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avicultura.info

p. 30

A IMPORTÂNCIA DO

PROCESSAMENTO

DE AVES PARA A

INOCUIDADE

Eng. Fabio G. Nunes

UMA VACINA REVOLUCIONÁRIA

TECNOLOGIA DUPLA RECOMBINANTE

COMBATE TRÊS DOENÇAS DE UMA SÓ VEZ

Conveniência Eficácia Performance

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A ÚNICA VACINA HVT DE CONSTRUÇÃO DUPLA QUE FORNECE TRIPLA PROTEÇÃO EM UMA ÚNICA APLICAÇÃO

Inovações como Innovax®ND-IBD, uma vacina HVT de construção dupla que protege suas aves de Gumboro e Doença de Newcastle) antes mesmo de saírem do incubatório. Innovax ND-IBD® traz como palavras-chave a inovação, do dia, trazem retorno sobre o investimento.

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06

Biosseguridade e Biossegurança no Novo Normal

14

Elaine Franco de Carvalho

Paulo Raffi

Tecnóloga em Alimentos, pós-graduada em Gestão da Qualidade e especialista em Segurança dos Alimentos

Médico Veterinário Especialista em Tecnologia Avícola

21

Quais os Desafios da Avicultura na Adoção de Novas Tecnologias para Climatização? E sobre o Custo x Benefício?

Exigências de Inocuidade pelo Oriente Médio

27

Ventilação Mínima para o Frango de Corte Atual Technical Transfer Team, Aviagen

Daniella Jorge de Moura Professora Livre Docente, Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp

avicultura.info aviNews Brasil Setembro 2020

1


30

A importância do processamento de aves para a inocuidade

41

Luciano Keske

Fabio G Nunes

Médico Veterinário e Gerente Sênior de Serviço Tecnico da Cobb-Vantress para América do Sul

Consultor em Processamento Avícola

52

Manejo de Machos Reprodutores

As oportunidades da Industrialização de Ovos

59

Paulo Antonio de Azevedo Barretto

Engenheiro de Alimentos com especialização em Administração Industrial

Relação entre os níveis de Proteína Bruta em dietas de Aves, Saúde Plantar e Bem-estar Animal Verdú1, M., Farré1, G., Cebollero1, J., Varvaró-Porter2, A., Contreras-Jodar2, A. y Velarde2, A.

1Alimentação Animal e Produção, CAGSA (Guissona Food Corporation, S.A.) 2Programa de Bem-Estar Animal, IRTA

Soluções inovadoras em nutrição, saúde e bem-estar animal A Sanex oferece desde 2003 soluções em nutrição, saúde e bem-estar animal com base nas melhores práticas de

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65

Bronquite Infecciosa das Galinhas: 90 Anos de Evolução Nair Massako Katayama Ito & Claudio Issamu Miyaji spave@uol.com.br

79

Miopatias na Carne de Peito dos Frangos de Corte Vitor Hugo Brandalize

Médico veterinário e especialista Mundial em Nutrição da Cobb-Vantress

86

A Força da Avicultura Paranaense Priscila Beck

Direção Técnica

Dr. Gregorio Rosales MVZ, MS, PhD., DACPV

Eng. Eduardo Cervantes Consultor internacional de processamento avícola

Dr. Guillermo Díaz Arango

Zootecnista e Consultor Internacional em Nutrição e Produção de Poedeiras Comerciais

avicultura.info 3 aviNews Brasil Setembro 2020


PARA ONDE DEVEMOS OLHAR ATÉ QUE TENHAMOS A VACINA CONTRA A COVID-19

C

ontinuamos sob a égide dos desafios de um pandêmico ano de 2020. É realmente assustador assistir ao ressurgimento de medidas de isolamento em alguns países da Europa, quando já mirávamos para o outro lado do oceano com algum sinal de esperança de estarmos muito próximos de haver superado mais esta crise. Enquanto seguimos à espera de uma salvadora e milagrosa vacina contra a COVID-19, a vida segue com avanços no que se refere à compreensão por parte da humanidade sobre a importância da inocuidade, biossegurança e biosseguridade. Nesta edição da aviNews Brasil contamos com a valiosa contribuição do consultor em processamento de aves, Fábio Nunes, nos trazendo informações sobre a importância do processamento para a inocuidade da carne de frango. Aliás, as exigências de inocuidade pelos mercados do Oriente Médio é outro aspecto que faz ressaltar a importância da Certificação Halal, tema que é abordado pela especialista em segurança dos alimentos, Elaine Franco de Carvalho. Sobre o tema Biosseguridade e Biossegurança no novo normal, quem nos fala é o experiente médico veterinário Paulo Raffi, cuja experiência prática nos proporciona material de grande utilidade. Um outro aspecto que vem sendo claramente sentido por todos nesta pandemia é a aceleração dos processos de informatização e modernização tecnológica. A Dra Daniella Moura, professora livre docente da Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp,

EDITOR nos traz informações atualizadas sobre custos e benefícios da adoção de novas tecnologias para climatização na produção avícola. Uma atualização detalhada e muito completa sobre tudo o que se conhece a respeito da Bronquite Infecciosa das Galinhas nos é apresentada pela Dra Nair Massako Katayama Ito e o Dr. Claudio Issamu Miyaj. Conjuntamente, eles nos trazem informações muito detalhadas sobre a evolução desta enfermidade nos últimos 90 anos. E nada como falar sobre as oportunidades da industrialização de ovos neste momento em que acabamos de ter o aceite do México, maior consumidor de ovos do mundo, aos ovos industrializados do Brasil. O tema é abordado na nossa edição pelo consultor Paulo Antônio de Azevedo Barreto, que é engenheiro de alimentos com vasta experiência no mercado da industrialização de ovos. Conhecer os avanços do manejo de machos reprodutores, a partir da evolução genética destes animais no que se refere a ganho de peso, conversão alimentar e eficiência produtiva também é fundamental. E quem aborda este tema para os leitores da aviNews Brasil é o médico veterinário José Quintero Serres, da equipe Cobb-Vantress. Por fim, trazemos nesta edição uma reportagem especial sobre a avicultura paranaense. Conversamos com Irineo da Costa Rodrigues, presidente da Cooperativa Lar, eleito em 28 de julho para a presidência do Sindiavipar. Veja o que ele nos disse sobre os desafios para os quais se preparou a nova diretoria da entidade, que há 25 anos representa e organiza o setor. Boa Leitura!

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Eng. Eduardo Cervantes Consultor internacional de processamento de aves

Dr. Guillermo Díaz Arango Consultor técnico internacional em galinhas de postura

REDAÇÃO Priscila Beck José Luis Valls Osmayra Cabrera Daniela Morales COLABORADORES Winfridus Bakker Juan Carlos López Mike Czarick Dr. Susan Watkins Rodrigo Castillo Jorge Amado

Brian Jordan Ramiro Hernán Delgado Franco Douglas Waltman Douglas Zaviezo Víctor Naranjo

Tel: +34 93 115 44 15 info@grupoagrinews.com redacao@grupoagrinews.com www.avicultura.info Barcelona - Espanha Revista de distribuição gratuita DIRIGIDA A VETERINÁRIOS E TÉCNICOS

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A direção da revista não se responsabiliza pelas opiniões dos autores Todos os direitos reservados Imagens: Noun Project/Freepick/Dreamstime

5 aviNews Brasil Setembro 2020


BIOSSEGURIDADE E BIOSSEGURANÇA NO NOVO NORMAL

biosseguridade

Paulo Raffi Médico Veterinário Especialista em Tecnologia Avícola

N

os últimos meses, mais precisamente a partir de março deste ano, identificamos no Brasil a entrada e a disseminação do

coronavírus que causa a doença COVID-19 e que nos determinou um estado de emergência em termos de Biossegurança, o que vem reforçar os conhecimentos e práticas que já são adotados

Portanto, nos deparamos com a importância do entendimento dos princípios básicos que aprendemos com a biosseguridade avícola, como isolamento, limpeza dos materiais, desinfecção dos utensílios, a simples higienização das mãos etc.

por nós, que trabalhamos com a avicultura.

6 aviNews Brasil Setembro 2020 | Biosseguridade e Biossegurança no novo normal


Programa de Boisseguridade Figura 1 . A cadeia de componentes básicos de um programa de biosseguridade

Isolamento

Biosseguridade na Avicultura O conceito de biosseguridade na avicultura implica em manter o meio ambiente livre de microorganismos, ou com uma carga mínima, que

Controle de Tráfego

não interfira na saúde e na produção dos animais.

Quarentena/ Medicação Vacinação

Podemos defini-la como um conjunto de medidas e procedimentos, que inclui o isolamento e cuidados sanitários e profiláticos dos plantéis para evitar que sejam contaminados por organismos patogênicos.

biosseguridade

Higienização

Erradicação de Doenças As medidas de biosseguridade visam prevenir e evitar a entrada de patógenos que podem afetar a sanidade, o bem estar e os

Auditoria (técnica e qualidade total) Atualização

rendimentos técnicos das aves. Abrangem os procedimentos dos programas definidos por nós para diminuir o risco de infecção.

Educaçao Continuada

O exemplo utilizado por Sesti em 2004 representou um programa de biosseguridade com uma corrente, em que cada elo representa um componente do programa. Qualquer falha em um dos componentes, leva o elo a se romper, determinando a quebra do programa e, consequentemente, a entrada de

Plano de Contingência

uma doença no plantel de aves, causando o fracasso do programa.

7 aviNews Brasil Setembro 2020 | Biosseguridade e Biossegurança no novo normal


Quanto aos componentes operacionais de um programa de biosseguridade, consideramos adequados os que são enumerados a seguir:

1

4 Higienização, controle de vetores e tratamentos de resíduos Sem uma boa limpeza e desinfecção

Isolamento

dos aviários não podemos atingir o objetivo final de um programa de

A granja deve ter uma cerca perimetral, se

biosseguridade.

possível de alambrado, que impeça a entrada de pessoas e veículos não autorizados e

Além das limpezas

também a entrada de outros animais.

diárias e de rotina em função das

2

Controle de trânsito

As pessoas que devem ter todos os cuidados são os funcionários. E estes devem evitar

biosseguridade

contatos com aves de fundo de quintal e outras aves antes de entrar na granja. As medidas

aves, devemos aproveitar os vazios sanitários dos aviários, ou intervalos entre lotes, para fazer um ponto de corte das contaminações que possam restar do

devem se estender aos veterinários e outros

lote anterior.

profissionais que devem tomar cuidados

Evite que fiquem resíduos de fezes, penas,

máximos, pois visitam mais de uma granja e podem ter estado em granjas com problemas. O pessoal de manutenção que trabalha nas granjas pode representar um grande risco devido à possibilidade de levar

poeira e qualquer outro material orgânico do lote anterior para que o próximo lote não seja contaminado, uma vez que alguns patógenos morrem facilmente, mas outros conseguem sobreviver se as condições são ótimas e, principalmente, se estão em presença de matéria orgânica.

cargas microbianas de uma

Para evitar qualquer esquecimento

granja a outra, através das

de limpeza, devemos fazer um

caixas de ferramentas e

Check-List da limpeza de toda a

dos maquinários utilizados.

estrutura dos aviários e equipamentos. Havendo pontos com sujeira, devemos refazer a limpeza para, então, liberar a

3

Monitoramento laboratorial, confecção de registros e comunicação de resultados

desinfecção.

5

O programa de biosseguridade deve ser averiguado e monitorado para confirmar a presença, ou ausência de determinados patógenos nos lotes de aves.

8 aviNews Brasil Setembro 2020 | Biosseguridade e Biossegurança no novo normal

Programa de vacinações É necessário seguir o calendário e o programa de vacinações que foi estabelecido pelo veterinário, pois as vacinas a serem aplicadas, assim como quarentenas e medicações estão em conformidade com o histórico e os desafios da região.


6

Erradicação de Doenças

O vazio sanitário é o melhor momento para erradicar uma enfermidade da granja de frangos, no caso de existir um lote com problemas como por exemplo, salmonella spp. A granja deve contar com um sistema de manejo para os resíduos, conforme legislação ambiental da região onde está instalada.

8 Educação continuada Para assegurar a continuidade e uniformidade dos resultados de um programa de biosseguridade devemos manter um plano contínuo de treinamento para que todos se conscientizem de que sempre será mais econômico prevenir, do que remediar um problema sanitário

9 Plano de contingência As empresas avícolas devem

biosseguridade

estabelecer um plano de contingência para as

Distribuição das aves na câmara com palhada da soja.

emergências, ou toda vez que ocorra uma doença grave nas aves. Este plano deve contar com procedimentos extras e os obrigatórios, até que se tenha os resultados de laboratório comprovando que o lote está positivo, ou negativo. Com o plano, poderemos bloquear a disseminação de possível doença para outros lotes, até que se elimine as aves, se for esse o caso.

Em termos práticos, biosseguridade

Agregação de água.

se trata, realmente, de agir para

Tombamento da pilha.

diminuir os riscos sanitários

fotos: Paulo G.de Abreu E estes riscos estão previstos em lei (Instruções

7 Auditorias Doenças

Normativas do Ministério da Agricultura), sendo

As auditorias são ferramentas que nos ajudam a checar o programa de biosseguridade e, no caso de encontradas irregularidades, podermos agir, realizando planos de ações e ajustes nos procedimentos

que as principais normas de aves podem ser consultadas neste link: http://www.agricultura.gov.

br/assuntos/sanidade-animal-e-vegetal/saude-animal/ programas-de-saude-animal/arquivos-programas-sanitarios/ copy_of_normasPNSA.docx

9 aviNews Brasil Setembro 2020 | Biosseguridade e Biossegurança no novo normal


Porque necessitamos da Bioseguridade? Requerimentos de clientes

biosseguridade

Eles determinam que tipo de produtos e respectivas qualidades querem receber, dentre os quais, produtos que não coloquem em risco a sua saúde e de seus colaboradores.

Biossegurança Já a Biossegurança refere-se quase que

Requerimentos globais dos governos

exclusivamente a assuntos de saúde humana

Os governos que são signatários da OIE (Organização Mundial de Saúde Animal) devem seguir normas para garantir a saúde de seus planteis animais, assim como comunicar problemas conforme estas normas.

e pode ser definida como “prevenção” à

Regulamentação da alimentação e saúde

ações, estudos ou procedimentos para evitar

“Da Granja até a Mesa”, ou seja, cada vez mais os consumidores querem saber de onde vêm e como são produzidos os alimentos que consomem.

os riscos causados pelo uso de agentes

Redução drástica de medicamentos aprovados

exposição a agentes de enfermidades e/ou a produtos biológicos capazes de produzir doenças em seres humanos. Cuidar do homem e do meio ambiente. É isso que a biossegurança busca por meio de

químicos, físicos e biológicos.

Quais as principais áreas de risco dentro das empresas avícolas?

Com a preocupação mundial em relação à resistência dos patógenos aos antimicrobianos, muitos medicamentos foram proibidos e/ou desaprovados para o uso nas criações animais.

Áreas com concentrações de pessoas

Perdas de produtos e vendas por problemas sanitários

Granjas de Matrizes - portaria,

Dependendo do problema, os animais devem ser sacrificados (Gripe Aviária) e mercados de exportação são fechados, ocasionando perdas.

ENTRADA e SAÍDA DE FUNCIONÁRIOS Frigoríficos - entrada e saída funcionários e postos de trabalho. vacinações e seleções. Granjas de Frangos – aviários (alojamentos e apanha das aves). Fábricas de Rações – entrada e saída de funcionários.

