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Revista do Sistema de Bibliotecas Vera Cruz

2019: Ano Internacional das Línguas Indígenas Junho de 2019 Número 14


EXPEDIENTE

DIRETOR GERAL

Heitor Fecarotta DIRETOR DE GESTÃO

Marcelo Chulam DIRETORA PEDAGÓGICA

Regina Scarpa

REVISTA LER CONCEPÇÃO E PESQUISA

Alexandre Leite e Sandra Salgado (Biblioteca Geral) PROJETO GRÁFICO

Kiki Milan e Juliana Lopes (Casa Vera Cruz) TEXTOS

Priscila Pires e Renata Blois (Comunicação) EDIÇÃO FINAL DE TEXTO

Claudia Cavalcanti (Casa Vera Cruz) REVISÃO DE TEXTO

Iara Arakaki e Laís Alcantara (Casa Vera Cruz)


Sumário Apresentação..................................................................................................... 5 Patrimônio ameaçado....................................................................................... 6 Riqueza plural absorvida.................................................................................. 7 Literatura indígena? .......................................................................................... 7 Um olhar indígena em 44 livros infantojuvenis de nossos acervos............... 8 Indicações do Sistema de Bibliotecas Vera Cruz......................................... 10 Para saber mais............................................................................................... 29 Fontes................................................................................................................ 29 Agradecimentos pelas doações......................................................................31


Apresentação “Como indígenas, nossas línguas são as línguas da Terra. Quando nossas línguas ficam em silêncio, perdemos nossa conexão e nossos meios antigos de conhecer a Terra. Pelo bem das gerações futuras, precisamos garantir que elas também possam falar a língua de nossos ancestrais.” (Kanen’tó:kon Hemlock, líder de uma comunidade Kahnawà:ke, do Canadá, durante o discurso de abertura do evento que marcou oficialmente 2019 como o Ano Internacional das Línguas Indígenas.)

O Ano Internacional das Línguas Indígenas foi criado pela ONU como um alerta para a necessidade de revitalização, preservação e promoção desses idiomas no mundo. “Cada língua indígena tem um valor incalculável para a humanidade, pois trata-se de um tesouro repleto de história, valores, literatura, espiritualidade, perspectivas e conhecimento, desenvolvido e colhido ao longo de milênios. Quando uma língua morre, ela leva consigo toda a memória que está dentro dela”, enfatizou María Fernanda Espinosa, presidente da Assembleia Geral da ONU. O site Ethnologue Languages of the World registra 6.909 diferentes línguas faladas ao redor do mundo. No entanto, grande parte delas nunca foi ouvida, já que 94% são faladas por apenas 6% dos habitantes do planeta, enquanto o restante da população usa somente 389 idiomas. Quase 500 línguas correm o risco de extinção, muitas das quais são aquelas faladas por povos indígenas, que carregam consigo tradições e memórias que poderão desaparecer com suas línguas. E você, o que conhece sobre esse tema? Qual é a importância da preservação das línguas indígenas e, consequentemente, da cultura e história desses povos? Nesta edição da Revista Ler, o Sistema de Bibliotecas Vera Cruz convida você a um passeio pelo universo indígena. Boa leitura!

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Patrimônio ameaçado Dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que há 896,9 mil indígenas no País, divididos em 305 etnias, e que falam 274 línguas diferentes. Antes da chegada dos portugueses ao Brasil, aproximadamente mil línguas eram faladas por estas terras. Durante o processo de colonização, a língua tupinambá – a mais falada ao longo da Costa Atlântica – foi incorporada por grande parte dos colonos e missionários, sendo ensinada aos índios nas missões. Ainda hoje, muitas palavras de origem tupi fazem parte do vocabulário dos brasileiros: abacaxi, açaí, pipoca, arapuca, jururu, tocaia, dentre muitos outros exemplos. Assim como o tupi influencia o português falado no Brasil até hoje, o contato entre os povos indígenas faz com que suas línguas também estejam em constante mudança, com a consequência de que falantes e tribos que se expressam e/ou entendem mais de um idioma. Em muitas aldeias, é possível encontrar várias línguas faladas ao mesmo tempo. O Atlas Mundial das Línguas, elaborado pela Unesco, em 2008, aponta que o Brasil é o terceiro país com o maior número de idiomas ameaçados de extinção. “Pode não ser imediato, mas essa situação representa um nivelamento cultural”, explica Nicholas Ostler, linguista britânico e autor de Empires of the word (Impérios da Palavra, sem edição no Brasil), em entrevista ao site da revista Superinteressante. Segundo ele, com os idiomas desaparecem músicas e expressões que dependem das particularidades de cada língua para existirem. “Também morrem mitologias inteiras, enfraquecidas em povos que, muitas vezes, dependem da transmissão oral. Essas narrativas até poderiam ser traduzidas, mas traduções não carregariam a função social original dessas histórias”, afirma Ostler.

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Riqueza plural absorvida Inúmeras são as contribuições indígenas para a cultura mundial. Na culinária, eles descobriram plantas nativas como o milho, a batata-doce, a pimenta, o feijão e a mandioca; no tratamento de doenças, o boldo como digestivo e a alfavaca como antigripal são alguns dos exemplos trazidos para o nosso dia a dia. Hábitos de higiene que permeiam a cultura nacional também estão presentes na sociedade em virtude da cultura indígena: banhos diários, o corte e a lavagem dos cabelos – naquela época, os europeus tomavam de um a dois banhos por ano, apenas por recomendação médica. Na língua portuguesa, estima-se que dez mil palavras sejam originárias do tupi, puras ou derivadas; dos 645 municípios paulistas, há pelo menos 200 com nomes tupis. O contato de povos indígenas com comunidades próximas também teve seus efeitos na mitologia e fez com que algumas de suas lendas fossem absorvidas pela cultura regional brasileira, como as do boto cor-de-rosa, do saci-pererê e do curupira, apenas para citar alguns exemplos.

Literatura indígena? Existe uma literatura indígena? Até pouco tempo atrás, era comum ouvir que não, já que os nativos não dominavam a escrita e tinham como principal instrumento a oralidade. No entanto, sabe-se que há cerca de 40 autores autodenominados indígenas no País, pertencentes a 20 diferentes povos, que produzem material literário com regularidade. São estimados 120 títulos, em sua maioria voltados ao público infantil e juvenil, mas também há literatura adulta, acadêmica, paradidática, audiolivros e até mesmo histórias em quadrinhos.

Daniel Munduruku

Ao longo dos últimos 20 anos, vários indígenas receberam reconhecimentos pela qualidade literária de suas produções escritas, como os Prêmios Jabuti e da Academia Brasileira de Letras. Além das premiações, autores indígenas e seus escritos estão presentes em encontros e concursos literários exclusivos para esses povos, saraus e seminários, e participam de feiras de livros no Brasil e no exterior. Daniel Munduruku é um deles. Pós-doutor em Literatura pela Universidade Federal de São Carlos e autor de mais de 52 livros para crianças, jovens e educadores, foi premiado no Brasil e no exterior, incluindo o 2o lugar no Prêmio Jabuti, em 2017, por Vozes ancestrais. “Sou um indígena que escreve, 7


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mas que não inventou a escrita. Eu escrevo com as letras do conquistador, com as palavras do colonizador. Sou, portanto, um indígena-escritor e o que escrevo traz a marca desse lugar de onde venho. Para mim, está claro que haverá um outro passo a ser dado, que é escrever na própria língua e com parâmetros intelectuais desenvolvidos por pensadores indígenas. Nesse momento, diria, teremos uma literatura indígena. Genuinamente indígena. Por conta dessa história tão recente, cujo roteiro ainda se delineia, falta muito até que se possa dizer que existe, de fato, uma literatura indígena”, explicou o autor em entrevista à revista Trip.

