Page 1

mundo h. 36 OUT.NOV.DEZ. 16 Ano9 0,70€

MOÇAMBIQUE MAIS UMA ESCOLA COM O SEU IRS; S. TOMÉ VISITA DO VICE-PRESIDENTE; PORTUGAL NOVAS ATIVIDADES NA LUDOTECA; ESPECIAL CORRIDA SOLIDÁRIA SHOE BOX COM 1200 PARES DE SAPATOS ESTÓRIAS HELPO & FCP EM MOÇAMBIQUE; MAIS DO QUE PADRINHOS PRESENTES SOLIDÁRIOS; IMAIS VOLUNTÁRIOS PRIMESTAR.


ÍNDICE 3

18

EDITORIAL

ESTÓRIAS

heróis anónimos.

sonhos pintados de azul e branco.

4

MOÇAMBIQUE

20

amor de um dia...

seis vezes impire. 22 6

vitórias pequeninas.

MAIS DO QUE PADRINHOS ofereço o mundo no sapatinho. 24

8

SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE graças a si, a helpo salva vidas em São Tomé todos os dias.

a nossa passagem por s. tomé.

25

IMAIS 11

PORTUGAL helpo nas Fontainhas: ano novo, vida nova! 12

sunset solidário.

13

ESPECIAL CORRIDA SOLIDÁRIA 6ª corrida solidária internacional helpo.

querer é poder!

primestar - time to give.


EDITORIAL

HeRóIS ANÓNIMOS. Lisboa, António Perez Metelo

H

á momentos, nos quais um facto isolado parece encerrar toda a razão de ser do que acreditamos e fazemos. No passado mês de outubro, um menino na Província de Tete, em Moçambique, morreu, desidratado e exausto, no caminho para a escola. Todos os dias pedalava ele a sua bicicleta em infindáveis 33 km até à Escola Secundária mais próxima, e voltava a fazer esse percurso de regresso a casa. A notícia não refere o seu nome, mas ele é um dos inúmeros heróis anónimos, que vencem diariamente obstáculos - para nós inimagináveis -, simplesmente porque sabem que uma Educação mais avançada é a porta para uma vida profissional mais remuneradora, promessa de saída de um ciclo de muitas gerações de pobreza extrema. A Helpo, nas Províncias de Nampula e de Cabo Delgado, defronta-se com casos exemplares, de determinação e coragem, como este, de jovens focados na superação da sua condição económica e social, através da sua escolarização. Por isso, criámos o apadrinhamento “Futuro Maior”, por isso não abrandamos na construção de mais salas de aula (em Impire e em Natoa), por isso apelamos, sem desfalecimentos, a novos apadrinhamentos. O Mundo está numa fase de grandes transformações e o progresso económico, social, cultural, não avança em linha reta: há avanços esperançosos e recuos inesperados. Para quem se empenha na construção de um “mundo humano”, o que dá força, são as pequeninas vitórias, alcançadas passo a passo. Junto dos mais pequeninos, a ação da Helpo estende-se: no mês de novembro de 2016, arranca o Programa de Acompanhamento Nutricional Materno-Infantil (PANMI) no Distrito da

Ilha de Moçambique, apoiado nos seus 5 Centros de Saúde. Vamos começar a divular o PANMI junto das comunidades, centrando a ação nas 900 grávidas e nos 2.000 pequeninos, com idades entre os 6 e os 24 meses de idades e nas suas carências alimentares. O PANMI, em São Tomé, dá igualmente os primeiros passos no Distrito de Caué, juntando--se a uma atividade constante e profícua de 4 anos, no Distrito vizinho de Cantagalo. E é com particular sentimento de esperança e entusiasmo que anunciamos a entrada da Helpo na Guiné-Bissau, de mãos dadas com a ONGD VIDA, que atua no campo da Saúde Pública na Província de Cacheu há 18 anos! A nossa missão é a de complementar a missão da VIDA com a valência do acompanhamento nutricional materno-infantil, por vontade do Ministério da Saúde da Guiné-Bissau e com o financiamento concedido, por dois anos, pelo Instituto Camões. A hora é de mobilização, perante novas oportunidades de intervenção à nossa frente. Para tal, contamos com os nossos incansáveis padrinhos e madrinhas para que alarguem o círculo de amigos, que vão trazendo para esta luta. O Apadrinhamento Escolar, o PANMI, o Futuro Maior precisam de mais padrinhos, precisam de mais umas centenas de padrinhos! Que ninguém desanime: os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável são o programa de ação de quem luta neste planeta por um mundo mais justo - mais humano. Para que a morte heróica daquele menino em Tete não seja esquecida e para que outras mortes prematuras e absurdas sejam, cada vez mais, evitadas.


MOÇAMBIQUE

seis vezes impire. Nampula, Carlos Almeida

A

Escola Primária Completa de Impire, situada no Distrito de Metuge, a 50 km de distância de Pemba, a capital da Província de Cabo Delgado, tem sido uma referência para o trabalho da Helpo. Não só por ter sido das primeiras comunidades apoiadas nesta província, mas também por ser uma das escolas com mais alunos (1627), a escola com mais alunos apadrinhados (265) e que, devido a isso, tem recebido diversos apoios até à data: três salas de aula inauguradas em 2012, quatro depósitos de água de cinco mil litros cada e respectivo Sistema de Aproveitamento de Águas Pluviais, além dos habituais apoios em material escolar, apoio na biblioteca, distribuição semanal de lanche escolar e entrega de kit de primeiros socorros. Esta escola tem ainda uma outra particularidade: o facto de ser a única escola diretamente apoiada pela Helpo com energia elétrica, devido a um projeto do Fundo Nacional de Energia – FUNAE, que dotou esta escola com placas de energia solar e baterias, permitindo que o processo ensino-aprendizagem decorra com menos problemas.

