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FIM DE ANO O JANTAR NA ASSOCIAÇÃO

REVISTAAPEP A REVISTA DOS PROCURADORES DO ESTADO DO PARANÁ

Curitiba-Paraná outubro/novembro/dezembro-2008 e-mail: associacao@apep.org.br www.apep.org.br No8

ENTREVISTA

JOSÉ ANTÔNIO TOFFOLI

CONHECENDO O TRABALHO DOS MÉDICOS SEM FRONTEIRAS NA ÁFRICA

O Advogado Geral da União visita a APEP e diz que é preciso mudar a idéia de que qualquer conflito deve ser levado ao Judiciário

DESEMBARGADOR VICENTE MISURELLI NA TRIBO DOS MURCI

REVISTA PROCURADORES É LANÇADA NACIONALMENTE EM CURITIBA

UMA CRÔNICA SOBRE A VIÚVA CLICQUOT E O ABADE PÉRIGNON


Boas Festas Transforme seu fim de ano em uma grande festa

ESTOJO DE NATAL DECORADO MÉDIO (19 itens) Vinho Tinto Argentino Callia Alta 2006 750ml ● Vinho Branco Argentino Callia Alta Chardonnay 2006 750ml ● 10 Unidades de Marshmallow Walkers 120g da China ● Pote de Tâmaras sem caroço Byblos 200g da Tunísia ● Baguete de Marzipan Alemão Zentis 100g ● 02 Torrones Nacional de Amendoim Montevergine 90g ● Caixa de Biscoito Inglês Carr’s 125g ● Caixa de Biscoito com Chocolate Biskrem Duo da Turquia ● Pacote de Castanha de Caju Torrada e Salgada Byblos 100g ● Lata de Patê de Fígado Francês Arthur’D 77g ● Lata de Arenque Báltico AmericanoHerring 100g ● Pacote de NozesChilenas 150g ● Pacote de Salgadinhos para Aperitivo Turco Ülker Clip 50g ● Pacote de Uva Passas Preta Argentinas em semente Byblos 100g ● Vidro de Alcaparras Turcas Non Pareil Bellamessa 99g ● Barra de Chocolate Polonês Baron 100g ● Vidro de Geléia Dinamarquesa Danish 454g (sabores diversos) ● Salgadinho Turco Cici Balik Ülker 40g ● Estojo Decorado Médio

CHAMPANHEIRA DE ACRÍLICO GRANDE (21 itens) Vinho Tinto Argentino Amalaya de Colomé 2005 750ml (Recebeu 90 pontos na Wine Spectator) ● Prosecco Italiano Bedin 750ml ● Whisky Johnnie Walker Red Label 8 Anos Escocês 1000 ml ● 15 unidades de Marshmallow Chinês Walkers 120g ● Pote de Tâmaras sem caroço da Tunísia Byblos 200g ● Caixa de Biscoito Water Crackers Argentino Ferraris 130g ● Pacote de Pão de Mel Alemão Pfeffernusse 200g ● Lata de Amêndoas Libanesas Confeitadas Coloridas Byblos 170g ● Lata de Azeitonas Espanholas Recheadas Heraclio 300g ● Pet de Castanha de Caju Torrada e Salgada Byblos 120g ● Barra de Marzipan Alemão Zentis 100g ● Lata de Arenque Báltico Americano Herring 100g ● Lata de Patê Francês de Pato com Vinho do Porto Arthur’D 130g ● Lata de Avelãs e Amêndoas Portuguesas Cobertas com Chocolates Jubileu 200g ● Pacote de Nozes Chilenas 150g ● Pacote de Uva Passas Argentinas sem semente Byblos 100g ● Pacote com 3 unidades de Mini Snack Folhado Recheado Italiano Vicenzi 75g ● Pacote de Drágeas Alprose Suiça 150g ● Pote de Damascos da Turquia Byblos 200g ● Vidro de Geléia Dinamarquesa Danish 454g (sabores diversos) ● Vidro de Mostarda Francesa de Maille de Dijon Original 215g ● Tomate Seco Mastroiani Italiano 120g ● Champanheira de Acrílico Grande

BAÚ MÉDIO DECORADO (45 itens)

Whisky Chivas Regal 12 anos 1 litro ● Champagne Francês Veuve Clicquot Brut 750ml ● Vinho Tinto ArgentinoLuigi Bosca Reserva Malbec 2005 750ml (Recebeu 91 pontos na Wine Spectator) ● Vinho Branco Chileno Terranoble Vineyard Selection Sauvignon Blanc 2006 750ml ● Vinho do Porto Warre’s 750ml ● Licor Francês Marie Brizard Charleston 750ml ● Cachaça Orgânica Porto Morretes Branca 700ml ● Baguete de Marzipan Alemão Zentis 100g ● Barra de Chocolate Suíço Lindt Premium 300g ● Pote de Tâmaras sem caroço da Tunísia Byblos 200g ● Caixa de Amêndoas e Avelãs Portuguesas com Chocolate Jubileu 180g ● Caixa de Biscoito Water Crackers Argentino Ferraris 130g ● Pacote de Pão de Mel Alemão Pfeffernusse 200g ● Caixa de Coucous Marroquino Tipiak 500g ● Drágeas de Chocolate Suíça Alprose 125g ● Lata de Amêndoas Libanesas Confeitadas Coloridas Byblos 170g ● Lata de Azeitonas Espanholas Recheadas Heraclio 300g ● Lata Decorada de Biscoito Dinamarquês Celebration 454g ● Vidro de Coração de Alcachofra Grelhada em Conserva Turcas Belamessa 241g ● Lata de Arenque Báltico Americano Herring 100g ● Lata de Filés de Anchovas Italianas Zarotti 48g ● Lata de Patê Francês de Pato com Vinho do Porto Arthur’D 130g ● Pacote com 6 unidades de Mini Snack Folhado Recheado Italiano Vicenzi 150g ● Pet de Pistache Salgado do Irã Byblos 100g ● Pacote de Biscoito Alemão com Recheio de Chocolate Bahlsen 125g ● Pacote de Nozes Chilenas 150g ● Pote de Damascos da Turquia Byblos 200g ● Pote de Uva Passas Argentinas sem semente Byblos 200g ● Vidro de Aceto Balsâmico Italiano Di Modena Toschi 250ml ● Vidro de Alcaparras Turcas Non Pareil Bellamessa 99g ● Pimentões Vermelhos e Amarelos Grelhados Turcos Bellamessa 241g ● Vidro de Azeite de Oliva Extra Virgem Italiano Colavita Terra di Bari DOC 500ml ● Vidro de Cerejas Italianas em Calda ao Marasquino Luciano 225g ● Pacote de Figo Seco La Violetera 250g ● Torrone Imperial Espanhol Doña Jimena 200g ● Vidro de Berinjelas Grelhadas em Conservas Turcas Belamessa 241g ● Vidro de Geléia Alemã Bonne Maman 370g (sabores diversos) ● Vidro de Molho de Tabasco Americano 60ml ● Pote de Nozes Pecan Agridoce Byblos 100g ● Vidro de Mostarda Francesa de Maille de Dijon Original 215g ● Tomate Seco em Azeite Extra Virgem Belamessa 340g ● Pote de Mix Nuts Byblos 250g ● Lata de Balas Alemã Cavendish 200g (sabores diversos) ● Baú de Vime Médio

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MENSAGEM DA PRESIDÊNCIA

EDITORIAL

BALANÇO COM OLHAR PARA O FUTURO Na perspectiva que a Apep entende a carreira e a instituição, os procuradores são defensores do estado democrático de direito, integram carreira de estado essencial ao funcionamento da justiça e muito têm a contribuir em benefício da sociedade. Para construir e aprimorar a nossa identidade institucional, nos moldes da ordem constitucional, a Apep tem, durante os dois últimos anos, promovido ações para aproximar todos os membros da carreira e para incrementar o desenvolvimento pessoal de cada um no desempenho do nosso papel constitucional. É inegável que foi dado um salto quântico nas relações associativas e a Apep, como órgão de classe, deve continuar na sua missão de incentivar reflexões que produzam mudanças na compreensão da realidade política e institucional, bem como mudanças de atitudes. Para avançar, os procuradores devem ter em mente o nosso papel de produtores do direito e não apenas o de meros técnicos aplicadores das normas jurídicas; devemos responder às funções estatais com um direito adequado a fornecer soluções e é necessária uma vigilância contínua para afastar as naturais acomodações da vida. Ter sempre um olhar no futuro na busca de melhorias individuais e coletivas, com compromisso e união. A Apep deseja que você, procurador do estado do Paraná, neste final de ano, inclua no seu balanço anual de vida, quantas e quais foram as suas iniciativas para o engrandecimento e preservação da nossa classe e da nossa instituição. Caso o resultado desaponte, não se preocupe, a Apep e 2009 estão aí esperando por você. Vera Grace Paranaguá Cunha Presidente

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ÍNDICE

EXPEDIENTE Outubro, Novembro, Dezembro de 2008 EDIÇÃO Nº 8 ASSOCIAÇÃO DOS PROCURADORES DO ESTADO DO PARANÁ

2 4 a 16

MENSAGEM DA PRESIDÊNCIA APEP / EVENTOS LANÇAMENTO DA REVISTA “PROCURADORES” JANTAR FIM DE ANO / ELEIÇÕES APEP / SAUDAÇÃO OAB FESTAS DE FINAL DE ANO / BOTECO APEP CURSO DE VINHOS / CICLO DE CINEMA 15 ANOS DE PROCURADORIA / ANIVERSÁRIO DE MARÉS

18 a 20

ENTREVISTA JOSÉ ANTÔNIO DIAS TOFFOLI

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INFORME EMPRESÁRIAL CORUJÃO RECEBE TOP 10 NACIONAL PELA SEGUNDA VEZ

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QUEM SOMOS NÓS / DA ATIVA ANA ELISA PEREZ SOUZA, FABIANO HALUCH MAOSKI, ADRIANA MIKRUT RIBEIRO DE GODOY, ANA LUIZA DE PAULA XAVIER

