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mundo h. 35 JUL.AGO.SET. 16

Ano8 0,70€

MOÇAMBIQUE O LANCHE ESCOLAR A CRESCER; ESPECIAL 1 DE JUNHO O DIA MAIS ESPERADO DO ANO; S. TOMÉ BALANÇO PANMI; PORTUGAL COLABORAÇÃO COM ESCOLAS PORTUGUESAS; ESTÓRIAS ESCOLA - MAR DE OPORTUNIDADES; QUEM HELPA APOIO NOVABASE; MAIS DO QUE PADRINHOS MADRINHA NO TERRENO; IMAIS NOVAS PARCERIAS.


ÍNDICE 3

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EDITORIAL

companhia do lenço.

é preciso continuar. 17

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MOÇAMBIQUE o ângulo do sorriso. 6

ESPECIAL 1 DE JUNHO

QUEM HELPA? nova base - janela de oportunidades. 18

MAIS DO QUE PADRINHOS aventura dos sorrisos contra as adversidades.

1 de junho: uma festa ímpar. 20 10

S. TOMÉ E PRÍNCIPE 4 anos de PANMI.

IMAIS o Dom do Faial. segundas oportunidades.

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monteiros do Norte.

PORTUGAL

parceria com os The Rotaract.

a minha escola helpa - a helpo nas escolas nacionais.

nova casa para a Helpo a Norte! voluntariado UPS.

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ESTÓRIAS regressar onde nunca se esteve.


EDITORIAL

É PRECISO CONTINUAr. Colares, Isabel Worm

R

ecentemente cruzei-me com o vídeo que está disponível online da entrega do Emmy a Viola Davis, a primeira mulher negra a receber este galardão pelo seu brilhante papel na série televisiva de grande sucesso ‘How to get away with murder’. Impressionou-me o seu discurso, sobretudo a frase, traduzida à letra (referência que faço sobretudo porque odeio o termo ‘de cor’): ‘o que separa as mulheres de cor de qualquer outra pessoa, são as oportunidades’. Não posso estar mais de acordo com esta mulher lindíssima, que continua, tal como eu, a sonhar com o fim das diferenças de raças ou credos num mundo que mais parece estar a enlouquecer... São estas oportunidades que a Helpo continua a criar no seu trabalho diário e quase sempre pouco fácil, em países como São Tomé e Moçambique. ‘Ensinar a pescar em vez de dar o peixe’ é, sem dúvida, o melhor princípio para criar oportunidades onde ainda há tanto por fazer. Consegui-lo de forma dedicada, séria, honesta e estruturada, não é, infelizmente prática de todas as ONGD. Ter estado como voluntária no terreno, entre Nampula e a Ilha de Moçambique, durante 5 semanas, uniu-me para sempre (espero), à Helpo e deu-me a certeza e uma imensa vontade de continuar a colaborar neste projeto ímpar. O convite para fazer parte da Direção da Helpo foi, por isso, a melhor prenda que recebi no último Natal. É na condição de membro dessa direção que hoje, pela primeira vez, colaboro neste Editorial de mais um número da revista ‘mundo h’ onde

tantas histórias de pequenas grandes vitórias nos chegam a casa, uma vez mais, daquelas terras distantes, mas também do trabalho que nunca é descurado ‘dentro de portas’ nos projetos desenvolvidos junto da nossa sede, no Bairro das Fontaínhas, em Cascais, com crianças, também aqui, desfavorecidas. Que melhor exemplo poderíamos ter para fundamentar o princípio de que falei, do que o que nos chega de Nampula pelas linhas do Carlos Almeida – O ângulo do sorriso. A Helpo permitiu, com a viabilização da construção de um forno de pão, que estas crianças não só continuassem a ter o seu lanche escolar, quantas vezes única refeição que recebem durante todo o dia, mas também adquirissem os conhecimentos de como o fazer, de como ganhar mais uma apetência que, quem sabe, não lhes poderá mudar a vida, o futuro, quebrando o que tantas vezes parece ser destino. É preciso continuar a trabalhar, continuar a acreditar, continuar a procurar mais meios, mais padrinhos, mais ‘escolas para Helpar’, mais ‘Novabase’s. É fundamental que todos nós possamos deixar ‘cá’ uma marca num mundo que queremos melhor. Não podemos baixar os braços e achar que as nossas pequenas ajudas não fazem diferença. Naqueles países onde tudo está por fazer, são afinal tantas as oportunidades que podemos criar com uma mão cheia de ‘pequenos nadas.’


MOÇAMBIQUE

o ângulo do sorriso. Nampula, Carlos Almeida

H

á sempre maneiras diferentes de olhar para uma mesma situação. As fotos, que ilustram este artigo, podiam ser sobre uma história de crianças maltratadas, sobre crianças a realizar trabalhos forçados ou sobre infâncias perdidas. Felizmente, estas imagens, depois de devidamente enquadradas, contam uma história bonita, que nos deixa com um sorriso nos lábios. O projeto do ‘Lanche Escolar’ da Helpo, começou na comunidade de Mahera, em 2011, e o que no início era uma atividade que trazia uma motivação extra aos alunos da escola, além de ajudar a combater os elevados níveis de desnutrição crónica, começou, aos poucos, a ser um projeto assumido pela Direção da Escola e por toda a Comunidade. O lanche, distribuído uma vez por semana, é totalmente operacionalizado pela Direção da Escola e alunos e alunas da 7ª classe. A farinha de trigo era adquirida e entregue pela Helpo ao padeiro da aldeia, que fazia o pão e era pago em farinha; também era entregue sumo em pó e desinfetante para a água, bem como doce para colocar no pão. Os alunos mais crescidos receberam formação para distribuir o lanche pelos seus colegas mais novos, foram tidos em conta os cuidados de higiene, pois sem lavar as mãos, ninguém tem direito a lanche! Foi uma alegria para os cerca de 600 alunos da escola! No ano passado, surgiu um problema que poderia ter posto em causa todo o projeto. O padeiro da aldeia deslocou-se para outro lado, uma situação recorrente no Norte de Moçambique, onde as pessoas se deslocam muito em busca de melhores condições. O Diretor da Escola, o Professor Nino Valério, não viu o problema, mas sim a oportunidade e apresentou uma solução: a Escola iria construir um forno, seria dada uma capacitação aos alunos finalistas para a produção do pão e o lanche não ficava em causa. A Helpo agarrou essa ideia e ajudou com a entrega de cimento para a base do forno e chapas para a cobertura. Neste momento o projeto corre de vento em popa e os alunos que contribuíram para a construção do forno e continuam a ajudar sempre que é


