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ler Revista do Sistema de Bibliotecas Vera Cruz

Romance: mais vivo do que nunca Junho de 2017

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Sumário Apresentação........................................................................... 3 Como surgiu o romance?........................................................... 6 O emprego do termo................................................................. 8 A origem do romance moderno.................................................. 9 Difusão e popularização............................................................ 10 Narrativa do herói comum......................................................... 12 Firme e forte............................................................................. 12 Fontes...................................................................................... 13 Para saber mais........................................................................ 14 Indicações do Sistema de Bibliotecas Vera Cruz .......................... 17 Agradecimento pelas doações.................................................... 23 3


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Apresentação Em uma definição mais simplista, o romance é uma narrativa ficcional em prosa, mais longa que o conto ou a novela, com fatos criados ou relacionados a personagens que vivem diferentes conflitos ou situações dramáticas, numa sequência de tempo relativamente ampla. Provavelmente, o romance é o mais flexível dos gêneros literários, e apresenta possibilidades quase infinitas: sua ação pode tanto se estender ao longo de anos como se limitar a algumas horas de um dia; pode abranger a vida de dezenas de personagens ou girar em torno de um único; a história pode ser linear ou ir e voltar no tempo; pode tratar de uma época passada ou ser uma narrativa sobre nossos dias; pode ser uma colcha de retalhos ou uma narrativa contínua; pode ter um narrador que não participa da história ou que é o personagem principal, ou, ainda, ter vários narradores... O Sistema de Bibliotecas Vera Cruz dedica o oitavo número da revista Ler a este gênero literário que, desde o século XIX, se consolidou como o mais produzido e consumido no Ocidente. Nas próximas páginas, você encontrará a história do surgimento do romance e a origem do termo, além das condições históricas que permitiram a ascensão e a difusão do gênero. Ao final, você conhecerá os romances mais retirados pela equipe do Vera Cruz no Gabinete de Leitura na seção “Indicações do Sistema de Bibliotecas Vera Cruz”. E se quiser se aprofundar na história do gênero literário, não deixe de acessar a seção “Saiba mais”. Escolha um romance e desfrute-o. Boa leitura!

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Como surgiu o romance? Para definir o romance, é preciso percorrer séculos e imaginar as condições históricas que permitiram a constituição desse gênero.Herdeiro da epopeia — poema extenso que narra as ações, os feitos memoráveis de um herói histórico ou lendário —, o romance é um gênero da literatura que pertence ao modo narrativo. É uma história contada, em geral, por meio de uma sequência de eventos que envolvem personagens em um cenário específico. O objetivo essencial do romance, segundo Massaud Moisés, em A Criação Literária, é reconstruir e recriar a realidade. Sua forma nasce da combinação de estilos, como o romance medieval, as narrativas orais, as epístolas e os textos de retórica. Tal hibridismo teria permitido uma estrutura aberta, “daí o romance ter se perpetuado ao longo do tempo, incorporando à sua identidade todas as formas de ruptura com seu modelo”, explica o professor de literatura brasileira, Fabiano Rodrigo da Silva Santos, da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), à publicação eletrônica Pré-Univesp. De acordo com o filósofo alemão Walter Benjamin, no ensaio O narrador, ainda que os primórdios do romance remontem à Antiguidade, foram necessários “centenas de anos para encontrar na burguesia ascendente os elementos favoráveis ao seu florescimento”. O reconhecimento do romance como gênero data de 1670, com o prefácio do filósofo, historiador e bispo francês Pierre-Daniel Huet (1630-1721) ao romance Zaíde: uma história espanhola, de Jean Regnault, Senhor de Segrais. No prefácio do livro — que conta os amores de Consaive, filho do Conde de Castela, e Zaíde, filha de um príncipe muçulmano convertido ao catolicismo, e que em pouco tempo começou a ser publicado com o título Tra-

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tado da origem dos romances —, Huet elabora uma tipologia do gênero. Segundo ele, os romances, esse “agradável divertimento dos preguiçosos honestos”, têm como característica serem “ficções de aventuras amorosas, escritas em prosa, com arte, para o prazer e instrução dos leitores”. O tratado de Huet é importante, pois, retrocedendo à Antiguidade grega e romana, defende o reconhecimento de um gênero — o das narrativas de ficção em prosa — por retrospectiva. Assim, os primeiros exemplares seriam os romances gregos, escritos em prosa, que ele acreditava terem sido escritos antes da era cristã, mas que hoje sabemos serem, em geral, do segundo século depois de Cristo. De fato, trata-se de um conjunto de textos em prosa que narram histórias de amor e de aventuras, dos quais o representante mais significativo são as Etiópicas, de Heliodoro (século III). O modelo geral envolve dois jovens que se apaixonam perdidamente, são separados, vagam em inúmeras aventuras por vários países ao redor do Mediterrâneo, mantendo-se fiéis um ao outro, até o encontro final. Mas há também os modelos de temática paródica, em que o amor se traduz em sexo e no qual se joga toda a luz nas aventuras, como o Asno de ouro, escrito em latim por Apuleio (século II) e Lúcio ou o asno, escrito em grego pelo sírio Luciano (século II) — uma história fantástica narrada pelo próprio proRepresentação de Apuleio, ladeado por Pânfila, que se transforma em coruja, e pelo asno de ouro.

tagonista, de nome Lúcio, que, transformado em asno por conta de uma mágica, se envolve numa sucessão de embrulhadas até recuperar a forma humana.

