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Publicação trimestral l março 2015 l número X L I


entrevista

O presidente e AE eleita

“ (…) a associação existe para ouvir e defender toda a comunidade escolar” - presidente Gonçalo Mota

Que motivação te levou a candidatares-te a presidente da A.E. da ESAS? O que podem esperar os teus colegas? Sinceramente não sei bem mas, quando andava no básico, a

individuais e profissionais. A AE vai proceder à criação de

semana das campanhas das listas era algo de que eu gosta-

um pouco das aulas. Tomamos a iniciativa de criar um tor-

va imenso e, no 9º ano, tive a oportunidade de ser um dos representantes do básico na lista S, que ganhou nesse ano. Apesar de eu ser do básico, estava por dentro de algumas coisas que lá eram feitas e ganhei o gosto. O que os alunos podem esperar é esforço máximo por parte desta associação para que possamos ter um ano letivo animado e com o 2 I Jornalesas l março 2015 l XLl

objetivo de conseguir melhorar certos aspetos na escola. No cumprimento do programa apresentado às eleições, quais as atividades que a AE já concretizou? Quais os principais obstáculos? Qual o desafio que gostavam de conseguir superar? As propostas que a associação tem em mente são todas viáveis, tendo sido algumas já realizadas. Estamos a preparar algumas palestras que irão transmitir conhecimentos importantes para os alunos, para serem aplicados nas suas vidas

uma rádio escolar, que terá como principal objetivo passar algumas músicas nos intervalos, para os alunos relaxarem neio inter-turmas de futebol no qual todos os alunos da escola puderam inscrever-se e não revelamos mais, pois os eventos próximos ainda são surpresa. Como funciona a distribuição de funções dentro da AE? A associação de estudantes divide-se em vários órgãos, a direção, a assembleia geral, o conselho fiscal e algumas comissões, tanto do ensino básico como do ensino secundário. A direção assume o controlo da maioria dos assuntos, a assembleia geral é a “nossa voz”, e o conselho fiscal trata de assuntos do âmbito financeiro; as várias comissões desempenham a sua função quando necessário, como a organização de festas, reuniões, etc… Mas quando há tarefas a realizar, acho que todos nós remamos para o mesmo lado e apoiamo-nos uns aos outros para finalizar as tarefas com sucesso.


Como é que é financiada a A.E? Quando vencemos as eleições e tivemos acesso à sala da

Deixa uma mensagem para os teus colegas.

associação de estudantes começamos do zero, e fomos cres-

Aos alunos, gostaríamos de pedir que continuem a fazer des-

cendo, conseguindo mantermo-nos numa situação financeira

ta escola o que ela já é ou ainda melhor. É uma escola com

razoável graças aos matrecos, fonte de onde obtemos o capi-

bom ambiente, boas iniciativas e bons resultados a nível naci-

tal para podermos avançar com certas atividades. No Carna-

onal, e sentimos orgulho ao representá-la. Também gostaría-

val queríamos proporcionar uma festa aos alunos e não con-

mos de pedir que, se algo estiver mal, nos transmitam, pois a

seguimos, porque não tínhamos condições financeiras, conse-

associação existe para ouvir e defender toda a comunidade

quentemente o evento foi cancelado. No início do ano, para a

escolar.

realização de atividades, todos os elementos contribuíram monetariamente. Para que situações como estas não se repi-

Logótipo usado na campanha

tam, a AE está a procurar soluções para resolver o problema da melhor maneira. Como é a vossa relação com as estruturas da escola? Direção? Conselho geral? Outras? Como representantes dos alunos, achamos que uma boa ligação entre a AE, a direção da escola, funcionários, professores e alunos é benéfico. Uma boa relação entre todos os órgãos que constituem a comunidade escolar ajuda-nos a trabalhar com mais vontade, pois todos se mostram disponíveis para nos ajudar. Disso não nos queixamos, pois existe um ambiente tranquilo na escola, na direção, secretaria, conselho geral, funcionários, professores, etc… Desde já sublinhamos a maneira como a direção da escola nos acolheu, mostrando-

A Lista W é diferente. Queremos trazer melhorias e mudar positivamente muitos aspetos que não têm sido tratados. Chega de pedidos. Agradecemos a todos os que votaram em nós e a confiança que depositaram no nosso grupo!

se disposta a apoiar a associação em todos os sentidos. Isso Gonçalo Mota , presidente AE , 11ºF Entrevistado por Pedro Santos, 11ºH

Desconto de 15% em todos os trabalhos técnicos para professores, funcionários e alunos do Agrupamento de Escolas Aurélia de Sousa.

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motivou a AE na execução do seu projeto rumo à mudança!


opinião

A nossa escola aos nossos olhos Para os que não conhecem esta secção do JornalEsas, esclarecemos que se baseia em breves questionários aos estudantes, procurando assim perceber o que pensa a escola da

escola. Considerando o quão interessante são as respostas encontradas, decidimos fazer disto um artigo indispensável a ser publicado com regularidade. Assim, no questionário desta edição, abordamos o tema relacionado com a Associação de Estudantes, dada a sua importância na vida de qualquer aluno. Ao interrogarmos os nossos colegas sobre a importância que atribuem à AE (Associação de Estudantes), percebemos que 46% consideraram de “muita” importância, 35% de“alguma”, 10% “pouca” e 9% nenhuma de todo. Estes valores deram-nos que pensar. A AE existe pelo puro propósito de representar-nos, como grupo e comunidade. Que força pode ter se mais de metade dá “alguma”, “pouca” ou até nenhuma importância à organização que os representa?! Parece-nos que se alguém é capaz de modificar algo aqui somos nós, não só a AE, mas a escola como potência! Uma lista deve espelhar e apoiar as tuas causas e princípios mas, no entanto, ainda existe uma grande quantidade de gente que vota pelas “festas”! Não são as festas que demonstram o espírito e objeivo de uma lista. O que aconteceu ao verdadeiro propósito destas?? A organização de eventos desportivos é algo importante na dinâmica da associação, assim como as festas, viagens e bailes, mas não devem ser estas as suas principais preocupações. 4 l Jornalesas l março 2015 l XLl

Uma boa AE deve pôr a opinião e força da palavra de todos e qualquer estudante acima das festas e bailes. Como poderemos nós marcar a mudança e ter mão-de-obra para a escola que queremos construir, se não votamos? O voto é a nossa única ferramenta, há que aproveitá-la. Trabalho de Miguel Pereira (9ºF) e João Gonçalves (9ºE).


opinião

Nós e as diferenças vistas de fora para dentro Embora já muito tenha sido feito no sentido de integrar as pessoas com necessidades educativas especiais, ainda há um longo caminho pela frente. E este caminho consiste principalmente na formação cívica e no convívio com a diferença.

Pensar que um aluno por ter NEE só pode conviver com pessoas com o mesmo tipo de problemas é algo que se nos assemelharia impossível se estivéssemos na mesma situação”, afirma a Professora Catarina Cachapuz. Mas a importância da inclusão vai muito para além de dar a estas pessoas diferentes a oportunidade de viverem no mundo da mesma

forma que nós: “ Nós temos muito a tendência a pensar que estar integrado numa turma é muito benéfico para estes alunos em questão e esquecemo-nos do quão enriquecedor isso é para todos os outros”. Só ao ver como, mesmo com certas limitações, estes alunos conseguem fazer tanto ou mais do que nós é que podemos realmente começar a dar valor às nossas vidas e a perceber que tudo é possível. Basta ter força de vontade. A mudança é algo que está apenas nas nossas mãos, e a distância para coisas tão simples,mas tão significativas. Como me disse o diretor do CIAD (Centro Integrado de Apoio à Deficiência, da Santa Casa da Misericórdia), João Belchior, numa visita que lá fiz “A integração passa muito pela mobilidade e pela cidadania … Não faz sentido haver uma rampa perfeita de um lado do passeio, se não existir outra no passeio para o qual se pretende atravessar (…) É necessário despertar/sensibilizar as pessoas para estas questões”. É imperativo aprendermos a respeitar e a apoiar estas pessoas tão iguais a todos nós, que também têm vontades, sonhos e o direito a serem amadas. Integrar é aceitar o outro como ele é, com as suas aptidões e limitações, mas também termos a coragem de nos pormos no lugar do outro e tratá-lo como gostaríamos que nos tratassem a nós.  Texto de Miriam Costa , 12ºano Na foto, a Miriam com a Alexandra (11ºI)

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economia

Bitcoin: A moeda do futuro?