No Dia da Criança Africana, 16 de junho, a Helpo lançou um presente solidário, desafiando padrinhos e amigos a oferecer um lanche escolar às crianças que apoiamos em Moçambique. Superando todas as expetativas, conseguimos angariar o valor para a oferta de 471 lanches escolares (471€). Agradecemos a todos os que prontamente aderiram a esta iniciativa! Aos que ainda gostariam de apoiar, poderão continuar a fazê-lo, com uma contribuição a partir de 1€. A Helpo estendeu o lanche escolar a mais duas escolas, em Matibane e Murrothone, permitindo alargar o número de beneficiários que receberão este apoio. Ajude-nos a manter este projeto vivo! Dados bancários: IBAN – PT50 0010 0000 3483 3480 0032 8. Enviar comprovativo do donativo para info@helpo.pt, mencionando o projecto do Lanche Escolar.

preciso alguma manutenção, fazem-no com a certeza que estão a fazer um trabalho altamente valioso para toda a comunidade. Simultaneamente, estas crianças sentem-se valorizadas por estar a aprender a fazer pão, que poderá ser uma forma de conseguir rendimento no futuro. Na última formação de animadores em Nampula, este projeto foi apresentado como exemplo de boas práticas da Província de Cabo Delgado e o bom resultado já veio: duas comunidades já puseram mãos à obra e já foram feitos fornos em Murrothone e Natchetche, onde a boa dinâmica e a necessidade da comunidade vai obrigar a Helpo a expandir o projeto, juntando-se assim a Matibane, que também já recebe o seu lanche, estando projetada a construção de um forno próprio. Em Mahera, tal como em muitas outras comunidades no norte de Moçambique, as crianças fazem trabalhos, que em Portugal seriam considerados demasiado pesados. Neste caso, a construção do forno, a construção de salas de aula em material local, tarefas de limpeza e tudo o que seja necessário. A verdade é que estas crianças estão inseridas numa realidade bastante mais cruel do que aquela a que estamos habituados. Crianças de to-

das as idades têm de tomar conta dos irmãos mais novos e é normal vê-los a carregá-los às costas com um sentido de responsabilidade que dá que pensar. Ir buscar água, por vezes a distâncias superiores a 5km, ir ajudar os pais na colheita da machamba, fazem parte desta dança com a sobrevivência. Ao trabalhar para o bem de toda a comunidade escolar, estas crianças adquirem um sentimento de pertença pela sociedade e estão a ser preparadas para a vida futura, onde o papá e a mamã não podem dar uma ajuda como no mundo ocidental acontece. O Diretor da Escola de Mahera acredita que estes trabalhos fazem as crianças crescer de uma forma mais saudável. Nós acreditamos que as crianças devem ser crianças, mas quando a realidade é ser-se forçado a deixar de estudar em idades impensáveis, tudo o que prenda estes jovens à escola só pode ter um resultado positivo. Meninas que só serão mães quando deixarem de ser meninas e rapazes e raparigas, que só deveriam ser pais, quando tivessem a sua formação concluída. Tudo depende do ângulo de onde olhamos. Acreditamos que, deste ângulo, seja possível ver um sorriso e a certeza de um futuro (um pouco) melhor.


ESPECIAL 1 DE JUNHO

1 de junho: uma festa ímpar. MOÇAMBIQUE, INÊS FAUSTINO Num país, onde mais de metade da população são crianças (as mais de 12 milhões de crianças moçambicanas constituem metade da população do país), viver o dia 1 de junho é presenciar uma festa ímpar, uma das maiores festividades anuais. Embora não o seja, podia perfeitamente ser feriado, porque as comunidades param e toda a população se mobiliza para este tão esperado dia, principalmente e especialmente as crianças. Na cidade, sente-se no ar a azáfama deste dia já durante os que o antecedem. As lojas de vestuário e de produtos alimentares enchem-se de

pessoas. As roupas e os sapatos das crianças são minuciosamente escolhidos pelos pais, dentro das possibilidades de cada família, para que, neste dia, os seus filhos possam colocar a melhor indumentária. Os cabelos negros das meninas exibem as melhores tranças entre as mais bonitas e coloridas contas e elásticos num espectáculo de arte e cor. Mais do que oferecer um brinquedo a cada criança, aqui, principalmente nas famílias menos abastadas (a esmagadora maioria), a preocupação dos pais é a de vestir a melhor roupa possível aos seus filhos e a de lhes proporcionar a refeição mais completa neste dia. As crianças vão à escola, como habitualmente o fazem, mas já sabem que vão encontrar algo de especial. O dia 1 de junho é o dia do ano mais esperado pelas crianças moçambicanas em idade escolar. As escolas preparam uma jornada diferente, com atividades, algumas desportivas, e com o mais importante, um lanche ou um almoço! Os sorrisos e alegria destas crianças são indescritíveis. É o dia delas! Vivem o primeiro semestre escolar à espera desta festa, como se de um prémio de frequência escolar se tratasse. Infelizmente, e este é um grande problema da comunidade escolar, após o 1 de junho muitas das crianças que estudam, principalmente as do ensino primário, deixam de ir com tanta frequência às aulas, algumas delas abandonando mesmo a escola. É uma realidade preocupante aqui em Moçambique, na qual se tem trabalhado para que haja mudança de hábitos. A Helpo, nas comunidades escolares onde trabalha, tem um papel importante nesta mudança. Com a nossa presença mensal e a distribuição de material escolar e de outros produtos tentamos, também, motivar as crianças a estudar e a mostrar-lhes que a escola continua. Esta é uma altura em que a Helpo recebe muitas solicitações por parte das escolas das comunidades onde trabalha. Na província de Nampula, normalmente o apoio pedido traduz-se em géneros alimentícios para lanches. Nas comunidades mais rurais e isoladas, como Murrupula, onde raramente chegam outras organizações, a presença da Helpo é a certeza de que, no dia 1 de junho, as crianças podem ter uma refeição melhorada (almoço e lanche) e muita brincadeira. Para além deste apoio dado às escolas que o


