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Nº 443 • Ano XXXVIII Janeiro/2014 www.btsinforma.com.br

Aditivos e ingredientes As soluções para a indústria da carne

Especial As exportações em 2013

Vis-à-Vis Francisco Turra, presidente da Ubabef

Espaço MercoAgro 10 razões para participar da feira


Arte da Capa: Adriano Cantero

Sumário

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Espaço MercoAgro

Dez razões para estar na MercoAgro 2014

28 Capa

As opções de aditivos e ingredientes para a indústria

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Especial

Exportação de carne bovina e de frango obtém expressivos resultados em 2013

E mais 6....... Editorial

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14...... Mercado

Vis-à-Vis

Entrevista com o presidente da Ubabef, Francisco Turra 4

22..... Qualidade

46..... Tecnocarne Expresso

49..... Índice de Anunciantes

Janeiro 2014


Setembro 2012

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ISSN 1413-4837

Editorial

Ano XXXVIII - no 443 - Janeiro

Bons ventos

A

s dificuldades da economia brasileira para exportar em 2013 passou em branco para o mercado de carnes, que demonstrou sólida consolidação e obteve resultados históricos. Em 11 meses, o setor exportou 1,36 milhão de toneladas de carne bovina, por exemplo, resultante em US$ 6,013 bilhões, números que superam todo o montante de 2012. Na comparação com o ano retrasado, então recorde histórico no país, o crescimento foi de 20,1% em quantidade e 14,5%, em valor. “Encaramos esses números de uma maneira bastante positiva. Era até nossa previsão alcançar R$ 6 bilhões, mas somente em dezembro”, garante o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Antônio Jorge Camardelli. “Cresceremos neste ano 15% em receita e 20% em volume, alcançando um número redondo de R$ 6,5 bilhões e 1,5 milhão de toneladas. É um resultado expressivo”. É para se comemorar. O fim do ano que acabou também trouxe o alento de que a retração no mercado brasileiro de carne de frango pode estar chegando ao fim. Após cair 3,17% em 2012 e iniciar 2013 ainda sob patamares negativos, solidificando projeções de nova redução de 3%, a produção retomou sua força no último trimestre. Pode não ser o suficiente para tornar positivo o desempenho do ano anterior. Mas, para o presidente da União Brasileira de Avicultura (Ubabef), Francisco Sérgio Turra, o resultado já é o bastante para apostar em uma forte retomada em 2014. É este o cenário desta primeira edição do ano de 2014: otimismo com um mercado que se consolida a cada ano e demonstra uma blindagem em momentos de crise dificilmente encontrada em outros segmentos. Com capacidade administrativa, respeito do mundo todo e políticas externas acertadas, o mercado de carne do Brasil se manterá no topo no ano de Copa do Mundo e Eleições. Além destas boas notícias, trazemos uma matéria de capa com as novidades em aditivos e ingredientes para a indústria. Os fornecedores apresentam suas novidades para o próximo ano. Trata-se de um segmento fundamental para inovações e aumento de consumo de carne no País. A edição ainda traz notícias de mercado, as dez razões para participar da MercoAgro 2014 e artigos técnicos. Um ótimo início de ano para todos! José Danghesi 6

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Vis-à-Vis

Por Itamar Cardin

O Ano da Retomada

Divulgação

Presidente da Ubabef, Francisco Turra lamenta apoio inconsistente e critica lentidão da economia, mas aposta no crescimento da produção do frango em 2014

Francisco Turra, presidente da Ubabef e ex-ministro da Agricultura

A

retração no mercado brasileiro de carne de frango pode estar chegando ao fim. Após cair 3,17% em 2012 e iniciar 2013 ainda sob patamares negativos, solidificando projeções de nova redução de 3%, a produção retomou sua força no último trimestre. Pode não ser o suficiente para tornar positivo o desempenho do ano anterior. Mas, para o presidente da União Brasileira de Avicultura (Ubabef), Francisco Sérgio Turra, o resultado já é o bastante para apostar em uma forte retomada em 2014. Fortalecido por eventos como a Copa do Mundo e as eleições, e alavancado pelo próprio cenário turbulento dos últimos anos, o crescimento da produção deve atingir 4% neste ano, segundo a expectativa de Turra. O cenário, entretanto, apresentará entraves. A começar pela própria economia brasileira, caminhando “a passos de lesma” e incapaz de reaquecer o consumo. Outro aspecto decisivo virá de questões cruciais ao setor, mas com desfechos ainda incertos. 8

Um desses pontos é a ausência de um marco legal para controlar relações entre produtores avícolas integrados e empresas integradoras. Embora o projeto de regulação da senadora Ana Amélia Lemos agrade a Turra, e tenha contado com participação decisiva da Ubabef na formulação, ele critica a garantia de renda mínima. “Não é que não exista isso, mas nesse projeto de parceria precisa existir não só o compartilhamento de renda, como também o de risco”. Outro impasse inquietante vem com os custos de manutenção do Serviço de Inspeção Federal cobrados diretamente do avicultor. Ministro da Agricultura durante o governo Fernando Henrique Cardoso, entre abril de 1998 a julho de 2000, Turra demonstra-se pouco confiante na solução do problema, mesmo com a convicção favorável demonstrada pelo atual ministro, Antônio Andrade. “Eu vejo sempre com muita reserva todas as promessas dos governos, porque eles ainda não têm a noção exata da importância social e econômica de cada um dos setores da atividade do agronegócio”. Turra, entretanto, está otimista com as perspectivas. Sobretudo quando se trata do programa de compartimentação para a avicultura brasileira, um projeto-piloto desenvolvido com a Organização Mundial de Saúde Animal. “A conclusão do relatório desse trabalho, só para resumir, foi um momento histórico da agricultura brasileira”. Confira abaixo a entrevista completa com Francisco Turra: A produção de carne de frango no Brasil deve mesmo diminuir 3% em 2013, na comparação com 2012? Não, não. Pelos últimos números talvez não chegue a 3%. Ainda não temos o número final, mas, pela performance de novembro, vai diminuir em torno de 1%. Creio que irá quase estabilizar. A recuperação do mercado, então, ocorreu nos últimos meses? O último trimestre deu uma aquecida, principalmente em termos de exportação. Que fatores explicam o panorama: um começo de ano retraído e um final aquecido? A previsão nossa para este ano, efetivamente, seria de que a gente buscasse, ao longo de todo o ano, com toda a força, a qualidade nas exportações. E qualidade é melhorar Janeiro 2014


Produção brasileira de carne de frango deve reaquecer neste ano. Expectativa é de crescimento de 4%

a receita – e a receita das exportações teve um ganho em torno de 6% neste ano. É um ganho muito importante. Os fatores foram a recuperação cambial do dólar, claro, mas houve também uma melhoria na qualidade das exportações. Nós também não deixamos os mercados compradores ficarem com estoque de produtos, trabalhamos em um modelo mais enxuto. Tanto aqui quanto lá fora a gente ficou com menos estoque, menos excesso de produção, o que deixa você bem mais tranquilo, te permite não precisar de crédito para operar. E, também, permite impor preços um pouco mais interessantes. Nós vamos chegar a uma receita de exportação, só de carne de frango, de quase US$ 8 bilhões. E do setor de carne nossa, que inclui perus, patos, marrecos, ovos férteis e ovos, chegará a mais US$ 1 bilhão. Ou seja, quase US$ 9 bilhões. Em volume, entretanto, até novembro, a exportação reduziu 0,3%... Certo. Mas a previsão, também, é manter os mesmos níveis do ano passado. E o que explica essa discrepância? A recuperação cambial ajudou a melhorar a receita, mas houve também a qualidade dos produtos exportados, com um pouco mais de valor agregado. Não exportamos só o frango inteiro, mas também cortes. O desempenho das exportações ficou dentro do esperado? Sim, nós não prevíamos aumento neste ano, em volume, porque tínhamos a dimensão exata da crise. E também, aqui, o consumo estabilizou, em função até dessa retração da economia. O consumo se manteve. É evidente que ele já é bem elevado, 45 quilos por habitante por ano, 38 de carne bovina, 16 de suína. É um consumo grande, mas ele não teve expansão. O mercado interno, então, também reagiu conforme o esperado? Eu diria que havia um grau de endividamento das famílias muito elevado. Não havia muita disponibilidade além para comprar carne de frango, ou mesmo proteína como um todo. Janeiro 2014

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Vis-à-Vis

Consumo brasileiro se mantém em 2013: 45 quilos de carne de frango por habitante no ano

De que maneira a ausência de um marco legal para as relações entre produtores avícolas integrados e empresas integradoras ainda atrapalha o mercado brasileiro? Isso sempre é muito importante porque, para nós, da avicultura, a integração é essencial. Outros setores não dependem tanto, mas 98% da avicultura é feita pelo sistema de integração. Então, para nós, a ausência de um marco legal nos deixa muito inquietos. É difícil enfrentar essa arrolação, embora tenhamos tido períodos de bastante tranquilidade e paz. Não houve grandes conflitos, dentre muitos conflitos. Mas é muito auspicioso que estejamos às vésperas de um marco legal, para essa arrolação da integração. Para nós, especialmente, é um assunto vital. O Projeto de Lei 6.459/2013, de autoria da senadora Ana Amélia Lemos, pode ser a solução definitiva a esse impasse? Eu acho que foi uma grande sacada. Não é um projeto dela, só dela. Ela foi a autora, mas é um projeto que foi trabalhado pelo CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), por produtores integrados, por integradoras. Foi criado um grupo de trabalhos, e a proposta contemplou os avanços obtidos nesses diálogos, entre integrados e integradores. A Ubabef participou desses debates? Muito. Ela liderou, ao lado da CNA. E a proposta final, ficou dentro do que a Ubabef esperava? Ficou, digamos assim. A aprovação final tem ainda alguma coisa que pode ser alvo de ajustes. Mas agora é aprovar esse projeto e torcer para que ele seja sancionado o mais breve possível, colocando fim a uma demanda antiga, repetida durante muitos anos, com projetos diferentes e visões diferentes. Acho que nunca avançamos tanto. 10

