Jewellery Mag - Janeiro 2021

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J E W E L L E R Y M A G J A N E I R O

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04 CAMPANHA INTERNACIONAL T O G E T H E R W E S TA N D

Portuguese Jewellery Shaped With Love

26 D E S TA Q U E PODC AST L APIDAR

22 E N T R E V I S TA AN DRÉ DE AR AGÃO A ZEVE DO

Secretário de Estado para a Transição Digital

A nova série “Together We Stand”


Maria Julieta é a artista por trás da Julieta Joias. Com mais de 30 anos, o objetivo da marca é criar joias provocantes, íntimas e intemporais. A junção das cores vibrantes das pedras preciosas com as curvas dos materiais nobres, dá origem a peças luminosas, lapidadas com minúcia e detalhe. Os Brincos Filigrana Coruja II, visível na imagem, comprova a união entre estes dois elementos.


E D I

T O R I A L

OS 3 R’S – RESILIÊNCIA, RECONSTRUÇÃO, RECUPERAÇÃO

As políticas de sustentabilidade e responsabilidade ambiental assentam em três pilares conhecidos como os 3 Rs – Reduzir, Reutilizar, Reciclar. Estes três princípios são essenciais para aumentar o ciclo de vida de um produto e gerar uma economia circular. Permitam-me aproveitar a tríade para fazer a analogia com aquela que consideramos ser a estratégia de retoma do setor da ourivesaria: Resiliência, Reconstrução, Recuperação. Comecemos pela resiliência, aquela que é mais imediata e que exige das empresas uma capacidade quase hercúlea de enfrentar a crise com a confiança e visão no futuro. Porque esta é uma maratona contra uma crise sanitária, económica e social e nenhuma decisão deve ser tomada com vista aos resultados mais imediatos, no curto prazo. É imperativo perceber o impacto que as decisões que são tomadas agora terão na fase de recuperação, que esperemos aconteça no primeiro semestre de 2021. O que pedimos às empresas é que se foquem nas soluções, nomeadamente nas soluções coletivas e vejam as oportunidades por entre a penumbra do enorme desafio que enfrentam. Sejamos resilientes, juntos. A segunda fase será de reconstrução. A pandemia COVID-19 e o seu impacto para a economia global obrigou a uma reestruturação dos modelos de negócio, de forma profunda e irreversível. E por isso, o nosso foco deve ser agora o também de capacitar as empresas na sua rápida adaptação às novas dinâmicas de mercado – que vieram acelerar processos como a digitalização dos negócios, o comércio eletrónico e a modernização tecnológica.

Para isso, estamos em contacto próximo com o Governo e as instituições no sentido de defender os interesses do setor e assegurar as condições de apoio para que as empresas possam mais rapidamente ajustar as suas estratégias e operações. Reconstruamos, juntos. O terceiro ponto diz respeito à recuperação. Queremos voltar a colocar rapidamente o setor na trajetória de crescimento e expansão internacional que vinha a registar e que é evidente no estudo que desenvolvemos em parceria com a Deloitte Portugal. A AORP quer ser a força motriz dessa recuperação, através de sinergias e de plataformas coletivas de promoção, alavancadas pela força da marca Portuguese Jewellery. Uma marca que a AORP tem vindo a consolidar, na última década, e que hoje em dia é reconhecida como chancela de qualidade, reputação e prestígio, nos quatro cantos do mundo. Recuperemos, juntos. Tudo isto só é possível com um enorme sentido de coletivo, de interajuda e de partilha que advogamos na nova campanha de promoção do setor – Together We Stand. Uma mensagem de união e de força coletiva que encontra na diversidade das empresas uma verdadeira cadeia de valor, da indústria ao retalho. Das empresas tradicionais às inovadoras. Das referências às emergentes. Mas vamos mais longe. Esta é uma mensagem de união para dentro e fora do setor. O Governo, as associações parceiras do têxtil, calçado e tantas outras, os nossos parceiros institucionais, os clientes e o consumidor, todos têm um papel determinante neste trajeto.

Together We Stand.

DE SIGN GRÁF IC O PAGINAÇÃO

CAPA

ED I TORIA L

PROPRIEDA DE

Dep. de Comunicação e Imagem AORP

Fotografia - João Castela e Luís Moreira

AORP geral@aorp.pt

AORP www.aorp.pt


02 TENDÊNCIAS

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01 Colar, Omnia; 02 Brincos, Arte Nova Jewellery; 03 Anéis, Allis Jewellery; 04 Anel, Atena Jewelry; 05 Brincos, Maria João Bahia; 06 Brincos, Portugal Jewels

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03 TENDÊNCIAS

let’s get digital

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Há um “admirável mundo novo” para as joias portuguesas. A migração digital, acelerada pelo atual contexto, fez com que as marcas ganhassem uma voz no online. Tal como os materiais com que trabalha, a joalharia portuguesa mostrou na adaptação ao novo normal a resiliência da qual é feita. Agora, através do digital, 06

aproxima-se do seu público a um nível global.


04 TOGETHER TOGETHER WE WE STAND STAND


05 TOGETHER WE STAND

C A M P A N H A

T O G E T H E R

W E

S T A N D

Cadeia de valor. A nova campanha promovida pela AORP, retrata um setor unido e comprometido com a missão de afirmar a joalharia portuguesa no mundo. A joalharia portuguesa faz-se de diversidade. Das oficinas tradicionais à indústria inovadora, do design clássico ao contemporâneo, do comércio local aos marketplaces digitais, o setor evoluiu, fortaleceu-se e encontra-se agora mais coeso e preparado do que nunca para afirmar a marca Portugal no mundo. E a pandemia aguçou o engenho. É nesse sentido que surge a nova campanha “Together We Stand”, promovida pela AORP, uma afirmação de coletivo que convoca toda a cadeia de valor, da indústria ao retalho, a unir-se para recuperar a trajetória positiva que vinha a registar. A mais recente campanha apresenta sete histórias de empresários do setor, que retratam a nova dinâmica da joalharia portuguesa, na sua aposta em inovação, design, internacionalização. Cada empresa representa os diferentes segmentos que caracterizam a diversidade do setor e nela encontram a complementaridade necessária à sua afirmação: Anselmo 1910, Eugénio Campos, JCF – Joalheiros, TMB, José Martins Barbosa, Juliana Bezerra e Maria João Bahia. Esta é a face mais visível da estratégia de internacionalização do setor, liderada pela AORP, com o apoio do COMPETE 2020 e que tem previsto um investimento de 3 milhões de euros, entre 2020 e 2021, em ações de promoção internacional.


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NUNO TORRES A N S E L M O 19 1 0

Vamos começar por falar sobre a Anselmo 1910. Conte-nos a sua história. Não é fácil contar 111 anos de história. Tenho a sorte de fazer, para já, o que adoro. Estar ligado ao setor da joalharia e ser a quarta geração de uma família, toda ela ligada à joalharia. Esta empresa começou com o meu bisavô em 1910. Primeiro, com reparações e pequenas encomendas e foi crescendo. A nossa grande aposta é na joalharia portuguesa. Queremos que haja uma explosão da joalharia nacional. Porque temos condições para isso. Temos designers, que é uma coisa que nos faltava se calhar há 30 anos atrás. Temos capacidade técnica, que sempre tivemos, não há dúvida nenhuma. E temos reconhecimento. E, nessa missão de promover a joalharia portuguesa, optamos por localizações muito estratégicas para as nossas lojas: centro do Porto, centro de Lisboa, centro de Braga e em Torres Vedras, que é a nossa sede. As suas lojas são uma montra da joalharia portuguesa e aqui vemos a ponte entre tradição e design contemporâneo. Qual é o vosso objetivo? Se reparar, muitas vezes vemos a técnica a filigrana, que é uma técnica ancestral, em novos designers, bem executada. O que é que isso mostra? Que é possível ser contemporâneo e integrar a tradição. A filigrana tradicional teremos sempre, não só pelo que representa em termos históricos para o país e isso fica patente no nosso Museu da Filigrana, em Lisboa, mas queremos também mostrar de que forma os novos designers integram maravilhosamente esta técnica. E explicar isso aos nossos clientes. Para isso é essencial o trabalho dos nossos colaboradores, que têm formação específica para explicar a técnica por detrás de cada peça, a sua história, a sua razão de existir. O que faz com que qualquer pessoa, portuguesa ou estrangeira, se apaixone pela arte.

As lojas têm o papel de traduzir a mensagem das marcas para o consumidor. Como fazem essa ponte? Queremos passar a mensagem de que a ourivesaria portuguesa tem uma tradição centenária, uma qualidade incrível, estando agora a aliar design e criatividade à técnica. E isso faz com que rapidamente, e eu acredito piamente no que estou a dizer, sejamos reconhecidos – em Portugal e em qualquer parte do mundo – como grandes criadores de joalharia. E como começou esta aposta nos novos designers em dar palco a novos criadores? Eu considero que é uma obrigação nossa. Sendo portugueses e tendo tão bons artesãos a nível nacional, a nossa obrigação é divulgá-los. Os novos artesãos têm imenso talento, mas precisam de uma montra, para expor o seu trabalho, as suas criações. Nós damos palco a isso e incentivamos a criação, damos a nossa opinião. Porque temos algo complementar muito importante – o contacto direto com o cliente. Às vezes as nossas observações, por vezes pequenas, permitem que eles evoluam muito no seu percurso. Vocês são um barómetro do consumidor, o que é que os vossos clientes procuram quando compram uma joia? Há um primeiro aconselhamento que é dado mesmo antes do cliente entrar – que são as nossas montras e depois há todo o trabalho da nossa equipa no sentido de identificar as necessidades do consumidor e adequar as sugestões. E como é que vê a evolução da joalharia portuguesa no futuro? Fortíssima. Eu acredito cada vez mais. Sobretudo agora com a oportunidade do comércio online, onde registamos um crescimento diário e contínuo. No nosso caso, temos também o cuidado de prestar aconselhamento digital, continuando a guiar o consumidor no seu processo de compra. É a nova montra: a loja digital. A compra é descontraída, é relaxada, é direta, é prática, é cómoda. E há um imenso potencial a chegar. Nós, toda a nossa equipa, por vezes ficamos espantados com a evolução e a qualidade da joalharia portuguesa.


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JULIANA BEZERRA J U L I A N A B E Z E R R A J E W E L L E RY

Chegou a Portugal há 15 anos, a sua marca está a fazer 8 anos e estamos agora a inaugurar o seu novo atelier. Vamos começar por falar sobre a sua história.

Na sua marca há todo um imaginário, um mundo criado por si. Fale-nos um pouco sobre o seu processo criativo, o que é que a inspira.

Já fazia acessórios no Brasil. Tinha 18 anos e queria brincos grandes. Comecei a fazer para mim e depois as minhas colegas da Universidade começaram a gostar e a perguntar se eu não vendia. Comecei a vender por brincadeira e a gostar daquele sentimento.

Normalmente o tema surge da necessidade que eu sinto de complementar a minha coleção, sobre uma mensagem que eu quero passar. Ou então espontaneamente numa viagem, sem aquela intenção de estar à procura. Foi o que aconteceu na minha última viagem que eu fiz aos Açores. Apaixonei-me por aquela ilha e pelo Parque Terra Nostra. Tem cores, texturas e formas incríveis. É uma riqueza mesmo.

