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Histórias da Cooperação

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6ª Edição – Junho de 20

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SISTEMA OCB DIRETORIA EXECUTIVA Presidente Márcio Lopes de Freitas Superintendente da OCB Renato Nobile Superintendente do Sescoop Luís Tadeu Prudente Santos Histórias da Cooperação Publicação eletrônica mensal produzida pelo Sistema OCB em comemoração ao Ano Internacional das Cooperativas COLABORAÇÃO Daniela Lemke Gabriela Prado Gisele Daemon Assessorias de comunicação das OCEs e das cooperativas FOTOS Arquivos das cooperativas REDAÇÃO, PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO i-Comunicação Acesse: www.ano2012.coop.br

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Editorial

"Ano Internacional: ressaltando a pluralidade das cooperativas brasileiras" A Revista Histórias da Cooperação chega à sua 6ª edição, ressaltando um dos pontos fortes do cooperativismo brasileiro: a diversidade. Do pantanal ao extremo sul do país, de artesãos a médicos. Temos aqui 30 cooperativas bem diferentes, mas com uma conquista comum – o desenvolvimento baseado no forte engajamento de seus cooperados. Exemplos de intercooperação que ultrapassam divisas, e de realizações inéditas em suas localidades estão presentes neste grupo de histórias. Algumas recentes, outras tradicionais nas regiões onde atuam. Mas todas levando à população crescimento, desenvolvimento, sustentabilidade e qualidade de vida. A revista Histórias de Cooperação é uma publicação eletrônica mensal, comemorativa ao Ano Internacional das Cooperativas – 2012. Os relatos que ela apresenta também podem ser acompanhados diariamente no hotsite ano2012.coop.br. Márcio Lopes de Freitas Presidente do Sistema OCB

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Unicred Centro PE: escalada de no sucesso que teve origem humilde sertão pernambucano

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uando 35 médicos decidiram constituir uma cooperativa de crédito, contribuindo mensalmente com apenas R$ 39,00 para a formação do seu capital social, seria impossível imaginar que, em 18 anos, ela se transformaria numa empresa de grande porte, com seis agências e aproximadamente 4.500 associados. Hoje, com ativos da ordem de R$ 48,4 milhões e uma carteira de crédito que ultrapassa R$ 38 milhões, o presidente da Unicred Centro Pernambucana, Aníbal Cantarelli, orgulha-se em dizer: “Foi uma escalada de vertiginoso sucesso, diante de todos os cenários econômicos enfrentados neste país e da pouca cultura do cooperativismo em nossa região”. O dirigente enfatiza que foi com muita coragem, trabalho sério, determinação e transparência que se construiu o maior patrimônio desta instituição financeira: “a credibilidade e a satisfação que têm sido aferidas entre os cooperados, colaboradores e usuários dos serviços da cooperativa”. Durante os seus primeiros seis anos (1983/1989), lutando contra todas as dificuldades impostas pela “novidade” e pela falta da cultura do cooperativismo no Nordeste, a cooperativa funcionou dentro de espaço cedido pela cooperada–mor, Unimed Caruaru, que facilitava também todas as operações, envolvendo a tramitação de cooperados e serviços. Consolidada, a cooperativa começou a

prestar serviços aos profissionais da saúde da área de ação autorizada pelo Banco Central do Brasil. O primeiro Posto de Atendimento ao Cooperado (PAC), que funciona como agência, foi aberto na cidade de Gravatá no dia 02 de junho de 1997; depois foi a vez de Garanhuns, no dia 26 de outubro de 1997 e, na sequência, a entrada no Sertão, através de Arcoverde, no dia 26 de novembro de 1999. No dia 08 de dezembro de 2001, o impulso empreendedor dos dirigentes resultou na chegada à cidade de Serra Talhada (Sertão Central) e na abertura da cooperativa para todos os profissionais de nível superior da área da saúde. “Quando o Banco Central autorizou a entrada de profissionais de outras áreas, sem ser da categoria médica, a nossa cooperativa foi a primeira do Nordeste a abrir as suas portas para todos os companheiros profissionais da saúde. Iniciamos o ano de 2008 com mais de 1.600 cooperados e com números que nos colocam como cooperativa de grande porte”, detalha Cantarelli. Em dezembro de 2008, foi inaugurada a Agência Centro Médico do Agreste, em Caruaru. Todos esses PAC’s ou agências foram abertos dentro de Unimed’s, e hoje funcionam autonomamente. A Unicred Caruaru começou a funcionar dentro de uma “salinha” cedida pela cooperada Unimed Caruaru, em 1983. A engrenagem começou a funcionar, o espaço ficou pequeno, e a cooperativa passou para o 2º andar do prédio da Bezerra

Engenharia. Os avanços diários transformaram a cooperativa em Unicred Centro Pernambucana – denominação focada na área de ação autorizada pelo Banco Central do Brasil. O crescimento acelerado forçou uma nova mudança, para o térreo do mesmo prédio, no ano 2000. “A agência sede passou a ter ‘cara de banco’; essa foi a última ‘escala’ antes da mudança para a nossa atual sede – moderna,funcional e própria”, comemora o presidente. A casa onde funciona a cooperativa hoje foi comprada pela cooperativa em agosto de 2010 e passou por reforma para atender todas as necessidades de uma agência. “Pensamos na segurança, conforto e na valorização do patrimônio dos cooperados. Estamos aptos para receber a demanda da Livre Admissão de Associados proporcionando o atendimento diferenciado – padrão que só as empresas cooperativistas podem oferecer”, frisa Aníbal Cantarelli. A nova Agência Sede da Unicred Centro Pernambucana ocupa uma área de 1.260 m2, com espaço de 1 mil metros quadrados construídos em dois pavimentos – abrigando todos os departamentos de uma cooperativa de grande porte. “A nossa nova sede é um marco, não apenas físico, mas principalmente a comemoração desse sentimento de maturidade e crescimento com responsabilidade que alcançamos aos dezoito anos de existência”, afirma o diretor financeiro, Alcindo Menezes. 4


Sicoob Cascavel: 11 anos de crescimento e superação baseados no trabalho em conjunto

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m 1999, a Associação Comercial e Industrial de Cascavel (Acic) criou, dentro do Projeto Empreender, o Núcleo Setorial de Informática e Telecomunicações. O objetivo foi unir os empresários e criar condições para o crescimento das empresas do setor. O núcleo conseguiu um bom nível de organização e, com o tempo, recebeu a incumbência de criar uma cooperativa que facilitasse o acesso ao crédito e serviços financeiros para as empresas associadas. No dia 8 de março de 2001 foi realizada a Assembleia Geral de constituição da cooperativa. Após os trâmites burocráticos, o Banco Central autorizou o funcionamento da cooperativa que começou a operar em julho daquele ano atendendo exclusivamente empresários da área de informática. A cooperativa entrou em funcionamento em uma pequena sala cedida pela associação comercial e contava apenas com uma funcionária para fazer o atendimento, gerenciar o convênio firmado com o Banco do Brasil e ainda fechar a contabilidade. Não havia sistema de cobrança, a cooperativa não cobrava tarifas, não vendia seguros. Só realizava captação e empréstimos, que eram limitados. Fazia alguns descontos de títulos e isso acabou gerando problemas. “Em 2001 nos organizamos e tivemos bons resultados. Em 2002 houve um pequeno prejuízo gerado por inadimplência. O ano de 2003 foi uma fase de transição”, conta o primeiro presidente da instituição, Valdir Pacini. No final de 2002 o Banco Central alterou a legislação permitindo a criação de

cooperativas de pequenos empresários, microempresários e microempreendedores. Até então só eram permitidas instituições de crédito segmentadas. “A nova legislação abriu para nós a possibilidade de mudança. Na época, a cooperativa de informática tinha R$ 75 mil em caixa e precisávamos de pelo menos mais R$ 125 mil de capital para entrar para o Sistema Sicoob”, conta Pacini. Em 2010, os números do Sicoob Cascavel tiveram uma impressionante retomada – após a crise que assolou a economia mundial – chegando a 8,5 mil cooperados e R$ 45 milhões de recursos administrados. Para o atual presidente, Guido Bresolin Junior, o Sicoob Cascavel atingiu maturidade suficiente e agora a tendência é só crescer. O projeto é chegar aos R$ 300 milhões de recursos administrados até 2016 e estar presente em todas as cidades da área de abrangência da cooperativa. Bresolin afirma que um dos desafios da diretoria do Sicoob é criar o “espírito cooperativista” entre os cooperados. “Muitos vêm para a cooperativa pensando que ela é um banco. Mudar esse pensamento é um trabalho de longo prazo e tem que ser realizado no dia a dia: diretores e gerentes conversando e explicando, distribuição de material de divulgação e apresentações para grupos”, reflete o presidente. Para isso, a cooperativa investe em parcerias com organizações da sociedade civil de Cascavel, que podem ser consideradas o principal elemento de sucesso da cooperativa. “Nossos principais cooperados são estas entidades. É uma

