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Circulação Nacional

Uma visão popular do Brasil e do mundo

Ano 5 • Número 249

São Paulo, de 6 a 12 de dezembro de 2007

R$ 2,00 www.brasildefato.com.br João Zinclar

Estado é responsável por violência contra presidiárias A recente prisão de uma garota de 15 anos numa cela ocupada por 20 homens no Pará não é um caso isolado. É o que indica relatório da Pastoral Carcerária, segundo o qual muitos Estados possuem presídios e cadeias públicas mistos. Submetidas à violência sexual praticada por presos e por funcionários das próprias penitenciárias, as mulheres não denunciam seus agressores por medo de sofrerem represálias, já que vão permanecer encarceradas sob a guarda dos mesmos. Pág. 3

No sétimo dia de jejum, mais de 4 mil pessoas fizeram uma caminhada de 4 km da capela onde está frei Luiz até o rio São Francisco

Fontes do Palácio do Planalto revelam que a estratégia do governo federal para enfrentar a greve de fome de frei Luiz Flávio Cappio é isolá-lo da “mídia, dos políticos do Nordeste e da própria Igreja”. A informação é de Roberto Malvezzi, da CPT. No dia 4, o bispo da diocese de Barra (BA) completou uma semana sem comer em protesto contra a transposição do rio São Wilson Dias/ABr

Nem só de ocupações faz-se a resistência. O resgate e a valorização da cultura brasileira é também uma grande preocupação do MST. Em entrevista, Felinto Procópio dos Santos, o Mineirinho, do coletivo nacional de cultura do movimento, fala sobre Saci, violas e violeiros e a resistência ao agronegócio. “A formação musical ajuda a embalar os sonhos. Em todo acampamento, tem gente que canta, que compõe, que faz poesia, que faz verso”, afirma. Pág. 12

Governo Lula tenta abafar greve de fome de frei Luiz

Reforma: abstenção determinou derrota

Francisco. Para que o plano do governo não prospere, o apoio de organizações populares à greve de fome é essencial. Nesse sentido, diversas entidades têm enviado notas de solidariedade e promovido atos nas suas cidades. Jejuns solidários também são realizados, enquanto milhares de pessoas se dirigem a Sobradinho (BA) para encontrar com o bispo. Pág. 8

Derrota da proposta de Chávez não paralisa a revolução Governo deve atender necessidades imediatas do povo

Na Bolívia, Evo vai abrir arquivos das ditaduras

A derrota de Hugo Chávez no referendo que rejeitou a reforma constitucional reanimou o debate sobre os rumos da revolução bolivariana. Nas eleições de 2006, Chávez foi reeleito com pouco mais de 7 milhões de votos. No referendo, 4,4 milhões de eleitores votaram pelo “sim” sem conseguir

No dia 10, o governo de Evo Morales deverá emitir decreto por meio do qual serão abertos os arquivos das cinco ditaduras militares que governaram a Bolívia entre 1964 e 1982. Estima-se que, durante o período, 239 militantes tenham sido mortos, além dos 168 desaparecidos. Pág. 10

aprovar a reforma. A pergunta é: onde foram parar os mais de 3 milhões de votos chavistas? Em meio às avaliações, o presidente reafirma que levará adiante as transformações na Venezuela, no atual marco constitucional. “Se pensam que haverá uma pausa na revolução, estão equivoca-

dos”, afirmou o assessor de Assuntos Internacionais da chancelaria, Maximilien Arvelaiz. Para o sociólogo Ignácio Avalos, o governo precisa atender às necessidades imediatas do povo. “Chávez deveria tomar um comprimido de realismo e humildade para voltar a se conectar com o país”, avalia. Págs. 2 e 9 Leonardo Melgarejo

MST valoriza cultura como instrumento de transformação

PEC prevê privatização do urânio do país Tramita na Câmara Federal uma proposta de emenda à constituição (PEC) que permite a quebra do monopólio estatal de exploração do urânio brasileiro. O projeto, apresentado em outubro pelo deputado Rogério Lisboa (DEM-RJ), atende a um lobby de grandes mineradoras, como a Vale e a EBX. Entre 2004 e junho deste ano, o preço do material subiu de 12 para 135 dólares. Pág. 4

9 771678 513307

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Sindicatos e movimentos sociais denunciam a falta de políticas sociais do governo de Yeda Crusius

Movimentos do RS marcham contra política de desmonte Contra a falta de políticas sociais do governo de Yeda Crusius (PSDB), cerca de cinco mil pessoas caminharam em Porto Alegre (RS) na 12ª Marcha dos Sem. A mobilização, realizada no dia 30 de novembro, exigiu a solução de problemas como educação sem verba, falta de professores e funcionários, desemprego, repressão a protestos, baixos salários e demissões em empresas públicas. Um pouco antes da Marcha dos Sem, professores da rede estadual aprovaram indicativo de greve para março de 2008. Pág. 7


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