Divulgação

Quais seriam esses pequenos ajustes? Há um ponto importante aí porque, quando se fala em projeto, a gente prevê parceria. Projeto de integração é parceria por inteiro. E há um pequeno ajuste a fazer sobre garantia de renda mínima. Não é que não exista isso, mas nesse projeto de parceria precisa existir não só o compartilhamento de renda, como também o de risco. Quando o projeto deve realmente ser implementado? Se ele for realmente aprovado... Em primeiro lugar, na prática, ele já está. E, de direito, tão logo deve começar. Já tem todo um ambiente para aprimorar melhor, para criar um ambiente bem mais favorável a essa arrolação, e favorável também a integrados e a integradores. Qual a importância do programa de compartimentação para a avicultura brasileira? A conclusão do relatório desse trabalho, só para resumir, foi um momento histórico da agricultura brasileira. Ela foi entregue agora ao represente da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE, na sigla em inglês) no Brasil, Guilherme Marques, e ao diretor-geral, Bernard Vallat. Eu estive presente lá, entregamos juntos e ele próprio ficou eufórico. Ele disse que, pelo acompanhamento que fez, pelos passos que foram dados desde 2008, o Brasil tem o projeto-piloto mais bem sucedido no mundo. A OIE só desenvolveu dois desses projetos, aqui e na Tailândia. Eles pretendem ampliar aqui, e ampliar também em outros países. Como esse projeto pode, concretamente, beneficiar a avicultura brasileira? Em um evento de gripe aviária, ou coisa assim, teremos espaços preservados e carimbados com o selo da OIE. Tomara que ampliemos – e muito – essa compartimentação. E vamos caminhar nessa direção. O que falta para ser implementado? Entregamos o relatório agora. Falta apenas a OIE analisar e aprovar. Os custos de manutenção do Serviço de Inspeção Federal nas plantas frigoríficas têm sido um sério entrave às agroindústrias avícolas. Como o senhor tem enfrentado esse problema? Fui até conversar com o ministro (da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Antônio Andrade) sobre esse assunto. Isto para nós é um ônus desnecessário porque, em primeiro lugar, não é obrigação nossa manter o SIF (Serviço de Inspeção Federal) funcionando. Em segundo lugar, eu acho que precisa existir um olhar diferente do próprio governo. A autogestão deve funcionar, ou seja, deve haver a cobrança da responsabilidade não com a presença de um fiscal em cada porta, mas por amostragem, por auditorias. Janeiro 2014


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Vis-à-Vis

Nenhuma empresa, hoje, quer jogar fora seu patrimônio, seu nome, sua marca, desleixando ou não realizando o cumprimento da legislação. O governo tem escutado? O governo não fez nada de concreto, mas o ministro da Agricultura me disse estar convicto que esse sistema de autogestão é o mais viável para as necessidades do Brasil. E o senhor? Está convicto de que o ministro encampará a autogestão? Bem, eu vejo sempre com muita reserva todas as promessas dos governos, porque eles ainda não têm a noção exata da importância social e econômica de cada um dos setores da atividade do agroneg��cio, entre eles a avicultura. Recentemente o senhor propôs, na Associação Latino-Americana de Avicultura, uma guerra contra o desperdício de alimentos. Como isso pode ser enfrentado no mercado do frango e quais os possíveis impactos ao negócio? É preciso encarar o absurdo de, em um mundo com fome, perder tanto alimento jogando fora à toa. Nós

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temos aqui, ainda, um problema adicional: em inspeções feitas nos frigoríficos são descartados, sem razões técnicas, muitos produtos. Um levantamento indica que quase 1% desses produtos poderia servir como alimentos saudabilíssimos, porque não tem problema algum. Nós estamos mantendo contatos com fiscais para que possamos fazer treinamentos, ou readequação, junto a Embrapa e a órgãos do governo de controle, para evitar o desperdício a partir de nós mesmos. Reduzir os custos, então, seria um dos principais impactos? Sim, porque o desperdício é muito grande. Em uma avaliação das próprias empresas, tem esse 1% de produtos bons que são descartados. O mercado brasileiro, nos últimos dois meses, enfrentou alguns problemas no exterior, sobretudo na Indonésia e na África do Sul. O que a Ubabef fez para superar – ou minimizar – esses impasses? Na área diplomática nós fizemos de tudo. Agora, com relação à Indonésia, estamos providenciando um

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pedido de painel para entrar na próxima reunião da Camex (Câmara de Comércio Exterior). O Itamaraty está nos dando força, os demais ministérios envolvidos já se mostraram favoráveis para abrirmos um painel. Se você tem uma nação que é membro da Organização Mundial do Comércio, e ela descumpre leis da própria organização, acho que precisa existir, efetivamente, um painel. Precisa cumprir a lei. Não há por que não abrir as portas para o produto brasileiro. Ele é saudável, cumpre as exigências da Organização Mundial do Comércio e da Organização Mundial da Saúde. O senhor está esperançoso de que o painel resolverá o problema? Eu tenho certeza que vai. Eles não têm razões para continuar agindo assim. Há projetos em desenvolvimento para expandir, em curto prazo, os negócios da avicultura brasileira nos mercados estrangeiros? Acho que o cenário agora é para caminharmos com mais velocidade, manter uma relação mais adulta. O

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Brasil já conseguiu bons patamares de presença, pela qualidade e sanidade de seus produtos. Falta só um comprometimento, um envolvimento maior do governo para fazer sua parte, porque a iniciativa privada do setor já faz da forma mais inteira e justa. Qual a perspectiva da avicultura brasileira para o próximo ano? A perspectiva é crescer na produção mais 4%, e na exportação mais 3%. O que levará a esse cenário positivo? É ano de Copa do Mundo, de eleições, e também porque não estamos apresentando crescimento há dois anos, então o cenário está pronto para crescermos. Apesar de que temos conhecimento e temores em relação à nossa própria economia. Precisa melhorar, avançar, porque estamos caminhando a passos de lesma. A estrutura do setor, então, está pronta? E o que atrapalha é a conjuntura? É o ambiente, exato, o que pode atrapalhar.

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Mercado

Bento Zanoni assume

comando da ACIC em 2014

Zanoni assinou o termo de posse gestão 2014/2015 durante reunião ordinária do Conselho Deliberativo

Zolet agradeceu a colaboração dos demais diretores e colaboradores da ACIC durante o mandato

G

Bento Zanoni sucederá Mauricio Zolet na presidência da ACIC

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rato pela confiança, disposto a dar continuidade aos projetos e consciente dos desafios inerentes à função de presidente da maior associação empresarial do oeste catarinense, o empresário Bento Zanoni foi eleito para presidir a diretoria executiva da Associação Comercial e Industrial de Chapecó (ACIC), na gestão 2014 – 2015. A eleição e posse da nova diretoria ocorreu em reunião ordinária do Conselho Deliberativo da entidade, nessa quinta-feira, conduzida pelo presidente, Orivaldo Chiamolera. Zanoni é técnico agrícola, graduado em Administração e Marketing pela Celer Faculdades, é diretor-presidente da Edege Equipamentos Agropecuários e vice-presidente da Associação Catarinense de Avicultura (ACAV). Foi diretor da ACIC, da Câmara de Dirigentes Lojistas de Chapecó (CDL), do Sindicato das Empresas Metalúrgicas e do Material Elétrico

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Altamir Scussiatto, Sérgio Perondi, Marcelo Marafon Porciuncula, Bento Zanoni, Francis Marcel Post, Cidnei Barozzi e Josias Mascarello

de Chapecó (SIMMEC) e da Associação Catarinense de Técnicos Agrícolas. Foi eleito Empresário do Ano em 2006 pela comunidade econômica chapecoense. Também compõe a executiva o diretor 1º vice-presidente Josias Mascarello (Incorporações Chapecó – Construtora Catarinense); o diretor 2º vice-presidente Cidnei Luiz Barozzi (Arcus Ind. Gráfica); o diretor administrativo Francis Marcel Post (Vision System Sistemas); o diretor administrativo adjunto Altamir Luiz Scussiato (Comércio de Combustíveis Rio Vermelho); o diretor financeiro Sergio Perondi (Portal Dourado Cobrança e Financiamento); e o diretor financeiro adjunto Marcelo Marafon Porciuncula (Centro de Integração Empresa Escola – CIEE). O presidente do Conselho Deliberativo, Orivaldo Chiamolera, desejou sucesso aos empresários que assumirão a entidade no próximo ano e fez menção ao trabalho e empenho do presidente da ACIC que deixa o mandato Mauricio Zolet frente às demandas da entidade. Na reunião, Zolet agradeceu a colaboração que recebeu durante a gestão dos demais diretores e colaboradores da entidade. Segundo ele, a força e representatividade que ACIC conquistou são muito significativas e proporcionaram grandes aprendizados. Zolet desejou sucesso aos novos gestores e disse estar disposto a contribuir como membro do Conselho Consultivo. O mandato da nova diretoria executiva vigorará a partir de 1º de janeiro de 2014.