23 24

NOTAS E INFORMAÇÕES ARTIGO/OPINIÃO A QUANTAS ANDAM OS CONVÊNIOS

25 26 a 28

CONHEÇA A PGE VIAGEM UMA PARANAENSE EM OUAGADOUGOU

30 e 31

COMER, BEBER, VIVER A VIÚVA CLICQUOT E O SENHOR PÉRIGNON CHEESECAKE DE YEDA BONILHA

33

NOTAS E INFORMAÇÕES HOMENAGENS A JOSÉ LUIZ CORREA DE OLIVEIRA

34 e 35

CRÔNICA/CINEMA O PRIVILÉGIO FOI NOSSO, MR NEWMAN

32

BOA LEITURA / LIVROS JOÃO ANTONIO, A IMIGRAÇÃO POLONESA NO BRASIL

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OPINIÃO O “VIVER JUNTOS” E A APEP

Presidente Vera Grace Paranaguá Cunha 1º Vice-Presidente Pedro Noronha da Costa Bispo 2º Vice-Presidente Almir Hoffmann de Lara 3º Vice-Presidente Anacleto A. Santos 1º Tesoureiro Alexandre Pydd 2º Tesoureiro Ana Elisa Perez 1º Secretário Isabela Cristine Martins Ramos 2º Secretário Annete Gaio DIRETORIAS DIRETORIA DE PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO Proposição de ações e assuntos legislativos: Júlio Zem Acompanhamento de ações e contatos com escritórios: Pedro Bispo DIRETORIA DE EVENTOS JURÍDOCOS E REVISTA Roberto Altheim, Josélia Nogueira e Tereza Marinoni DIRETORIA DE EVENTOS SOCIAIS Annete Gaio, Yeda Bonilha, Gisele Venêncio, Loriane Azeredo e Miriam Martins DIRETORIA DE CONVÊNIOS Heloisa Bot, Paula Schmitz de Schmitz e Anamaria Batista (interior) e Carla Seleme DIRETORIA DE COMUNICAÇÃO E MÍDIA Imprensa: Herminio Back Revista e Site: Isabela Ramos DIRETORIA DE RELACIONAMENTO E INTEGRAÇÃO Inativos: Karem Oliveira Interior: Rosilda Dumas Instituições Jurídicas, Políticas e Anape: Luciane Kujo DIRETORIA DE PLANOS DE SAÚDE E PREVIDÊNCIA Thelma Hayashi DIRETORIA DE SISTEMAS E INFORMÁTICA Paulo Rosso COLABORADORES DESTA EDIÇÃO: Paulo Rosso, Heloísa Bot Borges, marco Aurélio Barato, yeda Bonilha, Anita Puchta, hellen Abdo e Roberta Zandonai Moreira REVISTA APEP Diretora: Vera Grace Paranaguá Cunha Assistente de direção: Isabela Cristine Martins Ramos Editor: Almir Hoffmann de Lara - MT 505 - SJPPR Fotografias: Mauro Campos Colaboradores desta Edição: Eroulths Cortiano Junior, Carlos Eduardo Lourenço Jorge, Dóris Cunha, Weslei Vendruscolo, Mércia Vasconcelos e Adriana Maximiniano. Assessoria de Imprensa e edição: Considera Comunicação redacao@considera.com.br - (41) 3078-4086 Diagramação e Editoração: Ayrton Tartuce Correia Impressão e Acabamento: Gráfica Vitória - 41 33351617 APEP - Des. Hugo Simas, 915 - Bom Retiro - 80520-250 Curitiba - Paraná - Brasil - Tel/Fax: (41) 3338-8083 www.apep.org.br - email: associacao@apep.org.br

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EVENTOS

LANÇAMENTO DA REVISTA NACIONAL “PROCURADORES” O lançamento nacional da revista Procuradores, produzida pela ANAPE, aconteceu no último dia 8 de outubro na sede da APEP e contou com a presença de diversas autoridades. Compareceram presidentes de associações estaduais e o Advogado Geral da União, Ministro José Antonio Toffoli.

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EVENTOS

JANTAR DE FIM DE ANO A APEP reuniu seus associados em 5 de dezembro para o jantar de fim de ano. O sucesso do evento reflete uma classe cada vez mais participativa e envolvida com sua associação. O jantar marcou também a posse da diretoria eleita para o próximo biênio.

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EVENTOS

ELEIÇÃO APEP: NOSSAS METAS PARA 2009/2010 170 associados votaram na eleição realizada no dia 17 de outubro, para a escolha da diretoria e conselho fiscal da APEP no biênio 2009/2010. Foram contados 168 votos para a chapa “Fortalecimento e Comprometimento” e 2 votos em branco. “Fortalecimento com Comprometimento” é o foco da gestão reeleita que prossegue na reafirmação da nossa identidade institucional e associativa com destaque para conquista de uma sede que atenda as necessidades da PGE e viabilize o imprescindível aumento de funcionários. Queremos desenvolver ações que melhorem o relacionamento dos procuradores com os demais servidores dos órgãos administrativos para que as expectativas da administração pública se cumpram com maior eficiência. Precisamos intensificar e melhorar a utilização do Fórum PGE/APEP e contribuir para a organização de uma revista jurídica periódica. A Hora Apep das quarta-feiras, vai continuar cada vez melhor, assim como a comunicação e a interação com os inativos. Nossa revista, o site www.apep.org.br e a assessoria de imprensa serão cada vez mais estratégicos em nossas ações. A diretoria também vai continuar a produzir melhoras na sede, com a compra de um ar condicionado, a substituição total da parte elétrica, o aumento da cozinha, da churrasqueira e reformas na moradia do caseiro. A seguir o nome de todos que vão trabalhar na concretização de tais metas. Presidente: Vera Grace Paranaguá Cunha 3336-5354/ 9977-0544 1º Vice Presidente: Pedro Noronha da Costa Bispo 3221-8771/ 9108-5604 2º Vice Presidente: Almir Hoffmann de Lara 3264-5828/ 8802-0399 3º Vice Presidente: Anacleto A. Santos 3352-1300/ 32218707/ 9957-1391 1ª Secretaria: Isabela Ramos 3323-1164/ 9981-7110 2ª Secretaria : Annete Gaio 3323-1164/ 9994-6448

Tesoureiro: Alexandre Pydd 3221-8773/ 9996-3350 2º Tesoureiro: Ana Elisa Perez 3324-1580/ 8826-5572 Conselho Fiscal : 1. Flávio Luiz Ribeiro 3221-8750/ 9972-8231 2. Norberto Castilho 3233-7272/ 3222-6687 3. Rogério Lichacowski (44) 3525-1035 DIRETORIAS Diretoria de Planejamento Estratégico: Júlio Zem 3322-0651 / 8856-2373 Diretoria Jurídica: 1. Proposição de ações e assuntos legislativos: Carlos Antunes 3221-8771/ 9167-1300 2. Acompanhamento de ações e contatos com escritórios: Pedro Bispo 3221-8771/ 9108-5604 Diretoria de Eventos Jurídicos e Revista: Roberto Altheim, Jozélia Nogueira e Tereza Marinoni 9626-1536 9962-1164 9244-1708 Diretoria de Eventos Sociais: Annete Gaio, Yeda Bonilha, Gisele Venâncio, Loriane Azeredo e Miriam Martins. 3262-6491 9936-9915 9950-3255 9602-0002 Diretoria de Sede e Funcionários: Luiz Fernando Baldi 3221-8705 / 9197-2015 Diretoria de Convênios: Heloisa Bot, Paula Schmitz de Schmitz e Anamaria Batista (interior) e Carla Seleme 9962-7242 (46)9972-3626 3221-8770 Diretoria de Comunicação e Mídia: 1. Imprensa: Herminio Back 3221-8791/ 8431,6660 2. Revista e Site: Isabela Ramos 3323-1164 Diretoria de relacionamento e integração: 1. Inativos: Karem Oliveira 3221-8727/ 9977-5613 2. Interior: Rosilda Dumas 3221-8713/ 9984-5979 3. Instituições Jurídicas, Políticas e Anape: Luciane Kujo 3221-8717/ 8836-8865 Diretoria de Planos de Saúde e Previdência Thelma Hayashi (42) 3622-3041 / (42)8801-9842 Diretoria de Sistemas e Informática: Paulo Rosso 3324-1580

ASSEMBLÉIA GERAL A Assembléia Geral Ordinária da APEP foi realizada em 24 de outubro e, após deliberar sobre diversos temas de interesse dos associados, homologou o resultado da eleição para a diretoria do próximo biênio.

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“EU VOTO BEM” A APEP, como uma das instituições apoiadoras da campanha “Eu Voto Bem”, do Comitê Cidadania e Voto Consciente, se fez presente nas audiências com os candidatos à prefeitura de Curitiba, realizadas nos dias 16, 17 e 18 de setembro, na sede da OAB/PR. Ao longo dos três dias todos os candidatos foram ouvidos e responderam a questionamentos feitos por integrantes das instituições apoiadoras, bem como assinaram um termo no qual se comprometem a implementar mecanismos para garantir a transparência na gestão do município.

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EVENTOS

SAUDAÇÃO OAB A presidente da APEP, Vera Grace Paranaguá Cunha, foi responsável pelo discurso de saudação aos novos advogados filiados a OAB/PR, na cerimônia de compromisso coletivo ocorrida em outubro. A mesa foi composta também pelo presidente da OAB/PR, Alberto de Paula Machado, e pela colega Eunice Scheer.

LANÇAMENTO LIVRO LUIZ HENRIQUE O lançamento do livro “ A Inserção das Normas Internacionais de Direitos Humanos nos Contratos Individuais de Trabalho”, de autoria de Luiz Henrique Sormani Burgagiani, realizado em São Paulo no dia 06 de dezembro, foi um enorme sucesso, Jozélia Nogueira, Fernando Merini e Marina Codazzi foram a São Paulo cumprimentar pessoalmente o autor.

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FESTAS DE FINAL DE ANO Os associados têm aproveitado cada vez mais a sede da APEP para as confraternizações de final de ano. Confira nas fotos abaixo, os eventos que reuniram os amigos da CRR (Coordenadoria de Recursos e Ações Rescisórias) e da PPF (Procuradoria Previdenciária Funcional).

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EVENTOS

BOTECO APEP Os associados pediram e a APEP atendeu. No dia 05 de novembro, no horário do nosso já tradicional happy hour das quartas-feiras, a diretoria de eventos realizou a primeira edição do “Boteco APEP”, com direito a jogo de sinuca, petiscos preparados pelo Bar Schimmel e a indispensável cervejinha.

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EVENTOS

CURSO DE VINHOS Mais um curso de vinhos foi realizado pela APEP em parceria com o sommelier André Porto. O tema da noite de 30 de setembro foi uvas clássicas.

