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REVISTA APAVT · EDIÇÃO Nº 31

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A CTP, O Turismo de Portugal e a APAVT Caros colegas, CTP

A APAVT esteve na primeira linha da decepção

As associações existem para defenderem interesses

Mas, confiante na força do diálogo, da

legítimos das empresas que as suportam. Nada mais lógico e, do ponto de vista de alguma teoria económica, nada mais eficiente, embora vivamos tempos em que resulta menos fácil acreditarmos na eficiência do mercado livre. Também não é menos verdade que diferentes associações têm que gerir interesses que por vezes se manifestam conflituosos. No turismo não é diferente, mas o mais relevante é que, se alguns interesses geram potencial conflito, este facto não minimiza certamente a legitimidade de todos eles. É exactamente por isso que o espaço de intersecção entre associações, no caso entre associações ligadas ao universo do turismo, deve ser um espaço de diálogo e nunca de litigância. É assim que vemos o maior espaço de intersecção entre as associações da área turística, a Confederação do Turismo Português - Um amplo espaço de diálogo entre associações, um grande espaço de gestão de interesses comuns, que são muito mais importantes que os putativos conflitos. Sempre afirmámos, e sobretudo sempre acreditámos, que o que nos une é mais forte do que o que nos separa. É por assim olharmos para a CTP, que estamos simultaneamente felizes e confiantes, numa altura em que é eleita uma equipa chefiada pelo Dr. Francisco Calheiros. Não lhe falta curriculum, não lhe falta estatuto, não lhe falta inteligência, mas sobretudo não lhe falta espírito associativo nem capacidade de diálogo. Deve chegar… Boa sorte, Francisco Calheiros!

TURISMO DE PORTUGAL Diálogo. Quem está na política associativa, sobretudo em áreas próximas da liderança, tem que se lembrar, antes de tudo o mais, que está em nome de interesses dos associados. Significa isto que, ou está preparado para dialogar e construir, antes de tudo o mais, ou… não está preparado para liderar!... Recentemente, todos fomos abalados com a perda (que se viria a revelar momentânea) do estatuto especial do Turismo de Portugal, peça absolutamente central (o organismo… e o estatuto…) da estratégia turística do País. Mas, face a um abalo comum, nem todos reagimos do mesmo modo. REVISTA APAVT · EDIÇÃO Nº 31

face ao facto, e aqui esteve bem acompanhada. persistência e, sobretudo, da razão, ajudou a construir. Sempre em sede própria e com a noção de que nem toda a movimentação associativa pode e/ ou deve ser mediática. Pouco tempo depois, todos temos a alegria de perceber que, afinal, o Turismo de Portugal manteve o justo e, sobretudo, necessário estatuto especial. Parabéns a todos os que lutaram por este desfecho, acima de todos a própria Secretária de Estado do Turismo, Dra. Cecília Meireles muitas vezes a discrição apenas esconde a perseverança !

Pedro Costa Ferreira, Presidente da Direcção da APAVT

Apenas um lamento, em todo este processo. Tantas vozes levantadas (e bem!) contra a perda de estatuto ; mas tão pouco regozijo com a recuperação do mesmo. Não era o estatuto que estava em causa? APAVT Decorrido o primeiro terço do ano, duas realidades já esperadas (pelo menos por nós…) confirmaram-se. Sim, o mundo está difícil, mas os seus habitantes continuam a viajar! Sim, o mercado está difícil, mas as agências de viagens continuam a vender! Não tenho dúvidas em afirmar que assim continuará a ser. Viajar é, mais importante do que uma necessidade física, um encontro com a alma. Depois, a capacidade de resiliência das agências de viagens já não é uma surpresa, é simplesmente uma imagem de marca; uma força que se revelará impossível de derrotar enquanto se souber organizar e defender causas comuns, sem nunca esquecer que vivemos em concorrência. Na APAVT, tentamos todos os dias, ser o epicentro desta capacidade de união. Precisamos da colaboração de todos - Seremos sempre tanto mais fortes quanto mais juntos estivermos.

Sim, o mundo está difícil, mas os seus habitantes continuam a viajar! Sim, o mercado está difícil, mas as agências de viagens continuam a vender! Não tenho dúvidas em afirmar que assim continuará a ser. Viajar é, mais importante do que uma necessidade física, um encontro com a alma. Depois, a capacidade de resiliência das agências de viagens já não é uma surpresa, é simplesmente uma imagem de marca. 3


Nº 31 - 2012 - WWW.APAVTNET.PT

CAPA

Francisco Calheiros (CTP):

"Uma confederação mais interventiva e mais comunicativa" Presidente da Direcção: Pedro Costa Ferreira Conselho Editorial: Pedro Costa Ferreira, João Welsh, Filipe Machado Santos, Rui Colmonero, Paulo Brehm

Defende uma maior intervenção e comunicação para a CTP, e em apenas dois meses já reuniu com o Presidente da República, Ministros e Secretários de Estado, com os Parceiros Sociais, com a Troika e com os associados, num contexto económico que impõe ao sector redobrados desafios e "uma agenda imensa". Na sua primeira entrevista enquanto presidente da CTP, Francisco Calheiros dá a conhecer um pouco deste novo ciclo do órgão de cúpula do associativismo empresarial do Turismo. Pág. 14 ○

REVISTA APAVT Director Editorial: Paulo Brehm brehm@net.novis.pt

Fotografia: Rafael G. Antunes, Homem Cardoso e Vitor Machado, Arquivos APAVT

Publicidade: Helena Dias revista.apavt@net.novis.pt 21 3142256 Impressão e Acabamento: MX3-Artes Gráficas, Lda. Rua Alto do Sintra - Sintra Comercial Park Armazem 16 Fracção Q 2635-446 Rio de Mouro

A associação estabeleceu em Macau três acordos de cooperação com as congéneres locais, destinados a fomentar o Turismo entre os dois territórios, na sequência da atribuição a Macau do título "Destino Favorito da APAVT". ○

Pág. 20

Acordo APAVT-TAP adia pagamento semanal do BSP Um acordo estabelecido entre a APAVT e a TAP logrou contrariar a intenção das companhias aéreas BSP para a passagem do pagamento das suas vendas de mensal a semanal a partir de Julho do próximo ano, adiando a aplicação do novo modelo por dois anos e estabelecendo a sua redução progressiva ao longo Pág. 24 deste período. ○

Edição Gráfica e Layout: Pedro António e Maria Duarte

APAVT estabelece acordo com congéneres de Macau

Redacção: Catarina Delduque, Guilherme Pereira da Silva Tel. 21 3142256 / Fax. 21 3525157 revista.apavt@net.novis.pt Colaborações: Sebastião Boavida, Silvério do Canto (Agência PressTur), Pedro Machado (Turismo Centro de Portugal)

Vida Associativa:

38º congresso da APAVT reúne em Coimbra De 6 a 9 de Dezembro, Coimbra vai ser o cenário do debate turístico português, com a realização da 38ª edição do congresso nacional da APAVT, dedicado ao tema "Turismo: Potenciar Recursos, Romper Bloqueios, Ganhar Mercado".

Tiragem: 3.000 exemplares Distribuição: APAVT Propriedade: APAVT-Associação Por tuguesa das Agências de Viagens e Turismo Rua Duque de Palmela, 2-1º Dtº 1250-098 Lisboa Tel. 21 3553010 / Fax. 21 3145080 apavt@apavtnet.pt www.apavtnet.pt

Pág. 28

Opinião:

Pedro Machado (Turismo Centro de Portugal): “Reformar, é preciso!” ○

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Reg. no ICS como nº 122699

Nota do Editor: Os artigos de opinião são da responsabilidade exclusiva dos seus autores.

MENSAGEM DO PRESIDENTE ○

EDITORIAL ○

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ESTATÍSTICA ○

NOTÍCIAS ○○

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editorial

A

Paulo Brehm

APAVT assumiu, pela segunda vez na sua história, a liderança da Confederação do Turismo Português. Trata-se do órgão de cúpula do associativismo empresarial do sector, de que a associação foi uma das principais fundadoras e a que presidiu no primeiro mandato, sendo então representada por Atílio Forte. No início deste ano, conhecida que era a decisão do segundo presidente, José Carlos Pinto Coelho (AHP), de não se recandidatar, a APAVT lançou nova candidatura, desafiando Francisco Calheiros a liderar uma lista que, reunindo o consenso do sector, conduzisse os destinos da Confederação num novo mandato. Aceite o desafio, a lista, única, acabou por ser sufragada em Maio, pelo que o também presidente da Assembleia Geral da APAVT é o novo presidente da CTP. Motivo de sobra, assim, para que tivéssemos decidido atribuir a Francisco Calheiros honras de capa e a principal entrevista, na qual dá conta dos desafios que a nova direção se propõe enfrentar. Além do mais, em apenas dois meses é notório que a Confederação ganhou um novo fôlego e um protagonismo que há muito era reclamado pelo sector, o que reforçou a nossa opção editorial. Na APAVT, o cenário não é diferente. Os primeiros meses sob a liderança de Pedro Costa Ferreira têm sido, efetivamente, marcados por uma intensa agenda. Desde logo, a questão da Lei das Agências de Viagens, de que demos conta na última edição, e que tem constituído um processo extremamente exigente e a que o novo presidente e a sua equipa têm dedicado vasto esforço. A fasquia é alta, mas tudo indica que o resultado de todo este longo e por vezes penoso trabalho será compensado. Aprovado em Conselho de Ministros, o novo diploma aguarda apenas a promulgação do Presidente da República, o que deverá acontecer a muito breve trecho.

