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AO LEITOR OS DESAFIOS DA MOBILIDADE Um em cada dez deslocamentos diários em Join­ ville, no vaivém dos cidadãos, é feito pedalando. A estimativa do Ippuj, órgão da prefeitura responsável pelo planejamento urbano, data de 2011. Com o in­ cremento da rede de ciclovias – a malha chega a 140 quilômetros e há planos de quintuplicar essa cober­ tura –, entre outras medidas que buscam estimular o uso da “zica”, espera-se que a média citada já seja até maior – e que mais e mais joinvilenses se sintam dispostos a andar de bicicleta por aí, uma forma eco­ lógica e economicamente correta de se locomover. É um dos eixos do PlanMob, pacote de diretrizes para a mobilidade finalizado em março. O próprio Ippuj admite que há um desafio extra no meio do caminho, exposto como “obstáculo” pelo pre­ sidente do órgão: quebrar o paradigma e comprovar a importância da bicicleta dentro do quadro da mobili­ dade sustentável, dado que – ele mesmo reconhece –, por décadas, a administração pública pôs o foco de seus

investimentos na estruturação de um sistema voltado aos deslocamentos motorizados e individuais. A meta não é pequena: em dez anos, o PlanMob almeja elevar para 20% o número de deslocamentos de bicicleta. No plano prático, muita coisa precisa ser feita para chegar lá, especialmente na questão da segurança, reduzindo drasticamente as estatísticas de acidentes de trânsito envolvendo ciclistas. O tema é abordado em reporta­ gem que começa na página 52. Outra reportagem de destaque, nesta edição, mos­ tra a ação de pequenos e médios empresários rumo ao mercado internacional, no embalo do dólar em alta. É uma alternativa para ampliar a base de operação co­ mercial em momentos de indefinição da economia brasileira. Leia mais a partir da página 42. Já na abertura da revista, à página 8, uma conversa com a fundadora e presidente da rede brasileira de ho­ téis Blue Tree, que estará em agosto na Acij para uma palestra. Boa leitura.

NESTA EDIÇÃO 8 Fundadora do Blue Tree revela modelo de gestão da rede de hotéis 16 Um programa para a proteção intelectual 20 O que vem para SC com o plano de logística do governo federal 24 BMW no time da Acij 28 Como ter sucesso com lojas virtuais 30 Design e elegância para singrar os mares 32 Santos Dumont: duplicação (finalmente) re­ tomada 40 Preços menores para voar de Joinville 42 Dólar em alta abre caminho da exportação para pequenos empresários 50 Leilões judiciais ganham agilidade 52 Mobilidade em duas rodas 58 Telefonia móvel é campeã no Procon 60 Diário de Viagem: pedalando na Compostela 62 A vitrine das feiras de negócios 64 O livro da monja que fez a Expoville meditar 70 Crescimento, mas a longo prazo

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DO SONHO À REALIDADE DIVULGAÇÃO

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Em alusão ao novo século, pleno de desafios, a Revista 21, publicação bimestral da Associação Empresarial de Joinville (Acij), aponta, ao mesmo tempo, para o momento e para o futuro, para o contemporâneo e para o que está por vir. Tem por objetivo levar informação de qualidade ao leitor sobre os grandes temas de interesse da classe empresarial, sempre com visão local.

Assinatura do convênio para instalação da Jucesc: reduzir a burocracia

ATENÇÃO ÀS EMPRESAS LOCAIS A propósito da presença de lideranças regionais no jantar de posse da diretoria da Acij, em junho, o presidente João Joaquim Martinelli sublinhou que o Estado precisa, sim, de novos empreendimentos, da chegada de mais empresas, mas alertou que é necessário dar atenção às que já operam aqui. Lembrou e lamentou a perda de várias com­ panhias – algumas marcantes, como a Busscar e a Duque – e apelou para que o setor público apoie a luta pela recuperação de várias ou­ tras que ainda enfrentam dificuldades. Tradicional por sua atuação no fortalecimento das empresas do Norte Catarinense, a entidade tem levantado bandeiras estratégicas – como a melhoria da mobilidade, em Joinville, com a criação de novos acessos, a continuidade das obras de duplicação da Avenida Santos Dumont, o início das obras na Dona Francisca e no trevo do Distrito Industrial, entre tantas outras. Ponto importante – e que simboliza a disponibilidade da asso­ ciação empresarial para uma atuação conjunta com o Estado – foi a assinatura do convênio que oficializa a instalação da Junta Co­ mercial do Estado (Jucesc) na sede da associação, com a intenção de acelerar e simplificar processos, encurtar espaços e reduzir a bu­ rocracia para a abertura de novos empreendimentos. A casa tam­ bém não economiza esforços diante das questões mais essenciais para o desenvolvimento empresarial – e que ainda não tiveram so­ lução, caso da reforma tributária, por exemplo. Enquanto isso não se efetiva, a Acij tem apoiado fortemente a proposta de elevação do teto do Supersimples, buscando, em suma, alternativas locais e regionais para melhorar o ambiente de negócios para empresas de todos os portes.