O próximo ano poderá trazer uma outra excelente notícia, até à data por confirmar. Com estas três novas salas de aula, agora inauguradas, que finalmente irão eliminar por completo as turmas a ter aulas debaixo da árvore, também existe a possibilidade desta escola começar a ser uma Escola Secundária com o 1º ciclo, incluindo turmas da 8ª, 9ª e 10ª classe, permitindo que os alunos continuem os seus estudos. Neste momento, a realidade é dura, pois a Escola Secundária mais próxima dista 40 km. Nesta Escola Secundária, em Metuge, sede do Distrito, não existe internato, o que faz com que as crianças que não têm familiares perto, não consigam prosseguir os seus estudos. O dia 24 de outubro ficará marcado na aldeia de Impire como mais um passo importante no caminho rumo ao desenvolvimento. O evento de inauguração das três novas salas, equipadas com sessenta carteiras e a instalação de um Sistema de Aproveitamento de Águas Pluviais com dois depósitos de cinco mil litros cada, contou com a presença da Diretora Provincial de Educação


e Desenvolvimento Humano, Judite Mussacula, que agradeceu o forte apoio prestado pela Helpo. A Helpo também agradece a parceria com a AMI – Assistência Médica Internacional, pelo financiamento concedido, que nos permitiu equipar esta escola com o terceiro Sistema de Aproveitamento de Águas Pluviais. Também a incansável madrinha Luísa Borges e todos os amigos da Ilha do Faial deram novamente uma grande ajuda, desta vez com a aquisição das carteiras, que irão permitir aos alunos estudarem condignamente. Também a empresa responsável pela construção, Construsoyo Moçambique, na pessoa do seu responsável nacional e amigo da Helpo, FICHA TÉCNICA: Início da obra – 2 de Maio de 2016 Conclusão da obra – 16 de Setembro de 2016 Beneficiários – 1627 alunos e 29 professores Custo da obra 1.700.000 meticais (24.285 Euros)

Nuno Saraiva, merece um destaque neste projeto, pelas suas ajudas sucessivas. E, acima de tudo, a Helpo está agradecida a todos os contribuintes em Portugal que a escolheram, em sede de IRS, permitindo, assim, o financiamento adequado a este importante investimento. Contando com um total de dez salas de aula, tendo seis delas sido financiadas pelo grande esforço dos Padrinhos da Helpo, damos novas esperanças, não só a estes meninos e meninas, mas a toda uma comunidade, que começa aos poucos a entender a importância de uma educação maior e melhor.


MOÇAMBIQUE

vitórias pequeninas. Ilha de Moçambique, Bárbara Oliveira

U

m dia, Mahatma Gandhi deixou uma mensagem à Humanidade: “Sê a mudança que queres ver no mundo”. Sou a Bárbara, tenho 21 anos e hoje estou em Moçambique a tentar ser a mudança que quero ver no mundo. No passado ano letivo, tive a oportunidade de realizar o meu estágio curricular na Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). Sendo esta uma organização internacional, estive muitas vezes em contacto com relatórios mundiais, que apresentavam todos os números relacionados com a alimentação, ou falta dela. Estes valores inacreditáveis, que se destacam muito pela negativa, fizeram-me perceber a realidade do mundo em que vivia, aliás, do mundo em que eu não vivia. Acabei a minha licenciatura em Ciências da Nutrição e pensei: “Usando o conhecimento científico que adquiri, qual é a mudança que quero ver no mundo?” e, sem dúvida, que a primeira coisa que me veio à cabeça, foram os valores atrozes de desnutrição no mundo com que me deparei ao longo do meu estágio na FAO. Com um estágio profissional por realizar, procurei onde poderia pôr em prática a missão, que sentia que me tinha sido dada pessoalmente por Ganhdi: “Ser a mudança que quero ver no mundo”, e foi quando comecei à procura de Organizações e

Instituições em países em desenvolvimento. Depois de alguns “Nãos” para Organizações estrangeiras, onde tinha de saber falar a língua local, comecei a ponderar as Organizações Portuguesas, que se destacam pelo mundo. Eis que me deparei com aquela que diz que “o nosso mundo é humano”, e com a qual me identifico bastante, em vários sentidos. Os valores da Helpo, muito virados para as crianças, despertaram-me um grande interesse e vontade de partilhar a minha

missão com esta ONGD, e foi então que tudo começou. Na frequência da oficina de voluntariado internacional ouvi esta frase, que me tem ecoado na cabeça todos os dias desde que cheguei a Moçambique: “As vitórias são sempre pequeninas, mas é com vitórias pequeninas, que chegamos a algum lado”. Todo o sentido da minha missão é reforçado na minha mente quando me lembro que não vim mudar o mundo, muito menos acabar com todos os valores


Imagens adaptadas do autor Eric Carle, in A Lagartinha comilona.

de desnutrição. Mas vim lutar para pequenas vitórias que, aos poucos, vão transformar, nem que seja um bocadinho, o mundo e a mim mesma. O projeto, que estou agora a desenvolver em Nampula, tem o nome de “Histórias da Alimentação” e consiste em, através de uma História Infantil adaptada, promover boas práticas de saúde alimentar e nutricional em crianças da 3ª, 4ª e 6ª classes. Crianças estas que vivem em duas comunidades rurais, a cerca de meia hora de Nampula: Natôa e Natchetche. Através de um mini projetor, que é uma tecnologia do mais alto nível para estes meninos, comecei por contar uma história sobre uma lagartinha esfomeada. Contei-lhes que uma vez uma lagartinha comeu muita fruta e que, como continuava com fome, acabou por fazer algumas asneiras relacionadas com práticas alimentares pouco adequadas e falta de higiene. Desta forma, transmiti alguns conceitos muito básicos que no dia a dia destas crianças fazem muita diferença na sua saúde: como a importância de lavar os alimentos antes de os consumir, lavar as mãos ou tratar os alimentos e a água ingeridos, de forma adequada. Aqui, em Moçambique, a melhor maneira de passar uma mensagem à comunidade, é através da arte. Através de teatro, músicas, desenhos… Os moçambicanos são

pessoas muito criativas, com jeito para a expressão artística, e as crianças não são exceção. Todas as atividades que estou a desenvolver em torno da história da lagartinha, tentam puxar pelo seu lado criativo e, ao mesmo tempo, transmitem conceitos e práticas que serão retidos mais facilmente. Trabalhar com estas crianças, nestas comunidades, é sentir que estou a começar a minha missão com a Helpo de coração cheio, concretizando todos os dias pequenas vitórias. Vitórias que vão desde sorrisos tímidos a gargalhadas bem sonoras;

de respostas certas a perguntas como: “O que devo fazer às minhas mãos antes de almoçar?”, a vídeos a cantarem a música da Nakuithe Namalha (Lagartinha muito comilona). Vitórias que parecem sempre pequeninas, mas que no seu todo são uma conquista gigantesca. O primeiro mês e meio, de nove, já passou a correr e o meu desejo é que os próximos, que se avizinham, sejam tão vitoriosos como este. E que o meu coração continue cheio de tudo o que as terras moçambicanas têm aqui para me oferecer.


SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

graças a si, a Helpo salva vidas em São Tomé todos os dias. Lisboa, Duarte Marques

O

trabalho da Helpo em São Tomé e Príncipe tem vindo a ganhar cada vez maior relevância, na Helpo, mas sobretudo, no país. Programas como o PANMI - Programa de Acompanhamento Nutricional Materno-Infantil -, a introdução do Vitaferro, o desenvolvimento de hortas escolares ou o apoio às escolas, são, a cada dia que passa, iniciativas que honram o esforço dos nossos padrinhos e patrocinadores e têm cada vez mais importância no quotidiano dos são-tomenses. Tive a oportunidade de estar em São Tomé e Príncipe (STP) durante cinco dias para acompanhar o trabalho que o Kyrian, nosso Coordenador Nacional, e a Margarida, Coordenadora dos Projetos de Nutrição, estão a desenvolver nesse país, com o apoio das nossas duas estagiárias, Maria e Filipa, mas também do santomense Idalécio. E pude testemunhar o crescimento que a Helpo teve desde há dois anos. Reuni com o Ministro dos Negócios Estrangeiros, com os principais responsáveis do Ministério da Educação e da Saúde de São Tomé e Príncipe, mas também com a UNICEF. Todos reconheceram e agradeceram a vossa ajuda, que chega através do trabalho da Helpo no terreno. Por coincidência de datas, pude também testemunhar a alegria e o impacto que a Corrida Solidária Internacional da Helpo, em parceria com a CST (Companhia Santomense de Telecomunicações), teve em todo o país, não só em termos desportivos, mas também através da recolha de alimentos, que promovemos na cidade, e que irão ser entregues às famílias apoiadas pelo PANMI.

Este também é tempo para vos transmitir o orgulho que é ouvir da boca de todos os dirigentes locais palavras super elogiosas relativamente aos nossos atuais “quadros” em STP mas, ao mesmo tempo, o reconhecimento pelo trabalho deixado pela Elisabete Catarino e pelo Tiago Coucelo.


Regresso, com a certeza que a Helpo salva vidas em STP, que há crianças que hoje chegam à escola primária porque os nossos técnicos, em conjunto com as equipas da saúde de STP, operaram verdadeiros milagres nestas comunidades, em especial no distrito de Cantagalo. Foi no terreno, que tive a certeza que o PANMI é um verdadeiro farol de esperança para milhares de crianças, para centenas de famílias e para as principais instituições em STP. Quer a UNICEF, quer as restantes agências das Nações Unidas, bem como os principais responsáveis da cooperação em São Tomé e, em particular, o Ministério da Saúde, olham para o PANMI como o exemplo de um instrumento de cooperação eficaz, bem integrado, que capacita agentes locais e que, em breve, lhes permitirá continuar sem apoio externo. Em breve, a Helpo irá começar a alargar este programa a mais um distrito, neste caso Caué, porque o sucesso em Cantagalo foi tal que o Ministério da Saúde de São Tomé e Príncipe “quase nos exigiu” que assim fosse. Chama-se a isso “ser vítima do próprio sucesso”. Tudo isto enche-nos de orgulho, honra o esforço mensal dos nossos padrinhos e doadores, mas também de todos aqueles que, de alguma forma, ajudam a permitir que o

PANMI exista e seja hoje uma realidade para muitas crianças. Regresso a Portugal com energias reforçadas, com ainda maior motivação para procurar mais apoios para o PANMI. Digo isto porque é preciso, porque o impacto no terreno assim nos exige. Porque se o programa resulta e todos os nossos parceiros o salientam, então isso significa que devemos procurar, todos os dias, levar este programa a mais crianças e a mais famílias. A Helpo está de facto a conseguir mudar a saúde das crianças de STP. Também na Educação, com projetos como a Mediateca, que atualmente está a ser construída em Santa Catarina - uma das zonas mais pobres do país -, a Helpo aproxima crianças e pais da informação e do conhecimento, ferramentas essenciais para um futuro mais promissor. O projeto-piloto dos micronutrientes que a Helpo desenvolveu no Príncipe, em colaboração com a UNICEF e o Ministério da Saúde, permite hoje alargar esta medida de saúde pública a todo o país. Cerca de 65% das crianças locais sofrem de anemia, problema que afeta o seu crescimento e a sua saúde com danos irreparáveis no seu desenvolvimento cognitivo. A introdução do “Vitaferro” permitirá baixar significativamente a prevalência de anemia nos mais jovens e melhorar a saúde e qua-

“O nosso esforço só faz sentido se conseguirmos melhorar a qualidade de vida das pessoas e capacitar os agentes locais”




SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

lidade de vida dos jovens de São Tomé. Este trabalho está a ser desenvolvido entre a UNICEF, a Helpo e o governo de São Tomé e Príncipe. Mais uma vez, graças à qualidade dos técnicos da Helpo, do trabalho que desenvolveram e que continuam a desenvolver no terreno, graças ao investimento dos nossos padrinhos e doadores, este apoio chega a cada vez mais pessoas e com maior impacto na melhoria da sua qualidade de vida. Mas muito há ainda por fazer. O nosso esforço só faz sentido se conseguirmos duas coisas: melhorar a qualidade de vida das pessoas e capacitar os agentes locais para que consigam, pelos seus meios, continuar a melhorar a saúde das crianças, como a Helpo hoje faz. Há passos que devemos exigir a nós próprios. Além de levar o PANMI a outros distritos é hoje fundamental criar mais oportunidades para que os jovens santomenses, graduados e formados no estrangeiro, regressem ao seu país e substituam os atuais

agentes da cooperação. Esse é o caminho em que a Helpo também está empenhada e no qual procura dar passos firmes, em Portugal e em São Tomé e Príncipe. Esse deve ser também o nosso compromisso. Regresso com o coração mais cheio mas, sobretudo, mais convicto que vamos no caminho certo. Chego a Portugal com a convicção que a Helpo cresceu muito, que a Helpo evoluiu como poucos mas, sobretudo, que ainda há enorme margem de progressão para todos nós e, em particular, para esta organização que todos amamos. Escrevo para os nossos padrinhos e para os nossos colaboradores: o vosso esforço e o vosso carinho mudam de facto a vida das pessoas. Há uma convicção que para mim é inabalável: graças a todos vós, há milhares de crianças que vivem hoje melhor em São Tomé e Príncipe, tal como em Moçambique.