via de duas mãos: as entidades se associam e a instituição apoia as ações de responsabilidade social do município”, diz o dirigente. O Sicoob Cascavel não poupa esforços para ajudar diversas entidades da cidade. Entre elas, o Albergue Noturno André Luiz, o Centro de Referência Especializada em Assistência Social à População em Situação de Rua (Crespop) e a Uopeccan – União Paranaense de Combate ao Câncer, entre outras. A cooperativa promove, ainda, o curso Jovem Empreendedor, realizado dentro do Programa Telessalas, desenvolvido pelo Sebrae-PR em parceria com o Instituto Sicoob Paraná, cujo principal objetivo é despertar o espírito empreendedor em cada participante. Outras ações com apoio do Sicoob Cascavel envolvem campanha de vacinação em parceria com o município; Concurso de Oratória entre universitários, com o tema: “Cidadania – Eu critico ou faço a minha parte” – com parceria do Sicoob, Acic e Observatório Social e instituições de ensino; participação na campanha de Natal da cidade e apoio a diversas instituições beneficentes. 5


Unimed Rondônia: investimento constante para oferecer o melh o r serviço médico

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ferecer à comunidade a melhor opção de assistência e promoção à saúde e, ao médico, a oportunidade do exercício ético da profissão, tendo como base os princípios cooperativistas. Com essa missão, a Unimed Rondônia trabalha há quase 30 anos no município de Porto Velho (RO). A cooperativa nasceu da iniciativa de um grupo de 28 médicos do estado, a maioria residente na capital. Inspirados pela experiência positiva de outras cidades, os profissionais se reuniram no auditório do Hospital de Base “Dr. Ary Pinheiro”, em 1983, para constituir a primeira cooperativa do ramo na região. Para começar a atuar efetivamente, a instituição passou a funcionar em salas cedidas e imóveis alugados. Dez anos depois, a organização inaugurava sua sede própria. E foi com essa visão empreendedora que, em 1996, a cooperativa registrou outro marco em sua história – a construção de um hospital próprio.

Hoje, a Unimed Rondônia conta com uma rede ampla, composta por oito hospitais, 14 laboratórios, 69 clínicas especializadas, 11 centros de diagnóstico e de imagem, além de 270 colaboradores e mais de 290 médicos associados. A atual diretoria tem adotado diversas ações para garantir a saúde financeira da organização, a profissionalização dos negócios e a modernização no atendimento. Destaca-se, ainda, a realização do Programa de Educação Cooperativista,

cujo objetivo maior é tornar real a prática da cooperação, na qual a união faz a diferença. E mais. A cooperativa incentiva o crescimento pessoal e profissional dos seus colaboradores, promovendo uma política salarial justa. “Sabemos da importância que cada um tem para que a Unimed chegue onde quer e alcance seus objetivos”, destacou Saleh Razzak, presidente da Unimed Rondônia.

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o s es r g o r p e z lu o d n va le : d n a Cergr ao campo

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força da união faz do cooperativismo um movimento diferenciado, gerador de trabalho e renda, enfim, de crescimento. Esse poder transformador pode ser conferido em várias partes do país, e foi assim também na região de Dourados, em Mato Grosso do Sul. A energia elétrica que faltava no campo, em grande parte das propriedades, chegou em 1976, com a criação da Cooperativa de Energização e Desenvolvimento da Grande Dourados (Cergrand). A iniciativa partiu justamente dos produtores rurais locais, que buscavam uma forma de levar o progresso para a região e otimizar os seus negócios. Para o presidente da Cergrand, Valdir Pimenta, a constituição da cooperativa significou o fim da “era do lampião”. “Foi um divisor de águas. A falta da energia atrasava o desenvolvimento, impedindo o uso de tecnologias mais avançadas. Não há dúvidas de que esse foi um marco na zona rural”, ressalta. Os resultados mostram que o esforço dos 30 primeiros cooperados realmente valeu à pena. “Com as novas máquinas e técnicas de manejo, o retorno foi bem maior, o pequeno produtor se tornou grande. Os reflexos não se reiram à cooperativa, eles se estenderam à economia

do município, com o aumento da produção e a geração de mais renda e emprego”, destaca Pimenta. A instituição da cooperativa foi um marco na vida dos produtores. O depoimento de Adalto Nunes de Oliveira, associado e morador do distrito do Panambi, confirma isso. “Com a formação da Cergrand, nós conseguimos mais espaço no mercado e ampliamos o nosso negócio. Atualmente, eu tenho um número dez vezes maior de suínos. São 3,5 mil animais, cuja criação e comercialização dependem de tecnologias modernas”, comenta. Hoje, a Cergrand é responsável pela

iluminação de 95% das propriedades agropecuárias da região. Ela atua na distribuição de energia elétrica rural nos municípios de Dourados, Fátima do Sul, Vicentina, Deodápolis, Jateí, Caarapó, Juti, Glória de Dourados, Itaporã, Douradina e Rio Brilhante. São 11 pontos ligados em uma tensão de 13.800 watts. Segundo o presidente da sociedade, o desafio é garantir, com qualidade, o fornecimento de energia aos 5,1 mil cooperados. “Nós contamos com seis plantões de manutenção devidamente equipados, com uma equipe de atendimento 24 horas, formada por 48 funcionários”, explica Pimenta.

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Coocrijapan: desenvolvimento sustentável e geração de emprego no Pantanal

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ma iniciativa pioneira que une o desenvolvimento sustentável e a geração de emprego e renda no Pantanal Mato-grossense. Trata-se da Cooperativa dos Criadores de Jacaré do Pantanal (Coocrijapan) – formada por fazendas associadas e uma estação de recria, localizadas no Município de Cáceres (MT). A organização começou a funcionar em 1990 e hoje é proprietária do primeiro frigorífico certificado de carne de jacaré (Caiman yacare) da América Latina, oferecendo ao mercado vários subprodutos do animal na cadeia produtiva. Atualmente, a cooperativa possui 45 mil animais em tanques divididos por idade e tamanho, gerando 30 empregos diretos e mais de 100 indiretos. Logo no início da década de 90, a política de manejo foi redirecionada e, no lugar de jacarés adultos, passou-se a fazer a extração dos ninhos de populações naturais para criação em cativeiro. Com isso, uma vez por ano, os cooperados da Coocrijapan percorrem o Pantanal em busca de ovos de jacarés. A coleta é cuidadosa e segue um ritual. Para se ter uma ideia, cada ovo deve ser transportado na posição que foi encontrado na natureza, envolto no mesmo material do ninho, sempre acompanhando a temperatura e a umidade originais. Feito isso, uma espécie de “berçário” é montada no meio do Pantanal, onde os ovos serão

abrigados por um período de três meses, até o nascimento dos jacarés. A partir daí, eles são transportados para o cativeiro localizado em Cáceres e, depois de dois anos, são abatidos, trazendo grandes lucros aos criadores. Toda essa operação é autorizada pelo Instituto Brasileiro de Apoio ao Meio Ambiente (Ibama). O diretor Administrativo da cooperativa, Wilson Girardi, explica que desde 2005 a cooperativa vem trabalhando no aprimoramento de um sistema de monitoramento. “Monitoramos a produtividade das populações naturais nas fazendas associadas, aplicando técnicas padronizadas para calcular o

número de ninhos a serem coletados. O trabalho é acompanhado pelo Ibama e cumpre uma exigência do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento”, explica. Sobre o objetivo do sistema, Girardi diz: “a meta é garantir a conservação da espécie, por meio de práticas de manejo menos impactantes possíveis. Assim, asseguramos que a atividade de criação seja sustentável e os ganhos sejam recíprocos, gerando emprego e renda ao maior número de pessoas possível, e fazendo com que a natureza siga o seu curso normal”.