Um olhar indígena em 44 livros infantojuvenis de nossos acervos Cristino Wapichana

A boca da noite

Daniel Munduruku

Antologia de contos indígenas de ensinamento: tempo de histórias

Sapatos trocados: como o tatu ganhou suas grandes garras

A caveira-rolante, a mulher-lesma e outras histórias indígenas de assustar Como surgiu: mitos indígenas brasileiros Contos indígenas brasileiros Um dia na aldeia: uma história munduruku O diário de Kaxi: um curumim descobre o Brasil Um estranho sonho de futuro: casos de índio Histórias que eu ouvi e gosto de contar O homem que roubava horas O Karaíba: uma história do pré-Brasil O menino e o pardal Meu vô Apolinário: um mergulho no rio da (minha) memória O olho bom do menino Outras tantas histórias indígenas de origem das coisas e do universo Parece que foi ontem A primeira estrela que vejo é a estrela do meu desejo e outras histórias indígenas de amor Sabedoria das águas Saudades de amanhã As serpentes que roubaram a noite e outros mitos Vó coruja Vozes ancestrais: dez contos indígenas Wahtirã: a lagoa dos mortos

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Eliane Potiguara

A cura da terra

Elias Yaguakãg

Tykuã e a origem da anunciação

Kaká Werá Jecupé

As fabulosas fábulas de Iauaretê: a onça que virou guerreiro, casou com...

Lia Minápoty

A árvore de carne e outros contos

O pássaro encantado

Com a noite veio o sono Lua-menina e Menino-onça Maria Kerexu

A mulher que virou urutau

Olívio Jekupé

Ajuda do saci A mulher que virou urutau O presente de Jaxy Jaterê As queixadas e outros contos guaranis Verá, o contador de histórias

Tiago Hakiy

A pescaria do curumim e outros poemas indígenas

Yaguarê Yamã

A árvore de carne e outros contos Contos da floresta A origem do beija-flor: Guanãby Muru-gáwa Pequenas guerreiras Puratig̃: o remo sagrado Yaguarãboia: a mulher onça

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Indicações do Sistema de Bibliotecas Vera Cruz

KAHN, Marina; FOUSEK, Apo. ABC dos povos indígenas no Brasil. São Paulo: Edições SM, 2011. 48 p., il. (ABC). Amplo e diversificado, o Brasil indígena vai muito além da cultura tupi. São diferentes povos vivendo de norte a sul do País, falando línguas distintas, sem contar os grupos que permanecem isolados. Um universo fascinante, que se revela na variedade de estilos e técnicas de pintura corporal, nos tipos de festas e cerimônias — como as que envolvem ritos de passagem, no sortimento de artefatos, nas formas de relacionamento com a natureza. Este ABC introduz aspectos essenciais do modo de vida indígena que, em conjunto, dão uma ideia da diversidade étnica que vale a pena conhecer e é preciso preservar.

MACEDO, Valéria. Aldeias, palavras e mundos indígenas. Ilustrado por Mariana Massarani. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2015. 24 p., il. Yano, Ëjcre, Üne, Oo — por incrível que pareça, essas quatro palavras significam a mesma coisa. Representam, na língua de quatro povos indígenas diferentes (os Yanomami, os Krahô, os Kuikuro e os Guarani Mbya), o vocábulo casa. Por meio delas e de muitas outras palavras, neste livro, o leitor é convidado a conhecer um pouco da vida e dos costumes desses grupos: onde moram, como se enfeitam, suas festas, sua língua.

CASTRO, Eduardo Viveiros de; CAUX, Camila de; HEURICH, Guilherme Orlandini. Araweté: um povo tupi da Amazônia. 3. ed. São Paulo: SESC, 2016. 228 p., il. Fruto da pesquisa acadêmica feita na década de 1980, por Eduardo Viveiros de Castro, este livro foi lançado, primeiramente, em 1992, após uma edição adaptada para atender a públicos mais amplos e não especializados que demonstraram grande interesse pelo modo de vida dos Araweté. Esta terceira edição, revista e ampliada com novos capítulos oriundos de estudos recentes, comemora os 30 anos da pesquisa pioneira de Viveiros de Castro — um dos mais respeitados antropólogos brasileiros. Sobretudo, a obra recupera a luta desse povo para sobreviver, resistir e se reinventar sem, no entanto, perder sua cultura.

TIRAPELI, Percival. Arte indígena: do pré-colonial à contemporaneidade. São Paulo: Editora Nacional, 2006. 64 p., il. (Arte brasileira). O livro retoma desde a arte rupestre até a representação indígena nos tempos atuais. Passa pela arqueologia, pelos séculos 16 e 18 e por Lygia Pape, com seu Manto Tupinambá. Dá ênfase às regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil, onde foram marcantes as presenças indígenas e de ancestrais americanos.

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ATHAYDE, Simone Ferreira (Org.). Arte indígena Parque do Xingu: Kaiabi, Yudja e Suyá. Canarana: ATIX, 2001. Não paginado, il. Catálogo do artesanato (cestaria, enfeites, armas, cuias, tecelagem, brinquedos, instrumentos musicais e objetos de madeira) produzido pelos povos Kaiabi, Yudja e Suyá.

GRUPIONI, Denise Fajardo. Arte visual dos povos Tiriyó e Kaxuyana: padrões de uma estética ameríndia. São Paulo: Iepé, 2009. 104 p., il. O livro sistematiza o resultado de várias oficinas culturais, realizadas entre 2005 e 2009, com as comunidades Tiriyó e Kaxuyna — que vivem em diferentes aldeias, na faixa oeste do Parque do Tumucumaque, norte do Pará. Nessas oficinas, foram discutidos e registrados os repertórios de grafismos, as histórias de suas origens, as tintas usadas na sua aplicação à pintura corporal, as diferenças entre grafismo e desenho figurativo, os significados dessa arte visual e a cadeia de transmissão dos saberes orais ligados a tais assuntos. O livro apresenta o modo como os Tiriyó e Kaxuyna concebem a si mesmos e como eles se relacionam com os outros. A obra trata, ainda, da arte visual desses povos, a partir de narrativas de sua tradição oral e uma amostragem de sua arte gráfica e figurativa. CASTRO, Esther de (Coord.). Artefatos e matérias-primas dos povos indígenas do Oiapoque: Iepé e Museu Kuahí. São Paulo: Iepé, 2013. 192 p., il. A publicação é resultado de um processo de aprendizagem, pesquisa e registro de informações desenvolvidos pelos indígenas funcionários do Museu Kuahí, em parceria com artesãos de suas comunidades. A pesquisa teve como tema as matérias-primas utilizadas pelos povos indígenas do Oiapoque para fazerem os seus objetos, muitas vezes denominados, nos contextos fora das aldeias, de artesanatos. A proposta e a escolha indígena de estudo das matérias-primas visam colocar, na ordem cotidiana, uma reflexão e sensibilização sobre a obtenção e uso de seus recursos ambientais, ao assegurar ações que levem à preservação do meio e à continuidade de seus saberes e práticas.

QUENTIN, Laurence; REISSER, Catherine. Às margens do Amazonas: no Brasil, os caboclos; Entre o Brasil e a Venezuela, os ianomâmis; No Equador, os otavalos. Traduzido por Rosa Freire d' Aguiar. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2010. 150 p., il. A Amazônia é tão vasta quanto diversificados são os povos que a ocupam. Neste livro, as crianças conhecem três deles: sua história, costumes, o dia a dia e as características da região onde vivem. Textos explicativos são acompanhados de narrativas ficcionais, sugestões de jogos e atividades culinárias. Além disso, são ilustrados com desenhos, fotos e mapas da região.

