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ENTREVISTA - LUIZ DAVID FIGUEIRÓ, SUPERINTENDENTE DO MINISTÉRIO DE PESCA E AQUICULTURA DE MS EDIÇÃO 10 | MAIO 2013 | R$ 10,00

Na Internet

AGRONEGÓCIO

Aquicultura MS: A prática da ciência sustetavel 14

Os desafios da aplicação aérea de defensivos agrícolas

Safra da cana impulsiona vagas na indústria

26

38

Governo do Estado entrega motoniveladoras aos municípios


รNDICE Capa - Agricultura

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Aquicultura: Jรก ouviu falar?

Junior Cordeiros


MAIO 2013 ESPECIAL

14 Os desafios da aplicação aérea de

defensivos agrícolas

6 EDITORIAL 29 CANA EM FOCO 48 CANA NET

ECONOMIA E MERCADO

26 Safra da cana impulsiona vagas na

indústria

LOGÍSTICA

7 Logística MS TRABALHO E EMPREGO

DESENVOLVIMENTO REGIONAL

10 A cana vai voltar a crescer? AGRONEGÓCIO

33 MS aumenta a receita com exportação

12 Exportações atingem US$ 99 Bilhões

de açúcar

GENTE QUE FAZ

38 Governo do Estado entrega motonive-

18 Os benefícios da garapa

ladoras aos municípios SUSTENTABILIDADE

34 Bagaço da cana pode filtrar águas contaminadas

PRÊMIO

22 Prêmio Petrobras de Jornalismo LITERATURA

25 Doutor Agro LEGISLAÇÃO

31 Cana ganha espaço em áreas desmatadas da Amazônia OPINIÃO

46 E os investimentos?

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EDITORIAL

Tempo de perspectivas para o setor

A

nossa edição vai mostrar como anda a economia do estado através de alguns investimentos que deram certo e outras que ainda estão em seu desenvolvimento. Por meio desses casos também entenderemos as ações do governo dentro do Brasil e no Mato Grosso do Sul. Dentro do cenário atual do agronegócio brasileiro encontramos diversos setores, que apostam em pesquisas para redefinir os investimentos. A produção nos campos, com mais pesquisas e um alinhamento entre governo e iniciativa privada, mostra que se tornou exemplo de competitividade e eficiência. Na Logística vivemos um novo período de revolução e investimentos, os projetos em ferrovias que vão atender a demanda por uma logística nova e moderna. Na pulverização aérea temos mostrado à favorável discussão de eventuais restrições, por meio do uso de técnicas e aplicações específicas. Pólos como a Grande Dourados vêm sendo cobiçada como foco de distribuição de grãos pela sua localização estratégica no transporte, a futura ferrovia irá trazer benefícios diretos e indiretos além de proporcionar um frete mais barato e dinamizar a economia da região. Na região de Araçatuba a geração de empregos no setor industrial voltou a crescer, com as contratações no setor de alimentos, seguido pelo de coque, petróleo e biocombustíveis, onde a cidade aponta um grande desenvolvimento a nível de Emprego Industrial. Como entrevista nós vamos trazer o superintende Luiz Figueiró falando sobre a revelância da agricultura e seu potencial nos pais, com uma projeção em nosso Estado. Para esta edição também vamos abordar uma conhecida bebida extraída da Cana-de-Açucar, rica em diversas substâncias extremamente saudáveis, capaz de evitar muitas doenças. A famosa “Garapa” vem para deliciar e enriquecer nossa revista, e como bebida cultural conhecermos mais sobre os seus benéficos. Boa Leitura! Junior Cordeiros Redator-chefe Revista Cana S.A.

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Edição nº 10, Maio de 2013 www.canasa.com.br Cana S.A. é uma publicação de Canal da Cana Jornais e Revistas Ltda-ME CNPJ: 10.939.324/0001-43 Inscrição estadual: Isenta Inscr. municipal: 137.361.000 Tiragem: 5 mil exemplares Circulação: Bancas, Mailing List Vip Diretor-Executivo Wilson Nascimento wilson.nascimento@ canaldacana.com.br (67) 9125-6062 / 21098919 Finanças Marlon Medeiros financeiro@ canaldacana.com.br (67) 9962-7882 Redação e publicidade Rua Albert Sabin, 1713 Bairro Taveirópolis CEP 79.090-160 Tel.: (67) 3211-2030 Campo Grande-MS Reportagem Junior Cordeiros Suelen Morales Colaboraram nesta edição Fábio Meneghin, André Nassar, André Ricci, Ulisses R. Antuniassi, Silvia Helen, Valor Econômico e FMC Projeto Gráfico: Gabriel Gomes


LOGÍSTICA

Logística MS

O

Estado de Mato Grosso do Sul vai passar por grandes mudanças. Um período de revolução e investimentos para escoamento do Estado. Investir em ferrovias é trazer um novo fluxo para as práticas empresariais, quanto na qualidade e disponibilidade de infra-estrutura, a ferrovia atende uma demanda existente que pede uma logística nova e moderna. Segundo pesquisadores, só a safra de soja no Centro-Oeste crescerá 25% neste ano, e as projeções são de exportar 14 milhões de toneladas por Santos. Então qual seria a melhor maneira de transportar esse grão? Segundo Antônio Sepúlveda (CEO da Santos Brasil), o grão Brasileiro deveria ser transportado de trem e não de caminhão, já o presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo, afirma que a construção de ferrovias é mais importante para o país do que a duplicação ou ampliação da malha rodoviária. Para Bernardo, o país está invertendo a sua logística, pois faz o transporte de longa distância por meio das rodovias e utiliza as ferrovias apenas para curtas distâncias. O Programa de Investimentos em Logística, lançado em agosto de 2012 pelo Governo Federal, prevê a duplicação de 7,5 mil quilômetros de rodovias e a construção de 10 mil quilômetros de ferrovias, com concessão à iniciativa privada.

Arquivo

Dourados: Ponto estratégico para construção de ferrovias A região de Dourados é cobiçada como foco de distribuição de grãos pela sua localização estratégica no transporte. Projetos apontam à construção de um pólo de grande porte, com modal para embarque de vários tipos de cargas, já que atenderá também a ferrovia CascavelDourados-Maracaju (antiga Ferroeste). Estudos de engenharia do Ministério dos Transportes mostram a Ferrovia Estrela D’Oeste-Dourados. Trajeto que terá cinco pólos de cargas. Dois em Mato Grosso do Sul, em Dourados e Brasilândia, e três em São Paulo, sendo em Panorama, Castilho e Estrela D’Oeste. O prefeito de Dourados Murilo sabe a importância da ferrovia para a região de MAIO 2013 | CANA S.A. | A energia da informação

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Dourados, grande produtora de commodities começando com grãos e agora com o setor sucroenergético. “A ferrovia vai proporcionar um frete mais barato e dinamizar a economia da região”, afirma o prefeito. Dourados foi escolhida para ser a extremidade dos trilhos e para ser ponto de passagem das duas ligações, ou seja, uma para o porto de Santos (via Panorama) e outra para o porto de Paranaguá (via Cascavel), a antiga Ferroeste, por ser a segunda maior economia do Estado, por estar próxima a cidade importantes e por ter uma economia diversificada, com destaque para a produção de grãos, etanol, açúcar, pecuária, aves, ter boa infraestrutura viária, aeroporto e ainda um setor de serviços bastante sólido e diversificado. A ferrovia será de bitola larga, tendo trilhos tipo 68 kg/m e dormentes de madeira sobre monobloco de concreto, com comprimento de 2,80 metros. Serão 1.670 unidades de dormentes por quilômetro. A altura do lastro é de 30 centímetros e as rampas máximas de 1,00%. Os pátios de cruzamento terão uma linha

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com 3.500 metros de comprimento total e um desvio morto de 300 m. A largura de entrevia é de 5,50 m. O intervalo médio de distância entre desvios de cruzamento/pátios será de 50 km. A cota inicial do greide (Estrela D’Oeste) está a aproximadamente 517 m de altitude, coincidindo com a cota do relevo. A cota base do relevo é de 348m na travessia do rio Paraná e chega a Dourados em 375 m de altura aproximadamente. A previsão é de que todos os estudos sejam concluídos até o final do ano para licitação e início da obra em 2014, sendo concluída em 2019. São 659 quilômetros de trilhos com um custo de R$ 4,1 bilhões. É preciso providenciar urgentemente a substituição do transporte rodoviário pelo ferroviário, porque isso vai impactar positivamente nos portos, no descongestionamento das rodovias, na travessia dos centros urbanos e na redução do custo logístico. Junior Cordeiros


Arquivo

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TRABALHO E EMPREGO

A cana vai

voltar a crescer?

