Circulação Nacional
Uma visão popular do Brasil e do mundo
Ano 6 • Número 278
São Paulo, de 26 de junho a 2 de julho de 2008
Arquivo Brasil de Fato
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MP gaúcho pede o fim do MST, em decisão política sem base jurídica Dissolver o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e colocá-lo na ilegalidade. É isso o que pede o Ministério Público Estadual do Rio Grande do Sul, em relatório aprovado por um conselho de procuradores no final de 2007. No documento, o MPE afirma que o MST é uma organização paramilitar
que ameaça a segurança nacional. De acordo com o jurista Dalmo Dallari, a medida não tem consistência jurídica. “O teor é de um manifesto político, não de um documento jurídico”. Para ele, a decisão “é a demonstração de intolerância política e representa a negação da democracia”. Págs. 2 e 7 Daniel Cassol
No RS, novos protestos contra corrupção no governo Yeda
Filha de
Che
fala por ocasião dos 80 anos de nascimento de seu pai.
Para a corrupção tem verba, mas não para a saúde, educação. Com essa compreensão, movimentos e partidos políticos saíram às ruas de Porto Alegre contra a corrupção no governo de Yeda Crusius (PSDB). Nas últimas semanas, foram divulgadas denúncias de que milhões de reais foram desviados de empresas estatais para campanhas eleitorais dos partidos que compõem a base governista. Em entrevista, a deputada federal Luciana Genro (Psol/RS) cobra o impeachment da tucana e critica o PT por não ter entrado na Assembléia Legislativa com esse pedido. Pág. 6
Pág. 8 Alejandro Moreyra
Cerca de 2 mil pessoas se reuniram, no último dia 19, diante do Palácio Piratini, sede do governo gaúcho
Atuação no Rio gera debate sobre papel do Exército sargentos homossexuais, durante um programa de televisão, e a defesa dos arrozeiros na área da Raposa Serra
do Sol são alguns exemplos que mostram o descompasso entre a conduta do Exército e os anseios da população,
trazendo à tona o debate sobre o papel que as Forças Armadas cumprem atualmente no país. Págs. 4 e 5 Rafael Andrade/Folha Imagem
As mortes dos três jovens moradores do Morro da Providência, no Rio de Janeiro, a recente prisão de dois
Radiobrás adota práticas da mídia comercial
Esquerda dividida na crise argentina Cerca de 100 mil pessoas ligadas a vários movimentos sociais foram às ruas em apoio crítico ao governo da presidente Cristina Kirchner. Entretanto, a Frente Popular Darío Santillán, organização que reúne movimentos populares urbanos do país, ataca as medidas de Cristina por não oferecerem mudanças substanciais ao modelo agroexportador. Pág. 12
Soldados do Exército patrulham o Morro da Providência
Funcionários da Radiobrás denunciam que a empresa de comunicação estaria publicando reportagens sem fonte, com discurso governista e se aproximando de práticas comerciais desde quando Tereza Cruvinel assumiu o seu comando, há oito meses. Presente em reunião dos empregados, o presidente do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal, Romário Schettino, revela que os trabalhadores também criticam a falta de infra-estrutura para trabalhar, a pouca clareza do processo de fusão da Radiobrás à recém-criada Empresa Brasileira de Comunicação e de suas conseqüências para os funcionários, como a ocorrência de assédio moral e terceirizados com salários superiores a empregados concursados. Pág. 3
Daniele Testa/CC
Na Bolívia, direita ignora referendo Após lançar mão de uma série de expedientes para desestabilizar o governo de Evo Morales, como o nãoreconhecimento da nova Constituição, a direita da Bolívia volta a desafiar as leis de seu país. Os governadores dos quatro Estados da chamada meia-lua anunciaram que não pretendem participar do referendo revogatório para presidente, vice e dos próprios chefes departamentais, marcado para 10 de agosto. A decisão foi criticada até mesmo por setores da direita boliviana, inclusive pelo principal partido de oposição ao governo Evo. Pág. 11
PRESENÇA INDESEJADA União Européia aprova a“Diretriz de Retorno”, que prevê, entre outras coisas, a detenção por 18 meses de imigrantes sem papéis. Pág. 9
Imigrante vende posters em rua de Roma
Imigrantes no Antes de deixar Japão, um cargo, Bush mal necessário pode atacar Irã O Japão tem aberto suas portas aos trabalhadores estrangeiros. Mas isso não acontece por acaso ou por vontade do governo japonês de permitir estrangeiros no país. É uma necessidade pela baixa taxa de natalidade e pelo envelhecimento da população. Os imigrantes têm sido a solução adotada para suprir a necessidade crescente de mão-de-obra e para financiar, por meio de impostos, o sistema previdenciário. Pág. 9
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, endureceu o tom das ameaças contra o Irã para que o país desative seu programa nuclear de enriquecimento de urânio. Bush tem dito que, até deixar a Casa Branca, em 20 de janeiro de 2009, pretende fazer tudo o que achar necessário para mudar a conjuntura daquela região. Segundo o presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, Bush fez uma reunião com os generais do Pentágono para avaliar as possibilidades de se promover uma “guerra de civilização” para derrubá-lo. Pág. 10