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DECEA dá início ao processo de implementação do pouso de precisão por satélites

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Conhecendo o futuro: Em busca do pouso perfeito

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Reportagem Especial É ouro para o ICEA

Reportagem Primeiro Encontro das Unidades de Informação do SISCEAB apresenta o Projeto REUNI no ICEA

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Reportagem Atenções voltadas ao efetivo Programa de Visitas: integração entre o DECEA, o servidor e a família

Reportagem Programa Segundo Tempo Forças no Esporte Núcleo CINDACTA III Jovem

Nossa capa

Expediente

Em busca do pouso perfeito DECEA dá início à implementação de equipamento que permite o pouso de precisão por satélites. Apesar de ainda não adotado oficialmente - com procedimentos homologados - o GBAS já opera em importantes aeroportos do exterior em fase de experiência e oferece algumas vantagens expressivas que justificam seu destaque.

Informativo do Departamento de Controle do Espaço Aéreo - DECEA produzido pela Assessoria de Comunicação Social - ASCOM/DECEA Diretor-Geral: Ten Brig Ar Ramon Borges Cardoso Assessor de Comunicação Social e Editor: Paullo Esteves - Cel Av R1 Redação: Daisy Meireles (RJ 21523-JP) Daniel Marinho (RJ 25768-JP) Denise Fontes (RJ 25254-JP) Telma Penteado (RJ 22794 JP) Diagramação e ilustrações: Aline da Silva Prete Fotos: Fábio Ribeiro Maciel e Luiz Eduardo Perez (RJ 201930-RF)

Contatos: Home page: www.decea.gov.br Intraer: www.decea.intraer contato@decea.gov.br Endereço: Av. General Justo, 160 Centro - CEP 20021-130 Rio de Janeiro/RJ Telefone: (21) 2101-6637 Fax: (21) 2262-1691 Editado em NOVEMBRO/2010 Fotolitos & Impressão: Ingrafoto


Editorial Ações para melhorar as funcionalidades nas áreas administrativa e operacional do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB) estão divulgadas nesta edição, a penúltima de 2010. Uma das atividades na área administrativa, o I Encontro das Unidades de Informação do SISCEAB, reuniu bibliotecários e arquivistas das Unidades do DECEA. O evento trouxe o reconhecimento às atividades desses profissionais e apresentou o Projeto REUNI – Rede de Unidades de Informação, que propõe a integração das Unidades de Informação do SISCEAB numa Rede Corporativa com acesso pela Intranet, oferecendo, além da troca de dados e recursos, um tratamento padronizado e sistêmico de toda gestão documental. Todo este processo será possível com a utilização do software de gestão de bibliotecas SophiA, adquirido pelo DECEA. Uma nova seção da revista “Conhecendo o futuro” apresenta o GBAS (Sistema de aumentação baseado em solo). “Em Busca do Pouso Perfeito” é o título que explica perfeitamente o resultado da aplicação do GBAS na área de controle do espaço aéreo. Apesar de ainda não adotado oficialmente - com procedimentos homologados - o GBAS, já opera em importantes aeroportos do exterior em fase de experiência e oferece algumas vantagens expressivas que justificam seu destaque como matéria de capa desta edição.

As portas do Terceiro Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA III) foram abertas para ampliar sua ação de integrar programas de responsabilidade social, como a inclusão social de 100 crianças e adolescentes no Programa Forças no Esporte. O CINDACTA III é a primeira organização do SISCEAB a aderir ao programa “Forças no Esporte”. Na reportagem especial, destacamos os 50 anos de labuta e desenvolvimento científico e tecnológico do Instituto de Controle do Espaço Aéreo (ICEA), que já formou mais de 21.700 alunos, dentre os quais mais de 1.200 são estrangeiros. O “Programa de Visitas”, projeto que está sendo aplicado em todas as Unidades do DECEA, já é caso de sucesso para as famílias dos militares. O DECEA, ao implantar o programa, promove a socialização e o desenvolvimento psicossocial do servidor, além de estimular o relacionamento entre os familiares e os profissionais militares e civis de seu efetivo. Uma boa leitura a todos!

Tenente - Brigadeiro - do - Ar Ramon Borges Cardoso Diretor - Geral do DECEA

Carta do leitor “Bastante propício o artigo 'Comunicações no Comando da Aeronáutica’, publicado na última edição... Hoje, mais do que nunca, as telecomunicações dependem da TI. O requisito essencial para o profissional da área é desenvolver o seu raciocínio lógico para compreender todas as variáveis de um software e perceber as possibilidades de trabalho que tal ferramenta pode lhe proporcionar. "A evolução da tecnologia nas telecomunicações e no transporte aéreo tem sido intensa, porque são os dois principais instrumentos do irreversível processo de globalização. "Assim, o BCO poderia ter melhor aproveitamento

trabalhando com gerenciamento de redes ou de alguns softwares nelas utilizados. "Na pilotagem de aviões, o profissional do voo já virou um gerenciador de sistemas informatizados, como bem nos atesta o painel da cabine de comando de um AIR BUS 320, por exemplo. Por essas questões e muitas outras o rumo da especialidade BCO realmente merece reflexão, para que melhor proveito possa ter à Força Aérea. "Permita-me congratular o autor, Tenente-Coronel Campos, pela excelente matéria." Newton Leone (SO TE Ref) Departamento de Ciências Aeronáuticas Pontifícia Universidade Católica de Goiás


Conhecendo o futuro O VOR de Caxias ainda não está visual, mas o piloto sabe; o Galeão está próximo. A chuva é forte, o tempo muito fechado, a aeronave sacode com a turbulência. Disparam-se bips da cabine, solicitando aos passageiros que mantenham seus cintos afivelados. O piloto, que já iniciara o procedimento de descida, não vê nada à sua frente senão um punhado de nuvens escuras vez por outra clareadas pelos filetes de raio que angustiam até mesmo os tripulantes mais calejados. A orientação da Torre é a de que a aeronave mantenha seu curso até a interceptação dos sinais de um equipamento que o auxiliará a encontrar o eixo e a rampa convenientes para o pouso na cabeceira 15 do aeroporto. O piloto mantém a proa e alcança os sinais do dispositivo que passa então a orientá-lo de maneira análoga a um videogame no monitor à sua frente. Ajusta a radial - conforme a orientação dos grafismos do monitor – e,

completamente “às cegas”, empurra o manche rumo a uma rampa imaginária de um aeroporto inexistente a seus olhos. Dessa vez, não vai dar praia no Rio de Janeiro; mas os passageiros podem estar certos: o avião pousará em meio às nuvens cor-de-chumbo com segurança, quase como sob “céu de Brigadeiro”. A cena é mais comum do que parece. Não só no Galeão, mas em muitos aeroportos do País e do resto do mundo. O equipamento em questão, o ILS, é o Sistema de Pouso por Instrumentos. Um dispositivo capaz de “traçar” o percurso ideal da aeronave para um pouso de precisão, ao menos até uma altitude de decisão (DA) já próxima ao solo. Em síntese, o ILS consegue guiar o piloto até essa altitude pré-determinada - que no caso brasileiro varia de 30 a 60 metros conforme sua categoria - quando o piloto decide, segundo as condições visuais, se poderá de fato consumar ou não o pouso.

Em Busca do P DECEA dá início à implementação de equipamento que permite o pouso de precisão por satélites. Testes começam em 2011.

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Largamente difundido no mundo inteiro - desde a década de 40 quando foi adotado pela autoridade provedora dos serviços de navegação aérea norte-americana - o ILS representou uma verdadeira revolução para o transporte aéreo e é, sobretudo hoje, imprescindível diante do volumoso fluxo de tráfego aéreo contemporâneo. Mas o sistema que por décadas vem fazendo as vezes dos olhos dos pilotos no pouso começa a ter de dividir atenções com um concorrente de peso. Um candidato ousado, que não bastasse oferecer mais precisão e abrangência para uma tarefa similar, proporciona também custo significativamente inferior. Apesar de ainda não adotado oficialmente - com procedimentos homologados - o GBAS, acrônimo inglês para Ground-Based Augmentation System (Sistema de Aumentação Baseado em Solo) já opera em importantes aeroportos do exterior em fase de experiência e oferece algumas vantagens expressivas

que justificam seu destaque. A primeira é a abrangência: um sistema GBAS não atua somente numa cabeceira da pista tal qual o ILS -, mas também em todas as demais que estiverem no raio de alcance do instrumento. Ou seja, o aeródromo inteiro e, em alguns casos, até mesmo os adjacentes. Teoricamente, uma única estação é capaz de lidar com até 26 aproximações de precisão! Do mesmo modo, as aeronaves com o GBAS não dependem exclusivamente da famosa rampa imaginária do ILS; elas estão aptas a executar aproximações de precisão em curvas e, mesmo, quando a configuração das pistas permite, em paralelo - o que representa um aumento significativo para as capacidades dos aeroportos. O sistema também tem por pressuposto, no futuro, apoiar, além do pouso, a aproximação, a decolagem e, inclusive, os movimentos das aeronaves na superfície; ou seja, uma estrutura completa de apoio à navegação aérea em 

Pouso Perfeito Por Daniel Marinho Fotos: Luiz Eduardo Perez

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toda a circunvizinhança do aeródromo. Não bastassem essas características, as conhecidas suscetibilidades do ILS a interferências de toda ordem, como a das ondas VHF, e toda a complexidade que envolve sua instalação - necessidade de grandes áreas livres que muitas vezes dão margem à remoção de habitações e edificações -, não oferecem obstáculo algum ao novo sistema. Para ser alojado, ele requer apenas uma pequena área para fixação de alguns dispositivos na pista. Mas, afinal, o que torna possível ao GBAS todas essas vantagens? O sistema GBAS conseguirá na prática alcançar o êxito ora prometido pela teoria?