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Número 20. Julho e agosto de 2015 Conselho editorial Simone Gehrke (EDM Logos) Ana Carolina Bruske (Núcleos) Débora Palermo Mello (Acij) Diogo Haron (Acij) Carolina Winter (Winter Comunicação) Jornalista responsável Júlio Franco (reg.prof. 7352/RS) Produção Mercado de Comunicação Editor Guilherme Diefenthaeler (reg. prof. 6207/RS) Reportagem Ana Ribas Diefenthaeler, Letícia Caroline, Mayara Pabst, Marcela Güther, Karoline Lopes Projeto gráfico, diagramação, ilustrações e infográficos Fábio Abreu Imagem da capa Arquivo Histórico de Joinville Fotografia Peninha Machado, assessorias de imprensa Impressão Tipotil Tiragem 4 mil exemplares Publicidade Flávio Vailatti – (47) 9107-3939

Av. Aluisio Pires Condeixa, 2550 3461-3333 acij.com.br twitter.com/acij facebook.com/acijjoinville

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A FOTO DA CAPA No final do século 19, este era o ponto de encontro de comerciantes e compradores no coração de uma bucólica Joinville em desenvolvimen­ to. A ligação fluvial com o Planalto Catarinense, passando pela Baía da Babitonga, Lagoa de Saguaçu e Rio Cachoeira, foi a principal forma de escoamento da produção joinvilen­ se. A imagem, da década de 1920, retrata as atividades comerciais do antigo Mercado Público. Apesar de o Cachoeira ter deixado de lado sua fi­ nalidade original, as transações por­ tuárias continuam imprescindíveis para a economia regional. Os desti­ nos internacionais movimentam o mercado e abrem um leque de opor­ tunidades para as empresas locais.

Se você tem uma imagem que retrate algum período da história de Joinville, entre em contato com a redação pelo revista21@mercadodecomunicacao.com. br. A foto poderá ser publicada na capa em uma das próximas edições.

A REVISTA EM FRASES ANDRÉ KOPSCH

“Avaliamos cada problema como oportunidade de melhoria e buscamos soluções fazendo benchmarking no mercado e dentro da própria rede” Chieko Aoki, presidente do grupo que leva seu nome e do qual fazem parte as redes Blue Tree Hotéis e Noah Gastronomia

“Nossa proposta é oferecer um espaço de desenvolvimento, formando cidadãos cultos e com gosto pelas artes” Rodrigo Calegari Feldhaus, diretor do espaço Cultural Traços e Atos

“Para pequenas e médias empresas, a exportação pode ser vantajosa se a transação for vislumbrada como comprometimento gradual junto ao mercado externo, realizando investimentos em inovação e adequação de produtos ou serviços” Jurema Tomelin, coordenadora do Programa de Internacionalização de Empresas (Pier), da Univille

“O cenário econômico complicado traz oportunidades para leilões porque as empresas precisam fazer caixa e buscam rentabilizar aquilo que ocupa espaço sem necessidade. Uma alternativa viável de liquidez rápida”

“As empresas estão descobrindo que apenas o lucro financeiro é insuficiente para se manterem em pé. As que estão começando a pensar no lucro social e ambiental estão vivas. As que não prestaram atenção estão morrendo. É da natureza desse desenvolvimento da consciência humana”

Tatiane Duarte, leiloeira, especializada em leilões corporativos

Monja Coen, em palestra na Expoville

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ABRE ASPAS

CHIEKO AOKI

A dama da hotelaria brasileira Por Marcela Güther Em 1997, Chieko Aoki criou a Blue Tree Hotels (Aoki, em japo­ nês, significa “árvore azul”), rede voltada aos segmentos de business, luxo e resorts. Em 18 anos de atuação, a operado­ ra hoteleira fincou raízes em diversos destinos estratégicos. São 22 hotéis espalhados por 17 cidades do Norte ao Sul do país, com mais de 2 mil colaboradores diretos, que renderam faturamento de R$ 381 milhões em 2014. Em Santa Catari­ na, a Blue Tree marca presença em Joinville e Florianópolis. Conhecida como a grande dama da hotelaria brasileira, além de presidir o Grupo Chieko Aoki, do qual fazem parte a Blue Tree Hotels e o Noah Gatronomia, a empresária participa de diversas organizações, como o Conselho de Empresários da América Latina (Ceal), ocupa cadeira na Academia Brasileira de Marketing e é vice-presidente do Conselho de Administra­ ção do São Paulo Convention & Visitors Bureau. Também tra­ balha para o incremento das relações econômicas e culturais entre Brasil, Japão e América Latina e participa de atividades filantrópicas e de cunho social, para as quais contribui com arrecadação de recursos. Chieko Aoki – que virá novamente à Acij em agosto, para palestra comemorativa aos 20 anos de fundação do Núcleo de Mulheres Empresárias – detalha, nes­ ta entrevista à Revista 21, sua trajetória profissional, modelo de gestão da rede, planos de expansão e visão sobre o cenário econômico para o segmento hoteleiro.

