Circulação Nacional
Uma visão popular do Brasil e do mundo
Ano 6 • Número 285
São Paulo, de 14 a 20 de agosto de 2008
R$ 2,00 www.brasildefato.com.br João Zinclar
Convênio entre USP e Monsanto é criticado por professores
Impunidade de torturadores legitima política de extermínio
A divulgação de um convênio firmado entre a Universidade de São Paulo (USP) e a transnacional Monsanto gerou críticas de educadores. A parceria prevê financiamento de um projeto de pré-iniciação científica e, para os especialistas ouvidos pela reportagem, demonstra a falta de uma proposta verdadeiramente pública para as instituições de ensino do país. “Fiquei perplexo de ver como a USP se propõe a assinar um contrato tão neocolonial”, opinou Roberto Leher, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Pág. 7
Dois estudos recentes apontaram uma tendência de redução da miséria nas regiões metropolitanas do país. Segundo o Ipea, o número de pobres e indigentes caiu de 35,6%, em 2002, para 30,8%, em 2008. Já a FGV aponta, em pesquisa criticada por analistas, que a classe média representa 51,86% da população. Pág. 3
Veracel é acusada de corrupção e condenada por desmatamento O Ministério Público Estadual da Bahia investiga ação conjunta de funcionários públicos – principalmente ligados à área ambiental – no favorecimento à empresa Veracel Celulose. Em entrevista, o promotor João Alves da Silva, da comarca de Eunápolis (BA), denuncia casos de corrupção envolvendo a companhia e servidores.
“Aqueles que estão em cargos relevantes e que deveriam proteger o meio ambiente, estão corrompidos. Atuam numa organização criminosa para o favorecimento dessas empresas”. Além disso, a Justiça Federal condenou a Veracel a pagar multa de R$ 20 milhões por desmatar a Mata Atlântica. Págs. 4 e 5 Yang Yang Zhang
Pobres e indigentes somam 15 mi
Signatário de tratados internacionais de direitos humanos, o Brasil não pode isentar agentes do Estado que cometeram crimes de tortura de serem julgados e condenados. Para o historiador Marcelo Badaró Mattos, professor da Universidade Federal Fluminense, a punição para os agentes da ditadura não é uma reivindicação apenas dos que lutaram contra o regime. “É uma necessidade sentida por todos aqueles que querem realmente acertar o compasso da história em nosso país”, garante. Págs. 2 e 6
Olimpíadas: o culto à força e ao ídolo A grandiosidade da cerimônia de abertura das Olimpíadas, acompanhada por bilhões de espectadores, não deixa dúvida sobre o impacto dos Jogos sobre a vida contemporânea. Na análise de Ricardo Casco, licenciado em Educação Física pela USP, o entorpecimento coletivo tem três objetivos: dissimular a barbárie cotidiana, aumentar lucros e desviar a atenção da população das atrocidades cometidas contra a liberdade e a dignidade humana. Pág. 12
Novo golpe fortalece militares da Mauritânia Na Mauritânia, o presidente Sidi Ould Cheikh Abdallahi e o primeiro-ministro, Yaha Ould Ahmed Wagfht, foram depostos pelo general Ould Abel Aziz no dia 6. Para o jornalista italiano Achille Lollo, “esse golpe é o último dos tantos ‘golpes palacianos’ que não encontram resistência ou participação por parte do povo”. De acordo com ele, a população prefere assistir à distância a disputa entre as elites, à espera de que o vencedor faça algo para derrotar a pobreza. Pág. 11
Film Festival Locarno 2008
Integração latino-americana apressou envio de Quarta Frota
CINEMA INDEPENDENTE Considerado o 4º em importância no mundo, Festival de Locarno, na Suíça, discute este ano os problemas da imigração na Europa. Pág. 8
A criação da União das Nações Sul-americanas (Unasul), em maio, e do Conselho Sul-americano de Defesa (apoiado também pela Colômbia) – instâncias que excluem a participação dos Estados Unidos – tornaram inócuos o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca e a Junta Interamericana de Defesa, órgãos que sempre estiveram sob o controle da Casa Branca. Para o sociólogo Emir Sader, esse processo apressou o envio da Quarta Frota, que, na opinião do jornalista Igor Fuser, deve ter como alvo imediato a Venezuela e não o Brasil, apesar das recentes descobertas de petróleo em seu litoral. Pág. 10
Evo sai fortalecido, oposição também Na Bolívia, tanto o presidente Evo Morales quanto a chamada meia-lua se fortaleceram após o referendo revogatório realizado no dia 10. Uma das enquetes diz que Evo alcançou 63,1% de aprovação, o que melho-
raria seu desempenho de dois anos e meio atrás em 9,36%. Entre suas vitórias, estão as revogações de dois governadores oposicionistas: o de Cochabamba (60,7% de repúdio) e o de La Paz (57,7%). O primeiro,
no fim de 2007, chegou a insinuar publicamente que as Forças Armadas deveriam derrubar o presidente. Mas os quatro governadores da meia-lua também foram ratificados com folga e ganharam força. Pág. 9 José Luis Quintana/ABI
Boliviana passa em frente a cartaz que reproduz a cédula do referendo revogatório