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Neste número da revista destacamos outras realizações deste início de mandato, caso do acordo alcançado com a TAP, que evitou a passagem quase imediata do pagamento ao BSP a semanal, o que a generalidade dos agentes de viagens considera seria catastrófica. Este adiamento irá permitir uma adaptação gradual às novas condições que constituem, inevitavelmente, uma alteração do próprio paradigma das relações da distribuição com os clientes, sobretudo na área do corporate. Também damos conta nestas páginas dos planos relativos ao congresso deste ano, o qual integra algumas novidades a nível do programa e reforçará, certamente, a justa imagem de ser o principal fórum do debate turístico em Portugal, como de resto o atestam inúmeras personalidades que estiveram presenets na sua apresentação oficial. Relatamos também os acordos estabelecidos, quer com o Turismo de Macau, quer com associações congéneres daquela região, visando o desenvolvimento dos fluxos turísticos nos dois sentidos. Finalmente, atribuímos espaço para as habituais estatísticas, abrimos com a mensagem do presidente, e fechamos com a opinião do presidente do Turismo Centro de Portugal, Pedro Machado, que partilha com os nossos leitores algumas reflexões sobre a anunciada alteração do mapa das regiões e dos organismos regionais de turismo, tema que tem vindo a gerar farta controvérsia. No todo, mais uma edição da nossa revista que, como temos vindo a afirmar, está sempre aberta às vossas críticas e sugestões. Boas leituras e melhores negócios

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Análise Estatística

Vendas BSP das Agências Portuguesas Escapam "por um triz" de queda no 1º semestre O aumento em 14,09 milhões de euros das vendas de voos internacionais nas agências de viagens IATA portuguesas permitiu ao BSP Portugal chegar ao fim do primeiro semestre deste ano com um aumento pela margem mínima, apesar da forte quebra da procura de voos domésticos, que teve uma redução de 13,8 milhões, segundo os dados a que o PressTUR teve acesso. De acordo com esses dados, as vendas BSP das agências de viagens, que são o maior mercado de comercialização de voos regulares, totalizaram 409,7 milhões de euros nos primeiros seis meses deste ano, ficando apenas 0,1% ou menos de 300 mil euros acima do período homólogo do ano passado. Este crescimento, embora mínimo, é, segundo fontes das agências de viagens ao PressTUR, "surpreendente", atendendo às quebras que se verificam no consumo privado pela aplicação das medidas de austeridade do Programa de Ajustamento acordado com a Troika. Mas, por paradoxal que possa parecer, essa contrariedade está também a ser a força do BSP, de acordo com fontes da aviação, para as quais é por as empresas portuguesas estarem a ver o mercado doméstico a encolher que mais se lançam na expansão nos mercados internacionais, o que as obriga a viajar mais. Nos primeiros seis meses deste ano, 90,2% das vendas BSP ou 369,58 milhões de euros foram gerados em voos internacionais, mais 4% que no período homólogo de 2011 e um aumento da sua fatia em 3,4 pontos. E foi esta procura quase florescente de voos internacionais que permitiu que o BSP "aguentasse" a ainda mais forte retração da procura de voos domésticos, que acabou o semestre com um decréscimo de 25,6% ou 13,8 milhões, para 40,16 milhões. As fontes do PressTUR têm salientado que os dados do BSP, sistema gerido pela IATA, através do qual as agências de viagens pagam às companhias aéreas os

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bilhetes de voos regulares reservados em GDS) não podem ser vistos como um 'retrato fiel' do que é o mercado da aviação em Portugal. O seu argumento é que Portugal acompanha a tendência a nível mundial de aumento das reservas diretas nos websites das companhias, e não apenas das low cost, que não são contabilizadas em BSP por serem vendas directas. Desta forma, dizem, o que acontece é que o BSP tem uma concorrência cada vez mais forte das vendas diretas, especialmente nas viagens que se consideram mais simples de reservar sem recurso a agentes de viagens, como os voos domésticos. Mas, acrescentam, o que mais tem impulsionado as vendas diretas é a perceção que se instalou no mercado de que na internet é mais barato, o que é contestado pelas agências de viagens, que rejeitam que essa seja uma verdade absoluta. O facto é que essa perceção existe e tem origem na apologia feita às low cost, que foram as pioneiras da venda online, mas que progressivamente se têm estado a converter às vendas via GDS, ou seja, pelas agências de viagens, à exceção da

Ryanair, que se mantém fiel ao princípio de só aceitar reservas pelo seu website. Ao nível do BSP o que acontece é que há mais vendas que passaram a ficar fora do sistema, mesmo quando são feitas por agências de viagens, pois também as há que reservam por exemplo na Ryanair, como o demonstra por exemplo a frequência com que em redes sociais se encontram agentes de viagens a questionarem como fazer alterações nas reservas de voos dessa low cost. Mas não é esse o único impacto que o BSP está a sofrer. Como o mostram os dados dos Aeroportos, designadamente do maior aeroporto português, Lisboa, nos primeiros cinco meses deste ano o número de passageiros em voos d o m é s t i c o s t e ve u m a q u e d a d e 7, 3 % , para 719,3 mil. Esta queda evidencia que é também o mercado de voos domésticos que está em contração, e designadamente da maior linha, que é o Lisboa - Funchal, q u e a t é M a io tinha queda do número de passageiros em 9,5%, para 289,7 mil, a que se somava queda de 7,9% no Lisboa - Porto, segunda maior linha doméstica, para 155,7 mil, e 8,9% no Lisboa - Ponta Delgada, terceira maior linha, para 109,1 mil.

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Análise Estatística

Porto de Lisboa: Recorde de cruzeiros no primeiro semestre O Porto de Lisboa teve 230.683 passageiros de cruzeiro no primeiro semestre, o que constitui um novo recorde para os primeiros seis meses do ano, segundo dados da APL - Administração do Porto de Lisboa, que indicam ter-se registado um crescimento de 14%. O recorde baseou-se no aumento em 16% dos passageiros em trânsito, que regra geral apenas permanecem algumas horas em Lisboa, durante a visita do navio. Lisboa, segundo a APL, teve 211.829 passageiros em trânsito nos primeiros seis meses deste ano, o que indica um aumento de 28,9 mil relativamente ao período homólogo de 2011. Este incremento, informou a autoridade

portuária, deve-se a um aumento de 20% das operações em trânsito, que foram 121, para o qual "terá contribuído o aumento do número de navios de cruzeiro a operar no Mediterrâneo e nas ilhas atlânticas - 207 em 2012 face a 198 em 2011 -, as duas principais áreas de influência do Porto de Lisboa". As estatísticas da APL relativamente ao primeiro semestre indicam que no conjunto dos primeiros seis meses deste ano o Porto de Lisboa teve 147 escalas de navios de cruzeiro, o que também é um recorde para os primeiros seis meses e representa um aumento de 5% relativamente ao período homólogo de 2011. Além desse incremento, a APL destaca que

no primeiro semestre é ainda de assinalar que o Porto de Lisboa teve a estreia de nove navios, entre os quais o novo MSC Divina, que realizou a sua primeira escala precisamente na capital portuguesa. O balanço de 2011 do European Cruise Council posicionou o Porto de Lisboa como o líder em escalas no Norte da Europa, com 502.644 passageiros, deixando para trás os portos de São Petersburgo ou Estocolmo. No ranking de portos que incluem os de embarque e desembarque, Lisboa cai para terceiro lugar no top dos portos do Norte da Europa, atrás de Southampton e Copenhaga, com respetivamente 1,44 milhões de movimentos de passageiros e 819 mil.

Porto do Funchal regista semestre recorde O Porto do Funchal terminou o primeiro semestre com crescimento do número de passageiros em 4,9%, para 303.615, e um número recorde de 164 escalas, mais cinco que em 2011. Apesar do crescimento no semestre, desde Abril, já em época baixa deste segmento na região, que se estão a verificar quebras que, no conjunto do 2º trimestre, representaram uma diminuição homóloga de 13,6% ou 15.461 passageiros. A maior ocorreu em Junho, mês em que, de acordo com dados da APRAM-

Administração dos Portos da Região Autónoma da Madeira, fizeram escala em Funchal apenas dois navios, menos seis que há um ano, o que teve como consequência a passagem de menos 9.104 passageiros, ou menos 75,3% que no período homólogo de 2011. Nos dois meses precedentes, Abril e Maio, as quebras foram, respetivamente, de 5% e 10,5%, ou seja, menos 2.346 e menos 4.011 passageiros. Janeiro foi, em contrapartida, o mês de maior crescimento este ano, ao registar mais oito escalas e mais 16.479

Portugal é o 6º destino europeu mais visitado por passageiros de cruzeiros

Passageiros de cruzeiros duplicam em Leixões no primeiro semestre

Portugal foi visitado por 3,8% do total de passageiros europeus de cruzeiros, o que o coloca em 6º lugar no ranking de destinos europeus da European Cruise Council. O número de passageiros europeus que passaram pelos portos portugueses somou 1,069 milhões. A indústria dos cruzeiros contribuiu ainda para a criação de 8.110 empregos em Portugal, colocando no Top 10 de países onde o sector tem mais impacto na criação de emprego. Do número total de empregos 40% estão ligados às companhias de cruzeiros, tendo ainda impacto em empregos ligados a tripulação, reparações, comércio e hotelaria. O top 10, onde Portugal se inclui no sexto lugar, reúne 84% das visitas de passageiros de cruzeiros no ano passado, sendo os primeiros quatro países no Mediterrâneo, designadamente Itália, Espanha, Grécia e França, que totalizaram dois terços das visitas dos passageiros europeus. REVISTA APAVT · EDIÇÃO Nº 31

O Porto de Leixões mais do que duplicou o número de passageiros de cruzeiros para cerca de 29 mil durante o primeiro semestre do ano, face ao período homólogo de 2011. Durante os seis primeiros meses do ano o porto de Leixões teve um aumento em 54% em número de passageiros que tiveram possibilidade de conhecer a cidade do Porto, não só pelo maior número de escalas mas também pela dimensão dos navios, diz uma informação do porto. De Janeiro a Junho de 2012 atracaram mais seis navios do que em período homólogo de 2011, num total de 31, tendo a tonelagem duplicado para 1.250.000 toneladas. O período ficou ainda marcado pelas escalas em estreia em Leixões de quatro navios, designadamente o Queen Victoria, da Cunard, do Ventura, da P&O, do Marina da Oceania Cruises e do navio de expedições Kristina Katarina, da Kristina Cruises.

passageiros, seguido de Fevereiro, que com as mesmas 23 escalas do ano passado mas que levaram à Madeira mais 8.044 cruzeiristas, e Março, com mais oito escalas que levaram a um aumento de 5.234 passageiros no porto do Funchal. No que diz respeito ao número de passageiros em turnaround, que são os que apresentam maior potencial para a hotelaria, os dados da APRAM mostram uma quebra, no semestre, de 23,8% face a igual período de 2011, para 8.999 passageiros.