PORTUGAL

helpo nas Fontainhas: ano novo, vida nova! Cascais, Carolina Marques

Ano novo, vida nova”, é sem dúvida uma boa forma de resumir o arranque do novo ano letivo nas Fontainhas! Aqui, a “vida nova” brota em todos os cantos e das mais diversas formas: novas atividades, novos projetos, novos voluntários, mais beneficiários! O pioneiro Projeto BRINCA permanece, pelo 6º ano consecutivo, cada vez mais bem estabelecido e solicitado pelas famílias. O crescimento da equipa de monitores voluntários permitiu que aumentássemos o número de vagas de 24 para 32, estendendo assim o apoio a mais famílias! Seguindo os passos do irmão mais velho, a nossa Ludoteca continua a crescer, tendo completado o seu primeiro ano de vida em Maio de 2016. Este ano, as novidades são tantas e tão boas, que até pulamos de alegria! Mas os pulos de alegria são só o aquecimento… A partir de Novembro, começamos mesmo a mexer, com o regresso das tão aguardadas aulas de dança e de ténis! As aulas de dança ganham uma nova cara, com a Professora Sara, que promete pôr a pequenada toda a mexer! Nas aulas de ténis, com a “Academia dos Champs”, nossos tão carinhosos e acarinhados parceiros, damos continuidade a um projeto iniciado nas Férias do Verão, no qual as nossas crianças, de raquete em punho, se transformam em mini-atletas - apenas em tamanho – com toda a garra e motivação para progredirem! Progredirem no desporto, como ponte para progredirem em tudo o resto! Acreditamos que trabalhar para proporcionar uma educação melhor e mais completa às nossas crianças, passa por lhes garantir a oportunidade de usufruírem de tempos livres de qualidade: um espaço para brincarem livremente - dando asas à sua

imaginação infindável, e que todos os dias nos surpreende - e um espaço de atividade física estruturada, que promova o desenvolvimento de novas capacidades, a definição de novas metas e objetivos, chegando sempre mais longe! Inspirados nas nossas crianças e na extrema vontade de fazer crescer cada vez mais a intervenção da Helpo em Portugal, quisemos chegar mais longe e, assim, surgiu o mais recente projeto local da Helpo: MudArte Contra a Violência, um projeto de prevenção da violência no namoro e violência de género, que utiliza a arte – principalmente o teatro – como estratégia de intervenção privilegiada. Graças ao inestimável apoio da Fundação Jumbo para a Juventude e da presença e entusiasmo

constante da Dra. Alexandra Ramalho – madrinha do projeto – e do Dr. José Alarcão, do Jumbo de Cascais, foi-nos dada a possibilidade de pôr de pé este projeto em parceria com a Escola Secundária de Alvide, que nos recebeu de braços abertos. A Professora Ana e a Professora Teresa abriram o caminho e permitiram que trabalhássemos com os alunos de Ensino Secundário de algumas turmas. Ainda no início, mas já com a “mão na massa”, os nossos alunos e alunas já começaram a representar e, claro, a dar que falar! E, assim, de mãos bem cheias, percebemos que este ano não temos “furos” no horário. O ritmo alucinante não nos deixa parar, deixando-nos, no entanto, perceber que não podia ser de outra forma!




PORTUGAL

sunset solidário. Oeiras, Sofia Nobre

2

de outubro de 2016. Não sabíamos que tempo esperar, mas cruzávamos os dedos para que o pôr-do-sol fosse magnífico, grande e límpido, não fosse esse o mote para este evento - um sunset solidário! Solidário, porque trazia consigo dezenas de pessoas com vontade de ajudar. Podiam ter vindo motivados pelos canapés deliciosos, pelas iguarias santomenses ou pela exposição de fotografias de Moçambique, mas vinham sobretudo responder ao apelo lançado pela Helpo – contribuir com a oferta de material escolar, para as crianças beneficiárias dos nossos projetos de apoio em Moçambique e São Tomé e Príncipe. Uma a uma foram chegando ao acolhedor restaurante KaiLua, na Fonte da Telha, parceiro da Helpo na dinamização deste evento. Era-lhes solicitado que transformassem o seu donativo em mochilas, cadernos, borrachas ou afias, mediante a sua preferência, colocando uma rolha de cortiça no saco que representasse o material antes descrito. Confesso que fizemos alguma batota, não a mudar rolhas de sítio - nada disso! Antes a estimular a colocação de mais rolhas nos sacos das mochilas e dos cadernos, que representavam os dois bens mais necessitados nesta lista de quatro. Parece-me uma batota justa!... O ambiente estava agradável, estes convívios servem também para os padrinhos conhecerem os rostos por detrás do telefone ou dos e-mails da Helpo, tirarem algumas dúvidas ou trazerem alguns bens, ainda que muitos sejam os “habitués”, que estão sempre lá quando precisamos deles! Graças à presença de todos os padrinhos, amigos, voluntários e colaboradores neste evento, conseguimos angariar 320€ para a aquisição do material escolar referido e ainda angariar 120€ em donativos livres para os projetos que a Associação implementa. Ao KaiLua, na pessoa da madrinha Sara Coelho, e a todos os que estiveram presentes, o nosso Muito Obrigado pelo apoio! Mochila a mochila, caderno a caderno, conseguimos manter o nosso compromisso com as crianças, que apoiamos nas comunidades rurais em Moçambique e São Tomé e Príncipe, ao distribuirmos anualmente o material escolar, de que tanto precisam.




ESPECIAL CORRIDA SOLIDÁRIA

6ª corrida solidária internacional helpo.

Oeiras, Sofia Nobre Em Oeiras, o palco da 6ª Corrida Solidária Internacional Helpo, foi, pelo 2º ano consecutivo, o complexo desportivo do Jamor. Agraciaram-nos com a sua participação 593 pessoas que, a correr ou caminhar, quiseram deixar a sua pegada a favor da Erradicação da Pobreza, permitindo-nos angariar 2.957€! O tiro de partida foi dado pelo padrinho da prova nesta cidade, Francis Obikwelu. O Francis, sempre simpático e disponível, não esgota o seu sorriso nos inúmeros pedidos de fotografias que lhe vão fazendo. Antes do tiro de partida da caminhada, dois mini atletas procuraram os elementos da Helpo para confirmar quando seria a partida da mesma, pois queriam estar na linha da frente. A mãe partira na corrida 30 minutos antes e eles queriam apanhá-la pelo caminho! Os carrinhos de bebé e os amigos de 4 patas conti-

nuam a marcar presença no nosso evento. Nenhum membro da família quer ficar de fora! Este ano, com algumas novidades, para além de alargarmos a corrida a Maputo, desafiámos os participantes da prova a trazer um par de ténis para os beneficiários dos nossos programas de apoio em Moçambique e São Tomé e Príncipe, a deixar na nossa Shoe Box. A Agência de Comunicação Green Media, com o apoio da L2 Spirit, colocou uma caixa de sapatos gigante para a recolha do calçado. Ainda a prova não tinha começado e chegava um carregamento de 700 pares recolhidos no Agrupamento de Escolas de Algueirão, trazido pelas mãos dos jovens voluntários da Equipa de Atletismo da Escola Básica e Secundária Mestre Domingos Saraiva, que acompanham o Professor Paulo Barrigana, todos os anos, para nos ajudar neste evento. A Shoe Box não conseguia ter a tampa fechada, com

os mais de 1200 pares que continha! Mais uma vez, os parceiros da prova não ficaram indiferentes a esta iniciativa e não deixaram que nada faltasse aos participantes. A Grandvision, com a monitorização do tempo, a Floratorres, Espaços Verdes, Lda, com os dorsais, a Unicer, com as águas, o Jumbo de Cascais, com a fruta, a Yoggi, com os iogurtes, a Blue, com os refrigerantes, o BPI, Serviços Partilhados do Ministério da Saúde e Associação Nacional de Farmácias, com os brindes. A todos agradecemos a atenção! Não queremos, também, deixar de agradecer ao IPDJ, à Câmara Municipal de Oeiras e ao Desporto Escolar, pelo apoio à realização da prova, à Orgal, pelo apoio nos materiais de divulgação e aos Bombeiros Municipais do Dafundo, por terem enviado uma ambulância. Em nome dos beneficiários deste apoio, o nosso SINCERO E PROFUNDO OBRIGADO!