Novos conceitos, novos paradigmas Antes de tudo, é preciso compreender o GBAS sob uma nova ótica. Afinado ao moderno conceito CNS/ATM, que compreende, de modo geral, a transição do sistema convencional de navegação aérea para um novo paradigma na execução – e mesmo gestão - da atividade, o incipiente sistema de pouso de precisão não segue a ordenação tradicional dos auxílios à navegação aérea habituais. No CNS/ATM, as rotas das aeronaves não são mais delimitadas unicamente por auxílios de solo que se comunicam através de ondas rádio, mas também por satélites. Isso porque os conceitos aplicados aos novos sistemas de navegação são fundamentados no GNSS – em português: Sistema Global de Navegação por Satélites. O GNSS é o padrão estabelecido pela Organização de Aviação Civil Internacional (OACI) para estes novos sistemas de navegação que, a partir de então, pautam-se em constelações de satélites dedicados. Esse posicionamento gerado pelos satélites às aeronaves em voo, porém, não é tão simples quanto aquele apurado pelos aparelhos GPS largamente utilizados no dia-a-dia. Há uma série de fenômenos naturais inerentes às altitudes que podem provocar alterações nos sinais, especialmente nas aproximações de precisão. Essas alterações precisam ser então cor6 AEROESPAÇO

rigidas (“aumentadas”) pelos chamados sistemas de aumentação e é justamente aí que entra o GBAS. O sistema vem conseguindo, com êxito, corrigir os sinais de satélite para aproximação das aeronaves de forma análoga à aproximação do ILS na categoria 1 e, tem por intuito, posteriormente, estender suas capacidades às categorias 2 e 3. De um modo geral, o Sistema GBAS consiste de: - quatro receptores instalados próximo à pista para receber os dados de navegação GPS; - um processador, em solo, que executa as correções do GPS e provê as informações de apoio aos procedimentos de navegação; - uma unidade de transmissão - também instalada próxima à pista - que transfere essas informações à cabine das aeronaves, via VHF, por meio de um display similar ao utilizado para o ILS. Desse modo, o GBAS ajusta os posicionamentos gerados pelos satélites e provê guias verticais e horizontais aos pilotos para as aproximações e - no futuro - para

o apoio às decolagens guiadas e às operações de outra ordem na área terminal.

As peculiaridades de uma ionosfera tropical Já há algum tempo, o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) - órgão responsável pela gestão das atividades relacionadas ao controle do espaço aéreo brasileiro - vem monitorando os resultados e êxitos do sistema mundo afora, bem como executando testes num protótipo da FAA (Federal Aviation Administration organização provedora dos serviços de navegação aérea norte-americana) no Galeão. Este ano o DECEA adquiriu uma Estação GBAS certificada para operações nos Estados Unidos, de forma a avaliar seu desempenho nas condições equatoriais. O Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, foi o escolhido para abrigar o projeto piloto do GBAS brasileiro. Em julho de 2010, técnicos de empresas parceiras da organização na iniciativa uniram-se à Comissão de Implantação do Sistema de


Controle do Espaço Aéreo (CISCEA), instituição subordinada ao DECEA, para dar início ao processo de instalação do sistema. A Estação SLS-4000 Smart Path GBAS da empresa norte-americana Honeywell foi recentemente certificada pela FAA e já opera em alguns aeroportos da Europa, dos Estados Unidos e do Sul da Austrália. Para o Tenente-Coronel-Aviador Ricardo Elias Cosendey, Chefe da Divisão de Gerenciamento de Navegação Aérea – do Subdepartamento de Operações do DECEA - há, ainda, um grande desafio pela frente. Isso porque a ionosfera terrestre apresenta comportamentos distintos em diferentes latitudes do planeta e, no caso do GBAS, a região a ser instalado o sistema termina por influenciar significativamente sua operação. No caso brasileiro, o desafio será lidar com as particularidades da ionosfera de baixa latitude do País, ainda não experienciada pelo sistema, uma vez que o mesmo, até então, só fora implementado

em países de média latitude. “Na nossa região, um dos principais distúrbios da ionosfera - conhecido como Irregularidade Equatorial ou Bolhas de Plasma – caracteriza-se pelo deslocamento das chamadas ‘bolhas’ de baixa ionização; elas podem provocar atrasos no sinal do satélite, gerando erro no cálculo da posição GPS”, explica. “O Brasil, como pioneiro na implementação deste tipo de tecnologia nas regiões geoequatoriais, tem o desafio de investigar o impacto dos fenômenos ionosféricos da área nos sinais de navegação transmitidos pelo GBAS. Para tanto, a estação será submetida a testes de desempenho durante o ápice do ciclo de atividade solar – que ocorrerá nos próximos anos – de modo a garantir a segurança de sua utilização”, afirma o oficial.

Pelo cronograma, já no primeiro semestre de 2011, o aeroporto iniciará os testes da primeira Estação GBAS da América Latina. A implementação, porém, será gradual e dependerá dos testes de desempenho a serem realizados no Galeão num período de um a dois anos. Do mesmo modo, ela estará sujeitas às análises que levam em conta as particularidades dos aeroportos nacionais, alocados em latitudes diversas. Ainda segundo o Tenente-Coronel Cosendey, “as pesquisas e os testes realizados com os sistemas de aumentação, inclusive, têm gerado uma importante economia para o País, evitando o investimento em custosos sistemas estrangeiros que provaram ter uma relação desfavorável de custo/benefício no Brasil. Aliado a isso, as pesquisas da ionosfera proporcionarão um conhecimento de fundamental importância nesta fase de transição para sistemas satelitais”. De qualquer modo, o Brasil e o mundo caminham rumo à transição para um sistema global de navegação por satélites e baseado no desempenho de modernos aviônicos a bordo das aeronaves. Nesse contexto, GBAS é hoje o sistema capaz de apoiar aproximações de precisão por satélite com a eficácia requerida. Uma alternativa já consagrada por gestores da atividade em outros importantes aeroportos do mundo que também optaram pelo sistema, como o Aeroporto de Bremen, na Alemanha; de Málaga, na Espanha; de Memphis e Newark, nos Estados Unidos e o Aeroporto Internacional de Sydney, na capital australiana. Não é para menos, ao requerer um só sistema para servir as cabeceiras de um aeroporto inteiro, a alternativa viabiliza uma economia de custos substancial. Somado às significativas economias nos custos de manutenção, às funcionalidades e aos benefícios operacionais, o GBAS vem conseguindo ocupar um espaço onde até então o ILS reinava absoluto. E encontra hoje, na carona da adoção das estratégias de gestão do tráfego aéreo provenientes do conceito CNS/ ATM, respaldo expressivo para uma possível consolidação em médio e longo prazo. AEROESPAÇO

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Reportagem Especial

É Ouro para o ICEA Por Telma Penteado Fotos: Fábio Ribeiro Maciel

50anos Sorriso ICEA. Assim, eu e o Fábio Maciel, nosso fotógrafo da Assessoria de Comunicação Social do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (ASCOM/DECEA), apelidamos a expressão não só dos profissionais que entrevistamos para esta matéria, como também de todos os civis e militares que prestam serviço no Instituto de Controle do Espaço Aéreo (ICEA). Como faz bem para todos! Para os que lá trabalham e os que lá estudam ou visitam. “Este é o espírito do ICEA”, assim, de forma clara e concisa, define o Diretor do Instituto, Coronel-Aviador Ricardo Barion. De fato, como se pode constatar, o investimento maciço do ICEA é nas pessoas. E isso como um todo. Para começar, a organização é responsável 8 AEROESPAÇO

pelas atividades de ensino e pesquisa que dão suporte à formação e à capacitação dos recursos humanos do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB). Como veremos nas páginas seguintes, as atividades realizadas para cumprir esta meta são de grande complexibilidade e implicam na utilização de equipamentos de tecnologia de ponta e de pessoal altamente especializado. Somado a toda conjuntura que prima por fazer do ICEA uma referência na formação de milhares de profissionais do Sistema, está a valorização de cada membro do efetivo, com o reconhecimento de suas capacidades tanto no que diz respeito ao serviço prestado, quanto às qualidades pessoais.


“Somos uma família”, diz o Coronel Barion. Quando pensamos em futuro, dentre as primeiras ideias que nos vêm à mente, estão - certamente - tecnologia e informática. Computadores, laptops, notebooks, smartphones, blu-ray, 3D, wii, wireless, ipad, ipod, touch screen, e-book, holograma, andróide, realidade aumentada, simuladores e uma infinidade de equipamentos que antes povoavam somente nossas fantasias e os filmes de ficção científica. Pois bem... Como todos já constataram (muitos com naturalidade, outros com grande espanto e até mesmo com certo grau de incredulidade), estão todos aí. Caríssimos, mas estão aí. E se estar pronto para este futuro-presente, que em sua velocidade por vezes nos assombra com sua infinidade de possibilidades de oferta de serviços, é estar sintonizado com todo esse linguajar técnico e estar habilitado para operar com excelência todos esses equipamentos, é primordial encontrar uma instituição reconhecida que possa guarnecer cada profissional para inseri-lo com segurança no mercado de trabalho. E quando este mercado de trabalho é o do SISCEAB, tudo se intensifica diante da incomensurável tarefa de gerenciar não o tráfego aéreo, mas milhões de vidas que pelos céus trafegam todos os dias. Como adendo, ressalto que aqui incluo cada peça deste gigante quebra-cabeça: controlar e pilotar (tanto na Circulação Aérea Geral – CAG, quanto na Circulação Operacional Militar – COM), comunicar (Telecomunicações), informar (Informações Aeronáuticas, Meteorologia), aferir equipamentos (Inspeção em Voo), realizar manutenções (eletrônica), salvar (Busca e Salvamento), entre outros. Cada peça é de suma importância nesta gestalt. O Sistema só funciona quando todas funcionam em harmonia.