É obrigação, é LEI

Refeitórios, Vestiários e Chuveiros

Como vimos anteriormente, está previsto em normas e leis as quais devemos respeitar e adotar.

(área de banho).

10 aviNews Brasil Setembro 2020 | Biosseguridade e Biossegurança no novo normal

Transporte de Funcionário - ônibus, van (externo e interno).


Quais principais medidas devem ser adotadas para minimizar os impactos? Estabelecer comitê de crise - Diretoria,

Alterar horários de entrada dos

RH, Segurança do Trabalho, Serviço

funcionários, diminuindo números

Médico e Social, Assessoria deImprensa.

por entrada (mínimo necessário por

de confirmação de funcionários positivos. Normatizar treinamentos e procedimentos de desinfecções - uso de álcool em gel, lavagem das mãos e das comunicações internas. Fornecer número de telefone exclusivo para COVID-19 – tira dúvidas e

entrada). Fornecer máscaras de tecido para o trânsito da casa para o trabalho e vice versa, se possível kit de álcool e máscaras para os familiares, com cores diferentes. Fornecer máscaras (N95) para áreas internas e luvas para os funcionários das portarias, ou que tenham

comunicações.

contatos com materiais externos.

Estabelecer contatos - área saúde e imprensa do município para facilitar ações em caso de urgência.

Aferir temperatura dos funcionários nas entradas dos ônibus e da empresa, com anotação dos dados.

Afastar funcionários - acima de

Distribuir álcool em gel em pontos

60 anos, grávidas e comorbidades.

estratégicos, ônibus e todos os veículos utilizados pela empresa.

Afastar funcionários cujos cônjuges trabalham na área da saúde e que tenham na casa pessoa com suspeita e/ou positiva para Covid-19.

Colocar pedilúvios nos ônibus e desinfetar locais de contato do motorista e dos passageiros. Se

Funcionários com sintomas de gripe

possível, desinfetar todas as viagens

(febre e tosse) devem ser afastados e

(termonebulizador/a seco).

monitorados, ficar em quarentena por 14 dias.

biosseguridade

Elaborar plano de contingência – para o caso

Manter e melhorar condições de higiene, chuveiros (funcionando

Funções administrativas –

bem), banheiros, uniforme (após o

homeoffice, se possível.

uso mergulhar no desinfetante).

11 aviNews Brasil Setembro 2020 | Biosseguridade e Biossegurança no novo normal


Comitê de Biosseguridade e Biossegurança Estabelecer um comitê de Biosseguridade Este Novo Normal chegou para ficar,

multidisciplinar, de caráter permanente

e obediência a regulamentos, para

formado por: pessoal das unidades de

proteger a saúde dos animais e de todos.

fomento, sanidade, qualidade, fábrica de

Nós que trabalhamos com a avicultura e, consequentemente, adotamos a

biosseguridade

e Biossegurança, com uma equipe

nos levando à adoção de normas

biosseguridade como premissa básica de

rações, incubatório, frigorifico, fábrica de farinha de origem animal, logística e direção da empresa.

proteção e prevenção a enfermidades,

Cada representante fica encarregado de

devemos aproveitar todos os

executar e divulgar as informações e ações

conhecimentos que já possuímos para

na sua área de atuação sendo as principais:

reforçar as medidas de biossegurança e proteger todos os colaboradores. Quando estabelecemos os pontos críticos de controle de um Programa de Biosseguridade e estes são monitorados corretamente, verificamos êxito ao observar a diminuição dos problemas sanitários, índices de mortalidade e gastos com medicamentos. Também a melhora na qualidade dos produtos como ovos férteis, pintinhos e frangos, que atendam aos requisitos sanitários, tanto para o mercado interno, como exportação.

Estabelecer uma frequência para as auditorias; Auditar as unidades nomeadas no Programa de Biosseguridade; Apresentar resultados das unidades em reuniões semanais; Estabelecer plano de ações corretivas. Os procedimentos de limpeza, desinfecção, desinfestação, desratização e os demais devem descrever a realidade prática das atividades da granja e, para isso, os funcionários devem participar com sugestões para a criação destes procedimentos. Biosseguridade e Biossegurança devem fazer

Biosseguridade e Biossegurança no novo normal

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parte da cultura da empresa, a tal ponto que todos possam contribuir para o sucesso do programa.

12 aviNews Brasil Setembro 2020 | Biosseguridade e Biossegurança no novo normal


A PRIMEIRA OPÇÃO NO COMBATE DE DOENÇAS ENTÉRICAS O NEOPAC é a solução comprovada para o controle dos principais agentes bacterianos causadores das enterites em aves, agindo na prevenção e tratamento de enterites causadas por E. coli, Salmonella spp, Klebsiella spp, Shiguella spp e Proteus spp.

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EXIGÊNCIAS DE INOCUIDADE PELOS MERCADOS DO ORIENTE MÉDIO

frango de corte

Por Elaine Franco de Carvalho Tecnóloga em Alimentos, pós-graduada em Gestão da Qualidade e especialista em Segurança dos Alimentos

De acordo com o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, entende-se por inocuidade dos alimentos a sua qualidade em termos microbiológicos,

Nenhuma nação deseja importar um alimento que não seja seguro e que coloque sua população em risco.

físicos, químicos e sensoriais. A exigência por qualidade – traduzida em

É justamente esta exigência que vem

barreiras sanitárias cada vez mais rigorosas

colocando o alimento Halal – permitido para

não só no Oriente Médio, mas em outros

o consumo por muçulmanos - em destaque.

continentes – aumenta, na mesma medida

Se antes se tratava, exclusivamente, de um

em que se intensificam as exportações de

critério religioso, atualmente, é um atestado

alimentos entre os países.

de segurança para os alimentos em geral.

14 aviNews Brasil Setembro 2020 | Exigências de inocuidade pelos mercados do Oriente Médio


Entendendo o Halal Halal é um padrão ético e moral de ações lícitas não só na alimentação, mas também no ambiente social, na conduta, na Justiça, nas vestimentas e nas finanças. Na prática, um alimento é considerado Halal quando, em todo o seu processo produtivo, contou com matérias-primas, processos, mão de obra e embalagens que não trazem

produto precisa seguir algumas etapas; Processo de avaliação documental da indústria Auditorias Ensaios laboratoriais

frango de corte

qualquer prejuízo à saúde das pessoas.

Para obter a certificação Halal, um

15 aviNews Brasil Setembro 2020 | Exigências de inocuidade pelos mercados do Oriente Médio


Durante estes três processos, são verificadas as matérias-primas e auxiliares de processo utilizados na fabricação do produto. Algumas matérias-primas e insumos não são permitidos pela lei islâmica como, por exemplo: o porco e qualquer um dos seus derivados; bebidas alcoólicas; insetos; sangue; derivados de seres humanos;

frango de corte

carne e derivados de animais que não são provenientes do abate Halal.

Também não pode receber o certificado um produto que afeta a saúde humana, prejudica o solo e compromete os recursos naturais, ou que utiliza, por exemplo, mão de obra escrava ou infantil em seu processamento.

Passadas estas etapas, um Comitê de Certificação avalia todas as informações coletadas e as analisa com bastante rigor. Servem de base: além da legislação nacional, as principais normas internacionais referentes ao Halal e segurança de produto. Só após a aprovação do Comitê é que o certificado é emitido.

Além disso, os auditores verificam se: todas as informações foram passadas de forma transparente; a conduta comercial da empresa é correta e justa em suas negociações; e caso o produto envolva o uso de proteína animal, também o abate precisa seguir procedimentos específicos. É igualmente importante, para obter a certificação Halal, o fato de a empresa destinar parte de seus lucros para promover benefícios sociais e ao meio ambiente.

16 aviNews Brasil Setembro 2020 | Exigências de inocuidade pelos mercados do Oriente Médio


O abate Halal Conforme citado anteriormente, em se tratando de proteína animal, o processo de certificação Halal exige que o abate seja feito de forma especial.

A “ação cortante” do abate é permitida desde que as facas não sejam descoladas do animal durante o ato, diminuindo o sofrimento infringido. A ação da degola deve

Os animais, para serem abatidos, devem ser saudáveis e aprovados

cortar a traqueia, esôfago, as artérias e a veia jugular para apressar o sangramento e a morte do animal.

pelas autoridades sanitárias competentes, que devem atestar que eles se encontram em perfeitas condições físicas.

O abate Halal deve ser feito de forma rápida, para que o animal não sofra. Com a degola no sistema para o cérebro é interrompido

muçulmano mentalmente sadio, que entenda,

imediatamente, causando a

totalmente o fundamento das regras e das

morte instantânea o que diminui

condições relacionadas ao abate de animais no

significativamente a liberação de

Islam, sendo que na ausência de um muçulmano

toxinas na corrente sanguínea, que

pode ser conduzido por um judeu ou cristão

altera a cor e a consistência da carne.

frango de corte

Halal, o fluxo de sangue que iria O processo deve ser executado por um

treinado. É feito com intenção e o sangrador deve estar totalmente ciente de sua ação. A retirada do sangue garante que, se o A frase “Em nome de Deus, Deus é maior! (Bismillah Allahu Akbar)” tem de ser invocada durante o abate. É uma maneira de agradecer pelo alimento enviado por Deus, pedindo perdão, já que os animais são sacrificados para garantir o sustento alimentar do ser humano e não por diversão ou sadismo.

animal estiver com alguma moléstia, as chances do ser humano ser contaminado sejam menores. Além disso, a retirada do sangue garante maior qualidade do produto, já que ele alcança os parâmetros internacionais de pH, tendo reduzidos significativamente os riscos de putrefação prematura por crescimento microbiológico. O esgotamento do sangue deve ser espontâneo e completo.

Os equipamentos e os utensílios utilizados no abate

Um inspetor mulçumano treinado tem a

Halal são exclusivos para esse

responsabilidade de checar se os animais

tipo de degola e a faca do

são abatidos corretamente, de acordo

abate deve ser afiada porque

com a Sharia (lei islâmica). A ave abatida

o corte deve ser realizada

somente poderá ser escaldada após a

apenas uma vez

confirmação da morte pelo abate Halal.

17 aviNews Brasil Setembro 2020 | Exigências de inocuidade pelos mercados do Oriente Médio


Oriente Médio Quem quiser exportar alimentos para Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Omã, Catar, Kwuait e Iêmen - sete, dos quinze países do Oriente Médio – precisa atender aos requisitos do GSO (Gulf Standard Organization), órgão reconhecido por autoridades religiosas islâmicas mundiais que definiu os critérios técnicos e sanitários que um produto deve cumprir para ser comercializado nestas nações. Quem conduz o processo de acreditação da certificação Halal nestes países é o GAC, Centro de Acreditação do Golfo.

As normas que regulamentam os produtos Halal são a GSO 2055-1/2015 e a GSO 993/2015. Este conjunto de regras traz orientações específicas para proteína animal (GSO/CAC/ RCP58, Code of higienic practice for meat) e outras relativas à higiene

frango de corte

com os alimentos (GSO 1694, General Principles of food).

18 aviNews Brasil Setembro 2020 | Exigências de inocuidade pelos mercados do Oriente Médio


De acordo com dados da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, o Brasil é o terceiro maior parceiro comercial dos países árabes, atrás apenas da China e dos Estados Unidos. Somente no ano passado, o bloco comprou mais de US$ 12,2 bilhões de produtos brasileiros, uma alta de 6,3% em relação a 2018. A pauta de exportações foi liderada por frango, açúcar, minério de ferro, carne bovina e grãos.

frango de corte

Frango Halal O Brasil segue como líder mundial quando o assunto é frango Halal. Em 2019, as vendas de frango subiram 6,41%, atingindo a cifra de US$ 2,378 bilhões. Já a carne bovina gerou US$ 1,168 bilhão, alta de 2,65%. O mercado islâmico reúne, atualmente, quase 2 bilhões de pessoas. Mas se considerarmos que o alimento Halal vem despertando o interesse daqueles que procuram alimentos

Bom para o Brasil que pode turbinar sua economia e gerar mais empregos no segmento Halal. Bom para os consumidores que inseriram em sua vida o conceito de saudabilidade: pessoas que buscam alimentos saudáveis para viver com mais saúde e qualidade de vida.

seguros, podemos afirmar que este contingente de consumidores pode ser ainda maior. Exigências de inocuidade pelos mercados do Oriente Médio

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19 aviNews Brasil Setembro 2020 | Exigências de inocuidade pelos mercados do Oriente Médio


QUAIS OS DESAFIOS DA AVICULTURA NA ADOÇÃO DE NOVAS TECNOLOGIAS PARA

CLIMATIZAÇÃO?

E SOBRE O CUSTO X BENEFÍCIO? ambiência

Daniella Jorge de Moura – Professora Livre Docente, Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp

P

ara a produção em escala de frangos e poedeiras temos disponíveis hoje em dia uma gama de tecnologias que potencialmente auxiliam os produtores no monitoramento em tempo real do ambiente em que as aves estão confinadas. As tecnologias da informação e comunicação (TICs), as técnicas de Big Data, inteligência artificial e internet das coisas (IoT) começam a ser utilizadas no controle do ambiente para a avicultura visando uma maior produtividade e precisão no processo produtivo.

21 aviNews Brasil Setembro 2020 | Ambiência de Precisão


Ambiência de Precisão Sendo assim a Ambiência de Precisão auxilia o gerenciamento do ambiente fornecendo ao produtor informações relevantes sobre as quais deve basear suas decisões de manejo, além de ativar seus sistemas de controle automatizados. Os sistemas alertam os produtores em tempo real para problemas que porventura surjam, permitindo intervenções rápidas e direcionadas que beneficiarão o resultado final do lote.

ambiência

O número e posicionamento dos sensores utilizados para o monitoramento do galpão é muito importante quando se fala em precisão de controle do ambiente. Hoje não é possível controlar o ambiente de um galpão de, por exemplo, 150m x 16m, apenas com um sensor de temperatura.

Para o melhor controle do ambiente, o controlador deveria, além de dados de temperatura interna e externa, receber: dados de umidade relativa, velocidade do ar, concentração de gases como dióxido de carbono e amônia, iluminação, consumo de água, ração, ganho de peso das aves, mortalidade e, finalmente, o comportamento das aves na forma de índice de atividade e sua distribuição além de dados de vocalização.

22 aviNews Brasil Setembro 2020 | Ambiência de Precisão


Na Europa sistemas inteligentes como o EyeNamic monitoram o comportamento das aves analisando a migração e o índice de atividade das aves que, juntamente com os outros dados mensurados no galpão, conseguem detectar problemas com mais de 95% de acuracidade.

O sistema permite que o produtor detecte imediatamente problemas no comportamento das aves, identificando que algo errado está acontecendo e, dessa forma, possa responder imediatamente ao problema resolvendo-o.

Destaca-se também no processo de automação o uso da Robótica em galpões, o que também já é realidade em países europeus. Trata-se de uma tecnologia que vem sendo utilizada para monitoramento do ambiente dos galpões, assim como: coleta de ovos, melhora na qualidade do ar de galpões,

ambiência

Tecnologias como essas permitem reduzir problemas locomotores, além de melhorar a uniformidade, bemestar e produtividade final do lote.

revolvimento da cama, melhora na uniformidade de crescimento de frangos de corte, interferindo no nível de atividade, reduzindo problemas locomotores e até detectando aves com problemas sanitários, ou aves mortas.