Quando vim para Portugal, não vim com o propósito de morar aqui, era para passar uma temporada. Entretanto descobri o curso na antiga Contacto Direto. Inscrevi-me e nunca mais fui embora. Quando é que decidiu criar marca própria? A seguir ao curso ainda trabalhei cerca de 1 ano na Galeria Teresa Seabra, que fica no Bairro Alto, e lá comecei a conviver com outros designers, de outras áreas criativas e de outros países, e comecei a sentir a necessidade de criar uma linguagem minha, uma estética própria. Estive quase dois anos à procura de uma maneira de fazer diferente, com a qual eu me identificasse, que não encontrasse nada parecido. Entretanto três colegas do curso de Joalharia tinham pretensões de montar um atelier e convidaram-me. Considero que a marca nasce nessa altura, quando publiquei a primeira imagem nas redes sociais, que foi há 8 anos. Conheceu a joalharia em Portugal, com as técnicas portuguesas. Quando chegou o que é que achava da joalharia portuguesa e em que é que a sua marca representa essa ligação? Quando eu cheguei, achava que sabia fazer joias. Mas quando entrei no curso, tive quase que desaprender o que eu fazia, para começar do nada. O curso que eu fiz foi artístico, então foi uma vertente mais solta, com técnicas, mas técnicas básicas. Mas eu sinto muita necessidade de aprender mais, aprender mais técnicas. Eu tenho o bichinho da banca, gosto de trabalhar, de me sujar, de me queimar se for preciso. De aprender, de ferramentas novas. É esse universo que me encanta. Não é so a parte criativa, mas também a técnica. E que influências é que essas técnicas portuguesas têm na sua marca? Quando eu procurava uma linguagem minha, comecei por desconstruir as coisas que eu gostava de joalharia antiga portuguesa. O barroco português é incrível, tem peças lindíssimas e eu às vezes faço, em algumas coleções as pessoas nem imaginam, mas mesmo usando texturas de uma planta ou partes de uma folha, o desenho é de uma peça antiga. Eu tenho dois brincos cujo desenho é barroco. Eu estudo muito história da joalharia e história da arte. Compro peças antigas e gosto de beber muito na joalharia antiga, clássica.

Tenho um kit preparado de caixinhas e sacos, porque sempre surge alguma coisa que me chama a atenção e eu vou recolhendo. Já fui vendo pelo seu atelier várias referências à imperfeição. É uma característica do meu trabalho. Desde a escola que eu achava chato fazer duas peças iguais e por isso em quase todas as coleções há brincos desiguais. Eles complementam-se, na desigualdade. Desde o começo. Foi aí que eu encontrei a minha estética. Na imperfeição propositada. Estudei sobre o “Wabi Sabi”, filosofia japonesa de aceitar a imperfeição e identifiquei-me imenso. Às vezes os primeiros protótipos saem tão perfeitinhos que eu tenho que fazer alguma coisa, alterar a textura.... Há 8 anos, quando criou a sua marca, não se falava ainda de marcas digitais, de comércio online, de redes sociais como canais de promoção de marcas... Mas a Juliana sentiu necessidade de criar novos caminhos e novos canais de contacto com novos públicos que não os tradicionais. Eu lembro-me que quando criei a página de Facebook, havia só 2 ou 3 marcas de joalharia. Quando comecei a publicar, as pessoas elogiaram logo imenso. Eu sempre tive preocupação na forma como queria apresentar as minhas joias, com a experiência de comprar e de receber uma joia. As redes sociais foram a montra que eu precisava, que ainda preciso. Foi através delas que eu deixei de vender para as amigas e comecei a vender para novas pessoas. Daí, as revistas começaram a procurar-me, a contar a minha história e isso foi importantíssimo. Hoje em dia, o Instagram é uma janela para o mundo. Recebemos pedidos de todo o mundo. Mas é importante criar uma relação muito próxima com os clientes, como na loja física. O que mais a orgulha olhando para trás? Com a abertura do novo atelier, fiquei um pouco nostálgica. A relembrar as primeiras feirinhas que eu fiz. Não vendia nada, ficava arrasada, mas não desisti. É um trabalho de formiguinha. Ia levar as peças a casa das pessoas, procurava fornecedores que me permitissem responder às encomendas. Eu fazia de tudo um pouco: as peças, as fotos das peças, ia aos CTT enviar as encomendas…. Esse esforço continua hoje, mas já não estou sozinha. Chegar aqui e ver que o meu sonho está materializado, é muito gratificante. Depois de tudo o que eu abdiquei e o que passei, este atelier é, para mim, um troféu.


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TIAGO E CARLOS BARBOSA TMB E JOSÉ MARTINS BARBOSA

Vamos começar por falar um pouco sobre a vossa história, que é no fundo, uma história de família. CB – O meu pai começou como serralheiro. A fazer as máquinas e ferramentas para as oficinas de ourivesaria. TB – Quem as comprava, dizia que não havia nada melhor. Chegavam a dizer que estas máquinas eram o “Rolls-Royce” da joalharia. Entretanto, começou a ganhar o gosto pela ourivesaria e decidiu abrir a oficina. Na altura, quando o meu pai decide dar o passo de deixar a serralharia e entrar no setor da ourivesaria, as pessoas de Gondomar comentavam “O Barbosa, o ferreiro, vai produzir joias? O gajo não vai longe”. E como entram vocês no negócio? CB – Nós fomos educados para isto. Sem o meu pai querer, fomos educados para isto. As nossas férias grandes eram passadas na oficina. E os nossos filhos também se habituaram a visitar a oficina e a passar muito tempo aqui. TB – E já tivemos problemas à custa disso. Porque quando tínhamos inspeções questionavam a presença deles, mas eles estavam sempre por aqui. E agora estão os vossos filhos à frente do negócio. Como veem essa transição? TB – Nós somos muitos irmãos e temos muitos filhos. Ninguém foi obrigado a trabalhar connosco. Foram estudar, em várias áreas, trabalharam noutras empresas, mas gradualmente foram começando a entrar no negócio. Eles até brincam no Natal, a perguntar uns aos outros quando é que vão começar a trabalhar nas nossas empresas. CB – O meu filho sempre teve muita vontade de vir comigo às feiras. Foi entrando, de forma natural no negócio.

O que é que representa para vocês fazer joias? CB – É uma satisfação fazer joias e é uma satisfação ver que as pessoas as querem e compram. É gratificante. Conseguirmos fazer joias e perceber que as pessoas gostam. TB – É preciso ter uma vocação para criar. Gosto daquilo que faço e passo a minha vida a vasculhar, a sentir... Onde quer que vá, estou sempre atento, à procura de inspirações. CB – No fundo, andamos todos a tentar criar, não é para ganhar mais ou ganhar menos. O que está em causa não é o negócio em si. É chegarmos a esta idade e continuarmos a este ritmo pela satisfação muito grande que temos na forma como trabalhamos e sentimos as coisas. E qual é o segredo do vosso negócio? O que é que os clientes mais elogiam? TB – O maior elogio que recebo é que as minhas peças são as primeiras a serem vendidas. Nós procuramos perceber o público e que as nossas coleções sejam vendáveis. CB – Pomos muito empenho nisso. Queremos que as nossas peças tenham um toque especial. E que sejam as primeiras a serem escolhidas. O estilo deste ramo, também se aprende. Há um sentido prático na moda, perceber aquilo que as pessoas querem. Educamos o nosso gosto nesse sentido. TB – E é preciso andar atrás da inovação. O meu pai sempre foi em busca da novidade. Foi um visionário. CB – Foi dos primeiros fabricantes a visitar feiras internacionais. E levava-nos com ele. Fizemos o mesmo com os nossos filhos. Agora são eles que vão sozinhos, por eles. Vamos falar sobre Gondomar. Qual é a vossa visão da joalharia em Gondomar? CB – Gondomar é o centro da ourivesaria em Portugal, mas em termos de indústria poderia estar mais evoluído. Há um caminho a percorrer. TB – Em qualquer país, com um epicentro de indústria de joalharia, como Arezzo ou Córdoba, as empresas estão mais evoluídas. Queríamos que acontecesse o mesmo em Gondomar.


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EUGÉNIO CAMPOS EUGÉNIO CAMPOS JEWELS

A Eugénio Campos é uma das marcas mais conhecidas em Portugal e nasceu numa altura em que não havia marcas de joalharia. Qual foi a sua visão na altura?

Sente que com o esfoço de investimento na criação e comunicação da sua marca também ajudou a catapultar a joalharia portuguesa?

A forma que eu entendi que seria melhor para diferenciar o meu trabalho e tudo o que tinha conseguido até então, era inovar. E inovar em linha com as grandes marcas internacionais, criando uma marca com todo o conceito de identidade visual e estratégia de comunicação, o que em Portugal não existia.

Não costumo referenciar isso, mas se me pergunta eu tenho que responder que o setor hoje deve muito, sem dúvida, ao impulso que a marca Eugénio Campos deu na altura. Um setor estagnado, pouco evoluído. E hoje não tenho dúvidas que me reconhecessem esse contributo para a modernização e evolução do setor.

Mas não foi um caminho fácil.

O que mais o orgulha na marca Eugénio Campos?

Foi um caminho efetivamente muito difícil, mas eu sou persistente. E tive que ser muito. Não escondo que pensei muitas vezes em desistir e voltar atrás. O setor era muito tradicional e não aceitou logo esta ideia de criar uma marca portuguesa, com expositores, embalagens, com tudo o que uma marca tem que ter. O mercado não estava preparado para isso.

Para além de todo este processo de luta, de empenho, de persistência, de acreditar, o maior orgulho é perceber que a Eugénio Campos é uma das marcas com maior notoriedade no país. Quando se pergunta por uma marca de joalharia portuguesa, muitas das respostas serão Eugénio Campos. E isso orgulha-me.

Ser uma marca portuguesa e de um português também não tornou as coisas fáceis. Porque infelizmente na altura a nossa mentalidade a esse nível ainda era pequenina.

Olho para trás e penso que valeu a pena o investimento, até pessoal, permanente, de há muitos anos. É preciso acreditar muito no nosso trabalho, nas pessoas que trabalham connosco e no nosso público. É ele que nos faz crescer.

O país evoluiu. Muito. O setor evoluiu. Bastante. E a verdade é que eu consegui ao longo dos anos, contribuir para aquilo que o mercado é agora. Um mercado multimarca, em que cada marca tem o seu espaço, se apresenta de uma forma diferenciada e que comunica não só o seu produto, mas também a sua imagem. Hoje em dia sinto que valeu a pena todo o esforço, todo o empenho, toda a persistência. Mas conte-nos como conseguiu desbravar então esse mercado fechado? Não foi fácil. Fiz formações em marketing, para melhor implementar o projeto que tinha em mente. Comecei a tentar colocar a marca através de expositores nos pontos de venda, o que foi difícil por ser um português, uma marca portuguesa. Mas eu sempre achei que, nos portugueses, devíamos valorizar o que é nosso. Fui tentando novas formas, através da associação a figuras públicas e com investimento em comunicação. Fui chegando diretamente ao público final. E o público é que começou a ir às lojas perguntar pela marca Eugénio Campos. Ao longo do tempo, a marca foi evoluindo. Comecei pela joalharia de moda, seguindo as tendências e, entretanto, fomos evoluindo para patamares mais diferenciadores e outras linhas de produto, como a linha de joalharia de ouro com diamantes. O meu objetivo é diferenciar a minha marca, particularmente das marcas internacionais, porque, nós portugueses, somos tão bons ou melhores que os outros. Temos é que nos valorizar e ser valorizados. Isso tem sido a minha luta nos últimos anos. Luto pela portugalidade. Nós em todos os setores somos tão bons como os melhores e digam-me em que setor é que nós somos inferiores. Não é o nosso com certeza.