Tanto no mundo bizantino quanto na Europa Ocidental, a forma narrativa do romance teve prosseguimento. As novelas de cavalaria, como as do ciclo do Graal, que têm

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como personagens o Rei Artur e os cavaleiros da távola redonda, são legítimos continuadores do romance antigo de amor e aventuras. O mesmo se pode dizer de Tristão e Isolda, bem como de outras obras escritas em várias línguas europeias e de muitas outras traduzidas.

O emprego do termo

Há duas hipóteses para a origem do termo romance. Na primeira delas, a palavra teria surgido a partir do termo medieval “romanço”, forma popular e evolutiva do latim, que designava as línguas usadas pelos povos sob o domínio do Império Romano. Também se chamavam romanços as composições de cunho popular e folclórico escritas nesse latim vulgar, em prosa e verso, que contavam histórias cheias de imaginação, fantasias e aventuras. Outra suposição é a de que o termo possa ter surgido de “romans” (vocabulário da língua provençal), do qual se originou a forma latina “romanicus”. No século XVIII, a palavra romance passou a nomear o gênero literário como o conhecemos hoje, rotulando obras de cunho popular e folclórico e caráter imaginativo e fantasioso. Nesse período, a epopeia, já desgastada, cedeu lugar a essa nova forma artística, que tinha o objetivo de se constituir como espelho do povo, de refletir de maneira fiel a imagem da sociedade e de se tornar porta-voz dos desejos, ambições, e vaidades. Esse fato se deu, principalmente, porque, ao contrário da epopeia e da tragédia clássica, que só admitiam pessoas nobres como protagonistas, o romance poderia partir de qualquer assunto: amor; aventura; guerra; crime; fatos históricos contados à maneira de ficção; 8


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episódios reais ou inventados, de caráter realista ou fantástico, com personagens de qualquer tipo ou classe social.

A origem do romance moderno Dom Quixote de la Mancha, do escritor espanhol Miguel de Cervantes (1547-1616), foi considerado o primeiro romance moderno ao fazer crítica às novelas de cavalaria. É a partir daí que o romance inicia sua transformação até se fixar no século XIX com as características que conhecemos hoje. Cervantes destacou-se não só pela alta qualidade de suas obras como também pela forma como ele conscientemente se inseriu na tradição do romance. Em Dom Quixote, seu livro mais conhecido, retoma, num viés paródico, as novelas de cavalaria medievais, numa técnica narrativa em que o mais relevante é como se expõem os próprios mecanismos narrativos do romance, já que seu herói é um especialista nesse tipo de literatura: um louco genial, ensandecido justamente por ter lido muitas histórias de amor e aventuras. “Será a primeira obra afinada, não apenas em relação à forma, mas ao tema e ao espírito do romance moderno”, afirma o professor Fabiano Rodrigo da Silva Santos. Em outra de suas obras, Os trabalhos de Persiles e Sigismunda, Cervantes pretendeu “competir com Heliodoro”, em um texto que procura ultrapassar o mais famoso dos romances gregos antigos. Em qualquer uma das modalidades que assumiu em sua longa história, é justamente o viés referencial – ou seja, que remete a outros textos – e experimentalista que caracteriza o romance. Para o teórico russo Mikhail Bakhtin (1895-1975), em Questões de literatura e estética: a teoria do romance, trata-se de um gênero em constante mutação, traço que a filósofa búlgaro-francesa Julia Kristeva, em O texto do romance, definiu como seu caráter “transformacional”. O experimentalismo também marca o romance nos tempos modernos, tornando-o capaz de exercer um fascínio sempre renovado no público leitor. Da narrativa mais tradicional, 9


com um narrador externo e onisciente, às experiências mais ousadas, em que o narrador se desfaz do disfarce para se dirigir ao leitor ou se apresenta sob as condições mais surpreendentes — como o asno dos experimentos antigos ou o defunto autor das Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis –, é como se o gênero buscasse sempre surpreender o leitor.

Difusão e popularização A ascensão do romance ocorreu de maneiras variadas. O acesso à alfabetização, restrita até então às classes mais altas na Europa do século XVIII, criou uma demanda por narrativas mais simples que a epopeia e a tragédia, muito ligadas a uma formação clássica — algo que relegou o gênero a preconceitos. “Outro fator importante foi a profissionalização dos escritores, que não mais podiam depender de um mecenas, mas viviam do que produziam, o que os levou a buscar um público mais numeroso”, explica Mario Luiz Frungillo, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), à publicação eletrônica Pré-Univesp. O analfabetismo das populações, entretanto, ainda figurou como um dos grandes entraves para a transmissão dos primeiros romances escritos. Inicialmente, a divulgação dos textos dependia de recitadores, cantadores e músicos que apresentavam as produções oralmente em castelos, escolas e cidades. A pouca privacidade para a leitura, com moradias superlotadas e luz insuficiente, também se configurou como obstáculo para o acesso aos romances. A redução do preço das velas — que passaram a ser feitas de material mais barato — teria, segundo o crítico inglês Ian Watt, dado condições para a disseminação dos romances. “Uma pessoa alfabetizada que trabalhasse durante o dia como criado em uma casa abastada, por exemplo, podia se dar ao luxo de queimar uma vela inteira lendo romances entre o fim de seu horário de trabalho e a hora de ir dormir”, detalha o professor Frungillo. A expansão de bibliotecas públicas circulantes também aumentou o número dos interessados em ficção. As mulheres, que raramente eram envolvidas em atividades masculinas, passaram a ocupar o tempo livre com a leitura de livros, e estes se tornaram os seus únicos passatempos. 10