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MUNDURUKU, Daniel. O banquete dos deuses: conversa sobre a origem e a cultura brasileira. Ilustrado por Maurício Negro. 2. ed. São Paulo: Global, 2009. 104 p., il. História, mitos, cultura e hábitos de várias tribos são relatados neste livro de modo claro e, muitas vezes, poético. Podemos perceber, assim, quanto da identidade nacional é resultado, também, da valiosa contribuição dos Munduruku, Tapuia, Tupinambá, Yanomami etc. Na obra, o autor Daniel Munduruku discorre, em tom ensaístico, sobre o caráter transcultural e holístico da cultura e práticas ancestrais dos grupos indígenas brasileiros, refletindo, inclusive, sobre as possibilidades e contribuições dessa herança ancestral no âmbito da educação.

HERRERO, Marina; FERNANDES, Ulysses (Org.). Baré: povo do rio. São Paulo: SESC, 2015. 340 p., il. Esta obra apresenta a cultura, os jogos e as lendas do Curupira, Juruparí e Poronominare, das comunidades da etnia Baré, localizadas próximas aos municípios de Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira, às margens do Rio Negro, no Estado do Amazonas. O projeto contempla uma região com forte desestruturação social, por sofrer inúmeras pressões desde a chegada dos europeus até a mais recente invasão de garimpeiros, e que chama atenção pela dramática taxa de suicídios entre sua população jovem. O devastador processo de aculturação implica a perda dos saberes tradicionais, a tradição oral e técnicas artísticas de grande valor, o que leva as populações indígenas a se sentirem desvalorizadas e a negarem sua identidade. PINAGÉ, Paulo. Caiapó Metutire: os guerreiros pintados de negro. Fotografia de Vito d' Alessio. São Paulo: Dialeto, 2003. 115 p., il. O livro documenta o grupo dos Caiapó Metutire, habitantes da região Capoto-Jarina, parte de um imenso território situado entre o limite do Parque Indígena do Xingu e a divisa do Pará. Um povo orgulhoso de suas tradições, que exigiu muito respeito e paciência do fotógrafo Vito d´Alessio e do indigenista e pesquisador Paulo Pinagé, a fim de conquistar a confiança e a liberdade necessárias para uma aproximação mais íntima do ambiente da comunidade, com seus mitos, rituais e costumes.

CAIAPÓ Metutire: os guerreiros pintados de negro. Caucaia: Azul Music, 2004. 2 CDs (120 min), estéreo. Este álbum integra o projeto multimídia Caiapó Metutire, que durante quatro anos documentou o dia a dia do grupo indígena Metutire, localizado na região de Capoto-Jarina, situada entre o Parque do Xingu e a divisa do Pará. O primeiro disco, intitulado Étnico (42 músicas), documenta cantos e sons captados na aldeia Metutire, revelando a musicalidade do povo milenar. O segundo disco, Fusion (17 músicas), combina a produção original dos Caiapós com contribuições dos músicos Egberto Gismonti, Airto Moreira, Badi Assad e Gilberto Gil, ao trazer a complexidade da sonoridade indígena para mais perto da cultura ocidental.

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KRENAK; MAXAKALI; PATAXÓ. O canto das montanhas. São Paulo: Núcleo de Cultura Indígena, 1999. 1 CD (54 min), estéreo. Esse disco registrou o 1o Festival de Dança e Cultura Indígena da Serra do Cipó, que aconteceu em setembro de 1998. Os Borum, como se autodenominam os Krenak, vivem hoje em sua reserva, próxima ao município de Resplendor, às margens do Rio Doce. Os Maxakali se autodenominam Tikmã-ã, que quer dizer 'nós, os humanos'. Vivem no Vale do Mucuri, localizado no nordeste de Minas Gerais. Já o povo Pataxó vive no litoral sul da Bahia e em Minas Gerais. Ocupavam, originalmente, uma vasta região, que ia do Espírito Santo à Bahia, passando pelo sertão de Minas Gerais.

PUCCI, Magda Dourado. Cantos da floresta: iniciação ao universo musical indígena. São Paulo: Peirópolis, 2017. 336 p., il. Inclui 1 CD. Este livro-CD é uma porta de entrada para o universo da expressão artística indígena, em especial a arte oral, que inclui a música. A obra busca despertar o olhar do educador para a diversidade das expressões artísticas entre os povos brasileiros, e entre esses povos e a cultura ocidental dominante. Apresenta diversos aspectos da cultura indígena, com foco na diversidade musical de nove grupos indígenas: Kambeba, Paiter Surui, Ikolen Gavião, Kaingang, Krenak, Guarani, Xavante, Yudjá e povos do Rio Negro.

MUNDURUKU, Daniel. Catando piolhos, contando histórias. Ilustrado por Maté. São Paulo: Escarlate, 2014. 48 p., il. “Ali, contávamos para todos os adultos presentes tudo o que havíamos feito durante o dia. Embora não parecesse, todos nos ouviam com atenção e respeito. Aquele era um exercício de participação na vida de nossa comunidade familiar.” Este livro reúne memórias de infância de um menino indígena que nos fala das tradições de seu povo Munduruku, transmitidas pela narrativa oral. A obra remonta aos momentos felizes quando, sentado na aldeia, no colo dos mais velhos ou ao pé da fogueira, ouvia histórias enquanto eles catavam piolhos em seus cabelos e lhe faziam carinhos na cabeça.

CORRÊA, Ivânia Neves; MAGALHÃES JÚNIOR, Lázaro; MASCARENHAS, Regina. O céu dos índios Tembé. 2. ed. Belém: Planetário do Pará Sebastião Sodré da Gama, 2000. 54 p. (Etnoastronomia). Etnoastronomia significa uma nova maneira de estudar a astronomia, ao respeitar as diferenças culturais das sociedades humanas. Nesta obra, temos a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a astronomia dos índios Tembé e a maneira como a cultura desse povo se relaciona com o céu.

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MUNDURUKU, Daniel. Coisas de índio. 2. ed. São Paulo: Callis, 2010. 96 p., il. Este livro apresenta uma compilação de referências sobre os diversos povos indígenas do Brasil. Os textos versam sobre os locais onde vivem, sua arte, alimentação, medicina, trabalho e os elementos culturais que compõem esses povos.

SILVA, Aracy Lopes da; NUNES, Angela; MACEDO, Ana Vera Lopes da Silva (Org.). Crianças indígenas: ensaios antropológicos. São Paulo: Global, 2002. 280 p., il. (Antropologia e educação). Como vivem as crianças indígenas brasileiras? Do que brincam? Quais são seus interesses? Como ocupam seu tempo? Sobre o que aprendem e como o fazem? Muito mais do que fechar conclusões, os ensaios desta obra abrem possibilidades de reflexão e ação.

MUNDURUKU, Daniel. Crônicas de São Paulo: um olhar indígena. 2. ed. São Paulo: Callis, 2013. 64 p., il. Este livro fala sobre os significados dos nomes indígenas de alguns lugares de São Paulo, ao refletir sobre os povos que participaram e participam da construção da cidade. Além disso, em cada crônica que compõe a obra, o autor nos presenteia com relatos de sua vida e cultura. Conheça um pouco da história de nossos antepassados e construa seu próprio olhar sobre a cidade de São Paulo.

CARELLI, Rita (Adapt.). Das crianças Ikpeng para o mundo: um dia na aldeia Ikpeng. Ilustrado por Rita Carelli. São Paulo: SESI-SP, 2018. 48 p., il. (Um dia na aldeia). Nada melhor do que conhecer uma aldeia Ikpeng tendo como guias as próprias crianças indígenas. Neste livro, em edição bilíngue, Yampï, Yuwipó, Kamatxi e Eruwó nos convidam a visitar a casa do cacique, tomar banho de rio e comer frutas no pé. Entendemos as tarefas dos homens e das mulheres — e como os meninos e as meninas também colaboram com os afazeres do dia a dia, sem deixarem de se divertir com os brinquedos que eles mesmos constroem.