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Bitcoin é a primeira moeda digital descentralizada. Foi lançada em 2008 num sistema eletrónico peer to peer (parceiro para parceiro). São moedas enviadas pela internet de um indivíduo para outro sem passar por qualquer entidade financeira. Cada Bitcoin é divisível até à oitava casa decimal (0,00000001 ou 10⁻⁸), sendo esta subunidade conhecida por satoshi que é o pseudónimo do criador do sistema. Os Bitcoins apresentam várias vantagens em relação às

muito pouco conhecida e utilizada pela maioria dos vende-

outras formas conhecidas de moeda. Em primeiro lugar, o

dores e fornecedores de serviços.

facto de serem guardados num smartphone ou noutro

Para se iniciar no uso e investimento de Bitcoins é necessá-

dispositivo eletrónico torna prático o seu transporte, para

rio uma prévia e exaustiva investigação. Sendo uma moeda

além de que as transferências são muito rápidas e com a

relativamente recente e sem qualquer regulamento ou con-

generalização da moeda poder-se-á tornar o sistema mais

trole, é preciso conhecer muito bem a mesma e, como a

prático de todos. Em segundo lugar, sendo descentralizado,

própria Fundação Bitcoin avisa, os investidores não devem

podem ser transferidos de uma pessoa para outra sem

investir mais no Bitcoin do que estão dispostos a perder".

passar por qualquer banco ou instituição de câmbio, o que

Quando se decidir a usá–los, o primeiro passo é adquirir

diminui consideravelmente as taxas. Sendo uma moeda

uma Wallet (carteira) , programa onde se guardam os

online universal não é necessário cambiar, podendo ser

Bitcoins. Existem vários géneros entre online, offline, móveis

usada em qualquer país. Para além disso, as contas não

(para smartphones) e de hardware (as mais seguras). A

podem ser congeladas e não existem quaisquer pré-

seguir, obviamente, há que adquirir os Bitcoins. Existem três

requisitos ou limites para obter os Bitcoins. Por último, a

maneiras de os obter. Uma é comprar os Bitcoins a outra

ausência de uma entidade administradora torna impossível

pessoa. Outra forma é aceitá-los como pagamentos pelos

a manipulação do valor real da moeda ou a indução de

seus produtos ou serviços. Por último, existe o chamado

inflação pela emissão de mais moeda, uma vez que os

Mining (exploração). Cada transação de Bitcoins é verificada

Bitcoins pararão de ser gerados quando atingirem o limite

e por fim publicada no site oficial Blockchain (https://

arbitrário de 21 milhões de Bitcoins em circulação, o que

blockchain.info/pt/). Os utilizadores podem verificar estas

acontecerá no ano de 2140. No entanto, um grande au-

transações e serão recompensados com Bitcoins, sendo

mento da procura faz com que o valor real da moeda au-

esta a forma de o sistema introduzir mais moeda em circu-

mente no mercado de câmbio.

lação. Naturalmente que este último método inclui um in-

Por outro lado, os Bitcoins ainda apresentam algumas bar-

vestimento inicial em hardwares especializados, e é um

reiras. Primeiro, permitem fazer transações sem revelar a

meio altamente competitivo e muito difícil de ter elevados

identidade do comprador ou do vendedor o que também

rendimentos. Quando tiver os seus Bitcoins na sua Wallet,

dificulta o combate ao cibercrime. Segundo, sendo uma

pode começar a usá-los para adquirir bens e serviços. Exis-

moeda online está naturalmente sujeita aos ataques infor-

tem vários sites e cada vez mais lojas a aceitar Bitcoins.

máticos. Em terceiro lugar, não estando dependente de

Os Bitcoins possuem várias vantagens, inúmeros atores

uma entidade central, leva a que o seu valor aquisitivo seja

internacionais influentes a apoiar e uma crescente vulgari-

bastante volátil (a unidade já atingiu valores entre 0,1$ e

zação. Apesar disso, são notórios os obstáculos que ainda é

1100$). Para além disso, por não ser uma moeda oficial e as

necessário superar por forma a singrar como meio genera-

moedas virtuais ainda serem novidade, não existe muita

lizado de trocas. Resta saber se poderemos estar na pre-

legislação sobre a mesma, o que significa que não existe

sença da moeda do futuro. E se sim, quanto tempo resta

proteção contra perdas ou fraudes. Por último, a sua fraca

até o dinheiro deixar por completo o seu suporte físico? 

de divulgação resume a utilização dos Bitcoins às compras pela internet, sendo que esta forma de pagamento ainda é

Texto de Jorge Ferreira, 12ºE


Projeto Innovation Challenge

Predestinados a ficar 9 horas numa sala, juntamente com voluntários ligados a vários setores empresariais, teríamos de elaborar propostas que visassem a criação de "Pontes para o Mundo" e desenvolvessem as nossas capacidades de empreendedorismo, de cumprimento de prazos e de expressar os nossos projetos e ideias perante um júri composto por elementos de grande influência na cidade invicta. De salientar as excelentes classificações alcançadas pela nossa escola, ocupando três dos quatro lugares premiados. Inês Silva do 11ºF fez parte da equipa que obteve o 4º lugar e irá passar um dia Câmara Municipal do Porto; Inês

Santos, da mesma turma, cuja equipa obteve a 2ª posição, foi premiada com três dias na Cerealis. Destaque para o topo do pódio, onde se classificou a equipa integrada por Tomás Barreto do 10ºF. Juntamente com os membros da equipa “Eureka”, idealizou um evento anual semelhante ao “Shark Tank” (programa norte-americano ligado ao empreendedorismo), destinado aos jovens portuenses pertencentes ao ensino público e com idades compreendidas entre os 14 e 18 anos que tivessem ideias para desenvolver a capital do Norte, realçando também que o “O Futuro do Porto está no Porto” (frase criada e adotada pela equipa). O prémio compreende a possibilidade de passar 4 dias na Sonae e de usufruir de um curso de verão na Porto Business School. Esta inédita oportunidade, nunca antes experimentada pelos alunos foi, portanto, enriquecedora, gratificante e educativa, o que tornou esta experiência memorável. 

Ana Francisca Machado, 10ºF Andreia Moreira , 10ºF Tomás Barreto , 10ºF

Nas fotos, da esquerda para a direita: Joana Babo (10ºG), Sara Ribeiro (10ºG), Ana Francisca Machado (10ºF), Andreia Moreira (10ºF), Tomás Barreto (10ºF) e Gonçalo Silva (10ºG), Inês Santos, Diana Gonçalves, Rodrigo Albuquerque e Inês Silva., do 11ºF.

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A

Junior Achievement Portugal, em parceria com a Câmara Municipal do Porto, organizou, no dia 13 de fevereiro, a 3ª edição do Creativity & Innovation Challenge - Porto de Futuro, uma iniciativa desafiante que reuniu 110 estudantes de escolas do grande Porto, no Instituto Superior de Engenharia do Porto. Este desafio tinha como objetivo relacionar as escolas e o território envolvente (cidade do Porto). A nossa escola foi uma das participantes, no âmbito da disciplina de Economia, tendo os alunos sido acompanhados pela professora Clara Falcão.


Jovens Repórteres para o Ambiente

Como salvar uma espécie ameaçada

O

Órix-de-cimitarra é uma espécie altamente ameaçada, que já só existe em Jardins Zoológicos. Durante a Missão JRA 2015 – conservação ex-situ, descobrimos a importância de conservar as espécies e qual o papel de todos nós nessa ação. Ao contrário da maioria das espécies, o Órix-de-cimitarra não se encontra em perigo de extinção pelos motivos normalmente apontados, como a desflorestação, a caça des-

portiva ou a destruição dos habitats. No sítio de onde são endémicos, o Norte de África, estes animais são entendidos como símbolo de poder, isto é, o senhor mais poderoso é o que tem a maior manada privada de órix; há também, na medicina tradicional dos indígenas, lendas que dizem que alguns órgãos destes animais têm poderes terapêuticos. Desde o seu resgate para os jardins zoológicos que se trabalha com o objetivo de o reintroduzir no habitat. Contudo, a dificuldade de mudar as mentalidades no local tem atrasado o processo. Tem-se apostado fortemente na educação ambiental das populações e no enriquecimento ambiental com os animais no jardim, para que estes se encontrem preparados para a reintrodução. Não nos devemos esquecer que a reintrodução deve sempre ser utilizada em último recurso, dado que se deve começar pela prevenção: proteção in-situ e sensibilização das populações. A biodiversidade é fundamental para manter o equilíbrio do nosso planeta tal como o conhecemos. Todas as espécies têm a sua função específica e são insubstituíveis. O Homem, como principal ameaça, é também o principal responsável pela preservação. A extinção é para sempre. Texto de Miriam Costa , 12ºano

