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Ambigroup • Número 25 • mai/jun/jul/ago 2013 • Distribuição Gratuita • www.ambigroup.com/ambinews

Opinião - ricardo furtado - valorcar A saga do artigo 119º do Código da Estrada ARTIGO - Resíduos Sólidos Urbanos Aterro ainda é o principal destino dos RSU ARtigo - Resíduos de Construção e Demolição Aplicação sustentável de RCD em infraestruturas rodoviárias

Ambitrena

Uma parceria de qualidade na gestão de resíduos


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Desmantelamentos e Demolições

Serviços partilhados de manutenção

Combustível Derivado de Resíduos

Reciclagem de Metais

Resíduos de Construção e Demolição

Transporte e logística

Veículos em Fim de Vida e reutilização de peças

Reciclagem de plástico

Gestão de resíduos

Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrónicos

Inovação Ambiental O melhor parceiro da sua empresa na Gestão Ambiental


Informação de abertura

EDITORIAL Pode parecer contraproducente o investimento numa unidade de reciclagem de Resíduos de Construção e Demolição (RCD) numa altura em que o setor da construção quase desapareceu do país. Ainda assim, porque não queremos reduzir os padrões de qualidade e porque devemos continuar a procurar a eficiência na gestão de resíduos, avançaremos com a inauguração desta unidade localizada no Ecoparque do Ambigroup do Seixal já este verão. A propósito deste tema, ao longo de mais de um ano durante a construção do nosso Ecoparque, o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e o Instituto Superior Técnico (IST) desenvolveram um projeto de investigação – Aplicação Sustentável de RCD em Infraestruturas Rodoviárias - com o objetivo de contribuir para a generalização da aplicação sustentável de RCD em pavimentos rodoviários, através da melhoria do conhecimento relativo ao desempenho do comportamento mecânico e ambiental destes materiais, quando colocados como agregados em camadas não ligadas de pavimentos. O Ambigroup aguarda com expetativa os resultados deste estudo que serão divulgados em seminário no início de julho. Agradecemos ainda ao nosso Parceiro Mercedes Benz os elogios (assim como as críticas quando existirem) publicados na reportagem da página seguinte. De facto, não somos perfeitos, mas estamos em permanente busca pela eficiência e otimização das nossas soluções de gestão procurando ir ao encontro das necessidades dos nossos Clientes. Para a Ambitrena, assim como para o Ambigroup, a gestão de resíduos não é vista como uma mera prestação de serviço mas antes como uma relação de confiança e parceria entre produtor e operador de resíduos. João Carlos de Além

Nova central de reciclagem de RCD O Ambigroup está quase a concluir a construção de uma nova unidade de tratamento de resíduos.

E

mbora a crise setorial possa desincentivar todo e qualquer investimento nos Resíduos de Construção e Demolição (RCD), o Ambigroup tem vindo a desenvolver esforços para concluir a construção da estação de tratamento deste fluxo no seu Ecoparque do Seixal. De facto é prática recorrente para o Grupo a reciclagem deste fluxo, quer nas diversas unidades da Ambitrena quer in situ nas obras executadas pela Demotri.

frações, encaminhando-as para tratamento específico.

Esta unidade, prestes a ficar concluída, será inteiramente dedicada à triagem, valorização e reciclagem de RCD, com capacidade de tratamento dos materiais e armazenamento de agregados reciclados.

Posteriormente o material inerte é submetido a uma classificação através de um crivo que efetua a separação por granulometrias diversas. A fração fina segue para armazenamento temporário a fim de ser reutilizada em pavimentos, camadas de base e sub-base, etc.. Por sua vez, o material de dimensão superior é submetido ainda a uma outra fragmentação mecânica e separação por granulometrias obtendo-se um produto adequado a produção de argamassas e betões não estruturais; Pavimentação e recuperação de estradas rurais; Controle de erosão; Enchimento de fundações de construção e aterros, etc..

Os RCD são constituídos por diversos materiais, como cartão, plásticos, metais, madeiras, etc. O grau de eficiência que se espera obter na reciclagem fundamenta todo o processo, o qual se divide por várias etapas de tratamento dos materiais. Entre as quais destacamos uma primeira triagem de forma mecânica visando a separação por tipologia de resíduos. Esta linha conta ainda com separação magnética e manual, permitindo a separação e classificação das diversas

A reciclagem de RCD numa estação de tratamento permite obter um agregado reciclado apto para diversas aplicações com consumos reduzidos de energia e eficientes processos de separação e limpeza. Os benefícios são sobretudo ambientais. Para além de contribuir para a redução da deposição em locais inadequados permite poupar os recursos naturais. Por outro lado, a utilização de agregados reciclados possibilita poupanças muito significativas em relação aos materiais convencionais. Informação Ambigroup Pág. 3


REPORTAGEM - Gestão de Resíduos na Mercedes Benz Portugal

Ambitrena - um parceiro na Gestão de Resíduos Na Mercedes Benz valoriza-se a Qualidade e o Ambiente. A Ambitrena é o operador de resíduos que gere, trata e valoriza os resíduos deste produtor, assegurando o cumprimento da regulamentação e estabelecendo uma relação não só de mero prestador de serviço mas como verdadeira parceria. Pág. 4 Ambinews® 25 Mai/Jun/Jul/Ago

A

Ambinews foi saber o que pensa um produtor de resíduos Cliente da Ambitrena sobre a sua performance na Gestão dos seus Resíduos. Fátima Bandeira técnica de Qualidade & Ambiente e Higiene e Saúde no Trabalho da Mercedes Benz Portugal guiou-nos pelas suas instalações e pelo ecocentro onde assistimos ao acondicionamento seletivo e recolha de resíduos. Em conversa com a responsável ficamos a conhecer a relação de parceria entre o produtor e o operador de resíduos. O que levou a Mercedes Benz a escolher a Ambitrena para a gestão de resíduos? Nós tínhamos uma empresa a trabalhar connosco há mais de 12 anos. Também devido aos requisitos da nossa casa mãe, a Daimler, de dois em dois anos somos obrigados a fazer consultas ao mercado. Uma das coisas que se tinha verificado era que o custo dos resíduos cada vez estava a aumentar mais. Fizemos um levantamento do que eram os nossos fluxos e quantidades de resíduos produzidas, assim como dos nossos custos. Fizemos consulta ao mercado onde obviamente foram consultados os principais operadores de resíduos com algumas referências no setor automóvel e que respeitassem todos os pré-requisitos

de licenciamento que exigimos como empresa certificada na área ambiental. E assim chegamos à Ambitrena que preenchia todos esses requisitos. No concurso foram analisadas seis propostas que cumpriam os pré-requisitos. Passamos a uma segunda avaliação técnica em termos de solução de contentorização e de custo de tratamento de resíduos. Nesta segunda triagem passaram duas empresas à fase final e uma delas era a Ambitrena. A Ambitrena acabou por ganhar uma vez que tinha a melhor qualidade/preço e melhor solução de contentorização, que para nós era importante para a nossa gestão de espaço. Que tipo de resíduos estamos a falar? Temos 32 fileiras de resíduos, 80 por cento são resíduos perigosos, como os filtros de óleo, absorventes e embalagens contaminados com substâncias perigosas e outros como os RIB, vidros auto, pára-choques, papel e cartão, etc. Como se processa a gestão de resíduos dentro da Mercedes? A engenharia da segregação de resíduos passa por três momentos: primeiro o colaborador tem placares identificativos do