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O desenvolvimento da imprensa periódica também contribuiu para a ascensão do gênero literário e a ampliação do público leitor, já que muitos textos foram publicados pela primeira vez na forma de folhetins, como as obras-primas de Dostoiévski e Machado de Assis, por exemplo. Seguir um romance em folhetim equivalia ao que muitos fazem atualmente, assistindo a novelas e seriados. O folhetim foi o grande responsável pela difusão do romance, ”sobretudo em sociedades como a brasileira, que não tinha um mercado editorial consolidado”, explica o professor da Unesp, Fabiano Rodrigo da Silva Santos, que continua: “no século XIX, havia no Brasil poucas casas de imprensa, o que dificultava a publicação de romances, tornando os livros objetos caros e elitizados”. Segundo Fabiano, o folhetim permitiu o acesso de um maior número de leitores e escritores à vida literária, dada a própria natureza popular do romance. Clássicos do período, como O guarani, de José de Alencar (datado de 1857), chegaram ao público inicialmente em rodapés de jornais, no espaço reservado aos folhetins. A publicação dos romances em folhetins, segundo o professor Frungillo, não tinha o objetivo de popularizar o gênero, e, sim, de criar um público cativo para os jornais que, com isso, poderiam garantir as vendas, mesmo sem notícias interessantes. “José de Alencar, em Como e por que sou romancista, conta como era esperar ansiosamente a chegada do jornal para ler o próximo capítulo. Isso criou uma forma de contar história que sobrevive ainda hoje nas séries e novelas”, aponta o pesquisador. Segundo ele, grande parte do público leitor era formada por senhoras que dispunham do tempo livre necessário para se ocupar com sua leitura, “mas a grande seriedade dos temas abordados por romancistas como Balzac, Charles Dickens e José de Alencar mostra que, ao lado de autores que forneciam principalmente entretenimento, sempre houve aqueles que se utilizaram dessa forma de escrita para discutir o mundo em que viviam”.

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Narrativa do herói comum Ao contrário da epopeia clássica, que trazia heróis míticos — como a Ilíada e a Odisseia, de Homero —, os heróis dos romances são pessoas comuns, cujos conflitos trazem as contradições históricas da época moderna. “O romance desce à esfera da vida comum. Deuses e heróis não estão presentes em textos modelares ao gênero, como Dom Quixote, de Cervantes, que apresenta uma caricatura anacrônica do tipo cavalheiresco; Robinson Crusoé (1719), de Daniel Defoe, que narra a história de um náufrago; Tom Jones (1749), de Henry Fielding, no qual o herói é um órfão”, exemplifica o professor Fabiano Rodrigo da Silva Santos à publicação eletrônica Pré-Univesp. Para ele, o romance corresponde a uma obra de ficção, portanto distinta do relato e da biografia, “mas com grande inclinação ao real, que se observa em sua coerência interna, na busca da verossimilhança, na atenção ao pormenor da vida cotidiana e em sua permeabilidade à realidade sócio-histórica”. Ao retratar o modo de pensar do nascimento da era moderna, Dom Quixote e Sancho Pança se tornam, assim, os primeiros representantes do individualismo.

Firme e forte No cinema ou na novela, o romance continua vivo e cada vez mais presente nos dias atuais, nas mais diversas formas de entretenimento popular. “Os grandes best-sellers da nossa época são romances escritos nos moldes da ficção popular entre os séculos XVIII e XIX”, destaca o professor Fabiano Rodrigo da Silva Santos, da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), à publicação eletrônica Pré-Univesp. Para ele, o sucesso desse formato significa que o romance está dentre os mais bem-sucedidos gêneros na tarefa de angariar a sensibilidade coletiva. “Não apenas em relação à forma, mas também tematicamente paira sobre ele o espírito romanesco: ecos do romance fantástico surgem em obras populares como Harry Potter e Crepúsculo, e a trivialidade do romance realista é perceptível nos açucarados romances de Nicholas Sparks”, menciona, sem falar de qualidade literária. “Enquanto formos uma sociedade por um lado 12


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curiosa em relação à devassa do cotidiano e, por outro, necessitada de doses generosas de escapismo e fantasia, os modelos do romance realista e do romanesco ainda encontrarão ressonância entre nós”, afirma o docente. Quando o irlandês James Joyce publicou o romance Ulisses (1922), fazendo um dos experimentos mais radicais com essa forma literária, houve quem dissesse que aquele romance acabaria com todos os outros, como se ele tivesse esgotado as possibilidades do gênero. “Felizmente, nem os romancistas nem o público se deixaram impressionar com essa sentença, e o romance está mais vivo que nunca", conclui Frungillo.

Fontes WATT, Ian. A ascensão do romance: estudos sobre Defoe, Richardson e Fielding. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. 278 p. ALVES, Mariana Castro. Romance, o mais flexível dos gêneros literários. Revista Pré-Univesp, São Paulo, n. 47,15 abr. 2015. Disponível em: <http://pre.univesp.br/romance#.WTBdOOvyu1t>. Acesso em: 10 maio 2017. BRANDÃO, Jacyntho Lins. O romance: uma longa história. Sobre Cultura: suplemento cultural da revista Ciência Hoje. Rio de Janeiro, n. 18, jan./fev. 2015. Disponível em: <http://www. cienciahoje.org.br/noticia/v/ler/id/4207/n/o_romance%3A_uma_longa_historia/Post_ page/5>. Acesso em: 10 maio 2017. SÉRGIO, Ricardo. A origem do romance e do termo. Recanto das Letras. 26 jan. 2009. Disponível em <http://www.recantodasletras.com.br/teorialiteraria/377244>. Acesso em: 10 maio 2017.

