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Revista PALAVRAR - Ler e escrever é resistir - Edição 6 - Janeiro 2024

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SALTANDO DO PARÊNTESIS ESTÁ NO LADO ISA CERTO SILVA

N

unca me tinha passado pela cabeça. Até que, um dia, passou. E avancei, é claro. Depois já não poderia voltar atrás. É daquelas decisões que deveriam ser ponderadas, mas nem sempre isso acontece. Porém, no meu caso, até foi bem pensada. No entanto, a dúvida surge. Não que seja uma pessoa indecisa, todavia questiono-me se fiz bem... ou não. Afinal, há o lado certo e o lado errado. Não fiquei com um sentimento de culpa, longe disso. E, pensando bem, estás presente nesta história e noutras tantas e em variadas ocasiões e até lugares. Quem sou eu para contestar tudo isso? Já perdi a conta ao tempo que andas por aqui. És tão fútil como importante. Como é possível teres uma legião fiel de admiradores? Percebo que te abracem e que te exaltem como simbolismo cultural, mas sabes que não agradas a todos. Na verdade, nem assim, nem com esse manto de tradições, te aceitam. Muitos discordam e fazem questão de demonstrar

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esse particular repúdio. Pessoalmente, acho que exageram nessa negação. Arranjam argumentos para justificar crenças e medos e desse modo fomentam a divisão, o ostracismo e com frequência algo bem pior. Por vezes, entra o tempero do mistério do crime, da perseguição, da criminalidade. Em certas partes da sociedade assim é. É o lado errado. Vive a discriminação popular vestida de honra e ideais sem sentido. Afinal não erramos todos? Ninguém é perfeito. O ser humano é muito complexo e não percebe os caminhos de mágoa que deixa em cada caminhar. E depois é cheio de contrariedades. Tão depressa despreza como adora. Sim, tem esse lado, o de pura adoração e ostentação. Afinal no que é que ficamos? É bom ou é mau? Não ligo a essa dualidade. Esqueço-a. Não quero mesmo saber. A única coisa que sinto é que me ajudaste. Apesar de bater aquela tristeza quando recordo o que me levou a tal, aqueles dias tão difíceis, aquela luta interna de desejar um rumo, de saber e não saber... O olhar para ti deu-me esperança, lembrou-me que tinha capacidades. Deu-me tanto conforto. É estúpido, percebo, mas assim foi. É por isso que quero e vou repetir. Vou querer mais de ti. Vais fazer parte de mim de novo. Quando? Não sei. Ah! E a beleza que podes ser... Sim, também podes ser absolutamente deslumbrante, possuir esse imenso requinte, espantar até os mais cépticos num olhar imóvel a mirar-nos à distância ou, até, de tão perto que ouvimos a respiração. Podes ser uma verdadeira obra de arte. Mãos de mestre numa agitação viva de criatividade. E posso sempre tocar-te, não estás protegida ou carregada de armadilhas ou quebras de vontades. Estás ali, bem visível para todos e, por vezes, escondido onde ninguém te quer mostrar. Mais dualidade?


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