solicitaram, as escolas primárias e secundárias da província de Nampula onde a Helpo trabalha, receberam camisolas de equipa e bolas de futebol para as atividades desportivas deste dia. A par destas festividades escolares, preparam-se outras a nível provincial e mesmo nacional. Todo o país festeja e se organiza em grandes comemorações. A Província de Nampula foi a escolhida este ano para receber a Primeira-dama, a mamã Isaura Nyusi, e a sua comitiva nas comemorações nacionais do dia 1 de junho, com o tema ‘Com a paz e a estabilidade social, protegemos os direitos das crianças’. O programa das comemorações estende-se por vários dias, em que são visitados vários distritos, as suas escolas e instituições, e culmina no dia 1 de junho com uma grande comemoração transmitida em direto pela televisão nacional. A organização das comemorações fica a cargo da Província que recebe o evento, desta feita a Direção Provincial do Género, Criança e Acção Social (DPGCAS) de Nampula. A DPGCAS, com quem trabalhamos estreitamente, pediu a nossa colaboração nestas comemorações através da entrega de pastas Helpo com um livro de leitura infantil e material escolar, e fez o convite para estarmos presentes no dia 1 de Junho e acompanhar a comitiva da Primeira-

-dama em Ribàué, no distrito de Ribàué, o local escolhido para a grande festa. Foi pedida também a nossa colaboração em enxovais, para a Primeira-dama entregar neste dia, durante a visita ao Hospital distrital, aos primeiros bebés nascidos no dia 1 de junho. Toda a população de Ribàué se concentrou no centro da Vila. Líderes tradicionais, vestidos a rigor, na tribuna à esquerda da tribuna principal, um grupo de crianças das escolas de Ribàué em frente à tribuna principal, uma banda e grupos culturais infanto-juvenis locais a postos no palco lateral, a rádio e a televisão de Moçambique, todos aguardavam, entre as decorações em tons da bandeira nacional que alegravam o local, a chegada da comitiva da Primeira-dama, onde estiveram presentes da parte da Helpo, a nossa Coordenadora Geral, Joana Clemente, o Coordenador de Moçambique, Carlos Almeida e a Diretora do programa de Nampula, Inês Faustino. Um dia importante para todos, para um país, que quer cuidar melhor das suas crianças, para as famílias, que querem o melhor para os seus filhos, mas, sobretudo, para as crianças, que vivem com muita alegria e felicidade este dia.


ESPECIAL 1 DE JUNHO

SÃO TOMÉ, KYRIAN OPSTAELE Uma verdadeira estreia, é o que representa a comemoração do Dia Internacional da Criança para a nova equipa da Helpo em São Tomé e Príncipe. Tantas são as histórias, que nos foram contadas, umas mais coloridas do que outras, todas testemunhas de que este Dia na nossa ilha tem a mesma importância, ou até maior, que o Natal em Portugal. Ansiosamente, iniciámos a preparação do nosso 1º de junho. As encomendas para as refeições: coxas de frango (coxa rija, como os santomenses gostam), bebidas, lanches e bolachas, foram feitas nos negócios locais e os presentes para as crianças foram pedidos à Helpo, em Portugal, que rapidamente tratou da logística do envio dos bens por barco, avião ou simplesmente por boleia, para chegar a tempo da festa! Com o dia a aproximar-se, sentimos uma alteração positiva no ambiente, assim que os nossos colaboradores e parceiros começaram a tirar dias de folga para comprar roupa para os filhos ou para arranjar os seus cabelos. As ruas apresentam-se mais alegres, não só pelos ornamentos, mas sobretudo pelas crianças.

As meninas trazem centenas de elásticos coloridos nas tranças, resultado de muitas horas de trabalho nas mãos das suas mães. A nossa equipa de nutrição, responsável pelo PANMI (Programa de Acompanhamento Nutricional Materno-Infantil), tratou da entrega dos presentes nos dias prévios ao Dia da Criança, uma vez que foi alertada para o facto de que as mães provavelmente não iriam marcar presença nas consultas nesse dia, para assistirem às festividades na escola ou creche da comunidade. Graças à generosidade dos nossos padrinhos e aos donativos de outras pessoas, que carregam a Helpo no coração, conseguimos entregar a cada criança um kit com uma peça de roupa e um brinquedo, pensados individualmente para cada criança. As festividades decorreram nas escolas e creches. Para conseguirmos estar presentes em todos os sítios, onde a Helpo presta apoio, dividimo-nos em 2 equipas: uma equipa para assistir às atividades nas escolas e creches de Monte Café, e a segunda equipa deslocou-se, em transportes públicos, para a creche e escola de Santa Catarina. Chegando cedo, pela manhã, o olhar profissional das nutricionistas aprova o almoço que está a ser preparado