tível com os principais centros de ensino e pesquisa do mundo. São mais de 11 mil metros quadrados de edificações, biblioteca informatizada (que atualmente está migrando seus dados para o mais novo software de gerenciamento – o SophiA Biblioteca), laboratórios especializados, salas de aula climatizadas e simuladores de última geração. É através da Divisão de Ensino que o ICEA planeja a execução e a avaliação das atividades de ensino e treinamento, operando em conjunto com a Divisão de Capacitação e Treinamento Profissional (DCTP) do DECEA. Os controladores de tráfego aéreo realizam seus exercícios em sofisticados simuladores que permitem fazer operações em cenários projetados de acordo com as necessidades reais do cotidiano dos Centros de Controle dos Centros Integrados de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA). O grande salão onde os tais simuladores se encontram é dividido em quatro áreas, representando, respectivamente, os quatro CINDACTA (a saber: Brasília, Curitiba, Recife e Manaus). Desta forma, os controladores já se interam do ambiente que irão controlar em tempo real quando terminarem a formação e partirão para as localidades onde prestarão serviço. Para tornar este treinamento o mais perto da realidade possível, nas salas localizadas no andar abaixo do salão dos simuladores para controladores estão os alunos que fazem o papel dos pilotos. Então, pilotos e controladores se comunicam, dando vida ao cenário da aviação geral nos céus

do Brasil. No Instituto também é realizado o Curso de Formação de Pseudo-Pilotos, voltados para aqueles que farão a simulação dos voos que serão controlados pelos alunos do Curso de Formação de Controladores de Tráfego Aéreo. O software usado é o do Simulador Radar de Baixo Custo (SRBC), versão 3.2, desenvolvido em parceria com a Missão Técnica Aeronáutica Brasileira (MTAB). O programa configura equipamentos, fornece a instrução para a construção da base de dados e o próprio manuseio do simulador para controladores, auxiliando, assim, na formação, adaptação e reciclagem destes profissionais através do treinamento prático de controle radar em Controle de Aproximação (APP) ou em Centro de Controle de Área (ACC). Nesta simulação cada piloto é responsável por aviões e cada controlador atende a dois pilotos. O SRBC já possui operantes as versões 3.3 – para PBN (Navegação Baseada em Performance) e 4.0, que é uma versão que integra todo o território nacional e a FIR Atlântico. Atualmente cada grupo de simuladores (um para cada CINDACTA) acessa somente a sua própria área de cobertura. Com esta versão, os controladores da área do CINDACTA II, em Curitiba, poderão acompanhar um voo que sai, por exemplo, de Manaus com destino à Porto Alegre. Ressalta-se que os laboratórios e simuladores de tecnologia de ponta são desenvolvidos pelo próprio Instituto. E a biblioteca conta com um acervo de cerca de dois mil livros técnicos na área de aviação, sem contar com as diversas pu-

ICEA promove tarde de autógrafos do livro de César Rodrigues da Costa

Um ambiente que respira o futuro Transitar pelas salas de aula onde os alunos se preparam com a utilização de simuladores é uma experiência muito estimulante. Vê-se que os recursos tecnológicos e de material de estudo, aliados ao ambiente dos prédios e do campus, motivam a todos. Para se ter uma ideia, o Instituto dispõe de uma infraestrutura compaAEROESPAÇO

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Coronel-Aviador Barion - Diretor do ICEA

blicações digitalizadas disponibilizadas pela Organização de Aviação Civil Internacional (OACI). É também no ICEA que se formam e se reciclam os técnicos de manutenção de todos os equipamentos que substanciam o SISCEAB e onde se encontra o primeiro Laboratório de Simulação da Sala AIS, na qual os pilotos planejam seus voos. A preparação dos cursos atende às diretrizes da OACI, e aplica a metodologia TRAINAIR, que é o programa de desenvolvimento dos treinamentos para implantação do Sistema de Comunicação, Navegação, Vigilância e Gerenciamento de Tráfego Aéreo (CNS-ATM). Segundo o Coronel Barion, desde sua criação, somente após o ano de 1975, foi ultrapassada a marca de mil alunos capacitados no Instituto. “Hoje contamos com mais de 28.500 alunos capacitados para o atendimento à prestação dos serviços de navegação aérea para civis e militares, brasileiros e estrangeiros”. Tal feito certamente comprova não somente a variedade e a abrangência dos cursos oferecidos no ICEA, como também sua importância e qualidade tanto no País, como fora dele ao que tange o universo do SISCEAB. A Subdiretoria de Ensino possui três divisões: Planejamento (EPL) – responsável por toda a logística dos cursos oferecidos pelo Instituto e realiza a convocação dos instrutores; Controle de Execução de Cursos (ECR) – responsável por gerir os meios, receber os alunos e instrutores e fazer todo o acompanhamento ao longo do curso; e de Avaliação (EAV) – responsável, como o próprio nome diz, por avaliar o corpo docente, discente e a metodologia de avaliação aplicada aos 10 AEROESPAÇO

Obliteração do selo e do carimbo dos 50 anos do ICEA

alunos. Segundo a Chefe da Subdiretoria de Ensino, Tenente-Coronel QFO ANS Rosa Maria dos Santos Miranda, desde setembro deste ano está sendo desenvolvida a análise visual da instrução com o objetivo de atingir uma educação profissionalizada. “É interessante ressaltar que o ICEA não tem um corpo docente fixo. A grande capacitação é feita com Instrutores do Sistema, o que pode se tornar um óbice no sentido de que ficamos na dependência da liberação do instrutor por parte da unidade na qual este presta serviço”.

A escolha dos instrutores atualmente se baseia pelo perfil deste profissional. Desta forma, é enviada uma solicitação para cada organização com a indicação pormenorizada de um instrutor que seja capacitado para um determinado curso. “Caso haja alguém que atenda ao perfil e caso haja a disponibilidade desta pessoa ser liberada para vir assumir uma turma, temos uma etapa do nosso trabalho completada”. Em todo caso, mesmo tendo certos empecilhos na aquisição dos instrutores em termos de disponibilidade dos mesmos, o ICEA sempre cumpre sua missão. No entanto, a carência atual fica na área de coordenação geral dos cursos. “A nossa meta é a figura do Coordenador dos Cursos, que terá que se ater a ati-

vidades como identificar os óbices para buscar as melhorias, tem que montar um grupo de trabalho que possa revisar o conteúdo dos programas oferecidos, deve acompanhar os instrutores e os alunos para averiguar se os mesmos estão ou não atingindo as metas estabelecidas, entre outras”, comenta a Tenente-Coronel Rosa. A falta do Coordenador pode impactar o andamento dos cursos. Por isso sua importância em nosso quadro de profissionais. “Certamente a conquista do Coordenador, e consequentemente da Divisão de Coordenação, é uma meta fundamental para 2011”, declara. Quanto à questão da Avaliação, a intenção é que a mesma abranja a totalidade do trabalho: corpo docente, corpo discente e a própria forma de avaliação em si. Trata-se do feedback. Para realizar esta medição, desde abril deste ano a Subdiretoria se utiliza da ferramenta de avaliação on line, que é um sistema no qual os alunos fazem críticas e sugestões. Como a Tenente-Coronel Rosa diz, este é o termômetro do ICEA. “Os dados coletados pela avaliação on line são organizados e distribuídos em fichas que, na sequência do processo, são levadas para uma primeira análise. Depois deste rastreamento, o material chega à mim e eu dou o parecer final”, explica. Como se vê, o Instituto como um todo é responsável pelos cursos oferecidos. Cada setor, fazendo sua parte, contribui para a excelência do ensino. Muitas vezes as pessoas não têm o dimensionamento correto do que é o ensino. E o ensino é a base de tudo. “Recebemos graduados formados, mas que não têm a experiência da atividade e tem que ser acompanhado e capacitado para


Biblioteca inaugurada no ICEA

atuar no destacamento onde prestará serviço”, comenta. O ICEA faz a capacitação de uma maneira ampla. O profissional treinado no Instituto poderá abranger diversas necessidades do órgão regional no qual prestará serviço. “Hoje o controlador sai da Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR) e vem aqui cumprir o estágio de oito meses em nossos simuladores de Torre, APP e ACC. E quando sai daqui, faz ainda um treinamento mais específico da região e da posição que ocupará em sua OM”, explica. A Subdiretoria de Ensino é estreitamente ligada com a DCTP, com um setor de profissionais da área de Pedagogia que analisam os grupos de trabalho. Uma ideia central e, porque não dizer, fundamental, é a da corresponsabilidade. A Chefe da Subdiretoria de Ensino nos mostra a importância de sensibilizar as Organizações Militares para que estas compreendam que todas são corresponsáveis pelos cursos prestados no ICEA: “Todas as OM são corresponsáveis na figura do instrutor que nos encaminham e pelo produto que irão receber ao final das instruções aqui realizadas”. A intenção clara é sempre manter a qualidade dos cursos prestados, inclusive com a ênfase na proficiência na língua inglesa. Além da parte de ensino e formação técnica/profissional, o ICEA trabalha em pesquisas, estudos e projetos, tendo em vista a utilização do que há de mais avançado para a racionalização e otimização dos meios e processos usados pelo DECEA. Através da Divisão de Pesquisa e Desenvolvimento são realizados os projetos e as pesquisas nas áreas de Gerenciamen-

Tenente-Coronel Rosa

to de Tráfego Aéreo e de Climatologia Aeronáutica – sempre com o propósito da consequente aplicação nas organizações do Sistema. As parcerias com o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), o Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea (CGNA) e a EMBRAER refletem o nível de excelência do Instituto. De acordo com o Chefe da Subdiretoria de Pesquisa, Major-Aviador Eduardo Mano Sanches, as principais demandas desta área se concentram no desenvolvimento de softwares e hardwares de interesse do Sistema. Criada para dar suporte à Subdiretoria de Ensino, a Subdiretoria de Pesquisa sempre atuou nos estudos e projetos para atender às demandas, como a aplicação de provas e o próprio ensino à distância, “Dentre nossas diversas atividades, fizemos os simuladores de toda a malha aérea”, informou o Major Sanches. “Com o conhecimento adquirido no suporte ao ensino, pudemos ampliar nosso campo de atuação em novas pesquisas em parcerias com outras unidades do Comando da Aeronáutica”. Atualmente, os projetos em andamento são o Simulador Radar de Baixo Custo (SRBC), implementado para sistemas CNS/ATM, e o TAAM (Total Airport and Airspace Modeler - Modelador Total de Aeroporto e Espaço Aéreo), que é um simulador em tempo acelerado. “Trata-se de uma ferramenta que permite a simulação de troca de aerovias, de setorização e de comunicação. O que normalmente levaria um mês para acontecer, no simulador pode ser feito em um dia”, explicou Sanches.

