aviNews Brasil Junho 2019

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A EVOLUÇÃO DO VÍRUS DA DOENÇA DE GUMBORO p. 60

JUNHO 2019

Daral J. Jackwood, PhD

avicultura.info


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07

Sete conselhos fundamentais para o manejo da ventilação em túnel

37

Equipe Técnica Aviagen América Latina Ltda

Mike Czarick & Brian Fairchild

Departamento de Ciências Avícolas, Universidade da Geórgia

20

Levantamento sobre mortalidade, uma ferramenta importante para avaliar a saúde e o bem-estar de reprodutores pesados José J. Bruzual DVM, MAM, MS, DACPV Veterinário Avícola Sênior da Aviagem Equipe Veterinária Global

Por que medir a pressão estática da sala?

43

A membrana vitelínica, sua importância na reprodução de frangos e o papel da Cantaxantina Marco Aurelio Cesco

Gerente técnico para América Latina, DSM Produtos Nutricionais

49

Importância dos ossos da galinha nos ciclos produtivos longos Juan David Sorza Z. Zootecnista, PhD. Professor, Universidade de Antioquia. Medellín-Colômbia.

Manejos para melhorar 29 5a qualidade do pinto Juan Carlos López

Hendrix Genetics, Kitchener, Ontario, Canadá

avicultura.info 1 aviNews Brasil Junho 2019


59

A plumagem vai além do que os olhos podem ver Teun van de Braak

Gerente de Produto, Poedeiras, Hendrix Genetics

evolução do vírus da 60 A Doença de Gumboro Daral J. Jackwood, Ph.D.

Programa de Pesquisa de Saúde Animal Universidade Estadual de Ohio/OARD

C

M

Y

56 ESTUDOS EM DIVERSAS ESPÉCIES DEMONSTRAM SUA EFICIÊNCIA. +200 ESTUDOS IN VITRO.

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avicultura.info 68

Impacto da Bronquite infecciosa na indústria de carne de frango Jorge Chacón, Eduardo Loewen e Tharley Carvalho Serviços Veterinários, Ceva Saúde Animal – Brasil

79

Mudanças nutricionais que devem ser consideradas em um ambiente livre de antibióticos promotores de crescimento Steeve Leeson

Professor Emérito, Universidade de Guelph

91

Controle de Salmonella através da integração de silos (Organizacionais) Equipe Projeto SmartShieldTM for Food Safety Cargill Animal Nutrition

96

Qualidade como sinônimo de aumento de lucratividade na produção de alimentos para animais Dione Carina Francisco

M. Veterinária, especialista em controle de qualidade, auditora líder HACCP - Agroqualitá

com 100 Entrevista Francisco Turra Presidente da ABPA

Congresso de Ovos da

104 APA se consolida como

maior evento técnico do Brasil FAVESU: a casa do

109 produtor Capixaba vira

referência para a região 2a Conbrasul Ovos

114 Um novo marco na

história da avicultura brasileira

ao leitor: 120 Carta SIAVS, Berço Esplêndido Direção Técnica

Dr. Gregorio Rosales MVZ, MS, PhD., DACPV

Eng. Eduardo Cervantes Consultor internacional de processamento avícola

Dr. Guillermo Díaz Arango

Zootecnista e Consultor Internacional em Nutrição e Produção de Poedeiras Comerciais

3 aviNews Brasil Junho 2019


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BREVE PERSPECTIVA DA INDÚSTRIA DO OVO NA AMÉRICA LATINA

G

EDITOR

raças aos investimentos das

O ovo é um alimento de alto valor

equipes de empresários

biológico, proteína de altísima

em tecnologias e esforços

qualidade e digestibilidade, à

das casas genéticas para pesquisa

qual têm acesso todos os níveis

e desenvolvimento, o ovo é hoje

socio-econômicos da população

uma proteína de origen animal de

e que contribui, de maneira

alto valor biológico e baixo custo,

significativa, à segurança alimentar

a ser considerada na guerra pela

de populações vulneráveis.

erradicação da fome no mundo, especialmente na América Latina.

Também é um produto versátil

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Nos últimos anos o consumo de ovos

transporte e conservação,

na América Latina vem apresentando

permitindo que um maior número

crescimento contínuo e, com raras

de pessoas sejam alimentadas

exceções, considerável. Tanto a

por quilograma de produto,

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produção, como o consumo de ovos

comparativamente a outras fontes

aumentaram, pelo crescimento da

de proteína como a carne, ou o

população, por seu preço competitivo

pescado, o que nos leva a concluir

e, também, graças às campanhas

que a tendência em relação ao

de fortalecimiento do consumo, que

consumo é de que continuará em alta.

buscam promover uma alimentação

Simone Dias +55 (11) 98585-2436 brasil@grupoagrinews.com

saudável e nutritiva. Ásia e América

Quando se revisa os dados de

do Sul são as duas regiões do mundo

crescimento da região latino-americana

DIREÇÃO TÉCNICA Dr. Gregorio Rosales,

que viram crescer mais rapidamente

nos últimos 20 anos, podemos

MVZ, MS, PhD., DACPV

sua produção e consumo.

perceber que o aumento na produção de ovos não resulta unicamente do crescimento da população de aves.

Eng. Eduardo Cervantes Consultor internacional de processamento de aves

Em 2018 a população de poedeiras na

Uma grande parte pode ser atribuída aos

América Latina foi de aproximadamente

investimentos em tecnologia por parte

Dr. Guillermo Díaz Arango

470 milhões; o consumo per capita

dos empresários, como a introdução

de ovos foi de 209 unidades, sendo o

de ambientes controlados, baterias de

Consultor técnico internacional em galinhas de postura

México o maior produtor e consumidor

gaiolas e melhorias na biosseguridade

(367 unidades per capita). Também

nas granjas. Por outro lado, às melhorias

encontramos um grupo de 5 países com

genéticas alcançadas nas diferentes

alto nível de consumo e produção de

linhagens, incluindo precocidade das

ovos como: México, Brasil, Argentina,

aves, ciclos produtivos mais longos,

Colômbia e Peru, que ultrapassam as 270

persistência na produção e aumento

unidades de consumo per capita ao ano.

da viabilidade; traduzindo-se em mais

No entanto, também existem alguns países onde seu baixo consumo (menos

ovos por ave alojada e/ou mais ovos, ou quilogramas de ovo por unidade de área.

de 170 unidades) representa um desafio

Para a pergunta: estamos no negócio

para a melhoria da segurança alimentar

correto? A resposta é simples: sim, a

da população como: Equador, Honduras,

população continua crescendo, suas

Paraguai, República Dominicana,

necessidades de alimentos também

Guatemala e Nicarágua, que poderiam

crescem. Por essa razão, quem

ser vistos como oportunidades de

produza alimentos (e mais do que

mercado para os demais países.

isso, de alto valor alimentar e preço

Já a Venezuela é um caso especial

acessível), não está no lugar errado!!!!

por razões bem conhecidas.

Dr. Guillermo Díaz Arango

Zootecnista e Consultor Internacional em Nutrição e Produção de Poedeiras Comerciais A direção da revista não se responsabiliza pelas opiniões dos autores. Todos os direitos reservados. Imagens: Noun Project / Freepik/Dreamstime

REDAÇÃO José Luis Valls Osmayra Cabrera Daniela Morales Priscila Beck TRADUÇÃO Diana Sorgato | Tikinet PREPARAÇÃO/REVISÃO Hamilton Fernandes | Tikinet Mônica Silva | Tikinet COLABORADORES Winfridus Bakker Juan Carlos López Mike Czarick Dr. Susan Watkins Rodrigo Castillo Jorge Amado

Brian Jordan Ramiro Hernán Delgado Franco Douglas Waltman Douglas Zaviezo Víctor Naranjo

info@grupoagrinews.com redacao@grupoagrinews.com

www.avicultura.info

5 aviNews Brasil Junho 2019



SETE CONSELHOS FUNDAMENTAIS PARA O MANEJO DA VENTILAÇÃO EM TÚNEL Michael Czarick y Brian Fairchild Departamento de Ciências Avícolas, Universidade da Geórgia

1 30,3ºC

Quando trabalhamos com ventilação em túnel é muito comum observarmos uma

39,5ºC

diferença na densidade de 30%, ou mais,

37,7ºC

39ºC

frangos

Figura 1. Densidade baixa — parte final do galpão do lado dos Exaustores (temperatura ambiente: 30,6 °C)

A uniformidade na densidade de aves por todo o galpão é indispensável para diminuir o estresse devido ao calor

entre a área dos exaustores e a área dos painéis de evaporação.

Mesmo com uma velocidade do ar suficiente, esta diferença na densidade provocará uma variação na temperatura corporal de 1 °C ou mais –Figura 1 e 2–.

32,2ºC

27,7ºC

30,3ºC

39,5ºC 37,7ºC

40,83ºC Figura 2. Densidade alta no centro do galpão (temperatura ambiente: 30,6 °C)

32,2ºC

27,7ºC

7 aviNews Brasil Junho 2019 | Sete conselhos fundamentais para o manejo da ventilação em túnel


A combinação da temperatura corporal elevada e o acesso limitado a bebedouros/ comedouros provoca redução no crescimento da ave

Há mais de meio século cuidando da sua produção avícola. Em todo o mundo.


Geralmente, as aves que se encontram no extremo do painel de evaporação pesam menos do que aquelas que se encontram no extremo dos exaustores. Se conseguirmos manter a uniformidade da densidade no galpão, poderemos fazer com que o ar seja, em média, entre 1,6 °C e 2,8 °C mais fresco, o que pode ajudar a aumentar o peso das aves que se encontram na área

frangos

do extremo do painel.

2

Os longos períodos de escuro noturno podem aumentar o estresse devido ao calor em épocas quentes Quanto mais curto for o período de luz, mais ativas estarão as aves, já que elas tentarão consumir o alimento e a água de que precisam em um menor espaço de tempo. O aumento na atividade e na proporção do consumo de alimento resultará em maior produção de calor durante as horas de luz, aumentando a temperatura corporal da ave, o que pode provocar estresse devido ao calor. A temperatura corporal aumenta durante a

9 aviNews Brasil Junho 2019 | Sete conselhos fundamentais para o manejo da ventilação em túnel


Temperatura corporal durante a noite

Quando as luzes se apagam, as aves se sentam e a temperatura corporal, em geral, aumenta em 0,5 °C ou mais, à medida que a ave deixa de perder calor pela parte inferior por estar sentada na cama –Figura 3.

noite porque as aves permanecem sentadas por mais tempo. Embora muitos considerem um problema significativo que as aves fiquem sentadas durante o dia, o fato é que

Quanto mais tempo a ave ficar sentada, mais tempo sua temperatura corporal permanecerá elevada, o que aumenta a probabilidade de seu crescimento ser afetado.

elas são muito mais ativas em relação à sua

frangos

atividade noturna.

32 30 28 26 24 22 20 18 16

Ave 1

Ave 2

Ave 3

Temperatura do galpão

10 aviNews Brasil Junho 2019 | Sete conselhos fundamentais para o manejo da ventilação em túnel

Temperatura do galpão (ºC)

43.0 42.5 42.0 41.5 41.0 40.5 40.0 39.5 39.0 38.5 38.0

12:00 AM 02:00 AM 04:00 AM 06:00 AM 08:00 AM 10:00 AM 12:00 PM 02:00 PM 04:00 PM 06:00 PM 08:00 PM 10:00 PM 12:00 AM 02:00 AM 04:00 AM 06:00 AM 08:00 AM 10:00 AM 12:00 PM 02:00 PM 04:00 PM 06:00 PM 08:00 PM 10:00 PM 12:00 AM 02:00 AM 04:00 AM 06:00 AM

Temperatura corporal (ºC)

Figura 3. Picos de temperatura corporal durante períodos escuros — sem luz (das 22h às 2h)


3

Os paineis de evaporação devem ser programados para começar a operar a 29,4 °C e não a 26,7 °C

Temperatura interna

Umidade relativa interna

Temperatura externa

12:00 AM

09:00 PM

06:00 PM

03:00 PM

12:00 PM

09:00 AM

06:00 AM

03:00 AM

frangos

100 95 90 85 80 75 70 65 60 55 50 45 40 12:00 AM

Temperatura - Umidade Relativa

Figura 4. Painéis de evaporação configurados para funcionar a 26,7 °C (80 °F), resultam em uma umidade relativa superior a 80% nas 24 horas do dia

Umidade relativa externa

Durante épocas quentes e úmidas, quando a temperatura do galpão é de 26,7 °C, em geral a umidade relativa externa é superior a 80%. Ligar os painéis de evaporação sob estas condições, somente diminuirá a temperatura em 1,0 °C e fará a umidade relativa aumentar para 90% , ou mais durante as manhãs e à noite –Figura 4.

11 aviNews Brasil Junho 2019 | Sete conselhos fundamentais para o manejo da ventilação em túnel


É importante levar em conta, que o sistema respiratório da ave age como um sistema de evaporação interno, ajudando a eliminar cerca de 50% do calor do animal Sistemas evaporativos

Quando os sistemas de evaporação do galpão saturam o ar que entra,

Saturação do ar que entra

reduzem drasticamente a efetividade do sistema de resfriamento

frangos

evaporativo próprio da ave.

Redução da efetividade Sistema de resfriamento

Ao retardar o acionamento dos painéis de

85°F

evaporação para quando a temperatura atingir 29,4 °C, a umidade relativa externa será menor quando os painéis forem acionados, diminuindo mais a temperatura do galpão, a umidade relativa e aumentando o resfriamento das aves.

12 aviNews Brasil Junho 2019 | Sete conselhos fundamentais para o manejo da ventilação em túnel


Durante o último terço da vida do lote, concentre-se no manejo noturno, tanto quanto no manejo diurno

Os exaustores devem ser configurados para ficarem ligados até a temperatura do galpão diminuir 1 °C abaixo da temperatura desejada. Se mantivermos a velocidade do ar, não somente teremos um melhor manejo da temperatura durante a noite, mas também será mais fácil manejar temperaturas altas no galpão no dia seguinte.

frangos

4

As temperaturas noturnas em torno de 23,8 °C, somadas a uma umidade relativa próxima a 100%, podem ser extremamente estressantes para as aves com idade próxima à comercialização. Apesar de a temperatura ser menor durante a noite, a umidade pode ser de 10 a 20% maior nesse período, o que pode aumentar a temperatura efetiva entre 2,8 °C e 5,5 °C. A temperatura corporal da ave aumenta quando as luzes se apagam. A combinação de todos esses fatores, faz o uso dos exaustores ser tão importante de noite, quanto de dia.

13 aviNews Brasil Junho 2019 | Sete conselhos fundamentais para o manejo da ventilação em túnel


44.5 44.0 43.5 43.0 42.5 42.0 41.5 41.0 40.5 40.0

30 28 26 24 22 20 18

frangos

Ave 1

Apesar de a temperatura do galpão ter subido para 29,4 °C — igual à do dia anterior —, a temperatura corporal ficou 1 °C mais baixa

12:00 AM 03:00 AM 06:00 AM 09:00 AM 12:00 PM 03:00 PM 06:00 PM 09:00 PM 12:00 AM

16

Temperatura do galpão

No terceiro dia, a temperatura do galpão cai para 20 °C, diminuindo a temperatura corporal para níveis normais.

A Figura 5 ilustra a temperatura corporal profunda de uma ave durante condições quentes em um galpão com velocidade do ar mínima. Durante os dois primeiros dias, as temperaturas diurnas ficam em torno de 29,4°C e as noturnas caem para cerca de 23,9 °C. Durante as horas mais quentes, a temperatura corporal da ave se aproxima a 43,9 °C — de 44,4 °C a 46,7 °C é considerada uma temperatura letal para a ave —, e à noite cai para aproximadamente 42,8 °C — de 40,5 °C a 41,1 °C é considerada normal.

Temperatura ddo galpão (ºC)

32

12:00 AM 03:00 AM 06:00 AM 09:00 AM 12:00 PM 03:00 PM 06:00 PM 09:00 PM 12:00 AM 03:00 AM 06:00 AM 09:00 AM 12:00 PM 03:00 PM 06:00 PM 09:00 PM

Temperatura corporal (ºC)

Figura 5. Temperatura corporal em climas quentes

Devido ao sistema evaporativo não funcionar durante a noite, é impossível reduzir a temperatura do galpão para 20 °C, principalmente quando no exterior ela for de 23,9 °C. Mantendo a velocidade do ar alta durante a noite, é possível eliminar o calor da ave nesse período, diminuindo a temperatura corporal e melhorando, assim, o conforto da ave durante a noite e também durante o dia.

Figura 6. Frango de corte “brilhando” com calor durante a época quente

14 aviNews Brasil Junho 2019 | Sete conselhos fundamentais para o manejo da ventilação em túnel


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No último terço da vida do lote, na dúvida, ligue mais exaustores

Quando a temperatura do galpão chegar a 23,9 °C, ou mais, você não prejudicará as aves proporcionando velocidade do ar. O frango de corte com idade

Um frango de corte com idade próxima ao abate prefere uma temperatura muito mais fria do que muitos imaginam

próxima da comercialização tem capacidade fisiológica para resistir a um galpão “fresco”. As aves possuem uma cobertura de penas com um alto valor R — isolamento —, uma proporção baixa de área de

frangos

superfície: volume e, diferentemente dos humanos, produzem 11 vezes mais calor por cada quilo de peso.

Os pesquisadores mostram que operar um galpão 5,6 °C mais frio que o considerado normal durante o último terço da vida do lote - dia 27, 16,7°C; dia 39, 13,9 °C -, reduziu o peso em apenas 0,03 kg (3,60 kg a 3,57 kg), mas melhorou a conversão alimentar em 6 pontos (1,71 vs 1,76) - Zahoor, et.al., 2016. Inclusive, com uma velocidade do ar comum de 182 a 213 m/min (3,03 a 3,55 m/seg - ou 600 a 700 pés/min), é altamente improvável que a temperatura efetiva possa diminuir para os níveis antes mencionados - dia 27, 16,7 °C; dia 39, 13,9 °C) -, a ponto de prejudicar as aves.

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6

Os sensores de temperatura são uma “forma precária” de medir o conforto da ave em épocas quentes

Embora a temperatura do galpão indicada pelos sensores não mude ao isso não significa que a temperatura efetiva não esteja mudando.

frangos

A Figura 7 é uma imagem termográfica capturada em um galpão com todos os exaustores funcionando, com aves próximas à idade de abate.

ligar ou desligar um dos exaustores,

A temperatura do ar era de 26,1 °C e a temperatura média da superfície corporal das aves era de 29,5 °C.

Figura 7. Frangos de corte com idade de abate em um galpão totalmente fechado, com uma velocidade do ar de 167 m/min (2,8 m/s)

37,7ºC

39,5ºC

32,2ºC

26ºC

29,5ºC

26,6ºC

21,1ºC

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37,7ºC

26,6ºC

39,5ºC

32,2ºC

31,7ºC

frangos

26,6ºC

21,1ºC Figura 8. Frangos de corte com idade de abate em um galpão totalmente fechado, com uma velocidade nula do ar. Por isso, monitorar caso deixe alguma “velocidade do ar” de 106 m/min (1,8 m/s).

Desligamos três exaustores e a velocidade do ar diminuiu para 2 m/s –Figura 8. Embora a temperatura do ar na parte superior tenha variado muito pouco, a redução da velocidade do ar fez com que menos calor fosse removido entre as aves, o que resultou em um aumento da temperatura da superfície corporal das aves em aproximadamente 2,2 °C. Dessa forma, o conforto térmico das aves em épocas quentes é determinado pela velocidade do ar, densidade e umidade, mais que pela temperatura

Geralmente temos mais controle sobre a velocidade do ar, por isso, não tenha medo de usá-la

18 aviNews Brasil Junho 2019 | Sete conselhos fundamentais para o manejo da ventilação em túnel


Frangos de corte com idade próxima à do abate... não se preocupe se as aves se sentarem quando a velocidade de ar aumentar repentinamente

frangos

7

Figura 9. A reação natural da ave ao movimento do ar é sentar-se

A atitude das aves se sentarem ao aumentar repentinamente a velocidade do ar é uma reação natural. As aves não se sentam porque sua temperatura cai, mas sim em resposta a uma alteração no ambiente. A mesma coisa ocorre quando há chuva forte. O aumento do ruído assusta as aves momentaneamente e elas se sentam. Se a temperatura do ar

Lembre-se da regra de ouro: geralmente não mais do que 20% das aves estarão de pé, comendo e bebendo água

estiver próxima a 23,9 °C, as aves não estarão frias. Em ambos os casos, depois de acostumar-se à alteração, as aves começarão a ficar de pé, comer e tomar água.

Sete conselhos fundamentais para o manejo da ventilação em túnel

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19 aviNews Brasil Junho 2019 | Sete conselhos fundamentais para o manejo da ventilação em túnel


LEVANTAMENTO SOBRE MORTALIDADE UMA FERRAMENTA IMPORTANTE PARA AVALIAR A SAÚDE E O BEM-ESTAR DE REPRODUTORES PESADOS José J. Bruzual DVM, MAM, MS, DACPV Veterinário Avícola Sênior da Aviagem Equipe Veterinária Global

A

reprodutoras

avaliação clínica dos lotes de reprodutores pesados é uma tarefa crítica e complexa para os veterinários avícolas, devido às inúmeras interações que são produzidas sob condições de campo, entre as práticas de manejo essenciais, as condições ambientais do galpão, nutrição, biossegurança e saúde do lote.