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EVENTOS

MOMENTO DE RECONHECIMENTO PALESTRA NA UNIPAR

Servidores da PGE recebem as homenagens da APEP pela dedicação e presteza na solução de questões administrativas de interesse dos procuradores.

O colega Weslei Vendruscolo proferiu palestras na UNIPAR, campi Umuarama e Guaíra, com o tema “A Procuradoria Geral do Estado e o interesse público”. Oportunidades como estas são fundamentais para divulgar entre a comunidade jurídica e a sociedade em geral o papel e as atividades desenvolvidas pelos procuradores do estado. Aproximadamente 250 pessoas acompanharam cada uma das palestras.

GRANDE PÚBLICO NA ÚLTIMA SESSÃO DO CICLO DE CINEMA APEP/OAB A última sessão do ciclo de cinema aconteceu na sede da OAB, parceira cultural da APEP, e teve bom público. “Anatomia de Um Crime” é com certeza um dos melhores e mais influentes dramas judiciais já realizados pelo cinema e o argumento permanece ain-

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da hoje como exemplo irretocável de inteligência, concisão e capacidade de envolvimento da platéia. O diretor Otto Preminger somente teve acertos ao narrar esta história de violação, assassinato e traição. Por seu indiscutível e permanente valor, no início da década

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de 1990 foi incluído, pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, na lista dos títulos considerados de inestimável valor artístico e cultural. A diretoria da Apep, em conjunto com a OAB, já programa nova edição do ciclo para 2009.


“15 ANOS DE PROCURADORIA” (por Marco Aurélio Barato) Em 29 de setembro de 1993, através do Decreto 2573 da lavra do então governador Roberto Requião, foram nomeados 23 novos procuradores do Estado do Paraná. Na mesma data, foram empossados. A grande maioria desses procuradores foi lotada no interior do Estado do Paraná e, aos poucos, com o passar dos anos, como sempre acontece, foram retornando para a capital. No entanto, alguns optaram por permanecer até hoje em suas lotações originais no interior. Do total de procuradores empossados, 16 ainda estão na carreira, sendo eles: josé antonio peres gediel, Vera Grace Paranaguá Cunha, Manoel Henrique Mainguê, Bernadete Gomes de Souza, Rogério Lichacovski, Marisa da Silva Sigulo, Leila Cuéllar, Joaquim Mariano Paes de Carvalho Neto, Marisa Leopoldina de Macedo Cruz Cordeiro, Cynthia Garcez Rabello, Lilian Didoné, Luciane Camargo Kujo Monteiro, Marco Aurélio Barato, Karem Oliveira, Gerson Luiz Dechandt e Cleide Rosecler Kazmierski. Como forma de comemorar os “15 anos de Procuradoria”, no dia 27 de setembro,este grupo (hoje espalhado por diferentes cidades do Estado do Paraná) e suas respectivas famílias reuniram-se em Curitiba, na sede da APEP, para um almoço em que puderam colocar os assuntos em dia e relembrar as “aventuras” destes 15 anos de PGE

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EVENTOS

ANIVERSÁRIO DE MARÉS No dia 02 de outubro, a APEP, representada pelo seu vice-presidente Pedro Noronha da Costa Bispo, esteve no gabinete da Procuradoria Geral do Estado para cumprimentar o Procurador-Geral do Estado, Carlos Frederico Marés de Souza Filho, pela passagem de seu aniversário e agradecer todo o seu empenho na defesa da categoria e dos interesses do Estado do Paraná.

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ENTREVISTA

JOSÉ ANTÔNIO DIAS TOFFOLI

A advocacia pública não é gestora da administração para dizer o que o governo deve ou não fazer, mas diz como pode fazer. A advocacia pública não avalia o mérito dos atos de governo, mas avalia sua compatibilidade com a lei. Tem um dever de parceria e não de se contrapor aos caminhos escolhidos. Deve indicar a alternativa quando a ação precisar de marcos regulatórios.”

” CONTRA A CULTURA DO CONFLITO JOSÉ-ANTÔNIO-TOFFOLI ADVOGADO- GERAL- DA- UNIÃO “É necessário mudarmos a cultura do conflito no Brasil. Mudar a idéia de que qualquer conflito deve ser levado ao Judiciário. Este é um debate que deve envolver as entidades da advocacia pública, a OAB, o Judiciário e os Tribunais de Contas”. O comentário é do Advogado Geral da União, José Antôn i o 18 REVISTA APEP

Toffoli, que visitou a Apep em outubro para prestigiar o lançamento da revista “Procuradores”, editada pela Anape. A Advocacia Geral da União foi prevista inicialmente na Constituição Federal de 1988, mas somente foi implementada efetivamente através da Lei Complementar n. 73/

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93. É órgão central que visa sistematizar a representação da União, suas autarquias e fundações. A Advocacia Geral da União abriga três carreiras: a Procuradoria da Fazenda Nacional, a Procuradoria Federal e a Advocacia da União. José Antônio Toffoli concedeu a seguinte entrevista à “Revista Apep”.


Quais as origens da Advocacia Geral da União? A advocacia pública como instituição centralizada na defesa do estado democrático de direito só tem quinze anos. Com a constituição de 1988 e a edição da LC 73/93 a Advocacia Geral da União passou a ser o órgão central das defesas do Estado. Havia uma assimetria da defesa do Estado porque cada uma das instituições responsáveis pela defesa do interesse público tinha seu próprio advogado. Na União funcionavam três instituições distintas, a Procuradoria da Fazenda Nacional, responsável pela cobrança da dívida ativa, pela condução das questões tributárias e fiscais da União, a Advocacia Geral da União, responsável pela consultoria do Executivo e pela representação judicial do Executivo, Legislativo e Judiciário e as Procuradorias Federais, responsáveis pela defesa dos interesses das autarquias federais. Como se pode definir constitucionalmente o papel da advocacia pública? De acordo com a Constituição Federal de 1.988, a advocacia pública não é um órgão do poder executivo. A advocacia de estado não tem a função de dizer “sim” ao gestor público, não está subordinada ao executivo. O advogado público não é um advogado pret-a-porter. A advocacia pública é uma instituição de Estado e não de governo. Deve ser forte e defender a legalidade dos atos praticados pelos gestores. Deve viabilizar as políticas públicas dentro do que apregoa a ordem constitucional e legal. Ao advogado público não cabe dizer se uma política pública é boa ou má, uma vez que ele não tem mandato outorgado

pelo povo. O advogado público não deve avaliar o mérito das políticas públicas; ele não é adversário do gestor público embora não seja também seu subordinado. Há uma evidente relação de parceria entre o advogado público e o governante. A advocacia pública desempenha, basicamente, dois tipos de atividades: a atividade consultiva e a contenciosa. A advocacia pública consultiva está presente em todos os órgão da Administração Pública e tem o papel de evitar que políticas públicas sejam implementadas contra a Constituição e a lei, evitando assim que tais políticas sejam derrubadas no Judiciário ou gerem indenizações contra o poder público. A ampla maioria das políticas públicas são viáveis, mas algumas vezes é necessário mudar o seu marco regulatório e aí entra o advogado público. Nosssa atuação como advogados públicos é na defesa do patrimônio de todos nós contribuintes, mesmo que algum setor esteja perdendo. Quando algum setor individualmente perde, não significa que a sociedade como um todo esteja desprotegida

Qual o papel da Advocacia Geral da União na tarefa de viabilizar as políticas públicas? O Poder Executivo e o Poder Legislativo têm suas consultorias jurídicas internas, mas cabe a AGU, com exclusividade, exercer a consultoria do Poder Executivo. A consultoria evita que políticas públicas sejam feitas contra a ordem constitucional, evita problemas futuros de geração de passivos e evita que as políticas públicas sejam inviabilizadas no Poder Judiciário. Teria sido impossível, por exemplo, acontecer legitimamente as privatizações do governo Fernando Henrique sem um marco legal, que foram precisamente as emendas constitucionais 5, 6 e 7. É exatamente na verificação deste marco legal que a atividade da AGU é imprescindível. Por que tudo no Brasil acaba no Poder Judiciário? O senhor tem sido um crítico do que chama de “cultura de judicialização”. É necessário mudarmos a cultura do conflito no Brasil. Mudar a idéia de que qualquer conflito

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deve ser levado ao Judiciário. Este é um debate que deve envolver as entidades da advocacia pública, a OAB, o Judiciário e os Tribunais de Contas. Já estamos executando algumas ações neste sentido. Criamos as câmaras de conciliação e arbitramento para a solução de conflitos na administração direta federal e entre a administração direta e indireta. Estas câmaras têm permitido que vários problemas sejam resolvidos extrajudicialmente e isso tem facilitado o progresso social em várias regiões do país. Também criamos a câmara de conciliação entre a União e os Estados, cuja principal matéria debatida tem sido os conflitos decorrentes da aplicação da lei de responsabilidade fiscal. Outra inovação é o departamento de probidade e defesa do patrimônio público. A cultura da advocacia pública federal ainda é aquela cultura da defesa, a de apresentar contestação, mas é preciso que a União adote também uma postura mais ativa e que ingresse em juízo para defender os seus interesses.

Pode nos explicar sua proposta de criação da lei de responsabilidade de Estado por danos causados por servidor público? Se o fato for comprovado, se o dano existir, se está presente o nexo causal e o dano é indenizável, deve ser permitido ao cidadão lesado solucionar o conflito administrativamente sem

necessitar valer-se do Judiciário. Esta lei visa dar um parâmetro para que o advogado público possa atuar e compor o conflito. Como destaquei anteriormente, o advogado público não atua contra a sociedade, ele atua na defesa do patrimônio de todos os contribuintes. Temos que mostrar isso para a sociedade, temos que esclarecê-la acerca do papel da advocacia pública.

PERFIL José Antônio Dias Toffoli, nasceu em Marília (SP) em 15 de novembro de 1967. Graduado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) em 1990, especializouse em Direito Eleitoral. Foi professor de Direito Constitucional e Direito de Família durante dez anos. Em 1995, ingressou na Câmara dos Deputados como Assessor Parlamentar da Liderança do Partido dos Trabalhadores (PT) onde permaneceu até o ano 2000. Foi advogado do Partido dos Trabalhadores (PT) nas campanhas presidenciais de 1998, 2002 e 2006. Exerceu o cargo de subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil de 2003 a 2005. Em março de 2007 assumiu a Advocacia-Geral da União.