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CARVALHO, Ana (Adapt.). Depois do ovo, a guerra: um dia na aldeia Panará. Ilustrado por Rita Carelli. São Paulo: Cosac Naify, 2014. 48 p., il. (Um dia na aldeia). Para as crianças Panará, brincar de guerra é coisa séria. Ao reviverem a antiga guerra de seu povo contra os Txucarramãe, seus velhos inimigos, os meninos da aldeia pintam o corpo, cortam os cabelos e fabricam as armas para celebrar a história, que se torna presente. Esta coleção, em edição bilíngue, traz um olhar autêntico e contemporâneo sobre diferentes povos indígenas, ao possibilitar que eles mesmos contem suas histórias.

MINDLIN, Betty. Diários da floresta. São Paulo: Terceiro Nome, 2006. 244 p. Diários da floresta é o conjunto das anotações de campo das seis primeiras viagens da antropóloga Betty Mindlin ao povo Suruí Paiter, em Rondônia, entre 1979 e 1983. Os diários relatam suas descobertas cotidianas, a análise da economia e da organização social, do parentesco, dos rituais, do amor e da guerra, dentre outras observações.

FERREIRA, Moacyr Costa. Dicionário morfológico tupi-guarani. 2. ed. São Paulo: Edicon, 2000. 122 p. O tupi-guarani, uma das principais famílias linguística do Brasil, foi a língua geral falada até o século 19, no litoral brasileiro. Ainda hoje, a língua é falada no Amazonas. Os Tupinambás, localizados na região litorânea do País nos primeiros tempos da colonização, constitui o povo indígena de que se tem mais informação, desde antes de sua migração. Nesta obra, o autor apresenta a língua indígena clássica do Brasil e sua influência na vida espiritual e cultural do País.

ATHIAS, Renato; PINTO, Regina Pahim (Org.). Estudos indígenas: comparações, interpretações e políticas. São Paulo: Contexto, 2008. 191 p., il. (Justiça e desenvolvimento / IFP-FCC). Esta coletânea reúne nove ensaios escritos por profissionais de várias regiões do País, que defenderam suas dissertações e teses sobre populações tradicionais. Todos eles tiveram suas pesquisas apoiadas pelo Programa Internacional de Bolsas de Pós-Graduação da Fundação Ford.

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PUCCI, Magda Dourado; ALMEIDA, M. Berenice de. A floresta canta!: uma expedição sonora por terras indígenas do Brasil. Ilustrado por Joana Resek. 2. ed. São Paulo: Peirópolis, 2014. 72 p., il. Este livro traz uma grande viagem pela riqueza musical cultivada por grupos indígenas em diferentes regiões do País, como Krenak, Kaingang, Paiter-Suruí, Ikolen-Gavião, Mbyá Guarani, Xavante, Kambeba e Yudjá. A publicação apresenta cada detalhe dos sons retirados das florestas, as tradições culturais e a linguagem utilizada para transformar elementos da natureza em canções. As autoras descrevem a viagem em diversas etapas, transformando a experiência em um diário de bordo sonoro com fotos de instrumentos, mapas dos lugares visitados e comentários sobre os costumes de cada grupo indígena.

VIDAL, Lux (Org.). Grafismo indígena: estudos de antropologia estética. 2. ed. São Paulo: Studio Nobel, 2000. 296 p., il. Este livro reúne 13 artigos sobre grafismos indígenas, ao mostrar a imensa riqueza e a grande variedade de suas manifestações entre os índios, no Brasil. Importante contribuição para a etnologia brasileira, conta com a colaboração de antropólogos e especialistas no assunto, com ampla experiência de campo, que reuniram uma rica iconografia aplicada em diferentes suportes — pedra, cerâmica, entrecasca, papel e, com maior frequência, o corpo humano. Tratando de questões gráficas e de forma, como as simbólicas e teóricas, a maioria dos autores dá ênfase aos enfoques sociais, ao analisar as questões relativas a um desenvolvimento histórico específico, assim como as mudanças devido ao contato com a sociedade nacional, a comercialização do artesanato e a resistência étnica. O livro reúne, também, importantes contribuições no campo da educação, nas questões relacionadas à preservação do meio ambiente, nas discussões sobre os direitos humanos e o respeito à diversidade étnica. NOVAES, Sylvia Caiuby (Org.). Habitações indígenas. São Paulo: Nobel, 1983. 196 p., il. A autora observa que a casa é uma das referências para elaboração da identidade e para nos localizar no espaço. Porém, segundo ela, entre os indígenas, a casa não é o ponto de referência: este é sempre associado a um espaço mais amplo. Pode ser a casa comunitária (caso dos Waiampi), a aldeia (caso dos Bororo, Xavante, Wayana, Xinguanos, Xikrin) ou o território da ocupação do grupo (como nos Parakanã). A casa é um elemento secundário do quadro da vida, apenas sua parte mais íntima. Neste livro, Sylvia Caiuby relata a escassez de estudos sobre o tema da casa indígena do ponto de vista arquitetônico, sociocultural, econômico e simbólico.

CARELLI, Rita (Adapt.). A história de Akykysia, o dono da caça: um dia na aldeia Wajãpi. São Paulo: Cosac Naify, 2014. 48 p., il. (Um dia na aldeia). Quem caçar de maneira exagerada terá de acertar as contas com Akykysia, o monstro canibal que mora na floresta e tudo vê. Isso quem conta são os pajés do povo Wajãpi, lembrando uma história que aconteceu há muito tempo com seus antepassados — quando encararam de perto a fúria do dono da caça. A história diz, ainda, que um menino esperto descobriu o esconderijo do monstro, e, assim, os Wajãpi puderam caçá-lo. Apesar disso, os mais velhos acreditam que Akykysia continua até hoje à espreita, na mata.

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CARVALHO, Ana (Adapt.). A história do monstro Khátpy: um dia na aldeia Kisêdjê. Ilustrado por Mariana Zanetti. São Paulo: Cosac Naify, 2014. 48 p., il. (Um dia na aldeia). O povo Kisêdjê conhece bem os perigos da floresta. O monstro Khátpy é um deles. Indígena e monstro, porém, têm algo em comum: ambos são hábeis caçadores e exemplares chefes de família. Enquanto o primeiro caça macacos, o segundo caça índios. Enquanto Khátpy usa da força bruta, o indígena vence pela esperteza. É o que contam os anciãos da aldeia, ao relembrarem a história de como um caçador astuto conseguiu escapar das garras do monstro e voltar são e salvo para casa.

CUNHA, Manuela Carneiro da (Org.). História dos índios no Brasil. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. 608 p., il. O livro é resultado dos trabalhos do Núcleo de História Indígena da USP e foi organizado por Manuela Carneiro da Cunha — um dos principais nomes da antropologia do País, hoje professora da Universidade de Chicago. A obra reúne 27 colaboradores, entre especialistas brasileiros e do exterior, que atuam em diferentes áreas de pesquisa, como Antropologia, História, Arqueologia e Linguística. A coletânea oferece ao grande público o acesso às principais questões ligadas à presença dos povos indígenas no Brasil, como as novas teorias sobre a origem do homem americano.

MUNDURUKU, Daniel. Histórias de índio. Ilustrado por Laurabeatriz. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2016. 72 p., il. Histórias de índio traz um conto sobre a cultura munduruku, crônicas e depoimentos a respeito das experiências vividas pelo autor no chamado "mundo dos brancos". Além disso, a obra reúne informações gerais sobre a diversidade étnica do Brasil indígena.