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No início de sua trajetória como empresária, o que a motivou a empreender um negócio próprio e fundar a Blue Tree? As circunstâncias da vida me apre­ sentaram a hotelaria como carreira e me apaixonei por esse mercado. Comecei a trabalhar na hotelaria em 1982, como diretora de Mar­ keting e Vendas dos hotéis Caesar Park, dos quais também fui presi­ dente. Após a experiência no Cae­ sar Park, fui vice-chairman da Wes­ tin Hotels & Resorts, a mais antiga e tradicional companhia hoteleira dos Estados Unidos. Na época, pude administrar e implantar ho­ téis na América Central, Ásia, Esta­ dos Unidos e Europa. Meu marido tinha negócios no segmento ho­ teleiro e foi uma influência impor­ tante para que eu aprendesse e me envolvesse com esse meio. Sempre busquei fazer o meu melhor, inovar e evoluir constantemente, em casa ou no trabalho, e essa filosofia foi transposta para as redes nas quais trabalhei. A formação acadêmica também cumpriu papel importan­ te. Sou formada em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), fiz curso de Administração na Uni­ versidade de Sofia, em Tóquio, e em Administração Hoteleira na Cornell University, nos Estados Unidos. Além disso, atuei com profissionais incríveis, repletos de ideias. Essas experiências foram essenciais para formar a minha visão sobre o mer­ cado hoteleiro e as inovações nesse campo. Em 1997, a saúde do meu marido estava frágil, seus negócios abalados pela crise do Japão, e o Brasil entrava em um processo de estabilidade econômica. Eu tinha duas alternativas: observar o ce­ nário e ficar em casa ou colocar a mão na massa e aproveitar o espa­ ço que havia no país para uma rede hoteleira que oferecesse serviços com a qualidade dos hotéis cinco

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estrelas a valores acessíveis. Senti que era uma ótima oportunidade. Assim, nasceu a Blue Tree Hotels, com o objetivo de proporcionar ex­ periências encantadoras, com per­ sonalização e carinho, atentos aos detalhes.

GESTÃO FOCADA EM QUALIDADE Como funciona o sistema de franquia da rede? Quais as características de um hotel da marca Blue Tree? Entramos no segmento de fran­ quias no final de 2014 e o primeiro empreendimento nesse formato foi o Terras Altas by Blue Tree Ho­ tels, um importante complexo lo­ calizado a 30 minutos da capital paulista, em Itapecerica da Serra. O modelo de franquias, que é um complemento aos nossos tradicio­ nais negócios em administração de hotéis, segue as práticas de merca­ do, com taxa de adesão, além de in­ vestimentos mensais flexíveis em royalties e marketing. Analisamos as particularidades de cada hotel que prospectamos, como localiza­ ção, destinos, potencial em turis­ mo corporativo e de lazer, cenário econômico, e assim verificamos se tal empreendimento pode ser ad­ ministrado por nós ou se o ideal é que seja franquia. É uma decisão conjunta entre parceiro e Blue Tree. Nosso franqueado tem acesso a todo o know-how de gestão, pro­ cessos de qualidade, treinamentos, marketing, comunicação e solu­ ções de vendas e reservas. Nosso diferencial, tanto nos hotéis admi­ nistrados quanto na franquia, é o atendimento, a busca pelo encan­ tamento do cliente, a atenção aos detalhes. Procuramos fazer com