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Para saber mais KUNDERA, Milan. A arte do romance. Traduzido por Teresa Bulhões Carvalho da Fonseca. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. 158 p. Unidade: Instituto Resumo: Primeiro livro de não ficção do autor, "A arte do romance" é a confissão nascida da experiência prática do romancista. Nele são discutidas em profundidade a evolução do romance e seus aspectos centrais (de Cervantes a Proust, passando por Hermann Broch e Kafka), pelo olhar subjetivo de um artífice que vê ameaçada a continuidade de seu trabalho. Escritos ainda sob o forte impacto da crítica francesa da época do Nouveau Roman e dos ataques pós-modernos, os ensaios procuram restaurar o sentido do romance como gênero autônomo, após o esgotamento da experimentação modernista, sem ceder às tentações que desejavam a recuperação da narrativa romanesca do século XIX. JAMES, Henry. A arte do romance: antologia de prefácios. Organizado por Marcelo Pen. Traduzido por Marcelo Pen. São Paulo: Globo, 2003. 320 p. Unidade: Instituto Resumo: Reflexão, hoje clássica, sobre o futuro do romance, os prefácios de Henri James para a Edição de Nova York (1907-1909) — que reuniu grande parte de sua ficção — compõem uma referência indispensável ao estudioso da literatura e da narrativa em suas múltiplas formas. Ao falar de si e dramatizar o processo criativo de seus impasses, fez de cada prefácio um teatro da memória e da imaginação. Além dos prefácios de Henry James em si, Marcelo Pen faz uma apresentação dos principais estudos sobre os comentários do romancista. WATT, Ian. A ascensão do romance: estudos sobre Defoe, Richardson e Fielding. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. 278 p. Unidade: Educador EF 2 e 3 Resumo: Este é considerado um livro clássico do romance — sobre as origens e sedimentação do mais popular dos gêneros literários na Inglaterra da primeira metade do século XVIII. As razões dessa popularidade, assim como do realismo inerente ao gênero, são buscadas por Ian Watt na ascensão da classe média, no individualismo econômico, nas filosofias inovadoras de Descartes e Locke, na secularização da sociedade e nas mudanças ocorridas tanto no público leitor quanto no papel social da mulher. LAJOLO, Marisa. Como e por que ler o romance brasileiro. São Paulo: Objetiva, 2004. 174 p. Unidades: Educador EF 2 e 3 / EM Resumo: A autora faz uma análise apurada da trajetória e da evolução do romance brasileiro desde o seu surgimento – como um gênero menor, com histórias adocicadas para o público feminino – até os dias atuais. Além de autores consagrados do passado, como José de Alencar, Machado de Assis, dentre outros, ela inclui escritores modernos famosos e dá destaque até mesmo a autoras quase desconhecidas dos séculos XIX e XX. Com uma linguagem simples, o livro analisa

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forma, conteúdo, trama, personagens, linguagem e autores. É possível também perceber, por meio dessas obras, lances da história nacional e aspectos da vida brasileira, principalmente a condição da mulher em diferentes momentos. PAVEL, Thomas G. The lives of the novel: a history. Princeton: Princeton University Press, 2013. 346 p. Unidade: Instituto Resumo: Esta é a história da novela desde a Grécia antiga até o mundo da ficção contemporânea. Nesta ampla pesquisa, Thomas Pavel argumenta que a força motriz por trás da evolução do romance tem sido uma rivalidade entre histórias que idealizam o comportamento humano e aquelas que o ridicularizam e o condenam. Pavel analisa mais de uma centena de romances da Europa, América do Norte e do Sul, Ásia e além, resultando em uma reinterpretação provocante do seu desenvolvimento. O autor conclui seu relato mostrando como as velhas tensões persistem mesmo no pluralismo de hoje, em que os romances populares sobre heróis coexistem com uma riqueza de outros tipos de obras, da sátira ao realismo social e psicológico. PERRONE-MOISÉS, Leyla. Mutações da literatura no século XXI. São Paulo: Companhia das Letras, 2016. 296 p. Unidade: Educador EF 2 e 3 Resumo: Nesta coleção de ensaios inéditos, a autora destrincha o cenário da produção, da leitura e do ensino de literatura de ficção na virada do século. Funcionando como um vasto panorama do romance contemporâneo, o livro transita entre autores de vários estilos e origens geográficas para investigar as principais correntes da narrativa e da crítica atuais. MOORE, Steven. The novel: an alternative history: beginnings to 1600. New York: Continuum, 2010. 698 p. Unidade: Instituto Resumo: A obra conta a história da nossa forma literária mais popular. Contrariamente à sabedoria convencional, o romance não se originou na Inglaterra do século XVIII, nem mesmo com Dom Quixote, mas é contemporâneo da própria civilização. O livro faz uma excursão ao mundo do romance pré-moderno, começando no Egito antigo e terminando na China do século XVI, passando por muitos portos exóticos: romances gregos; sátiras romanas; romances sânscritos medievais; thriller erótico bizantino; livros de aventura árabes; sagas islandesas; delicadas novelas persas em verso; histórias de guerras japonesas; até mesmo romances gráficos maias. Ao longo de tudo, Moore comemora os inovadores na ficção, traçando um continuum entre esses experimentalistas pré-modernos e sua descendência pós-moderna. SEIXAS, Heloisa (Org.). As obras-primas que poucos leram. Rio de Janeiro: Record, 2004. 2 v. Unidade: Educador EF 2 e 3 Resumo: Os artigos que compõem estes livros foram escritos por nomes como Otto Maria Carpeaux, Paulo Mendes Campos, Carlos Heitor Cony, dentre outros, e foram publicados na revista Manchete entre 1972 e 1977. A seleção aqui apresentada inclui apenas artigos sobre obras de ficção (romance ou conto) nacionais ou estrangeiros, em um total de 70 textos, divididos em dois volumes. Mas já mostra 15


