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mundo h. 34 ABR.MAI.JUN. 16 Ano8 0,70€

BALANÇO MUNDO HELPO 2015 REVISITADO; MOÇAMBI QUE ENSINO SECUNDÁRIO EM DESTAQUE; S. TOMÉ FORMAR COMUNIDADES EM ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL; PORTUGAL 8º ANIVERSÁRIO; ESTÓRIAS VOLUNTARIADO NA 1ª PESSOA; QUEM HELPA BPI - APOIO RENOVADO.


ÍNDICE 3

16

EDITORIAL

PORTUGAL

balanço e desafio.

ena, 8 anos!

4 18

BALANÇO MUNDO HELPO montes e vales de 2015.

ludoteca das fontainhas, a helpo joga em casa! 20

8

MOÇAMBIQUE

ESTÓRIAS gestos de incentivo.

secundário, o embondeiro das oportunidades! 22 10

a fronteira invisível.

12

S. TOMÉ E PRÍNCIPE passagem de testemunho doce. 14

o leve-leve na pérola do equador.

QUEM HELPA BPI a helpar!


EDITORIAL

BALANÇO E DESAFIO. Caxias, António Perez Metelo

N

o calendário de datas assinaláveis na vida da Helpo, o aniversário coincide com a apresentação de contas do ano passado e projeção das atividades programadas nos próximos doze meses. É, por esse motivo, um tempo duplamente marcado pela análise do caminho já percorrido e antevisão do próximo troço de estrada a palmilhar. Para a Direção e para os quadros da nossa Associação é, igualmente, o momento para renovarmos forças anímicas, reconhecendo as vitórias alcançadas – que têm de ser medidas e valorizadas sempre com precisão e espírito critico. É, também, a altura de agradecermos profundamente a todos, madrinhas e padrinhos pelo seu laço fiel e constante de apoio às suas afilhadas e seus afilhados; a todos os amigos individuais - com as suas generosas ofertas em bens ou em dinheiro, com a consignação em benefício da ONGD Helpo dos seus 0,5% do IRS –; a instituções ou empresas, cujo apoio diversificado se tem revelado crucial para a construção de salas de aula, de bibliotecas, de sistemas de captação de águas pluviais, de concretização do transporte, até aos seus fruidores finais à distancia de milhares de quilómetros, dos bens doados para apoio às aulas e para uma qualidade de vida um pouco menos esforçada. Oito anos de trabalho contínuo no norte de Moçambique e de

sete anos, em São Tomé e Príncipe emergem no nosso balanço com traços nítidos: sim, a escola é o grande elevador social para romper a armadilha da pobreza e construir à volta de cada novo jovem qualificado uma dinâmica de alargamento de boas práticas educativas, de uma melhor nutrição, de uma ousadia de imaginar, até, um futuro, que se afigure melhor!... Hoje, sabemos com maior segurança e menor margem de erro, o que funciona bem na capacitação das comunidades em tudo o que pode beneficiar as suas crianças. E é com um sentimento profundo de respeito pelas culturas locais, conscientes do papel que podem desempenhar, que os quadros da Helpo se atiram em cada dia às múltiplas tarefas, que os esperam. Hoje, os resultados desse esforço porfiado e persistente estão à vista e conduzem a novas solicitações de alargamento da nossa ação, por parte de autoridades locais, bem como a parcerias com grandes instituições internacionais de apoio ao desenvolvimento. Agora, do que se trata, é de conseguir entusiasmar mais portugueses a entrar nesta aventura de construir um mundo humano (a sério); é o de concentrar mais energia –de meios e vontades - para podermos responder à dimensão da nossa visão, cada vez mais ampla. Mas, em simultâneo, cada vez mais com os pés bem assentes na terra.


BALANÇO MUNDO HELPO

montes e vales de 2015. Cascais, Joana Lopes Clemente Toda a montanha começa num vale e é essa variação de relevos que nos devolve a certeza dos pontos altos e nos faz reconhecer o frio, que ensombra os pontos mais baixos. E todos os anos, quando olhamos para trás e fazemos um balanço do que passou, os números ajudam-nos a confirmar o que são avanços e recuos. Número de beneficiários, número de projetos concretizados, número de voluntários que nos apoiam, número de padrinhos que se empenham em realizar os mesmos sonhos que teimam em não abandonar primeiro o nosso imaginário, depois os nossos dias. Estes números transformam o abstrato em concreto e dispõem-se em estratos, degraus que só podem conhecer uma direção ascendente.

E

m 2015*, além do constante envolvimento dos padrinhos dos programas e crianças apoiados pela Helpo, novos parceiros vieram ajudar a conferir dimensão a projetos pensados e ainda não concretizados por falta de financiamento. Contámos, para o desenho destes planaltos, com o apoio da Unicer, Terminais do Norte, Siemens Moçambique e Fundação AMI, que foram fundamentais para a construção de novas salas de aula, sistemas de aproveitamento de águas pluviais e programas de formação contínua aos monitores e alunos das creches. Estes novos apoios foram e são importantes

para a atividade da Helpo, mas não podemos deixar de reconhecer que são pontuais, sem o caráter de regularidade, que o programa de apadrinhamento contém e nos permite assumir compromissos duradouros com as comunidades e beneficiários dos nossos projetos. APADRINHAMENTOS E DONATIVOS Pontos altos . Aumento de 7% no valor recolhido ao abrigo do programa de apadrinhamento de crianças à distância, perfazendo um total de 609.576,83€. . Atribuição de valor aos donativos re-

cebidos em espécie, que dispensam a Helpo de gastos em dinheiro, no valor de 164.557,11€. . Adesão de 799 novos padrinhos ao programa de apadrinhamento da Helpo. Pontos Baixos . Perda de 9%, face a 2014, relativamente aos donativos livres, perfazendo um total de 233.261,08€. . Perda de 510 padrinhos dedicados ao programa de apadrinhamento da Helpo. Ainda assim, padrinhos e apoios pontuais permitiram-nos inaugurar 3 salas de aula, com bloco administrativo e latrinas,

*No passado mês de Abril, a Helpo apresentou e viu aprovadas as suas contas do ano de 2015 e proposta de Plano de Atividades para 2016, em sede de Assembleia Geral. Cumprindo os padrões de transparência, pelos quais nos regemos, procedemos à publicação integral dos documentos no nosso site (www.helpo.pt) e convidamos todos os padrinhos e amigos a consultar os mesmos.


em Nawitipele, onde, além disso, foram recuperadas em material misto outras 6 salas de aula, e recuperar na totalidade a estrutura e cobertura de 3 salas de aula em Natchetche (que tinham sido destruídas pelo mau tempo da época das chuvas e furacões) e uma biblioteca e, ainda, uma

sala de aula e uma biblioteca em Teacane. Em Sanculo, foi montado um Sistema de Aproveitamento de Águas Pluviais.

educação, alargando a nossa capacidade de receber crianças e mães em consulta e internamento e de dar formação a técnicos de saúde, pais, professores, educadores e monitores. Este é um trabalho constante, o trabalho de formiguinha, que nos permite apostar na qualidade, ao mesmo tempo que construímos as bases, em condições melhores para acolher essa qualidade.