que o hóspede se sinta acolhido, em casa. Nossas equipes são treinadas constantemente para colocar sua sensibilidade em favor dos nossos clientes, percebendo suas pecu­ liaridades e prestando um atendi­ mento realmente humano, criando laços. Temos diversos cases que mostram que tais práticas são efe­ tivas para a fidelização. Certa vez, uma hóspede grávida passou mal e, percebendo a situação delicada, funcionários do hotel se revezaram em visitas constantes ao seu apar­ tamento, monitorando sua saúde e atendendo às demandas necessá­ rias para a saúde da mãe e do bebê. Meses depois, quando a criança nasceu, foi batizada com o nome de um dos colaboradores que pres­ taram o atendimento à mãe. Esse vínculo pessoal tem grande valor. Por isso, procuramos mostrar que temos interesse genuíno no bem­ -estar de todos, desde colaborado­ res e parceiros até clientes. A Blue Tree está presente em 17 cidades brasileiras, operando 22 hotéis. Como funciona a gestão da rede? Como obter bons resultados e um padrão de qualidade com esse número de hotéis administrados? Para mantermos o padrão de exce­ lência da Blue Tree em tantos ho­ téis, é preciso estabelecer e seguir processos de gestão e atendimento bem definidos, além de treinar os colaboradores continuamente, vis­ to que as necessidades do público evoluem a cada dia. Só assim é pos­ sível obter bons resultados. Nossa gestão é estruturada sob medida para viabilizar maior rentabilidade e valorização dos empreendimen­ tos administrados, ao mesmo tem­ po em que zelamos pela qualidade do atendimento. Esse trabalho tem como alicerce a metodologia Kai­ zen (sistema de produção adotado pela Toyota), que adaptamos às


Unidade da Blue Tree, no Centro de Joinville: rede tem 22 endereços em 17 cidades, com faturamento de R$ 384 mi

nossas necessidades e consiste em buscar a melhoria contínua. Ava­ liamos cada problema como opor­ tunidade de melhoria e buscamos soluções fazendo benchmarking no mercado e dentro da própria rede. Nossa equipe de gestão ana­ lisa continuamente o desempenho dos hotéis em diversos itens, que vão desde receita até economia de

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energia, gestão de pessoas e segu­ rança alimentar. Quando uma das unidades passa por dificuldades em algum desses quesitos, a apro­ ximamos de um hotel que esteja com bom desempenho e tenha perfil similar, para um intercâmbio de conhecimento. Muitas soluções e novas ideias surgem dessa troca. Para mantermos o alinhamento

com as mudanças do mercado e do comportamento de consumo dos clientes, os processos e normas estão em constante análise e atua­ lização, feitas com base em dados como os comentários enviados pe­ los hóspedes, tendências de merca­ do e indicadores de gestão. Nossos colaboradores também são orien­ tados diariamente por seus líderes,

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Chieko Aoki é fundadora e presidente do grupo, que atua nos segmentos de business, luxo e resorts

além de cumprirem treinamentos técnicos e comportamentais, on­ line e presenciais, disponibilizados por meio de nossa plataforma de educação corporativa, a Academia de Excelência. A cultura japonesa que a sra. carrega contribui de que forma na gestão de seu negócio? Na verdade, mesclei o lado oriental com as características brasileiras. O japonês quer sempre fazer me­ lhor do que o melhor. Tanto é que lá existem muitos artesãos, que estão há 500 anos fazendo a mes­ ma coisa no mesmo lugar. O foco é sempre fazer o melhor para os clientes, o que significa respeito e consideração. O asiático também tem o prazer em receber bem as pessoas, e isso é característico da rede Blue Tree. A rede se profissionalizou em administrar hotéis nos segmentos de business, luxo e resorts. Como avalia o ramo do turismo de negócios? Quais são as principais

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diferenças em se trabalhar com esse perfil comparando com o turismo de lazer, por exemplo? O turismo de negócios está avan­ çando no Brasil. Felizmente, a área na qual atuamos tem ótimas pers­ pectivas de investimento, levando em conta o crescimento da econo­ mia em cidades que estão se de­ senvolvendo. Além do segmento de negócios, existe a possibilidade de evolução no setor de lazer, mas para isso são necessários o planeja­ mento e a realização integrada do governo regional e do local, explo­ ração de cultura com planejamen­ to a médio e longo prazos, bem como o envolvimento de meios de transporte para facilitar a vida dos viajantes. Isso exige coordenação que seria interessante ser de ini­ ciativa do governo local, que tem competência para movimentar di­ versos setores. Existe alguma região mais estratégica do Brasil em que a rede mira atualmente para seus investimentos? Quais os planos

da rede para Santa Catarina? E há interesse em levar a Blue Tree para fora do Brasil? No momento, nosso foco é no Bra­ sil, que apresenta um mercado ho­ teleiro em franco desenvolvimen­ to. Temos um plano de expansão bem estruturado e a pleno vapor. Santa Catarina é uma região bas­ tante importante para nós, inseri­ da no Sul-Sudeste, que representa 3/4 do PIB do Brasil. Já estamos em Florianópolis e Joinville e temos contratos firmados para empreen­ dimentos em Itajaí e Santo Ama­ ro da Imperatriz. Temos interesse em prospectar hotéis em cidades como Blumenau, Chapecó, Nave­ gantes, Criciúma, Lages, Palhoça, São José, Jaraguá do Sul, Brusque, Penha, Tubarão, Concórdia, Xanxe­ rê, Balneário Camboriú, Caçador, além de reforçar nossa presença em Florianópolis. Cada uma des­ sas cidades tem uma característi­ ca especial. Algumas comportam hotéis de porte pequeno, a partir de 120 apartamentos. Outras, ho­ téis maiores, com boas áreas de