De seis operadores de resíduos a Ambitrena teve a melhor relação qualidade/preço

local onde deve colocar resíduos, há um ecoponto local junto aos postos de trabalho onde há mais fluxo em termos de movimentação de resíduos. Depois estes ecopontos locais são transportados para um ecoponto central onde temos grandes contentorizações, neste caso, cubas de um metro cúbico para substâncias perigosas e depois contentores de oito e dez metros cúbicos, de onde os resíduos são transportados com as devidas guias de acompanhamento de resíduos para destinos autorizados através da Ambitrena. “Recomendaria sem dúvida a Ambitrena” Há quanto tempo trabalham com a Ambitrena? Qual o balanço desta relação? A Ambitrena trabalha connosco há cerca de dez meses. O balanço é extremamente positivo: a pessoa que tem feito o elo de ligação, a nossa gestora de conta, é extremamente ágil na resolução de alguns problemas que possam surgir; existe uma plataforma onde nós fazemos o pedido de recolha que torna todo o processo de recolha muito mais ágil e deixa registo de toda a movimentação do resíduo; e obviamente, graças a esta nova organização, passamos

a ter a possibilidade de segregar resíduos valorizáveis que nos estão a dar um retorno financeiro extremamente interessante no sentido de contrabalançar o custo dos fretes com o custo do tratamento dos resíduos que não têm mais-valia. A Ambitrena é um operador cumpridor dos requisitos? A Ambitrena tem sido um operador cumpridor. Existe obviamente um processo de melhoria contínua, ninguém é perfeito e é muito difícil acertar à primeira, no entanto, há vontade de melhorar e de encontrar novas soluções e isso foi um dos pré-requisitos que colocamos no caderno de encargos (onde pedimos que as empresas não se considerassem apenas um prestador de serviços, mas que passassem a ser efetivamente nossos parceiros) e, de facto, o nosso elo de amizade tornou-se quase numa relação familiar.

“A Ambitrena tem sido um operador cumpridor. Existe obviamente um processo de melhoria contínua, ninguém é perfeito e é muito difícil acertar à primeira, no entanto, há vontade de melhorar e de encontrar novas soluções”.

Recomendaria a Ambitrena? Recomendaria sem dúvida a Ambitrena. Trabalhei antigamente com outras entidades gestores de resíduos da dimensão da Ambitrena, mas efetivamente a agilidade que tem surgido tem tornado esta relação bastante positiva. Informação Ambigroup Pág. 5


INFORMAÇÃO - Pneus Usados

Em 10 anos a Valorpneu recolheu e valorizou 893.000 toneladas de pneus em fim de vida. Dos quais 25% foram recauchutados, 25% por cento valorizados energeticamente e 50% reciclados. Ambitrena é ponto de recolha de pneus usados Valorpneu tendo contribuído para o alcançar dos objetivos

Dez anos de gestão de pneus

F

undada a 27 de fevereiro de 2002, a Valorpneu nasceu da necessidade de dar solução aos pneus em fim de vida. A sua missão consiste em organizar e gerir o sistema de recolha e valorização dos pneus usados, o qual se tornou operacional a partir de 1 de fevereiro de 2013. Desde então, 70 milhões de pneus usados foram gerados em Portugal, o que equivale a mais de um pneu gerado num ano por cada dois habitantes. Qual o balanço de uma década na gestão dos pneus em fim de vida?

O balanço é manifestamente positivo e os resultados estão à vista. A Valorpneu gere uma rede que cobre o continente de norte a sul e as regiões autónomas. Foram recolhidos e valorizados 893.000 toneladas de pneus, 100 por cento dos pneus usados gerados. 92.000 toneladas de pneus acima do objetivo legal da Valorpneu (mais de 12 por cento). Foram efetuados 56 mil fretes e oito milhões de quilómetros percorridos no transporte para valorização dos pneus usados, o equivalente a 207 voltas à terra. Dos pneus usados recolhidos, gerados nos dez anos, 24,5 por cento foram recauchutados e reutilizados, 50 por cento encaminhados para reciclagem e 24,7 por cento para valorização energética, tendo os restantes 0,8 por cento sido depositados em aterro, situação que correspondeu a pneus de granPág. 6 Ambinews® 25 Mai/Jun/Jul/Ago

des dimensões e que terminou em meados de 2005. Através da recauchutagem, o total de sete milhões de pneus recauchutados reduziu o consumo de 2/3 de matérias-primas e de energia, relativamente à produção equivalente de pneus novos. Dos pneus recauchutados nesta década, 65 por cento em peso são pneus de camião. Em média, a produção total de pneus recauchutados permitiria equipar anualmente o equivalente a 25 por cento do parque automóvel de viaturas pesadas existente em Portugal. Reciclagem de pneus permitiu poupar o equivalente a quatro milhões de árvores Em dez anos a Valorpneu encaminhou para as unidades de reciclagem 422.000 toneladas de pneus em fim de vida, substituindo recursos naturais e matérias-primas. A reciclagem de pneus permitiu poupar a quantidade de borracha natural equivalente à extração em 4 milhões de árvores. Materiais derivados de pneus reciclados como granulado de borracha, têxtil e aço têm sido utilizados em diversas aplicações. O granulado de borracha entra na composição de pavimentos de parques infantis e desportivos, na indústria da borracha e de isolamentos, bem como nas misturas betuminosas com borracha. As 255.000 toneladas de pneus em fim de

vida encaminhados ao longo dos dez anos para serem aproveitados como fonte de energia, gerou 7.400 terajoules (TJ) de energia, o necessário para produzir dois milhões de toneladas de clinquer, o principal componente do cimento. A comunicação e a sensibilização foram também tidas em conta ao longo da década. A Valorpneu apostou em inserções televisivas, na rádio e na imprensa, organizou encontros anuais da rede, editou uma newsletter quadrimestral, sinalizou os operadores e apoiou projetos de responsabilidade social. Para além disso, a Valorpneu investiu na qualidade da rede: realizou 23 formações, 833 relatórios de avaliação qualidade de Ponto de Recolha, 120 relatórios de avaliação qualidade de transportador, atribuiu cinco prémios de desempenho a Pontos de Recolha, inspecionou 374 Pontos de Recolha, realizou 94 Inspeções a valorizadores, fez 1.191 inquéritos de auditoria e 163 auditorias presenciais às obrigações de Produtores. Destaque ainda para a I&D: 22 projetos foram da iniciativa ou participados pela Valorpneu, como forma de garantir a sustentabilidade do sistema, com realce para as quatro edições do Prémio Inovação. Dez anos passados, a Valorpneu reitera o seu compromisso com o futuro.