Avaliações clínicas Com frequência, as avaliações clínicas só são realizadas quando há um aumento significativo na mortalidade diária e/ ou, quando há descenso da porcentagem de produção, ou ainda quando outros indicadores chave do rendimento, como o peso corporal ou a uniformidade, não chegam aos padrões para a idade e a estirpe dos machos ou fêmeas.

Infelizmente, a realização destas avaliações, desta maneira, se dá em resposta aos problemas que já ocorreram. 20 aviNews Brasil Junho 2019 | Levantamento sobre mortalidade. Uma ferramenta importante para avaliar a saúde e o bem-estar de reprodutores pesados


180,00

30,00

170,00

25,00

160,00

20,00

150,00

15,00

140,00

10,00

130,00

5,00 Ovos incubáveis / Galinhas alojadas (OI/GA)

% Mortalidade

% Mortalidade

Nº Ovos (OI/GA)

Lotes alojados de Ross 708 (Junho 2016) Mortalidade vs OI/GA (65 semanas de vida)

Linear (% Mortalidade)

Atualmente, a indústria de frango de corte enfrenta crescentes pressões para garantir a saúde e o bem-estar dos lotes além das exigências para minimizar o uso de antibióticos na produção de animais que são destinados ao consumo humano.

Sabe-se que existe uma correlação significativa entre a taxa de mortalidade e a produção de ovos. Tal e como o Gráfico 1 reflete, quando a mortalidade aumenta, a produção de ovos diminui. Os dados que são obtidos de lotes alojados de reprodutores (Ross 708) às 65 semanas de idade, demonstram que lotes com 170 ovos incubáveis (OI)/ galinha alojada (GA),ou mais, tiveram menos de 10% de mortalidade durante a fase produtiva. Em contrapartida, os lotes com 145 OI/ GA, ou menos, tiveram mortalidade de 20%, ou mais, durante o mesmo período.

O seguinte enfoque descreve uma ferramenta útil e proativa para prevenir as perdas que são associadas às enfermidades infecciosas e às não infecciosas.

É obvio pensar que uma maior mortalidade conduza a perdas, tanto no valor da galinha, como no número de OI/GA. A seguinte estimativa demonstra o possível impacto econômico da mortalidade das galinhas em uma empresa com um estoque de 500.000 reprodutores pesados e produção: 5% adicional de mortalidade resulta na perda de 25.000 galinhas com um valor de $ 14 USD/galinha, o que leva a perdas de US$ 350.000. Estimando uma perda de 4 OI por cada 1% de mortalidade, uma taxa de mortalidade adicional de 5% pode resultar em perdas totais de 20 OI para o cálculo total de reprodutores. Assumindo um valor de $ 0.19/OI x 20 OI x 500.000 galinhas, as perdas ascendem a US$ 1.900.000. Acrescentando as perdas potenciais no valor da galinha e dos OE, as perdas ascendem a US$ 2.250,000/ano.

21 aviNews Brasil Junho 2019 | Levantamento sobre mortalidade. Uma ferramenta importante para avaliar a saúde e o bem-estar de reprodutores pesados

reprodutoras

Gráfico 1. Correlação entre taxa de mortalidade & produção de ovos


É de suma importância dedicar tempo para realizar avaliações clínicas dos lotes de reprodutores para identificar e/ou investigar potenciais problemas de saúde, que podem resultar em mortalidade e sacrifício das aves. Este trabalho deveria ser realizado regularmente , como parte de uma estratégia de medicina preventiva, que é projetada para proteger a saúde e o bem-estar dos lotes, garantindo um ótimo rendimento reprodutivo e um bom retorno do investimento.

reprodutoras

Imagem da Aviagen

Na maioria dos casos, as lesões que são identificadas durante os estudos pós-morte, se relacionam com as práticas de manejo e não, necessariamente, com as enfermidades infecciosas. É importante que estas avaliações sejam realizadas como parte de um trabalho de equipe para garantir uma boa comunicação entre os veterinários e o pessoal de produção. Conseguir bons resultados com estas avaliações se traduz na identificação de oportunidades e no estabelecimento de prioridades na hora de melhorar o bem-estar, a saúde e o rendimento dos lotes. Uma vez que seja identificada a principal causa da mortalidade, o seguinte passo será implementar as medidas preventivas ou corretivas.

Os profissionais veterinários avícolas podem realizar avaliações clínicas que incluem as seguintes práticas: Visitar os galpões das frangas e das galinhas para examinar os comportamentos dos lotes e buscar sinais clínicos de enfermidade; Examinar os registros e, particularmente, as taxas de mortalidade, assim como as tendências ao longo de todo o ciclo produtivo dos lotes; Realizar necropsias (exames pósmorte) de aves que foram sacrificadas e, recentemente, mortas na granja; Realizar o levantamento de mortalidades periódicas e coletar a informação sobre as lesões e as causas de mortalidade das aves. Tipicamente, estas avaliações requerem que aves mortas recentemente, de diferentes idades e granjas, de uma área particular, sejam levadas a uma localização central, em uma data programada e no horário da manhã.

Os reprodutores pesados têm uma vida produtiva de cerca de 56 a 65 semanas, em contraposição aos frangos de corte, que só vivem durante 4-7 semanas. Por isso, os problemas clínicos, ou enfermidades que são detectados nos reprodutores, podem ser muito diferentes dos que se apresentam nos frangos. Particularmente, é importante determinar não só a presença de lesões específicas, mas, também, detalhes sobre o estado físico das aves, que podem estar relacionados com: Manejo Plumagem Desenvolvimento esquelético Desenvolvimento dos órgãos reprodutores Características sexuais secundárias, evidências de um mal manejo durante a vacinação

É muito recomendável contar com uma balança na hora de realizar estes levantamentos

22 aviNews Brasil Junho 2019 | Levantamento sobre mortalidade. Uma ferramenta importante para avaliar a saúde e o bem-estar de reprodutores pesados


Levantamentos de mortalidade Os levantamentos de mortalidade, seguidos de reuniões para discutir sobre as descobertas e análise dos dados, proporcionam oportunidades únicas para fomentar o trabalho em equipe, além de contribuir para a educação e a capacitação do pessoal técnico e de produção.

Figura 1. Local adequado, com distribuição e instrumental adequados para realizar uma boa necropsia.

Imagem cedida por José Bruzual

É recomendável realizar levantamentos a cada 3-6 meses, ou quando o rendimento do lote comece a mudar de forma negativa.

É necessário contar com as ferramentas adequadas (ferramenta de corte, luvas, vestimenta e calçado, etc.) para realizar as necropsias e coletar as amostras para sua análise de laboratório em caso de que seja necessário –ver Figura 1. O encarregado dos lotes deve levar as aves a um lugar adequado, que não represente risco de biossegurança e que seja de fácil limpeza e desinfecção depois da sessão de necropsia Todas as aves devem ir devidamente identificadas com o nome da granja, o código numérico do lote, a estirpe, a idade, etc. As aves, normalmente, são enviadas em caixas de papelão Colocar, adequadamente, a mesa de necropsias em um lugar com acesso a água corrente Contar com formulários para registrar as descobertas encontradas durante a sessão e para sua análise posterior Balança e câmera digital Métodos adequados de coleta e eliminação de todas as carcaças

Trabalho em equipe – veterinários, produtores e pessoal técnico, devem coordenar suas funções para facilitar o processo e otimizar a coleta de dados Todo o pessoal envolvido deve seguir os protocolos adequados de biossegurança (mudança de roupa e calçado) depois de finalizar a sessão, evitando visitar outras granjas, ou plantas de incubação durante o mesmo dia Se enviadas aves vivas - destinadas ao sacrifício - deverão ser sacrificadas por método aprovado, considerando que não deverão ser consideradas como mortalidade normal.

É crucial contar com um exaustivo sistema de registro e um sistema de análise de dados capazes de gerar informação útil. Isto pode ser conseguido registrando todas as lesões que forem encontradas, bem como sua frequência de aparição nos distintos sistemas orgânicos (respiratório, esquelético, digestivo, reprodutivo, urinário, pele e penas, etc.). 23

aviNews Brasil Junho 2019 | Levantamento sobre mortalidade. Uma ferramenta importante para avaliar a saúde e o bem-estar de reprodutores pesados

reprodutoras

Pautas para um levantamento efetivo de mortalidade:


Sugestões na hora de coletar a informação reprodutoras

Informação geral (granja, idade, estirpe, sexo, peso corporal, etc.);

Reprodução (oviduto cístico, postura interna, hiperovulação, prolapso, etc.)

Aspecto externo (sacrificado, desidratado, lesões por debicagem, trauma, excessivo desenvolvimento muscular, etc.)

Metabólico (ascite, tetania hipocalcemia, peritonites, morte súbita, hidropericárdio) Urinário (uratos, rins inchados, gota, etc.)

Respiratório (aerossaculite, traqueíte, pulmões congestionados, etc.)

Outros (lesões com aspecto tumoral, atrofia do timo e da bolsa cloacal, etc.);

Digestivo (lesões orais, enterite, coccidiose, nematódeos intestinais, tampões caseosos, fígado gorduroso, etc.)

Ausência de lesões significativas.

Musculoesquelético (reações adversas às vacinas, lesões, osteomielite, pericardite, dermatite, sinovite, pododermatite, etc.)

Necropsia de pintainhas 70% 60%

60% 50% 40%

35%

30% 20%

20% 15% 10% 5%

5%

5%

5%

Sacrificado Avariado Desidratado Ânus empapado Bico desviado Queimadura por amoníaco Trauma/Lesão Asfixiado Peito Aerosaculite Traqueíte Conjutivite Sinusite Pulmões Parasitas intestinais Retenção do saco vitelíneo Coccidiose Lesão oral Bucho Intestino Moela Proventrículo Fígado Baço Ceco Osso Coluna Coração Trauma Pele Articulação Pata Tendão Peito Ascite Me ta Hidropericardio bó Peritonite lic o Septicemia/IP Ur Urato/diurese iná Rins rio Gota NSF Tumor Superaquecido Atrofia do timo Tamanho da bursa (1-8)

Figura 2. Incidência 20% de lesões associadas 10% a coccidiose (60%), alterações ósseas 0% (35%) e reações a vacinas no peito (20%), após a realização de levantamento em lotes de pintainhas.

Aspecto externo

Respiratório

Uma vez reunidas as informações dos questionários, pode-se organizá-las e apresentá-las de diferentes maneiras para mostrar a frequência de descobertas específicas em função da idade, do sexo, da localização, dos órgãos, etc.

Trato digestivo

Musculoesquelético

Outro

Sistemas comuns de gestão de dados podem ser empregados para gerar tabelas, ou gráficos que refletem as descobertas mais comuns –Figura 2– e identificar tendências –Figuras 3 e 4– ao longo do tempo, ou depois de aplicar mudanças de manejo, ou programas de prevenção de enfermidades.

24 aviNews Brasil Junho 2019 | Levantamento sobre mortalidade. Uma ferramenta importante para avaliar a saúde e o bem-estar de reprodutores pesados


Janeiro 2018

Necropsia de pintainhas 70% 60% 50%

44%

40% 30%

22%

20%

11%

0%

11%

11%

11%

11%

Sacrificado Avariado Desidratado Ânus empapado Bico desviado Queimadura por amoníaco Trauma/Lesão Asfixiado Peito Aerosaculite Traqueíte Conjutivite Sinusite Pulmões Parasitas intestinais Retenção do saco vitelíneo Coccidiose Lesão oral Bucho Intestino Moela Proventrículo Fígado Baço Ceco Osso Coluna Coração Trauma Pele Articulação Pata Tendão Peito Ascite Me ta Hidropericardio bó Peritonite lic o Septicemia/IP Ur Urato/diurese iná Rins rio Gota NSF Tumor Superaquecido Atrofia do timo Tamanho da bursa (1-8)

10%

22%

Figuras 3 e 4. Os aumentos (setas vermelhas), ou reduções (setas verdes) na incidência de diferentes lesões, após a realização de levantamentos em diferentes pintainhas.

Aspecto externo

Respiratório

Trato digestivo

Musculoesquelético

Necropsia de pintinhas

Outro

Junho 2018

70% Congestión

60% 50% 40%

É muito útil comparar os pesos corporais individuais das aves que são examinadas durante o levantamento, tendo em conta os padrões para a idade e estirpe específica.

Ostiomielitis 44%

46% 38%

38%

30% 20%

15%

15% 9%

Sacrificado Avariado Desidratado Ânus empapado Bico desviado Queimadura por amoníaco Trauma/Lesão Asfixiado Peito Aerosaculite Traqueíte Conjutivite Sinusite Pulmões Parasitas intestinais Retenção do saco vitelíneo Coccidiose Lesão oral Bucho Intestino Moela Proventrículo Fígado Baço Ceco Osso Coluna Coração Trauma Pele Articulação Pata Tendão Peito Ascite Me ta Hidropericardio bó Peritonite lic o Septicemia/IP Ur Urato/diurese iná Rins rio Gota NSF Tumor Superaquecido Atrofia do timo Tamanho da bursa (1-8)

0%

15%

8%

10%

Aspecto externo

Respiratório

Trato digestivo

Musculoesquelético

Tabela 1. Os pesos corporais individuais das aves, destacados em vermelho, encontram-se abaixo dos padrões correspondentes à idade (duas primeiras colunas da esquerda, respectivamente).

Outro

A Tabela 1 mostra que 72% das aves que foram necropsiadas tinham um peso corporal de 10% (ou mais) inferior ao padrão para sua idade.


Idade

Peso padrão

Peso da mortalidade

19

2,105

1.750

1.920

19

2,105

1.500

1.690

22,4

2,661

1.930

2.130

1.300

34

3,530

3.510

2.890

3.180

1.850

36

3,570

3.780

3.290

3.340

3.800

36,4

3,581

3.760

3.370

2.830

2.550

37

3,590

2.790

2.720

3.060

3.120

43,5

3,724

3.200

3.120

2.950

3.580

44

3,730

3.240

4.030

1.870

46

3,770

2.760

2.590

56,6

3,987

3.120

5.000

2.030

2.120

2.670

3.730

2.520

2.950

1.550

1.500

2.500

2.450

3.900

2.680

4.120

4.050

3.630

1.620

1.930

2.450

reprodutoras

Vermelho= 65% ≤ 10% abaixo do peso padrão

Os levantamentos de mortalidade são uma ferramenta útil para examinar periodicamente os lotes de reprodutores pesados durante as fases de criação e produção. Estes questionários permitem a identificação e categorização da maioria das possíveis causas de mortalidade, que estão relacionadas com os problemas de rendimento e perdas econômicas significativas.

Os levantamentos de mortalidade constituem um procedimento efetivo para avaliar a saúde do lote e priorizar a implementação de medidas corretivas e/ou preventivas, que são destinadas a preservar a saúde do lote e garantir o bem-estar e rendimento dos animais.

Levantamento sobre mortalidade Uma ferramenta importante para avaliar a saúde e o bem-estar de reprodutores pesados

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26 aviNews Brasil Junho 2019 | Levantamento sobre mortalidade. Uma ferramenta importante para avaliar a saúde e o bem-estar de reprodutores pesados


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5 MANEJOS

PARA MELHORAR A QUALIDADE DO PINTO Juan Carlos López Hendrix Genetics, Kitchener, Ontario, Canadá

O

cliente cada dia demanda mais qualidade nos pintos que a planta entrega em sua granja. Qualidade medida por uma baixa mortalidade e

por um bom ganho de peso nos primeiros dias. A seguir descreveremos cinco manejos que contribuirão para

1

incubação

melhorar a qualidade dos pintos.

nto Preaquecime uniforme

ovos que isa que os v jo e n a am m Este 6 °C consig o frio a 15-1 rt a u q o n or ao estão tura superi a tempera rma mais atingir um fo -25 °C) da 0 (2 o ic g do zero fisioló s do início ossível ante p a e n ê g o hom cubação. perfil de in aria aos 25 °C v ara chegar p o p m ras e te to O s reprodu a idade da e a rm fo n co ora de carg da incubad o tr n e o D n . e a raça 6 horas, rno de 5 a to m é e ca n única fi ada pla ta Confira! C s. ra o h 12 corredor, diferente!

29 aviNews Brasil Junho 2019 | 5 Manejos para melhorar a qualidade do pinto


Com que objetivo se faz o preaquecimento? Para que os pintos nasçam ao mesmo tempo e não precisem esperar dentro do nascedouro enquanto nascem os outros, desidratando-se e contribuindo para a Foto 1. Ovo contaminado estoura dentro da incubadora contaminando os ovos vizinhos.

desuniformidade dos lotes ao chegar à granja. Em carga múltipla, este manejo ajuda a evitar que os ovos a serem carregados reduzam drasticamente a temperatura dos ovos carregados previamente. Reduzir a possibilidade de que os ovos suem, com as negativas consequências geradas

Foto 2. Medição da temperatura da casca de alguns ovos durante seu preaquecimento no corredor da sala de incubadoras.

Incubadoras de carga única

incubação

pela contaminação bacteriana –Foto 1.

As incubadoras de carga única são ideais para o preaquecimento, já que, devido à sua ventilação, o calor se distribui em seu interior de forma homogênea e sua ventilação evita que os ovos suem. No caso de carga múltipla, o preaquecimento pode ser realizado numa sala vizinha verificando que todos os carros com ovos sejam expostos à mesma temperatura ou no corredor em frente às máquinas. Cabe destacar que alguns pesquisadores recomendam preaquecer os ovos de aves maiores a temperaturas menores por um tempo prolongado.

Meijerhof e col –1994 relatou que ovos de reprodutoras de 58 semanas preaquecidos por 16 horas a 20 °C obtiveram um número maior de nascimentos do que os preaquecidos por 16 horas a 27 °C (89% vs 85,1%).

30 aviNews Brasil Junho 2019 | 5 Manejos para melhorar a qualidade do pinto


2

Temperatura embrionária adequada

A temperatura é um fator crucial para a qualidade dos pintos. A maioria das casas genéticas e empresas fabricantes de equipamentos de incubação recomenda temperaturas embrionárias próximas a 100 °F (37,78 ºC).

Foto 3. foto termográfíca de uma incubadora, destacando a temperatura muito similar em todas as bandejas de ovos. 104,0ºF

Cabe destacar que estudos realizados em temperaturas muito menores (36,7 ºC = 98,06 °F) nos últimos dias relataram melhor massa muscular livre de gema e maior proporção de peso do coração em relação ao corpo –Maatjens e col 2014–.

99,5

90,5 86,0

Temperaturas embrionárias acima de 100 °F (37,78 ºC) geram mais aves de segunda ou descarte, até 5% mais (Lourens e col., 2005), devido a problemas de patas e umbigos (botões negros); e com menor massa corporal livre do saco da gema. São aves com bom peso, mas com uma porcentagem de saco de gema sem usar, superior muitas vezes a 20% do peso total do pinto (o ideal é menos de 10%).

83,6ºF

Foto 4. Termômetro infravermelho em contato com a casca de um ovo

Em outras palavras, devido à alta temperatura, o embrião que estava crescendo deixou de usar os nutrientes da gema e passou a usar glicogênio muscular –Maatjes e col 2014; Leksrisompong e col 2007–.

31 aviNews Brasil Junho 2019 | 5 Manejos para melhorar a qualidade do pinto

incubação

95,0


Adicionalmente, a alta temperatura reduz o tempo de incubação e, portanto, a oportunidade de utilizar nutrientes disponíveis na gema, principalmente as proteínas –Molenaar e col 2010–.

Foto 5. saco da gema muito grande de uma ave exposta a altas temperaturas

Na Foto 5 , é possível observar o saco da gema muito grande de uma ave exposta a altas temperaturas, especificamente, na última semana em incubadoras.

Na Foto 6 um pinto recém-retirado do nascedouro (umidade nas penas do pescoço) com o saco da gema pequeno como resultado de uma boa massa corporal. Lourens e col 2005 e Joseph e col 2006 relataram que frangos incubados em altas temperatura (38,9-39,5 °C) entre 7 e 2 dias, chegavam a apresentar 13% menos

3

de peso com uma semana de idade.

Umidade adequada

Durante o processo de incubação, os ovos devem perder peso (água) para que ocorra a formação de uma adequada câmara de ar que facilite a saída das aves da casca. O máximo nascimento é atingido quando a perda de peso está entre 12 e 14% na transferência –Ar e Rahn 1980–.

Umidade alta Se a umidade for alta, a formação da câmara de ar não será adequada, dificultando às aves a saída da casca –Foto 7–, muitas delas se cansarão e ficarão presas, enquanto outras, depois de esforçar-se, conseguirão sair, mas muitas vezes machucando os cotovelos (cotovelos vermelhos). Foto 7

Umidade muito baixa durante a incubação O nascimento será adiantado devido, talvez, a que o ar tenha menos capacidade de mover o calor, aumentando assim a temperatura do embrião. Ao nascer antes da hora programada, as aves perderão peso durante sua espera.

Foto 8

Umidade muito alta Se a umidade for muito alta no nascedouro, após as aves saírem da casca, aumentará a porcentagem de aves de descarte por “fios” umbilicais –Foto 8.


