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211 • M aio de 2013 Edição

IT MÍDIA DEBATE OS DESAFIOS E INICIATIVAS PARA TIRAR O E-SAÚDE DO PAPEL

DE ESTAGIÁRIA A VICEPRESIDENTE DA JOHNSON & JOHNSON MEDICAL, MARIA REGINA NAVARRO, CONTA QUE O SEGREDO DA GESTÃO É CONSTRUIR UMA BOA EQUIPE E VER O TRABALHO COMO ALGO QUE TRANSCENDA A POSIÇÃO

Além da

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maio de 2013 • FH 211

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editorial

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CoNeXÃo SaÚde WeB

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PoNto de ViSta Ge, Philips e Siemens contam as novidades e apostas na área de diagnóstico por imagem

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hoSPital Sistema de Saúde Mãe de deus planeja expandir a capacidade dos institutos especializados para toda a rede

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oPeradora investir em hospitais próprios se mostra alternativa para autogestões, que sofrem com a sinistralidade. Um exemplo é o da Fundação São Francisco Xavier

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MediCiNa diaGNÓStiCa as iniciativas da indústria e dos prestadores para combater o medo na hora de fazer exames

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it Mídia deBate e-Saúde sai do papel e entra nas discussões e iniciativas do setor. tiSS 3.0 pode contribuir para que as informações dos pacientes percorram a esfera pública e privada

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SaÚde BUSiNeSS SChool a governança em ti, seu diferencial e apoio para o crescimento

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SaÚde CorPoratiVa empresas investem, mas profissionais considerados sedentários ainda não participam de programas de saúde

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eSPeCial Clínicas especializadas aparecem como alternativa econômica para o atendimento de pacientes crônicos

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eNtre eloS Parceria da roche com o instituto evandro Chagas permite que novos agentes transmissores de doenças sejam sequenciados no Pará

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MUNdo aFora ariel Capone, do Grupo assa, revela que há cerca de 15 bilhões de medicamentos falsos no mundo

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iNdÚStria incentivos para a indústria brasileira são recebidos com entusiasmo, mas um longo caminho ainda precisará ser percorrido

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teCNoloGia o futuro aponta para registros eletrônicos de Saúde sendo suportados por análise de Big data, mas, para isso, médicos e pacientes terão de romper barreiras de resistência à tecnologia

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Na BaGaGeM em Berlim, com Carmen oplustil, da Formato Clínico

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liVroS

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ShoWrooM: eSPeCial JPr 2013

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PaPo aBerto a quem pertence os dados do paciente?

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PerSoNalidadeS regina Navarro, da Johnson & Johnson, conta que a grande lição é enxergar o trabalho como algo que transcenda a posição de liderança

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38 PeNSadoreS Mário Scheffer, da USP, aponta o crescimento artificial da saúde suplementar e os desafios do acesso à saúde no Brasil

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Foto: Bruno Cavini

EDITORIAL

É MUITA

INFORMAÇÃO Um emaranhado de informações, que não para de aumentar a cada instante, dentro de um sistema de saúde sobreposto, que ainda não tem delimitado as áreas pública e privada. Nesta edição, caro leitor, você conhecerá os desafios e iniciativas para elucidar e transformar a questão do público e privado no Brasil. E como isso está inteiramente relacionado com a questão do volume de informações. Fazemos isso, primeiramente, com a entrevista do professor e pesquisador da USP, Mário Scheffer. Ele conta como o subfinanciamento do SUS contribui para a falta de acesso da população à saúde e, consequentemente, para o aumento no segmento suplementar, o que, segundo ele, não atende às expectativas. Neste caso, os dados abordados, inclusive apontando a divisão de recursos, mostram como o nosso sistema de saúde é financiado de diferentes e repetidas formas. No IT Mídia Debate mostramos os desafios do trânsito das informações dos pacientes entre o público e o privado e nos três níveis de governo: federal, estadual e municipal. Temos

algumas iniciativas, mas o momento em que o paciente terá seu registro único trafegando entre sistemas parece longínquo. Na reportagem sobre tecnologia, contamos como um grande volume de informações pode ser analisado, dentro do conceito de Big Data e como há ainda muita resistência à tecnologia por parte do médico e também do paciente. As próximas páginas ainda mostram a expansão e o crescimento do setor de saúde tanto na indústria quanto nos prestadores de serviços. Ou seja, nosso desafio é grande. Vivemos em um sistema duplicado que não para de se expandir, não conseguimos ainda unificar essas informações e nitidamente ainda temos certa resistência à tecnologia. Resumindo, nos parece uma corrida onde a largada foi queimada e estaremos sempre atrás. É, realmente, muita informação e esse assunto ainda será muito abordado, discutido e questionado por esta revista. Boa leitura!

Maria Carolina Buriti Editora de Saúde 4

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FH | CONEXÃO SAÚDE WEB

CURTAS

Você sabia? Toda vez que você ver estes ícones pode acessar nosso portal e consultar fotos, vídeos e podcasts

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Novidade O Ministério da Saúde lançou em maio o Programa Peso Saudável, que visa estimular hábitos saudáveis nos locais de trabalho de instituições públicas e privadas. O ministério criou um software de automonitoramento do peso e recomendações práticas de alimentação e atividade física, disponibilizado gratuitamente

Após inaugurar duas unidades em 2012 – uma no bairro dos Jardins, em São Paulo, e outra numa mansão em Botafogo, no Rio de Janeiro –, o Alta Excelência Diagnóstica- marca do grupo Dasa- abre as portas de uma unidade no Parque Ibirapuera, na capital paulista

Em sua segunda edição, o estudo “Antes da TI, a estratégia na Saúde” entra em campo com a missão de elaborar um índice da maturidade da TI na saúde brasileira. Participe e obtenha o relatório com os dados do Estudo de 2012 Acesse: http://migre.me/etANO

Regulamentação A Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio aprovou proposta que cria certificado de qualidade e de garantia para próteses, órteses e outros materiais implantáveis de uso médico (OPMEs). O material deverá ser acompanhado de documentos emitidos pelo fabricante ou importador com certas especificações

O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro expediu uma recomendação à ANS para que o órgão modifique sua resolução normativa, assegurando que os consumidores lesados por cobranças indevidas de planos de saúde sejam reembolsados com o dobro do valor pago.

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Sarah Chaia é a nova diretora jurídica da Roche Brasil

Nova superintendência de Responsabilidade Social

A executiva assume também a função de Compliance Officer, atuando para as duas divisões da afiliada brasileira, Farmacêutica e Diagnóstica. Sua experiência inclui Merck, Sanofi-Aventis, Merial e Rhodia-Ster

O Hospital Moinhos de Vento criou uma superintedência exclusivamente dedicada à geração de conhecimento e inovação (pesquisa e ensino) e responsabilidade social. Quem comandará a nova área é o médico Luciano Hammes, que ocupava até então o cargo de gerente do Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP)

Superintendente do Moinhos de Vento é novo membro do conselho da ANAHP Foto: Cristiano Sant’A nna

Foto: Divulgação

VAI E VEM

Fernando Andreatta Torelly é nomeado como Membro do Conselho de Administração da Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP). O Conselho é o órgão executivo das deliberações sociais da entidade, ao qual compete o estabelecimento das estratégias e políticas da Instituição

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números

Receita chega a

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R$ 95 bilhões componentes da TISS 3.1 Organizacional Conjunto de regras operacionais

Conteúdo e estrutura

Estabelece a arquitetura dos dados utilizados nas mensagens eletrônicas e no plano de contingência, para coleta e disponibilidade dos dados de atenção à saúde

Representação de Conceitos em Saúde

Conjunto de termos para identificar os eventos e itens assistenciais na saúde suplementar, consolidados na Terminologia Unificada da Saúde Suplementar - TUSS

Segurança e Privacidade

Requisitos de proteção para assegurar o direito individual ao sigilo, à privacidade e à confidencialidade dos dados. Tem como base o sigilo profissional e segue a legislação

Receita das mais de 1.500 operadoras ativas atinge R$ 95 bilhões em 2012, o que indica um crescimento de 12,2% em relação a 2011

R$ 35

bilhões

em medicamentos

O Ministério da Saúde tem um orçamento de R$ 35 bilhões para aquisição de medicamentos até 2016 – o maior valor já investido pelo Governo Federal

64%

das vendas locais

É de Lagoa Santa (MG) que saem 64% das vendas da Philips no Brasil, que incluem de raio-x analógicos a modelos de ressonância magnética e tomógrafos

Queda de

32,1%

O Grupo Fleury reportou lucro líquido de R$ 21,6 milhões no 1° trimestre de 2013, queda de 32,1% na comparação com igual período em 2012. A receita líquida totalizou R$ 393,6 milhões, evolução de 11,9%, enquanto o Ebitda ficou em R$ 73,2 milhões, baixa de 5,4%

17 milhões até 2030 Comunicação

Meios e os métodos de comunicação das mensagens eletrônicas definidas no componente de conteúdo e estrutura. Adota a linguagem de marcação de dados XML - Extensible Markup Language.

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Os países da América Latina e do Caribe terão, em 2030, 17 milhões de casos diagnosticados de câncer, segundo pesquisa do Grupo Latino Americano para Cooperação em Oncologia (Lacog, em inglês). O estudo alerta que os custos causados pela doença, que atualmente estão em cerca de US$ 4 bilhões ao ano, deverão subir substancialmente

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Leia e discuta com nossos colaboradores os assuntos mais quentes do mês: www.saudeweb.com.br/blogs

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MUTE

E- SAÚDE NO SETOR PÚBLICO: MOMENTOS DO DEBATE Os desafios e as iniciativas do trânsito das informações do paciente foram abordados durante a discussão. Veja os melhores momentos. Veja: http://migre.me/eth9l

FOTOS DO IT MÍDIA DEBATE: E-SAÚDE NO SETOR PÚBLICO O IT Mídia Debate de abril propôs o tema “E-Saúde no setor público”. Os participantes falaram sobre os desafio da integração das informações dos pacientes em um sistema ainda dividido entre público e privado Veja: http://migre.me/etwfr

ASSESSORIA JURÍDICA EM VIGILÂNCIA SANITÁRIA Pedro Cassab O enrijecimento do estado de exceção “Pátria mãe gentil adormecida pela fantasiosa expectativa de dias melhores à caridade das bolsas politicas que tapam os olhos da grande massa cidadã de uma realidade sem futuro” GESTÃO COMERCIAL EM SAÚDE Enio Salu Cadê o contrato? Hospitais continuam muito atrasados quando se fala em gestão de contratos. De acordo com Salu, melhores práticas de mercado são ignoradas pelo gestor de contratos hospitalares por não conhecer conceitos básicos. FARMACOECONOMIA E ECONOMIA DA SAÚDE Stephen Stefani Lancet Oncology sobre América Latina Uma das mais importantes revistas de medicina no mundo, a Lancet Oncology, traz em sua edição deste mês um fascículo especial dedicado à discussão da oncologia na América Latina. Traçando uma radiografia do combate ao câncer no continente MEDICINA LABORATORIAL Gustavo Campana Qualidade percebida em Medicina Diagnóstica Atuação das empresas no apoio do médico para a decisão de utilização dos exames e atividades denominadas pós-analíticas, focadas na interpretação clínico-laboratorial, tornam-se diferenciais significativos na assistência à saúde.

EU LEIO A FH

INFORMAÇÃO QUALIFICADA, CONTEÚDO RELEVANTE E CREDIBILIDADE EDITORIAL COLOCAM A FH EM DESTAQUE NO CENÁRIO DE PUBLICAÇÕES ESPECIALIZADAS. UMA REVISTA ÚTIL E CONFIÁVEL, REFERÊNCIA PARA PROFISSIONAIS DE SAÚDE EM TODO O BRASIL. Porfírio Andrade, superintendente-geral do Grupo Santa Casa BH

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FH | pensadores

maria Carolina Buriti | mburiti@itmidia.com.br

Quer pagar

quanto? Professor e Pesquisador da universidade de são Paulo Mário Scheffer aPonta o crescimento artificial da saúde suPlementar brasileira às custas do financiamento Público e de Planos de saúde com Preços baixos, que não levam à PoPulação o acesso Prometido

u

ma relação sobreposta em um setor de saúde segmentado. É assim, que o professor e pesquisador da universidade de são Paulo (usP) mário scheffer define o sistema de saúde brasileiro. nesta relação, se por um lado faltam recursos públicos para o sistema único de saúde (sus), por outro, há um financiamento repetido por parte da população, onde todos financiam por meio de tributos, e acabam comprando planos de saúde para obter o atendimento desejado, que, muitas vezes, não acontece. “temos uma insatisfação generalizada, um sistema público ainda incompleto e o crescimento inadequado dos planos de saúde”, disse scheffer à revista fH. ele ainda pontuou sobre a ineficácia dos planos de saúde com preços baixos, que, por conta de sua estrutura, contribuem ainda mais para a lotação do sistema público. veja os principais trechos a seguir.

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Revista FH: Com 25 anos do Sistema Único de Saúde (SUS), apesar do caráter universal previsto em lei, o acesso ainda não é para todos. Qual a sua avaliação? Mário Scheffer: É importante lembrar que o SUS avançou muito. Se pensarmos, antes, os estudos como a Pesquisa Nacional por amostra de Domicílios (Pnad) do iBGE, realizada em 1981 (antes da criação do SUS), apenas 8% da população tinha usado o serviço de saúde. Esta pergunta feita depois do SUS, mostra que mais de 15% da população usava. Ele ampliou o acesso à atenção básica, de emergência, atingiu a cobertura universal de vacinação - que é o maior programa público de imunização do mundo-, avançou na cobertura de pré-natal. algumas coisas devem ser motivo de orgulho do SUS: o Brasil eliminou o sarampo, interrompeu a transmissão de cólera, o SamU atende mais de 100 milhões de brasileiros, sistema nacional de transplantes é basicamente público, o tratamento da aids é exemplar. Costumo dizer que o tratamento da aids é o SUS levado a suas melhores consequências.

perfil

Quem 

Mário César Scheffer, professor contratado do Departamento de Medicina Preventiva (DMP) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), na área de Política, Planejamento e Gestão em Saúde. Mestre e Doutor em Ciências da Saúde pelo DMP- FMUSP, onde também concluiu o Programa de Pós-Doutorado.

FH: Em sua opinião, qual é a principal razão da falta de acesso? Scheffer: Ele é um sistema de saúde complexo. É constituído por uma variedade de serviços de organizações públicas e privadas, que tem convivido, ao longo da história, com distintas formas de financiamento, prestação e gestão de saúde. o Brasil tem um sistema onde há uma coexistência destas distintas modalidades. Costumo dizer que ele é segmentado, pois tem uma duplicação de serviços públicos e privados e de infraestrutura; estratificado, porque essa pluralidade de diversas modalidades de serviço gera vias diferenciadas de desigualdade de acesso da população ao serviço de saúde.

o que faz 

Especialista em Saúde Pública pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), graduou-se em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Foi membro titular do Conselho Nacional de Saúde (CNS), da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) e da Câmara de Saúde Suplementar da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Atualmente integra o Conselho Consultivo do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (CEBES); a Comissão de Política, Planejamento e Gestão da Associação Brasileira de PósGraduação em Saúde Coletiva (ABRASCO); e o Conselho Diretor do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC). Foto: Ricardo Benichio

FH: Como assim? Scheffer: o sistema é único, mas tem três subsetores completamente imbricados, com uma relação entre si. São eles: o subsetor público, o SUS, com característica de acesso universal financiado por recursos públicos, mas que não tem conseguido atingir o objetivo por causa do subfinanciamento; o subsetor privado, que acaba prestando serviço para o SUS, pois ele não dá conta e não tem serviços próprios para dar o atendimento que por obrigação deveria dar; e o subsetor suplementar com diferentes tipos de planos

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FH | PENSADORES

FH: Por que inadequada? Scheffer: Nos últimos anos, ela cresceu muito mais do que sua capacidade de entregar produtos de assistência médica de qualidade para a população que compra o plano de saúde, seja o plano individual, família ou os coletivos. Se for ver, hoje, ninguém está satisfeito com o sistema de saúde brasileiro, nem as pessoas que dependem única e exclusivamente do SUS nem a população coberta pelos planos de saúde. Temos uma insatisfação generalizada, um sistema público ainda incompleto e o crescimento inadequado dos planos de saúde. Em primeiro lugar, porque eles (os planos) não conseguem entregar o que prometem, e segundo, porque este sistema não é adequado para respostas que hoje são absolutamente inadiáveis e necessárias como, por exemplo, o envelhecimento da população, o crescimento das doenças crônicas não transmissíveis. Assim, nós temos os idosos e doentes, cada vez mais excluídos desse modelo. Mas, como disse, o nosso sistema é duplicado, e temos de conviver com isso. O que temos é um grande problema de subfinanciamento público crônico, pois é impossível cobrar a completude do SUS, isto é, assegurar a cobertura universal de atendimento integral com esse nível de financiamento. Temos recursos absolutamente insuficientes para as responsabilidades do SUS.

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SE NÃO RESOLVERMOS O SUBFINANCIAMENTO, VAMOS CONTINUAR COM A DIFERENÇA ENTRE O PÚBLICO E O PRIVADO, PENDENDO A FAVOR DO PRIVADO E DIFICULTANDO O SUS

Foto: Ricardo Benichio

e seguros saúde. Nós temos um sistema de saúde bastante complexo, confuso e sobreposto, por isso, não há um muro que separa o SUS dos planos de saúde. Hoje, mais do que nunca, vemos um sistema que tem caminhado para essa intersecção. Acho que temos dificuldades para que o SUS, depois de 25 anos, se efetive de fato. Na verdade, temos uma encruzilhada: nem o SUS conseguiu atingir a sua maturidade de oferecer um sistema universal; e, por outro, a saúde suplementar que cada vez mais se mostra inadequada e insuficiente, e isso não é a solução para o sistema de saúde brasileiro.

FH: E os recursos privados? Scheffer: Hoje 53% dos recursos de saúde são privados, envolvidos com planos, gastos diretos, medicamentos e etc. Então, temos 25% da população responsável pela circulação desses 53%, e 47% de recursos públicos da União, estados, municípios para garantir o SUS. Só que ele é muito mais que a assistência médica hospitalar dos planos, ele é vigilância, alta complexidade, urgência e emergência, imunização e etc. Quanto mais gastos privados no sistema de saúde - e isso são evidências quando se estuda sistemas comparados de outros países -, mais se diminui a característica redistributiva, que é o financiamento de um sistema de saúde que seria mais inclusivo e justo, que é este baseado na taxa de impostos, ou seja, as pessoas pagam de acordo com sua renda e recebem saúde de acordo com sua necessidade. Portanto, temos um problema sério, uma equação difícil. Por isso, uma das grandes bandeiras dos defensores do SUS é aumentar os recursos. Tivemos uma derrota na regulamentação da Emenda Constitucional 29, que era a oportunidade de se estabelecer mais recursos. Enfim, se não resolvermos o subfinanciamento, vamos continuar com essa diferença entre o público e o privado, pendendo a favor do privado e dificultando o SUS.

