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VIEIRA, Alberto (1980), "Açoreanidade em questão", Memória da Água Viva, Ponta Delgada-Açores, GICA, nº 7., pp. 17-19

COMO REFERENCIAR ESTE TEXTO: VIEIRA, Alberto (1980), "Açoreanidade em questão", Memória da Água Viva, Ponta DelgadaAçores, GICA, nº 7., pp. 17-19, Funchal, CEHA-Biblioteca Digital, disponível em: http://www.madeiraedu.pt/Portals/31/CEHA/bdigital/1980-açorianidade.pdf, data da visita: / /

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Fizeram esta Memória: Álamo Oliveira, Alberto VIeira, Borges Martins , Carlos Faria , Dias de Melo, Eduardo Bettencourt Pinto, Emanuel Jorge Botelho, J .H. Santos Barros , Luís de Miranda Rocha , Norberto Duarte, Onésimo Teotónio de Almeida, Rui Filipe, Urbano Bettencourt, Vital Ferrão.

Outubro 1980

REVISTA AÇORIANA DE CULTURA PONTA DELGADA - AÇORES


Memória da Água VIVa n.· 15

.0. Açorwe do. Mrio...,.",. dIt Portug.I; (...) alo _ IMI_ pld • IkllrM exprM&60 de tudo o cerKteristlca ....... nec:ioMI • • mal. ~ obrII de cotonlUÇ6O pom .. __ cto. MeukM XV e

que'

XVI (...) O eçoriano , ...Im por todoe oe moUvoe _1....1,.. e ....,... cllllmente pom ...... o portugulll puro que " •• 6pocu gkKious de noe&I hlstórls .. 1.oIou no meio do Atlflntlco».

Lub .. St..~

.os AÇORES OE P'CIfm.IGA.I..,. A.H. 1.... pp 12. 11


Mern6na da Á9-Ja VIVa n· 17

A Açorianidade em questão Pensamos que o parlado que medeia o governo do PresIdIo (1583/ 1642) marca Ir d I o'8lma tte o mo:io de ser e pensar 8QOriano • por isso mesmo se toma oporU'Io referenciar aqui alguns elementos concludentes dessa afirmaçAo. Para tal decidiJ I M)-nos por uma expoeiçAo em traços

_da_._

ai os COII08iIOs op&l alÓl ios. as linhas de torça da lUa definiç60 8 a1icer· çamento na historiografta oonlEll'J"lPl> rAnea, dando de seguida o contributo deste perlode que medeia o domlrio filipino. equacionando alguns dados sobre as mutações culturais e mentais. A Açorianldade Mo é uma crlaçAo do tempo presente, pois que esta )â havia sido alvo de dia::usslles 80 Jongo dos tempos efervescentes do século passado • na primeira metade do nosso sécu60 ao nlvel literário. Hoje vivemos mais I.ITI momento de acesa discussAo da mesma (1). No entanto, foi CXlm V. ~ e luis Ribeiro que tal conceptuaIizaç6 ganhou COfpO passando o tenno Açorianidade - . definir, em expressão mais cabal, o mocb de 99f e pensar açoriano. O etnólogo açoriano luis Ribeiro através dIxna vasta obra dlstribuida por)ornais e revistas (2) dé-nos conta dessa caracterlstlca mentalidade açoriana alicerçada nos elemerltos mais dominantes do melo açoriano. Vi!oono Nemésio. um dos nomes maiores da literatura açoriana e portuguesa, também se evidenciou pek> seu contributo para 8 teorizaçAo da Açorianldade (3), de modo que em parte da sua obra literária perpassa o modo de ser 8 estar no mundo do açoriano. Assim, vemos o açoriano temeroso em face dos sismos (. ), na sua azálama diária ligado 80 mar que sempre o acompanha (5), 00 cantando em ... nossa naturalidade insYlar e actMdade dos Açores- (6). A partir do contributo destes dois estudiosos a teorização da Açorianidada ganha lugar de desteq. na discussão hist6ric:a-liteniria açoriana A Açorianidade. como não pocIa deixar de 5ef, mergulha as sues raizes no deVIr do processo hist6rico, no melo geográfico que, em Uttima instârda. avivam OU evtdenciam tal m0do de ser Ce estar no mundo) e pensar. Assim partinwnos para a nossa anAlise apontando as raizes pr0.fundas da AQorianidade e as linhas

