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Circulação Nacional

Uma visão popular do Brasil e do mundo

Ano 6 • Número 281

São Paulo, de 17 a 23 de julho de 2008

O Estado precisa garantir a todos o direito ao acesso e à produção de cultura. Uma das alternativas é modificar a Lei Rouanet para acabar com o caráter mercadológico do fomento às artes. Pág. 8

Serra assina novo contrato com a Alstom Com o vazamento das informações das investigações internacionais, novos nomes envolvidos no caso de corrupção Alstom não param de surgir. Ainda assim, o governador paulista, José Serra, fechou um dos maiores contratos da empresa francesa no Brasil, de R$ 708 milhões. Pág. 5

Senado legaliza grilagem na Amazônia Medida Provisória que aumenta o limite da área que pode ser concedida pela União para uso rural, sem processo de licitação, na Amazônia Legal foi aprovada sem alterações pelo Senado. O Greenpeace promete entrar com uma ação para impedir que o projeto seja sancionado. Pág. 6

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Fernando Donasci/Folha Imagem

Reprodução

CULTURA

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Antonio Cruz/ABr

O banqueiro Daniel Dantas e o ministro Gilmar Mendes: atitudes do presidente do Supremo são questionadas por representantes do Judiciário e da sociedade civil

Dantas solto. Judiciário em crise A operação Satiagraha da Polícia Federal acirrou os ânimos no Executivo e Legislativo, por conta da relação de membros desses poderes com o banqueiro Daniel Dantas, acusado de chefiar uma quadrilha que promove crimes financeiros internacionais. Já no Judiciário, uma crise institucional foi instaurada em função dos sucessivos habeas corpus concedidos a Daniel Dantas pelo presidente do Supremo Tribunal Federal

(STF), Gilmar Mendes. A credibilidade do ocupante do principal cargo do Judiciário foi posta em xeque por juízes federais e procuradores. Cerca de 130 magistrados federais assinaram um manifesto criticando a postura de Mendes no caso e defenderam o juiz Fausto De Sanctis, que pediu a prisão do banqueiro. Para o jurista Dalmo Dallari, Mendes vem “perdendo as condições morais de continuar no cargo”. Págs. 2 e 3 Patrick Barry Barr

No Peru, greve geral contra novas medidas neoliberais

Na Bolívia, medidas para fazer avançar a nacionalização

Nos dias 8 e 9, os trabalhadores peruanos mostraram ao governo de Alan García que não aceitarão facilmente as recentes investidas do governo para aprofundar o modelo neoliberal no país. Por meio de decretos legislativos, García estaria preparando o terreno para a implementação de um Tratado de Livre Comércio com os EUA e para a privatização de serviços essenciais. Apesar das mobilizações, o governo peruano não se mostra disposto a conversar, mas sim reprimir. No dia 12, um minerador grevista, Inocencio Chiguala, foi assassinado durante manifestação, enquanto outros cinco ficaram feridos. Luis Castillo, presidente da Federação Mineira, conta que 200 policiais atacaram os trabalhadores. Pág. 9

Criticado por setores da esquerda por não executar políticas em direção à consolidação da nacionalização dos hidrocarbonetos, de maio de 2006, o governo do presidente boliviano Evo Morales vem tomando medidas para acelerar o processo. Entre maio e junho, o Estado recuperou, através da compra de ações, o controle sobre quatro empresas privatizadas, das áreas de transporte, logística e exploração. Além disso, prevê consolidar, até o final do ano, a “refundação” da YPFB, estatal do setor. Mas, para alguns analistas, as ações do governo não são estruturais, pois este acredita que a economia do país pode estar baseada na convivência de pequenas empresas com grandes grupos econômicos. Págs. 10 e 11

Trabalhadores peruanos protestaram contra política neoliberal do presidente Alan García

Correa confisca Resgate de Para uns, bens de banco Ingrid: triunfo habeas do imperialismo no Equador corpus; estadunidense O governo do Equador para pobres, confiscou todas as empresas O impacto da libertação ao Grupo Isaías, dosequer a lei ligadas no do Filanbanco. A institui- de Ingrid Betancourt e Em entrevista, Maurício Campos, da Rede contra a Violência (RJ), analisa o grau de violência quando os possíveis criminosos são pobres ou ricos. Para ele, a criminalização da pobreza leva “a violência do Estado a alvo e métodos bem determinados”. Pág. 7

ção financeira faliu em 1999, durante a crise econômica que atingiu o país após a dolarização. Dentre as empresas, há três canais de televisão, o que acirrou os ânimos da direita no país. Correa afirmou que pretende levar a fundo as investigações das irregularidades cometidas na época. Pag. 9

de outros 14 prisioneiros das Farc na correlação de forças da política latinoamericana é negativo para a esquerda do continente “porque consolida o Plano Colômbia”. A avaliação é do jornalista uruguaio Raúl Zibechi. Em entrevista, ele afirma que “não há interesse, por parte dos EUA e de Álvaro Uribe”, em negociar um acordo humanitário com a guerrilha. “A mensagem é clara: nem que se rendam salvarão suas vidas”. Pág. 12


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