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Espaço Mercoagro

Léo Martins

A soliDez dos 10 motivos

Marilda Meleti, Show Manager da MercoAgro

Confira agora 10 razões para que você decida com nitidez e rapidez comparecer à MercoAgro 2014 16

O

número 10 é considerado, por excelência, um número perfeito. Afinal, quando queremos dar nota a uma nota máxima para algo, ele só ganha um 10 se for perfeito, não é mesmo? O número em questão ainda é muito curioso como forma perfeita de conduta, pois o ligamos aos “10 mandamentos” descritos na Bíblia. Além disso, se formos expandir esse número para outros campos, quantos dedos você deveria ter em sua mão? E no seu pé? Sim, o número 10, nesse caso, representa algo referente à inteireza, o todo. Por fim, na numerologia, o numeral em questão simboliza

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Localização, 20 anos de tradição e um evento referência dentro do setor são motivos que tornam a sua presença obrigatória na MercoAgro 2014

a divindade e a eternidade. Tantas teorias para a importância do número 10 foram ditas a você, leitor da Revista Nacional da Carne, para que a partir de agora, você tenha mais um motivo para se lembrar desse número. Para isso, vamos lhe dar e explicar 10 reais razões para que a sua participação na MercoAgro 2014 seja obrigatória. Para tal objetivo, convidamos Marilda Meleti, Show Manager da MercoAgro, para detalhar e aprofundar todos os 10 motivos para que você entenda a importância de sua participação, bem como grandiosidade desse eveno . Se você já iria para a feira de 2014, essa matéria serve para

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reforçar que a sua escolha esta mais do que certa. Mas se você ainda tem dúvidas sobre ir ou não ao evento, essa matéria foi feita especialmente para que você acabe com elas. Assim como diz a letra da banda paulista de rock Rosa de Saron, “em 10 segundos, com 10 razões e 10 motivos” você perceberá que após 10 edições do evento, sua presença na MercoAgro 2014 é mais que obrigatória. Motivo 01: 20 anos de tradição e sucesso comprovado A MercoAgro completa agora em 2014, uma história de 20 anos de realização. Depois de 10 edições, a feira se consolida como o evento mais importante para a indústria de

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Espaço Mercoagro em Santa Catarina. Esse feito, bem como esse status, é motivo de muito orgulho para todos nós.    Motivo 02: Localizada no maior polo frigorífico do País A feira é realizada no oeste catarinense, região com a maior concentração de empresas frigoríficas do Brasil. Por essa forte razão é que Chapecó se destaca como o ponto de encontro para quem quer fazer negócios. A MercoAgro está localizada no melhor lugar possível.

Localização é um dos motivos

processamento da carne na América Latina, sendo assim uma referência para fornecedores e frigoríficos durante os quatro dias de realização em na cidade de Chapecó,

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Motivo 03: Referência para a indústria nacional e reconhecimento internacional A MercoAgro é, sem dúvida nenhuma, uma referência para o setor. Ela é necessária e tradicional. É nela que a indústria apresenta seus produtos e lançamentos, assim como o local onde os visitantes podem conferir as novidades, tendências e assuntos mais relevantes dentro desse mercado. Dessa forma, a feira consegue extrapolar os limites do Brasil, sendo conhecida em outros países como um grande acontecimento. A promoção do evento na feira alemã IFFA em 2013, foi um exemplo da visibilidade internacional que a MercoAgro possui.    

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Espaço Mercoagro Motivo 06: Seminário Internacional realizado pelo SENAI Chapecó Esse será um evento que complementará a oferta da MercoAgro. A décima edição do Seminário Internacional de Industrialização da Carne vem com novidades para 2014 e vai trazer conteúdo especializado para profissionais e formadores de opinião do setor. Todos poderão melhorar seu know-how com o conhecimento fornecido pelo Seminário Internacional do SENAI Chapecó. Motivo 07: Melhorias na infraestrutura do Parque de Exposições Tancredo Neves O parque de exposições foi revitalizado por iniciativa da Prefeitura Municipal de Chapecó, com nova pintura, jardinagem e manutenção das áreas externas. A parte estética do local, bem como sua infraestrutura, com toda a certeza trará mais conforto para todos os expositores e visitantes.  

Motivo 04: Maior área de exposição e ponto de encontro do setor na América Latina A feira ocupa uma área de 15.000 m² nos quatro pavilhões do Parque de Exposições Tancredo Neves. Já para 2014, a feira terá sua metragem útil ampliada com a oferta de área externa superior a 13.000 m². Isso demonstra também a evolução do evento na parte física. Outro ponto a ser destacado é a participação de visitantes de toda a América Latina. Isso faz do evento um ambiente especial no qual os profissionais de diferentes países se reúnem a fim de trocarem experiências, buscarem soluções, mirando sempre uma evolução do mercado com um todo.   Motivo 05: Programa de compradores, com profissionais de todo o Brasil A proposta do projeto comprador é trazer profissionais da indústria da carne e do leite que estejam localizados no Brasil e América Latina e que os mesmos sejam indicados pelos expositores. A ideia é que se efetue a realização de encontros dirigidos e que se desenvolva uma dinâmica de relacionamento que permita mais efetividade nos contatos. 20

Motivo 08: Banco de dados com os mais importantes compradores do setor Construído de maneira sólida ao longo da história do evento, a BTS Informa detém um banco de dados consistente e bem estruturado, formado por profissionais da indústria que visitam a feira, bem como por leitores da Revista Nacional da Carne, que são influenciadores e tomadores de decisões. Motivo 09: Apoio e cobertura de mídia da Revista Nacional da Carne e da Revista Leite & Derivados As mais tradicionais e reconhecidas publicações das indústrias da carne e do leite, são as mídias oficiais do evento. As mesmas darão cobertura total ao longo de todo o processo de preparação e realização da feira. Matérias especiais e as novidades que estarão na MercoAgro, poderão ser conferidas em primeira mão nas revistas.    Motivo 10: Expertise da BTS Informa, maior promotora de feiras de negócios no setor de alimentação na América Latina A BTS Informa, promotora responsável pela organização da MercoAgro, é uma empresa que faz parte do grupo Informa, multinacional inglesa com 150 escritórios em mais de 40 países e que organiza eventos de renome como Agrishow, TecnoCarne, FISPAL Tecnologia, FISPAL Food Service, ABF Franchising Expo, SIAL Brazil, ExpoVinis, entre outras. A empresa possui uma equipe qualificada, com a expertise de ser a maior empresa de feiras de negócios no setor de Alimentação na América Latina.    

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Qualidade por Eduardo A. Orlando; Suzana E. Yotsuyanagi

Resíduos de medicamentos veterinários em carnes

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O emprego de antimicrobianos em animais de produção tem recebido grande atenção, sendo objeto de discussões em inúmeras reuniões científicas

tualmente, a produtividade da agropecuária relacionada à produção animal é dependente do uso de medicamentos veterinários. Esses fármacos são destinados a prevenir e curar doenças, além de contribuírem com a manutenção da saúde e do bem estar do animal. O emprego dos medicamentos também traz consideráveis ganhos econômicos, pois colaboram com um melhor desempenho zootécnico do animal, gerando maior lucratividade e garantia de produção para os criadores e para a indústria. Esse cenário é reforçado pelo sistema de criação intensivo que visa maximizar a produção com o mínimo de área disponível e menor tempo possível. Nesse sistema de criação existe uma maior suscetibilidade ao surgimento e proliferação de doenças infecciosas devido à alta densidade animal, havendo necessidade de rigorosos controles higiênicos-sanitários do ambiente de criação, além de manejo adequado dos animais. 22

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As principais classes de medicamentos veterinários utilizados são: antimicrobianos, antiparasitários, sedativos, promotores de crescimento, beta-agonistas, anti-inflamatórios e anticoccidianos, as quais podem ser utilizadas com finalidade terapêutica, profilática, metafilática ou mesmo como potencializadores de crescimento. Apesar dos benefícios atingidos com o fornecimento de algumas classes de medicamentos para uso em animais de produção como a redução dos custos de produção, melhoria no rendimento da carcaça principalmente no percentual de carne magra, redução nas condenações no abate e diminuição de contaminação microbiológica, a utilização desses medicamentos requer administração criteriosa. O fornecimento indiscriminado ou em quantidades fora das especificações permitidas em animais destinados ao consumo humano pode gerar resíduos que persistem nos tecidos ou, no caso de antibióticos, promovem a resistência bacteriana, colocando em risco a segurança alimentar (Coffman, 1999). Neste sentido, o emprego de antimicrobianos em animais de produção tem recebido grande atenção, sendo objeto de discussões em inúmeras reuniões científicas. Porém, até o presente momento, não foram definitivamente caracterizadas, do ponto de vista científico, possíveis relações entre o uso de antimicrobianos em animais e o aumento de resistência em bactérias isoladas do ser humano (Casewell et al., 2003). Apesar disto, a União Européia tem proibido o uso de alguns antimicrobianos em animais de produção, principalmente o uso deste como promotores de crescimento. Esta atitude nem sempre tem sido pautada por decisões recomendadas pelas organizações internacionais de referência como a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o Codex Alimentarius e a World Organisation for Animal Health (OIE). Porém, é comprovado cientificamente que o consumo de um alimento contendo alguns tipos de resíduos de medicamentos veterinários podem causar efeitos adversos à saúde humana como: alergênico, tóxico, mutagênico ou carcinogênico. A ocorrência de resíduos de medicamentos veterinários em produtos cárneos pode ser causada principalmente pela não obediência dos períodos de carência pré-abate, conhecido também como período de retirada, o qual é necessário para depuração do fármaco e seus metabólitos do organismo dos animais, ou mesmo pela utilização acima das quantidades especificadas, que alteram esse tempo de carência. Além disso, erros de procedimento e no preparo de soluções podem ser fontes de superdosagens. Outro fator que pode ocasionar a ocorrência de resíduos é o manejo inadequado de rações, como a mistura inadequada do medicamento concentrado, reciclagem de rações, ou até mesmo pelo reuso das fezes dos animais (Cannavan et al, 2000, O’Keeffe et al, 2007). Esses riscos associados ao uso de medicamentos veterinários implicam em uma necessidade de monitoramento constante por parte do setor público, tanto na fiscalização da ocorrência dos resíduos que os medicamentos podem deixar nos alimentos, como no controle de qualidade das matérias primas, intermediários e princípios ativos dos Janeiro 2014