como os tempos eram outros, pois pode-se notar como uma revista de informação, sem pretensões intelectuais, abria espaço para textos com tamanha qualidade jornalística e literária. REIMÃO, Sandra Lúcia. O que é romance policial. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 1989. 88 p. (Primeiros passos, 109). Unidades: Educador EF 2 e 3 / EF 2 e 3 / EM / Instituto Resumo: Sandra Reimão discute, neste livro, questões como: por que compramos um romance policial? Por que nos entretemos tantas e tantas horas com esse tipo de leitura? Como a literatura policial pode ser caracterizada? Quais de suas características fazem que tantas e tantas pessoas gostem desse tipo de leitura? Toda narrativa em que aparece um crime ou um delito, e alguém disposto a desvendá-lo, pode ser considerada policial? Afinal, o que é uma narrativa policial? BAKHTIN, Mikhail Mikhailovitch. Questões de literatura e de estética: a teoria do romance. Traduzido por Aurora Fornoni Bernardini et al. 7. ed. São Paulo: HUCITEC, 2014. 440 p. Unidade: Instituto Resumo: Gênero literário constituído em contato com a realidade, o romance se mostra um microcosmo de linguagem. Suas raízes estão na paródia popular e na cultura cômica da Antiguidade e da Idade Média. Examinando o discurso romanesco greco-latino, o romance de cavalaria, o folclore e o romance idílico, Mikhail Bakhtin constrói uma obra na qual o romance aparece como uma espécie de energia, a consciência da realidade concreta da linguagem, a perpassar toda a história da literatura. TINHORÃO, José Ramos. Os romances em folhetins no Brasil: (1830 à atualidade). São Paulo: Duas Cidades, 1994. 100 p. Unidade: EM Resumo: Contribuição importante para o estudo dos folhetins (romances publicados em capítulos em jornais ou revistas). O autor examina os folhetins desde sua aparição na imprensa brasileira, passando pela queda de popularidade, nos idos de 1930, e chegando até seu ressurgimento contemporâneo, como nas novelas de televisão.

LUKÁCS, Georg. A teoria do romance. Traduzido por José Marcos Macedo. São Paulo: Duas Cidades, 2000. 240 p. (Espírito crítico). Unidade: Instituto Resumo: Redigido entre 1914 e 1915, este livro permanece uma referência fundamental para qualquer estudo acerca do romance. O horizonte conceitual de suas indagações ultrapassa o âmbito da literatura, conferindo ao debate teórico uma ampla perspectiva histórico-filosófica. O poder de irradiação de suas ideias está presente na reflexão de importantes críticos, dentre os quais Walter Benjamin, Theodor W. Adorno, Lucien Goldmann, Harry Levin e Fredric Jameson. Esta obra, marco da crítica literária do século XX, mantém intacta toda a sua atualidade.

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Indicações do Sistema de Bibliotecas Vera Cruz A relação a seguir apresenta os 25 romances mais retirados pelos profissionais do Vera Cruz no Gabinete de Leitura, por ordem de preferência. Há títulos que emocionam, outros que convidam à reflexão e alguns que divertem sem compromisso. Sua próxima leitura pode estar entre os prediletos de nossa equipe. 1o

TAVARES, Miguel Sousa. Equador. Posfácio de Lilia Moritz Schwarcz. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. 544 p. Resumo: O romance de estreia do autor, o jornalista português Miguel Sousa Tavares, transporta o leitor para a colônia portuguesa de S. Tomé e Príncipe, no ano de 1905. Para lá segue o protagonista, Luís Bernardo Valença, que deixa para trás sua vida de luxo em Lisboa para uma missão patriótica como governador nas ilhas africanas, onde tem a espinhosa incumbência de convencer um enviado do governo inglês de que não há trabalho escravo nas roças locais.

2o

YALOM, Irvin D. A cura de Schopenhauer. Traduzido por Beatriz Horta. Rio de Janeiro: Ediouro, 2005. 336 p. Resumo: Neste romance do psiquiatra e escritor Irvin D. Yalom, o leitor acompanhará um embate emocionante entre pacientes e terapeuta, em que cada um expõe seus medos, defesas e fraquezas e aprendem a serem mais humanos e felizes. Entrelaçando realidade e ficção, A cura de Schopenhauer oferece um recorte fiel dos meandros da terapia em grupo, tendo como pano de fundo a vida e a obra de Arthur Schopenhauer, e revela o doloroso processo de autoconhecimento.

