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02 EDITORIAL

Um mês para comemorar Mais uma edição do Nosso Jornal chegou e estamos contentes com o retorno que temos tido dos leitores. No mês de abril, temos alguns destaques especiais e algumas matérias bem interessantes, tais como:

ÍNDICE

03 sustentabiliadade 04 cultura 05 educação 06

saúde

gratos pela graça derramada sobre nós e pelo sangue derramado naquela cruz. Nosso Deus nos entregou um tributo de amor, dando a vida de Seu filho. É sobre isso que estamos falando nessa edição. Além disso, nesta edição, falaremos sobre os 50 anos do golpe militar que aconteceu em nosso país. Apontamos no NJ alguns desafios para nossa geração. Desafios, os quais, todos aqueles que viveram durante o período da ditadura militar, foram impedidos de completar. O governo de João Goulart tinha grandes planos para o Brasil. Esses planos acabaram quando a força militar foi imposta em nosso país. Trazemos uma novidade: a coluna dedicada a todas as mulheres brasileiras. A cada edição, você conhecerá mais sobre as mulheres que mudaram nosso Brasil, que fizeram diferença no mundo e que desde o princípio da

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Aproveitamos o que tem acontecido nas redes sociais, nas mídias de todo Brasil para falar mais sobre o preconceito. O que tem acontecido nos últimos dias tem mostrado um país culturalmente subdesenvolvido. Um país com pessoas que precisam ver a mudança e precisam aprender a crescer como homens e mulheres que respeitam a todos. Você pode fazer parte desta mudança, com atitudes e palavras, sendo boa influência nos seus círculos sociais e profissionais. Falamos também de uma Curitiba que era modesta e simples. Uma Curitiba que não fazia promessas sem fundamento. Uma Curitiba que era alegre, que amava a natureza, uma Curitiba conhecida por seu cuidado com os detalhes. Uma cidade limpa, ecológica e simpática. Onde foi parar essa cidade? Podemos resgatar valores, para novamente, ser mundialmente conhecidos como capital ecológica. Vamos mostrar nossas reais qualidades. No mesmo ritmo, de sustentabilidade, nosso país tem crescido tanto e poluído mais ainda. Não temos espaço nas ruas para mais carros, mas temos espaço para as bicicletas. Se nosso governo fosse honesto, eles saberiam que é muito mais econômico reestruturar as cidades para que

atualidades

tenham ciclovias, do que construir novas ruas com materiais inferiores aos necessários. Inovamos também na área tecnológica, trazendo um tema atual que está na cabeça de muita gente. Na era dos smartphones, com tantas opções, e tantos preços, qual aparelho que posso comprar sem me arrepender e além disso, com um bom custo benefício? Respondemos essa dúvida. E ainda mostramos o que o futuro, aparentemente próximo, nos reserva. Nesta edição ainda falamos de saúde, educação, meio ambiente, como se preparar para viajar para fora do país. Falaremos sobre seu valor no mercado de trabalho e também sobre opções de investimento para o seu futuro. Esperamos que você goste desta edição e que seja uma boa leitura e um tempo gostoso de aprendizado.

Renato Mendonça, pastor do Ministério de Comunicação da Igreja Batista do Bacacheri

realizada pelos membros da IBB. JORNALISTA RESPONSÁVEL Marli S. Ciaramella (MTB - 24.450 104 72/SP) EDITORES Renato Mendonça Ana Letícia Pie COLABORADORES DA EDIÇÃO

Fred Branco Joenalva Porto Lehi Humberto Illescas Marinês Mendonça

capa

Paulo Ernesto Ormerod Penha Lustosa Priscila Aguiar Laranjeira Priscila Heringer Oliveira

vida universitária

Suelen Lorianny Waldir Fabrício dos Santos

11 tecnologia ação social

PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Agência IBB - Ana Letícia Pie CAPA Fabio Vinicius COMERCIAL Isabela Pires REGISTRO DO INPI 825022495 TIRAGEM

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opinião

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finanças

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do Bacacheri (IBB). Distribuição gratuita

Dongley Martins

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Jornal mensal produzido pela Igreja Batista

Chica Baptista

vida têm se destacado. Será uma oportunidade de aprendermos mais sobre aquelas que cativam e são tão importantes em nossas vidas.

Ano 18 - Edição 219 - Março/2014

Bruno Vercelino da Hora

A Páscoa, uma data muito importante para nós, pois nos lembramos do sacrifício feito por Jesus para salvar nossas vidas. Somos imensamente

EXPEDIENTE

5 mil exemplares IMPRESSÃO Grupo RBS CONTATO Nosso Jornal (Igreja Batista do Bacacheri) Rua Amazonas de Souza Azevedo, 134 -

50 anos do golpe

Bacacheri - Curitiba - Paraná Telefone: (41) 3363-0327 E-mail: nossojornal@ibb.org.br

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meio ambiente

Site: www.ibb.org.br/nossojornal *Parte das fotos utilizadas são meramente ilustrativas. Os conteúdos e opiniões contidos nesse material são de responsabilidade de seus autores.


SUSTENTABILIDADE

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A separação entre as árvores e a cidade No princípio eram as matas, as águas, os pássaros e outros bichos. A natureza seguia seu ciclo em equilíbrio e harmonia. Arrancamos as árvores para plantar cidades, para a energia elétrica levantamos postes e rede aérea. Para as ruas empoeiradas fizemos a pavimentação, para as águas (potável, servidas e pluviais) tubulação. Para os pedestres, passeios e somente uma sombrinha das... árvores. Sim, aquelas que arrancamos ficaram na saudade e agora precisamos de outras. Queremos a cidade, o progresso e andar na sombra. Provocamos o divórcio e queremos as árvores de volta com condicionantes inegociáveis. Elas devem ficar confinadas em minúsculos espaços, disputados por pedestres e à mercê de vândalos. Devem buscar seus nutrientes em solos compactados, ocupados por tubulações e poluídos por dejetos e resíduos; buscar ares poluídos por veículos e indústrias e ocupados por fios, placas e fachadas. No processo, preterimos as espécies nativas e preferimos as asiáticas, europeias e outras exóticas estrangeiras. Não tem jeito. Há que se discutir a relação! E, convenhamos, estamos oferecendo pouco. Muito pouco. E, como os humanos, árvores crescem para baixo, para os lados e para cima. Aqueles voltam ao pó. Estas, danificam tubulações, pavimentação, incomodam pedestres, casas, lojas, carros, atrapalham

as redes elétricas e são submetidas a podas, digo, mutilações fantasmagóricas que alteram todo o equilíbrio de forças que dá a sustentação para elas. Apesar de certos estudos darem conta que plantas reagem aos humores dos humanos, é preciso mais que conversa para convencer um “ipê” de não engrossar o tronco, uma “leucena” de deixar de produzir milhares de sementes ou um “ficus” de encolher suas raízes para não buscar água em distâncias impensáveis. No princípio harmonia, agora o caos. A sociedade precisa discutir em que bases a relação Árvores e Cidades ocorrerá. Os passeios estão intransitáveis, os ventos, com velocidades cada vez maiores, estão derrubando as árvores; as águas pluviais, levando milhares de sementes de espécies invasoras para os cursos d´água e assim replantando as matas ciliares com espécies inapropriadas. O documento que deve consolidar as bases da relação Árvores e Cidades chama-se Plano Diretor de Arborização Urbana. É o conjunto de métodos e medidas adotadas para preservação, manejo e expansão das árvores nas cidades, de acordo com as demandas técnicas e as manifestações de interesse das comunidades locais. A partir de um inventário das árvores da cidade, devem ser traçadas diretrizes de planejamento, produção, implantação, conser-

vação e administração das árvores públicas; inclusive um plano de manejo para substituição de árvores que apresentem risco. Em muitas cidades, por incompetência de gestão e fiscalização por quem de direito, cada um faz o que bem entende plantando de tudo nos seus passeios. Árvores frutíferas que danificam veículos e atraem insetos aos frutos apodrecidos; espécies com espinhos que ameaçam os transeuntes; árvores frondosas embaixo das redes de energia, provocando curtos circuitos e danificando calçadas. Algumas impedindo o trânsito de pedestres e constituindo-se em barreiras intransponíveis, negando a acessibilidade, direito de todos, não só da pessoa com deficiência. O planejamento urbano deve prever espaços para as árvores crescerem livremente em substratos que não constituam ameaças, e possam brindar a todos com beleza cumprindo sua função ambiental. É preciso discussão com a sociedade mediante audiências públicas e ao final, elaborar um documento adequado, firmado em bases técnicas, factíveis e principalmente, disposição para cumpri-lo nos seus termos. No relato do Gênesis, o Criador plantou um jardim e deu ao homem a tarefa de cuidar dele. Parece que ainda não fizemos a lição de casa.