FH: Como você analisa o subsetor privado? Scheffer: Ele é muito grande e pouco financiado pelo privado puro, ou seja, particulares. Ele é financiado pelos planos de saúde quando as pessoas usam, mas também vende serviço para o setor público. É importante dizer que ele tem diferentes tipos de planos e seguros e é completamente heterogêneo. São produtos com coberturas e qualidades diversas, financiados com recursos dos indivíduos e das famílias e, principalmente, por empregadores (80%), que fazem isso com muito subsídio público. Por isso, falamos da saúde com vários setores que interagem, pois o sistema suplementar se vale de inúmeros benefícios e subsídios, formas diretas e indiretas de usar o dinheiro público. Os mais conhecidos são as exclusões de cobertura - que empurram para o sistema público os clientes desses planos -, mas também há a venda de planos privados para o funcionalismo público, onde só o governo federal gasta R$1 bilhão. FH: Alguns especialistas defendem que a sociedade deve definir em uma discussão com o governo, o que é realmente possível de ser oferecido pelo SUS. Isso seria uma solução? Porque, por lei, o SUS oferece tudo, mas como você acabou de dizer, o financiamento não permite que ele ofereça tudo. Qual sua opinião sobre isso? Scheffer: Com isso se corre o risco de criar um sistema

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pobre para pobres, ou seja, um sistema restritivo. É óbvio que precisamos reorganizar o sistema. Mas antes de estabelecer esses limites, temos outras questões como organizar o sistema, que hoje está desintegrado e fragmentado. Precisamos reordenar os fluxos, assegurar não só o primeiro acesso das pessoas, mas a continuidade dos trabalhos, diminuir a fila, estipular padrões com tempo máximo de espera, temos muito desafios antes de discutir a regulação. Primeiro, resolver o subfinanciamento, depois estabelecer uma nova relação entre o público e o privado, e, por fim, essa regulação precisará de redes integradas onde haja atendimento com fluxo corretos. Hoje se discute muito a atenção primária, quando se tem isso de forma resolutiva até 90% dos problemas de saúde são resolvidos. Se ela funcionar, se consegue outra qualidade de sistema de saúde, se diminui a pressão em cima das especialidades e dos prontos-socorros. Esta é uma solução viável e importante. Portanto, eu discordo que o problema maior do SUS é dar tudo para todos e, por isso, é preciso estipular o que se vai dar. É uma visão egoísta e simplista e não permite a discussão do sistema de saúde como um todo.

privado se dá pelo desembolso direto que é muito pouco. É importante dizer que a fonte de financiamento do setor privado conta com recursos públicos e é essa a questão que a sociedade não entende. Isso precisa ser colocado em praça pública, porque, por um lado, a fonte de financiamento é insuficiente e, por outro, o setor privado é financiado com recursos público pelas desonerações fiscais de prestadores privados, pela compra de planos que é um exemplo emblemático para o funcionalismo público, onde o governo federal gasta R$1 bilhão comprando serviços com dinheiro público. E, principalmente, pelo uso do SUS por clientes de plano de saúde sem o devido ressarcimento ao sistema público. Isso é muito relevante e pouco debatido. Esta injeção de recursos públicos no setor privado precisa ser conversada, isso está na raiz de muitos problemas. FH: Você comentou sobre o crescimento Dos planos de saúde e a insatisfação da cobertura. Mas existe o desejo da população que é adquirir a saúde que o SUS ainda não consegue oferecer. Dessa forma, a população está em uma encruzilhada, pois ela não é culpada. Scheffer: Isso tem a ver com o total desconhecimento dela sobre o SUS. Primeiro, porque as pessoas nem sabem que o SUS faz parte da vida delas. É sempre a visão da assistência médica, e isso é uma parte do SUS, ele deveria ser um sistema mais compreendido e defendido e, na verdade, é escorraçado o tempo todo. Esse desejo da população está muito localizado, precisamos deixar claro que essa solução não é para as necessidades de saúde. É uma solução para aquilo que hoje me parece o maior gargalo do

sejo das pessoas de acessar não transforma esses planos em algo que seja a solução. FH: Ainda sobre os planos de menor custo. Essas empresas que comercializam os planos estão no mercado que inclusive já é regulado. Você acredita que esses dois subsistemas podem viver integrados? Scheffer: Claro, acredito. Podem e devem viver desde que reposicionados, desde que cada um com seu tamanho natural. O sistema suplementar com esse perfil de crescimento é totalmente inadequado. À medida que eu tenho um fortalecimento e um financiamento adequado do sistema público, eu reposiciono o lugar do setor privado. FH: O subsetor privado tem um tamanho ideal? Scheffer: No sistema de saúde universal, os planos de saúde nunca superam os 25%. Tem uma grande exceção no mundo que são os Estados Unidos, que escolheram o modelo majoritariamente de planos e seguros de saúde e, não por acaso, é sistema mais caro e com pior indicadores. Tanto que a reforma do Barack Obama (presidente dos Estados Unidos) é isso: ele reconhece o fracasso de um sistema de saúde majoritariamente entregue a planos e seguros, que deixou uma parcela grande da população sem assistência alguma. Nos sistemas universais, os planos são residuais, no geral, são 10%, 15%, 20%. No geral, no mundo inteiro, com exceção dos EUA, os planos e seguros não chegam a 25% dos sistemas de saúde.

FH: No Brasil estamos com 25 %. Estamos num máximo que um sistema universal permite? Scheffer: Sim, mas com crescimento artificial, pois uma parte desse mercado, julgo, que não existir, porque são produtos ruins que ESSES PLANOS MAIS BARATOS, POR CAUSA DA REDE RESTRITA deveria não entregam aquilo que foi vendido. Isso aconE DE PAGAREM MAL OS MÉDICOS, SÃO ARTIFICIAIS. AS PESSOAS tece com total conivência e autorização da ANS, que durante muito tempo estava capturada ESTÃO PAGANDO, MAS NA HORA QUE NECESSITAREM VÃO pelo mercado regulado. A ANS é contaminada BUSCAR SOCORRO NO SUS pelos interesses de mercado, então, até outro dia o presidente da ANS era um executivo que FH: O SUS tem problema de finanSUS, me refiro à atenção secundária e as consultas tinha passado pela Qualicorp. Esses dias saiu uma ciamento. Mas há um financiacom especialidades, esse é o estrangulamento do reportagem no jornal Folha de S. Paulo mostrando mento feito várias vezes: existe a SUS. Porque o plano de saúde é assistência médica essa relação de promiscuidade. Isso contribuiu para cobertura universal (pagamento hospitalar: consulta, exame e internação. E esses a conivência de permitir o crescimento inadequado de tributos), as empresas pagam planos mais baratos, por causa da rede restrita e de de mercado. Acho que inúmeras empresas não devepara seus funcionários e recebem pagarem mal os médicos, serão planos artificiais, riam existir e inúmeros produtos nem deveriam ter incentivos públicos para isso, e as pessoas estão pagando, mas na hora que neces- sido autorizados. Não adianta, agora, querer consertar quando a população notifica isso sitarem vão buscar socorro no SUS. É um desejo, com medidas como ‘não pode demorar três meses no imposto de renda ela é reembolmas ele não está acompanhado da informação do para marcar um especialista, o prazo máximo é de 15 sada por ser um serviço de saúde. que é um sistema de saúde e do que isso, que elas dias’, isso não vai acontecer porque os planos não têm Há um desperdício de recursos? acham que acessam, vai representar. Porque elas quantidade de médicos, eles pagam R$ 25 a consulta e Scheffer: A fonte de financiamento já pagam via imposto por uma atenção pública e nem conseguem compor uma lista de médicos. Enfim, do SUS é pública, os recursos vêm vão pagar de novo ou via empregador ou por elas o plano de R$40 vai dar direito a apenas um hospital da arrecadação tributária. E o setor próprias por algo que não vão receber. Enfim, o de- e ele vai estar lotado. *Veja outros trechos da entrevista no portal Saúde Web: www.saudeweb.com.br

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LHC.MIDIA.BRA.0213.001-01

$ / LQ G H + HD O W K F D U H G R P LQ D D U HJ X O D P HQ W D omR G R V J D V HV P HG LF LQ D LV com sólida experiência em mercados de saúde dos cinco continentes. 7U D ED O K D P R V F R P R F R P SU R P LV V R G H W U D ] HU D V P HO K R U HV V R O X o} HV HP tratamentos de saúde para os pacientes dentro e fora do hospital. ( [ SHU Lr Q F LD D O LD G D j V P D LV LQ R Y D G R U D V H V HJ X U D V V R O X o} HV HP J D V HV medicinais do mercado.

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Em depoimento a maria Carolina Buriti

FH | personalidades

DE Estagiária a ViCE-prEsiDEntE Da Johnson & Johnson mEDiCal, maria rEgina naVarro rEprEsEnta um Dos prinCipais nomEs quanDo o assunto é liDErança fEminina no sEtor DE saúDE. há 35 anos na Companhia, a ExECutiVa Conta quE a granDE lição DE sua traJEtória é a Construção DE uma Boa EquipE E VEr o traBalho Como algo quE transCEnDa a posição

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Assumir a vice-presidência da companhia e ser uma das pioneiras da Johnson e Johnson a ocupar tal posição no Brasil significa... ter o reconhecimento profissional em uma empresa que tem uma cultura que privilegia o bom executivo, oferecendo oportunidades igualitárias de desenvolvimento para ambos os sexos. De estagiária a vice-presidente passando por áreas como vendas, marketing, a grande lição é... estabelecer de forma consistente objetivos e metas profissionais, ter foco no resultado e na construção de uma equipe sólida. Em 2013, a Johnson e Johnson completa 80 anos no Brasil, faço parte de 35 deles e... tenho orgulho de fazer parte dessa história, tanto da evolução da Companhia quanto do mercado de saúde. Para estabelecer uma parceria de valor com os diferentes stakeholders da cadeia de saúde é preciso... ouvir suas necessidades para atendê-las com produtos e serviços adequados. Para o setor de saúde da empresa, considerando a área médica e farmacêutica (Janssen- Cilag), a inovação é importante porque... contribui para o avanço nos padrões de cuidados com a saúde do País, além de significar a sustentabilidade do negócio. Vemos o Brasil como um país importante por conta da sua forte economia, uma classe media em ascensão, crescente necessidade de cuidados com a saúde, avanços científicos e tecnológicos, e compromisso do governo em melhorar a saúde. Mas ainda enfrentamos obstáculos para investir quando... as políticas governamentais não têm a devida claridade, transparência e estabilidade. A relação entre médicos e fornecedores pode correr riscos quando... as regras de integridade dos negócios não são cumpridas. E para evitar que isso aconteça... é preciso colocar o paciente em primeiro lugar. A biomédica está presente... em conversas técnicas com os diferentes públicos e a administradora fala mais alto... quando decisões de negócios precisam ser tomadas e um posicionamento precisa ser assumido.

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O maior desafio da liderança feminina é... equilibrar vida pessoal e profissional. Para conciliar vida profissional e vida pessoal... é preciso muita disciplina, organização e planejamento. A minha dica é... ver no trabalho um propósito que transcenda a posição; ter foco em pessoas, construindo equipes com estilos diversos mas harmônicos; e, por fim, ser persistente, com muita força de vontade.

DICAS

Um cantor (a):

Chico Buarque

Um livro:

O Diário de Anne Frank foi um livro que me marcou muito na adolescência. Em termos de negócio, Straight from the gut (Jack Definitivo, na versão brasileira), do Jack Welch Um filme:

Meia noite em Paris, do Woody Allen.

Foto: Ricardo Benichio

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FH | ponto de vista

ApostAs maria Carolina Buriti | mburiti@itmidia.com.br Verena Souza | vsouza@itmidia.com.br

Lado a Lado, tanto na disputa de mercado quanto na exposição de seus produtos e soLuções durante a Jornada pauLista de radioLogia (Jpr) , maior evento de diagnóstico da américa Latina, ge, phiLips e siemens, faLaram com o ponto de vista sobre as novidades deste ano

Foto: Divulgação

FH: Dentre as tecnologias apresentadas, qual você destacaria? Armando Lopes: Estamos com um portfólio bastante amplo e estável. Fica difícil escolher um. Em relação à ressonância, estamos com o maGNETom Essenza (com solução chamada Dot - Rendimento de otimização diário), que pega o segmento mais sensível a custo, mas não deixa de entregar qualidade e eficiência. Na linha de ultrassom, talvez aí estejam as maiores novidades, e uma delas é o aCUSoN Free Style, o primeiro e até agora o único aparelho de ultrassom wireless. Esse equipamento vai mudar o fluxo de trabalho no serviço de ultrassom e dar muito mais liberdade para o médico. imagina um monitor e o médico com um transitor sem fio. Se você está em um centro cirúrgico não existe risco de contaminação por exemplo. aRmaNDo LoPES, ViCE-PRESiDENTE Da SiEmENS hEaLThCaRE

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Quais são as iniciativas da Siemens em prol da promoção do acesso? Lopes: Procuramos conscientizar toda a equipe de que o nosso papel é entregar uma solução que melhore a qualidade clínica e gere maior eficiência. Essas duas combinadas atendem ao médico, que faz um bom trabalho, e ao gestor que vê um melhor retorno sobre o investimento. Somado a isso está o uso da imagem - uma de nossas fortalezas -, para guiar o tratamento. Com o artis zeego (sistema de imagem intervencionista com tecnologia robótica) é possível guiar da melhor forma possível um cateter, uma cirurgia minimamente

invasiva, com menos consumo de sangue, menos tempo de informação. assim estamos aumentando a eficiência. o trabalho com a força de vendas é mostrar esses resultados, provar que “essa” ressonância consegue dois, três exames a mais por dia, trazendo um retorno superior com qualidade. FH: Qual o balanço de 2012 e expectativa para 2013? Lopes: tivemos um crescimento muito bom, de dois dígitos, acima da média de mercado. E a previsão para este ano será na mesma ordem de grandeza. a informação importante é que o mercado brasileiro está crescendo bastante, e isso é algo diferenciado no mundo. Poucas regiões estão crescendo a taxa de dois dígitos em saúde no mundo. China, Índia e Brasil. Portanto este é o momento para aproveitar. além disso, o governo está incentivando com as PPPs (Parcerias Público Privadas) e o PPB (processo produtivo básico). Vejo as PPPs como uma grande chance de aproveitar os recursos privados para fomentar e atender a área pública. Essa aproximação público x privado é fundamental para ajudar a acelerar o acesso. Estamos trabalhando bastante nisso. Faturamento global: Siemens não divulga o faturamento global da vertical de Saúde Produção local: Tomografia (mais recente) raio-x e ressonâncias. Ultrassom em processo de discussão de PPB.

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DaURio SPERaNziNi, ViCE-PRESiDENTE PaRa a améRiCa LaTiNaE Da GE hEaLThCaRE

FH: O que está sendo apresentando este ano de mais inovador? Daurio Speranzini: sem dúvida que o Silent Scan (ressonância magnética), pela primeira vez no Brasil, é uma das mais importantes inovações que a GE trouxe nos últimos tempos, pois reduz o ruído de 110 decibéis (dBa) de uma ressonância convencional para 78 decibéis (dBa). isso é uma oportunidade de deixar o procedimento de ressonância muito mais tranquilo e confortável para o paciente. Parece algo menor, mas esse cuidado com o aspecto psicológico do paciente que, provavelmente, está pesquisando algum problema ou já está em estágio de evolução, é muito importante. E o barulho e o túnel da ressonância só atrapalham. o outro é o Discovery iGS 730 (radiologia intervencionista) para salas híbridas. ou seja, no mesmo local pode-se fazer consultas, cirurgias ou uma intervenção de um cateterismo. Guiado por controle remoto, o equipamento, que é um robô, pode ser removido para o canto da sala, por exemplo, deixando a sala livre para ser utilizada. Eu imagino que no futuro vão ter várias salas e apenas poucos robôs e eles ficarão migrando por entre elas. Este conceito de sala híbrida está sendo iniciado no Brasil -, afinal, os hospitais precisam cada vez de maior flexibilidade para ganhar produtividade. FH: Qual o balanço de 2012 e expectativa para 2013? Speranzini: o ano de 2012 foi bom, mas não como a expectativa que tínhamos de crescer

dois dígitos. a américa Latina cresceu 7%, o que é razoável, considerando que o mercado ficou abaixo disso. Nosso market share cresceu entre 1 e 2 pontos percentuais (p.p.), ficando em 25.8 p.p. na área de imagem e cuidados críticos com a saúde. Em 2013, vamos ter um ano melhor do que o ano passado, crescendo certamente dois dígitos, seguindo a tendência do primeiro quarter. Temos o melhor portfólio de ultrassom, duas novas ressonâncias sendo produzidas localmente e já “finamizadas” (podendo a compra ser financiada através do BNDES Finame), temos participação crescente de mercado em tomografia computadorizada por conta do estágio de localização no PPB (Processo Produtivo Básico). Tudo isso está sendo impulsionado por meio de parcerias financeiras que estamos fazendo com bancos locais. E para os clientes que querem comprar em dólar, estamos com o hFS, nosso braço financeiro, acesso ao Finame, além de outras soluções financeiras como aluguel, pagamento por estudo, enfim, sempre de acordo com a necessidade de cada cliente, e tudo para facilitar o acesso. Faturamento global de GE Healthcare em 2012: US$ 18 bilhões Número de funcionários no Brasil: cerca de 700 Produção local: dois equipamentos de ressonância magnética (recentemente), raio-x, mamografia, Arcos em C, tomografia computadorizada (há 8 meses) e cardiovasculares (via XPRO)

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FH | ponto de vista

ViToR RoCha, ViCEPRESiDENTE PaRa a améRiCa LaTiNa Da PhiLiPS hEaLThCaRE

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O que a Philips traz de novidade este ano? Vitor Rocha: Estamos fazendo três lançamentos muito relacionados com a melhoria da produtividade. o ambiente da saúde passa por um desafio muito grande no Brasil e no mundo para melhorar o acesso e a qualidade. Focamos em trabalhar o ambiente onde se vê o ciclo inteiro da saúde, onde a solução integrada oferece mais produtividade para o hospital e para o médico. atender mais pacientes com a qualidade e com o mesmo equipamento ou até de forma remota. Um dos lançamentos é o intelliSpace Portal, uma Workstation que permite ao médico trabalhar numa imagem de sua própria casa, ou seja, ele não precisa estar ao lado da ressonância magnética, por exemplo. isso aumenta a produtividade do hospital, pois é possível ter vários médicos trabalhando de casa e em ambientes remotos, com um volume de equipamentos mais reduzidos, mas com um número maior de pacientes. isso está disponível para ressonância magnética, tomografia e medicina nuclear. outro lançamento é a ressonância magnética multiva, que tem 1.5T. Ela permite mais produtividade pela forma que utilizamos as bobinas, porque ao colocar o paciente para fazer vários exames não precisamos trocá-las. há um ganho de produtividade porque não há necessidade de entrar na sala e fazer a troca. a outra novidade é o TF Select PET/CT, que tem custo menor, e possui uma tecnologia embarcada que temos em equipamentos premium.

FH: Há muitos lançamentos, mas é sabido que falta mão de obra para operar tudo isso. A Philips tem alguma iniciativa nessa linha? Rocha: Um dos três pilares da nossa estratégia são os serviços e educação clínica. Na área de educação, estamos preparando a inauguração do centro de treinamento em Lagoa Santa (mG), ele visa ampliar a disponibilidade de treinamentos para clínicos, médicos e técnicos. isso serve também para melhorar a qualidade e a produtividade, pois com um equipamento fantástico de R$ 3 milhões na mão, é preciso saber usá-lo ao máximo. Temos várias parcerias no Brasil e na américa Latina com centros de diagnóstico, hospitais e universidades para a formação e atualização médica. FH: Qual foi o desempenho na área de imagem em 2012 e quais são as expectativas para 2013? Rocha: ano passado foi um ano excepcional para a Philips. Tivemos um crescimento grande em imagem, acima do mercado. Para este ano, esperamos o crescimento de 15%. Não abrimos o número de imagem, mas abrimos o número Brasil, que foi 20% na área de healthcare em 2012. Faturamento: Globalmente as vendas de Healthcare atingiram € 10 bilhões em 2012. Produção local: a fábrica localizada em Lagoa Santa (MG) é responsável pela produção de 64% das vendas no Brasil. São fabricados raio-x analógico e digital. Equipamentos como ressonância magnética e tomógrafos são produzidos por meio do Processo Produtivo Básico (PPB).