PARCERIAS E ENTRAVES Pontos altos .Início da parceria com o Camões ICL, na qual a Helpo é executora de um projeto da Cooperação Portuguesa de assessoria técnica para a qualidade e sustentabilidade do ensino pré-escolar na Ilha de Moçambique. .Conclusão do primeiro Programme Cooperation Agreement (PCA) com a Unicef, no qual a Helpo é o implementador de

Além dos projetos cujo impacto começa por ser visível quando chegamos a uma comunidade, como é o caso de todas as

atividades, que envolvem construção e equipamento de estruturas - salas de aula, sistemas de aproveitamento de águas pluviais, sanitários, bibliotecas, fornos comunitários -, demos passos importantes na construção de projetos de assessoria técnica, que envolvem as áreas da nutrição e

um programa de suplementação da alimentação das crianças da Ilha de Príncipe (Região Autónoma com o mais alto nível de desnutrição do país), com Vitaferro; Pontos baixos .Dificuldade em trabalhar com normalidade durante a época das chuvas (4 semanas consecutivas sem eletricidade) e durante a época seca (falta de abastecimento de água à casa/escritório durante 6 semanas).


BALANÇO MUNDO HELPO

. O custo, a morosidade e a dificuldade dos processos administrativos para regularização da situação dos recursos humanos no terreno, que deixaram de ser abrangidos pelo regime anterior e cujo enquadramento é cada vez mais dispendioso e difícil, em particular em Moçambique (autorizações de trabalho, autorizações de residência). . Dificuldade crescente (decorrente do ponto anterior), em colocar no terreno voluntários de longa duração ao serviço dos diversos projetos. É ainda de referir que se registou um cres-

cimento ao nível da capacidade de captação de recursos humanos em regime de estágio curricular e estágio à Ordem dos Nutricionistas, que permitem consolidar o projeto de apoio a crianças desnutridas e a gestantes em São Tomé e Príncipe. O forte impacto deste projeto levou a Helpo a estudar as suas potencialidades de aplicação noutras geografias, como Moçambique (onde atualmente só funciona ao nível da formação de comunidades e professores) e Portugal. A constituição da Helpo Moçambique permitiu o crescimento da recolha de fundos

destinados a projetos específicos, como o equipamento de escolas secundárias com os manuais escolares em vigor, a dotação de estudantes do ensino secundário com bicicletas, que lhes permitam a mobilidade ou ainda o envolvimento de financiadores em projetos específicos na área da educação. NOVAS OPORTUNIDADES E AMEAÇAS Pontos altos . Aumento do número de bolseiros da Helpo e frequentar o ensino secundário (451) com apoio ao nível da matrícula, uniforme


escolar, material escolar, calçado, transporte ou outro (cada caso é apresentado individualmente e as soluções estudadas para cada estudante em concreto). . Aumento da capacidade de angariação e envio de materiais via contentor, que beneficiam os projetos de apoio extraordinário (chegada de 2 contentores a Moçambique durante o ano de 2015 e utilização do envio regular via contentor para São Tomé e Príncipe, com o apoio da empresa Soares da Costa). Pontos baixos . Dificuldade em angariar, anualmente, um número crescente de padrinhos que acompanhe o ritmo de crescimento de estudantes candidatos a receber a bolsa para estudarem no ensino secundário (a partir da 8ª classe). . Aumento do número de casos de meninas, que desiste da escola por gravidez ou casamento, à medida que vão avançando

na idade. Importa, ainda referir que a intervenção e número de beneficiários em Portugal também registou um crescimento com a abertura de uma nova valência dedicada às crianças e jovens do bairro das Fontainhas: uma Ludoteca equipada com computadores e acesso à internet, graças ao apoio de parceiros regulares, que sustentam, nomeadamente, a alimentação das 24 crianças, que frequentam semanalmente o espaço, e das mais de 60, que frequentam o projeto dedicado às interrupções letivas (ex: Refood e Grupo Jerónimo Martins). RECURSOS E NECESSIDADES Pontos altos . Aumento do investimento em projetos e assistência em favor dos beneficiários, o que significa que o crescimento que se verificou ao nível da recolha de fundos teve um impacto direto nas crianças e comuni-

dades apoiadas. . Aumento do valor recebido ao abrigo da consignação de 0,5% de IRS, que os contribuintes podem doar a uma instituição de solidariedade, para 47.039,75€. . Diminuição da fatia dedicada à estrutura, que sustenta todas as operações em favor dos beneficiários (16,2%), continuando a cumprir o compromisso assumido com os nossos doadores de que só poderá ser aplicado em estrutura um máximo de 20% da totalidade das receitas. Pontos baixos . A quantidade de necessidades extremas, que continuamos a constatar nas áreas, nas quais trabalhamos e às quais ainda não conseguimos acorrer. . A situação de forte instabilidade política e económica que pode fazer perigar a paz em Moçambique.

Na procura de desenharmos uma paisagem ambicionada, com muitos mais cumes que vales, toda a equipa Helpo continua a trabalhar afincadamente para suprir as necessidades básicas de mais de 17.000 beneficiários. Nunca é demais lembrar que esta equipa, a nossa equipa, não se esgota nos técnicos, voluntários e agentes comunitários da Helpo. Ela só está completa com cada um dos nossos padrinhos, amigos e financiadores, que constituem o verdadeiro motor desta operação que, de ano para ano chega a cada vez mais meninos e meninas em perigo, estendendo-lhes a mão e ajudando-os a vislumbrar um horizonte para além do dia de hoje, um mundo mais humano!