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Alterações climáticas

A

s mudanças climáticas são a maior ameaça ambiental do século XXI, com consequências profundas e transversais a várias áreas da sociedade: económica, social e ambiental. Todos nós, sem exceção, estamos a ser afetados por esta questão: cidadãos comuns, empresas, governos, economias e, a mais importante de todos, a natureza. Mudanças climáticas sempre foram

registadas ao longo dos milhares de anos que o planeta Terra tem. O problema prende-se com o facto de, no último século, o ritmo entre estas mudanças climáticas ter sofrido uma forte aceleração e a tendência é que tome proporções ainda mais caóticas se não forem tomadas medidas. A ocorrência de ondas de calor e secas são fenómenos cada vez mais frequentes, e as consequentes perdas agrícolas representam uma ameaça real para as economias mundiais. No centro destas mudanças estão os chamados gases de efeito estufa, cujas emissões têm sofrido um aumento acentuado. O CO2 (dióxido de carbono) é o principal gás negativo desses designados de efeito estufa, e são consequência directa do uso/queima de combustíveis fósseis como o carbo-

no, o petróleo e o gás com fins energéticos A atividade humana foi apontada, em 2007, como a principal causa destas mudanças do clima. É, por isso, imprescindível reduzir as emissões deste tipo de gases. Como? Eliminando, progressivamente, o uso constante dos combustíveis fósseis, substituindo-os pelas energias renováveis, desenvolvendo a poupança de energia e eficiência energética. Ao mantermos uma atitude inativa e indiferente perante esta questão, corremos o risco de sermos expostos a eventos climáticos extremos e imprevisíveis (como os que têm vindo a ser noticiados nos últimos tempos) e com efeitos trágicos para todo o mundo! Texto de Rui Branco, 11ºG


Lá e Cá Eu chamo-me Nils e sou do sudoeste da Alemanha. Fiz um intercâmbio semestral com AFS em Portugal este ano lectivo, 2014/2015. Vivi no Porto e frequentei a Escola Secundária Aurélia de Sousa.

Tübingen é uma das clássicas cidades universitárias alemãs

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A minha família de acolhimento foi a família mais desejável e penso que tive muita sorte. Foi uma grande mudança porque, na Alemanha, tenho apenas um irmão e, em Portugal, de repente, tinha 4! Eu adorava ter uma família grande e passei momentos muito giros com eles. Escolhi Portugal para fazer o intercâmbio porque gosto imenso da língua portuguesa, sempre a achei muito interessante e queria aprendê-la. Embora eu já soubesse falar um pouco, quando cheguei, conseguia expressar-me bem, mas quase não entendia nada do que as pessoas me diziam. Mas rapidamente melhorei o meu conhecimento da língua e comecei a perceber o que falavam. Andei no Curso Profissional de Turismo e tive muitas disciplinas e aulas. Acho que foi uma vantagem, porque assim ficava muito tempo junto com os meus colegas, pude conhecê-los e estava pouco tempo sozinho em casa. Gostei também de ter disciplinas diferentes das que tinha na Alemanha, podendo assim aprender coisas que não aprendia lá. Na escola, tanto os professores como os alunos foram sempre muito abertos e interessados em mim. Além da escola, ia quatro vezes por semana com dois dos meus ” irmãos” ao taekwondo. Antes nunca tinha praticado uma arte marcial, mas gostei imenso e continuo aqui, na Alemanha, a fazer Taekwondo. Gostei muito do espírito do taekwondo que ensina a ter respeito ao professor e aos

outros alunos e a ter disciplina. O grupo era uma família na qual me sentia sempre muito bem recebido. Nos fins de semana, combinava com os meus colegas e íamos almoçar juntos, passear pela Baixa, a um shopping ou ao cinema. Gostei muito de conhecer diferentes partes e monumentos da cidade, mas também de outras cidades que visitei com a minha família e a minha conselheira AFS. Outro aspeto muito giro foi o contacto com os outros exchangees AFS que estavam no Porto e com os quais passei muito tempo nos fins de semana. Nós dávamo-nos todos muito bem porque tínhamos interesses mas também problemas parecidos, vivendo todos um ano fora do nosso país. É muito interessante ver estes jovens de diferentes culturas e países encontrarem-se e criarem assim um "grupo internacional”. Na minha opinião, isso é que é o espírito AFS. O Clube Europeu da minha escola organizou um Dia da Alemanha, com diferentes projetos, como um workshop de fazer bolachas alemãs, um quiz sobre o país, uma apresentação minha sobre o meu intercâmbio e até a comida da cantina, nesse dia, foi uma especialidade da minha região. Muito obrigado Clube Europeu e Professora Paula Magalhães por tudo! No último dia de escola em Portugal, a minha diretora de turma perguntou-me o que ia levar de Portugal para a Alemanha. Eu respondi que ia levar uma nova língua, o saber que tenho, amigos e uma família em Portugal, muitas experiências, uma outra cultura, outras cidades, um outro desporto e amigos novos. Além disso, disse que aprendi muitas coisas novas seja na escola (por exemplo aprendi dançar cha-cha-cha) ou seja coisas da vida ou de mim próprio. Já estou com muita vontade de visitar Portugal que, agora, já é uma parte de mim. Obrigado a todos que fizeram parte da minha experiência AFS (a minha família de acolhimento, a minha conselheira AFS e a família dela, os meus amigos e professores da escola, a família do taekwondo e os AFSers que encontrei em Portugal, mas também já na Alemanha e, claro, à AFS).


O legado de Darwin

Fotos do trabalho (tela) que os alunos de Desenho A do 10º J da Escola Secundária Aurélia de Sousa, conceberam e realizaram para a exposição Darwin, 2015, Tela em Madeira , Tinta Acrílica e Pastel de óleo, 140 cm x 86 cm da evolução da espécie humana, partiu-se de uma fotografia de alguns dos alunos da turma, tornando o trabalho mais personalizado, envolvendo os estudantes de uma forma entusiasmante no projeto, já que eles próprios estão representados na sua obra. Os alunos desta turma, bem como de outra turma de Ciências - onde a Professora Xana Sá Pinto da Faculdade de Ciências fez a sua apresentação sobre Darwin no final do 1º período, foram ao Palácio de Cristal, no dia 12 de fevereiro, assistir a uma palestra e à inauguração da Exposição sobre Darwin, onde também participaram.

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Alunos do 10ºJ - prof. António Carvalhal

N

esta produção a tinta acrílica e a pastel de óleo, a turma de Desenho A da Escola Secundária Aurélia de Sousa, no Porto, tentou fazer uma composição original e criativa da Teoria da Evolução apresentada por Charles Darwin, no âmbito da celebração daquilo que seria o seu 204º aniversário. Na obra, ao invés da típica representação


O legado de Darwin

Adaptado de Ribeiro, Lincoln Almir Amarante. "Um tratamento quantitativo para a classificação das línguas Indo-Européias." DELTA 22.2 (2006): 329-344.

A turma é o 11º C e os alunos presentes na fotografia são: Ana Rita Barros, Cláudia Mamede, João Paulo Nunes, João Paulo Martins.

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A cladogénese corresponde a um processo evolutivo que gera ramificações nas linhagens de organismos ao longo da sua história evolutiva. As novas espécies formam-se por irradiação adaptativa, isto é, a partir de grupos que se isolam da população original e se adaptam a diferentes regiões. Depois de longo tempo de isolamento, estas populações originam novas espécies.