Recentemente abriram lojas próprias. O que é que representam para a marca? O nosso core business é criar as coleções, produzi-las e comercializá-las nos nossos representantes. No entanto, para que esse trabalho seja ainda mais reconhecido pelo público e para que fortaleça o nosso posicionamento no mercado, termos espaços próprios engrandece a marca e dão conforto ao consumidor. Daí estrategicamente abrirmos os espaços nas principais artérias da cidade do Porto, a Rua das Flores e Lisboa, a Avenida da Liberdade. Como é que pensa as coleções? Nas coleções de joalharia de moda, seguimos as tendências internacionais, cruzando com outros setores, como o vestuário, o calçado ou os acessórios. E tentamos adequar essas tendências à identidade da marca e ao nosso público. Eu não quero que a joia me agrade, eu quero que a joia agrade ao meu público, a quem a usa. E cada joia Eugénio Campos tem que personalizar isso. O nosso cliente tem que saber que a joia foi feita para ele ou ela. Nós trabalhamos sempre a pensar no cliente final. O que representa para si a joalharia portuguesa? Como a apresentaria? Nós somos o país que produz para todo o mundo. Que produz para as marcas internacionais de maior prestígio. Na produção, somos efetivamente, dos melhores a nível mundial. E acresce a isso, o poder de criatividade e bom gosto dos portugueses. Além disso, temos algo muito especial que nos caracteriza que são as técnicas tradicionais, como a filigrana. E falando de filigrana, ofereceu recentemente uma joia em filigrana a algumas figuras públicas internacionais. A filigrana portuguesa é única no mundo. Um património que devemos estimar e promover em todo o mundo.


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MARIA JOÃO BAHIA M A R I A J OÃO BA H I A | J E W E L L E R . D E S I G N E R

Falemos um bocadinho sobre a sua carreira. Explique-nos como tudo começou.

Como é que foi esta afirmação da marca em nome próprio?

Não sei exatamente como começou. Começou pelo facto de eu ir muitas vezes para o atelier do meu pai. Ainda muito pequena a vê-lo trabalhar e passar algum tempo na parte onde ele guardava o barro. E se calhar subconscientemente foi aí que tudo se começou a sedimentar.

Tem que haver muita teimosia, muita determinação. Eu estava completamente focada no que queria e para onde é que eu queria ir e até onde é que eu queria ir. E depois fui contra tudo e contra todos. É uma batalha. Isto pode ser interpretado como um exagero, mas eu hoje penso que se tivesse que começar tudo do princípio não teria paciência.

O facto de ser filha de um artista plástico, de um escultor, também ajudou a estar mais atenta às artes criativas. E, além disso, acho que as pessoas nascem com um dom, com mais qualidades ou mais apetência para alguma arte, e no meu caso foi a joalharia. E porquê? Sabe o momento em que isso foi claro para si? Sempre gostei de joias. Fazia muitas coisas em miúda, bugigangas, brincos, colares e vendia. Ganhava dinheiro assim. Foi um processo muito natural. Decide criar a sua marca numa altura em que o design de autor em Portugal ainda tinha pouca expressão. A afirmação de uma marca é sempre difícil, quer seja no mercado nacional, quer seja no mercado internacional. O que é difícil é conseguirmos encontrar uma identidade própria, um propósito muito bem definido na nossa cabeça. E saber onde é que nos podemos enquadrar e ser aceites pelo mercado. Porque também fazer um trabalho e o mercado não aceitar aquilo que nós fazemos ou imaginamos, é muito complicado. A parte que mais me fascinou ao princípio não era tanto a parte criativa, mas a parte da conceção. Fascinava-me saber como conseguia transformar os metais e dar volumetria e texturas às peças e conseguir perceber até onde é que eu podia trabalhar e compor peças com vários metais e várias outras técnicas, Isso fez com que eu começasse a ir trabalhar para uma oficina de ourivesaria, porque o que eu queria aprender mesmo era a parte técnica. Quase não havia mulheres. Todo o trabalho de peças era feito maioritariamente por homens. Era um trabalho que vinha muito de geração em geração e eles tinham segredos que não queriam partilhar. Mas eu começava a fazer perguntas, a questionar as técnicas e a aprender com eles. E era uma aprendizagem comum, porque eu surpreendia-os com a minha ânsia de querer fazer de formas diferentes. As pessoas estavam muito formatadas. A trabalhar de uma certa forma e não são desafiadas a fazer de forma diferente. E quando eu comecei a fazer de forma diferente, ficavam desarmados e a primeira resposta era sempre “isso não se consegue fazer”. Mas não era nada que nunca tivesse sido feito, era apenas uma forma de diferente de ver e de fazer.

As coisas a que nos sujeitamos, as provas que temos que dar, os obstáculos que nos são postos. Não sou feminista, mas o facto de ser uma mulher, de ser nova e de ter uma boa aparência, reunia um conjunto de características invulgares. À partida era logo um “não”. E dava-me imenso gozo ir contra os estereótipos. O único que me podia julgar era o mercado. Era se o mercado me aceitava ou não me aceitava. Tive a sorte de ter uma primeira encomenda para uma embaixatriz que fazia coleções de decorações e para mim foi um desafio enorme. Achei que era impossível fazer algo diferente, porque ela tinha tudo. Mas foi possível e ela adorou. Comecei a fazer arranjos, recebia gorjetas para “o cafezinho”. E eu achava imensa piada. Faz parte do processo de crescimento e de aprendizagem. Foi um processo que, visto agora, até foi rápido, mas na altura achava lento. Tive alguns desafios que foram muito importantes. O primeiro, que foi muito mediático na altura, foi fazer os Globos de Ouro, que era uma área completamente diferente que a que eu estava a trabalhar, que era joalharia. Depois foi um processo crescente. Consegui ir surpreendendo e superar os desafios que me eram postos. Vamos falar um pouco sobre o seu processo criativo. O que é que a inspira? Depende imenso do projeto. Se é um projeto encomendado, há um briefing, um tema que me é dado e é daí que parte a inspiração. Quanto são anéis de noivado, peço sempre que me contem um pouco da história do casal, momentos importantes da relação... para que seja uma peça que tenha um simbolismo especial para os dois. Quando desenho uma coleção, o processo criativo é uma constante. É um exercício permanente, entre aquilo que vejo, que leio, que sinto, as experiências de vida... E tudo o que nos rodeia. A cidade de Lisboa tem sido uma enorme inspiração para as minhas coleções, como os Descobrimentos, a ligação ao mar, os símbolos de navegação, etc. Todas as coleções têm uma parte muito orgânica, muito manual. Não gosto de coisas em série. Tento fazer peças únicas, na forma como são acabadas. E incorporo muito pedras naturais e texturas diferentes, para acrescentar valor à peça.

No fundo, a inspiração é um trabalho constante. É um exercício permanente. A cada momento tomo notas, podem ser pequeninas, numa agenda, num papel e depois vêm-se a tornar em peças importantes. A sua loja na Av. da Liberdade, é uma montra, mas também um posicionamento de marca. Mas não foi intencional. Comecei a trabalhar numa oficina na Rua da Madalena, não tinha nada de glamouroso, era antiga, muito velha, e estive lá muitos anos. Mas depois, a certa altura comecei a pensar ter uma loja em nome próprio, o que me causou muitas dúvidas na altura, porque o meu nome não tinha força suficiente para atrair as pessoas apenas pela minha marca. Vim para aqui há 18 anos. Na altura havia imensos centros comerciais, mas para mim sempre esteve excluída essa opção. E sempre gostei, desde criança, deste edifício. Quando eu era criança, este edifício tinha uma loja de parafusos e depois, na altura do 25 de Abril, vendiam-se pins de partidos políticos. Eu passava aqui muitas vezes e sempre senti um apelo pelo edifício. Uma vez, vi que tinha um letreiro para venda. Foi um processo muito complicado de negociação. Acabamos por conseguir comprar o prédio e fui fazendo obras ao longo do tempo. Como vê agora a chegada de uma nova geração de criadores ao setor? Acho que é um desafio, como foi para mim e como é para todos. O importante é que cada um consiga encontrar a sua identidade e consiga fazer a diferença. Criar um estilo diferente e que o distinga dos outros. De facto, está tudo inventado, mas é preciso olhar para um objeto e vê-lo de maneira diferente e interpreta-lo de forma diferente. Para conseguir fazer a diferença e se afirmar é conseguir ser coerente com o seu trabalho, com o seu fio condutor e com a sua inspiração. Eu gosto imenso quando alguém diz “vi uma peça que era sua”. Isto acontece porque encontram uma identidade, porque há determinadas características que eu ponho num trabalho e que pertencem à minha marca. Quando se olha para uma peça Cartier, todos nós sabemos que é Cartier. Quando vemos uma joia do Ilias Lalaounis toda a gente sabe que é dele, porque tem determinadas características que correspondem ao trabalho e ao desenvolvimento daquele artista. Isso é que marca a diferença e a identidade de uma marca. É olhar-se para uma peça e dizer-se “isto é uma peça da Maria João Bahia”. É isso é que faz a diferença entre nós todos.


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JOSÉ CARLOS SANTOS J O S É C A R LO S & F I L H AS - J OA L H E I R O S

Estamos nas suas novas instalações, que são um reflexo do crescimento da sua empresa, que é atualmente uma das maiores exportadoras portuguesas. Como chegou até aqui? Com 17 anos tirei um curso de joalharia em França e trabalhei lá numa microempresa. Quando regressei a Portugal com 20 anos, comecei a trabalhar na Garcia Joalheiro, onde fiquei 8 anos. A partir daí senti a necessidade de me lançar por conta própria. Comecei sozinho. Gradualmente fui aumentando a minha equipa. Mudei de instalações, que na altura me pareceram muito grandes para a minha empresa. Lembro-me que a pessoa que me mostrou o espaço disse-me “é aqui que tem que estar. Hoje é muito grande, amanhã vai ser pequeno”. E efetivamente, foi o que aconteceu. Mudamos agora para esta nova fábrica, que me orgulha muito. Este seu percurso de grande crescimento passou muito pela exportação. Como começou este trajeto internacional? Durante 10 anos, apenas trabalhei para o mercado nacional. Mas eu sentia que o mercado estava a ser pequeno. Meti-me num avião e viajei até França, onde tinha alguns contactos e tinha a facilidade de falar a língua. Na primeira porta que bati, fui logo bem recebido. Fizemos uns testes, vieram cá visitar as instalações - as anteriores – e as coisas começaram a crescer a nível de exportação. Neste momento, a exportação significa 90% do nosso volume de negócios, tendo como mercado principal França, mas também Bélgica, Inglaterra, Brasil…. E o que acha que atrai os mercados internacionais?

E foi estabelecendo com os seus clientes uma relação de confiança. Sim, os primeiros clientes já têm cerca de 12 anos. Já há uma relação muito forte, de confiança. E tem investido continuamente em inovação. Queremos nos aproximar das grandes marcas. Estamos a certificar a empresa pelo RJC, um certificado específico de joalharia, que é cada vez mais exigido pelas grandes marcas internacionais. Procuramos sempre inovar em termos de equipamentos. E isso foi um processo coletivo entre empresas aqui da região. Fomos procurando informação, comparando experiências e isso foi importante no percurso.

Neste momento, Portugal já está a ser conhecido como capaz de ter boa qualidade, preço e capacidade de resposta. Há 10 anos era impensável isso. Quando eu ia bater à porta dos clientes, ou mesmo nas feiras que nós visitamos anualmente, apresentava-me e quando dizia que era português, respondiam-me “se fosse italiano”... Portugal não tinha expressão.

É uma das empresas que forma o cluster industrial de Guimarães, onde se sente um espírito coletivo forte.

Mas eu hoje reconheço que Portugal está a ser procurado pelas grandes marcas, vindas de vários países, de todo o mundo.

Hoje em dia, adivinhar é proibido. Diria que, com as minhas filhas a começar a trabalhar aqui, vejo nelas o futuro da empresa.