Atenção 24h O uso dessas tecnologias de precisão permite garantir maior atenção às aves 24h por dia monitorando o conforto térmico e consequentemente seu bem estar. Uma Revisão Sistemática sobre a Zootecnia de Precisão na avicultura foi realizada por Rowe et al, 2019, quando encontrou uma série de trabalhos

científicos realizados na área, indicando que a Zootecnia ou Ambiência de precisão geram uma melhoria no bem-estar e saúde das aves. Já Van Hertem et al., 2017, argumentam que um grande benefício da adoção de um sistema de precisão é garantir uma maior produtividade e lucratividade.

23 aviNews Brasil Setembro 2020 | Ambiência de Precisão


Desafios Segundo Lovarelli et al, 2020, devem ser observados alguns aspectos quando se aplica a ambiência ou zootecnia de precisão no campo, iniciando pela confiança que os produtores devem ter nas novas tecnologias empregadas, o manejo e organização das granjas. Os autores afirmam que um dos pontos negativos é o alto investimento inicial, mas também a necessidade, pelo menos a princípio, de um especialista que os ajudem a interpretar os dados observados na tomada de decisão, garantindo seu aprendizado no uso da tecnologia.

ambiência

Outro ponto importante é a garantia de um pós-venda de qualidade para que os produtores se sintam seguros na aquisição de sistemas de controles e equipamentos de ponta para o controle ambiental.

Outros desafios que a avicultura encontra na adoção de novas tecnologias estão ligados à infraestrutura, isto é, exige fornecimento constante de energia e sinal de celular e internet de qualidade. As pesquisas mostram que 74% dos produtores ainda não usam ferramentas digitais no controle de seu negócio e quase 43% ainda faz o controle dos seus dados e informações no papel. Isso indica que investimentos básicos devem ser realizados para que as novas tecnologias possam funcionar no campo, além de treinamentos oferecidos aos produtores.

24 aviNews Brasil Setembro 2020 | Ambiência de Precisão


Monitoramento remoto

tomar decisões em tempo real garantindo o bem-estar animal, a produtividade e a qualidade do produto final. O Grupo de pesquisa em Ambiência de Zootecnia de Precisão da Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp vem atuando na pesquisa de tecnologias de ponta que fazem parte do monitoramento, manejo e controle do ambiente na avicultura, como por exemplo o uso da robótica em aviários, ou o desenvolvimento de uma unidade inteligente para alimentação de frangos de corte entre vários outros estudos, todos com o propósito de contribuir para a maior produtividade e bem estar na avicultura.

Concluímos que a Ambiência de Precisão é uma solução importante para os produtores, especialmente quando se pensa em escala de produção, permitindo o monitoramento detalhado do ambiente em sistemas intensivos.

No entanto, a tecnologia não substitui os seres humanos, mas auxilia o processo de tomada de decisão tornando-o mais preciso.

Também é necessário que o produtor tenha apoio do especialista na implantação da tecnologia e interpretação dos dados, para que permaneçam confiantes nos efeitos positivos do uso da Ambiência de Precisão.

ambiência

Sistemas de monitoramento remoto de granjas já vem sendo implantados no Brasil, em projetos pilotos, com o intuito de usar a inteligência artificial e a internet das coisas para não somente monitorar como

Referências sob consulta junto ao autor

Ambiência de Precisão

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25 aviNews Brasil Setembro 2020 | Ambiência de Precisão


Vantagem Aviagen

Sustentabilidade

Contribuir com a alimentação de uma população crescente. Reduzir o impacto ambiental na produção de carne de frango. Proporcionar eficiência para granjas sustentáveis. Melhoramento genético sustentável é o que proporcionamos. Apresentaremos a você em aviagen.com


VENTILAÇÃO MÍNIMA PARA O FRANGO DE

CORTE ATUAL Technical Transfer Team, Aviagen

C

om o contínuo progresso genético no desempenho de frangos de corte e com a melhoria e evolução das instalações

avícolas, tornou-se fundamental revisar e

ventilação

atualizar as necessidades de ventilação mínima recomendadas. A ventilação é o principal parâmetro de controle do ambiente das aves. A ventilação mínima traz ar fresco para dentro do galpão, remove o excesso de umidade e limita o acúmulo de gases potencialmente nocivos. É preciso proporcionar um mínimo de troca de ar durante todo o tempo, enquanto houver aves no galpão, qualquer que seja a temperatura fora dele.

27 aviNews Brasil Setembro 2020 | Ventilação mínima para o frango de corte atual


Pode-se utilizar a ventilação mínima durante o inverno, o verão e em qualquer estágio do ciclo de produção, mas ela é mais comumente utilizada durante o alojamento e em climas frios, onde a temperatura externa é mais baixa do que a temperatura interna do galpão.

A ventilação mínima não serve para refrescar as aves nos períodos de altas temperaturas e deve criar pouco movimento de ar no nível das aves, o que é particularmente importante no caso de aves jovens.

Taxas de ventilação mínima As taxas de ventilação mínima foram aumentadas para permitir alcançar melhores taxas de crescimento diário e suportar o aumento de biomassa (somatório do peso total das aves alojadas) no interior do galpão.

Tabela 1: Taxas de ventilação mínima atualizadas.

ventilação

Peso vivo (kg)

Taxas de Ventilação Mínima (m3/hr)

Peso vivo (kg)

0,05 0,080 1,10 0,10 0,141 1,20 0,15 0,208 1,30 0,20 0,258 1,40 0,25 0,305 1,50 0,30 0,350 1,60 0,35 0,393 1,70 0,40 0,435 1,80 0,45 0,475 1,90 0,50 0,514 2,00 0,55 0,552 2,20 0,60 0,589 2,40 0,65 0,625 2,60 0,70 0,661 2,80 0,75 0,696 3,00 0,80 0,731 3,20 0,85 0,765 3,40 0,90 0,798 3,60 0,95 0,831 3,80 1,00 0,864 4,00 4,20 4,40

As taxas de ventilação apresentadas na tabela são para temperatura ambiente entre -1 e 16° C.

28 aviNews Brasil Setembro 2020 | Ventilação mínima para o frango de corte atual

Taxas de Ventilação Mínima (m3/hr) 0,928 0,991 1,052 1,112 1,171 1,229 1,286 1,343 1,398 1,453 1,561 1,666 1,769 1,870 1,969 2,067 2,163 2,258 2,352 2,444 2,535 2,625

Entre -1 e 16° C.


Os níveis máximos de: Monóxido de carbono (< 10 ppm)

Umidade relativa (60 -70% para os 3 primeiros dias e 50-60% para os demais dias) Dióxido de carbono

ventilação

(< 3000 ppm)

Amônia (< 10 ppm)

Nunca devem ser excedidos. O comportamento e a distribuição das aves devem ser monitorados, pois podem ser indicadores de problemas que devem ser investigados. A tabela deve ser usada apenas como um guia e as taxas reais precisam ser ajustadas de acordo com as condições ambientais, com o comportamento e a biomassa das aves (somatória do peso total das aves alojadas no galpão).

Ventilação mínima para o frango de corte atual

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29 aviNews Brasil Setembro 2020 | Ventilação mínima para o frango de corte atual


A IMPORTÂNCIA DO PROCESSAMENTO DE AVES PARA A INOCUIDADE processamento

Eng. Fabio G Nunes Consultor em Processamento Avícola

S

egundo o Codex Alimentarius, a

inocuidade alimentar “é a garantia de que os alimentos não causarão danos

Logo, a inocuidade alimentar é, e sempre será, a prioridade número 1 das empresas produtoras de alimentos para consumo humano em todo o mundo. Com a indústria avícola não poderia ser diferente, é claro!

ao consumidor se são preparados e/ou

Neste contexto, o papel dos abatedouros é

consumidos de acordo com o uso a que

vital para o asseguramento da inocuidade dos

foram destinados”.

produtos avícolas que chegam aos mercados nacional e internacional.

30 aviNews Brasil Setembro 2020 | A Importância do Processamento de Aves para a Inocuidade


Responsabilidade compartida

Assim, nas empresas, o trabalho realizado em prol do asseguramento da inocuidade dos

A inocuidade dos produtos avícolas não é uma

produtos deve iniciar com as matrizes, estender-se

responsabilidade que recai, exclusivamente,

ao incubatório, à fábrica de ração e às granjas

sobre a operação de abate, mas, ao contrário,

de engorda, perpetuar-se ao longo de todo o

ela é compartida por todos os elos que

processamento e só ter fim quando os produtos

compõem a cadeia de processamento.

tenham chegado aos clientes.

Cadeia produtiva da carne de aves

Transporte

Bem-estar Boas prácticas de produção

Distribuição

Consumo

Abate

Biosseguridade

processamento

Rastreabilidade

Alimentação Genética

Armazenamento

Processamento

PROPRIEDADE RURAL

AGROINDÚSTRIA

Sendo ela uma responsabilidade compartida, porque, então, o processamento se reveste de especial importância neste contexto?

?

CONSUMIDOR

Em uma corrente de aço a força do conjunto depende da força de cada elo, individualmente. O mesmo acontece na cadeia de processamento avícola, na qual o resultado global do negócio depende do trabalho individual de cada departamento.

31 aviNews Brasil Setembro 2020 | A Importância do Processamento de Aves para a Inocuidade


O último elo da corrente Neste ambiente, sendo a inocuidade uma responsabilidade compartida, cada uma das áreas mencionadas ao início do artigo deverá realizar o que lhe corresponde, de forma a assegurar a fortaleza do conjunto – o asseguramento da inocuidade dos produtos.

Porém, sendo o abatedouro o último elo desta corrente, a última área pela que passam os produtos antes de chegarem ao mercado, ele deve lhe corresponde, mas, tal qual um guardião, também sanar as eventuais

A contaminação das carcaças, por representar

não-conformidades ocorridas nas

um risco para a inocuidade dos produtos,

áreas que o antecederam, impedindo,

é passível de condenação parcial durante

assim, que estas afetem a inocuidade

a inspeção sanitária realizada pelo Serviço

dos produtos que irão ao mercado.

de Inspeção Federal – SIF, que remove da carcaça parte afetada pela presença de excremento. Este procedimento, enquanto protege a inocuidade do produto, produz uma perda econômica pela redução do peso vendável e do rendimento de abate e, concomitantemente, pela elevação dos custos operacionais que produz

Jejum O papel do abatedouro no asseguramento da inocuidade inicia ainda no campo, algumas horas antes da chegada das aves ao abatedouro, quando estas são submetidas a um programa de jejum. Este deve ser criterioso em seu desenho, gerenciamento e monitoramento, para, assim, minimizar o risco de contaminação fecal durante o abate.

Por todas estas razões, as empresas devem ensejar todos os esforços ao longo da cadeia para reduzir a ocorrência de contaminação durante o abate, que hoje é a principal causa das condenações parciais em abatedouros brasileiros que trabalham sob o regime de Inspeção Federal

33 aviNews Brasil Setembro 2020 | A Importância do Processamento de Aves para a Inocuidade

processamento

executar não apenas a missão que


Tanque de escaldagem Na chegada ao abatedouro as aves são descarregadas, penduradas, atordoadas, abatidas e sangradas. Estas operações podem, facilmente, levar as aves a defecar

O que fazer Para reduzir essa carga bacteriana, as empresas devem usar, da forma a mais eficaz possível, as armas de que dispõem, e que não são muitas, como:

em reação ao estrese que lhes é imposto,

a renovação criteriosa da água durante

cuja magnitude está vinculada à eficácia

o abate;

do programa de jejum e aos cuidados a elas dispensados nesta etapa do abate. Quando isso ocorre, as fezes excretadas podem ficar aderidas às penas, em parte ou todo, e, desta forma, serem transferidas ao tanque de escaldagem, caso não exista nenhuma barreira preventiva.

o tempo de imersão e a temperatura, sendo esse um eficaz bactericida; a agitação da água, e a higienização do tanque. A legislação brasileira não permite o uso de coadjuvantes no escaldador, ainda que

processamento

de origem natural. Trata-se de um recurso Por seu elevado potencial de contaminação cruzada o tanque de escaldagem é a operação de maior risco à inocuidade dentro do

tecnológico aprovado em outros países por sua comprovada eficácia no combate aos patógenos existentes nesta operação, o que contribui para agregar uma camada extra de proteção à inocuidade do processo.

processamento

Cada ave, quando entra ao tanque, arrasta consigo do campo aproximadamente 109 microrganismos patogênicos e nãopatogênicos aderidos às penas, patas, cloaca e outras parte da carcaça. Essa enorme carga bacteriana que se dispersa na água deve ser significativamente reduzida a fim de minimizar a possibilidade de que, levada pelas carcaças ao deixar o tanque, se espraie às áreas do abatedouro mais adiante, colocando em risco a inocuidade do produto terminado.

Foto 1. A escaldagem é um ponto de intensa contaminação cruzada.

34 aviNews Brasil Setembro 2020 | A Importância do Processamento de Aves para a Inocuidade


Depenagem Durante a depenagem, são variáveis importantes:

Evisceração Na linha de evisceração cada máquina é um

o pré-abate;

universo particular, cujo trabalho individual é

as carcaças;

vital para blindar a inocuidade das carcaças

a manutenção; e

e, ao mesmo tempo, um pré-requisito crucial

o operador.

para o êxito da operação subsequente.

Pois aportam distintas contribuições ao

Para ser possível assegurar os resultados

resultado do processo. Logo, devem ser

esperados desta missão durante as horas

levados muito em consideração pela

laborais, o pré-abate, as carcaças, o operador

empresa a fim de se obter, com a harmonia

e a manutenção devem ser gerenciados de

do conjunto, uma depenagem eficaz e de

forma integrada, a fim de trabalharem em fina e produtiva sintonia.

processamento

baixo risco microbiológico.

Duchas As duchas, estando presentes e em número suficiente, muito contribuem com a higiene nesta etapa do processo. Logo, deve-se dedicar a elas a necessária atenção para que não sejam apenas um ponto de desperdício de água, uma situação muito comum, mas um recurso, que ao realizar corretamente o seu trabalho, muito contribui para a condição física e microbiológica das carcaças.

Foto 3: Contaminação - primeira causa de condenação parcial em abatedouros sob SIF no Brasil.

Foto 2: A depenagem é crucial no asseguramento da inocuidade

35 aviNews Brasil Setembro 2020 | A Importância do Processamento de Aves para a Inocuidade


Lavador interno e externo De especial interesse na evisceração é o lavador interno e externo colocado ao final da linha, antes da saída das carcaças ao

processamento

resfriamento. Objeto de controvérsias num passado recente, por conta de opiniões, e não informações, quanto às vantagens e desvantagens do seu uso, o equipamento parece ter garantido, finalmente, o seu merecido lugar na linha.

Distintamente a outros países, o Brasil não permite o uso de coadjuvantes durante o processo de evisceração por conta da legislação interna que as empresas têm de cumprir, em linha com a dos países importadores, apesar da camada extra de proteção que esses coadjuvantes são capazes de oferecer à inocuidade dos produtos. Todavia, estas regulamentações

O lavador interno e externo, como comprovam os muitos trabalhos científicos a respeito, contribui,

já estão passando por um processo interno e externo de discussão e revisão.

definitivamente, para baixar a carga de

Ainda que um veredito que leve à liberação

contaminantes presentes nas carcaças

do seu uso no processamento de frangos

ao final da linha de evisceração,

pareça longe de acontecer, a simples

impedindo, assim, que essa entre ao

retomada da apreciação de seus riscos,

resfriamento.

benefícios, vantagens e desvantagens,

Portanto, ele atua como um

já é um alento.

inquestionável aliado da missão do

Finalmente, à saída da linha de evisceração

abatedouro de salvaguardar a qualidade

as carcaças são submetidas, uma vez mais,

física e, sobretudo, microbiológica das

à inspeção no PCC que aí existe. Estando

carcaças em processo.

aptas, seguem ao resfriamento.