O

setor sucroenergético voltou às manchetes com as recentes medidas anunciadas pelo governo federal. Alguma atenção tem sido dada também ao setor por causa dos déficits de caixa enfrentados pela Petrobrás, fruto da crescente importação de gasolina. Estamos no início da safra 2013/14 de cana-de-açúcar, momento ideal para se fazer um balanço do que vem pela frente esse ano. De 2007 a 2012, 41 usinas deixaram de moer cana e produzir açúcar e etanol e mais 12 poderão parar nesta safra. A informação assusta não só leigos no assunto, mas também os analistas mais experientes do setor. Mas é preciso compreender de maneira mais clara esse problema e ver que ele é a consequência de um ciclo que se encerra. Nas safras 2007/08 e 2008/09, o setor sucroenergético brasileiro operou com rentabilidades negativas em razão dos baixos preços do açúcar e do etanol. E já é de conhecimento geral que a crise financeira mundial, que estourou em setembro de 2008, minou o crédito dos bancos. Naquele momento boa parte do setor vinha com elevadas taxas de endividamento em função de novos investimentos, sobretudo em áreas de cana-de-açúcar e usinas novas. A combinação de margens negativas e escassez de crédito, num setor que vinha sendo custeado por crédito, levou à forte redução da taxa de renovação dos canaviais, elevando sua idade média, e dos tratos culturais. Tudo isso se refletiu nas safras seguintes, com queda da 10 10

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produtividade agrícola e o consequente aumento dos custos relativos. O setor está voltando a recuperar o fôlego. Após quatro safras marcadas pela produtividade em queda e pouca competitividade do etanol, ele sobreviveu até o ano passado por causa dos preços mais elevados do açúcar. Como se não bastasse, coube ao governo federal tomar decisões que tiraram toda a atratividade para novos investimentos de um setor já bastante combalido, como a redução da mistura de etanol anidro de 25% para 20%, que vigorou entre abril de 2011 e abril de 2013, e a retirada de impostos da gasolina, que beneficiou o consumo do combustível fóssil. Analisando as usinas que encerraram as atividades, nota-se que a maioria é composta por plantas de pequeno porte, antigas e altamente dependentes do etanol hidratado. E também que várias delas têm como vizinhos grandes grupos que nos últimos anos se tornaram mais fortes com aportes de capital de petrolíferas, tradings e até grandes construtoras. A rigor, o fechamento das usinas que financeiramente não tinham mais alternativas levou a uma transferência de cana-de-açúcar para usinas maiores e mais eficientes, num movimento natural de acomodação e consolidação do mercado. Mesmo com o fechamento dessas unidades, a área plantada de cana-de-açúcar nunca deixou de crescer (4,8% ao ano de 2007 a 2012). O que, sim, foi ajustado na marra foi a moagem de cana, dada a queda na produtividade - mais de 10% em 2011.


O setor está voltando a recuperar o fôlego. Mesmocom o fechamento de unidades, a área plantada de cana-de-açúcar nunca deixou de crescer. O crédito começou a voltar em 2010 e os grupos mais estruturados puderam reerguer-se e consolidar outros menores. Na safra 2012/13 o setor efetivamente começou a recuperar-se do forte tombo. Linhas de crédito do BNDES para renovação dos canaviais, os elevados preços do açúcar e o mercado norte-americano de etanol aberto estimularam uma recuperação das margens, com melhor produtividade média dos canaviais, e o Brasil voltou a ser grande exportador de etanol. Embora os preços atuais do açúcar não estejam convidativos, 2012 pode ter sido o último ano do ciclo da recente crise do setor sucroenergético. A volta da mistura de 25% de etanol anidro na gasolina pode soar como medida paliativa. Mas é essencial para elevar a demanda doméstica de etanol em 2 bilhões de litros, equivalentes a 25 milhões de toneladas de cana ou 310 mil hectares, e ainda dá um alívio no caixa da Petrobrás, reduzindo a necessidade de importação de gasolina A. Tal medida também representa um faturamento de R$ 2,43 bilhões a mais para as empresas do setor. Não deixa, no entanto, de ser paliativa porque é insuficiente para recuperar a rentabilidade do setor na safra em início. Para estimular o etanol hidratado e reduzir as perdas da Petrobrás o governo iniciou, após oito anos, o processo de correção de preços da gasolina ao consumidor. O aumento de 6,6% concedido em fevereiro foi tímido se comparado aos 23% da defasagem internacional registrada no início do ano, mas o setor encarou-o

como um bom começo. O setor ainda carece de maior segurança para voltar a investir. Falta uma definição mais objetiva da participação do etanol na matriz energética do futuro: se ele será um mero carburante misturado à gasolina ou se abastecerá diretamente os motores de ciclo Otto. A novidade, embora tardia, é a isenção integral do PIS/Cofins (R$ 0,12/litro), que poderá auxiliar na retomada da competitividade do etanol hidratado nos principais Estados consumidores. É um alívio, vai dar fôlego à renovação dos canaviais e à expansão dos projetos já construídos, mas é claramente insuficiente para atrair investimentos em novas usinas. Não são muitas as alternativas para criar as condições necessárias para que um novo ciclo de crescimento ocorra. Todas elas precisam ser pensadas e implementadas nesta safra, uma vez que a moagem de cana já utilizará cerca de 90% da capacidade instalada disponível. A primeira é a adoção de medidas para dar maior transparência à formação de preços da gasolina, tanto na refinaria quanto ao consumidor. Um sistema de mercado livre ou baseado em bandas ou médias móveis seria um grande avanço. A segunda é uma explícita diferenciação tributária entre o etanol e a gasolina, que garanta ao menos a diferença energética entre os dois produtos em favor do biocombustível. Fabio Meneghin e André Nassar Consultores da Plataforma Agro

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AGRONEGÓCIO

Exportações

atingem US$ 99 bilhões

Arquivo

S

egundo informações do Mapa Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, as exportações brasileiras do agronegócio, nos últimos doze meses, atingiram resultado recorde somando US$ 99,59 bilhões, o que representou crescimento de 4,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. As importações reduziram 6,5% no ano e somaram US$ 16,52 bilhões no período, resultando em um saldo positivo recorde de US$ 83,07 bilhões. “Nossa produção nos campos, seja devido às pesquisas ou ao alinhamento entre governo e iniciativa privada, há tempos se tornou exemplo de competitividade e eficiência. Quando o assunto é exportação, há anos a balança comercial agropecuária sustenta o saldo positivo do Brasil”, afirmou o ministro da Agricultura, Antônio Andrade. Os produtos que mais contribuíram para 12