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Qualidade

fármacos comercializados. Esses controles são necessários, uma vez que casos positivos da ocorrência de resíduos causam forte impacto negativo na indústria de carnes,

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gerando prejuízos econômicos e políticos, além de diminuir a credibilidade do setor de carnes frente aos consumidores dentro e fora do Brasil. Dentre os principais efeitos negativos causados pela presença de resíduos de medicamentos veterinários destacam-se a criação de barreiras comerciais por países importadores e também a perda de confiança do consumidor, necessitando de altos investimentos para recuperação da credibilidade. Na última década, alguns casos de ocorrência de resíduos causaram diminuição nas exportações brasileiras, como o caso da ocorrência de antibióticos da classe dos nitrofuranos em carne de frango em 2003 e do anticoccidiano nicarbazina em 2009, ivermectinas em carnes processadas importadas pelos EUA em 2010 e, mais recentemente, casos de resíduos do beta agonista ractopamina em carnes de suínos importados pela Rússia em 2013. Portanto, existe uma necessidade de investimento em pesquisa para o conhecimento dos riscos à saúde humana e animal associado ao uso de medicamentos veterinários que, atualmente, tem papel dividido entre o setor privado e público. O setor privado é responsável

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Qualidade

O consumo de carne com resíduos de medicamentos veterinários podem causar efeitos adversos à saúde humana

por executar estudos farmacológicos, requeridos e determinados para registro de cada produto no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), como biodisponibilidade e bioequivalência do princípio ativo, além de taxa de excreção, determinação de resíduos e período de carência. Ao setor público, cabe o incentivo e financiamento de estudos em universidades e centros de pesquisa que ocasionam a criação e ampliação de grupos de pesquisas multidisciplinares voltados ao estudo dos impactos à saúde humana/animal e ao meio ambiente do uso de medicamentos veterinários na criação animal. Neste sentido, os órgãos de fiscalização mundiais em saúde estão aumentando o rigor com relação ao emprego de tais medicamentos atuando tanto na criação e execução de programas de fiscalização e monitoramento de resíduos, como também na proibição de certas substâncias e estabelecimento de Limites Máximos de Resíduos (LMR), que são as concentrações máximas permitidas destes compostos em alimentos e que não tem potencial dano à saúde humana. No Brasil, a fiscalização do uso correto de medicamentos veterinários em animais destinados ao consumo humano está sendo realizada por meio do Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes (PNCRC), criado pelo MAPA em 1986, com função regulamentar, de controle e de vigilância. Suas ações foram direcionadas para se conhecer e evitar a violação dos níveis de segurança ou dos LMRs de substâncias autorizadas, bem como verificar a ocorrência de quaisquer níveis de resíduos de compostos químicos de uso proibido no país. Para isto, são colhidas amostras aleatórias de animais abatidos e vivos, de derivados, industrializados ou beneficiados, 26

destinados à alimentação humana, provenientes dos estabelecimentos sob Inspeção Federal (SIF) e, em seguida, encaminhadas aos laboratórios credenciados para análise (Brasil, 1999). Esse programa atua de forma irreversível, ou seja, como um “caminho sem volta”, de maneira a promover a garantia de qualidade do sistema de produção de alimentos de origem animal ao longo das cadeias produtivas e vem sendo aprimorado a cada ano com aumento no escopo de moléculas alvo e matrizes alimentares. Esse crescimento é acompanhado pelo avanço das técnicas analíticas para detecção desses resíduos, que possibilitam cada vez mais análises de menores concentrações, com respostas mais rápidas e confiáveis. Atualmente existem diversas opções para analisar resíduos de medicamentos veterinários em carnes, como técnicas de triagem rápida por ELISA (do inglês Enzyme Linked Immuno Sorbent Assay) e análises quantitativas e confirmatórias que utilizam a cromatografia líquida ou gasosa acoplada à espectrometria de massas em série. Apesar do risco associado ao uso indiscriminado, os medicamentos veterinários são importantes ferramentas na preservação da saúde e do bem estar animal e tem uma função fundamental no aumento da produtividade, que é essencial para atender a crescente demanda mundial por proteína animal. Para garantir a segurança alimentar, produtores e profissionais envolvidos no segmento produtivo têm responsabilidade pelo uso adequado dos medicamentos veterinários de forma a minimizar a ocorrência de resíduos em carnes. De uma maneira geral as preocupações genuínas com respeito ao impacto na saúde humana pelo uso de medicamentos na produção animal estão sendo estudadas pelos órgãos regulamentadores, instituições de pesquisa, universidades e indústrias.

Referências bibliográficas

Brasil. Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa n. 42, de 20 de dezembro de 1999. Sistema de Consulta à Legislação. Disponível em: <http://www.agricultura.gov.br/legislacao/sislegis> Acesso em 1º novembro de 2013. Cannavan, A.; Kennedy, D.G. Possible causes of nicarbazin residues in chicken. Food Additives and Contaminants, v. 17, p. 1001-1006, 2000. Casewell, M.; Friis C.; Marco E.; McMullin P.; Phillips I. The European ban on growth-promoting antibiotics and emerging consequences for human health. Journal of Antimicrobial Chemotherapy, v. 5, p. 159-161, 2003. Coffman, J. R. The use of drugs in food animals: benefits and risks. USA, National Research Council Book.1999 . 253 p. O’keeffe, M.; Capurro, E.; Danaher, M.; Campbell, K.; Elliott, C.T. Investigation of the causes for the occurrence of residues of the anticoccidial feed additive nicarbazin in commercial poultry. Food Additives and Contaminants, v. 24, p. 923-934, 2007.

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Menos s贸dio, mais aditivos

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Estratégias do mercado de aditivos e ingredientes auxiliam indústria cárnea a lidar com novas demandas. Consumidor quer produtos mais saudáveis e de qualidade

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indústria alimentícia brasileira vive em constante transformação. Em alguns momentos, buscando produtos mais saudáveis, as mudanças ocorrem espontaneamente dentro do próprio mercado. Há, ainda, as alterações guiadas pelo Estado, como no recente acordo firmado – o quarto – entre o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), Edmundo Klotz. Na pauta, apenas um tema: a redução do sódio de alguns produtos industrializados.

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Depois de passar despercebida nos três primeiros acordos, que trataram de produtos como temperos, pães, bolos e maionese, entre outros, a indústria cárnea foi incluída no pacto de novembro de 2013. Alimentos como hambúrguer, presunto embutido, linguiça frescal, linguiça cozida a temperatura ambiente e mantida sob refrigeração, salsicha e mortadela, assim, precisarão reduzir o teor de sódio até 2015. Missão que poderia ser áspera e trabalhosa a um setor já repleto de complexas atribuições. Mas, certamente, que será facilitada pelo mercado de aditivos e ingredientes. Atenta às necessidades da indústria, e ciente da possibilidade iminente do acordo, a Marsul não demorou a reagir: ainda neste ano, lançará o CONDIMARTI REDUTOR DE SÓDIO, um produto não só pensado para minimizar o novo desafio do setor, mas que promete manter as características originais e não interferir no gosto dos alimentos. “O CONDIMARTI REDUTOR DE SÓDIO utiliza uma tecnologia diferenciada, que confere sabor salgado ao produto possibilitando redução de 30-40% do percentual de sódio no produto final sem alterar as características

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sensoriais, de textura e shelf life”, explica Michelle Santos da Rosa, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Marsul. “É um produto que tem como principal objetivo atender a necessidade regulatória definida pelo Ministério da Saúde, que visa reduzir o consumo do sódio pela população brasileira”. O desenvolvimento quase instantâneo do CONDIMARTI REDUTOR DE SÓDIO demonstra bem o comportamento do setor de aditivos e ingredientes. Servindo de importante retaguarda, as empresas trabalham sempre alertas na tentativa de interpretar as demandas do cliente. Permanecem, ainda, antenadas à conjuntura nacional e ao mercado consumidor, na tentativa de antever novos cenários e perspectivas. Outra grande empresa do mercado, a Kraki também não demorou a reagir ao acordo do Ministério da Saúde. Sua alternativa para reduzir o sódio, entretanto, é diferente da Marsul: não investirá apenas em um produto, mas estudará detalhadamente o caso de cada cliente. “No nosso mercado, o grande destaque em 2014 será a questão do sódio, até pela regulação federal. A