Waldir Fabrício dos Santos, Engenheiro Civil e pastor na Igreja Evangélica Congregacional em Toledo/PR


04 CULTURA

Sem liberdade, eu não vivo Na década de 60 a mulher começava a assumir um novo papel na sociedade. No Brasil, a busca por liberdade feminina se iniciava em meio a um golpe de Estado que tentava travar as mudanças. A ditadura militar brasileira durou 21 anos e marcou a trajetória de milhares de pessoas que não se calaram diante da repressão. Enquanto o mundo caminhava à procura de novas ideias, o governo brasileiro insistia nas velhas atitudes. Mas nem por isso as mulheres deixaram de ousar e arriscar muito para o desenvolvimento de um novo país. A história, que sempre foi escrita e contada por homens, ganha, com este livro, uma versão puramente feminina e reveladora. A ditadura militar foi um período controverso, com grandes lutas, paixões e injustiças. O Paraná também foi um núcleo de revolução, onde essas garotas se destacaram pela coragem e enfrentaram um regime opressor. Com histórias diferentes, cada uma colaborou para a conquista da democracia e liberdade. Neste livro, seis mulheres abrem suas portas e narram suas vidas com o intuito de ainda criar uma nova consciência através de seus depoimentos.

12 anos de escravidão Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor) é um negro liberto que vive com a família no norte dos EUA. Ele é um músico respeitado e vive normalmente. Determinado dia, é trapaceado por parceiros de trabalho e levado ao sul, onde é vendido como escravo. A partir daí, temos uma sucessão de cenas duras e de momentos de virar o estômago. Steve McQueen investe em tomadas mais quentes, fruto do clima no sul dos Estados Unidos e também da situação de desespero do protagonista. É angustiante a forma como investe em planos detalhes, aproximando a câmera de objetos e partes do corpo dos personagens. Ao mesmo tempo em que a técnica prende a atenção em um momento em que as mãos de Solomon tocam um violino, causa impacto ao retratar as chibatadas recebidas pelo mesmo. Em alguns momentos, o longa cai em estereótipos ao retratar o homem branco do norte como progressivo e atencioso e o do sul como a caricatura do diabo, mas mesmo isso é solucionado com a presença de personagens mais complexos, como o de Benedict Cumberbatch, um senhor de escravos mais acolhedor e menos repressor. 12 Years a Slave (no original) tem toda sua força no fato de não ser panfletário. A história (no sentido amplo da palavra) já é dura o bastante e não precisa de reforços melodramáticos. Sem transparecer isso a cada quadro, McQueen acaba fazendo um filme mais político do que o próprio Lincoln. Ele contou com a ajuda de nomes importantes como Paul Dano, Paul Giamatti, Michael K. Williams, Alfre Woodard, Sarah Paulson e Brad Pitt. Mas a força do elenco está mesmo no trio formado por Ejiofor, Nyong’o e Fassbender. Livraria e Locadora da Igreja Batista do Bacacheri - (41) 3363-0327

Eu sou mulher Eu sou mulher e, desde que me lembro, sempre gostei muito de ser mulher. Quando falei isso para uma colega, ela me perguntou: “então você era aquela menina que gostava de colocar o salto alto da mãe, passar batom e brincar de casinha?” Fiquei pensando. Sim, eu era. Mas quando eu disse que sempre gostei de ser mulher não foi a isto que me referi. Não mesmo. Quando eu era criança, até podia achar curioso usar salto alto, passar batom e brincar de casinha. Mas, depois dos meus nove ou dez anos, eu queria mesmo era andar de skate e brincar de lutinha com meu irmão. Porém, minha mãe não comprou um skate para mim e não gostava que eu brincasse de luta com meu irmão. Por quê? Porque aquilo não era coisa de menina. Na época não entendi direito, ou melhor, me fiz de desentendida. Sabia que um dia eu poderia questionar isto. E hoje, aqui estou. Uma mulher, jornalista, cristã e engajada em causas sociais ligadas às questões de gênero. Essa descrição algumas vezes causa um nó na cabeça do pessoal. Em outras situações já usei a palavra “feminista” para me descrever, nossa, isso sim assusta muita gente. Mas tudo bem, nesta edição não quero discutir o que sou ou deixo de ser. Quero questionar porque as coisas de menina, em sua maioria, não envolvem bola, brincadeiras na rua, carrinhos, ferramentas. Pelo que vejo, muitas mulheres estão se formando em engenharia civil, mecânica, elétrica. Muitas mulheres são advogadas, médicas, motoristas, jardineiras. Mesmo com a profissionalização feminina nas últimas duas décadas, insistimos em privar nossas crianças dessas brincadeiras. A infância é um momento de descoberta, no qual desenvolvemos habilidades, conhecemos as áreas que temos facilidade e gostamos de trabalhar. Precisamos deixar de lado alguns preconceitos, aceitar que as mulheres possuem diversas personalidades, não são todas iguais (ainda bem!) e também gostam de matemática. Eu usei o salto alto da minha mãe e hoje nada mais alto que uma sapatilha entra no meu pé. Brincava de casinha e hoje não tenho muito dom para limpar ou cozinhar, e o batom, é, este até passa. Está na hora de ensinarmos nossas meninas a se defenderem, precisamos criar mulheres que não se calem diante uma injustiça ou abuso, mulheres que brincaram de lutinha quando eram crianças e nem por isso perderam sua delicadeza e gentileza – meu irmão não se tornou um “machão” porque lutava com seus amigos e, muitas vezes, comigo (olha só, eu também não sou uma “machona”). Já passamos dessa fase, não é? A gentileza e o amor devem ser aprendidos por todos. Vamos brincar na lama; meninos e meninas, se sujem, joguem bola, aprendam a construir, limpar, cuidar e consertar. Que todas as brincadeiras sejam brincadeiras. Que a diversão não se limite aos nossos preconceitos. Suelen Lorianny, jornalista e membro da Igreja Batista do Bom Retiro.