MOÇAMBIQUE

secundário, o embondeiro das oportunidades! Nampula, Inês Faustino

A

Helpo assenta num percurso de crescimento que se quer consciente, orientado e firme, mas também inovador, dinâmico e sempre aberto às necessidades das comunidades onde trabalha. À semelhança de um embondeiro, a Helpo aposta, numa base sólida e consistente, nas comunidades onde sempre trabalhou, e vai lançando os seus ramos em novas direções que, naturalmente, surgem. O ensino secundário é exemplo disso, uma nova etapa que inevitavelmente se avizinhava, no caminho de uma Helpo que, após oito anos, se torna adolescente. Relembramos que o ensino primário em Moçambique corresponde a sete anos de estudo (da 1ª à 7ª classe) e o ensino secundário estende-se da 8ª à 12ª classe. Esta transição representa um momento de grande abandono escolar, por variadas razões, das quais a falta de poder económico é uma das principais. Transita-se de um ensino primário gratuito, para um ensino se-

cundário pago. O programa Futuro Maior, que lançámos no ano passado, surge também na tentativa de reduzir o abandono escolar, apoiando os jovens que querem continuar a estudar no ensino secundário (e que ainda não pertenciam a um programa da Helpo) mas que, devido à sua condição familiar, não têm essa oportunidade. Queremos com o Futuro Maior criar oportunidades para estes jovens. Oportunidades de sonhar. Em 2015, na província de Nampula, garantimos a frequência no ensino secundário de 140 jovens. Em 2016, graças aos novos padrinhos e madrinhas, conseguimos apoiar 216 jovens através do programa Futuro Maior. Juntando a estes jovens, os do ensino secundário apoiados pelo programa base da Helpo, o Programa de Apadrinhamento de Crianças à Distância (PACD), temos, em 2015, um total de 312 rapazes e raparigas apoiados no secundário e, em 2016, um total de 451! Prova de que esta é uma grande necessidade!

O nosso embondeiro engrossa cada vez mais a base, mas começa, também, a ter muitos mais ramos. A Helpo começa a entrar, através destes jovens, em variadas escolas secundárias. O embondeiro da província de Nampula conta com um tronco sólido de 15 escolas primárias e 5 escolinhas, e são já 21 as escolas secundárias tocadas pelos ramos desta majestosa árvore. Em Cabo Delgado, o embondeiro começa agora a brotar novos ramos. São 12 as escolas secundárias, que recebem os jovens apadrinhados da Helpo, provenientes das 4 escolas primárias e 3 escolinhas apoiadas na província de Cabo Delgado. Este é um desafio grande e logisticamente intenso. Acompanhar todos estes jovens nas várias escolas secundárias é uma tarefa exigente, que os nossos escritórios de Nampula e de Cabo Delgado e os nossos animadores no terreno se esforçam por cumprir. Não só fazem o acompanhamento das crianças do ensino primário, como alargam a sua experiência a estes jovens


do secundário. A Helpo começa, assim, a estender o apoio também às escolas secundárias de uma forma cada vez mais concreta e consistente, de acordo com o número de apadrinhados em cada uma destas. Na Província de Nampula, estamos presentes em 25% das escolas secundárias (segundo a Direção Provincial de Educação e Desenvolvimento Humano, existem 82 escolas secundárias na província de Nampula, sendo que na cidade há 26, das quais 14 são públicas e 12 são privadas). As 3 escolas secundárias da cidade de Nampula com mais jovens do programa Futuro Maior são a Escola Secundária do Anchilo, a Escola Secundária Polivalente São João Baptista do Marrere e a Escola Secundária Marcelino dos Santos, respetivamente com 94, 59 e 54 jovens apadrinhados por aquele programa. Na primeira escola secundária, os 94 jovens correspondem a 10% dos seus alunos, na segunda, a 4,3%, e na terceira a 1,76%. O apoio da Helpo nestas escolas secundárias tem passado pela entrega de vários manuais escolares, literatura juvenil e livros técnicos, doados em Portugal e que aqui chegam por contentor. Este ano, através da passada campanha de Natal dos presentes solidários, conseguimos entregar em cada um destes três estabelecimentos de ensino um conjunto de manuais escolares do currículo moçambicano, num total de 90 livros, muito apreciados pelos estudantes. Ao contrário dos nossos estudantes portugueses, que em cada ano lectivo vão para a escola com os seus próprios manuais, aqui os jovens vão para as escolas só com os cadernos e canetas nas mochilas. Esta realidade é bem diferente!

Nas comunidades, onde trabalhamos, os jovens não têm possibilidade de adquirir os seus próprios manuais, pelo que, terem acesso a eles numa biblioteca da escola é deveras importante para o seu estudo e sucesso na aprendizagem. A entrega destes livros pela Helpo é, normalmente, efetuada no início do ano lectivo e durante todo o ano, dependendo dos livros que nos vão chegando de Portugal. Outro apoio facultado pela Helpo às escolas secundárias, e muito querido pelos jovens, são os equipamentos desportivos e algum material desportivo como as bolas de futebol! A prática desportiva é muito incentivada no seio da juventude, mas muitas vezes por falta de material não é possível realizá-la nas escolas. Para além destes apoios em livros e material desportivo, a Helpo caminha mais próximo destas escolas e das suas direções escolares, de modo a fazer um acompanhamento conjunto destes jovens, contribuindo ambos para uma educação melhor. E claro, este apoio não abrange só os apadrinhados, mas todos os estudantes. Nestas três secundárias de que falamos, o apoio da Helpo atinge 5.356 beneficiários. Com o nosso apoio, estas escolas secundárias melhoram o serviço que prestam aos seus estudantes, podendo oferecer mais diversidade e qualidade de ensino. O impacto da presença da Helpo é, por isso, positivo e muito importante para estas escolas e estes jovens. Potencia oportunidades e sonhos. Exemplo disso é a construção da biblioteca da Escola Secundária do Anchilo, onde o programa Futuro Maior tem mais expressão. As primeiras entregas da Helpo de manuais e livros a esta escola resultaram na edificação de uma biblioteca

por parte da direção da escola. O Diretor sentiu que, com este acompanhamento e apoio da Helpo, já seria útil construir um espaço onde os alunos pudessem ter acesso a informação específica e tão necessária para um ano escolar coroado de êxito. Como esta, há muitas outras escolas secundárias e muitos outros jovens que necessitam e anseiam conhecer este embondeiro que é o programa Futuro Maior: uma oportunidade para sonhar!




MOÇAMBIQUE

a fronteira invisível. Nampula, Carlos Almeida

Distrito de Lalaua.