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Cooperativa Pindoram que gerou bons fruto a: uma ideia s

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o chegar em Alagoas, no ano de 1953, o suíço-francês René Bertholet impressionou-se com a intensidade do êxodo rural no estado. Para mudar esse cenário, ele, que era membro do Plano Nacional de Colonização, idealizou uma cooperativa que gerasse trabalho e renda para as famílias da região. A ideia era proporcionar mais qualidade de vida para os associados, em uma comunidade autossustentável. O pioneirismo de Renê Bertholet ajudou a transformar, em 1956, a antiga Companhia Progresso Rural na maior cooperativa agroindustrial do Nordeste. Localizada na região Sul do estado, a Pindorama é comandada por pequenos produtores que são os donos do negócio. Trabalhando inicialmente com a produção de sucos, a organização diversificou sua atuação a partir de 2003. Neste ano, foi inaugurada sua usina de cana-de-açúcar, um antigo sonho dos colonos, e a cooperativa passou a produzir, além de sucos, álcool e derivados do coco. Atualmente, a Pindorama possui uma área de 32 mil hectares entre os municípios de Feliz Deserto, Penedo e Coruripe. Com isso, ela gera 1,8 mil empregos no campo e 300 na indústria. E suas unidades industriais seguem um rigoroso processo de fabricação. Desde o plantio até o envasamento final, a matéria-prima utilizada é preparada para garantir um produto saboroso e de qualidade.

Para se ter uma ideia, por dia, são montadas 1,5 mil caixas de sucos de frutas, gerados 1 mil litros de leite de coco e 1 mil kg de coco ralado. “Atualmente, mais de mil associados respondem pela produção e comercialização, obtendo renda para suas famílias. Nossa usina é a única na região com mais de mil donos”, destaca o presidente da cooperativa, Klécio José dos Santos. A Pindorama desenvolve, ainda, projetos de geração de emprego e renda para jovens e mulheres, promovendo ativida-

des como uma horta comunitária, um grupo de costureiras e uma fábrica de doces e vinagre. Um dos mais recentes trabalhos é o Projeto Amanhã, realizado em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf). Seu objetivo é capacitar jovens entre 14 e 21 anos na atividade agrícola (horticultura). Tudo isso sem perder de vista a formação humana do indivíduo.

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Cooperart Butantan: a primeira cooperativa de artesãos de São Paulo

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o ano de 2001, no bairro Butantã, em São Paulo, alguns artesãos começam uma conversa sobre o que fazer para melhorar suas vendas. Mostravam-se desanimados pela dificuldade de comercializar seus produtos nas feiras de artesanato, como a que ocorria no bairro. Foi então que uma das participantes da roda lembrou do que havia dito, em 1986, o sociólogo Hebert de Souza (Betinho): “em pouco tempo as relações de trabalho vão mudar; o cooperativismo vai brotar também nos centros urbanos como uma maneira mais justa e solidária de trabalho”. Essas palavras fizeram germinar a semente do cooperativismo na veia de 20 daqueles artesãos. Três anos depois, receberam a proposta de lojistas para confeccionar 600 bolsas de jornal, que seriam oferecidas como brindes. Foi a primeira prova de fogo do grupo. Em 23 dias produziram e entregaram a encomenda. Desafio vencido. Era o sinal que faltava para sacramentar a cooperativa. Sair da informalidade, vender seus produtos e viver do artesanato era tudo que sonhavam. No dia 16 de agosto de 2004 nasceu a Cooperart Butantan, orgulho para cada sócio fundador ver concretizado o sonho de três anos. Mas o próprio mercado tornou-se um grande obstáculo. Era preciso estar conectado às tendências e ter identidade própria. Mas, ao contrário disso, cada artesão utilizava uma técnica particular e desenvolvia dezenas de produtos. Ficava inviável comercializar tanta variedade. Após um curso rápido no Sebrae, os

cooperados perceberam que era necessário mudar a rota. O artesanato tinha que contar uma história, apresentar um diferencial, agregar valor. Resolveram, ali, buscar inspiração na própria cidade de São Paulo, mergulhando em seu passado. Foram ao encontro de construções antigas, quando descobriram que grande parte delas estava permeada de mandalas e rosáceas. Esses símbolos foram encontrados em portas, estruturas metálicas e postes, por exemplo. O “Lampião São Paulo”, inspirado no pátio do colégio onde nasceu a cidade, foi o primeiro produto da nova linha. Em 2008, a partir de um curso promovido pelas unidades paulistas do Sescoop e do Sebrae, os associados decidiram ampliar e diversificar a produção de itens que retratavam a trajetória paulistana. A Estação da Luz, por sua importância para o desenvolvimento econômico da cidade e do estado, foi o local eleito. O resultado foram peças estampadas com detalhes do beiral do telhado e dos arcos das janelas e portas do ponto turístico. Divulgar São Paulo por meio de imagens ou da iconografia atraiu novos clientes e agregou valor aos produtos, abrindo novos horizontes para a cooperativa. E isso rendeu várias conquistas à cooperativa, ao longo dos seus sete anos de atuação. O quadro social ganhou mais 26 cooperados, totalizando 46 artistas. As vendas tiveram um salto de 750% desde o primeiro ano de funcionamento,

mais de 95 mil peças foram produzidas e a clientela cresceu 27%. A Cooperart Butantan marcou presença também em espaços concorridos, como as exposições da Art Mundi, Suesp, Mostra Paulista de Decoração, Oi Fashion Frequence e até na ICA Expo, feira internacional das cooperativas realizada em Portugal no ano de 2008. Atualmente, por meio do programa Desenvolvimento Sustentável do Banco do Brasil, seus produtos também podem ser encontrados no e-commerce dos sites Compra Fácil e Satelital Brasil. A reforma da sede localizada no Butantã, bairro de origem, foi uma das últimas conquistas. Com isso, os associados passaram a contar com um local mais adequado para o desenvolvimento do processo artístico, abrindo oportunidades de venda também no varejo. “Essas vitórias refletem o esforço de todos os cooperados. Ao mesmo tempo, sabemos que ainda há muito a fazer, muitos obstáculos a transpor. Mas, com união e determinação, temos convicção de que o amanhã será de novas conquistas”, ressalta a presidente Marina Prudente de Toledo.

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a r a p s a ç n a d u m : c e t o Co l a c o l o t n e im v l o v n e o des

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undada em 1997, com então 21 associados, a Cooperativa de Trabalho em Ciências Agrárias e Meio Ambiente (Cootec), com sede em Jatobá, cidade a 480 km do Recife (PE), tem se estabelecido na região do sertão de Pernambuco, de forma a atender às comunidades em dois grandes segmentos: elaboração de projetos e locação de veículos. Os trabalhos técnicos vieram primeiro e, até hoje, com o apoio de instituições como o Banco do Brasil e o Banco do Nordeste, beneficiam famílias no suporte ao desenvolvimento de atividades agropecuárias. O aluguel de veículos, com e sem motorista, nasceu com a necessidade de expansão dos negócios da cooperativa ante as oportunidades vislumbradas. O trabalho desenvolvido pela Cootec na área de consultoria e elaboração de projetos voltados ao desenvolvimento da atividade agropecuária surgiu da ideia de técnicos agrícolas que desejavam atender a crescente demanda da região por assistência técnica. Atualmente, um dos principais focos da cooperativa é o projeto de criação de caprinos e ovinos, que atenderá a 18 famílias de Petrolândia, município vizinho a Jatobá, incluindo a elaboração do projeto e uma assessoria, que deve atuar até o final do ano. Outro projeto de destaque, voltado à fruticultura, encontra-se na etapa inicial, onde há o levantamento de informações para a elaboração do projeto. Outros novos parceiros da cooperativa são o Iterpe e o Ministério da Agricultura, no que concerne a projetos de assentamento rural. A principal mudança por que passou

a cooperativa ao longo de sua atuação aconteceu em 2005, quando, por meio de uma modificação no rol de atividades desenvolvidas, a Cootec passou a oferecer os serviços de locação de veículos, com e sem motorista. A mudança elevou a receita da cooperativa e gerou novas oportunidades, haja vista a carência do município desse tipo de serviço. Uma das mais importantes veio em 2009 com uma parceria entre a Cootec e a prefeitura de Jatobá, por meio da qual os cooperados passaram a fornecer os serviços de transporte de pacientes da zona rural para o centro da cidade. “Atualmente, são 15 comunidades atendidas pela cooperativa, e, em cada uma delas, há um motorista de plantão, que transporta o paciente que necessita de cuidados ao hospital da cidade. A partir daí, dependendo do caso, a prefeitura faz a transferência desses para outros centros de atendimento”, afirma Silvio Augusto Nogueira, presidente da cooperativa. A Cootec montou sua estrutura para o mercado de locação por meio das vantagens da intercooperação, quando buscou empréstimo junto a Pernambucred, cooperativa de Crédito, para financiar os veículos necessários, que incluem modelos como vã, caminhão, caminhonete, dentre outros. “Muitos cooperados começaram sem veículos e hoje já possuem os carros. Alguns dos motoristas que ainda não conseguiram usam veículos de outros associados”, ressalta Nogueira. O olhar voltado para a comunidade, 7º princípio do cooperativismo, é bastante praticado pela Cootec, que é parceira do