O crescimento do movimento de cruzeiros no primeiro semestre de 2012 já superou os objetivos inicialmente definidos para a construção do novo terminal de cruzeiros de Leixões, "r ef l eti n d o o es f o r ç o q u e a A PD L dedicou à afirmação do Porto de Leixões como porto de cruzeiros", finaliza a nota.

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Análise Estatística

Turistas de fora da União Europeia são os que mais aumentam gastos em Portugal O aumento em 148,9 milhões de euros das receitas turísticas portuguesas nos primeiros cinco meses deste ano deve-se maioritariamente ao aumento da parte de visitantes de fora dos países da União Europeia, com um aumento de quase 132 milhões, e, entre estes, especialmente aos turistas dos Estados Unidos, que se cota como o segundo emissor que mais cresce, depois de França. Dados do Banco de Portugal recolhidos pelo PressTUR indicam que os franceses se mantêm nos primeiros cinco meses os turistas com maior aumento da despesa em Portugal em valor absoluto, com mais 38,6 milhões de euros (+9,8%, para 431,4 milhões), e imediatamente a seguir vêm os turistas procedentes dos Estados Unidos, com mais 23,7 milhões, tendo o maior aumento percentual (+19,8%, para 143,48 milhões) entre os nove para os quais é possível calcular variações. Depois, por aumentos em valor absoluto, vêm a Alemanha, com mais 15 milhões (+5,5%, para 289,4 milhões), o Brasil, com mais 7,3 milhões (+5,2%, para 147,9 milhões), e a Holanda, com mais 2,6 milhões (+2,4%, para 110,27 milhões). Os emissores que mais estão a penalizar a evolução das receitas turísticas

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portuguesas são precisamente dois dos principais, o Reino Unido, tradicionalmente o nº 1, e Espanha, nº 3. A maior queda é mesmo a da despesa em Portugal de turistas britânicos, em 33,7 milhões de euros (-7,2%, para 436,47 milhões), seguida do decréscimo dos espanhóis, que atinge 15,5 milhões (-4,3%, para 346,37 milhões). Estas quedas associadas aos crescimentos, entre outros, de Estados Unidos e Brasil (contando apenas com os mercados relativamente aos quais os dados disponíveis no Banco de Portugal permitem calcular variações), é o que faz com que nos primeiros cinco meses deste ano os gastos de turistas de países da União Europeia representem nas receitas turísticas portuguesas menos 3,5 pontos que há um ano, baixando para 72,3%, que vão para os emissores de países terceiros, que passam de 24,2% em 2011 para 27,7% este ano. Os dados disponíveis do Banco de Portugal indicam que o Reino Unido se mantém, ainda assim, o primeiro emissor em receitas turísticas, com 16% do total (436,47 milhões), menos 2,2 pontos que há um ano, à frente de França, com 15,8% (431,4 milhões), que reforça 0,6 pontos, e

Espanha, com 12,7% (346,37 milhões), em baixa de 1,3 pontos. A seguir vem a Alemanha, com 10,6% (289,4 milhões), sensivelmente como há um ano (-0,03 pontos), e logo a seguir os três principais mercados emissores de fora da Europa, Angola, com 6,9% (187,3 milhões), Brasil, com 5,4% (147,9 milhões), e Estados Unidos, com 5,2% (143,48 milhões), embora os dados disponíveis no Banco de Portugal não indiquem valores da despesa dos angolanos por meses. Entre os mercados com dados recolhidos pelo PressTUR contam-se, a seguir, a Holanda, com 4% (110,27 milhões de euros), Suíça, com 2,4% (65,3 milhões), Itália, com 1,9% (52,8 milhões), Irlanda, com 1,9% (50,7 milhões), Canadá, com 1,7% (46,1 milhões), Suécia, com 1,3% (34,7 milhões), Noruega, com 1,1% (30,3 milhões), Dinamarca, com 1% (28 milhões), Finlândia, com 0,9% (25,6 milhões), e Federação Russa, com 0,6% (16,8 milhões). Entre estes mercados apenas é possível verificar que Suíça e Itália estão abaixo dos primeiros cinco meses do ano passado, respetivamente em 0,6% ou 0,4 milhões e em 6,4% ou 3,6 milhões.

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Análise Estatística

Turismo internacional em Portugal gera +11,8% de receita líquida Portugal soma 1.520,7 milhões de euros de receita líquida de turismo internacional nos primeiros cinco meses deste ano, em alta de 11,8% ou 160,4 milhões relativamente ao período homólogo de 2011, por aumento da despesa no País de turistas estrangeiros em 5,8% ou 148,9 milhões, e decréscimo dos gastos dos portugueses em viagens e turismo no estrangeiro em 0,9% ou 11,56 milhões, segundo os dados divulgados pelo Banco de Portugal. A informação indica que até Maio, a despesa em Portugal de turistas estrangeiros elevou-se a 2.733,7 milhões de euros, enquanto a despesa dos portugueses em viagens e turismo no estrangeiro ficou em 1.520,7 milhões. Em Maio, último mês deste período, segundo os dados divulgados, o crescimento da despesa em Portugal de turistas estrangeiros desacelerou ligeiramente em relação à média dos primeiros cinco meses, ficando em 5,4%, a que

corresponde um aumento de 35,76 milhões de euros, para 700,3 milhões, que é ainda assim o maior valor mensal neste período. Simultaneamente, a despesa dos portugueses em viagens e turismo no estrangeiro, que tinha baixado em Março (-2,7%) e em Abril (-6,9%), em Maio voltou a subir, ficando acima do mês homólogo de 2011 em 2% ou cinco milhões de euros, para 263,6 milhões, sensivelmente em linha com o que tinha sido em Março (260,1 milhões) e em Abril (261,7 milhões). Desta forma, em Maio o crescimento do excedente entre exportações e importações de turismo desacelerou fortemente em relação ao primeiro quadrimestre, no qual teve um crescimento médio de 13,6%, ficando neste último mês em 7,6% ou 30,7 milhões de euros, para 436,7 milhões. Os dados do Banco de Portugal permitem ainda ver que em média anual, o crescimento do saldo da balança de turismo internacional continua com um

aumento a dois dígitos, em 10,7% (nos 12 meses de Junho de 2011 a Maio de 2012 em relação aos 12 meses de Junho de 2010 a Maio de 2011), apenas menos 0,2 pontos do que estava a crescer nos 12 meses antes de Maio (12 meses de Maio de 2011 a Abril de 2012). Esse crescimento do saldo em 10,7% deve-se a um aumento de 6,3% das exportações de turismo (gastos em Portugal de turistas estrangeiros) em média anual e, também, a um decréscimo médio das importações (gastos dos portugueses em viagens e turismo no estrangeiro) em 0,8%. Os primeiros cinco meses do ano, porém, tem um peso relativo na ordem dos 32% no total anual de exportações de turismo e é a partir de Junho que se definirá o balanço, já que é nos quatro meses do Verão, de Junho a Setembro, que nos últimos dois anos acontece 45% do total do ano de despesa de turistas estrangeiros em Portugal.

Redução do défice corrente deve-se em 8,7% a exportações de turismo e passagens aéreas A redução do défice da Balança Corrente, que é uma das "bandeiras" deste Governo em matéria de equilíbrio das contas externas, deve-se em 8,7% aos sectores do turismo e transporte aéreo de passageiros, que aumentaram o seu saldo positivo entre exportações e importações em 320 milhões de euros, nos cinco meses de Janeiro a Maio, de acordo com os dados divulgados pelo Banco de Portugal. O saldo entre a despesa em Portugal de turistas estrangeiros e os gastos dos portugueses em viagens e turismo no estrangeiro atinge 1.520,7 milhões de euros nos primeiros cinco meses deste ano, em alta de 11,8% ou 160,45 milhões de euros, o que corresponde a uma contribuição de 4,36% para a redução do défice da Balança Corrente, que baixou de 5.791 milhões para 2.110 milhões de euros. A contribuição do transporte aéreo de passageiros, por sua vez, situa-se em 4,33%, ao aumentar em 159,2 milhões de euros (+20,8%) o saldo positivo entre vendas no estrangeiro de passagens aéreas e compras destes serviços a empresas estrangeiras, para 924 milhões.

