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Circulação Nacional

Uma visão popular do Brasil e do mundo

Ano 7 • Número 330

São Paulo, de 25 de junho a 1º de julho de 2009

Funk sofre perseguição nas favelas do Rio de Janeiro Estilo musical surgido a partir da fusão entre sons estadunidenses e brasileiros, o funk está sendo reprimido nas favelas cariocas. Bailes só são realizados nos horários em que a polícia não entra e, nas comunidades ocupadas pelas forças de segurança, o ritmo está proibido. “Se faz uma festa em casa e coloca funk, a polícia invade. Se tiver um carro e tocar funk, é multado”, conta MC Pág. 8 Leonardo.

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Unidos, partidos e movimentos do Paraguai querem consulta popular Cerca de 2 mil militantes de partidos de esquerda e organizações sociais paraguaias realizaram, no dia 19 de junho, em Assunção, o Congresso Único Político e Social. O evento marcou o processo de construção de unidade entre diferentes forças sociais do Paraguai. Entre as metas acordadas, estão a luta pela reforma agrária e a defesa de uma consulta popular sobre os poderes de Estado. Ainda que esteja longe o horizonte

de uma Assembleia Constituinte, as mobilizações em defesa da consulta popular pretendem discutir a necessidade da reforma do Estado. “No plebiscito, a população poderia não só avaliar o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, mas opinar sobre temas como reforma agrária e o orçamento para a saúde pública”, afirma Aníbal Carillo, dirigente do Partido Popular Tekojoja. Pág. 9 JLQ/ABI

Bolívia: retorno do sol marca o ano-novo aymara

MP 458 põe em risco a Amazônia e premia grileiros A última investida do agronegócio contra a Amazônia tem despertado a insatisfação de amplos setores. Ministério Público, ONGs, movimentos sociais, integrantes do próprio governo e até mesmo empresários manifestaram descontentamento. Ainda que o discurso seja de que a medida resolverá os problemas fundiários, para eles não há dúvidas de que beneficiará grileiros, muitos deles ligados às transnacionais do agronegócio. “A regularização fundiária da região é necessária, mas o que essa MP vai fazer é doar o patrimônio público a pessoas que não têm direito”, diz Márcio Astrini, do Greenpeace. Pág. 3

Cerimônia religiosa celebra o ano-novo aymara 5517 no Templo de Kalasasaya, em Tiwanaku, a 40 quilômetros de La Paz

Na passagem do dia 20 para o 21 de junho, na Bolívia, celebrou-se o ano-novo aymara. Cerca de 20 mil pessoas se dirigiram aos templos de Tiwanaku para esperar durante toda a madrugada o Willkakuti, que quer dizer “o retorno do sol” no idioma originário. Os aymaras mantêm vivo seu calendário próprio, elaborado a partir da astronomia e regido pelos ciclos do Padre Sol e da Mama Luna. O dia que o calendário gregoriano – aquele seguido pelos ocidentais – marca como 21 de junho representa para os aymaras o dia zero do seu novo ano. Na visão andina, o ano iniciado no sexto mês de 2009 é o 5517, e os sinais dados pela natureza certificam que o país vive um tempo de mudança, não só política, mas de ordenamento da vida natural. Pág. 10 Reprodução

Saara Ocidental, oprimido e esquecido

É possível um projeto de desenvolvimento do Nordeste, com distribuição de renda. Mas para isso é preciso um novo modelo, que parta da agricultura familiar e das potencialidades locais. Essa é a tônica da Edição Especial do Brasil de Fato sobre o Nordeste brasileiro.

AFOGANDO EM NÚMEROS Após realizar uma auditoria, o Equador conseguiu anular 65% da sua dívida externa com bancos privados internacionais, o que representa mais de 2 bilhões de dólares. Cerca de 91% dos emprestadores aceitaram a decisão. Com a medida, estima-se que, até 2030, o orçamento das áreas sociais terá um acréscimo de 7,5 bilhões de dólares.

A população do Saara Ocidental, país localizado no noroeste da África, sofre, desde 1882, com a ocupação do seu país por diferentes colonizadores. Assim que a Espanha saiu, em 1975, o Marrocos passou a controlar seu território, rico em fosfato, pesca e petróleo. A única expressão política do povo saarauí é a Frente Polisario, que reúne diversas forças locais e luta contra as tropas de ocupação marroquinas, que contam com o apoio da França. As reivindicações vão desde a realização de um referendo sobre a independência até a extinção de um muro de 2.500 quilômetros de extensão, que corta o país de norte a sul. Pág. 12

Mulher iraniana exibe a bandeira do país pintada na palma da mão

Eleição iraniana expõe divisão do país A reeleição do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, no dia 12 de junho, gerou protestos de oposito-

Reprodução

ISSN 1978-5134

res contra supostas fraudes. A repressão já causou a morte de 19 pessoas. Para o historiador Osvaldo Coggio-

la, o pleito pouco influi nos rumos do país, pois os presidentes são subordinados aos aiatolás. Pág. 11


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