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SISMICIDADE NO ARQUIPÉLAGO DOS AÇORES | MÓDULO 5

Aceite para publicação em 11 de janeiro de 2012.

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SISMICIDADE NO ARQUIPÉLAGO DOS AÇORES | MÓDULO 5

FICHA TÉCNICA

Autora da Atividade: Maria Filomena Teixeira de Melo Rebelo

Licenciatura em Biologia/Geologia Mestrado em Vulcanologia e Riscos Geológicos

LICENÇA DA ATIVIDADE: Creative Commons da Casa das Ciências

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SISMICIDADE NO ARQUIPÉLAGO DOS AÇORES | MÓDULO 5

APRESENTAÇÃO O ensino das Ciências da Terra, e no caso particular da sismologia, deve ser apoiado na observação direta de produtos e processos naturais ou em experiências laboratoriais. Na impossibilidade de tal concretização, a abordagem de alguns conteúdos programáticos a partir da exploração e apresentação de diapositivos e de filmes, conduz ao levantamento de questões, facilita o diálogo e contribui para motivar os alunos, estimulando o interesse e a curiosidade pelos temas em análise. Esta apresentação em Microsoft Power Point® pode ser utilizada para motivar os alunos para o conhecimento da sismicidade no arquipélago do Açores, despertar e incutir nos alunos a premente necessidade do contributo de todos para a mitigação do risco sísmico. A par das aprendizagens dos conteúdos, pretende-se proporcionar aprendizagens de processos e de atitudes que permitam aos alunos um exercício de cidadania mais consciente e responsável e, por consequência, uma vida mais segura perante desastres naturais, como são os sismos. O aluno deve ser envolvido em situações de aprendizagem que se relacionem com as suas vivências e com o mundo real. A exploração destes diapositivos facilita a discussão e a análise dos fatores que contribuem para a elevada sismicidade no arquipélago dos Açores, conduzindo a uma interiorização da influência que a atividade sísmica tem no quotidiano dos habitantes dos Açores ao longo da sua história. Permite, ainda, que os alunos tenham a perceção que os conteúdos científicos não são algo que existe para ser meramente registado na memória, mas que podem ter um papel fundamental nas vivências das comunidade e na promoção de ações consertadas que podem contribuir para a mitigação do risco sísmico. Cientes de que o conhecimento do passado, em termos de terramotos, permitirá tomar medidas de mitigação no futuro, espera-se que estes diapositivos possam ser úteis para despertar, nos alunos, uma consciência para a mitigação do risco sísmico.

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SISMICIDADE NO ARQUIPÉLAGO DOS AÇORES

Filomena Rebelo 1/10

Módulo 1  Sismicidade Mundial  Placas Tectónicas  Enquadramento Geoestrutural  Sismicidade nos Açores  Sismicidade Histórica dos Açores

Módulo 2  Terramoto de 1522 (S.Miguel)  Relatos históricos  Características do terramoto  Movimentos de Vertente

Módulo 3  Terramoto de 1926 (Faial)  Relatos históricos  Características do terramoto  Impacto causado  Capacidade de resposta

Módulo 4  Terramoto de 1980 (Terceira)  Relatos históricos  Características do terramoto  Impacto causado  Capacidade de resposta  O lado positivo ...

Faial 1926

Faial 1998

Terceira 1980

Faial 1998

Terceira 1980

Faial 1998

Módulo 5  Terramoto de 1998 (Faial)  Relatos históricos  Características do terramoto  Impacto causado  Capacidade de resposta  O lado positivo ...

Diapositivo 1/22 Este diapositivo apresenta a organização geral do diaporama sobre a Sismicidade no arquipélago dos Açores, onde se insere este diaporama. As fotografias são alusivas aos grandes terramotos ocorridos nos Açores no século XX, cujo impacto está bem patente nas mesmas.

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Filomena Rebelo 2/22

Módulo 5  Terramoto de 1998 (Faial)  Relatos históricos  Características do terramoto  Impacto causado  Capacidade de resposta  O lado positivo ...

Terramoto de 1998 (Faial) Este terramoto é o mais recente dos eventos catastróficos ocorridos nos Açores.

Diapositivo 2/22 Este diapositivo apresenta o módulo 5, o qual carateriza, de modo sucinto, o terramoto de 9 de julho de 1998.