Vemo-nos como aliados e não como concorrentes. Fazemos parcerias de produção, partilhamos informação.... E que futuro tem agora pela frente a JCF?

E queremos concentrarmo-nos nas grandes marcas. É um processo muito longo. Experiências atrás de experiências. O sucesso vem de muito trabalho, muito trabalho.


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CASA DAS ARTES APRESENTAÇÃO DA CAMPANHA TOGETHER WE STAND

A sessão de apresentação da campanha “Portuguese Jewellery - Together We Stand” decorreu na Casa das Artes, a 9 de outubro, num evento que contou com a presença do Ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira. A par da campanha de promoção internacional do setor, foi também apresentado o estudo feito em parceria com a Deloitte, “Desafios à Internacionalização do Setor da Ourivesaria e Relojoaria”, bem como a nova plataforma digital “Portuguese Jewellery – Shaped With Love”, o novo endereço online da joalharia portuguesa. O evento teve lotação limitada e cumpriu todas as regras estabelecidas pelas autoridades competentes.


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“Together We Stand” foi apresentada ao grande público durante o fim de semana de 10 e 11 de outubro, na ModaLisboa, da Lisboa Fashion Week. Ao longo destes dois dias, a AORP esteve no espaço Resort, no Parque Eduardo VII, com a imagem oficial e a criação ao vivo de serigrafias inspiradas no conceito da campanha. No domingo, o auditório do Parque Eduardo VII assistiu, em primeira mão, ao vídeo. O espaço assumiu a sua forma clássica, sendo aberto ao público, mas de acesso condicionado, em conformidade com as regras da DGS. No site da ModaLisboa, foi também criada uma pop up digital, o Wonder Room (no site Modalisboa.pt, na app mobile para IOS e Android e na APP TV), que consiste numa montra digital de produtos curados pela ModaLisboa e que conta com a presença de duas marcas da joalharia portuguesa (Mesh Jewellery e Tânia Gil). Esta plataforma reencaminha assim o consumidor para a loja online das marcas.


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O terceiro momento de apresentação da campanha “Together We Stand” decorreu num evento privado para uma comitiva de jornalistas e compradores, em parceria com o Portugal Fashion, no dia 16 de outubro. Durante este almoço, que decorreu no hotel Neya Porto, a par da apresentação da campanha, teve ainda lugar uma exposição das novas coleções de 7 marcas de joalharia portuguesa: Carolina Rato Jewellery Collections, Leitão & Irmão, Kathia Bucho Jewelry, Mel Jewel, Mesh, Tânia Gil Jewelry e Yuti Design.


22 ENTREVISTA

A NDRÉ DE A RAGÃO A ZE VED O S EC R E TÁ R I O D E E S TA D O PA R A A T R A N S I Ç ÃO D I G I TA L

Assume a bandeira de fazer de Portugal uma “Nação Digital”. Podemos afirmar que a migração digital será porventura o “silver lining” do contexto provocado pela pandemia COVID-19 e uma validação que esse deverá ser invariavelmente o caminho para garantir a competitividade da economia nacional? Desde a tomada de posse do XXII Governo em Outubro de 2019 que o Digital foi assumido como uma prioridade estratégica. Foi com a ambição de fazer de Portugal uma Nação Digital que começámos de imediato a trabalhar, tirando partido do muito trabalho já desenvolvido anteriormente. Em Março deste ano já tínhamos o Plano de Ação para a Transição Digital de Portugal estruturado e aprovado em Conselho de Ministros e por isso, a chegada da crise pandémica, veio apenas confirmar a importância da aposta digital e, sobretudo, a urgência, na aceleração da digitalização nas suas múltiplas dimensões: Pessoas, que têm que ter competências para aprender, trabalhar, interagir e comunicar num contexto digital; Empresas, que têm que adaptar os seus modelos de negócio para incorporarem mais tecnologia e serem mais competitivas num mercado único global e na transição para um novo modelo de economia, e Administração Pública, que se viu também forçada a alargar o espectro de serviços públicos digitais. Por isso, diria que sim, o Digital pode constituir o “silver lining” no atual contexto.

Deverá também avançar o desenvolvimento de uma rede de Digital Innovation Hubs, articulada com a rede europeia, para além do investimento em projetos concretos de simplificação da vida das empresas, nomeadamente por via da desmaterialização completa da fatura. Por último pretendemos ainda promover a adoção de um Selo Digital que estimule a certificação das empresas, produtos e serviços em matéria de cibersegurança, privacidade, usabilidade e sustentabilidade. Acreditamos que esta pode ser uma forma de induzir valor na economia e contribuir para a competitividade e internacionalização das nossas empresas. Já o “Plano de Ação para a Transição Digital” anunciado em março, ainda antes do impacto da pandemia, trazia uma visão de “acelerar Portugal e projetar o País no mundo, sem deixar ninguém para trás”. Quais os principais princípios orientadores desse plano e que oportunidades traz às empresas?

Como referi, a transição digital de Portugal é uma prioridade que assume particular relevância no atual contexto, em que os desafios e as oportunidades da 4.ª revolução industrial se conjugam com os efeitos económicos e sociais gerados pela pandemia de COVID-19.

O Plano de Ação tem por base a ambição de colocar Portugal como referência internacional, tendo como benchmark os melhores exemplos à escala global assim como práticas e standards europeus e internacionais. E pretendemos cumprir essa ambição através de uma abordagem pragmática que nos permita capitalizar os diversos programas e estratégias já existentes em Portugal relativos ao domínio Digital. Não queremos reinventar a roda. Isto implica envolver de forma diferente todos os parceiros públicos e privados, porque sem essa colaboração estreita não seremos bem sucedidos. A transição digital não se faz por decreto nem só com as empresas.

Neste sentido, o PRR na componente específica das Empresas 4.0, prevê de facto um investimento global de 650M de euros e inclui um conjunto de investimentos alinhados com os pilares do Plano de Ação para a Transição Digital:

Mas porque acreditamos que o que não se comunica não existe, quisemos também dar forma a esta ambição criando uma marca nova: “Portugal Digital” que pretende transmitir a nossa visão e projetá-la internacionalmente.

- reforço das competências digitais da força de trabalho e alteração e atualização das práticas de formação profissional;

Finalmente, consideramos também essencial apostar na transparência e na monitorização permanente de todas as iniciativas através de uma plataforma única que agregue todos os indicadores e medidas que nos propomos cumprir. Esta plataforma deverá estar em produção no primeiro trimestre de 2021.

O Plano de Recuperação e Resiliência que o Governo está a desenhar tem na Transição Digital um dos seus três principais vetores, com um investimento previsto de 650 milhões de euros para aquela a que se chama “4ª revolução industrial”. Quais são os planos do Governo para as Empresas 4.0?

- transformação dos modelos de negócio das empresas para tirar máximo partido da tecnologia; - catalisação da integração de tecnologia nas empresas através de inovação, confiança, segurança e redução de custos de contexto. Em concreto, está prevista uma forte aposta no desenvolvimento de uma nova plataforma de formação digital designada “Portugal Digital Academy” que deverá agregar as diversas ofertas e percursos formativos, permitindo também o desenvolvimento de abordagens específicas em função das necessidades de cada setor industrial ou empresarial. Está também prevista a criação de uma rede de “test beds”, apoios à digitalização do comércio e à internacionalização das nossas empresas. A aposta no ecossistema de startups também é clara nomeadamente na área de tecnologia verde com incorporação de Inteligência Artificial.

No processo de Educação Digital há também um claro investimento na qualificação e capacitação dos recursos humanos para integrarem este novo ecossistema digital. O programa UpSkill, por exemplo, tem uma atuação focada na integração profissional. Todos os setores são abrangidos por esta medida? Em matéria de capacitação da nossa população, optámos por uma abordagem alinhada com a aprendizagem ao longo da vida e que nos permita oferecer diferentes respostas em função do perfil e do segmento específico de cada grupo populacional. Por isso arrancámos já este ano letivo com a Escola Digital que pretende alterar o paradigma de aprendizagem e ensino em Portugal, adaptando os métodos e as ferramentas às necessidades de 2020. Relativamente à população ativa a aposta é na requalificação e aumento das qualificações digitais avançadas e por isso lançámos com algumas das maiores empresas recrutadoras na área digital um programa designado por Upskill e que pretende colocar no mercado 3.000 profissionais de IT (sobretudo programadores) por forma a requalificar maioritariamente ativos desempregados.


23 ENTREVISTA

Esta abordagem que envolveu diretamente as empresas no desenho das próprias ofertas formativas e que implicou também uma grande flexibilidade por parte das instituições parceiras de ensino superior e do próprio IEFP, constitui um exemplo paradigmático do novo ciclo de colaboração e aproximação que queremos promover. Neste momento já estamos a desenvolver um programa específico de formação com a CIP e as respetivas associadas, mas outros se seguirão. Não queremos deixar ninguém, nem nenhum setor para trás. O teletrabalho e a migração digital dos negócios aceleraram esta educação digital das empresas e dos colaboradores, mas esta foi uma reação impreparada e que levantou uma série de necessidades e lacunas nas empresas. Como é que o Governo poderá ajudá-las a se adaptar a este “novo mundo”? Através exatamente das medidas que identifiquei na resposta anterior, mas a que eu acrescentaria um outro projeto que pretende colmatar uma carência identificada que resulta da iliteracia digital de uma parte significativa da nossa população. Em 2019, 23% da nossa população nunca tinha utilizado a internet. Dados recentes apontam para uma descida para cerca de 19%, o que corresponde a um decréscimo muito significativo, a que a Covid não foi com certeza indiferente. Temos a ambição de, em 3 anos, darmos competências básicas digitais a um milhão de portugueses, através do Programa “Eu Sou Digital”. Este programa deverá arrancar em Janeiro de 2021, uma vez que as candidaturas já estão em avaliação. Está também em curso um programa de investimento na modernização tecnológica da Administração Pública e digitalização dos serviços públicos. Que melhorias estão previstas, que digam, nomeadamente, respeito às empresas? Todos os investimentos que faremos na Administração Pública destinam-se, prioritariamente, a melhorar o serviço e a experiência dos cidadãos e das empresas. É importante desmistificar a ideia de que a Administração Pública sai privilegiada deste pacote de investimentos, não só porque este é um investimento na redução de ineficiências e burocracia para as empresas, como grande parte dos projetos de digitalização da AP serão executados por empresas privadas. O objetivo do Plano de Ação para a Transição Digital e do PRR é promover uma digitalização acelerada dos serviços públicos que são mais utilizados por cidadãos e empresas. Em virtude desta visão e aposta do Governo na Transição Digital, começamos a ver algum reconhecimento, nomeadamente com a integração de Portugal no D9+, o grupo informal de Estados-Membros que reúne os países europeus com melhor classificação no Índice Anual de Economia e Sociedade Digital (DESI) da Comissão Europeia. Qual é a visão do Governo no caminho para o Mercado Único Digital? De facto, há vários sinais importantes de reconhecimento internacional do caminho percorrido por Portugal. É importante recordar que Portugal foi pela primeira vez reconhecido pelo European Innovation Scoreboard como “País Fortemente Inovador”, destacando-se dos demais países do sul da europa e alinhando-se com os países nórdicos historicamente mais desenvolvidos. O desenvolvimento de uma Mercado Único Digital é essencial para o crescimento sustentável da economia europeia. A União Europeia tem na sua génese exatamente a ideia de mercado único e de liberdade de circulação de pessoas, mercadorias, de bens e de capitais. Curiosamente, ao nível do Digital, verifica-se uma excessiva fragmentação regulatória e uma desarticulação de regimes jurídicos entre os diferentes países, o que dificulta a internacionalização das empresas europeias e empurra muitas dessas empresas, nomeadamente start-ups, para outros mercados. Portugal defende uma abordagem equilibrada que assegure um combate efetivo a práticas discriminatórias e restritivas da concorrência, sem sacrificar a capacidade de atrair investimento e de promover tudo o que de positivo trouxe a digitalização. Durante a Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia durante o primeiro semestre de 2021, Portugal dará com certeza o seu contributo para esta visão justa e equilibrada de conciliação de todos os interesses que estão em causa. Transitando agora no setor da joalharia portuguesa. Sendo este um setor muito tradicional, ainda marcado por empresas de cariz familiar e processos artesanais, como vê a integração dos setores tradicionais, nomeadamente do nosso, no “ecossistema digital”? Atualmente não existe essa distinção entre setores tradicionais e setores digitais. Todos os negócios são digitais, porque a integração tecnológica nos modelos de negócio, mesmo os mais tradicionais, é crítica para a sobrevivência e crescimento de qualquer setor.