36 aviNews Brasil Setembro 2020 | A Importância do Processamento de Aves para a Inocuidade


Resfriamento O resfriamento é a última etapa do processamento capaz de contribuir para a redução da carga bacteriana nas carcaças e, assim, reforçar a inocuidade dos produtos. A intensa lavagem pela qual elas passam durante o processo serve para remover os resíduos remanescentes da evisceração, melhorando sua aparência, bem como uma parte importante da carga bacteriana que trazem, melhorando, sensivelmente, seu perfil microbiológico. Já a rápida redução da temperatura das mesmas tem por fim inibir o crescimento dos

processamento

microrganismos que ainda permanecerem presentes. Para extrair do resfriamento os melhores resultados quanto à otimização da qualidade microbiológica e física, é necessário estar atento ao desempenho de um amplo conjunto de variáveis: a linha de evisceração, como um todo; o lavador interno e externo, em particular; o volume de reposição de água limpa nos tanques; a temperatura da água no pré e no chiller; as bombas sopradoras; o tempo de permanência das carcaças nos tanques; a temperatura final das carcaças; e a higienização dos tanques ao final do turno. Sendo estas variáveis interdependentes. É vital que cada uma delas aporte a sua contribuição individual para tornar possível o êxito do todo

38 aviNews Brasil Setembro 2020 | A Importância do Processamento de Aves para a Inocuidade


Hipercloração da água Em alguns países a melhora da inocuidade que tem lugar durante o resfriamento conta com o auxílio da hipercloração da

a preocupação com os resíduos de cloro na carne; a formação de trihalometano (compostos

água. Trata-se de um recurso que, apesar de técnica e economicamente muito eficaz e, por isso mesmo, ainda amplamente

relacionados ao possível surgimento de câncer em seres humanos); a gasificação do cloro durante o uso e seu

utilizado, vem sendo paulatinamente

impacto na saúde dos operadores; e

substituído por conta de uma série de

as crescentes restrições internacionais.

limitantes relacionadas ao seu uso, como:

Em lugar da hipercloração, as empresas têm

Sua dosagem é feita por bomba, da mesma

optado pelo uso do ácido peroxiacetico,

forma que o hipoclorito de sódio, e desde que

conhecido no jargão da indústria como PAA.

respeitado o limite de concentração na água

O PAA é um coadjuvante natural, resultante

do pré e do chiller, que é relativamente amplo,

da mescla de ácido acético, o princípio

a sua aplicação em nada afeta a aparência,

ativo do vinagre caseiro, com o peróxido de

qualidade ou propriedades organolépticas dos

hidrogênio, a nossa conhecida água oxigenada.

produtos avícolas, nem traz riscos à saúde dos

(Figura 1).

operadores ou à integridade de equipamentos

O seu uso nos abatedouros avícolas tem apresentado vantagens técnica, visto ser comprovadamente eficaz na guerra contra os patógenos e não-patógenos no processo de resfriamento, e operacional, pois sua efetividade como antimicrobiano não se vê afetada, ou limitada, pelo pH da água e pela presença de matéria orgânica nos tanques.

e instalações. Todavia, mesmo sendo um produto natural, como vimos, não se deve esquecer que o PAA é um ácido, logo, ele requer das empresas e dos operadores total obediência às exigências de segurança quanto à sua estocagem, manuseio e uso.

+ Acetic acid

processamento

Ácido Peroxiacetico

+ Hydrogen peroxide

Peroxyacetic acid

Water

Figura 1. Reação de Obtenção do Ácido Peroxiacetico

39 aviNews Brasil Setembro 2020 | A Importância do Processamento de Aves para a Inocuidade


Cadeia de Frio Apesar de o resfriamento ser a última barreira no esforço do frigorifico para reduzir a carga bacteriana das carcaças e, assim, assegurar

processamento

a inocuidade dos produtos, estas não estão desamparadas, ou em situação de risco, ao deixarem o chiller. Deste ponto em diante, a qualidade microbiológica alcançada deverá ser mantida pela integridade da cadeia de frio interna. Estendendo-se da saída do chiller até a entrada dos produtos aos túneis de congelamento ou resfriamento, a cadeia de frio visa a manter o mais baixo possível a temperatura das carcaças, cortes e filés, impedindo assim a multiplicação dos microrganismos presentes, desta forma assegurando a inocuidade dos produtos até a sua chegada aos clientes.

A importância do processamento de aves para a inocuidade

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*Literatura disponível mediante solicitação ao autor..

40 aviNews Brasil Setembro 2020 | A Importância do Processamento de Aves para a Inocuidade


MANEJO DE MACHOS REPRODUTORES

reprodutores

Luciano Keske Médico Veterinário e Gerente Sênior de Serviço Tecnico da Cobb-Vantress para América do Sul

Embora o número de machos em uma operação avícola represente apenas um número relativamente pequeno de animais, eles representarão 50% da contribuição genética de um lote de reprodutores, visto que 50% do comportamento reprodutivo do lote depende dos machos.

41 aviNews Brasil Setembro 2020 | Manejo de machos reprodutores


O objetivo do manejo de machos é: desenvolvê-los com capacidade de produzir espermatozoides viáveis para a fertilização, em um macho em condições de cumprir seu trabalho de reprodutor, com peso e conformação corporal adequados para a tarefa de copular e fertilizar as fêmeas de sua “família”.

A conformação do macho é extremamente importante para isso: ela deverá ser “Atlética”, com uma conformação de peito “fina” proporcionando um macho esbelto e ativo.

reprodutores

Para lograrmos isto, devemos ter o desenvolvimento do macho na recria em nossas mãos para podermos conduzí-lo onde desejamos.

A melhor performance dos machos pode ser alcançada quando os técnicos seguem os princípios básicos de criação, juntamente com um pouco de bom senso. Estes incluem:

1

Seleção: É importante fazermos as seleções

2

Espaço de Comedouro e Densidade:

3

Formação da Carcaça: A estrutura

A seguir, apresentarei algumas recomendações gerais para melhorar o desempenho reprodutivo e a eficiência no processo de crescimento e reprodução dentro de um lote de reprodutores.

42 aviNews Brasil Setembro 2020 | Manejo de machos reprodutores

com descarte com a intenção de deixarmos todas as categorias com as mesmas condições de espaço de comedouro e densidade.

Estes números de espaço e densidade serão mais importantes a partir das 12 semanas, quando os machos entram na “puberdade”. A tabela mais a frente mostra como isso pode ser feito.

esquelética do macho é um dos pontos mais importantes a ser levado em consideração para as características fenotípicas. 1ª Fase: 0 a 12 Semanas: Estrutura Óssea. 2ª Fase: 13 a 15 Semanas: Puberdade e desenvolvimento aparelho reprodutivo. 3ª Fase: 16 a 24 Semanas: Maturidade Sexual.

4

Quantidade de ração: A quantidade

5

Uniformidade: Ponto muito importante

de ração deve ser sempre baseada no ganho de peso semanal e na avaliação semanal dos machos.

a ser levado em consideração, porque será muito importante para a formação do lote e desempenho produtivo na produção.


CLASSIFICAÇÃO Com quatro semanas, os técnicos devem realizar uma seleção de machos para eliminar aqueles que apresentem deficiência de peso (25% abaixo peso guia da linha genética), deficiências físicas (como problemas de tarsos, dedos, bico, dorso ou plumagem) e comportamento inadequado.

Os machos têm o mesmo crescimento rápido e características de eficiência alimentar presentes nos frangos de corte. Como estes, os machos devem desenvolver-se conforme a curva de crescimento, permitindo que a ave atinja o pico de desempenho ao longo de sua vida.

Um crescimento sólido e consistente deve ser alcançado nos primeiros 28 dias da vida.

Retirar as aves que não são qualificadas como machos reprodutores permite realizar seleções genotípicas através do fenótipo e ajuda a garantir o comportamento da progênie. Isto também garante que os machos remanescentes tenham espaços adequados de piso e de comedouro. Busque manter aproximadamente 13% de machos em relação ao número total de fêmeas.

reprodutores

CRIA (0 A 4 SEMANAS)

Ao final da quarta semana, os machos devem estar comendo em torno de 200 a 220 gramas de proteína.

Para tal, os machos devem: Ser criados separadamente das fêmeas. Receber a quantidade de ração apropriada sugerida pela casa genética. Receber ótimas condições de alojamento (temperatura, espaço, comedouros e bebedouros). Ter o peso monitorado de forma consistente e o comportamento avaliado.

43 aviNews Brasil Setembro 2020 | Manejo de machos reprodutores


RECRIA (5 A 13 SEMANAS) Nesta fase de crescimento corporal controlado, buscamos “ADORMECER” o frango. Devemos restringir o alimento do macho, ter o controle do peso e peito - incrementos baixos de alimento.

reprodutores

Qualquer deficiência nutricional durante estes períodos poderá causar problemas de mobilidade espermática e afetará negativamente o futuro reprodutivo das aves.

Antes da semana 13, medidas corretivas podem ser adotadas para ajustar as metas de peso dos machos. Porém, depois deste período, qualquer mudança nos ganhos de peso deve ser evitada. Se o lote estiver acima da meta de peso corporal, você deve traçar uma linha paralela de crescimento padrão e não tentar baixar o peso das aves.

44 aviNews Brasil Setembro 2020 | Manejo de machos reprodutores


DENSIDADE DO GALPÃO E EQUIPAMENTOS

reprodutores

Naturalmente, os machos são mais agressivos do que as fêmeas, especialmente quando estão no mesmo galpão. O espaço da ave abaixo da exigência mínima aumenta a competição, limita os recursos, prejudica o comportamento social da ave e estimula a agressividade e desuniformidade. O espaço de piso, equipamentos, densidade de luz e movimento do ar devem ser aumentados à medida que as aves crescem. Exigências de espaço e equipamentos para machos:

Idade

% Machos para total de fêmeas

Densidade aves/m2

Espaço de Comedouro

1 dia

15,0%

4,3

08,0 cm

04 semanas

13,0%

3,7

15,0 cm

12 semanas

12,0%

3,4

18,0 cm

16 semanas

11,5%

3,1

19,0 cm

19 semanas

11,0%

3,0

20,0 cm

Comprometer qualquer dos padrões anteriores, aumentará a competitividade entre os machos e prejudicará o desenvolvimento uniforme, ocasionando sérios problemas de desuniformidade na produção.

45 aviNews Brasil Setembro 2020 | Manejo de machos reprodutores


PROGRAMA DE LUZ – CRIA

reprodutores

Os machos devem receber um controle de luz muito parecido com o das fêmeas, uma vez que a intensidade e a uniformidade da iluminação são essenciais para produzir um lote sexualmente uniforme.

8h (2-4 lux)

16h (escuro)

Oito horas de penumbra (2-4 lux) e 16 horas de escuro durante 19 semanas são ideais para a sincronização sexual.

Durante 19 semanas Cada linhagem genética de macho pode ter uma recomendação específica para a duração do tempo da fotoestimulação. Para isso, devemos estar presentes no galpão para determinar o tempo ideal para iniciar a fotoestimulação e o percentual de acasalamento com as fêmeas.

Outro fator durante este período é a ventilação, pois isso pode ser um fator relevante no desenvolvimento corporal e testicular dos machos.

46 aviNews Brasil Setembro 2020 | Manejo de machos reprodutores


Ao final da fase de recria, uma nova seleção fenotípica de machos deve ser realizada antes de transferi-los para os galpões de produção.

Esta seleção deve incluir: Machos com pés robustos e paralelos. Sem dedos torcidos. Sem quilha desviada e/ou dividida. Sem defeitos esqueléticos. Sem lesões nas almofadas plantares, ou bicos defeituosos.

Após esta seleção, a proporção entre machos e fêmeas deve ser de aproximadamente 10,5%.

ACASALAMENTO

1

Macho claramente adiantado no desenvolvimento sexual

Neste caso, as poucas fêmeas que se encontram maduras e receptivas para o acasalamento podem ser assediadas pelos machos até um ponto que pode levá-las à morte. Um sinal claro desta atividade é grupos de machos seguindo uma fêmea e/ou alta mortalidade de fêmeas com dorso lesionado, um problema ainda mais grave em granjas com slats. A fertilidade é fortemente afetada neste caso. Esta situação pode ser resolvida através da prevenção e acasalamento com baixo percentual de machos (6%), incorporando mais machos gradualmente, até alcançar o número desejado de machos (9,5-9,75%) na medida em que as fêmeas amadureçam sexualmente.

2

reprodutores

SELEÇÃO

Maturidade sexual dos machos atrasada Neste caso não há razão para monitorar a mortalidade de fêmeas. Porém, se percebemos que a fertilidade do lote está progredindo lentamente, alcançar os picos ideais

O principal objetivo do manejo do acasalamento é atingir maior sincronização no desenvolvimento sexual entre machos e fêmeas, minimizando o grau de atraso ou adiantamento que possa existir entre ambos os sexos.

de fertilidade e de nascimento será um desafio. Isso pode ser prevenido ao incorporar machos sexualmente ativos com peso ideal e aqueles que apresentam pés, cristas e barbelas vermelho vivo.

O acasalamento ocorre, geralmente, entre 21 e 22 semanas de vida. Durantes esta fase, dois problemas podem ocorrer:

47 aviNews Brasil Setembro 2020 | Manejo de machos reprodutores


FASE DE PRODUÇÃO O êxito no arraçoamento separado por sexo (SSF) na fase de produção depende do manejo adequado dos equipamentos de ração e da distribuição uniforme de ração.

Os quatro tipos de arraçoamento comumente utilizados para machos incluem: Comedouro automático com prato. Comedouro tubular. Comedouro de calha.

Para isso, aumente o fornecimento de ração a cada duas a três semanas, variando de 1 a 3 g/ave/dia. A frequência e a quantidade serão definidas pelo monitoramento do peso.

*Nota: Machos com sobrepeso podem apresentar deficiências de fertilidade, problemas de pés, além de outros problemas. Porém, os machos que perdem peso, tanto por um processo alimentar deficiente, quanto por baixo consumo de ração, apresentarão fertilidade menor devido aos danos radicais ao tecido testicular.

reprodutores

Equipamento de ração para machos

Baias para machos.

Independentemente do tipo adotado, garanta o espaço mínimo de comedouro de 18 cm e a distribuição uniforme da ração. Na fase de produção, o controle do peso dos machos é essencial para atingir o comportamento produtivo. Os machos devem ganhar peso de forma consistente (um macho deve ganhar de 25 a 30 gramas por semana).

25 a 35g peso/semana

49 aviNews Brasil Setembro 2020 | Manejo de machos reprodutores


MONITORAMENTO DAS CONDIÇÕES DO MACHO A dispersão dos machos no lote faz com que o uso de boas práticas de manejo seja mais difícil para eles do que para as fêmeas. Por isso, é essencial implementar e manter a rotina para identificar possíveis mudanças na condição corporal do macho. As principais características a serem monitoradas são: reprodutores

1

4

Atividade: É essencial observar o lote

Neste aspecto (consumo e ganho de

várias vezes ao dia para supervisionar a atividade de acasalamento, o consumo de ração, o acesso a área de descanso e

peso) é necessário agir com rapidez ante qualquer novidade, pois os machos ativos gastam suas reservas corporais

a distribuição das aves, tanto durante o

rapidamente, causando perda de

dia quanto imediatamente após apagar

fertilidade.

as luzes.