Programa Cooperjovem em 10 escolas do município: “No âmbito do Programa, apoiamos as escolas com visitas e também fornecendo os recursos materiais necessários para o desenvolvimento de atividades. O Cooperjovem é importante, sobretudo, porque estamos criando possíveis sucessores para a cooperativa. Não queremos que o negócio acabe, porque gera muitas oportunidades para as pessoas aqui em Jatobá. No município, todos conhecem a cooperativa”, frisa o presidente. A Cootec também realizou pela segunda vez consecutiva, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de Pernambuco (Sescoop/PE), a Ação Cooperada: Comunidade Beneficiada, evento que levou à comunidade de Jatobá serviços gratuitos como expedição de documentos, corte de cabelo, elaboração de currículos e curso de formação em cooperativismo. “Promover essa ação é uma boa forma de fazer algo pela comunidade”, destaca Nogueira. Silvio Nogueira, que já se encontra em seu segundo mandato como presidente da Cootec, explica o sucesso do negócio cooperativo: “Juntos conseguimos mais. E é determinante em nosso trabalho vermos as pessoas como seres humanos, e não como máquinas”. A Cootec conta atualmente com 55 cooperados e atua nos municípios de Jatobá (sede), Belém do São Francisco, Carnaubeira da Penha, Floresta, Petrolândia, Tacaratu, Inajá, Cabrobó, Águas Belas (municípios de Pernambuco) e Salvador/BA. 11


Central Sicredi-PR/SP: ajudando no desenvolvimento do cooperativismo interestadual

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década de 1980 foi um marco para as cooperativas de crédito no Brasil. Era um momento propício para o crescimento do setor e foi, nesse contexto, que o Paraná realizou suas primeiras operações por meio da Cooperativa de Crédito Agropecuária do Oeste Ltda., localizada em Toledo, atual Sicredi Oeste PR. O sucesso das operações incentivou, em 1982, o surgimento de outras unidades da cooperativa Sicredi em várias regiões do estado. Três anos depois, em 1985, já existiam dez singulares. Foi então que uma Assembleia Geral, promovida nesse mesmo ano, decidiu centralizar essas organizações na Cooperativa Central de Crédito Rural do Paraná (Cocecrer-PR), conhecida, hoje, como Central Sicredi PR/SP. Desde então, o sistema não parou de crescer. Em 2011, a unidade do Paraná integrou-se à de São Paulo, impulsionando o desenvolvimento da Central Sicredi nos dois estados. Atualmente, a organização conta com 39 cooperativas e 474 mil cooperados. E o crescimento não parou por aí. Ano passado, o valor dos recursos administrados pela Central foi 29% superior ao registrado em 2010, resultando em um faturamento de R$ 4,7 bilhões referente aos depósitos, de cerca de 1 bilhão, realizados nas unidades de atendimento. A atuação do Sicredi/PR ganhou tanta visibilidade, que, de 2009 a 2011, recebeu

da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil, Seção do Paraná (ADVB-PR), o prêmio Top de Marketing na categoria mercado financeiro. As cooperativas também são reconhecidas pelas ações de responsabilidade social. O programa “A união faz a vida”, desenvolvido desde 2006 pelo Sistema Sicredi, já beneficiou 30 mil estudantes em 189 escolas, envolvendo 2,2 mil educadores, em 31 municípios do Paraná e de São Paulo. Em comemoração ao Ano Internacional das Cooperativas, entre os

dias 25 de junho e 7 de julho, de 2012, o Sescoop Paraná e a Sicredi PR/SP uniram os programas “Cooperjovem” e “A união faz a vida” em um evento para mobilizar a sociedade sobre a importância dos princípios cooperativistas para a construção de um mundo melhor. Na ocasião, 38 mil estudantes das redes de ensino público, particular e da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), de mais de 50 municípios, participaram da ação.

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Cersul: luz, tecnologia e conscientização

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ooperar pode significar a realização de sonhos. E a história de sucesso da Cooperativa de Eletrificação Rural Sul Catarinense (Cersul), que há 50 anos fornece energia elétrica ao extremo sul de Santa Catarina, faz jus à afirmativa. A Cersul surgiu na cidade de Turvo, em 1961, pela força de vontade de 25 cooperados. E, hoje, figura como a maior cooperativa da região, com 13 mil associados. Inicialmente, o atendimento se limitava às cidades de origem, Meleiro e Araranguá. Com o investimento em tecnologia realizado nos últimos anos, a Cersul obteve permissão exclusiva de abastecimento em Meleiro, Ermo, Morro Grande e Timbé do Sul, totalizando mais de dois mil quilômetros de extensão de redes elétricas. Dividindo a concessão com outras cooperativas e concessionárias, ela atende, ainda, os municípios de Araranguá, Maracajá, Sombrio, Jacinto Machado, Forquilhinha e Nova Veneza, somando 15 mil unidades consumidoras em 11 municípios. Com mais de R$ 2 milhões investidos, a cooperativa ampliou as redes energéticas, a capacidade de abastecimento e a qualidade dos serviços. As iniciativas renderam, em dezembro de 2010, a certificação internacional da ISO 9001, sendo a única representante do setor na região com esse reconhecimento. No ano

seguinte, a Cersul implantou o sistema PLC (Power Line Communications),o qualpermite monitorar e realizar leituras dos medidores nas unidades consumidoras diretamente da central. Essa tecnologia a destaca como única no Brasil a possuir esse tipo de sistema de telemedição. Tais conquistas levaram a Cersul a integrar o consórcio de uma Pequena Central Hidrelétrica (PHC), no município de Santa Rosa de Lima, possibilitando à região investimentos para geração própria de energia. Com essa associação, houve, inclusive, uma mudança em sua razão social, que registrou-se como – Cooperativa de Distribuição de Energia – Cersul. Os próximos passos incluem a certificação ISO 10002, que trata exclusivamente da satisfação do consumidor. Esse processo encontra-se na fase de validação

de documentos com auditorias internas e externas. Preocupada com a conscientização das futuras gerações, a Cersul realiza todos os anos, desde 2005, o projeto Amigos da Natureza, com ações voltadas à preservação do meio ambiente. Durante o Eco Dia, crianças do 4.° e 5.° anos de escolas municipais, estaduais e particulares são instigadas a mudar pequenos hábitos cotidianos para criar um modelo de desenvolvimento mais sustentável. Ainda pensando na educação dos jovens, a cooperativa lançou para estudantes do ensino médio um projeto de orientação profissional, que possibilita o acesso a informações referentes a diversas profissões. Para o presidente da Cersul, Moacir Antônio Daniel, o meio século de existência da cooperativa significou não só o próprio progresso, como também, o incentivo a novas indústrias e ao fomento dos municípios atendidos. “Trabalhamos sempre com a filosofia do cooperativismo, nos esforçando para atender bem e de forma eficiente o associado e o consumidor. E os investimentos em tecnologias mais avançadas nos tornaram referência na distribuição de energia nas áreas de nossa abrangência”, destaca.

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Cooped: educação cooperativista de destaque em Rondônia

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Cooperativa Educacional de Jaru (Cooped), localizada no município de mesmo nome, tem se destacado em Rondônia. Conveniada ao Sistema Positivo de Ensino (SPE) e atendendo atualmente cerca de 300 alunos dos ensinos infantil, fundamental e médio, a instituição foi considerada, naavaliação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), uma das quatro melhores do estado, em 2011. Para atingir a sua meta, a cooperativa oferece aos seus alunos uma excelente

infraestrutura, que inclui quadra poliesportiva coberta, refeitório, playground, piscina, auditório climatizado, entre outras comodidades. No período matutino, os estudantes têm aulas regulares e, durante a tarde, realizam atividades culturais e esportivas como complementação da carga horária. Aos sábados, são oferecidas outras atividades, como aulas de capoeira. Além dos bons resultados dentro de sala de aula, a Cooped também se dedica a promover a consciência cooperati-

vista entre os rondonienses. Anualmente, ela realiza o seminário “Vivendo Valores Cooperativistas na Escola”. Durante o evento, que em outubro chega à 5ª edição, alunos e familiares são instigados a viver o cooperativismo na prática, por meio de atividades sociais e palestras. Referência em ações sociais em Jaru, a Cooped promove ainda o plantio de mudas de árvores e, em celebração ao Ano Internacional das Cooperativas, empenhou-se em uma campanha de doação de sangue promovida pelo Sistema OCB-Sescoop/RO, em parceria com a Fundação Fhemerom. Na ocasião, foram coletadas 150 bolsas de sangue em dois dias, o triplo do que é doado diariamente. A presidente da cooperativa, a educadora Fátima dos Anjos, comemora a participação dos alunos, pais e professores nas ações promovidas pela Cooped. “O mais valioso é que trabalhamos não somente o currículo escolar, mas questões sociais, transformando nossos estudantes em verdadeiros cidadãos. Estamos muito satisfeitos com os resultados alcançados”, conclui.