pelas cantineiras, com o apoio de algumas mães. O menu do dia é composto por coxas de frango com arroz, acompanhadas por hortaliças e legumes, produzidos na horta escolar, desenvolvida com o apoio da Helpo. Ao mesmo tempo que os educadores, professores e pais finalizam os últimos arranjos de decoração, as crianças vão chegando. As meninas parece que vêm para participar num concurso de beleza e os meninos vestindo o seu melhor fato e gravata. O Dia da Criança arranca oficialmente com o hino nacional, cantado na perfeição, seja por miúdos ou graúdos. Nervosas, mas com muita convicção, as crianças apresentam as suas danças e os mais pequenos participam em atividades recreativas. Em seguida, a equipa da Helpo procede à entrega das lembranças a todas as crianças da comunidade. Ao meio-dia, os pais começam a chegar. Distribui-se a refeição pelos adultos e cada um tem direito a um bolo. Os pais e educadores aproveitam o convívio para partilhar novidades e histórias das crianças. Com a barriga cheia e o corpo revitalizado, aumenta-se o volume do rádio, convidando pais, crianças, educadores, professores e diretores a juntarem-se à festa. Aí se revelou que o Dia da Criança não é unicamente para as crianças, mas para todos! É um dia de alegria e festa, mas também de solidariedade e convívio. É um dia em que todos encontramos a criança que está dentro de nós!

Para que o 1 de junho em São Tomé se mantivesse como um dia indescritível na memória das crianças e respondendo ao apelo do Coordenador Nacional da Helpo em S. Tomé, a Helpo em Portugal moveu todos os esforços para fazer chegar, antes do dia 1 de junho, lembranças para serem entregues às crianças. Entre elas, brinquedos, discos de praia e kits de higiene oral. Mas o nosso esforço seria em vão se não conseguíssemos enviar os bens para São Tomé atempadamente. A TAP e a ALSHIP responderam positivamente ao nosso desafio, oferecendo à Helpo espaço no avião e contentor, respetivamente, para o envio dos referidos bens. Mais de 30 caixas e 370kg. O que seria de um dia tão importante, que leva as meninas a ir ao “cabeleireiro” e os meninos a vestir a sua melhor roupa, sem uma lembrança que sinalize o facto de ainda serem crianças e terem o direito a brincar! Em nome das meninas de cabelo entrançado e dos meninos de gravata, o nosso MUITO OBRIGADO pelo apoio!




SAO TOMÉ E PRÍNCIPE

4 ANOS DE PANMI! Elisabete Catarino e Margarida Lopes O PANMI acompanha, através de consultas de nutrição, em ambulatório ou em internamento, mães e crianças dos 0 aos 5 anos, malnutridas ou expostas a risco de malnutrição, prestando aconselhamento, apoio alimentar e nutricional terapêuticos, e monitorizando e registando a evolução do estado de saúde dos beneficiários, até que o risco de malnutrição ou a malnutrição tenham sido eliminados. O PANMI está a atuar no distrito de Cantagalo, em São Tomé e Príncipe e completou, este mês de maio, 4 anos de trabalho! A todos os que têm abraçado este projeto, o nosso maior obrigado!

42

comunidades

6121

consultas de nutrição

2558 crianças 239

crianças que receberam apoio alimentar

79

padrinhos de projeto

8

estágios de longa duração

10

sessões teóricas de educação alimentar com cuidadores




12 9 sessões de capacitação

sessões práticas de educação alimentar com cuidadores

com a equipa de saúde

39

internamentos de casos graves de desnutrição

262

equipas móveis às comunidades sem posto de saúde

12 materiais de

comunicação construídos e difundidos

Incontáveis sorrisos!




PORTUGAL

a minha escola helpa - a helpo nas escolas nacionais. Algés, Ondina Giga

A minha escola Helpa” é o programa de colaboração entre a Helpo e as escolas nacionais (jardins de infância, escolas básicas e escolas secundárias), que decorreu no ano letivo que agora terminou em Portugal - 2015/2016. A colaboração com as escolas é uma história antiga na vida da Helpo. Os exemplos têm sido muitos, desde escolas que se tornaram madrinhas através do PACD - Programa de Apadrinhamento de Crianças à Distância, às que frequentemente promovem campanhas de recolha de material (material escolar, livros ou leite em pó, entre outros bens), e àquelas que permitem divulgar o trabalho feito em Moçambique e São Tomé e Príncipe à comunidade escolar onde estão inseridas. Em todos estes casos, o apoio que a Hel-

po tem recebido destes estabelecimentos de ensino ao longo dos anos, tem sido extraordinário e foi na sequência do mesmo que surgiu o programa “A minha escola Helpa”. Através dele, tentamos consolidar as colaborações que já vinham sendo desenvolvidas, propondo às escolas um pacote adaptável de atividades, onde também se inserem aquelas que pretendem auxiliar os professores na transmissão de conhecimentos sobre realidades distintas aos seus alunos, aproveitando o conhecimento que a Helpo, enquanto Organização Não Governamental para o Desenvolvimento em Moçambique e São Tomé e Príncipe, tem adquirido ao longo dos anos. São as Sessões para o Conhecimento, que podem abordar temas diferentes, de acordo com o público-alvo e com o

programa que a escola ou o professor tem em curso. A história de uma menina moçambicana, com detalhes sobre o seu dia a dia, a sua casa, a sua escola, a estrada que percorre, as tarefas domésticas que lhe estão destinadas, a alegria com que brinca com os amigos, mesmo que os brinquedos sejam apenas bolas feitas com plásticos, carrinhos de madeira, ou o modular da própria terra do chão, destina-se aos alunos mais pequenos e é contada recorrendo a fotografias. Os números que retratam a educação nestes dois países distantes, retrato esse também tão distante do que estamos habituados a ver, como a baixa percentagem de alunos que, apesar de frequentar a 3.ª classe, nem sequer reconhece as letras, a