2

Condições físicas: A cor da crista e

5

machos dentro do lote. Os machos que

condição física. O tônus muscular, o grau

trabalham em nível ideal apresentam cor rosa na cloaca, com escassa plumagem

de deposição de massa muscular no peito (fleshing) e a proeminência da quilha

ao redor. Os machos com problemas de

também devem ser bem analisados para

acasalamento apresentam cloaca branca com excesso de plumagem e aparência seca.

determinar a deterioração da condição do macho. Atenção especial deve ser dada a pernas, articulações e pés.

3

condições de plumagem e procurar por perda parcial de penas e queda na região do pescoço.

Cloaca: A intensidade da cor vermelha da cloaca auxilia no manejo da atividade dos

barbelas pode indicar a presença de uma

Plumagem: É importante observar as

Tempo de consumo de ração: É necessário observar e registrar o comportamento individual e em grupo de machos, assim como o tempo gasto no consumo de ração em diferentes áreas do galpão.

6

Peso: É importante registrar e reavaliar o peso médio corporal e a uniformidade para determinar se o aumento semanal é aceitável. Compare estes com os dados das semanas anteriores para determinar se o fornecimento de ração deve ser aumentado ou não.

50 aviNews Brasil Setembro 2020 | Manejo de machos reprodutores


SPIKING

Desvantagens desta prática incluem:

Existem duas razões para spiking: Necessidade: Lotes onde a

1

para lotes mais jovens.

segue com menos de 90%.

2

levando a custos adicionais.

como uma medida preventiva, fertilidade.

É necessário ter galpões especiais disponíveis para a criação de machos,

Alguns produtores a utilizam independente dos níveis de

Riscos de biossegurança envolvidos na transferência de aves de lotes mais velhos

fertilidade atribuível ao macho

Como uma prática de rotina:

reprodutores

É a adição de machos jovens a um lote de matrizes mais velhas (40-45 semanas de vida) para compensar quedas de fertilidade. Como regra geral, um número de machos é adicionado para compensar a mortalidade e restabelecer o percentual inicial de machos. Geralmente, os machos jovens têm 25 a 28 semanas de vida.

3

Promove a agressividade (machos jovens são alojados em seus próprios lotes até 25 semanas de vida, o que pode levar ao aumento da agressão).

4

Forçar machos mais jovens, que não alcançaram tamanho e peso adequados, a competir com os mais velhos, pode afetar negativamente a sua fertilidade.

Manejo de machos reprodutores

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51 aviNews Brasil Setembro 2020 | Manejo de machos reprodutores


AS

OPORTUNIDADES DA INDUSTRIALIZAÇÃO DE OVOS Paulo Antonio de Azevedo Barretto Engenheiro de Alimentos com especialização em Administração Industrial

O

ovos

consumo de ovos in natura no Brasil tem crescido nos últimos anos, passando de 148 ovos per capita em 2010 para 230 ovos em 2019, segundo dados da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal). Um aumento significativo de 55 % nos últimos dez anos.

Isso tem trazido benefícios e desafios para o setor, como tecnologias aplicadas, produtos diferenciados para determinados nichos de mercado, formas de manejo e tratamento das aves, bem-estar animal, atendimento a legislações, insumos, biossegurança, profissionalização das granjas, treinamento dos colaboradores, certificações, entre outros; sempre visando a qualidade e segurança do produto e o mercado cada vez mais exigente.

52 aviNews Brasil Setembro 2020 | As oportunidades da industrialização de ovos


Além da produção de ovos que no ano passado, segundo dados da ABPA, foi de aproximadamente 136,2 milhões de caixas de ovos (caixa com 360 ovos) temos a industrialização de ovos, que compreende os processos de:

O ovo, além de ser um dos alimentos mais completos que existe, apresenta propriedades funcionais importantes para a indústria de alimentos, destacando-se como: Emulsificante;

Pasteurização do ovo líquido; Desidratação, ou liofilização.

Espumante/ Gelificante e Ligante. Além de melhorar as características sensoriais e de textura de inúmeros produtos.

Atualmente existem fábricas de pasteurização de ovo líquido em todas as regiões do país.

Principais produtos ovos

A industrialização de ovos no Brasil teve início nos anos 70 com as primeiras fábricas de pasteurização de ovo líquido no estado de São Paulo. Em meados dos anos 80 começou a fabricação de ovo em pó, utilizando-se para isso equipamentos (spray dryers) destinados para secagem de leite e café.

Os principais produtos de ovos industrializados, encontrados sob a forma líquida refrigerada, congelada ou desidratada, são: Ovo Integral Pasteurizado Clara de Ovo Pasteurizada

A porcentagem de ovos industrializados no Brasil em relação ao total de ovo consumido é algo em torno de 5% a 7 %, enquanto em outros países esses valores são maiores.

Japão

52% do consumo total

Dinamarca

42% do consumo total

Itália

33% do consumo total

França

31% do consumo total

EUA

31% do consumo total

Espanha

25% do consumo total

Brasil

5 a 7% do consumo total

Gema de Ovo Pasteurizada Formulações com ou sem adição de ingredientes (sal, açúcar, outros) Formulações tratadas com enzimas para uma determinada finalidade

53 aviNews Brasil Setembro 2020 | As oportunidades da industrialização de ovos


As vantagens da utilização do ovo industrializado são:

Praticidade e facilidade de uso; Segurança no consumo (produto pasteurizado); Redução de custos com a eliminação das etapas de quebra do ovo e separação da gema e clara;

Outras tecnologias são aplicadas e testadas no processamento de ovos, como ondas eletromagnéticas geradas por campo elétrico, ultrassom, concentração do produto por ultra filtração ou osmose reversa, com o objetivo de otimizar processo, aumentar a vida útil do produto e manter, ou melhorar as propriedades funcionais quando comparadas com o produto obtido pela pasteurização tradicional.

Redução de perdas (ovos trincados, quebrados, estragados e clara retida na casca); Eliminação do problema com resíduos (a casca chega a representar de 9 a 11 % do peso do ovo); Economia de espaço para armazenamento (principalmente quando se fala de ovo desidratado);

O mercado de ovo líquido pasteurizado refrigerado, congelado e/ou desidratado compreende as indústrias de maionese, massas, chocolate, sorvete, confeitarias, panificação, fast food, bebidas, nutrição esportiva, cosméticos, pet food, fármacos e outros.

Tecnologias e Qualidade A melhoria de equipamentos de processo, desde máquinas quebradoras com melhores rendimentos, scaners para inspeção na separação da clara e gema, filtros automáticos, homogeneizadores, sistemas de pasteurização e envase mais eficientes tem contribuído para um produto de qualidade e processo otimizado.

ovos

E produtos de acordo com a necessidade do cliente e aplicação do produto.

Filtros automáticos

Pasteurização Um ponto importante a ser destacado em todo o processo da industrialização de ovos é a pasteurização, que é definida como “o emprego conveniente de calor com o fim de destruir microrganismos patogênicos sem alteração sensível da constituição física do ovo ou partes do ovo” (Portaria 1 de 21/02/1990 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA). Pela composição e característica do ovo e diante da diversidade de uso, qualquer contaminação ou alteração antes, durante ou depois do processamento, pode resultar em modificações da cor, consistência e aspectos microbiológicos, podendo acarretar riscos à saúde do consumidor.

55 aviNews Brasil Setembro 2020 | As oportunidades da industrialização de ovos


Para garantir a qualidade e segurança do produto, as empresas processadoras de ovos têm que ter implantados e monitorados os programas do PAC (Programa de Auto Controle) do MAPA, que compreendem:

Boas Práticas de Fabricação (BPF); Procedimentos Padrão de Higiene Operacional (PPHO); Análise de Perigos de Pontos Críticos de Controle (APPCC), entre outros.

ovos

Devem seguir o Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes (PNCRC) do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Aliado a isso, têm que ter toda rastreabilidade do produto, desde a matéria-prima até o produto final; conscientização e treinamento de todos os colaboradores envolvidos no processo.

Novas tecnologias Ultra pasteurização Nos últimos anos, a indústria brasileira vem investindo em novas tecnologias de processo, como a ultra pasteurização e envase asséptico, que alia o uso de homogeneizador ao processo de pasteurização, conseguindo com isso aumentar a temperatura de pasteurização sem desnaturar proteínas, mantendo as propriedades funcionais do ovo e aumentando a vida de prateleira do produto refrigerado (mantido a temperatura entre 0 e 5 oC).

Assim, consegue-se obter um grande benefício na distribuição e logística do produto destinado para o food service (restaurantes, padarias, confeitarias, hotéis), além de criar viabilidade para atingir o consumidor final nas gôndolas dos supermercados.

Pasteurizador com homogeneizador (Ultra pasteurização)

56 aviNews Brasil Setembro 2020 | As oportunidades da industrialização de ovos


Desidratação Da mesma maneira, o desenvolvimento tecnológico e melhorias no processo de desidratação de ovo tem contribuído para a obtenção de produtos desidratados com performance cada vez mais próxima do produto in natura, permitindo sua utilização em uma variedade cada vez maior de produtos. E uma das vantagens do ovo desidratado é o seu armazenamento a temperatura ambiente.

ovos

Temos também a utilização de enzimas para melhorar algumas propriedades funcionais do ovo, como por exemplo:

As fosfolipases usadas para aumentar a capacidade de emulsificação da gema e do ovo integral para utilização em indústrias de maionese e panificação;

Enzimas

A glucose oxidase para evitar o escurecimento enzimático na clara e no ovo integral desidratado; Proteases para melhorar a reidratação e absorção da clara desidratada; e Enzimas para melhorar a aeração da clara de ovo.

57 aviNews Brasil Setembro 2020 | As oportunidades da industrialização de ovos


Essas novas tecnologias e melhorias no processamento de ovos, juntamente com: as vantagens oferecidas pelo produto industrializado (líquido ou desidratado); a desmistificação do ovo; as recomendações e orientações mais adequadas quanto ao consumo de ovos; São exemplos de nichos de mercado a serem explorados pela indústria de ovos, assim como o mercado de ovo líquido e seus derivados, produzidos com ovos orgânicos, caipiras, free range, cage free, etc.

novas legislações; o trabalho setorial envolvendo maior interação com setores como os de nutrição, medicina, gastronomia, órgãos governamentais, pesquisas, entre outros;

ovos

a exigência do mercado consumidor; Convergem para o aumento da participação dos ovos industrializados no consumo tanto no mercado interno como no externo.

Outro item a ser melhorado e desenvolvido é o processo de obtenção de carbonato de cálcio proveniente da casca do ovo para o uso nutricional e farmacêutico, e a obtenção de colágeno das membranas da casca.

Novas oportunidades e desenvolvimento da indústria O uso de produtos de ovos pasteurizados, seja na sua forma líquida, congelada ou desidratada, já é bem conhecido na indústria de alimentos brasileira devido as suas propriedades funcionais, praticidade e segurança na utilização. Desenvolvimento de produtos prontos, ou semi elaborados preparados a base de ovos, como: Omeletes, Egg salad, Egg burguer, Ovos cozidos embalados a vácuo, ou em conserva, Roll egg (salsicha de ovo) Bebida à base de clara líquida.

58 aviNews Brasil Setembro 2020 | As oportunidades da industrialização de ovos

Técnicas de fracionamento podem ser aplicadas e utilizadas para extração e purificação da lisozima para uso na indústria farmacêutica; extração da lecitina da gema que pode ser usada em cosméticos e produtos alimentícios; bem como de outros compostos bioativos com alto valor nutricional, funcional e farmacêutico. As oportunidades da industrialização de ovos.

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RELAÇÃO ENTRE OS NÍVEIS DE PROTEÍNA BRUTA EM DIETAS DE AVES, SAÚDE PLANTAR E BEM-ESTAR ANIMAL Verdú1, M., Farré1, G., Cebollero1, J., Varvaró-Porter2, A., Contreras-Jodar2, A. y Velarde2, A. 1 Alimentação Animal e Produção, CAGSA (Guissona Food Corporation, S.A.) 2 Programa de Bem-Estar Animal, IRTA

A

pododermatite, ou dermatite de contato, no tarso e peito, é uma

nutrição

lesão de etiologia multifatorial e

muito comum na indústria de frango de corte. A presença de camas úmidas e viscosas, junto com nitrogêneo e amoníaco procedentes das fezes podem provocar irritação nas patas, jarrete e/ou peito dos animais. Se estas queimaduras se agravam, não só podem corroer a pele, como também favorecer a entrada de infecções e produzir claudicação.

Por isso, o bem-estar animal se vê comprometido, além das consequências negativas diretas sobre os índices produtivos e econômicos da produção.

59 aviNews Brasil Setembro 2020 | Relação entre os níveis de proteína bruta em dietas de aves, saúde plantar e bem-estar animal


No âmbito da nutrição, vários trabalhos

Estes estudos sugerem que um menor conteúdo em

científicos evidenciaram uma relação diretamente

ptoteína dietética promove redução do consumo

proporcional entre o nível de proteína bruta (PB)

de água e excreção de excedente de nitrogênio,

da dieta e a incidência de pododermatites.

consequentemente diminuindo a umidade da cama e seu conteúdo em nitrogênio, principais fatores desencadeantes da dermatite de contato.

OBJETIVO Avaliar o efeito da redução do nível de proteína bruta em dietas suplementadas com aminoácidos sobre os resultados produtivos, a qualidade da cama e a incidência de pododermatite em frangos de corte.

MATERIAIS E MÉTODOS ANIMAIS

nutrição

3.360 pintinhos Ross mistos de 1 dia de idade e 44,2 ± 1,04 g de peso vivo inicial. MATERIAL DA CAMA Casca de arroz (4 kg/m2). DIETAS 3 tratamentos experimentais: T1: dieta controle com conteúdo de PB conforme a fase da ração de 22,0 (pré-iniciação), 20,4 (iniciação), 19,4 (crescimento) e 17,5 % (acabado). T2: dieta com redução de 0,5% de PB suplementada com aminoácidos sintéticos (Lisina, Treonina, Metionina, Arginina e Isoleucina). T3: dieta com redução de 1,2 ou 1,5% de PB segundo a fase de produção suplementada com aminoácidos sintéticos (Lisina, Treonina, Metionina, Arginina e Isoleucina) DURAÇÃO DOS TRATAMENTOS 42 dias de engorda. Os pintinhos foram distribuídos aleatoriamente em 24 currais (superfície de 10,1 m2) de 140 pintinhos por curral (8 currais por tratamento). Primordialmente, a ração foi composta conforme a fase de produção (pré-iniciação, 0 a 7 dias; iniciação, 8 a 21 dias; crescimento, 22 a 29 dias; terminação, 30 a 42 dias) a base de milho, soja, trigo, sorgo e girassol, além do coccidiostato correspondente.