gerais ela sua teorização, passando rn.ma segunda fase à ocnstataçio de tal durante o parlado que nos interessa (158011642), eocontriboloque dai adveio pata o fottaIecimento e alicerçamento da mesma. Oeste modo podeI,oos descriminar dois factores determinantes e criad0res dessa mentaJidade insutana. o factor geográfico e o histórico, A - O geográfico evidencia-se como uma constante 00 devir histórico açoriano e da lula 00 inserção no novo meio geográfico desde o séc. XV. Temos a caracterlstlca e a premênc:ia do meio ambiente, a que se ligam de modo relevante várias condicionantes do mesmo, corno a insularidade, o mar, as condições atmosféricas, os sismos e vulC6es. luis Ribeiro destaca neste caso a permência do vulcanismo, a presença constanle do mar. a insularidade 00 Isolamento do resto do mundo. a humiclacle do ar. a nebulosidade do céu, a lemperahxa oscilante entre estr8ltos limites. a pressàJ atmosfériCa, os vendavBlS e as tempestades. a paisagem - que Influenciam de modo evidente a .. religiosidade pr0funda . espírrto de subm6são, indolência, imaginação criadaa. sentiOo de perl8lÇão e do po4' i "" 101 . esplnto saflrico, certo grau de saudosisrro, talvez mais acentuado do que no conbneote" (7). Na mesma linha. também em Nemésio a importância do meio geográfico é sobfevalorizativa. .. A geografia, para nós, vale ootro tanto como a história, e não é debalde que as nossas recordações escritas inserem uns cinquenta por cento de relatos de sismos e encheriles. Como as sereias, temos uma dupla natureza: somos do carne e de pedra. Os nossos ossos mergulham

_.

no mar" (8). SaJi9f'ltam-se neste caso, como Já vimos, a insularidade, o mar IS c0ndições atmosféricas e os slm'IOS e I-A_(llA)_

e actuante ora eW:tencia o isotamen-

to destas em relação ao Y8Ilo c0ntinente europeu e ao reino e um .. tardamento na cllvulgaç60 dos acon-

leci...eiltos (como sucedeu em 1578 com o desastre de O. SebestlIo em AIcãcef-Quibit e em 1640 com a Rastauraç60) ora marcancIo 1mB lncIv4--

_ _ local ( _ ) ............ face às autori--

lesmo pouco COITILm

- . (O). "'" _ _• po< vezes e eX8l\bado (10), du'n fra:::o sentido e nacionalidade (II) e dI.ma introversAo, hell'I8tiso,IO, anseio de libet'taç60 e autonc:mia (12). II - O mar, realidade palpitante definidora duTIa personalidade, personificada no termo -arquipiKagooo. alarga-se por 181500 Km2, lli.ITI8 Area de terra firme de 2337 Km2 (13); ..o mar ii n60 só o seu conduto t8fTeaI, como o seu conduto anémico. As ilhas são o efémero, o conligente: 560 mar é eterno e necessário- (14). Para luis Ribeiro a rrelancolia, a monotonia, o carActer sismador, a indolência, saudosismo... surgem c0mo renexo da domlnAncia do mar (15). Enquando Cunha Oliveira, em razAo das propriedades do lodo do mar, aponta o grau considerável de inteligência do açoriano, a sua em0ti-

da

vidade e sentmentalldade exacerba-

(16). .. Em suma, o mar é para o povo ilhéu uma presença. um apelo uma realidade que o atrlge profL.ndamente- (17). III - ks COi ôçôe:s atmosféricas mantêm-se actuantes no modo de ser açoriano. em razã) do alto grau de humidade e consequente nebubsidade (18), como caracterizadora da sua iudolêucia, rn8ancoIia (19), .. tOfPOl' açoriano- 00 .. momaça- (20), saudosismo, vaga tristeza (21). IV - Os sismos e vulcões (22) surgem como dominanles da paisagem histórica açoriana, marcando indelevelmente a personalidade ilhe».. ..O abalo slsmico proyoca no homem e até nos animais uma I",pi do de incerteza e dúvtda, um sobressalto constante, que deixa fundos sulcos no seu moral- (23). GuiIlerme Ho..mbott. fazendo eco desta opInIAo d6-nos conta do modo e das razões conduoantes a tal innoência: .. Esta j,1Pi stc. n60 pr0vém a meu ver, do tacto das imagens das catástrofes, cuja recordaçAo a história 00i1$iii OJOU, , . &pI6S&rtarem em massa no nosso espIrikl. O que se apodera de nóe ii a penia da noeaa confiança inata e ra estabiIdada do solo. Desde a nossa lnfAncia habituatncHwJs ao ~ antte a mobilidade da 6gua e a ImobiIMiade da terra.. Há Lm poder de9c:u~I6Cido, até entAo que,. revela de repente; a cama da natureza era apenas um ~ ~