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INFORME

EMPRESARIAL

CORUJÃO RECEBE TOP 10 NACIONAL PELA SEGUNDA VEZ Em 2008, o Corujão repetiu um grande feito no meio concessionário. Em uma cerimônia realizada na cidade de São Francisco, nos EUA, o presidente do Grupo Corujão, Helmuth Altheim, recebeu o prêmio Top 10, concedido às dez maiores concessionárias brasileiras. É a segunda vez consecutiva em que o Corujão entra na seleta lista da Rede Volkswagen. No ano de 2007, o Corujão encabeçava a lista entre os dez maiores. O próprio presidente comenta a atual situação: “O Corujão já recebeu todos os prêmios possíveis por sua atuação. E esse reconhecimento é a maior prova de que todos os serviços que nós prestamos possuem

a qualidade proporcional ao empenho de cada colaborador, com atendimento atencioso, dedicação e espírito de equipe”. E este não é o único motivo para comemorações da equipe Corujão. O Corujão inaugurou recentemente mais uma loja, agora no Pinheirinho, Curitiba em uma área de 25.000 m 2. O evento contou com a presença de convidados ilustres e a nova atração da Volkswagen: o novo Gol, com direito a best drive exclusivo para os convidados. Com esta inauguração, a loja do Corujão Pinheirinho é a maior loja do estado do Paraná. Vale a pena conhecer esta grande estrutura.


QUEM SOMOS NÓS

Livro: A Bíblia. Estou lendo A Elite da Tropa. Viagem que gostaria de fazer: Com certeza, seria um tour do Egito a Marrocos. Também às Ilhas Gregas. Frase: Meu pai me ensinou três frases que eu repito sempre pra mim: “Siga seu coração”; “Ninguém é insubstituível” e “Você é sempre a pessoa mais importante pra você mesma”. Mas esta foi muito utilizada na fase dos concursos: “Ninguém recebe um desejo sem também receber a capacidade de torná-lo realidade”.

Ana Elisa Perez Souza Filha de Ana Maria Perez e Nilton José de Souza. Ingressou na Faculdade de Direito do Norte Pioneiro, em Jacarezinho, com 17 anos. No segundo ano da faculdade começou a estagiar no Ministério Público e após a formatura, mudou-se para Curitiba, onde trabalhou no TJ. Entrou na PGE em 2008.. Hobby: Jogar futebol (adoro!!!), dançar (fiz inúmeros cursos de dança, desde ballet clássico a dança do ventre), escutar música e tocar piano. Mania: Dormir no sofá. É impressionante, mas dos sete dias da semana, em uns quatro eu pego no sono no sofá e vou até clarear. Também tenho mania de gesticular muito quando eu falo. Qualidade: Alegria, bom humor, disposição, sinceridade e resiliência (pode ter certeza, eu caio mas sempre levanto!!) Defeito: Digamos que eu tenho uma organização muito própria e peculiar, nem sempre compreendida pelas pessoas. Além de ser levemente desligada, coisa pouca!!! Música: Ultimamente estou escutando muito samba de raiz. Mas gosto muito de MPB, rock and roll anos 50 e 60 e também de pop/rock. Cinema: Acho que sou meio americanizada: A trilogia de O Poderoso Chefão; Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes; Assassinos por Natureza; Cidade dos Anjos; Matrix; Sexto Sentido; Gladiador; Um Sonho de Liberdade e alguns românticos, como toda mulher.

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DA ATIVA

Fabiano Haluch Maoski Fabiano Haluch Maoski, 33 anos, é filho de Maria Gerli Haluch Maoski e de Nelson Maoski. Casado com Lara Tinoco Leandro Haluch Maoski. é formado em Direito pela PUC-PR com colação de grau em 1998, tendo exercido a advocacia privada por 10 anos antes de ingressar na PGE pelo décimo terceiro concurso. Hobby: Ler e assistir filmes. Mania: Criticar. Qualidade: Bom humor. Defeito: Bagunceiro. Música: Cazuza - “O Tempo Não Para”. Filmes: “A Vida Dos Outros”; “Antes Do Amanhecer”; “Um Sonho De Liberdade”. Livros: “ Cem Anos De Solidão” (Gabriel Garcia Marquez); “O Apanhador No Campo De Centeio” (Salinger);

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“Viva o Povo Brasileiro” (João Ubaldo Ribeiro”; “Balduino” (Umberto Eco). Uma viagem que gostaria de fazer: Moscou. Uma frase: “Carpe Diem” - “Aproveite o Dia.”

Adriana Mikrut Ribeiro de Godoy Adriana Mikrut Ribeiro de Godoy, filha de Pedro e Adélia, tem 37 anos, 10 anos de casada com Sandro Maurício Ribeiro de Godoy, pai dos seuss grandes tesouros: Ana Flávia, 7 anos e João Henrique, 5 anos. Formou-se em 94 na UFPR. Hobby, mania, literatura: Meu principal hobby é leitura. Tenho predileção por livros de cunho teológico, pelos biográficos e por aqueles que versam sobre vida saudável. Gosto de ler vários livros simultaneamente (agora, por exemplo, estou lendo “Travessuras da Menina Má”, de Mário Vargas Llosa, “Os 10 Hábitos das Pessoas Altamente Saudáveis”, de Walt Larimore, e “Uma Ortodoxia Generosa”, de Brian McLaren). Ainda tenho por hobbies caminhar e brincar com meus filhos ao ar livre, acompanhar programas esportivos em geral (e o Atlético/PR em particular!) e planejar viagens. Música: Estudei alguns instrumentos musicais e, por mais de 10 anos, o piano, cujo curso fundamental concluí na Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Desenvolvi uma paixão enorme pela música erudita (Bach, Mozart, Beethoven, Chopin, Tchaikovsky, Villa Lobos, Ernesto Nazareth e Chiquinha Gonzaga estão entre os meus autores favoritos). Contemporaneamente, gosto do trabalho do Clube do Choro de Curitiba. Na seara pop, Elvis Presley, Paralamas do Sucesso e Skank. Cinema - Quando tenho

tempo disponível para cinema busco aproveitá-lo com filmes que gerem questionamentos no meu modo de encarar o mundo. Dois dentre os últimos que vi e atingiram este patamar foram “Jornada pela Liberdade” e “Antes de Partir”. Amo rever romances clássicos como a trilogia de “Sissi” e “A Noviça Rebelde”, ambos alternando ficção e realidade. Qualidade e defeito: Creio que uma qualidade minha é sempre procurar cumprir o que falo que vou fazer. Um defeito é, por certo, o perfeccionismo. Frase: Da Bíblia, onde encontro inúmeras frases preciosas, cito uma que constato diariamente se materializar: “As pessoas aprendem umas com as outras, assim como o ferro afia o próprio ferro” (Pv. 27:17 – “Bíblia na Linguagem de Hoje”).

Ana Luiza de Paula Xavier Ana Luiza de Paula Xavier, 37 anos, filha de José Olímpio de Paula Xavier e Ione Schwab de Paula Xavier - 37 anos. Ingressou na PGE no último concurso (2008) Hobby: Filmes Mania: Várias Qualidade: Lealdade Defeito: Teimosia Literatura: Narciso e Goldmund (Herman Hesse) Filme: Tudo Sobre Minha Mãe (Pedro Almodovar) Uma viagem que gostaria de fazer: Várias Uma frase: É melhor ser alegre que ser triste, a alegria é a melhor coisa que existe, ela é assim como a luz no coração... (Vinícius de Morais).


NOTAS

INFORMAÇÕES

PROGRAMAS DE INTERCÂMBIO ESTÃO MAIS ACESSÍVEIS Por Hellen Kruetzmann Abdo e Roberta Zandonai Moreira Até pouco tempo atrás, os jovens interessados em ter uma experiência fora do país viam-se obrigados a recorrer a meios até mesmo ilegais que possibilitassem sua estadia no exterior. Outros eram obrigados a pausar seus estudos e, através de agências especializadas ou contatos, trabalhar em “subempregos”. Agora, muitas universidades, dentre as quais a Unicuritiba, oferecem programas de intercâmbio para seus alunos, que, previamente selecionados, têm a oportunidade de morar fora do Brasil e, ao mesmo tempo, conhecer culturas diferentes, viajar e aprimorar seus conhecimentos através de novas realidades, sem que seja necessário abandonar a sala de aula. Os programas variam de 6 meses a um ano e as universidades estão habituadas a receber estudantes de todos os países do mundo. É necessário o mínimo de conhecimento na língua do país onde se vai estudar (algumas instituições pedem certificados internacionais), assim como um elevado índice de rendimento do aluno (IRA). Infelizmente as universidades não realizam uma boa divulgação dos programas. Porém, os interessados podem obter informações nas secretarias de seus cursos.

Hellen Kruetzmann Abdo, filha da procuradora Liliane Kruetzman Abdo, e Roberta Zandonai Moreira, filha da procuradora Marisa Zandonai, são estudantes de Direito e Relações Internacionais, respectivamente, na Unicuritiba, e estão embarcando em janeiro com destino a Lisboa - por 6 meses.

PENHORA DE DINHEIRO ON LINE Aconteceu em 29 de outubro, na sede da APEP o coquetel de lançamento do livro “Penhora de Dinheiro On-Line”, publicado pela Juruá Editora e de autoria de Anita Caruso Puchta. O trabalho, que é resultado do mestrado da autora, tem como marco teórico a efetividade da tutela jurisdicional e enfrenta aspectos procedimentais da penhora on-line.

JANTAR DOS ADVOGADOS Representaram a diretoria da Apep no jantar comemorativo dos 19 anos da Associação dos Advogados do Poder Executivo do Estado do Paraná, os colegas Luiz Fernando Baldi e Julio Zem. Compareceram também Flávio Ribeiro, Aríete Paintinger, Mara Salomão e Athos Pedroso. Cumprimentos ao presidente Flávio Luiz Alceu Pereira Jorge e ao quadro associativo.

Luis Fernando Baldi, Athos Pedroso, Mara Salomão, Julio Zem, Aríete Paintinger, Flavio Ribeiro.