60 aviNews Brasil Setembro 2020 | Relação entre os níveis de proteína bruta em dietas de aves, saúde plantar e bem-estar animal


MEDIDAS POR CURRAL Peso vivo e consumo de ração 0, 7, 21, 29 e 42 dias de estudo, coincidindo com cada fase do programa nutricional. Mortalidade Diariamente. Qualidade da cama Umidade e nitrogênio do solo: coleta de 3 amostras nos dias 0, 28 e 42 de estudo. Avaliação segundo o protocolo Welfare Quality (2009), com uma pontuação de 0 a 4 (0 = completamente seco e escamada, se move facilmente com o pé, e 4 = gruda nas botas, assim que a primeira camada, ou crosta se rompe). Parâmetros de bem-estar segundo o protocolo Welfare Quality (2009) www.welfarequalitynetwork.net/media/1019/poultry_protocol.pdf

nutrição

em 18 frangos por curral, selecionados aleatoriamente Dermatite plantar com uma pontuaçãode 0 a 4 (0 = ausência, e 4 = presença severa). Jarretes com pontuação de 0 a 4 (0 = ausência, e 4 = presença severa). Sujidade das penas no peito, com pontuação de 0 a 3 (0 = limpa, 3 = muito suja). Claudicação com pontuação de 0 a 5 (0 = deslocamento normal, 5 = quando o animal é incapaz de andar).

ANÁLISE ESTATÍSTICA Os dados produtivos, de umidade da cama e nitrogêneo das fezes foram analisados a partir de um modelo de efeitos mistos, com medidas repetidas. Os dados de pontuação da qualidade da cama e parâmetros de bem-estar animal foram analisados a partir de um teste Qui-quadrado.

61 aviNews Brasil Setembro 2020 | Relação entre os níveis de proteína bruta em dietas de aves, saúde plantar e bem-estar animal


RESULTADOS As três dietas apresentaram, aos 42 dias de estudo, resultados similares em: Consumo de ração

Nos resultados parciais aos 21 e 29 dias

0,107 ± 0,0007 kg/dia

T2 e T3 melhoraram significativamente o

Ganho médio diário

peso vivo, comparados a T1 nos dias 21 e 29 do estudo.

0,066 ± 0,0004 kg/dia

T2 vs T1

Índice de conversão

1,013 vs. 0,990 ± 0,0066 kg

1,617 ± 0,0100 kg/kg

T3 vs T1 1,693 vs. 1,665 ± 0,0086 kg

Mortalidade

nutrição

5,617 ± 0,7526 %

Efeito na umidade e qualidade da cama O tratamento nutricional não teve efeito na umidade (25,80+- 0,657%), nem qualidade da cama (completamente seca). No entanto, T3 diminuiu em 7% o conteúdo de nitrogêneo total nas fezes em comparação aos outros tratamentos (3,63 vs. 3,91 ± 0,079 %). Claudicação 89% dos animais observados não apresentaram claudicação e não foram observadas diferenças entre tratamentos. Pododermatite Observou-se menor proporção de animais com podermatite de grau 1 no T3, comparado ao restante dos tratamentos (2,8 vs. 9,7 %). Plumagem Foi registrada redução significativa na proporção de frangos com sujeira nas penas do peito no T3, T2 e T1 (3,7, 9,0 e 15,3 %, respectivamente).

62 aviNews Brasil Setembro 2020 | Relação entre os níveis de proteína bruta em dietas de aves, saúde plantar e bem-estar animal


CONCLUSÕES Este estudo evidenciou que a estratégia

nutricional de reduzir a PB da dieta em torno de 1,2 ou 1,5%, conforme a fase

produção, permitiu diminuir a incidência de pododermatite e sujidade da plumagem no peito ao diminuir a excreção de nitrogênio procedente das fezes. Tudo isso, sem prejudicar

o desempenho produtivo e inclusive, melhorando, na primeira metade da engorda. Portanto, a redução da PB em uma dieta suplementada com aminoácidos sintéticos pode ser uma ferramenta eficaz para melhorar o bem-estar animal, minimizar o impacto ambiental e aumentar a produtividade na Agradecimentos: estudo financiado através da Operação 16.01.01 (cooperação para a inovação) do PDR da Cataluña 2014-2020. Gratidão também à colaboração do pessoal da granja experimental Nial, assim como, de Xênia Moles, Berta Baudila e Miriam Mosqueda do IRTA.

engorda de frangos. Relação entre os níveis de proteína bruta em dietas de aves, saúde plantar e bem-estar animal

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BRONQUITE INFECCIOSA DAS GALINHAS: 90 ANOS DE EVOLUÇÃO

Este artigo é dedicado in memorian aos Professores

patologia

Nair Massako Katayama Ito & Claudio Issamu Miyaji spave@uol.com.br

Trabalho agraciado com o III Prêmio DOWN de Veterinária.

Osmane Hipólito e José Maria Lamas. A monografia “Bronquite Infecciosa das galinhas” agraciado do III Prêmio Down no Congresso Brasileiro de Avicultura, Belo Horizonte, Minas Gerais, 1979 reúne os trabalhos realizados que resultaram na liberação acertada da vacina H120 e H52 para o controle da BIG no Brasil,. Justificam os autores:

.....decorridos 22 anos após isolamento e identificação do vírus no país (Hipólito, 1957) continuamos aguardando providências que permitam enfrentar o problema em bases técnicas....dar-nos-emos por satisfeitos se o trabalho ora apresentado puder ser de alguma valia para a valorosa classe dos avicultores a quem, na oportunidade, rendemos nossa humilde homenagem.

65 aviNews Brasil Setembro 2020 | Bronquite infecciosa das galinhas: 90 anos de evolução.


Vírus da bronquite infecciosa: o primeiro CoV, pandêmico desde 1940 Bronquite infecciosa das galinhas (BIG) foi originalmente descrita como sendo uma doença respiratória contagiosa de frangos de corte, notificada em 1931 nos EUA, causada por um vírus denominado de Massachusetts 82828 (ou M41 ou VR21), que se disseminou para a Europa e Oceania em 1940, por exportação de galinhas. O virus Massachusetts evolui para amostras com tropismo para o sistema gênito-urinário (e.g. amostra T, Cumming, 1940 Austrália e Holte-Gray ,1963, EUA) e mais de 50 variantes

patologia

antigênicas que existem hoje no mundo. As amostras US/Conn/Conn46/51 e H-52, 1955 Holanda (Bijlenga et al, 2010) foram as primeiras variantes introduzidas para

A inflamação nos condutos lacrimais e

controle da BIG. O vírus da BIG (IBV =

nasais causa espirros e coriza e quando

Infectious Bronchitis Virus) foi o primeiro

associado com E.coli evolue para celulite

Coronavirus (CoV) descoberto no mundo,

perifacial. Ao início da BIG frangos

classificado somente em 1968.

apresentam estertor traqueal bolhoso e

Infectious Bronchitis Virus

dificuldade inspiratória.

O IBV é um patógeno economicamente importante para a indústria avícola porque infecta várias espécies de aves sinantrópicas e selvagens e só causa doença nas galinhas.

66 aviNews Brasil Setembro 2020 | Bronquite infecciosa das galinhas: 90 anos de evolução.


Galinhas de postura e reprodutoras adultas infectadas com IBV apresentam:

Frangos infectados com IBV apresentam:

Queda de produção e Produzem ovos com má qualidade de casca

Queda de desempenho zootécnico;

e albumina, e

Espirros,

Se infectadas no período de recria e/

Estertores traqueais e broncopneumonia,

ou de crescimento:

Aumento de mortalidade por diurese,

Têm produção limitada de ovos;

uremia e nefrite nefrose, Comprometimento da eficiência alimentar por enterite associada com outros vírus (De

Mesoperitonite por refluxo de ovos; Impactação de ovos no magno;

La Torre et al, 2018) e multiplicação no íleo e favorecimento de aumento de OTUs de

Urolitíase, ou são falsas poedeiras.

Enterobacteriaceae (Chu et al, 2020) e

patologia

Condenação de carcaças por doença respiratória complicada (“cabeça inchada” e doença crônica respiratória ou DCR).

Os galos

Galos infectados com AvCoV apresentam testículos pequenos

Involução do testículo,

ou com atrofia cística dos túbulos Epididimite e

seminíferos devido à replicação do vírus nas células epiteliais do epidídimo e obstrução dos dutos epididimários

Urolitíase.

com células necrosadas e cálculos de cálcio ou oxalato.

67 aviNews Brasil Setembro 2020 | Bronquite infecciosa das galinhas: 90 anos de evolução.


Taxonomia: lições e estratégias para biossegurança Coronavírus (CoV) aviários são Nidovirales, família Coronaviridae, subfamília Orthocoronavirinae, conforme ICTV 2018, diferenciado conforme afinidade de hospedeiro, patogênese e composição genômica em 2 gêneros - Gammacoronavirus (GammaCoV) e Deltacoronavirus (DeltaCoV).

GammaCoVs Os GammaCoVs são de três subgêneros: 1) Cegacovirus, representada pelo CoV SW1 da

patologia

baleia Beluga e golfinho; 2) Brangacovirus com a espécie GoCoV (Goose Coronavirus) CB17 letal e específico de gansos e 3) Igacovirus, com três espécies - Avian CoV Galinhas infectadas com AvCoVs patogênicos produzem ovos com clara

(AvCoV), Avian CoV 9203 e Duck CoV 2714 (Wille & Holmes, 2020).

aquosa porque replicam nas células epiteliais do magno e com casca fina ou descolorida porque replicam nas células do istmo e útero. Galinhas infectadas com M. synoviae e AvCoV tem aumento da produção de ovos com defeito de calcificação no ápice. Galinhas com BIG produzem ovos sem casca ou pequenos, tipo cobra ou estrangulados, porque tem atrofia do istmo e útero ou aerossaculite abdominal ou mesoperitonite.

68 aviNews Brasil Setembro 2020 | Bronquite infecciosa das galinhas: 90 anos de evolução.


AvCoVs são todos os vírus tipo IBV que

Muitas amostras detectadas nas aves selvagens

Igacovirus infectam galinhas, perus,

ainda não foram classificadas, e algumas

codornas, patos, gansos, pelicanos,

delas, por exemplo, DeltaCoV da codorna e do

papagaios, gaivotas, pombos, corvos e

papagaio Amazona virigligenalis, têm potencial

pardais, e inclui as amostras, PhCoV da

para causar doenças nas aves comerciais.

doença respiratória em faisões e GfCoV, da enterite aguda e pancreatite em galinhas d´’angola. AvCoV 9203 é o vírus da enterite e síndrome da mortalidade aguda dos perus, que induz infecção assintomática em galinhas (Guy, 2010; Witt & Cook, 2020) e DCoV 2714 patogênico para patos também circula entre os pombos, galinhas e gansos (Chen et al, 2013). GammaCoVs mosaicos podem surgir São candidatas a novas espécies

patologia

por recombinação das três espécies. Não existe risco de recombinação dos

de GammaCoV, CoVs exclusivos ou “dominantes” de patos e pombos com mutação do ORF poliproteína replicase (Zhuang et al, 2020).

GammaCoVs com AlfaCoVs e BetaCoVs, porque as aves domésticas não são susceptíveis aos vírus dos mamíferos e vice-versa, contudo, GammaCoVs que

DeltaCoVs

infectam patos, codornas domésticas e

Os DeltaCoVs ocorrem em 15 ordens distintas de aves de pelo menos 30 famílias e 108 espécies

aves selvagens, podem recombinar com DeltaCoVs.

de aves domésticas e selvagens, inclusive em codornas japonesas criadas comercialmente em consorciação com galinhas de postura (Torres et al, 2016).

1)

Andecovirus (Wigeon CoV HKU20),

2)

Buldecovirus (Bulbul CoV HKU11, Common moorhen CoV HKU21, CoV HKU15, Munia CoV HKU 13, White-eye

3)

no gato leopardo e ferret. O DeltaCoV porcino (PDCoV),

DeltaCoVs são diferenciados em 3 subgêneros:

CoV HKU16) e

DeltaCoVs foram detectados

isolado em 2009 na Àsia, é um Buldecovirus recombinante CoV HKU15, com potencial para infectar células de humanos, galinhas e outras espécies de aves, porque usa o receptor aminopeptidase N (Wille & Holmes, 2020).

Herdecovirus (Night heron Cov HKU19).

69 aviNews Brasil Setembro 2020 | Bronquite infecciosa das galinhas: 90 anos de evolução.


AvCoVs nunca serão extintos

ORF1a

5’

s

ORF1b

3a

M

3b E

Proteínas não estruturais NSP-induz IFN- e IFN-ß Replicases

“spike” adesão, fusão Anticorpo neutralizante

N

5a

3’ UTRPoly A

5b Membrana

Envelope

Nucleocápside

AvCoVs são virus +ssRNA com genoma de 27,5 a 28 kb e sequência gênica 5’ UTR-leaderORF1a/1b-S-3a 3b-E-M-5a 5b-N-3’UTR.

patologia

CoVs geram variantes genotípicas (e fenotípicas) por mutação, ou por recombinação intraespécie e interespécie (RNA quiméricos),

Vacinas

que se disseminam e se fixam por seleção natural.

As vacinas vivas podem ter mais de

A mutação no ORF1ab que codifica as proteínas não estruturais, que resultam na formação do Nsp12, ou RNA polimerase, dependente de RNA viral (RdRp) e do Nsp 14 que tem a exonuclease da superfamília DEDD derivada do hospedeiro, induz erro de incorporação de nucleotídeos de até 10 a 10 /ponto/ano nos AvCoVs, que é 10x -4

-5

mais elevada que a dos Retrovírus e 10.000 x mais elevada que a maioria dos vírus DNA (Legnardi et al., 2020).

uma subpopulaçao de vírus propensas a rápida mutação (Gallardo, Van Santen & Toro, 2010; Saraiva et al, 2018), reversão de virulência, ou seleção de variantes adaptadas (McKinlley, Hilt & Jackwood, 2008; Legnardi et al, 2020). As vacinas vivas que induzem reação prolongada e elevada resposta de anticorpos têm elevada propensão para reversão de virulência, porque apresentam subpopulações de vírus que replicam em diferentes tecidos (Legnardi et al, 2020),

AvCoVs mutantes são gerados por infecção

ou podem induzir mutação de AvCoVs

natural e cultivo in vitro em células, ou em

circulantes porque são muito imunogênicas,

ovos embrionados de galinhas. Mutações não

(McKinley et al, 2011).

sinônimas só ocorrem nas aves vacinadas, porque a resposta imune é a principal força seletiva para evolução, por inversão de fase e deleção, ou inserção de nucleotídeos, ou aminoácidos nos determinantes antigênicos.

70 aviNews Brasil Setembro 2020 | Bronquite infecciosa das galinhas: 90 anos de evolução.


AvCoVs efetuam recombinação mediada por

Conforme Valastro et al. (2016), por análise

RdRp quando se aplica múltiplas vacinas

de 1.286 sequências S1 completas catalogadas

vivas ou quando o virus vacinal circula por

no GenBank no período de 1937 a 2010 (não

muito tempo na população, ou as aves tem

incluídas 232 amostras recombinantes RdRp),

imunodeficiência ou estão coinfectadas com

existem 6 genótipos puros de AvCoVs:

Mycoplasma

GI diferenciadas em 27 linhagens

A vacina 793B efetua 3x10-3 substituições de aminoácidos por ponto/ano no gene S1 (Toro, Van Santen & Jackwood, 2012) e um AvCoV pode dar origem a variantes recombinantes inter-linhagem muito virulentos, tais como: HN08, ou CK/CH/LSC/991 na China e Coreía (Valastro et al, 2016) e

detectadas em diferentes países do mundo; GII na Holanda; GIII e GV na Austrália; GIV nos EUA; e GVI na China.