ilusAo e sentlmo-nos vIoIentament

~

CE A

:':'''.l:..":,' ~:e.::


Memória da

Agua

VIVa n .- 18

al , EM, essados para o caos das forças destrutivas. EntAo cada ruldo, cada sopro de vento, excita 8 nossa atenção; desconfiamos 9Obaudo do chAo em que pomos 08 pés. Os anIrna6s. principalmente 08 poroo$ e os leões, expetimel ,tam Igual angUstia..... (24). B) - O histórico, COi,,pe.. i8i ,lar do geográfico é mais dinAmioo e de ordem cumulativa, pois que o seu campo de inftuência se entrenha no devir do PI c so histórico lnsuIano aqui encarado como L.m bdo regional, não alheio às pemluBs que advêm dos contactos CO'T1 o reino e CO'T1 as várias partes do mlSldo. Equacionando aqui a importAncia geo-estratégica (25) destas paragens. Aqui convém destacar dl.m lado a religiosidade açoriana, bastante característica 8 delimitadora duma n0va mentalidade, e os acontecimentos

históricos de ordem poIftico-eoolló-

mica (1580-1642, 1820-1832, piratas e oorsários... ) que na globalidade marcarão por fases a oonsoIidaçio da mentalidade no devir do PI so histórico açoriano. Assim 18m06 1mB primeira fase - 1450-1520 - em que do PI so de 00 ~ e c0lonização do território, cncIe actuam colonos continentais e ftamengos (franceses?). se começa a delinear lI'n8 Individualidade, não alheia ao facto geográfioo, que tomará corpo com o evoluir do processo. Conflitos entre o Velho e o Novo meio ambiente - adaptação OJ transformação? (26). NOO\8 segunda fase - 1520-1580 - em que o mundo restrito e fechado acabado de se foonar se alarga tomando lugar de destaque na dinâmica estrutural e conjultural dos séculos XVI-XVII dominada por L.m8. nova ..economia de 1TI8I'C8do-. Os Açores destacam-se aqui como ponto geo-estratégioo e o a:;oriano. em face de tal, toma contacto CO'T1 n0vos produtos (especiar1as... ) homens (europeus, escravos...) e mercados

(Indias Orientais e Ocidentais... ). O sentmento inicial de solidão e isolamento esvanec&-se dUfante a época estival, &hura de passagem das armadas das rotas, para se reavivar na

época 1nvemaI. A terceira fase - 1580-1642 surge como consequêrtia da segunda, pois que esse alargamento da visão insulana conduziria a um perlodo de vida conturbada, em que é posto à prova o seu rrodo de S8f e existir insulano, face a uma luta cootra O subjugador Oli usurpador filipino

que demarca a sua personalidade pondo à prova a sua existência no campo de batalha Oli no da defesa. O temor é o cIenomirBdor coml.m dessa acção, quer no campo de batalha. quer fora dele. Dai advém uma mentalidade atribu!ada, atemorizada e submissa face ao peligo, ou saudosista que aguarda ou prevê dias melhores. Desta fase demarcam-se 2 curtos parlados (1580-1583, 1640-1642) marcados pela gl8IT8, morte. violência e insegurança ooque S8fá o amanhã em que o viver-o-momElflto-presente é marcado pelo minuto, segundo, hora e dia (27). ~ um m0mento (1583-1640) assinalado CO'T1 uma tar,ieta negra do danlnio filipino em que açorianos e representantes filipinos (governo do Presidio... ) nun-

ca estiveram ele boas relações e sempre se evidenciaram por contactos conflituosos que às vezes chegavam ao confronto aberto, como su-

cedeu em 1622 CO'T1 o bombardeamento da cidade por parte do governador do Castelo. A força do Presidio e a construção do Castelo de S . Filipe surgem para os terceirenses como medidas vexatórias, demarcando-se nos confrontos como justificativas e denunciadoras desse conflito e a não adaptação dos locais ao governo de submissão que perdurou por 58 aros. 7 meses e 11 dias. O ..Cativeiro da Babilónia.. do Povo açoriano.