CESARINO, Pedro. Histórias indígenas dos tempos antigos. Ilustrado por Zé Vicente. São Paulo: Claro Enigma, 2015. 120 p., il. Há muitos povos indígenas no Brasil, mais interessantes e diversos do que se costuma imaginar. Hoje, eles somam cerca de 900 mil índios, que falam 274 línguas diferentes — e cada uma delas carrega um repertório único de histórias, transmitidas pela memória oral, de geração em geração. Ainda assim, grande parte permanece desconhecida do público. Este livro é um passeio instigante por algumas dessas histórias, ao introduzir o leitor no vasto conhecimento produzido, ao longo dos milênios, pelos habitantes das florestas.

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FRANCHETTO, Bruna (Org.). Ikú ügühütu higei: arte gráfica dos povos Karib do Alto Xingu. Rio de Janeiro: Museu do Índio - FUNAI, 2003. 72 p., il. O livro reúne o conjunto dos principais grafismos tradicionais da cultura alto-xinguana, especialmente a Karib, seu significado e função social e tem o objetivo de conservar, pesquisar e divulgar o acervo indígena.

CUNHA, Manuela Carneiro da. Índios no Brasil: história, direitos e cidadania. São Paulo: Claro Enigma, 2012. 160 p., il. (Agenda brasileira). De mão de obra escrava a obstáculo à ocupação das terras, o status do povo indígena foi mudando ao longo dos séculos. Nos cinco ensaios que compõem esta obra, a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha percorre a história dos índios no Brasil, desfaz preconceitos recorrentes e explica como se deu a formação da identidade indígena.

CAMARGO, Vera Toledo Camargo; FERREIRA, Maria Beatriz Rocha; SIMSON, Olga R. de Moraes von (Org.). Jogo, celebração, memória e identidade: reconstrução da trajetória de criação, implementação e difusão dos Jogos Indígenas no Brasil (1996-2009). Campinas: Curt Nimuendajú, 2011. 175 p., il. Este livro traz resultados de um estudo coletivo sobre a história dos jogos indígenas (em suas dez realizações, entre 1996 e 2009). Os trabalhos reunidos revelam um panorama do que foram as dez edições dos Jogos Indígenas do Brasil, e prestam um serviço à memória dos povos que deles participam. Igualmente, contribuem à memória brasileira em geral, ao reunir informações, depoimentos e imagens dessas atividades.

HERRERO, Marina; FERNANDES, Ulysses (Org.). Jogos e brincadeiras na cultura Kalapalo. Fotografia de Haroldo Palo Júnior. São Paulo: SESC, 2010. 264 p., il. Em 2005, o Sesc São Carlos promoveu a ida de uma equipe até o Alto Xingu. O grupo registrou 25 jogos e brincadeiras (algumas delas em vias de esquecimento) na aldeia Kalapalo, onde vivem cerca de 400 índios. Este livro se compõem de fotos de adornos, objetos, armas e máscaras, além de desenhos de pintura corporal e imagens de indígenas brincando, ou participando de ritos.

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GRUPIONI, Luís Donisete Benzi. Juntos na aldeia. Coordenado por Donatella Berlendis. 2. ed. São Paulo: Berlendis & Vertecchia, 1999. 48 p., il. (Pawana). Em Juntos na aldeia, são contadas histórias sobre quatro povos indígenas diferentes, ao retratar situações cotidianas e rituais vividos pelos jovens. Elas são contextualizadas no ambiente e na cultura de cada um desses povos, e os desenhos que as ilustram foram feitos pelos próprios índios. Nas cenas familiares, vão buscar mandioca na roça e preparar o bolo beiju. Também cortam lenha, ralam castanhas e afiam pontas de flechas. Além disso, eles caminham pela mata rumo à aldeia dos missionários, visitam parentes e participam de rituais, como o do menino que receberá o adorno labial na cerimônia da furação.

MUNDURUKU, Daniel. Kabá Darebu. Ilustrado por Marie Therese Kowalczyk. São Paulo: Brinque-Book, 2002. 28 p., il. "Nossos pais nos ensinam a fazer silêncio para ouvir os sons da natureza; nos ensinam a olhar, conversar e ouvir o que o rio tem para nos contar; nos ensinam a olhar os voos dos pássaros para ouvir notícias do céu; nos ensinam a contemplar a noite, a lua, as estrelas..." Kabá Darebu é um menino indígena que nos conta, com sabedoria e poesia, o jeito de ser de seu povo, os Munduruku.

MIRIM, Werá Jeguaka. Kunumi guarani. Ilustrado por Gilberto Miadaira. São Paulo: Panda Books, 2014. 24 p., il. Werá Jeguaka Mirim é um menino guarani. Neste livro, ele nos conta onde fica sua aldeia, como é a sua casa, quais são suas brincadeiras preferidas e como é o seu dia a dia. Preparese para conhecer a vida de uma criança indígena e a riqueza de seu povo.

GALLOIS, Dominique Tilkin (Org.). Kusiwarã: pesquisadores e professores Wajãpi. São Paulo: Apina, 2009. 84 p., il. Publicação bilíngue sobre a origem e o uso dos padrões kusiwarã, utilizados na pintura corporal e na decoração de alguns artefatos dos Wajãpi. Para este povo, os donos dos padrões kusiwarã são os animais — que podem trazer doenças para as pessoas, caso usem de modo errado esses desenhos.

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VELTHEM, Lucia Hussak van; LINKE, Iori Leonel van Velthem (Org.). Livro da arte gráfica Wayana e Aparai. São Paulo: Iepé, 2010. 94 p., il. Esta obra tem por objetivo servir como um instrumento difusor à população em geral sobre a riqueza da cultura material e imaterial presente na arte gráfica dos povos Wayana e Aparai. A publicação em si é, também, um instrumento de valorização interna, já que pode ser distribuída, guardada, discutida e rediscutida em suas escolas.

GRUBER, Jussara Gomes (Org.). O livro das árvores. 6. ed. São Paulo: Global, 2008. 96 p., il. O livro das árvores é fruto do trabalho da Organização Geral dos Professores Ticuna Bilíngues e representa o registro da intensa relação dos Ticuna com a terra, a floresta e as árvores. Além disso, caracteriza um registro valioso das várias espécies da flora e da fauna, dos rituais, crenças e lendas, da organização social, dos valores e costumes desse grupo indígena, o mais numeroso do País, com aproximadamente 32 mil pessoas, distribuídas em 100 aldeias.

CABALZAR, Aloisio et al. (Org.). Manual de etnobotânica: plantas, artefatos e conhecimentos indígenas. São Gabriel da Cachoeira: FOIRN, 2017. 80 p., il. Esta obra é parte de um projeto pioneiro que une instituições brasileiras e inglesas, com o objetivo central de reconectar os povos indígenas às observações e coleções feitas pelo botânico inglês Richard Spruce, no século 19. A publicação é resultado de um amplo projeto, que une os conhecimentos indígenas e científicos sobre as plantas e seus usos, coleções guardadas em acervos institucionais, bem como sistemas de classificação e visões de mundo.

RICARDO, Fany (Org.). Mirim: povos indígenas no Brasil. São Paulo: ISA, 2015. 128 p., il. Mirim: povos indígenas no Brasil se compõe de informações detalhadas sobre alguns povos indígenas que vivem no País. O livro é uma versão impressa do site Povos Indígenas no Brasil Mirim, que é pioneiro nessa temática.

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LEVAY, Cláudia. O mundo de Tainá. Ilustrado por Isabel Paiva. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2013. 48 p., il. Tainá mora na Floresta Amazônica, um lugar cheio de histórias, povos, bichos, plantas e línguas diferentes. Neste livro, a personagem explica o que quer dizer abacaxi, arara, capim e muitos outros termos em tupi — uma língua falada há muito tempo pelos indígenas e colonizadores, que deu origem a muitas palavras do nosso português. O livro inclui algumas lendas da floresta.