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ARTIGO OPINIÃO

A QUANTAS ANDAM OS CONVÊNIOS

Heloísa Bot Borges

(Por Heloísa Bot Borges)

Fui convidada por nossa colega Rosilda Tavares de Oliveira Dumas a ser colaboradora da APEP na tarefa de firmar convênios em benefício dos associados. Fizemos um trabalho de reativação das parcerias negociadas nas gestões anteriores e de busca por novos contatos. Como resultado disso, atualmente podemos obter vantagens com os seguintes parceiros: Termas de Jurema, Teatro Guaíra, Itáytyba Ecoturismo, Instituto de Direito Romeu Felipe Bacellar, Temppo Móveis e Decorações, Graf Arquitetura e Interiores, Armazém da Serra, Neo Clínica Médica de Estética, Farmácias Trajano, Clínica Bittencourt, Bonna Panquecas, Pousada Ponta do Lobo, Vimax Hair Beauty, Pré Escola Pés no Chão, Editora Juruá. Com a nova chapa “Fortalecimento e Comprometimento”, há uma diretoria específica de convênios, composta por mim (PAM) e pelas colegas Anamaria Batista (PRE), Carla Margot Machado Seleme (CRR) e Paula Schmitz de Schmitz de Barros (CRR). Não pretendemos angariar convênios que somente digam respeito à área jurídica e ao aprimoramento profissional. Buscaremos empresas e profissionais que atendam aos mais variados interesses dos associados e de seus dependentes. Para tanto, é fundamental que os associados nos indiquem suas demandas e sugiram novas parcerias. Ainda, a intenção é a de que os convênios não se limitem a Curitiba, mas também beneficiem os colegas das procuradorias regionais. Isso, entretanto, apenas será alcançado se os colegas do interior diretamente nos ajudarem, negociando em suas localidades os acordos que atendam às suas expectativas. Por essa razão, em breve enviaremos material de apoio a nossos colegas das regionais. Por fim, está em estudo um modelo de carteirinha de associado da APEP a fim de facilitar nossa identificação no momento da utilização dos convênios. Acesse o link “Convênios” do site da APEP e confira os descontos e as vantagens que você já pode usufruir. Anamaria, Carla, Paula e eu agradeceremos o envio de sugestões, críticas e comentários aos nossos e-mails institucionais.

Anamaria Batista (PRE)

Heloísa Bot Borges)

Anamaria Batista (PRE) Carla Margot Machado Seleme (CRR) e Paula Schmitz de Schmitz de Barros (CRR). Paula Schmitz de Schmitz de Barros (CRR).

Carla Margot Machado Seleme (CRR

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CONHEÇA

PGE

REGIONAL DE FOZ DO IGUAÇU A procuradoria regional de Foz do Iguaçu foi criada em 03/01/1990, assumindo parte das comarcas até então atendidas pela regional de Cascavel, sendo que a primeira procuradora lotada na regional foi a colega Laura Rosa da Fonseca Furquim (atualmente na Fiscal). Inicialmente localizada junto à Delegacia da Receita em Foz do Iguaçu, a 11ª PRE foi transferida para o atual edifício comercial onde se localiza, há mais de seis anos, após uma violenta chuva inundar o espaço então reservado à PGE, junto à Receita Estadual. A regional de Foz do Iguaçu é a mais distante de Curitiba (648 km, segundo o Guia 4 Rodas), e a mais próxima de uma fronteira internacional (02 quarteirões do Rio Paraná, divisa com o Paraguai). Foz do Iguaçu, por sua vez, é o terceiro maior município do interior paranaense (311.336 habitantes), além de ser a quarta municipalidade que mais arrecada ICMS em todo o estado, segundo dados obtidos nos sites do IBGE e da SEFA, respectivamente. Atualmente, a 11ª PRE conta com quatro procuradores (dois destes advindos do recente concurso), uma advogada, uma servidora administrativa, uma funcionária responsável pela limpeza, e oito estagiários (voluntários, remunerados, de segundo e terceiro graus).

Em pé, da esquerda para direita: Marcelo (procurador), Flávio (procurador), Adonias (estagiário), Sérgio (procurador), Isabela (estagiária), Jussara (advogada), Celso (estagiário), Claudia (procuradora). Sentados, da esquerda para direita: Luiz (estagiário), Juliano (estagiário), Cleci (limpeza), Alana (estagiária), Cremilda (servidora)

NÚCLEO DE INFORMÁTICA O núcleo de informática está sediado no 8º andar do edifício sede da PGE, na Rua Conselheiro Laurindo, em Curitiba, e tem como chefe Adilson Conforto (foto). Conta, ainda, com Gerson Luiz Fermino, Marcelo Annemann e Alzira Batista, bem como com quatro estagiários: Alan Wasko Fermino, Edgar Gimenes Soriano, Israel Cidade e Souza e Cleber Muñoz. Cabe ao núcleo de informática atender as demandas da PGE na capital e no interior. Entre as principais atividades deste núcleo, destacam-se: suporte do sistema operacional e dos programas utilizados pela PGE; implantação de computadores em rede; levantamento técnico em rede; manutenção e administração do parque de hardware; treinamento para utilização do sistema de controle de processos judiciais.

INATIVOS DISCUTEM PENDÊNCIAS Aconteceu em final de setembro reunião de procuradores inativos com a diretoria da Apep para uma conversa sobre questões previdenciárias e outras pendências judiciais de interesse do grupo. O encontro foi prestigiado e revela maior confiança daqueles associados no seu órgão de classe. OUTUBRO/NOVEMBRO/DEZEMBRO 2008

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VIAGEM

テ:RICA

UMA PARANAENSE

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E


EM OUAGADOUGOU Ana Letícia B. D. Medeiros com um morador do Pays Dogon (Mali)

Desembargador Vicente Misurelli na Tribo dos Murci

Regina Medeiro com crianças em Burkina Faso

Da África, por Vera Grace Paranaguá Cunha

dental, pois é em Ouagadougou, capital de Burkina Faso, que Ana Letícia, a filha mais velha dos Duarte Medeiros, desenvolve, desde o final de maio, trabalho humanitário como membro de MSF-Médecins Sans Frontières, conhecida organização humanitária de atuação multinacional. As fotos falam por si. Ana Letícia tirou umas pequenas férias e ciceroneou os visitantes pelo Senegal, Mali e Burkina Faso. Lugares como a Ilha de Gore, Tombouctou, Mopti, Pays Dogon, Deserto do Sahara, e povos como os tuaregues -nômades do deserto- e as mais variadas etnias como mossi, peul, dioula, songhai, bambara, fizeram parte do universo visitado, na maior parte do tempo, em uma Land Rover 4X4, conduzida com segurança pelas savanas, picadas e projetos de estrada, pelo guia Ali Cissié, um burkinabense simpático, mecânico experimentado e conhecedor de vários dialetos e de um GPS embutido no seu cérebro. De turistas, só uns tantos europeus, gente participando de rallys e equipes do National Geografic. Muitos procuradores do estado conhecem a Ana Letícia Medeiros, até pouco tempo professora da PUC/PR e envolvida nas lides acadêmicas do Direito. Um belo dia, vencida pela inquietude, estagiou por um período na ONU e de lá partiu para a ação. Atualmente está ligada ao MSF em um projeto de controle da Aids. Vale expli-

car que o mundo humanitário é sempre confundido com “assistencialismo” aos países sem recursos, definição incorreta do ponto de vista das organizações que desenvolvem esse trabalho. Ajuda humanitária é primordialmente sensibilização para enfrentar situações de desequilíbrio absoluto (guerras, catástrofes naturais, epidemias, migrações, entre outros), e é neste contexto que MSF atua no mundo e onde voluntários como Ana Letícia se dispõem a atuar. Aliás, foi a visão comprometida de Ana Letícia que sensibilizou o desembargador Vicente Mizurelli a fazer um trabalho de voluntariado com crianças africanas durante as suas férias neste próximo final de ano. Do mesmo modo que alguns se sentem enriquecidos com viagens “estranhas”, outros se sentem recompensados por servir, o que aos olhos do nosso mundo ocidental e capitalista causa muita perplexidade e incompreensão. Para aqueles que têm olhos para ver e sensibilidade para perceber, romper com padrões estabelecidos, mais do que um ato de coragem, é um ato de grandeza, de identificação com o “outro”. Segue aqui um pedaço do diário de bordo da Ana Letícia (com outros capítulos e maiores explicações no site www.msf.org), com suas primeiras impressões da África e uma pequena amostra da atuação do MSF no mundo.

Há pessoas que curtem, além do circuito “Elizabeth Arden” (Paris, Roma e NY), viajar para lugares onde o turismo de massa é pouco explorado e o sucesso da viagem depende exclusivamente da cabeça e do bom humor dos que correm os riscos inerentes de uma aventura com gosto exótico. São destinos que “arrepiam” a maioria das pessoas, acompanhados da infalível pergunta: “mas o quê você vai fazer lá, ver mais pobreza?!” Os que conhecem tais viagens “esquisitas”, como o desembargador Vicente Misurelli, sempre de roteiro pronto para onde ninguém nunca vai, sabem que tais perguntas nem permitem respostas, pois só com as emoções vividas e o preconceito deixado em casa é que se conhece o valor da descoberta de novas culturas, do viver o diferente e, sobretudo, da importância de se conversar com a história viva. Outro desses viajantes curiosos da vida, o também desembargador paranaense Josué Duarte Medeiros e sua grande companheira Regina – eficiente em qualquer idioma -, acompanhados por um casal amigo, parceiros de tais jornadas, foram empurrados pelo destino rumo a África Oci-