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Desde a época de Darwin (1871) que se acredita que a evolução das línguas e das espécies ocorre de maneira paralela e que esse processo se desenvolve de modo gradual. De facto, processos biológicos fundamentais da evolução como, por exemplo, a cladogénese, a seleção, a flutuação aleatória e a mutação têm análogos linguísticos. Isto é, assim como as espécies estão sujeitas à seleção natural, as línguas estão sujeitas à seleção social. Os processos de flutuação aleatória e de mutação atuam nas unidades lexicais da mesma maneira que nos genes. E, o que é ainda mais importante, tal como as linhagens biológicas, também as línguas se separam e divergem em árvores de famílias. Assim, acredita-se que as línguas possam ser descritas por uma estrutura evolucionária hierárquica na forma de uma árvore, ou seja uma representação gráfica da evolução do grupo de línguas a partir do ancestral comum mais próximo1. Este trabalho tem por objetivo tornar mais claro a relação de parentesco entre as línguas indo-europeias, dando especial atenção ao ramo Itálico (no qual se encontra o Português) e ao ramo Germânico (ao qual pertence o Inglês, uma das línguas francas do século XXI). Através de um modelo tridimensional que documenta de uma forma simplificada e apelativa a história da palavra, esperamos mostrar que os contributos de Darwin, a quem esta exposição é dedicada, se estendem muito para além do domínio das ciências naturais.  Alunos do 11ºC - profª Ana Amaro


desporto

Projeto “Aulas fora de portas...” Nos últimos anos, várias instituições da cidade têm colaborado gratuitamente, ou a um preço especial, com o grupo de educação. física da ESAS, proporcionando aos nossos alunos experiências desportivas que têm contribuído para enriquecer o seu alfabeto motor e, não menos importante, para passar momentos de convívio que ficarão guardados na memória de todos. Não poderíamos deixar de realçar a fantástica colaboração do Clube de Judo do Porto, em particular do Mestre Rui Teixeira, pela sempre pronta disponibilidade para nos receber ou para se deslocar à nossa escola. Para além do registo fotográfico, fica a lista de todos os que nos têm aberto as suas portas, a maior parte gratuitamente. A todos, o nosso muito obrigado! JUDO: Clube de Judo do Porto – Rua Alves da Veiga; ESGRIMA: Sport Club do Porto (Rua de St Catarina); NATAÇÃO: Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (Rua Roberto Frias); ESCALADA: Gabinete de apoio ao desporto universitário da Universidade do Porto – escalada na parede da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto; EQUITAÇÃO: Escola de Equitação do Quartel do Carmo; SURF: Escola de Surf Onda Pura (pagamento especial para grupos escolares).

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Texto de Catarina Cachapuz (profª educação física)


dança contemporânea

Inspiração para o trabalho coreográfico Arte Cultura Islão Tolerância Diferença Multiculturalismo Liberdade Em outubro de 2014, ficamos entusiasmados com a obra gráfica e escultórica de Monir Shahroudy Farmanfarmaian que visitamos no Museu de Arte Contemporânea de Serralves. Monir é árabe: nasceu no Irão em 1924, viveu entre este país e os Estados Unidos e só aos 80 anos foi internacionalmente reconhecida como artista plástica. A sua obra alia as tradições estéticas da arquitetura e da decoração islâmicas à arte ocidental. Foi nela que nos inspiramos para realizar este trabalho coreográfico. Escolhemos Monir porque quisemos ouvir notícias sobre o mundo árabe que não tivessem como pano de fundo o horror. Porque nos recusamos a embarcar na islamofobia. Porque queremos conhecer o desconhecido. Porque gostamos da diferença. Porque os cinco sentidos, representados nos pentágonos de Monir, devem ser usados para absorver o

tirania, a desonestidade e a estupidez. Damos voz às pala-

mundo e não para o derrubar.

vras de Nelson Mandela quando afirmava que a liberdade é

Em janeiro de 2015, um brutal atentado em Paris revelou o

indivisível!

horror à Liberdade de um grupo de fanáticos. Foram vários

A 27 de janeiro último, na cerimónia que assinalou o septuagésimo aniversário da libertação do campo de concentração

os muçulmanos que gritaram “EM NOSSO NOME NÃO”, tamos que a promoção do pluralismo, da tolerância e dos

de Auschwitz, um dos poucos sobreviventes declarou que é indispensável “educar as novas gerações para o respeito e a

direitos humanos têm de incluir a oposição a todas as formas

tolerância; ensinar que o ódio nunca está certo e o amor

de discriminação e de racismo. Acreditamos que a arte da

nunca está errado”. 

pedindo para que não se misture islão e extremismo. Acredi-

sátira foi desde sempre uma força da liberdade contra a

Grupo de Dança Contemporânea da Aurélia de Sousa

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Fotos: em cima - Construção de adereços; em baixo - Atuação do grupo na Esc. Sec. do Campo - Valongo


desporto escolar Basquetebol No passado dia 17 de janeiro, uma comitiva da Escola Secundária Aurélia de Sousa deslocou-se até à EBS Cerco do Porto para participar no Campeonato Escolar 3x3 de Basquetebol. Presentes em 3 escalões masculinos (Iniciados, Juvenis e Juniores), os nossos alunos tiveram uma manhã intensa, realizando 4 jogos com equipas de outras escolas da zona do Grande Porto. Destaque para a equipa de Juniores Masculinos, composta pelo Diogo Andrade, Joaquim Leite e Serafim Moura, que venceram a competição, tendo ficado apurados para disputar a Fase Regional.

AcroEsas No dia 7 de fevereiro, realizou-se na escola Almeida Garrett mais um encontro de ginástica acrobática. As alunas da escola Aurélia de Sousa participaram na competição e alcançaram o pódio. A escola concorreu nas seguintes categorias: par feminino nível 3, par feminino nível 2 e trio feminino nível 2. Este ano realizar-se-ão ainda dois encontros, em março e abril, que ditarão as pontuações finais mas, de qualquer forma, a ESAS está de parabéns.

Foto: grupo de alunas que praticam acrobática com a profª responsável, Luísa Paula e o profº convidado, Lourenço França . Em cima: Francisca Paixão, Sofia Paixão e Luísa. Em baixo, Alexandra, Margarida, Inês, e Ana Catarina.

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Texto do prof. Eurico, educação física

Texto de Francisca Paixão, 8ºC

Grupo de alunos que pratica “Tiro com arco”, com a professora, Fátima Sarmento


visita de estudo

Porto Liberal

dianamente, se movimentam alheios à sua riqueza cultural, patrimonial e histórica. Foi ainda possível relembrar os no-

tiveram a oportunidade de contactar com as vi-

mes dos Bravos do Mindelo, entre os quais se destacou Al-

vências históricas da cidade do Porto, através de uma visita

meida Garrett, cuja casa de nascimento foi também observa-

de estudo dinamizada pelos professores de história e de

da neste percurso urbano. A caminhada levou-os ao Mira-

português. A propósito do estudo das Invasões Francesas, das Lutas Liberais e do Romantismo, os alunos passearam

douro da Bataria da Vitória, local estratégico das linhas defensivas liberais, onde foi possível conferir os vestígios ar-

pelas ruas da Invicta, verificando os vestígios toponímicos que o Cerco do Porto deixou como herança, para que não

queológicos dos ferozes ataques miguelistas vindos de Vila Nova de Gaia, usufruindo, em simultâneo, de uma das vistas

esqueçamos os sacrifícios impostos aos nossos antepassados

mais privilegiadas da cidade. A caminhada terminou junto da

portuenses pela defesa dos ideais liberais. Para além da Igre-

estátua equestre de D. Pedro IV, na Praça da Liberdade.

ja da Lapa, onde se encontra o coração de D. Pedro IV, o Rei Soldado, como legado romântico de um Imperador eter-

Para além do contacto com a memória histórica da cidade, alunos e professores partilharam conhecimentos, num sau-

namente grato à resiliência e ao espírito de sacrifício de uma

dável ambiente de convívio e informalidade a repetir em

cidade capaz de rejeitar o absolutismo de D. Miguel, os alu-

futuras visitas.

nos visitaram outros locais icónicos, contactando com a história e a cultura vivas num espaço familiar, por onde, quoti-

Texto e fotos de Carmo Oliveira (profª de português)

15 l Jornalesas l março 2015 l XLl

N

o dia 28 de janeiro, as turmas E e G, do 11.º ano,


visita de estudo

O Porto do futuro?