N

Distrito de Namuno.

um país onde cabe nove vezes Portugal e onde o desenvolvimento fica muito circunscrito a Maputo, às capitais de Província e alguns pontos perdidos no mapa, as vias de comunicação são, mais do que em qualquer outro lado, fatores de desenvolvimento. Em Nampula e Cabo Delgado, Províncias onde a Helpo está presente em força, nota-se que, fugindo das cidades e saindo das principais vias alcatroadas, se entra num mundo novo onde a Língua Portuguesa não reina, o chão normalmente é pisado por pés descalços e as construções de alvenaria são raras. Onde, além disto tudo, a realidade se funde com a ficção! Quem já leu livros de Mia Couto, sabe daquilo que eu estou a falar… Recordo sempre a primeira visita que a Helpo fez ao Distrito de Mocímboa da Praia, a 350 km de Pemba, no ano de 2010, ainda com uma estrada em estado lastimável e sem ligação à rede elétrica. Quando, a meio do caminho num posto de controlo, perguntei ao Polícia de Trânsito quanto faltava para chegar a Mocímboa da Praia, rebateu se eu queria saber em termos de tempo ou de distância. Respondi que podiam ser os dois e a resposta foi lacónica: “Em termos de tempo, depende da velocidade a que for, em termos de distância, não sei, mas é mais de 100 km”. Tempo e distância são um pouco ambíguos nestas paragens e é neste ambiente que a Helpo tem a maioria dos seus cen-

tros de intervenção. Embora, em Cabo Delgado, todas as escolas fiquem perto de uma estrada alcatroada, ainda que distante da capital de Província, Pemba, em Nampula, salvo raras excepções, a maioria das escolas fica em ambiente rural, onde é preciso percorrer estrada de terra para se chegar lá. Cada vez mais o trabalho da Helpo não se reduz ao Programa de Apadrinhamento de Crianças à Distância (PACD). A Helpo já chega a muitos locais onde não há crianças apadrinhadas. Toda a energia positiva que é reunida, sobretudo por pessoas de boa vontade em Portugal, chega às comunidades das crianças apadrinhadas. Chega às escolas secundárias, para onde os meninos e meninas apadrinhados e seus colegas transitam. Mas só aqueles que conseguem ultrapassar a fronteira da passagem da 7ª para a 8ª classe, bem como a distância entre escolas primárias presentes em quase todas as comunidades e escolas secundárias, que são escassas, obrigando por vezes a deslocações impensáveis. Chega também a várias Missões a trabalhar com grande dificuldade, mas sendo, por vezes, a única luz que se vislumbra e, outras tantas, a única ligação para o mundo desenvolvido. Conhecer como trabalham estes missionários e, ao mesmo tempo, conhecer como vivem professores, deslocados centenas de quilómetros, colocados a lecionar e a viver em locais sem eletricidade,

“conhecer os

professores, deslocados centenas de quilómetros, colocados a lecionar e a viver

em locais sem eletricidade, sem água canalizada”




Distrito de Balama.

sem água canalizada e onde o tempo parou, é uma passagem para outra realidade. Alguns destes locais “depois da fronteira“, são terreno familiar para a Helpo, quer através dos apoios prestados a várias Bibliotecas, cuja rede já ultrapassa o número de 50, bem como às Escolinhas Comunitárias, espalhadas pelos diversos pontos da Província, onde a Helpo faz chegar, com as respetivas Direções Provinciais do Género, Criança e Ação Social, diverso material de apoio. Neste momento, a Helpo cobre quase na totalidade todos os Distritos de Nampula e Cabo Delgado. A preciosa ajuda que chega através do contentor, faz potenciar o nosso trabalho. Não acreditamos que a assistência possa ser uma ajuda significativa, mas quando estas entregas são enquadradas em campanhas que reforçam a importância da Educação e da permanência na Escola, dessa forma conseguem-se pequenos-grandes passos em direção ao desenvolvimento. No passado mês de março, a Helpo chegou pela primeira vez ao Distrito de Lalaua – Província de Nampula, separado da Província do Niassa pelo Rio Lúrio, no seu extremo norte, distando 220km da Cidade de Nampula, que até há bem pouco tempo eram percorridos em estrada de terra batida. Chegar a Lalaua não era missão fácil. No ano de 2012, as Irmãs Missionárias Franciscanas solicitaram apoio à Helpo para abrir uma Biblioteca na sua Missão, na Sede do Distrito, a única Biblioteca existente num raio de 80km. A Helpo aceitou o desafio, entregou os livros, mas ficou a dever a visita. Quando a estrada ficou pintada de negro, diminuindo drasticamente o tempo de deslocação, passando a ter

apenas um troço de 80 km em estrada de terra batida, finalmente a Helpo chegou a Lalaua e encontrou uma Biblioteca organizada, que traz algum desenvolvimento a este ponto remoto da Província de Nampula. Além desta Biblioteca, as irmãs têm uma Escola Primária Comunitária, a 3 km da Sede do Distrito, numa região onde a Educação não é valorizada e toda a ajuda é pouca. Quando foram entregues bolas de futebol nesta escola, foi indescritível a emoção que percorria os olhares e pensamentos daquelas crianças que aguardavam a visita da Helpo!... Também em Cabo Delgado, a Helpo chegou pela primeira vez, no passado mês de abril, aos Distritos de Namuno e Balama, começando a apoiar as respetivas Escolas Secundárias, as únicas em cada um dos Distritos. Este apoio dado em dicionários, gramáticas e outros livros e material desportivo, constituído por bolas e equipamentos, fizeram as delícias destes jovens que vivem a várias horas de distância da capital de Província, mas têm uma vontade de aprender ilimitada, nestas sedes de Distrito que distam 260 km de Pemba. Em Namuno, o Padre Marcelino, natural de Mueda, e conhecedor profundo de todo o norte de Moçambique, falava da importância dos dicionários e das gramáticas entregues, para estes jovens que se deslocam dos confins do Distrito para a única Escola Secundária, única porta de saída que os fará passar para o outro lado da fronteira. Mais do que uma fronteira geográfica ou administrativa, esta fronteira invisível não se rege pelas mesmas distâncias nem conceitos temporais que nós. A passagem destas fronteiras invisíveis apenas se consegue com um passaporte especial, que a educação emite a quem consegue investir em si.




SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

passagem de testemunho doce.

