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FUTURO
ANA RITA OLIVEIRA GOES
Escola Nacional de Saúde Pública, Centro de Investigação em Saúde Pública, Comprehensive Health Research Center, Universidade NOVA de Lisboa, Lisboa.
FILOMENA BORGES Associação NOVA Saúde Pública
Capacitar para participar; empoderar para mobilizar: DO PAPEL E DOS DESAFIOS DAS ASSOCIAÇÕES DE DOENTES, EM PORTUGAL Ao longo das últimas décadas, e um pouco por todo o mundo, é notório o crescimento expressivo de Movimentos Sociais em Saúde (Epstein, 1996), cujo papel tem sido crucial não só ao nível dos serviços e apoios que estes têm criado para responder às necessidades manifestadas por doentes, cuidadores/as e/ou familiares que os procuram; mas também no concernente à (re) definição de cada vez mais políticas públicas capazes de salvaguardar os direitos das pessoas em contexto de saúde e, também, no que diz respeito à forma como se pensa e opera no campo da saúde. Em Portugal, os movimentos sociais na área da saúde tornaram-se expressivos sobretudo após a década de 1970, mais precisamente a partir de 1974, ano em que se iniciou o processo de transição de um regime ditatorial para um regime democrático. Enquadradas nestes movimentos sociais encontram-se as Associações de Doentes. A elas devemos vários dos direitos que hoje existem e que se consubstanciam em medidas que procuram garantir um acesso mais equitativo à saúde, a melhoria da
qualidade dos cuidados prestados para todas as pessoas e um maior envolvimento da participação cidadã nos processos de tomada de decisão em saúde. Não obstante os avanços concretizados designadamente no que diz respeito a direitos conquistados, este é um caminho em continuada construção, o que pode justificar o crescimento progressivo do número de associações de doentes, em Portugal, que diariamente continuam a dar suporte a quem as procura, sem deixarem de se mobilizar para promover a mudança por um sistema de saúde que ainda não consegue, em rigor, ser acessível a todas as pessoas que a ele recorrem. Sendo as Associações de Doentes relevantes, a todo o tempo, e necessárias por tudo o que acima foi dito e por trazerem para o centro do debate a experiência da doença por quem a vive, importa atentar aos desafios com os quais são confrontadas para cumprir a sua missão. Um desses desafios está diretamente relacionado com a composição da esmagadora maioria das associações – de base predominantemente voluntária – e com as