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redução de sódio e de gordura, aliás, tem se mostrado como grandes diferenciais desse mercado. Só que você precisa de uma estratégia muito ampla, não pode estar apenas focado na redução, mas também em questões como sabor e funcionalidade”, avalia o coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento da Kraki, Fábio Franco. “Não trabalharemos com um produto específico, uma marca própria. Mas ofereceremos uma solução que dependerá da necessidade do cliente. Quanto ele quer reduzir de sódio, por exemplo, e como ele quer reduzir? Precisa pensar no tipo de aditivo, que mercado ele quer. Precisa analisar tudo o que ele precisa, antes de apresentar a solução”. Com o serviço personalizado, e a possibilidade de entender melhor as demandas individuais, o coordenador explica que diferentes soluções podem servir para a mesma empresa. “O que nós estamos oferecendo é um produto customizado. O mesmo cliente pode ter dois produtos, e querer reduzir uma pequena porcentagem em um, e outra porcentagem maior no segundo. Então precisamos pensar em duas soluções diferentes”, ilustra Fábio Franco. Investir na redução de sódio, no entanto, não foi uma decisão baseada unicamente na nova regulamentação. A Kraki desenvolve o tema há quase três anos, motivada pelo próprio interesse da indústria cárnea. A questão, agora, é que a demanda tornou-se uma preocupação fundamental do mercado. E ela traz uma série de problemas complementares de difícil resolução. 32

Embora a qualidade da comida tenha entrado na pauta da alimentação nacional, ela ainda não é forte o suficiente para sobrepor antigos hábitos. O consumidor, assim, até tem interesse em diminuir a quantidade de sódio e gordura do prato. Mas não está disposto a abdicar de certos prazeres da mesa. “Existe uma tendência de novos produtos, uma tendência da saudabilidade, mas ainda não é o carro-chefe do consumidor”, assegura Fábio Franco. O mercado de aditivos e ingredientes, assim, vê-se diante de um pequeno impasse: para tornar parte dos produtos saudáveis, precisa ir contra o paladar do consumidor. “A consciência do consumidor, sobre a necessidade de ser saudável, mudou. Mas, para nós, há um sério problema. Você pode tornar um produto mais saudável, mas ele irá se descaracterizar. Não dá, por exemplo, para fazer uma linguiça calabresa com redução de gordura, porque ela não será a mesma. Se você reduz, ele percebe”, explica o coordenador da Kraki. A tendência, até que o novo hábito seja consolidado, é a diminuição do consumo desses alimentos. “O consumidor prefere o produto tradicional, e consumir menos, do que uma versão diferente do tradicional. A população percebeu os benefícios na redução da gordura e do sal, mas ainda não se acostumou”. Essa, entretanto, não é a única tendência no segmento de aditivos. Outra mudança verificada nos últimos anos, e que tende a se intensificar neste ano, é a qualificação dos produtos. Com a ascensão da classe C, segundo Fábio Franco, o brasileiro pensa hoje menos no preço. “Muitos consumidores da classe D e E, acostumados ao popular, estão investindo em um produto melhor. Compra, por exemplo, uma mortadela de qualidade, ouro, e não a mais barata. O consumo de produtos de valor agregado está crescendo. O consumidor também está ganhando consciência, aprendendo a ler o rótulo”, comenta. Para enfrentar esses dois desafios – a procura por um produto relativamente saudável e de maior qualidade –, a Kraki dividiu suas demandas em sete grandes segmentos: otimização do uso de matéria-prima, melhoria sensorial, aprimoramento de processos, desenvolvimento de novos produtos, adequação de produtos aos critérios legais, shelf life e acesso a novas tecnologias. Esta, aliás, Janeiro 2014


parte do interessante conceito de “tropicalização”: com 60 anos de experiência e amplo acesso ao mercado externo, a empresa busca adaptar a tecnologia estrangeira à realidade brasileira. Mas o trabalho desenvolvido pelos segmentos só pode ser melhor compreendido dentro do conceito de customização – e não apenas no desafio do sódio, imposto pela nova regulamentação. Vender produtos, assim, tornou-se uma missão apenas complementar da empresa. “Utilizamos sempre o apoio customizado, hoje é o nosso foco principal. Queremos ser parceiro do cliente, não apenas vender o produto. Ele só vai crescer assim. Isso tem um preço, mas se traduz. Estamos fugindo do lugar comum de só vender produto”, reitera Fábio Franco, acrescentando qual o público principal da nova empreitada. “E eles estão recorrendo muito a nós, principalmente os médios e pequenos”. A presença de empresas de porte menor, por sua vez, criou um novo foco. A ideia da Kraki não é apenas conquistar o cliente temporário, mas ganhar um parceiro de anos, quem sabe de décadas. “Trabalhamos bastante para ajudar os clientes a desenvolverem novos produtos. Ter

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um departamento de Pesquisa e Desenvolvimento é difícil, então sempre auxiliamos, damos todo o apoio necessário. Em função disso, eles podem crescer e também ser um importante parceiro no futuro”, sugere Fábio.

Carragenas e Duplogel

Essa aproximação com empresas menores não é exclusividade da Kraki. Em constante transformação, na avaliação da Marsul, o mercado se tornou mais concentrado. E atender aos grandes conglomerados, segundo Michelle Rosa, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento, ficou difícil: com a profissionalização da área de suprimentos e o crescimento de leilões eletrônicos, o comprador passou a preocupar-se apenas com o preço final, sem atentar-se aos inúmeros serviços oferecidos pelo setor. “Entretanto, estas mesmas concentrações tem possibilitado o crescimento do médio e pequeno em áreas distintas, ou até mesmo em nichos regionais pequenos”, pondera a gerente da Marsul. “E isto não ocorre com os médios e pequenos, onde a relação pessoal é mais tolerada, onde aparece mais o serviço, muitas vezes pela inexistência de

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áreas de armazenagem na indústria cárnea. Estes produtores contam com um atendimento logístico diferenciado”. Estar conectada ao cliente, na avaliação de Michelle Rosa, permite antecipar algumas demandas. O que pode, assim, facilitar na criação e no desenvolvimento de produtos. “A Marsul é uma empresa que tem por cultura estar próximo ao cliente visualizando suas necessidades bem como as tendências de mercado, e assim é possível obter informações tanto para inovações quanto para tendências de aumento de consumo”, conta a gerente. Atenta à reação das empresas, a Marsul pôde analisar detalhadamente o desempenho de seus produtos. E detectou duas linhas muito bem aceitas no ano passado: as Carragenas, nas versões Margel IF – Injeções e Margel EA – Emulsão, e o Duplogel, divididos em Duplogel – Emulsões e Duplogel MF – Emulsões. Em ambos os casos, ampliando a aceitação, os produtos se adequam às necessidades específicas de cada cliente. “O Duplogel trata-se de um produto voltado para a gelificação em linguiças frescais e congeladas. Possui característica granulada, com boa relação na absorção e emulsão. Foi bem aceito devido às características do produto e às variáveis de gelificação, podendo ser adaptado a necessidade de cada cliente”, assegura a gerente da Marsul. “Quanto às Carragenas, são vários tipos de blends adaptados aos processos de cada cliente, sendo que o diferencial desses produtos estão na funcionalidade. Esses foram bem aceitos pelos clientes e estão ganhando mercado”. Outra empresa a obter importantes resultados no ano

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anterior foi a Ajinomoto. Uma as precursoras no mercado mundial de aditivos e ingredientes à indústria cárnea – foi fundada em 1909 e chegou ao Brasil em 1956 –, a empresa sempre atuou focada em dois princípios complementares: melhorar a nutrição e auxiliar o desenvolvimento de alimentos saborosos. É por essa linha que segue, por exemplo, o clássico componente da companhia, o AJI-NO-MOTO®, um glutamato monossódico que confere realce e continuidade do sabor, sem interferir na cor e textura dos alimentos. O AJI-NO-MOTO®, entretanto, não foi o único produto a se destacar em 2013. Produzido por fermentação microbiológica, o ACTIVA® é uma enzima transglutaminase que atua como coadjuvante, catalisando as reações de ligações cruzadas entre moléculas de proteína. Divide-se em três linhas: o ACTIVA® TG-BP, desenvolvido para reestruturar pedaços de carne, melhorar a textura, a fatiabilidade e a suculência de produtos embutidos; o ACTIVA® TG-B, com as mesmas finalidades do ACTIVA® TG-BP, mas com a necessidade de ser diluído em água; e o ACTIVA® TG-S, para melhorar a textura e a fatiabilidade de produtos embutidos e injetados. Alguns temperos especiais da Ajinomoto também obtiveram importante destaque. Um deles é o HARMONIX-F®, para realçar o sabor e harmonizar a combinação de condimentos utilizados em produtos frescos ou processados. Há ainda o AJITIDE®, marca de nucleotídeos obtidos por fermentação do amido. Pode ser encontrado nas linhas AJITIDE® IMP e AJITIDE® I+G. Ambos conferem complexidade, impacto e continuidade ao sabor.