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Tudo para Todos RefeRência paRa beneficiáRios de planos de saúde e pacientes do sUs, o sistema de saúde Mãe de deus estUdoU o peRfil popUlacional da Região e constatoU o alto índice de idosos no estado. o ResUltado foi a elaboRação de institUtos de especialidades focados nas enfeRmidades mais fReqUentes e qUe seRão levados a todas as Unidades geRidas pelo gRUpo Verena Souza | vsouza@itmidia.com.br

o

s tons lilases da gravata e camisa conferem elegância ao tradicional terno do gaúcho alceu alves, sem jamais inibir suas expressões e gestos espontâneos ao relembrar sua trajetória de 36 anos dedicados à saúde. “Sou um médico frustrado”, revela o atual superintendente executivo do Sistema de Saúde mãe de Deus (SSmD), que encontrou na administração hospitalar uma forma de ficar perto de sua paixão – a medicina. Do primeiro emprego na aplub Previdência a chefe de gabinete de José Serra no ministério da Saúde – posição anterior ao mãe de Deus – a verdadeira escola do executivo foi o setor público; com nove anos de

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bagagem no Grupo Hospitalar Conceição (GHC) e 15 no Hospital de Clínicas de Porto alegre, grande parte como vice-presidente. a dedicação ao Sistema Único de Saúde (SUS) por tantos anos fez alves questionar-se sobre o convite para gerir um hospital privado em 1998, mas a forte missão da instituição em prover um atendimento humanizado à população carente o levou a aceitar a proposta do atual diretor geral do grupo mãe de Deus, Claudio Seferin. “Eu precisava de um diretor qualificado e alguém que eu tivesse prazer em trabalhar. Foi aí que pensei no alceu e tudo progrediu”, conta Seferin. ambos

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Mãe de deus Hospital sem fins lucrativos Fundação 1979 Área construída 58.000 m² Acreditação Hospitalar ONA 3 e JCI Previsão de faturamento em 2013: R$ 370 milhões

se conheceram na década de 70, ainda no Conceição. “Eu fiquei encantado, afinal, esse era o meu negócio, levar soluções para pessoas que precisam e, assim, começamos a trabalhar para eu vir para o mãe de Deus”, recorda o executivo, que assumiu o cargo no dia 10 de novembro de 1998.

Perfil Hoje a entidade filantrópica - mantida por uma congregação religiosa italiana e fundada em 1979 no Brasil - vai além da determinação que obriga a oferta de 60% dos leitos a pacientes do SUS, e chega ao índice de 76%. Com a intensificação de parcerias na área pública, sob a gestão de Seferin e alves, o Sistema congrega atualmente, além de quatro hospitais próprios - mãe de Deus (Poa), Giovanni Battista (Poa), Nossa Senhora dos Navegantes (Torres) e Santa Luzia (Capão da Canoa) - outras cinco instituições públicas no interior do Rio Grande do Sul (Campo Bom, Taquara, Santo antônio da Patrulha e Canoas), dois Centros de atendimento Psicossocial, uma emergência psiquiátrica e a unidade de internação feminina São Rafael. a prestação do serviço nessas unidades é feita através de parcerias com as prefeituras locais. “o Estado define o tipo de serviço e nós o executamos”, explica o superintendente executivo. o Grupo Hospitalar Conceição, por exemplo, tem direito a 100 leitos de retaguarda no Hospital Universitário (HU), de Canoas, que está sob a administração do SSmD e em plena expansão de 350 para 500 leitos até o final do ano. a região é estratégica para a Saúde por ser um polo industrial, ter o segundo maior PiB e a quarta maior população do Estado. Para uma eficiente gestão das unidades do interior do Estado, o SSmD opera por meio de um único sistema de gestão hospitalar. “a ideia de centralizar a inteligência é fazer com que os prestadores não precisem se preocupar com compras, folha de pagamentos, entre outras questões administrativas, para manter o foco na qualidade assistencial”, conta alves.

Foto: Divulgação

Fachada do Hospital Mãe de deus: até a Copa de 2014 serão 520 leitos e 120 (Uti)

O HOsPital apesar de ser um complexo assistencial, o Hospital mãe de Deus é a maior referência em qualidade na alta complexidade e tecnologia do SSmD, constituindo-se como um verdadeiro polo de transferência de conhecimento às demais unidades. o hospital faz apenas atendimentos privados e é o único do sul do País com dupla certificação, oNa 3 e Joint Commission international (JCi). Frente a este protagonismo está apenas o também gaúcho moinhos de Vento, detentor da JCi, e reconhecido pelo ministério da Saúde como um Hospital Excelência no atendimento ao SUS. o mãe de Deus - que prevê faturar R$ 370 milhões dos R$ 650 milhões projetados para todo grupo em 2013 -, possui uma governança corporativa consolidada. Estruturada em uma diretoria estatutária - composta por irmãs da congregação scalabrinianas -, e uma executiva - formada por profissionais das áreas da saúde

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FH | hospital

em plena expansão para

380

520

N° do total de leitos operacionais

120

MILhões

CresCIMento em plena expansão para

54

N° de leitos de Uti

120

investimentos

4.400

N° médicos cadastrados

2.400

N° de funcionários ativos

CaPital HUmaNO Com os mais de cinco mil funcionários e a escassez de profissionais qualificados no mercado, o SSmD fez da educação uma outra área de negócio e desenvolvimento social ao criar, em parceria com a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), a Escola Superior de Saúde no final de 2010, que integra a área de Ensino e Pesquisa da entidade. Com cursos de graduação, especialização, mestrado e extensão para diversas áreas da saúde, o centro tem a sustentação acadêmica da universidade e estrutura física completa do mãe de Deus. Dessa forma, o SSmD tem condições de absorver os melhores profissionais formados na instituição. Como a maioria das instituições filantrópicas e religiosas, o carinho e atenção aos pacientes são premissas valiosas e, no caso do mãe de Deus, esse sonho foi idealizado pela irmã Jacomina Veronese na década de 60 e, segundo Seferin, depois de muitas remodelações para uma organização sustentável, enfim, tornou-se real; de uma maneira bem mais técnica e profissionalizada.

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seferin, do grupo Mãe de deus: investimento de r$ 120 milhões em expansão

Foto: Divulgação

e administrativa -, o seu planejamento estratégico está direcionado para a formatação de institutos de especialidades médicas. “Percebemos que as especialidades vão fragmentando o conhecimento. Hoje é muito difícil o paciente ser tratado apenas por um médico. Por isso, congregamos especialidades em um conceito que chamamos de instituto, com uma medicina altamente especializada e ao mesmo tempo fragmentada pelo corpo clínico multidisciplinar”, explica alves. Para a criação dos institutos do Câncer, medicina Vascular e Preventiva, o mãe de Deus se aprofundou na epidemiologia do estado e constatou que a presença de idosos é numerosa e ainda mais concentrada em Porto alegre. Dessa forma, câncer, doenças crônicas, mentais e respiratórias – agravadas pelas baixas temperaturas na região – são áreas foco do hospital. Para se ter uma ideia, o Rio Grande do Sul possui 45 idosos para cada 100 jovens e sua capital tem 62 para cada 100 (considerando jovem até 15 anos e idoso a partir de 60). ainda em consolidação, o objetivo é que os institutos tenham capacidade de atender toda a rede de hospitais do Sistema. “a ideia é que tudo que temos seja para todos. E as especialidades médicas estão sendo preparadas e assumindo funções corporativas para isso”, diz, com entusiasmo, Seferin, ressaltando que essa condição de atendimento tanto para plano de saúde quanto para o SUS é recebida com prazer pelos médicos do grupo que, hoje, são cerca de 600 sob o regime CLT e 800 autônomos, contemplando um quadro de 5250 funcionários. Com 380 leitos operacionais e 54 leitos de UTi, o hospital está em plena expansão desses números para, respectivamente, 520 e 120 até a Copa do mundo de 2014. os investimentos para os dois anexos que estão sendo construídos giram em torno de R$ 120 milhões, financiados pelo Banco Nacional De Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

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Hora de

patricia Santana | editorialsaude@itmidia.com.br

Verticalizar

A mAioriA dAs Autogestões possui rede própriA pArA Atendimento AmbulAtoriAl, A novidAde é que o investimento em hospitAis tem se mostrAdo umA AlternAtivA pArA essAs empresAs. Com isso, AforA redução de Custo, elAs Conseguem ir Além do Atendimento exClusivo de seus benefiCiários e busCAr A rentAbilidAde do negóCio

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s autogestões, operadoras de saúde sem fins lucrativos, nasceram e se fortaleceram dentro do propósito de preservar a assistência à saúde sob a gestão direta dos empregadores e beneficiários. de acordo com a União das instituições de auto-Gestão em Saúde (UNidaS), elas representam 11% do total de beneficiários do sistema de saúde suplementar e, no ano de 2012, apresentaram uma receita total de r$ 10,52 bilhões. atualmente existem 214 peradoras com este modelo no país, sendo 10 de grande porte (mais de 100 mil beneficiários), 32 de tamanho médio (de 20 mil a 100 mil beneficiários) e 154 pequenas (abaixo de 20 mil beneficiários). “essas operadoras atuam em todos os estados e praticamente em todos os municípios brasileiros, pois onde temos um servidor público neste país, temos um beneficiário de autogestão”, conta a presidente da Unidas, denise eloi. Com um modelo de negócio baseado na promoção de saúde e prevenção de riscos, a maioria das autogestões que possui rede própria tem unidades de atendimento ambulatorial. “São redes de assistência organizadas para fortalecer a atenção primária, premissa da autogestão, onde conseguimos resolver cerca de 80% das demandas clínicas”, pontua denise, reforçando que equipes multidisciplinares integram os programas próprios das operadoras. para a presidente da entidade, a verticalização com investimentos em hospitais próprios é uma tendência de mercado. “mas ainda temos muito a desenvolver nesse sentido”, sinaliza. isso porque as autogestões ainda apresentam um alto índice de sinistralidade. o segmento apresentou uma sinistralidade (percentual do total da receita da operadora comprometido com despesas assistenciais) de 93,9% em 2012, bem acima da média do setor, que foi de 85%. “isso ocorre porque a autogestão não reajusta suas mensalidades dentro das mesmas regras das operadoras de mercado e prioriza a utilização dos seus recursos na assistência a saúde, sem distribuir lucros”, justifica denise. para o consultor Horácio Cata preta, a sinistralidade crescente das autogestões está associada aos custos dos eventos médicos e hospitalares, à contínua inovação tecnológica e ao descompasso entre a demanda e a disponibilização desses procedimentos na rede credenciada a preços suportáveis pelas entidades. “São poucas as operadoras de autogestão com rede própria e o fato de constituírem um grupo sem muita força de

Denise, Unidas: autogestões apresentaram sinistralidade de 93,9% em 2012

Foto: Ricardo Benichio

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Foto:Divulgação

FUnDação Faturamento Bruto

R$480 milhões/ano 142 mil vidas

117 mil provenientes da Usiminas

Distribuição da receita

atividades de saúde suplementar

atividades do hospital (planos de saúde e SUS)

colégio

centro de odontologia

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negociação, diferentemente das cooperativas médicas, medicinas de grupo e seguradoras, torna-as reféns dos prestadores de serviços que não raro lhes impõem condições financeiras mais onerosas, pois o volume de atendimentos aos beneficiários de autogestão é muito inferior às demais operadoras”, argumenta. Segundo a presidente da Unidas, a autogestão é o melhor modelo para a prestação de assistência à saúde, especialmente para a saúde corporativa, pois consegue integrar a saúde assistencial com ações de saúde do trabalhador. “as empresas vão entender que não existe outro caminho senão prestigiar ações de prevenção de riscos e promoção à saúde de seus empregados e familiares. assim, teremos naturalmente pessoas saudáveis, felizes e, por outro lado, empresas produtivas e lucrativas”, acredita. Dados da associação apontam que as autogestões têm mais de 20% de seus beneficiários com idade acima de 60 anos, portanto, já trabalham, em 2013, com um perfil etário com o qual o Brasil só vai conviver efetivamente daqui a 20 anos. “isso fez com que as autogestões começassem a investir em promoção da saúde e a prevenção de doenças há mais de trinta anos. Também temos que insistir na necessidade de revisão do modelo de remuneração de serviços hospitalares e estudar alternativas para promover mudanças na cadeia produtiva de materiais de alto custo e medicamentos, que tem se mostrado um grande problema para o sistema de saúde”, sinaliza Denise.

Sob demanda a Fundação São Francisco Xavier (FSFX) entregou no último mês a primeira fase do projeto de ampliação e modernização do Hospital márcio Cunha (HmC), em ipatinga, minas Gerais. Com um aporte de R$ 28,5 milhões, o hospital conta agora com um novo pronto-socorro e a criação de uma nova Unidade de Terapia intensiva. Referência para uma população de mais de 785 mil habitantes no Leste mineiro, o hospital, que surgiu inicialmente para atender aos beneficiários da Usisaúde (autogestão da Usiminas), agora é o terceiro do estado em número de internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS). o hospital começou com 50 leitos e 150 colaboradores. mas ao longo do tempo houve a necessidade de expandir e incorporar serviços, além de atender novos clientes, a fim de garantir a sustentabilidade. É o que conta o diretor executivo da Fundação São Francisco Xavier, Luís márcio araújo Ramos. “o processo de regulação da agência Nacional de Saúde Suplementar, determinando prazos e processos, acelerou o nosso plano diretor de expansão, para garantir que o atendimento dos prazos e ter um serviço qualificado”. Quando começou a atividade siderúrgica em minas Gerais nos anos 60, a Usiminas instituiu a autogestão para a saúde de seus colaboradores. Na mesma década, a empresa estruturou a Fundação, estruturando o pilar social com o colégio e o hospital. “a ideia era garantir a atração de mão de obra qualificada e suas famílias de forma digna”, lembra. o tempo passou e em 1992, a fundação criou um plano de saúde próprio para atender não somente os colaboradores da Usiminas, comotambémapopulaçãoemgerale hoje já são 142 mil vidas. “o que era autogestão virou operação de plano de saúde. Essa mudança ocorreu porque a fundação desenvolveu expertise na área de saúde em função do hospital. a Usiminas entendeu que seria mais adequado a Fundação gerir o plano de saúde, já que isso não era seu core business”, explica.

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Hospital sepaco • Nº de vidas atendidas - papeleiros: 70 mil, sendo 9 mil de aposentados • Nº Total de Leitos: 233 • Nº de Leitos – UTI: 73 (sendo 33 neo infantis) • Corpo Clínico Fixo: 400 médicos Indicadores das atividades (média mensal) • Taxa de infecção hospitalar: 2,5% • Taxa média de ocupação: 87% • Nº de cirurgias do Hospital Sepaco: 750 • Número de atendimentos no PA: 9.500 • Exames de imagens: 7.000 • Exames laboratoriais: 44.000 • Exames de hemodinâmica: 100 • Internações: 1.100 Autogestão • 11 unidades próprias • Prestadores credenciados diretos: aproximadamente 1.800; • Medicina preventiva e atendimento a pacientes crônicos • Projetos de bem-estar e conscientização • Planos: básico e executivo de alto padrão; • Resgate aero médico; • Plano odontológico • Home care • Gestão da saúde de beneficiários de mais de 230 empresas

Com recursos provenientes da operação do plano de saúde, da Usiminas e do SUS, a entidade mantém uma estrutura administrativa enxuta e se apoia em sistemas de gestão para garantir a eficiência dos recursos. “a gestão dos nossos negócios foi inspirada no modelo da indústria. Temos uma relação de custo-benefício melhor. a nossa precificação é cerca de 30% menor do que as outras operadoras da região. Trabalhamos no sentido de integrar as ações da operadora com a saúde ocupacional da empresa”, diz. De acordo com o executivo, a Usiminas atua de forma integrada com o plano de saúde. Exemplo disso é o programa “atitude rima com Saúde”, que conta com 12 projetos de promoção à saúde com foco em áreas mais estratégicas, como gestantes, asma infantil, doentes crônicos, hipertensão, tabagismo, etc. “Neste programa o médico da saúde ocupacional identifica o perfil e encaminha

para o programa do plano de saúde que melhor se aplica”, conta. Para Ramos, investir em rede própria é muito mais econômico. “o custo médio das internações feitas no hospital próprio é cerca de 30% inferior em relação ao custo médio de outros hospitais da região”, compara. Atendimento e resultAdo AmpliAdos o Sepaco surgiu com o objetivo de atender as necessidades de saúde dos colaboradores da indústria papeleira, bem como a de seus dependentes. Em 2000, a instituição decidiu abrir as portas também para operadoras de saúde e pacientes particulares como forma de aumentar os resultados. Dessa forma, o Sistema Sepaco de Saúde passou a atuar em duas frentes de negócios: Hospital: filantrópico, inaugurado em 1979. Voltado para atender alta complexidade, conta com mais de 220 leitos, sendo 73 de UTi (40 adulto e 33 neo infantis) e com uma área de hemodinâmica e um centro de oncologia próprio. autogestão: por meio de uma operadora destinada ao gerenciamento da saúde dos colaboradores e beneficiários das empresas do setor papeleiro, disponibiliza além do Hospital, as unidades ambulatoriais próprias em diferentes regiões, com atividades integradas. Conta ainda com uma ampla rede credenciada e várias ações voltadas para a medicina preventiva. De acordo com o superintendente de operadora de Saúde e marketing do Sepaco e diretor de comunicação da Unidas, marcos Neles anacleto, o atendimento aos beneficiários é feito por meio de recursos médico-hospitalares próprios (Hospital e Centros médicos Sepaco) e credenciados. “Constantemente realizamos estudos criteriosos com geoprocessamento de dados para adequação da rede existente e expansão de novas unidades”, explica. Para o executivo, a sustentabilidade da entidade deve-se à alta complexidade, a um plano diretor de crescimento e à qualidade nos serviços prestados. “a consequência disso, neste tipo de gestão, é a redução nos custos”, pontua. mas o executivo antecipa que as autogestões estão em constante movimentação para inovar na operação. “a estrutura do Sepaco está aberta parcialmente para ser compartilhada com outras autogestões, já que parte de seus negócios estão destinados para atendimento particular e de operadoras de saúde”, exemplifica.

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driblando

os medos Patricia Santana • editorialsaude@itmidia.com.br

ApesAr do AvAnço constAnte dA tecnologiA médicA, o medo AindA é o principAl vilão do setor de medicinA diAgnósticA. confirA As soluções que o mercAdo e A indústriA buscArAm pArA tornAr os exAmes menos invAsivos, incômodos e dolorosos Aos pAcientes

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ados da empresa paulista alta Excelência Diagnóstica apontam que cerca de 30% das pessoas apresentam ansiedade ou pânico durante exames de ressonância magnética e cerca de 5% sensação de claustrofobia para fazer este exame. o medo de fazer exames clínicos, diagnósticos e procedimentos médicos existe e pode desencadear uma série de alterações como ansiedade, aceleração da frequência cardíaca, sudorese, tensão muscular, entre outros distúrbios. Por isso, cada vez mais, o mercado de medicina diagnóstica se prepara para evitar o desconforto dos pacientes e tornar os procedimentos mais confortáveis, indolores e rápidos. De acordo com vice-presidente da GE Healthcare para a américa Latina, Daurio Speranzini Jr., cada vez mais, os laboratórios, as clínicas e os hospitais, buscam trazer conforto e proporcionar bem-estar para os seus pacientes. “Esse objetivo vem crescendo no Brasil e isso nos faz desenvolver e buscar tecnologias inovadoras para acompanhar esta demanda”, avalia. AlternAtivAs Colocar uma criança de três anos para fazer ressonância magnética poderia ser um sacrifício. além do medo, do choro e da dificuldade de tranquilizá-la, fazer um exame médico é assustador para eles, da mesma forma que é também para alguns adultos. Pensando nisto, a alta Excelência Diagnóstica possui um sistema de entretenimento na sala de ressonância magnética. Chamado de Cinema Vision, a plataforma permite que as pessoas assistam à programação que quiser durante o exame, reduzindo a necessidade de sedação em pacientes claustrofó-

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bicos, crianças, etc. o sistema é composto por um par de óculos que cobre toda a visão e o paciente tem a sensação real de estar em um cinema. De acordo com a coordenadora de análises Clínicas da empresa de diagnóstico, Regina Biasoli, o medo de fazer exames não influencia no resultado, mas dificulta o processo. “Um paciente mais receoso para realizar um exame pode, involuntariamente, se mexer mais e dificultar uma fotografia ou a visualização das imagens”, conta. Por isso, o centro de diagnóstico investe em alternativas para contornar o medo dos pacientes. além do sistema de entretenimento na ressonância, a alta conta com aparelho de ressonância magnética para obesos, que possui um diâmetro maior e tem capacidade para atender pessoas com até 240 kg. Existe ainda a opção de ver e falar com o técnico de imagem, caso o paciente sinta necessidade. a instituição conta com o accuVein, equipamento que facilita a visualização e localização das veias em procedimentos médicos. o dispositivo auxilia na coleta de sangue em idosos, crianças, pacientes em tratamento quimioterápico, obesos e até mesmo pacientes que têm muito medo e acabam se sentindo mais seguros. o equipamento é portátil, indicado também para a coleta domiciliar e funciona à base de bateria recarregável, em ambientes claros ou com pouca luz. “Ele melhorou o processo de coleta, pois facilita a visualização e localização de vasos sanguíneos. os profissionais, que antes contavam apenas com o tato agora estão amparados pelo equipamento, que facilita a visualização, por imagem, da malha venosa. Com ele, os aci-

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dentes de punção, principalmente em pacientes obesos, pediátricos, quimioterápicos e idosos, reduziram praticamente para zero”, comemora a coordenadora. HumAnizAção No caso do Femme, laboratório de Medicina Diagnóstica dedicado exclusivamente à saúde da mulher, além da ressonância magnética, as mulheres também temem bastante exames invasivos, como punções. Mais do que investimento em equipamentos modernos, o biomédico responsável pelo setor de Ressonância Magnética do Femme, Renato Penerari, acredita que o atendimento humanizado é fundamental para reduzir o desconforto dos pacientes. “Fazemos treinamento que incluem a acolhida carinhosa, além do exercício da empatia. Muitas vezes, uma abordagem da cliente feita de maneira mais calma e empática reduz seu desconforto”, pontua. Penerari cita alguns estudos realizados pelo Setor de Medicina Comportamental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) para exemplificar como os procedimentos podem interferir no bem-estar do paciente. “Entrevistando pacientes que haviam sido submetidos a exames de Tomografia ou de Ressonância, mostrou que 15% deles referiam ter tido o que chamaram de ‘intenso desconforto’, e afirmaram que não fariam o exame novamente. Destes, cerca de 1/3 precisou de ajuda, seja pelo mal estar emocional após o exame ou pela necessidade de repetir um exame semelhante ou pelo diagnóstico desse tipo de fobia. o tratamento geralmente envolve a terapia cognitivo-comportamental e, em casos mais acentuados, medicações psicotrópicas”, explica. Segundo o profissional, cerca de 10% dos pacientes que agendam exame do Femme não comparecem para realizá-lo. Em geral, os pacientes faltam ao procedimen-

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to quando se trata de um exame de rotina ou quando não sentem mais os sintomas. o coordenador do Programa de Medicina Comportamental do FEMME, Roberto Cardoso, conta que a instituição possui um programa de treinamento para encantamento do paciente chamado “Jeito Femme de atender”. “o percentual de pacientes que voltam ao laboratório é de quase 100%. o maior recurso para convencimento e realização de exames é fazer o paciente entender como colaborar no exame e a importância disto. Muitas vezes, isso exige um pouco de paciência da equipe de ressonância”, diz.