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“OUAGADOUGOU, 28.07.2008 Por Ana Letícia B. D. Medeiros O tempo voa, é mesmo, o tempo voa, especialmente quando um novo mundo nos abre sua porta e pouco a pouco se revela. Faz um mês que estou em Ouagadougou, capital de Burkina Faso, “le pays des hommes intégres” – o país dos homens íntegros -, como é conhecido este interessante país. Encrustrado em plena Africa Ocidental, ex-colônia francesa, sem saída para o mar, Burkina se encontra entre Mali, (com quem tem sua maior fronteira terrestre ao norte e ao noroeste), Níger (ao nordeste), Benin, Togo, Ghana (ao sudeste e ao sul) e Costa do Marfim (ao sudoeste). País de contrastes radicais; de um lado, extrema pobreza (níveis altíssimos de mortalidade infantil, expectativa de vida em torno de 46 anos, desnutrição, alto índice de população soropositiva, prostituição em ascensão, tráfico de crianças, dentre outras questões recorrentes), de outro, carros importados circulando pelas ruas asfaltadas ou não, casas de luxo, uma pequena minoria com poder aquisitivo alto em comparação ao restante do país. Porém, ao mesmo tempo que as questões sociais nos provocam inquietudes, somos surpreendidos pela amabilidade constante da população, mas sobretudo pelo sorriso franco e aberto das crianças que nos rodeiam constantemente querendo apenas dizer “Bonjour”. MSF tem uma longa história em Burkina Faso. Aqui presente desde 1995, hoje conta com 2 projetos coordenados por Luxemburgo (o primeiro chamado “Projet SIDA” – que trabalha com soropositivos – e o segundo denominado “Projet Filles de Rue” – relacionado aos problemas de saúde decorrentes da prostituição). Ambos se situam em Ouagadougou, cujas estatísticas justificam a presença de MSF precisamente na mesma cidade em que a coordenação central da missão. Em paralelo e como regra de qualquer missão MSF, conta-se com um serviço de imediato atendimento às urgências, que chegam “sem avisar”, como foi o caso da epidemia de meningite no início de 2007. Ademais, MSF-França também trabalha no país desde setembro de 2007, com 2 projetos relacionados à nutrição, nos distritos de Yako e Titao, no norte do país. Cheguei precisamente dia 26 de junho, com o desafio de ocupar um recémcriado posto de Administração e Gerenciamento Financeiro no “Projet SIDA”, juntando-me assim a 12 expatriados que trabalham com MSF-Luxemburgo. Sou bacharel em Direito, advogada, mas acabei voltando minha formação para direito internacional e direitos humanos. Já trabalhei como assessora jurídica no Tribunal de Justiça do Paraná, como advogada militante e como profesora no curso de Direito da PUC/PR. Fiz mestrado em direito internacional dos direitos humanos na UFPR, com dissertação publicada sobre o tema na América Latina. Tenho 34 anos, porém minha trajetória profissional foi se encaminhando para o mundo humanitário, por vontade (ou vocação, não sei dizer com exatidão), mas sempre quis trabalhar no campo. Nesse sentido, nada mais desafiador do que a África, e aqui me encontro lidando com as dificuldades diárias de uma missão humanitária. Cada dia é uma surpresa, cada momento um novo desafio. Situações “aparentemente” simples podem se tornar verdadeiras tempestades em segundos, ao mesmo tempo que até o problema que inicialmente parece insolúvel pode ser resolvido apenas em uma conversa. Diria que são os “paradoxos do terreno/campo”, que exigem calma, tranquilidade e muito espírito de equipe. Só tenho a resumir que aprendo mais e mais, e creio que me encontrei ao trabalhar com MSF. Volto ao “Bonjour” diário que me transforma “existencialmente” a cada dia que passa e que faz valer todo e qualquer esforço emprendido na dura rotina do trabalho humanitário...”

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COMER

BEBER, VIVER

A VIÚVA CLICQUOT E O SENHOR PÉRIGNON: UM CASO DE AMOR Retrato da viúva Clicquot Estatua de Dom Pierre Pérignon

Por Isabela Cristina Martins Ramos No reino governado por Baco os nomes Veuve Clicquot e Dom Pérignon são reverenciados por conta de um grande caso de amor iniciado no século XVII e que tem sobrevivido até os dias atuais. Não que o monge celibatário tivesse escandalosamente coabitado com a jovem e prematura viúva. Não, eles viveram em épocas diferentes. Ambos, no entanto, partilharam de uma mesma paixão. Caíram de amores e perdidamente dedicaram suas vidas em função de um vinho: o champagne. Se o frei Dom Pérignon criou o famoso espumante, a viúva Clicquot transformou a bebida borbulhante em um ícone do consumo de luxo. Os seus nomes - DOM PÉRIGNON e VEUVE CLICQUOT - se tornaram marcas famosas, verdadeiros mitos da enologia, uma instituição de rigor francesa, mas de alcance mundial. A história de amor começou quando o monge, responsável pela adega da Abadia de Hautvillers, no coração da região de Champagne, na França, esqueceu algumas garrafas de vinho com resíduos de açúcar dentro delas (é muito provável que ele tenha ficado com preguiça de limpá-las bem, atarefado que estava com as coisas divinas). Quando, passado um tempo, as garrafas começaram a estourar pela fermentação (provocada pelo excesso de açúcar) o monge arriscou provar o produto estragado e, ao contrário da expectativa, ficou extasiado. Foi então que, naquele estado de graça, teria pronunciado a célebre frase: “Estou bebendo estrelas”. Foi o suficiente para o início da paixão. O genial abade não perdeu tempo. Tratou de fazer com que o encontro

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não ficasse a depender de outro acaso da natureza e, com muita criatividade, investiu na fabricação da borbulhante bebida. Primeiro, descobriu que misturar pequenas porções de vinhos oriundos de diferentes parreiras (assemblage) melhorava muito a qualidade do líquido, depois substituiu as tampas de pano por rolhas de cortiça e aperfeiçoou a resistência da garrafa para evitar o estouro provocado pela fermentação do açúcar (a chamada segunda fermentação). Estava criado o método “champenoise” de submeter a bebida a duas fermentações (tão especial que hoje há até cervejas feitas por este método). A primeira fermentação é natural; a segunda é induzida pelo açúcar (licor de expedição). Graças ao monge podemos desfrutar algo mais do que um vinho, uma verdadeira festa dos sentidos. Coube à outra personagem da nossa história, a viúva Clicquot (Veuve Clicquot) também cultivar, de outro modo, a mesma paixão: a de criar a aura própria de sofisticação, sedução e charme desta bebida no mundo. Em 1805, aos 27 anos de idade, Madame Clicquot ficou viúva e assumiu o controle dos negócios de seu marido Philippe Clicquot-Muiron fundador de um comércio de vinhos na região de Reims na França. Depois, a Casa Cliquot passou a chamar-se Veuve Cliquot-Ponsardin, pois François, filho dos Cliquot, casou-se com Nicole Barbe Ponsardin: as mulheres deram nome, pois, a uma glamurosa produtora de glamurosos produtos. A viúva, perfeccionista e exigente, se tornou uma das primeiras mulheres de negócios dos tempos modernos e introduziu o seu champanhe em todas as Cortes da Europa. Representantes da viúva foram enviados para Rússia e na época houve uma importação de 25 mil garrafas do produto. O champa-

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nhe VEUVE CLICQUOT conquistou a Rússia imediatamente e a corte dos czares tornou-se uma das principais compradoras. Em 1816, a viúva desenvolveu o “remuage”, processo para a retirada do sedimento do champanhe, tornando-o mais cristalino. As primeiras garrafas do champanhe no Brasil vieram para atender uma encomenda feita por D. Pedro II. E assim foi. Todos a queriam experimentar. O champagne tornou-se um vinho único, símbolo do luxo, das grandes celebrações e das grandes paixões. Quem viu o olhar fascinado do Richard Gere observando a Julia Roberts degustar morangos aos goles de champagne, no filme “Uma Linda Mulher”, sabe do que estamos falando. Mas é preciso lembrar que se todo Champagne é um espumante, nem todo espumante é um Champagne, mesmo que o processo de produção dos vinhos seja igual ou quase igual. Champagne só é o vinho espumante produzido nas regiões de Eperney e Reims, a partir das uvas chardonnay (brancas) e pinot noir e pinot meunier (escuras), plantadas em uma área restrita de 26 mil hectares, delimitada dentro da região francesa de Champagne. E mais, para receber o selo “appellation d’origine contrôlée”, o processo de plantio e fabricação deve seguir, com o perdão do trocadilho, timtim por timtim uma série de normas rigorosas do Instituto Nacional de Certificações de Origem. Que tal conhecermos a viúva Clicquot e o Dom Pérignon!? Celebremos este grande caso de amor com ou sem alarde: abrindo a garrafa como um suspiro para que não se percam as preciosas borbulhas, seguindo recomendação estrita dos entendidos; ou, escandalosamente, com a alegria adicional do estouro da rolha e do VIVA! Só não deixe de repetir a frase do monge “estou bebendo estrelas”.


CHEESECAKE Diz-se que a cheesecake foi servida na Grécia antiga durante os Jogos Olímpicos na Ilha de Delos em 776 a.C. Com a conquista da Grécia pelos romanos, esta iguaria passou a ser oferecida aos deuses romanos com a Procuradora finalidade de acalmá-los. Mas a Yeda Bonilha torta tal qual a conhecemos hoje tem sua origem nos Estados Unidos, isto porque, em 1872, um leiteiro americano tentando recriar o queijo Neufchâtel. acabou inventando o cream cheese. Yeda Bonilha encantou-se por esta sobremesa desde a sua primeira viagem aos Estados Unidos, e sempre que vai visitar seu irmão e familiares em Miami faz questão de visitar as melhores docerias para saborear sobremesa favorita. Coletando receitas aqui e acolá, com profissionais da gastronomia, amigas e revistas, chegou ao sabor ideal. A receita aqui está:

Cheesecake Tradicional Por Yeda Bonilha Massa: 1 pacote de bolacha maisena 150 gr manteiga sem sal Recheio: 350 gr de ricota 1 xícara de leite levemente morno 1 xícara e ½ de creme de leite de mesa (nata) 1 lata e ½ de leite condensado 2 potes de creamcheese Philadelphia 3 ovos 1 colher de sopa de essência de baunilha 1 colher de sopa de suco de limão raspas de limão. Modo de Fazer : Moer a bolacha, misturar com a manteiga em temperatura ambiente, e forrar uma forma de abrir. Bater no liquidificador : primeiro a ricota com o leite, depois acrescentar todos os demais ingredientes e bater bem. Levar ao forno pré-aquecido (10 minutos) em 180°C e assar por 40 minutos. Desligar o forno, deixar mais 30 minutos. Após esfriar , levar à geladeira para firmar a consistência. Sugestão : Pode cobrir com geléia de frutas vermelhas e enfeitar com as frutas naturais (amoras, morangos, framboesas, etc.), folhas de hortelã e açúcar de confeiteiro.