EDUCAÇÃO 05

Como encorajar uma criança a ter bons hábitos de estudo Nunca é cedo demais para apresentar a seu filho bons hábitos de estudo. Isso fará com que ele seja recompensado, não somente na área escolar, mas pelo esforço durante toda a vida. Casos clínicos em que crianças e adolescentes apresentam dificuldades para alcançar rendimento escolar satisfatório são bem comuns. É recorrente a existência de hábitos inadequados de estudo e dificuldade em atingir notas mínimas nas avaliações escolares. Por causa de alguns maus hábitos, crianças desenvolvem comportamentos para evitar o contato com o material pedagógico e a realização da tarefa escolar. São exemplos desses comportamentos o olhar dispersivo (olhar em outras direções: pessoas, teto, TV), movimento dispersivo (ir ao banheiro, levantar da cadeira, levantar do local do estudo, pegar objetos desnecessários) e verbalizações dispersivas (cantar, falar sozinho,

falar sobre outros assuntos). Algumas dicas para melhorar e encorajar o hábito de estudo desde pequeno: Seja um bom exemplo. Se você está fazendo um curso ou traz trabalho para casa, seu filho aprenderá através dos seus hábitos. Faça com que estes sejam bons. Ajude seu filho a organizar as coisas. Um estojo (penal) com divisórias, por exemplo, ajuda a criança a organizar o material. Lápis, borracha e apontador em uma parte e os lápis de cor em outra. Ajude-o a organizar seu espaço. A mesa da cozinha serve para comer e a mesa de seu filho para estudar. Ajude-o a organizar o tempo. Estabeleça uma rotina para seu filho terminar seus deveres de escola. Não precisa ser assim que ele entrar em casa, apenas combine um horário. Diminua ao máximo as distrações. Evite

televisão ligada, música alta e agitada, desenho animado ou celular no ouvido. Verifique sempre a atividade para que seu filho saiba que você se importa com ele. Insista que trabalhos desleixados ou descuidados sejam refeitos, mas não corrija os erros. Os professores precisam saber as dificuldades dos alunos. Elogie sempre que for possível e apropriado. Uma expressão sincera pelas realizações acadêmicas de seu filho pode ter um grande papel em ajudá-lo a fazer do estudo um hábito. Não espere pelo boletim escolar ou pela reunião de pais para demonstrar preocupação com os estudos dele. Se você acredita que seu filho necessita de ajuda, ofereça agora. Veja aquilo que a escola pode oferecer quanto ao desenvolvimento de técnicas de estudo. Aulas de reforço estão se tornando cada vez mais disponíveis.

Marinês Mendonça, psicopedagoga e Ministra do Ministério Infantil da Igreja Batista do Bacacheri


06 SAÚDE

Como é a demência? Demência é um “palavrão” que assusta, principalmente aqueles que já não são tão jovens assim. O objetivo deste artigo é de alertar sobre a escalada no surgimento de novos casos de demência e a conscientização de que algumas poucas medidas podem ser de grande auxílio na contenção ou minimização dos males provindos da mesma. Muito há que se descobrir sobre as doenças de origem neurológica e por este motivo ainda não há tratamentos eficazes e menos ainda o vislumbre de cura para tais enfermidades. DEFININDO DEMÊNCIA Demência é uma síndrome que leva à deterioração da função cognitiva, memória, orientação, compreensão, cálculo, aprendizado, linguagem e julgamento. Estes sinais levam a alterações comportamentais ligadas às emoções, relações sociais e motivação. Deixemos bem claro que a demência não pode e nem deve ser considerada uma alteração normal, fruto do processo de envelhecimento. ESTATÍSTICAS As estatísticas não são muito animadoras. Uma em cada 14 pessoas acima dos 65 anos e uma em cada 6 acima de 80 anos apresenta sintomas de demência. Calcula-se que cerca de 36 milhões de pessoas sofram de demência no mundo com mais ou menos 8 milhões de novos casos a cada ano. A projeção nos leva a um número assustador: Perto do ano de 2050 teremos algo em torno de 115 milhões de indivíduos portadores de alguma forma de demência. Demência é uma das maiores causas de depen-

dência entre as pessoas de idade em todo o mundo. Alzheimer é uma das mais comuns manifestações de demência, com cerca de 65% dos casos. Por que a demência é um mal que nos assola e tem mostrado franca progressão em número de casos? Talvez pela maior expectativa de vida, indivíduos alcancem fases em suas vidas que há algumas décadas não atingiriam. Também pode ser pela agressão física e química que cada vez mais se intensifica; quer seja no ar que respiramos, na alimentação, nos remédios administrados de forma desenfreada, pelo ritmo de vida estressante que a maioria de nós leva e outros fatores que também concorrem para que projetemos um futuro preocupante no que tange a nossa qualidade de vida.

Coloco alguns sintomas que sinalizam precocemente a demência: perda de memória; dificuldade em realizar tarefas diárias; problemas de linguagem; desorientação em tempo e espaço; dificuldades em tomar decisões; dificuldades em manter-se focado em tarefas; perda de objetos; mudanças bruscas de humor; mudanças na personalidade; falta de iniciativa.

SÍNDROME - DEMÊNCIA Sabemos que síndrome é um conjunto de sinais e sintomas ligados a alguma doença. A demência pode atacar os indivíduos de formas variadas, mas há sinais e sintomas que caracterizam sua evolução. Estágio inicial: esquecimento; alienação mental (com relação a tempos e prazos de atividades); sensação de desorientação espacial. Estágio intermediário: esquecimento ligado a nome de pessoas e eventos recentes; desorientação mesmo em ambientes familiares; dificuldades de comunicação; necessidade de auxílio nas tarefas corriqueiras; mudança comportamental (vagar por certos lugares e repetição de perguntas). Estágio terminal: perda de consciência de locais e horários; dificuldade em reconhecer familiares e amigos; necessidade ampla de auxílio nas tarefas corriqueiras; dificuldade na locomoção; comportamento variado e muitas vezes agressivo. Como detectar preliminarmente?

EXERCITE A MENTE Podemos comparar nossa mente a um músculo que, não sendo solicitado – atrofia. Toda atividade que envolva desafio mental é bem vinda: Palavras cruzadas, jogar xadrez, aprender outros idiomas, ler bons livros, jornais, revistas, debater com amigos, aprender a “mexer” no computador e uma infinidade de outras atividades mentais.

O QUE FAZER PARA EVITAR A DEMÊNCIA? Não há muito o que fazer com relação à demência a partir do momento em que ela já se manifestou, mas podemos afirmar que vale a pena a aplicação de doses “homeopáticas” de pequenos cuidados já anteriormente aqui mencionados e que quanto mais cedo forem empregados, melhores serão os resultados.

EXERCITE O CORPO Está 100% comprovado que as atividades físicas trazem um enorme benefício ao funcionamento do cérebro, estimulando inclusive a formação de novos neurônios e pontes (sinapses) entre os mesmos. Este incremento na relação psicossomática traz consequências positivas vinculadas às atividades de um modo global, isto é; a performance humana é otimizada tanto no trabalho quanto no lazer. Fred Branco, membro da International Church of Curitiba


ATUALIDADES 07

#contraopreconceito De repente, em pleno Século XXI, nos vemos às voltas com todo tipo de preconceito. Estamos voltando à barbárie? Estamos deixando de ser racionais? Onde está nossa lucidez?

De repente, em pleno Século XXI, nos vemos às voltas com todo tipo de preconceito. Estamos voltando à barbárie? Estamos deixando de ser racionais? Onde está nossa lucidez? Chocou a opinião pública e todos os cidadãos de bem, o resultado da pesquisa que afirma que 65% da população brasileira acredita que a mulher que se veste de maneira sensual ou sedutora merece sofrer algum tipo de abuso ou violência. Mais estarrecedor ainda é saber que dos 3.800 entrevistados, 66% são mulheres. “Ah! Foram apenas 3.800 entrevistados. Isso não reflete realidade nacional nenhuma”, você pode pensar. Talvez. No entanto, os dados da pesquisa são sérios. A roupa de uma mulher não deve ser justificativa para nenhum tipo de violência, seja ela física ou verbal. A polêmica ganhou as redes sociais e agravou a situação. Sem mostrar a cara, portanto, escondendo sua identidade, pessoas de todos os tipos disseram o que quiseram nas redes sociais. Até ameaças reais foram feitas. Maridos, pais, filhos e irmãos se uniram às suas mulheres para protestar. A violência contra a mulher é uma realidade diária e não precisa de