Foto: Divulgação

Laboratório Femme : treinamentos incluem a acolhida às clientes. Muitas vezes, abordagem mais calma e empática reduz desconforto das pacientes

Foto: Divulgação

Alta Excelência Diagnóstica possui sistema de entretenimento na sala de ressonância magnética

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ConForto a GE Healthcare já tem na pauta soluções consideradas menos invasivas e que trazem mais conforto aos pacientes. os exames de mamografia, por exemplo, são geralmente percebidos como incômodo e intimidador e acabam postergados. De acordo com Speranzini Jr., em torno de 25% das mulheres evitam o procedimento por preocupação e medo. Pensando nisso, a companhia desenvolveu uma solução projetada para estimular os sentidos, por meio de experiências olfativas, visuais e sonoras que proporcionam relaxamento durante o exame e reduzem o desconforto, a dor e a ansiedade. “Ele fornece uma combinação de ferramentas interativas que permite a paciente escolher sua experiência e personalizar o ambiente para a realização da mamografia, com temas como ‘litoral’, ‘jardim’ ou ‘cachoeira’, som ambiente, além de painéis de parede decorativos e fragrâncias que envolvem as pacientes”, conta. Na mesma linha, Philips e Siemens investem em produtos com redução das doses de radiação e equipamentos mais confortáveis. a multinacional holandesa também personaliza o ambiente hospitalar com paisagens como florestas e desertos. além disso, desenvolveu modelos de ressonância aberta, que substituem as tradicionais com tubos que, por vezes, geram desconforto aos pacientes. De acordo com o vice-presidente de Sistemas de imagem para américa Latina, Daniel Mazon, a companhia tem um mini tomógrafo, uma réplica que ajuda as crianças entenderem como funcionam os exames, ainda na sala de espera. “Elas brincam com o aparelho, escolhendo brinquedos que serão examinados. assistem um vídeo do que vai acontecer, com isso temos uma redução na sedação das crianças no momento do exame”, conta. a tomografia, da alemã Siemens, por exemplo, diminui o tempo de apneia necessária em exames de tórax e abdômen, um diferencial sentido principalmente por idosos e crianças. “Por ser um equipamento extremamente rápido, é possível fazer exames em crianças sem a necessidade de anestesia e usar menor quantidade de contraste iodado, quando necessário”, explicou o especialista de produto de Tomografia Computadorizada da Siemens Brasil, Cristiano Lentini.

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O DESAFIO DO

E -SAÚDE

Martha Funke • editorialsaude@itmidia.com.br

MAIS DO QUE ESTRUTURAR SINERGIAS DE ASSISTÊNCIA ENTRE OS SISTEMAS DE SAÚDE PÚBLICO E PRIVADO, O MERCADO COMEÇA A DISCUTIR E IMPLANTAR AÇÕES PARA QUE AS INFORMAÇÕES DOS PACIENTES PERCORRAM TAMBÉM OS DOIS MEIOS, ASSIM COMO OS TRÊS NÍVEIS DE GOVERNO. A TISS 3.0 PROMETE CONTRIBUIR PARA QUE A NECESSIDADE SE TORNE REALIDADE 38

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TECNOLOGIA JÁ EXISTE. MAS A INFRAESTRUTURA É INSUFICIENTE E É PRECISO A ESTRUTURAÇÃO DE POLÍTICAS PERENES DE ESTADO PARA SUPRIR AS DEMANDAS RELACIONADAS À MAIOR ADOÇÃO DE PROCESSOS ELETRÔNICOS NO SETOR DE SAÚDE E À INTEGRAÇÃO DAS INFORMAÇÕES DOS PACIENTES, BEM COMO A FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS ADERENTES À SUA UTILIZAÇÃO. As conclusões fizeram parte do debate sobre e-Saúde no Setor Público, promovido pela IT Mídia, que contou com a participação do diretor técnico do departamento de Saúde da secretaria estadual de saúde de São Paulo, André Luiz Almeida, a gerente de Padronização e Interoperabilidade (Gerpi) na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Marizélia Leão Moreira, e o presidente da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) e professor da Escola Paulista de Medicina, Rubens Belfort Júnior. Algumas iniciativas começam a cimentar a possibilidade do trânsito de informações do paciente entre público e privado e no trajeto das informações entre os três níveis de governo. Um dos passos foi o reconhecimento da queda de barreiras entre o público, o particular e o complementar, já que o paciente transitará por todas estas esferas de acordo com sua conveniência. Outro foi estabelecer a identificação unívoca do indivíduo no sistema de saúde suplementar. Segundo Marizélia, a ANS já conseguiu fazer essa identificação de 31 milhões de pessoas atendidas por planos de saúde, com o cartão único de saúde. “Estamos envolvendo as operadoras. Hoje quando a pessoa compra um plano, a operadora já pode entrar no sistema e atribuir um número. É o primeiro passo para começar a juntar informação desse indivíduo”, diz. Como autarquia do Ministério da Saúde, o objetivo da ANS é buscar o equilíbrio entre os três principais agentes desse mercado: operadoras de planos de saúde, as prestadoras de serviços de saúde e beneficiários – hoje são pouco mais de 60 milhões de contratos, 220 mil prestadores e 1,4 mil empresas (incluindo a área odontológica). Segundo Marizélia, a versão 3.0 do TISS (Troca de Informações na Saúde Suplementar, que define formatos padrão para toda rotina relacionada a faturamento e cobrança), publicada no fim do ano passado, também pode colaborar no avanço do e-Saúde por trazer características como a padronização da informação, com terminologias para materiais, medicamentos e procedimentos médicos; o incentivo à cultura da transação eletrônica, que hoje cobre desde solicitações de procedimento até solicitações de recurso de glosa; e a possibilidade de desenvolver projetos em conjunto com o Ministério da Saúde tendo em vista o estabelecimento de uma linguagem única. “A linguagem, a governança das informações e a infraestrutura de comunicação são alguns dos principais desafios para e-Saúde”, diz a gerente. “O sistema público tem uma terminologia específica voltada à coleta de dados para faturamento. Na saúde privada estamos um passo atrás e agora

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SÓ O PACIENTE ORGANIZADO, RECLAMANDO DA SUA FALTA DE DIREITO DE POSSUIR SEUS DADOS MÉDICOS É QUE VAI FAZER DIFERENÇA. ELE É O ATOR PRINCIPAL DESTE PROCESSO BELFORT JR, SPDM

estamos unificando a terminologia entre os 220 mil prestadores de serviços do sistema para falarmos pelo menos uma linguagem de faturamento homogênea nesse universo.” A terminologia única permitirá a passagem do dado de um prestador a outro, etapa básica para a interoperabilidade. INICIATIVAS Em São Paulo, segundo Almeida, a secretaria de Saúde desenvolve o projeto Saúde para São Paulo, o S4SP, uma estratégia criada para combater a desarticulação atual das informações. O órgão atua com uma rede composta por cerca de 250 serviços assistenciais prestando assistência direta ao cidadão, com 50 serviços próprios sob gestão do estado e os demais contratados no modelo de Organização Social. O estado atende desde o serviço primário até o terciário e conta ainda com serviços de apoio, para diagnóstico de imagens e análises clínicas. Mas a informação eletrônica do paciente é estanque. “Não raro ela não percorre sequer dentro do serviço de saúde que está sendo prestado. São poucos os casos com processos automáticos”, diz o gestor. O S4SP está interagindo com o Ministério da Saúde, embora, segundo Almeida, haja um ponto de ruptura, já que o órgão federal está em meio a um processo de definições e estudos e a secretaria já está executando etapas como a unificação de todos os sistemas de gestão dos 48 hospitais próprios para compartilhar a informação do paciente. Isso é feito pela Prodesp, com o desenvolvimento de solução própria baseada em ferramentas do Incor e do Hospital das Clínicas de São Paulo. Os demais hospitais sob gestão de OS terão seus sistemas integrados. “Uma vantagem é que o conjunto de fornecedores do mercado brasileiro é um universo limitado. Estamos tentando seguir a linha de padrões para que todo mundo consiga se falar.” Além disso, a integração será promovida por meio de passos graduais. “Vamos começar pelo mínimo. Estamos interagindo com o Ministério da Saúde.” O compartilhamento do sumário de alta será o primeiro passo do projeto, que inclui também um canal de acesso do cidadão para sua informação de saúde, com todas suas passagens pelo serviço público registradas em um portal. “O cidadão precisa entender que a posse dessa informação é dele, só nos compete a guarda”, destaca Almeida. Na saúde suplementar, explica Marizélia, a última versão do padrão de troca de informações já prevê obrigatoriedade dos dados para o beneficiário, mesmo sem definir o acesso online a eles. “Isso já é um sinal de mudanças”, observa. Outro é a questão da execução de contrato. A informação da execução, ou da recusa, já é um direito – o motivo de negativa de cobertura deve ser repassado para o beneficiário com base em um padrão. “Toda informação de atenção à saúde que já foi padronizada está disponível para o beneficiário de plano de saúde”, aponta a gerente. Além disso, segundo ela, já foi identificado que as pessoas preferem ter os dados naquele serviço que disponibiliza um acesso via internet. “Está faltando um passo, e aí que entra a figura do profissional. É ele acessar o resultado do laboratório, mesmo que disponha da senha da pessoa. Há muito o que se fazer na questão da governança da informação, quem acessa, quando acessa e por que acessa. Mas a tecnologia já está aí, é uma questão de tempo.”

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O BRASIL TEM UMA CARACTERÍSTICA PARTICULAR COM O SUS, COM OS GESTORES FEDERAL, ESTADUAIS E MUNICIPAIS ATUANDO NO MESMO SISTEMA. SE A GENTE NÃO TRABALHAR UM MODELO DE GOVERNANÇA QUE ADEQUE A CADA UM, VÃO TER VÁRIAS INICIATIVAS PARA ATINGIR O MESMO ALVO MARIZÉLIA, ANS

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E O USUÁRIO? “Só o paciente organizado, reclamando da sua falta de direito de possuir seus dados médicos é que vai fazer diferença. Ele é o ator principal deste processo”, diz Belfort Júnior. Ele destaca também a questão dos recursos humanos, foco da Escola Paulista de Medicina. A EPM, hoje federalizada, foi criada há 80 anos pela SPDM, hoje organização filantrópica proprietária do Hospital São Paulo, de ensino federal. A associação conta com 18 hospitais e 39 unidades e presta serviços de saúde, ensino e a partir deste ano, pesquisa, além de atuar como OS em alguns estados. “Estamos interessados em como será o médico daqui a dez anos”, adianta. Ele lembra que o passo seguinte a exemplos promissores de sucesso, como os apresentados por Almeida e Marizélia, é contar com recursos humanos informados, formados e sensibilizados para operacionalizar o sistema. “Isso envolve você ter não apenas formação adequada do médico, mas ele entender que aquilo apesar de às vezes não ser tão amigável quanto a gente gostaria é necessário. Não substitui, mas complementa a anamnese, tanto que vai ser num tempo adicional de consulta médica”, defende. ” Em saúde a gente sempre volta para o mais importante, que é o recurso humano, o indivíduo que tem de estar preparado para usar a informação existente em benefício do paciente.” O gerente médico da Unidade Ibirapuera do Einstein, Silvio Possa, reitera a necessidade de treinamento – segundo ele, experiência realizada no Hospital M´Boi Mirim, onde foi gestor até o ano passado, com implantação de sistema de troca de informação, com envio de resumo de alta por e-mail, mostrou ser ineficaz. “Ninguém olhava”, constata. “Treinar o médico e vencer barreiras é fundamental.” A familiaridade com o uso da tecnologia já é uma realidade para o cidadão 3.0, aquele nativo digital que já espera contar com serviços eletrônicos. Ele ainda está sadio, mas daqui a pouco frequentará o serviço de saúde e exigirá solução para o quadro de informações desintegradas – além daqueles construídos para suportar o faturamento, elas transitam por sistemas estanques voltados a de situações específicas, como acompanhamento de câncer ou hipertensão ou busca de leitos, dificultando a visão do paciente por completo e a vida dos

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O CIDADÃO PRECISA ENTENDER QUE A POSSE DESSA INFORMAÇÃO É DELE, SÓ NOS COMPETE A GUARDA ALMEIDA, SECRETARIA DO ESTADO DE SAÚDE SÃO PAULO

profissionais. “Hoje os sistemas são registradores, não oferecem recursos que permitam maior produtividade do médico”, acrescentou o diretor – presidente da Folks e-Saúde, Claudio Giulliano Alves da Costa. Ele lembra que o Brasil passou muito tempo investindo em sistemas segmentados, como Sistemas de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc), Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan), Sistema de Informação de Atenção Básica (Siab), Sistema de Informação Ambulatorial (Sai), Sistema de Informações sobre Mortalidade (Sim). “A tecnologia de comunicação vai fazer a diferença para mudar essa situação”, diz a gerente da ANS. Ela lembra que o processo de evolução passou da fase de coleta de informações de faturamento em papel para o meio eletrônico, daí para sua ampliação para traçar perfil epidemiológico. Hoje já se identifica que podemos agregar informação para ganhar redução de custo, evitando, por exemplo, repetições de exames. “Mas não podemos cair, do lado oposto, no risco de coletar um grande número de informação porque também não vai dar conta de gerenciar tudo e a informação, quando necessária, não vai estar disponível”, alerta. “É preciso atentar para a efetividade da informação”, acrescentou a diretora de enfermagem do Hospital Celso Pierro ( PUC –Campinas), Ana Luiza Meres, lembrando que a construção de uma ferramenta deve pensar na pessoa na ponta. “A resolutividade depende de coisas pequenas, padronizadas, que possam contribuir com o paciente.” Marizélia, da ANS, avalia ainda ser necessário um modelo de governança para e-saúde que envolva órgãos de vários setores, incluindo ministérios como Planejamento, Tecnologia, Educação. “O Brasil tem uma característica particular com o SUS, com os gestores federal, estaduais e municipais atuando no mesmo sistema. Se a gente não trabalhar um modelo de governança que adeque a cada um, vão ter várias iniciativas para atingir o mesmo alvo.” Para Rubens Belfort Júnior, é essencial o papel indutor do estado. “Não tem sentido nós gastarmos em algum sistema nosso e depois ficar só para nós”, alega. “É importante o papel indutor do estado, sempre também com a parte financeira. Passa também por investimentos financeiros, que organizações por maiores que sejam não têm, são investimentos maciços em tecnologia.” Segundo ele, falta pressão política. “Se a sociedade entender que precisa melhorar a saúde e se mobilizar a saúde vai melhorar. Atores individuais não vão.” O diretor da Amil, Paulo Marcos lembrou que mesmo países pobres tiram proveito da tecnologia, inclusive móvel, para melhorar a saúde com menos custos. “Tem investimentos para isso no mundo inteiro”, diz.

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Fh | saúde business school o PRoJeto enVolVe oS SeGuinteS teMaS: módulo 1 - fabian salum A parceria para o crescimento sustentado e explicação sustentável. módulo 2 - mauricio valadares A importância de uma análise de risco nas estratégias de crescimento das organizações.