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Tufão nas Filipinas

O trabalho de criação, entretanto, não é simples. Desenvolver um produto envolve uma série de etapas complexas, segundo detalha Michelle Rosa. “A área de Pesquisa e Desenvolvimento inicia o processo de criação desde as etapas de pesquisa e conceituação do projeto passando pelas etapas de viabilidade, testes de aplicação, até chegar ao produto final desejado e o lançamento ao mercado”. Posteriormente há o trabalho de acompanhamento, intensificando a percepção sobre o lançamento, a funcionalidade e a reação do cliente. “O P&D da Marsul trabalha extremamente alinhado com a área comercial para que o suporte técnico seja dado de forma eficiente e eficaz aos nossos clientes”. Todo esse envolvimento rendeu importantes resultados em 2013. Alavancada pelo bom desempenho das Carragenas e do Duplogel, a Marsul cresceu aproximadamente 20% no ano passado, na comparação com 2012. Resultado, entretanto, que poderia ser melhor, não fosse a alta do dólar e outro pequeno entrave: o mercado enfrentou dificuldades com a disponibilidade da soja não transgênica (NGMO). Os preços, assim, descolaram da soja transgênica (GMO) e chegaram a ser 30% maior. Como a indústria cárnea brasileira utiliza a NGMO, mas a base de valores é comandada pela GMO, houve dificuldades para repassar os ajustes de custos. Embora reconheça as dificuldades, Michele projeta um ano mais tranquilo. “Tivemos uma super safra de soja 2012/13 e teremos outra em 2013/14, bem como a safra americana 2013 ficou em excelente patamar. Isto irá possibilitar um aumento nos estoques mundiais e uma manutenção ou até mesmo uma pequena queda nos preços em 2014”, garante. O preço da soja, entretanto, não deve ser o único problema do setor. Uma das principais produtoras mundiais de Carragenas, as Filipinas foram severamente atingidas pelo tufão Haiyan no início de novembro, em uma tragédia que deixou milhares de mortos. O país, em reconstrução, naturalmente pode diminuir o ritmo das exportações em 2014. E o mercado brasileiro não sabe ainda como reagirá.

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Coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento da Kraki, Fábio Franco reconhece a gravidade do problema. E garante que o setor pode, sim, ser afetado. “As principais dificuldades em 2013 foram com os fornecedores de matéria-prima, principalmente nas Filipinas. Esse problema afetou diretamente as Carragenas, porque as Filipinas é um dos grandes produtores mundiais. Não sabemos ainda como o próximo ano será afetado por esse problema, quando eles irão se recuperar, como esse mercado se comportará”, pondera. Mas, apesar de receoso com as importações das Carragenas, e os possíveis desdobramentos da tragédia filipina, Fábio Franco assegura que a empresa não sofrerá grandes sustos. O desenvolvido departamento de compras da Kraki, em sua avaliação, deve auxiliar na redução de danos. Os primeiros passos para minimizar o grave problema, inclusive, já foram dados no final de 2013. “Fazemos sempre uma análise detalhada do cenário. São muitos fornecedores, eles variam muito, então trabalhamos com uma área específica de compras. Olhamos tendências, fazemos análise de mercado, mapeamos especiarias, hidrocolóides, até mesmo commodities básica, como açúcar e sal. Posicionamos a estratégia na parte de aquisição, quando é o melhor momento para comprar, qual o estoque regulador, como trabalhar com esses estoques”, explica o coordenador da empresa. “E, evidentemente, já começamos a monitorar os problemas que podem surgir com o tufão nas Filipinas”. Outro fator que revigora seu entusiasmo é o desempenho positivo do ano anterior. Fábio conta que a Kraki investiu no alinhamento comercial, profissionalizou a relação com os clientes, desenvolveu o setor de compras e, assim, conforme projetava inicialmente, colheu grandes resultados. “O ano de 2013 foi muito bom. As metas foram atingidas, tanto as metas gerais quanto a de faturamento, principalmente porque conseguimos trabalhar muito bem a parte de compras”. Se o ano anterior foi positivo, a expectativa é ainda melhor para 2014. Amparado por uma série de eventos nacionais significativos, o setor tende não só a crescer, como a ocupar um importante espaço na indústria alimentícia, oferecendo soluções às novas necessidades do brasileiro, cada vez mais exigente e preocupado com a saúde. “Para 2014, com a Copa, teremos um crescimento maior de consumo e de conscientização. Então devemos continuar nos desenvolvendo”, projeta Fábio. E, seja qual for a exigência, o setor de aditivos está pronto para amparar a indústria cárnea em todas as suas possíveis transformações.

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Especial Por Itamar Cardin

Sem crise A

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Mesmo diante do instável cenário internacional, exportação de carne bovina e de frango obtém expressivos resultados em 2013. Expectativa para o ano é ainda maior

Exportação de carne bovina atingiu recorde histórico em 2013. Números tendem a ser ainda melhores em 2014

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s contas externas brasileiras sofreram severo revés em 2013. Abalada pela crise financeira internacional, a balança comercial do país fechou novembro negativa em US$ 89 milhões, o pior resultado em 11 meses desde 2000. O tenso e competitivo cenário atingiu, sobretudo, as exportações nacionais: até novembro foram negociados US$ 221,33 bilhões, queda de 1,2% na comparação com o mesmo período de 2012. Essa deterioração dos resultados, entretanto, não abalou o setor cárneo. Muito pelo contrário. Enquanto determinadas esferas da economia sofreram para negociar externamente, o mercado de carnes demonstrou sólida consolidação e obteve resultados históricos. E o principal deles veio com a carne bovina. Em apenas 11 meses, o setor exportou 1,36 milhão de toneladas, resultante em US$ 6,013 bilhões, números que superam todo o montante de 2012. Na comparação com o ano retrasado, então recorde histórico no país, o crescimento foi de 20,1% em quantidade e 14,5%, em valor. Cifras que demonstram o momento importante, revelam uma política externa acertada e redobram o entusiasmo para 2014. Janeiro 2014


“Encaramos esses números de uma maneira bastante positiva. Era até nossa previsão alcançar R$ 6 bilhões, mas somente em dezembro”, garante o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Antônio Jorge Camardelli. “Cresceremos neste ano 15% em receita e 20% em volume, alcançando um número redondo de R$ 6,5 bilhões e 1,5 milhão de toneladas. É um resultado expressivo”. Embora tenha registrado ligeira retração no volume de vendas, de 0,3%, a exportação de carne de frango também obteve expressivo aumento de valor: US$ 7,349 bilhões no acumulado até novembro, crescimento de 5,2% na comparação com o mesmo período do ano passado. Parte desse resultado positivo, aliás, se deve ao desempenho dos últimos meses. Somente em novembro, culminando em alta de 11,4%, foram embarcadas 347,7 mil toneladas. “Foi um ano com resquícios de crise mundial e problemas políticos em destinos que mandávamos carnes, como o Egito. E, mesmo assim, estamos repetindo a exportação de 2012. Os números são bem positivos”, avalia o diretor de mercados da União Brasileira de Avicultura (Ubabef), Ricardo Santin.

Problemas no mercado internacional derrubaram a exportação da carne suína no ano passado

Uma série de fatores independentes ajudam a explicar o desempenho positivo da indústria cárnea. Há, porém, um componente integrando os dois setores: a desvalorização do real. Após iniciar o ano cotado a R$ 2,04, e chegar ao limiar de R$ 1,95 em março, o dólar disparou a partir de junho e alcançou o ápice de R$ 2,44 em agosto. Uma leve queda reduziu seu valor nos dois meses seguintes. Mas, a partir de novembro, consolidando os ganhos com as vendas externas, a moeda se fixou novamente em torno dos R$ 2,30. “O dólar também ajudou a aumentar os lucros, é claro”, reconhece o presidente da Abiec. “Mas existem outros fatores que explicam esse resultado positivo”. Entre eles, destaca Camardelli, inclui-se uma estraJaneiro 2014

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Ricardo Santin, diretor da Ubabef: “A ideia é melhorar o perfil, a qualidade, atender melhor”

tégia coordenada de análise. Dados estatísticos de outros países, com informações sobre questão cambial e dificuldades ou oportunidades específicas de cada bloco, são compilados e avaliados cotidianamente pelos associados. As ações comerciais, assim, partem de sólida percepção econômica. “A partir dessas estatísticas, estabelecemos estratégias. Dentro desse processo, a cada mês, olhamos o montante de exportação, os desvios de volume, de preço. Então fazemos uma integração com a área comercial e criamos uma estratégia conjunta”, explica. Essa análise intermitente permite vislumbrar novas oportunidades mesmo em um mercado pouco volátil. Os maiores compradores no ano passado, até novembro, foram Hong Kong (21,8%), Rússia (18,66%), Venezuela (11,95%), Egito (7,52%) e Chile (6,1%). É uma lista semelhante à de 2012. “O mercado é meio estável. Fala-se muito em sobressalto com a Rússia, mas temos um acordo com eles e, dentro desse acordo, a troca é constante. Sempre foi um grande parceiro, não temos nada a reclamar”, pondera o presidente da Abiec. O incremento de vendas com Hong Kong, entretanto, trouxe algumas mudanças: o país não só tornou-se o maior comprador de carne bovina brasileira, como fez da Ásia o principal mercado nacional. O aumento de negócios com a Venezuela, por sua vez, é diretamente responsável pela desempenho histórico do setor. Abalado por uma crise de abastecimento, o país latino estabeleceu um robusto programa de exportação de alimentos. “E a indústria brasileira de carne pode responder qualquer demanda de quantidade”, assegura Camardelli. As vendas aos venezuelanos, na comparação com 2012, até novembro, aumentaram cerca de 93%. 40