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Filomena Rebelo 3/22

RELATOS HISTÓRICOS “Ninguém imagina o que é estar a procurar um filho sem saber se está vivo se está morto e as pedras a caírem por todos os lados. Fiquei sem nada.” Eleutério Oliveira Correio da Horta, 10 de Julho de 1998

“... As pessoas saíram para a rua aos gritos. Era aterrador. Talvez o facto de ter ocorrido de noite tenha gerado ainda mais pânico.” Laurindo Oliveira Correio da Horta, 10 de Julho de 1998

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Filomena Rebelo 4/22

RELATOS HISTÓRICOS “…Estava só em casa e a dormir num sótão junto ao tecto e senti uma coisa monstruosa...A reacção das pessoas foi de pânico geral,...juntámo-nos para desenterrar um moço que estava soterrado e todos tentavam ajudar-se mutuamente.” José Alberto Correio da Horta, 10 de Julho de 1998

“… O tecto começou a cair, a minha mulher gritou,... Saímos todos por uma fresta. Foi uma coisa horrível.” José Silveira Correio da Horta, 10 de Julho de 1998

Diapositivos 3 e 4/22 A análise e interpretação dos relatos publicados no jornal “Correio da Horta” permitirá aos alunos identificarem as consequências do mesmo na população da ilha do Faial. Ao contrário dos relatos sobre os terramotos já estudados, estes não referem propriamente caraterísticas do sismo, mas dão mais informação sobre o impacto causado.

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Filomena Rebelo 5/22

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CARACTERÍSTICAS DO TERRAMOTO Duração: 15s Hora local: 5h 16m. Intensidade máxima: VIII na Escala de Mercalli Modificada. Profundidade do Foco: Magnitude: 5,8 na Escala de Richter

Carta de isossistas de 9 de Julho de 1998 (in Senos et.al., 1998).

Diapositivo 5/22 No dia 9 de julho de 1998, às 05h16m, ocorreu um terramoto com epicentro, no mar, a cerca de 7,5 km a NE da Ponta da Ribeirinha, ilha do Faial, que alcançou uma magnitude (Md) de 5,8. Atingiu a ilha do Faial com intensidade máxima de VIII na Escala de Mercalli Modificada (MM-56). Nas ilhas do Pico e de S.Jorge atingiu, respetivamente, intensidades máximas de VII e de V (Senos et al., 1999). Foi ainda sentido nas restantes ilhas do arquipélago, à exceção das Flores, Corvo e Santa Maria. Este sismo foi precedido de um de menor intensidade às 05h01m, o qual foi sentido, na ilha do Faial, com intensidade máxima de III na Escala de Mercalli Modificada (MM-56) e Magnitude Local (ML) de 3,7.

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Filomena Rebelo 6/22

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CARACTERÍSTICAS DO TERRAMOTO SISMOGRAMAS

Registo da Estação de Santa Maria (PSMA).

Registo da estação sismológica dos ROSAIS (Coutinho, 2000).

Dados do SIVISA

Registo das Estações Faial-Pico (PCAN, PCED,HOR).

Diapositivo 6/22 Neste diapositivo podem observar-se vários sismogramas do evento principal do dia 9 de julho de 1998. Os registos são de estações diferentes, sendo o primeiro da esquerda da estação dos Rosais e os da direita da estação de Santa Maria (em cima) e de estações digitais do Faial e do Pico (em baixo), onde se pode observar a saturação dos registos em todas as componentes.

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Filomena Rebelo 7/22

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CARACTERÍSTICAS DO TERRAMOTO Localização do Epicentro:

Carta epicentral relativa ao ano que antecedeu o terramoto (SIVISA, 1997/1998).

Localização do epicentro e distribuição espacial dos epicentros dos eventos que se seguiram (SIVISA, 1998).

Diapositivo 7/22 Na figura da esquerda pode observar-se a carta epicentral relativa ao ano que antecedeu o sismo de 9 de julho de 1998, onde se projetam os epicentros de eventos registados na rede do Grupo Central do Sistema de Vigilância dos Açores (SIVISA). O enquadramento sismológico, em que este último se desenvolveu, centrou-se fundamentalmente ao longo da Crista Médio-Atlântica, a W do Faial, na zona onde se desenvolveu a crise sísmica de 19921993, na zona do canal Faial-Pico e a W da Graciosa, no domínio da designada Fratura Norte dos Açores (Coutinho, 2000). Na figura da direita observa-se a localização epicentral do evento principal e das respetivas réplicas. Foram sentidas milhares de réplicas, com epicentros localizados na área. A localização dos epicentros é bastante diversa, com alguns em terra (na ilha do Faial e poucos no Pico), sendo a maioria das réplicas localizadas no mar, próximo do epicentro do sismo principal. Segundo Góngora Gonzalez (2004), pode observar-se, nesta crise, um padrão de comportamento típico evento principal-réplicas, em que a crise se inicia com o sismo principal, seguido por numerosas réplicas que vão diminuindo em número à medida que o tempo passa.