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Os dados do Banco de Portugal mostram ainda que a redução do défice da Balança Corrente se tem feito essencialmente pela evolução das trocas externas de bens, que reduziram o défice crónico em 45,7%, para 3.642 milhões, mas que o sector dos serviços também teve uma contribuição assinalável, ao ter um aumento do saldo positivo em 17,5%, para 2.735 milhões. Para esta evolução contam principalmente o turismo e o transporte aéreo de passageiros, que em conjunto representaram 54,8% do total de exportações de Serviços, mais 3,8 pontos que nos primeiros cinco meses de 2011, e 89,4% do saldo positivo que geraram, neste caso com um decréscimo de 1,9 pontos em relação ao ano passado. Esta evolução vem do decréscimo do peso do excedente de turismo internacional no saldo dos Serviços, que baixou 2,85 pontos, para 55,6%, sendo apenas parcialmente compensado por um peso maior da contribuição do transporte aéreo de passageiros, que subiu 0,92 pontos, para 33,8%. De acordo com os dados do Banco de Portugal, com 2.733,7 milhões de exportações nos primeiros

cinco meses deste ano, o turismo representou 10,5% do total das vendas de bens e serviços ao exterior, sensivelmente como há um ano (-0,08 pontos), e as vendas ao estrangeiro de passagens aéreas, no montante de 1.130,6 milhões, representaram 4,34%, mais 0,3 pontos que no período homólogo de 2011.

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Noticiário

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Costa Ferreira na Direcção da ECTAA

presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira, passa a integrar a D i re ç ã o d a E C TA A , a c o n fe d e ra ç ã o europeia das associações de Agências de Viagens e operadores turísticos, em representação da associação portuguesa. A assembleia eleitoral, a que assistiu Costa Ferreira, realizou-se em Cracóvia, no encontro bianual da ECTAA do passado dia 31 de Maio.

Tito Silva nomeado delegado no Norte T

ito Soares da Silva, sócio-gerente da Agência de Viagens Caravela, foi nomeado Delegado da APAVT na região Norte do País. A nomeação de Tito Silva ocorre na sequência do anterior delegado, Carlos Laranjeira, ter sido cooptado para a direção nos termos estatutários.Na qualidade de Delegado, além das suas funções associativas, Tito Silva passa a representar a associação em todos as estruturas oficiais de Turismo do Porto e Norte de Portugal.

João Welsh integra Observatório do Turismo da Madeira

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oão Welsh, vice-presidente da APAVT, integra em representação da associação o Conselho Consultivo do projeto "Observatório do Turismo" da Universidade da Madeira. O projeto tem por objetivo a análise do fenómeno turístico regional, efetuando levantamentos de informação e estudos de diferentes ordens, numa perspetiva científica e global do sector. 10

APAVT ESCLARECE ASSOCIADOS SOBRE NOVA LEI Na sequência da aprovação, em Conselho de Ministros, da nova Lei das Agências de Viagens, a Associação promoveu um conjunto de reuniões destinadas a prestar esclarecimentos sobre o novo diploma. Porto, Coimbra, Faro e Lisboa foram os primeiros locais destas reuniões, estando também previstas deslocações aos Açores (Horta e Ponta Delgada) e à Madeira (Funchal).

EQUADOR APRESENTA-SE AO CAPÍTULO DE OPERADORES Na sequência do acordo alcançado com a Secretaria de Estado do Turismo para a revisão da Lei das Agências de Viagens, a direcção da associação está a promover reuniões com os associados para esclarecimentos sobre o diploma que entrou em circuito legislativo. Depois de Faro, Lisboa e Porto, onde se reuniram dezenas de agentes associados, os Açores (Angra do heroísmo e Ponta Delgada) e a Madeira (Funchal) são os próximos destinos destas reuniões, agendadas para Março, em data, horário e local a anunciar brevemente.

PORTAGENS NAS EX-SCUT'S: A RESPOSTA DAS RENT-A-CAR Para evitar as preocupações dos clientes com as portagens, designadamente as das ex-SCUT's, Avis, Europcar e Guerin equiparam as suas viaturas com dispositivos identificadores de Via Verde. Estes serviços, a que a Avis chama "e-Toll", a Europcar "Portagem Electrónica", e a Guerin "Toll Service" têm um custo de 1,5 euros por dia até um máximo de 15 euros por aluguer (mais IVA). O valor das porta-gens é posteriormente debitado ao cliente, após a devolução da viatura. Entre-tanto, a empresa Estradas de Portugal lançou um site, em www.portugaltolls.com, através do qual presta esclarecimentos sobre a forma de pagamento das portagens.

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Notícias

Tap liga Lisboa a Bucareste A

partir de 30 de Junho a TAP inicia voos diretos entre Lisboa e Bucareste, com três voos por semana. As partidas de Lisboa realizam-se às terças, quintas e sábados às 23h10, com chegada a Bucareste às 05h10. No sentido Bucareste - Lisboa, os voos são às quar t a s, se xt a s e Do m i n go s, partem às 06h00 e têm chegada à Portela às 08h25. Esta é a terceira nova rota europeia da TAP para este Verão, depois de ter iniciado operações para Berlim e Turim. Passa assim a voar para um total de 51 destinos na Europa, em 22 países.

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Air Europa reforça ligações a Salvador da Bahia

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partir de 4 de Novembro, a Air Europa aumenta de três para quatro as ligações semanais com Salvador da Bahia, com o reforço de um voo aos domingos. O horário será o mesmo que os demais, com saída de Madrid às 15h25 e a chegada a Salvador às 20h40, de onde regressa às 22h50 para aterrar em Barajas às 11h40. Os aparelhos utilizados nesta rota são Airbus 330-200.

Emirates inicia voo DubaiLisboa A

companhia aérea Emirates, a única do Médio Oriente a operar em Portugal, inicia a 9 de Julho um voo diário e direto entre o Dubai e Lisboa. Os voos realizam-se em aparelho Boeing 777-200ER, disponibilizando três classes (Primeira, Executiva e Económica), com partida daquele emirado árabe às 9h15 e chegada a Lisboa às 14h45, e regresso da capital portuguesa às 17h55 e chegada ao Dubai às 4h35 da manhã seguinte. Através do Dubai, a Emirates possibilita ligações a mais de 120 destinos em todo o mundo.

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Vida Associativa

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Defende uma maior intervenção e comunicação para a CTP, e em apenas dois meses já reuniu com o Presidente da República, Ministros e Secretários de Estado, com os Parceiros Sociais, com a Troika e com os associados, num contexto económico que impõe ao sector redobrados desafios e "uma agenda imensa". Na sua primeira entrevista enquanto presidente da CTP, Francisco Calheiros dá a conhecer um pouco deste novo ciclo do órgão de cúpula do associativismo empresarial do Turismo.

Francisco Calheiros (CTP):

"Uma Confederação mais interventiva e mais comunicativa" Entrevista: Paulo Brehm 14

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Entrevista

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pesar de ainda não terem passado sequer dois meses sobre a sua tomada de posse, têm sido múltiplas as intervenções públicas da CTP. Esta nova postura é uma das marcas deste mandato? Não sei se é "marca" do mandato, mas é um dos pontos deste mandato, e era um dos pontos da minha candidatura. É também uma questão de estilo pessoal que, quem me conhece, reconhece. Queria e quero uma Confederação mais interventiva e mais comunicativa, tanto internamente como externamente, e é isso que temos vindo a fazer. E devo dizer que nem tudo chega a público, nem pode chegar, pois há sempre uma parte substancial do trabalho que está debaixo da linha de água, que só é visível pelos resultados. Não defendo o protagonismo de ocasião, inconsequente e por vezes até contraproducente, mas a CTP estará sempre na linha da frente pelas causas que defende, e naturalmente virá a público quando entender ser essa a melhor solução, ou a última solução. Esta é, naturalmente, uma estratégia que passa pelo constante diálogo com os nossos associados. Crise, greves… tem sido um início de mandato conturbado… Sabia ao que vinha e o que me esperava, quando aceitei este desafio, e o mesmo posso dizer de toda a direção. Ninguém esperava um mar de tranquilidade e dispusemo-nos todos a trabalhar, muito conscientes de que vão ser tempos muito difíceis. Embora greves sejam sempre imprevisíveis… São imprevisíveis mas infelizmente um risco permanente, sobretudo em épocas de crise. O que lamentamos é a falta de consciência das pessoas para os impactos destas greves e foi nesse sentido que nos manifestámos, tanto publicamente como nos inúmeros contatos que fomos fazendo com Governo e parceiros. São greves que criam uma imagem muito negativa do País, numa altura em que todos deveríamos estar a trabalhar para o crescimento económico e não para o destruir. E mesmo tendo sido desconvocadas, já deixaram marcas, porque houve muitos REVISTA APAVT · EDIÇÃO Nº 31

"Até à data ainda nada nos foi comunicado, nem fomos convocados ou ouvidos sobre essa matéria (privatizações da TAP e ANA)" cancelamentos que não se conseguiram recuperar. Também já reuniu com a Troika. O que lhes transmitiu? Fundamentalmente transmitimos a necessidade de reforçar a promoção, que deve ser encarada como investimento prioritário face a todos estes constrangimentos que o País vive, a eliminação de custos de contexto, a necessidade de criação de medidas de discriminação positiva no que diz respeito à fiscalidade no Turismo, medidas destinadas a promover a nossa competitividade e o crescimento das receitas. A redução do IVA, na restauração, ou no golfe, acabam por ter um efeito de crescimento das próprias receitas fiscais, portanto em linha com os objetivos da própria Troika e do Governo. Acredita que vão adotar a receita? O tempo o dirá, fomos ouvidos e não podemos nunca deixar de defender aquilo em que acreditamos, mesmo com toda a consciência do desafio, até político, que a adoção destas medidas implica. A razão está do nosso lado. Reuniu também com a Concertação Social, quais as maiores preocupações aí? Obviamente o desemprego, que nos preocupa a todos, patrões e sindicatos, embora possamos ter pontos de vista diferentes sobre a forma de o resolver. Pelo nosso lado, entendemos, e foi isso mesmo que também aí tive oportunidade de transmitir, que é pela adoção de medidas de promoção da economia, como sejam a diminuição da carga fiscal sobre o Turismo, a isenção da TSU e também uma maior adequação da legislação laboral à