4

Temperatura adequada

Uma vez que os pintos tenham sido submetidos à sexagem e à vacinação, eles serão alojados em um recinto à espera de serem carregados nos caminhões para o envio às granjas.

as condições eve oferecer Esse local d as aves eais para que climáticas id nforto a zona de co encontrem su ólico ab et m gasto sem fazer um io. desnecessár

incubação

os, nos r que os pint , Cabe lembra nascimento dias após o primeiros 4-5 atura sua temper não regulam da em d e depen totalmente ue os rodeia. q al a ambient ur at er p m te 93,1ºF 90,5ºF 86,0ºF 81,5ºF 77,0ºF 72,5ºF 68,0ºF 66,3ºF

A temperatura ambiental da sala de espera varia entre 24-28 °C dependendo da velocidade do ar gerado pelos ventiladores. A melhor maneira de saber qual é a temperatura adequada é verificando a temperatura cloacal das aves, a qual deve estar entre 103-105 °F (39,44 40,56 ºC). A concentração de dióxido de carbono na sala de espera deve estar em torno de 2000 ppm. 33

aviNews Brasil Junho 2019 | 5 Manejos para melhorar a qualidade do pinto


5

Acesso ao alimento

No momento do nascimento, alguns

Durante o processo de incubação, os

sistemas fisiológicos dos pintos não se

nutrientes do pinto em formação provêm

encontram totalmente desenvolvidos,

da gema e da clara, sendo em sua maioria

entre eles o digestivo, o imunológico e o

lipídios.

termorregulador.

O crescimento do intestino

Ao nascer o sistema digestivo

se inicia 24 horas depois da

requer carboidratos para

primeira ingestão de alimento.

ativar seu desenvolvimento.

incubação

Na natureza, tão logo nascem os pintos, as galinhas

A superfície de absorção

os induzem a

intestinal se expande

comer.

devido ao aumento de tamanho das vilosidades.

Vários estudos relataram que as aves que têm acesso imediato ao alimento atingem um peso maior no abate do que as aves que não tiveram alimento nas primeiras 48 horas. Mais importante ainda é a proporção de peito que chega a ser até 10% maior nas aves que não foram submetidas a uma espera no acesso ao alimento –Noy e Sklan 1998.

Além de promover o desenvolvimento do sistema intestinal, a ingestão de alimento antecipada faz com que a absorção do saco da gema seja mais rápida devido ao aumento do peristaltismo intestinal –Vieira, 1999. Essa absorção do saco da gema é muito importante, já que ali se encontram as imunoglobulinas que deverão proteger as aves nos primeiros dias –Dibner e col 1998.

34 aviNews Brasil Junho 2019 | 5 Manejos para melhorar a qualidade do pinto


As aves que ingerem alimento com antecedência têm um desenvolvimento da bursa de fabricio maior até os 21 dias do que aquelas que não ingeriram alimento. Acredita-se que isso se deva à produção de glicocorticoides durante o jejum das aves.

Os centros germinais são concentrações organizadas de linfócitos T, B e células apresentadoras de antígenos requeridas para as respostas vacinais –Schat e Myers 1991.

Os glicocorticoides comprometem a resposta imune humoral e celular de diversas formas, entre elas a síntese de citocinas, interferon, proliferação de células

Adiar o acesso das aves ao alimento faz com que as importantes imunoglobulinas sejam utilizadas como fonte de energia –Dibner e col 1998–, tornando as aves mais suscetíveis a doenças.

T que induz as células à apoptose, etc. Adicionalmente, relatou-se a presença precoce de IgA biliar e de centros

incubação

germinais (órgãos linfoides secundários) em aves que têm acesso imediato ao alimento. Esta imunoglobulina faz parte do sistema imune das mucosas, sendo que sua presença mostra que o sistema humoral está bem desenvolvido.

lobulinas As imunog tingem até maternas a teínas das as pro to e d % 0 2 ema o saco da g contidas n ao nascer.

5 Manejos para melhorar a qualidade do pinto

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35 aviNews Brasil Junho 2019 | 5 Manejos para melhorar a qualidade do pinto



POR QUE

MEDIR A PRESSÃO ESTÁTICA

DA SALA? Equipe Técnica Aviagen América Latina Ltda

O que é a pressão estática da sala? instalações

A pressão da sala é a diferença de pressão entre a própria sala e a referência com a qual ela está sendo comparada. Se a pressão da sala medida for +5 Pascais (Pa)/0,5 milímetros de coluna de água (mmH2O) ou 0,02 polegadas de coluna d’água (“CA), e a referência for o exterior, isso significa que a pressão do ar na sala é 5 Pa/0,5 mmH2O (0,02 “CA) maior do que a pressão atmosférica. A sala terá pressão positiva se estiver bem vedada e o volume de ar fornecido para a sala for maior que o volume de ar extraído da sala por meio das incubadoras e outros sistemas de exaustão.

37 aviNews Brasil Junho 2019 | Por que medir a pressão estática da sala?


Por que a pressão do ar da sala é importante?

Por que medir a pressão estática da sala?

Unidades de medida

As incubadoras são projetadas para operar dentro de um determinado diferencial de pressão entre a admissão e a exaustão do ar. Diferenciais de pressão muito altos ou muito baixos podem prejudicar o fluxo de ar através da incubadora/nascedouro. Isso afeta o desempenho da incubadora e pode comprometer o desenvolvimento do embrião.

Medidores de pressão

instalações

A maioria dos incubatórios opera em um leve gradiente de pressão entre as salas para evitar que o ar das zonas sujas do incubatório (salas de processamento dos pintos e de lavagem) chegue às zonas limpas (estocagem de ovos e incubadoras).

As unidades mais comuns usadas para medir as pressões de sala são Pascal (Pa), milímetros de coluna de água (mmH20) ou polegadas de coluna d’água (“CA).

Cada 0,1 mmH2O (0,04 “CA) equivale a 0,1 Pa.

Milímetros de coluna de água (mmH2O)

Pascal (Pa)

0,1 (0,04 “CA)

1

0,2 (0,08 “CA)

2

0,4 (0,16 “CA)

4

0,8 (0,32 “CA)

8

0,12 (0,48 “CA)

12

Há diversos tipos de medidores de pressão, chamados manômetros:

Mangueiras de ligação

Entrada positiva Entrada negativa

O manômetro de coluna em U é simples, portátil e preciso. Mede tanto a pressão positiva quanto a negativa.

Manômetros diferenciais mecânicos, calibrados para medir pressão positiva e negativa, também são úteis.

38 aviNews Brasil Junho 2019 | Por que medir a pressão estática da sala?

Os manômetros digitais também são adequados.

Antes de comprar um manômetro, confirme o intervalo de pressão necessário para o seu tipo específico de incubadora. Por exemplo, não compre um manômetro de 0-60 Pa (0-6 mmH2O ou 0-0,24 “CA) se as salas só vão operar a +5Pa (+0,5 mmH2O ou +0,02 “CA).


No entanto, levar em conta que, entre uma sala no meio do incubatório e o exterior, há várias outras salas que operam com pressões ligeiramente diferentes e que não se comunicam com o exterior. Portanto, a pressão desta sala deve ser medida em relação ao entreforro ou a um corredor, tendo antes confirmado que o espaço de referência está à pressão ambiente.

Opções para encontrar um ponto de referência

1

Medir a pressão em relação ao entreforro Geralmente, é mais fácil usar o entreforro como ponto de referência. Verificar se a pressão do entreforro é neutra medindo a pressão em relação ao exterior através de uma porta ou abertura no telhado. Se a leitura da pressão for 0, a pressão do entreforro é igual à pressão atmosférica. Se for positiva ou negativa em relação ao exterior, faça aberturas no entreforro até que a pressão seja neutra. Quando a pressão do entreforro atingir 0, medir a pressão da sala através de um pequeno orifício no teto da sala.

Pode ser impossível manter uma sala de referência em equilíbrio com o ar exterior. Neste caso, medir a pressão da sala de referência em relação ao ar exterior e somar essa segunda medida à diferença entre a sala de interesse e a sala de referência. No entanto, este método aumenta a probabilidade de erro da medição. Por isso, é importante tentar criar uma sala de referência adequada.

instalações

A pressão da sala deve ser sempre medida em relação à pressão atmosférica externa.

Nota

Ponto de referência Pressão do ar externo

em relação a um corredor 2 Medir Primeiro, verificar se a pressão do corredor é igual à pressão atmosférica.

Isso pode ser feito abrindo todas as portas internas ao longo do corredor, desde a sala até o ponto (janela ou porta) em que o corredor pode ser aberto para o exterior. Medir a pressão do corredor neste ponto. Se a leitura da pressão for 0, o corredor está na pressão atmosférica. Se a leitura da pressão for positiva ou negativa, abra uma porta ou janela do corredor para o exterior para equalizar a pressão com o exterior e medir novamente. Quando a pressão do corredor for neutra, voltar à sala de interesse (mantendo todas as portas internas que levam ao corredor abertas) e medir a pressão da sala através da vedação da porta.

39 aviNews Brasil Junho 2019 | Por que medir a pressão estática da sala?


diretamente 3 Medir em relação ao exterior Se a sala tiver uma parede externa, pode ser feito um orifício pequeno na parede diretamente para o exterior. A abertura deve ser protegida do vento para que não haja movimento de ar em torno do orifício. Medir a pressão da sala em relação ao exterior através do orifício.

Como usar o manômetro

instalações

Ler as instruções de operação, que indicam como segurar o manômetro durante a medição e como calibrá-lo. O manômetro de coluna em U tem uma entrada positiva e uma negativa, com uma mangueira plástica conectada a uma delas ou a ambas.

Atenção!

Começar supondo que as salas estão operando próximas à especificação projetada, em pressão positiva ou negativa em relação à pressão atmosférica.

O ponto de referência exterior deve ser protegido do vento. A abertura para ponto de referência deve ser pequena a fim de impedir qualquer fluxo de ar em torno da mangueira. Se a medição for feita através de porta ou janela, abri-las o menos possível, fechando a porta ou a janela contra a mangueira e tomando cuidado para não dobrá-la ou apertá-la. O manômetro deve ser mantido na posição vertical.

40 aviNews Brasil Junho 2019 | Por que medir a pressão estática da sala?

Se for medir a pressão de uma sala com pressão positiva em relação ao exterior ou ao entreforro, conectar uma extremidade da mangueira na entrada negativa e passar a outra extremidade através do orifício/porta até que esteja fora da sala. Se você estiver fora (no corredor ou no telhado) de uma sala positiva a ser medida, conectar uma extremidade da mangueira na entrada positiva e passar a outra extremidade através da porta/furo para dentro da sala. Em ambos os casos acima, se a leitura do manômetro em U for positiva ou se o ponteiro do manômetro diferencial se movimentar para a direita, a pressão da sala é positiva. Conecte as mangueiras ao contrário da descrição acima para medir salas de pressão negativa.

Ponto de referência externo

Faça um orifício de 6,5 mm

Abertura ponto de referência

Medição através do marco porta ou janela


Solução de problemas Se houver flutuação ou instabilidade da leitura da pressão.

Verificar a proteção em torno da abertura do ponto de referência para o ar exterior. Desligar os exaustores das salas que estão sendo usadas como ponto de referência e verificar se a sala mantém pressão neutra em relação ao exterior. s

Filtros de ar sujo

instalações

Verificar se a mangueira do manômetro não foi bloqueada ao ser empurrada através do orifício de medição.

Se a pressão da sala NÃO for a esperada.

Verificar se o ponto de referência está correto. Verificar se as entradas de ar e os filtros não estão obstruídos ou sujos. Verificar se as velocidades do exaustor estão corretas e o estado das correias e das pás (pás amassadas ou danificadas limitam a eficácia do exaustor). Verificar se as válvulas de ventilação estão funcionando corretamente.

Pás do exaustor

gastas

Verificar os filtros da unidade de tratamento de ar e as configurações do ventilador.

Por que medir a pressão estática da sala?

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41 aviNews Brasil Junho 2019 | Por que medir a pressão estática da sala?



A

MEMBRANA VITELÍNICA SUA IMPORTÂNCIA NA REPRODUÇÃO DE FRANGOS E O PAPEL DA CANTAXANTINA Marco Aurelio Cesco

nutrição

Gerente técnico para América Latina, DSM Produtos Nutricionais

A

eclodibilidade é um dos principais parâmetros de desempenho para produtores de pintos, já que afeta o desempenho e a rentabilidade.

43 aviNews Brasil Junho 2019 | A membrana vitelínica, sua importância na reprodução de frangos e o papel da Cantaxantina


Considerando-se um potencial de 190 ovos/ galinha/ciclo, a meta é o nascimento de 148 pintos. Há algumas perdas no processo. As perdas entre os ovos férteis e os pintos de 1 dia é a lacuna que precisa ser minimizada para que a produtividade e rentabilidade sejam otimizadas. Em lotes mais velhos, um período mais longo de armazenamento dos ovos é mais prejudicial. Após 6 dias de armazenamento, espera-se uma perda de 0,5 a 1,5% a cada dia adicional de armazenamento, e essa porcentagem aumenta quanto maior o tempo de armazenamento.

nutrição

O armazenamento de ovos férteis por períodos prolongados é uma prática na indústria de matrizes, devido a flutuação da demanda do mercado. A qualidade dos pintos será afetada e o peso dos frangos de corte pode ser menor caso os pintos tenham vindo de ovos armazenados por 14 dias ou mais. No nível comercial, há sempre uma lacuna maior entre a fertilidade e a eclodibilidade do que o padrão genético determina. Sabe-se bem que a eclodibilidade diminui com a idade, e isso é parcialmente explicado pela menor qualidade dos ovos.

Carotenoide cantaxantina O carotenoide cantaxantina, como antioxidante, é particularmente eficaz para melhorar a eclodibilidade. A membrana vitelínica que envolve a gema, bem como sua força (VMS – Vitelline Membrane Strength), é muito importante para a sobrevivência inicial do embrião, e a cantaxantina tem um impacto direto na melhora da força da membrana. A cantaxantina é um ingrediente para rações de aves, que contribui imensamente para a força da membrana vitelínica e, portanto, tem uma grande influência na redução da mortalidade embrionária.

O papel da membrana vitelínica A membrana vitelínica separa do albúmen o conteúdo da gema. Trata-se de uma estrutura em três camadas, composta por 82% de proteína. A membrana vitelínica protege o embrião, que requer um pH 6 para se desenvolver, do alto pH do albúmen (pH 9,4). Se a membrana for fraca demais, o embrião não resiste e isso resulta em uma alta mortalidade embrionária precoce. Progressivamente, o saco vitelínico vai envolvendo o embrião, até protegê-lo totalmente, a partir do terceiro ou quarto dia de incubação.

44 aviNews Brasil Junho 2019 | A membrana vitelínica, sua importância na reprodução de frangos e o papel da Cantaxantina


A elasticidade das proteínas é crucial para a integridade e a força da membrana vitelínica. Com o passar do tempo, ocorre a oxidação, que reduz a elasticidade das proteínas e, portanto, a resistência da membrana vitelínica. A vitamina E, assim como a cantaxantina, aumenta a força da membrana vitelínica.

Composição (%) da membrana vitelínica do ovo

O carotenoide cantaxantina, como antioxidante, é particularmente eficaz para melhorar a eclodibilidade, sendo capaz de melhorar a sobrevivência inicial de embriões, conforme mostrado em um estudo com matrizes, no qual a mortalidade embrionária foi significativamente reduzida, de 12,66% para 10,81%. Nessa pesquisa, 381 ovos de um lote comercial de 3.800 matrizes (machos e fêmeas) foram armazenados por 7 dias. O objetivo desse experimento foi estudar a influência da cantaxantina na VMS de ovos de matrizes fêmeas.

6

Grupo 1

3

Os carotenoides são antioxidantes naturais. O número de ligações duplas conjugadas nos carotenoides varia de 7 a 15. A estrutura em cadeia de carbonos de ligação dupla conjugada dos carotenoides é o que lhes confere a capacidade de capturar os radicais livres nocivos que causam a oxidação de tecidos.

A dieta de controle continha 3000 UI de vitamina D, sem carotenoide. A dieta era à base de farinhas de milho, trigo, soja e girassol; Vit E 60 UI/kg, Vitamina A 14.000 UI/kg, Se 0,3 ppm (incluindo 0,05 de Se orgânico).

Grupo 2

7,5

0,9

Carotenoides que capturam o oxigênio

nutrição

A força da membrana vitelínica é menor em ovos envelhecidos.

No outro grupo, a suplementação com cantaxantina começou 3 semanas antes da postura (18 semanas), e machos e fêmeas foram suplementados com 1.600 UI/kg de vitamina D3, 37,5 µ4g/kg 25-hidroxivitamina D3 e 6 ppm de cantaxantina.

82,1

Proteína Açúcar Hexosamina Ácido siálico Lipídeos Figura 2. O diagrama acima mostra a composição (%) da membrana vitelínica do ovo de galinha.

45 aviNews Brasil Junho 2019 | A membrana vitelínica, sua importância na reprodução de frangos e o papel da Cantaxantina


As taxas médias de eclodibilidade (% de ovos férteis) em ovos produzidos de 21 a 51 semanas de idade foram de 72,2% no grupo controle e subiram para 77,6% no grupo suplementado com cantaxantina Os ovos foram coletados nas semanas 40/45 e armazenados por 7 dias. A resistência da membrana vitelina foi avaliada usando-se uma máquina de compressão, MTS Synergy 200, com uma sonda cilíndrica de 2 mm de diâmetro (ver diagrama). Cada ovo foi quebrado e o conteúdo espalhado sobre uma placa de plástico. Assim que o botão de início era pressionado, a sonda movia-se em direção à gema e penetrava a membrana vitelínica na região equatorial para que a VMS fosse medida. nutrição

A dureza (ou rigidez) é a propriedade de um corpo sólido de resistir à deformação. A força de ruptura (ou de quebra) é a força máxima aplicada sobre a gema até que a membrana se rompa.

Força de resistência da membrana vitelina (mN/mm)

44,5 44 43,5 43 42,5 42 41,5 41

MaxiChick Controle

40-45 semanas

Figura 1. Hamelin e Cisneros, ESPN França, 2015.

Em um experimento separado com galinhas poedeiras, foi demonstrado o mesmo efeito da cantaxantina na membrana vitelínica de ovos frescos (Damaziak et al., 2018).

A oxidação é algo que ocorre em qualquer organismo presente em uma atmosfera que contenha 1O2. As espécies reativas de oxigênio (ROS) resultam do uso desse 1 O2. São instáveis e reagem com lipídios e proteínas, causando danos aos tecidos. O radical superóxido 1O2 é uma espécie muito reativa e a cantaxantina sequestra a energia do 1O2, liberando-a em forma de calor. Não há nenhuma reação química envolvida e o carotenoide não é consumido. A cantaxantina tem uma alta capacidade de captura do radical superóxido quando comparada aos carotenoides disponíveis no mercado, e é um supressor melhor que a luteína, devido a sua longa cadeia simétrica de carbono de ligação dupla. (ver diagrama) Os antioxidantes reagem com os radicais; durante a reação de oxidação-redução, eles mesmos tornam-se radicais, mas menos reativos do que os originais.

Vitamina E

Tanto a força de ruptura quanto a dureza aumentaram significativamente com a suplementação com cantaxantina (Figura 1).

Como isso funciona?

A vitamina E, por exemplo, é oxidada em um radical inócuo, o tocoferil, que pode ser regenerado pela cantaxantina e, assim, capturar um novo ROS. Esse é o efeito da cantaxantina conhecido como “sparing effect” (efeito de conservação). Nos primeiros 3 a 4 dias de incubação dos ovos, a maior geração de ROS ocorre dentro da gema, decorrente da oxidação de ácidos graxos insaturados e da divisão celular do embrião. Doses crescentes de vitamina E de 50 a 150 UI/kg podem fortalecer a membrana vitelínica.

46 aviNews Brasil Junho 2019 | A membrana vitelínica, sua importância na reprodução de frangos e o papel da Cantaxantina


A cantanxantina é bem absorvida e se deposita na gema (até 40% na gema). As dietas para matrizes contêm alguns carotenoides do milho, mas em pequenas quantidades.

Portanto, a vitamina E e a cantaxantina são os únicos antioxidantes presentes em quantidades suficientemente altas para ter um efeito protetor da gema, durante os primeiros 3-4 dias de incubação.

A cantaxantina é um supressor eficaz devido a sua longa cadeia simétrica de carbonos de ligação dupla. A cantaxantina é absorvida de forma eficiente e depositada na gema. É estável no premix e em processos de produção de ração sendo a única fonte de antioxidantes com atividade total que se depositam na gema para proteger a membrana.

Conclusões Graças às características singulares de alta taxa de deposição e capacidade de captura do oxigênio a cantaxantina pode melhorar a força da membrana vitelínica, em sinergia com a Vitamina E, reduzindo assim a mortalidade embrionária precoce e melhorando a eclodibilidade e a fertilidade.

nutrição

Selênio Vitamina C

A vitamina C é um antioxidante bem estabelecido, mas não se deposita no ovo e não é produzida pelo embrião até o terceiro dia da incubação. O betacaroteno não é transferido de forma eficiente para a gema dos ovos de galinha.

Cantaxantina

O selênio não teve efeito significativo na VMS. O selênio não é um oxidante propriamente dito. O selênio participa da proteção do albúmen, mas não da gema ou da membrana vitelínica.

Além disso, aumenta a produção de ovos e melhora o desempenho da progênie.

As pesquisas demonstram que os produtores podem esperar um ganho de dois, ou mais pintos por ciclo, quando melhoram a membrana vitelina da gema do ovo com cantaxantina. A membrana vitelínica, sua importância na reprodução de frangos e o papel da Cantaxantina

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47 aviNews Brasil Junho 2019 | A membrana vitelínica, sua importância na reprodução de frangos e o papel da Cantaxantina


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A IMPORTÂNCIA DOS OSSOS DA GALINHA NOS CICLOS PRODUTIVOS LONGOS Juan David Sorza Z. Zootecnista, PhD. Professor, Universidade de Antioquia. Medellín-Colômbia.