mais lenha na fogueira. O que dizer do racismo, que nos últimos dias veio à tona com toda força? Como, em um país cuja população é resultado da mistura de povos, pode existir preconceito racial? Parece incrível, mas dos estádios de futebol até as repartições públicas, como no caso do estagiário demitido por apologia ao preconceito, o tema voltou com força às manchetes. Desde quando a cor da nossa pele voltou a ter relevância? O ser humano é complexo; é integral: corpo, alma e espírito. Sabemos bastante do corpo, pois o vemos e cuidamos bastante dele. Da alma apenas temos noção e acreditamos que é imortal. O que sabemos do espírito? Que ele pode ser vergado frente às intempéries, torturas, dificuldades, mas também que ele pode ser forte, vingador, livre! O Criador nos fez perfeitos como somos e isso inclui a cor da pele, dos olhos, dos cabelos. Hoje, usamos e abusamos da indústria cosmética para modificarmos nossa aparência e assim “camuflamos” nossos defeitos estéticos. Mas não dá para esconder a feiúra se ela faz parte da alma, se é parte de nossa personalidade. É por isso que o racismo tem dado

as caras, infelizmente com uma frequência que não gostaríamos de ver, porque os preconceituosos camuflaram por um bom tempo seu jeito de ser, suas opiniões e suas atitudes e agora, depois de anos dentro de uma camisa de força, eles rasgaram a lei da tolerância e da aceitação do outro como ele é e voltaram a mostrar quem são. Há quase 17 anos, quando me mudei para a capital paranaense fui chamada de macaco. Achei que não era não comigo e que havia entendido errado, afinal eu acabara de me mudar para um dos estados mais cultos do país e, onde há cultura, o preconceito não deve existir, pois ele é marca da ignorância. Hoje, os urros imitando gorilas, as bananas jogadas nos gramados, as vestes deselegantes de macacos e gorilas jogam na nossa cara o que não queremos ver: que o preconceito existe e que os preconceituosos estão bem ao nosso lado. Mas, há solução para o problema: basta lembrar que somos todos iguais, que a raça é humana e que o nosso tempo aqui na Terra é curto. Debaixo da pele, seja qual for a cor, bate um coração que sabe amar e deseja ser respeitado.

Priscila Aguiar Laranjeira, membro da Igreja Batista do Bacacheri


08 CAPA

“Oferecer à própria vida em favor de alguém é tornar-se um tributo. É morrer para que o outro viva.” - Jogos Vorazes Quando a jovem Katniss se oferece como tributo, durante a colheita, em lugar de sua irmã Prim, ela conquista a simpatia de muitos, afinal, ela escolheu lutar e até morrer no lugar de sua irmã. O enredo cheio de sangue de Jogos Vorazes ganha cores mais densas na continuação do filme. “Em Chamas” é a sequência da trilogia que será encerrada com o adequado título de “A Esperança”. Nossa juventude entendeu bem o conceito de tributo, de arena, de luta pela vida, de morte de inocentes e de revolução. O que JESUS CRISTO – o Filho de Deus fez por nós, foi algo ainda maior e mais chocante. Katniss estava lutando para poupar a vida de sua jovem e inocente irmã. JESUS estava se oferecendo como tributo para resgatar a vida de homens e mulheres pecadores. Ele se ofereceu em lugar da humanidade. Na celebração da Páscoa judaica o filho mais novo pergunta ao pai: “Por que essa noite é diferente das outras noites?” O pai responde contando a história dos eventos da primeira Páscoa ainda no Egito, e a libertação do cativeiro. Essa história serve para manter os Judeus

unidos e dar-lhes esperança, não importando as circunstâncias. Uma das tradições é deixar a porta destrancada; uma cadeira vazia à mesa; e um cálice cheio de vinho, que não é tomado. É para o profeta Elias saber que é bem-vindo, porque os Judeus acreditam que ele será o arauto da chegada do Messias. Os Jogos Vorazes da semana daquela distante Páscoa judaica começaram com o beijo da traição de Judas. Um amigo traindo o outro por trinta moedas de prata! Ao sair preso do Getsêmani o sofrimento de Jesus estava apenas começando. Ele sofreu açoites atrozes e com o corpo ensanguentado foi coroado com espinhos. Preferiram que soltassem um ladrão a ele. Seu sofrimento continuou à caminho para o Calvário onde foi escarnecido e cuspido. Pregado na cruz, Jesus pediu ao Pai que perdoasse a todos nós e tornouse o caminho que nos conduz à vida eterna. Há ESPERANÇA. O corpo de Jesus, retirado da cruz foi colocado em um túmulo novo. Soldados foram escalados para cuidar do corpo. No domingo pela manhã uma surpresa: o túmulo estava vazio!

“Onde colocaram o meu Senhor”? pergunta Madalena em lágrimas e Jesus, muito suavemente diz apenas o nome: “Maria”! Ela sabe, então, que o Senhor ressuscitou! É Páscoa! É motivo de celebração! Para os judeus Páscoa significa relembrar a saída do Egito, a peregrinação pelo deserto e o fim da escravidão. A partir daquele dia passou a significar a alegria da ressurreição! Jesus está vivo! Não há corpo no túmulo, pois a morte não pôde segurá-lo. Os pés estão perfurados, a testa está marcado pelos espinhos e nas mãos as marcas dos pregos que o furaram, mas Jesus anda, sorri, respira e tem palavras de vida eterna. A mesa é farta no domingo de Páscoa. Peixes e chocolates agradam ao paladar, mas precisamos alimentar o espírito com a mensagem da verdadeira Páscoa e esta mensagem tem impactado o mundo há dois mil anos e hoje ela vai impactar a sua vida e a de sua família! Vamos celebrar! Que o seu coração esteja em chamas de gratidão por tão grande salvação! Que a sua esperança seja JESUS, independente das circunstâncias adversas que a vida lhe apresentar.

Priscila Aguiar Laranjeira, membro da Igreja Batista do Bacacheri


VIDA UNIVERSITÁRIA 09

Permissão para viajar Podemos dizer que o visto é uma das principais preocupações na hora de planejar uma viagem. Seja a trabalho ou turismo, ele se torna um dos itens mais importantes como a passagem aérea, acomodação e o seguro saúde. Hoje vamos focar nesse ponto. O visto assusta, afinal de contas ele é definidor e sem ele não adianta sair de casa. O mais interessante é que de tantas lendas urbanas, o visto pode se tornar um bicho de sete cabeças. Mas como dito anteriormente, o planejamento é essencial nesse momento. A informação é a melhor ferramenta e por isso quanto mais você tiver melhor. Procurar um profissional da área também traz muita segurança, pois ele saberá dizer qual é o passo a passo. Procure um despachante

de confiança na hora de planejar a viagem. Além disto, vale se informar quais são as regras de cada país. Alguns lugares como Canadá e Austrália, por exemplo, exigem que o viajante tire uma permissão para entrada antes de viajar. Outros, como os Estados Unidos, exigem também uma entrevista prévia no consulado. Nessa entrevista o visto será ou não concedido. Já algumas nações concedem esse visto no momento de entrada no país, no próprio aeroporto. Reino Unido, União Europeia, Nova Zelândia e África do Sul são exemplos em que esse é o procedimento comum, mas vale lembrar que existem algumas exceções: quando o período de estadia é longo ou se a viagem tem um motivo excepcional, esses países

podem exigir que o viajante tire o visto prévio. Como as embaixadas e consulados respondem apenas aos seus governantes, elas tem soberania para decidir para quem e quando conceder o visto. Por isso, muitas vezes o processo pode não ser tão rápido ou da maneira como o viajante espera. Durante minha experiência profissional, existiram casos em que o visto para o Canadá de um intercambista demorou quatro meses para ser emitido e, para outro participante do mesmo intercâmbio, essa permissão foi concedida em apenas dois dias. Por isso volto a dizer que buscar informações é a chave para não ter dor de cabeça na hora de tirar o visto. Pergunte para seus amigos, agentes de viagem e despachantes qual a melhor maneira de proceder.