generalizada escassez de materiais escolares ou, em contraste com esta falta, o elevado número de quilómetros a serem percorridos a pé entre a casa e a escola, são apresentados aos alunos mais crescidos, numa abordagem positiva e motivadora. Os números utilizados dizem-nos que cada jovem moçambicano, que frequenta o Ensino Secundário, é um lutador empenhado em continuar os estudos, na justa crença de que só assim os dias de amanhã poderão ser mais fáceis. É com esse empenho na busca de um futuro melhor, que pretendemos contagiar os jovens que assistem a estas sessões. Também o Programa de Acompanhamento Nutricional Materno-Infantil em São Tomé e Príncipe (PANMI) é abordado nestas sessões, tendo sido apresentado em algumas escolas com a presença da nutricionista Elisabete Catarino e, como ponto de partida para campanhas de recolha de leite em pó, destinado às crianças santomenses apoiadas pelo PANMI. Complementando a informação transmitida nas sessões, são realizadas dinâmicas de grupo, que abordem os temas da multiculturalidade e dos direitos das crianças, moderadas pela psicóloga Carolina Marques. As escolas, com as quais colaboramos, respondem de forma diferente, de acordo com a sua própria realidade e projetos definidos para o ano letivo, fruto também da motivação de cada um dos professores/ diretores envolvidos. Os apoios que recebemos das mesmas foram desde as recolhas de material (exemplo das recolhas de material escolar pelo Jardim de Infância

Tutor T e pelo Externato São Cristóvão, de leite em pó pelo Agrupamento de Escolas de Vialonga, e pelo Colégio Marista de Carcavelos, de livros escolares pelo Agrupamento de Escolas do Forte da Casa), ao apadrinhamento de uma criança ou de uma turma (exemplo do Agrupamento de Escolas D. Pedro IV, em Vila do Conde). Importa salientar que, se no início das colaborações são os professores e os diretores das escolas a porem a sua energia nas mesmas, em muitos destes casos, são os próprios alunos que, contagiados pelo entusiasmo dos professores e pela importância das atividades que podem realizar, abraçam cada uma das propostas e levam as ações a cabo, sob iniciativa própria e com um empenho extraordinário. “A minha escola Helpa” está, assim, para continuar no próximo ano letivo, para o qual temos elevadas expetativas de crescimento.

Escolas com as quais colaborámos no ano letivo 2015/1016: - Externato S. Cristóvão – Lisboa; - Agrupamento de Escolas de Monforte; - Agrupamento de Escolas de Vialonga; - Escola Secundária Leal da Câmara – Rio de Mouro; - Escola Secundária do Forte da Casa; - Colégio Infanta D. Maria – Portela de Sintra; - Colégio Marista de Carcavelos; - Escola Básica e Secundária Mestre Domingos Saraiva - Algueirão; - Escola Secundária de Salvaterra de Magos; - Creche e Jardim de Infância Tutor T Lisboa; - Agrupamento de Escolas D. Pedro IV Vila do Conde;




ESTÓRIAS

regressar onde nunca se esteve. Cascais, Joana Lopes Clemente

H

á capítulos, que parecem repetir-se: começar sempre da mesma forma, um visto, um bilhete de avião, um voo, uma escala e a chegada a terras africanas. O pico do Inverno moçambicano à minha espera e quase nada na bagagem, a não ser uma agenda cheia de dias intensos, projetos por visitar, ideias por partilhar e muita, muita informação por recolher. Perdi a conta ao número de vezes, que a rotina laboral me levou a fazer esta viagem, a pôr os pés em comunidades cujos nomes me são tão familiares como recordações de infância e, no entanto, a realidade acaba sempre por encontrar formas de me surpreender, por revelar novos sabores a novidade e nos presentear com momentos que nos remetem para o sonho e nos alimentam a vontade de continuar. Independentemente das notícias dos jornais e, sobretudo, da falta delas. Da dívida externa do país, dos ataques aos transportes na estrada que liga o país de norte a sul, dos campos de refugiados a escassos quilómetros da fronteira. Desde que estejam do lado certo (o lado de fora).

A paz e a estabilidade são um fator de preocupação latente. Discreto, mas constante. A subida vertiginosa dos preços, a dança doida da variação cambial, o número e sobretudo os locais onde se vai sabendo atacado um transporte de mercadorias e pior, de passageiros. Tudo parte de uma circunstância, que obriga a deitarmo-nos com o desenho de um plano B em mente e acordarmos com a resiliência necessária para o colocar em papel. Mas o que vi, o que visitei e, mais importante, o que experienciei, é fundamentalmente uma realidade quase alheia à maioria destas inquietações. Indiferente a jornais, à falta de salários, à subida dos preços nos supermercados. Em Matibane, em Mahera e em todas as aldeias espalhadas por aquele imenso território disperso e rural (contexto que acolhe 70% da população do país), que só ganham nome quando alguém o pronuncia na comunicação social, não há planos alternativos! Não há Bs, nem Cs, porque na maioria dos casos, nem sequer há um A! O plano é o estreito carreiro que a vida permite percorrer, com pouquíssimas alternativas a povoar os dias. Sonhar com quê? Para sonhar, há que conhecer, que vislumbrar, que imaginar um universo diferente. E para estas gentes, isso não existe, nem no mais recôndito bocadinho de alma. Aqui, a escola não serve, muitas vezes, para aprender o que consta do conteúdo programático. Os 80% de absentismo escolar, que se regista por parte dos professores, no Norte do país, não ajuda a isso. Mas a escola, ainda assim, e à luz deste contexto, é um mar de oportunidades: aquela que vem no topo da lista é a de adiar a entrada na idade adulta; a de poder atrasar a idade do casamento, do primeiro filho. Depois, a de tomar contacto com a língua oficial do país e, na melhor das hipóteses, conseguir aprender a dominá-la. É com base neste princípio, que a Helpo constrói a sua relação com as comunidades, através da escola: lecionar sobre nutrição, segurança alimentar, comportamentos preventivos, pedagogia, prevenção rodoviária; distribuir lanche escolar, material escolar, material de primeiros socorros e higiene, material desportivo e brinquedos, agasalhos; construir edifícios escolares, bibliotecas,