ÑANDE reko arandu: memória viva Guarani. São Paulo: MCD World Music, 2002. 1 CD (74 min), estéreo. Este álbum resgata a cultura do povo Guarani com o cântico das crianças, ao evocar o espírito ancestral em cada um de nós. A obra afirma a importância dos cânticos em cada situação de nossa existência.

NHAMANDU WERÁ. Nhamandu Werá - Brilho do Sol: cantos sagrados Guarani pela paz da humanidade. [S.l.: s.n.], 2003. 1 CD (51 min), estéreo. O grupo Nhamandu Werá, da aldeia Tekoá Marangatu, situada em Imaruí, no município de Laguna, em Santa Catarina, registrou em CD suas músicas cantadas na casa de reza — canções inéditas e desconhecidas pela população. Eles divulgam seus cantos para a humanidade como forma de expansão de sua cultura, podendo, assim, mantê-la viva para as futuras gerações.

CARELLI, Rita (Adapt.). No tempo do verão: um dia na aldeia Ashaninka. Ilustrado por Mariana Zanetti. São Paulo: Cosac Naify, 2014. 48 p., il. (Um dia na aldeia). Na aldeia Ashaninka, verão é tempo de farra de passarinho, pé de fruta carregado e pescaria em família. Mas é, antes de tudo, tempo de descoberta. As crianças deixam de ir à escola para aprender com os mais velhos a vida na floresta: fazer flechas, construir abrigo na margem do rio, acender o fogo, cozinhar macaxeira e fisgar peixe com arpão.

BENEDITO, Mouzar. Paca, tatu, cutia!: glossário ilustrado de tupi. Ilustrado por Ohi. São Paulo: Melhoramentos, 2014. 122 p., il. Você sabe o que Bauru, Jurema, jacaré e pereba têm em comum? Todas são palavras originadas das línguas faladas no Brasil na época do descobrimento. Os indígenas do litoral brasileiro falavam dialetos muito parecidos com uma língua brasílica, que era só oral. Os jesuítas tentaram unificar esses dialetos por meio da criação de uma escrita, o “nheengatu” (“língua boa” ou “falar bem”, em tupi). Com o objetivo de valorizar nossa cultura e linguagem, Mouzar Benedito compilou os vocábulos do nheengatu neste glossário.

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CARVALHO, Ana (Adapt.). Palermo e Neneco: um dia na aldeia Mbya-Guarani. Ilustrado por Mariana Zanetti. São Paulo: Cosac Naify, 2014. 48 p., il. (Um dia na aldeia). Palermo e Neneco são irmãos e pertencem ao povo Mbya-Guarani. Espirituosos, os meninos dão um jeito de se divertirem e darem risada até quando precisam ajudar nas tarefas da aldeia. Além de colherem palmito e cortarem madeira, gostam de Michael Jackson e de festas com cantoria ao som da rabeca e do violão. Mas nem sempre esse contato com os brancos é amigável.

VILAÇA, Aparecida. Paletó e eu: memórias de meu pai indígena. São Paulo: Todavia, 2018. 200 p., il. Paletó morreu aos 85 anos, depois de ter vivido por décadas na mata, em meio aos índios Wari. Ele viveu pelo menos 30 anos na floresta, sem contato com os brancos. Viu chegar os forasteiros e, com eles, novos alimentos e doenças. Desde 1986, a antropóloga Aparecida Vilaça vive longos períodos entre os Wari para conhecer o seu modo de vida e, aos poucos, construiu, com Paletó, uma relação de pai e filha. Este livro conta a sua história e a de seu povo.

GALLOIS, Dominique Tilkin (Org.). Patrimônio cultural imaterial e povos indígenas: exemplos no Amapá e norte do Pará. 2. ed. São Paulo: Iepé, 2011. 96 p., il. Esta obra apresenta conceitos básicos para o reconhecimento e a salvaguarda do patrimônio cultural imaterial, ilustrados com exemplos dos grupos Tiriyó, Katxuyana, Aparai, Wayana, Wajãpi, Galibi do Oiapoque, Karipuna, Galibi-Marworno e Palikur, povos indígenas que vivem no Amapá e norte do Pará. Promover o reconhecimento desses grupos como detentores de formas de expressão cultural particulares e permanentemente recriadas é uma das metas do projeto Valorização e Gestão de Patrimônios Culturais Indígenas.

PEJU Katu Kyringue'i...: venham todas as crianças.... Direção de Silvio Cordeiro, André Costa. São Paulo: Olhar Periférico, 2004. 1 DVD (15 min), NTSC, son., color. Parceria entre a produção do Felco (Festival Latinoamericano de la Classe Obrera) e o Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, este vídeo foi filmado na aldeia guarani Krucutu, em Parelheiros (SP). Durante algumas tardes, a equipe acompanhou as atividades de lazer e estudos de crianças e jovens da aldeia, sob a supervisão de professores e do cacique Marcos Tupã. Jogos, artesanatos, brincadeiras, canto, dança, desenho e música instrumental são algumas das atividades desenvolvidas na comunidade. Costumes e brincadeiras tipicamente indígenas, como o banho de rio e o jogo de peteca, são registrados pela equipe, ressaltando o lado lúdico da convivência e do aprendizado na aldeia.

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CASTANHA, Marilda. Pindorama: terra das palmeiras. Ilustrado por Marilda Castanha. São Paulo: Cosac Naify, 2007. 48 p., il. (Histórias para contar história). A autora se aventura pelo passado de nosso País e nos leva aos primórdios da história — ao Brasil antes do 'descobrimento'. Em Pindorama, nem todas as tribos viviam da mesma maneira. Marilda ressaltou as diferenças entre Kayapós, Xavantes, Pataxós e Tupinambás, dentre outras etnias indígenas. O livro explica, ainda, como os índios se orientavam pelas mudanças da natureza, as técnicas de pesca e caça, a confecção de instrumentos, a maneira de se comunicarem com o mundo dos espíritos, as máscaras e os instrumentos musicais usados nos rituais, a arte da pintura, e até a forma como criaram as palavras de sua língua e sua identidade.

PATAXÓ, Angthichay et al. O povo Pataxó e suas histórias. 5. ed. São Paulo: Global, 2001. 48 p., il. O livro versa sobre as caças, matas, rios, peixes, ervas, pássaros, roçados, estrelas, caciques e benzedores. Representa a voz de cinco professores indígenas Pataxó — aldeia localizada no município de Carmésia, em Minas Gerais — revelando-nos a história de seu povo — os hábitos, crenças, valores, tradições e luta pela sobrevivência. As ilustrações, também feitas pelos professores, valorizam a narrativa, acentuando seu caráter genuíno e original.

HECK, Egon; PREZIA, Benedito. Povos indígenas: terra é vida. 2. ed. São Paulo: Atual, 1999. 80 p. (Espaço e debate). A obra destaca a grande diversidade étnica, linguística e cultural das sociedades indígenas e sua distribuição pelo território brasileiro; as sucessivas etapas do massacre a que foram submetidos ao longo da história e, especialmente, a luta que travam pelo domínio de terras que lhes assegurem a vida e a preservação de suas comunidades. Os autores apresentam, neste livro, uma avaliação crítica das ações dos diversos agentes que atuam nessa área.

VIDAL, Lux Boelitz. Povos indígenas do Baixo Oiapoque: o encontro das águas, o encruzo dos saberes e a arte de viver. 3. ed. São Paulo: Iepé, 2009. 96 p., il. No extremo norte do País, no Estado do Amapá, moram os povos Karipuna, Galibi Kali’na, Galibi Marworno e Palikur. Eles somam uma população de cinco mil indivíduos. O intercâmbio histórico entre indígenas e não indígenas no Baixo Oiapoque fez com que esses quatro povos desenvolvessem características comuns, a partir de uma mesma tradição cultural. O intenso contato não apagou as especificidades de cada grupo, que mantém uma identidade própria, historicamente construída, e configurações sociais, políticas e religiosas específicas. Neste livro, são apresentados os processos de fabricação e ornamentação de artefatos produzidos por esses povos, os símbolos que lhes são atribuídos, os contextos de uso e suas dimensões cósmicas: as transformações e interpretações a que são constantemente submetidos.