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o crescimento de US$ 3,98 bilhões foram os de origem vegetal, responsáveis por 84,2% da expansão. Entre os setores, destacaram-se em termos de contribuição para o crescimento: cereais, farinhas e preparações (alta de US$ 4,61 bilhões); complexo soja (+US$ 912,74 milhões); complexo sucroalcooleiro (+US$ 694,90 milhões) e carnes (+US$ 411,32 milhões). A China foi o principal destino das exportações brasileiras, somando US$ 19,14 bilhões. As vendas para os Estados Unidos, segundo principal destino, aumentaram US$ 796,09 milhões. A Coreia do Sul foi o país que mais contribuiu para o crescimento das vendas externas, com expansão de US$ 1,15 bilhão (71,4%). André Ricci


ESPECIAL

Os desafios da aplicação aérea de defensivos agrícolas

A

pesar de fundamentais na produção agrícola de larga escala, os defensivos agrícolas podem oferecer riscos, sendo necessário o emprego das boas práticas e de toda a tecnologia disponível para se evitar os possíveis danos que estes produtos possam causar à saúde humana e aos recursos naturais. Parte dos produtos aplicados pode ser perdida para o ambiente pela deriva, que é a fração dos ingredientes ativos que não atinge o alvo devido ao carregamento das gotas pelo vento, evaporação e outros processos. É por conta desse processo de deriva que diversos países possuem legislação e normas quanto às faixas de proteção (sem aplicação) para cursos d’água, zonas habitadas, áreas de proteção ambiental, entre outras. Além disso, muitos países também estão desenvolvendo sistemas de classificação e certificação de métodos de aplicação (com atenção especial ao seu potencial de deriva), assim como de modelos para estudar a dinâmica de defensivos agrícolas no ambiente. Este é o maior desafio da agricultura moderna, produtiva e segura. 14

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O cenário atual do agronegócio brasileiro tem se mostrado favorável à discussão de eventuais restrições ao uso de técnicas de aplicações específicas, como especial atenção à pulverização aérea. Parte desse processo vem de uma visão errônea de que esta técnica apresenta maior risco. Do ponto de vista puramente técnico, todas as formas de aplicação de defensivos apresentam um potencial de risco, mas o nível atual de desenvolvimento tecnológico do setor permite que estes riscos sejam contidos e administrados. Por esta razão, o tratamento fitossanitário com defensivos continua a ser uma das etapas mais importantes do processo produtivo das lavouras, o Brasil segue liderando o grupo de nações que mais produzem alimentos no mundo e o agronegócio brasileiro continua firme em sua importante colaboração para que tenhamos o crescimento econômico e social do país. Mas, como em qualquer atividade cotidiana de nossa sociedade, acidentes acontecem. E, de fato, acidentes (ou incidentes) envolvendo aeronaves, crianças, escolas e defensivos chamam especial atenção da mídia. Mas são acidentes.


Arquivo

Acidentes que devem ser encarados como eventos que fogem à regra. Como qualquer acidente, devem ser investigados e eventuais as culpas devem ser apuradas. Numa sociedade madura, eventos isolados como este recentemente divulgado não deveriam ser usados como argumento para ações políticas que extrapolem a própria investigação e a eventual a punição de culpados (se cabível). Por outro lado, como em qualquer acidente, devemos observar os erros cometidos e aprender com eles. Simplesmente para evitar acidentes futuros de mesma natureza. Casos clássicos de deriva e erros de abertura e fechamento das barras numa aplicação podem ser evitados com treinamento e tecnologia. A aviação agrícola brasileira vem se preparando nos últimos anos para a adoção em larga escala de técnicas de redução de deriva e de sistemas eletrônicos de mapeamento e controle, os quais auxiliarão os pilotos na tarefa de evitar esse tipo de acidente. As técnicas de redução de deriva minimizam o risco da ocorrência de deslocamento das gotas para fora dos limites da área de aplicação. E os sistemas de navegação e controle da aplicação

com tecnologia de mapeamento georreferenciado permitem demarcar as faixas de segurança e as áreas a serem protegidas, evitando a aplicação acidental sobre essas áreas. Este tipo de equipamento, já em avaliação no país, permite o bloqueio da aplicação à revelia do piloto, no caso de um voo equivocado sobre uma área que deve ser protegida. Com a popularização destas tecnologias os riscos serão cada vez menores. E a agricultura de nosso país poderá continuar a se beneficiar da aplicação segura por via aérea, uma técnica eficaz e indispensável para alguns segmentos fundamentais do agronegócio brasileiro. Por Ulisses R. Antuniassi; Engenheiro Agrônomo, Professor Titular do Departamento de Engenharia Rural - Faculdade de Ciências Agronômicas/UNESP Botucatu/SP.

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GENTE QUE FAZ

Os benefícios da garapa

C

onhecido popularmente como “Garapa”, o caldo de cana é uma bebida energética retirada da canade-açúcar durante o processo de sua moagem. A bebida é geralmente consumida bem gelada, podendo ser servida juntamente com hortelã e limão, ao gosto do cliente. Esse delicioso caldo esverdeado contém diversas substâncias extremamente saudáveis, composto basicamente de água e sacarose e conserva todos os nutrientes da cana-de-açúcar: minerais, ferro, cálcio, potássio, magnésio, cloro, vitaminas do complexo B e C; contém ainda glicose, frutose, proteínas, amido, ceras, ácidos graxos, corantes, ácidos fenólicos e flavonóides (antioxidantes). A bebida ajuda diretamente na hidratação, sendo indica principalmente para atletas que usarão bastante esforço físico, ela também auxilia na formação do sistema imunológico. Os antioxidantes desen18

volvem benefícios que previnem doenças do coração, o envelhecimento precoce, em numerosos tipos de câncer, na AIDS e também auxilia no sistema nervoso. O caldo de cana, devido a este alto teor de vitaminas citados acima, é um produto que serve como um suplemento alimentar natural. Após fazer uma boa atividade física, ele promete, ao ser ingerido, fazer a reposição de todo glicogênio perdido durante a atividade física. A bebida é aconselhada mesmo no inverno. Com todo esse teor rico, a bebida deve ser tomada com mais cautela ou restrição por pessoa que sofrem de diabetes, pois a bebida é rica em açúcar e contém um alto nível glicêmico, podendo resultar uma hiperglicemia. Para saber como usar a bebida para melhor equilíbrio, procuramos uma nutricionista para tirarmos algumas dúvidas.

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Cana S.A. - Existe algum

risco nesta bebida ou algum tipo de prevenção? Nutricionista Paula Silva - Os riscos são para quem não pode beber líquidos energéticos como diabéticos e obesos, outros riscos se dão mais ao processo de extração do caldo, pois se não for utilizado práticas de higiene e segurança alimentar na extração pode ser contaminado. Não se esquecendo que a maioria da extração é feita em carros abertos, na rua, local inapropriado pra manipulação de alimentos. Cana S.A. - Paula uma pessoa pode fazer um suco de Garapa caseiro? Qual seria a melhor forma para este preparo? Nutricionista Paula Silva - Para extração perfeita do caldo é preciso o moedor, ou a centrifuga, mas também pode ser usado um pedaço do fruto descascado com suco de abacaxi batido no liquidificador e depois coado. Após o suco extraído pode ser misturado a outras frutas


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Cana S.A. - Qual a maneira mais correta de se tomar caldo de Cana? Quantas vezes no mês ou semana? Quais necessidades básicas do corpo humano ela atende? Nutricionista Paula Silva - Um copo de 200ml tem em média 205 kcal isso perfaz 10% de um cardápio diário de um indivíduo adulto (2000kcal), por isso é preciso conversar com um nutricionista pra ele avaliar individualmente para saber quantas vezes por semana se poderá usá-lo. Devido às condições de preparo, é mais aconselhável que seja tomado na hora, para aproveitar as vitaminas e minerais e antes que comesse a fermentação. Um copo de 200ml desse suco energético tem em média 205Kcal, ou seja, mais que 1kcal/ml. Cana S.A. - Porque ela é conhecida como um energé20 36

tico natural? Podemos substituir um energético pelo caldo de cana antes das atividades? Nutricionista Paula Silva - Ela é conhecida assim por ser um alimento natural. Sim ela pode ser substituto natural do energético em função das calorias . Cana S.A. - Porque muitos dizem que o Caldo de cana nos dá sono e abaixa a pressão? O que é certo afirmar em relação a isso? Nutricionista Paula Silva - O excesso de açúcar na corrente sanguínea pode dar certa sonolência devido à sobrecarga pancreática em liberar a insulina; mas isso não ocorre em todas as pessoas e esse não é um atributo do suco energético. E quanto a diminuir a pressão arterial isso é um mito, inclusive a maioria dos hipertensos são obesos e não devem consumir regularmente a garapa.