sistemas de aproveitamento de águas…estas são as nossas formas de procurar proporcionar às crianças das comunidades onde trabalhamos, um plano A. Mais uma partida, mais uma chegada, mais um embrenhar-me naquela realidade, que diariamente penso, e mais uma constatação desesperadamente verdadeira: não há fórmulas mágicas para estes milhares de crianças. Simplesmente, não há! No dia 6 de junho, às 6:30h fizemo-nos à estrada para uma longa jornada de acompanhamento do andamento dos trabalhos em várias comunidades apoiadas, em Cabo Delgado. Chegados a Mahera, deparámo-nos com um cenário desolador. Professores e alunos faltavam em números gordos, demasiado gordos. Numa turma de 50 crianças, 7 eram aquelas que tinham vindo até à escola e que assistiam a uma aula. Numa comunidade onde a Helpo já construiu, equipou, à qual forneceu água, na qual há distribuição de lanche escolar semanalmente, além dos tradicionais apoios em material escolar, primeiros socorros, brinquedos…os professores repetem que, a partir de quarta-feira, vão às casas sensibilizar as famílias; que, depois do 1 de Junho* houve muita dispersão, o que é natural. Nós repetimo-nos que é uma comunidade difícil, que as crianças faltam à escola para vender hortícolas ou trabalhar nas minas que, desde que começaram a ser exploradas, tiveram um efeito nefasto na comunidade escolar. Mas as justificações racionais, não aliviam o aperto no coração, o nó na cabeça. Seguimos viagem e paramos em Silva Macua, algum tempo

depois. Ouvimos o agente comunitário, interlocutor da Helpo na comunidade, falar sobre os problemas e oportunidades da escolinha, vemos as crianças a aprender as letras, planeamos a entrega da alimentação às crianças e avaliamos o estado dos edifícios construídos por nós para acolher o serviço de creche. E avançamos para a escola primária. Quando pomos o pé no recinto escolar, o contraste com Mahera é gritante e surpreendentemente animador: as salas estão a abarrotar de alunos, os professores estão concentrados na sua atividade! Confrontamos o diretor da escola com esta agradável visão e não poderíamos ter uma resposta mais reconfortante: depois do início do apoio da Helpo, especialmente da distribuição do lanche escolar, as crianças e os professores afluem em grande número! Não há, de facto, fórmulas mágicas e não podemos deixar que a imaginação se esgote até termos identificado as atividades que causam maior impacto, em cada comunidade. Sabendo que cada uma é única e que se transforma consoante a realidade em que se insere. Sabendo que teremos que estar sempre preparados para reconhecer o que nos é familiar, e para nos adaptarmos ao que é novo. Sabendo que nunca haverá duas comunidades iguais ou dois momentos que se repetem e que, por isso mesmo, não haverá o mesmo resultado para a mesma atividade, em locais que são diferentes entre si! Como cada viagem, cada comunidade implicará um processo específico e exigente e nós estaremos sempre de malas aviadas para embarcar nele e esperar pelo resultado!

*em Moçambique, as comemorações do 1 de Junho são extremamente importantes e em muitas comunidades mais isoladas, a partir desta data dá-se uma debandada geral dos alunos e o absentismo escolar sobe em flecha!




ESTÓRIAS

companhia do lenço. Ilha de Moçambique, Mariana Ferreira

O

ator português Ângelo Rodrigues viajou, através da Helpo, para o Norte de Moçambique, por um período de duas semanas, a fim de colaborar na capacitação de alunos, educadores e monitores na área do Teatro. As atividades decorreram na Ilha de Moçambique, no Centro Infantil da Ilha de Moçambique, no âmbito do projeto do Cluster da Cooperação Portuguesa do Camões ICL e no Centro de Atividades Infantis (CAI), de ensino primário e secundário. Este contacto foi feito por iniciativa do ator e como é uma área de interesse para a Helpo, na qual já tínhamos recebido apoio da nossa madrinha, Joana Solnado, com uma experiência bastante positiva para os jovens, aceitámos prontamente a disponibilidade do Ângelo, como voluntário. No Centro Infantil da Ilha de Moçambi-

que, acompanhou diariamente as crianças da sala dos 5 anos, às quais deu aulas de expressão dramática, promovendo assim o desenvolvimento de competências na área da linguagem, expressão das emoções, criatividade, afetividade e capacidades sociais. No Centro Infantil, realizou, também, uma formação às educadoras de infância, com o objetivo de as capacitar com ferramentas úteis para o trabalho com as crianças na área da expressão dramática. O ator português interveio também com as crianças do Centro de Atividades Infantis da Helpo, na Ilha de Moçambique, com sessões de Iniciação a técnicas teatrais. Juntos, criaram a “Companhia do Lenço”, responsável pela apresentação da peça “Arroz com feijão”, que teve lugar no Centro Infantil, a propósito das comemorações do Dia da Criança Africana.

O programa de voluntariado correu muito bem, sendo uma experiência gratificante para os beneficiários. Esperamos que para o Ângelo também tenha sido, a quem deixamos o nosso Muito Obrigado!