Investir estrategicamente em novos mercados, aliás, é uma das bases fundamentais ao bom desempenho. O Brasil exporta hoje carne bovina para 142 países – em 2000, não passava de 106. E a lista tende a aumentar nos próximos meses. Em dezembro, por exemplo, Trinidad e Tobago, Geórgia e Omã já manifestaram o desejo de comprar o produto brasileiro. A presença em uma série de feiras internacionais no início de 2014, como em Dubai e na Rússia, também traz a expectativa de novos acordos. “Quando um país faz uma feira, não é apenas ele que participará. Inúmeros países vão à feira, e você está lá, pronto para negociar”, explica o presidente da Abiec, acrescentando que a estratégia não se limita à participação de eventos. Apenas nos últimos dois anos, por meio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), o Governo Federal e o setor privado realizaram 18 ações de promoção comercial para o setor de carne bovina. Essas iniciativas envolvem diretamente outros países e permitem, segundo Camardelli, ampliar as parcerias, estreitar a cadeia de lucro e vender com um número menor de intermediários. Divulgação

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Rui Vargas, presidente da Abipecs, garante que o setor está pronto para qualquer desafio

Incrementar a qualidade das exportações também foi uma estratégia utilizada pelo setor de frango. Em vez de quantidade, investiu-se na melhoria de receitas. Como demonstra a ligeira queda no volume comercializado, em detrimento do aumento considerável de valor. A valorização do real, em um primeiro momento, contribuiu favoravelmente. Mas não foi o único fator para totalizar a receita de quase US$ 9 bilhões, se consideradas também as vendas de perus, patos, marrecos, ovos férteis e ovos. Janeiro 2014


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Antônio Camardelli, presidente da Abiec: “seremos bastante ambiciosos para o próximo ano” O setor, percebendo a retração da economia mundial, buscou um modelo enxuto: reduziu a produção e impediu o acúmulo de estoque. Assegurou, assim, certa tranquilidade na operação, minimizando a dependência de crédito. E pôde impor preços mais interessantes ao mercado externo. Outro ponto fundamental foi o investimento em produtos qualificados. Cortes específicos, por exemplo, e não apenas o frango inteiro, entraram mais incisivamente na pauta de exportação. Diretor de mercados da Ubabef, Ricardo Santin explica que a qualificação trouxe ganhos imensuráveis ao setor. “Trabalhamos menos no volume e mais na qualidade, e a receita foi muito positiva. Vendemos peito marinado para Europa, por exemplo, um estágio entre o peito cru e o cozido, o que antes era feito lá. Estamos agregando receita. O lucro, o emprego, agora fica aqui. A ideia é melhorar o perfil, a qualidade, atender melhor, e ao mesmo tempo capitalizar em cima disso”. 42

Santin, entretanto, faz uma ponderação: a expectativa inicial era de que a exportação crescesse entre 2% e 3%. Mas uma série de problemas externos fez a Ubabef rever as projeções, e os números foram readequados ao cenário sensível de 2013. Um desses entraves veio com a crise política no Egito, tradicional comprador do Brasil. “O turismo lá diminuiu por conta dos problemas e, assim, o consumo de frango caiu. Só nesse mercado, a redução foi de 30%”, explica o diretor da Ubabef. “Houve ainda problemas burocráticos na China, que também fez diminuir a exportação. Mas foram coisas pontuais, não fizemos nada errado, não houve problemas etruturais”. Outro impasse antigo, e que a Ubabef espera solucionar nos próximos meses, é o mercado fechado da Indonésia ao frango brasileiro, sem qualquer justificativa técnica. Na próxima reunião da Câmara de Comércio Exterior (Camex), a entidade pedirá autorização para abrir um painel na Organização Mundial do Comércio (OMC). E espera não apenas solucionar o entrave, como conquistar um importante centro consumidor. “É um país grande, maior que o brasil, e o consumo per capita é baixo, então há a possibilidade sólida de crescimento”.

Embargo na Ucrânia

Problemas em outros países ajudam, por sua vez, a explicar as dificuldades enfrentadas pelo mercado suíno em 2013. Contrariando o bom desempenho dos demais Janeiro 2014


setores, as vendas externas da carne de porco alcançaram até novembro US$ 1,26 bilhão, queda de 9,58% na comparação com o mesmo período de 2012. A exportação em volume, de 479.984 toneladas, também foi inferior em 11,29%. Parte dos resultados negativos é explicado pelo fechamento do mercado ucraniano no primeiro semestre. Um dos principais compradores do produto brasileiro, o país europeu alegou a presença de uma bactéria – listeria – na carne nacional e suspendeu os negócios entre março e junho. “Foi difícil recuperar”, lamenta Rui Eduardo Saldanha Vargas, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs). Cerca de 40 mil toneladas de carne suína deixaram de ser negociadas durante o embargo. A exportação à Ucrânia, até novembro, na comparação com o mesmo período do ano retrasado, retraiu 49,79% em volume e 43,59% em receita. Essa queda fez a Rússia tornar-se o principal comprador, com 26,09% de participação. Hong Kong, com 23,42%, e os ucranianos, com 13,73%, vêm em seguida. O embargo do país europeu, entretanto, não foi o úni-

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co problema enfrentado pelo setor. Depois de se recuperar em julho e apresentar crescimento de 14%, a exportação retraiu novamente até culminar na brusca queda de

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Especial

24,31% em novembro. O desempenho decepcionante, segundo Rui Vargas, foi causado pela redução global do preço. E, com a diminuição do lucro, os produtores apostaram em outras alternativas. “Os meses do final de ano são tradicionais para o consumo de carne suína, e isso gera aumento da oferta. E, na lei da oferta e procura, o preço médio caiu bastante”, explica o presidente da Abipecs. “Tivemos ainda uma redução de abates e de volume. Esperávamos coisa maior, o setor teve problemas lá fora. Em algum momento, vender no mercado interno compensou mais”. Embora a exportação de carne suína não tenha alcançado os números desejáveis, Rui Vargas minimiza o resultado e faz uma ressalva: na média geral, os preços praticados foram interessantes. Ele explica também que o setor vendeu o que produziu. E assegura que 2014 será um ano sólido. “A Abipecs encara como um ano positivo. Apesar de não atingirmos os níveis que esperávamos, conseguimos um faturamento positivo, com um exercício de preços interessantes. Mesmo sem um volume alto, 44

atingimos metas interessantes. Tudo o que produzimos, por exemplo, nós comercializamos. Não teremos sobras de produto, permitimos quase zerar o estoque”. Com a produção estabilizada, e prevendo fatores positivos no cenário externo, a Abipecs projeta exportação de 590 mil toneladas em 2014, um expressivo crescimento de 15,7% na comparação com 2013. Aposta que se consolida em perspectivas como a maior demanda do Japão, a expectativa de reabertura do mercado sul-africano e a abertura do sul-coreano, a manutenção dos mercados russo e ucraniano, o aquecimento do mercado chinês. Mas, precavido com o cenário de 2013, Rui Vargas faz uma ponderação: o mercado tornou-se instável nos últimos anos, e as perspectivas podem mudar no início de 2014. “A partir de fevereiro o negócio tende a ser bom, mas o mercado internacional, de maneira geral, é bem instável. Janeiro, fevereiro e março eram meses aquecidos, mas isso não tem sido certo nos últimos anos”. O presidente da Abipecs, entretanto, garante que o setor está pronto para qualquer desafio. “As empresas e a cadeia se preparam para diversos cenários, até para o pior. Temos sempre traçados o plano B, C, D. São muitos desafios, como clima, custo, problemas sanitários, embargos. Mas estamos prontos para qualquer um deles”. O otimismo, por sua vez, também ilustra as projeções da Ubabef. Mesmo buscando consolidar a readequação do modelo, sobrepondo agora a qualidade ao volume, o setor ainda aposta no crescimento sólido e constante. “A expectativa é de um crescimento de 2%. Nós já não esperamos um acréscimo grande de volume, um boom na casa dos dois dígitos, mas sim crescimento em qualidade. Sempre vendendo produtos com valor agregado. Sempre melhorando o perfil dos produtos e das vendas. Assim vamos abrindo mercado, consolidando e crescendo”, assegura Ricardo Santin, da Ubabef. Ainda mais confiante, o mercado bovino demonstra forte entusiasmo. Depois de alcançar recordes em volume e em valor, o setor projeta um 2014 ainda mais vigoroso, com perspectivas de quebrar novas marcas. “Seremos bastante ambiciosos para o próximo ano. Alguns países ainda não voltaram a negociar, após o episódio da vaca louca, no Paraná, e já atingimos esta marca. Então, com o possível retorno desses países, possivelmente até o fim do primeiro trimestre, creio que atingiremos uma cifra recorde”, explica Antônio Camardelli. Se confirmada a expectativa do presidente da Abiec, o setor fechará o ano com exportação de US$ 8 bilhões. Um resultado novamente histórico e capaz de consolidar o país como um dos grandes líderes no mercado global da carne. Janeiro 2014


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Tradução e adaptação: YAMADA, E.A.