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Coapecal: maior cooperativa de laticínios da Paraíba

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ocalizada no município de Caturité, na região do semiárido da Paraíba, a Cooperativa Agropecuária do Cariri Ltda. (Coapecal) é a maior produtora de leite e derivados do estado. Fundada em 1997, com apenas 20 agricultores e uma produção diária de 2 mil litros de leite, o queijo de manteiga foi o primeiro item comercializado. “Apenas dois anos depois, com a implantação de uma usina de beneficiamento, passamos a vender leite pasteurizado”, conta orgulhoso o presidente da Coapecal, Marcelino Trovão. De lá para cá, o número de derivados do leite aumentou para 17, todos levando a marca Cariri. Inicialmente, o principal cliente da Coapecal era o governo, por meio do

Programa do Leite da Paraíba. Hoje, a cooperativa atende os demais mercados da região e mais seis estados do Nordeste, que comercializam a maior parte dos produtos. “Existem 4 mil pontos de venda espalhados na Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Rio Grande do Norte e Ceará”, conta o presidente. Para suprir essa demanda, a Coapecal conta com uma indústria e centros de distribuição próprios e terceirizados, localizados na região. A cooperativa também oferece assistência técnica e insumos para a criação da vaca leiteira. A fábrica da Coapecal vende ração com menor preço aos associados, e uma equipe de veterinários orienta sobre o controle e prevenção de doenças sanitárias.

Na área de responsabilidade social, apoia o Programa Cooperjovem, desenvolvido pelo Sistema OCB/Sescoop-PB em sete escolas da rede municipal de Caturité e Boqueirão. A Coapecal é conhecida, ainda, por apoiar a agricultura familiar da região: 90% dos seus associados estão inseridos nessa atividade rural. Em reconhecimento à participação majoritária desses pequenos e médios produtores, em abril deste ano, a cooperativa recebeu permissão do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) para utilizar em seus produtos o Selo de Identificação da Participação da Agricultura Familiar (SIPAF). “Até o fim do ano ele estará inserido à marca Cariri”, comemora o presidente.

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Transcoop-Natal/RN: transpor te público cooperativista de qualidade

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cooperativismo a serviço das necessidades dos cidadãos – assim nasceu a Cooperativa de Transportadores Autônomos de Natal (Transcoop-Natal), que há três anos realiza o transporte público complementar na capital do Rio Grande do Norte. A história da cooperativa começou no Sindicato dos Permissionários do

município em uma época em que o sistema opcional de transporte andava com a imagem desgastada. “Tomamos conhecimento dos benefícios do sistema cooperativista em um curso do Sesco-op/RN e mostramos aos colegas que seria uma opção interessante. Hoje, a Transcoop-Natal trouxe mais credibilidade a esse serviço”, conta a

presidente, Maria Edileusa de Queiroz. Iniciando as atividades com apenas 21 veículos, número mínimo de associados exigido pela Constituição, atualmente, 77 estão cadastrados e operando em 23 linhas de transporte de passageiros. “Hoje, o próprio usuário comparece à cooperativa para dar sugestões ou reclamar de algum serviço. Isso é ótimo porque nos tornamos referência para eles”, enfatiza Edileusa. Outra conquista da Transcoop-Natal foi uma parceria com o poder público, que instituiu o Sistema Automatizado de Bilhetagem Eletrônica, o chamado NatalCard que permite aos usuários utilizar os sistemas de transporte (ônibus e opcional) com um único cartão. “Como cooperados conseguimos mais investimentos, propostas e parceiros comerciais. Sem contar que todos os colegas estão mais unidos, trazendo ideias e participando das decisões”, finaliza a presidente.

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Cocamar: muitas ações em 50 anos de história

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Cooperativa Agroindustrial de Maringá foi constituída em 27 de março de 1963, com apenas 46 produtores de café. Sua história tem sinônimo de superação e, principalmente, sucesso. Na época em que foi fundada, o setor cafeeiro sofria dificuldades por conta da superprodução do grão. Os preços estavam baixíssimos e a dívida dos cafeicultores só aumentava. A Cocamar, além de ter organizado a produção regional, passou a receber, beneficiar e padronizar o café na sua própria estrutura física, agregando valor ao produto e efetuando a venda sem intermediários. Com quase 50 anos de fundação, a Cocamar é hoje a terceira maior cooperativa agropecuária do País. Seu parque industrial é o mais diversificado do cooperativismo brasileiro, responsável pela produção de soja, milho, trigo, laranja, café e derivados. Em 2011, seu faturamento foi superior a R$ 2 bilhões, com crescimento de 26% em relação a 2010. Para 2012, a previsão é chegar a R$ 2,2 bilhões em ganhos. Além de ser referência no cooperativismo, também é destaque na atuação com a sociedade, por meio de atividades sociais reconhecidas nacionalmente. Uma delas é o “Programa Cultivar”, que contrata alunos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) e internos da Penitenciária Estadual de

Maringá. Juntos, eles produzem mudas de espécies nativas destinadas à recomposição de matas ciliares da região. Essas ações renderam à cooperativa os prêmios “Expressão de Ecologia”, em 2009, 2010 e 2011, o “Mérito Fitossanitário” em 2009, o “Prêmio Von Martius de Sustentabilidade 2007” e o “Prêmio Ser Humano Oswaldo Chechia 2006”. Em seis anos, já foram distribuídas cerca de dois milhões de mudas aos cooperados. A Cocamar realiza, ainda, programas

voltados a mulheres, jovens e crianças, em 54 municípios do estado. Com relação ao Ano Internacional das Cooperativas, Luiz Lourenço, presidente da Cocamar Cooperativa Agroindustrial, comenta que essa celebração é um reconhecimento a importância desse sistema. “É uma forma de chamar a atenção de todo mundo para o cooperativismo, um modelo capaz de promover o desenvolvimento econômico e social com sustentabilidade”.

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a n o m is ir e n io p : T M il Cooagr é T M m e s o ín u s e criação d o ã ç a r e p o o c r e t in e d o exempl

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fundação da Cooperativa Agropecuária e Industrial Luverdense (Cooagril/MT) tem relação direta com o início da criação de suínos em Mato Grosso. Em 1990, 21 produtores rurais resolveram empreender e trouxeram a suinocultura para o centro do Brasil, criando o primeiro programa integrado desse segmento no estado. O que até então era desenvolvido apenas nas regiões Sul e Sudeste, virou

sucesso e garantia de renda para muitos mato-grossenses de Lucas de Rio Verde e municípios vizinhos. “Desse trabalho, nasceram outras cooperativas, com a mesma finalidade, em mais quatro municípios, tornando a suinocultura o negócio da região”, explica o presidente da Cooagril, Alisson Luiz Dalmaso. Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Tapurah, Sinop e Sorriso juntaram-se e formaram a Intercoop, uma

indústria que assumiu o abate dos porcos produzidos pela Integração Cooagril, com sede em Nova Mutum. A estrutura da organização foi ampliada e modernizada depois desse período. Em 2005, a Cooagril optou por vender seus ativos ao Grupo Sadia S/A, que queria se instalar na região e abrir o maior parque industrial para abate de aves e suínos e produção de embutidos da América Latina, em sistema integrado. “A partir desse momento, tivemos de procurar outra atividade para nossos associados. Nasceu, então, a ideia da bacia leiteira, que compreende todas as cidades associadas”, explica Alisson Dalmaso. Atualmente, os mais de 300 cooperados e 22 empregados trabalham na produção e industrialização de 400 mil litros de leite por mês. Comercializa, ainda, com marca própria, diversos concentrados, rações e sais minerais para aves, bovinos, equinos, ovinos e suínos. Além disso, atua no beneficiamento de produtos agrícolas a seus associados como milho, soja e sorgo.

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PIÁ busca inovação ao cooperativismo

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expressão gaúcha referente a um menino nutrido e cheio de saúde – Piá, representa a qualidade dos produtos da Cooperativa Agropecuária Petrópolis Ltda nos mercados. Fundada há 45 anos, na região da Serra do Rio Grande do Sul, a organização atua na fabricação de laticínios, doces de frutas, bebidas à base de soja e rações. Dividida em três unidades: indústria de alimentos, agronegócio e supermercados, a cooperativa empenha-se em aprimorar constantemente a produção. Investe em inovação e tecnologia, dispo-

nibilizando aos associados uma equipe de apoio qualificada, formada por técnicos em agropecuáriae fruticultura, veterinários e especialistas em inseminação. O presidente da Piá, Gilberto Kny, acredita que o cooperativismo é uma alternativa para o crescimento socioeconômico. “Ele diminui as diferenças, a distância entre os mais ricos e os mais pobres, promove a inclusão social e influi diretamente na redução do êxodo rural no momento em que participa do desenvolvimento do setor primário e da agricultura familiar”, afirma.