Não temos a opção de esperar para ver, porque outros tomarão o nosso lugar e ocuparão o espaço que nós deixarmos livre no mercado internacional. Acredito que o importante será potenciar todo o valor do conhecimento tradicional, associado à forte marca de Portugal, que queremos agora fortalecer no Digital, onde a adesão a plataforma digitais permitem que mesmo negócios de base familiar possam vender para todo o mundo. Precisamos de escala. Todos juntos não somos muitos quando o mercado é global. O papel da AORP é essencial e está no caminho correto. Por isso é que a estruturação e criação de entidades representativas de cada setor é tão importante, porque dará escala a negócios que tinham uma base familiar e local. Também aqui, ninguém pode ficar para trás. A internet é o que permite mudar a escala do mercado potencial de qualquer negócio. Em vez de vender para o bairro, cada um de nós pode estar a vender para o planeta. E isso muda tudo. Dentro desta transição, há um vetor particularmente urgente que é o apoio à internacionalização das empresas. Com o cancelamento das feiras, a redução das viagens e das reuniões presenciais, os contactos passam a ser feitos no contexto digital. Como poderão as empresas aproveitar oportunidades dentro desta nova forma de fazer negócios? Exatamente acelerando a transição digital dos respetivos negócios. Este pode e deve ser um momento de reavaliação dos modelos de negócios, de reposicionamento de mercado e de aposta na internacionalização, sem esquecer o investimento na capacitação dos colaboradores e sobretudo das lideranças que se têm que tornar mais ágeis e flexíveis para concorrer num novo contexto. A retoma vai chegar e os que melhor se prepararem serão os mais aptos a capitalizar e monetizar os investimentos que fizerem. Como vê o tema da inteligência artificial aplicada à indústria, nomeadamente a estes setores de maior tradição e com forte componente de manualidade? O Digital e a Inteligência Artificial permite uma coisa inédita até há pouco tempo: a possibilidade de uma oferta personalizada em larga escala. Ao contrário das anteriores revoluções industriais, a revolução digital não se limita a aumentar a escala da produção. Permite compatibilizar escala com personalização. É assim por exemplo na Saúde, com a possibilidade de se oferecer hoje terapias que têm em conta as nossas especificidades individuais através por exemplo de testes de ADN e de medicina de precisão. Mas também nos setores mais tradicionais como o da ourivesaria, a personalização do produto só beneficia do conhecimento concreto do potencial cliente. A perfilagem e targetização que algumas plataformas conseguem fazer dos consumidores pode ser muito útil na identificação do cliente específico para um determinado produto de alto valor. Este matchmaking entre produto único individualizado e cliente específico apto a pagar o valor intrínseco inerentes aos setores de maior tradição só é possível com plataformas que recorrem a ferramentas de inteligência artificial. O E-commerce traz um oceano de oportunidades às empresas, mas também muitos desafios à sua navegação. Que conselhos poderia deixar às empresas no contexto do comércio online? É verdade que o E-commerce traz de facto um oceano de oportunidades desde logo pela mudança de escala do mercado potencial. A Covid teve um enorme impacto na sensibilização dos nossos empresários para a adoção deste tipo de ferramentas. Contudo ainda estamos abaixo da média europeia e longe de termos um tecido empresarial adaptado aos novos tempos. Num estudo recente efetuado a PMEs já durante a pandemia, apenas 20% declarou utilizar plataformas de e-commerce, o que significa abdicar de uma importante receita. Temos que inverter esta situação. O conselho que deixaria às empresas é que invistam de facto neste tipo de plataformas. O Governo dará a sua ajuda nesse processo. Tendo em conta que o nosso tecido empresarial é sobretudo composto por micro, pequenas e médias empresas, julgo que devem privilegiar o recurso a soluções já disponíveis no mercado, o que pode facilitar o processo e o tempo de adoção.


24 TEMAS AORP

A par de informar e defender os interesses dos seus Associados, a AORP está a desenhar soluções de resposta coletiva às adversidades criadas pelo contexto COVID-19, através de plataformas coletivas de promoção.

“Portuguese Jewellery – Shaped With Love” é o novo endereço digital da joalharia portuguesa, apresentando uma seleção de marcas com canais de venda online. Esta iniciativa é uma antecâmara de um projeto em curso na AORP que culminará com a criação de um Marketplace, gerido pela Associação.

Nesse sentido, o diretório apresenta, nesta primeira fase, as marcas já inscritas no projeto Portuguese Jewellery Marketplace, mas encontra-se aberto a marcas interessadas em promover o seu negócio online.

O ENDEREÇO DIGITAL DA JOALHARIA PORTUGUESA COMO ME POSSO CANDIDATAR? A entrada no Marketplace está sujeita a uma pré-seleção, a cargo da equipa gestora do Portuguese Jewellery Marketplace. As marcas interessadas poderão submeter candidatura através do formulário aqui, desde que cumpram os requisitos de conteúdos e imagem exigidos.

Conheça mais sobre este projeto da AORP e integre, desde já, a montra digital da joalharia portuguesa.

A entrada no Marketplace tem um custo associado, que será comunicado às marcas após aprovação da candidatura (sem compromisso de adesão).

O QUE É O PORTUGUESE JEWELLERY MARKETPLACE?

- Modalidade 1 - Presença da marca 3-20 fotografias de produto em fundo branco, 1 imagem de campanha (mínimo), texto de apresentação 310€/ano

Trata-se de um website de promoção e comércio digital de joalharia portuguesa. Do sangue novo às marcas de luxo, passando pelas empresas que preservam as técnicas e desenhos tradicionais da ourivesaria portuguesa, tem como objetivo aproximar a joalharia portuguesa dos seus públicos, à escala global. O Marketplace pretende ser uma janela da joalharia portuguesa para o mundo, fortemente apoiada e alavancada pelas campanhas e ações de comunicação da AORP.

- Modalidade 2 - Presença online da marca (Modalidade 1) + venda dos produtos (3 - 10 produtos máximo) - 360€/ano

Requisitos de imagem: - Imagens de elevada qualidade; - 3 imagens (min) por produto; - Imagens de produto em fundo branco;

QUE VANTAGENS TRAZ ÀS EMPRESAS ADERENTES?

- Imagens de editorial – caso aplicável;

Numa primeira fase – ativa em período COVID – o Marketplace será um guia de lojas online de joalharia portuguesa, reencaminhando o consumidor para os endereços próprios de cada marca.

- Permissão para as imagens serem utilizadas nas redes sociais e em campanhas promocionais

Numa segunda fase, o projeto terá uma dupla componente: - A nível de promoção, as marcas terão oportunidade de expor as suas coleções, campanhas de comunicação, catálogos de produto e lançamentos. A AORP fará um trabalho intensivo de divulgação do website, para atrair visitas, através de suportes de comunicação dedicados. - A nível comercial, pretende-se centralizar a procura de potenciais compradores ou parceiros de distribuição, num único endereço digital, que ganha força pela representatividade e diversidade que pretendemos acolher no Marketplace. Isto significa que o site terá uma vertente de e-commerce (venda direta), que irá permitir chegar a novos mercados e consumidores em todo o mundo. A logística será gerida pela AORP, que fará a ponte entre as marcas e os compradores, assegurando a uniformidade e eficácia das transações.

Requisitos de conteúdo: - Informação em Português e Inglês; - Informação de marca; - Informação das coleções; - Descrição de todos os produtos e materiais detalhada com pesos e tamanhos; - Condições de Shipping, Delivery e Returns; - Calendário de promoções, novos lançamentos.

A AORP disponibiliza-se desde já para esclarecer eventuais dúvidas, através do e-mail geral@aorp.pt


25 TEMAS AORP

E ST UDO DELOI TTE X AORP DESAFIOS À INTERNACIONALIZAÇÃO DO SETOR DA OURIVESARIA E RELOJOARIA

O estudo “Desafios à Internacionalização do Setor da Ourivesaria e Relojoaria” foi promovido pela AORP, em colaboração com a Deloitte e cofinanciado pelo COMPETE 2020, com o principal objetivo de desenvolver o setor em Portugal, sobretudo através do estímulo das exportações nacionais. Em Portugal, o setor tem acompanhado o crescimento registado a nível internacional, sendo que entre o período de 2015 a 2018, o setor de Ourivesaria e Relojoaria português registou um crescimento de 17% do volume de negócios para 1.049 M€, de 20% do número de trabalhadores para 10.337, de 15% do VAB para 233 M€ e de 1,3 pontos percentuais de rentabilidade para 8,4% em 2018. Apesar de ser expectável que a pandemia Covid-19 resulte numa redução do comércio internacional, os dados de exportações apurados até final de 2019 mostram que as exportações portuguesas cresceram 23% entre 2015 e 2019 para 208 M€, apesar do saldo da balança comercial portuguesa do setor em 2019 continuar negativo (- 105M€) Considerando este saldo negativo, de forma a entender os desafios à internacionalização, foi, primeiramente, realizado um Workshop de reflexão, no qual se pretendeu obter uma avaliação qualitativa dos desafios à internacionalização do setor, que contou com a participação de 16 entidades relevantes, incluindo entidades institucionais, garantindo assim a representatividade de toda a cadeia de valor do setor. Posteriormente, de forma a validar quantitativamente as principais conclusões do Workshop, foi realizado um inquérito de auscultação aos operadores económicos do setor, tendo sido recebidas 68 respostas.

Algumas das principais conclusões do inquérito foram as seguintes: - 87% dos operadores económicos que responderam concordam que o reduzido investimento público para a promoção do setor representa um obstáculo para a internacionalização das marcas e dos produtos nacionais. - 84% considera que a criação de canais digitais que facilitem a venda internacional de forma centralizada seria relevante para o comércio internacional. - Cerca de 80% dos operadores económicos consideram que a falta de concorrência na atividade de certificação, a reduzida eficiência do processo atual e o respetivo custo associado representam desafios à internacionalização do setor. Foram também analisados os modelos de certificação aplicáveis em Espanha, França e Itália, tendo-se concluído que se tratam de modelos mais liberalizados face ao português, verificando-se concorrência entre entidades certificadoras (públicas e privadas), impactando positivamente a eficiência do processo e resultando na disponibilização de serviços complementares. O estudo foi concluído com a identificação de um conjunto de recomendações que visam a internacionalização do setor, através: - Do desenvolvimento e promoção de uma marca de Ourivesaria portuguesa; - Do aumento da presença internacional do tecido empresarial português; - Da revisão da legislação referente ao modelo de certificação; - Da capacitação do capital humano do setor; - Da modernização de infraestruturas e equipamentos, suportadas por um maior financiamento através de fundos comunitários.