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módulo 3 - marcos Carvalho A gestão estratégica apoiada em processos eficientes.

módulo 8 - hugo tadeu A gestão de operações com foco na inovação de processos e serviços.

módulo 4 - felix Jr Objetivos estratégicas alicerçadas pelo entendimento de gestão de finanças e criação de valor para as organizações.

módulo 9 - marcelo dias Como evitar erros em decisões que só um CEO pode tomar?

módulo 5 - acrísio tavares A governança em TI, seu diferencial e apoio para o crescimento. módulo 6 - paulo villamarim Identificar talentos e Lideranças é a estratégia para crescer.

módulo 10 – newton garzon A gestão por resultados o equilíbrio entre curto e longo prazos. módulo 11 - véras Leitura de mercado e ações que evidenciem a proposta de valor das organizações. módulo 12 - pedro lins Competitividade sustentável – o conceito Blue nas organizações. errata: o módulo 1 da Business school, de autoria do professor fabian salum, teve como fonte o professor luiz lobão

a GoVeRnanÇa eM ti, Seu diFeRencial e aPoio ao cReSciMento PROF. ACRISIO TAVARES

GoVeRnanÇa eM ti Governança é a maneira dos stakeholders (partes interessadas) assegurarem que suas necessidades, condições e opções sejam avaliadas e consideradas como objetivos empresariais a serem atingidos. Ela estabelece a direção a ser seguida através da priorização e do processo decisório e, também, monitora o desempenho e a conformidade com a direção e os objetivos traçados. O principal objetivo da governança é CRIAR VALOR através de: Captura dos benefícios; Mitigação dos riscos; Otimização dos recursos. Assim, governança corporativa é o conjunto de processos, costumes, políticas, leis, regulamentos e instituições que regulam a maneira como uma empresa é dirigida, administrada ou controlada, visando a atingir as necessidades dos stakeholders através de seus objetivos empresariais. A governança de TI é uma extensão da governança corporativa, faz parte dela e visa o alinhamento da TI com o negócio, garantindo sincronismo das ações

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através do compartilhamento das decisões com os demais executivos da empresa. A integração entre ambas é a maneira mais eficaz de se obter os resultados dos pesados investimentos em tecnologia da informação realizados, atualmente, pelas organizações. E através desta integração há mais chances de se assegurar a continuidade e o crescimento empresarial. Pesquisas conduzidas por Peter Weill e Jeanne W. Ross revelam que empresas com governança de TI superior têm resultados melhores do que empresas onde ela é incipiente ou possui menor grau de maturidade. Da mesma maneira, empresas de melhor desempenho têm retorno de investimentos em TI até 40% maiores que suas concorrentes. É preciso que se entenda que governança de TI

é, também, responsabilidade do conselho e da alta administração. É parte integral da governança e consiste de estruturas e processos organizacionais e de liderança que assegurem que a TI sustente e expanda os objetivos e estratégias da corporação. O grande desafio é fazer com que as iniciativas de TI estejam totalmente sincronizadas com as principais iniciativas de negócio estabelecidas quando definida a estratégia e que elas sejam reconhecidas, efetivamente e formalmente, pelos principais dirigentes e gerentes das unidades de negócios. Esta integração é fundamental e já é um indicador de maturidade empresarial. A tabela 1 ilustra os benefícios de uma governança de TI bem estruturada e com seu consequente alinhamento estratégico:

Benefícios da governança de ti e do alinhamento estratégico GoVeRnanÇa de ti

alinhaMento eStRatÉGico

Confiança da alta administração

agregação de valor aos produtos e serviços da empresa

Captura dos benefícios – maior retorno (roi) sobre o investimento de ti

auxílio no posicionamento competitivo da empresa – apoio ao crescimento

ti comprometida com o negócio

uso otimizado dos recursos

mitigação dos riscos dos processos de negócio suportados pela ti

eficiência administrativa com impacto favorável nos custos

maior transparência

Conformidade com as regulações

serviços mais confiáveis

agilidade coerente com a necessidade do negócio taBela 1

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cRn Fh | saúde | crn business businessschool school A estrutura de governança de TI depende de certos fatores que devem ser bem administrados para que alcancem os resultados esperados pelo negócio. De acordo com o Cobit 5 (Control Objectives for Information and Related Technologies) - um dos principais modelos de referência de boas práticas de governança de TI – esses fatores são seis, conforme a figura 1:

Fatores críticos para a Governança de ti 2. processos

3. estrutura organizacional

4. Cultura, ética e Comportamento

1. princípios, políticas e Frameworks

comitês mais comumente encontrados nas empresas maduras

Recursos de ti

5. informação

6. serviços, aplicações e infraestrutura

ComitÊ

papel e responsaBilidade

estratégico

governa a estratégia de ti, mantendo o alinhamento entre as prioridades do negócio e da ti, definindo onde o orçamento e os investimentos devem ser aplicados. aprova o portfólio de projetos e faz a gestão dos stakeholders

executivo

acompanha a execução dos projetos observando a realização dos orçamentos. discute priorizações pontuais, analisa e revisa business cases, aprova políticas e diretrizes de ti e avalia riscos e segurança da informação

Comitês de gestão de projetos

acompanha os principais projetos, seus riscos de consecução e orçamentos

7. pessoas, skills e competências

FiGuRa 1

Uma boa estruturação da Governança de TI assegura boas práticas de: Desenvolvimento da estratégia de TI alinhada ao negócio; Gestão de Investimentos e desempenho de TI; Gestão dos recursos de TI: • Gestão do Portfólio de TI • Gestão da operação e dos ativos • Gestão das pessoas Gestão da Informação; Relacionamento com usuários e/ou clientes; Relacionamento com fornecedores. Vale destacar a importância da criação de comitês e fóruns para discutir, apoiar, acompanhar e referendar as principais iniciativas de TI nos níveis estratégico, tático e operacional. Os comitês são mais estratégicos com participação de diretores e executivos, predominantemente da área de negócios, enquanto os fóruns são grupos de discussão de assuntos mais táticos e operacionais com participação de representantes das áreas de negócio e membros da TI. Os dirigentes e executivos da organização precisam se envolver e participar dos processos entendendo os recursos de TI como uma extensão dos seus próprios recursos. Este compartilhamento de informações e decisões sobre as iniciativas da área reduzem as divergências internas e criam um espírito colaborativo para atingimento das metas.

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Fóruns mais usualmente encontrados fÓrum

papel e responsaBilidade

fórum de arquitetura

estabelece as arquiteturas de aplicação, infraestrutura e informações. trata da sua evolução e identifica oportunidades de inovação

fórum de festão de demanda

prioriza melhorias nas aplicações. define candidatos a projetos de melhoria. acompanha a performance de atendimento

fórum de segurança da informação

garante alinhamento com diretrizes regulatórias e conformidade com pontos de auditoria. realiza gestão de incidentes de segurança e do ambiente de segurança da informação da ti

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a GoVeRnanÇa de ti eM aPoio ao cReSciMento Qualquer empresa que quiser garantir sua perpetuidade tem que estar constantemente avaliando e repensando seu modelo de atuação devido às constantes mudanças que ocorrem em um mercado altamente globalizado e competitivo. A maneira clássica de as empresas repensarem seu futuro é através do desenvolvimento de seu planejamento estratégico, os quais se baseiam em modelos enriquecedores e bem testados no mundo empresarial. Estes modelos, já conhecidos e bastante usados pelas empresas, têm se mostrado bastante eficazes na obtenção de resultados comerciais e financeiros satisfatórios de crescimento. A maneira mais eficaz de buscar o crescimento mais do que satisfatório é desenvolvendo um PEC (Plano Estratégico de Crescimento) atrelado ao planejamento estratégico normalmente já praticado pelas empresas. Contudo, no PEC, é preciso enfatizar durante a fase da definição dos objetivos, quando as apostas estratégicas são estabelecidas, as iniciativas que a empresa deverá desenvolver para formular ações claras de crescimento, estimulando os estrategistas e dirigentes da organização a pensarem de maneira focada nesta necessidade vital. O Prof. Luiz Augusto Lobão mendes, da Fundação Dom Cabral (FDC), em seu livro “Estratégia Empresarial – Promovendo o crescimento sustentado e sustentável”, defende a necessidade de desenvolver um PEC e comenta claramente que poucas empresas ainda tratam a questão do crescimento como uma necessidade vital e, quando muito, fazem referência a aumentos de receitas sem correlações com as estratégias necessárias.

Todos sabemos do potencial do setor de tecnologia da informação quanto à inovação, criatividade e de sua capacidade de funcionar como agente de mudanças nas organizações. muitas vezes uma estratégia de crescimento poderá demandar uma grande ou até completa mudança no modelo de negócio da empresa e a área de TI, detentora de conhecimento sobre a evolução tecnológica em andamento e suas aplicações, poderá contribuir de maneira significativa no estabelecimento das novas maneiras de se fazer as coisas. Há que se abrir espaço para a efetiva participação dos especialistas de TI na formulação, desenho e implementação das iniciativas do PEC, sem o qual a empresa poderá perder grandes oportunidades. Na maioria das vezes, este cenário não é muito claro para os principais dirigentes das empresas, principalmente quando enxergam a TI apenas como um órgão prestador de serviços de tecnologia, quando na realidade dispõe de consultores de negócio com base tecnológica. TI é negócio e tem que estar envolvida no cerne da estratégia. Para alguns tipos de empresas, esta integração é muita clara como, por exemplo, companhias prestadoras de serviços, mas um pouco mais difícil de ser percebido nos setores industriais básicos. O fato é que o mundo mudou bastante com a digitalização da sociedade, o advento da internet e a massificação dos dispositivos móveis ampliando as alternativas de se fazer negócios e se chegar ao cliente. A participação dos consultores de TI durante o desenvolvimento do PEC permitirá à TI contribuir com iniciativas criativas e sintonizadas que suportem estes movimentos de crescimento como parte integrante das estratégias de negócios priorizadas. Como consequência, existirão projetos de negócio com a participação da TI e, não, projetos de negócio e projetos de TI. Considerando o alinhamento efetivo da estratégia de TI ao negócio, poderíamos representar o desdobramento do PEC conforme a figura 2

desdobramento da Pec em ti direCionamentos dos staKeholders

movimentos de CresCimento

neCessidades dos staKeholders (Captura de BenefÍCios – mitigação de risCos – otimiZação de reCursos) Cresimento peC

produtividade pep

oBJetivos estratÉgiCos da empresa

oBJetivos de ti relaCionados FiGuRa 2

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Fh | saúde business school a iMPoRtÂncia da ti PaRa a inoVaÇÃo do neGÓcio Um dos pré-requisitos atuais para o crescimento é a inovação aplicada aos negócios. A inovação não está somente atrelada a produtos, mas deve permear toda a organização, inspirando os talentos a promoverem mudanças na gestão, nos serviços, nos processos, enfim em qualquer atividade empresarial. Destaquemos o objetivo da TI relacionado com o objetivo empresarial de número 17 –Desenvolver conhecimento, expertise e iniciativas visando a inovação do negócio - mostrado na tabela 4. É visível a revolução que vem sendo causada pela digitalização da sociedade e a explosão de uso da internet e dos dispositivos móveis. E esta revolução está se espalhando em todos os ramos de negócio, mesmo os mais tradicionais, mudando radicalmente, às vezes, a maneira de se fazer as coisas e se atingir o cliente. A sensação que se tem é que o mundo está sendo reinventado ao passarmos do modelo analógico para o digital. É impressionante o número de novas empresas que desbancam companhias consagradas mudando a maneira de atingir o mercado e de fazer negócios. A internet influencia na desintermediação. A agilidade das coisas é outra e os dispositivos móveis e os recursos de geoprocessamento permitem encontrar o cliente em qualquer lugar, com mensagem específica e grande possibilidade de vendas. Talvez, a revolução esteja apenas começando.

No momento de se repensar a corporação e os negócios, os profissionais de TI podem agregar muito, com novas ideias, novos produtos, novas maneiras de se chegar ao mercado, enfim, novas maneiras de se fazer as coisas. Para isso, é importante também, que a própria governança de TI inspire a criação de um ambiente saudável e inovador porque, talvez mais importante do que a própria tecnologia, seja criar uma cultura voltada para a inovação e, para isso, a governança corporativa e a de TI devem estar totalmente integradas. O Brasil, apesar da tão propalada criatividade do nosso povo, não é um país que se destaca em inovação. Segundo recente pesquisa publicada pela FDC, a média dos investimentos das empresas brasileiras em atividades de inovação é de apenas 2% do faturamento anual. Poucas companhias fazem parcerias com universidades e organismos de pesquisa e desenvolvimento, como também, poucas exploram incentivos financeiros disponibilizados pelos órgãos governamentais visando inovação. muito desta situação se deve a fatores culturais: inexistência de um ambiente de liberdade nas empresas que cultue a inovação, o experimento, o aceite do erro e estimule a criatividade. O próprio planejamento estratégico deve enfatizar a questão da inovação.

O Cobit 5, observando as práticas de empresas em diversos segmentos, estabeleceu uma correlação entre as principais necessidades dos stakeholders com um conjunto genérico de objetivos empresariais e relacionados de TI. Estes conjuntos foram imaginados como sendo a classe de objetivos onde se adequam os objetivos reais a serem definidos durante o planejamento estratégico.

objetivos de ti genéricos relacionados às necessidade dos stakeholders: dimensão do BsC da ti

oBJetivo da ti relaCionado ao oBJetivo empresarial alinhar a ti à estratégia do negócio Buscar a conformidade da ti e suportar a área de negócio para se obter conformidade com leis e regulações externas

finanças

envolver a direção executiva para concretizar as decisões de ti suportar os riscos de negócio relacionados à ti Capturar os benefícios provenientes dos investimentos e do portfólio de serviços de ti ter transparência nos custos, benefícios e riscos de ti

Cliente

entregar serviços de ti alinhados aos requerimentos do negócio usar apropriadamente as aplicações, informações e soluções tecnológicas agilizar a ti Zelar pela segurança da informação e da infraestrutura de processamento e das aplicações

proCessos internos

otimizar os ativos, recursos e competências de ti habilitar e suportar processos de negócio através da integração de aplicações e tecnologia entregar programas que gerem benefícios, dentro do prazo, do orçamento e de acordo com os requerimentos e padrões de qualidade disponibilizar informação confiável e útil para tomada de decisões ter conformidade de ti com as políticas internas

aprendiZado e CresCimento

ter equipes de ti e das áreas de negócio competentes e motivadas desenvolver conhecimento, expertise e iniciativas para inovação do negócio

Ao analisar este conjunto genérico de objetivos da TI podemos ter uma ideia de quais os papéis e atividades que devem ser exercidas em busca de um resultado concreto para o negócio.

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concluSÃo As empresas ao desenvolverem seu planejamento estratégico e, especialmente, quando pensarem em crescimento, não podem prescindir da participação dos consultores de TI. mais do que isso, as organizações devem enxergar a integração da governança de TI com a governança corporativa como uma fonte de realização de benefícios, redução de riscos e otimização de recursos. Devem criar um ambiente cultural propício para a inovação e agregar os especialistas de TI, conhecedores da tecnologia que está alavancando as transformações do negócio no mundo, para colaborar no ato de repensar a empresa durante o planejamento estratégico. O alinhamento da TI com o negócio é um objetivo muito importante, mas a governança de TI precisa trabalhar, de uma maneira abrangente e equilibrada, os seus fatores críticos para transformar este alinhamento no resultado que a empresa espera.

Foto: Divulgação

entrevista com o autor

Profissional com experiência de mais de dez anos em planejamento e controle da produção e de mais de 20 anos no setor de Tecnologia da Informação, Acrisio Tavares é engenheiro metalurgista pela Universidade Federal Fluminense, possuindo mBA em gestão do comércio exterior e negócios internacionais pela FGV; mBA em gestão estratégica da TI, também pela FGV, além de certificações Cobit e Itil. Foi CIO do Grupo Usiminas durante 15 anos. Com vários prêmios recebidos ao longo da carreira, é professor da Fundação Dom Cabral, dentro do programa PCSS.

1. Pela sua experiência, empresas de saúde costumam ter governança de TI adequada? Os processos se diferenciam neste ramo de atividade? Se sim, como? Este é um setor cuja gestão, de uma maneira geral, vem sofrendo grandes impactos e passa por um processo de modernização contundente.As despesas em TI começam a serem observadas como investimentos e não somente como custos. Diria que há ainda um grande espaço a percorrer. Os processos de TI são basicamente padrões mas, podem, e devem, ser ajustados para cada setor, de acordo com a sua realidade. 2. Quais os principais erros na criação e condução dos comitês de acompanhamento? Na criação é a falta de formalização dos comitês suportada pela diretoria da empresa, a representatividade na área de negócio dos seus componentes e a clareza dos seus papéis.Na condução, observo uma falta de assiduidade dos titulares do comitê, o pouco preparo anterior para as discussões e uma falta de transparência e deficiência nos «businesses cases» e projetos que suportam as discussões sobre priorizações e acompanhamentos. Observa-se, também, uma certa lentidão na execução das decisões tomadas. 3. Quais são essas oportunidades perdidas quando as empresas não utilizam profissionais de tecnologia para estabelecer sua governança de TI? Os bons profissionais de TI trabalham como se fossem verdadeiros consultores de negócio com base tecno-

lógica.Inteirados dos processos de negócio agregam o conhecimento tecnológico para redesenhar os processos ou até redefini-los completamente. Pense na utilização da internet e na mobilidade e você terá um campo enorme a ser explorado. Observe como fazíamos as coisas há pouco tempo e como realizamos hoje. É impressionante a mudança com a facilidade e praticidade das aplicações. Juntar homens de negócio e consultores de TI para discutir a maneira de fazer os processos pode dar excelentes resultados. Pense na Cadeia de Valor de uma corporação, para citar apenas um exemplo. Pela internet, utilizando a computação em nuvem, todos usufruem dos mesmos recursos e poderiam estar muito mais integrados do que estão hoje, gerando ganhos de produtividade, E a maneira de atingir seu cliente? São inúmeras as oportunidades. A revolução está apenas começando 4. Como governança de TI e inovação podem caminhar juntas sem que o dia a dia acabe atropelando novos projetos? A questão fundamental neste caso é criar uma cultura voltada para a inovação. Existindo este espírito de criatividade, abertura para colaboração interna e externa, incentivo ao risco e compreensão dos erros, as empresas estarão criando o alicerce adequado para estimular a inovação. Um outro passo, é focar naquilo que interessa, prestigiando os projetos de inovação atrelados ao planejamento estratégico. Há que se criar o ambiente e cultura propícia mas deve-se direcionar e estimular para se aplicar a inovação naquilo que realmente interessa ao negócio.

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O dilema

EmprEsas invEstEm Em programas dE saúdE para os funcionários, porém a participação dos considErados sEdEntários ainda é baixa

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da adesão Paulo Silva Junior | editorialsaude@itmidia.com.br

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ensando em promover uma rotina de atividade física aos funcionários, uma grande companhia resolve instalar uma academia dentro da própria empresa. o espaço é moderno, com equipamentos de última geração e acompanhamento de profissionais de primeira linha. Dentro de três meses, os gestores do projeto observam que os frequentadores são aqueles que já dedicavam parte do dia a tal rotina. Gente que, ao invés de deixar o escritório, pegar o carro e correr para a aula de ginástica, trocou isso por alguns lances de escada para chegar ao andar de baixo. Novos adeptos? Não. a academia permanecia vazia durante todo o horário comercial e sofria com a concorrência por aparelhos depois do expediente. Quem não tinha afinidade com os exercícios e passava longe de uma esteira, continuou distante. o sedentarismo da população da multinacional não diminuiu. o plano foi considerado ineficiente. Com esses e outros exemplos, de programas contínuos de redução do tabagismo a ciclos de vacinação, agentes que trabalham na gestão da saúde populacional (GSP) estão vendo a necessidade de uma troca de experiências para a criação de métodos mais eficientes e planos mais eficazes do ponto de vista do custo-benefício para a empresa. “o último lugar para tratar um crônico é no pronto-socorro, porque tudo que você fez, fez errado. o que fazer com quem tem obesidade, com um tabagista, um sedentário é gestão de saúde. Não é assistência médica”, afirma o presidente da aliança para a Saúde Populacional (asap) , Fábio abreu. “Essa nossa percepção de que ou a pessoa tem saúde ou está doente é uma grande mentira. Saúde se perde todo dia, e é com isso que a gente trabalha para conscientizar as pessoas”, complementa. abreu ainda classifica como “heróis” aqueles que trabalham no gerenciamento e na coordenação dos programas dentro de uma empresa. “isso pode melhorar, ser feito medindo resultados, com uma visão integrada”. Por fim, ele reconhece o esforço das companhias que se dedicam à gestão da rotina dos colaboradores, mas mantém clara a necessidade de um aprofundamento

nos métodos usados para trazer os funcionários para os projetos e na maneira de lidar com cada um dos perfis. “Temos de entender que a população é formada por pessoas diferentes. Você só vai conseguir fazer a gestão de sua população quando entender esses grupos. a nossa proposta é olhar também as mudanças de comportamento, os hábitos”. Dentro Das empresas maria Cristina Nader é gerente de medicina da Siemens desde 2005. a empresa tem 10 mil funcionários e mais 3,5 mil terceirizados. É formada por uma população jovem, entre 30 e 40 anos, e apesar da grande quantidade de engenheiros, tem ainda uma classe de trabalhadores braçais na linha de produção de equipamentos. Perguntada sobre qual seria um case de sucesso dentro dos programas e projetos implementados pela empresa nos últimos anos, a médica destaca o “Boa Visão”, que levou um oftalmologista para dentro da Siemens. Se os pacientes não vão até o consultório, ele vai até eles, conta. “Tivemos cerca de 1400 consultas realizadas e verificamos que 92% das pessoas precisavam mesmo da consulta porque tinham algum ajuste de lente, ou deveriam começar a usar lente, ou até tinham a pressão do olho alterada. São esses programas paralelos que são importantes”, explicou. maria Cristina prefere não entrar em valores absolutos, mas fala em proporções: o convênio de assistência médica custa 9% da folha de pagamento, enquanto o orçamento que ela tem para promover planos – entre eles o Boa Visão - é de 10% do que a empresa gasta com o seguro de saúde. “Nesse exemplo do oftalmologista: se você for ver, os 1400 acabariam indo ao médico mais cedo ou mais tarde, então o custo da consulta é o mesmo. mas aí você precisa calcular a produtividade. Do salário médio por dia, sabe que se perde uns 10% de produtividade quando se trabalha com um óculos fora do grau correto e vê quanto a empresa está perdendo”, acrescenta. Dentro da Siemens, os projetos são feitos, nas palavras da gerente, por demanda. Precisam ser concentrados no que exatamente acontece com o corpo de funcioná-