3o

MÁRAI, Sándor. As brasas. Traduzido por Rosa Freire d' Aguiar. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. 172 p. Resumo: A obra é um romance sobre a amizade, a paixão amorosa e a honra. Conta a história de dois homens que não se veem há 41 anos. Foram amigos inseparáveis na infância, mas um dia, em 1899, um deles desapareceu. Algo muito grave aconteceu naquele dia, e é esse o enigma que agora, já no fim da vida, eles vão decifrar. Move-se entre os dois o fantasma de Kriztina, por quem eles travarão um duelo que se inicia como um civilizado jogo de esgrima, mas que logo se torna uma luta árdua, embora os duelistas só disponham de uma arma: as palavras.

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GARCÍA MÁRQUEZ, Gabriel. O amor nos tempos do cólera. Traduzido por Antônio Callado. 43. ed. Rio de Janeiro: Record, 2014. 432 p. Resumo: O romance se passa em uma época em que o cólera era uma ameaça terrível e mortal. Conta o amor platônico de Florentino Ariza por Firmina Daza. O idílio dura algumas cartas, mas ao conhecer seu admirador, a moça rejeita-o e se casa com outro. O amor de Florentino, porém, persiste e dura a vida inteira. Nesta fábula de realismo-fantástico, Gabriel García Márquez mostra que a paixão não tem idade.

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HOSSEINI, Khaled. O caçador de pipas: romance. Traduzido por Maria Helena Rouanet. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005. 368 p. Resumo: O livro conta a história de Amir, um afegão há muito imigrado para os Estados Unidos que se vê obrigado a acertar as contas com o passado e retorna a seu país de origem. O ponto de partida do livro é a infância do protagonista, quando Cabul ainda não era a capital do país que foi invadido pela União Soviética, dominado pelos talibãs e subjugado pelos Estados Unidos.

6o

YALOM, Irvin D. Quando Nietzsche chorou. Traduzido por Ivo Korytowski. 6. ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003. 410 p. Resumo: O romance de estreia de Irvin Yalom, psiquiatra e escritor, combina personagens reais da Europa do fim do século XIX com ficção e trata do encontro entre Nietzsche, Freud e Josef Breuer, um dos pais da psicanálise. Na abertura deste romance, a inatingível Lou Salomé roga a Breuer que ajude a tratar o desespero suicida de Nietzsche fazendo uso de sua experimental terapia da conversa. Ao aceitar relutante a tarefa, o eminente médico faz uma grande descoberta: somente encarando seus próprios demônios poderá começar a ajudar seu paciente. Assim, dois homens brilhantes e enigmáticos mergulham nas profundezas de suas próprias obsessões românticas e descobrem o poder redentor da amizade.

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BARICCO, Alessandro. Seda. Traduzido por Léo Schlafman. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. 122 p. Resumo: O romance se desenvolve sobre a trajetória de Hervé Joncour, numa cidade francesa cuja economia floresce, em meados do século XIX, com o incipiente negócio da seda. Nas viagens que faz ao Japão para comprar o produto, descortina-se para ele um mundo ao mesmo tempo arcaico e novo, no qual a estranheza se mistura ao fascínio e à paixão.

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ZUSAK, Markus. A menina que roubava livros. Traduzido por Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2007. 500 p., il. Resumo: Desde o início da sua vida numa área pobre de Molching, Alemanha, Liesel precisou achar formas de se convencer do sentido da sua existência. Horas depois de ver seu irmão morrer no colo da mãe, a menina foi largada para sempre aos cuidados de Hans e Rosa Hubermann, um pintor desempregado e uma dona de casa rabugenta. Ao entrar na nova casa, trazia escondido na mala um livro, O manual do coveiro. Num momento de distração, o rapaz que enterrara seu irmão o deixara cair na neve. Foi o primeiro de vários livros que Liesel roubaria ao longo dos quatro anos seguintes. E foram estes livros que nortearam a vida de Liesel naquele tempo, quando a Alemanha era transformada diariamente pela guerra. O gosto de roubá-los deu à menina uma alcunha e uma ocupação; a sede de conhecimento deu-lhe um propósito. E as palavras que Liesel encontrou em suas páginas e destacou delas seriam mais tarde aplicadas ao contexto da sua própria vida.

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UMRIGAR, Thrity. A distância entre nós: romance. Traduzido por Paulo Andrade Lemos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006. 336 p. Resumo: A obra retrata intimamente um mundo que, embora distante, é muito familiar. Passado na Índia de hoje e testemunhado por duas mulheres dolorosamente reais, este romance mostra como as vidas dos pobres e dos ricos estão intrinsecamente enlaçadas, ainda que afastadas entre si, e capta intensamente o modo pelo qual as dores humanas ultrapassam as divisões de classe e cultura.

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MARCIANO, Francesca. Casa rossa. Traduzido por Luciana Villas-Boas. Rio de Janeiro: Record, 2004. 364 p. Resumo: Casa Rossa é uma magnífica construção no sul da Itália, propriedade da família Strada. Por lá passaram três gerações de mulheres dilaceradas pelas contradições e pelos conflitos do século passado. Mas a verdadeira história familiar vem à tona quando a casa é vendida. O romance mostra a saga dessa família e revela uma intrigante história sobre o que realmente aconteceu, quando os seus segredos entram em choque com acontecimentos históricos. A autora utiliza um jogo de duplos na elaboração de sua narrativa: ficção e realidade; passado e presente; guerreira e prisioneira; amor e ódio, dentre outros.