MAIO 20132012 | CANA S.A. |S.A. A energia da informação SETEMBRO | CANA | A energia da informação

Cana S.A. - A Garapa é usada em algum tratamento especifico? Nutricionista Paula Silva - Utilizada para ganho de peso, para aumentar a potência da atividade física e como ela tem antioxidantes ela é benéfica para todos se usada com parcimônia. Cana S.A. - Os derivados da Cana de açúcar também carregam substâncias saudáveis, assim como a garapa? Nutricionista Paula Silva - Sim, são altamente energéticos e tem alguns minerais concentrados como o caso da rapadura que tem mais ferro que a garapa. Cana S.A. - Existe alguma fruta ou ingrediente que pode ser misturado junto a este bebida para enriquecê-la ainda mais? Nutricionista Paula Silva - O uso do limão, do abacaxi


e das outras frutas cítricas ao suco ajuda a aumentar a absorção do ferro. É importante destacar que o Caldo de cana assim como qualquer outro suco energético não deva ser consumido exageradamente e ele deve estar com as calorias dentro de seu plano alimentar diário e ainda existem algumas patologias que não podem utilizá-los como é o caso do Diabete Mellitus. Para tanto faz se muito mais adequado consultar um nutricionista.

Conhecendo quem faz Senhor Arcindo Correia, de 72 anos, já é um tradicional e conhecido vendedor de Caldo de Cana em Campo Grande. Dos 21 anos no setor, 18 anos permaneceu no mesmo ponto com muitos fregueses que não trocam o ponto. Durante seus anos de

experiência com a famosa garapa, seu Arcindo afirma que já viveu muitas histórias bonitas, e realizando muitos ganhos ao longo do tempo. Conquistou um padrão de luz com o prefeito Juvêncio e um hidrômetro no governo do André, tendo hoje eu seu quiosque água e luz para melhor atendimento dos clientes. Ele afirma que o segredo de seu trabalho sempre foi manter o ambiente limpo, comprar uma cana sadia e sempre nova, e nos explica que a cana boa dura até quatro dias, e que depois de quatro dias de cortada os nodos podem avermelhar, e quando o broto fica vermelho e sinal de que o suco da cana amargou. Há 18 anos compra do mesmo fornecedor, e diz que não troca, pois quando se cria uma confiança no produto, acontece uma parceria fiel entre comprador e fornecedor. Arcindo Correia também nos contou que a preferência

é o caldo tradicional, mas que a bebida pode ser servida com outros ingredientes, como em seu quiosque onde oferece a garapa com abacaxi, limão, hortelã, maracujá e gengibre a gosto do cliente. Seu Correia nos revela que já utilizaram de seus serviços para estudos, alunos de graduação de uma universidade estudaram o uso medicinal do Caldo de Cana, levando oito garrafas de dois litros, que resultaram em um livro. O ponto na Avenida Bandeirantes, abre às 8 horas da manhã e fecha às 17 horas da tarde com muito esforço, educação e compreensão dos clientes, pois passar das 17 horas e correr riscos nos afirma Correia, argumentando que a cidade hoje esta muito perigosa para ficar até mais tarde, e que mora muito longe do ponto, aonde vai todo de bicicleta trabalhar. Junior Cordeiros

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PRÊMIO

Prêmio Petrobras de Jornalismo

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urante encontro com a imprensa sobre o Projeto Petrobras 60 anos, na sede da Companhia, no Rio de Janeiro, a presidente Maria das Graças Silva Foster falou sobre as ações para comemoração do aniversário da empresa e anunciou o Prêmio Petrobras de Jornalismo. Serão 35 prêmios divididos em duas categorias, Nacional e Regional, que vão abranger quatro temas: Cultura; Responsabilidade Socioambiental; Esporte; e Petróleo, Gás e Energia para reportagens veiculadas em jornal/revista, rádio, televisão e portais de notícias e um prêmio para a melhor reportagem fotográfica nas categorias Nacional e Regional. A melhor reportagem de todas vai ganhar o Grande Prêmio Petrobras de Jornalismo. O objetivo da premiação é reconhecer a importância da imprensa e, sobretudo, dos jornalistas que participam do processo de democratização e de disseminação de informações relevantes para o país. Serão premiados profissionais de todo o Brasil. “A imprensa nos ensina a enxergar as oportunidades de melhorias que temos a fazer. Este

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é o nosso entendimento e o sentimento que nós temos da grande importância da imprensa. Jornalistas do mundo inteiro nos procuram e eu tenho a certeza de que grande parte desse conhecimento e reconhecimento nós devemos à imprensa, que é dedicada na cobertura do dia a dia da Petrobras. Junto ao amadurecimento que a Petrobras atinge aos 60 anos, nós reconhecemos também o amadurecimento da imprensa. Então, lançamos hoje o Prêmio Petrobras de Jornalismo”, disse Maria das Graças Silva Foster. Segundo o gerente executivo da Comunicação Institucional da Petrobras, Wilson Santarosa, também presente ao lançamento, o Prêmio Petrobras de Jornalismo está alinhado com a campanha Petrobras 60 Anos, cujo conceito é ‘Gente é o que inspira a gente’. “A Petrobras surgiu de um movimento popular. Por isso, decidimos nestes 60 anos homenagear as pessoas que construíram a história dessa Companhia. E os jornalistas são as pessoas que contaram e contam essa história todos os dias”. O prêmio será de R$ 17.200 (bruto) para cada um dos autores das melhores reportagens


nacionais e da melhor reportagem fotográfica nacional, e de R$ 7.150 (bruto) para cada um dos autores das matérias regionais em cada tema e da melhor reportagem fotográfica regional. O Grande Prêmio Petrobras de Jornalismo será de R$ 30.000 (bruto) para a melhor reportagem. As inscrições podem ser feitas entre os dias 10 de maio e 10 de julho, com preenchimento da ficha de inscrição disponível no site da Agência Petrobras de Notícias (www.petrobras.com. br/agenciapetrobras) e seu envio junto com o material necessário para a sede da Petrobras (Av. República do Chile 65, 10º andar / sala 1001, Centro - Rio de Janeiro - RJ - CEP – 20031-912). Só poderão ser inscritas matérias veiculadas no

período de 10 de maio de 2012 a 9 de maio de 2013. Os trabalhos vencedores e seus respectivos autores serão conhecidos em outubro deste ano. A cerimônia de premiação será no Rio de Janeiro em data e local a serem divulgados. Os trabalhos serão avaliados por uma Comissão de Pré-avaliação e Seleção, composta por cinco profissionais do mercado. Os cinco melhores trabalhos por tema serão encaminhados à Comissão Julgadora, formada por profissionais renomados da imprensa, com vasta experiência jornalística. Cada trabalho receberá uma nota de 0 a 10 e aqueles com maior pontuação levam os prêmios nas respectivas categorias e temas.