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rios. alguns são terceirizados, e o relato da especialista diz que a principal questão colocada pela diretoria da empresa é o absenteísmo. “Eles querem saber o porquê de tantas faltas por determinado motivo. E às vezes isso mostra que não é colocando uma especialidade médica dentro da empresa que vai reduzir o problema”. alguns dos programas envolvem dependentes, já que os filhos, por exemplo, também são considerados fatores que podem reduzir o desempenho profissional. a Siemens tem, inclusive, uma ginecologista que já fez 40 partos de colaboradoras – um caso de sucesso na visão da empresa, que conseguiu enquadrar um profissional de confiança dentro de uma relação delicada na gravidez em meio ao ambiente corporativo. ConsCientização Na convivência com o corpo de funcionários, maria Cristina não acredita na eficiência ao oferecer benefícios para quem participa de determinados projetos. É contra. Diz que o benefício tem de estar ligado ao bem estar pessoal, e não condicionar o paciente a ter um bônus por buscar uma vida mais saudável. E apesar do otimismo mostrado pelo sucesso de diversas ações – ela lembra, por exemplo, que quando começou na Siemens os diretores fumavam em plena sala de reuniões, e hoje o tabagismo atinge apenas 7% da companhia, que oferece um apoio psicoterapêutico aos fumantes – há também um constante processo de conscientização que ainda esbarra em algumas dificuldades de mobilização das pessoas. Abreu, da Asap: aqueles que trabalham no gerenciamento e na coordenação dos programas de saúde dentro de uma empresa são “heróis”

Foto: Divulgação

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Sede da Siemens em Pirituba (SP): alguns dos programas da companhia envolvem dependentes, pois os filhos são considerados fatores que podem reduzir o desempenho profissional

“a gente vai e faz um grupo de corrida e caminhada, paga camiseta, incentiva, faz consultoria, cria um grupo na Universidade de São Paulo (USP) outro no Parque do ibirapuera, outro no Parque Villa-Lobos. mas acaba indo só gente que já faz isso e que se saíssem da empresa estariam correndo, pedalando. É um desafio trazer os sedentários”. De acordo com a executiva, no programa contra o tabagismo, chamado inspiration, há um prontuário específico, com atendimento médico. “mas aí o funcionário diz que hoje não pode ser atendido, no outro (dia) diz que tem uma reunião. Por que permite uma reunião no horário da consulta? São formas de fuga de tratamento que precisam ser trabalhadas, pensadas”, analisa a médica. ainda assim, maria Cristina defende as ações dentro da própria companhia pelo fato de facilitarem a adesão. Destaca, como favoritos, os programas de vacinação, “forma mais barata de se prevenir doenças”. E vislumbra uma mudança de comportamento de quem negligencia a saúde. “imagina que um carro chegue a 100 mil km rodados sem nenhuma manutenção. Ninguém pensa nisso, mas acha normal a ideia de ir até os 70 anos sem complicações”. Talvez não por muito mais tempo. O evento foi promovido pela Aliança para a Saúde Populacional (Asap), no dia 25 de abril, em São Paulo (SP)

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FH | especial

o dESPERTaR

dE Um

novo negóci negócio Thaia Duó | thaia.duo@itmidia.com.br

EmprEEndEdorEs da capital paulista apostam Em clínicas EspEcializadas para um pErfil cada vEz mais crEscEntE da população brasilEira: os crônicos. a boa notícia é a possibilidadE dE atEndEr os doEntEs com cuidado sEmi-intEnsivo a custos muito mEnorEs, mas para difundir a novidadE é prEciso atrair a família E os planos dE saúdE 60

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E

ra uma vez quatro gerentes de unidades do Hospital Samaritano de São Paulo que, com o desenvolvimento de seus trabalhos, observaram as dificuldades de hospitalização. a falta de locais adequados para pacientes crônicos em boa parte das instituições levou o quarteto de enfermeiros a pôr em prática um plano de negócios para atender este nicho de forma especializada. Foi assim que o conhecimento no ramo hospitalar de 30 anos de experiência culminou, em 2009, no surgimento da Clínica acallanto. “Boa parte dos hospitais não tem locais adequados para este tipo de pacientes e os poucos leitos que têm, na maioria das vezes, estão lotados. Sendo assim, fundamos a clínica e trouxemos o mote ‘importância à vida’ para os corredores da instituição e para filosofia da empresa”, conta a diretora corporativa da acallanto, Elisangela Ribeiro. além do entendimento aos crônicos, a empresa surgiu com a missão de consolidar a importância da humanização nas relações interpessoais, não só na área da saúde, mas em todos os campos da vida, segundo a executiva. Já com duas unidades, uma com 16 leitos infantis e outra com 24 leitos para adultos, a clínica oferece aos pacientes de alta complexidade suporte de UTi humanizada, que permite maior contato do paciente com a família. a acallanto conta, ainda, com acolhimento médico 24 horas, equipe de enfermagem, fonoaudiologia, terapia ocupacional, fisioterapia, psicólogo, odontologia, nutricionista, farmacêutico, cabeleireiro, podólogo, clínico geral, geriatra, infectologista, cardiologista, pneumologista, pediatra e especialista em terapia intensiva.

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Além da boa ideia

De acordo com o professor da Unifesp Marcos Bosi, potencialmente fazer algo que é bom, mas sem estímulos, controles e regulação adequada farão com que você não entregue para o paciente minimamente o que ele deveria ter em termos de assistência à saúde. “A gente, às vezes, tem ideias boas, só que ou não cria as condições para elas serem feitas da forma como deveriam ou não temos os incentivos adequados para que ela aconteça. É aí que algumas boas ideias são sepultadas ou são implementadas em detrimento do próprio paciente”.

Com 75% de ocupação dentro dos 40 leitos disponibilizados aos doentes crônicos, a expectativa de Elisangela é aumentar o faturamento em 30% neste ano, quando comparado com 2012. “Embora a falta de conhecimento das famílias sobre a necessidade do trabalho de uma clínica de longa permanência faça com que o atendimento homecare seja ainda uma preferência deste público, acreditamos que o diferencial de um serviço como da Acallanto será notado muito em breve”, considera. Construída com o mesmo perfil, a Clínica Althea, também na capital paulista, oferece 25 suítes individuais e equipadas com capacidade para atendimento semi-intensivo, também nos moldes de uma UTI. Inaugurada há pouco mais de um ano, a unidade apresenta uma taxa de internação de 50% e tem a expectativa de recuperar os R$ 4,5 milhões investidos nos primeiros três anos. Para o diretor executivo da Althea, Ag-

Anelli, da Clínica Althea: inspiração Foto: Divulgação

em clínicas de Nova-Iorque (EUA)

naldo Anelli, o primeiro trimestre de vida da clínica foi de muito aprendizado operacional e o momento agora é de tentar estabelecer um fluxo melhor de pacientes para equilibrar o quadro financeiro. “Iniciamos nosso trabalho com certa dificuldade em fazer com que as operadoras entendessem o negócio. Afinal, na prática, todos os pacientes têm planos de saúde, e eles podem ser encaminhados pela própria seguradora, assistente social ou por definição de equipes médicas dentro dos hospitais parceiros. Do ponto de vista de negócio, a operadora precisa ver que o sinistro é elevado dentro dos hospitais, por sua vez, as instituições tendem a notar que elas precisam do leito para o pós-operatório, e liberando os pacientes crônicos irão, consequentemente, diminuir o gargalo até mesmo do pronto-socorro”, explica Anelli.

“Talvez pelos problemas enfrentados com serviços de homecare”, arrisca o diretor técnico executivo da Planisa, Sérgio Bento. Por serem classificadas como hospital, estas clínicas especializadas têm o faturamento vindo da própria operadora, que aos poucos conseguem entender qual o real custo de um paciente em unidades com este perfil, onde existe uma diária que contempla todo o tratamento e medicamentos, o que é imprevisível dentro de uma instituição de conta aberta. Elisangela, da Acallanto, acredita que as operadoras já enxergam este mercado como vantajoso. “Temos uma relação transparente com os médicos e planos, que indicam a clínica aos familiares do paciente. Isso normalmente acontece devido à estrutura que oferecemos aos doentes e seus entes próximos”.

Visão de negócio Recentemente, São Paulo passou a perceber essa atividade com um potencial interessante sob o aspecto de negócio. Um dos motivos é a forma de atender doentes crônicos com cuidado semi-intensivo a custos muito menores, porém para essa atividade ter sucesso é preciso ter anuência de quem vai pagar e, até o momento, conhecedores do mercado sentem que as operadoras de planos de saúde ainda não estão preparadas.

Brasil x EUA De acordo com Bento, da Planisa, clínicas especializadas em crônicos são muito comuns nos Estados Unidos e países da Europa, principalmente porque estas nações notaram precocemente o quão caro é manter este tipo de paciente em uma estrutura hospitalar. Existem diferentes arranjos e modelos de saúde que oferecem uma melhor qualidade assistencial, como é o caso destas clínicas que contam com uma equi-

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FH | especial

FOCO NA QUALIDADE

O grande diferencial é oferecer tratamento médico de reabilitação e suporte compatível com nível hospitalar, incluindo imagem e laboratório para diagnóstico convencional. “Estamos tentando investir no mercado para que o setor entenda que esta é uma tendência de países mais desenvolvidos”, diz Anelli, que atualmente conta com hospitais parceiros como o Sírio-Libanês, Albert Einstein e Samaritano. “Essas instituições nos avaliaram e nos colocaram como um hospital de retaguarda compatível com a população atendida por elas”, revela. A Clínica Althea também conta com a parceria da Rede D’Or na Zona Leste da capital paulista. Para Bosi, os grandes hospitais têm suas estratégias, seu jeito de ser e pensar o sistema de saúde, e fazer parceria com outras entidades que serão receptoras de seus pacientes crônicos é uma de suas boas jogadas. “A clínica especializada vai ser rentável e o hospital, ao liberar um leito que está com este perfil de doente, abrirá vaga para outro tipo de paciente que para ele será financeiramente melhor”.

O novo leito aberto aos pacientes crônicos não pode ser considerado como sendo de terceira qualidade. É preciso oferecer ao doente a atenção que ele recebia dentro de um centro hospitalar. Para Bosi, fazer esse movimento pensando numa redução de custo em si é complicado. “Não posso fazer um arroxo nesse centro novo de modo a não ofertar o que o paciente merece. O que não pode faltar é a consciência de primar pela qualidade do serviço a ser prestado e remunerar esse serviço para que ele mantenha essa qualidade ou melhora no tempo”.

Foto: Divulgação

pe preparada 24 horas e um nível de assistência compatível com a classificação do paciente. “Esse molde de empresa oferece uma qualidade tão boa quanto um centro hospitalar, mas a um custo menor pela infraestrutura. É um ganha-ganha que ainda não foi percebido pelo nosso País”, diz o professor e diretor do Centro Paulista de Economia da Saúde da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Marcos Bosi Ferraz. Consciente do grande número de unidades especializadas mundo afora, Anelli, da Clínica Althea, viajou aos Estados Unidos para conhecer alguns modelos na cidade de Nova York. O munícipio norte-americano tem cerca de 380 clínicas que fazem gerenciamento de pacientes de longa permanência e foi um dos exemplos copiados pelo executivo antes de abrir o seu próprio negócio no Brasil. Ainda em passos lentos, clínicas com este perfil chegam aos poucos na Grande São Paulo, onde é comum encontrar unidades que condizem com mistura de populações, como casa de apoio ou repouso, com um nível de investimento técnico bem diferente do estabelecido pelas especializadas.

Clínica Acallanto:

quarteto de enfermeiros vislumbrou novo nicho

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Higienização Hospitalar: soluções integradas que permitem um ambiente cirúrgico livre de infecções. Em outras palavras, você trabalhando em condições adequadas. Os serviços de Higienização Hospitalar do Grupo Tejofran são soluções integradas com atuação em todas as áreas: limpeza concorrente, terminal, cirúrgica e imediata. Além de todo composto de governança hospitalar. Ou seja: seu hospital operando em condições adequadas. Para saber mais, ligue e agende uma visita:

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FH | entre elos

Contágio de

conHecimento Paulo Silva Jr. | editorialsaude@itmidia.com.br

a

das arboviroses (infecções virais transmitidas por artrópodes), da região. Quem coloca a mão na massa é o instituto Evandro Chagas, fundação ligada ao governo paraense com sede em ananindeua (município do estado), que faz o trabalho de campo ao explorar a floresta em busca de novos agentes transmissores de doenças e também mapear e conhecer esse

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Roche Dentro das áreas de atuação da Roche, empresa cuja matriz brasileira fica em São Paulo, está uma divisão de negócios voltada para produtos de alta tecnologia que busca uma demanda de necessidades médicas não atendidas, aquelas onde estão doenças que já são bastante estudadas, mas que ainda não têm solução comercial disponível. Nesta área, a empresa desenvolve os sequenciadores genéticos, equipamento que a empresa conseguiu desenvolver com uma nova metodologia há cinco anos – daí vem o modelo 454, utilizado neste trabalho realizado na região amazônica.

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potencial patogênico. No ano passado, por exemplo, foi identificado todo o genoma de algumas espécies do vírus da febre amarela. Do outro lado, quem oferece o suporte técnico e a capacitação de profissionais é a Roche, que ao invés de vender um equipamento e cruzar os braços, concede bolsas a pesquisadores e dá apoio constante e irrestrito aos parceiros paraenses.

ção

té os primeiros dias do mês de maio, o Pará registrou oito mortes por Síndrome Respiratória aguda Grave (SPaG), causadas por H1N1 (cinco), influenza B (duas) e H3N2 (uma). E se a biodiversidade da amazônia carrega uma vasta coleção de vírus, uma parceria idealizada em 2010 tem ajudado a saúde local a trabalhar no sequenciamento

InstItuto evandRo chagas Na vanguarda no que diz respeito ao conhecimento científico na região da amazônia, o instituto Evandro Chagas, ligado ao governo federal, está desde os anos 30 trabalhando pela saúde local. Nesses mais de 70 anos traçou linhas de pesquisa que passaram pelas principais demandas de cada tempo, até que no último ano foi capaz de descobrir mutações do tipo 4 do vírus da dengue, por exemplo. Desde que passou a colaborar com a organização mundial da Saúde, ainda em 1950, o instituto coleciona mais de 12 mil mostras e um constante trabalho na otimização das informações para a elaboração de diagnósticos mais eficientes.

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Roche não tem nenhum interesse econômico nessa parceria”, garante a gerente da Unidade de Negócios Roche applied Science, Patrícia Barbosa. Como explica a executiva, a empresa não desenvolve remédios nessas áreas e o simples fato de vender equipamentos de sequenciamento genético (no caso, o modelo 454) faz parte do negócio de rotina da companhia. “o grande fato aqui é trazer luz a esses temas e ajudar institutos de pesquisa”, complementa. No caso da parceria com o instituto Evandro Chagas, o grande investimento da Roche é na formação de profissionais. Com recursos que são oferecidos pela empresa e gerenciados pela Fundação de Desenvolvimento da amazônia, três pesquisadores são selecionados para receber salários, no nível das bolsas de doutorado e mestrado praticadas no Brasil, e se dedicar ao estudo das arboviroses amazônicas. além disso, técnicos e engenheiros da Roche vão regularmente ao Pará prover todo tipo de suporte ou treinamento específico em relação aos equipamentos e métodos, além das unidades no Sudeste estarem à disposição.

O GRANDE INVESTIMENTO DA ROCHE ESTÁ NA FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS

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INSTITUTO JÁ SEQUENCIOU TODOS OS TIPOS DE VÍRUS DA DENGUE

elo trabalho do instituto Evandro Chagas, já foram sequenciados todos os tipos de vírus de dengue e também a primeira sequência completa do vírus causador da febre amarela no Brasil. Na avaliação do pesquisador do instituto Evandro Chagas, márcio Nunes, graças à parceria que facilitou a transferência de tecnologia. “isso mostra que uma ligação entre órgãos federais e um particular pode trazer um benefício muito grande para a federação. além de mostrar que é possível fazer um trabalho deste nível aqui na região”, conta. o especialista, cabeça pensante do projeto, diz ter conhecido a plataforma 454 da Roche e visto que ela funcionava de forma eficaz para o trabalho feito por eles no Pará. Buscou, assim, uma parceria com a empresa e vê, satisfeito, a relação andar a todo vapor desde 2010. “agora estamos desenvolvendo um Centro de inovação Tecnológica onde queremos otimizar esses dados que envolvem nosso trabalho em nanotecnologia”. Unindo, portanto, o DNa do instituto, incansável nos estudos dentro da amazônia, com o apoio que lhe foi oferecido.

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Thaia Duó • thaia.duo@itmidia.com.br

Perdas

globais Em visita ao Brasil, o vicE-prEsidEntE do Grupo AssA, ariEl caponE, rEvEla quE há cErca dE 15 BilhõEs dE mEdicamEntos falsos no mundo. o númEro rEprEsEnta para a indústria farmacêutica pErda anual dE us$ 2 BilhõEs

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uma manhã chuvosa, em uma mesa apertada de um badalado café de São Paulo, encontrei o simpático argentino Ariel Capone para conversar sobre o crônico problema da falsificação de remédios ao redor do mundo, que afeta não só a saúde dos consumidores, mas também das empresas e dos cofres públicos com a evasão de impostos. O vice-presidente do Grupo Assa, consultoria empresarial com a vertical saúde estruturada por indústria farmacêutica, dispositivos médicos e seguradoras, revelou em poucos minutos de conversa, que há cerca de 15 bilhões de medicamentos falsos no mundo. O número representa para a indústria farmacêutica perda anual de US$ 2 bilhões. “Os medicamentos falsificados representam para as companhias farmacêuticas uma forma de pressão sobre a rentabilidade. Estima- se que o valor de todas as drogas adulteradas ou falsificadas em circulação supera US$ 75 bilhões por ano no mundo”, aponta Capone. De acordo com o executivo, isto significa que 15% dos medicamentos que são comprados mundialmente podem ser falsos. Ele diz, ainda, que esse fenômeno cresceu 90% nos últimos cinco anos, e a maior parte dessas drogas está concentrada na América Latina e Ásia. “Com esse resultado, onde fica o prestígio e desempenho das organizações de saúde? ”, indaga. Para Capone, a dúvida surge ao analisar que a rentabilidade das farmacêuticas também é afetada devido à queda na renda como resultado da expiração de patentes, e novas regulamentações que incentivem a prescrição de medicamentos genéricos. Um exemplo é o fim da patente do Liptor e do

Viagra em 2012, ambos da Pfizer, que representou uma perda de US$ 10 bilhões à empresa. “O faturamento da companhia com essas drogas era de US$ 20 bilhões em vendas, o que deixa claro que uma expiração como esta significa perdas astronômicas. Com isso, a indústria está experimentando o preço baixo”, conta o executivo. Capone destaca também um prejuízo atrelado à intensificação da regulamentação governamental, que gera um aumento de pressão nos custos operacionais. Esse efeito, em conjunto com o caso das patentes, ameaça fortemente as margens da indústria, segundo o VP, que aponta cortes em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) como uma das consequências. “Está claro que se as farmacêuticas não encontrarem a melhoria de produtividade dos negócios, irão cortar a área de pesquisa e essa atitude só vai afetar ainda mais o seu futuro. Esse cenário atinge diretamente o portfólio de novos medicamentos e, portanto, é algo a se evitar”. InIcIatIvas pelo mundo Diferentes ações são tomadas mundialmente, mas a grande mudança procurada é poder controlar a unidade do produto ao invés de lotes, que são grandiosos, o que torna difícil o controle da rastreabilidade e do custo ante um possível recall. A Argentina, por exemplo, está na primeira de três fases do cumprimento da regulação local que exige um número de série por caixa em cada medicamento, quando antes se tinha um código por lote, normalmente composto por mil produtos. Assim como o país sul-americano, a Turquia também tem avançado neste mesmo processo a fim de evitar a falsificação de remé-

O que falta

• Melhoria na cadeia de suprimentos “a indústria farmacêutica está atrasada quando comparada a indústria de varejo. essa é uma oportunidade de melhorar a sua margem de distribuição” • Investir em soluções tecnológicas “sistemas eletrônicos prevaleceriam sobre sistemas físicos de rastreabilidade; a tecnologia RFId supera os  códigos de barras 2d; o protocolo de transmissão de dados Xml prevalecerá sobre o método edI; e os ad-ons eRp superariam  as soluções específicas de rastreabilidade, já que se integram naturalmente com sistemas corporativos já instalados”

mediCamenTos faLsifiCados rePresenTam Para as ComPanHias farmaCêuTiCas uma forma de PressÃo soBre renTaBiLidade