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RAHIMI, Atiq. Terra e cinzas. Traduzido por Flávia Nascimento. São Paulo: Estação Liberdade, 2002. 90 p. Resumo: Um ancião num vale esquecido à beira de um rio seco. Um menino que não ouve mais. Uma cabana de vigia à entrada de uma mina. E mais nada, além do ressecado vale desértico. Do escritor e cineasta afegão Atiq Rahimi, Terra e cinzas é um panfleto antiguerra, em que o velho e seu neto estão aguardando uma carona para a mina onde está trabalhando o filho do primeiro e pai do segundo, e que têm a incumbência de anunciar a ele que a família morreu num ato de guerra. O pano de fundo é o Afeganistão durante o regime pró-soviético no início dos anos 1980.

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LAWRENCE, D. H. O amante de Lady Chatterley. Traduzido por Glória Regina Loreto Sampaio. Rio de Janeiro: Graal, 1997. 398 p. Resumo: D. H. Lawrence foi um romancista muito avançado para sua época. Proibida no ano seguinte ao da sua publicação, esta obra conta a história de um romance entre dois amantes de classes sociais distintas — Connie e Mellors — e reflete também as linhas do comportamento social de uma Inglaterra conservadora. O romance chocou a fechada e preconceituosa sociedade inglesa do início do século XX, por retratar o envolvimento proibido entre os jovens e mostrar Connie — uma mulher sentimental e ingênua que quer se libertar de uma vida sem emoções, no seio de uma nobre família inglesa, e a sua busca pela completude física e espiritual.

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LE CLÉZIO, Jean-Marie G. Peixe dourado. Traduzido por Maria Helena Rodrigues de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. 210 p. Resumo: Laila, uma garota entre seis e sete anos, é raptada no Saara ocidental e vendida a uma velha senhora no Marrocos. Passados oito anos, sua dona e avó morre, e ela está livre para voltar para casa. Em busca de suas origens, ela viaja à França e aos Estados Unidos, até retornar para a África. Nesse romance, Le Clézio, por meio da jovem negra Laila (‘noite’, em árabe), faz um passeio pelo mundo contemporâneo, revelando seus preconceitos e intolerâncias, ao mesmo tempo em que produz uma defesa elegante de um ser humano universal.

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HATOUM, Milton. Dois irmãos. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. 266 p. Resumo: O livro é a história de como se constroem as relações de identidade e diferença numa família em crise. O enredo tem como centro a história de dois irmãos gêmeos – Yaqub e Omar – e suas relações com a mãe, o pai e a irmã. Moram na mesma casa Domingas, empregada da família, e seu filho. Esse menino – o filho da empregada – narra, 30 anos depois, os dramas que testemunhou calado. Buscando a identidade de seu pai entre os homens da casa, ele tenta reconstruir os cacos do passado, ora como testemunha, ora como quem ouviu e guardou, mudo, as histórias dos outros.

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PILCHER, Rosamunde. Os catadores de conchas. Traduzido por Luísa Ibañez. 38. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2009. 700 p. Resumo: O romance conta a história de Penelope Keeling, feliz por ter sido uma filha amada, mas infeliz por ter se casado com o homem errado. Mais tarde, encontra o verdadeiro amor, mas as tragédias e os problemas ocasionados por esse encontro deixam marcas profundas.

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SWARUP, Vikas. Sua resposta vale um bilhão. Traduzido por Paulo Henriques Britto. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. 344 p. Resumo: A narrativa é à maneira das Mil e uma noites, com uma história central em que um personagem conta histórias para outro. O contador de histórias aqui é Ram Mohammad Thomas, um garçom de 18 anos que ganhou um bilhão de rupias num programa televisivo de perguntas e respostas. Os organizadores do concurso, inadimplentes, se recusam a pagar o prêmio. Alegam que um garoto inculto como Ram não poderia conhecer as respostas, e o entregam à polícia para que seja torturado e confesse a fraude. Salvo por uma advogada, Ram terá de contar-lhe a história de sua vida. Cada episódio explica como ele soube responder a uma das perguntas. Unificadas pela presença do protagonista, herói picaresco que sempre acaba se saindo bem, as narrativas são ora cômicas, ora trágicas, e apresentam um rico panorama da Índia contemporânea, em que passado e presente, miséria e opulência, religiosidade e comercialismo, ternura e violência se misturam.

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LEVY, Marc. E se fosse verdade...: romance. Traduzido por Maria Alice Sampaio Dória. 3. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004. 250 p. Resumo: Lauren é a jovem e bela protagonista, estudante de medicina, que sofre um acidente de carro, entra em coma e vai parar no mesmo hospital em que trabalha. Apesar de seu estado, ela consegue, espiritualmente, voltar para o seu antigo apartamento. Lá, encontra Arthur, o arquiteto que é o novo morador do imóvel e que a descobre no armário do banheiro ao ir tomar banho; ele é a única pessoa que consegue vê-la, ouvi-la e senti-la. Inicialmente, ele se recusa a acreditar na história de Lauren e só fica convencido de toda a verdade quando vai até o hospital e a encontra desacordada. A partir daí, começam as tentativas de Arthur para ajudá-la a voltar ao seu estado natural.

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ALLENDE, Isabel. A casa dos espíritos. Traduzido por Carlos Martins Pereira. 34. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005. 448 p. Resumo: O primeiro romance de Isabel Allende conta a saga da turbulenta e numerosa família Trueba, cujo patriarca é o latifundiário e senador Esteban Trueba. O romance, que tem sua narrativa caracterizada por uma notável lucidez histórica e social, oferece um painel contundente da história chilena, entre 1905 e 1975. Combinando magia e realidade, Isabel Allende confere à obra sua personalíssima visão do realismo fantástico.

