missão. - Terão de me fornecer dados… dados para eu poder fazer uma caraterização fiel da floresta autóctone do vosso país e da presença de espécies invasoras… Sabem o que são espécies invasoras? - In-va-so-ras – soletrou D. Toupeira, parecendo refletir - devem ser espécies que ocupam terreno que pertencia a outras, não é? - Muito bem. É isso mesmo! Ocupam todo o espaço, crescendo muito e impedindo “as donas da casa” de viver bem a sua vida. Para protegerem a vossa floresta, também deve evitar-se o crescimento de espécies invasoras que empobrecem os solos e contribuem para a redução da biodiversidade… - Tanto a fazer, Majestade! Mas vamos já começar a nossa tarefa!

… Como é para a proteção da floresta, que é de todos nós e que tanto nos dá, que tal ajudarmos a D. Doninha e a D. Toupeira a fazerem o que o rei Bartolomeu pediu? Precisamos da vossa ajuda!

Para isso, vamos ter de: 1º- investigar quais são as árvores típicas da nossa floresta.

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2º- recolher uma folha de cada uma dessas árvores, colocá-la dentro de uma folha de papel e depois dentro de um livro, durante cerca de quinze dias. 3º- ver onde podemos colá-la, bem identificada, no nosso “álbum de folhas” para a D. Doninha e a D. Toupeira levarem ao rei Bartolomeu. 4º- Na identificação de cada folha, completar os dados relativos à árvore respetiva, dizendo: a) qual o nome vulgar da árvore a que pertence a folha. b) qual o nome científico da referida árvore. c) zonas do país onde existe essa árvore, em Portugal. (podes acrescentar outros dados que aches importantes bem como desenhos teus…)

Como pista, aqui fica uma lista de árvores de Portugal Continental que poderás investigar: - Pinheiro bravo (Pinus pinaster) - Carvalho roble (Quercus robur) - Sobreiro (Quercus suber) - Azinheira (Quercus rotundifolia) - Carvalho cerquinho (Quercus faginea) - Castanheiro (Castanea sativa) - Cerejeira brava (Prunus avium) - Loureiro (Laurus nobilis) - Azereiro (Prunus lusitanica) - Teixo (Taxus baccata) - Bétula (Betula celtiberica) - Salgueiro (Salix spp) 5


- Amieiro (Alnus glutinosa) - Freixo (Fraxinus angustifolia) - Faia (Fagus sylvatica) - Choupo (Populus nigra)

Poderás investigar mais e acrescentar outras espécies à tua pesquisa, consultando o Guia Fapas “Árvores de Portugal e da Europa” (ISBN972-95951-2-7), que certamente encontrarás na biblioteca da escola ou acedendo a sites confiáveis como por exemplo www.flora-on.pt.

GLOSSÁRIO a construir: - BIODIVERSIDADE- ESPÉCIE AUTÓCTONE- ESPÉCIE INVASORA- HABITAT- ORDENAMENO FLORESTAL-

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- SUSTENTABILIDADE DA FLORESTA-

PARA RELEMBRAR…

1- Qual o problema concreto que levou as duas amigas a procurar o rei Bartolomeu? 2- Numa perspetiva de prevenção de riscos, porque considera o rei Bartolomeu que é importante conhecermos as nossas florestas? 3- Porque é que as espécies autóctones são importantes para a sustentabilidade da floresta, ao contrário do que acontece com as espécies invasoras?

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4- Investiga se há espécies invasoras a prejudicar as nossas florestas e, se possível, identifica algumas dessas espécies invasoras. Podes pesquisar em www.invasoras.pt. 5- Tira conclusões sobre a importância da biodiversidade para a vida na Terra.

In:blog-renove.blogspot.com

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Ficha técnica: Texto de Manuela Lopes Fontes de imagens: www.zazzle.com e correntes.blogs.sapo.pt

Publicação sob uma Licença Creative Commons das Ciências

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da Casa

Pela Floresta  

Recursos Educativo da Casa das Ciências disponível para download em: https://www.casadasciencias.org/cc/redindex.php?idart=303&gid=41088449

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