O

aparelho reprodutivo da

poedeiras

galinha é um sistema com quatro componentes:

Hipotálamo

Ovário

Encarregado de dirigir as operações hormonais, tem como auxiliar a adenohipófise

Motor inicial da formação do ovo - já que ali se desenvolvem os folículos que serão as gemas - requer o fornecimento constante de ácidos graxos a partir do fígado.

Oviduto

Onde forma-se a casca e, portanto, requer um grande colaborador: o osso medular. E é tão específico porque, se às células do útero encarregadas de mineralizar a casca, chegarem minerais do osso cortical, a ave estará perdendo a luta no jogo da remodelação óssea: os osteoblastos contra os osteoclastos.

Osso medular

49 aviNews Brasil Junho 2019 | A importância dos ossos da galinha nos ciclos produtivos longos


Folículos

É importante planejar criteriosamente: As atividades que devemos realizar

Infund

íbulo

Práticas de manejo e de nutrição para garantir o desenvolvimento, o crescimento e a manutenção dos ossos na galinha; principalmente se pretendemos obter mais de 380 ovos, ou chegar às cem semanas em um ciclo produtivo sem troca de penas ou muda induzida.

Magnum

Van Sickle, há mais de 30 anos, descreveu os aspectos importantes a considerar desde o primeiro dia de idade até a retirada da galinha adulta:

poedeiras

Crescimento: taxas relativas com outros órgãos e absoluta em relação aos componentes do osso.

estruturais e funcionais do osso:

Figura 1. Aparelho reprodutor da galinha

Istmo

Desenvolvimento dos componentes relacionado ao crescimento endocondral e intramembranoso. Controle do crescimento do osso.

Úte ro As duas primeiras atividades dessa proposta não são simples de executar em uma granja comercial, já que estão relacionadas aos centros de pesquisa.

a

in Vag

No entanto, o que se pode fazer é construir uma curva padrão de crescimento e desenvolvimento do osso para avaliar o comportamento ósseo das aves. Esta é uma variável adicional às utilizadas geralmente, como peso corporal, consumo etc.

50 aviNews Brasil Junho 2019 | A importância dos ossos da galinha nos ciclos produtivos longos

Cloaca


Importância da medição dos ossos A importância da medição dos ossos reside em permitir avaliar:

13 semanas O desenvolvimento estrutural

durante as primeiras 13 semanas de vida

O desenvolvimento

14-24 semanas funcional entre as 14 e 24 semanas

A manutenção óssea

poedeiras

até o final do ciclo

A medição mais simples é a do comprimento do

Medição mais simples

osso

A mais precisa é a medição da área do osso: medular e cortical, mas requer o sacrifício

Medição mais precisa

de aves.

51 aviNews Brasil Junho 2019 | A importância dos ossos da galinha nos ciclos produtivos longos


Tabela 1. Comprimento da área no osso de galinha. (Valores de correlação).

Na Tabela 1 detalha-se o efeito de três medições no fêmur e sua correlação com duas variáveis no ovo, na produção e no peso corporal.

Medição no fêmur

Gravidade específica

Peso do ovo

Produção

Peso corporal

Comprimento do osso

-0.0566

0.0322

0.0005

0.3317

Área cortical

-0.4532**

-0.4518**

-0.2733*

0.2758

Área medular

0.5921**

0.7552**

0.0621

0.1538

Área cortical

Efeito

Adaptado de Riczu y col. ** altamente significativo

A área cortical tem efeito significativo e inverso sobre: Gravidade específica

poedeiras

Peso do ovo Produção

Área medular

Mais área significa consequências negativas nessas três variáveis. A área medular apresenta relação direta e altamente significativa sobre a gravidade específica e o peso do ovo. Quanto maior a área, maior o espaço para a fixação de cálcio no osso medular e, a partir daí, a ave o mobilizará para mineralizar a casca. Para conseguir esse efeito positivo sobre as variáveis do ovo, realiza-se esse trabalho durante a terceira etapa de crescimento e desenvolvimento da ave: semanas 14 a 24.

52 aviNews Brasil Junho 2019 | A importância dos ossos da galinha nos ciclos produtivos longos


Temos aqui uma atividade importante a ser implementada durante as 13 primeiras semanas de vida, nas quais se desenvolve o osso cortical. Como é de esperar, favorece diretamente - mas não de forma significativa - o peso corporal; conceito fundamental para a etapa de crescimento, já que se refere à relação entre o desenvolvimento esquelético e o ganho de peso corporal.

poedeiras

Este é um principio básico em biologia do crescimento: os animais para ganhar peso devem, primeiro, desenvolver o esqueleto para suportar a massa do organismo.

Tabela 2. Características do desenvolvimento, crescimento e manutenção do osso da galinha.

A Tabela 2 enumera diferentes conceitos sobre as três etapas de desenvolvimento do osso; isso envolve objetivos, durante cada uma delas, relacionados ao crescimento e desenvolvimento ósseo.

Etapa 1: 0 a 13 semanas de idade (desenvolvimento cortical)

Etapa 2: 14 a 24 semanas (desenvolvimento medular)

Etapa 3: a partir da semana 25 (manutenção do osso)

Ação de hormônio do crescimento e calcitonina.

Ação de hormônios sexuais e calcitonina.

Manter relação cortical: medular

Osso ganha comprimento, densidade e área cortical

O osso ganha área medular. Não deve perder comprimento nem densidade.

Deterioração na qualidade da casca indica perda da área medular.

Desenvolve-se o tamanho da ave.

Desenvolve-se a reserva de minerais para a formação de casca.

Aumento de prolapso e fadiga de gaiola indica deterioração da área cortical.

Sensibilidade ao consumo de minerais em forma cúbica.

Sensível ao subconsumo de minerais que deteriora a área medular.

Manejo nutricional para equilibrar a remodelação óssea. Sorza, J.D. 2014.

53 aviNews Brasil Junho 2019 | A importância dos ossos da galinha nos ciclos produtivos longos


Etapa 1 Desenvolvimento cortical

Para o osso cortical e a estrutura de suporte da ave

Para o osso medular e a construção da reserva de nutrientes (especialmente cálcio) para mineralização da casca.

poedeiras

Etapa 3 Manutenção do osso

Etapa 2 Desenvolvimento medular

Procura-se adiar o aparecimento dos sintomas de deterioração óssea como enfraquecimento e ruptura de casca, prolapsos e fadiga de gaiola. Whitehead relatou que o osso aviar começa a enfraquecer a partir do momento em que se produzem 200 ovos, o que corresponde a 50-52 semanas de vida.

Com objetivos claros em cada uma dessas etapas, deve-se elaborar um plano de trabalho para conseguir que os ossos das aves de uma granja comercial suportem a formação das cascas

54 aviNews Brasil Junho 2019 | A importância dos ossos da galinha nos ciclos produtivos longos


O desafio é grande, porque o esqueleto da galinha atual é menor que o daquela propôs os três aspectos que devemos considerar no desenvolvimento ósseo. Uma proposta inicial é voltar a medições de comprimento de osso e a construção da curva-padrão em cada granja. O plano de trabalho apresenta muitas

Plano de trabalho

variações devido às diferentes formas de produzir ovos: Genética –ovo branco ou vermelho Alojamento na etapa de criação e

Recria escurecida Um exemplo para destacar a importância de cada uma as variações propostas está na etapa de crescimento com aviário escurecido. É provável que os problemas ósseos tenham começado quando essa técnica de manejo foi emulada, abrangendo desde as reprodutoras pesadas, até as poedeiras comerciais Brown. Mas nada é unifatorial, ou univariável; apareceram situações como:

de crescimento (piso ou gaiolão) e

Menos esqueleto nas aves

na etapa de produção (piso, gaiola

Mais produtividade

tradicional, gaiola automática)

Melhor conversão

Implementação de programas

Mudança climática, embora pareça arriscado

de maturidade sexual forçada (escurecimento, pardeamento, black-out durante o crescimento) Granulometria do alimento Facilidades para suplementação de carbonato de cálcio em grit

Aquelas empresas avícolas que, ao começar com o escurecimento, tiveram fortes problemas de prolapso e fadiga de gaiola a partir da semana 25, aprenderam sobre a importância do desenvolvimento do osso medular, tema que naquele então não tinha transcendência.

Nenhuma das três etapas de desenvolvimento do osso é mais importante que outra; se falharmos em uma delas, teremos mais trabalho técnico durante as outras duas 55 aviNews Brasil Junho 2019 | A importância dos ossos da galinha nos ciclos produtivos longos

poedeiras

que estava em galpões quando Van Sickle


Alguns aspectos que devemos considerar durante o crescimento, o desenvolvimento e a manutenção do osso são:

No caso de não atingir o desenvolvimento do osso cortical, pode-se observar nos ninhos sintomas como: Aves com baixo peso corporal Aves pequenas Aves com nível médio de

1

probabilidade de trato gastrointestinal curto.

2

Conteúdo de cálcio nos alimentos, de acordo com cada etapa fisiológica. Uso de carbonato de cálcio grosso (superior a 3 mm) no alimento, a partir da sexta semana de idade.

poedeiras

Não atingir objetivos na segunda etapa implica atraso no início da produção, prolapsos e fadigas de gaiola a partir da semana 25 (principalmente em aves de baixo peso) e o aparecimento de cascas fracas antes da semana 50 de idade. A característica das atividades realizadas durante as etapas 1 e 2, é que estas são preventivas; e tudo o que fizermos na terceira etapa é feito com a ave produzindo ovos e a exigência dependerá do preventivo realizado e do nível produtivo do lote de aves.

A Importância dos ossos da galinha nos ciclos produtivos longos

BAIXAR EM PDF A bibliografia deste artigo pode ser solicitada

3 4

Granulometria grossa do alimento a partir da mesma semana. Reforço com fontes de cálcio orgânico na fase de pré-postura e início da produção (segunda etapa).

5

Bom senso no uso de fitases.

6

Implementação de programa de luz: intensidade e duração para favorecer o desenvolvimento de hipotálamo.

7

Proporção de carbonato grosso vs. pó

8

Programa de suplementação de

nos alimentos da produção.

carbonato pedra (3 - 5 mm) na produção.

A diferença entre os itens 2 e 7 está relacionada ao efeito do carbonato de cálcio grosso na ave; nas frangas, procura-se estimular o crescimento e desenvolvimento do trato gastrointestinal (não é função nutricional direta). Nas galinhas é fonte de cálcio com absorção noturna para a formação da casca.

56 aviNews Brasil Junho 2019 | A importância dos ossos da galinha nos ciclos produtivos longos


VI Workshop

Avicultura em constante aperfeiçoamento

Sindiavipar

2019 7 e 8 NOVEMBRO

Foz do Iguaçu | Paraná

Conheça os palestrantes confirmados:

Antônio Mário Penz Jr.

Francisco Sergio Turra

Água - O nutriente esquecido

Perspectivas Avicultura 2019

Liris Kindlein

Gilclér Regina

Cláudio Maurício A. Franco

Julio Henrique E. Pinto

Como melhorar a performance reprodutiva de galos

Leonardo T. de La Vega

Controle sanitário Avicultura - Tempo Eutanásia na Granja nas diferentes etapas de Oportunidades. do processamento Mentalidade, Inovação de abate de aves Tecnológica e Humana

Marcelo Torretta

Foto: Giuliano De Luca O P . Rur al

José Antonio Ribas Jr.

A nova ordem O Consumidor mundial e previsão dos Produtos de impacto na Avícolas, tendências cadeia proteína animal e exigências

Rodrigo Terra Celidônio

Edson Bordin

O Frango do Futuro

Imunofisiopatologia da Bolsa de Fabricius

Carlos Paulo H. Ronchi

Prebióticos em substituição ao uso de antibióticos na nutrição animal

Participação pré-agendada* da Excelentíssima Sra.

Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento * A participação depende da Agenda Ministerial e será confirmada apenas dias antes do evento.

Lote Inscrições: 1º 01/05 a 31/05 Associados Sindiavipar Profissionais e Estudantes

R$ 200,00 R$ 300,00

Fo to : A n to n io A r a u jo

2º Lote

3º Lote

4º Lote

R$ 300,00 R$ 400,00

R$ 400,00 R$ 500,00

R$ 500,00 R$ 600,00

01/06 a 31/07

01/08 a 21/10

22/10 a 05/11

Jantar do Galo gratuito para Inscritos no Workshop (mediante apresentação da credencial do inscrito) Programação, palestrante e valores podem ser alterados sem aviso prévio. Consulte as atualizações no Portal do VI Workshop Sindiavipar.

Realização

Inscrições, palestrantes, programação atualizada e mais informações

sindiavipar.com.br/workshop

Promoção

Patrocinador Platinum Patrocinadores Diamante

Patrocinadores Bronze

Apoio

Patrocinador Prata



PLUMAGEM

A VAI ALÉM DO QUE OS

OLHOS PODEM VER Essa hereditariedade é menor quando comparada à produção de ovos e às características de qualidade dos ovos, mas está de acordo com a hereditariedade das nossas outras características

Teun van de Braak Gerente de Produto, Poedeiras, Hendrix Genetics www.hendrix-genetics.com

U

ma boa plumagem é importante para a saúde e o bem-estar de uma ave, sua produtividade

sociais da ave. Isso significa que o aprimoramento genético na qualidade da cobertura de penas não pode ser tão rápido quanto as características da produção de ovos, mas podemos melhorar gradualmente essas características por meio da seleção.

corporal e as penas servem como proteção direta para a pele. Valorizando essa característica e calculando

1,80

a hereditariedade, estamos selecionando aves que

1,60

contribuem para um sistema sustentável mais alinhado

1,40

é no final do pico de produção (com 40 semanas),

0,60 0,40 0,20 0,00 BD

quando é exigido o maior esforço da ave.

0,80

*B 5 BC C4 *B 2B 1 B BC C*B BD 5 *B 2B B 1 BB B*B BA 2 *B 2 BD B1 *B 2B 1

pontos diferentes. O primeiro momento de pontuação

1,00

C2 C3

marcamos a condição da plumagem das penas em dois

1,20

BB

Para todas as nossas aves testadas em campo,

Tabela 1. Classificações de penas com 70 semanas para diferentes cruzamentos genéticos

B1 *B A B1 *B B BC *B BB 2 *B 3 BB *B 4 B1 *B C B1 *B D BC *B 1 C1

ao bem-estar animal.

produto

e a conversão alimentar. Uma ave com boa

plumagem pode regular melhor sua temperatura

Tabela 2. Classificações de penas para diferentes famílias de reprodutores no cruzamento genético BC*B2

O segundo tempo de pontuação é às 70 semanas de idade. O objetivo dessas classificações é verificar se existe uma variação entre as diferentes famílias testadas

1,80

e se existem diferenças entre os cruzamentos, sejam

1,60

eles comerciais ou experimentais. Como testamos em

1,40

média 350.000 aves por ano, usamos um método de

1,20

classificação relativamente simples para possibilitar a

1,00

classificação geral.

0,80 0,60

Adotamos o método AssureWel, que é um método

0,40

reconhecido mundialmente na classificação de

0,20

aves, que vai de valor 0 (com perda mínima ou sem

0,00

perda de plumagem) a valor 2 (com perda de penas moderada a severa). A hereditariedade calculada difere por linha genética e por área corporal da ave (pescoço ou costas) e está na faixa de 0,08–0,2.

68 77 86 62 63 85 73 83 58 76 60 74 67 59 78 81 61 71 57 84 66 87 79 80 56 65 64 75 70 69 72 82

A plumagem vai além do que os olhos podem ver

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59 aviNews Brasil Junho 2019 | A plumagem vai além do que os olhos podem ver


A

EVOLUÇÃO DO VÍRUS

DOENÇA DE GUMBORO DA

patologia

Daral J. Jackwood, Ph.D. Programa de Pesquisa de Saúde Animal Universidade Estadual de Ohio/OARDC

60 aviNews Brasil Junho 2019 | A evolução do vírus da doença de Gumboro


A

doença infecciosa da bursa, bursite infecciosa aviária (IBD), ou doença de Gumboro, é causada pelo vírus da bursite infecciosa (IBDV).

patologia

O vírus infecta os linfócitos B imaturos da bursa de Fabricius, localizada na região da cloaca dos frangos, provocando imunossupressão, infecções secundárias associadas a patógenos oportunistas, menores respostas aos programas vacinais e maiores reações clínicas às vacinas vivas atenuadas.

Além da morbilidade e da mortalidade, esta doença provoca ainda: Perdas econômicas associadas a infecções secundárias Precária eficiência alimentar Retardo do crescimento Falta de uniformidade Retardo para chegar ao peso de mercado.

O controle do IBD é realizado principalmente mediante a vacinação.

61 aviNews Brasil Junho 2019 | A evolução do vírus da doença de Gumboro


Evolução do vírus Quando pensamos em vírus que podem mudar rapidamente e dificultar nossos esforços para vacinar, o IBDV não costuma ser um deles. No entanto, este vírus RNA evoluiu lentamente desde a sua descoberta em 1962. Este fato tornou-se aparente quando falhas vacinais em bandos de frangos de corte revelaram a presença de um segundo tipo antigênico do IBDV conhecido como variante. As vacinas contra o IBDV, original (clássico) não protegiam as aves contra essas variantes antigênicas do vírus.

patologia

Os termos clássico e variante continuam sendo usados para descrever as cepas de IBDV, mas agora sabemos que a evolução do vírus deu lugar a muitos tipos antigênicos novos. Isso é um problema, já que as vacinas comerciais que utilizamos para proteger os bandos contra esta doença, foram obtidas de cepas de IBDV com mais de 30 anos, que são diferentes dos tipos antigênicos de IBDV encontrados nos lotes de frangos de corte e poedeiras atuais. Ocasionalmente, as vacinas antigas proporcionam certa proteção cruzada contra as novas cepas de IBDV, mas raramente oferecem uma proteção completa, sendo difícil prever sua eficácia.

62 aviNews Brasil Junho 2019 | A evolução do vírus da doença de Gumboro


Como podemos controlar essas cepas de IBDV em contínua evolução? A imunidade maternal é a primeira linha de defesa contra os desafios gerados pela IBD em pintos.

As vacinas autógenas em lotes de reprodutoras conferem imunidade maternal para sua progênie contra as cepas emergentes de IBD. No entanto, estas vacinas também podem ter alguns inconvenientes e nem sempre são a melhor resposta: As vacinas autógenas requerem o isolamento e o cultivo dos vírus de campo, o que leva tempo e pode resultar em atrasos para o uso dessas vacinas nas reprodutoras. Também é importante certificar-se de escolher o vírus correto para a produção da vacina autógena e, tendo em vista que se trata de vacinas mortas, também pode haver o risco de uma inativação incompleta. Regulações governamentais também podem limitar, ou proibir o uso de vacinas autógenas inativadas em muitos países.

Uma possibilidade para controlar as cepas emergentes de IBDV poderia ser novas vacinas com plataformas “VLP” (do inglês, Vírus-Like Particle vaccines). Estas vacinas poderiam substituir as vacinas inativadas convencionais e autógenas nos programas de vacinação para as reprodutoras. As vacinas VLP podem ser produzidas para assemelhar exatamente a antigenicidade dos vírus causadores de problemas. Da mesma forma, estas podem ser modificadas e atualizadas à medida que o vírus (IBDV) for evoluindo no campo.

patologia

Os estudos de vacinação/desafio revelaram claramente que o IBDV evoluiu e que existe um número de tipos antigênicos diferentes. Esse fenômeno conhecido como “deriva antigênica” é a razão pela qual muitas vacinas para lotes de reprodutoras oferecem pouca, ou nenhuma proteção. Essa situação levou ao uso de vacinas autógenas inativadas, isto é, obtidas a partir de vírus de campo isolados atuais.

Uma vez que as vacinas VLP são extremamente seguras, as novas regulações nos EUA para elas são mais tolerantes, o que possivelmente facilitará sua disponibilidade e ampliará sua distribuição.

Em um próximo número da aviNews Brasil será apresentado um artigo sobre o controle de IBD mediante a tecnologia VLP.

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A melhor forma de nomear as cepas de IBDV Os nomes dos isolamentos de IBDV são muito confusos e isso se torna um problema para selecionar uma cepa vacinal para proteger contra uma cepa patógena (patotipo) diferente e/ou variante antigênica do vírus. Com o passar dos anos, os isolamentos de IBDV foram nomeados com base em:

Observações clínicas: suave, intermediário, intermediário-plus e “quentes”

patologia

Nome da pessoa que descreveu o isolamento pela primeira vez: Winterfield, Lukert, Moulthrop, Baxendale Variações antigênicas: clássica, variante Designações alfanuméricas: STC, D78, G603, S706, 228E, GLS, 002/73, V877 Localização geográfica: Del-A-E, MD, OH

Embora essas nomenclaturas parecessem lógicas em seu momento, atualmente oferecem pouca, ou nenhuma informação sobre os isolamentos. Em um relatório recente (Jackwood, D. J., Schat, K. A., Michel, L. O. and de Wit, S., A proposed nomenclature for infectious bursal disease virus isolates, Avian Pathology, 47:576-584. 2018), foi proposto um novo sistema mais apropriado para designar os isolamentos passados e futuros do vírus. A designação dos isolamentos de IBDV seria realizada de forma similar ao que é feito com os vírus da influenza aviária e da bronquite infecciosa. O isolamento do IBDV seria renomeado para incluir a espécie avícola, o país de origem, o nome comum e o ano de isolamento, com a adição de uma chave descritiva no início, indicando se pertence ao sorotipo 1 ou 2. Assim, a cepa de IBDV do sorotipo 1, comumente conhecido como STC, passaria a chamar-se: 1/chicken/USA/STC/67. Embora o novo sistema de nomenclatura forneça informações gerais sobre as cepas de IBDV, este não inclui a informação sobre a antigenicidade e patogenicidade dos vírus O fato de o novo sistema de nomenclatura não incluir informação sobre a antigenicidade e patogenicidade dos vírus é deliberado, pois os estudos sobre antigenicidade e patogenicidade realizados em muitos laboratórios ao redor do mundo utilizam diferentes protocolos, o que resulta em diferentes conclusões para o mesmo vírus. Esta variabilidade de resultados é motivo de confusão entre os profissionais especializados em medicina aviária.