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Até setembro de 2004, foram registadas mais de 15.800 réplicas, dessas, cerca de 12.000 só no primeiro ano. Os resultados dos inquéritos de macrossísmica permitiram identificar a ocorrência de aproximadamente 555 sismos sentidos até setembro de 2004, 450 dos quais no primeiro ano (SIVISA, 2004).

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Filomena Rebelo 8/22

CARACTERÍSTICAS DO TERRAMOTO CARTAS DE ISOSSISTAS

Carta de isossistas,com mais pormenor, do sismo principal nas ilhas do Pico e do Faial (Senos, 2001).

Diapositivo 8/22 A ilha mais afetada foi a do Faial, tendo-se atingido uma intensidade máxima de VIII na Escala de Mercalli Modificada (MM56) na região da Ribeirinha, Espalhafatos e Salão. Verificaram-se em algumas zonas, intensidades anormais relativamente à região circundante, como aconteceu com o casos dos Flamengos, onde a intensidade máxima foi VIII numa zona de intensidade VII (Pena et al., 2001; Senos, 2001), e também na Lombega onde foi observada uma intensidade máxima de VII, numa zona de intensidade V (Senos et al., 1999). A ilha do Pico foi a segunda ilha mais afetada, onde se atingiu a intensidade máxima VII na zona de Valverde e Almagreira (Senos et al., 1999), verificando-se também zonas de intensidades anómalas, como Valverde inserida numa região de intensidade VI e Almagreira numa área com intensidade V (Nunes et al., 1999; Senos, 2001). Na ilha de S. Jorge a intensidade máxima atingida foi V (MM-56) na região dos Rosais. Foi sentido em toda a ilha Graciosa, com intensidade máxima IV, assim como na zona ocidental da Terceira.

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Filomena Rebelo 9/22

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CARACTERÍSTICAS DO TERRAMOTO CARTAS DE ISOSSISTAS

Carta de isossistas do sismo de 1998, resultante da reinterpretação dos dados à luz da Escala macrossísmica Europeia (EMS-98) (Silva,2005).

Carta de isossistas do sismo de 1998,para as ilhas do Faial e Pico, resultante da reinterpretação dos dados à luz da Escala macrossísmica Europeia (EMS-98) e respectiva localização epicentral (Silva,2005).

Diapositivo 9/22 Silva (2005) apresenta a carta de isossistas reinterpretação feita à luz da escala EMS-98.

resultante

da

A zona mais afetada foi a da Ribeirinha, incluindo a localidade de Espalhafatos, onde foram observados danos do nível 4 e alguns de 5, correspondentes a uma intensidade VIII (EMS-98). Os danos foram ligeiramente inferiores nas freguesias do Salão e Pedro Miguel, observando-se danos de nível 4 e 3 e alguns de 5, o que corresponde ao grau VII a VIII (EMS-98). Nas freguesias dos Cedros e Flamengos atingiu uma intensidade VII (EMS-98), tendo sido reportados danos de nível 3 e 4. Constatou-se uma anomalia positiva, no local da Lombega (freguesia de Castelo Branco), com intensidades VI a VII (EMS-98). Nas freguesias da Praia do Almoxarife, Conceição, Matriz, Feteira e Angústias os danos foram menos avultados registando-se, no entanto, danos de nível 2 e 3, estimando-se uma intensidade VI (EMS-98). Para a freguesia de Praia do Norte ocorreram danos ligeiros a moderados de nível 1 ou 2, correspondendo a uma intensidade de V a VI (EMS-98). Nas restantes freguesias de Castelo Branco, Capelo e Norte Pequeno os danos foram inferiores, estimando-se uma intensidade não superior a V (EMS-98) (Silva, 2005). Os danos foram menores na ilha do Pico, não ultrapassando o grau VI (EMS-98) e considerando-se danos de nível 2, e alguns de nível

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3, na Madalena, a localidade mais próxima do epicentro (Silva, 2005).

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Filomena Rebelo 10/22

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CARACTERÍSTICAS DO TERRAMOTO A CRISE SÍSMICA

Durante os meses que se seguiram ao evento destruidor, observou-se uma crise sísmica em que foram registadas cerca de 10 600 réplicas das quais 410 foram sentidas até finais de Outubro de 1998 (SIVISA; Senos et al., 1998).