26 TEMAS AORP

No âmbito do lançamento da nova campanha, a AORP está a desenvolver uma série especial de Podcasts Lapidar, dedicada ao tema “Together We Stand”, em que convidamos empresários do setor a partilhar a sua visão sobre o atual contexto e apontar soluções e boas práticas na adaptação a este “novo normal”. Transcrevemos alguns excertos das entrevistas realizadas até ao momento. Clique aqui para ouvir na íntegra no nosso Soundcloud.

JOÃO FARIA ADMINISTRADOR DA FARILU

João Faria é Administrador da Farilu, fabricante de joalharia de Guimarães. 1. Num mundo marcado pela crise sanitária e económica, encontramos na Farilu um exemplo de uma empresa que nunca parou e encontrou novas oportunidades. Fale-nos um pouco sobre a vossa estratégia de reação e adaptação a este novo contexto. A Farilu nunca fechou. Felizmente, na altura em que o país fechou completamente, fomos arrojados e decidimos não fechar. Fizemos apenas uma alteração no horário de funcionamento da empresa, em que passamos a trabalhar das duas da manhã às duas da tarde, para que pudéssemos regressar a casa e não estar em perigo de contágio. De facto, as coisas correram bem. Conseguimos fazer mais coisas com clientes que já tínhamos e conseguimos resistir a toda esta problemática que o vírus provocou. Como é que fizemos isso? Começámos a comunicar com os nossos parceiros e clientes, começámos a dizer-lhes para criarem novas peças, fizemos até um flyer que enviamos por e-mail aos nossos clientes e então eles começaram a mandar-nos desenhos que, duas ou três semanas depois, estariam a ser produzidos e que foi, portanto, uma iniciativa muito interessante e que nos fez ter trabalho quase na sua normalidade. 2. Que oportunidades é que podem continuar a emergir nesta fase em que a pandemia continua a obrigar a medidas muito restritivas? Eu não acho que nos possa trazer oportunidades. Acho que nos faz ver tudo isto de uma forma diferente. Passa por nós conseguirmos prestar um serviço mais rápido, sermos capazes de fazer determinadas coisas sem estarmos em contacto direto com os clientes. Esse foi o grande desafio: conseguirmos, através de e-mail, de videoconferências, de chamadas, resolvermos problemas que, até então, eram presenciais. Esse foi um desafio muito grande para nós e, no fundo, para todas as empresas: criar mecanismos que permitam fazer determinadas tarefas que não eram feitas até então, senão de forma presencial. Isso, de facto, fez-nos crescer muito.

3. E agora olhando para o futuro, a Farilu é uma empresa de vocação exportadora. Como é que vê que a relação com clientes e potenciais clientes internacionais possa evoluir nos próximos tempos? Nós acabamos o ano de 2019 com 60% no mercado internacional e 40% no mercado nacional e este ano estamos com 80% no internacional e 20% no nacional. De facto, a exportação é muito importante para nós e fez-nos dar um passo em frente naquele que é o volume de negócios, mas nunca queremos descurar o mercado nacional. Acreditamos que o mercado nacional tem potencial, embora tenha vindo a reduzir gradualmente. Pelo facto dos mercados com os quais trabalhamos, como o francês, se encontrarem a uma distância tão curta, faz com que nos dediquemos bastante ao mercado internacional, bem como eles, que são fiéis ao trabalho que está a ser feito e que consegue estar com um nível de qualidade muito grande e com um preço bem mais baixo do que aquele que eles costumam encontrar nos seus próprios mercados. 4. Saindo um pouco do contexto de pandemia, qual tem sido a estratégia de abordagem ao mercado da Farilu e quais os pontos que vos diferenciam? A nossa estratégia sempre foi diferente da dos nossos pares. Nós sempre nos focámos nos pequenos designers, em coleções diferenciadas e é aí que queremos estar no momento, o que nos faz crescer imenso, porque, na mesma semana, conseguimos fazer peças completamente diferentes. Isso fez com que a empresa desse um salto naquilo que é a qualidade e versatilidade da produção, o que nos permite trabalhar para qualquer designer. No nacional, é exatamente o mesmo foco, porque Portugal não tem uma indústria de ourivesaria com uma grande capacidade de produção. Nós só nos podemos focar em dois caminhos: ou na alta qualidade, mas pequenas produções, ou então em pequenos designers, e que possamos corresponder exatamente àquilo que eles nos pedem. Isso, de facto, dá imenso trabalho, porque não temos a produção em série, mas, ao mesmo tempo, é gratificante e financeiramente rentável. 5. Acabam de inaugurar novas instalações, um sinal do crescimento que a empresa tem vindo a registar. Para onde caminha a Farilu? Eu acho que a Farilu caminha para uma empresa sustentável e quer, também, ter uma página escrita naquilo que é o plano de produção nacional, e acho que estamos a conseguir fazê-lo, embora este caminho seja longo.

É óbvio que queremos sustentar esta posição, queremos estar presentes, queremos que, internacionalmente, se fale da empresa, porque falando-se internacionalmente da empresa, também se fala do setor da ourivesaria e fabrico de joalharia em Portugal. Acho que esse é o prémio e o reconhecimento de que este trabalho está a ser bem feito. 6. A Farilu faz parte de um cluster de fabricantes de joalharia em Guimarães, que têm investido na inovação técnica e tecnológica para se afirmarem nos mercados internacionais. De que forma é que esta força coletiva tem sido uma mais valia no vosso percurso? Mais do que a força coletiva, é a força individual que temos tido, porque nada é coletivo se, primeiramente, não houver um investimento individual. E foi isso que foi feito. Foi um investimento individual, que todas as empresas propuseram e conseguiram executar e que, depois, criou um mercado ou um conjunto de empresas que conseguiram, de facto, ter tecnologia de ponta e trabalhar para os melhores. Guimarães, no fundo, fez isso. Criaram máquinas de prototipagem, de laser e outras que permitem fazer todo o processo da joalharia. No que diz respeito à indústria e à forma como nos mostramos para fora, acho que faz todo o sentido, porque tal como a música diz, “ juntos somos mais fortes”. 7. E de que forma é que essa visão coletiva se pode ou deve estender à restante cadeia de valor do setor da joalharia portuguesa? Eu acho que isso se pode fazer de uma forma bem fácil, mas muito difícil de executar. Como é que é fácil? É juntar estes grupos de interesse e discutirmos sobre de que forma é que podemos cooperar uns com os outros. O difícil é toda a dinâmica e o intuito daquilo que estamos a fazer, porque, se eu tiver de fazer um tipo de produção para o qual eu não estou mais focado, eu tento procurar um parceiro que me preste esse serviço. Acho que devíamos fazer aquilo em que realmente somos bons e rentáveis, e não fazermos tudo só porque temos que fazer. Acho que, no momento em que percebermos isso, um bocado à imagem da indústria têxtil e do calçado, que faz isso há muitos anos, trabalhando em cooperação, e, a partir do momento em que esse negócio seja rentável e que todos os empresários do setor se juntem, acho que vamos ter um grande peso naquilo que é a produção de joias na Europa e no mundo.


27 TEMAS AORP

NUNO GONÇALVES ASSESSOR DA ADMINISTRAÇÃO DA BLUEBIRD

Nuno Gonçalves é Assessor da Administração da Bluebird, a cadeia portuguesa de joias e relógios, que conta com 11 lojas por todo o país, e loja online.

Isto é uma mudança muito significativa, que esperamos que seja específica deste momento e que se altere, mas diria que, com isto, ainda andamos a adaptar o nosso processo.

1. No espaço de um ano quase tudo mudou. Não só se impõem novas regras e restrições ao retalho, como assistimos a uma clara mudança no paradigma de consumo. Quais são, na sua opinião, as grandes mudanças em curso no retalho?

4. E como é que estão agora a preparar a época natalícia?

Não consigo dissociar as mudanças do retalho do facto de serem as mudanças na alteração de comportamento do consumidor, portanto, para mim, esta questão tem que ser vista precisamente sob esta perspetiva. Estamos claramente a viver alterações profundas no comportamento do consumidor, como interagem com os vendedores dentro da loja, como alteraram o padrão daquilo que compram, como visitam a loja. Eu acho que a grande questão aqui é como é que será este novo consumidor. A pergunta será esta e, quem tiver a capacidade de antecipar as respostas, terá, de facto, capacidade de reajustar os seus negócios o mais rapidamente possível. 2. Que oportunidades encontra neste novo normal do consumo? Uma consequência positiva deste momento, ou destas alturas de grande mudança, é precisamente esta, a de gerar boas oportunidades. Nós hoje vivemos muito afetados com tudo isto e é normal que haja alturas em que não consigamos vislumbrar nada de positivo, mas quando estamos a falar de grandes mudanças, é quase inevitável falar também de grandes oportunidades. Mais uma vez, a questão aqui é: quem tiver a capacidade de conseguir antecipar estas mudanças no comportamento do consumidor, serão esses que terão a capacidade de ajustar os seus negócios para então, aí sim, poderem tirar partido dessas oportunidades. Há, naturalmente, questões quase óbvias quando se fala do digital e é quase óbvio falar desta oportunidade. Aqui, não sei se é o facto de ter esta costela de retalho, nós acreditamos na fusão entre loja e o digital. 3. No caso específico da BlueBird, como é que esta se adaptou a nível das lojas físicas, sendo que a maioria se encontra em centros comerciais, onde as regras são bastante rígidas? Há aquelas questões mais ou menos óbvias. Investimos na higienização do espaço, em material, nos EPIs e nos equipamentos de segurança. O grande desafio aqui teve a ver com a forma como tivemos que gerir os recursos humanos. Tivemos que gerir o medo e a insegurança. Mais difícil foi a alteração que se processou na forma como os clientes interagem com os vendedores. Portanto, o nosso processo comercial é de interação, nós passamos anos a formar as pessoas na apresentação do produto, na apresentação das marcas e na apresentação das histórias e, de repente, o cliente não quer isso. O cliente não quer ter interação, quer fazer a exploração por si, quer interagir o mínimo possível com o vendedor e só o faz quando tem alguma dúvida, quando necessita, quando está prestes a fazer a transação.

Todos os anos, a época natalícia é fortíssima. Para aquilo que é o nosso setor, há uma percentagem muito significativa das vendas do ano que são feitas em novembro e dezembro. Este ano, ajustámos as nossas projeções àquilo que estamos a viver e procuramos fundamentalmente adiar o mais possível as decisões que eram passíveis de serem adiadas. Perante esta imprevisibilidade, o exercício de preparação da época natalícia é “navegação à vista”. As perspetivas não são boas, de facto. Temos aqui desafios interessantes pela frente. Vamos contar que as coisas acabem por atingir alguma normalidade, mas nesta altura são desafios muito relevantes. 5. E a nível de e-commerce. Qual o impacto que sentiram na loja online? Fortíssimo. Aqui quase que é o comportamento assimétrico com o que estamos a vivenciar nas lojas. Quando foi o início do confinamento, as vendas multiplicaram por três nas primeiras semanas, e, de facto, coincidiu com a época festiva, com o Dia da Mãe, e teve algum peso naquele que é o nosso setor e atividade. Portanto tivemos, de facto, na altura do confinamento, um crescimento muito forte. Infelizmente, a percentagem é muito pequena e não se compara àquilo que é a faturação ou o peso das lojas e, portanto, não podemos estar a falar sequer de uma compensação, mas, de facto, teve um desempenho notável durante esse período. Com o desconfinamento, diria, a partir de julho, os números continuaram muito positivos, com um crescimento muito relevante face àquilo que são os números do ano anterior. Já não multiplica, já não estamos a falar dos crescimentos da altura do confinamento, mas, ainda assim, com crescimentos muito expressivos e muito relevantes. Para esta altura de época natalícia, estamos a contar com um crescimento muito forte, estamos a reforçar-nos do ponto de vista de equipas, do ponto de vista daquilo que são processos associados. Pelo menos na questão do online, a imprevisibilidade é menor, portanto estamos a apostar claramente aí nessa área, com o objetivo de mitigar um pouco aquilo que serão os efeitos negativos do desempenho nas lojas menos positivo. 6. Que estratégias estão a adotar na loja online para se afirmarem neste competitivo mercado digital? Nós não vemos o site ou o comércio eletrónico como mais um canal alternativo. Nós vemos isto como uma estratégia holística, em que, de facto, o site e as lojas estão integradas. Cada vez mais, e nós vamos tendo muita perceção disso, as jornadas dos clientes vão variando. Tanto temos jornadas que são iniciadas no site, com a pesquisa, e depois o cliente vai à loja ver o produto e compra, como o contrário. O cliente até faz a pesquisa da loja e depois, comodamente, faz a compra online.