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NOTAS

INFORMAÇÕES

JOSÉ LUIS, NOSSO IRMÃO CAMARADA Por Anita Caruso Puchta

★ 05/06/1941 29/10/2008

ZÉ LUIZ E A PGE: UM CAMINHO DE MUITO CORAÇÃO

Nosso colega José Luis Correa de Oliveira faleceu no dia 29.10.2008, com 67 anos, deixando esposa, filhos e uma profunda tristeza. A perda de José Luiz foi muito lamentada entre nós procuradores.Era uma pessoa elegante, sincera, carismática e com nobreza de caráter. Um colega da CRR afirmou: José Luiz era um verdadeiro camarada. Uma colega da Procuradoria Fiscal disse: José Luiz era um gentleman. O Zé era confiante, positivo e transmitia muita alegria aos que o cercavam. Pessoa sociável, simpática, sempre rodeada de amigos e familiares. Na missa de sétimo, logo depois da homilia, o sacerdote deixou a palavra livre e muitos ressaltaram a sabedoria e boa alma do nosso amigo José Luis. Por sinal, ele era um missionário na fé, pois congregava desde jovem na Paróquia São Vicente de Paulo, participava intensamente das atividades paroquiais e de grupos de reflexão, era ministro da eucaristia e conhecia e praticava a ética cristã. José Luis era um líder, foi Promotor de Justiça , Chefe de Gabinete da SEJU, Membro do Conselho Superior da PGE, Procurador-chefe da Fiscal e Presidente da Associação dos Procuradores. José Luis trabalhou até dia 28.10.2008, saudou os colegas com aquele sorriso de sempre, acenou com as mãos e entrou no elevador. Foi a despedida ...

Por Karem Oliveira Em 28 de outubro passado faleceu José Luiz Corrêa de Oliveira: o Zé, amigo querido, parceiro, uma pessoa singular, que de um modo próprio iluminava o dia à dia da Procuradoria Fiscal. O Zé, lamentavelmente, se foi, porém sua partida não é uma despedida pura e simples, pois os momentos que compartilhamos não irão se perder, eis que o afeto, às boas lembranças e o bom humor, quando cultivados, sobrevivem ao tempo. Falar do Zé é falar de coração, em sendo assim, vale registrar a passagem de Carlos Castagneda, no sentido de que “Qualquer caminho é apenas um caminho e não constitui insulto algum – para si mesmo ou para os outros – abandoná-lo quando assim ordena o seu coração (...) Olhe cada caminho com cuidado e atenção. Tente-os tantas vezes quantas julgar necessárias...Então faça a si mesmo e apenas a si mesmo uma pergunta: possui esse caminho um coração? Em caso afirmativo o caminho é bom. Caso contrário, esse caminho não possui importância alguma”.1 Muito pode ser dito sobre o Zé Luiz, mas uma questão que merece ser lembrada por nós procuradores do Estado do Paraná, estejamos na ativa ou não mais, é que o Zé fez da “nossa” Instituição um autêntico caminho do coração, uma trajetória densa, compromissada e com muito coração. Foram mais de quarenta anos dedicados ao serviço público, trinta e seis anos junto à PGE, uma presença singular, recheada de bom humor e tenacidade, para o Zé não cabe um adeus, talvez, um “hasta la vista baby”. Karem Oliveira - Procuradora da Procuradoria Fiscal. (Footnotes) 1 Carlos Castaneda, “The Teachings o Dom Juan”, apud José Souto Maior Borges “A Ciência Feliz”. 32 REVISTA APEP

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NASCEU!

A APEP dá as boas-vindas ao pequeno Frederico, filho da colega Karina Locks Passos, Neste início de 2009 ela já retorna a PGE, assumindo suas funções na Procuradoria de Previdência Funcional.


CRÕNICA

CINEMA

O PRIVILÉGIO FOI NOSSO, MR. NEWMAN Por Carlos Eduardo Lourenço Jorge Não, a morte não sorri para nós, como muita gente filosofa abatido por aí, resignado, passivo, querendo fazer dela nossa amiga. Na verdade ela é inimiga mortal sim, muito mal humorada, sempre carrancuda, azeda e impossível de negociar. Turrona mesmo. Irredutível. Inclusive para grandes atores, legendários e de olhos azuis e sorriso irresistível. Morre Paul Newman, este ícone elegante que por 60 anos foi capaz de namorar a tela como nenhum outro. 83 anos de uma vida que é alguma coisa mais que lenda de cinema: uma das personalidades mais importantes do século XX, artista que fez de sua forma de expressão uma forma de vida. E um modo de entendê-la. Paul Newman era um ator com dom ingênito e completamente natural, e um homem complexo, inteligente e enigmático. Se boa parte da história do cinema é a história dos rostos que ocuparam o formato gigante das telas cinematográficas, Paul Newman ocupa um fotograma dourado. Ou vários. Porque sua irretocável beleza de Adonis, que substituiu James Dean quando este morreu, em “Marcado pela Sarjeta”, se transformou na serenidade madura de “Golpe de Mestre”, na dignidade das rugas de “O Veredicto” e na mais recente melhor idade de “Estrada para Perdição”, sua maravilhosa sinfonia de cisne. Como os melhores vinhos, Paul Newman só melhorou com o tempo. Ainda que nos primeiros anos se deixasse ver com o repertório de tics stanislavskyanos do Actor’s Studio, aos poucos foi se livrando desta overdose de emoções cênicas para atingir a economia gestual e a eficiência interpretativa que o fizeram emular com outros mágicos na frente das câmeras. E atrás delas soube também deixar um legado precioso, não em quantidade, mas na qualidade que se viu em pequenos e humildes retratos de dramas provincianos como “Rachel, Rachel” e “O Efeito dos Raios Gama nas Margaridas do Campo” – obras dirigidas por um verdadeiro humanista. E tem, neste meio tempo, a gestão humanitária de sua fortuna em favor de carências diversas. E ainda encontrava espaço para bater duro na politicagem suja de seu país – um de seus maiores orgulhos era ter seu registro no FBI como um “perigoso liberal”, a pedido de Nixon. A melhor homenagem a este ator que tantos encantos trouxe a todas as fases de minha vida é rever seus grandes desempenhos, de um ator de raça e técnica, de gênio e voluntariedade. Experimente você também um desses: “Desafio à Corrupção”, “Hombre”, “Rebeldia Indomável”, “O Veredicto” e “A Cor do Dinheiro”, para mim um quinteto assombroso. As filhas de Newman leram recentemente uma carta escrita por ele ainda durante a travessia da ponte, quando em casa já esperava pelo desenlace depois de deixar o hospital por decisão própria. Ao final do texto, a frase que sintetizou a vida de um ator completo, uma grande figura, um grande homem: “O privilégio foi meu, ter estado por aqui”. Lamento desapontá-lo, Mr. Paul Newman, mas o privilégio de conviver com seu enorme talento foi todo nosso.

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BOA LEITURA

LIVROS Virgínio, filho de baianos, é cismado como um mameluco, é difícil de rir... A gente se adora. E ele, querendo agradar, me chama de batuta. Aquilo, sim, era açúcar. Mas, aluado, agito e arrepio: eu ouço os seus bons conselhos? Não pensem que o lugar da infância, adolescência e juventude é bom: Uma casa quase trepada na outra. Ali pelas beiradas dos trilhos dos trens da Sorocabana, o casario apequenado e imundo, ...Um grupo escolar, nenhum posto médico, pouco telefone, vendolas, quitandas pingadas, alguma padaria, ...Muito botequim. A vila, de pobre e de triste, nem campinho de futebol tem. O pai, nascido em Macedo de Cavalheiro, na Portugal transmontana, era respeitado nas rodas de choro, chegado do bandolin, do cavaquinho, do vilão. Teve vida de sacrifício. Trabalhou em padaria, porto de areia, frigorífico. Teve um negócio miúdo de secos e molhados e, de uma mercearia nos cafundós de Vila Jaguara, chega a sócio de um pedreira em Pirituba. Sofrimento de pobre é pouco. Dois sócios safados tiram tudo o que ele tem (João Antônio: Inda agora não entendo onde foi buscar cabeça fria que não enfiou uma bala nos dois). Depois da pedreira, reconstruir tudo. Cavou de novo, corpo-a-corpo com a vida, com os dedos, com as unhas, minha mãe ao lado depois da porrada.

Por Eroulths Cortiano Júnior, procurador do estado

JOÃO ANTÔNIO Clássico velhaco, dele disse Marques Rebelo. Pela escrita maldita, foi comparado a Jean Genet. Pelo sentimento do mundo, a Dostoievski. Um novo Boca do Inferno falou Paulo Rónai. Para Jaguar, uma “espécie de Guimarães Rosa urbano”. Tinha as ruas na alma, e levou o grosso da vida entre prostitutas, malandros, jogadores. Gente chué, como dizia ele. Bebia e jogava sinuca em pés-sujos, nas bocas do lixo de São Paulo e do Rio de Janeiro. A sinuca foi tema recorrente, de vida e de literatura: a descrição de uma partida histórica entre os valentes Carne Frita e Lincoln é antológica (está no “Abraçado ao meu Rancor”). Herdeiro legítimo dos escribas do mundo chão, como João do Rio e Lima Barreto, seu ídolo maior. Para Lima, constantes dedicatórias. Está no “Dama do Encantado”: A Afonso Henriques de Lima Barreto – pioneiro, sempre vivo, consagro com humildade. Ou no “Dedo Duro”: É para Afonso Henrique de Lima Barreto. As dedicatórias de seus livros já descortinam o estilo: consta lá no início do “Abraçado ao meu Rancor”: À muito feminina nossa madrinha, Nair Cardoso Gomes – avó – heroína do morro da Geada, firme na bonita idade de 85 anos, dedico com humildade o narrado. Quem era essa mulher, avó de João Antônio Ferreira Filho? É ele quem apresenta: Arremedo o meu avô e a chamo de Dona Nair. Tem olhos azuis, cabelos crespos aloirados, é feminina até para subir um degrau ou pedir um copo d’água. Esconde os meus deslizes, presepadas e armações. Esconde mais que a noite. É avó. Também nos diz de seu avô, vigia do Frigorífico Armour do Brasil: Meu avô, da pele azeitonada, mulato dobrado do Rio e 34 REVISTA APEP