TIAGO COUCELO. O dia 24 de março de 2016, marcou o fim da minha missão em São Tomé e Príncipe como Coordenador Nacional da ONGD Helpo. Quatro anos passaram desde que cheguei a uma ilha maravilhosa, plena de belezas naturais e de pessoas acolhedoras. O objetivo de reforçar a presença da Helpo no território santomense, de apostar em novas áreas de atuação e de diversificar as fontes de financiamento, foram algumas das vertentes que conseguimos atingir. A introdução do PANMI (Programa de Acompanhamento Nutricional Materno-Infantil) e a colaboração com a Unicef na suplementação com micronutrientes, são a imagem desta aposta. Também com o objetivo de não se perder este rumo, foi delineada uma passagem de pasta tranquila mas “trabalhosa” para o novo Coordenador Kyrian Opstaele. Foram 20 dias plenos de visitas a todas

KYRIAN OPSTAELE. A minha aventura arrancou em Moçambique, onde a equipa local me fez uma introdução às responsabilidades e tarefas da Helpo no terreno, durante o período de um mês. Como se pode imaginar, nunca podia ser suficiente para preparar-

as comunidades e respetivos encontros com diretores, professores, educadores de infância e responsáveis comunitários. Ao mesmo tempo, foram efetuadas reuniões com os nossos parceiros governamentais (Ministério da Educação e Ministério da Saúde), com instituições internacionais presentes no terreno (Unicef, Programa Alimentar Mundial e outras) e com organizações locais com objetivos coincidentes com os da Helpo. Todos referiram a excelência do trabalho da Helpo e o interesse em continuar a colaborar em projetos e ações futuras. Como se pode depreender, foram dias cheios e cansativos, mas essenciais para

que esta substituição não afetasse o dia-a-dia da Helpo, nem as atividades desempenhadas na área da educação e nutrição fossem prejudicadas. Quero garantir a todos os padrinhos que a Helpo vai continuar a sua trajetória de sucesso em São Tomé e Príncipe, aproveitando para desejar as maiores felicidades ao Kyrian! Para finalizar, não poderia deixar de agradecer à Helpo e a todos os colegas, que sempre me apoiaram em todos os projetos em São Tomé e Príncipe. Também aos padrinhos deixo uma palavra de apreço por tudo o que têm feito e apoiado.

-me inteiramente para as situações reais. Assim, a primeira surpresa chegou com a notícia de que o visto do Tiago Coucelo, o Coordenador naquele momento, expirava no dia 24 de março. Problema: o meu visto apenas estava para ser emitido no início de abril! Sem sequer ter posto os pés

no país, já tinha que improvisar... Depois de uma visita de emergência à Embaixada de São Tomé e Príncipe em Bruxelas, com a promessa do Embaixador, que eu iria provar o melhor chocolate do mundo (declaração ousada frente a um belga), com as despedidas da família e dos ami-




gos condensadas em 2 dias e com a mala feita num tempo record (até para mim!), embarquei no voo para São Tomé, no dia 8 de março. O Tiago deu-me as boas vindas no aeroporto da Cidade de São Tomé, a pequena capital com uma população que nem chega às cinquenta mil pessoas. Nos dias seguintes, reconheci muitas caras de passageiros que viajaram no mesmo voo. Nas ilhas com esta dimensão, ninguém ou nenhuma atividade passa sem ser notada. Para quem vivia na anonimidade de uma metrópole no Médio Oriente, uma adaptação pessoal vai ser mesmo precisa... Se achei que as minhas despedidas tinham sido condensadas, não tiveram nada a ver com as três semanas que se seguiriam, nas quais a passagem de pasta iria decorrer: visitas às comunidades onde a Helpo presta apoio nas escolas e creches; o Programa de Acompanhamento Nutricional Materno-Infantil (PANMI); as instituições

locais; as entidades governamentais e os muitos parceiros, tais como a UNICEF, uma ampla gama de tarefas e, sobretudo, muitas caras e nomes para lembrar. É um grande conforto saber que posso sempre contar com a ajuda e o conhecimento dos colegas Margarida Lopes, Maria, Margarida Góis e Idalécio, quando a minha memória me falha! Felizmente, em todas as reuniões, fomos acolhidos de mãos abertas e foi visível uma grande vontade de continuar a colaborar com a Helpo. No ano passado, no evento “Stand up charity” em Cascais, tive a oportunidade de ouvir o nosso Presidente António Perez Metelo falar sobre um tema, que na altura ainda não sabia colocar no contexto certo. O discurso incidiu sobre a pobreza, a pobreza que mata. Não demorou muito tempo para perceber e transpor essas palavras à realidade de São Tomé. Ao assistir a um rastreio da equipa do PANMI na comunidade de São Lourenço, localizada numa roça afastada, encontrámos os gémeos Tiago e Tilson. Se eu tivesse de adivinhar a sua idade, diria 6 meses mas, na realidade, têm 1 ano. Sem a presença da Helpo, em termos de consultas, diagnósticos, acompanhamento e apoio nutricional, o futuro deles seria condicionado pelas circunstâncias precárias da família. A pobreza não só significa a falta de recursos financeiros para comprar comida, mas também a falta de conhecimento para a preparar de forma saudável. Mais tarde, nesse dia, ao falar por skype com a minha irmã, apareceu no ecrã o meu sobrinho de 18 meses, com o rubor na bochecha, saboreando uma banana depois da sua segunda refeição quente nesse dia. Comparando estas realidades tão distintas, fiquei com um nó na garganta e senti-me grato por ter crescido numa parte do mundo onde nem sempre fazemos ideia da sorte que nos acompanha. Em parceria com a UNICEF, a Helpo coor-

denou a reabilitação de 2 creches na Ilha do Príncipe, pintando as paredes com tons leves e claros, equipando o espaço sanitário com água corrente e dando outra vida ao pátio, com um escorrega e um carrossel. Esta é a parte do trabalho, onde se vê que nem sempre há uma grande diferença entre os mundos. O caos encantador de crianças a brincar, cantar, gritar, é igual em todo lado. Tal como os sorrisos que não mentem! É um gosto fazer parte de um projeto que provoca tanta alegria e que resulta em mais motivação nesses mesmos alunos. Quais são as minhas expetativas? Sinceramente, espero passar uns bons tempos aqui em São Tomé e Príncipe e espero fazer uma pequena diferença na vida de algumas crianças, através dos projetos da Helpo. E quando chegarem tempos mais difíceis, ao sentir falta da família e dos amigos, um pedaço do melhor chocolate do mundo estará sempre ao alcance...




SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

O leve-leve na pérola do equador. São Tomé, Margarida Góis

Margarida Góis, nutricionista estagiária à Ordem dos Nutricionistas, partiu com a Helpo para São Tomé para enriquecer o seu percurso profissional em contexto de desenvolvimento, após experiências prévias de voluntariado de curta duração no Brasil e em Cabo Verde.