Portanto, cada vez vamos tendo menos esta coisa do cliente em loja, que só compra em loja, ou do cliente em site, que só compra no site. Quando nós olhamos para isto e quando olhamos para a questão do comércio eletrónico ou da loja online, temos muito esta preocupação de procurar levar ao digital aquilo que são algumas das experiências e características do físico. Eu confesso que é com um misto de desafio e de alguma insegurança, porque de facto é um mundo novo. Mas acho que ainda estamos muito longe do que pode ser feito do ponto de vista de potencial, naquilo que entendemos que poderá ser uma experiência mais holística entre a fusão da loja e a fusão do site. 7. Na nova campanha “Together We Stand”, a AORP mostra como o setor se deve unir para fazer face a estes novos desafios, criando uma cadeia de valor. Quais são, na sua opinião, os elos importantes desta recuperação coletiva? Até agora, falámos sobre o impacto disto na perspetiva do retalho que é, de facto, aquilo que é a Bluebird, mas uma certeza que temos já hoje e que se começou a falar desde o início é a alteração daquilo que são as cadeias logísticas internacionais e a pressão e as ruturas. Dificilmente, a esse nível também, as coisas voltarão a ser iguais no futuro. Eu diria que isto levanta uma enorme oportunidade para aquilo que é a indústria nacional, que, de alguma forma, tinha algumas desvantagens em algumas linhas à competitividade com o mercado global. Eu vejo isso, claramente, como uma oportunidade. Eu acho que temos que pensar nisto com um horizonte maior, com um horizonte de anos em vez de meses ou deste negócio que estou a fazer agora. Os operadores, de alguma forma, poderão ser empurrados a voltarem a pensar nos mercados de abastecimento do exterior, em detrimento daquilo que eu acredito que poderá ser verdadeiramente uma oportunidade, que é a produção nacional. 8. Na sua opinião, que mais pode e deve ser feito para uma melhor e mais rápida adaptação do setor a esta nova realidade? Eu acho que ainda é muito cedo para falarmos daquilo que é a nova realidade. Eu acho que nós ainda não a conhecemos. Nós conhecemos aquilo que é esta realidade que nós estamos a viver, mas que não é, seguramente, a realidade que vai emergir quando isto tudo acabar. Temos mais uns meses disto, que ficará resolvido, e então, aí sim, estaremos a falar de uma nova realidade. Vai emergir um novo consumidor, novas oportunidades na cadeia de abastecimento, vai haver mudanças significativas na forma como os operadores pensam, como se relacionam... Quase que diria que o meu conselho é procurem estar atentos, procurarem antecipar aquela que será esta nova realidade, porque aqueles que o conseguirem fazer bem, serão seguramente aqueles que estão melhor capacitados para aproveitar as oportunidades que vão surgir.


28 TEMAS AORP

O roteiro da joalharia portuguesa voltou às ruas para promover o (re)encontro com a joalharia portuguesa, numa edição especial de verão. Durante o mês de agosto, o Portuguese Jewellery Guide, a iniciativa da AORP - Associação de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal, que convida a conhecer os espaços de venda de joalharia portuguesa por todo o país, regressou com o objetivo de dinamizar o retalho, reaproximá-lo dos seus públicos e apoiar a recuperação coletiva do setor, com uma agenda de eventos de participação livre e gratuita. A ação abrangeu lojas de marca própria, ateliers de design de autor e espaços multimarca, com um conceito de retalho inovador e que representam a nova dinâmica do setor.

OURIVESARIA CARLOS TAVARES Durante o mês de agosto, a Ourivesaria Tavares expôs na Galeria d’Ouro as suas pratas decorativas, símbolo de tradição e legado de arte, valores e memórias. Criadas em oficinas próprias, são peças únicas e exclusivas que foram dadas a conhecer ao público.

ANSELMO 1910 Em pleno coração da Baixa do Porto, a Anselmo 1910 deu a conhecer, todas as semanas, o trabalho contemporâneo de diferentes artistas nacionais. Ana João, Lia Gonçalves, Mater e Bruno da Rocha foram alguns dos criadores convidados.

MARIA JOÃO BAHIA Maria João Bahia deu a conhecer a arte através da joalharia nos workshops sobre o processo de fabrico das joias, na sua boutique na Avenida da Liberdade, em Lisboa.

EUGÉNIO CAMPOS JEWELS Eugénio Campos inaugurou a nova flagship store, na prestigiada Avenida da Liberdade em Lisboa, e apresentou a coleção de edição limitada disponível em exclusivo no mais recente espaço da marca portuguesa. Durante todos as sextas e sábados do mês de agosto, foi também possível usufruir do desconto de 10 a 20% em produtos selecionados, na loja Eugénio Campos – Boutique das Flores.

DIOGO DALLOZ A filigrana, técnica ancestral da ourivesaria portuguesa, foi a protagonista deste evento Guide. Diogo Dalloz convidou a artesã Andreia Martins para uma demonstração ao vivo desta técnica, na qual também foi possível participar e dar um significado especial às peças. Nesta Summer Edition, o designer apresentou ainda a sua nova coleção, “Cápsula Generations”.

JOANA SANTOS JEWELLERY Flores, cores e geometria. O evento Guide da marca Joana Santos Jewellery conseguiu juntar todas estas dimensões na Agrafo Studio e dar a conhecer a nova coleção Círculo da marca.

MESH JEWELLERY “I Melt for Mesh” uniu gelados e joias personalizadas na apresentação da coleção Tie In. Um evento fresco e saboroso, feito em parceria com a Gelatopia.


29 INTERNACIONALIZAÇÃO

PORTUGUESE JEWELLERY: A GLOBAL SHOW Devido ao contexto pandémico, a convocatória para os apoios aos Projetos Conjuntos de Internacionalização do COMPETE 2020 foi suspensa. Tendo em conta que será efetuado um pedido de prorrogação até 2022, a AORP voltou a disponibilizar as candidaturas para o projeto, Portuguese Jewellery: A Global Show, o quarto Programa de Internacionalização da Ourivesaria de Portugal 2020 – 2021, havendo, contudo, a consequente alteração das ações previstas no Plano de Ação. O projeto especializado na ourivesaria é, assim, composto pelo seguinte programa de ações de promoção exterior: participação em Feiras, Exposições, Eventos de prestígio - Missões empresariais e de prospeção no internacional, e Missões inversas em Portugal, assim como outras de Comunicação e marketing digital e móvel, e ainda uma vertente de certificação das nossas empresas nos standards internacionais. Portuguese Jewellery: A Global Show tem como objetivos

PLATAFORMA UE ACCESS2MARKETS

afirmar e valorizar as joias e produções portuguesas no mundo, através da abertura de novos canais para a expor-

A Comissão Europeia lançou, no dia 14 de outubro, uma nova

tação e de diversificação nos mercados e nichos de mercado e

ferramenta – a plataforma Access2Markets -, onde é pos-

da capacitação para a internacionalização de empresários e

sível consultar os acordos de comércio livre da UE, os direitos

empresas.

ou as barreiras envolvidas na exportação/importação de e para países terceiros, as regras de origem, formalidades ou estatísticas de comércio internacional. Esta plataforma é relevante para os exportadores e para a participação de PME no comércio internacional e vem, assim, ajudar as empresas a tirar o máximo partido da rede de acordos comerciais da UE e a obter o melhor acesso aos mercados e produtos de que necessitam para crescer e permanecer competitivas.


30 NOTÍCIAS SETOR

SUSTAINABLE FASHION BUSINESS UMA VISÃO PODEROSA PARA O FUTURO

No dia 23 de outubro, a Academia das Ciências de Lisboa foi palco da Sustainable Fashion Business, tendo como promotora a Lisboa Capital Verde.

A conferência contou com mais de 1000 inscrições de 36 países diferentes, sendo que, presencialmente, o número de participantes correspondeu às normas impostas pela DGS, com uma lotação de sala bastante reduzida. Já online, a taxa de visualização da conferência rondou os 86%.

A AORP liderou um dos onze painéis apresentados no evento, “A sustentabilidade da joalharia e a valorização do handmade. De Portugal para as estrelas mundiais, uma história de sucesso”, que contou com nomes de peso na Moda Sustentável.

A associação apresentou a sua mais recente campanha, o Together We Stand, e partilhou o palco com Alan Crocetti, Designer de Joias, e Ângelo Almeida, da ARPA Jewellery Industry.

Além das experiências de produção sustentáveis apresentadas na primeira pessoa, foi ainda possível conhecer alguns projetos através de uma exposição nos claustros da Academia da Ciências de Lisboa. Sob o mote da sustentabilidade, a exposição foi decorada com 28 peças de mobiliário antigas, que fizeram de moldura ou iluminação a vários projetos falados na conferência, sendo a AORP um deles.

«Podemos dizer que a Sustainable Fashion Business veio acrescentar algo de novo. Projetos incríveis feitos a partir de Portugal foram postos à luz, e conseguimos que centenas de inscritos ouvissem na primeira pessoa, o caminho que há anos temos traçado na sustentabilidade em moda. Resta continuar com o mesmo propósito e profissionalismo e marcar um lugar como um player credível, responsável, tecnologicamente avançado no que toca à moda do futuro», resume Catarina Santo Cunha, project leader da Sustainable Fashion Business e CEO da Kind Purposes, co-organizadora do evento.


31 NOTÍCIAS SETOR


32 NOTÍCIAS SETOR

M E D IDA S D E S E G U R A NÇA OB R I GATÓR I AS ESTABELECIMENTOS COMERCIAIS DO SETOR DE OURIVESARIA

Relembramos que as medidas de seguranças para entidades que procedam à compra, venda e exibição de metais preciosos ou obras de arte, previstas na Lei nº 34/2013, são as que se seguem: Sistemas de videovigilância: os estabelecimentos terão de ter afixados dísticos informativos sobre o sistema de vigilância instalado no local, que só pode ser colocado por um instalador credenciado. As entidades abrangidas por esta lei devem garantir: - A identificação das pessoas, abarcando toda a área de acesso ao público e com sistema de gravação de imagens por 30 dias, regra geral, ou 90 dias caso o estabelecimento lide com materiais preciosos usados; - A monotorização externa do sistema, quando é feita, terá de ser exclusivamente assegurada em central de receção e monotorização de alarmes e videovigilância (CRMAV) de uma empresa titular de Alvará C ou uma entidade titular de licença de autoproteção. Sistema de deteção contra intrusão: conhecido como alarme, é obrigatória a comunicação à PSP, sendo que este só pode ser colocado por um instalador credenciado. O sistema de deteção contra intrusão necessita que: - A monotorização externa do sistema, quando ocorrer, terá de ser exclusivamente assegurada em CRMAV de uma empresa titular de Alvará C ou uma entidade titular de licença de autoproteção, conforme aplicável; - Nos casos em que existe a monotorização externa do sistema, o sistema de alarme deverá ser de grau 3. Nos casos em que o sistema não é monitorizado exteriormente, o sistema deverá ser de grau 1. Ambos devem ser com sirene exterior, audível fora do estabelecimento.