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Informação Ambigroup Pág. 7


Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrónicos

Ponto Electrão Outdoor Projeto piloto da Amb3E tem como objetivo facilitar aos cidadãos o acesso a contentores adequados para a deposição deste fluxo de resíduos. Oeiras, Vilamoura, Sintra, Albufeira e Coruche já estão dotados deste sistema.

A

Amb3E inaugurou o primeiro Ponto Electrão Outdoor da Europa, em parceria com a Câmara Municipal de Oeiras. Posteriormente foram colocados pontos electrão outdoor em Vilamoura, Sintra, Albufeira e Coruche. Este projetopiloto da Amb3E, que consiste na instalação de contentores subterrâneos para a deposição de resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos (REEE), tem como objetivo facilitar aos cidadãos o acesso a contentores adequados para a deposição deste fluxo de resíduos. O Ponto Electrão Outdoor é um projeto pioneiro na Europa ao nível da recolha de REEE, patenteado pela Amb3E, e cofinanciado pela Agência Portuguesa do Ambiente. Esta estrutura, localizada na via pública, é dotada de um sistema de limitação de altura da queda que amortece os REEE durante a mesma, encontrando-se completamente isolada e protegida quer das condições atmosféricas, quer de eventuais tentativas de furtos. Após os seis meses previstos para implementação e desenvolvimento do projeto, deverá iniciar-se a fase de análise das recolhas e das condições de manutenção destes contentores. Esta solução é indicada para a deposição de pequenos REEE, como por exemplo: monitores; varinhas mágicas; computadores; telemóveis; rádios; impressoras; entre muitos outros, à excepção de lâmpadas. Os REEE depositados no Ponto Electrão Outdoor serão recolhidos e encaminhados para reciclagem através do Sistema Integrado de Gestão de REEE, a cargo da Amb3E. A Amb3E recebeu e encaminhou para reciclagem, nos seis anos da sua licença, mais de 180 mil toneladas de resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos (REEE). Pág. 8 Ambinews® 25 Mai/Jun/Jul/Ago


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Informação Ambigroup Pág. 9


OPINIÃO - Ricardo Furtado - Valorcar

A saga do artigo 119º do Código da Estrada

N

o momento em que se escreve este texto a Assembleia da República debate uma proposta de lei do Governo que altera o artigo 119º do Código da Estrada, o qual define as condições em que a matrícula de um veículo pode ser cancelada. À primeira vista este tema pode parecer enfadonho e sem especial interesse, mas na verdade é determinante para a subsistência da indústria nacional de reciclagem de Veículos em Fim de Vida (VFV).

Em 2003 a Diretiva 2000/53/CE foi transposta para a legislação nacional, mas manteve-se inalterado o artigo 119º do Código da Estrada onde se permite o cancelamento da matrícula por simples pedido do proprietário. Há dez anos que se mantêm em vigor duas peças legislativas antagónicas.

Os factos remontam ao ano de 2010, quando se aprovou em Bruxelas a chamada diretiva dos VFV, a Diretiva 2000/53/CE. Esta define que os Estados-membros devem tornar obrigatória a apresentação de um certificado de destruição para efeitos de cancelamento da matrícula de um veículo. Como este documento só pode ser emitido pelos centros de abate licenciados, procurase assim garantir que os VFV sejam encaminhados para operadores que respeitem as condições fixadas, retirando deste circuito as ditas “sucatas ilegais”. Mais tarde, em 2003, esta diretiva foi adequadamente transposta para a legislação nacional, mas manteve-se inalterado o já citado artigo 119 do Código da Estrada, onde nada se diz em relação ao certificado de destruição e se permite o cancelamento da matrícula por simples pedido do proprietário. Assim, mantêm-se em vigor há mais de uma década duas peças legislativas que contemplam disposições antagónicas sobre a mesma matéria, o que tem vindo a ser sobejamente utilizado. Só assim se explica que, segundo os dados estatísticos do próprio Instituto da Mobilidade e dos Transportes, mais de 30 por cento das matrículas sejam canceladas sem apresentação de certificado de destruição. A pergunta que se põe é a quem aproveita esta situação, sendo a resposta relativamente simples: aos cidadãos que abandonam veículos ou que os entregam em sucatas ilegais, sem qualquer tipo de preocupação cívica ou ambiental; aos operadores não licenciados que continuam a trabalhar sem

Pág. 10 Ambinews® 25 Mai/Jun/Jul/Ago

investirem em infraestruturas e equipamentos adequados; às redes de desmantelamento de salvados e de utilização dos seus documentos em práticas ilícitas. Naturalmente, a VALORCAR tem desde sempre procurado sensibilizar as mais diversas autoridades e membros dos Governos para a necessidade de correção desta anomalia, mas infelizmente sem sucesso. Por essa razão, viu-se obrigada a apresentar uma queixa em Bruxelas contra o Estado Português, em parceria com a Quercus, em Agosto de 2012. Coincidência, ou não, este Governo aprovou em Março de 2013 uma alteração ao artigo 119, a qual foi posteriormente remetida para apreciação pela Assembleia da República. Infelizmente, não podemos deixar de considerar que esta proposta é insatisfatória. De facto, apesar de pela primeira vez referir a necessidade de apresentação do certificado de destruição, vem logo a seguir criar duas exceções que, na prática, permitirão facilmente contornar a regra: é admitido o cancelamento da matrícula de veículos que deixem de utilizar a via pública; é admitido o cancelamento da matrícula de veículos que não compareçam numa inspeção obrigatória. Ora, como é fácil de perceber, todos os veículos que são abandonados ou entregues numa sucata ilegal deixarão de circular na via pública e comparecer à inspeção obrigatória, pelo que a sua matrícula será automaticamente cancelada. Para tentar remediar a situação, a VALORCAR e a Quercus já reuniram com diversos grupos parlamentares, procurando sensibilizá-los para a necessidade de corrigir estes “alçapões” legais. Estando ainda longe de saber qual será o texto final aprovado, podemos desde já afirmar que continuaremos a lutar para inverter este estado de coisas e que não desistiremos da queixa em Bruxelas enquanto o artigo 119 não respeitar integralmente o direito comunitário. É que, se houvesse compreensão por parte de quem nos governa, seria tão fácil garantir o controlo deste fluxo de resíduos!


