Ano 2 • Número 65
R$ 2,00 São Paulo • De 27 de maio a 2 de junho de 2004
ARAFAT EXCLUSIVO
O povo palestino pede socorro
O
massacre de palestinos é um crime contra a humanidade, e toda a humanidade precisa se mobilizar para detê-lo. Com esse raciocínio, em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Yasser Arafat, conclama a comunidade internacional, em especial a Organização das Nações Unidas (ONU), a intervir na região. Segundo Arafat, até o momento, houve poucos protestos contra a política do primeiro-ministro de Israel, Ariel Sha-
ron, a quem acusa de promover um genocídio. Dias 17 e 18 de maio, em Rafa, dezenas de palestinos foram assassinados por soldados israelenses por resistir à demolição de suas casas. Arafat assegura que as autoridades da Palestina estão dispostas a criar a paz e cooperar para construí-la. Mas salienta: “O grupo que governa Israel hoje não quer o diálogo, mas matar todos os que tentarem impedir o governo israelense de dominar o território”. Pág. 9
Said Khatib/AFP
Para o presidente Yasser Arafat, a comunidade internacional precisa intervir e deter a política criminosa de Sharon
O mesmo filme: renda cai e desemprego aumenta
Via Campesina condena FAO e transgênicos Traição aos agricultores e propaganda velada de transnacionais como Monsanto e Syngenta. Assim a organização de trabalhadores rurais Via Campesina classificou o último informe da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), que defende os transgênicos para combater a fome. O documento da FAO sugere que a fome é um problema tecnológico, a ser solucionado com investimentos em biotecnologia e engenharia genética. Os movimentos sociais contestam, afirmando que não foram consideradas as preocupações e propostas dos consumidores. Págs. 2 e 13
do comércio, aumentaram em março porque no mesmo mês de 2003 tinham desabado, isto é, não houve mais do que reposição das perdas. Em suma, a economia real derrapa em função do modelo econômico escolhido, reforçado, na semana passada, quando o Banco Central decidiu manter os juros que alimentam a ciranda financeira nas alturas. Na mesma semana, Pesquisa de Orçamentos Familiares, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrava que mais de 85% das famílias brasileiras têm dificuldade para pagar as contas no fim do mês.
Tanque israelense ameaça palestinos do campo de refugiados Brazil, na Faixa de Gaza, onde houve 40 assassinatos
MAB denuncia política energética Representando cerca de 300 mil famílias expulsas de suas terras devido à construção de barragens, cerca de 600 pessoas de 15 Estados caminharam mais de 200 quilômetros, durante 13
dias, para denunciar a destrutiva política energética do governo. Em Brasília, dia 25 de maio, junto com outros manifestantes, a marcha organizada pelo Movimento dos Atingidos por
Barragens (MAB) recebeu apoio de parlamentares. O Movimento estima que, no governo Lula, mais cem mil famílias podem ser expulsas. Pág. 3
Celso Júnior/AE
No país, prossegue o ciclo perverso: o desemprego aumenta (13,1% em abril), a renda diminui (3,5%) e, quem tem a sorte de trabalhar, perde renda pelo tempo que gasta indo e voltando de casa para o trabalho. De acordo com a Secretaria do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade da Prefeitura de São Paulo, as horas consumidas nesse deslocamento são uma “perda” potencial de quase R$ 93 bilhões por ano – essa renda que os trabalhadores deixam de ter corresponde a 18,3% de toda a massa de rendimento apropriada em um ano. Quanto às vendas
LIVRE COMÉRCIO – As negociações entre União Européia e Mercosul chegam a um momento decisivo, entre os dias 28 e 29 de maio, em um encontro informal no México. Enquanto isso, os EUA anunciam que não vão negociar temas agrícolas e dão duro golpe na Alca. Pág. 11
A crise pela qual passou a Argentina, em 2001, levou o povo a encontrar formas para driblar a miséria e a pobreza. Uma das soluções bem-sucedidas foi a criação dos comedores, onde são feitas e servidas refeições comunitárias. Os refeitórios populares, organizados por mulheres das comunidades, existem em todo o país. Pág. 10
Quilombolas unem lutas por reconhecimento
E mais: Atingidos por barragens e pequenos agricultores cobram, em Brasília, mudanças nas políticas energética e agrária
Reforma sindical não favorece trabalhadores
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Fórum debate propostas para cultura
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Marcio Baraldi
AGRONEGÓCIO DA MORTE – Abrigando menos de 5% da população rural, o Centro-Oeste tem o mais alto índice de violência entre todas as regiões do país, aponta o geógrafo Carlos Walter Porto Gonçalves, da Universidade Federal Fluminense. Pág. 7
Solidariedade combate a fome na Argentina
Descendentes de quilombos de Pernambuco promoveram a Semana do Levante Quilombola, com manifestações em todo o Estado, de 18 a 20 de maio. A mobilização reuniu centenas de integrantes de comunidades de cinco municípios para reivindicar reconhecimento, terras e criação de políticas públicas. Pág. 5
Tortura ainda é prática comum no país Publicação da ONU, lançada dia 21 de maio, aponta diversas violações dos direitos humanos. As entidades organizadoras da obra consideram que “praticamente nada foi feito para combater a tortura no país” desde a visita, há quatro anos, do relator da ONU que fez recomendações urgentes ao governo brasileiro. Pág. 6