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capone, do Grupo assa: iniciativas do governo ajudam, mas não eliminam a falsificação

IdentIfIcador ÚnIco de MedIcaMento no BrasIl

Foto: Divulgação

dios e o alto custo de recolhimento de produtos. “Com um código por caixinha será possível por meio da tecnologia móvel saber onde está cada produto individualmente. A câmera do smartphone capta o número de série e, com a ajuda de um aplicativo específico, é possível saber se aquele produto é original ou não. E, ainda, a farmacêutica poderá identificar em qual drogaria, por exemplo, está o medicamento com determinado código ”, explica Capone ao citar um laboratório argentino como exemplo: “Temos uma empresa modelo que após pôr em prática a regulação já se beneficia desta tecnologia, que é desenvolvida em HTML5 e corre nas plataformas Android e Microsoft”. Já na Califórnia, Estados Unidos, em 2008 foi aprovada a E-Pedigree Law, que entrará em vigor em 2015 e que torna obrigatória a criação de um registro de dados para ajudar a controlar o histórico de cada droga. Na Europa, a Federação de Associações e Indústrias Farmacêuticas (EFPIA) estabeleceu o conceito de “Point-of-Dispense (PoD) Verification” (Verificação no Ponto de Distribuição), que estabelece um quadro para a serialização e verificação de cada lote de medicamentos em pontos de distribuição. No caso da Alemanha, o Consórcio Farmacêutico planeja um programa-piloto que envolve atacadistas, fabricantes, distribuidores e farmácias, com data de lançamento no primeiro semestre de 2013. “Globalmente, a International Medical Products Anti-Counterfeiting Taskforce-(IMPACT), criada em 2006, visa a aumentar a conscientização sobre medicamentos falsificados e promover a cooperação entre aqueles que lideram as iniciativas legislativas para combater este problema”, diz Capone.

cenáRIo BRasIleIRo No Brasil, assim como na Argentina e Turquia, existe a Lei 11.903/09, que prevê a obrigatoriedade de serialização de medicamento e sua total ratreabilidade. A diferença, segundo o executivo, é que as farmacêuticas só irão dar o primeiro passo quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tornar o cumprimento da lei. “Iniciar neste processo é muito custoso e por isso as empresas demoram a aceitar. Falta um incentivo do órgão regulador, é só dizer que é obrigado. Só assim a indústria brasileira se movimentará”, analisa. Para Capone, em alguns anos a lei deverá ser replicada em toda América Latina. “Vale colocar que a iniciativa do governo ajuda, mas não elimina a falsificação”, conclui.

uma nova proposta foi encaminhada para consulta pública no início de abril com prazo de 30 dias. o parecer determina que a responsabilidade de zelar pela qualidade, pela segurança e pela eficácia dos medicamentos deve ser compartilhada entre todos os agentes que atuam na cadeia de produção, distribuição e consumo desses produtos. o diretor-presidente da anvisa, dirceu Barbano, explica que “as empresas detentoras de registro junto à agência serão responsáveis por gerar e dispor em cada embalagem de medicamento um número chamado de Identificador Único de medicamento (Ium), que é formado pelo número do registro do medicamento junto à anvisa, contendo 13 dígitos, além do número serial, a data de validade e o número do lote”.

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Nova era da

indústria? recentes medidas de incentivo à expansão industrial do governo poderão alavancar a pulverizada cadeia nacional de produção de equipamentos médicos. mas o caminho será longo milton Leal | editorialsaude@itmidia.com.br

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indústria brasileira de equipamentos e materiais para a saúde vive uma forte expectativa em relação às recentes medidas de incentivo concedidas pelo governo. a esperança é que os estímulos ajudem o segmento a crescer e a reverter o quadro de desvantagem em relação aos produtos médicos importados, que correspondem por cerca de 50% de tudo o que é consumido no País. Entre os empresários brasileiros, a sensação é de que uma nova era está em curso. Durante a abertura de um seminário* sobre inovação em saúde em São Paulo, o presidente da associação Brasileira da indústria de artigos e Equipamentos médicos, odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (abimo), Franco Pallamolla, afirmou que agora cabe aos empresários e à academia acelerarem o crescimento da indústria. “o desafio passa a ser nosso”, disse, referindo-se aos incentivos governamentais. o executivo acredita que o caminho seja aproximar empresas e universidades para que se possa alavancar o número de projetos visando à inovação e ao fortalecimento da indústria. Para o superintendente do Hospital Sírio Libanês, Gonzalo Vecina, a indústria nacional pode estar passando por um momento divisor de águas. “Tenho a sensação de que estamos dando alguns passos importantes. mas vai depender muito da capacidade dos empresários”, alertou.

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O presidente-executivo da Abimo, Paulo Fraccaro, em conversa com a reportagem da revista FH, listou cinco pilares que indicam que poderá haver expansão da indústria nacional nos próximos anos. O primeiro deles, e para muitos o mais importante, foi o sinal político dado pelo Poder Executivo, que deixou de tratar a saúde com a alcunha de “outros negócios” e passou a considerá-la diretamente dentro da política industrial. “O governo percebeu que a saúde não é uma despesa, é um negócio. Ela movimenta 10% do PIB (Produto Interno Bruto )”, salientou Fraccaro. Na agência reguladora, a indústria também virou prioridade, segundo o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Dirceu Barbano. “Até pouco tempo atrás, havia um pensamento voltado unicamente à questão da saúde. Mas agora é preciso considerar a indústria e o fortalecimento dela”, declarou. Para ele, a questão regulatória está fora do planejamento de desenvolvimento de novos produtos. “As empresas fazem os produtos e depois vão correr atrás da questão regulatória. Isso precisa fazer parte do planejamento”, cobrou. MoviMento Em 2012, o setor de equipamentos médicos nacional movimentou cerca de R$ 14 bilhões. O montante representa apenas 2% de todo o mercado mundial do gênero, que no ano passado faturou US$ 325 bilhões. A balança comercial brasileira do setor fechou desfavorável mais uma vez no ano passado, com déficit de US$ 3,4 bilhões. A recorrência deste cenário de insignificante participação global e dependência de importações fizeram o governo se mexer. Em abril do ano passado, medicamentos, fármacos e insumos estratégicos produzidos no País foram priorizados em compras públicas e passaram a ser adquiridos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) com preços de 8% a 25% superiores aos dos demais, de acordo com a complexidade tecnológica e a importância de cada produto para o SUS.

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Valadares, MS: Durante o período de 2013 a 2017, as PDPs promoverão a compra de R$ 1,3 bilhão em produtos

Uma dessas PDPs envolve a a Baxter e a a Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotechnologia (Hemobrás). Em novembro de 2012, foi anunciado uma parceria exclusiva entre as empresas com o objetivo de proporcionar aos brasileiros maior acesso ao fator VIII recombinante (rFVIII) para o tratamento de hemofilia A – uma doença genética em que o corpo não produz a proteína de coagulação fator VIII em quantidade suficiente. Estima-se que mais de 10.000 pessoas no País vivam com hemofilia A e a grande maioria é tratada com FVIII derivado de plasma. Por meio da parceria, a Baxter fornecerá tratamento de Fator VIII recombinante no Brasil nos próximos 10 anos, enquanto ambas as empresas, Hemobrás e Baxter, trabalham em conjunto na transferência de tecnologia para dar suporte ao desenvolvimento da capacidade de produção local pela Hemobrás. Procurada pela reportagem da revista FH, a Baxter não quis comentar o assunto.

Foto: Abimo/ Protec

Fraccaro, Abimo: “O governo percebeu que a saúde não é uma despesa, é um negócio. Ela movimenta 10% do PIB”

outra importante medida, anunciada alguns meses depois, foi a desoneração da folha de pagamento para os equipamentos médicos. Com o novo sistema, o recolhimento da contribuição patronal paga pelas empresas, equivalente a 20% de suas folhas, foi substituído pela incidência de alíquota, de 1% ou 2%, sobre as receitas brutas. mais recentemente, foram assinadas as parcerias para o desenvolvimento produtivo (PDP).Estão em vigor atualmente 63 delas, que envolvem 15 laboratórios públicos e 35 privados para a produção nacional de 61 medicamentos e quatro equipamentos. De acordo com o diretor do Complexo industrial e inovação do ministério da Saúde (mS), Eduardo Jorge Valadares de oliveira, outras quatro PDPs para equipamentos estão sendo finalizadas. Segundo ele, durante o período de 2013 a 2017, as PDPs promoverão a compra de R$ 1,3 bilhão em produtos. as novas parcerias preveem a transferência de tecnologia para produção dos produtos. a maior parte desses itens é importada pelo mS e ofertada no SUS. Estima-se que essas parcerias resultem em uma economia anual aproximada de R$ 2,5 bilhões para o governo. Para Fraccaro, as PDPs podem contribuir bastante para a indústria, mas ele ressalta que normalmente este tipo de projeto é um trabalho mais moroso. o último motivo que faz o setor de equipamentos médicos acreditar que o renascimento da indústria está em curso são os R$ 600 milhões para projetos de equipamentos hospitalares de empresas brasileiras que o governo está disponibilizando por meio de uma congregação de fundos do mS, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Finep. o gerente setorial do Complexo industrial da Saúde do BNDES, João Paulo Pieroni, afirmou que a expectativa é muito grande sobre esse programa. “Esperamos que ele possa alavancar os investimentos em direção à inovação”, disse. maurício França, superintendente de tecnologia para o desenvolvimento social da Finep, explica que o programa como um todo possui R$3,6 bilhões para inovação em saúde, divididos entre as linhas temáticas priorizadas: equipamentos, materiais e dispositivos médicos; biofármacos, fármacos e medicamentos, telemedicina e telessaúde.

Foto: Ricardo Benichio

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o programa inova Saúde quer incentivar produtos que possam substituir importações ou até mesmo romper barreiras tecnológicas. apesar disso, o edital da concorrência exige que as empresas tenham faturamento anual mínimo de R$ 5 milhões. Este corte elimina de imediato cerca de 40% das empresas que atuam neste mercado, composto em sua maioria por micro, pequenas e médias organizações. Fraccaro comemora a iniciativa, mas se diz preocupado com a operacionalização do programa e o efetivo acesso das empresas aos recursos, dada a burocracia existente para a viabilização de um incentivo financeiro como este. Por isso a associação pretende organizar uma reunião entre as empresas e representantes do BNDES e da Finep para sanar dúvidas sobre o programa e criar ânimo para os associados buscarem essa fonte de financiamento à inovação. Pieroni acredita que a grande pulverização das empresas e o tamanho delas sejam algumas das razões que dificultam a chegada do BNDES até essas companhias. o executivo também cobrou que os produtos oriundos dessa linha de financiamento façam jus a um processo acelerado de aprovação junto à anvisa e ao inmetro. “Com a anvisa, sei que vamos conseguir. Com o inmetro, temos que adensar a discussão”, revelou. o presidente-executivo da abimo diz que todas as medidas vêm a colaborar para que os empresários pensem que o Brasil está se organizando para ter uma indústria forte. mas ele também acha que ainda estamos longe disso. “Para que isso venha ocorrer, o governo, que detém mais de 60% do poder de compra, não tem demonstrado nenhum planejamento para aquisição de produtos aqui fabricados, principalmente na área de equipamentos. as empresas estão sobrevivendo com pequenas compras específicas”, opinou.

Barbano, Anvisa: Questão regulatória precisa fazer parte do planejamento das empresas ao desenvolver novos produtos

Foto: Agência Brasil

Em 2012, o SEtoR DE EquiPamENtoS méDiCoS NaCioNal movimENtou CERCa DE R$ 14 BilhõES. o moNtaNtE REPRESENta aPENaS 2% DE toDo o mERCaDo muNDial Do gêNERo, quE No aNo PaSSaDo FatuRou uS$ 325 BilhõES Pieroni, do BNDES: a grande pulverização das empresas e o tamanho delas são algumas das razões que dificultam a chegada do BNDES até essas companhias

Ele cobrou mais isonomia tributária entre os produtos nacionais e importados. “a concorrência é muito desleal. o patamar de competitividade é muito diferenciado, chegando a ter diferença de 35% a 40% dependendo da cadeia de tributos”, reclamou o executivo, referindo-se à possibilidade das instituições públicas de importar produtos e não pagarem tributos federais e estaduais. *O 2º Congresso de Inovação em Materiais e Equipamentos para Saúde (CIMES) é uma realização da Abimo e Protec. O evento ocorreu entre os dias 16 e 17 de abril em São Paulo

Foto: Abimo/ Protec

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O principal encontro dos líderes do setor de saúde do Brasil

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engajar

é preciso RegistRos eletRônicos de saúde integRados e consistentes análises de Big Data apontam paRa uma saúde com mais qualidade, agilidade e menoRes custos, mas paRa isso viRaR Realidade, médicos e pacientes teRão de RompeR a baRReiRa da Resistência à tecnologia *Verena Souza | vsouza@itmidia.com.br

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Para Paul grabscheid, da interSystems, fazer as pessoas usarem um novo sistema é, “de longe”, a parta mais difícil

Foto: Divulgação

esmo em um Brasil das emergências superlotadas, da falta de leitos hospitalares, das disputas entre prestadores, médicos e fontes pagadoras, e de uma infindável lista de percalços, a tecnologia olha para o que seria ideal, desejável e, quiçá, resolutivo. Portanto falar em projetos de Registros Eletrônicos de Saúde e aplicabilidade do “Big Data” na atualidade pode ser utópico para os críticos e o caminho do equilíbrio para os defensores. E é tentando mesmo arrumar a bagunça entre sistemas de informação de saúde que não se conversam em ambientes, na maioria das vezes, adversos, como é o caso do Brasil, que a norte-americana interSystems investe no conceito de Saúde Conectada, que consiste em compartilhar e integrar informações clínicas entre hospitais, clínicas, farmácias e laboratórios tanto no âmbito regional como nacional. “Sistemas de saúde são muito divididos e a maioria dos pacientes se trata em diferentes lugares. São várias pessoas, várias organizações tentando fazer a coisa certa, mas ninguém conversa entre si. Um dos pontos cruciais para gente é continuar conectando sistemas de saúde com mais eficiência, para tê-los realmente integrados”, afirmou o vice-presidente de planejamento estratégico da interSystems, Paul Grabscheid, durante o Global Summit 2013, o maior encontro anual da companhia, realizado em abril deste ano na cidade de orlando, Flórida (EUa). a solução Healthshare é a plataforma que suporta o conceito da empresa no mundo, pois completa sua linha de evolução tecnológica, contemplando funcionalidades do robusto banco de dados Caché e do software Ensemble, que integra diferentes sistemas. Com escritório em 25 países e um faturamento global líquido de US$ 443 milhões em 2012, o setor de saúde representa 85% da receita da interSystems e, no Brasil, essa importância chega a 60% sobre os números locais. Preparado para a troca de dados clínicos por múltiplas unidades e instituições, o Healthshare ainda encontra barreiras em mercados em amadurecimento, como o brasileiro, que possui, por exemplo, menos de 15% dos quase sete mil hospitais informatizados. Entretanto, segundo o CEo para a américa Latina, Carlos Eduardo Nogueira, o País deve evoluir rapidamente nos próximos dois anos, ofertando novas oportu-

nidades, assim como o Chile, com projetos já concretizados por sua cultura de planejamento mais consolidada frente aos demais países latino-americanos. além de Brasil e Chile, outras apostas da companhia são China e oriente médio, regiões chamadas por Grabscheid de “campos verdes”. “acho que existem duas partes para o mercado de Ti em saúde no mundo. Se pensarmos em lugares como os EUa e Europa ocidental, falamos em substituição. É muito difícil fazer coisas novas nesses lugares porque os sistemas já estão implementados. Se formos para outras partes, teríamos o que chamamos de “oportunidades de campos verdes”. Países focados em construir, de fato, um sistema de serviço de saúde”, afirma o vice-presidente, ressaltando que enquanto a China decide se vai construir 1.500 ou 2.000 hospitais, nos EUa talvez surjam cinco novos.

Rompendo baRReiRas Um dos termos mais mal definidos na opinião de Grabscheid é o conceito do Big Data, mas ao invés de encarar a constatação como algo negativo, ele acredita que é isso que o torna especial. “Eu penso no Big Data de várias formas diferentes. Uma delas está no uso de dados, geralmente, coletados ou produzidos para um propósito que acabam sendo usados para outro”, explica ao mencionar um exemplo do Google, que foi capaz de rastrear um surto de gripe que se espalhava em Boston mais rapidamente do que as autoridades de saúde. as etapas para seu aproveitamento na saúde podem ser resumidas em capturar, ou seja, acessar e integrar todos os seus dados; compartilhar, envolver todos os pontos de atendimento; compreender, incluir análises avançadas; e agir, que consiste em conduzir ações com base

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Brasil:

• Maior projeto de informatização pública da InterSystems; com início em 2008 • 19 mil usuários entre médicos, enfermeiras e agentes de saúde • 4 milhões de cidadãos atendidos pelo novo sistema • 63 centros de saúde, 17 hospitais, 17 laboratórios e 4 UPAS • Redução de 40% no gasto de medicamento • Redução de 50% nos pedidos de exames

Chile:

• Projeto, que engloba a saúde pública de todo o país, é parte do Plano Estratégico de Saúde do Governo do Chile de 2010 a 2020 • 60% da população do Chile é atendida na atenção primária por meio do sistema da InterSystems (cerca de 9 milhões de pessoas) • 50% dos postos utilizam o prontuário eletrônico • Informatização dos hospitais é a nova etapa em andamento

em informações em tempo real. “Temos muitas informações a respeito dos pacientes, de tratamentos, sintomas e não a usamos para entender a melhor forma de cuidar. isso porque parte dessa informação é desestruturada”, explica. aí está um dos grandes desafios do conceito, que sendo um banco para grandes massas de dados e programas de análise e visualização opera informações mistas – tanto estruturadas como provenientes de redes sociais, textos, entre outros -, sob três condições ou “três Vs”: volume, velocidade e variedade. mesmo tido como promessa para uma assistência de melhor qualidade e menores custos, há ainda aspectos a serem desenvolvidos para seu eficiente uso, conforme sinalizou o professor e presidente do Departamento de informática médica & Epidemiologia Clínica da

oregon Health & Scince University, William Hersh. São eles: privacidade e confidencialidade, alto custo, necessidade de mão de obra técnica, com conhecimento de Business intelligence (Bi), por exemplo, e necessidade de infraestrutura de interoperabilidade. apesar das barreiras, o aspecto fundamental para que os benefícios - como diagnósticos mais precisos e atendimentos mais ágeis - sejam sentidos, está no comprometimento dos médicos e demais profissionais ao preencherem os dados dos pacientes no sistema enquanto desempenham suas atividades diárias. Uma inserção correta sobre a dosagem e periodicidade de uma medicação é responsável, por exemplo, pelo lembrete enviado ao paciente via SmS para que ele não se esqueça de cumprir as orientações. Para Grabscheid este é o maior desafio. “Um software no computador é a parte fácil. Conectá-lo a outros softwares já existentes é um pouco mais complicado, mas fazer as pessoas usarem o novo sistema é, de longe, o mais difícil. E não é possível fazer nada apenas colocando-as em uma sala e mostrando como se faz. Você precisa acompanhá-las na prática. Seria interessante conseguir uma semana com cada médico para treiná-lo, mas eles não têm uma semana, nem outro médico para substituí-lo”, lamenta. Para ele, a tecnologia está conseguindo informações mais estruturadas na medicina, mas os

médicos são resistentes a isso. “Eles não querem sentar e perder tempo inserindo informações em um computador. muitos médicos estão acostumados a tomar notas. os sistemas estão sendo aprimorados para agilizar o processo de inserção de informação, porque a maioria deles acaba não usando ou usando mal”, conta. o comportamento indisciplinado, na maior parte das vezes, também dos pacientes em relação às recomendações do médico é outro obstáculo apontado pelo executivo, que enxerga a tecnologia como apenas uma facilitadora para que a comunicação efetiva aconteça, mas totalmente dependente do engajamento de ambos. os profissionais mais jovens, segundo ele, mostram-se mais confortáveis com a comunicação eletrônica e diferentes formas de trabalhar, o que sugere uma tendência promissora nesse aspecto. mesmo com as barreiras culturais, ditas como as maiores para o líder da interSystems, os médicos do futuro irão, sim, interagir frequentemente com os sistemas por meio dos dispositivos móveis que já invadiram o cotidiano. mas o que irá acontecer com os pacientes ainda é um pouco mais nebuloso para ele. “Quando eu converso com as pessoas, elas estão insatisfeitas, existem mais coisas que gostariam de fazer, mais informações que gostariam de ter, mais acesso aos médicos”, alerta, dizendo que o Reino Unido começou a traçar ações para que o paciente possa ter mais poder de escolha, ou seja, ser visto como um verdadeiro consumidor. “acho que veremos mais iniciativas interessantes como esta.”