OPINIÃO - Quitéria Antão - Presidente da APOGER

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Informação Ambigroup Pág. 11


INFORMAÇÃO - Resíduos Sólidos Urbanos

Maior parte dos RSU ainda tem Portugal reduziu a taxa de deposição em aterro em quatro pontos percentuais de 2011 para 2012. No entanto, ainda há muito a fazer em matéria de sustentabilidade dos sistemas de gestão de Resíduos Sólidos Urbanos. Nesse sentido, o PERSU III deverá ficar concluído já em Junho. Taxar o lixo em função da produção Está a ser estudada uma proposta que visa aumentar a reciclagem de RSU em Portugal que consiste na alteração da taxa do lixo que atualmente é paga em função do consumo da água, passando a ser cobrada em função da quantidade de resíduos produzidos. Trata-se de um processo já existente em diversas cidades europeias, apresentando bons resultados, embora para a sua implementação seja necessária a instalação de um sistema de recolha seletiva eficiente, complementado por uma forte campanha de sensibilização da população. O cálculo da tarifa poderá ser feito em função do peso ou do volume dos resíduos, existindo diversos processos de recolha (sacos, contentores, etc). Espera-se que a maior separação dos materiais recicláveis induzida por este processo tornará mais barata a gestão dos resíduos pelas câmaras municipais que optarem por este sistema, pois o envio de materiais para reciclar gera receitas, enquanto que o envio para aterro ou incineração tem custos. Em Portugal ainda não foi instalado um sistema deste género, sendo que a primeira experiência desta prática deverá arrancar na Maia.

Pág. 12 Ambinews® 25 Mai/Jun/Jul/Ago

A

deposição em aterro é normalmente considerada a solução menos recomendada nas políticas europeias de gestão de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) e até à década de 1990, abrangia quase a totalidade dos resíduos produzidos em Portugal. Não obstante a esta solução ter vindo progressivamente a ser abandonada, em favor da reciclagem, incineração e valorização orgânica, o país ainda enfrenta muitos problemas no que respeita ao melhoramento da eficiência dos seus sistemas de gestão. Publicado recentemente, um relatório da Agência Europeia do Ambiente (AEA) revela que Portugal está entre os países que mais continuam a desperdiçar grandes quantidades de recursos valiosos ao depositar anualmente (de 2001 a 2010) em aterro cerca de 60 por cento dos seus RSU. O país figura assim na lista dos 11 Estados Membros com maiores dificuldades em atingir a meta europeia da Diretiva Quadro dos Resíduos. A AEA refere que o país terá de fazer um esforço adicional para atingir a meta dos 50 por cento em 2020. Um balanço apresentado pelo secretário de Estado do Ambiente durante o 7.º Fórum dos Resíduos, Paulo Lemos, mostra que o país está a tentar reduzir a distância dos países mais desenvolvidos nesta matéria que “ainda é um ponto fraco da nossa estratégia”. Em 2012 já se registou uma diminuição de 36 quilos na quantidade de resíduos produzidos por cada português, em comparação com 2011, ficando a capitação anual em 451 quilos por habitante e a produção diária em cerca de 1,2 quilos. De acordo com Paulo Lemos “há menos quatro por cento de resíduos postos em aterro, mais seis por cento de resíduos biológicos que são valorizados e

recuperados, além do menor número de resíduos produzidos por habitante o que também é um fator de sustentabilidade”. Em 2012, a produção de resíduos urbanos foi de 4,528 milhões de toneladas, menos 7,5 por cento em relação a 2011. Saliente-se, no entanto, que o fator crise está a contribuir em grande escala para a redução da produção de resíduos. Na recolha seletiva, “os valores estão dentro dos níveis”, o que associado com a valorização dos resíduos biológicos leva a “números bastante positivos”, refere o


Crise é um dos factores que têm estado na origem da redução da produção de resíduos

como destino principal o aterro ração nomeadamente nos resíduos urbanos. Continuamos a privilegiar a hierarquia dos 3R’s (Redução Reutilização e Reciclagem), e tentar desviar o máximo possível de RSU de aterro” afirma Paulo Lemos que aposta na sustentabilidade dos sistemas e, por isso, já está a elaborar a revisão do segundo Plano Estratégico para os Resíduos Sólidos Urbanos (PERSU II). PERSU III concluído em junho A elaboração do terceiro PERSU é fundamental não só para a gestão do lixo como para a privatização da Empresa Geral de Fomento (EGF), a sub-holding estatal da área dos resíduos. A privatização só deverá avançar com as regras bem definidas no PERSU III, sobretudo ao nível de metas que tenham de ser cumpridas. “Vamos avaliar se devemos ter metas nacionais ou metas para cada sistema de gestão de resíduos”, esclarece Paulo Lemos. De acordo com o secretário de Estado o PERSU III deverá ficar concluído o em Junho. No entanto, a privatização da EGF já tinha sido anunciada no primeiro semestre deste ano. O plano estratégico terá como objetivos principais o cumprimento das metas europeias para os resíduos, garantir a sustentabilidade dos sistemas de gestão e compatibilizar os investimentos necessários com os financiamentos do próximo Quadro Comunitário de Apoio. Assembleia pressiona Governo a melhorar a gestão de resíduos

governante. De facto, mais de metade (54 por cento) dos resíduos foram para aterro em 2012 (contra 58 por cento em 2011), 15 por cento tiveram como destino a valorização orgânica, tanto compostagem como digestão anaeróbica, o que representa uma subida de seis pontos percentuais, 18 por cento foram para valorização energética e 13 por cento para recolha seletiva visando a reciclagem. É no sentido de se cumprir as metas europeias que se vai continuar a trabalhar: “Pretendemos dar continuidade a importantes trabalhos de infraestrutu-

Recentemente a Assembleia da República recomendou ao Governo a reavaliação e consolidação dos planos de gestão de resíduos. O objetivo passa por melhorar a performance portuguesa nos indicadores e estatísticas europeias. A resolução aprovada pretende levar o Governo a melhorar as taxas de execução e definir objetivos de gestão que cumpram as políticas europeias aconselhando-o ainda a propor, junto da Comissão Europeia a desclassificação do estatuto de resíduo para o composto e para os Combustíveis Derivados de Resíduos, por forma a simplificar as formas de aproveitamento destes recursos.