A hora do corte

Eficácia de técnicas de desinfecção de facas no processamento de carnes

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urante o processamento da carne, as facas devem ser mantidas limpas para prevenir a contaminação cruzada. Idealmente, as facas devem ser limpas mecanicamente, antes do tratamento em água, a 82° C. De acordo com Thiaudiere (1992), o tipo de limpeza mecânica tem um impacto significativo nos microrganismos presentes nas lâminas das facas após o tratamento. Entretanto, 46

procedimentos de sanitização são geralmente breves, incompletos e frequentemente não são realizados. Além disso, a curta exposição a 82° C pode não destruir populações bacterianas. Peel e Simmons (1978) relataram que o tratamento com água a 82° C elimina S. typhimurium no aço após 2 s, mas o tempo necessário para isto aumenta para 8 s quando se introduz matéria orgânica. Estes autores recomendaram imergir as Janeiro 2014


facas por 10 s em água a 82° C. Snijders, van Logtestijn, Mossesl e Smulders (1985) concluíram que 1 s a 82° C é suficiente para eliminar contaminantes bacterianos em uma superfície limpa. Na presença de gordura ou proteína, entretanto, estes autores consideraram 10 s como insuficiente. A desinfecção de facas a 82° C em banho de água ou um procedimento de eficácia equivalente, é obrigatório em estabelecimentos como um abatedouro (EU Regulation 853/2004). Usualmente, água quente a 82° C é usada para propósitos de desinfecção; entretanto, a fonte original deste método não é conhecida. Ainda, a eficácia de desinfecção depende da temperatura e do tempo de exposição; uma combinação tempo-temperatura reconhecida não foi estabelecida no campo da legislação. A legislação somente demanda a temperatura específica de 82°C, não há um tempo específico de exposição. A desnaturação de proteínas começa em torno de 50°C a 60°C. Durante o abate e processamento posterior, tecido gorduroso e proteínas podem aderir à superfície da faca, assim provendo uma camada protetora. Durante a desnaturação de proteínas na superfície da faca, a bactéria pode se tornar protegida e assim permanecer viva. Além disso, a temperatura de fusão da gordura depende da estrutura e da quantidade de seus ácidos graxos, e as temperaturas utilizadas para a desinfecção devem ser maiores que seu ponto de fusão de 40°C e 60°C. O trabalho de Leps et al. (2013) examinou combinações de fatores físicos (calor, ultrassom) e químicos (ácido lático) para o propósito de desinfecção. Placas de aço foram cobertas com gordura e proteína e então inoculadas com uma contaminação bacteriana padronizada, estabelecida de acordo com a composição das populações bacterianas encontradas em um teste prévio conduzido com relação ao abate de suínos. Várias combinações com diversas temperaturas e intervalos de tempos foram testadas, até que nenhuma carga fosse detectada pelo uso de técnica de swab, que foi previamente testada para garantir máxima recuperação bacteriana. Durante o processamento de carne, os fatores limitantes mais importantes de desinfecção de faca são a temperatura e a duração do tratamento, considerando que a desinfecção não pode ser considerada segura, a não ser que padrões adequados sejam estabelecidos. • Temperatura (calor) como um fator simples Shinzato et al. (1994) não encontraram diferença sigJaneiro 2014

nificativa entre períodos de imersão de 30 s e 60 s com relação à concentração bacteriana após lavar facas com detergente e subsequente imersão em água a 60° C, 80° C e 100° C. Estes autores recomendaram tempos mínimos de 30 s e 80° C para imersão de facas em água quente a fim de reduzir a contaminação bacteriana. No presente estudo, na presença de gordura e proteína, não foram detectadas bactérias após o tratamento da superfície de metal com água a 80° C por 10 s. Também não foram recuperadas bactérias nos tratamentos a 70° C por 10 s ou 60° C por 60 s. Entretanto, a 60° C, populações bacterianas ainda foram encontradas após 30 s, fazendo com que este tratamento fosse considerado não seguro. A 40° C e 50° C, não foi observado decréscimo nas contagens bacterianas. • Temperatura em combinação com ultrassom (US) Schutt-Abraham et al. (1992) concluíram que a eficiência de limpeza utilizando ultrassom era quase 100% após 15 s. Eles obtiveram os melhores resultados quando a limpeza por ultrassom foi realizada antes de a faca ser exposta a água a 82°C. Um menor grau de desnaturação foi observado em um banho de água a 82°C combinado com limpeza por ultrassom, comparado à desinfecção usando somente água a 82°C. O presente estudo corrobora esta observação. O uso de ultrassom (35 kHz) a 40° C e 50° C não afetou a carga bacteriana em tratamentos com duração de 10 s, 30 s e 60 s. Em contraste, a 60°C, as cargas bacterianas foram afetadas após 10 s e 5 s. • Temperatura em combinação com ácido lático (LA) Após 10 s a 50°C, nenhuma bactéria viável foi obtida após tratamento com uma solução de ácido lático a 2%. A 40° C, um decréscimo abrupto das contagens foi notado após 1 s. O ácido lático geralmente é reconhecido como seguro (GRAS); sua eficácia na desinfecção tem sido demonstrada. Snijders, et al. (1985) relataram que o ácido lático a 2,7% a 20° C por 15 s foi tão eficiente como a água pura a 82°C. A imersão de placa de metal em uma solução de ácido lático a 5% a 20°C ou em solução de ácido lático a 2% a 45°C foi tão efetiva quanto a imersão em água a 82°C por 5 s. No presente estudo, a solução de ácido lático a 2% a 40° C por 10 s inviabilizou o crescimento bacteriano. Este fato também foi verificado para imersão em água a 80°C ou 70°C por 10 s. Os resultados corroboram a conclusão de Snijders, et al. (1985) de que a ação do ácido lático em água permite uma redução de temperatura sem reduzir o 47


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efeito de desinfecção. Além disso, SCVPH (2001) concluiu que o uso de temperaturas reduzidas junto a uma concentração de 2 a 5% de ácido lático pode ser tão efetivo como o uso de água a 82°C. • Combinação de temperatura (calor), ultrassom e ácido lático. Tanto o uso de agentes físicos como químicos parecem permitir uma redução de temperatura. Utilizando ácido lático (2%) e tratamento ultrassom a 40° C, nenhuma bactéria foi recuperada após 5 s. Este decréscimo ocorreu prontamente após 1 s (LEPS, 2013). A aplicação de solução de ácido lático a 2% em combinação com tratamento em ultrassom a 40° C pareceu ser uma alternativa à imersão em água a 60° C e resultou em contagens microbianas não detectáveis dentro de 5 s. Sem ultrassom, uma contagem de 1,7 log UFC/cm2 (APC) foi detectada após 5 s. Durante a rotina diária de processamento de carne, a lavagem de facas antes da desinfecção não é uma proposição realística. Além disso, tempo e temperatura são fatores limitantes; assim, a desinfecção a temperaturas menores por uma duração mais curta seria benvinda. A combinação de vários fatores como tempo, temperatura e meios químicos ou físicos é considerada rápida e conveniente, minimizando a aderência de proteínas na lâmina da faca e, desta forma, adequada para rotinas diárias do abatedouro/

planta de processamento de carnes. Entretanto, estes procedimentos deveriam resultar em solubilização do tecido gorduroso. Várias combinações foram efetivas no teste de inativação da microbiota, mostrando uma redução bacteriana: • 70°C por 10 s; • 60°C banho de água + ultrassom por 5 s; • 40°C banho de água + ácido lático (2%) por 10 s; • 40°C banho de água + ultrassom + ácido lático (2%) por 5 s. A aplicação de solução de ácido lático permite a utilização de menores temperaturas (40° C) e parece ser implementável em operações rotineiras. Com base nestes resultados, o uso de ácido lático pode ser classificado como mais efetivo que o uso de ultrassom, cujo efeito é menor. Especialmente em operações de rotina, em que há uma troca de faca, para imersão de uma faca usada previamente no esterilizador, um tempo de imersão de pelo menos 10 s em ácido lático a 40°C parece ser adequado. Contudo, a adaptação dos estudos laboratoriais na prática é essencial. Portanto, mais estudos de eficiência, adaptabilidade e segurança para o consumidor, produto e operador são recomendados.

Bibliografia:

LEPS, J.; EINSCHUTZ, K.; LANGKABEL, N.; FRIES, R. Efficacy of knife disinfection techniques in meat processing. Meat Science, v. 95, p. 185-189, 2013.

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Anunciantes

Índice

Alimentaria..........................................................................................30

Metalquimia.......................................................................................... 5

Akso...........................................................................................................9

Mill Serras.............................................................................................24

Atak.........................................................................................................34

Cryovac......................................................................................... 4a capa

Multifrio................................................................................................ 18

Poly-Clip................................................................................................. 27

Doremus.................................................................................................21 Revista Nacional da Carne........................................... 50 e 3a capa Duas Rodas............................................................................................ 11 Rib-Therm..............................................................................................12 Fispal Tecnologia................................................................................ 37 SHD Bombas.........................................................................................15 GPS Kal...................................................................................................39 Sial............................................................................................................31 Handtmann...........................................................................................13

Incomaf.................................................................................................. 19

Incomaf...................................................................................................41

Tinta Mágica .......................................................................................43

Ulma......................................................................................................... 7

Jarvis do Brasil..................................................................................... 25

Vemag.................................................................................................... 35

Jet Frio Refrigeração.......................................................................... 33

Vitafoods ..............................................................................................45

MercoAgro............................................................................2a capa e 3

Zeus......................................................................................................... 23

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Revista nacional da carne ed 443 janeiro 2014