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GALLOIS, Dominique Tilkin; GRUPIONI, Denise Fajardo. Povos indígenas no Amapá e norte do Pará: quem são, onde estão, quantos são, como vivem e o que pensam? 2. ed. São Paulo: Iepé, 2009. 96 p., il. Este livro foi organizado para atender à demanda crescente de informação qualificada e atualizada sobre os grupos indígenas que vivem no Amapá e norte do Pará, numa parte da Amazônia brasileira que permanece muito pouco conhecida. É alentador perceber que variados setores da população dessa região se preocupam em saber mais a respeito dos indígenas. Esse interesse revela um questionamento das ideias preconcebidas e preconceituosas, que são habitualmente difundidas a respeito desses povos e de seu futuro.

POVOS indígenas no Brasil, 2011-2016. São Paulo: ISA, 2017. 830 p., il. A série Povos Indígenas no Brasil, referente ao período de 2011 a 2016, traz uma visão geral da situação dos povos indígenas que vivem no País. São 160 artigos e boxes assinados, 745 notícias extraídas e resumidas a partir de 156 fontes, além de 243 fotos e 27 mapas. A obra inclui um caderno especial de 32 páginas, com imagens das capas de publicações e, também, das mobilizações indígenas do período. O enfoque dos textos se dá, principalmente, no panorama atual dos povos indígenas, seus direitos e suas terras, além das pressões e ameaças sofridas, como as invasões de madeireiras, garimpeiros, fazendeiros, posseiros e obras de infraestrutura.

KOPENAWA, Davi; ALBERT, Bruce. A queda do céu: palavras de um xamã yanomami. Traduzido por Leyla Perrone-Moisés. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. 734 p., il. Um grande xamã e porta-voz dos Yanomami oferece um relato, ao mesmo tempo testemunho autobiográfico, manifesto xamânico e libelo contra a destruição da Floresta Amazônica. Publicada originalmente em francês, em 2010, a história se compõe de meditações do xamã a respeito do contato predador com o homem branco, ameaça constante para seu povo desde os anos 1960. A queda do céu foi escrito a partir de suas palavras contadas a um etnólogo, com quem nutre uma longa amizade — foram mais de 30 anos de convivência entre Bruce Albert, o etnólogo-escritor, e o povo de Davi Kopenawa, o xamã-narrador. A vocação de xamã desde a primeira infância, fruto de um saber cosmológico adquirido graças ao uso de potentes alucinógenos, é o primeiro dos três pilares que estruturam este livro. O segundo é o relato do avanço dos brancos pela floresta e seu cortejo de epidemias, violência e destruição. Por fim, os autores trazem a odisseia do líder indígena para denunciar a destruição de seu povo.

PORTELA, Fernando; MINDLIN, Betty. A questão do índio. 13 ed. São Paulo: Ática, 2008. 72 p., il. Os jovens Romário e Virgínia entram em contato com o universo indígena e vão descobrindo um pouco da organização, costumes e valores de uma sociedade milenar, que tem muito a ensinar ao chamado mundo civilizado. Por meio desses personagens, a obra trata de um dos mais graves problemas da sociedade brasileira — as condições em que vivem os indígenas, hoje. O livro versa sobre os seguintes temas: a população indígena no Brasil; sua língua; a cultura e costumes — habitações, casamento, mitos, música, etapas da vida; o cotidiano da aldeia; o território indígena e o choque intercultural.

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LORENZ, Sônia da Silva. Sateré-mawé: os filhos do guaraná. São Paulo: Centro de Trabalho Indigenista, 1992. 159 p., il. (Projetos). Esta publicação se compõe da história dos trabalhos conjuntos feitos por índios Sateré-Mawé do Rio Marau e o Centro de Trabalho Indigenista, que envolveram a demarcação de território, a organização da produção e a comercialização autônoma do guaraná. Além disso, o livro conta a história desse povo, alguns de seus mitos e o consumo ritual do guaraná. Os índios Sateré-Mawé, que habitam áreas na divisa dos Estados do Pará e Amazonas, domesticaram a trepadeira silvestre que produz o guaraná, possibilitando o consumo dessa bebida em todo o mundo.

ADISSI, Valeria Maria Alves; ZENUN, Katsue Hamada e. Ser índio hoje: a tensão territorial. Coordenado por Zilda Márcia Grícoli Iokoi. São Paulo: Loyola, 1998. 152 p., il. (História temática retrospectiva). Esta obra está dividida nos seguintes tópicos: a questão indígena no Brasil atual; a recuperação dos povos indígenas: mitos e lendas; o confronto entre os dois mundos; o projeto colonizador e a igreja.

RAMOS, Alcida Rita. Sociedades indígenas. 3. Ed. São Paulo: Ática, 1994. 96 p., (Princípios). A obra discute, de forma profunda, porém acessível, as sociedades indígenas presentes na América do Sul não andina. A autora expõe as relações entre território, sistema econômico, político, social, de crenças e de cultura indígena, fazendo comparações sucintas com os correspondentes sistemas contemporâneos na sociedade urbano-industrial.

MINÁPOTY, Lia. Tainãly, uma menina Maraguá. Ilustrado por Laurabeatriz. Curitiba: Positivo, 2014. 24 p., il. Tainãly é uma menina Maraguá, povo indígena que vive no Estado do Amazonas. Ela nos convida a brincar, conhecer sua aldeia, ver bichos da floresta e aprender muitas palavras novas. Texto bilíngue (português e língua maraguá).

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JECUPÉ, Kaka Werá. A terra dos mil povos: história indígena brasileira contada por um índio. 4. ed. São Paulo: Peirópolis, 1998. 116 p., il. (Educação para a paz). Neste livro, Kaká Werá Jecupé nos relata , com a mesma oralidade, o que lhe contavam seus parentes — pais, avós, bisavós e ancestrais de sua tribo — conservando a mesma fé. É preciso remodelar a visão que temos do povo brasileiro, ao acrescentar a ela a noção de que também nós somos uma etnia milenar. Umas das mais nobres e eficientes formas de conseguir isso é reintegrar ao universo da educação a perspectiva de valores universais contida na tradição indígena.

LÉVI-STRAUSS, Claude. Tristes trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. 400 p., il. Mais que um livro de viagem, este é um livro sobre a viagem. Além de reunir detalhes pitorescos das sociedades indígenas do Brasil central, Tristes trópicos discute as relações entre o Velho e o Novo Mundo, e o significado da civilização e do progresso. O livro não só é um clássico da etnologia e dos "estudos brasileiros", mas uma obra universal, sem fronteiras, sobre a crise do processo civilizatório na modernidade.

JECUPÉ, Kaka Werá. Tupã Tenondé: a criação do universo, da Terra e do homem segundo a tradição oral guarani. São Paulo: Peirópolis, 2001. 120 p., il. Tupã Tenondé é a revelação dos ensinamentos secretos da tradição oral tupi-guarani, escolhida por Kaka Werá para integrar o projeto 'A Tenda das Cosmovisões', do Museu do Universo do Planetário do Rio de Janeiro. Os cantos e mantras que compõem esse hino sagrado ganham forma de verso na transposição para a escrita. Mais do que uma narrativa poética que expressa com autenticidade a essência da cosmovisão e dos valores de um povo, as 'palavras formosas', chamadas pelos antigos de ñe’e porã tenondé, podem abrir caminho para aqueles que desejam tornar-se pajés. Neste livro, pela primeira vez, um indígena nomeado Guarani comenta as “palavras formosas”.