Chica Baptista, empresária e membro da Igreja Presbiteriana do Guabirotuba

Qual o meu valor no mercado de trabalho? Esta é a pergunta de um milhão de reais para qual muitos gostariam de ter uma resposta sempre positiva. Ou seja, dentro de nossa mais pura realidade, gostaríamos que a resposta fosse sempre o dobro ou o triplo do que realmente ganhamos. De um modo geral, esta ideia de valor é muito confusa. Muitas profissões que valem muito hoje são diferentes das que valiam muito no passado. Veja a situação dos engenheiros, sempre foram muito valorizados, mas creio que não tenha existido na história moderna um tempo em que se valorize mais a profissão do que nesta década. Quando a economia se aquece e demanda projetos de infraestrutura para continuar crescendo, este é o tipo de profissional que poderá dar respostas a estas demandas. Por outro lado, advogados tem um espaço enorme de crescimento. Com a globalização, muitas empresas

estão negociando em todas as partes do mundo. Isso faz do advogado um grande aliado para evitar que, em razão das diferenças nas legislações de cada país, exista uma excelente negociação, mas um péssimo contrato. Os contadores, há tempos, vêm vivendo seu momento de glória. A maioria das empresas definitivamente entendeu que manter suas contabilidades em dia e de forma gerencial tornou-se a forma mais eficiente de governar suas decisões. Desta forma, o contador tem sido procurado por grandes empresas, escritórios de consultoria e principalmente de auditoria. Então, quanto eu valho? É disso que estamos falando, da lei da oferta e da procura. Se existem muitas empresas que querem estes profissionais, eles valem mais do que outros que não estão sendo tão procurados. Se você entrega além do que foi soli-

citado, você passa a ser cobiçado, fazendo com que seu salário ou remuneração seja maior do que a dos seus pares na sua ou em outras empresas. Quanto será que vale isso em dinheiro? Hoje em dia, existem empresas especializadas em pesquisas de salários. Seria leviano da minha parte tentar apresentar uma faixa de valores, mas se você tem o hábito de ler jornais e revistas profissionais, poderá encontrar regularmente planilhas com faixas salariais por posição. No fundo, a melhor forma de saber quanto você vale é estar sempre antenado no mercado e com os ouvidos abertos para ouvir os seus pares em organizações de referência. Por outo lado, nunca se esqueça de que a pessoa que pagou o mais alto preço por você foi Jesus, morrendo na cruz para nos livrar do salário do pecado, a morte eterna.

Dongley Martins, empresário e membro da Igreja Batista do Bacacheri


10 CULINÁRIA

Toque especial de Páscoa Vamos celebrar o Rei dos reis e Senhor dos senhores. Aquele que foi morto, mas vive e reina para sempre: Jesus! RECEITA BÁSICA DE CUPCAKE Ingredientes: · 1 colher (sopa) de baunilha - 12ml · 1 colher (sopa) de fermento em pó - 12g · 220ml de leite · 4 ovos · 350 gramas de açúcar refinado · 220 gramas de margarina sem sal em temperatura ambiente · 350 gramas de farinha de trigo peneirada · 2 gramas de sal Instruções: 1. Na tigela da batedeira coloque açúcar refinado e a manteiga em temperatura ambiente e bata até ficar no ponto esbranquiçado. 2. Adicione os ovos um a um com a batedeira ligada e bata. 3. Em outra tigela, adicione a baunilha no leite e reserve. 4. Em outra tigela coloque a farinha de trigo sem fermento mais o fermento em pó e o sal misture. 5. Adicione a massa do cupcake, um pouco da farinha e um pouco do leite e misture

levemente. 6. Adicione o restante da farinha e do leite. 7. Mexa levemente e a massa estará pronta. 8. Quando a massa ficar homogênea, é a hora de preencher as forminhas. Coloque as forminhas de papel posicionadas sobre as de alumínio e preencha até a metade com a massa. 9. Leve ao forno pré-aquecido por cerca de 25 minutos, mas verifique de tempos em tempos, pois o tempo pode depender de forno para forno. A receita acima é a massa básica do cupcake, depois de pronto, você pode incrementálo com diversas coberturas e recheios. Confira algumas dicas: Recheio: O recheio poderá ser de brigadeiro, geléia, cremes, doce de leite, etc. Para rechearbasta furar o bolinho pronto, colocar o recheio e tampar com a própria massa retirada. Cobertura: A cobertura também pode ser feita em diversos sabores, como: brigadeiro preto ebranco, chantilly branco ou colorido, etc. Para finalizar poderá usar chocolate granulado, coco,confeitos coloridos, confete de chocolate, pedaços de frutas, etc. Penha Lustosa, membro da Igreja Batista do Bacacheri


TECNOLOGIA 11

Qual é o melhor smartphone para comprar? Cada vez mais os celulares se tornam parte do nosso dia a dia e, muitas vezes, importantes para nossas tarefas diárias. Ou simplesmente para acessar o Facebook e jogar Candy Crush! O número de smartphones no mercado é extremamente grande e é normal a clássica dúvida: qual smartphone devo comprar? Aqui pretendemos ajudá-los nesse sentido, dando algumas sugestões. Nosso foco não será qual é o melhor smartphone do mercado, até porque você não deve querer pagar 2000 reais ou mais num smartphone. Portanto, iremos analisar essa pergunta numa perspectiva de custo-benefício. Além disso nos focaremos em celulares com Android por serem os campeões nesse quesito. 1. MOTOROLA MOTO G D i s p a ra d a m e n te, o c a m p e ã o n a categoria custo-benefício é o Moto G. Por apenas R$ 650,00 (na versão mais simples) você compra um celular com preço de smartphone barato e especificações de celular top, sem contar que ele traz a versão mais recente do Android. Especificações: processador quadcore de 1.2GHz, câmera de 5MP e memória interna de 8GB não expansível. 2. LG NEXUS 4 Ele está custando oficialmente nas lojas R$ 1.350,00, mas se você der uma procurada você consegue achar ele em promoção por até R$ 980,00. O Nexus 4 é um dos melhores celulares do ano passado e ainda é atualizado pelo Google. Especificações: processador quad-core de 1.5GHz, câmera de 8MP e memória interna de 16GB não expansível. 3. MOTOROLA MOTO X O Moto X possui um sistema revolucionário de reconhecimento de voz. Além disso possui especificações ótimas e possui a versão mais nova do Android. Seu preço oficial é de R$ 1.499,00 , mas ele sempre aparece em promoção por até R$ 1.100,00 Especificações: processador dual-core de 1.7GHz, câmera de 10MP e memória interna de 16GB não expansível. Esses são alguns dos melhores celulares em relação à custo-benefício. Você pode conferir melhor as especificações deles pesquisando na internet, assim como ficar de olho em promoções. Mas se você estiver disposto a gastar mais, alguns dos melhores celulares no mercado hoje são: o iPhone 5S/5C, o LG Nexus 5 e o Galaxy Note 3.

Bruno Vercelino da Hora, Especialista em Ciências da Computação e Membro da Igreja Cristã Evangélica do Mandaqui, São Paulo/SP.