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izem que nada acontece por acaso… neste momento também gosto de pensar assim! Acabada de sair da faculdade, com o curso terminado, a nutrição quase ficou para segundo plano, num percurso pouco comum entre trabalhos fora da área que havia estudado e experiências de voluntariado nacional e internacional, na área da educação para a saúde. Por esta altura, o estágio à Ordem dos Nutricionistas encontrava-se pendente, pois as condições e requisitos necessários para o iniciar pareciam nunca mais estar preenchidos e, simultaneamente, o bichinho de explorar o mundo crescia dia após dia, de forma que a grande Lisboa já não era suficiente. Foi então que um dia, sem qualquer aviso prévio, o nome Helpo surgiu no meu caminho. Escusado será dizer que, por juntar o melhor de dois mundos, me atirei de cabeça sem pensar duas vezes. Oficina de voluntariado… Formação… e malas feitas! Chegar a São Tomé foi aprender a abrandar até ao ritmo leve-leve, dentro de uma ilha cheia de novidades, onde queremos chegar a toda a gente mais rápido do que aquilo que nos é realmente possível. Aqui, os primeiros dias pareciam semanas, as semanas meses, e os meses… demasiado tempo! O dia começa às 8, hora a que saímos da cidade e partimos para

o distrito de Cantagalo, com destino a um dos 4 Postos de Saúde onde estamos presentes semanalmente. Para trás deixamos a confusão da cidade e mergulhamos na paisagem esverdeada, que tanto caracteriza o sul. Os dias de consultas fluem, desde a entrada no Posto repleto de pessoas, à partilha de sala com os enfermeiros, ao calor que se instala, às medições e pesagens com instrumentos comuns, à falta de energia elétrica e de água e, finalmente, àquele momento de consulta que é tão nosso, quanto o é de cada uma das mães daquelas “nossas” crianças. São muitas as histórias que nos chegam, e a real compreensão do meio que as envolve é fundamental para o desenvolvimento de um trabalho bem-sucedido, pois muitas das complicações que surgem, começam no lar de cada uma destas crianças. Com isso em vista, iniciou-se um trabalho nas comunidades, junto das mamãs e dos cuidadores – o PANMI-Comunidades – baseado num manual para agentes de saúde com o tema “Importância da alimentação saudável nas primeiras etapas da vida”, elaborado pela Helpo durante o último ano. Assim, criou-se um ciclo de 4 formações práticas nas comunidades – uma abordagem preventiva, que pretende trabalhar as mudanças de com-

“trabalhar nas comunidades é despirmo-nos de ideias e expectativas... É deixar para trás aquilo que imaginámos (...)”


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portamentos alimentares no seio das famílias e meio envolvente. Desta forma, devidamente inseridos na comunidade, metemos as “mãos na massa” com a ajuda do respetivo agente de saúde e, em conjunto com as mamãs locais, confecionamos diferentes pratos para crianças entre os 6 e os 11 meses de idade. Pode dizer-se que não se trata de um espaço para despejar conhecimento, mas sim um momento de partilha e aprendizagem para ambas as partes, onde todos participam e contribuem com um bem alimentar. Pouco a pouco, queremos marcar todas as comunidades de Cantagalo com este trabalho e, desse modo, contribuir também para a melhoria do estado nutricional dos nossos “piquenos”. Por agora, partimos para Quimpo, Claudino Faro e Monte Belo – os três locais deste projeto piloto –, tão distintos e distantes uns dos outros, separados por três longos caminhos de pedra e terra batida no meio do mato, mas unidos pela genuína hospitalidade de todos os que nos receberam. Trabalhar nas comunidades é despirmo-nos de ideias e expetativas… É deixar para trás aquilo que imaginámos e ouvimos dizer, e atirarmo-nos ao desafio de um dia-a-dia caracterizado por uma simplicidade tão própria dos santomenses. É voltarmos estoiradas para casa já com o anoitecer em pano de fundo, mas preenchidas pelas histórias que trazemos connosco. Atualmente, este meu caminho vai a meio, mas já guardo o sorriso descansado de cada mamã PANMI, sempre que o filho “não arraiou de peso”; os preciosos momentos com as mães dos primeiros internamentos que segui; a boa disposição de todos os funcionários dos Postos de Saúde; as longas (e por vezes dolorosas) viagens de carro; os atribulados almoços de fuba e kisaká a meio do caminho em detrimento dos descontraídos almoços Helpo à volta de uma mesa e, por fim, o sabor agridoce de saudades de casa e de, ao mesmo tempo, não querer partir.


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PORTUGAL

ena, 8 anos! Cascais, Ondina Giga

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Helpo já celebrou o seu oitavo aniversário e fê-lo no dia 13 de março de 2016, no Teatro do Bairro, em Lisboa. 150 presenças, entre amigos, padrinhos, voluntários e colaboradores. Uma festa variada, com vários momentos alusivos a Moçambique, ao trabalho que a Helpo tem desenvolvido lá e à própria realidade moçambicana. Dando as boas vindas a todos os presentes, estava uma exposição com 50 surpreendentes fotografias, alusivas ao quotidiano no Norte de Moçambique. Nestas, pudemos ver

os rostos, os passos, as estradas, as paisagens, as cores, os sorrisos e as lágrimas do terreno onde a Helpo trabalha há 8 anos. As fotografias foram cedidas à Helpo pelo seu autor, Victor Castro, realizador que, pela Story: WeProduce, se deslocou a Moçambique, em setembro de 2015, acompanhado pelo Miguel Robalo, diretor de fotografia. O objetivo da viagem era o de recolher informação e imagens destinadas à realização de um documentário sobre esta realidade, especialmente sobre as pessoas que

“Dando as boas vindas a todos os presentes, estava uma exposição com 50 surpreendentes fotografias”


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a fazem. No dia 13 de março, além das fotografias, foi apresentado um excerto do documentário, ainda em preparação. De nome Koshukuro (que significa “obrigado” na língua mais falada do Norte de Moçambique, o eMacua), o excerto de 20 minutos apresentado neste dia documentou a realidade do Infantário Provincial de Nampula, com imagens emotivas e cheias de força, fiéis representantes do dia a dia deste orfanato, onde a Helpo intervém desde o início da sua atuação em Moçambique, há 8 anos, portanto! Para enriquecer as imagens e as palavras da Diretora do Infantário, Adelina Pascoal, e dos jovens que lá vivem, ouvimos ainda a voz da Selma Uamusse, cantora moçambicana, cuja música serviu que nem uma luva como banda sonora. A Selma trouxe para a festa de aniversário da Helpo um pouco do seu fantástico trabalho enquanto artista e da sua maravilhosa personalidade enquanto pessoa. Desde o início da preparação deste evento, que contámos com muitas ajudas. Para o cocktail de boas vindas, tivemos a ajuda da Tasca Urso. Para as fotografias, contámos com a Vera Sepúlveda e o Nuno Duarte. Para a promoção do evento, beneficiámos da ajuda da Rita Duarte. Para o espaço, fomos apoiados pelo Teatro do Bairro. Para a impressão das fotografias, o apoio veio da Loja de Fotografia Ksara. Para ter chegado até aqui, ao 8º aniversário, contámos, desde 2008 com o contributo dos padrinhos e madrinhas, voluntários e voluntárias, colaboradores e colaboradoras, amigos e amigas. Todos a permitir que diariamente o nosso mundo vá sendo cada vez mais humano.