A reciclagem de RSU na Europa Um relatório da Agência Europeia do Ambiente (AEA) revela que apesar de alguns países terem registado um rápido aumento das taxas de reciclagem, muitos continuam a depositar a maior parte dos RSU em aterro correndo o risco de incumprimento das metas de reciclagem exigidas por lei. O Reino Unido aumentou a percentagem de reciclagem de resíduos sólidos urbanos de 12 para 39 por cento de 2001 a 2010, ao passo que a Irlanda aumentou de 11 para 36 por cento durante o mesmo período. Eslovénia, Polónia e Hungria também melhoraram notavelmente as taxas de reciclagem desde a sua adesão à UE. No entanto os mais recicladores são a Alemanha (62 por cento), a Bélgica (58 por cento), os Países Baixos (51 por cento) e a Suíça (51 por cento). O relatório conclui ainda que a reciclagem ajuda a reduzir os gases que produzem efeito de estufa e permite poupar recursos valiosos. Prevenir a criação de resíduos é a máxima prioridade nesta matéria. Os resíduos urbanos gerados por cada cidadão da UE diminuíram cerca de 3,6 por cento entre 2001 e 2010, não obstante uma das causas ser a crise económica. Entretanto os países que reduziram com êxito a percentagem de resíduos envida para aterro e amentaram as taxas de reciclagem utilizaram geralmente instrumentos a nível nacional e regional como a proibição da deposição em aterro resíduos biodegradáveis ou de resíduos que não tenham sido tratados previamente. Aumento das taxas de deposição em aterro, a valorização energética, a recolha seletiva obrigatória de resíduos urbanos, foram fatores que contribuíram para o aumento das taxas de reciclagem.

Informação Ambigroup Pág. 13


ARTIGO TÉCNICO - Resíduos de Construção e Demolição

Aplicação sustentável de RCD em infraestruturas rodoviárias Construção de trecho experimental no Ecoparque do Ambigroup, com aplicação de Resíduos de Construção e Demolição nas camadas granulares. Fig.1 Materiais estudados

(a) Betão britado misto

(b) Mistura betuminosa britada

(c) mistura de 70% de ABGE calcário com 30% de mistura betuminosa fresada

(d) ABGE calcário Pág. 14 Ambinews® 25 Mai/Jun/Jul/Ago

O

Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e o Instituto Superior Técnico (IST) têm estado a desenvolver um projeto de investigação, apoiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), a concretizar ao longo de três anos, intitulado SUPREMA – Aplicação Sustentável de Resíduos de Construção e Demolição (RCD) em Infraestruturas Rodoviárias, que pretende contribuir para a generalização da aplicação sustentável de RCD em pavimentos rodoviários, através da melhoria do conhecimento relativo ao desempenho do comportamento mecânico e ambiental destes materiais, quando colocados como agregados em camadas não ligadas de pavimentos.

como material de referência (Figura 1d). As quatro secções foram instrumentadas com extensómetros e células de carga, colocados ao nível das camadas granulares não ligadas, incluindo a fundação, e a camada betuminosa.

O principal resultado esperado com o desenvolvimento deste projeto é a elaboração de recomendações práticas para projeto e construção de pavimentos rodoviários com a utilização de RCD, que incluirão um guia para a aplicação de misturas betuminosas fresadas como materiais granulares não ligados em camadas de sub-base e de leito de pavimento.

Os constituintes dos agregados grossos presentes em cada RCD foram identificados e classificados de acordo com a metodologia da norma EN 933-11, através da separação manual dos diferentes componentes, com exceção feita às partículas flutuantes (Quadro 1).

Assim, no âmbito do presente projeto foi construído um trecho experimental no novo Ecoparque do Ambigroup, presentemente em construção e destinado a atividades de reciclagem de materiais com diferentes origens (máquinas elétricas e eletrónicas, madeira, construção e demolição), localizado na zona sul da área metropolitana de Lisboa, Seixal, contemplando a aplicação de diferentes RCD nas camadas não ligadas, devidamente instrumentadas e cujo comportamento se pretende observar ao longo do tempo. Os materiais aplicados nas quatro secções do trecho experimental foram selecionados a partir de diferentes resíduos, referindo-se RCD britado (mistura de betão e de cerâmica, Figura 1a), RCD de mistura betuminosa (britada e fresada, Figuras 1b e 1c) e agregado calcário,

Todos estes materiais foram submetidos a ensaios laboratoriais de identificação e caracterização geométrica, física, mecânica, química e ambiental das suas principais propriedades, segundo as normas aplicáveis a misturas não ligadas e tendo em consideração as especificações portuguesas LNEC para a utilização de agregados reciclados: LNEC E 473, relativa à aplicação em camadas granulares não ligadas de pavimentos, e LNEC E 474, para aplicações em aterro e camada de leito do pavimento.

A zona selecionada para a construção do trecho experimental está localizada a norte do parque industrial, e corresponde à ocupação dos arruamentos junto à zona da entrada, segundo uma extensão de cerca de 90 metros e uma largura de seis metros em perfil transversal da faixa de rodagem, tendo sido disponibilizados pelo Ambigroup os meios materiais, técnicos e humanos para a sua concretização. A Figura 2 apresenta a geometria da implantação de cada uma das secções do trecho experimental em planta e em perfil transversal. O pavimento do trecho experimental é constituído por uma camada em materiais granulares (MG) com 0,30 m de espessura, construída com os RCD e o material de referência, e por uma camada de mistura betuminosa (MB) constituída por macadame betuminoso do tipo AC 20 Reg 50/70 (MBD), com espessura média de 0,07 m, sendo que a seleção deste


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SEMINÁRIO

Aplicação sustentável de Resíduos de Construção e Demolição (RCD) em infra-estruturas rodoviárias

suprema

LNEC • Lisboa 1 de julho de 2013 9:00 às 17:30

INFORMAÇÕES

Correspondência e pedidos de esclarecimento devem ser dirigidos a: LNEC | Apoio à Organização de Reuniões Av. de Brasil 101 | 1700-066 LISBOA tel.: 21 844 34 83 | fax: 21 844 30 14 | cursos@lnec.pt

Informação Ambigroup Pág. 15


Resíduos de Construção e Demolição Quadro 1

Constituintes

Materiais Betão Britado Misto

FL [cm3/kg]

Rc [%]

Ru [%]

Ra [%]

Rb [%]

Rg [%]

X [%]

0,6

68

17

1,9

13

0,3

0,1

Mistura Betuminosa Britada

0,0

19

10

69

1,89

0,0

0,0

Mistura Betuminosa Fresada

0,0

0,1

17

83

0,0

0,0

0,0

Legenda: FL - Material flutuante em volume | Rc - Betão, produtos de betão e argamassas | Ru - Agregados não ligados, pedra natural, agregados tratados com ligantes hidráulicos | Ra - Material betuminoso | Rb - Elementos de alvenaria de materiais argilosos (tijolo, ladrilhos, telhas, etc.), elementos de alvenaria de silicatos de cálcio e betão celular não flutuante | Rg - Vidro | X -Outros materiais não granulares (por ex. solos argilosos), plástico, borracha, metais (ferrosos e não ferrosos), matérias não flutuantes e estuque.