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eventos. Cada local é avaliado com atenção para podermos oferecer nosso melhor e contribuir para o desenvolvimento do destino. Além disso, temos frentes de trabalho mirando em cidades com mais de 200 mil habitantes e na consolida­ ção de nossa presença em São Pau­ lo e Rio de Janeiro, expansão para o restante do Sudeste (interior de SP e RJ, BH e interior de Minas, Vitó­ ria-ES) e região Centro-Oeste, com foco em Brasília, além da busca de mais oportunidades no Sul e Nor­ deste. Em setembro do ano pas­ sado, inauguramos o Blue Tree To­ wers Bauru e no segundo semestre deste ano vamos abrir o Blue Tree Premium Alphaville. Muitos economistas projetaram o ano de 2015 como um período de estagnação na economia brasileira. Diante desse quadro, como está sendo o desempenho da rede neste período? Fomos afetados em algumas ati­ vidades, como eventos, que dimi­ nuíram em quantidade, mas no geral temos mantido a ocupação em bons níveis. Mesmo na crise, as práticas das empresas podem ser reduzidas, mas não se eliminam totalmente, pelo menos na grande maioria das atividades. Importan­ te é entender as expectativas dos clientes e mudanças em suas pre­ ferências. É fase de repensar e se reinventar e, no nosso caso, como havíamos previsto que a economia poderia ser incerta, estruturamos a empresa e definimos as estratégias tendo em vista tal situação. Quais os principais desafios para uma operadora de hotéis hoje no Brasil? Como a sra. compara o cenário do país com o do exterior? Acredito que a questão da mão de obra é um grande desafio para uma rede hoteleira. Hotelaria é ser­

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viço e, para oferecer atendimento excelente com solidez e continui­ dade, é preciso investir na forma­ ção de hotéis com cultura forte nesse quesito. Quem faz isso são os profissionais. Temos gente na­ turalmente encantadora, alegre, cordial, pronta para ser polida e se tornar bons profissionais. No caso da Blue Tree, nossos colaborado­ res que se relacionam diretamente com os hóspedes já são fluentes em um ou mais idiomas, entre eles o inglês, o espanhol e o japonês. Mas, muito mais que a fluência, nossa preocupação e nossos esfor­ ços estão voltados ao treinamen­ to sobre as diferenças culturais e os hábitos dos povos. Prezamos a qualidade dos serviços como nos­ sa missão e, diante da perspectiva de receber hóspedes de diferentes nacionalidades, ao mesmo tempo e em grande número, criamos metas desafiadoras para a melhoria e ino­ vação de nossos serviços. Em 2016, o Brasil volta a ser destaque internacional com a realização das Olimpíadas. Como o setor hoteleiro pode se preparar para bem receber turistas e atletas? Assim como na Copa do Mundo, os Jogos Olímpicos são uma oportu­ nidade de ouro para mostrarmos o que temos de melhor e apresen­ tarmos a riqueza da cultura brasi­ leira, superando a expectativa em qualidade e em diversidade. Nesse contexto é que a qualificação da mão de obra, como mencionei, con­ tribuirá para fidelizarmos os turistas que visitarem o país em 2016. Vejo muitos benefícios com esse evento, entre eles, a profissionalização da hotelaria em todas as suas verten­ tes, maior visibilidade internacional e ganhos em infraestrutura para o país. O brasileiro tem diferenciais únicos no mundo, como hospitali­ dade, cordialidade e alegria.

MULHERES NA GESTÃO: É PRECISO MUITO MAIS Como a sra. vê o mercado no ramo para atuação de mulheres em cargos de gestão? Quais seus conselhos para mulheres que desejam atuar e crescer no ramo empresarial? Apesar da expectativa de que, com o tempo, as mulheres ganhem espaço no mundo corporativo, um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) com 72 mil companhias aponta no sentido contrário: a participação de­ las em conselhos de direção caiu de 9,5% em 2002 para 7,5% em 2012. De cada 100 cadeiras no alto escalão de empresas brasileiras listadas na Bolsa, apenas oito são ocupadas por mulheres. Já tivemos muitos avan­ ços, mas é preciso mais, afinal, as mulheres respondem somente por 5% dos cargos de direção nas gran­ des empresas latino-americanas, segundo relatório apresentado em 2013 pela multinacional britânico­ -holandesa Unilever. O quadro mu­ dará, e homens e mulheres serão re­ conhecidos por suas competências, e não pelo gênero, porque o próprio mercado vai mudar rapidamente em busca de mulheres executivas que realmente contribuam de forma diferente dos homens, complemen­ tar, aumentando os resultados das empresas. Sobre os conselhos para as mulheres que desejam crescer no ramo empresarial, não há fórmula de sucesso mais eficiente do que traba­ lhar arduamente. Além disso, é preci­ so ter inquietação, proatividade, ser generosa, ter desejo de inovar, de fo­ car com paixão sem medir desafios e estar atento para se situar à frente do mercado também são caracterís­ ticas que distinguem os profissionais mais qualificados.