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Por exemplo, nem todos os isolamentos conhecidos como vvIBDV são associados a uma elevada mortalidade, inclusive alguns vvIBDV reorganizaram seus segmentos genômicos, resultando em um vírus com uma menor patogenicidade (virulência).

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Portanto, é necessário estabelecer um novo sistema de nomenclatura que possa ser aplicado facilmente no mundo todo e que proporcione informações sobre as características das cepas de IBDV. Usando tecnologia de biologia molecular é possível comparar as sequências genômicas dos vírus IBDV. Assim, a designação dos genogrupos, identificados mediante uma análise filogenética padronizada de uma região específica do genoma, poderá ser aplicada universalmente às cepas de IBDV isoladas no mundo todo. Os estudos realizados demonstraram que as cepas de IBDV que fazem parte do mesmo genogrupo têm muitas características antigênicas e patogênicas semelhantes.

A adição da designação de genogrupo (G) aos novos nomes dos vírus poderia ser análoga à adição dos subtipos Hemaglutinina (H) e Neuraminidase (N) ao final da nomenclatura de Influenza. Dessa forma, e empregando este sistema universal, a cepa STC seria renomeada como 1/chicken/USA/STC/67 (G1). Conforme foi indicado na publicação de Michel, L. O. and D. J.

Jackwood, (2017). Classification of infectious bursal disease virus into genogroups. Arch Virol. 162:3661-3670. doi: 10.1007/s00705-017-3500-4, foi identificado um total de 7 genogrupos de IBDV: O vírus STC e praticamente todas as cepas de IBDV clássicas pertencem ao genogrupo 1. A maioria das cepas IBDV variantes se encontra no genogrupo 2. A maioria dos vírus vvIBDV faz parte do genogrupo 3.

Genogrupo 1 Genogrupo 2 Genogrupo 3 Genogrupo 4 Genogrupo 5 Genogrupo 6 Genogrupo 7

É provável que, à medida que vírus for evoluindo, sejam identificados novos genogrupos Adaptado de Michel, L. O. and D. J. Jackwood, (2017). Classification of infectious bursal disease virus into genogroups. Arch Virol. 162:3661-3670. doi: 10.1007/s00705-017-3500-4.

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CONCLUSÃO Em suma, a evolução de IBDV ao longo das décadas resultou no aparecimento de inúmeros tipos antigênicos e patogênicos do vírus.

Com base nessa informação, é possível tomar uma decisão sobre quais vírus vacinais poderiam estar relacionados aos vírus de campo e, caso não estejam relacionados, poderá considerar-se a produção e uso de uma vacina autógena.

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A chave para controlar essas cepas é identificá-los e determinar quais vírus são seus “parentes” mais próximos. Isso pode ser obtido mediante tecnologia de biologia molecular, que permite classificar os novos vírus no genogrupo apropriado.

Espera-se que, em um futuro próximo, as vacinas produzidas mediante tecnologia VLP estejam disponíveis, possam ser produzidas rapidamente e permitam mantermo-nos em dia com as novas cepas emergentes dos vírus desta doença.

A evolução do vírus da doença de Gumboro

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67 aviNews Brasil Junho 2019 | A evolução do vírus da doença de Gumboro


IMPACTO DA

BRONQUITE INFECCIOSA NA INDÚSTRIA DE CARNE DE

FRANGO

patologia

Jorge Chacón, Eduardo Loewen e Tharley Carvalho Serviços Veterinários Ceva Saúde Animal - Brasil

A

indústria avícola brasileira caracteriza-se pela alta competitividade na produção e

exportação de carne de frango de alta qualidade. Entre as principais vantagens competitivas da indústria brasileira destacam-se o custo de produção competitivo e a qualidade sanitária dos planteis. Ter o sistema de produção altamente tecnificado e ser produtor dos principais insumos alimentícios, permitem que os custos de produção sejam competitivos no mercado internacional.

68 aviNews Brasil Junho 2019 | Impacto da Bronquite infecciosa na indústria de carne frango


Neste contexto, é fundamental ter e dispor de carne para ofertar, em outras palavras, ter e dispor de frangos.

À diferença de outros países produtores de carne de frango, o Brasil é livre de doenças que limitam a exportação de carnes (principalmente Influenza aviária e Doença de Newcastle).

Na atualidade, o cenário mundial é muito favorável à indústria brasileira com elevada demanda para exportar carne de frango.

patologia

Diversos fatores afetam a eficiência na produção de ovos, pintinhos, frangos e carne de forma separada. Mas poucos podem impactar todos os setores da cadeia produtiva como as doenças infecciosa fazem.

Entre elas, destaca-se a Bronquite infecciosa, pela sua capacidade de afetar vários setores da indústria avícola de forma simultânea.

Infecções do vírus BR da Bronquite em granjas de matrizes causam prejuízos na granja, mas seus impactos atingem o incubatório e também a granja de frango de corte.

Quando o custo de produção se mantém estável e favorável, e exista uma demanda pelo produto, as empresas exportadoras destinam boa parte de sua produção para o mercado internacional, havendo também um bom cenário para as empresas que comercializam seus produtos no mercado interno, com bons preços de venda.

69 aviNews Brasil Junho 2019 | Impacto da Bronquite infecciosa na indústria de carne frango


Da mesma forma, a infecção por este vírus em lotes de frango de corte afetará não só os indicadores de produtividade da granja, como também os do frigorífico, gerando prejuízos milionários para as empresas. Os impactos desta infecção viral em vários parâmetros, ou indicadores das granjas de matrizes e frangos de corte, incubatórios e frigoríficos, afetam a disponibilidade de carne para a comercialização local e internacional.

patologia

O presente artigo apresenta de forma resumida as principais perdas causadas pelo vírus BR da Bronquite infecciosa em granjas de matrizes pesadas e frangos de corte. A publicação também mostra como o efeito da infecção viral pode diminuir a disponibilidade do produto final (carcaça) para a comercialização.

Impacto da Bronquite no setor das matrizes pesadas Mesmo que não tenha sido demonstrada a transmissão vertical do vírus da Bronquite infecciosa, os impactos da infecção nos lotes de matrizes atingem outros setores como o incubatório e a granja do frango de corte (Figura 1). Quando um lote de matrizes é infectado, a ave é afetada (com incremento da mortalidade, medicação e taxa de infertilidade) mas também o ovo embrionado, e o pintinho proveniente do lote infectado sofrem com a ação do vírus. Existe uma menor eclosão de ovos provenientes de matrizes infectadas devido à qualidade externa e interna inferior do ovo.

Esta menor taxa de eclosão, significa menor número de pintinhos vendáveis disponíveis para serem enviados às granjas de frango de corte.

Acompanhamentos realizados em empresas do país têm demonstrado que lotes de pintinhos provenientes de lotes de matrizes infectados pelo vírus BR da Bronquite infecciosa têm pior desempenho na primeira semana de vida: O pintinho chega enfraquecido, refuga e aumenta a mortalidade inicial, sendo necessário a medicação para controlar infecções bacterianas decorrentes.

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O pior desempenho de pintinhos originados de lotes de matrizes infectadas tem as seguintes causas: Pintos originados de ovos de qualidade inferior nasceram debilitados, na granja terão vitalidade inferior, muitas vezes refugando devido ao menor consumo de ração e água, e sendo mais susceptíveis às infecções bacterianas.

B

Pintos originados de ovos com porosidade de casca anormal podem infectar-se mais facilmente com bactérias durante o processo de eclosão. Nestes casos, os quadros bacterianos (colibacilose) se observam mais no final da primeira semana de vida.

patologia

A

Bronquite Infecciosa em matrizes

Figura 1. Parâmetros afetados após infecção pelo vírus BR da Bronquite infecciosa em lotes de matrizes

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Impacto da Bronquite no setor de frangos de corte Quando um lote é infectado pelo vírus da Bronquite infecciosa, os efeitos podem ser percebidos (Figura 2): Na granja;

Lotes com processo infeccioso na granja terão maiores condenações por contaminação fecal por dois motivos:

A

Lotes de aves com tamanho desuniforme decorrente da infecção no campo terão carcaças de tamanho desuniforme, em consequência, haverá maiores cortes não intencionais de intestinos devido aos equipamentos automáticos de evisceração no frigorífico não conseguirem trabalhar com tamanho de carcaças desuniformes.

B

Cortes e rupturas dos intestinos são, em média, três vezes mais intensos e frequentes em aves com aerossaculite (Russel, 2003). Aves doentes e desidratadas têm intestinos mais friáveis, os quais se rompem mais facilmente durante o manuseio automático ou manual.

Durante o transporte das aves ao abatedouro; No frigorífico.

Granja

Mas, em todos os casos, mesmo com ou sem a presença evidente de doença respiratória ou renal, a viremia levará a: Menor consumo de ração e água (piora do GPD e conversão alimentar); Aumento da mortalidade nas últimas semanas de vida;

Transporte

Necessidade de antibioticoterapias para controlar as infecções bacterianas secundárias. Uma porcentagem de frangos afetados clinicamente irá morrer no caminhão durante o transporte da granja até o abatedouro, agravadas pelas condições do transporte. No abatedouro, os prejuízos também são milionários, pois além das condenações relacionados à presença de lesões nas carcaças decorrentes de doença da Bronquite infecciosa na granja (aerossaculite, colibacilose, aves caquéticas), existem outras condenações indiretas como a contaminação fecal.

Abatedouro

patologia

O quadro clínico e a severidade resultante da infecção pelo vírus BR em lotes de frango de corte, dependem de vários fatores intrínsecos do agente viral, da ave e do ambiente.

Quando as condenações de origem sanitária ou não sanitária são elevadas, há a necessidade de diminuir a velocidade da linha de abate, ou inclusive, parar o processo para fazer os cortes necessários para eliminar as partes afetadas (condenações parciais). Quanto maior o nível de tecnificação do frigorífico, maior é o custo da hora de abate. Assim, quanto maiores são as condenações sanitárias por infecções originadas na granja, maiores serão os prejuízos econômicos devido à diminuição da eficácia do processamento no frigorífico.

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Parâmetros afetados pela Bronquite Infecciosa em frangos de corte

patologia

1

Figura 2. Parâmetros afetados após infecção pelo vírus da Bronquite infecciosa em lotes de frango de corte.

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Parâmetros afetados pela Bronquite infecciosa que levam à menor disponibilidade de carne de frango para comercialização Como detalhado acima, os prejuízos da Bronquite infecciosa atingem vários setores da cadeia produtiva, e não apenas as granjas de matrizes e frango de corte.

patologia

Baseados em acompanhamentos de lotes de matrizes e frangos de corte, adequadamente protegidos contra o vírus BR da Bronquite infecciosa por meio do uso de vacinas vivas (frangos de corte), e vivas e inativadas (matrizes de corte) com a cepa vacinal BR, foi possível quantificar as perdas econômicas causadas por este vírus em cada setor da cadeia produtiva.

Matrizes No caso de infecções em granjas de matrizes de frango de corte, são três os parâmetros que, quando afetados, resultarão em menor quantidade de carne de frango para comercialização (Tabela 1):

A A infecção pelo vírus BR causa, em média,

3,2% de mortalidade de fêmeas adicional. Para lotes de 40.000 aves, o impacto da infecção significará 184.915 pintinhos a menos disponíveis para venda. Ou seja, mais de 435 toneladas de carne deixarão de ser disponibilizadas.

B Da mesma forma, o vírus BR causa uma

diminuição da taxa de eclosão, em média, de 3,3%, o que acarretará ter 215.708 pintinhos a menos para um lote de 40.000 matrizes. Como consequência deste efeito, a empresa deixará de disponibilizar mais de 507 toneladas de carne prontas para comercialização.

Na sequência são apresentados os impactos do vírus de campo BR sobre os parâmetros que afetam diretamente a disponibilidade de carne para venda.

C Lotes de pintinhos originados de matrizes infectadas pelo vírus BR terão, em média, 4,1% adicional de mortalidade inicial. Considerando que um lote de matrizes pode se infectar com o vírus BR, até três vezes durante o ciclo produtivo, e a duração do efeito é, em média, de quatro semanas em cada surto, o impacto será de 65.888 pintinhos a menos por lote de matrizes de 40.000 aves. Desta forma, mais de 157 toneladas de carne não serão comercializadas. O impacto do vírus BR nos três itens resultará em ter 1.099 toneladas a menos de carne de frango prontas para serem comercializadas (Tabela 1).

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Os efeitos da infecção do vírus BR em lotes de frangos de corte, em parâmetros que afetam a disponibilidade de carne de frango para a comercialização, podem ser mesurados na granja e no abatedouro (Figura 3).

A

Na granja, o vírus BR causa, em média, uma diminuição do GPD de 3,16 gramas. Utilizando os estândares atuais, a infecção levará a ter 4,4 toneladas a menos de carne pronta para comercialização, para cada lote de 40.000 frangos alojados.

B

Uma mortalidade após os 35 dias aumentada em 1,32% pela infecção pelo vírus BR, acarretará em ter 1,2 toneladas a menos de carne de frango pronta para comercialização para cada lote de 40.000 frangos alojados.

Estândares utilizados para cálculos (matrizes): Mortalidade de primeira semana: 1.20% Mortalidade aos 46 dias: 4,0% Peso ao abate: 3,2 kg. Rendimento de carcaça: 76,58% Semanas afetadas pela doença por lote: 12

C

Da mesma forma, uma mortalidade durante o transporte ao frigorífico (média de 0,18%) significará ter 0,176 toneladas de carcaça de frango a menos para comercializar para cada lote de 40.000 aves alojadas.

D

No abatedouro, lotes infectados pelo vírus BR têm, em média, 0,65% mais condenação pelo critério definido como “colibacilose”, o que leva à eliminação total da carcaça e miúdos. Para lotes de 40.000 frangos abatidos, esta condenação leva a eliminar integralmente 260 carcaças, ou seja, 0,637 toneladas de carne não são aproveitadas para a comercialização.

E

O vírus BR aumenta também as condenações classificadas como “aerossaculite total”, o que leva à eliminação total da carcaça, sem aproveitamento de miúdos. Acompanhamentos de campo, mostram que lotes positivos ao vírus BR têm, em média, 0,09% mais condenação de aerossaculite total, que lotes negativos. Para lotes de 40.000 aves abatidas, esta perda adicional representa 0,088 toneladas de carne a menos para comercialização.

patologia

Frangos de corte:

Mais de 1000 toneladas de carne perdida

Tabela 1. Perdas causadas pelo vírus BR em parâmetros da granja de matrizes que afetam a disponibilidade de carne de frango.

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G

As condenações parciais de carcaças devido à contaminação fecal aumentam, em média, 1,2% quando os lotes apresentam aerossaculite, no caso do Brasil, principalmente causados pelo vírus BR. Este nível de condenação representa o não aproveitamento de 0,353 toneladas de carne por cada lote de 40.000 aves abatidas.

patologia

Estândares utilizados para cálculo (frango): Idade ao abate: 46 dias Mortalidade aos 46 dias: 4,0% Peso ao abate: 3,2 kg. Rendimento de carcaça: 76,58% Aproveitamento de carcaça após condenação parcial: 70% (**)

Impacto da Bronquite infecciosa na indústria de carne frango

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Matrizes

Lotes positivos ao vírus BR têm, em média, 0,62% mais de condenações de “aerossaculite parcial” comparados a lotes negativos. Nestes casos, a carcaça é aproveitada parcialmente, representando uma perda de 0,182 toneladas de carne para serem comercializadas, para cada lote de 40.000 frangos abatidos.

Em resumo, a infecção do vírus BR da Bronquite infecciosa em lotes de matrizes pesadas causará várias perdas, que atingirão o desempenho dos pintinhos até a primeira semana.

Em um lote infectado de 40.000 aves alojadas, os efeitos sobre a mortalidade de fêmeas, eclosão e pintinhos de primeira qualidade evitaram a produção e disponibilização de aproximadamente 1.099,75 toneladas de carne.

Frangos de corte

F

No caso dos frangos de corte, a infecção pelo vírus BR da Bronquite infecciosa afeta vários parâmetros, levando a perdas milionárias. Quando um lote de 40.000 frangos é infectado, o impacto do vírus sobre o GPD, mortalidade final e de transporte; condenações por aerossaculite, colibacilose e contaminação fecal totalizam 7,183 toneladas de carne de frango que não serão aproveitadas.

Figura 3. Perdas causadas pelo vírus BR em parâmetro da granja e do abatedouro, que afetam a disponibilidade de carne de frango, observadas em avaliações de campo de mais de 100 milhões de aves no Brasil.

76 aviNews Brasil Junho 2019 | Impacto da Bronquite infecciosa na indústria de carne frango


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MUDANÇAS NUTRICIONAIS

nutrição

QUE DEVEM SER CONSIDERADAS EM UM AMBIENTE LIVRE DE ANTIBIÓTICOS PROMOTORES Leeson DE CRESCIMENTO Steeve Professor Emérito, Universidade de Guelph

A

digestibilidade sempre foi um tema de estudo de interesse para os nutricionistas da avicultura. Durante

os últimos 50 anos, chagamos a apreciar o papel de várias regiões do trato digestivo e seu impacto na digestão, absorção e maturidade das aves. Dado que o período de desenvolvimento dos frangos de corte foi reduzido, a importância destas funções no período inicial aumentou. Hoje em dia, é difícil atingir um peso na idade de abate normal, se houver atraso na taxa de crescimento, independentemente do motivo, durante os primeiros sete dias de crescimento.

79 aviNews Brasil Junho 2019 | Mudanças nutricionais que devem ser consideradas em um ambiente livre de antibióticos promotores de crescimento


O estudo da digestão em aves jovens revelou que a capacidade de digestão nos pintos é ainda “imatura” e uma nova indústria emergiu, suplementando o alimento com uma variedade de enzimas e outros suplementos projetados para limitar a digestão precoce. O pinto nasce com um intestino praticamente livre de micróbios, por isso os colonizadores precoces tendem a predominar. Os nutrientes sem digerir estarão disponíveis para favorecer o crescimento microbiano nas porções distais do intestino e ceco, e caso incluam bactérias patógenas, o pinto estará em desvantagem. A microbiota intestinal “normal” se desenvolve rapidamente, de forma que a carga bacteriana e

nutrição

as espécies presentes na bandeja de incubação, durante a entrega e durante os primeiros dias na granja, determinarão a colonização precoce.

O conceito Nurmi de manipulação da microbiota intestinal se baseia na introdução precoce de micróbios não patógenos. Idealmente, esses micróbios ajudarão a prevenir a colonização por patógenos e a exclusão competitiva (CE Competitive Exclusion). Sem dúvida, é uma das ferramentas de manejo do futuro empregada na produção de frangos de corte.

O desenvolvimento precoce e rápido do epitélio intestinal é outro pré-requisito para uma digestão normal. As vilosidades e microvilosidades intestinais crescem rapidamente nos primeiros dias e, qualquer atraso neste processo, levará a uma redução na captação de nutrientes, aumentando sua disponibilidade para os patógenos anaeróbios.

80 aviNews Brasil Junho 2019 | Mudanças nutricionais que devem ser consideradas em um ambiente livre de antibióticos promotores de crescimento


A presença de patógenos, micotoxinas e toxinas

O ácido butírico, seja no alimento, seja

animais e vegetais retardam

como consequência da fermentação

o desenvolvimento das

de polissacarídeos não amiláceos, é

microvilosidades. A seleção

importante para o desenvolvimento das

de ingredientes de alta

microvilosidades.

digestibilidade, livres de toxinas

À medida que o epitélio se desenvolve

naturais, é importante para garantir

dentro das microvilosidades, a mucosa

um desenvolvimento intestinal

secretada age como uma importante

inicial rápido.

barreira contra a colonização patógena e a autodigestão pelas próprias enzimas digestivas da ave.

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Algumas bactérias são capazes de colonizar porque são capazes de degradar esta camada protetora

Agora sabemos que o material

da mucosa.

indigestível influencia no crescimento microbiano,

A Helicobacter pylori, bactéria causadora de

especialmente no intestino

úlceras gástricas nas pessoas, segrega a enzima

grosso e ceco.

urease que destrói o revestimento mucoso, expondo a parede gástrica à ação do ácido

Potencializar o crescimento

clorídrico e à pepsina do estômago. Seria

microbiano poderá ter uma

interessante estudar a microbiota intestinal de

enorme importância em um

aves alimentadas com uma farinha de soja rica

cenário em que já não se

em urease.

utilizem antibióticos promotores

Atualmente, o destino dos nutrientes não

de crescimento, principalmente

digeridos está adquirindo a mesma importância

em ausência dos ionóforos

que o dos nutrientes digeridos. No passado,

anticoccidianos.

considerava-se que 12-20% de ingredientes indigestíveis eram um problema associado à anuncio_ABVista_Econase_170x120_CV.pdf 12/5/17 consistência das fezes e à qualidade da 1cama.