Durante a construção da camada granular procedeu-se ao controle dos valores do grau de compactação e do teor em água através da realização de ensaios in situ. Para além da fundação, foram também realizados ensaios de carga com FWD durante a construção das camadas não ligadas. Em cada secção do trecho experimental foram selecionados dois locais a instrumentar (Figura 4), onde se colocaram os seguintes equipamentos: I) extensómetros horizontais, na base da camada betuminosa; II) extensómetros verticais, no topo do aterro de fundação do pavimento; III) células de carga, no topo do aterro de fundação do pavimento. A instrumentação foi realizada durante a construção das camadas, tendo obrigado a cuidados específicos de instalação e de movimentação de pessoas e máquinas. Anote-se que o posicionamento final de toda a instru-

mentação foi georreferenciado. No passeio, ao lado de cada uma das secções do trecho experimental, zona central, foram construídas quatro caixas de visita para localização dos terminais dos cabos de ligação aos sistemas de aquisição de dados de cada uma das secções. Na Figura 5 apresenta-se, a título exemplificativo, alguma da instrumentação aplicada no trecho experimental, no topo da fundação (Figuras 5(a) e (b)) e na base da camada betuminosa (Figura 5(c)). Apresenta-se ainda a colocação do termómetro para avaliação da temperatura no interior da camada betuminosa (Figura 5(d)). Durante a construção do trecho experimental foram realizados ensaios de carga com o deflectómetro de impacto (FWD), sobre a camada de materiais granulares e sobre a camada final de mistura betuminosa, após a conclusão da construção. Posteriormente foram levadas a cabo novas campanhas de ensaios de carga, de modo a avaliar o comportamento dos materiais aplicados sob diferentes condições de temperatura e humidade. Os resultados obtidos nestas avaliações bem como os decorrentes da caracterização geométrica, física e ambiental dos RCD em apreço, realizadas no âmbito do projeto de investigação SUPREMA, serão apresentados em Seminário que terá lugar a 1 de julho de 2013 no LNEC.

Fig.2 Geometria de implantação das secções do trecho experimental Planta

Perfil transversal

Legenda: Caixa de visita (terminal de instrumentação) Local a instrumentar

Fig.4 Instrumentação das secções experimentais

Fig.3 Diferentes fases da construção do trecho experimental

(a)

(b)

(c)

(d)

Fig.5 Instrumentação das secções experimentais, no topo do aterro de fundação e na base da camada betuminosa

Legenda: Extensómetro vertical Extensómetro horizontal Célula de carga MB - Camada de misturas betuminosas MG - Camada de materiais granulares

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Texto: Ana Cristina Freire et al, 2013 - Laboratório Nacional de Engenharia Civil

material para aplicação na camada betuminosa foi da responsabilidade do dono de obra. Os métodos construtivos adotados foram similares em todo o trecho experimental. A Figura 3 mostra os equipamentos utilizados nas operações de espalhamento dos materiais granulares, Figura 3(a), rega da camada granular, Figura 3(b) e compactação dos materiais granulares e betuminosos, Figuras 3(c) e (d), respetivamente.


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Informação Ambigroup Pág. 17


INFORMAÇÃO - Incorporação de materiais reciclados nas Obras Públicas

Apesar de ser obrigatório a incorporação de materiais reciclados em Obras Públicas, a Quercus acusa o Ministério do Ambiente de não controlar a aplicação da Lei. A APA garante ter dado início a um conjunto de medidas que lhe permitam salvaguardar os objetivos de gestão de RCD não perigosos.

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O

Ministério do Ambiente não está a controlar a incorporação de materiais reciclados em Obras Públicas, não estando assim a ser cumprido o Decreto-Lei n.º73/2011 de 17 de Junho que obrigava a incorporar pelo menos cinco por cento de reciclados a partir de 2011, revela a Quercus. Esta Lei previa, para além da aplicação de melhores práticas ambientais, o escoamento dos materiais reciclados produzidos pelos recicladores nacionais, bem como a preparação do mercado nacional para o cumprimento da meta comunitária que estipula um aumento mínimo para 70 por cento no total reciclado de resíduos de obras até 2020. A incorporação de materiais reciclados deverá ser efetuada de acordo com a totalidade da matéria-prima utilizada em Obra, devendo esta informação constar no Projeto de Execução. Os quantitativos incorporados devem ser comunicados posteriormente, através do registo eletrónico na Agência Portuguesa do Ambiente (APA), na plataforma SIRAPA. Contudo, segundo o comunicado da Quercus os dados apurados por esta associação ambientalista revelam que não tem existido qualquer controlo e muitas das obras públicas como as municipais, não fazem qualquer tipo de incorporação de materiais reciclados. Apesar de haver obrigatoriedade de escoamento de materiais reciclados em Obras Públicas, a Quercus acredita que esta

medida não está a ser aplicada, pese embora os benefícios ambientais e económicos da mesma, dado que estes materiais são na sua maioria mais baratos. Por outro lado, sem este tipo de reforço as metas de reciclagem estabelecidas terão mais dificuldade em ser cumpridas em 2020, dado que, segundo as contas desta entidade com base nos números nacionais, as taxas de reciclagem não ultrapassarão os cinco a dez por cento. Em declarações à Ambinews, a APA assume que tem competência para “assegurar e acompanhar a execução da estratégia nacional para os resíduos”, garantindo a monitorização da aplicação da legislação e o cumprimento das metas impostas nesta matéria. Embora, “a fiscalização do cumprimento desta disposição não seja da responsabilidade da APA esta já deu início a um conjunto de ações que lhe permitam não só a aferição da medida implementada, mas também delinear estratégias que melhor salvaguardem os objetivos de gestão dos Resíduos de Construção e Demolição (RCD) não perigosos”. Entre estas ações destaca-se o formulário para integrar no Portal Base do Instituto da Construção e do Imobiliário – numa iniciativa conjunta da APA, o Instituto da Construção e do Imobiliário e a Quercus, está a ser construído um formulário para recolher informação sobre o Plano de Prevenção e


Ministério do Ambiente não estará a controlar a aplicação do DL n.º73/2011 de 17 de Junho

Crise dificulta cumprimento das metas de reciclagem de RCD Gestão de RCD, previsto para as obras públicas. “Com esta ferramenta pretende-se obter a informação necessária para o cálculo da percentagem de materiais reciclados incorporados em obra” de acordo com a APA. Destaca-se ainda a avaliação específica nos procedimentos de Avaliação de Impacte Ambiental que prevejam a apresentação de um Plano de Prevenção e Gestão (PPG). De acordo com esta entidade “pretende-se não só avaliar a qualidade e conformidade dos mesmos, mas também garantir que no final a APA disponha de informação sobre a concretização do previsto em sede de plano”.

