Boletim Diário
ECONOMIA | EMPRESAS E MARCAS
Segunda - feira, 22 de Setembro de 2025, Ano 05, n0 763

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ÍNDIA COMPRA MAIS DE 18% DE TODAS AS EXPORTAÇÕES NACIONAIS NO PRIMEIRO TRIMESTRE
AÍndia voltou a ser o país que mais comprou a Moçambique no primeiro trimestre de 2025, no valor de 436,2 milhões de euros, equivalente a 18,2% das exportações nacionais, de acordo com o relatório da balança de pagamentos de Janeiro a Março, do Banco de Moçambique (BdM), citados pela “Lusa”.
De acordo com o relatório do BdM, globalmente, as exportações aumentaram 4,8%, face ao mesmo período de 2024, para quase 1.568 milhões de euros, enquanto as importações recuaram 7,3%, para 1.585 milhões de euros.
A Índia manteve-se como o principal destino das exportações de Moçambique, nomeadamente gás natural, carvão mineral, legumes secos ou em grão e castanha de caju. Seguiu-se a África do Sul, com 321 milhões de euros e uma participação de 13,4% do total das exportações moçambicanas, “sendo o principal consumidor” de energia eléc-

trica, mas também de gás natural, carvão e bananas, entre outros.
Em terceiro lugar, está a Coreia do Sul, com 286,3 milhões de euros e um peso de 11,9% das exportações moçambica-
nas, comprando essencialmente carvão, gás natural e minerais betuminosos, e depois a China, com 272 milhões de euros em gás natural, minerais de titânio e areias pesadas.
VINTE E TRÊS AUTARQUIAS LOCAIS EM ALTO RISCO FISCAL, ADVERTE MINISTÉRIO DAS FINANÇAS
As autarquias locais continuam a enfrentar sérias fragilidades na gestão da sua dívida e no cumprimento de obrigações fiscais, comprometendo o equilíbrio das finanças públicas do país. De um universo de 50 municípios avaliados, pelo menos 23, incluindo a cidade de Maputo, foram classificados como de alto risco fiscal, de acordo com um relatório do Ministério das Finanças, citado pelo “Notícias”.
O elevado risco é atribuído à baixa autonomia financeira e ao alto volume de endividamento dessas autarquias, factores que, de acordo com o relatório, podem gerar uma pressão adicional sobre o Orçamento do Governo Central, que precisa intervir para garantir a continuidade dos serviços públicos municipais.
O relatório revela ainda que o stock da dívida das autarquias aumentou cerca de 77%. A dívida com fornecedores é a mais representativa de 2024, embora os encargos comerciais sejam os mais pesados em termos de custos e prazos de maturidade. A situação se agrava com o rácio da dívida em relação à receita própria, que atingiu 95%, mantendo-
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-se acima do nível recomendado. Este desequilíbrio é resultado directo do incumprimento de obrigações financeiras, como os atrasos nos pagamentos a fornecedores e a bancos comerciais. Apesar de a receita própria agregada ter crescido 35% no período, um sinal de melhoria, a autonomia financeira das autarquias permanece limitada. Em média, as receitas próprias cobrem ape-

nas 40% das despesas totais, demonstrando a forte dependência dos fundos transferidos pelo Governo.
A gestão da despesa também é um ponto crítico. Os salários e remunerações continuam a ser o principal peso sobre os orçamentos, registando um desvio médio de 30 pontos percentuais acima da linha de base, o que tem gerado desequilíbrios permanentes.




INGD REFORÇA COOPERAÇÃO COM A KOICA PARA GESTÃO DE DESASTRES EM MOÇAMBIQUE
OInstituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) participou, na última sexta-feira (19), em Maputo, num seminário promovido pela KOICA Mozambique Office, com vista a fortalecer a preparação do país para a época de chuvas e ciclones 2025/2026, com foco na cooperação multissetoriais e na troca de conhecimentos sobre gestão de desastres, para uma resposta coordenada aos crescentes desafios face aos fenómenos climáticos extremos.
O evento designado “2025 KOICA Training Program – Knowledge Sharing Seminar”, sob o tema “Estratégias de Gestão de Risco de Desastres e de Recursos Hídricos”, para além dos representantes do INGD, também reuniu a Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos e do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM).
Na abertura, a directora da KOICA, Jinjoo Hyun, destacou a importância de unir esforços para uma resposta eficaz. “Esta é uma iniciativa fundamental para o futuro do país. Queremos oferecer uma alternativa segura e sustentável
FOOD