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O QUE A ASSOCIAÇÃO FAZ E PENSA

PROPRIEDADE INTELECTUAL

Como assegurar os seus direitos?

Quer saber mais sobre o Printe? Entre em contato com a equipe responsável, escrevendo para o e-mail comercial@acij.com.br ou pelo telefone 3461-3370

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Apostar na inovação é princípio da competividade – mais ainda nestes tempos de retração da economia brasileira. Em diferentes segmentos, as organizações buscam se distinguir lançando produtos, serviços e marcas. Porém, com a con­ corrência cada vez mais acirrada, como evitar que uma determinada criação seja utilizada indevidamente por adversários? Para isso, é possível buscar o di­ reito a uma patente, registrar uma marca e fazer o registro do desenho indus­ trial de um determinado objeto. Desde 1970, o Instituto Nacional da Proprieda­ de Industrial (Inpi) é a instituição responsável por esse tipo de protocolo. Entre os serviços do Inpi, estão registros de marcas, desenhos industriais, indicações geográficas, programas de computador e topografias de circuitos, concessões de patentes e averbações de contratos de franquia e das distintas modalidades de transferência de tecnologia. Com o objetivo de facilitar as atividades de seus associados, a Acij aderiu ao Programa de Proteção Intelectual (Printe), ferramenta para simplificar o aces­ so à proteção do capital intelectual das empresas. “É um importante fator de competitividade no atual mundo corporativo, diferenciando produtos e serviços e determinando a permanência ou não das empresas no mercado”, aponta Mi­ chella Pacheco, analista comercial. À frente do programa, uma equipe técnica capacitada para realizar desde a redação técnica da invenção até procedimentos judiciais para exercer a exclusividade obtida. São 20 profissionais distribuídos em várias regiões de Santa Catarina. Disponível a partir de agora para todos os associados da Acij, o Printe está há 10 anos no mercado e oferece desconto de 10% aos interessados.


COMUNIDADE

Conheça os pleitos dos grupos de Gestão Compartilhada

BANCO DE IMAGENS

ENTENDA MELHOR Marca Para ter exclusividade sobre o nome de um serviço ou pro­ duto, ou um logotipo que o identifique, você precisa re­ gistrar a marca – todo sinal, visualmente perceptível, que identifica e distingue suas atividades. A marca registrada garante ao proprietário o direito de uso exclusivo no ter­ ritório nacional em seu ramo. É preciso verificar se o que você pretende solicitar não foi protegido antes por tercei­ ros. Assim que o registro é conferido, o proprietário tem uso exclusivo por dez anos, prorrogáveis. Patente É um título de propriedade temporária sobre uma inven­ ção. O detentor tem o direito de impedir terceiros de pro­ duzir, usar, colocar à venda, vender ou importar o objeto de sua patente. Em contrapartida, o inventor se obriga a revelar detalhadamente o conteúdo técnico da matéria protegida pela patente. Alguns itens não podem ser pa­ tenteados. Exemplos: técnicas cirúrgicas ou terapêuticas, planos de assistência médica e de seguros, plantas de ar­ quitetura, obras de arte, músicas, livros e filmes. Desenho industrial Se você criar um novo formato de relógio, brinquedo, veículo, mobiliário ou uma estampa têxtil, por exemplo, pode proteger os aspectos ornamentais do objeto. São re­ gistráveis formas que possam ser aplicadas a produtos, proporcionando visual novo e original.