Um exemplo é a simulação do evento da Copa 2014 e das Olimpíadas de 2016. Tudo que se deseja saber sobre a infraestrutura, alterações, logística e impactos que tais eventos possam suscitar, será apresentado através desta simulação em tempo acelerado. Todo esse processo é fundamental na tomada de decisões por parte das autoridades responsáveis. “Outra simulação feita no TAAM aqui no ICEA foi a da implementação das rotas PBN (Navegação Baseada em Performance). O processo começou no final do ano passado e terminou em abril deste ano. Atualmente a implantação real está sendo realizada tendo por base os resultados da simulação”, comentou. Daqui pra frente, qualquer ressetorização, qualquer mudança de aerovia ou FIR (Região de Informação de Voo) será primeiramente simulada no ICEA, o que reduzirá significativamente os riscos de implementação dos projetos. É a área de Climatologia que envolve toda a parte do Banco de Dados de Meteorologia da Força Aérea. É de responsabilidade do ICEA, na figura da Subdiretoria de Pesquisa, fazer a digitalização dos dados coletados e a manutenção destes no Banco de Dados de Climatologia. “Hoje os dados são digitalizados. E nossa equipe está digitalizando todos os que ainda estão em papel, como os das décadas de 40, 50, 60”, comenta Major Sanches. Os dados digitalizados possibilitam que a informação trafegue com maior velocidade, atendendo com maior prontidão os usuários com a emissão dos sumários climatológicos – que são os dados tratados – para todos os aeródromos do País. AEROESPAÇO 11


Major Sanches

Segundo o Tenente-Coronel ESP MET Carlos Alberto Ferreira Gisler, “os dados brutos vêm de todas as estações meteorológicas automáticas – colocadas em áreas de interesse da Aeronáutica para fornecer dados como temperatura de pista, vento e cabeceira da pista – e convencionais, que estão nos abrigos meteorológicos”. Estes dados brutos são tratados e disponibilizados aos usuários na página do ICEA através da REDEMET. Desde 2007 o ICEA é um Instituto Científico e Tecnológico (ICT), que é inserido no Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) do DCTA. Esta condição de ICT permite que o ICEA opere dentro da Lei nº 10.973, de Inovação Tecnológica, que dispõe sobre incentivos à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo. Segundo o Art. 2º, parágrafo V – de Instituição Científica e Tecnológica, a Medida Provisória nº 495, de 2010, considera que “órgão ou entidade de administração pública cuja missão institucional seja preponderantemente voltada à execução de 12 AEROESPAÇO

atividades de pesquisa básica ou aplicada de caráter científico, tecnológico ou de inovação” possa estabelecer convênios e contratos com outras instituições como a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e as Agências Financeiras Oficiais de Fomento. Assim estão amparados todos os acordos com as universidades com as quais o ICEA possui projetos de pesquisa. A Subdiretoria de Planejamento é outra área de suma importância para o Instituto, sendo responsável pela sua infraestrutura e a logística. Esta Subdiretoria segue estritamente as diretrizes do DECEA, através do Plano Estratégico Militar da Aeronáutica (PEMAER). Segundo o Consultor de Planejamento, Coronel-Intendente RF Doderlayne Castro Kapp, a busca da excelência é permanente. Fazem parte do escopo de trabalho do Planejamento a estrutura física (construção e manutenção dos prédios do complexo do ICEA), os recursos humanos, os produtos e os serviços gerados pelo Instituto. Em suma, tudo se relaciona com o funcionamento geral da organização. “Internamente fazemos um trabalho de pesquisa, consulta e interação com cada setor do Instituto para poder atender às demandas específicas de cada um em um período de planejamento para quatro anos”, explicou o Coronel Kapp. Embora o levantamento de dados compreenda quatro anos, a visão é de oito anos. “Estamos hoje planejando de 2011 a 2018. Mas, em termos de documentação com a análise com as visões e óbices, nossa ênfase vai de 2011 a 2014”.

De acordo com um documento elaborado pela Subdiretoria, o ICEA “vislumbra, como ideal, a criação de um núcleo no DECEA que possa indicar os rumos e antecipar necessidades futuras para que as pesquisas do Instituto possam ser conduzidas sob essa visão, acompanhamento e controle, e, sugere-se também, que sejam reunidas numa nova função que concentraria os recursos destinados à Pesquisa no SISCEAB”. Como ferramenta de trabalho é utilizado um software desenvolvido pelo Centro de Computação de Aeronáutica de São José dos Campos (CCA-SJ), que permite o acompanhamento integral de todos os processos, desde o PAM (pedido de material), em consonância com os recursos alocados de acordo com uma Portaria de Apuração do DECEA. Outro grande objetivo de trabalho que envolve o Planejamento de maneira intensa é a implantação dos Conceitos Operacionais do CNS/ATM (CONOPS). Como resultado do trabalho realizado na Subdiretoria de Planejamento são registrados Relatórios Anuais de Gestão com uso de indicadores. Responsabilidade social é mais que um projeto ou uma ideia. É uma realidade tão incrustada na vida do Instituto que, por mais que mereça elogios, nos dá a nítida sensação de que “é assim que deve ser”. Refiro-me à inclusão de portadores de necessidades especiais na operação dos diversos simuladores de controle de tráfego aéreo do ICEA. O Projeto Eficiência nasceu em 1982 e teve sua completa implantação em setembro de 2000, quando todo o complexo do ICEA foi plenamente adaptado para receber estes profissionais. Celebrando os 50 anos do ICEA, foi realizada, com a coordenação da Seção de


Um olhar para a terra na qual as raízes desta grande árvore se fincam Comunicação Social do ICEA, uma série de eventos, inclusive com a obliteração de selo e carimbo comemorativos e o lançamento do livro “Rumo Verdadeiro – A História da Simulação de Tráfego Aéreo no Brasil”, de autoria de Cesar Rodrigues da Costa. Sob a chefia do Tenente ESP CTA Roberto Márcio dos Santos, a Seção de Comunicação Social é muito atuante dentro de sua OM. Além de estar sempre antenada com os eventos de datas comemorativas, a iniciativa da divulgação das atividades do Instituto é uma característica marcante desta dedicada equipe.

As atividades de pesquisa e ensino abrangem:  Tráfego Aéreo  Informações Aeronáuticas  Navegação Aérea  Inspeção em Voo  Busca e Salvamento  Meteorologia  Climatologia Aeronáutica  Informática  Telecomunicações  Eletrônica

Ao contrário do que muitos possam supor, o passado é mais próximo e mais vivo do que nunca quando se deseja olhar para o futuro. Motivo de alegria e orgulho, a história do Instituto de Controle do Espaço Aéreo preenche 50 anos de labuta e desenvolvimento científico e tecnológico. Em meio à implantação do Sistema de Proteção do Voo no Brasil, foi criado em 1960 o Curso de Preparação de Oficiais de Proteção ao Voo (CPOPV), com a missão de preparar oficiais da Força Aérea para assessorar e chefiar os órgãos operacionais deste Sistema. Passados seis anos, novas instalações foram construídas e o CPOPV transformou-se em Curso de Comunicação e Proteção ao Voo (CCPV). Em meio a este furor científico de estudos, pesquisas e formação de profissionais altamente especializados, o CCPV contou com o total apoio do ITA, no que se referia à área de ensino e à aplicação de teses de graduação e pós-graduação, entre outros. Em 1972 o CCPV ampliou ainda mais seu campo de atuação e foi transformado em Centro de Atualização Técnica (CAT).

No ano de 1974, o ITA ainda forneceu suporte com o Projeto de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD/OACI), ampliando os horizontes para a aviação civil internacional. Foi em 1978 que o CAT galgou mais um patamar e passou à condição de Instituto, sendo então denominado Instituto de Proteção ao Voo (IPV). Somente em 26 de agosto de 2004, com a aprovação da Estrutura Regimental do Comando da Aeronáutica, o IPV, através do Decreto nº 5.196, teve seu nome alterado para Instituto de Controle do Espaço Aéreo (ICEA). Este mesmo decreto delegou à unidade, em paralelo à sua missão intrínseca de instituto de ensino, a responsabilidade pela realização de estudos e projetos na área de controle de tráfego aéreo. Reconhecido como Instituto Científico e Tecnológico do Comando da Aeronáutica, o ICEA fornece apoio às decisões do alto comando, baseando-as em considerações científicas. Em 2009, o Instituto ultrapassou o limite de dois mil alunos matriculados em um ano e, até o presente momento, o ICEA se orgulha em ter formado mais de 21.700 alunos, dentre os quais mais de 1.200 são estrangeiros. AEROESPAÇO 13


Atenções voltadas ao efetivo

Programa de Visitas: integração entre o DECEA, o servidor e a família Por Denise Fontes

cionais para alcançar e integrar o efetivo. O objetivo do projeto é implementar ações que otimizem o desempenho organizacional e gerem melhoria da qualidade de vida dos integrantes das Unidades, visando a excelência da organização. O DECEA, ao implantar o programa, promove a socialização e o desenvolvimento psicossocial do servidor, além de O lado profissional passou a ser face predominante do ser humano que se esforça cada vez mais para cumprir a sua missão com eficiência e qualidade, nem que para isso consuma grande parte do seu tempo. Mais do que promover a sobrevivência, satisfação das necessidades básicas, o trabalho confere uma identidade social, permite ao trabalhador um papel ativo na sociedade. Dada a devida importância, empresas estão investindo em programas de integração e colocando em prática ações simples, mas que podem trazer grandes benefícios para a atuação de suas equipes. O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), através da Assessoria de Comunicação Social (ASCOM), criou o projeto “Programa de Visitas”, reafirmando o seu compromisso com o presente e o futuro de seus integrantes e familiares. De baixo custo e implantação razoavelmente prática, o projeto é um aliado importante para ações de Comunicação Social numa organização que possui servidores em vários municípios brasileiros e, por isso, necessita de soluções fun14 AEROESPAÇO

CINDACTA IV abre as suas portas para receber as famílias dos servidores civis e militares

estimular o relacionamento entre os familiares e os profissionais militares e civis de seu efetivo. A execução do “Programa de Visitas” é de responsabilidade das Organizações Subordinadas ao DECEA, que tem como meta priorizar as especialidades de todos os integrantes do efetivo, destacando o mesmo grau de importância em todas as funções.