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PORTUGAL

ludoteca das fontainhas: a helpo joga em casa! Cascais, Carolina Marques

E

m 2015, a Helpo inaugurou nas Fontainhas, a sua Ludoteca, e é com muito entusiasmo que neste ano de 2016 temos visto este espaço crescer cada vez mais! Nestes últimos meses, temos vindo a perceber que quem faz crescer a nossa Ludoteca, são as pessoas: as nossas crianças - que a cada dia vêm diretamente da escola para a ludoteca, para aproveitarem todos os minutos, entre brincadeiras e gargalhadas bem sonoras e, quando chega a hora de ir embora, nos brindam com um “Quero ficar mais aqui!” - e a nossa equipa de voluntários e voluntárias, que a cada dia cresce a olhos vistos! Desde outubro de 2015 já foram 26 as pessoas que passaram, entraram, ficaram e, de alguma forma especial, nos mudaram, sempre para melhor!

Entre esta fantástica equipa de voluntários e voluntárias da Ludoteca e do Projeto BRINCA (Bairro Reunido….), está a recém-chegada, mas já muito acarinhada, Margarida, que trouxe até à nossa Ludoteca a primeira (de muitas, assim esperamos) atividade semanal. Todas as quartas-feiras, arrastam-se as mesas, coloca-se o volume da música no máximo, e “5, 6, 7, 8”, é hora de enfrentar o espelho com toda a energia e dançar! Não será difícil adivinhar que as quartas-feiras já se tornaram o dia favorito da semana para as nossas crianças, que nos chegam logo ao início da tarde, contam os minutos até às 4 horas e correm para os braços da “Professora Margarida” assim que ela chega, ansiando saber qual a coreografia que irão aprender naquele dia. Venha o que vier,


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sabemos que a música não tocará apenas na hora da aula de dança, sabemos que durante o resto da semana o botão “replay” será o mais requisitado, até os passos se acertarem ao mais ínfimo pormenor, até conseguirem mostrar e ensinar a toda a gente a nova coreografia… A magia da nossa Margarida, e de todos os outros voluntários e voluntárias, é precisamente

esta: não dão às crianças apenas uma hora da sua semana, dão-lhes todo um mundo novo de ideias, oportunidades e sonhos, o ultrapassar dos limites, o descobrir novas forças e competências! Perceber isto a cada dia de trabalho, dá-nos a certeza de que estamos no caminho certo, queremos continuar nesta direção, percebemos que o futuro da interven-

ção da Helpo nas Fontainhas passa por isto: mais pessoas, mais atividades, mais crianças, mais famílias. Queremos continuar a trabalhar para ser uma referência para as famílias, para a escola, para toda esta comunidade! Acima de tudo, sentir a satisfação de que, cada vez mais e cada vez melhor, a Helpo “joga” em casa, para ganhar!


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ESTÓRIAS

gestos de incentivo. H. - Quais as implicações desta opção na tua vida? S. P. - Implicou fazer uma pausa na minha vida profissional, que eu tanto adoro e estar 6 meses longe da minha família, amigos e zona de conforto. No entanto, qualquer desconforto que estas implicações pudessem ter gerado, foi atenuado pela beleza do país, a simpatia da população e mais do que isso: o modo como me senti acarinhada pela equipa da Helpo de Nampula!

Helpo - Como e quando surgiu a vontade de fazer voluntariado com a Helpo? Sílvia Portela - Em 2015, decidi que queria fazer o apadrinhamento de uma criança à distância. Através de uma simples busca na internet, conheci a Helpo e automaticamente senti confiança nesta ONGD. Não sei se foi a clareza do site, ou a forma transparente como apresentam os seus projetos, mas acreditei que esta era a ONGD ideal! No seguimento do apadrinhamento, surgiu aquela sensação de curiosidade em relação ao meu afilhado e de como seria a sua comunidade, a sua família e o seu modo de vida (penso que é um sentimento partilhado por qualquer padrinho). E comecei a estudar a possibilidade de realizar uma visita para o conhecer. Aliado a isto, existia também uma grande vontade de fazer uma experiência de voluntariado internacional, vontade que tinha vindo a ser adiada há vários anos. Inscrevi-me no workshop de voluntariado internacional da Helpo e foi com a abrangência da informação recebida - pois foram apresentados, não só os projetos da Helpo e a sua atuação no terreno, como também as realidades dos países objeto da sua intervenção e as experiências de antigos voluntários -, que me rendi! A Helpo acreditou em mim e permitiu-me ter uma das melhores e mais ricas experiências da minha vida!

H. - Descreve o teu ritmo semanal (pessoal e de voluntária) durante os seis meses em Moçambique. S. P. - Apesar do ritmo geral dos moçambicanos ser muito calmo e lento (“vacani vacani*”), o ritmo de trabalho na Helpo em Nampula não era muito diferente do nosso ritmo português. Para além do trabalho de organização do armazém, tive também a meu cargo o atendimento aos meninos do ensino secundário, que diariamente entravam no escritório da Helpo, para receberem os seus apoios: pagamento de matrícula, uniforme e pasta com material escolar. Duas manhãs por semana, dei algum apoio no Infantário Provincial de Nampula, onde realizei atividades com as crianças e, principalmente, muitos jogos e brincadeiras. Participei em várias sessões de candidaturas de novos apadrinhamentos nas comunidades, nas quais também ajudei em algumas distribuições de bens e tive ainda a oportunidade de assistir a 2 inaugurações de novas salas de aula, nas comunidades de Teacane e Matibane, construídas pela Helpo, em parceria com outras entidades. De um modo geral tentei dar o máximo de apoio possível à Inês (Coordenadora do escritório da Helpo em Nampula) em todas as suas tarefas. H. - Como descreves as comunidades que conheceste? Que impacto tem a Helpo na vida destas famílias? S. P. - As comunidades apoiadas pela Helpo são comunidades rurais, onde se verifica uma grande disparidade em relação à população que habita nos centros urbanos. Estas diferenças são mais notórias no grau de conhecimentos, em grande parte motivado pela inexistência de condições que propiciem a permanência das crianças nas escolas, pelos casamentos precoces e também pela importância dada ao trabalho prático como, por exemplo, do cultivo da machamba, em detrimento da assiduidade escolar.