Cofre ou caixa-forte: O Governo anunciou a revogação da obrigatoriedade de caixa-forte ou cofre de grau 3 para estabelecimentos comerciais. Relativamente aos estabelecimentos de exibição, compra e venda de metais preciosos, faz saber a Portaria n.º 292/2020, de 18 de dezembro, uma segunda alteração à Portaria n.º 273/2013, que anula a obrigatoriedade de Caixa-forte ou cofre, com um nível de segurança mínimo de grau 3 de acordo com a norma EN 1143-1 ou equivalente, dotada de sistema de abertura automática retardada, e dispositivo mecânico e eletrónico de bloqueio da porta, fora do período de funcionamento. Este resultado surge do trabalho que a AORP tem vindo a desenvolver junto do Governo, nomeadamente do Ministério da Administração Interna. É de salientar a importância de, adicionalmente, todos os estabelecimentos adotarem comportamentos de autoproteção, tais como: - Retirar frequentemente as notas de maior valor da caixa e guardá-las em local seguro e não visível ao público; - Não revelar a ninguém externo aos colaboradores da loja o local onde se encontra o botão de ativação do alarme; - Recorrer a empresas especializadas no transporte de bens ou numerário de grande valor; - Permanente alternância de rotina de transferência/ depósito de valores no banco.


33 NOTÍCIAS DO SETOR

C O N T R A S T A R I A REDUÇÃO DE PREÇO NAS MARCAS DE RESPONSABILIDADE E NOVAS METODOLOGIAS DE CERTIFICAÇÃO No âmbito da estratégia de modernização dos serviços e aproximação às empresas do setor, a Contrastaria encontra-se a desenvolver uma nova metodologia de operações: o Ensaio e Marcação em simultâneo. Esta medida, a ser implementada em breve, terá um impacto significativo na redução dos tempos de execução dos serviços prestados pela entidade certificadora. Por outro lado, desde 14 de setembro, foi reduzido o preço de aposição das Marcas de Responsabilidade, tanto a laser como a punção, para o valor de 0,10 € + IVA, incentivando assim o

SERVIÇO DE TRANSPORTE SEGURO PARA RECOLHA E ENTREGA DE OBRA NO DISTRITO DE BRAGA

aumento de rapidez e eficiência das operações. Com vista à maior aproximação às empresas e agilização do serviço de certificação, a Contrataria lançou, no dia 25 de agosto, um novo Serviço de Transporte Seguro para Recolha e Entrega de Obra. Nesta primeira fase, o serviço abrange aproximadamente 30 industriais sediados no Distrito de Braga, sendo de acesso gratuito, durante os primeiros 6 meses, e o objetivo é entendê-lo a todo o território nacional. Esta iniciativa materializa o compromisso assumido pelo Presidente da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, no sentido de garantir maior segurança, comodidade e uma redução de custos, ao eliminar a necessidade de deslocações às Contrastarias para realização do serviço de certificação das suas peças. A par do novo serviço, a Contrastaria encontra-se a estudar um projeto piloto de certificação de peças nas próprias empresas. Este serviço, que teve o seu arranque em outubro, permite obter as marcações nas peças em apenas algumas horas, sem necessidade de as deslocar, o que promove uma maior segurança, agilidade e conveniência. Nuno Marinho, Presidente da AORP, e Marta Camelo, membro da direção, estiveram presentes na sessão de apresentação do serviço de Transporte para Recolha e Entrega de Obra, em Guimarães.


34 NOTÍCIAS SETOR

NOVOS SÍMBOLOS DAS MARCAS OFICIAIS DE CONTRASTE Entraram em vigor, no dia 1 de janeiro, os novos símbolos das marcas oficiais de contraste. Os novos quadros de marcas atualizados já podem ser adquiridos nos balcões das Contrastarias e na loja online da Imprensa Nacional-Casa da Moeda. Procurando a simplificação de processos e de aproximação da Contrastaria ao setor e ao consumidor final, além de novos símbolos, as marcas apresentarão um perímetro único, quer sejam apostas na Contrastaria do Porto/Gondomar ou em Lisboa. Ao abrigo do art. 64º do RJOC, as lojas online do setor são obrigadas a ter o link que remete para o mapa das novas marcas.


35 NOTÍCIAS SETOR

JÓIAS COMEMORATIVAS DO CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE AMÁLIA RODRIGUES A marca de jóias Ouronor procurou homenagear Amália Rodrigues no centenário do seu nascimento, através do lançamento de uma coleção dedicada à fadista. Ouronor é já a detentora da marca “Amália Joias”, a única autorizada a conceber e comercializar réplicas e originais que honrem o ícone musical. A coleção, constituída por peças comemorativas, teve o seu lançamento no dia 5 de junho, quando a medalha comemorativa nº 1 desta edição exclusiva foi oferecida ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, numa receção no Palácio de Belém. A celebração teve como objetivo não só honrar o centenário deste nascimento, mas também a cultura e o universo artístico.

MUSEU NACIONAL DE ARTE ANTIGA Ao Museu Nacional de Arte Antiga, que reabriu este verão e que até então tinha estado encerrado por dois anos, foram concedidos, em julho, dois depósitos e uma doação de um colecionador de Hong Kong, de uma benemérita portuguesa e da Igreja Paroquial das Mercês de Lisboa, que permitiram, assim, voltar a dar brilho à sua coleção de joalharia. As pedras preciosas e semipreciosas das novas peças vão desde diamantes a esmeraldas, colorindo jóias como colares, brincos, ou até mesmo ornamentos para homens. O Museu ganha, assim, uma coleção que vai do século X ao XIX e que traça um panorama completo da história da joalharia portuguesa antiga.


36 ASSOCIADOS

WONTHER

A Wonther nasceu no final de 2019 e tem como valor basilar a sustentabilidade. As peças da marca são feitas de prata reciclada e possuem o selo de certificação do Responsible Jewellery Council, que assegura toda a cadeia – desde a extração dos metais à sua manipulação. Criada por Olga Kassian, a Wonther nasceu da vontade de criar objetos especiais que empoderassem o sexo feminino. Com sede em Braga, a marca vende sobretudo online, tendo uma grande presença internacional.

www.wonther.com

MOD JEWELLERY O nome da Mod Jewellery encerra o seu principal propósito. “Made of Design” é precisamente o que define esta marca portuguesa, que reúne o melhor da joalharia contemporânea portuguesa e internacional numa só plataforma. Criada em 2019, concentra hoje cerca de 50 artistas, selecionados especialmente pela sua qualidade e originalidade. Por sua vez, é cuidadosamente feita uma curadoria dos produtos, que tem em consideração o seu caráter único, o material e técnica, os seus processos produtivos e os valores de sustentabilidade inerentes em tudo isto. www.mod-jewellery.com


37 ASSOCIADOS

SUSENAJÓIAS

JLD JOIAS

A JLD Joias foi fundada em 1979 por José Lino Dias. Hoje em dia, a empresa é liderada por Ana e Marta Dias, que aliam a experiência e herança familiar a uma visão moderna do negócio. Para isso, colocam-se ao lado dos seus clientes, criando coleções que se aproximam das novas tendências, mas se mantêm intemporais no estilo, e acrescentando valor de marca, através do design e detalhe das embalagens, da comunicação visualmente apelativa e de um eficiente serviço pós-venda. Com uma vasta rede de pontos de venda, que se estende a todo o país, a JLD Joias orgulha-se de preservar relações de confiança e valorização mútua com os seus fornecedores e clientes. www.jldjoias.com

Em 1999, nasceu em Portugal a SusenaJóias, com o objetivo de introduzir no país uma marca que alia o moderno à qualidade. Com uma enorme vontade de crescer e de se afirmar ainda mais no mercado, a empresa, já na sua segunda geração, começou um novo capítulo, criando e desenvolvendo as suas próprias jóias. Com foco na qualidade e no design, a marca inspira-se nas grandes correntes de tendências e personaliza as suas peças, feitas de materiais nobres como ouro e prata, com o “savoir-faire” que adquiriu ao longo destes 21 anos. www.susenajoias.com


38 SUGESTÕES

1 RENÉ L ALIQUE E A I DA D E D O V I D R O De 30.10.2020 até 02.02.2021

Museu Calouste Gulbenkian

2

RETR ATOS DE JÚLIO P OMAR

3

MANOEL DE OLIVEI R A FOTÓ G R AFO De 23.10.2020 - 18.10.2021

Fundação Serralves

De 22.10.2020 até 28 .02.2021

Atelier-Museu Júlio Pomar A exposição “O desenho impreciso de cada rosto humano, refletido. Retratos de Júlio Pomar” foi estreada no Atelier-Museu Júlio Pomar, em Lisboa, e procura refletir sobre o retrato no percurso de Júlio Pomar ao longo de mais de 70 anos. A curadoria conta com cerca de 50 retratos, género a que o artista foi regressando sempre ao longo da sua carreira, atravessando diversas fases de criação. As obras desvendam as relações que o artista foi estabelecendo com várias pessoas

São mais de cem fotografias que a exposição

ao longo da carreira, tanto do seu círculo

“Manoel de Oliveira Fotógrafo” dá a conhecer

mais pessoal, como figuras de destaque

ao público.

Um dos artistas com presença de maior

da sociedade portuguesa e internacional,

destaque no Museu Calouste Gulbenkian,

como é o caso de Fernando Pessoa, Almada

Produzidas entre finais de 1930 e meados dos

René Lalique, para além de uma exposição

Negreiros ou os Beatles.

permanente, ganha agora uma nova exposição temporária, com curadoria de Luísa Sampaio. “René Lalique e a Idade do Vidro”, em exposição até fevereiro de 2021, percorre todos os grandes momentos da carreira do artista, desde a fase de produção artesanal como joalheiro no período da Arte Nova, até à fase em que assumiu o papel de “industrial-criador”, iniciada no momento em que passou a dedicar-se exclusivamente ao vidro. A exposição reúne cerca de uma centena de obras - entre joias, vasos, revestimentos decorativos, objetos de uso quotidiano, em que a personagem principal é o vidro, matéria pela qual Lalique nutria um grande fascínio. Para este projeto, o Museu Calouste Gulbenkian conta com a colaboração excecional do Musée Lalique, Wingen-sur-Moder, e com objetos provenientes de algumas das mais importantes coleções particulares do mundo.

anos 1950 e descobertas no seu arquivo pessoal depositado em Serralves, estas imagens,

A exposição encontra-se disponível até 28

na sua maioria inéditas, revelam uma faceta

de fevereiro de 2021.

desconhecida de Oliveira e abrem novas perspetivas sobre a evolução da sua obra. As imagens resumem-se maioritariamente a paisagens, retratos e naturezas mortas, com várias referências à sua cidade, o Porto, bem como à sua passagem pela aviação, antecipando aquelas que viriam a ser as suas preocupações estéticas. Mais do que uma paixão ou passatempo, a fotografia foi, para o realizador, uma ferramenta profissional que o ajudou a construir uma linguagem visual própria e que explica o rigor de composição que caracteriza os seus filmes. Com a curadoria de António Preto, Diretor da Casa do Cinema Manoel de Oliveira, a programação paralela da exposição, na Fundação até 18 de abril de 2021, contará com um ciclo de cinema sobre a presença da fotografia no cinema Oliveira, um ciclo de conferências e a edição de um catálogo com ensaios de várias personalidades.




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