A aplicação desse projeto busca, também, conhecer a realidade dos diferentes segmentos do efetivo, valorizando seu potencial e cuidando de seu bemestar, promovendo a aproximação da família do militar ao seu ambiente de trabalho. Transforma-se, assim, em um caminho viável para a participação, a mobilização e o apoio ao efetivo, trazendo como consequência, êxito no cumprimento da sua missão institucional.

Dia de visita familiar à organização: integração e comprometimento Um dia de trabalho diferente. Diferente para os servidores civis e militares, para seus familiares e para o ambiente corporativo. Esse dia é quando a organização coloca em prática o “Programa de Visitas” - abrindo suas portas para que os filhos, pais e cônjuges de seus colaboradores possam conhecer

de perto o seu local de trabalho. Isso foi o que ocorreu no Terceiro Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA III), primeira Unidade a inserir o projeto, em 9 de setembro, no “Dia do Administrador”. A importância das atividades da área administrativa para a organização foi ressaltada pelo Comandante do CINDACTA III, Coronel-Aviador João Batista Oliveira Xavier, que falou da sua satisfação em poder participar de um momento tão significativo para os profissionais da área administrativa: “Vocês são fundamentais para a execução dos nossos trabalhos no CINDACTA III e nos dez Destacamentos de Controle do Espaço Aéreo (DTCEA) subordinados. Possuem qualidades e valores que sobressaem na sociedade”. No entanto, para que o projeto tenha êxito é fundamental o apoio dos líderes, incentivando as iniciativas e a participação dos colaboradores. “Um efetivo bem assistido trabalha melhor e com mais eficiência”, declara a Assistente Social do CINDACTA III, Mariléa Bezerra, para quem a implantação de projetos voltados para as ações de apoio ao homem, torna-se uma grande estratégia para o próprio comando. Estratégia ratificada pelo Chefe da Divisão de Administração da Unidade, Coronel-Aviador Marcos da Silva Lauro, que – na palestra de abertura do Programa de Visitas para as Famílias – ressaltou a importância do evento por contribuir para uma maior interação do efetivo e o motivar a ser parte integrante e fundamental da OM e, sobretudo, valorizado como servidor.

passa a maior parte do tempo dentro da organização e que no Programa de Visitas, ao apresentar o ambiente de trabalho ao seu familiar, o efetivo permite uma aproximação que normalmente eles não vivenciam no dia-a-dia. “O projeto estreita o contato da família com o ambiente de trabalho do militar, proporcionando uma experiência maravilhosa”. A programação no CINDACTA IV teve início com formatura, hasteamento da bandeira e canto do hino nacional. A tropa desfilou ao som da Banda de Música da Base Aérea de Manaus. Durante a visita à Unidade, as famílias entenderam a importância da missão dos militares e civis do CINDACTA IV, no controle do espaço aéreo, protegendo os céus da Amazônia e contribuindo para o engrandecimento da região.

Maior aproximação No Quarto Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA IV) o “Programa de Visitas” foi motivo de orgulho entre os seus mais de 1.600 servidores militares e civis. O Comandante Interino da Unidade, CoronelAviador José Alves Candez Neto, muito empolgado com a realização do evento, declarou nas boas-vindas que o militar AEROESPAÇO 15


Visita guiada aos setores do ICA

Nos DTCEAs, interatividades Criado como iniciativa do Diretor-Geral do DECEA, Tenente-Brigadeiro-doAr Ramon Borges Cardoso, o programa abrange todos os Destacamentos espalhados por todo o território brasileiro. Durante os meses de agosto, setembro e outubro, alguns Destacamentos de Controle do Espaço Aéreo (DTCEA) deram início ao projeto. No DTCEA São Félix do Araguaia, os militares apresentaram palestras sobre a importância das atividades de Meteorologia e Eletricidade, enquanto a equipe multidisciplinar do Serviço de Apoio ao Homem do CINDACTA IV falou sobre Qualidade de Vida e Cuidados com a Saúde. Em Fortaleza, a programação cons-

Visitantes conhecem o Centro Meteorológico de Vigilânc

tou de uma formatura militar com a participação da Banda de Música da Base Aérea de Fortaleza, seguida de cerimônia no auditório, onde o Comandante do Destacamento, Major-Aviador Ronaldo Di Ciero Miranda, deu as boas-vindas aos visitantes. Na sequência, os familiares assistiram a um vídeo sobre as especialidades de proteção em voo e participaram de uma visita guiada pelos chefes dos setores, onde puderam conhecer as dependências da Unidade e, principalmente, as atividades que os militares desempenham em cada setor. Iniciativas como essas também foram realizadas por outros Destacamentos, onde o programa foi coroado com sucesso. Em Barra do Garças, mais de 100

Familiares e efetivo se confraternizam no Destacamento Barra do Garças

16 AEROESPAÇO

familiares dos servidores militares participaram da visita à Unidade, onde tiveram a oportunidade de conhecer a Casa de Força (KF), o Mural Fotográfico Histórico, o Radar de Rota e o Painel Multimídia. Para traduzir a preocupação da organização com a questão da responsabilidade social, o Destacamento de São José dos Campos promoveu um momento de grande simbolismo. Os visitantes foram convidados a plantar mudas de Ipê, amarelo e roxo, como uma forma de expressar o compromisso que devemos ter com a família, o trabalho e o Comando da Aeronáutica. A iniciativa, no entanto, não termina por aí e já faz parte do calendário das outras organizações. E, para abraçar este projeto, diversos profissionais já se uni-

Visitantes recebem certificado de participação como form


cia do CINDACTA III

ram para realizar o “Programa de Visitas” em sua Unidade. É o caso do Instituto de Cartografia Aeronáutica (ICA), que realizou o evento no dia 21 de outubro. Para o Diretor do Instituto, CoronelAviador André Luiz de Miranda Rebello, além de uma oportunidade de mostrar a todos os trabalhos que vem sendo executados na organização, o evento mostrou que ações dessa natureza são de extrema importância: “Trata-se de uma oportunidade dos familiares conhecerem melhor a atividade do profissional do ICA. Toda Iniciativa voltada para o apoio ao homem proporciona maior interação entre o efetivo, o familiar e o ambiente de trabalho”. Em seguida, os visitantes assistiram ao vídeo sobre as profissões militares da Força Aérea Brasileira, produzido pelo Centro

ma de agradecimento no DTCEA-Fortaleza

Familiares plantam mudas de Ipê no DTCEA-São José dos Campos, selando um compromisso

de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER), onde puderam conhecer melhor as áreas responsáveis pela segurança do espaço aéreo brasileiro. Para a Chefe da Divisão Administrativa e da Comunicação Social, Tenente-Coronel Mônica Saraiva Sá Couto, o programa envolveu um conjunto de ações relacionadas à qualidade do ambiente de trabalho, o sentido de equipe e a melhoria da autoestima, além de medidas voltadas para a criação de laços entre a organização e as famílias dos colaboradores. “Considero muito importante a iniciativa de unir o efetivo e seus familiares para trocar experiências. Isso resulta em conhecimento e crescimento”. Ao final da programação, os visitantes receberam um brinde da organização

como forma de agradecimento. Uma confraternização entre familiares e servidores num almoço antecedeu a uma avaliação do evento pelos convidados. “Percebemos que o nível de satisfação foi bastante positivo, atingindo seu objetivo de estreitar mais os laços do efetivo e seus familiares”, comemorou a Relações Públicas do ICA, Cristina Gonçalves da Silva. O resultado nos mostra que melhorar a qualidade de vida é primordial e a prevenção é a base do trabalho. Portanto, o “Programa de Visitas” é uma oportunidade de aprendizagem para a realização de um trabalho pautado em qualidade e excelência, que vê no elemento humano a base de sustentação de toda a missão desenvolvida pela Unidade.