A capacitação e profissionalização são uma preocupação da Piá. A organização acompanha e dá suporte à produção desde a origem até a finalização e promoção dos produtos. O objetivo é manter continuamente o ciclo para conquistar novos mercados. Atualmente, a cooperativa conta com 16,5 mil associados e mais de 1.100 funcionários. Adistribuição está concentrada nos estados brasileiros: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo.

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a d o t a r t e r : P A in r a h n Coop a t is iv t a r e p o o c e d u t n e juv

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Cooperativa de Artefatos Naturais do Rio das Castanhas (Coopnharin) é uma das poucas formadas por jovens: os associados têm entre 21 e 31 anos de idade. Incentivados pelo projeto de formação profissional em movelaria da Fundação Orsa, 20 adolescentes empreendedores do Vale do Jari, no sul do Amapá, resolveram transformar o trabalho da marcenaria em produtos de arte e decoração.

Em 2005, a Coopnharin foi constituída com o objetivo de gerar renda, emprego e oportunidades a quem, assim como eles, não tinham grandes expectativas no mercado de trabalho na região. “Os primeiros itens produzidos foram objetos pequenos como porta-joias e jogos pedagógicos”, explica o diretor financeiro, Rodrigo de Sousa Santana.

Hoje, sete anos depois da fundação e com três cooperados a mais, a produção cresceu e passou a fornecer também artigos como calendários, porta-canetas, petisqueiras, fruteiras, bandejas, taças para licor, e até peças maiores como poltronas, mesas e cadeiras. O carro-chefe são os pisos para jardim, conhecidos como garden tiles. “Por mês, são montadas três mil peças, o que dá uma média de retorno de R$ 25 mil”, conta o diretor financeiro. Esse mesmo produto foi exportado, por meio da parceria com a Fundação Orsa, para países como Alemanha, França e Holanda. Além da juventude, essa é uma cooperativa ecologicamente correta. Toda a produção é feita com madeira legal e certificada pelo selo de conservação ambiental da FSC (Forest Stewardship Council), fornecida pela Orsa Florestal. “É uma forma de mostrar que nós, jovens da região, estamos atentos à questão sustentável e que temos responsabilidade social”, finaliza Rodrigo.

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Sicoob Cooper-Ação: realizando os sonhos dos que mais precisam

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m 1997, um grupo de funcionários de empresas especializadas em vigilância, serviços gerais e transporte de valores resolveu fundar uma cooperativa. O investimento era modesto: 30 reais de cada um deles totalizava o capital simbólico de três mil reais. No entanto, havia um diferencial, era a primeira instituição de crédito que oferecia suporte a esta classe de trabalhadores em Belém do Pará. Hoje, 15 anos depois, a Cooper-Ação possui 1600 associados, um patrimônio de quase três milhões de reais, e se orgulha de ser uma cooperativa que tem ajudado centenas de trabalhadores a realizar sonhos. A rápida ascensão da financeira levou seus dirigentes a tomar decisões que mudaram os rumos da cooperativa. Em 2006, ela tornou-se parte do Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob), assinando um convênio de crédito consignado e de compensação com o Banco Cooperativo do Brasil (Bancoob), o que permitiu ampliar os recursos disponíveis aos associados, como serviços bancários, empréstimos, cartões de crédito e débito. Dessa forma, quem recebe seu salário pela cooperativa foi incluído no sistema financeiro de uma forma pouco comum a trabalhadores de baixa renda, ou seja,

livres das taxas abusivas dos bancos tradicionais. “O mais importante, é que a maioria dos cooperados utiliza os empréstimos para a aquisição da casa própria”, explica o presidente da CooperAção, Pedro Paulo Barbosa. Ele conta que em comemoração ao aniversário da instituição, uma campanha escolherá 15 grandes histórias de sucesso relacionadas ao tema. “Queremos saber como as pes-

soas conseguiram atingir seus objetivos graças ao crédito oferecido por nós, seja na compra de um imóvel, carro etc.” Entre os benefícios oferecidos, a Cooper-Ação também promove o popular casamento ecumênico comunitário. “É a nossa forma de auxiliar os trabalhadores a se unirem legalmente no cartório e em uma cerimônia religiosa ao mesmo tempo”, orgulha-se Barbosa.

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Coopyfrutas: o melhor fruto brasileiro no mercado europeu

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Coopyfrutas é uma cooperativa de sucesso do Rio Grande do Norte. Localizada em Mossoró, a organização, que cultiva aproximadamente 1.000 hectares de melão, melancia, banana, mamão, coco e abóbora, exporta para oito regiões da Europa. A Inglaterra, seu maior importador, responde por 50% desse volume. Já o norte do continente europeu e os países mediterrâneos correspondem 30% e 20%, respectivamente. Com o objetivo de atender bem a todos os clientes, a Coopyfrutas realiza um rigoroso controle de qualidade e segurança em todo o processo de produção, desde a seleção da fruta até o transporte. Além disso, a cooperativa está atenta à plantação de melão, investindo em pesquisa para desenvolvimento de variedades genéticas do alimento. Os demais

estudos são direcionados à questão do meio ambiente, e assim sendo, técnicas de manejo integrado de pragas estão sendo aperfeiçoadas com o uso de predadores naturais. “A cooperativa nos dá todo o suporte de compra de insumos e comercialização do produto. Nós, produtores, nos preocupamos somente em oferecer o melhor resultado e a cooperativa faz todo o trâmite”, afirma Ajax Filho, pro-

dutor e vice-presidente da organização. Outro trabalho importante é a responsabilidade social. Todas as fazendas da Coopyfrutas fazem doações semanais de melão, melancia, caju, mamão, coco e tomate, produtos plantados durante a entressafra, ao Projeto Mesa Brasil, programa de segurança alimentar e nutricional mantido pelo Serviço Social do Comércio (SESC).

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Solis: o lado livre da tecnologia

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Cooperativa de Soluções Livres (Solis) foi fundada há quase dez anos por um grupo de alunos, professores e ex-funcionários do Centro de Processamento de Dados (CPD) da Univates, Centro Universitário, em Lajeado (RS). Foi a primeira cooperativa de desenvolvimento e integração de recursos em software livre da América Latina. Atualmente, ela trabalha com os mais variados setores: acadêmicos, indústria, comércio e serviços. Na área de software, seu foco é a educação, atendendo, principalmente, as instituições de ensino superior públicas ou privadas. Além disso, a cooperativa é umas das pioneiras em criar soluções livres full web. Já no campo de infraestrutura, a Solis atua fortemente na terceirização de ambientes de Tecnologia da Informação e na montagem de projetos de segurança, continuidade, alta disponibilidade e interoperabilidade, tanto em ambientes livres como

híbridos. “Temos orgulho em oferecer a nossos clientes a liberdade e a tranquilidade para tomarem suas decisões. Para tanto, além dos próprios associados, contamos com colaboradores de 13 municípios do entorno no quadro social e proporcionamos a eles crescimento pessoal e profissional, mais uma prova de que a Solis tem cumprido a sua missão com a sociedade”, ressalta o presidente Júnior Alex Mulinari.

A equipe é formada por engenheiros, analistas de Sistemas, administradores, técnicos, entre outros profissionais, e a cooperativa investe constantemente na capacitação da sua força de trabalho. Exceto os já graduados, todos os demais frequentam algum curso de formação superior, contribuindo significativamente para a qualidade das soluções oferecidas aos clientes da organização e também à comunidade.