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Digestão de carboidratos A maior parte da digestão ocorre no jejuno. Aproximadamente 60-70% do amido presente nos cereais se encontra em forma de mono- ou dissacarídeos - no momento em que a digestão chega ao íleo proximal, enquanto 95% do amido está digerido quando chega ao íleo terminal.

O principal fator que influencia na digestão de carboidratos é o conteúdo em polissacarídeos complexos, como celulose e lignina. Há muito pouca lignina em dietas à base de milho-SBM

nutrição

(farinha de milho e soja), de forma que a celulose se torna o principal limitante da digestibilidade. Apesar de até 10% da celulose dietética desaparecer no trato digestivo, a maior perda se associa a à atividade microbiana no intestino grosso e ceco, onde os produtos da digestão têm utilidade limitada para a ave, porém favorecem o crescimento microbiano. Existem outros polissacarídeos que são de maior interesse para os nutricionistas da avicultura, como as hemiceluloses, pentosanas, β-glucanos e oligossacarídeos (estaquiose e rafinose) encontradas na farinha de sementes de oleaginosas e que, em seu conjunto, são conhecidas como polissacarídeos não amiláceos.

83 aviNews Brasil Junho 2019 | Mudanças nutricionais que devem ser consideradas em um ambiente livre de antibióticos promotores de crescimento


Geralmente, há uma correlação negativa entre a digestibilidade dos carboidratos e o conteúdo de altos níveis de pentosanas e β-glucanos.

Infelizmente, esses polissacarídeos não digeridos têm o efeito adverso de absorver grande quantidade de água da digestão, criando um meio de maior viscosidade.

Em consequência, diminui a possibilidade de contato de todos os substratos com as enzimas digestivas e todos os produtos digeridos podem não chegar às microvilosidades intestinais. Esses carboidratos complexos reduzem a digestibilidade de todos os nutrientes presentes no bolo alimentar, não somente dos carboidratos, levando irremediavelmente a um supercrescimento bacteriano.


Os alfa-galactossacarídeos, comumente conhecidos como oligossacarídeos, representam até 12% dos carboidratos presentes na farinha de soja. Os componentes mais comuns são estaquiose, rafinose e celobiose. Embora possam ser extraídos com etanol, esses oligossacarídeos não são retirados da soja mediante a extração química de gordura com hexano, sendo seu resíduo parcialmente responsável pela baixa

nutrição

quantidade de energia digestível da farinha de soja destinada à avicultura. Por sorte, atualmente é possível

Devido à ausência de atividade

adicionar ao alimento enzimas

β-galactosidase na mucosa intestinal,

exógenas, como a xilanase

há interesse na adição de enzimas

e a β-glucanasa, eliminando

exógenas ao alimento e/ou extrair os

os problemas associados à

polissacarídeos mediante etanol.

viscosidade do alimento, melhorando a digestibilidade dos nutrientes e conseguindo um melhor equilíbrio da microbiota intestinal.

85 aviNews Brasil Junho 2019 | Mudanças nutricionais que devem ser consideradas em um ambiente livre de antibióticos promotores de crescimento


Digestão de proteínas O proventrículo é o primeiro ponto de degradação proteica, graças à ação de secreções que incluem ácido clorídrico e a enzima pepsina. Antes da chegada do alimento ao proventrículo e à moela, o pH das secreções pode ser tão baixo como 1,5-2, mas sob as condições tamponadoras do alimento, o pH aumenta para 3,5-5. Uma moela ativa, com um pH baixo, tem grandes propriedades antibacterianas, embora tenha menor impacto sobre a passagem dos

nutrição

oocistos de coccídios.

Uma parte considerável da proteína endógena entra no trato digestivo em forma de saliva, sucos gástricos, sucos pancreáticos, células epiteliais descamadas da mucosa intestinal e mucinas. Esta proteína endógena não deve ser confundida com as perdas de nitrogênio endógeno através da urina, já que a proteína endógena é digerida e utilizada pelo animal, enquanto o nitrogênio endógeno perdido através da urina deve ser restituído diariamente mediante proteína dietética adicional. O aumento do fluxo de nitrogênio endógeno no intestino grosso implica um maior potencial de supercrescimento microbiano.

86 aviNews Brasil Junho 2019 | Mudanças nutricionais que devem ser consideradas em um ambiente livre de antibióticos promotores de crescimento


Digestão de gorduras

Os componentes insolúveis em água, como

A digestão e a absorção de gorduras ocorre,

podem formar micelas por si só, mas formam

principalmente, no intestino delgado. A

os ácidos graxos e os monoglicerídeos, não micelas mistas estáveis com sais biliares

atividade da lipase aumenta rapidamente

conjugados.

durante os 10 primeiros dias de vida. Por

Ácidos graxos saturados, como os ácidos palmítico e esteárico, são apolares, têm pontos de fusão elevados e somente são levemente solúveis na emulsão com sais biliares. No entanto, são notavelmente solúveis na presença de uma micela mista.

exemplo, no duodeno, a atividade da lipase aumenta em até 100 vezes entre os 4 e 15 dias após o nascimento. A digestão é potencializada pelas propriedades emulsionantes dos sais biliares, já que as lipases somente são ativas

O equilíbrio entre ácidos graxos saturados e insaturados, presentes na dieta, e a quantidade

em uma interface óleo-água.

de sais biliares são fatores importantes na

Os ácidos graxos da cadeia média e os

Se um ácido graxo saturado se encontrar na posição 2 de um triglicerídeo, será absorvido facilmente dado que os monoglicerídeos com ácidos graxos saturados são mais bem absorvidos do que quando se encontram em forma de ácidos graxos saturados livres.

triglicerídeos parecem não precisar do pré-requisito da formação de micelas antes da digestão e absorção, por isso são ingredientes interessantes no caso das dietas iniciais.

absorção de gorduras.

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aviNews Brasil Junho 2019 | Mudanças nutricionais que devem ser consideradas em um ambiente livre de antibióticos promotores de crescimento


Formulação de alimentos balanceados Embora as dietas à base de farinha de soja

O aminoácido limitante para os clostrídios

sejam consideradas o padrão na avicultura,

parece ser a lisina e a serina. Limitar seu fluxo

há evidências de que sua digestibilidade

para o intestino grosso usando proteínas

é subotimizada no caso do pinto jovem.

animais caras é uma estratégia para minimizar

Comparado com os valores esperados,

o supercrescimento bacteriano.

há uma redução de até 10-15% na Energia

No estudo da saúde intestinal somos muito limitados por nossa falta de conhecimento, com precisão, da microbiota normal presente nas aves saudáveis.

Metabolizável Aparente e na digestão de aminoácidos em pintos de menos de 5-10 dias de vida.

Sugeriu-se que as técnicas convencionais de cultivo conseguem isolar, no máximo, apenas 5% das espécies bacterianas presentes no intestino.

No caso da formulação de dietas iniciais, a ideia é corrigir tais deficiências e incrementar a taxa de crescimento precoce e/ou reduzir o supercrescimento microbiano.

0603-KEM-050-Adaptação-anúncio-Avinews-OK.pdf

C

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1

A aplicação de técnicas mais inovadoras, incluindo a identificação do DNA dos micróbios, poderia lançar luz sobre a complexidade da microbiota, principalmente sobre como mudam 06/05/2019 16:10 em resposta a diferentes tipos de dieta.


Perspectivas para o futuro

Independentemente das estratégias

Otimizar a digestão, ou melhor, minimizar

dos patógenos na produção, devemos

a indigestão, é uma estratégia viável para

lembrar que os micróbios são oportunistas

limitar o supercrescimento microbiano

com uma surpreendente capacidade para

no intestino e ceco. Não há um substituto

adaptar-se aos novos ambientes.

empregadas na prevenção da proliferação

simples para os antibióticos promotores do crescimento, sendo necessário que as diretrizes de manejo do futuro sejam

Provavelmente, nenhuma estratégia

multifacetadas.

será efetiva a longo prazo. Por isso, devemos estar preparados para ser

Na Tabela 1 são recopiladas algumas

flexíveis com nossos programas

das abordagens para limitar o fluxo de

dietéticos, suplementos alimentares

nutrientes para os patógenos intestinais. Há

e práticas de manejo.

uma oportunidade para a alimentação com dietas iniciais especializadas e, embora sejam mais caras em comparação com as dietas convencionais, têm o potencial de além dos observados no momento de seu

Tabela 1. Ações potenciais para limitar o fornecimento de nutrientes para os patógenos intestinais

nutrição

proporcionar benefícios a longo prazo, fornecimento. Atualmente, existe uma ampla lista de “alternativas” aos antibióticos promotores de crescimento e, sem dúvida, muitas

Área Nutrientes do alimento

Reduzir o excesso de N Limitar os NDPs Adequar o perfil de ácidos graxos à idade da ave Planejamento da dieta (mudanças)

Ingredientes presentes no alimento

Limitar as proteínas de qualidade “baixa” Otimizar a qualidade da gordura Reforçar os procedimentos QA (Quality Assurance) para as aves jovens Monitorar a qualidade das dietas SBM

Fabricação do alimento

Preparação térmica? Tamanho da partícula dos ingredientes Calor/tempo do procedimento QA Dietas iniciais

Suplementação alimentar

Enzimas Probióticos Prebióticos Mananoligossacarídeos (MOS) etc. Ácidos orgânicos Triglicerídeos de cadeia média Nutrição In-ovo

Manejo

Temperatura de incubação Condições da cama

delas são incorporadas pela indústria de produção de frangos de corte. Conforme aprendemos mais sobre as populações bacterianas, adquirimos conhecimentos sobre suas necessidades nutricionais e suas condições de proliferação. Nosso entendimento da interação entre as populações microbianas e a digestão não deve desviar nossa atenção da importância dos princípios básicos do manejo dos frangos de corte. As práticas de incubação têm cada vez mais importância na

Ação

otimização da função intestinal normal e na minimização da proliferação de patógenos.

Mudanças nutricionais que devem ser consideradas em um ambiente livre de antibióticos promotores de crescimento

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89 aviNews Brasil Junho 2019 | Mudanças nutricionais que devem ser consideradas em um ambiente livre de antibióticos promotores de crescimento


obre Precisamos falar s

Food Safety

Trabalhando juntos para garantir a sustentabilidade do seu negรณcio


alimentação

CONTROLE DE SALMONELLA

ATRAVÉS DA INTEGRAÇÃO DE SILOS (ORGANIZACIONAIS) Equipe Projeto SmartShieldTM for Food Safety Cargill Animal Nutrition

91 aviNews Brasil Junho 2019 | Controle de Salmonella através da integração de silos (organizacionais)


V

ivemos no Brasil uma avicultura de alta complexidade. Mercados compradores gradualmente mais restritivos, múltiplos competidores, margens que não “dão margem para erro”, e por trás de tudo isso, uma cadeia longa e com grande número de stakeholders. É dentro desse contexto que a segurança dos alimentos na indústria avícola, especialmente com foco no controle de Salmonella, tem sido desafiada.

alimentação

Quando convergimos para esse ponto, identificamos rapidamente um universo a parte. A variabilidade da caracterização e do perfil de risco da Salmonella, bem como sua epidemiologia multifatorial, deixam claro que para nortear quaisquer programas de controle é necessário compreender com profundidade suas particularidades. Porém, após tantos anos de uma abordagem de controle de Salmonella focada no microrganismo, a nossa indústria segue enfrentando dificuldades para obter bons resultados de forma estável no longo prazo. Mas com esse desafio, surge também a oportunidade de ampliar a visão do problema para outra perspectiva: a de Gestão.

Quando esse entendimento não ocorre de maneira fluida, existirão áreas independentes que interagem de forma restrita entre si.

E nesses casos, a empresa tornase um grupo de departamentos com baixo nível de alinhamento e sem a visão do objetivo geral, formando o que aqui chamamos de silos organizacionais.

A presença de silos organizacionais nas agroindústrias é uma das grandes ameaças para o êxito dos programas de controle de Salmonella, já que na maioria desses casos cada área desenvolve seus planos de forma individualizada e segmentada. Como exemplo disso, vemos setores específicos que possuem metas próprias tanto de produtividade quanto relacionadas à Salmonella.

Devido à complexidade da cadeia avícola, a grande maioria das agroindústrias organiza-se de forma setorizada, de forma a facilitar a gestão e melhorar a eficiência técnica e financeira da operação. Esse modelo deve estimular um claro entendimento sobre a interdependência entre setores a partir da criação de uma relação fornecedor/cliente internos.

92 aviNews Brasil Junho 2019 | Controle de Salmonella através da integração de silos (organizacionais)


Essa estrutura em forma de “silos organizacionais” dificulta a implementação de programas e planos de controle que tratem a empresa como um todo. Sob essa óptica, podemos reconhecer como medida fundamental para o controle de Salmonella a limpeza (integração) de silos.

Sem um olhar estratégico e sistêmico de segurança dos alimentos, não é possível mapear os impactos dos fatores de risco inter-relacionados, nem mesmo analisar a correlação entre ações tomadas ao longo da cadeia produtiva e ocorrências isoladas de Salmonella. Ao não trabalharmos sistemicamente, falhas no controle de Salmonella aparecem, e flutuações na prevalência desse agente acabam não tendo suas causas reconhecidas.

Ao considerarmos Salmonella um problema de gestão, o primeiro aspecto a ser focado é o entendimento profundo do mapeamento e dimensionamento desse problema.

Afinal, só se gerencia o que se mede. A gestão de dados para um programa integrado de controle de Salmonella não deve ser menosprezada.

Para isso, parte-se da premissa que as monitorias em cada fase do processo são realizadas de forma correta e são estatisticamente significativas. Mas a origem é só o início da gestão de dados, e entram então em cena os programas de análise que cruzam informações e transformam dados em ferramentas de suporte à tomada de decisão.

alimentação

Como exemplos claros desse problema, observamos que metas de produtividade dentro de uma área específica, como o aumento de produção através do adensamento de alojamento no fomento ou a redução do custo da ração pela utilização de certas matérias primas nas fábricas, podem impactar a prevalência de Salmonella dessa, ou de outras áreas da empresa.

As empresas avícolas comprometidas com o controle de Salmonella devem profissionalizarse nesse sentido, criando indicadores que unam resultados das monitorias e análises de processos e fatores de risco, e através disso gerem indicadores que formarão o Dashboard (Painel de Controle) de Food Safety da integração. Esse será o guia para a definição das ações necessárias e para a análise de eficácia das mesmas nos planos relacionados à segurança dos alimentos. Outro fator decisivo para a gestão eficaz de Salmonella na indústria avícola é a formação de comitês de Food Safety, compostos por líderes das áreas chaves e com um claro objetivo comum. Esse comitê, munido das informações do Dashboard de Food Safety e contando com o engajamento da alta direção das empresas, tem a responsabilidade de sensibilizar, fazer a gestão e direcionar de forma integrada o programa de controle de Salmonella ao longo da cadeia de produção.

93 aviNews Brasil Junho 2019 | Controle de Salmonella através da integração de silos (organizacionais)


Para chegar ao nível de aculturamento da empresa, é necessário inicialmente fazer o diagnóstico do problema e priorizar ações corretivas que provoquem resultados no curto prazo (plano emergencial). Na sequência, o foco é direcionado para ações estruturais de organização (“arrumar a casa”).

alimentação

A construção de programas de controle de Salmonella sempre deve ser encarada como um projeto de longo prazo e integrado, visando a implementação de uma cultura organizacional focada em Food Safety.

E por fim, chega-se ao nível desejado, onde são abordadas estratégias de mudança de cultura, com a prevenção como palavrachave.

Cultura organizacional

Fonte: Projeto SmartShieldTM for Food Safety - Cargill.

Esforço

3a fase Prevenção

Plano Estrutural 2a fase Organização

Plano Emergencial 1a fase Correção

94

Impacto aviNews Brasil Junho 2019 | Controle de Salmonella através da integração de silos (organizacionais)


A necessidade de eliminação de lotes;

Por todas essas razões, as fases iniciais de programas de Food Safety tem como focos implementar medidas de mitigação de riscos e reduzir os custos de “não qualidade”. Mas com visão estratégica, as empresas avícolas devem objetivar a transformação de seu modelo mental de negócio, fazendo com que seus programas de Food Safety se tornem uma forma de capturar valor, impactando as receitas de forma sustentável e ressignificando custos como investimentos em agregação de valor.

Redirecionamento de planos de produção para produtos de menor valor e preço; Restrição de acesso a mercados mais exigentes e rentáveis; Custos elevados com logística e análises laboratoriais; Limitações no atendimento da carteira de clientes;

Essa mudança de perspectiva não é simples; porém, gera benefícios que se enraízam na cultura das empresas e que se expandem para além dos horizontes de Food Safety.

Comprometimento da imagem e reputação da empresa.

alimentação

Prejuízos

Os prejuízos causados pela Salmonella são sentidos em toda cadeia avícola, através de perdas financeiras diretas e indiretas como:

Adaptado de: Transparency Report 2015 - Hartman Group, qualidade e sustentabilidade.

Ambição

Onde estamos

egócios Modelo de N

r Captura Valo ” o qualidade ã n “ e d to s u Reduzir c e do Negócio l a n io c ra e p :O Mitigar risco mentações la u g re r e d Aten

Equipe Projeto SmartShieldTM for Food Satety - Cargill: Alessandro Belucio1, Carlos Brasil1, Cidinei Miotto1, Fabricio Delgado2, Luis Roberto1, Marcella Menten1, Marcelo Dalmagro1, Marcos Nicoluzzi1, Rafael Novi1, Simone Machado2 e Wilson Junior1. 1 Cargill Animal Nutrition 2 Consultores associados

Impacto em receitas Impacto em custos Impacto em riscos

Controle de Salmonella através da integração de silos (organizacionais)

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95 aviNews Brasil Junho 2019 | Controle de Salmonella através da integração de silos (organizacionais)


QUALIDADE COMO SINÔNIMO DE AUMENTO DE LUCRATIVIDADE NA PRODUÇÃO DE ALIMENTOS PARA ANIMAIS

nutrição

Dione Carina Francisco M. Veterinária, especialista em controle de qualidade, auditora líder HACCP - Agroqualitá

A

s fábricas de premix e ração têm uma relevante importância para a produção animal no que tange

aos custos de produção de carnes, além de contribuírem na saúde dos animais e e, em última instância, influenciam na saúde humana. Devido a isso, o investimento em qualidade não pode ser ignorado, caso contrário, teremos prejuízos não só diretamente, considerando as operações que ocorrem nas fábricas, mas também indiretos, com reflexo em toda a cadeia de alimentos.

96 aviNews Brasil Junho 2019 | Qualidade como sinônimo de aumento de lucratividade na produção de alimentos para animais


Conforme a FAO, vários incidentes críticos tiveram impacto na saúde animal e humana, impactando também na comercialização de rações e de alimentos; dentre eles destacase: A BSE Dioxinas Micotoxinas

Se pensarmos apenas e unicamente no quesito inocuidade dos produtos que são colocados no mercado consumidor, o investimento em qualidade já se pagaria, porque estaríamos agindo na prevenção de doenças importantes, como destacado anteriormente. Mas qualidade vai muito além de inocuidade, é uma ferramenta de gestão do negócio, com requisitos específicos como os constantes na ISO 22000, FSSC 22.000 e FAMI-QS.

Contaminações por E. coli O157:H7

Podemos incluir ainda o perigo da Salmonella sp que muitas vezes está presente em fábricas de ração e premix.

Para diminuir o risco desses eventos, foram criados vários protocolos de qualidade que podem ser usados pelas empresas, e a escolha de qual implantar deve ser baseada em mercado de atuação, exigências de clientes, exigências legais, posicionamento da empresa frente a concorrentes e produtos fabricados (ração ou premix).

É importante salientar que as normas de qualidade que são exigência legal precisam ser implantadas e os demais protocolos são de adesão voluntária, como HACCP, ISO 22.000, FSCC 22.000, FAMI-QS, GMP +, dentre outros. O que há em comum em todos esses protocolos é o seu caráter preventivo com relação a inocuidade dos produtos, no qual analisamos o risco desde as matérias-primas até o consumo dos produtos e que todas são baseadas no Codex Alimentarius², o qual desenvolve padrões e códigos de práticas com o intuito de tornar a produção de alimentos segura em qualquer país do mundo que seja signatário.

Para atingirmos o objetivo inocuidade, usamos programas de pré-requisitos que nos auxiliam também a economizar recursos, como é o caso da gestão de fornecedores, que leva a uma melhor negociação, melhora da qualidade e diminuição de riscos.

A gestão ou qualificação de fornecedores é um ponto extremamente sensível para as empresas, porque quando não elaborada e implantada da forma correta, acarreta em prejuízos, tanto para a qualidade, quanto para a produção; empresas que investem em qualificação dos seus fornecedores têm garantias de que receberão apenas o que foi contratado. Caso contrário, se não existirem regras claras sobre compra, devolução e troca de produtos, acabam por ter que utilizar uma matéria-prima, ou insumo com qualidade menor, o que leva a diminuição da qualidade dos produtos fabricados e tem reflexo negativo no consumidor.

nutrição

Desenvolvimento de resistência antimicrobiana

97 aviNews Brasil Junho 2019 | Qualidade como sinônimo de aumento de lucratividade na produção de alimentos para animais


A geração de dados da qualidade também auxilia no retorno dos investimentos, à medida que nos permite fazer uma análise da situação de toda a operação e nos anteciparmos com relação aos investimentos futuros, além de nos mostrar quais pontos são frágeis, gerando economia de recursos ao utilizarmos os mesmos da maneira correta, em situações realmente necessárias.