Presidente Graça Foster anuncia Prêmio Petrobras de Jornalismo

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LITERATURA

Especialista reúne 20 anos de reflexões sobre o setor do agronegócio em livro

O

livro “Doutor Agro”, escrito pelo engenheiro agrônomo e mestre em administração, Marcos Fava Neves, mostra a visão de um dos especialistas mais respeitados do Brasil na área do agronegócio, atividade responsável por cerca de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) e pela geração de 37% dos empregos no País. A publicação de

126 páginas lançada no final de outubro de 2012 pela Editora Gente, traz uma coleção de 60 artigos veiculados pelo autor nos principais jornais e revistas do País e já teve sua primeira edição esgotada. “Compilei ref lexões feitas em 20 anos de carreira no agronegócio neste livro, que está dividido em três capítulos; ‘Agro Geral’, ‘Cadeias Produtivas’ e ‘Agroenergia’. Com uma escrita simples e acessível, qualquer pessoa pode entender mais desse setor tão importante para o Brasil,” afirma Fava Neves, que já publicou outras 30 obras também ligadas ao tema. Várias foram traduzidas para o inglês e espanhol, sendo relançadas em países como Estados Unidos, Inglaterra, Holanda, Argentina e Uruguai. Na opinião do presidente da FMC Corporation América Latina, Antonio Carlos Zem, autor do prefácio da nova obra, o “Doutor Agro”

“demonstra como o setor vem se estruturando e se fortalecendo ante o desafio do crescimento e da busca pela sustentabilidade.” A própria FMC, por exemplo, mantém diversas parcerias com entidades e empresas do setor para atingir estes objetivos, com destaque para as participações que a empresa mantém no Projeto AGORA, iniciativa de comunicação voltada a promover a imagem do etanol no País, e o Projeto RenovAção, que já requalificou 4,5 mil trabalhadores da indústria sucroenergética nas principais regiões produtoras do Estado de São Paulo. Professor titular de Planejamento da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/ USP) em Ribeirão Preto (SP), onde atua desde 1995, Fava Neves destaca que o agronegócio tem sido um dos principais colaboradores para o superávit da balança comercial brasileira nos últimos anos: “Em 2012, as exportações do agronegócio deverão atingir a meta dos US$ 100 bilhões, um resultado 5,7% superior ao alcançado em 2011, quando a produção agrícola nacional gerou US$ 94,59 bilhões para os cofres do Tesouro Nacional.” Para mais informações sobre o livro “Doutor Agro”, entre em contato com a Editora Gente pelo fone (11) 3670-2525.

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ECONOMIA & MERCADO

Safra da cana impulsiona vagas na indústria O setor que mais impulsionou as contratações foi o de produção de alimentos seguido pelo de coque, petróleo e biocombustíveis

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geração de empregos no setor industrial na região de Araçatuba voltou a crescer, influenciada novamente pelo início da safra da cana-de-açúcar e à produção do açúcar e álcool combustível, na maioria das usinas do Centro-sul, acumulando alta de 11,85%, com abertura de 6,9 mil postos formais de trabalho no quadrimestre. No mês, foram abertos 2,8 mil postos formais (variação de 4,51%). O setor que mais impulsionou as contratações foi o de produção de alimentos, seguido pelo de coque, petróleo e biocombustíveis, aponta a 26

pesquisa “Nível de Emprego Industrial” referente ao mês de abril, divulgada ontem pelo Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), que em Araçatuba abrange 34 municípios. Devido ao desempenho, a região ocupa a segunda posição no ranking de emprego na indústria paulista, de um total de 36 regionais do Ciesp. Em primeiro lugar na geração de emprego no mês de abril está a região de Jaú, cuja variação foi de 4,91 pontos porcentuais. Além da variação do setor de produtos alimentícios (13,27%) e de coque, petróleo e biocombustíveis (10,97%),

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o resultado do mês também reflete o desempenho positivo dos setores de produtos de minerais não metálicos (7,14%), produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (2,99%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (0,40%). Dos 14 setores avaliados da região de Araçatuba, tiveram variação negativa os de confecção de artigos do vestuários e acessórios (-4,43%), artefatos de couro, calçados e artigos para viagem (-1,21%); celulose, papel e produtos de papel (-2,72%); impressão e reprodução de gravações (-1,04%); máquinas e equipamentos (-3,06%); móveis


Arquivo

(-0,35%) e produtos diversos (-2,50%). Para o diretor titular da Ciesp Alta Noroeste, Samir Nakad, a partir da leitura de abril deve haver uma estabilização no ritmo das contratações. “Nós não vamos continuar empregando muito mais, nem muito menos. O que ocorre com a a região é que estamos aparentemente melhores em relação a outras regiões, que estão muito ruins”, avaliou. Para ele, o fator positivo que tem de ser destacado com relação ao setor produtivo é a “preocupação” demonstrada por parte dos governantes para os problemas que afligem a

indústria há algum tempo.

Geral Considerando todas as regiões, o nível de emprego na indústria de transformação paulista subiu 1,02% em abril ante março, na série sem ajuste sazonal. Feitos os ajustes sazonais, o emprego caiu 0,40% em abril ante março. Os segmentos industrias que mais ampliaram o emprego foram o de produtos alimentícios, petróleo e biocombustíveis e bebidas. Segundo o levantamento, o resultado de abril representa a criação de 26,5 mil vagas em

relação ao mês anterior. No acumulado do ano, o indicador registrou aumento de 2,34%, com geração de 60 mil vagas. Na comparação com igual mês do ano passado, o emprego diminuiu 0,46%, o que representa o fechamento de 12 mil vagas. Dentre os 22 setores analisados na indústria paulista, 13 contrataram, seis demitiram e três mantiveram seu nível de emprego em abril. Das 36 diretorias regionais, 23 demitiram, seis contrataram e sete mantiveram estável o nível do emprego industrial. Silvia Helen

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CANA EM FOCO 16 º Prêmio Andef

4ª Edição Ethanol Summit 2013

Esse ano a premiação reconhecerá ainda mais trabalhos podendo participar: Revendas e Canais de Distribuição, Cooperativismo, Universidades e Imprensa, além da homenagem aos projetos desenvolvidos pela indústria de defensivos agrícolas. A entrega oficial será no dia 24 de junho, no Esporte Clube Sírio, em São Paulo. A comissão julgadora será composta por profissionais ligados ao agronegócio, governo, ONGS, universidades e imprensa. Para mais informações acesse: www.andefedu.com.br/premioandef

O Ethanol Summit 2013 será realizado nos dias 27 e 28 de junho no Grand Hyatt Hotel de São Paulo, mesmo local do Summit 2011. O evento será objeto de um suplemento especial a ser produzido e publicado em inglês pelo jornal The Washington Post. A divulgação do suplement está sendo negociada para o mês de abril. Organizado a cada dois anos pela União da Indústria de Cana-deAçúcar (UNICA), as inscrições devem ser feitas exclusivamente pela internet, através do site oficial do evento. Saiba mais: www.ethanolsummit.com.br

SAF’s + 10 É um congresso de Sistemas Agroflorestais que será realizado de 24 à 27 de Junho de 2013 no Auditório “Arquiteto Arnaldino da Silva” do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul – CREA/MS. O evento é realizado pela Embrapa Gado de Corte, Embrapa Pecuária Sudeste, Universidade Federal da Grande Dourados/ GESAF e Fundação MS para a Pesquisa e Difusão de Tecnologias Agropecuárias. Site do evento: cloud.cnpgc. embrapa.br

