Circulação Nacional
Uma visão popular do Brasil e do mundo
Ano 6 • Número 295
São Paulo, de 23 a 29 de outubro de 2008
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Continuísmo impera nas eleições municipais
Bolívia aprova referendo após pressão popular
CULTURA
Nas eleições municipais, cerca de 70% dos prefeitos que tentaram se reeleger obtiveram êxito. Esse é o maior índice de reeleição desde que o mecanismo foi instituído, em 1997. Além disso, os grandes vitoriosos do pleito foram os partidos da base aliada do governo federal. Para o cientista político José Antonio Moroni, a mudança perdeu credibilidade, já que esta não saiu do campo do discurso. Ainda segundo ele, a manutenção dos prefeitos no poder é oriunda do forte uso da máquina pública. Pág. 3
Colin Powell e “Joe” agitam eleições dos EUA As eleições nos Estados Unidos já começaram em alguns Estados e vão até o dia 4 de novembro. A primeira conclusão é a de que, este ano, as urnas vão estar abarrotadas. É o que informa a correspondente Memélia Moreira, de Orlando, na Flórida. Na reta final da campanha, ganharam destaque “Joe”, um encanador – usado por McCain para atacar Obama – e militares, como Colin Powell, que surpreendentemente declararam apoio a Obama. Pág. 12
Durante três dias, juristas de diversos países discutiram, em Brasília, temas como o conceito jurídico de Anistia, os princípios para definir as reparações às vítimas e a violação aos direitos humanos por parte de agentes do Estado, especialmente durante as ditaduras latino-americanas. Para o juiz italiano Giancarlo Capaldo, torturar um prisioneiro para obter informações é crime contra a humanidade e não pode ser compreendido como crime político. Pág. 10
sem Machado de Assis
Igor Ojeda
Pág. 8
Yvory Serra
Chomsky Um dos intelectuais mais respeitados do mundo, o lingüista estadunidense Noam Chomsky diz que “o capitalismo não pode acabar porque, na prática, nunca começou”. Para ele, o sistema que os EUA vivem deveria ser chamado de capitalismo de Estado, e não somente capitalismo. Pág. 11
e a crise
Juristas pedem punição a torturadores
100 anos
A nova Constituição boliviana será submetida a um referendo no dia 25 de janeiro de 2009. A decisão foi tomada pelo Congresso Nacional, no dia 21, após muita pressão dos movimentos sociais. Em marcha desde o dia 13, dezenas de milhares de pessoas fizeram uma vigília em frente ao parlamento até que a consulta fosse aprovada. “Os parlamentares sabiam que, se não aprovassem o referendo constitucional, iríamos fechar o Congresso”, analisa Patrícia Tellería, panificadora de Santa Cruz. De fato, oposição e situação viraram a noite negociando a aprovação da consulta, o que só ocorreu depois da revisão de mais de 100, dentre os 408 artigos da nova Carta. Pág. 9
“Meu voto é pelo sim, pela nova constituição”, diz cartaz exibido por indígena boliviana
Sem-terra de PE Jornada da Via Campesina conquistam área defende soberania alimentar da Votorantim Depois de quase cinco anos, famílias do acampamento Chico Mendes, um símbolo da produção de alimentos na Zona da Mata norte de Pernambuco, recebem imissão de posse do Engenho São João. A terra era de propriedade do Grupo Votorantim e foi considerada improdutiva. No dia 14, foi imitida a posse da área, que, a partir de agora, torna oficialmente Assentamento Chico Mendes. Pág. 6
No dia 16, movimentos de todo o mundo denunciaram a responsabilidade das transnacionais da agricultura pela elevação dos preços dos alimentos. No Brasil, os pro-
testos foram realizados em frente a símbolos – como os supermercados – do processo de controle da cadeia alimentar por parte de grandes redes internacionais. Pág. 4 Diego Padgurschi/Folha Imagem
ISSN 1978-5134
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AFOGANDO EM NÚMEROS
2,5 dias
é quanto um trabalhador passa dentro do ônibus no período de um mês, se ele levar 1h30 para ir ao trabalho e o mesmo tempo para voltar. Em um ano, são 720 horas, ou o equivalente a parado dentro do ônibus.
1 mês
Quando este mesmo trabalhador tiver se aposentado, ao final de 30 anos, ele terá passado o equivalente a dentro do ônibus, indo e voltando do trabalho.
2,5 anos
Bombas, cavalaria, tiros e feridos “O governador Serra concordou em nos receber e depois rompeu com o acordado. Após duas horas e 45 minutos de espera sem solução, ele mandou a Polícia Militar atacar com violência.” A acusação é do presidente do Sindicato dos Investigadores da Polícia Civil de São Paulo, João Batista Rebouças Neto, sobre o confronto, dia 16, entre policiais civis em greve e a PM. Pág. 7