ESPECIAL CORRIDA SOLIDÁRIA

Vila Real, Sílvia Nunes Chegara o dia! Meses antes andávamos numa grande azáfama a preparar a prova de Vila Real: inscrições, reuniões com os parceiros, divulgação, elaboração dos kits, tudo fez parte dos preparativos. Será que temos tudo pronto? Muitas inscrições à última hora, muita agitação. Padrinhos, amigos, voluntários e participantes anónimos, ninguém quis

perder este momento e até o tempo que horas antes estava zangado, agora estava sereno. Entre sorrisos e nervos todos os participantes percorreram o novo trajeto da prova, uns com espírito mais competitivo outros pelo prazer de simplesmente estar e de poder tirar muitas fotos com a Dulce Félix. Parece que a nossa

atleta olímpica, que queria correr estes 9 km não teve oportunidade de o fazer, e acabou por caminhar, pois as centenas de “selfies” com a maratonista não permitiram que arrancasse na linha de partida ao mesmo tempo que os outros corredores. O speaker bem chamava por ela, mas os participantes, entusiasmados, conquistavam-lhe toda a atenção. E assim terminou a prova, num ambiente de amizade, cooperação e, acima de tudo, de muita vontade em poder contribuir no dia a dia das nossas crianças, ainda que com um par de ténis, Começamos por agradecer à Dulce Félix, por ter sempre um sorriso nas muitas fotos que tirou. Agradecemos também a todos os parceiros (CMVR, Bombeiros Cruz Branca, Associação de Atletismo de VR, Polícia de Segurança Pública, Desporto Escolar, Urbanos/Visual bus, Jumbo, Decathlon, Katy Vilela, Orgal, Floratorres), por estarem uma vez mais com a Helpo. E um agradecimento muito especial à madrinha Paula e ao padrinho Ilídio por acolherem a Helpo de forma tão calorosa, a todos os voluntários e aos 290 participantes, que juntos possibilitaram uma recolha de fundos no valor de 1.594€ pois sem eles esta bonita festa não teria acontecido!




Moçambique, Carlos Almeida “Em Moçambique, ao ver estas crianças, voltei a ter um sentimento dos tempos de menina, onde competia e sonhava em ser alguém no Atletismo.” – foi assim que Patrícia Mamona descreveu a sua experiência na 6ª Corrida Solidária Internacional da Helpo, na Cidade de Maputo. Patrícia Mamona adorou a sua primeira experiência de madrinha de uma corrida em Moçambique e prometeu voltar, para conhecer os projetos da Helpo na região norte do país. A corrida decorreu no Parque dos Continuadores, Catedral Moçambicana do Atletismo, onde os 150 meninos e meninas dos 6 aos 12 anos fizeram provas de 60m, 80m e 600m, na pista de tartan. Antes das provas, houve vários jogos de Atletismo e Basquetebol, que todas as crianças experimentaram e houve, ainda,

demonstrações de Tae-Kwondo e Rugby. Contámos com a presença da Sra. Embaixadora de Portugal em Moçambique, Maria Amélia Paiva, do Selecionador Nacional Adjunto de Futebol, Luís Gonçalves, e do Conselheiro da Cooperação Portuguesa,

Miguel Girão de Sousa. A corrida contou com o apoio do Millennium BIM, Ímpar Seguros, TAP, Unicer, Plural Editores, Bolinho Doce, Compal, JLM&A, MCEL, Montebelo Indy e Associação de Atletismo da Cidade de Maputo.




ESPECIAL CORRIDA SOLIDÁRIA

A cidade da Ilha de Moçambique, registou este ano uma afluência record de participantes, ao atingir quase os 200. Bem cedo, pelas 6:00 horas da manhã, já as crianças estavam reunidas junto à ponte que une a Ilha ao Continente, para receber as t-shirts oferecidas pelo nosso parceiro MCEL, e para percorrer os belíssimos 3km à beira-Índico, terminando junto à Fortaleza de São Sebastião. As crianças ficaram muito felizes, com a corrida, com os prémios e, claro!, com o lanche que receberam no final.

Em Pemba, a corrida decorreu, mais uma vez, no Centro das Irmãs Pastorelas, parceiras de longa data da Helpo, com crianças dos 10 aos 16 anos e, apesar do calor que se fez sentir, a festa foi de arromba e os jovens atletas correram e divertiram-se numa manhã fora do comum. Como é hábito, os pés descalços pisaram a terra e os nossos pequenos atletas, sentiram-se verdadeiros campeões olímpicos. Também aqui houve prémios e lanche que fizeram as delícias dos participantes. Em Nampula, a 6.ª Corrida Solidária Internacional Helpo teve lugar no passado dia 29 de Outubro de 2016, na Escola Secundária e Polivalente S. João Batista, na comunidade do Marrere. Participaram 131 atletas, 92 do género masculino e 39 do género feminino. Num percurso que ligou a Universidade Lúrio à Escola S. João Batista os atletas entregaram-se de corpo e alma, sob um forte calor e num percurso sempre a subir, onde, na parte final, contou com o forte apoio da população. No final, houve prémios de participação para todos, destaque para os 10 primeiros em cada sector e, claro, subiram ao pódio os

três primeiros, masculinos e femininos. Toda a jornada desportiva foi caracterizada por muita alegria e forte componente cultural com grupos de dança local, teatro

e poesia da Escola S. João Batista, com a apresentação e apoio técnico de antigos alunos da escola.




