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Circulação Nacional

Uma visão popular do Brasil e do mundo

Ano 7 • Número 343

São Paulo, de 24 a 30 de setembro de 2009

R$ 2,50 www.brasildefato.com.br Reprodução

Organização articula direita na AL e chega ao Brasil Combater o “eixo do mal” latino-americano, composto por presidentes de esquerda e centro-esquerda. Com esse intuito nasceu a UnoAmerica, em 2008. A organização é presidida pelo venezuelano Alejandro Peña Esclusa, que foi derrotado por Hugo Chávez na eleição de 1998 e começa a ter inserção no Brasil, por meio do Instituto Millenium, apoiado por empresas de comunicação, como Globo e Abril, e bancos. Além de organizar seminários, a organização teria dado apoio à Marcha Mundial contra Hugo Chávez. Pág. 3

Mike Davis: o planeta e as suas muitas crises Em entrevista, o urbanista e historiador estadunidense Mike Davis faz uma análise da sociedade global e critica seus dirigentes. Ele analisa os impactos da crise econômica sobre as cidades e destaca o desencanto com o início do governo de Barack Obama. Davis também condena a resposta dos organismos internacionais competentes às crises climática e da gripe suína, nas quais os países ricos nada fazem para ajudar os países em desenvolvimento. Enquanto isso, nas cidades, oásis fortificados separam ricos de pobres e estes, criminalizados, levam a culpa pela sua condição. Pág. 10

Zelaya retorna a Honduras; golpistas reagem com repressão

Em Tegucigalpa, hondurenhos festejam a volta de Manuel Zelaya momentos antes de serem reprimidos pelos militares

Direita brasileira força CPI para barrar reforma agrária Com o objetivo de criminalizar o MST, a bancada ruralista no Congresso protocolou uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) contra o movimento. Para José Batista de Oliveira, da coordenação nacional do MST, trata-se de uma resposta à atualização dos índices de

produtividade prometida pelo governo federal. Para o senador José Nery, na verdade, seria necessário investigar, dentro dessa mesma CPI, as ONGs ligadas à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e que recebem dinheiro público. Págs. 4 e 5

Ennio Brauns/CC

Reprodução

Temendo impeachment, jornais gaúchos blindam Yeda Mesmo com todas as evidências de corrupção ativa e formação de quadrilha, a imprensa gaúcha ainda trata de esconder as acusações contra a governadora Yeda Crusius (PSDB). A cada dia fica mais claro o organograma da quadrilha comandada pelos tucanos no Rio Grande do Sul. Seu esquema envolve desde assessores diretos do Executivo até jornalistas da imprensa local. No entanto, a queda da governadora depende em muito da pressão popular, já que os governistas são maioria na Assembleia Legislativa. Pág. 6

ISSN 1978-5134

Manuel Zelaya, deposto em 28 de junho com um golpe de Estado, retornou a Tegucigalpa, capital de Honduras, no dia 22. Até o fechamento desta edição, ele se encontrava refugiado na Embaixada do Brasil, que foi cercada por militares e atiradores de elite do governo golpista. A repressão contra manifestantes pró-Zelaya resultou na morte de duas pessoas e em mais 30 feridos. O presidente Lula afirmou que o Brasil e os EUA devem promover a democracia no continente e, por isso, não podem aceitar o golpe em Honduras. Pág. 11

Manifestação em Nova York pela reforma do sistema de saúde estadunidense

Obama cede a seguradoras de saúde Presidente dos EUA recua e defende continuísmo no setor Ainda que alvejada pelos republicanos, a reforma da saúde defendida pelo presidente dos EUA, Barack

Obama, não deve alterar a lucratividade e o poder das empresas privadas de seguro. Obama vem cedendo paula-

tinamente aos interesses das seguradoras e dos republicanos, mantendo o sistema excludente na saúde. Pág. 9 Cimi/MS

Da aristocracia à resistência, vila conta história de São Paulo No início do século passado a Vila Itororó vivia a aristocracia dos bailes, orquestras e uma proposta arquitetônica inovadora.

Oito décadas depois, Poder Público e interesses privados cercam a gente simples da vila urbana mais antiga da São Paulo. Pág. 12

Na madrugada do dia 18, um grupo armado atacou a comunidade Apyka’y, do povo Guarani Kaiowá, às margens da BR-483, no Mato Grosso do Sul. Segundo relato dos indígenas, eles atiraram contra os barracos. Um guarani foi ferido por tiros; diversas casas e objetos foram queimados. Encapuzados, os criminosos ameaçaram os indígenas afirmando que, se eles não abandonassem o acampamen-

to, haveria mortes. “Vem olhar aqui, tem quatro bugres mortos! Esses vagabundos têm mais é que morrer!”, gritavam os agressores enquanto simulavam sons de tiros ameaçando um membro do Cimi que fazia esta foto. O ataque à Apyka’y aconteceu quatro dias depois do incêndio que queimou as casas da comunidade Laranjeira Ñanderu, divulgado na edição 342 do Brasil de Fato.


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