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GARCÍA MÁRQUEZ, Gabriel. Cem anos de solidão. Traduzido por Eric Nepomuceno. 78. ed. Rio de Janeiro: Record, 2011. 448 p. Resumo: A história se passa numa aldeia fictícia e remota na América Latina chamada Macondo, uma cidade mítica, e conta a história dos descendentes de seu fundador, José Arcadio Buendía, durante um século. Usando recursos do realismo mágico, estilo que ajudaria a difundir a partir de seu lançamento, em 1967, o livro mescla revoluções e fantasmas, incesto, corrupção e loucura, tudo tratado com naturalidade. A história começa quando as coisas não tinham nome e vai até a chegada do telefone.

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KAWABATA, Yasunari. Beleza e tristeza. Traduzido por Alberto Alexandre Martins. 3. ed. São Paulo: Globo, 2008. 292 p. Resumo: Neste romance, o Nobel de Literatura de 1968 narra a história de Oki Toshio, um escritor de meia-idade que retorna a Kyoto para ouvir os sinos dos templos na noite de Ano-Novo e para reencontrar Otoko, uma antiga amante. Pintora consagrada, Otoko tem uma aluna jovem e amoral, Keiko. Em torno desses três personagens, Kawabata tece uma reflexão sobre o sentido da arte e da literatura, bem como uma meditação sutil sobre temas caros ao autor: a solidão e a morte, o amor e o erotismo.

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YOUNG, William P. A cabana. Traduzido por Alves Calado. Rio de Janeiro: Sextante, 2008. 240 p. Resumo: Mack é um homem deprimido e revoltado devido ao assassinato de sua filha pequena. Um dia, ele recebe um estranho bilhete convidando-o para um encontro na cabana em que aconteceu o assassinato. Cheio de dúvidas, Mack atende ao chamado e volta ao cenário de seu pesadelo. Chegando lá, sua vida dá uma reviravolta: Deus, Jesus e o Espírito Santo estão à sua espera para um "acerto de contas" e, com imensa benevolência, travam com Mack surpreendentes conversas sobre vida, morte, dor, perdão, fé, amor e redenção.

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TEZZA, Cristovão. O filho eterno. 6. ed. Rio de Janeiro: Record, 2008. 224 p. Resumo: Romance autobiográfico que aborda os conflitos do autor e seu filho com Síndrome de Down. Com um foco obsessivo nas percepções do pai, a narrativa explora os sentimentos mais mesquinhos de Tezza: o ressentimento que ele tantas vezes nutre em relação ao filho. O protagonista se mostra inseguro, medroso e envergonhado com a situação, mas, aos poucos, com muito esforço, enfrenta a situação e passa a conviver amorosamente com o menino.

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BARBERY, Muriel. A elegância do ouriço. Traduzido por Rosa Freire d' Aguiar. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. 352 p. Resumo: Um prédio elegante no centro de Paris; Paloma, uma garota que vive às birras com a família e se impõe o terrível desafio de descobrir qual o sentido da vida e, se falhar, de cometer suicídio na data de seu aniversário; Renée, uma desconfiada zeladora de meia-idade, ranzinza e sempre pronta a bater a porta na cara de alguém, fã de Tolstói e do Oriente; Kakuro Ozu, um senhor japonês sorridente e misterioso, que, sem alarde, saberá salvá-las tanto da mediocridade quanto dos próprios espinhos. Foram esses os ingredientes que fizeram que o romance A elegância do ouriço, de Muriel Barbery, se tornasse uma boa surpresa literária.

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OZ, Amós. Pantera no porão. Traduzido por Isa Mara Lando, Milton Lando. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. 144 p. Resumo: Este romance conduz o leitor à Jerusalém de 1947, às vésperas do fim da ocupação britânica e da criação do Estado de Israel. O protagonista é um garoto judeu de 12 anos, filho de imigrantes poloneses, chamado de Prófi (diminutivo de professor) devido a sua obsessão pelas palavras. Narrado retrospectivamente pelo protagonista já adulto, Pantera no porão não apenas reconstitui a vida cotidiana em Jerusalém num momento crucial da história de Israel, como também capta o delicado momento da passagem da infância à idade adulta, no qual a fronteira entre a fantasia e a realidade ainda não está totalmente delineada.

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BEN JELLOUN, Tahar. O último amigo: romance. Traduzido por Maria Ângela Villela. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006. 128 p. Resumo: Tânger, final dos anos 1950. Dois adolescentes, Ali e Mamed, se conhecem no Liceu Francês, passam a andar juntos e se tornam amigos. Durante quase 30 anos, essa relação será afetada por mal-entendidos, duras provações sofridas juntos, ciúme disfarçado e traição. Tendo como pano de fundo o Marrocos, com seus costumes rígidos, suas mazelas políticas, e toda a sua beleza inebriante, este romance remete a um problema universal: o da amizade entre dois homens, que se conhecem desde criança e vivem juntos os ritos de passagem à idade adulta, com todos os percalços, sofrimentos e alegrias dessa convivência.

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Agradecimento pelas doações Ana Cláudia Martoni Moraes Andrea Felice Branca M. Albernaz Claudia Cândido Josca Ailine Barouch Márcia Lopez Marisa Vasconcelos Ferreira Paula Camargo Regina Scarpa Renata Blois Bruzadin Sandra Salgado Editora Callis Editora Iluminuras Editora Paulinas Panda Books SESI Editora

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Revista n8 2017  
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