EG/Fadllh-10/2019 isolado de galinhas

A linhagem GI-1, que inclui AvCoV Beaudette

de postura hipersensibilizadas com Ma5

e amostras derivadas das vacinas Van Roeckel

(Rohaim et al, 2019).

M41 e H120 é cosmopolita, e a variante e GI-13

patologia

Mais recentemente no Egito, ao IBV/CK/

tipo vacina 793B detectada na Europa e na Ásia, não ocorre nos EUA, Oceania e muitos países da África e América Latina.

AvCovs são classificados em sorotipos por provas de soroneutralização com anticorpos

Segundo Valastro et al (2016), os AvCoVs

monoclonais ou em genotipos neutralizantes

UFMG/G/1975, IBV/Bras/351/1984, UFMG/297 e

por sequenciamento do gene que codifica o

283, 1983 e UFMG/1141 e 12.2, 2009 catalogadas

domínio S1 que tem três regiões hipervariáveis

no GenBank por Abreu et al. (2006) são da

(HVRs):

linhagem S1 GI-11 exclusiva do Brasil.

1

HVR1 (aa 60-88);

2

HVR2 (aa 115-140) e

3

HVR3 (aa 275-292).

Segundo Montassier et al (2008), foram detectadas cinco linhagens distintas causando doença renal e respiratória no Brasil por sequenciamento de um fragmento RT-PCR/RFLP S1 de 1,72 kb de 12 AvCoVs isolados no período de 1988 a 2000, infelizmente ainda não diferenciadas segundo modelo de Valastro et al. 2016.

71 aviNews Brasil Setembro 2020 | Bronquite infecciosa das galinhas: 90 anos de evolução.


Amostras do tipo não Mass detectadas entre 2002 a 2006 (Villarreal et al, 2017), 2007 a 2008 (Villarreal et al, 2010), 2003 a 2009 (Felipe et al, 2010), 2010 a 2011 (Fraga et al, 2013) estudadas por análise parcial do gene S1, não podem ser designadas como novos genótipos ou linhagens S1 (Valastro et al, 2016). Por reconstrução da árvore ML pelo modelo de Valastro et al, Fraga et al (2018) presumem que 24% das AvCoVs de material clínico do Brasil são GI-1 tipo Mass (24%), 74,5% são GI-11 (antes SA-I), 1% GI-13 tipo 4/91

patologia

e 0,5% GI-9 tipo Ark.

Patobiologia: epizootiologia e patogênese AvCoVs são vírus sensíveis a temperatura elevada, radiação solar, pH extremo e desinfetantes, entretanto, sobrevivem nas fezes

AvCoVs utilizam como porta de entrada a conjuntiva, seios nasais e o trato gastrintestinal. Efetuam replicação primária nas células epiteliais e glandulares do ducto lacrimal, seios nasais, traqueia, proventrículo e intestino

AvCoV se transmitem eficientemente por contato direto ave a ave, até a uma distancia de mais de 1,5 metros, e entre aviários, a uma distância de mais de 1.200 metros, favorecida pela direção dos ventos.

delgado. A replicação secundária ocorre no rim, sistema reprodutor e outros órgãos tais como fígado, bolsa e baço.

72 aviNews Brasil Setembro 2020 | Bronquite infecciosa das galinhas: 90 anos de evolução.


1,2 mil metros

Na fase aguda da BIG a mucosa da traquéia se apresenta edemaciada, úmida, discretamente amarelada e com brilho e a partir de 7 a 10 dias após-infecção, a mucosa fica delgada, seca e com aumento de área de epitélio com metaplasia cuboidal, e subsequentemente, presença de pontos brancos com halo avermelhado (ninho linfóide = BALT) se projetando para o lúmen, em quantidade e tamanho variável conforme patogenicidade do vírus, taxa de recontato e associação com outros patógenos respiratórios

patologia

virais e micoplasma. Aves com traqueíte têm perda da defesa constitutiva muco-ciliar e sacos aéreos abdominais com exsudato inflamatório bolhoso ou complicado com E. coli, Ornithobacterium rhinotracheales, Pasteurella spp, etc.

O tropismo do AvCoV por células de diferentes tecidos do hospedeiro varia conforme quantidade de cópias de S1 que ligam no ácido siálico α-2,3, ou nos receptores do tipo lectina (Wickramasinghe et al, 2011) e composição de

O S1 do M41 prefere ácido siálico com lactosamina tipo I [Gal(1-3)GlcNAc] que o do tipo II [Gal(1-4)GlcNac], que

aminoácidos.

predomina na traqueia, rim, sacos aéreos,

Os aminoácidos 19 a 272 do S1 ligam ácido

de Fabrícius e capilar do pulmão das

siálico das células respiratórias, os aminoácidos

galinhas (Wickramasinghe et al, 2015).

seios nasais, íleo, intestino grosso, bolsa

273 a 532 ligam substratos com açúcar (Neu 5 Aca2-3Gal) das células do oviduto, rim e intestino (Promkuntod et al, 2014) e os 110 a 112 ligam no rim (Bowman et al 2020).

73 aviNews Brasil Setembro 2020 | Bronquite infecciosa das galinhas: 90 anos de evolução.


AvCovs patogênicos causam edema nos brônquios primários e secundários e formação de um tampão de células mortas e inflamatórias que causam obstrução do lúmen dos mesobrônquios secundários e terciários. A obstrução dos brônquios e mesobrônquios médio-ventrais resulta em enfisema pulmonar e broncopneumonia congestiva focal visível macroscópicamente na região costal do pulmão (paleopulmão).

Galinhas sem imunidade permanecem portadoras por longo tempo (2 a 7 meses) e o vírus é excretado nas excreções oculares e nasais, fezes, urina, sêmen e ovo. AvCoVs podem ser detectados na membrana vitelínica do ovo por 1 a 7 semanas após desafio, no sêmen por até 2 semanas (Jackwood & de Witt, 2019) e no fluido

patologia

alantoide de ovos embrionados A capacidade de adesão e fusão do

(Pereira et al, 2016).

AvCoV na célula epitelial também depende da presença de determinados aminoácidos na posição 38 e 43 proteína S1: Ma5 (Brandão et al, 2017) e M-41, QX e Conn 46, têm tropismo para traqueia porque têm asparagina na posição 38. A presença de histidina na posição 43 da M-41 aumenta a afinidade, sendo a substituição destes aminoácidos responsável pelo baixo tropismo da H120, ou abolição da adesão na amostra Beaudette (Promkuntod et al, 2014). AvCoV nefropatogênica B1648 (Reddy et al, 2016), M41, Cal 99, Conn 46 e Iowa 97 replicam em monócitos/macrófagos circulantes (Zhang & Whittaker, 2016) e impedem a produção de óxido nítrico (Amarasinghe et al, 2017) para se disseminar para o fígado, rim, baço, pulmão e outros tecidos.

74 aviNews Brasil Setembro 2020 | Bronquite infecciosa das galinhas: 90 anos de evolução.

AvCoVs nefropatogênicos causam inicialmente aumento de volume do lóbulo renal devido à degeneração das células epiteliais, distensão e retenção de uratos no lúmen dos túbulos contornados e infiltração focal de células mononucleares resultando em eliminação profusa de fluidos e íons na urina (diurese), miopatia peitoral e morte por desequilíbrio ácido básico. Pintinhos com nefrite nefrose apresentam desidratação, ureteres com retenção de uratos e enterite (íleo > jejuno). AvCoVs nefropatogênicos são excretados na urina e detectados em suabes de cloaca e/ou de reto.


Aves que sobrevivem apresentam atrofia dos lóbulos renais e galinhas de postura e reprodutoras infectadas durante a recria apresentam urolitiase tubular e ureteral ao serem alimentadas com ração pré-postura com mais cálcio.

Por isto, para confirmação de caso suspeito deve-se efetuar exame virológico (isolamento e PCR) e histológico de múltiplos órgãos coletados durante fase aguda da doença.

A imunidade induzida pelas vacinas vivas e inativadas

Os métodos de diagnóstico

AvCoVs não impede a

baseados em RT-PCR genérico

reinfecção, mas reduz

(e.g. 3’ ou 5’ UTR ou S1) feito

significativamente o tempo

pelo método Sanger, que detecta

e taxa de replicação do vírus

somente uma amostra (geralmente

desafiante homólogo.

a de título elevado), e RT-PCR(qRTPCR) específicos (Legnardi et al 2020) para uma a duas linhagens,

O diagnóstico sorológico da BIG é dificultado quando as aves:

não permitem identificar a diversidade de AvCoVs que estão

patologia

Diagnóstico e controle: ponto crítico

circulando entre a aves comerciais e sinantrópicas.

Recebem múltiplas vacinas; Por exemplo, o RT-PCR(qRT-PCR) Apresentam coinfecção com outros

específico para fragmento S1 325

patógenos (principalmente Mycoplasma

a 443 H-120 e BR-I não permitiu

gallisepticum e M. synoviae);

identificação de 55/141 amostras

Apresentam imunodeficiência e São utilizadas vacinas que favorecem

clínicas positivas no RT-PCR(qRTPCR) para 5’UTR AvCoV (Fraga et al, 2016).

circulação de vírus.

75 aviNews Brasil Setembro 2020 | Bronquite infecciosa das galinhas: 90 anos de evolução.


Para sabermos como AvCoVs evoluem é preciso conhecer a dinâmica do genoma completo dos vírus vacinais e de campo nos diferentes compartimentos funcionais do hospedeiro e integrar os resultados com o padrão de resposta de anticorpos, alterações microscópicas e manifestações clínicas em diferentes nichos ecológicos.

Prevenção A prevenção da BIG deve ser baseada em: Escolha de vacinas com espectro limitado de disseminação e persistência endógena

Ainda não sabemos qual é a relação do grau de adaptação do vírus em um indivíduo, com o restante de indivíduos de uma determinada população de galinhas e porque algumas variantes ficam restritas à uma área geográfica e ressurgem periodicamente, enquanto outras são capazes de persistir e disseminar para o mundo inteiro.

patologia

e transmissibilidade intra-espécie e interespécie de aves; Condições de conforto térmico; Controle de patógenos respiratórios como micoplasma ou imunossupressores;

O genoma completo da H120 é similar da H52, ARK DPI, Beaudette, M41 e ZJ 971, exceto que, H120 e H52 tem 3’UTR mais intacta e longa (Zhang et al, 2010) e não

Condição de biosegurança, por exemplo,

tem asparagina e histidina respectivamente

esxistencia de aves que sirvam de reservatrios;

nas posições 38 e 43 da molécula S1

e

(Pronkuntod et al, 2014).

Vigilância por estudo longitudinal por RT PCR

A vacina H52, que tem uma grande

e qRT-PCR genérica, ou específica e sorologia.

quantidade de subpopulação de vírus instável (Bijlenga et al, 2010) foi retirada

O Brasil é um dos poucos países que tem poucas

do mercado brasileiro em meados de 1990

linhagens definidas por análise da sequência de

por ser muito virulenta e subsequentemente,

nucleotídeos no gene S1, além da GI-1 tipo Mass

H-72 e H-90. A partir de 2000 foram

e GI-11.

introduzidas Ma5 e B48

Talvez porque desde 1977 (Portaria Divisão de Defesa Sanitária Animal nº 003, 13/05/77) a vacina H-120 que atende todos os critérios para

A introdução da vacina IBRAS derivada da

imunização ativa de pintinhos (Bijlenga et al,

amostra BR-1 GI-11, que existe no país desde

2010), é a vacina mais usada no país.

antes de 1975 (UFMG/1975) e circula no país desde 1950 (Fraga et al, 2018), deve mudar a dinâmica do AvCoV.

76 aviNews Brasil Setembro 2020 | Bronquite infecciosa das galinhas: 90 anos de evolução.


A variante AvCoV BR-I tem inserção de 21 nucleotídeos (nts) comparativamente

A amostra H-120 causa moderada

a H-120, M-41 e Beaudette (Fraga

traqueite linfoproliferativa entre 3 a 7

et al, 2013). Não há evidências de

dias após infecção à semelhança das

recombinação e tem em relação à

amostras 2370/89 e 3033/77 isolada

Ma5, 90% de similaridade do genoma

de rim, respectivamente de galinhas

inteiro, 82,6% do gene S e baixa taxa

d’angola e frangos com nefrite nefrose

de adesão e fusão na célula hospedeira

(Miyaji, 1996)

porque não tem asparagina no domínio 38 da proteína S1 Ma5 (Brandão et al, 2017).

Hoje sabemos que CoVs são vírus que

digestivo, reprodutor e respiratório das

matam as células por esgotamento

galinhas (Balestrini et al, 2014), causa

metabólico ou que favorecem apoptose

discreta a moderada degeneração

porque induzem uma resposta imune

das células epiteliais da traquéia da

vigorosa mediada por células (TCD8 e

galinha SPF (Chacon et al, 2014; Santos

TCD4Th1).

patologia

A BR-I tem tropismo para trato

et al, 2017) e é mais severa no sistema respiratório de frangos (Chacon et al, 2014). Bronquite infecciosa das galinhas: 90 anos de evolução.

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A cinética e intensidade das lesões microscópicas induzidas pela BR-I são equivalentes à da H-120 (Katayama Ito, comunicação pessoal), que não causa destruição do epitélio traqueal entre 1 a 7 dias após infecção experimental por aerolização em pintinhos SPF com o M41 e 2814/89 isolada de rim de frango com nefrite nefrose.

77 aviNews Brasil Setembro 2020 | Bronquite infecciosa das galinhas: 90 anos de evolução.


B

c

A p c v


MIOPATIAS NA CARNE DE PEITO DOS FRANGOS DE CORTE Vitor Hugo Brandalize

manejo

Médico veterinário e especialista Mundial em Nutrição da Cobb-Vantress.

B

arbut (2019) menciona que a incidência de miopatias na carne

Os técnicos frequentemente confundem

de peito aumentaram nos últimos

a classificação e as causas das diferentes

cinco a dez anos.

Afetam principalmente o filé de peito, a parte mais valiosa da carcaça dos frangos de corte na vasta maioria dos países.

miopatias. As cinco miopatias mais preocupantes são: w White Striping (WS), ou estriações brancas. w Wooden Breast (WB), ou peito amadeirado. w Peito Espaguete. w Miopatia Peitoral Profunda (também conhecida como doença do músculo verde ou doença de Oregon). w Miopatia Dorsal.

79 aviNews Brasil Setembro 2020 | Miopatias na carne de peito dos frangos de corte


Entre outros fatores, o peito amadeirado, peito espaguete e as estrias brancas podem estar associados ao crescimento rápido das aves e o aumento de peso ao abate.

A miopatia peitoral profunda e a miopatia dorsal, normalmente, estão associadas a problemas de manejo, como falta de alimento ou água, programas de luz intermitente,

manejo

atividade humana, etc. Pesquisadores estimam que de 5% a 10% dos produtos comerciais de peito de frango poderiam ser afetados por peito amadeirado. Eles notaram que isso afeta a textura do filé, mas não oferece Nenhum Risco à Segurança Alimentar.

Kuttapan et al (2016) estimaram que o custo para a indústria americana é de aproximadamente 200 milhões de dólares por ano. Contudo, Barbut (2019) mencionou que discussões recentes com o pessoal da indústria, sugeriram que este número esteja subestimado. Se considerar que nos Estados Unidos, cerca de 5,82 bilhões de quilos de carne de peito de frango sejam processados anualmente a um custo de varejo de aproximadamente 1,5 dólar por libra (1 libra = 453 gramas), o valor de mercado deste produto pode ser calculado em 18 bilhões de dólares por ano, portanto, 200 milhões de dólares representam apenas 1% desse total.