QUEM HELPA?

novabase - janela de oportunidades. Cascais, Sofia Nobre

A

Helpo lançou um apelo à Novabase, pela segunda vez em 2 anos consecutivos e, novamente, a empresa respondeu-nos prontamente que sim! Estamos a preparar a abertura de um Centro ATL na Ilha de Moçambique (Província de Nampula), como complemento à intervenção que já desenvolvemos nesta comunidade. Planeamos receber neste centro, grupos de 10 crianças em cada turno de atividades. Para eles, gostaríamos de disponibilizar a utilização de computadores, à razão de 1 computador para cada 2 crianças. A Novabase cedeu-nos, assim, 5 computadores portáteis para este projeto. Alguns já seguiram para Moçambique, pela mão

do Coordenador da Helpo no país. No ano transato, os computadores doados pela Novabase foram destinados à sala de computadores na Ludoteca da Helpo, nas Fontaínhas, permitindo aos beneficiários da Ludoteca aceder à internet e fazer pesquisas, realizar trabalhos escolares e receber aulas de informática. Em nome de todos os beneficiários, agradecemos à Novabase a disponibilidade para aceder continuamente aos nossos apelos! A Helpo necessita continuadamente de apoio em material informático, seja para Portugal, Moçambique ou São Tomé e Príncipe. Atualmente, necessitamos de 8 computadores para equipar um MediaCenter em

São Tomé e Príncipe, localizado na Escola Primária com 2.º ciclo, em Santa Catarina. Este Centro está a ser objeto de um financiamento para a implementação de Painéis Solares, mas não tem ainda financiamento para equipamento nem para fundo documental (embora este último também já esteja assegurado pelas doações frequentes que recebemos). Acresce que o local tem a vantagem de já dispor de internet gratuita, resultante de um projeto financiado pelo Banco Mundial, pelo que só faltam mesmo os computadores! Lançamos agora este apelo a quem tenha possibilidade de nos ajudar com este tipo de equipamentos, mesmo que seja em 2ª mão.


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MAIS DO QUE PADRINHOS

aventura dos sorrisos contra as adversidades. Cascais, Marta Pinto Leite

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minha aventura começou no dia em que disse em casa que gostaria de dedicar algum tempo da minha vida a uma causa em que acreditasse. E qual não foi a minha surpresa quando o meu marido, o meu filho Lourenço de 15 anos, o meu filho Gonçalo de 12 anos e o meu filho Vasco de 10 anos, logo me disseram: «Vai, tens todo o nosso apoio!». Cheia de sorte, a Siemens, empresa onde trabalho, teve a mesma reação. Ou seja, tudo se proporcionou para eu poder realizar o meu sonho. A Helpo entra na minha aventura logo após esta decisão, como sendo a organização que melhor prosseguia os objetivos em que sempre acreditei: a educação é absolutamente essencial para o desenvolvimento humano. Ainda por cima, estava presente num país pelo qual me apaixonei há uns anos, Moçambique. Assim, comecei por fazer uma formação de um fim de semana nas instalações da Helpo em Cascais, destinada não só a prestar todos os esclarecimentos necessários a todos os candidatos a voluntários, assim como averiguar o perfil de cada um destes.

Um mês depois, apanhei um avião para Moçambique para ser voluntária da Helpo durante 5 semanas em Nampula. A primeira imagem que tive logo à chegada, foi o sorriso da Inês Faustino, que me recebeu com um carinho e uma paciência extraordinários. A casa da Helpo está situada em pleno coração de Nampula, bem perto de algumas escolas e comércio. A casa até é grande, mas, na realidade, acaba por ser curta para suportar toda a atividade que a Helpo desenvolve na Província de Nampula. Logo conheci o Cazé, o «homem da casa», que me recebeu com o mesmo carinho e a Sílvia, que logo tudo fez para que me sentisse em casa. Cheguei numa segunda-feira de manhã e na sexta-feira seguinte a sensação que tinha é que já estava em Nampula há cerca de 3 meses! Os dias são tão intensos! O sol nasce pelas 5 horas da manhã e a cidade começa logo o seu reboliço. E quando refiro reboliço, refiro-me essencialmente aos sons: pássaros, pessoas, gritos, motas, carros, buzinas, etc… Não há como escapar a toda esta agitação matinal. Também nós na Helpo começamos bem cedinho, até porque há muito trabalho à nossa espera, seja trabalho de escritório, de organização, armazém, de visita às comunidades, de visita ao Infantário (orfanato apoiado pela Helpo), de visita às ludotecas ou bibliotecas, de receção de animadores e alunos do secundário, e tantas outras coisas mais…. Existe um sem número de tarefas a ser cumpridas e logo percebi, que todas as horas do dia não chegam. O calor foi algo que me surpreendeu. Achei que ia adorar (até porque o inverno tem estado rigoroso em Portugal, ultimamente) mas, para falar verdade, nos primeiros dias não foi assim tão agradável: sufoca. Agora já me habituei a viver colada e suada o dia todo. Aprendi também a proteger-me, ou seja, quando ando na rua, ando sempre em busca da sombra ou das correntes de ar. Mas, o que de mais precioso descobri, foram as pessoas: tanto as pessoas que trabalham na Helpo, como os moçambicanos em geral. Relativamente às pessoas que trabalham na Helpo, tenho apenas uma palavra que tudo diz, «heróis». Quanto aos moçam-


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bicanos, estes surpreenderam-me sobretudo num aspeto: conseguem sempre ser alegres e sorrir apesar de todas as adversidades que passam no dia a dia. Não gostaria, no entanto, de terminar este mini relato destas duas primeiras semanas em Nampula, sem referir duas coisas que me marcaram: A primeira ocorreu na visita às comunidades apoiadas pela Helpo mais afastadas da cidade, que se situam no Distrito de Murrupula. Para lá chegar, tivemos que percorrer 30 km de estrada de alcatrão e mais cerca de 40 km de picada no meio de capim bem alto e alguma lama. Na última pequena comunidade que visitámos, a Inês perguntou ao animador da Helpo se tinha algum acontecimento a relatar, ocorrido no último mês. Ao que ele indicou: um rapazinho pequenito que tinha um pé enfaixado num trapo já algo sujo. Tinha sido pisado por uma cabra e após exame da Inês, rapidamente se apercebeu de que este precisava de ser

visto por um médico pois dois dos dedos do pé estavam praticamente esmagados. A família foi avisada e solicitou então que lhes dessemos boleia até ao posto médico mais próximo, que ficava a cerca de 7 horas de caminho a pé. Em cerca de uma hora deixámos o Mingo e a irmã mais velha junto ao posto médico para que este pudesse ser assistido. Penso: o que teria acontecido ao Mingo se a Helpo não tivesse lá ido? A segunda coisa, que me marcou, foi o número de crianças existentes neste país. Não tenho dados estatísticos, mas diria que metade da população deste país é constituída por crianças e estas estão em todo o lado: na cidade, no campo, nas estradas, nas escolas, nos mercados… É esta realidade, que me faz acreditar e louvar o trabalho da Helpo. É tão necessário o apoio à educação destas crianças! Só assim o país se poderá desenvolver e a sua população ter futuramente melhor qualidade de vida.