21ª FENASUCRO 2013 A FENASUCRO (Feira Internacional de Tecnologia Sucroenergético) realizada nos de 27 a 30 de agosto de 2013, realizada no Centro de Eventos Zanini, Sertãozinho, São Paulo, promovida pela Reed Multiplus e com realização do CEISE Br, traz novo layout, com exposição setorizada da feira em agrícola, processos industriais, transporte e logística e fornecedores industriais, unificando assim a Fenasucro, Agrocana e Forind SP. A expectativa é superar o número de 500 empresas e receber mais de 30 mil visitantes. Mais informações em: www.fenasucro.com.br/

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LEGISLAÇÃO

Cana ganha espaço em áreas desmatadas da Amazônia

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Senado aprovou o projeto que autoriza o plantio de cana-de-açúcar na Amazônia Legal, em áreas desmatadas. O objetivo da proposta, atacada por ambientalistas, é ampliar a produção de biocombustíveis no país especialmente o etanol. Além das terras desmatadas, o projeto também autoriza o plantio da cana nos biomas cerrado e campos gerais da Amazônia. Aprovado em

decisão terminativa, o projeto recebeu cinco votos favoráveis e dois contrários, além de uma abstenção. Se não houver recurso de pelo menos nove senadores, seguirá diretamente para a Câmara, sem passar por votação pelo plenário do Senado. Autor do projeto, o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) defende o plantio na Amazônia para estimular a produção de biocombustíveis. Ele diz que decreto editado em 2009

pelo governo federal aprovou o zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar no país, mas excluiu a Amazônia área que, segundo ele, tem o potencial para o plantio por ter terras desmatadas e biomas de cerrado e campos gerais. “A consequência para essas regiões foi imediata: o produtor não pode receber crédito rural para o plantio da cana-de-açúcar, não se pode implantar usinas de produção de açúcar e etanol nessas

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regiões e, tão maléfico quanto essa vedação, as mencionadas regiões ficarão alijadas da possibilidade de exportar etanol”, afirmou o senador. O projeto determina que o plantio deve observar critérios como a proteção ao meio ambiente, a conservação da biodiversidade e uso de tecnologia apropriada. O texto também fixa como regra a utilização dos recursos naturais e a ocupação prioritária de áreas degradadas ou de pastagens - mas não fixa regras para fiscalização ou punições a quem desrespeitar o projeto. A proposta também determina que o plantio considere as normas do Código Flo-

restal, aprovado no ano passado pelo Congresso. A única regulamentação mencionada no projeto é para a concessão de crédito rural e agroindustrial para o cultivo da cana, o que deve ser feito após a sua aprovação. Relator do projeto na comissão, o senador Acir Gurgacz (PDT-RO) defendeu a sua aprovação por considerar que a expansão do cultivo da cana em bases “sustentáveis” vai permitir o aumento da produção de etanol. “É um importante biocombustível da matriz energética nacional e menos poluente que os combustíveis fósseis”, afirmou. Contrário ao projeto, o

senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) lembrou que a região amazônica ficou fora de zoneamento agroecológico feito pela Embrapa para o cultivo da cana-de-açúcar no Brasil e que a proibição da cultura na região deveria ser mantida. Votaram a favor os senadores Ivo Cassol (PP-RO), Valdir Raupp (PMDB-RO), Ataídes Oliveira (PSDB-TO) e Cícero Lucena (PSDB-PB). A senadora Ana Rita (PT-ES) votou contra, enquanto a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoBAM) se absteve. Valor Econômico

Geraldo Magela / Agência Senado

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DESENVOLVIMENTO REGIONAL

MS MS aumenta aumenta a a receita receita com com exportação exportação de de açúcar açúcar

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receita das empresas de Mato Grosso do Sul com a exportação de açúcar aumentou 36,7% no primeiro quadrimestre de 2013 frente ao mesmo período de 2012, passando de US$ 116,1 milhões para US$ 158,8 milhões. Os dados são do Sistema de Estatísticas de Comércio Exterior do Agronegócio Brasileiro (Agrostat). Com esse faturamento, o alimento continua entre os principais produtos exportados pelo Estado. No ranking dos primeiros quatro meses deste ano aparecem a sua frente a soja em grãos com vendas de US$ 457,9 milhões, a celulose

com US$ 282,1 milhões, a carne desossada e congelada de bovinos com US$ 159,8 milhões e o milho em grãos com US$ 159 milhões. Conforme o Agrostat, em relação ao volume o incremento nas exportações do açúcar sul-mato-grossense foi maior ainda, 67,3%, saltando de 210,5 mil toneladas entre janeiro e abril de 2012 para 352,3 mil toneladas no mesmo intervalo de tempo deste ano. Esse total corresponde a 16% das 2,197 milhões de toneladas, que as usinas do Estado devem produzir na safra 2013/2014, conforme estimativa da Associação dos Produtores de Bioenergia (Biosul).

O Agrostat revela ainda que Mato Grosso do Sul exportou alimento para 20 países neste primeiro quadrimestre: África do Sul, Arábia Saudita, Argélia, Bangladesh, Canadá, China, Emirados Árabes, Geórgia, Índia, Indonésia, Irã, Israel, Lituânia, Malásia, Marrocos, Nigéria, Paraguai, Rússia, Tunísia e Uruguai. Os maiores compradores do açúcar sul-mato-grossense foram a Rússia com US$ 31,4 milhões (69,3 mil toneladas), a Índia com US$ 27,1 milhões (60 mil toneladas) e Bangladesh com US$ 20,7 milhões (47,5 mil toneladas).

FMC

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SUSTENTABILIDADE

Bagaço da cana pode filtrar águas contaminadas

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ngenheiro ambiental descobre que através do bagaço da cana de açúcar pode retirar corantes de águas contaminadas, resultantes de processos industriais, por meio de um estudo de Mestrado de Ecologia na Universidade Santa Cecília, em Santos, e está em processo de patente. Tal descoberta foi realizada com mais de 600 testes em laboratório para viabilizar a alternativa de purificação. O pesquisador Antonio Iris Mazza, da Universidade Santa Cecília, conseguiu utilizar o resíduo para purificar a água por meio de rotações, 34

filtragem e centrífuga, onde são necessários apenas dois gramas de bagaço de cana para cada litro de água contaminada com corante. Misturado à água com resíduo do bagaço da cana, são feitas 100 rotações por minuto em um recipiente. Após isso, o líquido passa por uma peneira e por uma centrífuga, e por último, a água passa por uma medição para avaliar quanto foi retirado do corante. O procedimento com o resíduo pode ser usado para a retirada de cor, metais, carga orgânica, efluentes industriais e todo o processo que usa o carvão ativado. Apenas dois

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gramas de resíduo são suficientes para retirar o corante de um litro de água contaminada. A medição pode ser usada em qualquer proporção. Segundo o cientista a alternativa de purificação já foi apresentada à comunidade científica e Mazza está em processo de patente para o tratamento de água com resíduos de bagaço de cana. No entanto, ainda será necessária a divulgação dos testes que comprovam, de vez, se o método de purificação pode transformar a água não potável em água para reuso. Junior Cordeiros


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ESPECIAL

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Governo do Estado entrega motoniveladoras aos municípios 45 MUNICÍPIOS RECEBERAM OS EQUIPAMENTOS