É interessante notar a mudança que ocorre com os colaboradores, os quais, por meio de capacitações e treinamentos, tornam-se mais comprometidos com os seus trabalhos ao perceberem a importância de suas atividades para a garantia da saúde dos animais e das pessoas, impactando de forma positiva na produtividade e na diminuição da rotatividade de funcionários.

Muitas empresas negligenciam a análise dos dados coletados e perdem a oportunidade de ter uma melhoria contínua, o que se espera de todo programa de qualidade, haja vista que qualidade não é algo estático, mas está em constante modificação, para que possamos melhorar nos pontos nos quais a organização não está tão bem.

Ao englobar as várias áreas da empresa, como alta direção, compras, recursos humanos, produção, qualidade, vendas, entre outros, as normas tratam da qualidade em um sentido mais amplo e não apenas na questão inocuidade, o que leva a uma comunicação mais assertiva entre os diferentes departamentos para que o quesito qualidade seja alcançado.

nutrição

As normas de qualidade também levam à diminuição de retrabalho e de produtos não-conformes, o que significa diminuição de custos e um melhor atendimento aos clientes. Durante a implantação dos protocolos são revisados todos os procedimentos das operações e ajustados os mesmos, por isso a diminuição de retrabalho. Como as normas são de caráter preventivo, nenhum perigo ou defeito pode passar de uma etapa para outra sem antes ser corrigido, diminuindo assim os produtos não-conformes, que acarretam reclamações, trocas, descarte de produtos e perda de clientes. A reunião de análise crítica pela direção é um requisito presente em várias normas de certificação, no qual são analisados os indicadores de desempenho da qualidade e se mensura a satisfação dos clientes. Outro ponto de oportunidade de melhoria contínua é a gestão de riscos, ou seja, a empresa deve conhecer e tomar medidas para os riscos que impactam tanto positivamente, quanto negativamente, e existem diferentes ferramentas que podem ser usadas para gerenciar os riscos.

Os investimentos em qualidade sempre resultam em retorno, seja do ponto de vista econômico ou de inocuidade, além de aumentar a confiança na marca pelos consumidores. As empresas que ainda não fizeram esse investimento acabam por perder clientes, ou não conseguir alcançar novos mercados. Empresas que obtém uma certificação conquistam mercados e/ou clientes mais exigentes pela diminuição das incertezas nas negociações. No caso da avicultura, por ser, na sua grande maioria, composta por integradores, as fábricas de rações adquirem uma importância ainda maior, pelo fato dos animais sempre consumirem as raçoes produzidas na mesma fábrica, ou seja, em caso de contaminação, como por Salmonella sp, rapidamente o plantel seria afetado, acarretando em importantes prejuízos econômicos. Em suma, a qualidade deve ser vista como uma parte importante do negócio, porque produzir sem qualidade, ou com qualidade inferior, significa não otimizar os recursos utilizados nas operações e refletirá em toda a cadeia de alimentos. Qualidade como sinônimo de aumento de lucratividade na produção de alimentos para animais

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98 aviNews Brasil Junho 2019 | Qualidade como sinônimo de aumento de lucratividade na produção de alimentos para animais


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ABPA ABRIRÁ

ESCRITÓRIOS

EM

PEQUIM E

BRUXELAS Entrevista com Francisco Turra

Presidente da ABPA

entrevista

De olho em ampliar as exportações brasileiras de carne de frango e suína, a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) abrirá, muito em breve, escritórios em Pequim (China) e Bruxelas (Bélgica). A entidade pretende contratar especialistas para assumir os postos, com foco em lobbing e promoção comercial. A informação foi passada em entrevista exclusiva à revista aviNews Brasil, pelo presidente da ABPA, Francisco Turra. Através do projeto 500K, a entidade pretende até 2020 aumentar em 25% o volume exportado de carnes de frango e suína. Na entrevista, Turra faz uma análise do setor avícola após as operações da Polícia Federal brasileira. Para o presidente da ABPA, em 2019 o Brasil vive um “momento diferente”, com o restabelecimento da confiança internacional no setor de proteína animal, e “único”, com o aumento da demanda internacional. Confira a seguir a íntegra da entrevista de Francisco Turra à aviNews Brasil!

100 aviNews Brasil Junho 2019 | Entrevista com Francisco Turra

AviNews Brasil - Em 2017, quando ocorreu a última edição do SIAVS, o setor ainda tinha muito forte em seu paladar o sabor amargo gerado pela Operação Carne Fraca. Naquele ano, o Brasil exportou 1,4% menos quantidade de carne que em 2016. Um ano depois, o setor voltou a ser alarmado pela Operação Trapaça, sendo que em 2018 as exportações de carne de frango fecharam em 4,1 milhões de toneladas. O que mudou no setor avícola brasileiro desde a última edição do SIAVS, em termos de possíveis adaptações, ou transformações geradas pela experiência das operações deflagradas pela Polícia Federal brasileira? Francisco Turra - Em primeiro lugar, é preciso sempre reafirmar: as operações geraram máculas injustas à imagem do setor de proteína animal do Brasil. A qualidade dos produtos foi posta em xeque e casos isolados foram generalizados de forma equivocada.


Desde o início colocamos nossa posição: punam-se os culpados, mas não generalizem casos que, na verdade, são isolados. Ao longo destes dois anos, trabalhamos insistentemente e em várias frentes, focados na reconstrução de nossa credibilidade internacional. No SIAVS 2017, trouxemos 46 jornalistas estrangeiros, em uma das maiores ações de imagem já realizadas pelo setor produtivo. Colhemos excelentes resultados e seguimos em campanhas em diversos mercados, especialmente na União Europeia. Agora, em 2019, vivemos um momento diferente. Conseguimos restabelecer a confiança internacional no setor de proteína animal do Brasil. Ao mesmo tempo, vivemos um momento único, com o aumento da demanda internacional – e o Brasil na esteira de um cenário comercial extremamente favorável. Não podemos deixar de exaltar lições que o setor produtivo aprendeu neste período. A maior delas: total transparência nas relações, algo que já prezávamos, mas que não estava norteado por programas próprios de compliance. Corrigimos isto e hoje, como poucos setores no Brasil, a transparência é uma de nossas principais vantagens competitivas. Vamos para uma nova edição do SIAVS mais fortalecidos e com um novo Projeto Imagem planejado. Agora, vamos mostrar que a crise nos fez mais fortes.

Colhemos excelentes resultados e seguimos em campanhas em diversos mercados, especialmente na União Europeia

AviNews Brasil - Estamos vivendo um momento em que o setor de proteína animal está com a atenção muito voltada para os efeitos da Peste Suína Africana, tanto em termos de evitar a chegada da doença ao Brasil, como de se preparar para atender uma possível demanda que venha a ser gerada pelas perdas produtivas de produção de carne suína, principalmente na China. De que forma esse tema vem sendo tratado dentro da ABPA? FT - Esta é uma questão que, como você citou, detém duas perspectivas. A primeira, é a preparação do setor produtivo para a demanda que virá da Ásia. A segunda, é a preservação de nosso status sanitário.

entrevista

Não havia respaldo às acusações absurdas, que nunca esqueceremos e que perdurou no imaginário coletivo.

Em relação à expansão das exportações, o comportamento dos negócios internacionais dá claros indicativos de que a demanda chinesa será exponencial. Conforme o Rabobank, o país será impactado em 35% de seu rebanho, alcançando 16 milhões de toneladas. Isto deve influir em todos os segmentos produtivos, da carne suína à carne de frango, para cobrir o que for possível desta gigantesca lacuna deixada pela crise sanitária chinesa. A ABPA está engajada para que o setor produtivo aproveite plenamente esta valiosa oportunidade. Recentemente, estivemos em missão com a Ministra Tereza Cristina, em busca de habilitação de novas plantas frigoríficas de aves e de suínos. Ao mesmo tempo, realizamos uma grande ação na SIAL China, maior feira de alimentos da Ásia. Lá, concretizamos quase US$ 150 milhões em negócios, apenas nos três dias do evento.

101 aviNews Brasil Junho 2019 | Entrevista com Francisco Turra


AviNews Brasil - As previsões para o comércio com a Arábia Saudita são de que, em 2019, o Brasil deixe de exportar entre 65 mil e 75 mil toneladas de carne de frango para aquele país. Isso seria reflexo de um plano estratégico do governo local. Qual o plano estratégico do Brasil para enfrentar esse problema, considerando que até fevereiro de 2019 a Arábia Saudita se posicionava como principal destino da carne de frango brasileira? FT - Este é um quadro impreciso, que agora passa pelo redesenho do comércio internacional. A crise chinesa é ampla e todos os importadores se preocuparão mais com a oferta interna de alimentos.

entrevista

De qualquer forma, os outros mercados importadores da carne de frango do Brasil já vêm absorvendo esta redução de importação da Arábia Saudita. Além da própria China, os países do Oriente Médio, como os Emirados Árabes Unidos, estão importando mais carne de frango halal proveniente do Brasil. Neste objetivo, temos intensificado nossas ações de relacionamento com os grandes importadores árabes, ao mesmo tempo em que reforçamos nossas parcerias com os importadores e o Governo Saudita, para buscar reduzir os impactos da retração das importações.

AviNews Brasil - No final de 2018, a ABPA anunciou o plano estratégico Brasil 500k, para ampliar em 25% o volume das exportações de carne de frango e suína. Como está o andamento desse trabalho? FT - Segue à pleno vapor. A Associação abrirá, em breve, escritórios em Pequim (China) e Bruxelas (Bélgica). Especialistas contratados pela ABPA assumirão os postos, com foco em lobbing e promoção comercial.

102 aviNews Brasil Junho 2019 | Entrevista com Francisco Turra


FT - A Salmonela é prioridade do setor. É pauta constante nas câmaras temáticas respectivas da ABPA. AviNews Brasil - As perspectivas do USDA são de crescimento da produção de carne de frango brasileira em 1,8% e nas exportações do produto em 1,3% em 2019. As perspectivas divulgadas pela ABPA são de crescimento de 1,39% na produção. Essas previsões estão mantidas? FT - As previsões da ABPA estão, sim, mantidas.

Estamos construindo uma marca setorial voltada para a genética brasileira

AviNews Brasil - Em relação à exportação de material genético (ovos férteis e pintos de um dia), a ABPA se mostrava muito empolgada com o crescimento do volume de exportações em 2018 e as perspectivas para 2019. O setor continua com boas expectativas em relação a esse tema? FT - A ABPA está empenhada em fortalecer as exportações deste segmento. Nos moldes do que já realizamos com os setores de carne de frango, suínos e ovos, estamos construindo uma marca setorial voltada para a genética brasileira. O objetivo é dar mais visibilidade e fortalecimento de percepção setorial, ampliando o papel brasileiro como Hub das exportações de material genético.

entrevista

AviNews Brasil - Que lugar ocupa a problemática da Salmonella no rol de preocupações do setor avícola brasileiro?

Entrevista com Francisco Turra

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103 aviNews Brasil Junho 2019 | Entrevista com Francisco Turra


CONGRESSO DE OVOS DA APA

SE CONSOLIDA COMO MAIOR EVENTO TÉCNICO DO BRASIL

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Congresso de Ovos da APA (Associação Paulista de Avicultura) encerrou sua 17a edição em 28/3, consolidando-se como o maior evento técnico da avicultura de postura no Brasil.

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O evento contou com mais de 750 inscritos e o público manteve lotado, na maior parte do tempo, o auditório onde aconteceram as mais de 30 palestras sobre os temas de maior interesse do setor.

Segundo o médico veterinário e diretor técnico da APA, José Roberto Bottura, o sucesso de público se deve ao trabalho sério da equipe organizadora do evento, cujo objetivo principal é levar conhecimento ao setor.

Eu aprendi com um mestre da avicultura brasileira, chamado José Maria Lamas, que quando organizamos um congresso para o setor, temos que colocar 70% de temas que as pessoas querem ouvir e 30% daquilo que elas precisam ouvir para crescer. E eu acho que a nossa comissão organizadora e toda a equipe que se dedicou para a concretização desse evento está de parabéns, porque está conseguindo manter esse viés de um congresso mais técnico, com conteúdo de qualidade. José Roberto Bottura é diretor técnico da APA

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“Temos que ter cuidados extremos na produção para que o ovo tenha qualidade e seja barato” “Temos que estar atentos com os processos que existem entre nós e o consumidor final, como transporte e ponto de venda”

Marketing A palestra magistral ficou por conta do consultor Marcos Fava Neves, que abordou o tema Marketing no agronegócio com foco no ovo. Ele apontou as projeções para o setor da avicultura de postura nos próximos dez anos, que segundo ele “tanto na questão da oferta, como demanda e exportações são positivas“. Neves destacou um estudo da Fiesp, segundo o qual o Brasil, que em 2017 produziu 109,7 milhões de caixas de 30 dúzias de ovos, deverá passar a uma produção de 159,5 milhões de caixas de 30 dúzias em 2028. Trata-se de um crescimento de 44% na produção brasileira de ovos. O consultor apontou a importância de o setor explorar melhor as embalagens, incluindo nas mesmas atributos que agregam valor ao ovo, como certificados de bem-estar animal. Destacou ainda a necessidade de o setor trabalhar os pontos de venda, dar visibilidade ao produto, atender aos nichos de consumo e atentar ao uso do Big Data.

Há muito mercado para conquistar em termos de volume, temos que construir margem via eficiência das cadeias produtivas integradas de ovos, com o objetivo de criar, capturar e compartilhar valor

Ricardo Santim, diretor executivo da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) e presidente do Conselho Administrativo do IOB (Instituto Ovos Brasil), utilizou uma frase de Albert Einstein para destacar a importância do Congresso de Ovos:

Tudo aquilo que o homem ignora, não existe para ele. Por isso o universo de cada um se resume ao tamanho de seu saber.

Ricardo Santin

Maioridade Laringotraqueíte, Salmonella, ambiência, bem-estar animal e estratégias para aumentar a comercialização do ovo foram parte da pauta do evento, que aconteceu em Ribeirão Preto (SP).

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No ato de abertura oficial do XVII Congresso de Ovos, o diretor presidente da APA, Érico Pozzer, destacou dois pontos aos quais o setor deve dedicar especial atenção.

Em 2020, o Congresso de Ovos da APA completa 18 anos e, segundo Bottura, deverá ser mantido no mesmo local. A avicultura de postura precisa desse espaço de convivência e troca de experiências, porque isso proporciona que a classe trabalhe mais unida, destacou.

Como combater a salmonela na avicultura? Salmonela foi o tema central do Simpósio que reuniu mais de 600 pessoas no auditório do XVII Congresso de Ovos da APA. Elas puderam conhecer aspectos relacionados à epidemiologia da salmonela, princípios básicos de biosseguridade e ferramentas de controle.

Marcos Fava Neves aviNews Brasil Junho 2019 | Congresso de Ovos da APA se consolida como maior evento técnico do Brasil

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Epidemiologia O professor Dr. Angelo Berchieri chamou a atenção para a transmissão da salmonela via vertical na avicultura de postura, ou seja, da reprodutora para a progênie. A transmissão vertical preocupa, segundo o pesquisador, porque quanto mais cedo o animal se infecta, por mais tempo excreta a salmonela e contamina a granja.

As carcaças, segundo Berchieri, são o ponto mais importante no ciclo epidemiológico do tifo aviário. “Depois que a ave morre, o que estava no intestino espalha para tudo e os animais têm o hábito de bicar tudo”, alertou.

Em todos os segmentos, desde bisavós, é importante resolver em cima, no início, destacou. Além das aves de um dia de vida, Berchieri também destacou a entrada da salmonela na granja via ração. Segundo ele, os componentes de origem animal são uma importante fonte, assim como deve-se atentar para os grãos, atraentes para aves e roedores intrusos.

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As fezes são outro importante foco de transmissão de salmonelas, segundo o professor. “São toneladas de fezes e em 1 g pode haver 100 milhões de bactérias”, observou. “Se as fezes não tiverem tratamento adequado, vão disseminar a salmonela em toda a região, já que são usadas como esterco”, alertou.

Berchieri chamou atenção ainda para os veículos e seres humanos, que deslocam-se de um lugar a outro. “É preciso ter consideração muito grande pelo veículo porque está bastante associado com a disseminação do tifo aviário. E há casos ainda em que o tifo aviário foi levado de um galpão para outro pelo próprio veterinário, ao fazer necropsia”, destacou. O professor apresentou estudos que demonstram a existência de salmonelas em caixas de transporte, teoricamente, limpas e desinfetadas. Chamou a atenção ainda para os resíduos de limpeza e desinfecção de abatedouros, incubatórios e granjas, que podem contaminar cursos d’água usados por animais selvagens e seres humanos.

Biosseguridade Os princípios básicos de biosseguridade foram abordados pelo médico veterinário Dr. Edir Nepomuceno da Silva. Segundo ele, melhorar a ambiência e a seguridade é uma questão econômica, já que transfere conceito à produção, mas não agrega valor ao produto final. Segundo Nepomuceno, trata-se de um processo multifatorial, que envolve toda a cadeia produtiva e é preciso eleger o que fazer para não se perder. Ele apontou cinco pontos que classificou como princípios básicos.

Adquira pintinhos livres de salmonelas; Cuide do ambiente onde as aves são criadas; Cuide da comida das aves, considerando que o ideal seria comida zerada de salmonela; Faça monitoria para avaliar se o seu processo de biosseguridade está sendo eficaz ou não; Plano de contingência – e se eu encontrar salmonela, o que vou fazer? O uso de qualquer tipo ou dose de antibiótico, em qualquer fase da produção, é altamente contraindicado para salmonela, concluiu.

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Competitividade em relação à microbiota que habita o ecossistema intestinal; Capacidade de sobreviver e manter a atividade metabólica e de crescer no destino; Atividade contra patógenos como a Salmonella sp.; Adesão e capacidade de colonizar alguns locais específicos dentro do organismo hospedeiro e uma taxa de sobrevivência no sistema gastrointestinal.

Prebióticos

Efeito benéfico na saúde do hospedeiro; Estimulação seletiva de crescimento de probióticos; Estabilidade em várias condições de processamento de alimentos/rações. Sobre o uso de aditivos, Anderlise sugere elencar produtos que tenham sido testados em poedeiras.

Já quanto ao uso de antibióticos, ela salienta que são usados para tratamento de infecções secundárias e não eliminam toda a salmonela. As vacinas, segundo Anderlise, devem ser aplicadas como ferramenta de auxílio, devendo estar sempre acompanhadas da adequação da biosseguridade.

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Sobre os probióticos, a professora destacou cinco itens que devem estar no protocolo da empresa:

Fermentação pela microbiota intestinal;

Aditivos

Anderlise apresentou uma lista de ferramentas, destacando que a eficácia de cada uma depende da granja, da empresa avícola, de quem fornece a ração, a pintainha e se é usada da maneira correta.

Resistência à digestão no trato digestivo;

Antibióticos

A professora Dra Anderlise Borsoi falou sobre ferramentas de controle da salmonela, destacando que não há dúvidas de que a biosseguridade é a mais importante de todas, porém precisa ser bem executada.

Anderlise também apresentou cinco critérios a serem considerados em relação aos prebióticos:

Vacinas

Ferramentas

Quanto mais vacina usamos, mais demonstramos que somos incompetentes em biosseguridade Anderlise Borsoi

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Entre as principais ferramentas a serem adotadas, segundo Anderlise, estão:

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1.

Programa de gerenciamento de granjas que usem intervenções em múltiplos estágios da produção de ovos para evitar a contaminação por Salmonella;

2.

Ter manual de boas práticas para o produtor, lembrando que a ave morta é o maior fator para se espalhar Salmonella;

3.

Limpeza meticulosa das instalações entre lotes e durante lotes, com uso de desinfetante eficiente;

4.

Aditivos e vacinas podem ser usados para aumentar a resistência das poedeiras à colonização;

5.

Cada empresa tem que ter um plano de ação. As salmonelas se adequam e revivem nos dando mais trabalho;

6.

Adotar produtos tecnicamente comprovados para poedeiras. Congresso de Ovos da APA se consolida como maior evento técnico do Brasil

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ano de 2019 marcou, mais uma vez, a história do município de Venda Nova do Imigrante, localizado na exuberante região serrana do estado do Espírito Santo. No recinto onde há 40 anos é realizada a tradicional festa da polenta, 2,5 mil pessoas foram recebidas nos dias 5 e 6 de junho para a 5a edição da FAVESU (Feira de Avicultura e Suinocultura Capixaba). Os auditórios assumiram o papel do caldeirão gigante, onde tradicionalmente é cozida a receita nascida na Itália. E os temas de maior destaque nos debates dos setores avícola e suinícola, como bem-estar animal, produção alternativa, novas tecnologias, sucessão familiar, entre outros, substituíram o fubá e os outros ingredientes.