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IMAIS

o Dom do Faial.

A Luísa tem um dom!” - exclamava, com os olhos a brilhar e um sorriso no rosto, uma das voluntárias no final do evento de angariação de fundos “Sopas de Espírito Santo”, que decorreu no passado dia 24 de Abril, na Ilha do Faial. E, depois de vermos a forma insuperável como a tão acarinhada Madrinha Luísa Borges mobiliza a equipa única de voluntários, que vestiram, com tanta motivação por mais um ano, a camisola da Helpo, somos totalmente obrigados a concordar! Contas feitas, foram 420 sopas servidas, 4230€ angariados e 30 voluntários e voluntárias muito satisfeitos com mais umas sopas de sucesso, dignas do Espírito Santo! Obrigada, Faial, e até para o ano!

segundas oportunidades.

C

om um novo ano, surgem novos parceiros, e a nova parceria estabelecida com a Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) é, sem dúvida, especial! Desde

fevereiro deste ano, a DGRSP tem encaminhado para a Sede da Helpo, em Cascais, diversos utentes para realização de horas de trabalho comunitário. Além de muitos braços prontos para trabalhar,

ganhámos também a certeza de que a construção de um mundo mais humano passa, sem dúvida alguma, por acreditar em novos começos e em segundas oportunidades!


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IMAIS

monteiros do Norte.

A

parceria iniciada com o Clube de Monteiros do Norte (www. clubedemonteirosdonorte.com) através dos padrinhos Alexandra e Fredy, foi fortalecida no dia 25 de Junho com a presença da Helpo no Jantar de Entrega dos Prémios do Clube de Monteiros do Norte 2016, possibilitando não só a divulgação dos projetos da Associação junto da Câmara Municipal de Alfândega da Fé, junto de várias entidades e de pessoas singulares, como permitiu mobilizar novos padrinhos e uma angariação de donativos desde material escolar, roupa e brinquedos. Bem hajam por tornarem o nosso mundo mais humano!

parceria com os The Rotaract.

A

parceria com os The Rotaract Club Porto e os The Rotaract Dreamer, através da presença em dois eventos (no dia 23 de Abril, no Jantar de Gala da conferência do distrito 1970, XIV Interact, XXV Rotaract, realizado na Fundação Dr. Cupertino Miranda; e nos dias 27, 28 e 29 de Maio na Feira da Família Gaia+Saudável, que decorreu

no Centro Cívico de Vila Nova de Gaia) possibilitou à Helpo não só a divulgação do trabalho e dos projetos, como permitiu uma venda de merchandising e artesanato no valor total de 380€. Em nome das nossas crianças, o nosso muito obrigado pela integração da Helpo nas vossas atividades.


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IMAIS

nova casa para a Helpo a Norte!

A

delegação da Helpo a Norte ganhou uma nova casa! Continua a ser uma estação de comboios que nos acolhe, mas agora na freguesia de Ermesinde. O horário de funcionamento é de 2ª a 6ª feira, das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 18h00. Temos todo o prazer em receber a visita de todos os padrinhos, amigos e voluntários, que queiram conhecer o nosso novo espaço, bem como a nossa loja social. Aguardamos a vossa visita na morada: Largo da Estação de Ermesinde, loja nº9, 4445-276 Ermensinde.

voluntariado UPS.

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o passado dia 25 de junho, a empresa de logística UPS juntou-se à Associação Helpo para uma manhã de team building e de voluntariado, que teve lugar no armazém da Helpo em Matarraque. Antes desta iniciativa já havíamos reunido e feito uma acção de sensibilização para dar a conhecer o trabalho da Helpo aos colaboradores da UPS. Após este primeiro momento, reunimos 12 voluntários que nos apoiaram com boa disposição a reorganizar o nosso armazém. À UPS aqui deixamos o nosso muito obrigada, na expectativa de que possamos repetir dias como este!


THE BRIGHT SIDE OF LIFE” 

FICHA TÉCNICA

Entidade Proprietária e Editor

Correspondente em África

Associação Helpo

Carlos Almeida

Morada e Redação: Associação Helpo, Rua Catarina Eufémia 167 A, Fontaínhas, 2750-318 Cascais

Design

Diretor Responsável

António Perez Metelo Diretora Editorial

Joana Lopes Clemente Nº de registo no ICS: 124771 Tiragem: 4000 exemplares

Codex - Design e Relações Públicas Informações: Associação Helpo

Tel.: 211537687 info@helpo.pt www.helpo.pt A responsabilidade dos artigos é dos seus autores.

Periodicidade:

Trimestral NIF: 507136845 Depósito Legal: 232622/05

A redação responsabiliza-se pelos artigos sem assinatura. Para a reprodução dos artigos da revista mundo h, integral ou em parte, contactar a redação através de: info@helpo.pt.

Impressão

ORGAL, Rua do Godim, 272 4300-236 Porto Conceção gráfica

Margarida Assunção Colaboradores neste número

Carlos Almeida Carolina Marques Elisabete Catarino Inês Faustino Isabel Worm Joana Lopes Clemente Kyrian Opstaele Margarida Assunção Margarida Lopes Mariana Ferreira Marta Pinto Leite Ondina Giga Sílvia Nunes Sofia Nobre

Dados bancários

Banco: BPI Títular: Associação Helpo IBAN: PT50 0010 0000 3483 3480 0023 1 SWIFT code/ BIC: BBPIPTPL


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