Visita dos familiares aos setores de trabalho do DTCEA São Félix do Araguaia

AEROESPAÇO 17


Primeiro Encontro das Unidades de Informação apresenta o Projeto REUNI no ICEA

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REDE DE UNIDADES DE INFORMAÇÃO

Por Telma Penteado Fotos: Acácio (ICEA) e Telma Penteado

Se há um objetivo comum que se relaciona ao gerenciamento da informação, há aí o interesse e a atuação da Divisão de Documentação do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DDOC/DECEA), através do desenvolvimento e da implantação do Projeto REUNI 18 AEROESPAÇO

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Segundo os coordenadores do evento, a proposta do Projeto REUNI é integrar as Unidades de Informação do SISCEAB numa Rede Corporativa com acesso pela Intranet

balanço da n apresenta SISCEAB o ilt Ja 1 R l Corone tecas do bre as Biblio pesquisa so

Como foco central das ações tomadas, está a busca por racionalidade das rotinas de trabalho; organização, ampliação e recuperação dos acervos; otimização do compartilhamento dos recursos entre todas as Unidades de Informação do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB). Desta forma, constando-se a falta de uma metodologia comum no compartilhamento de recursos e serviços, foi realizado nas dependências do Instituto de Controle do Espaço Aéreo (ICEA), no período de 14 a 16 de setembro, o Primeiro Encontro das Unidades de Informação do SISCEAB. Segundo os coordenadores do evento, a proposta do Projeto REUNI é integrar as Unidades de Informação do SISCEAB numa Rede Corporativa com acesso pela Intranet, oferecendo, além da troca de dados e recursos, um tratamento padronizado e sistêmico de toda gestão documental. Todo este processo será possível com a utilização do software de gestão de bibliotecas SophiA, adquirido pelo DECEA da empresa Prima Informática. Na abertura do evento, o Diretor do ICEA, Coronel-Aviador Ricardo Barion, ressaltou que reunir conhecimentos e informações dentro de bibliotecas especializadas e dentro de um evento como o REUNI, era um marco. Para Barion, lidar com informação e, por consequência, lidar com o conhecimento, traz de imediato uma enorme responsabilidade e que todo o conteúdo gerado e transmitido será compartilhado por um número infindo de pessoas em todos os lugares do Brasil e do mundo. “As pessoas e as organizações dependem das nossas bibliotecas especializadas. Nosso trabalho nesta área é enorme e de suma importância”, declarou. Na sequência, o Chefe da DDOC/DECEA, Coronel-Intendente R1 Jailton Porto de Faria, ressaltou a importância do Encontro: “Esta é uma oportunidade única de tratar da informação. A área de gerenciamento da informação necessita de encontros como este. Gerar conhecimento é nosso objetivo maior e, como sabemos, conhecimento e in-

formação não têm preço”, definiu. Após a abertura oficial da REUNI, aconteceu a inauguração da nova Biblioteca do ICEA, que disponibiliza livros e publicações técnicas, além de estações de computador com acesso à internet. Abrindo o ciclo de palestras do Encontro, a Professora Doutora Regina Célia Baptista Belluzzo, que possui larga experiência na área de Ciência da Informação e em Ciências da Comunicação, com ênfase em Gestão do Conhecimento - fez o público compreender que está inserido em contextos que conhece profundamente e, muitas vezes, que desconhece quase que por completo. Esta contextualização tem relação direta entre tecnologia e sociedade. Hoje, como bem mostrou Regina, informação e conhecimento são bens de valor. São mercadorias que se trocam, se vendem e se consomem. “Informação não é um mero recurso e passou a ser uma mercadoria de valor por muitas vezes inestimável. E replicar informação vai muito além da aplicação do recurso ctrl-c/ctrl-v” – afirmou Regina. Há que se adequar o conteúdo ao interlocutor e, ainda, ao meio. A tecnologia e as redes digitais de comunicação visam o aprimoramento das pessoas através das suas características de multidisciplinaridade, flexibilidade, velocidade, precisão e pontualidade da informação. A segunda palestra ficou a cargo da Professora Doutora Cibele Araujo Marques dos Santos, que teve a profissão do Bibliotecário como tema. Após apresentar um breve histórico da evolução desta profissão e considerando que todo e qualquer documento é uma fonte de conhecimento, Cibele fez uma relação de procedimentos e ferramentas usadas para trabalhar a informação. Ela citou o MARC (Machine Readable Cataloging, que em português significa Catalogação Legível por Máquina), um programa que promove a comunicação de registros bibliográficos sem que ocorra a repetição de dados. O adequado registro da informação deve ser realizado com a elaboração de produtos como, por exemplo, lista de assuntos, AEROESPAÇO 19


fichas, pesquisas on line, entre outros. Outro formato de padronização é realizado pelo programa Dublion Core, que organiza a informação para sua possível recuperação na internet, que é o seu foco principal. E ressalta-se que esta recuperação da informação deve ser confiável e rápida. Em um próximo tópico, Cibele questionou de que forma organizamos a informação. E, respondendo a ele, a professora citou a utilização dos metadados e a inclusão dos marcadores temáticos, da indexação de assuntos e da organização e hierarquização destas informações. Cibele registrou em sua apresentação a Normalização que os profissionais que trabalham nas Unidades de Informação necessitam conhecer: a ANSI/NISO Z39.19. A aplicação de normas em bases de dados, bibliotecas digitais, portais corporativos abarca também a normalização de formatos, a padronização relativa de semântica e sintaxe dos dados disponibilizados e a política de tratamento da informação no sistema. Encerrando o ciclo de palestras do primeiro dia do Encontro, a Professora Doutora Valéria Valls dissertou sobre a diferenciação entre os tipos de informação. De acordo com Valéria, que é Coordenadora do curso de Biblioteconomia e Ciência da Informação da FABCI/FESP-SP, “é preciso separar o joio do trigo”. Dentro de sua apresentação ela mostrou o que é o tratamento técnico da informação e o que é a Gestão da Informação. “Todos nós vivemos com uma quantidade excessiva de informação, que não conseguimos digerir em sua totalidade”. E estas informações são acessadas de infindas maneiras em diferentes espaços – sejam eles físicos ou virtuais – e em diversos suportes e formatos, desde livros, matérias, teses, tweets, entre outros. Mais adiante, Valéria falou sobre a questão da recuperação da informação. E para que a recuperação seja possível, há que se fazer uma consistente Gestão da Informação. Trata-se de um processo que consiste basicamente “nas atividades de obtenção, processamento e disseminação da infor20 AEROESPAÇO

mação independentemente do formato ou meio em que esta se encontre”. A Gestão se presta a permitir que possamos dispor dos dados que desejamos na exata hora que precisamos tomar nossas decisões. Quanto às atividades da Gestão da Informação, a Professora disse que as mesmas devem ser realizadas por profissionais especializados (bibliotecários e arquivistas), que entendem a natureza da informação e suas características especificas. Existem normas técnicas, protocolos, códigos e vários outros documentos que padronizam o tratamento técnico da informação. “O que para um leigo pode parecer burocracia, é, na verdade, um grande aliado para a organização e futura recuperação da informação”, declarou. Valéria lembrou, ainda, que o “meio de comunicação não é a mensagem em si, embora possa influenciá-la fortemente”. E isso é muito relevante na relação entre a Gestão da Informação e as Tecnologias da Informação. Por fim, ela ressaltou a personalização da informação para atender o interesse específico de cada usuário. “No fluxo de distribuição de informação, nem todo mundo tem que receber tudo”. No segundo dia do Encontro, a parte da manhã foi dedicada à apresentação do software

SophiA Biblioteca. Palestrando sobre o programa estiveram presentes o Diretor e Fundador da empresa Prima Informática, responsável pelo desenvolvimento do software, Eduardo Voigt e pela representante da empresa, Liliana Giusti Serra. A empresa Prima foi fundada por profissionais do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), e possui 13 anos de experiência e mais de 600 instituições clientes. Dentre estes clientes, Eduardo citou alguns dos mais importantes clientes para que os participantes pudessem atestar a credibilidade da Prima. Entre eles estão a Academia Brasileira de Letras, a UNICAMP, a Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), a Universidade Federal de Goiás (UFG), a Universidade de Guarulhos (UnG), o ITA, o Instituto Nacional de Pesquisas Es-

Coronel Barion e Coronel R1 Jailton realizam a inauguração da Biblioteca do ICEA


paciais (INPE), o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), o Banco Central e o Tribunal de Justiça. Ainda de acordo com o Diretor, anualmente técnicos da Prima se reúnem com seus usuários para debater sobre o software SophiA, com o objetivo de coletar dados e demandas para possíveis atualizações do programa. “Em 2009 o encontro contou com a participação de 220 profissionais”, contou ele. Também foi informado que a empresa conta com uma equipe de 14 técnicos especializados no SophiA Biblioteca, que atenderão nossas futuras demandas. De acordo com Eduardo, “mais especificamente com relação ao software, a empresa desenvolve customizações que irão facilitar a interface dos usuários das Unidades de Informação do SISCEAB ao realizarem suas buscas no sistema”. A lógica do sistema de Gestão de Biblioteca compreende a circulação de produtos, o controle de atrasos, as cartas de cobrança e o efetivo controle de periódicos. No ambiente do SISCEAB, os clientes do SophiA Biblioteca são o DECEA; o ICEA; os quatro Centros Integrados de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA); dentro do Departamento de Ciência e Tecnologia (DCTA), o ITA, o Instituto de Estudos Avançados (IEAv), o Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI) e o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE); e o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes (CENIPA). Num contexto amplo, a rede será composta por Unidades de Informação descentralizadas usando o Banco de Dados como se este fosse único. Na sequência da apresentação da empresa Prima e seu software SophiA Biblioteca, a palavra foi passada para a Gerente de Sistemas de Informação, Liliana Giusti Serra. Abrindo suas considerações, Liliana resumiu o objetivo do programa, que é um software modular que gerencia acervos. O SophiA, como ela apresentou, possui as versões básica, intermediária e avançada, e a escolha de uma versão específica “depende do volume do acervo da organiza-