Relógio pode se tornar tão útil quanto celular O lançamento do sistema para dispositivos vestíveis do Google, o Android Wear, e do relógio Moto 360 é o primeiro capítulo de uma possível transição da cultura do smartphone para a cultura do “smartwatch”, diz Lior Ron, executivo da Motorola que lidera o projeto do aparelho. “Há lugar [no mercado] para óculos, há lugar para aparelhos de bolso [celular]. Mas vejo que o relógio pode ser o melhor formato [de computadores portáteis]”, disse Ron em entrevista à Folha de São Paulo. “Sabemos que um dono de smartphone típico checa o aparelho centenas vezes por dia, o que muitas vezes demanda tirá-lo do bolso, fazer o desbloqueio, limpar notificações, interagir com alguma. Com um relógio inteligente, isso fica a uma olhadela de distância”, diz. Comandos de voz para responder mensagens e fazer pesquisas serão uma capacidade do Moto 360 quando for lançado (durante o inverno, entre junho e setembro), garante Ron, assim como potencialmente em qualquer aparelho com o Android Wear. Antes da Motorola, Ron trabalhou no Google, no Yahoo! e na inteligência do Exército de Israel, país onde nasceu. LUXO A Motorola não permitiu a operação do protótipo atado ao pulso do executivo durante a entrevista, mas pode-se dizer que o aparelho – o primeiro “smartwach” redondo – é de fato mais atraente que o Sony SmartWatch ou o Samsung Gear, por exemplo. “Não queríamos criar um relógio inteligente, mas sim um relógio. Algo que vejo que poderá atrair quem já usa relógio ou quem desejar suas funcionalidades”, diz. Por usar materiais como couro legítimo e aço inoxidável, o aparelho também terá um preço “premium”. “Fizemos o possível para que parecesse ter sido feito por uma empresa de relógios. Não queríamos fazer concessões em qualquer frente; o princípio básico de um vestível é você querer vesti-lo.” Ron afirma que a vida de bateria será prioridade. “Os relógios que já estão aí demandam que o usuário recarregue-o todo dia. Acho que isso é uma falha”, diz. O executivo deu a entender que haverá acionamento por gestos, como girar o pulso para checar a hora, e “talvez” opção de recarga sem fios. Uma versão mais barata do dispositivo, num lançamento posterior, também é uma das possibilidades em vista. ENTRE GIGANTES Neste ano, o Google vendeu a Motorola, empresa que havia adquirido em 2012, à fabricante chinesa Lenovo. Isso, segundo o executivo, não impediu uma profunda parceria entre as empresas no desenvolvimento do Moto 360 e no do Android Wear, anunciados há pouco menos de duas semanas junto com um relógio da LG. Asus, HTC e Samsung também disseram que terão seus exemplares. “O Google sabe cativar desenvolvedores. E a mágica estará nos apps que teremos.” Yuri Gonzaga, jornalista da Folha de São Paulo


12 AÇÃO SOCIAL

Qual é a verdadeira riqueza? Hoje vivemos em um mundo coberto por riqueza e também cheio de pobreza. Tanto de espírito, quanto no âmbito financeiro. Vimos miséria nas ruas. Em São Paulo, se você andar ao redor da Catedral da Sé, seu coração ficará até angustiado. Se você parar para ler tudo aquilo que as pessoas postam nas redes sociais, espero que seu coração também fique apertado, pois a pobreza de espírito das pessoas é impressionante. Vivemos em um país em que os valores e princípios que o regem são os da melhor vantagem. Quem for mais esperto, será melhor. Ninguém aprende a se importar com o próximo. Vivemos em um país onde o que realmente

importa é ser rico. A grande questão a ser perguntada é: onde está a verdadeira riqueza? Riqueza é apenas consumir ou riqueza também é repartir? Para responder essa pergunta, algumas pessoas nos dão exemplos de vida, que nos auxiliam a chegar em uma resposta mais precisa. Um filantropo indiano e empresário, A zim Premji, doou no mês de fevereiro a quantia de 2,3 bilhões de dólares para a educação do país. Anteriormente, em 2010, ele já havia feito uma doação de 2 bilhões de dólares. O valor equivale a aproximadamente 5 bilhões de reais. Essas foram as maiores doações que a Índia já recebeu. O interessante é que o empresário demonstra

alegria em doar este valor. Creio que a verdadeira riqueza está na ação de doar. É dar com alegria. Helen Keller diz: “Ninguém tem o direito de consumir felicidade sem produzi-la e doá-la ao seu semelhante”. Não importa o tamanho da sua doação, não importa se você irá doar seu dinheiro, se doará amor e carinho, alimentos, sangue, voluntariado. O que vale é o coração daquele que doa. Ninguém é tão rico que não possa receber uma doação, ninguém é tão pobre que não possa doar alguma coisa. Tenha um coração generoso, que com certeza, você será recompensado com uma alegria sem igual.

Nathaniel Brandão, presidente do Lar Batista Esperança e membro da Igreja Batista do Bacacheri

Espaço dedicado a divulgação do Lar Batista Esperança – Uma entidade social que atende crianças e adolescentes em situação de risco. Atualmente atende, aproximadamente, 120 crianças e mantida por doações espontâneas. Conheça mais sobre esta entidade acessando o site www.lbe.org.br.


OPINIÃO 13

Uma Curitiba modesta Quando Curitiba perdeu a modéstia, ela se perdeu. Na cidade apequenada na tirada infame de Millôr Fernandes (“ritiba” = “do mundo”), um dia a prefeitura decidiu devolver a rua principal aos pedestres, e a Rua XV virou a Rua das Flores. Disseram – e dizem ainda – que a Rua XV foi “fechada”. Ela não foi fechada, ela foi aberta aos pedestres que somos todos nós. Então, na cidade chuvosa, foram criados parques em áreas pantanosas, em áreas para contenção de cheias, em pedreiras abandonadas. E, para ligar esses parques, uma malha de ciclovias ao longo de rios que cortam Curitiba, em áreas que em outras cidades ficam abandonadas. E, para ampliar as ciclovias, usaram as áreas inapropriáveis ao longo da estrada de ferro. E uma cidade que, além do Teatro Guaíra, tinha poucas opções de lazer ocupou um fábrica desativada para fazer um centro de criatividade, e ocupou um paiol de pólvora para fazer um teatro – e ainda convidou o Millôr Fernandes! Todos esses projetos foram feitos para que as pessoas de Curitiba os usassem. Não foram pensados para os turistas. Não foram pensados

para serem vistos, mas para serem vividos no cotidiano. E, no entanto, justamente por causa disso, eles passaram de boca em boca e fizeram Curitiba ser um exemplo de uma cidade que consegue inovar com soluções modestas. Aos poucos esses projetos foram se rarefazendo. Ainda há iniciativas estimulantes de ocupação de espaços públicos, como a conversão do Paço das Artes em um Sesc, o movimento para revitalizar o Passeio Público, a reabertura da Ópera de Arame, a reforma do Mercado Municipal. Mas infelizmente são projetos que parecem descolados de uma visão geral da cidade. Nos últimos anos esses projetos foram sobrepujados por outros vultosos, quase todos de alguma maneira ligados ao fato de Curitiba sediar a Copa do Mundo. A Copa do Mundo não é a culpada. Ela é o veículo para mentes grandiloquentes – não grandiosas. Na primeira vez que vi uma imagem da cidade do Google Earth, vi um estádio pela metade. Achei que era uma erro do Google. Ao me mudar para cá, vi que não. Quando Curitiba foi escolhida para sediar a Copa, e sabíamos que seriam jogos secun-

dários, e o desenho financeiro para completar o estádio nos padrões da Fifa foi divulgado, senti que um dia ainda iria sentir saudades do meio estádio. Quase fazia parte da Curitiba modesta: podíamos ser campeões com meio estádio. Talvez o símbolo do desprestígio com as soluções modestas mais eficientes seja a ponte estaiada da Avenida das Torres. Não é preciso ser engenheiro para saber que uma obra ali era necessária, mas que uma trincheira daria conta. O prefeito da época chegou a dizer que Curitiba também merecia uma ponte estaiada, assim como São Paulo. Como assim, São Paulo? Onde erramos que precisamos nos inspirar em São Paulo? H o u ve u m t e m p o e m q u e o s p re fe i t o s passavam quatro ou oito anos na prefeitura não com a esperança de chegar ao Palácio Iguaçu, mas sim de jogar conversa fora na Boca Maldita, de encontrar vizinhos no jardim ambiental do bairro ( jardim ambiental, outra ideia simples), ir ao novo parque com familiares e cidadãos – e não eleitores. Houve um tempo em que Curitiba era modesta. Era boa. E isso a fez ser conhecida mundialmente.