Diapositivo 10/22 No gráfico da figura da esquerda, apresenta-se a frequência de eventos sísmicos ao longo dos anos de 1998 e 1999, relacionados com a atividade que se iniciou a 9 de julho de 1998. Da análise do gráfico, verifica-se que a maioria dos eventos ocorreu no primeiro mês, registando-se um decréscimo acentuado após o início da crise, entrando-se, de seguida, num período relativamente estacionário, embora com níveis de atividade muito superiores aos normais. No gráfico da direita apresenta-se o total de sismos registados e sentidos.

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Filomena Rebelo 11/22

IMPACTO CAUSADO O terramoto de 1998 causou avultados danos nas ilhas do Faial e do Pico, nomeadamente no parque habitacional, na rede rodoviária, em pontes e nos sistemas de abastecimento de água. Tabela 5 – Vítimas

Tabela 6 – Danos Materiais (Dados estatísticos do CPR*)

Fonte

Mortes

Feridos

Ilha

Nº de Fogos

Fogos Danificados

Fogos Destruídos

Coutinho, 2000

9

Mais de uma centena

Faial

4240

2282

866

Pico

4465

897

207

Total

8705

3199

1073

* Centro de Promoção da Reconstrução

Diapositivo 11/22 Na sequência do terramoto de 9 de julho de 1998 perderam a vida 9 pessoas (8 diretamente e 1, indiretamente, por ataque cardíaco) e 110 feridos necessitaram de recorrer a cuidados médicos por ferimentos ligeiros ou por terem entrado em estado de choque. Ficaram desalojadas 1.500 pessoas (Proteção Civil, 1998). Para além das vítimas humanas, o maior impacto deste evento refletiu-se no parque habitacional e monumental da ilha do Faial, para além dos danos causados na rede rodoviária, em pontes e nos sistemas de abastecimento de água e de energia. De acordo com os dados do Centro de Promoção da Reconstrução (CPR), nas duas ilhas mais afetadas (Faial e Pico), 1.000 moradias ficaram totalmente destruídas e 3.179 moradias foram danificadas.

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Filomena Rebelo 12/22

IMPACTO CAUSADO

Percentagem de danos no parque habitacional das freguesias da ilha do Faial (in Gaspar et al., 1998).

Diapositivo 12/22 Os elevados estragos no parque habitacional ficaram a dever-se essencialmente à falta de cumprimento das normas de construção sismo-resistente e às particularidades geotécnicas de algumas formações e aterros (Gaspar et al., 1999). A maioria das habitações afetadas era construída por blocos de pedra sobre pedra, sem qualquer elemento ligante, rebocadas exteriormente por uma fina camada de cimento (Senos et al., 1999) e com divisões interiores em tabiques de madeira (Madeira et al., 1999). As edificações deste tipo colapsaram totalmente, ao contrário das construções mais recentes que ficaram intatas ou com danos reduzidos.

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Filomena Rebelo 13/22

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IMPACTO CAUSADO A DESTRUIÇÃO

Ribeirinha

Ribeirinha

Salão

Salão

Fotos CVARG

Diapositivo 13/22 As fotografias deste diapositivo ilustram, apenas parcialmente, os elevados estragos causados pelo terramoto de 9 de julho de 1998, quer a nível do parque habitacional e monumental, quer nas infra-estruturas e terrenos.

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Filomena Rebelo 14/22

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IMPACTO CAUSADO MOVIMENTOS DE MASSA

Avalanche de detritos na Ribeira Funda

Espalamaca

Madeira et al., 1998

Diapositivo 14/22 O terramoto de 9 de julho de 1998 desencadeou inúmeros movimentos de massa. A maioria dos escorregamentos ocorreu na vertente norte do vulcão central, em arribas litorais e ao longo das imponentes escarpas de falha e. Ao nível da vertente N do vulcão central, ocorreu um movimento de massa resultante de roturas ocorridas nas vertentes das linhas de água aí existentes e nas proximidades do bordo da caldeira (Coutinho, 2000) (Fotografia da esquerda). Relativamente aos escorregamentos em arribas litorais, identificaram-se recuos da linha de costa superiores a dez metros, ocorrendo importantes desmoronamentos que resultaram na formação de depósitos de vertente de dimensões consideráveis e ao desenvolvimento de grandes manchas de material detrítico fino em suspensão ao longo de todo o litoral (Coutinho, 2000) (Fotografia da direita).

