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Circulação Nacional

Uma visão popular do Brasil e do mundo

Ano 5 • Número 234

São Paulo, de 23 a 29 de agosto de 2007

Embrapa

R$ 2,00 www.brasildefato.com.br

Na Semana da Pátria, povo decide o destino da Vale

Em plebiscito popular, de 1º a 7 de setembro, a sociedade brasileira terá a chance de decidir se a Contaminação Companhia Vale do Rio Doce deve continuar nas aumentará com mãos do capital privado ou não. Em 1997, durante nova liberação o governo FHC, a Vale – maior exportadora de de transgênico ferro do mundo e maior empresa brasileira em A Comissão Técnica Naciopatrimônio – foi fraudulentamente privatizada. nal de Biossegurança cedeu às pressões do lobby próUm crime de lesa-pátria, que somente com a transgênico e liberou, no

pressão popular será revertido. O plebiscito pode ser um momento decisivo para forçar o Poder Judiciário e o governo federal a reaver esse patrimônio do povo brasileiro. Mais de cem ações populares questionam na Justiça o leilão da empresa. À época, a Vale, avaliada em R$ 96 bilhões. foi vendida a preço de banana, por R$ 3,3 bilhões. Págs. 2 e 3

dia 16, um milho da Monsanto. Com a decisão, as lavouras convencionais ficam mais ameaçadas de contaminação. O fenômeno já pode ser identificado no Paraná, onde a soja orgânica foi misturada com a transgênica, causando prejuízos aos agricultores. Págs. 5 e 6

Tagon/CC

No Senegal, a educação popular tenta ganhar espaço Movimentos populares senegaleses estão buscando, através do trabalho com populações marginalizadas, revalorizar a educação popular no país. O setor público está sucateado, como conseqüência da adoção de políticas do Banco Mundial e do FMI, e o modelo educacional é inspirado no sistema francês, que hierarquiza o conhecimento e a prática do ensino. Ao Brasil de Fato, o educador senegalês Moussa Diop fala da luta para quebrar o monopólio do poder da educação, nas mãos do Estado, e devolvêlo ao povo. Pág. 11

PT discute os seus rumos no 3º Congresso O 3º Congresso do PT vai discutir, entre 31 de agosto e 2 de setembro, os rumos do partido, do governo Lula e qual é a concepção de socialismo que o partido deve adotar. O Campo Majoritário defende como horizonte um socialismo sem rupturas e com diversos tipos de propriedade. Pág. 8

SENEGAL

educação popular como arma de transformação Reprodução

Colin Riddle

Chávez propõe reforma para o socialismo, na Venezuela Jornada de seis horas de trabalho. Eliminação dos latifúndios. Fim da autonomia do Banco Central. Criação do Poder Popular. Reeleição irrestrita do presidente, que pode ter seu mandato revogado com um referendo. Essas são algumas das mudanças na Constituição que o presidente Hugo Chávez apresentou ao povo venezuelano como forma de colocar o país a caminho do socialismo. Para vigorar, as propostas precisam ser aprovadas pelos parlamentares e, depois, pelo povo, em uma consulta popular. Pág. 9

Estátua Touro de Wall Street, criada após a quebra da bolsa de 1987

Crise dos mercados pode iniciar guerra de moedas

Haitianos rejeitam agrocombustíveis mida que consome. Com a ampliação da monocultura da cana para a produção do etanol, somar-se-ia à escassez de terras para o plantio de alimentos a expulsão de camponeses de suas terras. Pág. 10 Pablo Sigismondi

Prioridade nos planos de Lula e Bush, que anunciaram pacote de 9,2 milhões de dólares para a implantação de indústrias de agrocombustível em países da América Central e do Caribe, o Haiti não planta nem metade da co-

Na periferia, a poesia resiste à ignorância

Trabalhadores rurais temem ver suas terras tomadas pelo agronegócio

“Respeito os movimentos sociais, as pessoas etc. Mas na periferia as pessoas ainda não sabem quem são, por que são, onde estão, enfim. Por quê? Porque ninguém informou pra elas”. O diagnóstico é do poeta Sérgio Vaz, entrevistado para o Brasil de Fato pelo historiador Danilo Siqueira. Enfrentando essa realidade, Vaz idealizou o Cooperifa que, há seis anos, reúne semanalmente

moradores de Taboão da Serra, na periferia da Grande São Paulo, em saraus, sempre na hora da novela das oito. “Nada de cooperativismo de fachada ou economia solidária meia-boca: um coletivo radical de poetas, acima de tudo, mas também de músicos, rapentistas, militantes do movimento negro, sem-teto, entre outros ‘artivistas’ sangue-nos-olhos”, descreve Danilo. Pág. 12

Em entrevista ao Brasil de Fato, o historiador Oswaldo Coggiola analisa que a atual crise do mercado financeiro internacional encerra um ciclo da economia do endividamento, que alimentou a superação da crise pós-1970. Segundo ele, a tendência é que os Estados Unidos desvalorizem sua moeda, movimento que será seguido por outros países para preservar seus mercados. “A crise deflagra uma guerra de moedas, uma tendência a uma desvalorização brutal do dólar e a uma queda do comércio mundial”, prevê. Pág. 7


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