Fábio Duarte, arquiteto e urbanista, é professor e coordenador do programa de Pós-Graduação em Gestão Urbana da PUCPR


14 FINANÇAS

Invista seu dinheiro em consórcio imobiliário O que é consórcio imobiliário e como funciona? Essas são algumas questões simples de serem respondidas. Vamos começar respondendo o que é um consórcio imobiliário. Para muitos, é uma espécie de poupança programada onde podemos separar todo mês uma determinada quantia. Como um compromisso mensal, o objetivo é comprar imóveis, fazer um investimento ou, como o sonho de todo brasileiro, ter a casa própria. Muitos de nós não somos disciplinados o suficiente para separar uma parte da renda mensal a fim de investir no futuro ou na compra de um bem. Por isso, a ideia do consórcio é simples e pode ajudar muitas pessoas na compra de um bem de valor mais significativo. Para Fabrício Peruzzo, colunista do site Moeda Corrente: “Ao aderir a uma cota de consórcio, o participante assume perante si e perante o grupo o compromisso de destinar uma pequena parcela de seu rendimento mensal para poupar”. O consórcio imobiliário pode ser considerado também como um autofinanciamento em que um grupo se une com o objetivo específico de adquirir um bem. Por isso, o consórcio é a modalidade mais econômica de aquisição, permitindo ao participante pagar a prazo, mas se beneficiar da compra pelo preço à vista sem juros. COMO FUNCIONA O CONSÓRCIO IMOBILIÁRIO? O princípio é simples: você define um valor que deseja receber de acordo com o tipo de imóvel que tem em vista e adere a um grupo. Uma empresa administradora de consórcio tem o prazo de 90 dias para formar o grupo que comporte um número predeterminado de consorciados. Como norma genérica, a empresa multiplica por dois o número de meses previstos e obtém o número de consorciados por

grupo. Assim, no caso de imóveis, se o prazo do grupo for de 180 meses (15 anos), o número mínimo de cotistas será de 360 (www.queroconsorciodeimoveis.com.br). Cabe ressaltar que a grande maioria das administradoras de consórcio de imóveis possui um número grande de cotas que estão em circulação no mercado. Outra pergunta muito comum é: vale a pena investir em consócio de imóveis? Essa é uma pergunta que depende basicamente de quem responde. Explico melhor. Se ela for feita para uma pessoa que vende consórcios ou que é do ramo imobiliário, a resposta será sim, com certeza é um ótimo investimento, talvez o melhor investimento para o seu futuro. Mas se você fizer essa mesma pergunta para pessoas que conhecem diversos tipos de investimentos, a resposta deverá ser: investir em consórcio imobiliário é uma alternativa, no entanto, se esse tipo de investimento é bom ou se é um dos melhores do mercado dependerá de quanto você tem a investir, de quanto tempo você dispõe para este investimento e qual o objetivo do mesmo. Na opinião de alguns economistas, o investimento em consórcio imobiliário é uma boa opção se você somar três fatores: tempo para investir, falta de disciplina no compromisso mensal de investimento e o desejo de um resultado bem definido deste planejamento. Ou seja, para essa última pergunta não existe uma resposta única, depende da visão de cada um de nós que se dispõe a investir no seu futuro, quer seja para a realização do sonho do brasileiro como a compra da casa própria, quer seja para investimento puro e simples, para uma complementação de renda na aposentadoria, por exemplo. Em caso de dúvidas ou esclarecimentos, estou à disposição pelo e-mail paulo.ormerod@acbi.com.br. Paulo Ormerod, empresário e membro da Igreja Batista do Bacacheri


50 ANOS DO GOLPE 15

A ditadura e a construção do futuro O golpe militar que, em 1964, derrubou o governo João Goulart e implantou a ditadura tinha sido ensaiado pelo menos três vezes nos dez anos que o antecederam. A primeira, quando Getúlio Vargas foi levado ao suicídio e evitou, com seu sacrifício, a tentativa golpista da direita em 1954. A segunda, quando, um ano depois, militares tentaram impedir a posse do presidente eleito, Juscelino Kubistchek, tendo sido barrados pela ação firme do ministro da Guerra, general Henrique Lott. A terceira, quando os ministros militares se arvoraram o direito de vetar a posse de Jango, logo em seguida à renúncia de Jânio Quadros, numa crise que desembocou na adoção do parlamentarismo. Os golpistas só não foram plenamente vitoriosos devido à firme reação de Leonel Brizola, então governador do Rio Grande do Sul, que liderou a Campanha da Legalidade. Assim, o golpe de estado de 1964 não foi um raio num céu azul. Ele vinha sendo tentado há, pelo menos, uma década. Eram tempos de Guerra Fria, e os Estados Unidos patrocinaram a implantação de ditaduras militares na maioria dos países da América Latina. No caso do Brasil, quando da deposição de Jango chegaram a deslocar uma frota para auxiliar os golpistas, na chamada Operação Brother Sam, intervindo militarmente caso fosse necessário, como ficou comprovado com a abertura de arquivos da biblioteca do Senado americano. Mas, abstraindo-se a conjuntura internacional, que elementos internos levaram a que, aliados com o grande capital nacional e estrangeiro e o latifúndio, os militares derrubassem Jango? Jacob Gorender, em seu livro Combate nas trevas, descreve com precisão aquele momento da história do Brasil: “O período 1960-1964 marca o ponto mais alto das lutas dos trabalhadores brasileiros no século 20. (…) A luta pelas reformas de base não encerrava, por si mesma, caráter revolucionário e muito menos socialista. Enquadrava-se nos limites do regime burguês, porém o direcionava num sentido progressista avançado.

Continha, portanto, virtualidades que, se efetivadas, tanto podiam fazer do Brasil um país capitalista de política independente e democrático-popular, como podiam criar uma situação pré-revolucionária e transbordar para o processo de transformação socialista.” A avaliação de Gorender é correta. Foi para abortar o processo descrito por ele que as classes dominantes brasileiras e o imperialismo deram o golpe de Estado, tendo os militares como seu instrumento. Mas, o que eram, afinal, as tais reformas de base, que tanto receio causavam nos reacionários e no imperialismo? Elas eram um conjunto de iniciativas de caráter popular, democrático e progressista nos planos agrário, financeiro, fiscal, urbano, administrativo e universitário. Somavam-se às reformas de base a outras medidas nacionalistas que previam uma intervenção mais ampla do Estado na vida econômica e um maior controle dos investimentos estrangeiros no país. A reforma agrária, por exemplo, distribuiria latifúndios improdutivos, além de desapropriar as terras com mais de 500 hectares às margens de rodovias federais e estaduais. Além disso, o Estatuto do Trabalhador Rural, aprovado em março de 1963 pelo Congresso, estendia aos assalariados rurais os direitos já conquistados pelos trabalhadores urbanos e fortalecia sua organização, até então sem uma legislação que a protegesse. Além de seu alcance social, ao dar cidadania e trabalho para os trabalhadores do campo, a reforma agrária propiciaria um aumento expressivo da oferta de alimentos, barateando a cesta básica e o custo de vida em geral. A proposta do governo Jango exigia mudanças na Constituição, pois estipulava que a indenização dos proprietários das terras poderia ser feita por meio de títulos de dívida pública, e não necessariamente em dinheiro. A reforma educacional visava à valorização do magistério e do ensino público, em todos os níveis, e a superação do analfabetismo, com a multiplicação das experiências do método Paulo Freire. O governo também se propunha a abolir a cátedra vitalícia.