São Tomé, Kyrian Opstaele No dia 30 de outubro, a 6ª edição da Corrida Solidária CST-Helpo decorreu nas ruas da capital de São Tomé e Príncipe. Como nos anos anteriores, a corrida foi organizada pela parceira CST (Companhia Santomense de Telecomunicações), com o apoio da Federação de Atletismo. Mais de 500 atletas e simpatizantes participaram neste evento. Este ano, nos dias que antecederam a corrida, foi organizada uma campanha de recolha de bens alimentares, com o objetivo de reforçar o Programa de Acompanhamento Nutricional Materno-Infantil (PANMI), em

Cantagalo. Em nome da Helpo, queremos agradecer a todos os parceiros que têm contribuído para este evento: a CST, pela organização, a Federação de Atletismo, em particular, o Professor Simão, pelo apoio técnico, o Ministério da Juventude e Desporto, o supermercado Intermar, pela oferta das águas para os atletas e pela disponibilização do espaço para a recolha de bens alimentares, nos supermercados Intermar e CKDO. O vencedor - Romário Leitão – é um atleta santomense, que participou nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.

“nos dias que

antecederam a corri-

da, foi organizada uma

campanha de recolha de bens alimentares, com o objetivo de reforçar o PANMI”




ESTÓRIAS

sonhos pintados de azul e branco. Nampula, Carlos Almeida

F

alar de educação nas zonas rurais do norte de Moçambique, sem se falar de sonhos, é uma tarefa árdua, sobretudo quando tratamos de realidades que, para a maior parte de nós, ficam tão distantes do nosso dia a dia, que parecem saídas da ficção. Todas as dificuldades que estes meninos e meninas passam estão tão distantes da nossa imaginação que, quando tentamos colocar-nos na sua pele, sentimos grande dificuldade. Felizmente, esta realidade tão desfasada da nossa tem o outro lado bem mais bonito: a capacidade que coisas simples têm de trazer uma felicidade contagiante a quem testemunha atos tão simples como tirar uma fotografia e mostrar o resultado, oferecer um lápis ou o brinquedo mais singelo. Também as experiências que a Helpo proporciona a estas crianças são, por vezes, impossíveis de medir. A visita de quatro técnicos das Escolas de Formação do FC Porto - Dragon Force (Vitor Moreira, Hélder Duarte, Inácio Soares e Guilherme Costa) a sete Escolas Primárias da Província de Nampula, apoiadas pela Helpo, foi uma dessas situações. A chegada às escolas por parte da equipa da Helpo é sempre marcada por um grande entusiasmo, mas desta vez, foi um pouco diferente, já que os alunos foram previamente divididos em grupos homogé-

neos, para realizar uma atividade organizada, e isso deixou-os um pouco apreensivos. Invariavelmente, a apreensão transformou-se em entusiasmo, quando das caixas começou a sair material colorido como coletes e pinos e, o culminar da emoção, a vibração e os gritos agudos, quando as bolas coloridas começaram a saltar. Nestas sete Escolas Primárias e uma Escola Secundária, o entusiasmo de alunos, professores e comunidade foi bem visível e rapidamente os técnicos perceberam a dificuldade de comunicação com os alunos mais novos, que pouco percebem a Língua Portuguesa. Numa semana, cerca de 4000 alunos, na sua maioria descalços, tiveram oportunidade de ter um mini treino de futebol, aprender e divertir-se. Cada uma das escolas recebeu dez bolas, coletes e pinos, para as aulas de educação física, além de um conjunto de equipamento completo. Mas não foram apenas os alunos a serem beneficiados. Os técnicos deram uma ação de formação a 29 professores de Educação Física, treinadores de jovens, Responsáveis da Direcção Provincial de Educação e Desenvolvimento Humano e Direcção Provincial de Juventude e Desporto, numa formação de 8 horas, que teve direito a componente prática. Mas o auge desta visita foi o Torneio, que contou com o precio-

“4000 alunos, na sua maioria descalços, tiveram oportunidade de ter um mini treino de futebol, aprender e divertir-se”




so apoio do Presidente do Município de Nampula, que cedeu o Estádio Municipal e 3 autocarros para transportar os 140 alunos, 70 meninos e 70 meninas, para a realização desta festa. Este torneio, contou com a presença das Escolas de Teacane, Nawitipele, Matibane, Makassa, Natoa, Natchetche e Murothone, e todos jogaram contra todos. No final, como não houve vencedores nem vencidos, todos saíram felizes, até mesmo os professores, que contaram com a visita do Diretor Provincial de Educação e Desenvolvimento Humano, Júlio Mendes, o qual fez questão de testemunhar o evento. Quer a equipa da Helpo, quer os técnicos do FC Porto, fizeram uma avaliação muito positiva desta atividade, mas como em tantas outras coisas, o mais importante é mesmo aquilo que não se consegue medir: O que terá significado para estes meninos e meninas, habituados a pisar na poeira, vestir um equipamento do FC Porto, entrar num Estádio Municipal com relva sintética, jogar com meninos de outras escolas de forma organizada, serem filmados pela televisão, receber lanche, serem transportados num autocarro com todas as condições e, o mais importante, sentirem que, por um dia, são crianças especiais?




ESTÓRIAS

amor de um dia… Olhão, Clara Pinto

H

á setenta anos, nasceu, aqui, em São Tomé e Príncipe, uma menina negra a quem deram nome de Anjo. Chama-se Arcanja; as suas asas são os quadris que hoje me transportam; o seu halo, o lenço com que cobre a cabeça. Em 1974, bem longe daqui, veio ao mundo o Luís, ou melhor, o Luís Pedro, não fosse este – Pedro - o nome por que me chamam. Nasceu em Portugal, aquele país que um dia colonizou São Tomé e Príncipe. Hoje, com 41 anos, é um homem de estatura média, bem constituído e de presença discreta. Apresenta uma cabeleira suavemente encaracolada, mas um pouco aquém dos meus caracóis cerrados que já se deixam adivinhar. Dois anos mais tarde, em 1976, nasceu, também em Portugal, uma menina branca com quem um dia Pedro se veio a casar. Chama-se Clara; clara como ela própria, na pele, no cabelo, no olhar. Nesta altura, São Tomé e Príncipe já é um país independente, desde 12 de julho de 1975. 9 anos mais tarde, nasceu uma menina, de seu nome Margarida. Para mim, Bem-me-quer. Tem cachinhos negros e um sorriso rasgado que alimenta a alma de qualquer criança, por mais carente que esteja de afeto ou de alimento. Essa é a sua missão em São Tomé, ajudar os meninos a crescerem mais fortes e saudáveis. 2014 é o ano em que nasci, chamo-me Pedro e vivo com a minha avó, a D. Arcanja, em São Tomé.