*devagar, devagarinho


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Ao construir escolas com condições dignas e ao distribuir material escolar, a Helpo está a contribuir ativamente para diminuir o abandono escolar e garantir que as crianças destas comunidades rurais tenham as mesmas oportunidades académicas e, consequentemente, as mesmas oportunidades profissionais que as crianças dos centros urbanos. H. - Momento mais marcante durante o período de voluntariado em Moçambique? S. P. - Existiram vários momentos, que me marcaram de forma positiva. No entanto, vou referir três, pois para mim é impossível resumir uma experiência de 6 meses em apenas um! Um dos momentos, que mais me marcou, foi um menino já adul-

to que acompanhou 2 irmãos mais novos (que estavam a entrar no ensino secundário) ao escritório da Helpo para receberem o seu apoio e pagamento das matrículas e que, entre muitos agradecimentos do fundo do coração, disse que só lamentava não conhecer a Helpo na altura em que ele queria estudar, pois assim teria tido a oportunidade de entrar na escola secundária. Outro momento, que preciso de destacar, aconteceu numa visita a uma comunidade onde entregámos vários presentes dos padrinhos aos seus afilhados. E, no meio destes, surgiu uma menina apadrinhada, acompanhada pela sua mãe, que queria saber como é que podia enviar uma carta extra para a madrinha da filha, para lhe agradecer imenso por todo o apoio e também porque queria pedir uma fotografia à madrinha, pois queria muito conhecê-la. Foi o momento mais bonito de reconhecimento do apoio dos padrinhos a que assisti! E, por fim, o momento em que conheci o meu afilhado, a sua mamã e o animador Hortêncio. Foi este momento que me fez acreditar que o tempo e trabalho que dediquei a esta experiência valeu a pena! H. - Maior dificuldade? S. P. - Penso que a maior dificuldade que senti foi na comunicação com as pessoas e crianças das comunidades. Como a maior parte destas apenas fala a língua macua, a presença de um tradutor era fundamental, o que fazia aumentar a distância entre nós portugueses e a comunidade local. De resto, o workshop de preparação da Helpo estava de tal modo bem estruturado e informativo, que não me cruzei com nenhuma situação com a qual não estivesse a contar. H. O que deixaste em Moçambique e o que levas para Portugal? S. P. - Sinto que levo muito mais do que deixei. Procurei deixar um pouco de mim com todas as pessoas com quem cruzei caminho; um pouco de inspiração e motivação. Levo uma nova visão do mundo, um maior entendimento do que é na verdade uma prioridade e tudo o que é supérfluo. Levo uma beleza natural e paisagística sem fim. Levo a felicidade e simpatia de um povo, que vive com tão pouco, mas é capaz de dar tanto. E principalmente levo uma enorme vontade de voltar! H. - Três palavras que resumam esta tua experiência de voluntariado. S. P. - Inspiração, Persistência e Humildade.


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QUEM HELPA

BPI a helpar! Cascais, Teresa Antunes

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esde fevereiro de 2014 e por um período de 2 anos, a Helpo beneficiou de um importante apoio por parte do banco BPI. Este apoio traduziu-se na disponibilização do sistema de Débitos Diretos, sem qualquer custo para a Helpo. Em fevereiro de 2016, deu-se o término desses 2 anos de apoio. No entanto, considerando o crescente número de padrinhos que tem aderido ao débito direto e a importância que esta modalidade de envio de contribuições representa para os

Sistema de Débitos Diretos Os débitos diretos são uma forma prática e automática de pagar contas recorrentes. A utilização deste sistema apresenta algumas vantagens: - Não compreende qualquer custo adicional para os padrinhos ou a Helpo; - Não é necessário que os padrinhos se preocupem em fazer as suas contribuições regularmente; - É fácil de ativar: basta preencher o impresso de ativação e enviar o original para a morada da Helpo em Cascais.

padrinhos e para a Helpo, foi decisão da área de Responsabilidade Social do banco BPI manter este apoio até ao final do corrente ano. Assim sendo, os nossos padrinhos têm à sua disposição um método para envio das suas contribuições, de forma automática e sem custos. Registámos várias situações de padrinhos que ficaram algum tempo sem contribuir, por esquecimento involuntário ou por término das ordens de agendamento das

transferências que tinham ativas junto dos bancos, sem que tenham sido alertados pelos mesmos. O sistema de Débitos Diretos é um método de envio de contribuições que evita este tipo de situações, sendo mais cómodo e seguro. Quem desejar obter mais informações sobre esta temática, poderá contactar a Helpo por e-mail (teresaantunes@helpo. pt) ou por telefone (211537687 – Sede da Helpo em Cascais e 220137581 – escritório da Helpo no Porto).


THE BRIGHT SIDE OF LIFE” 

FICHA TÉCNICA

Entidade Proprietária e Editor

Correspondente em África

Associação Helpo

Carlos Almeida

Morada e Redação: Associação Helpo, Rua Catarina Eufémia 167 A, Fontaínhas, 2750-318 Cascais

Design

Diretor Responsável

António Perez Metelo Diretora Editorial

Joana Lopes Clemente Nº de registo no ICS: 124771 Tiragem: 4000 exemplares

Codex - Design e Relações Públicas Informações: Associação Helpo

Tel.: 211537687 info@helpo.pt www.helpo.pt A responsabilidade dos artigos é dos seus autores.

Periodicidade:

Trimestral NIF: 507136845 Depósito Legal: 232622/05

A redação responsabiliza-se pelos artigos sem assinatura. Para a reprodução dos artigos da revista mundo h, integral ou em parte, contactar a redação através de: info@helpo.pt.

Impressão

ORGAL, Rua do Godim, 272 4300-236 Porto Conceção gráfica

Margarida Assunção Colaboradores neste número

António Perez Metelo Carlos Almeida Carolina Marques Inês Faustino Joana Lopes Clemente Kyrian Opstaele Margarida Assunção Margarida Góis Ondina Giga Teresa Antunes Tiago Coucelo

Dados bancários

Banco: BPI Títular: Associação Helpo IBAN: PT50 0010 0000 3483 3480 0023 1 SWIFT code/ BIC: BBPIPTPL


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