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Periodicamente, empresários das regiões Sul, Nor­ te, Leste e da região do bairro Vila Nova se encon­ tram para partilhar boas práticas de gestão. Desde 2003, os grupos de Gestão Compartilhada abrigam sócios e não-sócios da Acij, buscando auxílio de especialistas em temas de interesse comum. “Esse compartilhamento fortalece os integrantes, que se organizam e buscam elencar prioridades. A Acij aju­ da no sentido de dar forma aos pleitos”, explica Jai­ me Grasso, vice-presidente da associação e coorde­ nador da Gestão Compartilhada. Os participantes se reúnem em uma empresa âncora, liderados por um empreendedor da região e acompanhados por um representante da entidade. Apesar de pontos em comum, cada núcleo defende bandeiras espe­ cíficas de interesse. Gestão Compartilhada Norte l Mobilidade urbana l Duplicação da Avenida Santos Dumont, Dona Francisca e acesso ao distrito industrial (Hans Dieter Schmidt e Edgard Nelson Meister) l Melhor mobilidade no eixo industrial Norte Gestão Compartilhada Sul l Construções das marginais próximas à BR l Melhoria no acesso aos bairros, sem passar pela rodovia Gestão Compartilhada Leste l Adaptação da rede de esgoto. Hoje, atende indústrias com a estrutura apenas para residências l Adequação da Lei de Ordenamento Territorial (LOT). Embora tenha um grande número de empresas, é considerada região rural, o que provoca dificuldades na obtenção de licenças l Finalização da implantação da UFSC l Implantação do Parque de Inovação Tecnológica (PIT) Gestão Compartilhada Vila Nova l Mais segurança para residências e comércio l Instalação de 200 câmeras de vigilância em Joinville l Desenvolvimento do turismo rural

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FOTOS: MAX SCHWOELK

MOMENTO PARA CELEBRAR

Na noite de 29 de junho, lideranças políticas e empresariais se reuniram na Sociedade Harmonia-Lyra para a posse da Acij. João Martinelli, reeleito presidente, apontou em seu discurso a importância da chegada de novas empresas ao Estado, com um alerta: “Não podemos esquecer as empresas que já estão aí. Ainda dá tempo de recuperar muitas delas”. A mobilidade urbana, pleito defendido pela casa, também teve espaço nas palavras do presidente, que reiterou propostas como a de um novo acesso à cidade e melhorias por meio de obras como a duplicação da Avenida Santos Dumont, Dona Francisca e do acesso ao Distrito Industrial. Tomaram posse novos membros dos conselhos superior, deliberativo e fiscal, além de presidentes de núcleos e coordenadores do Gestão Compartilhada,

Núcleos em destaque

Presidentes de núcleos recebem troféus pela atuação

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Além da posse da nova diretoria da Acij, na mesma noite foi entregue o Prêmio Núcleo de Referência, que tem como objetivo reconhecer o trabalho dos grupos da casa que mais se destacaram ao longo da gestão. Germano Buch, presidente do Núcleo de Imobiliárias, levou o troféu Ouro, acompanhado pelo consultor Cristiano dos Santos. A prata foi concedida aos representantes do Núcleo de Empresas Contábeis, Douglas Steffen e Ederson Compiani. Quem recebeu o bronze foi o Núcleo de Gestão Empresarial, representado por Cícero Gabriel Ferreira Filho e Daniel de Oliveira.


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Palco para boas ideias

Prefeito Udo Döhler confere o anuário, entregue pelo presidente João Martinelli

LIDERANÇAS

Representatividade registrada em anuário Durante o jantar de posse da diretoria, no dia 29 de junho, a Acij lançou o anuário de dirigentes, com o tema “Representatividade que gera resultado”. A publicação, com 100 páginas, homenageia 38 integrantes da diretoria e do conselho superior. Nos perfis apresentados, cada um deles apontou as principais ações da casa e a importância do associativismo para os empresários joinvilenses. No texto introdutório, o presidente João Martinelli reforçou o compromisso “com a cidade, suas empresas, suas pessoas” e assegurou que, apesar dos desafios em um ano de incertezas econômicas, a Acij continuará trabalhando pelo fortalecimento das bandeiras já defendidas e na luta por reformas estruturais que possam contribuir com o desenvolvimento da região, mantendo a postura de cobrança diante do poder público, quando necessário. Diogo Haron, diretor executivo da Acij, reiterou em seu texto o papel da instituição. “Não por acaso, o quadro de associados da Acij retrata, com exatidão, o perfil econômico de Joinville e região – a Acij nasceu com a marca do trabalho conjunto, do pioneirismo, do fazer diferente, mais e melhor”, afirmou Haron.

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Reconhecer Joinville como um ambiente inovador e mostrar como ações locais podem resultar em impactos globais. Esse é o alvo do TEDx Udesc Join­ville, organizado por estudantes da universidade. Conhecido mundialmente, o evento terá sua versão local no dia 29 de agosto, no teatro CNEC. Vinícius Bassani de Camargo, integrante do Núcleo de Jovens Empresários da Acij e coordenador de marketing do TEDx, destaca a importância da ação: “Participar da organização de algo deste porte é uma experiência gratificante, uma vez que o objetivo é a exposição de ideias que merecem ser compartilhadas”. Durante todo o dia, os palestrantes apresentarão projetos com o tema “Caminhos Convergentes”. Um dos nomes já confirmados é Marcos Piangers, apresentador do programa “Pretinho Básico”, da Rádio Atlântida. Piangers é formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e também apresentou o “Patrola”, na RBS TV. Segundo os coordenadores, o TEDx se propõe a inspirar os envolvidos com o projeto. “Essa é uma oportunidade de discutir temas multidisciplinares, relacionados à arte e à cultura”, afirma Antônio Felipe Gomes Teixeira. “Queremos que as pessoas vejam que podem mudar a comunidade em que estão inseridas, não importa o caminho que sigam”, completa Maria Eugênia Serratti. DIVULGAÇÃO