A Margarida já me acompanha há alguns meses e, por isso, conheço-a bem, mas hoje, dia 5 de julho de 2016, conheci a Clara e o Luís, que vieram de Portugal para nos visitar, a mim e à minha avó, e conhecer São Tomé. Hoje, como habitualmente, eu e a D. Arcanja, despertámos bem cedo, mal o sol despontou. Para que o encontro corresse como previsto, saímos de casa à hora certa, para chegarmos ao Posto de Sáude de Santana às 9 horas. Fomos os primeiros a chegar ao local de encontro; sentámo-nos no banco de madeira corrido, que se encontrava debaixo do alpendre virado para a estrada e aí aguardámos a sua chegada, com alguma curiosidade e, a dada altura, com alguma impaciência. A avó Arcanja avistou, entretanto, um carro conduzido pela Margarida; a Clara vinha ao seu lado e o Luís no banco de trás. Uma vez estacionado o carro, os três aproximaram-se de nós. No aconchego da capulana, eu estava um pouco ensonado, até que a avó Arcanja nos ergueu do banco para receber e cumprimentar as visitas. A Margarida fez as apresentações, até que duas caras desconhecidas começaram a procurar-me, espreitando ao redor da D. Arcanja. Quanto mais aqueles olhares me perseguiam, mais o corpo da minha avó rodava no mesmo sentido, como que uma progenitora ciosa a proteger a sua cria. Conquistado o seu voto de confiança, foi possível trocarmos olhares. Falavam-me




como se já me conhecessem há algum tempo, mas para mim era cedo demais para retribuir qualquer gesto ou expressão que não fosse de estranheza. Por sugestão da Margarida, fomos os cinco para um espaço mais reservado, mas bem arejado. Mais uma brecha no seu instinto protetor e deslizei das costas para o colo da avó Arcanja, que entretanto se tinha sentado num banco de madeira ajeitado pela Margarida. Agora, estávamos todos um pouco mais próximos e os típicos momentos de silêncio de quem tinha acabado de se conhecer, eram salvos pela Margarida, que acrescentava conversa de modo a desfazer um certo acanhamento que se deixava perceber. Entretanto, de um saco colorido em tons de azul, o Luís retirou um brinquedo. Era um objeto com rodas, de cores muito vivas, que me prendiam o olhar. Depois de montado com todo o entusiasmo, o Luís aproximou-se para nos mostrar como brincar com a dita traquitana. A avó Arcanja estava tão atenta quanto eu e momentos houve em que me pareceu bastante animada! O brinquedo tinha peças de várias formas e cores; cada uma delas tinha que ser colocada na sua própria casinha. Tocando no sítio certo, devolvia-nos uma música bem divertida e ritmada. Aquela melodia nunca tinha ouvido antes, mas a sua batida levava o nosso corpo a gingar, quase sem darmos

conta, tal como acontece quando ouvimos música santomense. Mágicas eram também as luzinhas. Aqui, em São Tomé, toda a gente conhece muito bem a luz do sol, da lua e das estrelas, mas estas que não nascem do céu, ainda há pessoas que nunca viram. Enquanto apreciava o brinquedo, sentia um olhar preso a mim que parecia observar-me ao pormenor. De vez em quando, acariciava-me suavemente um braço ou uma perna com o dedo indicador. A certa altura, timidamente, perguntou se me podia pegar ao colo, mas a pergunta não colheu resposta. Não insistiu. Deve ter

percebido que aos setenta anos o ouvido da avó Arcanja já não é o que era… Pegou então numa almofada verde em forma de coração e colocou-a no meu colo. Não resisti a apertá-la e a esfregá-la na minha cara de tão fofinha que era. Por mais que a abraçasse, ela não cedia e voltava sempre à sua forma de coração, pronto para me acolher quando eu quisesse. O encontro estava a chegar ao fim e a avó desejava regressar a casa de cansada que devia estar. Bastou o curvar das suas costas para perceber que chegara a hora de partir e, Leve Leve, voar nas asas da D. Arcanja!




MAIS DO QUE PADRINHOS

ofereço o mundo no sapatinho. Cascais, Joana Lopes Clemente

N

uma sociedade onde quase tudo aquilo a que aspiramos é uma versão melhorada do que já temos; em que numa ocasião festiva a oferta de um presente é um ato quase mecânico; o que faz com que um presente que recebemos seja verdadeiramente especial? O que ainda nos consegue comover? O que transforma um gesto comum num gesto memorável? O que é que, numa ocasião especial, ajuda a fazer de nós pessoas mais especiais? Vivemos num mundo que precisa de heróis, de fontes de inspiração. Num mundo em que as solicitações são imensas, a perder de vista, mas o conteúdo nem sempre corresponde à exuberância do pa-

cote! Num mundo em que a matemática das coisas privilegia a soma e a multiplicação em detrimento da divisão! E que em resultado disso, os pratos da balança vivem em polos opostos. E neste mesmo mundo, no qual vivemos, há infinitas ilhas isoladas de universos de coisas distantes e simples. De peças básicas das quais se constroem milhões e milhões de existências cuja ambição não se distancia daquilo que é absolutamente necessário para viver. E essas ilhas, também precisam desesperadamente de heróis! Por muito comum que cada um de nós se sinta, em média, cada português tem um rendimento 22 vezes superior ao de um moçambicano e 12 vezes superior ao de

um santomense. Se isso, aliado ao facto de, do outro lado do mundo, haver necessidade de tudo e do lado de cá termos acesso facilitado a todas as coisas possíveis e imaginárias, não faz de nós potenciais heróis, o que fará? Propomos então oferecer o que para alguém é absolutamente necessário: propomos fazer dos nossos amigos e familiares, super-heróis; coroá-los com o cunho de excecionalidade que já lhes pertence e resgatar assim aquilo que se entende por espírito natalício e que tem o poder de aquecer mais do que as divisões das nossas casas: a capacidade de dividir, de partilhar e de fazer com que cada um de nós se sinta muito maior!




Como fazer para receber um presente solidário em 3 passos? 1 – Contatar a Associação Helpo através do e-mail info@helpo.pt ou do número de telefone 211537687 e especificar qual ou quais os presentes solidários que gostaria de receber e em que morada(s). 2 – Efetuar a contribuição correspondente a favor da Associação Helpo (Banco BPI – 0010 0000 348 3348 000 328), informar a associação e enviar o comprovativo através de e-mail (se possível). 3 – Receber os certificados na(s) morada(s) fornecidas e apreciar os enormes sorrisos de quem o(s) recebe.* * É possível personalizar os certificados, sempre que os pedidos de personalização sejam feitos até ao dia 16 de Dezembro. NB – Por um acréscimo de 20€ é possível adicionar à sua encomenda uma sweatshirt da Helpo da campanha “Eu tenho um super-poder”.