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V

oltamos a marcar encontro com Álvaro Domingues, geógrafo, professor da faculdade de arquitetura e investigador, mas, desta vez, tivemos uma aula no exterior. Começamos por olhar a paisagem envolvente do estádio do Dragão, nas Antas, e surpreendemo-nos ao descobrir o efeito que este projeto urbano está a ter sobre a organização do espaço geográfico da zona oriental da cidade. Este território funcionou como uma espécie de back office da cidade, dado que foi sendo ocupado ao longo dos tempos pelas atividades “indesejáveis”, o matadouro, o mercado abastecedor, e sobre ele recai um certo estigma. Desde sempre, foi a zona ocidental da cidade a mais bafejada pelos investimentos. Tudo que se fazia de bom, acontecia em direção à foz do rio Douro e ao mar. Ora, este novo projeto de urbanização que procura contrariar essa tendência, pelos valores que simboliza e pela sua excecional qualidade arquitetónica e de ordenamento espacial, tornou-se, ele mesmo, um polo de atração turística. A partir do mirante pode-se disfrutar uma paisagem “híbrida”, onde não falta uma complexa rede de “próteses”. Álvaro Domingues utiliza esta terminologia para aludir a um espaço onde a cidade se contaminou de campo e o campo de cidade e as “próteses” são as infraestruturas que suportam a vida urbana tais como as redes viárias, de distribuição de energia, água, saneamento. A parafernália tecnológica e os sistemas em rede, sejam aéreos, subterrâneos ou virtuais,

explodem pelo território rumo à “urbaneidade”. Ficamos a saber que a intermodalidade foi contemplada nas funcionalidades do projeto, pois o estádio dispõe do sistema “park and ride” onde o visitante pode estacionar o seu automóvel e seguir de metro. Há muitos que utilizam o espaço público exterior do estádio como “pista” onde, principalmente com tempo quente, os portuenses aproveitam para caminhar ou fazer jogging e desfrutar de uma vista panorâmica. Assumindo o papel de nosso cicerone, o Dr. Álvaro levounos até ao Jardim do Morro em Vila Nova de Gaia e, a partir da belíssima perspetiva que daí temos sobre a cidade do Porto, falou-nos do turismo e apelidou-o de “máquina de fazer cidade”. Do passado até ao presente, percorremos memórias e acontecimentos dos lugares, desde a valorização do rio Douro, como o porto do Porto, até à deslocalização para Leixões, a cidade mercantil, a cidade industrial, a importância do caminho-de-ferro e das pontes.

No Jardim do Morro, em Vila Nova de Gaia, os alunos das turmas, F, G e I do 11ºano, com Álvaro Domingues, na 1ºlinha e os professores: Mariana Batouxas (geo), Isabel Trigo,(geo) Julieta Viegas (geo), António Catarino (história) e Carmo Oliveira (português).


visita de estudo Hoje está em curso um processo de estetização da cidade que aos poucos a transforma numa espécie de Disneylândia, rumo à cidade espectáculo, em que a requalificação tem lugar em larga escala. Esta orientação teve a ver com inúmeras decisões autárquicas, a partir do Porto 2001, em que fomos Capital Europeia da Cultura e cativamos financiamentos, projetos grandiosos e a atenção do país. Claro que a renovação do aeroporto de Sá Carneiro com a valência das viagens lowcost tem contribuído para a projeção e visibilidade da nossa cidade.

Somos, de acordo com os padrões europeus, também uma cidade low-cost. Alguém disse um dia ”aprender é um dos maiores prazeres da vida”. Esta atividade foi dinamizada pelas professoras de Geografia A, que lecionam o 11ºano e insere-se na temática relativa aos espaços urbanos.  Alunos das turmas G, F e I de 11ºano e profªs de Geografia

lugardaciencia@ae-aureliadesousa.com

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Na foto : Álvaro Domingues, descrevendo a paisagem a partir do Estádio do Dragão l foto de profª Carmo Oliveira


visita de estudo

“Cedofeita à Janela”

O

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nome da rua está associado à construção da igreja de São Martinho, cuja fundação se pensa remontar ao século VI e porque teria sido “cedo feita”, derivando em Cedofeita.. A abertura da rua de Cedofeita acontece em 1762, integrada num vasto plano de renovação urbanística posto em prática por João de Almada e Melo. O plano teria como objetivo ligar a zona portuária ribeirinha com a alta da cidade, através da "regularização e criação de eixos de escoamento”. Entre as vias mais importantes encontrava-se a então denominada "rua da Estrada", que seguia para Vila do Conde, hoje rua de Cedofeita. A urbanização da rua, durante os séculos XVIII e XIX, foi trabalho do arquiteto e urbanista portuense Teodoro Maldonado e contou também com o envolvimento de outros burgueses da época, entre os quais Francisco António Ribeiro, cujas iniciais FAR ainda se podem encontrar em ferro forjado, nas bandeiras das janelas e varandas dos edifícios que resistiram até aos dias de hoje. Ao longo do percurso, entre o topo da

rua a este (E) fechado por uma enorme Araucária no horizonte e a Torre dos Clérigos a oeste (W), observamos uma certa homogeneidade arquitetónica dos edifícios, com varandas de sacada, algumas marquises do séc XIX, janelas em guilhotina, os batentes de porta e uma enorme variedade de azulejos biselados nas fachadas dos edifícios. Num dos prédios, com loja comercial no rés-do-chão, pudemos apreciar a beleza do mosaico hidráulico do “hall” de entrada. Na rua de Cedofeita há diversos edifícios classificados pelo IGESPAR, entre os quais tivemos oportunidade de reconhecer aquele em que teria vivido Carolina Michaëlis e o que acolheu D. Pedro, durante o Cerco do Porto. Já na praça Carlos Alberto visitamos o espólio do Banco de Materiais, onde é possível encontrar elementos artísticos dos revestimentos exteriores dos imoveis “em vias de extinção”, como azulejos, estuques interiores, batentes de porta, algumas fotos de clarabóias antigas. Por fim, tivemos ocasião de apreciar o quiosque desenhado pelo arquiteto Siza Vieira, instalado entre o edifício do

Banco de Materiais e o Palácio dos Viscondes de Balsemão. A partir deste passeio ao longo da rua de Cedofeita, já nada nos é indiferente na sua arquitetura, tudo passou a ter significado. A conversa prolongou-se e houve quem questionasse a importância de associações voluntárias que defendam o património da cidade e se envolvam na recuperação urbana com base no interesse coletivo. O futuro da nossa cidade passará por muitas das escolhas que hoje tomarmos. Esta visita foi orientada pelo responsável do Concurso Descobre Outra Cidade, Dr. Luís Pisco e pelo Arqº Sousa Rio, no âmbito do Departamento de Educação da Câmara Municipal do Porto, destinada a alunos da turma F do 11ºano, a partir da divulgação feita pela professora de geografia, Mariana Batouxas.

Alunos do 11ºF ESAS, 24 de fevereiro Fotos de Catarina (11ºF) e de Julieta Viegas (profª de geografia)


viagem

Os alunos da ESAS em Londres

Parliament, London Dungeon, Buckingham Palace, Hyde Park, Piccadilly Circus, Hamley’s, M&M's store, Hard Rock Cafe, Tower Bridge. Para nos deslocarmos utilizamos, essencialmente, o autocarro e metro. O alojamento foi razoável, assim como as respetivas refeições. Do meu ponto de vista, foi uma viagem muito bem estruturada e planeada pelas professoras acompanhantes e pela agência de viagens. Foi, de facto, uma experiência a repetir, pois a alegria, a diversão, a responsabilidade e o bom humor das professoras foi

contagiante. Pode-se dizer que a viagem superou as minhas expectativas, aliás as de todos os que estiveram comigo nesta visita de estudo. Londres é uma cidade maravilhosa. Cada local, cada espaço, cada monumento e cada pessoa transmitem o que esta realmente é, majestosa. Recomendo que visitem esta cidade e, se tiveram oportunidade, vão com a ESAS, pois não há melhor do que se ir com pessoas que realmente se gosta e conhece. Texto de João Gonçalves, 9ºE Foto de Miguel Leão, 9ºF Na foto os alunos (9ºE, 9ºF, 10º I, 11ºA e 11ºG.) com as professoras de ingles: Fátima Van Zeller, Graça Martins e Paula Magalhães.

Bombardeamento alemão a Estalinegrado em agosto de 1942

Imagem retirada do filme Dr. Strangelove, de Stanley Kubrik. realizado em 1964 e protagonizado por Peter Sellers

Ver texto pág.23

Ver texto pág.23

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o âmbito da disciplina de Inglês, alguns alunos do ensino básico e secundário da nossa escola viajaram até Londres, durante a interrupção letiva do Carnaval, para conhecer os locais mais emblemáticos e importantes dessa cidade. Visitamos Covent Garden, London Eye, Big Ben, Houses of


conferência

O Douro e o Vinho

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O solo no Douro não existe. Encontramos um amontoado de calhaus, dominantemente de xisto, que podemos partir para obter o solo. Antigamente fazia-se esse trabalho com pá e picareta.