FRAGATA, Cláudio. O tupi que você fala. Ilustrado por Maurício Negro. São Paulo: Globinho, 2015. 32 p., il. Claudio Fragata apresenta o lado curumim de cada um de nós, ao revelar a influência indígena nas palavras que usamos em nosso dia a dia. Guri, pipoca, saci, guaraná, abacaxi. Podemos não perceber, mas é comum falarmos tupi. O tupi que você fala mostra que nosso português traz influências de outras culturas e aguça a curiosidade dos pequenos a descobrirem a origem das palavras.

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ANDRADE, Ugo Maia (Org.). Turé dos povos indígenas do Oiapoque. São Paulo: Museu do Índio - FUNAI, 2009. 96 p., il. Este livro resulta do interesse dos povos indígenas do Oiapoque em dar continuidade às suas tradições culturais. Ele mostra um substrato comum a partir do qual se movem os Karipuna, os Galibi-Marworno, Galibi Kali´na e Palikur, na região do Baixo Rio Oiapoque, Amapá. Ali, nas terras indígenas Uaçá, Galibi e Juminã, vivem hoje cerca de sete mil indígenas. O ritual do Turé, em que se agradece aos seres sobrenaturais e invisíveis as curas propiciadas por meio das práticas xamânicas dos pajés, é, neste livro, descrito por jovens pesquisadores indígenas, ligados ao Museu Kuahí dos Povos Indígenas do Oiapoque.

PATAXÓ, Apinhaera; PATAXÓ, Kanátyo. Txopai e Itôhã. São Paulo: Formato, 2000. 24 p., il. Este livro nasceu dentro do povo indígena e foi criado para falar da beleza, do sentimento, da poesia, da vida e da cultura do seu povo. O índio e a natureza não vivem separados. Esta publicação procura ensinar como se deve pisar e caminhar sobre a terra, para possibilitar a harmonia com todos os seres que nela habitam.

GRUPIONI, Luís Donisete Benzi. Viagem ao mundo indígena. São Paulo: Berlendis & Vertecchia, 1997. 48 p., il. (Pawana). Este primeiro volume da Coleção Pawana nos apresenta noites enluaradas, preparativos para a festa do menino Ukewái, que vai tornar-se rapaz; a atividade das mulheres Xikrin, que se reúnem para pintar o corpo — um gesto de afeto que exige muita técnica. Há, ainda, a corrida de toras na aldeia Xavante, que inclui a busca das palmeiras de buriti e a importância que os indígenas atribuem ao conhecimento dos mais velhos. Há o rito de passagem da infância da menina para a puberdade e como os índios Kadiwéu comemoram o Dia do Índio.

STRADELLI, Ermanno. Vocabulário português-nheengatu, nheengatu-português. Cotia: Ateliê Editorial, 2014. 530 p. Este livro contém uma diferença que o torna um documento de grande relevância linguística, sociológica e antropológica. Tendo vivido e trabalhado na região amazônica, onde morreu, sendo fluente na língua geral, o autor recolheu um vocabulário vivencial da língua nheengatu. Não mais as relíquias dos tempos iniciais da conquista, mas a língua nheengatu já adaptada à conceituação e à descrição de coisas e situações da sociedade que dessa conquista resultou. O nheengatu como língua dinâmica, o que explica sua vitalidade até os dias de hoje, em várias regiões do Brasil, como o Alto Rio Negro, onde é língua oficial.

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BUENO, Francisco da Silveira. Vocabulário tupi-guarani/português. 6. ed. São Paulo: Éfeta, 1998. 690 p. Nesta edição, o autor oferece aos leitores um maior número de palavras e expressões indígenas, e dá especial relevo aos topônimos, ou nomes de lugares.

MUNDURUKU, Daniel. Você lembra, pai? Ilustrado por Rogério Borges. São Paulo: Global, 2003. 24 p., il. (Temática indígena). De um modo informal, como se estivesse conversando, o autor conta sobre a forte presença do pai em sua vida. A narrativa segue a linha do tempo. Um percurso pela memória, marcado por muitos momentos juntos, por ensinamentos, descobertas. A relação entre pai e filho constrói-se fundamentada em princípios comuns — respeito, admiração, cuidado, carinho e limites.

VILLAS BOAS, Orlando; VILLAS BOAS, Cláudio. Xingu: os índios, seus mitos. São Paulo: Círculo do Livro, 1979. 221 p. O livro se divide em duas partes, que apresentam dois enfoques complementares sobre um mesmo fenômeno: a cultura xinguana. A primeira parte da obra faz uma análise histórica do processo de sedimentação dos indígenas na região do Rio Xingu. A segunda fornece um inventário dos principais mitos xinguanos, colhidos durante as várias décadas de permanência dos Villas Boas na região. Os autores permitem ao leitor entrar em contato com os indígenas vivendo na força de sua cultura, onde mito, magia e realidade se mesclam, formando um universo próprio, conhecido como Xingu.

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Para saber mais Para outras informações sobre os povos indígenas e suas línguas, convidamos vocês a consultarem os seguintes materiais:  Site oficial do Ano Internacional das Línguas Indígenas (clique aqui).  Texto “Línguas Indígenas e diversidade linguística no Brasil” (de Felipe & D’Angelis [2019]), disponível na Revista Roseta (clique aqui).  Entrevistas com o linguista Wilmar D’Angelis (Unicamp) sobre o Ano Internacional das Línguas indígenas, disponíveis no Jornal da Cultura (clique aqui; a matéria começa em 06:15) e no programa Pesquisa Fapesp, na Rádio USP, que foi ao ar de 7 a 13 de dezembro de 2018 (clique aqui).

Fontes BELLÉ JÚNIOR, Valcir. Palavras ancestrais. Revista Trip, São Paulo, 30 jan. 2018. Disponível em: <https://revistatrip.uol.com.br/trip/e-possivel-dizer-que-existe-literatura-indigena>. Acesso em: 7 maio 2019 FELLET, João. 305 etnias e 274 línguas: estudo revela riqueza cultural entre índios no Brasil. BBC News Brasil, 3 jul. 2016. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/brasil-36682290>. Acesso em 7 maio 2019. FREIRE, José Bessa. Os índios entram na Academia Brasileira de Letras. Disponível em: <http://www.taquiprati.com.br/cronica/1452-os-indios-entram-na-academia-brasileira-de-letras?reply=29651>. Acesso em: 7 maio 2019. MORI, Letícia. O Brasil tem 190 línguas indígenas em perigo de extinção. BBC News Brasil, 4 mar. 2018. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/brasil-43010108>. Acesso em: 7 maio 2019. MUNDURUKU, Daniel. A literatura indígena não é subalterna. São Paulo, Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://www.itaucultural.org.br/a-literatura-indigena-nao-e-subalterna>. Acesso em: 7 maio 2019. POLON, Luana. Cultura indígena: a cultura indígena é muito rica em diversidade, significados e rituais. Terra Educação, 17 abr. 2019. Disponível em: <https://www.estudopratico.com.br/cultura-indigena/>. Acesso em: 7 maio 2019. POVOS indígenas do Brasil. Wikipédia, 2019. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Povos_ind%C3%ADgenas_do_Brasil>. Acesso em: 7 maio 2019. 29


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AGRADECIMENTO PELAS DOAÇÕES Angela de Lima Fontana Alves Domingos Seripierri Júnior Kátia Frazão Márcia Lopez Maria Lucia de Souza Campos Paiva Maria Paula Zurawski Marisa Vasconcelos Ferreira Suelly Forte Cuello Seripierri Tatiana Fecchio Gonçalves Tânia Liberman Tom Khair Editora Carochinha Editora DCL Editora Suinara Farol Literário Instituto Vera Cruz 1001 Ideias 30


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Revista Ler - nº 14  

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