para os deslocamentos diários dos moradores, reduzindo o congestionamento e a poluição”, afirmou Hyun. Durante o seminário, foram apresentados diversos projectos em andamento, como o sistema de alerta precoce de cheias na bacia do rio Licungo, em implementação desde 2022. Outra iniciativa destacada foi o projecto-piloto de monitorização da qualidade da água no rio Limpopo, que
beneficiará mais de 1,7 milhão de pessoas. O evento ressaltou, igualmente, a importância de projectos de sensibilização comunitária. Foi mencionada a disseminação de previsões meteorológicas em línguas locais, que já capacitou mais de 372 mil pessoas, e campanhas de alerta sobre a seca em Mapai, Chigubo e Caia, com impacto directo em 2.500 habitantes.
FOR THE HUNGRY INVESTE 1 MILHÃO DE DÓLARES PARA ACESSO A ÀGUA POTÁVEL NO NORTE DO PAÍS
Aorganização não-governamental (ONG) internacional Food for the Hungry (FH) anunciou um investimento de 1 milhão de dólares (equivalente a 63,2 milhões de metais) para garantir acesso a água potável a pelo menos 15 mil pessoas nas províncias de Nampula e Cabo Delgado, no norte de Moçambique, de acordo com informação avançada pela agência Lusa. Samuel Tinho, gestor de projectos da FH, avançou que a iniciativa tem como objectivo "aumentar ou melhorar a água potável e sustentável para pelo menos 15 mil pessoas", com especial foco nas comunidades afetadas pela pobreza extrema. O projecto, denominado "Soluções Inovadoras para Garantir Acesso Resiliente e Sustentável à Água Potável", será implementado nos distritos de Balama, em Cabo Delgado, Rapale e Meconta, em Nampula.
A ONG também tem como meta garantir que pelo menos 50% dos beneficiários sejam mulheres, refletindo seu compromisso com a inclusão e a igualdade de gênero. Kate Musimwa, chefe do programa da FH,

enfatizou a importância do projecto, dizendo que “o acesso seguro à água não deve ser um privilégio de alguns, mas um direito de todos”. Musimwa destacou ainda o impacto social da iniciativa, que vai além da construção de infra-estruturas: “Por trás de cada estatística existe uma história: uma criança que falta à escola, uma mãe que caminha quilómetros ou uma família obrigada a consumir água insegura.”
O representante da Direção Nacional de Abastecimento de Água e Saneamento, Bento Caetano, destacou a relevância da colaboração, afirmando que "ajuda-nos a prover água e saneamento ao nível das comunidades".
Caetano acrescentou que essa parceria permitirá libertar recursos para outras regiões que também necessitam de intervenção.



ABSA BANK MOÇAMBIQUE É ELEITO O "MELHOR BANCO PARA PME" EM 2025
OAbsa Bank Moçambique foi recentemente distinguido como o "Melhor Banco para Pequenas e Médias Empresas (PME)" no International Investors Awards 2025, um evento promovido pela International Investor Magazine, com sede em Londres. Este prémio representa a segunda vitória consecutiva da instituição nesta categoria, depois de, em 2024, ter sido reconhecido pela prestigiosa revista britânica Global Banking & Finance Review. Martha Humbane, directora da Banca de Negócios do Absa, destacou a importância das PME para o desenvolvimento económico de Moçambique, sublinhando que estas empresas representam a maior parte do tecido empresarial do país.
"Este prémio destaca o nosso compromisso com o crescimento das PME. Somos um parceiro estratégico na criação de histórias de sucesso e acreditamos que a nossa vasta experiência no apoio a este segmento impacta directamente a economia e o desenvolvimento empresarial, contribuindo de forma signifi-

cativa para o bem-estar das comunidades", afirmou Martha Humbane, citada pelo Diário Económico.
Em Fevereiro deste ano, o Governo em parceria com a Associação Moçambicana de Bancos, lançou uma linha de crédito bonificada no valor de 10 mil milhões de meticais (aproximadamen-
te 156,6 milhões de dólares), destinada a apoiar as PME afetadas pelas manifestações pós-eleitorais de Outubro de 2024. No âmbito desta medida, o Absa já desembolsou mais de 265 milhões de meticais (cerca de 4,1 milhões de dólares), beneficiando directamente centenas de empresas com condições de financiamento mais favoráveis.
GOVERNO INVESTE 20 MILHÕES DE EUROS EM ATERROS SANITÁRIOS PARA A PROVÍNCIA DE NAMPULA
OGoverno prevê um investimento de 20 milhões de euros (aproximadamente 1,5 mil milhões de meticais) para a construção de dois aterros sanitários na província de Nampula. O objectivo é aprimorar a gestão de resíduos nas áreas urbanas da região mais populosa do país, combatendo a poluição e os riscos ambientais e de saúde.
As obras estão programadas para começar em 2026, com a construção de uma estrutura em Nampula e outra em Nacala, conforme declarado por Delfina Falume, directora provincial de Desenvolvimento Territorial e Ambiente. Falume explicou que o projecto já tem estudos técnicos concluídos e terrenos reservados, contando com o apoio de parceiros internacionais.
De acordo com o “ED”, a directora detalhou que as novas infraestruturas permitirão um depósito de lixo organizado e a separação de resíduos, já que Moçambique enfrenta grandes desafios na gestão de resíduos sólidos.
Actualmente, a província não realiza

qualquer tipo de triagem, com materiais orgânicos e inorgânicos misturados, o que sobrecarrega as lixeiras e o ambiente.
Dados do Governo de Junho indicam que o país lança anualmente 17 mil toneladas de lixo plástico no mar e 116 mil toneladas são despejadas em lixeiras sem tratamento e produz cerca de
4,2 milhões de toneladas de lixo por ano, e apenas 1% é reciclado por redes informais.
Para enfrentar a situação, um segundo projecto no valor de 24 milhões de euros está em andamento, com a finalidade de construir mais três infraestruturas de reciclagem.


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