* A jornalista viajou a convite da InterSystems para o Global Summit (EUA)

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Foto: Arquivo Pessoal

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Foto: Arquivo Pessoal

Foto: shutterstock

Sócia e fundadora da Formato Clínico, Carmen Oplustil, esteve em Berlim, na Alemanha, para sua 7° participação no 23° Congresso Europeu de Microbiologia Clínica e Infectologia. Veja como foi a viagem

Foto: Arquivo Pessoal

Carmen Oplustil, diretora da Formato Clínico-projetos em Medicina Diagnóstica

a CIDaDE...

Fotos: Arquivo Pessoal

Berlim é uma cidade de contrastes. Há 14 anos a cidade estava dividida por um muro. Muitos prédios foram reconstruídos depois da segunda guerra e muitos ainda preservam o lado duro e quadrado da arquitetura oriental. Passeando pela cidade ainda restam pedaços do muro.

ONDE COMpRaR...

Fotos: shutterstock

Berlim possui grandes lojas de departamentos, a mais importante é a KaDeWe, que parece a galeria Lafayette. Mas para quem gosta de se surpreender é bom caminhar pelas ruas como a Kurfurstendamm (muito chique).

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IMpRESSÕES DO EvENTO...

vaLE a pENa... Você tem que passear pela região onde está o portão de Brandenburgo, conhecida como Unter den Linden, e aproveitar para conhecer o memorial do Holocausto construído em 2003 para homenagear os judeus mortos pelos nazitas. É impressionante caminhar no meio dele. Existe uma região chamada a ilha dos museus, cercada pelo Rio Spree e que concentra museus maravilhosos. Se tiver pouco tempo, o Neues Museum é imperdível, onde existe uma coleção do Egito muito interessante em que a peça principal é a escultura de Nefertiti.

ONDE COMER... A comida em geral é convidativa. Difícil ficar sem provar uma boa salsicha preparada ao modo alemão. Existem muitos restaurantes em várias partes da cidade como no bairro Unter Den Liden. E quem gosta de cerveja, com certeza vai se deliciar. Os vinhos são muito bons também. Não deixem de experimentar.

O congresso reúne médicos e outros profissionais da área de Microbiologia e Infectologia de diversos países e é sempre realizado em importantes cidades da Europa. Este ano participaram cerca de 8 mil profissionais de 45 países. O número de brasileiros participantes este ano foram 189 profissionais. É um congresso interessante para ver as tendências para a área de diagnóstico de doenças infecciosas. Muito do que se vê é rapidamente experimentado no mercado europeu e demora um pouco para ser utilizado nos EUA e Brasil devido às regulações do mercado interno.

COMO FOI... Este ano as novidades estão todas ligadas a novas tecnologias automatizadas para os laboratórios de Microbiologia, que por tradição sempre foram extremamente manuais, mas o diagnóstico de algumas doenças infecciosas tem evoluído, nos últimos anos, para a biologia molecular. Isso vai fazer com que o laboratório seja mais eficiente e os diagnósticos mais rápidos do que têm sido até hoje. Evento: 23º. Congresso ECCMID Data: 26 a 30 de abril de 2013 Local: Berlim (Alemanha)

Vai viajar e participar de algum evento na área da Saúde? Envie sua sugestão para mburiti@itmidia.com.br 81

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FH | LIVROS

BOA LEITURA

A ASSOCIAÇÃO PAULISTA PARA O DESENVOLVIMENTO DA MEDICINA (SPDM), EM PARCERIA COM A INTERFARMA, LANÇA O LIVRO “A SAÚDE NO BRASIL EM 2021”. A OBRA REÚNE AS PALESTRAS DO FÓRUM INTERNACIONAL “SAÚDE EM 2021”, REALIZADO PELA SPDM EM 2011. O PRESIDENTE DA SPDM RUBENS BELFORT JR. FALOU SOBRE AS PRINCIPAIS IDEIAS DO LIVRO E ADIANTOU QUE DESEJA REPETIR O EVENTO DAQUI A CINCO ANOS.

Foto: Divulgação

Analice Bonatto | editorialsaude@itmidia.com.br

Por que é importante que os estudantes e profissionais de saúde leiam o livro? Rubens Belfort Jr. : É um livro para todos os interessados que buscam entender como estará a saúde em 2021: gestores, médicos e, principalmente, educadores e cientistas da área. O livro é interessante, ao contrário de outras obras que traz apenas a parte acadêmica, porque tem ao lado de acadêmicos e estudiosos muitas pessoas com grande experiência na assistência e na gestão. O livro trata da formação, do papel dos médicos e também dos diferentes profissionais da saúde, além de tratar do cenário econômico do Brasil. O que é possível fazer hoje que pode influenciar o atendimento à saúde no Brasil no futuro? Belfort Jr.: Uma das coisas mais importantes para se preparar um futuro melhor é a formação adequada dos recursos humanos. O simpósio e o livro começaram com questões sobre as funções e o ambiente de trabalho do calouro de medicina que ingressará no mercado em 2021. Não sabemos como será esse cenário, mas a falta de discussão nos ajuda a produzir profissionais inadequados.

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Quais os principais desafios da próxima década? E qual o provável cenário econômico do Brasil para este profissional em 2021? Belfort Jr.: Provavelmente será um cenário com maior inserção de setores marginalizados exigindo assistência médica. Isso faz com que a chamada classe C tenha uma participação muito maior nesse sistema e exija medicamentos mais caros e procedimentos mais complexos. Um dos muitos exemplos disso é a cirurgia de obesidade. Esse é um cenário provável, mas é certo que teremos uma população muito mais idosa exigindo cuidados longos e complexos. São vários cenários e a necessidade de se adequar os recursos existentes a essas demandas. Além disso, é preciso usar os recursos humanos de forma adequada, porque saúde é basicamente recursos humanos. E a formação hoje é ruim e essa é uma das razões do sistema de saúde não funcionar. Os alunos são preparados para uma realidade diferente e não têm as habilidades necessárias recebidas na graduação. Como avaliam os desafios futuros dos hospitais? Belfort Jr :Há cerca de 40 anos, o ideal da saúde era o hospital. Hoje os hospitais de certa maneira se ‘desospitalizaram’. Os mais modernos se parecem cada vez menos com o hospital clássico de antigamente, porque ele chega à comunidade e o paciente já é atendido em postos satélites, ou seja, passa por um processo enorme de mudanças.

Autor: Vários. A obra é organizada pela SPDM em parceria pela Interfarma. Editora: Cultura Acadêmica Número de páginas: 325 Preço: gratuito. Disponível para download em: www.spdm.org.br/site/pt/noticias/367-spdm-einterfarma-lancam-livro-sobre-a-medicina-nobrasil-em-2021.html

UTI PEDIÁTRICA

JÚLIO CÉSAR CEO

Com o objetivo de esclarecer e apresentar a prática na UTI pediátrica, o livro - planejado pela equipe da disciplina de Medicina Intensiva e Emergências Pediátricas da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp) -, aborda o conhecimento necessário para que o trabalho nesse setor e nos de emergência possa ser exercido de maneira segura e rápida em relação ao conhecimento técnico e aos aspectos humanos do atendimento às crianças enfermas.

Na obra, o autor vê no personagem o arquétipo do diretor executivo. Para mostrar como figuras históricas também podem orientar os gestores dos dias de hoje, ele foca seis princípios do imperador: visão e estratégia; decisão e ação; negociação e persuasão; táticas e técnicas; proposição de valor; e comunicação e motivação. O livro traz 92 lições aplicadas por Júlio César para vencer desafios que, segundo o autor, permanecem estratégias dinâmicas para qualquer líder.

Editora: Guanabara Koogan Autor: José Roberto Fioretto Editores associados: Rossano Cesar Bonatto, Mário Ferreira Carpi, Sandra Mara Queiroz Ricchetti e Marcos Aurélio de Moraes Número de páginas: 396 Preço: Versão impressa: R$ 89 Versão eletrônica: R$ 62

Autor: Alan Axelrod Editora: Campus/Elsevier Número de páginas: 232 Preço: R$ 59,90

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destaques do mês

Entre os dias 2 e 5 de maio, São Paulo recebeu a Jornada Paulista de Radiologia, congresso anual realizado pela Sociedade Paulista de Radiologia. Nele, os fabricantes de equipamentos e produtos para diagnóstico por imagem apresentam os lançamentos para o mercado brasileiro e latino-americano. A revista FH selecionou algumas novidades deste ano, confira.

Fácil de instalar A Agfa traz ao mercado o CR 10-X, impressora digital compacta considerada ideal para ambientes descentralizados de radiologia. Ela funciona como uma auxiliar aos equipamentos de raio-x digital. Pode ser usado por clínicas de pequeno porte que queiram migrar para o mundo digital. Robusto, o produto é indicado para a instalação em unidades móveis. Conectado a uma estação NX, o CR 10-X oferece uma resolução de 100 m e capacidade de leitura de 34 imagens por hora em formato 35x43cm. www.agfahealthcare.com

tecnologia Flat Panel (FdP) A família de mamógrafos digitais AMULET, lançada pela Fujifilm, foi desenvolvida para atender a todos os serviços de radiodiagnóstico. As novas versões AMULET f e AMULET s agregam funcionalidades devido à tecnologia Flat Panel (FDP) de Selênio Amorfo de dupla camada e conversão direta. Além disso, também merece destaque a ergonomia dos equipamentos que oferecem conforto aos pacientes e facilidade de operação aos radiologistas. www.fujifilm.com

PlataForma móvel O Discovery IGS 730, da GE, traz tecnologia exclusiva de angiografia ao mercado de radiologia intervencionista. Com a mesma potência em aquisição de imagens de um equipamento fixo, possui plataforma móvel que se movimenta em trajetórias pré-definidas durante a cirurgia, guiada por uma tecnologia à laser. Utilizado nas áreas endovascular, neurológica e cardiovascular, o produto é indicado para uso em sala híbrida. www3.gehealthcare.com.br/

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desemPenho seguro O RX840-MG, da EIZO, é um monitor com tela de 36,4 polegadas e 8MP de resolução (4096 x 2160), voltado principalmente para a exibição de imagens de alta performance em mamografia e radiologia em geral. O monitor amplia a possibilidade de uso do PACs na medida em que permite a exibição de imagens coloridas ou monocromáticas dentro de uma mesma aplicação. Além disso, conta com sensor de presença que o faz entrar em modo de descanso ao detectar que o usuário se distanciou e a operar quando ele retorna. www.eizo.com

diagnóstico Precoce O Primovist®(gadoxetato dissódico), lançado pela Bayer, é o primeiro meio de contraste para ressonância magnética específico para o fígado. Essa abordagem possibilita identificar doenças relacionadas ao órgão, permitindo diagnóstico mais precoce e preciso. Diferente dos demais contrastes, ele é absorvido em cerca de 50% da dose administrada pelo hepatócito (célula principal do fígado), aumentando a sensibilidade para a detecção de lesões. www.bayer.com.br

radiologia Pediátrica O detector DRX 2530C, da Carestream, possui um formato menor de 25 cm x 30 cm. O produto foi desenvolvido para oferecer alta eficiência para exames sensíveis à dose, como é caso da radiologia pediátrica, uma vez que as crianças são muito mais sensíveis à radiação do que os adultos. O produto aguarda registro da Anvisa no Brasil. www.carestream.com

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transmissão instantânea O Micro Capture OP-1, da Canon, é um microscópio digital portátil sem fio que amplia os objetos em até 400 vezes o tamanho original. O equipamento foi desenvolvido para captar as imagens e transmiti-las instantaneamente, via wireless, para iPhones, iPads e iPods. O equipamento ainda não está disponível para venda. www.canon.com.br

resultado Preciso A Philips apresenta o Multiva 1.5T, desenvolvido para atender a necessidade de uma RM com rapidez e alta qualidade, proporcionando redução de até 40% no tempo de preparo do paciente, graças ao sistema FlexStream - conceito de fluxo de trabalho que permite que a maior parte dos exames não necessite de bobinas adicionais. O equipamento proporciona diagnósticos confiáveis aos pacientes atendendo a todas aplicações clínicas. www.philips.com.br

tecnologia de Ponta Desenvolvido pela Siemens, o SOMATOM Perspective é um scanner de tomografia computadorizada disponível nas configurações de 64 e 128 cortes. Ele apresenta vantagens como a rápida instalação e baixo consumo de energia. O equipamento na configuração de 64 cortes é ideal para ambientes ambulatoriais e hospitais de pequeno e médio porte. www.siemens.com/entry/br/pt/

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ADELSON DE SOUSA Presidente Executivo adelson@itmidia.com.br

PRESIDENTE EXECUTIVO ADELSON DE SOUSA • adelson@itmidia.com.br VICE -PRESIDENTE EXECUTIVO MIGUEL PETRILLI • mpetrilli@itmidia.com.br DIRETOR EXECUTIVO DE RECURSOS E FINANÇAS JOÃO PAULO COLOMBO • jpaulo@itmidia.com.br

MIGUEL PETRILLI Vice -presidente Executivo mpetrilli@itmidia.com.br

DIRETORA EXECUTIVA EDITORIAL STELA LACHTERMACHER • stela@itmidia.com.br GERENTE ADMINISTRATIVA E OPERAÇÕES Emanuela Araújo earaujo@itmidia.com.br GERENTE FINANCEIRO Marcos Lopes marcos@itmidia.com.br COMO RECEBER REVISTA FH www.revistafh.com.br/assinar CENTRAL DE ATENDIMENTO AO LEITOR atendimento@itmidia.com.br (11) 3823-6615 (11) 3823-6675

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A revista FH é uma publicação mensal dirigida ao setor médico-hospitalar. Sua distribuição é controlada e ocorre em todo o território nacional, além de gratuita e entregue apenas a leitores previamente qualificados. As opiniões dos artigos/colunistas aqui publicados refletem unicamente a posição de seu autor, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte da IT Mídiaou quaisquer outros envolvidos nessa publicação. As pessoas que não constarem no expediente não têm autorização para falar em nome da IT Mídia ou para retirar qualquer tipo de material se não possuírem em seu poder carta em papel timbrado assinada por qualquer pessoa que conste do expediente. Todos os direitos reservados. É proibida qualquer forma de reutilização, distribuição, reprodução ou publicação parcial ou total deste conteúdo sem prévia autorização da IT Mídia S.A.

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CONSELHO EDITORIAL REVISTA FH Cláudio Giulliano A. da Costa • Diretor comercial para OPME da Bionexo Gonzalo Vecina Neto • Superintendente corporativo do Hospital Sírio-Libanês João Carlos Bross • Superintendente da Bross Consultoria e Arquitetura Osvino Souza • Professor e Pesquisador da Fundação Dom Cabral Paulo Marcos Senra Souza • Diretor da Amil Sérgio Lopez Bento • Diretor técnico da Planisa

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ANDRÉ CAVALLI Gerente Executivo de Vendas acavalli@itmidia.com.br ERIC OUCHI Gerente de Marketing Digital eric.ouchi@itmidia.com.br

GABRIELA VICARI Gerente de Marketing Comunicação gvicari@itmidia.com.br

CRISTIANE GOMES Gerente de Marketing Revistas cgomes@itmidia.com.br

STELA LACHTERMACHER Diretora Executiva Editorial stela@itmidia.com.br

GABY LOAYZA Gerente de Estudos e Análises gloayza@itmidia.com.br

MARCELO MALZONI BARRETO Gerente Comercial de Saúde mmalzoni@itmidia.com.br (11) 99637-7665 EMERSON MORAES Gerente de Marketing Fóruns emoraes@itmidia.com.br

GABRIELA MARCONDES Gerente de Negócios gmarcondes@itmidia.com.br (11) 97144-2543 DANIELLA IGLESIAS Executiva de Contas daniella.candia@itmidia.com.br (11) 97144-2542

RODRIGO MORAIS Executivo de Contas rmorais@itmidia.com.br (11) 99655-6413

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Foto: Magdalena Gutierrez

PAPO ABERTO

A QUEM PERTENCE OS DADOS DO PACIENTE? A resposta a esta pergunta parece óbvia: ao paciente, é claro. Mas, na prática, não é o que acontece. A anamnese é mantida na ficha do paciente, seja esta analógica ou digital, e passa a fazer parte do banco de dados do consultório, clínica ou hospital, de tal forma que cada novo profissional de saúde consultado parte do zero ou, no máximo, do histórico relatado pelo próprio paciente e de exames realizados anteriormente. Este é, justamente, um dos desafios do e-Saude, conforme matéria de cobertura do IT Mídia debate realizado em abril, que discutiu o trâmite das informações entre o público e o privado, e vice e versa. “Só o paciente organizado, reclamando da sua falta de direito de possuir seus dados médicos é que vai fazer diferença”, defendeu Rubens Belfot Júnior, presidente da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina e professor da Escola Paulista de Medicina. E acrescentou que o paciente é o ator principal deste processo ao que André Luiz Almeida, diretor técnico do departamento de Saúde da secretaria estadual de saúde de São Paulo fez coro dizendo que o cidadão precisa entender que a posse da informação é dele, “só nos compete a guarda”. A questão do histórico deve ser vista também sob

um outro ângulo que é o de eventuais ocorrências em que o paciente esteja envolvido e que, por algum motivo, como no caso de um acidente, não tenha condições de passar informações importantes de seu histórico para a equipe médica que o atende naquele momento. Alguns temas hoje muito em voga na área de TI também têm tudo a ver com esta discussão de mobilidade e big data. A mobilidade é o que vai permitir, por exemplo, o acesso ao histórico do paciente de qualquer lugar e a qualquer hora, quando isso pode ser definitivo para a prestação de socorro. Quanto ao big data, o conceito envolve a coleta e armazenamento de dados e sua organização, de tal forma que este dado solto seja transformado em informação efetiva agregando eficiência ao processo e eficácia ao resultado. Mesmo considerando que o paciente tem todo o direto de requerer e mesmo exigir o acesso a suas informações é importante que, consciente disso, os elos da cadeia de saúde, quer pública ou privada, atuem neste sentido em busca da melhor solução para o setor. Alguns exemplos do que pode ser feito já estão em prática e a questão agora está em unificar esta linguagem tendo como foco o elo chave que é o próprio paciente.

Stela Lachtermacher Diretora Editorial IT Mídia 98

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MAIO 2013 REVISTAFH.COM.BR

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Salusse Marangoni Advogados reúne a segurança de uma banca tradicional, com profissionais altamente qualificados, aos mais modernos recursos de tecnologia, tudo visando um atendimento ágil, pessoal e focado na obtenção de resultados. A área de Direito Regulatório do escritório tem forte atuação na área da saúde, tanto em questões consultivas e preventivas quanto contenciosas. Com atuação direta perante os órgãos reguladores do setor (entre eles ANS e ANVISA), o escritório conta com uma assessoria especializada para a gestão de operadoras e seguradoras de planos privados de assistência à saúde, bem como hospitais e laboratórios de diagnose e terapia. Atuação direta em questões societárias e contratuais (análise e elaboração de contratos em geral), tanto em atos do dia a dia dos clientes quanto em operações específicas e estruturadas, que demandam uma expertise diferenciada. Salusse Marangoni Advogados possui duas décadas de experiência com o mais elevado reconhecimento da comunidade empresarial, e atua também nas seguintes áreas do Direito:

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