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Filomena Rebelo 15/22

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IMPACTO CAUSADO MOVIMENTOS DE MASSA

Vista geral do movimento de massa que afectou a Lomba Grande(Madeira et al., 1998). .

Cartografia sobre fotografia aérea, dos dois mais importantes movimentos de massa registados na escarpa de falha da Lomba Grande (Ferreira et al., 1998 in Coutinho, 2000).

Diapositivo 15/22 Ao nível das escarpas de falha, destaca-se o escorregamento da Lomba Grande (Fotografia e cartografia), que originou uma densa língua de material detrítico que se alongou junto à base da escarpa (Coutinho, 2000).

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Filomena Rebelo 16/22

IMPACTO CAUSADO MOVIMENTOS DE MASSA

Falésia junto ao Farol da Ribeirinha

Madeira et al., 1998

Diapositivo 16/22 Um dos exemplos mais espetaculares de escorregamentos ocorridos foi o ocorrido na arriba litoral junto ao Farol da Ribeirinha, o qual demonstra bem a violência dos efeitos do terramoto na zona da ilha do Faial mais próxima da zona epicentral.

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Filomena Rebelo 17/22

SISMICIDADE NO ARQUIPÉLAGO DOS AÇORES

IMPACTO CAUSADO O SOFRIMENTO

http://www.virtualazores.com/sismo/index17.html

Diapositivo 17/22 A análise destas imagens permitirá identificar os vários tipos de sofrimento que uma catástrofe destas causa na população atingida.

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Filomena Rebelo 18/22

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IMPACTO CAUSADO A SOLIDARIEDADE

http://www.virtualazores.com/sismo/index12.html

Filomena Rebelo 19/22

SISMICIDADE NO ARQUIPÉLAGO DOS AÇORES

IMPACTO CAUSADO A SOLIDARIEDADE

http://www.virtualazores.com/sismo/index12.html

Diapositivos 18 e 19/22 As imagens são elucidativas da enorme solidariedade prestada à população da ilha do Faial aquando do terramoto de 9 de julho de 1998.

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Filomena Rebelo 20/22

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CAPACIDADE DE RESPOSTA  Lançamento de operações de salvamento nas primeiras horas a seguir ao sismo, por meios locais. Ao princípio da manhã, a Força Aérea Portuguesa avançou para o Faial com um helicóptero que transportou tendas para os desalojados e diverso material de emergência. A meio da tarde, partiu de Lisboa um avião da TAP trazendo a bordo médicos, equipas de busca e salvamento, 10 tendas de grandes dimensões e outras 150 de tamanho normal, cobertores e um sistema portátil de comunicações;  Montagem de tendas, um contentor dormitório e cozinhas de campanha pelo Serviço de Protecção Civil;  Anúncio, efectuado pelo Govrno Regional no próprio dia, de que as pessoas desalojadas passariam a noite em várias escolas mas que para os próximos meses, a solução deveria passar pela construção de pré-fabricados;  Aquisição, pelo Governo Regional, de 40 módulos pré-fabricados para ocorrer, de imediato, à situações mais urgentes de idosos e casais com filhos de tenra idade.  Corte do trânsito em todas as ruas onde existiam prédios que ofereciam perigo de desabamento.

Filomena Rebelo 21/22

SISMICIDADE NO ARQUIPÉLAGO DOS AÇORES

CAPACIDADE DE RESPOSTA  Colaboração das Forças Armadas nas tarefas de rescaldo e desobstrução de acessos, estando, em Ponta Delgada, uma brigada em prevenção para avançar em caso de necessidade;  Envio, pelo Banco Alimentar, de mais 30 toneladas de alimentos e de 600 kg de roupa interior;  Distribuição de água, pelos bombeiros, para colmatar as carências provocadas pelos danos na rede de distribuição de água na ilha do Faial;  Confecção e distribuição de refeições aos sinistrados e às equipas que ajudaram na limpeza e remoção dos escombros, executadas em perfeita sintonia pela população e serviços de protecção Civil;  Abertura de linhas de crédito bonificado, pela Caixa Geral de Depósitos e Banco Comercial dos Açores;  Instalação de 7 estações sísmicas portáteis para um melhor acompanhamento da evolução da situação, em complemento às estações permanentes existentes nas ilhas do Faial, Pico e S. Jorge.

Diapositivos 20 e 21/22 Sugere-se que se desafiem os alunos a efetuar uma análise comparativa da capacidade de resposta, na mesma ilha, aos terramotos de 1926 e 1998.