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a m u : T M e/ d er V o r u O i ed r ic S a r ei c r a p o it éd r c e d va ti a cooper da comunidade

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undada há 22 anos, a história da Sicredi Ouro Verde se confunde com a do município de Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso. Graças a uma trajetória marcada pela cooperação, a cidade superou a condição de assentamento, transformando-se em um dos mais importantes polos de desenvolvimento sustentável da região. Nesse contexto, a cooperativa de crédito tem sido parceira da comunidade, não apenas como instituição financeira que oferece agilidade e segurança nas transações financeiras e serviços online, mas apoiando projetos e ações que contribuem para o desenvolvimento econômico e sociocultural dos associados e seus familiares. Entre os projetos e programas sociais que beneficiam associados e as comunidades onde a cooperativa está inserida, está o incentivo ao esporte em diferentes modalidades, desde jogos escolares até competições de nível profissional, como campeonatos estaduais e nacionais. “A Sicredi Ouro Verde atua com clareza e transparência, mostrando eficiência nos serviços prestados, atendendo às necessidades dos associados e, ao mesmo tempo, promovendo,

participando ou fomentando ações transformadoras da realidade”, afirma o presidente Eledir Pedro Techio. Os resultados desse bom relacionamento social expandiram sua atuação a outros municípios. Hoje, com mais de 20 mil associados e 130 colaboradores, além da sede em Lucas do Rio Verde, a cooperativa está presente nas cidades de

Ipiranga do Norte, Itanhangá, Tapurah, São José do Rio Claro, Nova Maringá e Diamantino. Com todas essas realizações, a Sicredi Ouro Verde consolidou-se como um verdadeiro modelo de organização econômica da sociedade, servindo de exemplo para outras cooperativas do País.

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Sicoob Credicocapec: a inclusão social faz parte da sua história

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undada em 1991 por um grupo de 20 pessoas, a Cooperativa de Crédito Rural Cocapec – Sicoob Credicocapec nasceu com o intuito de atender às necessidades financeiras dos produtores rurais da região. Sua concepção foi fundamental para melhorar o desenvolvimento agrícola, sustentável e econômico do município de Franca. Inicialmente, enfrentou obstáculos com a desconfiança dos produtores, que, na época, desconheciam a importância de uma cooperativa de crédito. O Sicoob Credicocapec só teve oportunidade de cumprir a sua finalidade dois anos depois de sua formação, momento em que os associados encontraram facilidades para comercializar sua produção e aumentar a rentabilidade de sua propriedade. Hoje, a cooperativa fornece aos cooperados taxas especiais no financiamento de crédito, caixas eletrônicos e o Sicoob Net. Sem contar que, além da distribuição das sobras financeiras, a cooperativa quer fazer a diferença para a construção de uma sociedade melhor. “O Sicoob Credicocapec pulveriza seus recursos e o acesso aos produtos e serviços financeiros, sempre com o foco no bem-estar dos seus cooperados, contribuindo, assim, para o desenvolvimento de suas atividades com consequente ganho social às comunidades em que

está inserida”, afirma o diretor-presidente, Maurício Miarelli. A organização, presente também nos municípios Pedregulho/SP, Ibiraci/MG e Claraval/MG, prioriza o quadro social composto por mini e pequenos agropecuaristas. Os produtores, que cultivam uma área simples, são considerados donos da cooperativa e, portanto, possuem o mesmo direito de exercer a sua

opinião nas assembleias: cada cooperado tem direito a um voto, individual e intransferível. Além disso, a Sicoob Credicocapec promove alguns projetos sociais que visam à integração e inclusão dos associados e seus familiares em programas como: Cooperjovem, Mosaico Teatral, Encontro de Mulheres e Encontro de Crianças.

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Coopifor-MG: uma cooperativa de trabalho com Selo de Capacitação

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esde 1998, a Cooperativa de Trabalho dos Consultores e Instrutores de Formação Profissional, Promoção Social e Econômica Ltda. (Coopifor) é referência no ramo. Com 255 associados, em sua maioria médicos veterinários, engenheiros agrônomos e zootecnistas, a cooperativa estabelecida em Belo Horizonte/MG é especializada em instrutoria, consultoria

técnica e capacitação profissional em diferentes segmentos do agronegócio. Para atestar a qualidade dos serviços oferecidos às 700 empresas contratantes cadastradas em seu banco de dados, a Coopifor investe na capacitação dos próprios cooperados. Destaca-se ainda, pela sua participação no Programa Nacional de Conformidade das Cooperativas (PNC) do Ramo Trabalho, que,

por meio de um conjunto de ações regulamentadas pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), define padrões de conformidade para melhorar os serviços das participantes. Outro fato relevante é que a Coopifor foi a primeira cooperativa mineira a receber o Selo de Conformidade do PNC, em 2010. Para José Aílton Junqueira, presidente da Coopifor, esse reconhecimento proporciona um diferencial competitivo. “O selo trabalha a identidade e a transparência de nossas ações internas e externas. Trata-se de uma excelente ferramenta de gestão cooperativista que tem facilitado o acesso dos cooperados ao mercado de trabalho”, afirma. Entre os mais de 100 cursos de formação e treinamento, estão os de operação e manutenção de maquinário agrícola; administração de cooperativas rurais e higiene; conservação e armazenagem de alimentos; apicultura; suinocultura; inseminação artificial de bovinos, entre outros.

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Coopervida-RN: abastecimento de água e desenvolvimento rural

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Cooperativa de Assessoria e Serviços Múltiplos do Desenvolvimento Rural (Coopervida), localizada na cidade de Mossoró, Rio Grande do Norte, transformou a realidade dos agricultores familiares no interior do estado. Desde sua fundação, em 1999, promove ações de desenvolvimento rural, melhorando as condições de trabalho no campo, gerando renda e aumentando a qualidade de vida dessas pessoas. No início, a cooperativa prestava assistência técnica agroecológica aos produtores, oferecendo orientação, formação e capacitação referente ao método de cultivo agrícola, sem uso de fertilizantes minerais e de agrotóxicos. “A ideia era fazer com que as famílias conseguissem produzir mais e melhor, sem que elas tivessem que pagar por isso, utilizando recursos naturais próprios”, explica o coordenador administrativo da cooperativa, Neurivan Vicente da Silva. O trabalho da organização abrange três frentes de atuação: 1) a geração e organização, que tem como meta a inclusão social, a valorização e a promoção da pessoa humana; 2) a educação contextualizada, que busca favorecer a orientação relacionada ao meio em que vivem; e 3) o abastecimento de água na região do semiárido potiguar, a grande atuação da cooperativa. Em 2005, a

Coopervida tornou-se Unidade Gestora Microrregional do Programa de Formação e Mobilização Social para Convivência com o semiárido. Dessa forma, ficou responsável pelo planejamento, construção e monitoramento de cisternas, levando água tratada para mais de três mil famílias de 11 municípios da região. Hoje, além desses importantes trabalhos, os 26 cooperados também ajudam

moradores de áreas rurais na elaboração de projetos para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF), mobilizam e capacitam famílias e cisterneiros na construção de poços no semiárido, “transformando a vida dessas pessoas, melhorando suas condições de vida e promovendo o exercício da cidadania”, conclui Neurivan.

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Cooperativa Serrana: contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico

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Cooperativa de Transporte Sul Serrana Capixaba, que atua desde 2003 no município de Conceição do Castelo no Espírito Santo, presta serviços para cerca de 10 mil pessoas por dia em todo País. Além de possuir uma frota considerável de 1.400 veículos, a organização é uma importante fonte de renda e emprego da região e, agora em 2012, conta com aproximadamente 1.500 cooperados e emprega mais de 100. “É importante destacar que nosso serviço tem qualidade e, conseqüentemente, muita credibilidade, o que nos permite afirmar que já mudamos a realidade de muitas famílias onde estamos presentes efetivamente e pretendemos fazer muito mais”, destaca o diretor geral, Tarlin de Souza Amorim. Comprometida em elevar a qualidade de vida da sociedade, a cooperativa apoia entidades sociais e realiza programas que incentivam o progresso da comunidade em que atua. Em comemoração ao Ano Internacional das Cooperativas,

a organização, com outras instituições capixabas, proporciona o crescimento da capacidade de incluir jovens no mercado de trabalho. Além disso, incentiva o Projeto Fojolico, que atende cerca de 150 pessoas, entre 16 e 24 anos, em todo o Espírito Santo, com objetivo de formar novas lideranças. A Serrana impulsiona, ainda, a participação feminina no trabalho que desenvolve. Hoje, é composta por 82 funcionárias, número considerado

alto por se tratar de uma cooperativa de transportes, ramo onde é mais comum a homens o desempenho da função. Agora, elas são a maioria, representando 59% do quadro de pessoas. Desse modo, a instituição colabora e participa para o fortalecimento do setor cooperativista, promovendo a realização profissional de muitos e investindo em projetos que fazem a diferença.