Poucos foram os governadores que mereceram a consideração da população terceirense e tocbs de um m0do geral marcaram a ..ferro e fogo- a triste memória do seu governo, merecendo por parte dos locais o ep(teto

de torcionários, algozes... Era intenção do n-onarca espanhol conseguir a completa pacificação da Ilha Terceira e a sua c0nsequente submissão. mas nunca o conseguiu, de pouco valendo as variadas cartas de perdão e ofertas da sua parte. O ideal nacionalista revigorou na luta de resistência e mantinha-se c0rno uma esperança libertadora, materializada ou não no messianismo

sebástico.

Se em 1601 com o fim da força do Presidio se retirou L.m dos aguilhÕes que amordaçavam os tercelrenses e entre 1585-1603 se rea1izaram 50 casamentos entre os bcais e as lorças que ficaram de guarnição ao Castelo, o espirita e a Castelhanofobia intransigente nkI mudou ou teminou, pois as polémicas manter-se-ão sempre acesas e o conlronto

violento era quando oportIX\O, a solução. Assim sucedeu em 1595, 1599 e

1622. Neste Ambito surgem lso6adas as

acções da população face

aos autos

de aclamação de Filipe I (em 1583) e II (em 1599) que levantam certas questões que põem em causa o que atrás afinnamos. Como compreender que os terceirenses aclamem D. António e pouco depois Filipe I e II e D . Jo6o IV? Tal só tem explicaçio no clima de terror e perseguição que norteava a acção dos governadores e • do modo de ser submisso da população insulana. Quer se;a servilismo, quer seja luta pela vida, ais manifes-tações cá ficam a atestar a ambivaIência da mentalidade açoriana, soli-

cita e cootestatária. Tudo isto e o mais quecaracterizou a vivência histórica insulana entre os séculos XV e XVII, atesta e acedeia a mentalidade açoriana. dJminando ora o etemo sentimento de insegurança (de si próprios) e do que de seu possuíam, em face dos constantes abalos slsmicos e 8f\4)ÇÓ8S vulcAnicas, assaltos de piratas e corsários e a guerra do perk)do da resistência e

da Restauração. Em mntraste CO'T1 isso temos o refúgio na rellgiAo através ckma prática mt.ikI ~ ~ dá ao ilhéu a segurança que o viver quotidiano lhe nega. .. A Religião. de um modo geral. actua como modelo de vida. concepção do mundo e ciência explicadora de todos os fEM1ÓlTl8l1OS da T'l8tun1z&. enraizando assim toda uma mentalidade. ~ Deste modo, a interpretação clerical dos fenómenos violentos da natureza é dominante nos Açores. tendo uma acção muito nfluente na reacção da população aos sismos e vulcões" (28). Os simos e vulcões, as tempestades, fomes. pestes (1599), assaltos de piratas e corsários, surgem T'I8 base da interpretação clerical cerno castigos divinos ou sinal da ira divina face ao desregramento das popula-

ções da CO'T1unidade cristã, perante o que apenas resta a submissão ou SÚplica, oração, promessa e sacriflcio do homem. soIicitandoa interces-são da Virgem Marta ou dos santos Padroeiros. Do castigo e do sinal passa-se ao milagre. I: através desta linl1a argumental que se processa o sentimento Oe religiosidade popular em face dos fen6rnenos violentos, tendo a expressão mais cabal nos escritos de Fructuoso. Assim os sismos, vulcões