Um jovem enólogo que trabalha com os vinhos da região do Douro, o Dr. José Luís Moreira da Silva, veio à ESAS, a convite das professoras de geografia, falar das particularidades da região vinícola mais importante do nosso país, a região Duriense. A importância dos fatores naturais tais como o relevo acidentado, com vertentes expostas ao sol, um solo xistoso e um microclima com alguma aridez, moldaram e moldam as uvas e as vinhas. Por outro lado, a determinação de Marquês de Pombal, com a regulamentação e controlo da produção do vinho no Douro, foi fundamental na defesa da qualidade do vinho do Porto, pois ele fez a demarcação mais antiga do mundo de uma região de vinhos. Na história do Douro e do vinho, há também uma personagem feminina, a mítica D. Antónia Adelaide Ferreira, a “Ferreirinha”, um importante símbolo de empreendedorismo, mas também de altruísmo e de generosidade. Na época, para uma mulher, assumir os negócios de uma empresa não era fácil, mas o destino dotou-a de uma energia excecional e de um raro talento comercial, tendo conseguido dar um grande impulso à viticultura no Douro e desenvolver uma notória atividade de assistência

social na região. Na atualidade, o trabalho é garantido por máquinas que cuidam do solo e a maturação das uvas é acompanhada por técnicos especializados. Nada é ao acaso. Os lagares da nossa memória, em que eram os homens a pisar as uvas, já não existem. Ocupam o seu lugar aparelhos sofisticados que monitorizam pormenorizadamente cada etapa da transformação da uva em vinho. E, assim, somando pontos através dos tempos, chegamos à atualidade onde a aliança entre a tecnologia, a ciência e o profissionalismo garantem a excelência dos vinhos do Douro e o crescimento do enoturismo. Claro que, na promoção dos vinhos e da região Duriense, tem um papel importante a melhoria das acessibilidades que permitem valorizar esta paisagem única reconhecida pela sua beleza – classificada pela Unesco - Douro Património Mundial.

Auditório da ESAS, 15 de dezembro Alunos das turmas 10º K , 11º H e 11º I

Douro – região demarcada de vinhos mais antiga do mundo


geografia

A população em movimento A população mundial está espalhada pelo mundo de forma irregular e existem, por isso, locais muito povoados e outros quase desertos.

casos, uma vez que possui uma percentagem de imigrantes, em relação à população nacional, de 100%. Ou seja, todos os habitantes do Vaticano são imigrantes. Os países com grande percentagem de emigrantes têm problemas como falta de mão-de-obra e envelhecimento da população, mas os países com um elevado número de imigrantes também os têm, como o excesso de população e a formação de bairros de lata na periferia das cidades. As grandes metrópoles estão principalmente localizadas no

Claro que as migrações não têm apenas um impacto negati-

hemisfério norte, sendo que o local com a maior densidade

vo, também aumentam as receitas dos Estados, as taxas de

populacional é Macau, na China.

natalidade , a difusão de culturas.

A população mundial está, no entanto, em constante movimento e as migrações são uma realidade bem presente no

Concluindo, as migrações fazem parte do nosso dia-a-dia e

mundo atual. Estas movimentações podem ter diversos mo-

têm um papel importante na dinâmica das populações, de-

tivos e têm um grande impacto nas cidades.

monstrando a incessante busca do ser humano por melho-

Existem territórios, como por exemplo Andorra (Europa) ou

res condições de vida.

Catar (Ásia Oriental), cuja população nacional é formada

Texto de Francisca Paixão, 8ºC

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maioritariamente por imigrantes. O Vaticano é outro desses


conferência

Redes sociais na era da comunicação Esta conferência realizada no passado dia 24 de fevereiro, no Auditório da Escola secundária/3 Aurélia de Sousa, insere-se num Ciclo de conferências subordinado à temática das redes sociais. O convidado foi o Dr. Amílcar Correia, diretor do P3, que se debruçou sob a necessidade imediata das empresas evoluírem de acordo com os novos moldes da sociedade e do público mais jovem, dominando a circulação da informação a nível digital e instantâneo. Assim, numa era em que a própria televisão começa a ser destronada pelas mais recentes tecnologias da informação e comunicação, a necessidade de se adotar novos padrões de marketing torna-se crucial para que qualquer empresa sobreviva no mundo de negócios, podendo mesmo começar a surgir novas profissões, tais como a de "gestor de redes sociais. Texto de Hélder Cardinalli, 12ºF

22l Jornalesas l março 2015 l XLl

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Artigos de Papelaria e escritório


história

75 anos do início da II Guerra Mundial: o horror programado

O virar da guerra Na frente leste, os nazis tomavam a iniciativa e conquistavam cada vez mais território soviético mas, com a batalha de Estalinegrado, o cenário

mudou e foi o início da reviravolta dos países Aliados. Este cerco simbólico ainda hoje para o povo russo teve início a 17 de Julho de 1942, constituiu a maior derrota alemã na 2ª grande guerra, onde morreram mais de 1 milhão de soldados nazis. A vitória da União Soviética nesta batalha deu novo fôlego às tropas aliadas que começaram a reconquistar território do império nazi. No ano de 1943, Benito Mussolini foi deposto pelo Grande Conselho do Fascismo, motivado pela invasão aliada. Logo depois de preso, Mussolini foi resgatado da prisão no Gran Sasso por forças especiais alemãs. Após o resgate, Mussolini chefiou a República Social Italiana, a moribunda República de Saló, no norte de Itália, zona que não tinha sido ocupada pelas forças aliadas. O dia 6 de Junho de 1944 ficou conhecido como o Dia D. Neste dia as tropas aliadas desembarcaram na Normandia para libertar a França, ocupada pelos alemães, e o fim da guerra e a vitória dos Aliados pareciam estar próximas. As forças aliadas conquistavam cada vez mais território ao Império Nazi. Em Julho de 1944 a União Soviética libertou Minsk. No dia 20 de Julho desse ano, ocorreu o maior atentado contra Hitler: um general alemão descontente com o andamento da guerra colocou uma bomba debaixo da mesa do chefe nazi. Apesar de terem morrido quatro oficiais e do Führer ter sofrido apenas alguns ferimentos, este não morreu e convenceu-se que não tinha morrido porque a sua missão na Terra era ganhar a guerra. O mês de Agosto foi um mês de conquistas para as tropas Aliadas. A 4 de Agosto de 1944, os Aliados libertaram Florença, a Operação Bagration destruiu quase todo o exército vital nazi. A 25 de Agosto, a cidade de Paris é libertada e, no dia 28, as cidades de Marselha e Toulon. No dia 30 desse mês a Alemanha abandonou a Bulgária. A 14 de Outubro de 1944 os Aliados libertaram Atenas. Em Novembro de 1944 Heirich Himmler, Ministro do Interior do Terceiro Reich e supervisor de vários campos de concentração, ordenou a destruição dos crematórios de Auschwitz e de Stutthof. Este foi um claro sinal de que o Império Nazi estava em queda. Purple Rain: a «aurora» atómica Entretanto, no Pacífico os japoneses abandonaram a costa chinesa e iniciou-se a Batalha de Iwo Jima entre os Estados Unidos da América e o Japão, que acabou com uma vitória do lado americano que assim recuperava os campos aéreos da ilha de Iwo Jima. Em abril, as tropas americanas invadem Okinawa , no Japão.Em março os Aliados começam a atacar Berlim, o Exército Vermelho entra na Áustria e forças

soviéticas capturaram Danzig. As tropas aliadas começaram a libertar campos de concentração espalhados pela Europa. No mês de Abril os Aliados capturam Nuremberga e os soviéticos entram em Berlim. O fim de Hitler Adolf Hitler, vendo que a derrota se aproximava, suicida-se, juntamente com a sua mulher Eva Braun. Karl Dönitz é, segundo o testamento do Führer, o seu sucessor. No dia seguinte a morte de Hitler é anunciada pela rádio de Hamburgo e em Berlim o Ministro de Propaganda do Reich, Joseph Goebbels, suicida-se depois de matar mulher e os quatro filhos. A 7 de Maio de 1945 Alfred Jodl, chefe do Alto Comando da Wehrmacht, assinou a rendição incondicional da Alemanha, levando à libertação dos poucos campos de concentração que ainda permaneciam ativos. No dia 20 de Junho, Schiermonnikoog, uma ilha holandesa é a última zona da Europa libertada pelos Aliados e a 26 desse mês é assinada, por mais de 50 países, a Carta das Nações Unidas. Hiroxima e Nagasáqui No entanto a guerra ainda não havia terminado no Pacífico e, no dia 6 de Agosto de 1945, os Estados Unidos lançaram a primeira bomba atómica em Hiroxima e três dias depois lançaram outra em Nagasáqui. Estas duas bombas atómicas causaram cerca de 250 000 mortos diretos. A rendição do Japão que foi assinada a 2 de Setembro de 1945 e marca o fim da 2ª Guerra Mundial. Nuremberga O partido nazi foi declarado ilegal e os generais e ministros alemães foram julgados por crimes de guerra no Julgamento de Nuremberga, cidade símbolo do nazismo, visto que foi aí que se deu o I Congresso do NDASP. Qualquer balanço torna-se impossível de fazer face ao horror A 2ª Guerra foi o maior e mais violento confronto que o ser jamais viu. Marcou uma geração e marcará para sempre todo o Mundo pelos crimes que se cometeram nos campos de concentração onde foram mortos mais de 6 milhões de judeus e outros milhões de várias etnias e opositores políticos, pelas bombas atómicas lançadas, por cidades destruídas, pela fome que os nossos avós e bisavós passaram, pelas perseguições a judeus, ciganos e negros. Cremos que não voltará a acontecer outra guerra tão violenta como esta, que serviu para mostrar ao Mundo o que o ser humano consegue fazer a si próprio. Vamos acabar com todas as guerras e viver em paz porque nunca se sabe o que pode vir a acontecer.