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o ã ç a v o r p a e d e ic d ín Cedef: alto í u ia P o d s e r a l u ib t nos ves

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Cooperativa Educacional de Ensino Fundamental (Cedef) foi idealizada, em 2000, por um grupo de 20 professores, ex-funcionários de uma escola que pediu falência no município de São João do Piauí, localizado a 460 quilômetros da capital Teresina. A ideia era oferecer ensino de qualidade e baixo custo à população, que tinha poucas opções de ensino na região. A diretora financeira da organização,

Rivanete Pereira da Silva, conta que foram muitos os desafios para viabilizar a Cedef. Ela foi construída a partir de doações dos próprios professores, de dinheiro arrecadado em eventos e outras atividades, que também ajudaram na aquisição de mobiliário e material didático a ser distribuído. “Saímos às ruas, distribuindo panfletos, explicando o que é a cooperativa, quais os nossos objetivos com esse projeto. Fizemos de tudo para conseguirmos fundá-la ainda

em 2000”, conta orgulhosa a diretora. A partir dessas ações, o prefeito da cidade logo entendeu a importância do projeto e cedeu aos cooperados a estrutura física que a escola ocupa até hoje. O esforço dos professores e voluntários valeu a pena. Atualmente, com 465 alunos, é a única do município com refrigeração em todas as dependências, uma equipe de professores qualificados e toda a infraestrutura necessária para nivelar-se aos melhores centros educacionais do estado. Além disso, a Cedef tem aprovação de quase 100% de seus alunos nos vestibulares de todo o Estado do Piauí e é, hoje, a maior e melhor escola privada de São João do Piauí. O próximo passo da cooperativa, segundo a diretora Rivanete, é a conquista de um novo espaço físico. “Um prédio que atenda toda a demanda e possibilite oferecer uma educação ainda mais dinâmica e participativa. Assim, seríamos não só a melhor instituição do município, mas uma referência em todo o estado do Piauí”, conclui.

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Coepad-SC: oportunidade de trabalho a jovens com deficiência

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espeito, motivação, integração, capacitação e harmonia com a sociedade e o meio ambiente. São esses os valores trabalhados pela Cooperativa Social de Pais, Amigos e Portadores de Deficiência (Coepad). Fundada em 1999 no município de Florianópolis/SC, sua principal finalidade é capacitar e dar oportunidade de trabalho a jovens com idade igual ou superior a 18 anos que possuam algum tipo de deficiência intelectual.

A cooperativa, pertencente ao Ramo Produção, atua principalmente com oficinas de cartonagem, corte e costura, acabamento gráfico, serigrafia e reciclagem de papel artesanal. “Em cada oficina, temos um coordenador que orienta os cooperados no processo de produção, além de fazer a parte de monitoramento das atividades”, explica o presidente da cooperativa, Aldo Brito. Entre os pro-

dutos comercializados pela cooperativa, estão: camisetas, blocos de papel, cadernos, agendas, porta-retratos, pastas de eventos, entre outros. Contando hoje com 49 cooperados, a Coepad já beneficiou quase 100 jovens da região. “Muitos dos que se formaram aqui conosco conseguiram emprego em outras empresas. Ficamos muito felizes quando isso acontece. Afinal, conseguimos contribuir para que essas pessoas conquistassem a sua independência financeira”, comemora. Além dos jovens, a cooperativa também é composta por pais e amigos dos deficientes e pessoas voluntárias que prestam serviços gratuitos. A Coepad conta, ainda, com várias parcerias, entre elas, o Instituto Guga Kuerten, a Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho, o Instituto Comunitário Grande Florianópolis e a Universidade Federal de Santa Catarina.

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Sicoob Sudoeste-PR : e em serviços financeir xcelência os no Paraná

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Cooperativa de Crédito de Livre Admissão do Sudoeste do Paraná (Sicoob Sudoeste), localizada em Pato Branco, interior do estado, é “uma instituição de pessoas preocupadas com qualidade de atendimento, que oferece menos burocracia e juros mais acessíveis aos cooperados, entre outras vantagens”, nas palavras de seu diretor executivo, Luiz Carlos da Silva.

Foi fundada em 2008, pela iniciativa de 35 empresários dispostos a solucionar o problema das altas taxas de juros oferecidas pelo mercado, que dificultavam o trabalho dos micro, pequeno e médio empresários da região. “Nós queríamos dar condições para essas pessoas continuarem seus negócios”, conta o diretor. Em 2009, o Sicoob Sudoeste passou a oferecer serviços bancários, como conta-corrente, crédito pessoal, desconto de

títulos, financiamentos, débito automático, cobrança, seguros, poupança, consórcios, entre outros, para atender às necessidades financeiras dos cooperados. Hoje, após três anos de sua instituição, a cooperativa é exemplo na região. São mais de 1.300 cooperados e os recursos financeiros administrados pelo Sicoob Sudoeste ultrapassaram, em 2012, o valor de R$ 22 milhões. Atualmente, a cooperativa conta com cinco Unidades de Atendimento, funcionando duas em Pato Branco e as outras nos municípios de Vitorino, Clevelândia e Palmas. Até o final de outubro, mais uma unidade será inaugurada em Bom Sucesso do Sul. O diretor do Sicoob Sudoeste relaciona todo esse sucesso ao crescimento dos seus cooperados: “Nós somos o espelho das empresas e das pessoas que fazem parte do nosso quadro social. Se os cooperados crescem, nós também crescemos”, conclui Luiz Carlos da Silva.

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Cosulati-RS: a segun da casa do produtor

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Cooperativa Sul-Rio-Grandense de Laticínios Ltda. (Cosulati) nasceu em 1973 da união de duas forças cooperativistas do Rio Grande do Sul, a Cooperativa Regional de Laticínios Pelotense Ltda. (Coolapel) e a Cooperativa Regional de Laticínios da Região Sudoeste do RS (Colacti). Juntos, seus 3.500 associados fortalecem a cadeia do leite, aves e cereais no estado, favorecendo o desenvolvimento local, permitindo uma melhor qualidade de vida do produtor e facilitando sua permanência no campo.

A área de atuação da cooperativa se estende a 38 municípios gaúchos, com instalações industriais e de transformação da matéria-prima localizadas em Capão do Leão, Morro Redondo e Canguçu. Sob o nome final de Danby Cosulati, sua linha de produtos laticínios vai de leite em pó, pasteurizado, condensado e longa vida a manteigas, bebidas lácteas, requeijões e diversos tipos de queijo. Toda essa diversidade é proveniente de uma bacia leiteira com alto padrão genético, totalizando a industrialização de um milhão de litros de leite por dia.

Em pleno desenvolvimento, a avicultura da Cosulati também tem aumentado a renda familiar dos associados. Os interessados recebem aves, ração elaborada pela Cooperativa e orientação técnica durante todo o ciclo de criação. Com o aumento de propriedades envolvidas na produção, o número de frangos abatidos cresce gradualmente e sua comercialização é feita sob a forma de cortes especiais, frangos inteiros, resfriados, congelados e uma linha nobre sob a forma de bandejas e embutidos. Com tantas realizações, a Cosulati é prova viva de organização que cumpre os princípios universais do cooperativismo. Cerca de 25 mil pessoas estão associadas a ela, sejam colaboradores, parceiros e a comunidade em geral. Para o diretor-presidente, Arno Alfredo Kopereck, o objetivo da Cosulati é somar esforços para o melhor rendimento de cada associado. “Cada cooperado tem o mesmo valor, e a cooperativa acaba se tornando a segunda casa do produtor. É uma sociedade de pessoas que oferece oportunidade de crescimento para todos”, comemora.

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SantaCoop-MG: o cooperativismo valorizando o trabalho médico

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a década de 1990, havia entre os médicos dos hospitais de Belo Horizonte uma grande insatisfação com as tabelas praticadas pelos planos de saúde para remuneração das consultas, além de atrasos nos pagamentos. A Cooperativa dos Médicos da Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte (SantaCoop) foi fundada em 1993 para reverter essa situação na Santa Casa BH. A princípio, a SantaCoop era composta por 373 cooperados e dois funcionários, e tinha como objetivo organizar o exercício da atividade econômica de seus associados, prestando assistência administrativa nos contratos de serviços a serem executados pelos cooperados. De acordo com o atual presidente, Dr. Kleber Costa de Castro Pires, a constituição da cooperativa foi muito bem sucedida, “pois atendeu à necessidade do corpo clínico em efetivar o recebimento dos seus salários de forma organizada e estruturada”. Com o crescimento, a SantaCoop decidiu ampliar sua estrutura e contratar novos funcionários. Segundo a diretora administrativa, Dra. Cáthia Costa, a

cooperativa oferece, hoje, um corpo funcional bem estruturado, que consegue caminhar e orientar os seus associados com eficiência. “Sinto-me feliz por fazer parte dessa equipe, entrei sem conhecimento de como tais instituições funcionam. Aqui, entendi a importância do cooperativismo para nós médicos e

descobri um lado gerencial em mim que jamais imaginava ter”, declara. Atualmente, a SantaCoop é uma cooperativa de atendimento médico com significativa representação no País, atuando com cerca de 2.400 cooperados e 30 funcionários.

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Revista Histórias da Cooperação