Memória da Agua Viva n.o 19 (29), os assaltos de piratas e oorsé.rios (30) a guerra lace ao avanço castelhano (31 ) surgem neles como um castigo divino e um sinal da ira divina. Das manifestações culturais autónomas em reIaç60 à hierarquia religiosa e que surgem como uma imanação dessa dupla mantüdade atribulada, destaca-se o cutto do Esplrito Santo e as sUplIcas pUblicas (32). Neste caso em face dos sismos e vulcões é de salientar o culto do Esplrito Santo que mergulha as suas origens em tais feilÓi,l8I'IOS de tal modo que nAo hã .. memória de erupção ou sismo violento em que este não fosse invocado e em que se lhe não prestasse cuHo especial- (33). A concluir destacarElTlOS alguns aspectos deste liame variado que, embora fazendo parte do histórico e ge0gráfico, destaca-se destes por mera razão a::a1êI,lica, no Í'"IILikI de vr.car a inI'Iuência man::MIe de c::erbI 8OCII'III8dmantos do devir his1órioo em lace da mentalidade e reIig' . ta te açorianas. Assim, convém salientar em primeiro lugar os sismos e vuloOes, os assaltos de piratas e corsãrios, ~ surgem como um traço c::onstanIe na

---

Os sismos surgem com uma periodicidade assi'\8lada entre 30 e 50 anos para os de fraca intensidade e de 100 anos para os de brte intensidade. Enquanto os assaJtos de piratas e oorsárlos, embora Isolados e espaçados, surgem em grande quantidade desde a segunda metade do séc. XVI, mas l'U'IC8 aIc& lÇiW Ido gnnde envergadura. Tal só sucedera durante o domínio filipino com as incursões de Ingleses, holandeses e mouros que perduram para aJém da Restauração. Neste campo destaca-se a Ilha das Flores, oertamente a mais assolada por tais assaltos. À violência dos assaItl& e ao 8$pectáCIllo infernal e catastrófico Gbs vulcões e sismos, junta-se a "Iio6ênâa e crueldade da guerra, que domina o perlodo de 1580-3 • 1641-2, como acalentadores ck.rna mentalidade temerosa, submissa, atribulada, cujos reftexos ainda oo;e se faz8T1

_.

Mas apenas referenciar o aspecto triste e melancólico é falsear a mentalidade açoriana, pois qu& ela mesma se orienta por facetas c::ontr.VIM, marcadas por uma aIegia de ser e viver, por vezes levadas até ao UIImo limite, sendo por vezes determinados aspectos denunciadonts dessa bis-

laza e temor utilizados para um bem vtver e folia ~ o caso das festas do Espírito Santo - das FoIiaa, das !ouradas-à-corda (que se evidenciam a parlir do domlnio filipino). Veia-se. por exemplo, que o parlodo que decorre entre 1580-3, mareado pela violência da guerra contra o invasor filipino é assinalado por varias festas oomEiIi, iOi ativas, quer da vitória da Salga, quer da vinda do tio desejado auxilio das tropas de França, quer na ,ecepç60 a D. António em 1582. Oeste modo, o sentmento atribulado e triste face à violência ela guerra caminha a par e passo com a aleglia - as folias que fazem esquecer o perigo iminente ou nAc. A terminar, lemos que a personall. dade base do Povo açoriano assenta em factores de carácter geogrâfioo (Insularidade, mar, condlr;ões almosf6ricas, sismos e wlcões) actuantes e caracterizadoras do modo de ser e estar no mundo do coklno que ai assentou a sua lllOf8da desde o século XV, tendo-se l"I'IOdâado e demarcado do contW1ente através da 0C\rnU1ação de factores de ordem histórica a que se poelldef" .l reM· gIosk1N1e dun lado e os ac:onteamantos marcantes da guerra, da Piralaria e Corso, da resistência (1580-3), Restauração (1641-2) ado movimento liberal (1820-32), por outro. Oeste modo a açoriaridade surge cano slntese reftexlva do devir e meio histói ico-geográfic:o açoriano.

NOTAS

P.S. Este texto faz parte dum tnJbalho - .. Do Domin50 AlIp6no • ResUiU~ Mi 11M Tercei... 1580/1642- - apresentado conjuntamente com Jojo dos Santos RamaIwJ Cosme, Maria fernando dos SanIOs ReIO e MIIIÚI MBl'flarida Salgueito de Soou Monteiro, é cadeira de .. História Moderna de PoI'tr.(JaJ-, I'IIQ/de pelo prof. SaJJes u,ure;ro. Ano lectivo de 1979180 - FIlCUtct.de de l.etraI de UeboL

Alberto Vieira

CE A

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1980-açorianidade  

"Açoreanidadeemquestão", VIEIRA,Alberto(1980), MemóriadaÁguaViva,PontaDelgada-Açores, GICA, nº7.,pp.17-19 VIEIRA,Alberto(1980),"Açoreanidade...

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