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DESENVOLVIMENTO REGIONAL

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fim de apoiar o desenvolvimento dos agricultores tradicionais, assentados, indígenas e quilombolas de Mato Grosso do Sul, o governo do Estado, através da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer) entregou motoniveladoras a 45 municípios do Estado. A ação é resultado de uma emenda parlamentar federal por meio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), num total de R$ 20.670.000,00, sendo R$ 6.120.000,00 de contrapartida do Estado. As motoniveladoras foram compradas por meio de emenda dos senadores Waldemir Moka (PMDB) e Delcídio do Amaral (PT) com R$ 20,6 milhões do Ministério da Agricultura e Pecuária e R$ 6,1 milhões de contrapartida do Governo do Estado. Segundo o diretor-presidente da Agraer, José Antonio Roldão, a entrega das motoniveladoras é um complemento ao que já foi cedido aos municípios. “Com esta ação estamos contribuindo para o aporte logístico dos municípios, ou seja, com as motoniveladoras poderemos conservar melhor as estradas e realizar outras atividades. Esta entrega complementa as patrulhas mecanizadas, os resfriadores e a nossa expectativa é conseguir outros implementos para que possamos alavancar ainda mais a produção de alimentos no Estado”, disse. Os municípios que receberão o benefício são: Água Clara, Alcinópolis, Amambai, Anastácio, Anaurilândia, Aparecida do Taboado, Aquidauana, Aral Moreira, Bataguassu, Bela Vista, Bodoquena, Bonito, Caarapó, Campo Grande, Cassilândia, Corguinho, Costa Rica, Coxim, Deodápolis, Dois Irmãos do Buriti, Dourados, Eldorado, Fátima do Sul, Guia Lopes da Laguna, Iguatemi, Itaquiraí, Ivinhema, Jardim, Maracaju, Mundo Novo, Naviraí, Nova Alvorada do Sul, Nova Andradina, Paraíso das Águas, Paranaíba, Paranhos, Ponta Porã, Ribas do Rio Pardo, Rio Brilhante, Rio Negro, Rochedo, São Gabriel do Oeste, Sidrolândia, Terenos e Três Lagoas. Governo do Estado

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Fotos: Arquivo

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CAPA

Ueslei Marcelino

Aquicultura

Já ouviu falar?

T

odos nós já ouvimos falar sobre os benefícios de se comer peixe, um alimento rico em Omega 3 e que possui alto teor de proteínas e vitaminas entre outros nutrientes essências para nossa saúde. Mas, o que poucos sabem é como são cultivadas as espécies de peixes. De onde vem o peixe que compramos nos supermercados, nas feiras e /ou peixarias? Saiba que eles podem ser criados em áreas especificas em vez de pescados em rios 42

ou no mar deixando assim de causar um desequilíbrio na cadeia alimentar aquática. Aquicultura, este é o nome que se dá a ciência que estuda e aplica técnicas sustentáveis de cultivo não só de peixes, mas de todos os comestíveis organismos aquáticos, como: Moluscos, algas, camarão e até as exóticas carnes de rãs, tartarugas e jacarés. Mas o mais conhecido e tradicional é a produção de peixes, tanto de água doce como salgada, que são cultivados normalmente

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em tanque-rede (criadouro parecido com gaiolas, mantidos na água de rio, lago ou mar) ou Tanque-escavado (reservatório artificial de água cavado no solo).

Curiosidade ou Histórico A aquicultura é praticada pelo ser humano há milhares de anos. Existem registros de que os chineses já tinham conhecimentos sobre estas técnicas há muitos séculos e de que os egípcios criavam a tilápia há cerca de quatro mil anos.


Brasil uma potencia para a aquicultura O Brasil possui 12% da água doce disponível do planeta, um litoral de mais de oito mil quilômetros e ainda uma faixa marítima, ou seja, uma Zona Econômica Exclusiva (ZEE), equivalente ao tamanho da Amazônia, sendo assim uma enorme potencia para a aquicultura. Com apenas o aproveitamento de uma fração desta lâmina d’água é possível criar em abundancia e de forma controlada, os mais diversos tipos de seres aquáticos. O mercado esta em alta e têm crescido no mundo inteiro. Um bom exemplo da diversidade de aplicação dos produtos e subprodutos do setor aquícola são as algas, empregadas desde na alimentação à fabricação de produtos cosméticos e fármacos. A Organização Mundial da Saúde - OMS recomenda o consumo anual de pescado de pelo menos 12 quilos por habitante/ano. O brasileiro ainda consome abaixo disso. No entanto, a cultura de introduzir o peixe na alimentação do brasileiro se torna cada vez mais presente, o que antes era reforçado somente na quaresma agora já faz parte do quadro alimentar semanal das famílias. De 2003 a 2009 houve um

crescimento de 6,46 kg para 9,03 kg por habitante/ano, superando com dois anos de antecedência a meta do programa “Mais Pesca e Aquicultura”, do Ministério da Pesca e Aquicultura - MPA, que previa o consumo de 9 kg por habitante/ano apenas em 2011.

Projeções futuras De acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação -FAO, a previsão é de que até 2030 a demanda internacional de pescado aumente em mais 100 milhões de toneladas por ano. Segundo a FAO o Brasil é um dos poucos países que tem condições de atender à crescente demanda mundial, e poderá se tornar um dos maiores produtores do mundo até 2030. Atualmente o País produz aproximadamente 1,25 milhões de toneladas de pescado, sendo 38% cultivados. A atividade gera um PIB pesqueiro de R$ 5 bilhões, mobiliza 800 mil profissionais entre pescadores e aquicultores e proporciona 3,5 milhões de empregos diretos e indiretos O Brasil possui condições extremamente favoráveis para incrementar a sua produção aquícola. Existem

mais de 3,5 milhões de hectares de lâmina d’água em reservatório de usinas hidrelétricas (ANEEL) e propriedades particulares no interior do país. O País também conta com uma extensa área marinha passível de uso sustentável para a produção em cativeiro. A estratégia do Ministério da Pesca e Aquicultura para fortalecer a produção nacional de pescado incorpora a criação de parques aquícolas continentais e marinhos em águas de domínio da União. Até 2011, a meta do Ministério, presente em seu plano Mais Pesca e Aquicultura, é demarcar e entregar títulos de cessão em 40 reservatórios e ainda ordenar os espaços destinados a aquicultura marinha em nove estados litorâneos brasileiros. Interessados em conhecer mais sobre a nossa aquicultura, A Cana S.A. resolveu entrevistar o Superintendente do Ministério de Pesca e Aquicultura de MS, Luiz David Figueiró. Cana S.A. - Quais são as especialidades da Aquicultura que temos em Mato Grosso do Sul? Luiz David F. - Aqui no Mato Grosso do Sul só a Piscicultura é cultivada A Aqüicultura é a agricultura da

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CAPA água. Cana S.A. Em nosso Estado, que espécie de peixes e/ou seres aquáticos são produzidos e comercializados? Luiz David F. - Peixes Nativos: Pintado, Pacu e Tilápia Cana S.A. - Com 12% da água doce disponível do planeta o Brasil tem um grande potencial para produção na Aquicultura. Este cultivo tem aumentado? Seria este um ramo novo a ser seguido por produtores de nosso Estado, integrando com a agricultura atividade principal em MS? Luiz David F. - Sim, em consórcio com atividades agrícolas. Desde que não sejam poluentes (agrotóxicos) Cana S.A. - A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o consumo anual de peixes de pelo menos 12 quilos por habitante/ano. Aqui no MS, por ser uma região pantaneira essa consciência é maior se tornando até cultural? Já que vários pratos típicos e cartões postais levam como matériaprima os peixes e rios? 44 10