A reforma fiscal tinha o objetivo de promover a justiça tributária – num País em que até hoje os pobres arcam com a maior carga de impostos - e aumentar a capacidade de arrecadação do Estado. Além disso, a remessa de lucros para o exterior por parte de empresas estrangeiras sediadas no Brasil seria limitada a 10% ao ano sobre o capital investido. A reforma urbana visava à justa utilização do solo e à oferta de habitação digna a todas as famílias. Ela daria, ainda, aos inquilinos o direito de comprar o imóvel ocupado, se residissem nele, sendo resguardado o direito do proprietário de manter sua própria residência. A compra se daria com base em uma prestação mensal mínima correspondente a 1% sobre o preço total do imóvel. A medida beneficiaria cerca de 13,5 milhões de famílias (30% da população) que, na época, moravam em imóveis alugados. A reforma eleitoral previa a extensão do direito de voto aos analfabetos e aos militares de baixa patente. Enquanto a reforma bancária tinha o objetivo de ampliar o acesso ao crédito para os produtores. As reformas do governo Jango também incluíam a nacionalização de setores como o de energia elétrica, de refino de petróleo e o químico-farmacêutico. Como se vê, boa parte dessas medidas seriam plenamente atuais ainda hoje, 50 anos depois do golpe militar. E fica a pergunta: como seria o Brasil se a experiência do governo de Jango e de suas reformas de base não tivesse sido interrompida pela força? É difícil uma resposta precisa. Com certeza, no entanto, teríamos hoje um País com mais justiça social, com mais cidadania para seus habitantes, mais desenvolvido culturalmente, com uma democracia mais sólida e muito mais respeitado no cenário mundial. Mas assim caminha a história. Por vezes são dados passos atrás. Cabe às novas gerações recuperar o tempo perdido e, aproveitando a experiência do passado, construir um futuro melhor. Este é o desafio que temos diante de nós.

Wadih Damous é presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB e da Comissão da Verdade do RJ. Seu relato é parte de uma série de depoimentos para o especial Ecos da Ditadura, que lembra os 50 anos do golpe militar, publicado na Revista Carta Capital.


MEIO AMBIENTE 16

A vez da bicicleta

É uma alternativa de transporte barata e saudável , mas que requer apoio e incentivo para se tornar realidade nas grandes cidades O singelo ato de ir e vir transformou-se em questão de máxima prioridade nos centros urbanos. Mobilidade nas cidades brasileiras é pauta diária e dor de cabeça permanente para 10 em cada 10 prefeitos de grandes e médias cidades brasileiras. O tema entrou até mesmo nas discussões sobre qualidade de vida, em razão dos poluentes emitidos pelos veículos e o sedentarismo. Além, é claro, dos acidentes causados, principalmente, por motoristas inconsequentes que matam mais pessoas dos que nos casos de homicídio. O histórico privilégio dado ao automóvel pelos gestores públicos e, mais recentemente, a sua real popularização - graças ao maior acesso a financiamentos e queda nos preços - transformaram o trânsito nas cidades praticamente insuportável. A opção pelo transporte individual, felizmente, tem sido bastante questionada. Aos prefeitos ficou, então, a difícil missão de implementar mudanças necessárias e urgentes para fazer fluir o tráfego de pessoas em suas áreas de atuação. O problema é o que fazer e como fazer. Em geral, após décadas de soberania de obras visando atender aos carros, quaisquer medidas tomadas por esses prefeitos ou são caras ou desagradam a parcelas consideráveis da população. A construção de metrôs e monotrilhos, faixas exclusivas de ônibus e a restrição ao uso do automóvel, para ficar em algumas das mais importantes medidas, já são suficientes para acabar com o sono de muitos alcaides Brasil afora, especialmente em São Paulo e Rio de Janeiro. Alternativa de baixo custo. Mas vale a pena pensarmos que também existem alternativas que, apesar de exigirem mudanças de hábitos e comportamentais, são muito mais baratas e com ótimos resultados para a qualidade de vida das pessoas. O aumento no uso da bicicleta está ganhando espaço nas discussões sobre mobilidade urbana. E antes que digam que estou propondo transformar as cidades brasileiras em versões chinesas da década de

70 do século passado, a resposta é um sonoro não. A ideia central é colocar a bicicleta como uma boa alternativa para viagens mais curtas e, em outros casos, interligadas com o transporte público. Aliás, para que seja possível estabelecer essa comunicação entre bicicleta e transporte público será preciso investir para capacitar estações de trem e metrô com estacionamentos seguros, facilidades de acesso e de transporte de bikes nas próprias composições. Isso tem ocorrido em São Paulo, de maneira tímida, é verdade, e com alguns retrocessos difíceis de entender. Os baixos valores aplicados nesse tipo de obra não justificam tantos vacilos e falta de determinação. Aliás, por falar em investimentos, a construção de ciclovias e espaços para pedestres é mais barata se comparada com vias para carros, trens e metrôs. O portal de mobilidade urbana Mobilize (www.mobilize. org.br) publicou um estudo sobre o tema realizado pela organização norte-americana Bycicle Coalition (http://www.sfbike.org/), tendo como base a cidade de São Francisco nos Estados Unidos. A pesquisa constatou que uma milha de ciclovia (cerca de 1,6 km) sai em média por 455 dólares, e a mesma distância de uma estrada custa 571 mil dólares. A organização conclui que apostar em obras de infraestrutura para bicicletas não compromete o orçamento das cidades, ainda mais quando comparadas à construção de vias para carros. Grande negócio. Para muitos ainda pode parecer coisa de criança, mas quando entramos também na questão econômica, o negócio da bicicleta assume uma outra dimensão. Hoje o Brasil é o 3º maior produtor de bicicletas do mundo, atrás apenas da China e da Índia, conhecidos países em que suas populações usam a bicicleta como meio de transporte. Nosso país também é o 5º maior consumidor de bicicletas no planeta, mas ficamos bem abaixo quando a análise verifica o consumo per capita. Nesse caso

passamos a ocupar a 22ª colocação entre os países do mundo. Vale lembrar que países europeus e suas belas cidades tem em seu cenário cotidiano pessoas de todas as classes sociais fazendo uso da bicicleta como meio de transporte. E para que os nossos números possam melhorar, um dos aspectos a serem verificados é o do valor. O Brasil tem hoje uma das magrelas mais caras do mundo, enquanto a compra de carros tem sido muito facilitada. Para mudar essa realidade existe inclusive um movimento da rede Bicicleta para todos (bicicletaparatodos.com.br) que pede ao governo um IPI Zero para bicicleta. No site você encontra uma petição online para ser assinada. Se levarmos em conta o atendimento aos seus principais usuários, o IPI Zero poderá tornar a vida das pessoas de baixa renda muito melhor. Segundo o IBGE, perto de 1/3 dos que se utilizam da bicicleta como meio de transporte no Brasil tem renda familiar de até 600 reais e outros 40%, de até 1.200 reais. O texto da petição faz referência exatamente aos benefícios que essa população irá receber: “são estes os brasileiros mais afetados pela alta tributação, que tolhe o acesso a um produto de mais qualidade e com valores mais justos, favorecendo a migração para outros meios de transporte, especialmente os motorizados”. Estudos divulgados pela Associação Brasileira da Indústria, Comércio, Importação e Exportação de Bicicletas, Peças e Acessórios (Abradibi) constataram que ao zerar o IPI, hoje na casa dos 10% do valor pago pela bicicleta , o Brasil teria um aumento de 11,3% nas vendas. A bicicleta, portanto, é uma boa alternativa, barata e saudável. Mas para que se torne uma real possibilidade de transporte, também será preciso garantir a segurança dos ciclistas para que as bikes ocupem e transformem a paisagem de nossas cidades e quem sabe consigamos construir um futuro mais humano e sustentável.

Reinaldo Canto, jornalista especializado em sustentabilidade e consumo consciente, é professor de Gestão Ambiental. Colunista da Revista Carta Capital.

Nosso Jornal - Abril 2014 - Edição 220  

Jornal mensal da Igreja Batista do Bacacheri.

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