MAIS DO QUE PADRINHOS

a nossa passagem por s. tomé. Maia, Elsa Silva

No final do ano passado, neste mesmo mês, de forma singela e discreta, soubemos do donativo de 3.000€ que a madrinha Elsa tinha feito para os projetos da Helpo em São Tomé. Este donativo era especial: poupado a pouco e pouco, tinha a intenção de se transformar na viagem de sonho da madrinha Elsa a São Tomé, para conhecer a sua afilhada! Com o apoio do marido, Paulo, puseram de lado a viagem de sonho, porque acharam que o dinheiro teria mais utilidade se aplicado no terreno, nos projetos da Helpo em São Tomé. Surpresas da vida, em maio deste ano a madrinha Elsa e o Paulo foram ao terreno conhecer a Eliandra! Percalços à parte, aqui vos deixamos o seu testemunho.

A

chegada é um dos momentos de maior impacto, por múltiplas razões. Ficámos assoberbados pela luxuriante paisagem e pelo calor. Ainda no aeroporto, fomos confrontados por uma realidade muito diferente do que estamos habituados. A pobreza nota-se logo aí, falta quase tudo e o que há é muito velho, mas também logo aí começa-se a tomar contacto com as pessoas naturais da ilha e sente-se de imediato o calor humano, a gentileza do trato, o respeito. Os meninos vêm pedir “doce”, é uma constante por toda a ilha, mas é tão simples dizer não. Tanto aceitam um sim, como um não, são sempre prestáveis, muito dóceis e torna-se muitas vezes difícil prosseguir viagem, termos de dizer adeus. Há crianças por todo o lado, o futuro demográfico está bem assegurado, as condições de vida são do

mais básico, mas sente-se felicidade em cada rosto. A Educação é fundamental para construir um futuro melhor. A ilha tem muito potencial, mas está tudo ao abandono, raras são as exceções. O papel da Helpo é muito importante, pois ao assegurar que as crianças das comunidades que apoiam tenham um mínimo de instrução, estão a dar o que mais faz falta em S. Tomé e Príncipe. Os recursos naturais são imensos, a riqueza está lá, é só terem formação suficiente para poderem tirar partido dela. Isto dito assim parece fácil, mas ficamos com a sensação que vão ser necessárias várias gerações para mudar o que é preciso mudar. Não têm de ser como nós, mas faltam noções importantes de democracia, de trabalho, de higiene, de saúde, etc., pode resumir-se numa palavra, falta… instrução. Fomos muito bem recebidos pela família da nossa afilhada Eliandra e foi emocionante poder conhecer finalmente a menina com quem nos correspondíamos. Pudemos visitar a casa onde vive, conhecer os familiares, ter uma ideia mais concreta das condições de vida e da integração na comunidade local. Há uma coisa que apreciámos muito, não vimos nem ouvimos falar de violência, é um país muito pacífico. Comparado com outros países africanos, é uma grande vantagem em S. Tomé e Príncipe. Há praias lindíssimas e a água do mar é espetacularmente quente, mas o que deixa mais saudades são os meninos, com quem tivemos imensos contactos, (e não fora um pequeno problema de saúde, teríamos tido muitos mais), com quem trocámos muitos carinhos e conversas, que vão ficar para sempre gravados no coração, mantendo a saudade sempre acesa, e fazendo-nos repensar muitas vezes se vale a pena a correria do dia a dia neste nosso país, onde é muito mais complicado conseguir sobreviver. Bem haja a Helpo por ajudar os meninos de S. Tomé e Príncipe!




IMAIS

querer é poder!

O

evento “Lanche solidário” surge do desafio que Jorge Baptista, gerente do Mix Pão, lançou à Helpo. Passar uma tarde junto dos clientes e amigos que são fiéis aos sabores desta padaria/cafetaria, envolvidos com o cheiro dos famosos croissants, para divulgar a Helpo, através da venda de artesanato/ merchandising e de uma tômbola, onde poderíamos colocar donativos para o projeto “lanche escolar”. Este desafio permitiu à Helpo divulgar junto da comunicação social o seu trabalho, iniciar novos apadrinhamentos e donativos no valor de 468€ para os lanches escolares. É na concertação de esforços que conseguimos tornar o mundo num mundo mais humano! Obrigada ao Mix Pão pelo envolvimento e dedicação.

primestar - time to give.

D

esde 14 de março do presente ano, que a Primestar, uma empresa que desenvolve a sua atividade com soluções de consultoria para a gestão de ativos de crédito e imobiliário, veio suprir uma necessidade: contar com o apoio de voluntários regulares na sede da Helpo, para apoiar nas tarefas administrativas e logísticas, que inundam o nosso dia-a-dia. Um grupo de colaboradores desta empresa, todas as 2ª feiras, efetua trabalho voluntário na Helpo nas mais variadas tarefas: apoio administrativo aos diferentes departamentos, triagem e acondicionamento de bens, carregamento de bens, fruto

de campanhas de recolha regulares. A adesão às campanhas de recolha de bens tem sido crescente, e o armazém da Helpo tem sido submergido de bens para rechear os contentores, que enviamos para Moçambique e São Tomé e Príncipe. Estão envolvidos nesta ação, 28 voluntários, totalizando 232 horas de voluntariado até à data. Este inestimável apoio manter-se-á até ao dia 5 de dezembro. Aos voluntários da Primestar, que todas as semanas nos ajudam a carregar, separar, “encaixotar”, o nosso Muito Obrigado! E à Primestar, agradecemos a sensibilidade para perceber a importância deste apoio! Um bem-haja!





THE BRIGHT SIDE OF LIFE” 

FICHA TÉCNICA

Entidade Proprietária e Editor

Design

Associação Helpo

Codex - Design e Relações Públicas

Morada e Redação: Associação Helpo, Rua Catarina Eufémia 167 A, Fontaínhas, 2750-318 Cascais Diretor Responsável

António Perez Metelo

Informações: Associação Helpo

Tel.: 211537687 info@helpo.pt www.helpo.pt

Diretora Editorial

Joana Lopes Clemente

A responsabilidade dos artigos é dos seus autores.

Nº de registo no ICS: 124771 Tiragem: 4000 exemplares Periodicidade:

Trimestral

A redação responsabiliza-se pelos artigos sem assinatura. Para a reprodução dos artigos da revista mundo h, integral ou em parte, contactar a redação através de: info@helpo.pt.

NIF: 507136845 Depósito Legal: 232622/05 Impressão

ORGAL, Rua do Godim, 272 4300-236 Porto Conceção gráfica

Margarida Assunção Colaboradores neste número

António Perez Metelo Bárbara Oliveira Carlos Almeida Carolina Marques Clara Pinto Duarte Marques Elsa Silva Inês Faustino Joana Lopes Clemente Kyrian Opstaele Sílvia Nunes Sofia Nobre Correspondente em África

Carlos Almeida

Dados bancários

Banco: BPI Títular: Associação Helpo IBAN: PT50 0010 0000 3483 3480 0023 1 SWIFT code/ BIC: BBPIPTPL




Mundoh#36 bolso  
Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you