Luiz David F. - A partir da criação da SEAP (Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca) no ano de 2003, observamos um incremento no consumo de pescado no Brasil, passando de 4 Kg para 7 Kg per capita por ano. Cana S.A. - Qual o município que mais cultiva e produz a Aquicultura? E quais regiões estão previstas expansões? Luiz David F. - Costa Leste com a expansão dos Parques Aquícolas. Grande Dourados/Região Sul. Cana S.A. - Para que ajam investimentos e interesses por parte dos produtores, são avaliados principalmente os impostos e o retorno a médio e longo prazo de uma determinada produção. O Ramo de

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Aquicultura conta com alguns incentivos por parte do governo, como a redução de impostos e também a redução na conta de energia para os produtores. Como se dá estas parcerias com o governo? Estão previstas mais novidades neste sentido? Luiz David F. - Plano Safra da Pesca e Aqüicultura 2012/2014. Desoneração da Cadeia Produtiva do pescado. Cana S.A. - Esta prevista a inauguração de três novos frigoríficos em MS nos municípios de Dois Irmãos, Dourados e Mundo Novo. Isso demonstra o crescimento da Aquicultura no Estado e conseqüentemente o desenvolvimento para nossa região. Como esta o andamento desta obras? E quais os benefícios que trarão? Luiz David F. - Sim demonstra. As obras dos frigoríficos estão em fase de conclusão. Entendemos que a grande contribuição é no atendimento de uma demanda de consumo, sinalizado com possibilidade de redução de custos, aumento de qualidade e competitividade do pescado em nossa região.


Cana S.A. - Qual será a capacidade desses novos frigoríficos? E qual a relevância do manejo correto de pescados? Luiz David F. - 15 ton/dia Cana S.A. - Nosso pescado é comercializado principalmente em qual região? E qual o quadro de exportações? Luiz David F. - São Paulo, Minas Gerais, Rio Janeiro, Paraná. Exterior: Japão, EUA, Europa. A atividade abrange as seguintes especialidades: Piscicultura (criação de peixes, em água doce e marinha); Malacocultura (produção de moluscos como ostras, mexilhões, caramujos e vieiras). A criação de ostras é conhecida por Ostreicultura e a criação de mexilhão por Mitilicultura. Carcinicultura (criação de camarão em viveiros, ou ainda de caranguejo, siri) Algicultura (Cultivo macro ou microalgas) Ranicultura (Criação de rãs) Quelonicultura - criação de quelônios (como tartarugas)

Piscicultura tem grande potencial para geração de renda, Bonito - MS

Curso do Senar/MS de processamento de peixes.

Suelen Morales

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OPINIÃO

E os investimentos? Por Celso Ming*

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lgum reconhecimento, em si mesmo, é um avanço neste governo que tem dificuldade em admitir seus equívocos ou, até mesmo, as mudanças na condução da política econômica. Por exemplo, segue negando as mudanças na política econômica. Não é capaz de assumir que a crise exigiu ajustes e que, portanto, pragmáticos ou não, estão sendo feitos. Contra as evidências, sustenta que o tripé vitorioso da economia brasileira (câmbio f lutuante, regime de metas de inf lação e superávit primário) continua observado como dantes. Mantega trata o desinteresse pelos investimentos por parte do empresário como se fosse anomalia desimportante, que logo será revertida. Para ele, o governo já tomou providências suficientes para levar o empresário a finalmente tirar do armário seu espírito animal - a que tantas vezes apelou a presidente Dilma. O governo, argumenta o ministro, já promoveu forte desvalorização do real (alta do dólar no câmbio interno) para que o setor produtivo recuperasse a competitividade; já derrubou os juros básicos em nada menos que 5,25 pontos porcentuais ao ano, concorrendo assim para a redução dos custos financeiros das empresas; e diminuiu custos de produção à medida que baixou impostos e promoveu alguma desoneração da folha de pagamentos para bom número de setores da economia. Essas iniciativas, aposta Mantega, levarão o empresário a desengavetar projetos de investimentos já em 2013. O governo Dilma imagina que os obstáculos relevantes ao investimento privado fossem apenas o câmbio fora do lugar e os juros escorchan-

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tes, suficiente e definitivamente removidos. Mas a verdade é que o empresário reluta em colocar mais dinheiro nos seus negócios por outras razões até agora não atacadas. Este é um governo excessivamente intervencionista. Tão intervencionista que prejudica até mesmo o setor público - como se vê na condução das políticas do petróleo e daenergia elétrica. A presidente da Petrobrás, Graça Foster, denuncia todos os dias que o governo está segurando tanto os preços dos combustíveis que inviabiliza seu enorme programa de investimentos. A Eletrobrás, a Cemig e a Cesp avisam que a política energética está atrapalhando a administração de usinas já amortizadas. Vão também por aí as queixas de bancos, concessionárias de comunicações e grandes empresas de mineração. As novas concessões em rodovias, aeroportos e portos estão emperradas. O governo quer controlar tudo sem ao menos definir regras permanentes de jogo. O governo Dilma acha que está sempre certo, que seus diagnósticos vão na direção correta e que faz o suficiente para mobilizar os capitais. Tem dificuldade para perceber que não consegue entregar o que promete e que se apega a apostas duvidosas e à pronta reversão de tantos resultados insatisfatórios - como esses avanços insignificantes do PIB, a inf lação acima da meta e, mais que tudo, esses investimentos que não decolam. Essas providências em quase nada contribuíram para a redução do custo Brasil e para a expansão da infraestrutura - esses, sim, os grandes entraves à expansão da atividade produtiva por aqui. Subsídio à gasolina Como a Petrobrás paga parte da conta, o consumo de gasolina dispara, como mostra o gráfico. O subsídio à gasolina, por sua vez, desestimula a produção de álcool, que vai perdendo competitividade com a gasolina.


CANANET

A versão on-line da Cana S.A. www.canaldacana.com.br

Produção sobe e álcool já é mais vantajoso do que gasolina Em algumas regiões do país a oferta de etanol já é mais vantajosa que a gasolina, onde se percebe a preferência dos motoristas na hora de encher o tanque. A queda ocorre basicamente devido à redução dos preços na porta das usinas, e não pelas medidas de desoneração de impostos anunciadas pelo governo no mês passado. Os preços ainda não beneficiam o produtor quanto se trata da desoneração. Mas devido à melhora na oferta, os preços ficam em torno de R$ 1,10 por litro na usina, Os consumidores também não foram poupados com folga e continuam praticando R$ 2,10 por litro, os mesmo valores anteriores à desoneração. A parte do dinheiro que governo liberou parece segurar margens de parte das distribuidoras e de postos, já que os estoques foram renovados daquele período para cá. Segundo estudo e pesquisas a utilização do álcool é mais vantajosa se a taxa de relação entre os dois combustíveis ficar abaixo ou em 70%.

Energia eólica avança no Brasil Segundo o relatório da WWEA, a capacidade instalada no Brasil quase triplicou entre 2010 e 2012. Nos últimos dois anos, a produção de energia eólica triplicou no Brasil, e especialistas dizem que o país já possui condições para crescer ainda mais. Com uma extensão de oito mil quilômetros e ventos constantes, o litoral brasileiro desperta cada vez mais a atenção de empresas de energia, dispostas a suprir as crescentes necessidades energéticas de um dos principais países emergentes do mundo. O potencial é enorme e atrai a atenção de investidores internacionais e locais. Tanto empresas nacionais como internacionais querem participar desse mercado. Mas, por enquanto, a energia eólica ainda engatinha no maior país da América Latina. Três quartos da produção de eletricidade vêm das usinas hidrelétricas. A capacidade instalada de energia eólica é de 2,5 gigawatts (GW), mais ou menos o que apenas um parque eólico produz no Reino Unido.

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Revista Cana S.A. - Ed. 10  

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