Texto de Bernardo Sarmento, 11ºG

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O princípio do pesadelo O ano de 2014 assinala os 75 anos do início da 2ª Guerra Mundial, a maior catástrofe alguma vez vista na história da humanidade. Envolveu 72 países direta ou indiretamente , matou cerca de 60 milhões de pessoas, dizimou cidades, teve custos materiais difíceis de calcular, deixou milhares de mutilados e incapacitados e deixará marcas na Humanidade para sempre. Muitos historiadores dizem que a 2ª Guerra Mundial foi a continuação da 1ª e que, por consequência, houve uma Guerra Civil europeia entre 1914-1945. É verdade que uma das causas para a invasão da Polónia pela Alemanha, invasão essa que marca o início da Guerra, foram as restrições do Tratado de Versalhes, assinado em 1919, que impedia a Alemanha de reforçar o seu exército e obrigava o governo a devolver territórios que outrora tinham pertencido a outros países, como a Alsácia-Lorena para a França, Hlučínsko para a Checoslováquia e Danzig para a Polónia. Ora, é exatamente por causa de Danzig que a Alemanha invadiu a Polónia, no dia 1 de Setembro de 1939, que deu início a uma guerra que só acabaria 6 anos depois. O estalar do conflito A guerra opôs as chamadas Potências do Eixo, que tinham assinado o pacto tripartido de ideais fascistas e de extrema direita, que era Itália (ocupada e derrotada pelos americanos em 1943), liderada por Benito Mussolini, a Alemanha comandada por Adolf Hitler e o Japão governado pelo Imperador Hirohito; e os Aliados onde predominavam as potências ocidentais, como a França, Reino Unido, União Soviética e Estados Unidos que, como se pode notar, os seus governos tinham opções políticas muito díspares. Nos primeiros anos de guerra as Potências do Eixo começaram por ganhar vantagem com os avanços da Alemanha (a Blitzkrieg) para leste e norte, observa-se a supremacia do Japão na guerra da Indochina e ganhos da Itália contra os etíopes. Na manhã de 7 de Dezembro de 1941, a Marinha Imperial Japonesa atacou a base de Pearl Harbor com o intuito de enfraquecer a marinha e a força aérea americanas. Poucas horas depois, os japoneses começaram a atacar Hong Kong e as Filipinas. A 8 de Dezembro de 1941, o congresso norteamericano declarou guerra ao Japão e, quatro dias depois, Hitler respondeu fazendo o mesmo aos Estados Unidos. Assim, os Estados Unidos reforçaram os Aliados, que já haviam pedido reforços.


livros

A Incrível viagem do faquir que ficou fechado num armário IKEA de Romain Puértolas

Conta as aventuras hilariantes de Ajatashatru Larash Patel, um faquir de profissão, de nacionalidade indiana que viajou para Paris com o pretexto de comprar uma cama de pregos que se encontrava em promoção na loja IKEA. Terá de se esconder num armário da loja, acabando, assim, sem se dar conta, por embarcar numa aventura hilariante e surpreendente ao redor do mundo. Será um percurso cheio de perigos e perseguições, peripécias e situações caricatas dos quais, por mais surpreendentes que sejam, quase sempre, de alguma forma, se acaba por desenvencilhar. Para além disso, são também as reviravoltas da viagem, as situações inesperadas e as personagens que vai conhecendo e com quem vai conviver posteriormente, que tornam a leitura cada vez mais interessante e que transformarão o faquir num homem mais consciente, honesto e mais próximo afetivamente, e agora com um novo objetivo de vida. A incrível viagem do faquir que ficou fechado num armário Ikea é um livro leve e de fácil leitura, acompanhado pelo próprio humor do autor, que brinca ao longo da história com os mais diversos assuntos e com o próprio nome do protagonista, por este ser um pouco complexo e de difícil pronúncia. Ao mesmo tempo, também nos ajuda a refletir sobre alguns problemas e realidades cada vez mais presentes na sociedade atual, como o tratamento recebido pelos emigrantes clandestinos, e como estes são encarados nos países europeus e mais desenvolvidos e o grande impacto que provocam quer a nível económico quer a nível cultural ou social, entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Texto de Jéssica Leite, 9ºD.

O véu pintado

de Somerset Maugham

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Na minha opinião, é um livro que apela a todos os nossos sentimentos e os analisa, e não perde actualidade, embora remonte a uma época passada, em que a mentalidade coletiva era profundamente retrógrada. O romance coloca, em grande parte, o problema da condição feminina. A protagonista, Kitty, é uma jovem fútil que se vê na obrigação de casar para ocupar um lugar na sociedade e por pressões da família. Contrariamente ao marido, o bacteriologista Dr. Fane, que é perdidamente apaixonado por ela e também pela sua atividade profissional, Kitty vive entediada e é incapaz de corresponder aos seus sentimentos. Confrontado com a traição da esposa, Walter Fane leva Kitty para um cenário exótico, mas é afetado por uma epidemia, o que assume os contornos de uma punição e pode pôr em risco a vida de ambos. Kitty vai sendo moldada ao longo da história pelas situações que se lhe apresentam, mas conseguirá ela aprender a amar o homem com quem se casou? Ou melhor, conseguirão eles sobreviver?  Texto de Ana Filipa Ramalho, 9ºC


livros

Todas as Cores do Vento de Miguel Miranda Miguel Miranda, autor de Todas as Cores do Vento, nasceu no Porto, em 1956. Venceu o Grande Prémio do Conto da APE em 1996, com o livro Contos à Moda do Porto. Em 2002, recebeu a medalha de ouro de mérito cultural e científico do município de Vila Nova de Gaia. Todas as Cores do Vento centra-se na vida quotidiana de Herberto Brum, descendente ilegítimo de Brás Cubas, que era um homem muito rico e possuidor de grandes propriedades, mas que o sujeitava a grandes constrangimentos para se dispor a prover ao seu sustento. A ação decorre num prédio habitado por um judeu ortodoxo, uma mulher agnóstica, um palestiniano, uma testemunha de Jeová e um gato (curiosamente, o ser mais racional e esclarecido de todos quantos ali moravam). Logo aqui, por esta mistura explosiva de crenças religiosas e pela superioridade do felino em relação aos humanos, revela uma certa ironia. Toda a gente vive isolada na sua “masmorra”, exceto o gato, que circula de casa em casa, recebendo mimos e petiscos e ouvindo confidências. Por vezes, é ele próprio que arranja sarilhos, provocando a confusão característica daquele prédio e desentendimentos entre os vizinhos, incapazes como eram de se compreender uns aos outros e de descobrir a origem dos incidentes. A obra revela a genialidade crítica do autor que, de uma forma propositadamente irónica, denuncia pontos fracos da sociedade em que vivemos mas em que cada vez menos nos conhecemos.  Pedro Laranjeira, 9ºD

A História de Catherine Catherine era uma rapariga que, tal como o seu pai, usava óculos e, tal como a sua mãe, gostaria de vir a ser uma grande bailarina. Então, ela dizia que vivia em dois mundos: o mundo real, assim como ela o via quando tinha os óculos, e um mundo pleno de doçura, vago e suave, quando os tirava. Ela vivia com o seu pai, com o qual tinha uma forte relação de cumplicidade, em cima de um armazém, em França, enquanto que a sua mãe vivia na América. Quase todos os dias, eles recebiam o Sr. Casterade na sua casa. Era um senhor muito aborrecido, que só provocava desânimo e tédio em seu redor. Esta história é contada pela própria Catherine, quando ela já é mais velha. O que esta história nos quer transmitir é que nós devemos aproveitar todas as circunstâncias da vida, como Catherine fez, ou seja, quando ela estava com os óculos, via o mundo como ele era e, quando ela não estava, dizia que estava num mundo pleno de doçura, o que acabava por ser uma crítica ao mundo real e uma forma de tirar partido de um problema de visão. Texto de Rui Andrade, 7º C

25 l Jornalesas l março 2015 l XLl

de Patrick Modiano


dia dos namorados O sorriso da Lua Oh, meu amor… Como vivemos tão cegamente Como pensamos saber tanto de nós próprios E como sabemos tão pouco dos que nos rodeiam Mas densa é a névoa que nos separa.