sazonalidade desta atividade, que conseguiremos criar condições para a criação de emprego. Se algumas destas matérias dependem exclusivamente do Governo, outras há que têm de reunir o consenso dos Parceiros Sociais e a nossa intervenção é precisamente no sentido de gerar esses consensos. Como disse, temos todos que lutar para a saúde e o crescimento das nossas empresas, para com isso assegurar a saúde e o crescimento da Economia e do País. E há que ter também em conta que o desemprego afeta não só quem o vive, como também todos os que, neste ambiente, mesmo estando empregados, se sentem mais inseguros, com reflexos até na sua capacidade de trabalho. Que outros desafios marcam a agenda da CTP? No imediato, todos estes que já referi ocupam boa parte da nossa agenda, assim como a questão das taxas sobre as exScut's ou as taxas municipais, que mais não são que custos que apenas penalizam o nosso sector, que afastam turistas, que nos tornam menos atrativos e menos competitivos. Mas também estamos focados em questões como a reorganização das regiões ou a privatização da TAP e da ANA, entre muitas outras. É uma agenda imensa. Pode concretizar alguns? Precisamos urgentemente de informação estatística de rigor, porque essa é a primeira ferramenta para reconhecer ao Turismo o seu peso e também para a gestão do sector. Impõe-se que Portugal tenha uma conta satélite do turismo atualizada, é incompreensível que esse projeto tenha parado no tempo e conto que este Governo se mostre mais sensível para a implementar. E há também que sensibilizar as empresas e as associações a participar neste esforço de conhecimento. Mas há muitos mais, alguns dos quais de que pouco se fala mas são igualmente importantes, como a questão da certificação energética e da qualidade do ar ou dos direitos de autor e conexos, as taxas municipais urbanas e agora a apetência também para uma taxa turística para financiar a recuperação do património, só para dar alguns exemplos. 15


Entrevista

"Não defendo o protagonismo de ocasião, inconsequente e por vezes até contraproducente, mas a CTP estará sempre na linha da frente pelas causas que defende" O apoio ao investimento é também uma prioridade? Acima de tudo, entendo fundamental a criação de condições para que a banca possa disponibilizar recursos para o financiamento das empresas, sobretudo as exportadoras, com particular atenção às PME's, que é um dos grandes desafios com que o sector se debate. Mas o apoio ao investimento passa também pela criação das melhores condições para o acesso das empresas do sector às linhas de financiamento, por exemplo no âmbito do QREN. Qual a posição da CTP relativamente à privatização da TAP? Assegurar que o caderno de encargos seja eficaz na manutenção do hub de Lisboa e na manutenção da TAP como companhia de bandeira, de preferência mantendo alguma parte do capital em mãos nacionais. Queremos, naturalmente, que o acionista faça um bom negócio, mas sabendo que um bom negócio vai além de um bom preço, que assenta sobretudo no conhecimento que a TAP é fundamental para a estratégia de desenvolvimento do nosso Turismo, que é uma empresa que tem um impacto enorme em centenas, em milhares de empresas e em dezenas ou centenas de milhares de empregos e que qualquer erro que seja tomado agora pode ter repercussões irrecuperáveis no futuro. Convém não esquecer que se trata "só" da maior empresa exportadora nacional. Preocupa-o a possibilidade de deslocalização do hub? Claro que sim. Sendo verdade que o peso da TAP nas ligações da Europa ao Brasil e à África de língua portuguesa é seguramente o maior atrativo para qualquer concorrente à

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privatização, e que o hub de Lisboa tem nessa distribuição de tráfego um papel preponderante, não é menos verdade que o peso de Portugal, quer como mercado ou como destino, é efetivamente pequeno e a deslocalização do hub, para a empresa e os seus novos acionistas, não deverá afetar grandemente a sua operação. Afeta, isso sim, e muito, o Turismo em Portugal, coloca em causa todo o esforço que tem vindo a ser desenvolvido para que Portugal seja não só uma porta de entrada e saída como um local de estadia destes viajantes, afeta a imagem do País, afeta e coloca em causa o negócio dos aeroportos e o próprio valor da ANA, é toda a economia do turismo que sofre. Têm sido ouvidos nesta matéria? Temos anunciado ao Governo a nossa disponibilidade total e o nosso maior interesse em acompanharmos este dossier e, segundo cremos, o caderno de encargos deverá estar pronto até ao final do corrente mês, mas até à data ainda nada nos foi comunicado, nem fomos convocados ou ouvidos sobre essa matéria. E sobre a reorganização das regiões? Parece-me evidente que a redução do

número de regiões é essencial, no sentido da racionalização de custos e de maior eficácia na utilização de recursos. Mas, tão importante quanto isto é assegurar condições para que os privados tenham um crescente papel na definição das estratégias e na própria gestão desses recursos. A nova Lei terá, necessariamente, de refletir a capacidade que é reconhecida aos privados, que são quem efetivamente anda no terreno, quem melhor conhece os mercados, para definir as melhores soluções; E tem que assegurar a agilidade dos organismos responsáveis pela promoção, designadamente as ARPT's, cabendo naturalmente ao Turismo de Portugal um papel importante na coordenação deste esforço. Não podemos protelar mais a reorganização das regiões, a revisão da Lei, porque precisamos, mais que nunca, que promover eficazmente Portugal nos mercados emissores de turismo. Crê que está para breve esta Lei? Isso só o Governo poderá responder, mas acredito que a tutela tem consciência da urgência destas reformas e já em diversas ocasiões manifestámos as nossas preocupações e as nossas ideias sobre esta

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Entrevista

matéria. Há que avançar mais depressa, a Economia não se compadece de atrasos. Que apreciação faz deste Governo e desta tutela? Diria que, acima de tudo, tem que ser mais rápido. Nesta questão (da reorganização das regiões), mas também em todas as questões que, como já disse, são entraves ao crescimento das empresas e da Economia. Compreendo as limitações que tenham pelo facto de sermos um País intervencionado, mas impõem-se medidas para o crescimento e a geração de emprego, que são as únicas que permitem cumprir as metas. Como disse na minha tomada de posse, o discurso oficial é-nos sempre elogioso e de reconhecimento do nosso papel na Economia, o Turismo é sempre reconhecido como prioridade, mas logo depois somos confrontados com medidas que contradizem as palavras. Mais vale então nada nos dizer. Em muitos temas as intenções são as melhores mas tudo está a demorar demasiado tempo. Antevê-se uma CTP mais determinada na sua intervenção junto do Governo? A CTP é uma entidade independente e este estatuto permite-nos aplaudir e contestar as medidas adotadas pela tutela consoante as mesmas sejam, no nosso entendimento, benéficas ou prejudiciais ao sector. A nossa missão é a defesa dos interesses do sector e, como parceiros socais, a defesa do desenvolvimento económico e social do país. Não seremos nunca bandeira da contestação pela contestação, mas também não deixaremos de manifestar a nossa firme oposição se tal se afigurar necessário. E temo-lo feito, nos locais próprios. Falando do movimento associativo, são conhecidas as dificuldades que muitas associações estão a passar. Teme que isso possa dificultar a ação? Tenho pena, acima de tudo, que os portugueses não tenham espirito associativo. As dificuldades decorrem das próprias dificuldades das empresas, mas há que encarar o associativismo como um investimento e não um custo. Em todo o caso, muitas, como a própria APAVT o fez, estão no caminho da reestruturação, e

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outras possivelmente terão de o fazer para se adaptarem a estes tempos. É inevitável. Mas, acima de tudo, creio que temos, todos, de ter a capacidade de demonstrar às empresas a mais-valia que representa o associativismo, as vantagens de estarmos cada vez mais unidos para melhor enfrentarmos os desafios do presente e do futuro. Se formos bem-sucedidos, o movimento associativo sai reforçado e, com ele, as próprias empresas. Diria também que como muitas das próprias empresas estão a fazer, ao juntar-se, procurar sinergias, fundir, para melhor enfrentarem o futuro, talvez valesse a pena ponderar aplicar o mesmo princípio nas associações, por exemplo na partilha de serviços. E as contas da CTP? São necessariamente objeto de contínua análise e racionalizaremos o que for possível racionalizar, sendo certo que um dos objetivos desta direção é o de tentar trazer para a CTP um número crescente de associados, além de procurarmos outras formas de financiamento. Antecipa alguma mudança na estrutura organizativa da Confederação? A atual estrutura e modelo de gestão têm

fu n c i o n a d o . P o d e r ã o a i n d a e x i s t i r pequenos ajustes, mas para já estamos a trabalhar com uma equipa fortemente dedicada e motivada, liderada com muito saber pela Dra. Adília Lisboa, que me merece todo o reconhecimento. Mas é também verdade que precisaremos de reforçar esta equipa, para fazer face a todas as tarefas e solicitações. Vai manter as comissões especializadas? Está já decidido, pela nova direção, mantê-las e dinamizá-las tanto quanto possível, designadamente sobre Promoção, Formação, Relações Laborais e Segurança Social e Transporte e Aeroportos. Como sabe, liderei a comissão da promoção durante o último mandato. Dessa experiência retiro que, desde que haja empenho de todos quantos nelas participam, as comissões são excelentes instrumentos para o encontro de soluções para o sector. São comissões especializadas, que têm a vantagem de poder envolver mais gente de fora da Confederação, coordenados por um membro da direção. REVISTA APAVT · EDIÇÃO Nº 31


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Delta do Rio das Pérolas é prioridade

APAVT estabelece acordo com congéneres de Macau A associação, representada pelo seu presidente, Pedro Costa Ferreira, assinou em Macau três acordos de cooperação com as congéneres locais, destinados a fomentar o Turismo entre os dois territórios, uma iniciativa integrada na visita do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros à China.

