Circulação Nacional
Uma visão popular do Brasil e do mundo
Ano 5 • Número 239
São Paulo, de 27 de setembro a 3 de outubro de 2007
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Governo do México lança ofensiva paramilitar contra os zapatistas Nama
Crianças marcham em território zapatista no Estado de Chiapas
O Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) denuncia que o presidente Felipe Calderón (México) orquestra um novo plano para desestabilizar as comunidades zapatistas de Chiapas. O mandatário estaria recrutando pessoas nas cidades vizinhas para ingressar na Organização para a Defesa dos Direitos Indígenas e Camponeses. O grupo, que atua como paramilitar, promove ataques aos municípios autônomos de bases zapatistas.“Calderón deixou claro que governará com as forças repressivas e estamos vivenciando isso. Estão buscando todas as formas para dividir as comunidades e nos eliminar”, alerta, à reportagem do Brasil de Fato na região, um dos comandantes zapatistas. Pág. 12
MST protesta contra a política PF aponta 36 envolvidos Na Bolívia, econômica em jornada pela terra no mensalão tucano entre os dias o dia 25 (fechamento desta edição), prédios do Incra já haviam sido ocupados nos Estados da Bahia, Maranhão, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo. Pág. 6
Manifestação em frente do Incra de Curitiba, Paraná
Até o final de setembro, o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, irá denunciar os envolvidos no mensalão tucano, esquema de “caixa 2” realizado durante a campanha do PSDB ao governo de Minas Gerais, em 1998. A denúncia será feita com base num inquérito da Polícia Federal que aponta o ex-go-
vernador mineiro Eduardo Azeredo (PSDB) como o principal beneficiário de um modelo de arrecadação ilegal. Para o sociólogo Venício de Lima, apesar de tratar-se do mesmo esquema da chamada “crise do mensalão”, que atingiu o governo Lula, a imprensa burguesa tem dado tratamento diferente aos tucanos. Págs. 2 e 5
Resultado do plebiscito da Vale sai dia 8
Mortes na Cosipa expõem precarização
Encerrada a votação do plebiscito popular, ocorrido entre os dias 1º e 9 de setembro, as entidades que integram a campanha pela anulação do leilão que privatizou a Companhia Vale do Rio Doce se preparam para novas etapas. Entre os dias 8 e 9 de outubro, os resultados serão apresentados para a população em manifestações que ocorrem em todo o país e entregues em Brasília (DF) para representantes dos poderes Executivo, Judiciário e Legislativo. Pág. 3
Trabalhadores da Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa), em Cubatão (SP), denunciam que a precarização e a terceirização promovidas pela empresa estão colocando suas vidas em risco. Desde a privatização, em 1993, já houve 39 mortes. Por outro lado, os lucros da companhia não param de subir. A empresa, vendida por R$ 590 milhões, dividiu entre seus acionistas R$ 1,4 bilhões no primeiro semestre, 38% a mais que em 2006. Pág. 7
5 e 9 de outubro,
comemorações
lembram 40
anos do assassinato de
CHE Pág. 11 Reprodução
A reforma agrária divide a pauta de prioridades, mas o Movimento entende que o atual modelo de gestão da economia, que beneficia só o agronegócio, impede a distribuição de terras. Até
Joka Madruga
Entre os dias 24 e 28 de setembro, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra organiza atos e ocupações em diversos Estados do país para protestar contra a política econômica.
Buzo e GOG agitam a periferia de São Paulo
Povo de rua vive ameaçado em São Paulo
Antes de tudo, dois grandes agitadores culturais, os guerreiros do hip-hop Alessandro Buzo e GOG anunciam dias de intensas atividades em São Paulo. Dia 29 de setembro, GOG fará show no acampamento João Cândido, do MTST, na Vila Calu. No dia 25, Buzo lançou a coletânea Suburbano convicto – pelas periferias do Brasil. No dia 5 de outubro,
Nos últimos anos, o número de pessoas que vivem em situação de rua na capital paulista vem aumentando. Em entrevista ao Brasil de Fato, o padre Júlio Lancelotti, da Pastoral do Povo de Rua, afirma que, mesmo sendo a única cidade do país com legislação que prevê políticas públicas para essa camada da população, as 12 mil pessoas que vivem nas ruas da cidade continuam sofrendo violações e sendo ameaçadas pela política de “revitalização” do centro, implementada pela Prefeitura de São Paulo. Pág. 8
ele vai autografar seu livro Guerreira. Com trajetórias semelhantes – Buzo na periferia do extremo Leste da capital paulista; GOG em Brasília (DF) –, os dois rappers falam sobre os problemas do povo brasileiro, suas relações com os movimentos populares e seus projetos. Para GOG, manter uma parceria, respeito e solidariedade com o MST e com o MTST são sinais claros de que a luta continua e que a realidade pode ser transformada com postura, atitude, organização e determinação. Págs. 10 e 11