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Filomena Rebelo 22/22

SISMICIDADE NO ARQUIPÉLAGO DOS AÇORES

O LADO POSITIVO... Foi efectuado um levantamento de fotografia aérea às zonas sinistradas, por um avião da Força Aérea Portuguesa com o objectivo de servir de suporte para o correcto re-ordenamento do território. Foi criado o Decreto Regulamentar Regional nº 34/2000/A de 29 de Novembro que:  Rectifica as normas provisórias de zonamento da área das freguesias rurais e envolvente à cidade da Horta;  Define o regime a aplicar em áreas de construção condicionada por riscos geológicos (entre outros).

Diapositivo 22/22 É importante que se retirem lições dos desastres ocorridos e que estas permitam avanços em benefício da ciência e das populações envolvidas.

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BIBLIOGRAFIA Correio da Horta. Horta. Nº 19288 (10 Jul. 1998) COUTINHO, R. (2000) – Elementos para a monitorização sismovulcânica da Ilha do Faial (Açores): caracterização hidrogeológica e avaliação de anomalias de Rn associadas a fenómenos de desgaseificação. Tese de doutoramento no ramo de Geologia, especialidade de Vulcanologia, Departamento de Geociências, Universidade dos Açores. 343 p. GASPAR, J. L.; FERREIRA, T.; QUEIROZ, G.; MALHEIRO, A. M.; COUTINHO, R. e TROTA, A. (1999) - Avaliação de perigos geológicos na ilha do Faial após o terramoto de 1998: o caso da Ribeirinha. In 1º Simpósio de Meteorologia e Geofísica da APMG, Lagos, 1999. [Lisboa]: APMG. p. 89-95. GÓNGORA GONZALEZ, Eva (2004) – Contribuição para o estudo da geometria da fonte sísmica nos Açores : aplicação à crise do Faial de 1998. Tese de Mestrado em Vulcanologia e Riscos Geológicos, Departamento de Geociências, Universidade dos Açores. 110 p. MADEIRA, J.; BRUM DA SILVEIRA, A. e SERRALHEIRO, A. (1999) – A tectónica do Faial e o sismo de 9 de Julho de 1998. 1º Simpósio de Meteorologia e Geofísica da APMG, Lagos, 1999. [Lisboa]: APMG. p. 81-88. NUNES, J. C.; FRANÇA, Z.; OLIVEIRA, C. S. e ORTIZ, R. (1999) Distribuição das intensidades na ilha do Pico referentes ao sismo de 9 de Julho de1998: condicionantes morfológicas, geológicas e tectónicas. 1º Simpósio de Meteorologia e Geofísica da APMG, Lagos, 1999. [Lisboa]: APMG. p. 69-74. PENA, J., A.; CRUZ, J. e SENOS, M. L. (2001) Caracterização de efeitos de sítio nos Açores. S Sebastião e Flamengos. In 2º Simp. de Meteorologia e Geofísica da APMG, Évora. [Lisboa]: APMG. p. 88-94. PROTECÇÂO CIVIL (1998) – Aconteceu em Portugal. a. 10, 2ª série anual, nº 14 (Out.97/Dez.98) 44-47.

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SENOS, M. L.; GASPAR, J. L.; CRUZ, J.; FERREIRA, T.; COSTA NUNES, J.; PACHECO, J. M.; ALVES, P. M.; QUEIROZ, G.; DESSAI, P.; COUTINHO, R.; VALES, D. e CARRILHO, F. (1999) – O terramoto do Faial de 9 de Julho de 1998. In 1º Simpósio. de Meteorologia e Geofísica da APMG, Lagos, 1999. [Lisboa]: APMG. p. 61-67. SILVA, M. (2005) – Caracterização da sismicidade histórica dos Açores com base na reinterpretação de dados de macrossísmica : contribuição para a avaliação do risco sísmico nas ilhas do Grupo Central. Tese de Mestrado em Vulcanologia e Riscos Geológicos. Departamento de Geociências, Universidade dos Açores. 158 p. SIVISA (1998-2004) – Boletim Sismológico Preliminar dos Açores. Ponta Delgada: Universidade dos Açores; Instituto de Meteorologia, 2004.

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Guião - Sismicidade Açores -Faial 1998  

Material da Casa das Ciências disponível para download em: http://www.casadasciencias.org/index.php?option=com_docman&task=doc_details&gid=3...

Guião - Sismicidade Açores -Faial 1998  

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