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A CASA DO PRODUTOR CAPIXABA VIRA REFERÊNCIA PARA A REGIÃO A alta frequência do público nos auditórios atestou a qualidade da programação técnica, que contou com mais de 15 horas de palestras e debates voltados para os produtores da região. Durante os dois dias, passaram pelos dois auditórios profissionais de entidades como IOB (Instituto Ovos Brasil), ABCS (Associação Brasileira dos Criadores de Suínos), Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), entre outras instituições que apoiaram e contribuíram com duas edições do Qualificaves (Programa Anual de Capacitação de Avicultores) - voltado para as áreas de Frango de Corte e Postura Comercial - e uma edição do Qualificases (Programa Anual de Capacitação de Suinocultores).

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Entre os temas que formaram esse caldo de atualização estiveram:

Impactos das Salmoneloses para o produtor e a indústria de frango de corte Números e perspectivas da avicultura brasileira

A grande festa de confraternização e troca de ideias ficou por conta da Feira de Negócios, que reuniu mais de 70 empresas, em 44 estandes distribuídos por 4.500 m2.

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Visão do Mapa sobre bem-estar animal Sanidade e bem-estar animal de poedeiras e qualidade do ovo Sucessão Familiar no Agronegócio Entre outros.

Estamos oportunizando conhecimento e discussão de temas importantes para nossas atividades, conhecendo de perto tecnologias, tendo oportunidades de negócios e de rever muitos que há tempo não víamos. E, principalmente, trabalhando juntos para melhorar ainda mais o que temos.

Em um dos maiores estandes da Feira estavam reunidas dez indústrias da avicultura e suinocultura capixaba, sendo que, a predominante presença de produtores, foi a atração principal do evento.

Quem não esteve lá em 2019, já está fazendo os planos para 2021.

Ademar Kerckhoff, presidente do Conselho Deliberativo da AVES (Associação dos Avicultores do Espírito Santo)

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Não temos intenção de fazer um evento estrondoso, enorme. Queremos que ele seja do jeito que está, mas, sim, ampliando o número de parceiros e proporcionando mais diversificação aos participantes da Feira

Tecnologias disponíveis para a avicultura de corte 4.0

Nélio Hand, diretor-executivo da AVES/ ASES (Associações dos Avicultores e Suinocultores do Espírito Santo).


2018

2006-2017

A FAVESU, que em 2017 já havia se consolidado como a casa dos produtores avícolas e suinícolas capixabas, passou a ser referência também para produtores das regiões da Zona da Mata Mineira, sul da Bahia, Rio de Janeiro, trazendo ainda produtores do Mato Grosso do Sul e São Paulo. Não é por menos que a FAVESU vem assumindo o papel de ponto de encontro dos produtores na região. De 2006 a 2017, a produção de aves no estado do Espírito Santo cresceu 115%, enquanto a de ovos cresceu 174%, segundo dados do Censo Agropecuário 2017. No ano de 2018, 341.910 mil dúzias de ovos foram produzidas no estado do Espírito Santo, correspondendo a 9,60% da produção brasileira, segundo dados do Mapa, compilados pela Central de Inteligência de Aves e Suínos da Embrapa.

O prestígio político do evento também chama a atenção. Entre outros representantes dos Poderes Legislativo e Executivo, o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, passou pela 5a FAVESU, demonstrando admiração pelo ânimo do setor com o mercado internacional, “numa hora de muita incerteza política e econômica”. O governador destacou que recebeu demandas dos setores e que algumas questões já estão sendo debatidas com o Mapa.

“Não temos possibilidade de aumentar despesas de custeio, mas temos capacidade de buscar recursos para investimento”, salientou Casagrande.

Segundo ele, o BANDES (Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo) vem negociando junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) autorização para abertura de linhas de financiamento para a avicultura. O recado da AVES/ASES às autoridades públicas veio pela voz de Nélio Hand. “Sempre tivemos muito acesso e convivemos muito bem com a política, naquilo que é pertinente aos nossos setores, sentindo as dificuldades e limitações que acabam ocorrendo”, destacou. “Em razão disso e pela necessidade de termos mais avanços, nos propusemos, nos últimos anos, a ajudar na busca de soluções, desde aquilo que está relacionado à disponibilidade de pessoal, passando pela qualificação e conscientização de profissionais e indo até a proposição de ajustes nas legislações”, completou.

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Referência Regional

“A avicultura e a suinocultura avançam a passos largos, com atualizações constantes e sempre acompanhando o mercado mundial”, seguiu Hand. “Precisamos que todos possam acompanhar essa realidade”, concluiu, referindo-se ao papel governamental.

Nélio Hand, diretorexecutivo da AVES/ASES (Associações dos Avicultores e Suinocultores do Espírito Santo).

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Sucessão Familiar e bem-estar animal

Um dos maiores avicultores do estado do Espírito Santo, por exemplo, chegou a solicitar o conteúdo apresentado pela pesquisadora da Embrapa, Sabrina Castilho Duarte, sobre Sanidade x Bemestar Animal de poedeiras e produção de ovos.

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“A apresentação ficou muito clara”, afirmou Ademar Kerckhoff. “É possível utilizá-la para treinamento do pessoal que cuida das nossas aves”, completou, afirmando que possui cerca de 4 milhões de aves. Em sua apresentação, a pesquisadora procurou destacar que investir em higiene também é investir em bem-estar animal e incremento da produção.

Palestra Sucessão Familiar Mariely Biff

Sabrina Castilho Duarte (Embrapa), Helenice Mazzuco (Embrapa), Liziè Buzz (Mapa), Fernando Bicaletto (Fazenda da Toca), Tabatha Lacerda (IOB) e Cláudio Machado (Vencomatic)

Não resolva assuntos da empresa na mesa do jantar, nem assuntos familiares no escritório.

Os temas Sucessão Familiar no Agronegócio e os diversos aspectos que podem ser abordados em relação ao bem-estar animal chamaram a atenção do público da FAVESU. O tema do bemestar animal foi abordado sob diversos aspectos, como a visão da indústria, dos consumidores e do Mapa.

“Higiene: isso a gente pode fazer agora”, afirmou, “Nós precisamos pensar em acesso a água e ração isentos de microorganismos e, se a gente faz isso, já estamos agregando bem-estar”. A sucessão familiar é uma característica muito presente no setor avícola. Segundo a consultora Mariely Biff, que abordou o tema durante a FAVESU, entre os principais pontos a serem observados está: separar a identidade pessoal da identidade empresarial. A consultora alertou para a importância de alguns pontos como construir gradativamente o sentimento de pertencimento dos sucessores ao negócio; profissionalizar a família e preparar a equipe e o ambiente para a chegada do sucessor; e ter planejamento das ações e custos.

Segundo Mariely, um dos maiores desafios é transformar um produtor, “que põe a mão na massa” em um empresário que passe a pensar de forma estratégica.

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Vencedores dos concursos Qualidade de OVOS

As etapas de avaliação dos concursos compreenderam: análise na máquina digital EGG Tester; avaliação visual da qualidade externa dos ovos; e avaliação visual da qualidade interna dos ovos. Os resultados foram revelados ainda durante a Feira, dando direito ao vencedor de usar selos de qualidade em suas embalagens, receber certificados prêmios em dinheiro, conforme a categoria disputada.

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Objetivos

Os concursos tiveram como objetivo o incentivo à produção de ovos com a máxima qualidade possível, objetivando a melhoria dos processos de produção por parte do produtor, bem como a promoção do produto, proporcionando ao consumidor um produto de superior, que atenda a todas as exigências do mercado.

Etapas

Durante a 5ª FAVESU, a AVES e a Coopeavi (Cooperativa Agropecuária Centro Serrana) realizara o 3º Concurso de Qualidade de Ovos Capixaba e o 5º Concurso de Qualidade de Ovos Coopeavi.

Resultados

Concurso Qualidade de Ovos

Confira os três primeiros colocados de cada concurso:

3º Concurso de Qualidade de Ovos Capixabas Categoria ovos vermelhos 1º Lugar: Granja Capixaba / Ovos Galo Que Ri Carlos Magnus Caliman Berger 2º Lugar: Ovos BL Halecson Stinguel 3º Lugar: Granja Bromerschenkel Dolores Bromerschenkel

Categoria ovos brancos 1º lugar: Ovos BL Halecson Stinguel 2º lugar: Granjas Lemke Waldemar Lemke 3º lugar: Granja Capixaba/Ovos Galo Que Ri Carlos Magnus Caliman Berger

5º Concurso de Qualidade de Ovos Coopeavi 1º lugar: Erguener Foesh 2º lugar: Edson Krüger 3º lugar: Adelino Guilherme

FAVESU: a casa do produtor Capixaba vira referência para a região

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UM NOVO

MARCO NA HISTÓRIA DA AVICULTURA BRASILEIRA

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esde o dia 16 de junho de 2019, a história da avicultura de postura brasileira começou a contar com um novo marco: a 2a Conbrasul Ovos (Conferência Brasil Sul da Indústria de Produção de Ovos).

Assim como estamos habituados a utilizar os termos AC e DC para nos referirmos às ocorrências históricas localizadas nos períodos Antes de Cristo e Depois de Cristo, desde o último mês de junho, na avicultura de postura brasileira, provavelmente passemos a utilizar os termos ACO e DCO: Antes da Conbrasul Ovos e Depois da Conbrasul Ovos.

114 aviNews Brasil Junho 2019 | 2a Conbrasul Ovos - um novo marco na história da avicultura brasileira


E não se trata de um delírio editorial, mas de reporte de um evento que estabeleceu novo patamar de discussões na avicultura de postura brasileira.

Unir forças sim, medir forças não; este é o caminho do sucesso.

O número de participantes superou sim as expectativas da ASGAV (Associação Gaúcha de Avicultura), que organizou o evento com o apoio de entidades de peso como a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), o IOB (Instituto Ovos Brasil), a IEC (International Egg Commission), WEO (Organização Mundial da Indústria e Produção de Ovos) e Egg Farmer Canadá.

Nestor Freiberger, presidente da ASGAV.

Para o presidente do IOB e diretor executivo da ABPA, Ricardo Santin, as discussões estabelecidas ajudam o setor, porque levam seus atores a perceberem a necessidade de ser mais ativos e tomar decisões conscientes. Segundo Santos, que também é o representante do Brasil na IEC, a ASGAV se inspirou nas conferências internacionais da Comissão para realizar a Cobrasul Ovos.

Em termos de resultados, o público da 2a Conbrasul Ovos teve contribuição fundamental para que a ASGAV alcançasse seu objetivo.

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A começar pela representatividade e calibre dos cerca de 400 participantes, que aderiram à 2a Conbrasul Ovos e elevaram o nível dos debates à importância do setor, enquanto gerador de milhares de empregos e bilhões de reais em divisas para a economia do País.

“O que assistimos nesses dias aqui em Gramado é um avanço para a avicultura como um todo, o que nos faz sentirmo-nos muito realizados enquanto setor”, destacou.

Quando assumimos o compromisso de coordenar e desenvolver a Conbrasul Ovos, foi justamente com o objetivo de mobilizar as lideranças do setor, agregando qualidade aos debates.

José Eduardo dos Santos. Diretor executivo da ASGAV, especialista em gestão de projetos, coordenador do Programa Ovos RS e da Conbrasul Ovos. 115 aviNews Brasil Junho 2019 | 2a Conbrasul Ovos - um novo marco na história da avicultura brasileira


Olhar para além-mar Para superar as oscilações pelas quais passa periodicamente a avicultura brasileira, os produtores devem olhar para além-mar. Essa foi a tônica de dois importantes momentos do primeiro dia de debates da 2a Conbrasul Ovos. A preocupação se deve ao fato de o Brasil direcionar 99,6% da produção de ovos para o consumo interno e apenas 0,04% para a exportação. O tema foi abordado pela economista do Sistema Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul), Danielle Guimarães, e ocupou o ponto alto da programação do evento, que foi o Colóquio Lideranças Egg Bussiness.

“Podemos minimizar efeitos, tanto das fake news, como das variações relacionadas à economia, ampliando o escoamento do produto para mercados externos e reduzindo a dependência do mercado interno”, salientou. A ideia é compartilhada pelos empresários Maria Luiza Pimenta (Somai Nordeste), Ricardo Faria (Granja Faria), Guilherme Moreira (Grupo Mantiqueira) e Vitor Oliveira (Fleischmann Sohovos). Os empresários participaram do Colóquio sobre o cenário atual e perspectivas para o mercado nacional e internacional de ovos e derivados, ao lado de Francisco Turra, presidente da ABPA. Segundo Turra, em 12 anos, nunca se abriu uma oportunidade para a proteína animal do Brasil como hoje.

Só que isso não quer dizer que é uma oportunidade só nos momentos em que a economia vai mal. Danielle Guimarães

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Segundo Danielle, o ovo responde a indicadores econômicos e vem sendo uma alternativa às outras proteínas animais em momentos de crise, ao mesmo tempo em que não há um produto substituto pra ele.

A economista explicou que a proteína também é sujeita a variáveis externas relacionadas, por exemplo, à imagem do produto quanto aos seus benefícios à saúde.

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O que estamos fazendo na ABPA, com o IOB, é limpar o caminho para a imagem do ovo

Exportar deve ser uma decisão estratégica da cadeia. “Ou a cadeia busca novos canais através do porto, ou, em menos de dois anos não teremos como absorver o nosso produto”, salientou. “Da mesma forma como atravessamos o oceano para buscar um equipamento novo, podemos atravessá-lo para buscar um novo mercado”, completou.

Por sua vez, destacou que exportar deve ser uma atividade contínua do setor de ovos. “Nesse momento em que a rentabilidade do negócio é maior, não podemos pensar só em produção, mas também em inovações”, destacou.

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Guilherme Moreira

Vitor Oliveira

Ricardo Faria

Turra também destacou que a Associação passou ao Governo Federal um mapa da realidade dos países onde o Brasil pode entrar com seus produtos, incluindo o ovo.

Para o investimento em produtos diferenciados, como produção de ovos orgânicos também é um atrativo para o mercado externo. “Há demanda e quanto mais participamos, mais consultas são realizadas conosco e podemos exportar esse tipo de ovo, agregando mais valor ainda”, destacou.

Maria Luiza

Francisco Turra

A necessidade de inovar foi destacada por Maria Luiza, segundo quem o principal gargalo para a exportação de ovos é a falta de interesse do setor. “A gente tem que mudar, não podemos ficar só nas mesmas preocupações como reduzir plantel, exportar, ou acabar com gaiola”, salientou. “A gente tem que pensar novo, não podemos mais pensar nas mesmices”, completou.

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Bem-estar animal Outro importante tema debatido durante a Conbrasul Ovos são as mudanças no Código Terrestre de Bem-estar Animal, que estão sendo discutidas no âmbito da OIE (Organização internacional de Saúde Animal). Segundo o coordenador de Assuntos Especiais do Mapa, Dr. Jamil Gomes de Souza, o grupo Ad hoc de bem-estar animal da OIE está avaliando as manifestações relacionadas à revisão da proposta de redação do capítulo que se refere ao bemestar em sistemas de criação de galinhas poedeiras.

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A atual proposta de redação sugere a transição total da produção de ovos para o sistema livre de gaiolas.

A previsão da OIE é de continuar recebendo comentários sobre o ponto até o mês de julho e, em setembro, realizar uma nova reunião para avaliar as manifestações e chegar a um consenso sobre a redação final para o capítulo.

O posicionamento oficial das Américas, manifestado num encontro realizado em Costa Rica em abril de 2019, é de que a versão de redação não é aceitável, pois exclui 90% dos sistemas comerciais de criação de aves poedeiras.

Para Juan Felipe Montoya, que durante a 2a Conbrasul Ovos falou sobre o tema pela IEC e WEO, se a redação do capítulo for mantida pela OIE, os produtores de ovos do mundo devem se mobilizar.

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Para o presidente do Conselho Diretor do Instituto Ovos Brasil, Ricardo Santin, o setor vive um momento de evolução.

Não podemos simplesmente impor coisas. Estamos num período de mudanças e temos que olhar isso como tal, afinal, tem espaço para todo mundo.

Ricardo Santin

Luiz Mazzon Neto, que é diretor geral para a América do Sul do Humane Farm Animal Care, destacou que hoje o bem-estar animal ainda é um valor agregado, porém, no futuro, será critério básica para estar no mercado. Ele salientou que no primeiro período de 2019, o número de clientes atendidos pelo Certified Humane Brasil mais que dobrou comparado ao mesmo período de 2018, sendo a maioria do setor de produção de ovos.

Gaúchos amam ovo Em 2018, enquanto cada brasileiro consumiu 212 ovos por ano, os gaúchos consumiram 253 ovos, segundo levantamento da ASGAV, endossado pelo departamento de economia da Fiergs (Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul). A informação foi apresentada por José Eduardo dos Santos, durante a apresentação da experiência do Programa Ovos RS. O Programa saiu do papel com peças de publicidade e ações criativas de marketing para promoção do ovo, no ano de 2013.

“A minha percepção é que esse é um assunto que vai seguir”, salientou Jamil.

“Um cronograma de uma possível transição certamente deverá ser pensado logo após a decisão do que será tema na reunião de setembro”, completou, ressaltando que o debate não tem como ser adiado.

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Com o respaldo institucional da Asgav e de parcerias com instituições e universidades, também entrou em prática o módulo de assistência técnica e orientação aos produtores e estabelecimentos de postura comercial. Hoje, dos 3 bilhões de ovos produzidos por ano no RS, cerca de 60% são provenientes de estabelecimentos membros do Programa Ovos RS. Os estabelecimentos e produtores que atendem 70% das exigências do Programa Ovos RS têm o direito de uso, nas embalagens de ovos, do selo referencial Ovos RS.

2a Conbrasul Ovos - um novo marco na história da avicultura brasileira

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119 aviNews Brasil Junho 2019 | 2a Conbrasul Ovos - um novo marco na história da avicultura brasileira


BERÇO ESPLÊNDIDO O SIAVS (Salão Internacional de Avicultura e Suinocultura) é, inquestionavelmente, o maior evento do setor realizado no Brasil. Acontece no país que, em 2018, produziu 13,8 milhões de toneladas de carne de frango e, desde 2005, ocupa a posição de maior exportador de carne de frango do mundo. Avicultura, que aliás, estima-se que movimente mais de U$ 50 bilhões por ano no País. Entre produtores, funcionários de empresas e profissionais vinculados direta e indiretamente ao setor, a avicultura brasileira reúne mais de 3,5 milhões de trabalhadores. E a força do SIAVS não se deve apenas ao fato de ser realizado num país que é grande produtor de proteína avícola e suinícola, mas pela história que carrega consigo. Similar ao que seria o resultado de um intenso trabalho de aperfeiçoamento genético, o SIAVS nasceu em Berço Esplêndido, derivado do tradicional Congresso Brasileiro de Avicultura, iniciado no final da década de 60. O Salão, inclusive, foi palco para uma importante decisão, que foi a junção da UBABEF e ABIPECS, as duas principais associações representativas dos setores avícola e suinícola brasileiros. Dessa união, em 2015, nasceu a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), que passou a ser a organizadora do SIAVS. Neste ano de 2019, quanto mais nos aproximávamos de mais uma edição do SIAVS, esse grandioso evento que por tantos anos vem servindo como importante espaço para as decisões estratégicas do setor avícola brasileiro, o nosso coração batia mais forte! Porque o SIAVS é o Berço Esplêndido da aviNews Brasil. Orgulhosamente, nascemos dentro do Salão Internacional de Avicultura no ano de 2017, derivados de um grandioso trabalho que já vinha sendo desenvolvido pela nossa editora AgriNews, na Espanha e na América Latina. A aviNews Brasil é filha do veículo de comunicação especializado em avicultura mais lido do mundo em espanhol. Com uma diferença: nascemos dentro do Anhembi Parque, ao lado do sambódromo de São Paulo. Nossos ascendentes tentaram nos ensinar a lidar com as castanholas, mas nós preferimos a bateria da escola de samba! E trabalhamos para, num futuro muito breve, assumir a posição de Comissão de Frente da nossa querida Editora AgriNews. Podemos afirmar hoje que somos a revista brasileira especializada em avicultura, mais internacional do mundo. E nosso objetivo é contribuir, com informação qualificada e de vanguarda, para que a avicultura brasileira possa galgar lugares ainda mais gloriosos nesse mundão sem porteira. Dentro do SIAVS 2019 somos os realizadores do incubaFORUM aviNews Brasil. É a nossa experiência em curadoria do que há de informação mais atualizada e aplicável ao mercado de incubação, à sua disposição e de forma gratuita!

Também te esperamos em nosso estande na feira do SIAVS para a Grande Festa em comemoração aos 2 anos da aviNews Brasil! Carta ao leitor: SIAVS, BERÇO ESPLÊNDIDO

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120 aviNews Diciembre 2017

Obrigado SIAVS! Obrigado Brasil!


O maior evento político, técnico e comercial dos setores no Brasil!

27 a 29 de agosto de 2019 Anhembi - São Paulo - Brasil FEIRA & CONGRESSO Visite nosso site para saber mais: www.siavs.com.br

siavs@abpa-br.org +55 11 3095-3120 /SiavsBR

Realização:


AGORA TAMBÉM NO OESTE DO PARANÁ.

TOLEDO-PR NOVA UNIDADE DA VACCINAR

A nova unidade produtiva da Vaccinar em Toledo já iniciou suas operações produzindo as rações prontas - Qualifeed - da linha de aves. Esse é mais um importante passo da Vaccinar. Uma empresa 100% brasileira, posicionada entre as cinco maiores do segmento de nutrição animal do País e que está sempre próxima do cliente, investindo em tecnologia de ponta e agregando mais produtividade ao seu negócio. VACCINAR. COM VOCÊ, PELO MELHOR DESEMPENHO.