80 aviNews Brasil Setembro 2020 | Miopatias na carne de peito dos frangos de corte


O que é peito amadeirado? A síndrome de WB (Peito Amadeirado) é uma doença muscular que envolve o endurecimento das fibras musculares. Carne do peito com WB tem sinais de degeneração das fibras musculares e uma fibrose com níveis mais elevados de colágeno e tecido adiposo. Desta forma, o peito contem níveis mais baixos de proteína que afetam propriedades funcionais, como capacidade de retenção de água e outros atributos de textura. O exame histológico pode mostrar inflamação, acúmulo de colágeno ou

manejo

cartilagem hialina. É mais comumente observada no peito, mas também pode ocorrer nas pernas. Atualmente, a causa exata da doença é desconhecida. Parece afetar mais os machos do que as fêmeas e as aves mais pesadas.

No caso do peito amadeirado, a reparação

Bilgili (2013) levantou a hipótese de que a hipóxia localizada está presente no tecido do WB devido à ruptura vascular e / ou perfusão do tecido estagnado. Posteriormente, Lilburn et al. (2018) discutiram porque a hipóxia localizada é uma causa potencial das anormalidades de WS e WB no músculo.

muscular inclui uma grande quantidade de tecido conjuntivo que substitui as células musculares proteicas que afetam a qualidade da carne.

Diminuir a taxa de ganho de peso da ave pode permitir que os músculos tenham tempo para se desenvolver e se reparar de forma ideal, reduzindo assim a incidência de peito amadeirado. 81

aviNews Brasil Setembro 2020 | Miopatias na carne de peito dos frangos de corte


Como reconhecer peito amadeirado

Um filé normal fica mole quando segurado pela ponta, enquanto o peito amadeirado é duro.

O nível de rigidez pode ser avaliado com base na (na foto, os filés estão posicionados na beirada de uma mesa de inox para

manejo

demonstrar a rigidez).

Fonte: Dr. Owens and Dr. Mallmann, University of Arkansas, Department of Poultry Science

Os filés estão categorizados como:

0 Completamente flexível. 1 Rígido na região craniana, mas flexível no restante.

2 Rígido por toda a região craniana. 3 Extremamente rígido na região craniana e na ponta.

82 aviNews Brasil Setembro 2020 | Miopatias na carne de peito dos frangos de corte

Barbut (2019), mencionou que a classificação é importante para as indústrias, pois os filés com graus baixos de estrias brancas ou peito amadeirado não oferecem problemas no processamento e na comercialização da carne. (destacar)


Atualmente, um número de processadores classifica a carne nas plantas e encaminha os casos graves para operações específicas. A Cobb-Vantress está usando o sistema de

Tender Grading: woody characteristics

classificação (abaixo) ao avaliar a qualidade do filezinho (“Pectoralis minor”).

Tender Grading: grades for feathering/”gaping” Normal (0)

0

1 Slight (0.5)

Slight (0.5, one split)

2

manejo

Normal (0)

Moderate (1) A.R. Jackson and C.M Owens

Moderate (1, multiple splits)

3

A.R. Jackson and C.M Owens

Severe (2, multiple splits, fragile)

83 aviNews Brasil Setembro 2020 | Miopatias na carne de peito dos frangos de corte


Como prevenir o peito amadeirado?

manejo

Barbut (2019) mencionou que pesquisadores e empresas estão analisando a contribuição de fatores genéticos, nutrição, ambiente e manejo na ocorrência destas miopatias (Peito amadeirado e peito espaguete) nos filés de carne de peito.

Por exemplo, um estudo divulgado pelo National Chicken Council (Conselho Nacional do Frango) em 2017 mencionou que, se

Uma preocupação é que as estratégias usadas

somente um terço dos produtores de frango de

para reduzir as condenações para peito

corte nos Estados Unidos mudassem para uma

amadeirado (no campo) podem comprometer

linhagem de crescimento mais lento, seria

o desempenho do frango de corte, o que não é

necessário aproximadamente 1,5 bilhão a mais

economicamente viável.

de aves por ano para suprir a quantidade de carne atualmente necessária.

Atualmente, as causas exatas do peito amadeirado são desconhecidas, no entanto: w Usar uma boa formulação de ração. w Seguir boas práticas de manejo e sanidade conforme prescrito em nossos guias de manejo. Podem reduzir a ocorrência de peito amadeirado.

www.cobb-vantress.com/resource/management-guides

84 aviNews Brasil Setembro 2020 | Miopatias na carne de peito dos frangos de corte


É muito importante que: Certifique-se de que uma boa ventilação

Siga o programa de luz recomendado

e um sistema de resfriamento correto,

pela Cobb. Um programa de luz

estejam atingindo as aves. O estresse

inadequado, poderá criar um ambiente

térmico e as elevadas temperaturas

estressante para os frangos.

corporais das aves causam degradação muscular.

As dietas 100% vegetais (Sem

É importante que as aves, não apresentem

aumentar a incidência de peito

problemas nos pés e pernas, pois se as

amadeirado em comparação com

aves apoiarem o peito sobre a “cama”

aquelas que incluíam farinha de carne

durante longos periodos de tempo, poderá

e ossos, farinha de vísceras e farinha de

prejudicar o fluxo sanguíneo na região

penas.

produtos de origem animal) mostraram

várias vezes ao dia, poderá estimular o movimento das aves, evitando que elas permaneçam deitadas por muito tempo. A nutrição adequada dos pintinhos numa fase inicial, pernas e sistema respiratório saudáveis são todos extremamente importantes. É fundamental, que o pintinho tenha um bom crescimento nas primeiras 2 semanas, pois esta fase de vida das aves é muito importante para o desenvolvimento muscular.

Superdoses de fitase, parecem reduzir o peito amadeirado por meio de uma ação antioxidante. Concentrações mais baixas de lisina

manejo

do peito. Andar lentamente pelo galpão

digestível nas dietas, reduzem a incidência de peito amadeirado. As pesquisas demonstram que os frangos têm uma taxa de crescimento mais alta quando aumentamos os níveis de lisina nas dietas, no entanto, a incidência de peito amadeirado aumentam, também (Cruz et al. 2016; Meloche et al. 2018).

Realize a apanha e transporte das aves o mais rápido possível. Desta forma,

Manter uma boa ventilação e, especificamente, manter os níveis de

reduziremos o estresse das aves.

CO2 no aviário abaixo de 2.000 ppm.

Olhando para o futuro Barbut (2019) mencionou que há vários fatores que afetam a incidência de (WB) Peito Amadeirado, (WS) Estrias Brancas e Peito Espaguete em lotes de frangos de corte. No curto prazo, os produtores já estão engajados em reduzir a incidência destas miopatias, através de modificações das dietas, manejo e até certo ponto através da genética.

As soluções de longo prazo, se concentram na seleção das aves e em entender mais sobre as interações entre fatores ambientais e miopatias. Miopatias na carne de peito dos frangos de corte

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85 aviNews Brasil Setembro 2020 | Miopatias na carne de peito dos frangos de corte


A FORÇA DA

Avicultura

Paranaense

O

reportagem reportaje

estado do Paraná é o maior produtor e exportador de carne de frango do Brasil, o que não é pouca coisa quando falamos do país que é o terceiro maior produtor e o maior exportador mundial de carne de frango. Em 2019, o Paraná foi responsável por cerca de 40% das exportações brasileiras de carne de frango, o que correspondeu a 1,58 milhão de toneladas, e 37,23% da soma das receitas, chegando a US$ 2,56 bilhões. Esses dados são da Secex (Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia).

Informações do Departamento de Economia Rural apontam que a avicultura paranaense concentra 20% do VBP (Valor Bruto da Produção) do Estado, o que equivale a 1/5 de tudo o que é gerado de riqueza no estado.

86 86

nutriNews LATAM 3er Trimestre 2020 | Micotoxinas en carne & productos cárnicos aviNews Brasil Setembro 2020 | A Força da Avicultura Paranaense


De forma direta, o setor emprega 68 mil pessoas e, indiretamente, cerca de 1 milhão de outros postos de trabalho são gerados, segundo apontam dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Estamos falando de 37 abatedouros em funcionamento e 19.969 granjas de frango de corte em operação, além de oito incubatórios. A avicultura já é a atividade mais importante em muitos municípios paranaenses, principalmente na região Norte, tendo forte presença também nas regiões Oeste e Sudoeste, onde divide peso com a suinocultura.

68.476

Empregos diretos (CAGED maio/2020)

19.969

Mais de granjas de frango de corte

1.000.000

Empregos Indiretos

reportagem

Por trás dessa indústria tão forte e promissora está a organização do setor, que há 28 anos é representado pelo Sindiavipar (Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná). Hoje a entidade agrega 45 abatedouros e incubatórios paranaenses, o que significa 93,13% das indústrias avícolas paranaenses.

Organização Sindiavipar

28 Anos 45

Abatedouros e Incubatórios

87 aviNews Brasil Setembro 2020 | A Força da Avicultura Paranaense


Após 18 anos à frente dos trabalhos do Sindiavipar, o advogado Domingos Martins decidiu passar o bastão e o setor elegeu em 28 de julho, por unanimidade, uma nova diretoria liderada, na Presidência, por Irineo da Costa Rodrigues, que é diretor executivo da Lar Cooperativa Agroindustrial; e na Vice-presidência, por José Antônio Ribas Junior, que é diretor da Seara Alimentos e presidente da Associação Catarinense de Avicultura. ERATIVA

OP FOTO: LAR CO

Desafios

reportagem

Entre os principais desafios hoje postos à avicultura paranaense, Irineo Rodrigues destaca a questão logística. Segundo ele, a ferrovia na região Oeste do Paraná é muito deficiente e, para chegar ao Porto de Paranaguá, os produtos que são enviados para exportação precisam percorrer cerca de mil quilômetros de rodovias em caminhões.

Irineo é engenheiro agrônomo, atuou na chefia regional da Acarpa, atual Emater-PR (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural). Foi presidente da Sudcoop (atual Frimesa), diretor na Confepar AgroIndustrial, na Credifronteiras – Sicredi Medianeira e na Cotrefal da Coodetec.

A questão logística interfere ainda em um outro problema que afeta a avicultura paranaense e de todo o sul do País, que é o alto custo dos grãos utilizados para a alimentação animal, notadamente o milho.

Além da presidência da Lar Cooperativa, preside também a Cotriguaçu e é membro do Conselho Diretivo da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) e do Conselho de Administração da Gazin. Para Irineo, o setor avícola é muito importante para o Paraná que, por sua vez, representa muito no Brasil em termos de avicultura.

89 aviNews Brasil Setembro 2020 | A Força da Avicultura Paranaense


Reforma Tributária A Reforma Tributária é um outro aspecto destacado pelo novo presidente do Sindiavipar. Especificamente, no que se refere ao ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias) que afeta os estados que precisam buscar grãos, principalmente milho, no Centro Oeste do país.

Para ele, cumprir esse papel poderá tornar-se inviável aos órgãos oficiais ante as perspectivas de crescimento da avicultura e da suinocultura brasileiras.

“Nesse ponto, além dos custos com o frete vem o ICMS, gerando um crédito que não se consegue utilizar”, destaca Irineo. “Então, a reforma tributária é urgente para o setor também”, completa.

reportagem

O executivo defende que a criação de linhas de crédito aos pequenos abatedouros para a aquisição de grãos em épocas de altas nos preços seria uma importante iniciativa para o setor.

“A Inspeção Federal é reconhecida, muito competente e é parceira da avicultura brasileira”, salienta Irineo.

Autocontrole A valorização do autocontrole na inspeção oficial de frangos é outro desafio a ser vencido pelo setor, segundo Irineo, em âmbito nacional. O presidente do Sindiavipar explica que, atualmente, apenas Brasil, Argentina e Uruguai mantém a inspeção oficial antes e após a linha de abate.

90 aviNews Brasil Setembro 2020 | A Força da Avicultura Paranaense

“Mas é notório que o Brasil vai aumentar a produção da avicultura e da suinocultura, sendo que o país não terá como manter um quadro à altura da expansão da área frigorífica do país”, completa.


Sanidade e Imagem

“Nós estamos, de certa forma blindados a partir da parceria do setor produtivo com o Serviço Público, que faz um trabalho excelente”, salienta o presidente do Sindiavipar. “Mas deve continuar sendo uma preocupação para não vermos nossos rebanhos atingidos por essas enfermidades”, completa.

Outra causa a ser abraçada conjuntamente pelo setor, segundo Irineo, é a defesa da imagem do agronegócio brasileiro.

A dedicação do setor ao enfrentamento à COVID-19 deverá refletir de forma positiva na imagem do setor de proteína animal, segundo o empresário. Ele destaca que apenas no Paraná, a indústria avícola investiu aproximadamente, já nos meses iniciais da pandemia, R$100 milhões para proteger seus colaboradores, além do fato de ter gerado mais empregos e ter mantido o mercado abastecido com alimentos.

“É uma cadeia produtiva muito complexa, então foi preciso que todo mundo se desdobrasse para o enfrentamento dessa pandemia”, ressalta. “Nunca se debateu tanto a respeito dos frigoríficos, da produção de alimentos e isso possibilitou passar à opinião pública que o Brasil, mais que uma plataforma importante de produção de alimentos para o mundo, é uma plataforma de produção de alimentos seguros e de qualidade”, conclui.

reportagem

Blindar o país contra a Influenza Aviária e a Peste Suína Africana deve continuar ocupando grande espaço entre as preocupações de todo o setor brasileiro, segundo Irineo.

“Nós devemos nos somar, associações estaduais e ABPA, para criar uma agenda comum de cooperação e ter essa bandeira de defesa dos mercados de interesse do nosso país”, salienta. “A nossa agricultura não é construída sobre a depredação”, conclui.

91 aviNews Brasil Setembro 2020 | A Força da Avicultura Paranaense


Nova Diretoria Em seu primeiro mês de trabalho, a nova diretoria do Sindiavipar cumpriu uma agenda de visitas a órgãos governamentais e instituições empresariais que têm relação direta com o setor avícola. Nos primeiros 25 dias de trabalho, nove visitas oficiais foram realizadas, entre as quais está um encontro com o governador do estado, Carlos Massa Ratinho Junior.

De acordo com o presidente do Sindiavipar, as primeiras movimentações de trabalho com os principais atores da economia paranaense visam uma prioridade que será a marca registrada da nova gestão: fomentar a atividade avícola, gerar aproximação com os associados e defender os interesses de toda a cadeia produtiva que integra o setor avícola.

LEAL/AEN

reportagem

FOTO: RODRIGO FELIX

Junto com Irineo e José Ribas, assumem a nova diretoria do Sindiavipar, Rafael Santos como Secretário e Roberto Kaefer exercendo o cargo de Tesoureiro. O Conselho Fiscal Efetivo será constituído por Alfredo Lang, Gerson Muller e Adroaldo Paludo, sendo os novos suplentes do Conselho, Dilvo Grolli, Valter Pitol, Sidnei Donizete Bottazzari, Ciliomar Tortola, Ricardo Chapla, Hugo Leonardo Bongiorno e Fabio Stumpf. A Força da Avicultura Paranaense

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92 aviNews Brasil Setembro 2020 | A Força da Avicultura Paranaense


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