A APA refere ainda que a exequibilidade da meta de 70 por cento dependerá também da capacidade do mercado para absorver os materiais reciclados, capacidade essa que, “forçosamente, diminui em tempos de crise económica e setorial”. Por outro lado, a concretização da meta de 70 por cento de valorização de RCD não se esgota na sua reciclagem. “Há ainda a considerar a preparação para a reutilização e outras formas de valorização material, incluindo as operações de enchimento que utilizem resíduos como substituto de outros materiais”. De acordo com este organismo a Decisão

da Comissão n.º 2011/753/EU, de 18 de Novembro, ao estabelecer regras e métodos de cálculo para verificar o cumprimento da meta, define enchimento como qualquer operação de valorização através da qual os resíduos apropriados são utilizados para efeitos de recuperação em zonas escavadas ou em obras de engenharia paisagística, bem como nos casos em que os resíduos substituem materiais que não são resíduos. “Deste modo, existem, outras aplicações para os RCD que, constituindo operações de valorização, contribuem para a meta imposta, preservando os recursos naturais” refere a APA.

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Informação Ambigroup Pág. 19


informação ambigroup - Obras

Demolição de obras de arte em Setúbal

A

Demotri efetuou recentemente uma demolição e um desmantelamento em simultâneo sobre a Av. Antero de Quental em Setúbal. A obra que irá permitir a construção de um novo viaduto no âmbito da empreitada de “Remodelação e Ampliação do Jumbo de Setúbal”, consistiu na demolição de uma Passagem Superior (PS) em betão armado constituída por um tabuleiro de três vãos, contínuo e ligado por pilares intermédios. Simultaneamente decorreu o desmantelamento, 200m mais a baixo na mesma avenida, de uma Passagem Superior Pedonal (PSP) metálica no âmbito da mesma empreitada. Os trabalhos decorreram durante um fim de semana tendo sido necessária a interrupção do trânsito da via superior e inferior. A Demotri efetuou com sucesso os trabalhos tendo recorrido a meios mecânicos pesados, a equipamento de oxi-corte e a apoio de auto grua. As operações incluíram ainda a reciclagem dos resíduos produzidos em obra.

Demolição de parque de estacionamento em Lisboa Foi concluída com sucesso a obra de demolição e desmantelamento de um parque de estacionamento em estrutura metálica e pré-lajes em betão situado na zona do futuro terminal rodoviário no Campo Grande, em Lisboa. A obra incluiu o desmantelamento de uma passagem pedonal aérea que ligava o parque de estacionamento ao antigo terminal, operação que teve de decorrer em período noturno por forma a minimizar o impacto no tráfego automóvel. Além destas operações, a Demotri encarregou-se dos trabalhos de transporte e encaminhamento dos resíduos gerados para destino final adequado. Pág. 20 Ambinews® 25 Mai/Jun/Jul/Ago


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INFORMAÇÃO - Seminário na APA perpetiva os próximos anos do setor

Informação InformaçãoAmbigroup Ambigroup Pág. 21


INFORMAÇÃO ambigroup

Campeonato de salvamento com o apoio da Ambitrena

D

ecorreu recentemente em Tavira o I Campeonato Regional de Salvamento e Desencarceramento. O evento que se inseriu nas comemorações do 125ª Aniversário da Corporação de Bombeiros Municipais de Tavira contou com a participação de nove equipas de diversas corporações de Bombeiros do Algarve garantindo à equipa vencedora o apuramento para o campeonato nacional. A Ambitrena e o Ambigroup orgulham-se de se associar a uma iniciativa que tem por objetivo desenvolver e melhorar os conhecimentos técnicos dos bombeiros na realização das suas atividades de salvamento e prestação de cuidados de emergência às vítimas de acidentes. Como apoio a Ambitrena forneceu à organização do concurso de desencarceramento dez veículos limpos de óleos e combustíveis.

Ambigroup ganha a gestão de resíduos na REN Duas empresas do Ambigroup ganharam o concurso de gestão de resíduos provenientes dos estaleiros e da construção/remodelação de linhas da REN em todo o território nacional. A Recifemetal está já a efetuar a recolha e tratamento dos resíduos metálicos ao passo que a Ambitrena tem a seu cargo, através das suas unidades de Aveiro, Odivelas, Setúbal e Faro a recolha e valorização dos restantes fluxos de resíduos, como RIB, resíduos perigosos, plástico, REEE, entre outros. A seleção do Ambigroup como parceiro na gestão de resíduos por parte da Rede Elétrica Nacional evidencia a qualidade e competitividade que as empresas do Grupo têm alcançado nos últimos anos.

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Recipolymers em Exposição na Chamusca A unidade de reciclagem da Recipolymers na Chamusca esteve em exposição naquele concelho em Maio. O objetivo passava por dar a conhecer à população o que de melhor se faz em matéria de reciclagem de plástico no município. Muitos visitantes passaram pelo stand de exposições da Recipolymers.


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NOVIDADES LEGISLATIVAS - Ambiente

Ficha Técnica Ambinews® - Revista de Informação de Ambiente ©

de depósitos minerais e de massas minerais.

- Portaria nº 108/2013, de 15 de Março Aprova os estatutos da Agência Portuguesa do Ambiente, I.P.

- Resolução da Assembleia da República nº 19/2013, de 7 de março - Recomenda ao Governo que promova as medidas necessárias, no âmbito da revisão das políticas de gestão de resíduos, para melhorar os indicadores e estatísticas de Portugal, no contexto da União Europeia, no que se refere à geração, tratamento e deposição em aterros de resíduos.

- Resolução da Assembleia da República nº 8/2013, de 31 de janeiro - Recomenda a aplicação do sistema tarifário de resíduos baseado no instrumento económico pay as you throw (PAYT), tal como sugestão da Comissão Europeia no recente estudo sobre prevenção e reciclagem de resíduos.

Comunitária

- Decreto-Lei nº 23/2013, de 15 de fevereiro - Procede à primeira alteração ao Decreto-Lei nº 45/2008, de 11 de março, introduzindo procedimentos desmaterializados de envio das notificações e informações relativas às transferências de resíduos.