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Entrevista

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assinatura dos acordos, com a Associação Turística de Macau, a Associação das Agências de Turismo de Macau e a Associação das Agências de Viagens de Macau, foi testemunhada pelo Ministro Paulo Portas e pelo Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura de Macau, Cheong U, estando também presente a Secretária de Estado do Turismo Cecília Meireles. "Queremos dar um eficaz contributo para o desenvolvimento do turismo chinês em Portugal", afirma o presidente da APAVT a propósito desta iniciativa, adiantando que "a associação elegeu o Delta do Rio das Pérolas como prioridade nas iniciativas de captação de turistas da China, dado tratar-se de uma das regiões com maior desenvolvimento económico e por considerar que, face à dimensão do mercado chinês e à escassez de recursos de Portugal, é mais eficaz a concentração de esforços". Na intervenção que fez aquando da assinatura do protocolo, Costa Ferreira destacou o papel da Lusofonia no âmbito do Turismo. "Pretendemos que Macau seja a porta de entrada do mercado lusófono na Ásia; do mesmo modo, ambicionamos que Portugal seja a porta de entrada desse mercado na Europa", disse o dirigente da APAVT, acrescentando que "para tal contribuirão as relações que a APAVT tem vindo a desenvolver com as suas REVISTA APAVT · EDIÇÃO Nº 31

congéneres dos Países de Língua Oficial Portuguesa, com particular e justificado destaque para o Brasil, com quem ainda este ano estabelecemos um importante acordo de cooperação.

APOSTA NO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS A dimensão do mercado chinês, que é o terceiro maior mercado do mundo em termos de gastos turísticos no estrangeiro, e perto de ultrapassar os Estados Unidos da América no segundo lugar, é simultaneamente um dos seus principais atrativos e o maior desafio ao esforço de captação. A grande maioria dos viajantes chineses (cerca de 69 milhões em 2011), ficam-se pelos países da região, com os quais têm maiores afinidades culturais e para onde é,

naturalmente, mais económico viajar. A Europa, embora atrativa, é percecionada como um destino caro, sendo apenas a opção de menos de 5% do total de viajantes. Ao nosso País, segundo o Turismo de Portugal, chegaram em 2011 cerca de 50.000 turistas chineses, mais 66% que no ano anterior e o Banco de Portugal, por seu lado, indica que as receitas geradas por estes turistas atingiram 12 milhões, mais 84,2% do que em 2010. Números pouco expressivos no conjunto do incoming nacional, mas com um crescimento notório Sendo praticamente inviável a promoção turística de Portugal no todo chinês, por uma questão de escala e de recursos, a APAVT entende, porém, que é exequível dar início a um conjunto de iniciativas mais centradas na

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região Sul, concretamente no Delta do Rio das Pérolas, região que beneficia de um dos mais elevados níveis de desenvolvimento económico do gigante asiático. "A província de Guangdong tem 83 milhões de habitantes e é a que tem o mais elevado PIB de todo o país e o 3º maior PIB per capita da China", refere Pedro Costa Ferreira, acrescentando que "o Delta do Rio das Pérolas abrange as mais importantes cidades desta região, além de Macau e HongKong, pelo que representa um mercado com um elevadíssimo potencial e mais f á c i l d e a t i n g i r, e s p e c i a l m e n t e s e soubermos utilizar Macau como uma plataforma privilegiada para os nossos esforços de promoção". Com este objetivo em mente, a APAVT está a estudar um projeto que visa, precisamente, reunir as necessárias sinergias para o desenvolvimento de ações nesta área, avança o presidente da direção.

MACAU - DESTINO PREFERIDO DA APAVT Macau é, desde o passado dia 21 de Maio e até ao final do corrente ano, o "Destino Preferido da APAVT". A iniciativa, decorrente de um acordo estabelecido com o Turismo de Macau, constitui suporte para um conjunto de ações a levar a cabo durante este período, designadamente nos domínios da promoção turística de Macau e da formação. Ao abrigo deste acordo, assinado entre Pedro Costa Ferreira e o coordenador do Turismo de Macau em Lisboa, Rodolfo Faustino, a associação passa a incluir a referência "Destino Preferido" ou, na sua versão em língua inglesa, "Preferred Destination", em todo o estacionário e em todo o material informativo da associação, distribuído em Portugal e internacionalmente, o mesmo se aplicando ao site e aos eventos promovidos pela APAVT, incluindo o congresso. Por seu lado, também o Turismo de Macau ficou livre de utilizar este endosso nos seus próprios suportes de comunicação.

PORQUÊ MACAU? Conforme afirmou o presidente da associação aquando da apresentação do acordo, embora " e s t a n d o a A PAV T n a p r i m e i r a linha do combate pelo desenvolvimento das exportações, sabemos que os portugueses não deixaram de viajar para fora do País, mesmo nesta conjuntura mais limitativa". Qualidade, interesse e atratividade, foram algumas das características realçadas por Pe d r o Costa Fe r r e i ra relativamente a Macau, enquanto destino turístico, tendo também sublinhado que "quase 500 anos de uma história partilhada são, inegavelmente, motivo de especial atração para os portugueses". O r e l a c i o n a m e n t o e n t r e a A PAV T e Macau, onde a associação já realizou quatro congressos (1982, 1990, 1996 e 2008) e "o trabalho e o esforço que tem sido desenvolvido pelos operadores e agentes de viagens portugueses, em conjunto com as autoridades turísticas de Macau", foram outros argumentos para este acordo inédito. "Macau, por tudo o que dissemos, merece efetivamente a nossa recomendação", concluiu o p r e s i d e n t e d a A PAV T, f a z e n d o contudo notar que "o turismo é feito de reciprocidades, pelo que esta relação não se esgota aqui". Mais que uma simples iniciativa de marketing, este foi apenas um novo passo no aprofundamento de uma relação que se quer bilateral e bidirecional. E foi precisamente nesse sentido que teve agora lugar a assinatura dos acordos com as congéneres macaenses, abrangendo tanto o outgoing como o incoming.

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Acordo APAVT-TAP adia pagamento semanal do BSP Um acordo estabelecido entre a APAVT e a TAP logrou contrariar a intenção das companhias aéreas BSP para a passagem do pagamento das suas vendas de mensal a semanal a partir de Julho do próximo ano, adiando a aplicação do novo modelo por dois anos e estabelecendo a sua redução progressiva ao longo deste período.

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té Junho do próximo ano mantêm-se, assim, inalteradas as condições em vigor, ou seja o pagamento mensal. A partir de Julho de 2013, e até Junho de 2015, o prazo passa a quinzenal, passando em Julho de 2015 a ser semanal. Em face destas alterações, o prazo médio de pagamento do BSP, que hoje é de 30 dias (média entre os 45 dias relativos às vendas do primeiro dia do período mensal anterior e os 15 dias relativos às vendas do último dia desse mesmo período), passa a ser, entre 1 de Julho de 2013 e 30 de Junho de 2015, de 22,5 dias (média entre os 30 dias para as vendas do primeiro dia da quinzena a que se referem e os 15 dias nas vendas efetuadas no último dia). A partir de 1 Julho de 2015, o prazo médio será de 18,5 dias (entre os 22 dias para as vendas do primeiro dia do período semanal a que se referem e os 15 dias relativos às vendas realizadas no último dia do mesmo período). A par de reuniões com a TAP, a associação promoveu um alargado debate interno, numa Assembleia Geral Extraordinária que se prolongou por duas sessões, a 29 de Maio e 5 de Junho, da qual resultou um mandato à direção para assinar o acordo com a transportadora nacional, nos moldes referidos. Este foi já validado em sede de APJC-Agency Programme Joint Council, fórum que reúne companhias aéreas e agências de viagens a nível local, aguardando agora a sua aprovação final na próxima PaconfPassenger Agency Conference, reunião da IATA onde se tomam as resoluções relativas às relações entre os seus membros e as agências de viagens, que terá lugar em Outubro. 24

Não se antecipa, porém, qualquer alteração ao consenso alcançado em Portugal. "Foi um processo extraordinariamente complexo, mas conseguimos chegar a bom porto e evitar o que seria verdadeiramente catastrófico para o sector (a passagem a semanal já em Janeiro de 2013), pois as agências não teriam tempo para se adaptar a este novo modelo", afirma o presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira, convicto de que o sector saberá adaptar-se ao novo modelo. "Reduzir prazos de pagamento é sempre mais fácil que reduzir prazos de recebimento, e é esse o grande desafio para os nossos associados, particularmente num contexto

económico como o que vivemos. Este foi obviamente um dos argumentos nestas discussões, foi por isso mesmo que insistimos na necessidade de um período alargado para implementar esta mudança de paradigma. E foi isto mesmo que conseguimos", acrescenta Costa Ferreira, para quem o peso que as agências de viagens têm na distribuição do produto aéreo foi fulcral no resultado obtido. "As companhias perceberam que seriam igualmente afetadas se, ao fazer finca-pé na decisão de passar já a semanal, conduzissem as agências a situações complicadas, em alguns casos até ao próprio fecho", conclui.