Jornalesas

Oh, lua… Música dos apaixonados, Paris dos sonhadores, Pena dos amantes. Debaixo da mesma lua, olhamos a noite E a brisa… Essa leva consigo os sonhos e os medos… E a lua ri… Ri dos sonhadores que choram a realidade Sem saber que esta iluminará os seus sonhos. Ri dos apaixonados que a olham, escrevendo nela todas as esperanças e desejos Sem saber que um amor maior virá um dia. E ri de ti e de mim… Enquanto todos dormem, tu olhas a lua da tua janela E falas com ela… Falas-lhe da forma mais sincera… Sem dizer nada… E choras…

Nipes

Choras a estrela que te iluminava toda a noite E te fazia esquecer da lua, Te aconchegava na cama, Deixando o seu rasto de luz. Mas a mesma lua que ilumina as tuas lágrimas, No silêncio da noite revela também a minha pena… E a noite passa… E ela senta-se no parapeito da minha janela, e olha… Nas linhas mais rebuscadas, lê a saudade e a dor, Nas mais prolongadas e cuidadosamente desenhadas o sonho de te reencontrar um dia.

26 l Jornalesas l março 2015 l XLl

Por isso, meu amor, não chores… Que a lua lá do alto vê para além da névoa... E sabe que, mesmo longe, A tua estrela te ilumina. Porque a tinta com que escreve a minha pena É feita da mesma tristeza que as tuas lágrimas. Por isso, deixemos que a brisa da noite nos embale E que a sábia lua nos ilumine. Pois, no silêncio da noite, através da névoa, Ela ilumina as tuas lágrimas e a minha pena… E, esboçando um sorriso, espera até de manhã. O momento de se esconder Para poder rir durante o dia… Bárbara Meireis, 11º I

Nipes


poesia

índice

"Contrafação apedeuta de Pessoa"

Tal como o crepúsculo entristece, Com tantos "eus" dói pensar tanto. Se ao menos fosse aquela criança Que não sofre deste desencanto. E eu amo a natureza porque a amo E penso que não penso mas penso E porque nunca guardei rebanhos E pagão vivo e no tempo não penso. Por isso, Mestre, joguemos xadrez, Pois vamos morrer ao chegar ao mar. Lídia deixou-me por ciúmes de Ofélia. As rosas já murcham de tanto regar.

Jorge Ferreira do 12ºE

2

A nossa escola aos nossos olhos

4

Nós e as diferenças

5

Bitcoins: a moeda do futuro?

6

Projeto Innovation Challenger

7

Jovens Repórteres do Ambiente

8

Lá e Cá — NILS — AFS

9

O legado de Darwin

10

Aulas fora de Portas

12

Desporto

14

Visitas de estudo

15

Viagem a Londres

18

O Douro e o vinho

20

Geografia

21

Redes sociais na era da comunicação II Guerra Mundial:

22

o horror programado

23

Livros

24

Poesia

26

27 l Jornalesas l março 2015 l XLl

No Oriente, passa-me essa droga Que cura a dor de viver esta jornada. Sentirei tudo de todas as maneiras, Saúdo Walt, mas não sou nada.

O presidente e a AE eleita


Editorial

E

Je Suis Voltaire

m França, o Tratado sobre a Tolerância, de Voltaire, foi continuamente reeditado, após os atentados de Paris sobre a equipa do Charlie Hebdo e que levou a um estúpido massacre de doze pessoas, perpetrado por autodenominados jihadistas. Mais do que «compreender» o porquê do ataque a uma cidade que se quer ainda ver como ícone da liberdade, tentamos perceber o que leva as pessoas a esgotar um livro que foi publicado em 1763 em plena expansão do Iluminismo. Esta obra nasce no culminar de um processo que levou a várias revoluções europeias pelo liberalismo e contra o absolutismo que dominava maioritariamente a Europa. Voltaire uma figura ímpar da liberdade de expressão foi levado a escrevê-la quando se indignou perante uma condenação à morte de uma família por motivos religiosos e nunca verdadeiramente esclarecidos ou provados. Este grito contra o fanatismo religioso fez com que se tornasse um representante único da procura da liberdade individual e colectiva, da justiça, da igualdade e da fraternidade universal. Compreende-se, pois, que exista uma grande procura pelos fundamentos destes valores que devemos cuidar e que estão inscritos na Carta Universal dos Direitos do Homem, de 1948. Vários atentados, hoje, ameaçam a sociedade livre. São os atentados à liberdade de expressão com vários matizes e cores: não são só os chamados fanáticos islâmicos ou de um qualquer Estado Islâmico, mas também na Rússia de Putin são assassinados opositores, presos artistas, e perseguidos jornalistas; na China, a internet é controlada e restrita só a um pequeno número de utilizadores, enquanto que os opositores são oprimidos; na Venezuela ou em Cuba continuam os desaparecimentos e prisões por se expressarem opiniões; nos países ocidentais e democráticos, em que Portugal se inclui desde 1974, a própria liberdade de expressão encontra-se fragilizada através de práticas policiais cada vez mais musculadas, por uma produção legislativa que coloca em causa a capacidade de dizer o que se pensa, pela vigilância electrónica e pelo controlo económico e político das grandes potências mediáticas. Hoje, é difícil saber o que é ou não verdade. A luta pela liberdade de expressão, tão bem defendida pelos filósofos iluministas do século XVIII, deve continuar com a atenção que merece, não só pelos acontecimentos últimos de Paris, mas pela atenção contínua que os atentados diários à liberdade individual nos obrigam a ter. E isto significa que nos desleixámos ou distraímos, dentro de uma comodidade muito ocidental, que tomava a liberdade como garantida. Não está. António Catarino (prof.) Bernardo Sarmento (11ºG) Maria da Paz (11ºG)

FICHA TÉCNICA Coordenadores: António Catarino (prof.), Carmo Rola (profª), Julieta Viegas (profª) e Maria João Cerqueira (profª) Equipa redatorial e revisão de textos: António Catarino (prof.) e Maria João Cerqueira (profª)

Consultoria gráfica: António Carvalhal (prof.) Fotografia: António Carvalhal (prof.) Capa: Maria da Paz (11ºG) Paginação e Maquetagem: Julieta Viegas (profª)

Outros colaboradores: Ana Amaro (profª), Ana Claúdia (9ºD), Ana Francisco Machado (10ºF), Andreia Moreira (10ºF), Angelina Mota (profª), António Carvalhal (prof.), Bárbara Meireis (11º I), Bernardo Sarmento (11ºG), Catarina Cachapuz (profª), Carmo Oliveira (profª), Clara Falcão (profª), Eurico (prof.) Fátima Alves (profª), Fátima Sarmento (profª), Fátima Van Zeller (profª), Francisca Paixão (8ºC), Helder Cardinalli (12ºF), Gonçalo Mota (11ºF), Hugo Coelho (9ºE), João Luís Carvalhal (9ºE), João Gonçalves (9º E), Jorge Ferreira (12ºE), José Soares (prof.), Maria da Paz (11ºG), Mariana Batouxas (profª), Marta Vedor (11ºG), Miguel Pereira (9ºF), Miriam Costa (12ºano), Nils (aluno AFS), NIPES, Paula Magalhães (profª), Pedro Santos (11ºH), Pedro Laranjeiro (9ºD), Rui Andrade (7ºC), Rui Branco (11ºG), Tomás Barreto (10ºF) e Zaida Braga (profª).

Financiamento: Estrela Branca l Pão quente, pastelaria; Não + Pêlo l Estética ; Deriva Editores l livros , Olmar l materiais de escritório; Oporto essência | cabeleireiro low cost; METAS | Medicina e Segurança no Trabalho; Susana Abreu | cabeleireiros, estética e cosmética; Kabula’s 2 | confeitaria e pastelaria; Oxigénio | Fitness Club e Escola Secundária/3 Aurélia de Sousa. ESCOLA SECUNDÁRIA/3 AURÉLIA DE SOUSA Rua Aurélia de Sousa - 4000-099 Porto Telf. 225021773 equipa.jornalesas@gmail.com

março. 2015 http:// www.issuu.com (pesquisa: jornalesas)

1,00 € Os textos para a edição X L l do Jornalesas foram redigidos segundo as novas normas do acordo ortográfico

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Jornal oficial da Escola Secundária/3 Aurélia de Sousa, Porto

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