- Regulamento (CE) nº 57/2013 da Comissão, que altera o Regulamento (CE) nº 1418/2007 relativo à exportação de determinados resíduos, para fins de valorização, para certos países não membros da OCDE. JO L21 2013-01-24

- Decreto-Lei nº 31/2013, de 22 de fevereiro - Procede à primeira alteração ao Decreto-Lei nº 10/2010, de 4 de fevereiro, que estabelece o regime jurídico a que está sujeita a gestão de resíduos das explorações

- 2013/2/EU – Diretiva da Comissão, que altera o anexo I da Diretiva 94/62/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, relativa a embalagens e resíduos de embalagens. JO L37 2013-2-08

As informações desta agenda poderão sofrer alterações. Para confirmação oficial, contactar a organização.

Evento: Gestão de Resíduos: Principais alterações introduzidas pelo DL nº 73/2011, de 17 de Junho ao DL nº 178/2006, de 5 de Setembro Data: 21-06-2013 Local: Vila Nova de Gaia Descrição: Conheça os novos conceitos na área da gestão de resíduos introduzidos por este diploma; Conheça os novos princípios na gestão de resíduos; Identifique as responsabilidades dos vários intervenientes na gestão de resíduos; Conheça as novidades introduzidas por este diploma: a guia de acompanhamento de resíduos eletrónica (e-GAR), o fim do estatuto de resíduos e avaliação de subprodutos. Mais info.: www.wecreateyou.biz Evento: Seminário - Responsabilidade Ambiental

www.ambigroup.com/ambinews @: ambinews@ambigroup.com Ed. Ambigroup, Rua Projectada à Estrada da Paiã, 1679-013 Pontinha, Odivelas  +351 217 107 030 | +351 217 121 918 Direção: João Carlos Além @: joao.alem@ambigroup.com Redação/Fotografia/Design: Samuel Ferreira (cart. prof. n.º 6584) @: samuel.ferreira@ambigroup.com Impressão: IDG Imagem Digital Gráfica Tiragem Média: 2000 exemplares Periocidade: Quadrimestral Distribuição: Gratuita Impresso em papel reciclado CONTACTOS AMBIGROUP AMBIMOBILIÁRIA SA/AMBIPOLIS SA Ed. Ambigroup, Rua Projectada à Estrada da Paiã, 1679-013 Pontinha, Odivelas  +351 217 107 030 | +351 217 121 918 @: ambimobiliaria@ambigroup.com @: ambipolis@ambigroup.com AMBITRENA SA SEDE e Unidade de Lisboa: Ed. Ambigroup, Rua Projectada à Estrada da Paiã, 1679-013 Pontinha, Odivelas  +351 217 107 030 | +351 217 107 038 @: ambitrena@ambigroup.com @: ambitrena.odivelas@ambigroup.com Unidade de Aveiro: Parque Industrial de Albergaria a Velha, Arruamento E - 3850 Albergaria a Velha  +351 234 520 150 | +351 234 520 159 @: ambitrena.albergaria@ambigroup.com Unidade de Setúbal: Parque Industrial da Mitrena, lote 76, 2910-738 Setúbal;  +351 265 709 630 |  +351 265 709 639 @: ambitrena.setubal@ambigroup.com

AGENDA AMBIENTAL Evento: Seminário - Gestão de Resíduos Industriais e Hospitalares Data: 04-06-2013 Local: Lisboa - APA Descrição: O seminário a decorrer na Agência Portuguesa do Ambiente contará com altas personalidades do setor para abordar as últimas novidades relativas à gestão de resíduos. Mais info.: www.apemeta.pt

Propriedade: Ambigroup SGPS, SA

Data: 27/06/2013 Local: Lisboa - APA Descrição: A Apemeta organiza mais um seminário do interesse dos principais players do setor ambiental. Operadores de resíduos, profissionais do setor, associações empresariais, gestores, técnicos e estudantes poderão assistir à discussão sobre as últimas novidades relativas à questão da Responsabilidade Ambiental numa conjuntura de crise. Mais info.: www.apemeta.pt Evento: 2nd International Conference WASTES: Solutions, Treatments and Opportunities Data: 11-09-2013 Local: Universidade do Minho Descrição: O principal objetivo subjacente à realização desta conferência consiste na promoção de um espaço privilegiado e de referência para a apresentação, esclarecimento, debate e permuta de ideias centrado nas exigências, mudanças, desafios, soluções e oportunidades que se colocam ao sector do Ambiente, com especial enfoque na gestão sustentável de resíduos. Mais info.: www.wastes2013.org

Unidade de Beja: Parque Ambiental da AMALGA, Apartado 6040, 7801-908 Beja / +351 284 329 880 @: ambitrena.beja@ambigroup.com Unidade de Faro: Estrada Nac. 125 km 96.7 Caixa Postal 641-Arneiro, 8005-412 Faro  +351 289 896 720 |  +351 289 896 729 @: ambitrena.faro@ambigroup.com AUTOVFV, SA Estrada Municipal da Mourisca, Quinta Vale da Rosa, Armazém 1, 2910 Setúbal  +351 265 701 000 |  +351 265 701 009 @: autovfv@ambigroup.com DEMOTRI SA Ed. Ambigroup, Rua Projectada à Estrada da Paiã, 1679-013 Pontinha, Odivelas  +351 217 121 910 | +351 217 121 918 @: demotri@ambigroup.com RECIELECTRIC SA / RECIPOLYMERS SA / RECIFEMETAL SA Rua Eugénio dos Santos, n.º1 Pinhal de Frades, Casal do Marco - 2840-185 Arrentela, Seixal  +351 212 269 900 |  +351 212 269 907 @: recielectric@recielectric.pt @: recipolymers@ambigroup.com RECIPOLYMERS Unidade da Chamusca Estrada do Relvão, Casal do Relvão E. M. 1375 Lotes 1 2, Casal do Relvão -2140 - 671 Carregueira, Chamusca  +351 249 741 129 |  +351 249 741 175 RECIFEMETAL SA / TRANSALÉM SA / INCOFERRO SA Edifício Além, EN 115 - km 65,2 2630-058 Arranhó  +351 219 687 430 |  +351 219 687 440 @: recifemetal@ambigroup.com @: transalem@ambigroup.com @: incoferro@ambigroup.com RECIFEMETAL ESPAÑA SL C/Capitan Mendizabal, 20-1ºc 48980 Santurtzi Vizcaya  0034944625194 |  0034944835162 @: recifemetal.espana@ambigroup.com

Nota: Isento de Registo na ERC ao abrigo do decreto regulamentar 8/99 de 9/6 art. 12º nº 1 A | Textos escritos ao abrigo do novo acordo ortográfico

Nacional


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