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AS RAZÕES

PARA A ALTERAÇÃO A discussão em torno da redução dos prazos de pagamento por parte das companhias aéreas tem vários anos, mas a degradação da economia e das condições de acesso ao crédito levaram as transportadoras, nos últimos dois anos, a intensificar as pressões e, finalmente, a decidir no início este ano que iriam impor às agências o pagamento semanal. As companhias alegavam, para esta decisão, um aumento no risco de default, ou seja, do incumprimento de pagamento por parte das agências, em face da sua maior fragilidade num ambiente económico mais difícil. Um argumento que a APAVT desde logo rejeitou, fundamentando esta sua apreciação no facto de os defaults, em Portugal, não ultrapassarem os 0,016% do crédito, ou seja, um risco mínimo. "Se excluirmos o caso Marsans, que foi efetivamente um caso de polícia, inédito e altamente improvável de duplicação, o risco de default não sofreu alterações que justifiquem qualquer alteração dos prazos", REVISTA APAVT · EDIÇÃO Nº 31

defende o presidente da APAVT. Outra das razões alegadas pelas transportadoras é a crescente dificuldade em obter financiamento a que são forçados a recorrer para as suas operações. Ao diminuir os prazos de pagamento, diminuem também as necessidades de recorrer a estes financiamentos, o que se entende seja, efetivamente, a principal justificação para toda a pressão junto dos agentes de viagens. Finalmente, escudavam-se na redução de prazos que estava já em vigor em muitos dos mercados onde concorrem, colocando-os em desvantagem competitiva. Apesar de Espanha e França, dois dos mercados que têm sido apontados como referências à atuação da TAP, manterem por enquanto o pagamento mensal, em muitos outros, casos da Bélgica, Dinamarca, Holanda, Suécia, Polónia, Grécia os prazos já foram reduzidos. Determinados à redução, bastaria a realização de quatro reuniões

consecutivas do APJC sem acordo com as agências de viagens para que a decisão fosse imposta unilateralmente. "Em face desta decisão, restavam-nos duas opções, que foram inclusive debatidas em Assembleia Geral. A via legal, de resultados imprevisíveis, ou a via negocial. Optámos por esta última, porque a TAP e, posteriormente, as restantes transportadoras, mostraram abertura para chegar a um entendimento connosco", explica o presidente da APAVT. Se considerarmos que, para as agências de viagens, uma redução do prazo de pagamento implica, quase forçosamente, uma redução dos prazos de concessão de crédito aos seus clientes, este acordo contribui também para aliviar a pressão das suas tesourarias e as necessidades de crédito que hoje são, mais que nunca, muito difíceis de obter. Acresce que, devido à deterioração dos balanços e à dificuldade de obtenção de garantias, já se verificavam, num número crescente de casos, agências que 25


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estavam em regime de pagamento semanal, na sequência de acordos bilaterais com as companhias aéreas.

UM DESAFIO DE CURTO PRAZO O encurtamento do prazo de pagamento ao BSP significa, na prática, a necessidade de alteração do paradigma das relações entre agências de viagens e os seus clientes, a quem a concessão de crédito tem constituído um forte argumento de vendas. O impacto, contudo, não atinge todo o sector de igual forma. Desde logo, porque só cerca de 1/3 das agências de viagens em Portugal são IATA e, como tal, diretamente atingidas por esta alteração. As restantes, na sua maioria de pequena dimensão, emitem os bilhetes para os seus clientes através de terceiros, sobretudo consolidadores, a quem em regra já tinham de pagar praticamente a pronto. De entre as agências IATA, o impacto dependerá do mix entre vendas lazer e vendas corporate, dado que só nestas existe, em regra, uma concessão de crédito associada. De facto, esta mudança terá o seu maior impacto nas agências especializadas no segmento empresarial.

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Para os TMC's (Travel Management Companies), porém, resta um ano para adaptar o mercado ao novo modelo, ou seja, para sensibilizar os clientes para a diminuição do prazo de concessão de crédito pelas agências, ou adotar modelos alternativos, caso da utilização de cartões de crédito para pagamento às agências. "Em Espanha, por exemplo, o recurso aos cartões de crédito por parte das empresas no pagamento às agências já atingem valores expressivos, na ordem dos 80-90%, substancialmente mais elevados que em Portugal, onde calculamos não ultrapasse os 10-15%", explica Costa Ferreira. O esforço de sensibilização junto dos clientes, contudo, terá de ser feito em conjunto para surtir efeito. "Se todas as agências adotarem a mesma atitude exigente nos prazos de pagamento dos seus clientes, todo o mercado sai a beneficiar", diz Costa Ferreira, acrescentando que as próprias companhias aéreas estão empenhadas a, juntamente com as agências, transmitir ao mercado esta mudança de paradigma.

O EXEMPLO DO ESTADO Neste processo, a atuação do Estado é de

crucial importância, uma vez que é possivelmente o maior cliente corporate das agências de viagens. O sector, neste caso, defronta-se com duas dificuldades. Por um lado, o próprio Estado, no concurso público que lançou para o fornecimento de viagens, obriga à concessão de crédito em prazo superior àquele que a própria TAP, da qual é ainda o único acionista, acordou com as agências. Por outro lado, o crónico atraso do Estado no pagamento destes fornecimentos, que ultrapassa largamente o prazo médio de 120 dias. Também aqui terá o sector, juntamente com as companhias aéreas, de fazer um esforço de grande sensibilização do Governo e do Estado para o cumprimento dos prazos que agora foram acordados, sob pena de ser a rentabilidade, ou mesmo a própria sobrevivência das agências fornecedoras, a ser posta em causa. "Não posso deixar de sublinhar o empenho que a TAP colocou na concretização deste acordo, o que me parece prova de que o consenso e a serenidade produzem sempre melhores resultados que o confronto e a radicalização de posições", conclui o presidente da APAVT.

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Vida Associativa

De 6 a 9 de Dezembro

38º Congresso da APAVT reúne em Coimbra De 6 a 9 de Dezembro, Coimbra vai ser o cenário do debate turístico português, com a realização da 38ª edição do congresso nacional da APAVT, dedicado ao tema "Turismo: Potenciar Recursos, Romper Bloqueios, Ganhar Mercado".

“O

Turismo precisa de respostas, juntos vamos encontrar respostas", afirma o presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira, desafiando todo o sector a juntarse em Coimbra para mais uma edição do congresso nacional da associação, que ao longo dos anos adquiriu o estatuto de principal fórum de debate turístico em Portugal. "Vamos debater estratégias e políticas, produto e mercados, a palavra de ordem é encontrar soluções concretas ao desafio do crescimento", acrescenta o presidente da associação, explicando que "teremos oradores de reconhecido mérito, mas pretendemos também, e mais que nunca, dar voz aos congressistas, sejam agentes de viagens, hoteleiros, gestores da restauração, de companhias aéreas, cruzeiros ou de rent-a-car, pois todos temos competências e responsabilidades que não podemos descartar". Políticos, governantes e a administração pública estão também aa ser convidados a marcar presença em Coimbra, não só para manifestarem as suas opiniões como 28

também, e sobretudo, para conhecer, de viva voz, o que pensam os empresários e gestores do Turismo nacional. "Turismo: Estratégias e Políticas", "Criação de Valor", "Portugal: Produtos e Mercados", "Desafio do Crescimento" e "Reorganização Turística" são os temas das sessões de trabalho constantes da agenda de trabalho, que terá início na tarde de quinta-feira, 6 de Dezembro, e se prolongará até sábado. A par de temas transversais a todo o sector, o 38º congresso da APAVT, e primeiro sob a liderança da direção de Pedro Costa Ferreira, dedicará espaço próprio ao papel dos agentes de viagens na sociedade e na economia, pretendendo-se reafirmar uma classe que tem vindo a ganhar renovado fôlego um pouco por todo o mundo, em particular nos mercados considerados mais sofisticados. Por outro lado, o congresso vai também integrar na sua agenda, pela primeira vez, reuniões de alguns dos capítulos sectoriais da APAVT, designadamente o de Incoming, Distribuição, MI, Cruzeiros, Transporte Aéreo e Tecnologia e Internet, que

ocorrerão em simultâneo. "A ideia é aproveitar a presença de associados de todo o País e das mais variadas atividades para um debate, interno, sobre os desafios comuns e apresentação de propostas de ação", esclarece Costa Ferreira.

TURISMO DO CENTRO VOLTA A CONQUISTAR CONGRESSO "Queremos reafirmar a nossa predisposição para a realização de grandes Congressos, debatermos o presente e o futuro do nosso setor e aliá-lo a um momento impar da nossa história, o da consagração da Cidade de Coimbra a Património Mundial", afirma o presidente do Turismo Centro de Portugal, Pedro Machado, a propósito da decisão da APAVT relativamente ao local de realização do seu 38º congresso nacional. Esta é a primeira vez que a associação realiza um congresso na cidade dos estudantes, e o segundo ano em que o Turismo Centro de Portugal assegura o seu acolhimento, tendo manifestado essa intenção ainda havia terminado o congresso do ano passado, em Viseu. REVISTA APAVT · EDIÇÃO Nº 31


Vida Associativa

1 "A realização do XXXVII Congresso da APAVT, em Viseu, em Dezembro de 2011, tornou possível o reconhecimento do destino Centro de Portugal nas suas múltiplas variáveis e condições para acolher esse grande Fórum. Foi uma boa jornada, que nos mereceu a confiança da APAVT e cujas participações e conclusões enriqueceram o Turismo Nacional", acrescenta Pedro Machado, uma opinião partilhada por Pedro Costa Ferreira, para quem a escolha de Coimbra constitui também "uma manifestação de confiança no Turismo Centro de Portugal, porque o trabalho realizado o ano passado foi por todos os congressistas considerado excecional". Independentemente do local, a APAVT havia já decidido realizar o congresso em território nacional. "É uma decisão que, em primeiro lugar, simplesmente cumpre os compromissos desta direção da APAVT, de integração no esforço de desenvolvimento das exportações portuguesas e de apoio ao turismo interno", explica o presidente da associação.

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VILA GALÉ COIMBRA É HOTEL-SEDE O hotel Vila Galé Coimbra vai ser o hotel-sede do 38º congresso da APAVT, sendo o palco da maioria das sessões de trabalho e de alguns dos eventos sociais. Localizado no centro histórico de Coimbra, com vista para o Mondego e de fácil acesso, esta unidade do grupo liderado por Jorge Rebelo de Almeida, inaugurada em Abril de 2010, dispõe de 229 quartos e uma área de convenções com quase 1.000 metros quadrados e uma capacidade para 600 pessoas. Além do Vila Galé, os congressistas poderão também optar por outros hotéis associados ao evento, casos do Tivoli ou do D. Inês, de uma lista que será em breve disponibilizada. A cerimónia oficial de abertura do congresso, bem como a primeira sessão de trabalhos, terão lugar no auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra.