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Nesse mundo, João Antônio destrambelhou para a vida e as letras. A vida não podia ser diferente: pouca esperança, metido na vidinha chué do bairro operário. Lida diária de estafeta na fábrica da Anderson Clayton e escola de noite. Depois, parada no botequim suburbano, para aprender (...jogar sinuca, falar de mulher, campanar coisas, chavecos, ouvir os mais velhos. De cedo, sacado, aprendi – ouvir os veteranos). Nos botecos deu-se – até o final da vida – com os tipos freqüentadores e com a vida frequentada. Mas caiu-lhe nas mãos o Graciliano: Apanhei, seco e fascinante, primeiro o Caetés; depois Vidas Secas, na biblioteca circulante da Lapa. Difícil falar desse mergulho. Estava mordido. Um pensamento me ficou cortando, líquido, certo, irrecorrível. Quase fatídico. Eu iria envelhecer, azedamente, como um escriturário da Armour, gravata, camisa social branca, passos miúdos e pesadão, pouco empertigado, alguma mulher doméstica. E uns filhos medíocres, metidos no colégio da Lapa. O tamanho do homem era outro, acordava-me consciências, revolvia. Uma curiosidade me bulia, a mim, que fazia tudo pela conta de achar e, sozinho, cacei a zona. Por Graciliano, que me intrigava – onde e com quem aquele teria aprendido escrever com aquela garra e sentido? – desemboquei nos clássicos, nos portugueses, e convivia com a chamada literatura de homem – Gorki, Jack London, Hemingway, Steinbeck, Zola. Explicado está. O primeiro livro foi sucesso imediato e lhe rendeu, de cara, dois prêmios Jabuti. Coisa rara. O conto “Malagueta Perus e Bacanaço” (que deu título ao livro) narra as andanças aluadas e cinzentas de três vagabundos, malandros, viradores numa noite paulistana. A história de uma vida, numa noite. Malagueta, o velho; Perus, o rapazola; Bacanaço, o rufião maduro, são unidos pela pena de João Antônio e seguem seu destino noturno, por entre salões de sinuca, perto de proxenetas, ladrões, operários, donos de botecos, polícias. De bar em bar, de bairro em bairro, inclusive pelo centro velho de São Paulo, pela São João, pela Ipiranga: este o roteiro dos três desventurados (ou aventurados?). A capa da edição do Círculo do Livro, mostrando as sombras dos melancóli-


cos personagens no pano verde da mesa de sinuca é retrato fiel do conto. O livro estava pronto em agosto de 1960, quando um incêndio queimou a casa do Morro da Geada, e tudo que nela havia. O livro também. Mas foi reescrito. Com gana, em qualquer lugar (no “Nicolau” – talvez a mais relevante iniciativa cultural do poder público paranaense, prematuramente morta – diria João Antônio: Naquela casa, naquele meu quarto, eu trazia guardadas as coisas que me acompanhavam desde os cinco anos de idade. Não escrevia em outro lugar que não fosse o meu quarto porque fora dele eu não sabia escrever. A vida me foi dando porradas, me dando, até que aprendi a escrever em qualquer canto, Sem precisar de casa ou de quarto. Qualquer boteco é lugar para escrever quando se carrega a gana de transmitir. Gana é um fato sério que dá convicção”). Pois “Malagueta...” foi reescrito em um ano e cinco meses. Publicado, teve os prêmios e foi aplaudido pela melhor crítica. No livro, está também o imprescindível conto “Meninão do Caixote”. A relação do menino, que um dia pegou no taco e dominou o pano verde, com sua mãe. Final pungente. Disse Fausto Cunha Meninão do Caixote, se quisermos ser absolutamente sinceros, é uma obra-prima do conto brasileiro. Tem uma edição (Record, 1984), sensacionalmente ilustrada por Poty. Um outro clássico é o conto “Paulinho Perna Torta”. Obra-prima de nossa ficção, na palavra insuspeita de Antonio Cândido. Mais um: o imperdível conto autobiográfico “Paulo Melado do Chapéu Mangueira Serralha”. Mas João Antonio tem muito mais. Todos livros de contos, publicados e republicados em várias edições. “Abraçado ao meu Rancor”. “Dedo-duro”. “Dama do Encantado”. “Malhação do Judas Carioca”. “Guardador”. “Patuléia (Gentes de Rua)”. “Sete vezes Rua”. “Casa de Loucos”. “Ô, Copacabana”. “Calvário e Porres do pingente Afonso Henriques de Lima Barreto”. Muita coisa difícil de encontrar, mas a Cosac Naify relançou, a partir de 2001, “Malagueta, Perus e Bacanaço”,” Ô Copacabana”, “Abraçado ao meu Rancor”,” Dedo-duro” e “Leão de Chácara”. Edições muito bem cuidadas e que estão por aí. Se quiser saber mais do esquecido contista, pegue o “Paixão de João Antônio” de Myilton Severiano (Casa Amarela, 2005), as cartas de João Antonio escritas aos amigos Caio Porfírio Carneiro e Fábio Lucas (publicadas em 2004 pela Ateliê Editorial) ou dê uma olhada no “A Arte de ser João”, incluída por José Castello no seu “Inventário das Sombras” (Record, 1999). João Antônio, cronista da vida no mundo pobre de São Paulo e do Rio de Janeiro, morreu em 1996. Fim de partida, como disse a revista Veja, em sua edição de 6/11/ 96: Morreu sozinho, em sua cobertura em Copacabana, aos 59 anos, provavelmente de infarto, há vários dias. Ninguém notou – boêmio até o fim, ele era dado a longos sumiços pelas madrugadas cariocas. Para terminar, vamos deixar João Antônio apresentar seus mais conhecidos personagens: Não quero detalhar minhas amizades malandras, que isso não é novela. E tem mais duas propriedades – não sou besta nem delator. Mas foi lá. Nas beiradas das estações, nos salões do joguinho, nos goles dos botecos, que vi Malagueta, Perus e Bacanaço. Ele viu, e traduziu estas cidades perdidas em nós. Quer conhecê-las? Comece com João Antônio.

A IMIGRAÇÃO POLONESA NO BRASIL Livro de autora curitibana resgata mil anos da história da Polônia O livro” Imigração Polonesa - a Família Tulecki no Brasil”, da escritora Soeli Aparecida Tuleski, mãe do nosso colega Roberto Altheim, foi lançado em Curitiba e Santa Catarina na primeira semana de dezembro. Segundo a própria autora “o livro traz um esboço de mais de mil anos da História da Polônia com o intuito de possibilitar a apreensão dos motivos que levaram milhares de poloneses a abandonarem a sua Nação”. A partir do relato da vinda da Família Tulecki ao Brasil, no ano de 1873, faz considerações mais amplas sobre a formação de colônias no Paraná e em Santa Catarina, incluindo relações de nomes dos primeiros imigrantes proprietários. “Este livro certamente irá ajudar os descendentes de imigrantes poloneses que pesquisam as suas origens, principalmente aqueles cujos ascendentes se estabeleceram em colônias do Sul do País, destaca”. Uma história pouca conhecida O prefácio, assinado pelo professor universitário Mariano Kawka, membro do Conselho Editorial da revista Projeções – Revista de estudos polono-brasileiros, lembra que a história polonesa– pouca conhecida dos brasileiros, talvez até daqueles de origem polonesa – “ nos apresenta uma seqüência de vicissitudes que elevaram o país à condição de um dos mais extensos e poderosos da Europa, na passagem do século XV ao XVI, mas que também conduziram ao seu quase total desaparecimento do mapa do Velho Continente, do final do século XVIII até o término da Primeira Guerra Mundial, período em que permaneceu sob a ocupação de potências vizinhas (Áustria, Prússia e Rússia)”. Soeli Aparecida Tuleski

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OPINIÃO

APEP

O “VIVER JUNTOS” E A APEP (Por Paulo Rosso) Dentre as muitas alterações vivenciadas pela nossa geração, está nossa forma de relação com o outro. Através dos séculos, o homem se sentia integrado a grupos mais ou menos extensos, mas sempre muito delimitados e homogêneos. O pertencer à pátria, a uma dada religião, a um partido, a uma ordem ou a uma classe de obreiros, solucionava em grande parte o questionamento acerca do que somos. O que somos sempre é, inevitavelmente, uma questão relacionada ao outro. Sendo rico, assim me considero porque me comparo ao pobre; sendo mau, assim sou taxado porque tomo em referência o “bom” e assim por diante... A pós-modernidade nos apresentou o desafio de termos de responder o que somos sem nos possibilitar a relação a determinado grupo. Poucos são aqueles que podem se dizer claramente ligados a uma religião, por exemplo. A força unificadora da Nação também perdeu seu potencial unificador, já que não conseguimos enxergar, num grupo tão amplo, onde estaria nossa proximidade. A família não detém a mesma autoridade sobre seus membros, sendo muito mais tênues os laços que unem seus componentes. Perdemos a noção de “pertencimento”. Como afirma Gilberto Dupas, nesse quadro de fluidez e não pertencencimento, “portar identidades relativamente definidas não é sinal de bom senso. É melhor usá-las como um manto leve, pronto a ser despido e substituído por outro”. (In: “O Mito do Progresso). Não tendo a pretensão megalomaníaca de acreditar que a APEP seja, por si só, uma solução para questão tão grandiosa, que aflige aberta ou tacitamente a todos nós e o mundo ocidental, ousaria dizer que a convivência em nosso órgão de classe pode representar algo mais do que costumeiramente vemos. Quiçá possamos ver na APEP algo mais do que um simples instrumento para aquisições salariais; talvez pudéssemos avançar – e creio que isso está em construção – e fazer da Associação um mecanismo eficiente de “viver juntos”, já que há, inevitavelmente, gostemos ou não, queiramos ou não, há vínculos bastante profundos entre todos os Procuradores do Estado do Paraná: profissional, cultural e social. É bem possível que tal projeto seja de dificílima consecução, pois cada um de nós está acostumado a ver os grupos sociais (profissionais, religiosos, familiares, educacionais) como simples tributários de seu tempo, meros locais onde contribuímos com certa parcela de nossa dedicação e nada além disso. É a sensação de que “passamos por lá”, mas não pertencemos ao ambiente. Entretanto, uma Associação como a nossa reúne plenas condições de ser mais, diante da já mencionada homogeneidade que existe entre todos os procuradores do Estado, sem contar a pouca extensão do grupo: todos podemos nos conhecer, chamarmo-nos pelo nome. O “como viver juntos” é, talvez, o grande dilema da atualidade. Reconhecemos a necessidade de recriarmos soluções para o problema do excesso de individualismo, para a frieza das amizades de INTERNET, para a vã pretensão de nos bastarmos e, por outro lado, desconhecemos que o veículo para tal empreitada pode estar muito mais próximo do que imaginávamos. De tal constatação decorre a importância de prestigiarmos pequenas atividades como a Quarta na APEP, nossa revista, o Cinema na APEP, nosso site, nosso grupo de conversação e outras atividades simples, mas bastante significativas. Não pela costumeira visão do “fazer o social”, mas, quem sabe, como algo mais profundo e representativo: uma nova forma de “viver juntos”.

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Revista da APEP 08  

A Revista dos Procuradores do Estado do Paraná - Curitiba-Paraná - outubro/novembro/dezembro 2008 - Edição Nº 08

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