ção com o qual se deseja trabalhar”. “É possível fazer uma configuração de acordo com o tamanho da instituição que irá usar o programa”, prossegue Liliana. “O SophiA permite a gestão de acervos bibliográficos com a maior variedade possível de suportes. Não se limita a livros e revistas. Trata-se de recortes de jornal, livro eletrônico, arquivos de áudio e vídeo, entre outros”. “A biblioteca digital é hoje um processo irreversível”, comenta Liliana. E, diante desta realidade, os dados passam a ser disponibilizados tanto na internet quanto na intranet, conforme seja o desejo de cada organização. O conceito de multibibliotecas – uma instituição com várias bibliotecas estanques trabalhando em rede – é hoje uma realidade muito próxima ao SISCEAB. E nesta conjuntura, o SophiA Biblioteca oferece uma série de recursos e ferramentas que atendem esta realidade que, como disse a palestrante, será de grande valia nos trabalhos aqui realizados. Outras facilidades que Liliana mencionou são o autoatendimento e a disponibilização de chaves de escaninhos e armários para os usuários. Quanto às possibilidades de cadastro de usuários, foi esclarecido que cada uma será realizada de acordo com os níveis de informação: monográfico (livros, periódicos, vídeos) e analítico: (capítulo, artigos, recortes). A catalogação de materiais não bibliográficos (ex.: mapas, músicas, vídeos e imagens) também possui espaço no banco de dados com suas devidas classificações. O programa, como foi mostrado, relaciona os metadados (que são dados sobre um determinado dado – ex.: se o dado é um livro, os metadados são o nome do autor, o ano de sua publicação, a editora...) com arquivos em diversos formatos (como doc, pdf, wma, mp3, jpg, html). Concluindo, Liliana resumiu a apresentação dizendo que o SophiA “é um software de Gestão de Acervos Bibliográficos que permite a manutenção de rotinas de bibliotecas e centros de informação, o controle de circulação e de usuários, tendo

Participantes da REUNI chegam ao Encontro

Marilda Quins an fala sobr e nas biblioteca o software SophiA s do ITA

migração fala sobre a lioteca sa o R na ia Adr Bib are SophiA para o softw

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este aderência aos principais padrões internacionais de descrição bibliográficas e intercâmbio de registros”. Para falar do uso do Sistema de Informação da Rede de Bibliotecas do DCTA, foi chamada a Chefe da Seção de Processos Técnicos do ITA, Marilda Leite Quinsan. A rede de bibliotecas do DCTA consiste em onze unidades sediadas em cinco institutos: ITA, Grupo Especial de Ensaios em Voo (GEEV), Instituto de Estudos Avançados (IEAv), Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI) e Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). “O desejo de ter um sistema integralmente nacional sempre foi uma meta. Pagamento, interface, manutenção... tudo é melhor. Ninguém quer um sistema obsoleto em relação à tecnologia”, declarou Marilda. No caso da rede de bibliotecas do DCTA, o processo de migração para o SophiA foi realizado com grande cautela, uma vez que um erro nos dados implicaria em migrá-los com o tal erro para o novo sistema. Um exemplo da complexidade da migração dos dados citado por Marilda foi o campo de notas – de 1 para “n”. “Antes, tudo era catalogado num único campo. Sabíamos que este campo seria necessariamente desmembrado em uma série grande de campos. Com o SophiA, foi possível definir a situação dos registros (o que disponibilizar e o que não disponibilizar), os campos exclusivos (localização, tombo) e a carga de tabelas (alimentação das tabelas), entre outros.

Resultados da migração para o SophiA Biblioteca: - melhor relacionamento com os usuários; - maior interação e colaboração entre as bibliotecas; - possibilidade de aceitar novas atividades; - possibilidade de troca de informação com institutos congêneres; - maior satisfação dos usuários.

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Ministrando a última palestra do segundo dia, Deise Maria Bentes Barbosa, Chefe da Seção de Automação da Divisão de Documentação e Informação do ITA, apresentou o funcionamento do Sistema de Informação. O modelo possui três camadas, sendo elas, respectivamente, apresentação, negócios e dados. De acordo com Deise, o usuário interage apenas com a apresentação. Após apresentar dados técnicos sobre o software SophiA biblioteca, Deise se pôs à disposição para responder às perguntas dos participantes. Com o intuito de padronizar o conhecimento acerca do novo programa de gerenciamento de Bibliotecas, uma das coordenadoras do Encontro, Adriana da Silva Rosa, apresentou a estrutura geral da REUNI do SISCEAB. Segundo Adriana, o Comitê Gestor é formado por bibliotecários e por profissionais de Tecnologia da Informação (TI). Já o Comitê Técnico é formado por militares e civis do DECEA. O Conjunto de Bases é uma única base de dados a ser usada por todas as Organizações Militares do

Sistema, tendo o DECEA por órgão centralizador. “Num segundo momento, desejamos que a REUNI possa estar integrada com outras bibliotecas”, comenta Adriana. Logo após sua apresentação, teve início o trabalho de grupo dos participantes, que foram divididos em duas salas para tratar de questões relativas à migração para o software SophiA Biblioteca. Na tarde do dia 16 de setembro, foi realizado o encerramento do I Encontro das Unidades de Informação. Em suas considerações finais, o Coronel Jailton agradeceu ao Diretor Interino do ICEA pela acolhida e pelo incentivo para a realização do evento. Em seguida, o Coronel Barion agradeceu a todos pela escolha do ICEA para sediar o primeiro encontro do grupo. “O ICEA se sente honrado em acolher um evento da importância do REUNI. Tenho certeza que o ponto forte, o fator mais importe é a motivação de todos para trabalhar em seus projetos, na estruturação de suas bibliotecas”, concluiu.

Conjuntura das Bibliotecas das Unidades de Informação do SISCEAB O Chefe da DDOC/DECEA apresentou um balanço da conjuntura das bibliotecas das Unidades de Informação presentes ao evento. No quesito de Recursos Humanos, foi levantado que a graduação dos responsáveis pelas Bibliotecas é de 50% de Bibliotecários, 20% da área Administrativa e 30% de outras formações. Cerca de 90% das OM possuem documentos de regulamentação em seus Regimentos Internos e 80% possuem NPA. Foi levantado, ainda, que para o tratamento do acervo, que está 70% atualizado, apenas 30% das unidades usam um sistema padrão de classificação. Dentre as bibliotecas, 50% possuem base de

dados. Ao final, o Coronel Jailton pôde detectar uma deficiência de pessoal especializado e que não existe uma uniformidade e um padrão no tratamento técnico do acervo. Mais de 20% das Unidades de Informação têm documentos semelhantes a de outras unidades, embora não haja intercâmbio de informação. Para ele, a migração para o SophiA irá atender estas demandas, elevando o padrão de qualidade do serviço prestado. “A atividade dos bibliotecários, assim como a dos arquivistas, deve ganhar visibilidade”. Trata-se do reconhecimento destes profissionais tão valorosos para o Sistema.


Programa Segundo Tempo

Forças no Esporte Núcleo CINDACTA III Jovem Por Daisy Meireles Fotos: Luiz Eduardo Perez

Desenvolvido nas organizações militares da Força Aérea Brasileira, do Exército Brasileiro e da Marinha do Brasil, por meio de parceria entre os Ministérios da Defesa, do Esporte e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome - o “Programa Segundo Tempo - Forças no Esporte” tem como objetivo democratizar o acesso à prática e à cultura do esporte, promovendo o desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e jovens, como fator de formação da cidadania e melhoria da qualidade de vida, prioritariamente em áreas de vulnerabilidade social.

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José Roberto Faiolo da Silva, Major Especialista em Comunicações, é o Comandante do DTCEA-PS

portantes para o CINDACTA III, uma vez que trazem visibilidade para a Organização e propiciam a troca de experiências e conhecimento da importante missão desenvolvida na Organização Militar para a sociedade brasileira e para a economia do País, resgatando o papel das Forças na preservação e garantia dos valores cívicos e patrióticos, da cultura e da segurança da nação brasileira.

A cerimônia de lançamento

Coronel Xavier: total envolvimento do CINDACTA III com o Programa

O Terceiro Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA III), comandado pelo Coronel-Aviador João Batista de Oliveira Xavier, é a primeira organização do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB), a oitava do Comando da Aeronáutica (COMAER) e a primeira da Guarnição de Aeronáutica de Recife a aderir ao Programa, com a visão estratégica de atingir o nível de excelência no segmento do Controle do Espaço Aéreo Brasileiro e na defesa da Pátria, abrindo suas portas e ampliando sua ação para integrar programas de responsabilidade social e inclusão social voltados à população carente da área de sua circunvizinhança, como é o caso do bairro do Jordão Baixo, onde fica situada a sua sede. Nesta ação, o CINDACTA III atende 100 crianças e adolescentes, na faixa etária de 12 a 14 anos, no contraturno escolar, de duas escolas da rede estadual de ensino do Estado de Pernambuco: Roberto Silveira e Maria Rita Lessa. Parcerias foram firmadas com a Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco: e a Faculdade Maurício de Nassau, que trazem como 24 AEROESPAÇO

contrapartida a disponibilização dos alunos das escolas citadas, o transporte dos participantes no percurso escola/ CINDACTA III/escola, o reforço alimentar - previsto no Programa -, e os estagiários graduandos do curso de Educação Física, para desenvolverem as atividades esportivas junto aos integrantes do programa na Praça de Esportes do CINDACTA III. Os resultados esperados com a execução do projeto estão voltados para despertar nos participantes o interesse pela atividade esportiva; o resgate dos valores familiares, sociais e cívicos; a melhoria da disciplina e do rendimento escolar e, ainda, o despertar para a cidadania e para a importância da oportunidade que estão tendo de galgarem um futuro mais digno e promissor. Isto porque, estarão longe dos riscos que envolvem a convivência na comunidade onde residem, caracterizada como área de altos índices de criminalidade e violência. A aproximação com a sociedade civil, através das parcerias firmadas, e o acesso aos órgãos que integram a rede de proteção à criança e juventude do Estado de Pernambuco, também são pontos im-