INSCRIÇÕES A 190 EUROS, INCLUINDO ALOJAMENTO E TRANSPORTE A APAVT fixou em 190 euros o valor mais baixo das inscrições, incluindo transporte rodoviário de Faro, Lisboa e Porto, (estando

a ser negociadas tarifas especiais no transporte aéreo para associados dos Açores e Madeira) três noites de alojamento em regime de APA em unidade de 3-estrelas, três jantares oficiais e o acesso a toda a agenda de trabalhos e social do evento. Na prática, são 190 euros em regime de Meia-Pensão, com a possibilidade, ainda em aberto, de complementar esta oferta com um ou mais almoços. Nas unidades de 4-estrelas, incluindo o hotel-sede, o valor da inscrição será de 200 euros. Aos acompanhantes, partilhando o quarto, será apenas cobrado um acréscimo total de 50 euros no caso das unidades de 4-estrelas e de 40 euros no caso dos 3-estrelas, sendo-lhes proporcionado um programa de excursões a anunciar oportunamente. A 115 euros por pessoa, no caso de dois a partilhar quarto, creio não só conseguirmos facilitar a participação de todos no mais importante momento da vida associativa e mesmo do Turismo nacional, como também uma excelente oportunidade para revisitar uma cidade que é, inegavelmente, uma das joias da nossa oferta", afirma Pedro Costa Ferreira.

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10 9 QUEM É QUEM 1 - Pedro Machado (TCP), Pedro Costa Ferreira (APAVT) e João Paulo Barbosa de Melo (CMC) 2 - Francisco Teixeira (Melair) 3 - Helder Amaral (CDS-PP) e Fernando Nunes (Grupo Visabeira) 4 - Cristina Siza Vieira (AHP), Com. Mário Pereira Gonçalves (AHRESP) e Francisco Calheiros (CTP) 5 - Gonçalo Rebelo de Almeida (Vila Galé), Luiz Mór (TAP) e João Welsh (Top Atlântico Madeira) 6 - Pedro Machado (TCP) e Adília Lisboa (CTP) 7 - Melchior Moreira (TPNP) e Isabel Ferreira de Castro (TPNP) 8 - Paco Ayuso (RENA) e Carlos Brighton (Lufthansa) 9 - Carlos Luis (TopCar), Pedro Costa Ferreira (APAVT) e Vitor Filipe (TQ Travel) O atual e ex-

11

presidentes da APAVT 10 - Júlia Ramalho de Almeida (AIP), Artur Sousa (ATR) e Maria João Paulino (FIL-BTL) 11 - Os Embaixadores do Panamá, Perú, Equador, Pedro Costa Ferreira, Secretário Geral do IPDAL, Embaixadores da Tunísia e Colômbia 12 - Duarte Correia (TUI), Paula Alves (Travel Tailors) e Fatima Alves (APAVT) 13 -Rodolfo Faustino (Turismo de Macau) e Pedro Costa Ferreira (APAVT) Jorge Loureiro (TCP) 14 - João Matias (Geostar), Artur Sousa (ATR) e Maria de Lurdes Dinis (Go4Travel) 15 - Miguel Cymbron (TAçores), Paulo Almeida (Iberojet) e Gonçalo Rebelo de Almeida (Vila Galé)

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16 - Miguel Cymbron (TAçores), Gonçalo Rebelo de Almeida (Vila Galé) 17 - Eugénio André (André Tours) e Alexandre de Almeida (Hotéis Alexandre de Almeida) 18 - Jorge Loureiro (TCP) 19 - Francisco Sá Nogueira (PortugalRES), Ricardo Figueiredo (APAVT), Eduardo Pinto Lopes (Ego Travel) e João Trigo (Lufthansa) José Arimateia (Visabeira Turismo) e Hortense Martins

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Reformar é preciso! O

Turismo confronta-se, hoje, do lado da procura,

com

um

contexto

seguintes interrogações:

em

- que modelo de financiamento? mantém a

acentuada mudança, traduzida numa profunda

opção de valorização dos fluxos e o território

alteração da estrutura demográfica, na

ou apenas os fluxos turísticos?

emergência de novas motivações e atitudes, a

- Como vamos abordar o "peso" dos recursos

par da sofisticação e alteração de padrões de

humanos nas actuais estruturas, criando

comportamento do consumidor turístico e, do

instrumentos para possibilitar o alivio dessa

lado da oferta, confrontado com a emergência

"carga", mas sem prejudicar os trabalhadores?

de novos concorrentes, com movimentos de

- Que missão vamos querer para as novas

consolidação empresarial e novos modelos de

Entidades? Manter a posição de "subserviência"

negócio.

do estado ou, verdadeiros parceiros para a

Estamos, por isso, perante uma mudança de

contratualização mantendo a sua autonomia e

paradigma acentuada pelo papel determinante

dando espaço para a sua criatividade?

das novas tecnologias, de uma sociedade do

- qual o modelo de governação, mantemos o

conhecimento, de um mundo global e de

principio da eleição, garantia da equidistância

novos contextos tecnológicos, que influenciam a Comunicacao, os Mercados, a Distribuição e o Preço. E

essa

mudança

de

paradigma

obriga

Pedro Machado Presidente do Turismo Centro de Portugal

dos "poderes instalados" e da legitimidade dos eleitos, integrando sectores publico local e privado com uma estrutura "leve" com três elementos, à semelhança do TPip ou vamos

necessariamente a reformas, a que os

novos contornos, os turistas adquiriram novos

criar mais Orgãos dirigentes?

organismos regionais de turismo não podem

hábitos de consumo, as organizações regionais

No momento em que nos foi apresentada, e

nem devem ficar imunes.

estão confrontadas com novos paradigmas e

pela leitura feita, a actual Proposta de Lei de

Agregar territórios de forma a dar coerência a

como tal, têm que se adaptar a esta nova

Alteração do Regime Jurídico das Áreas

uma estratégia de promoção e valorização dos

realidade.

Regionais de Turismo e das Entidades Regionais

nossos produtos e marcas Turisticas, que

Quanto à primeira questão, para quê esta

de Turismo, merece a nossa concordância o

acrescente atractividade e competitividade aos

reforma? Ela assume duas variáveis:

modelo de território ao considerar as cinco

destinos regionais e a Portugal, acabando com

a primeira, porque o DL 67/2008 de 10 de Abril

áreas regionais, consagrando uma estratégia

"fenómenos" de fractura, espartilhos e

ficou àquem da expectativa que tinha sido

comum para a promoção regional e corrigindo

descontinuidade que o PENT definiu.

criada para as novas Entidades Regionais, que

"essa aberração criada pelo PENT"; de igual

Rentabilizar recursos técnicos e financeiros,

se viram incapacitadas nos meios financeiros e

modo a alienação por parte da SET dos 10%

definindo

convergentes,

nas competências de cumprirem um papel mais

que estavam sob a sua jurisdição e transpostos

articulando a promoção interna com a

decisivo no modelo de desenvolvimento dos

para um modelo de financiamento que dá mais

promoção

destinos regionais, nomeadamente:

peso ao território e ao numero dos municípios,

envolvimento participativo do sector privado,

- um modelo territorial incapaz de gerar

introduzindo maior clareza na atribuição das

ajustando e maximizando o modelo de

consenso e estratégias comuns quer para a

verbas do OE.

financiamento.

promoção interna quer externa;

Deve, do nosso ponto de vista, ser maturada a

Diminuir o peso das estruturas com a

- um modelo de financiamento concentrado no

proposta encontrada para os Orgãos quer

consequente libertação das transferências

numero de camas e dormidas sem "contabilizar"

quanto ao numero a criar, à sua composição e

financeiras para a promoção e apoio aos

proporcionalmente o território;

funcionamento, bem como às competências

empresários do sector, garantindo um melhor e

-

externa

propostas. De igual modo, nos contratos

mais eficaz serviço aos turistas.

"divorciado" da promoção interna e gerador

programa a estabelecer com o TPip, que

Temos por isso, agora, uma nova oportunidade

de fortes discrepâncias nos meios financeiros e

genericamente

de potenciar essas capacidades. Para isso, do

nos recursos disponíveis;

metodologia, salvaguardar questões de ordem

nosso ponto de vista, o sucesso desta nova

a segunda, porque precisamos de atribuir

legal quanto à capacidade do financiamento

reforma terá que responder a duas questões

novas competências aos organismos regionais

das Comunidades Intermunicipais assegurando

essenciais: para quê esta reforma, qual a sua

por forma a alargarem o seu raio de acção

assim a contrapartida financeira desejada.

validade? Porquê esta reforma, qual a sua

constituindo-se como verdadeiros agentes de

A par de um conjunto mais vasto de

oportunidade?

dinamização do sector turístico regional,

considerações técnicas sobre o articulado deste

A resposta à segunda questão parece-nos

reforçando a competitividade local inter pares

anteprojeto, merece-nos nota positiva como

obvia pelos argumentos já aduzidos. Os meios

e, por essa via, aumentando e a coesão

documento de trabalho, capaz de mobilizar o

financeiros são escassos, os fluxos turísticos têm

nacional.

turismo regional e, por essa via, o turismo

vindo a alterar-se, os modelos de negócio têm

Esta nova proposta de lei deve dar resposta às

nacional.

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estratégias externa

com

o

consequente

um

modelo

de

promoção

concordamos

quanto

à

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REVISTA APAVT Nº 31 - JULHO 2012  

Revista APAVT - Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo. Edição 31, Julho 2012

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