No dia 17 de setembro, foi lançado o Programa Segundo Tempo - Forças no Esporte no CINDACTA III, numa cerimônia cívico-militar, cujo coordenador é o Coronel-Aviador Marcos da Silva Lauro, Chefe da Divisão Administrativa da Unidade. Durante a cerimônia, representantes de Organizações Militares do Exército Brasileiro, Marinha do Brasil e da Força Aérea Brasileira – participantes do “Forças no Esporte” – estiveram presentes, reforçando o testemunho de Programas que podem dar certo dentro da estrutura militar para mudar o curso da vida de crianças e adolescentes que vivem em situação de risco social nas comunidades circunvizinhas a essas Organizações. No dia anterior, esses representantes participaram da Primeira Reunião de Coordenadores do Programa Segundo Tempo – Forças no Esporte na Região Nordeste, realizada no Comando Militar do Nordeste (CMN), unidade do Exército Brasileiro sediada em Recife, que teve como objetivo a apresentação das experiências que vêm dando certo nas diversas organizações militares das três forças espalhadas pelo Brasil. Representantes da área educacional do Estado, representante da Faculdade Maurício de Massau, diretoras das escolas parceiras, pais, mães, alunos, educadores, estagiários, professores, voluntários, militares e civis do CINDACTA III – todos os envolvidos no Programa estiveram presentes a solenidade de abertura, assim como a marinheira e jogadora da seleção brasileira de futebol feminino Andréa dos Santos, a famosa “Maicon”,


A equipe do CINDACTA III

A marinheira Andréa acende a pira olímpica, simbolizando a chama que permanecerá acesa em todos os participantes do Programa

e a Segundo Sargento Karla – do efetivo da Divisão Técnica do CINDACTA III e campeã mundial militar de futebol feminino nos Estados Unidos da América, que foram as estrelas do esporte presentes à cerimônia. Andréa acendeu a pira olímpica, simbolizando a chama que permanecerá acesa na alma e no espírito de todas as crianças e adolescentes que integram o Programa Forças no Esporte no CINDACTA III. Na formatura, junto à tropa militar, estava o pelotão “CINDACTA III Jovem”, entoando o Hino Nacional Brasileiro com a mão no peito, em reverência à Pátria. Finalizando a cerimônia, o Coronel Xavier, conclamou aos futuros atletas o grito de guerra: - CINDACTA III jovem! E eles responderam: - Esperança... Brasil! Após a cerimônia, todos se confraternizaram na praça de esportes, conhecendo de perto os locais que farão parte da vida esportiva dessas crianças e adolescentes por toda a vigência do Programa.

Como funciona o Programa Além do coordenador, mais 24 voluntários – militares e civis do efetivo – apoiam o programa nas atividades financeiras, administrativas, esportivas, cívicas, culturais, reforço escolar e reforço alimentar. As modalidades esportivas que estão no programa são futebol society, voleibol de quadra, voleibol de areia, judô, atletismo e xadrez.

Os alunos já iniciaram a prática desportiva, acompanhados pelos voluntários e estagiários de Educação Física da Faculdade Maurício de Nassau e as instruções ocorrem todas as segundas, quartas e sextas-feiras, no período da manhã. “Além das atividades desportivas, o projeto trabalha o processo de aprendizagem, por meio do reforço escolar, contribuindo, assim, para a melhoria das avaliações didáticas e diminuição da evasão escolar” – declarou o Coronel Lauro. Segundo a assistente social Mariléa Bezerra, o Programa traz a garantia de direitos sociais e abre novas perspectivas para os participantes quando incentiva a prática esportiva, contribuindo para a efetivação da cidadania e para o processo socioeducativo. Promove, também, o desenvolvimento psicossocial e as habilidades cognitivas, trabalhando ações de civismo, disciplinas e ética. “Esperamos, com essas ações, trazer melhores perspectivas para a vida desses jovens” – complementa Mariléa. Outras atividades que fazem parte do programa no CINDACTA III são o reforço alimentar, com duas refeições diárias (café da manhã e almoço); ações socioeducativas e culturais, que são aplicadas através de palestras, filmes, passeios culturais e atividades lúdicas. Há, ainda, a preocupação com a preservação da saúde. Para isso, estão sendo realizadas avaliações da saúde geral e bucal, por médico e dentista na própria Unidade. As crianças cumprem um cronograma

Cap Marcelo - apoio financeiro Ten Natália Sales - apoio geral Ten Daliana - apoio jurídico Ten Melo - reforço escolar Ten Aline - apoio administrativo SO Elias - orientação e apoio às atividades esportivas SO Cabral - civismo SO Jorge Luiz - atletismo SO Osvir - apoio jurídico SO Azevedo - coordenação e apoio às atividades esportivas 1S Albuquerque - apoio disciplinar 2S Wilma - apoio ao atletismo 2S Samory - apoio ao futebol 2S Raposo - apoio ao voleibol e reforço escolar 2S Karla - apoio ao futebol 2S Passos - apoio ao judô 2S Veloso - apoio administrativo 2S Vandeilson - apoio geral Cv Mariléa - atividades socioeducativas culturais Cv Atila - apoio jurídico S2 Alexandre Silva - apoio geral S2 P. Souza - apoio geral S2 Humberto - apoio geral S2 Salomão - apoio geral

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de atividades. São deslocados das escolas para o CINDACTA III, em ônibus fornecido pela Secretaria de Educação do Estado, sendo recebidos com um café da manhã. Em seguida, têm aula de civismo por meia hora e depois começam a prática de esporte nas quadras. Às sextas-feiras há palestras educativas, passeios culturais e reforço escolar. E, antes de retornarem à escola, é servido um lanche para que os integrantes aguardem o almoço que é servido na própria escola.

As expectativas Cidadania e não política. É o que está no coração dos educadores desses jovens. Cristiane Queirós – vice-diretora da escola Roberto Silveira - diz que a maior expectativa que tem do projeto é a base disciplinar. “Quero que eles cresçam intelectualmente e com o apoio dos militares”. Para a educadora Jucirema Martins de Souza, da escola Maria Rita Lessa, esses

Programa Forças no Esporte Núcleo CINDACTA III Jovem

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jovens não têm culpa do que vivem no dia a dia. “Desejo que o Programa recupere essas crianças e que elas saibam aproveitar a oportunidade para melhorar o comportamento. Quero que eles aprendam a ter disciplina e que entendam que é esse o caminho e o alicerce para alcançar sucesso na vida”. Jucirema contou que, dias antes do lançamento do Programa, quando os alunos receberam os uniformes e calçados, ficou muito emocionada. “Um dos alunos saiu correndo, gritando que aquele seria o sapato do Natal”. Oportunidade e não caridade. É o que pais e mães almejam para seus filhos. Ronaldo Joaquim dos Santos, pai de Anderson (14 anos), diz que já sente diferença no comportamento do filho. “Ele não quer mais faltar às aulas na escola. Percebo que agora ele tem interesse em mudar de vida”. A mãe da aluna Geisiane (14 anos), Marlene Leandro do Nascimento, espera que a filha se entusiasme com o Projeto e consiga realizar o sonho da sua vida, que é ser judoca.

Rosa Maria Teodoroa de Barros, mãe de Talita (14 anos), conta que a filha sempre teve interesse por esportes. Entretanto, sua condição financeira não permitia proporcionar a atividade para a filha. “Ela também queria muito conhecer a vida militar, e agora tem oportunidade”. A aluna Gisele da Silva Coelho, 13 anos, está na 6ª série e quer ser jogadora de vôlei. Para ela, iniciar e praticar o esporte é a realização de um sonho, mas confessa que o reforço escolar é importantíssimo no momento. “Por isso estou no Programa, preciso recuperar minhas notas”. Erick Filipe da Silva, com a mesma idade e cursando a mesma série, diz que ser jogador de futebol é a sua meta, quer ser meia-direita. “Tenho três irmãos e só eu estou inserido no Programa Forças no Esporte. Quero aproveitar essa oportunidade para realizar meu sonho”. “Quero aprender a jogar futebol e vôlei. E aqui no CINDACTA III eu vou conseguir”, diz Raissa Carolina, 13 anos, 6ª série, confiante.


Rinalda Gonçalo da Silva, 13 anos – 7ª série – declarou que quer ser militar e aprender a jogar futebol e vôlei. “Moro com minha avó, meu pai e mais dois (dos quatro) irmãos. Sou a mais nova. Sempre quis saber como é a vida militar e estou gostando muito de participar das atividades esportivas”. A Sargento Karla, que apoia os alunos na atividade de fubebol, acredita que o Programa está sendo muito importante para o crescimento, o desenvolvimento e a formação desses adolescentes como cidadãos. “Estamos oferecendo um futuro promissor através do esporte e com certeza vamos gerar bons frutos num futuro próximo” – finaliza a militar esportista. As declarações citadas acima comprovam que a sociedade civil precisa conhecer o trabalho social das Forças Armadas e que os resultados do Programa Forças no Esporte vão resgatar valores familiares, sociais e cívicos; trazer melhoria da disciplina; despertar para a cidadania e aumentar a qualidade de vida para os jovens participantes.

O pelotão CINDACTA III Jovem entoa o Hino Nacional

Como participar O Programa Forças no Esporte teve início em 2003 e integra o Programa Segundo Tempo do Governo Federal. É desenvolvido nas Forças Armadas e vem evoluindo a cada ano com a adesão de várias Organizações militares. Na Aeronáutica já são oito as Unidades participantes. A Comissão Desportiva da Aeronáutica (CDA) foi pioneira e, com a entrada do CINDACTA III no Programa, a Força Aérea Brasileira hoje soma atendimento a duas mil crianças e adolescentes em todo o Brasil. Além da CDA e do CINDACTA III, outras OM do Comando da Aeronáutica participantes são: as Bases Aéreas de Natal (BANT), de Florianópolis (BAFL) e de Anápolis (BAAN); o Batalhão de Infantaria de Aeronáutica Especial de Belém (BINFAE-BE); o Quinto Comando Aéreo Regional (COMAR V) e o Grupamento de Apoio do Rio de Janeiro (GAP-RJ). As organizações militares da Aeronáutica interessadas em participar do Programa podem entrar em contato com a Comissão Desportiva da Aeronáutica. As unidades serão aprovadas por um comitê e funcionarão, prioritariamente, junto às comunidades carentes mais próximas. As Forças participam coordenando as atividades e cedendo a infraestrutura física e de pessoal. Os recursos financeiros, para aquisição de material, alimentação, contratação de profissionais, transporte e outros são descentralizados pelo Ministério do Esporte e Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

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