Ideias que merecem ser espalhadas O TED foi criado em 1984 e tem como lema “Ideias que merecem ser espalhadas”. Entre os palestrantes que já se apresentaram nas conferências globais estão Michelle Obama, Bill Gates, Bill Clinton, J.J. Abrams, Bono Vox e Edward Snowden. Inserido no mesmo contexto está o TEDx, um programa de eventos locais, organizado de forma independente e sem fins lucrativos. Para mais informações sobre TEDx Udesc Joinville, acesse www.tedxudescjoinville.com.

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VISÃO ACIJ MARIO CEZAR DE AGUIAR

Plano de logística: é preciso otimismo

O A participação privada em obras públicas exige um ambiente institucional seguro no curto, médio e longo prazo. O investidor demanda bons projetos e cronogramas bem concebidos, áreas em que o Brasil deixa a desejar"

Plano de Investimento em Logística recentemente anunciado pelo go­ verno federal é audacioso, tanto em valores quanto pela dimensão das obras previstas. Devemos ficar atentos, acompanhar e fiscalizar sua implantação. E, principalmente, ser otimistas de que as obras se concretizem. A boa notícia é que o governo está assumindo publicamente o que todos já sabíamos: encontra dificuldades para cumprir a extensa agenda brasileira, so­ bretudo a catarinense, nas áreas de infraestrutura de transportes. No caso de Santa Catarina, dados da Fiesc, relativos à execução do orçamento da União, indicam que recebemos em média, nos últimos dez anos, apenas 50% do que foi previsto, e grande parte disso (72%) foi direcionada para a mais emblemáti­ ca das nossas obras – a duplicação da BR-101/SC, no trecho Sul. Para Santa Catarina, estão previstos investimentos de R$ 16,6 bilhões em obras complexas como as BRs 470, 280, 101, aeroporto de Florianópolis, berços e estruturas portuárias, entre outras, que são demandas antigas de nosso Estado e com andamento abaixo do esperado. A duplicação da 101 (sul), por exemplo, iniciou-se em 2005 e não temos previsão do término. Ainda sobre a 101, de acordo com estudos da Fiesc, em conjunto com a Uni­ versidade do Sul (Unisul), com o atraso na duplicação da rodovia deixaram de ser geradas, na região, riquezas equivalentes a R$ 32,7 bilhões, o que cor­ responde a 4,6 vezes o PIB registrado de 2005 a 2009 na mesma região (até dezembro de 2012). Três outros aspectos exigirão muito otimismo. Primeiro, a participação pri­ vada em obras públicas, que em todo o mundo exige um ambiente jurídico e institucional seguro no curto, médio e, principalmente, no longo prazo. Se­ gundo, e não menos importante, o investidor, para tomar a decisão acertada, demanda bons projetos e cronogramas físicos e financeiros bem concebidos. Sabemos que o Brasil deixa a desejar nessas áreas. Sem contar a ineficiência tão conhecida nos processos de licenciamentos ambientais. O terceiro aspecto é que a transferência de obras para a iniciativa privada exige equilíbrio entre os interesses do investidor (que não é instituição de caridade) e dos usuários – a parte mais importante. Para esse equilíbrio, e tarifas que priorizem os usuá­ rios, é preciso dispor de agências reguladoras independentes e realmente apa­ relhadas para defender os interesses da sociedade. Temos que ser otimistas, apesar de tudo. Sabemos que o transporte re­ presenta quase 50% dos custos logísticos da indústria catarinense. Essas obras certamente contribuirão para a melhoria da eficiência logística cata­ rinense e do Brasil.

Mario Cezar de Aguiar Vice-presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc)

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EDUARDO MISSIAS DE OLIVEIRA

O hospital da comunidade

I

naugurado em 4 de junho de 1906, o Hospital Municipal São José come­ çou suas atividades precariamente, já que suas instalações ainda não estavam prontas. Havia três dependências: enfermaria para homens, mulheres e crianças e dois quartos particulares. A partir de 1915, com o crescimento do município, aumentava o número de pessoas que necessi­ tavam de assistência médica. Os anos que se seguiram foram dedicados à expansão. Em 1963, começou a construção do novo prédio, com cinco pavimentos, inaugurado em 1969. O novo hospital veio dar condições de ampliação dos serviços. Em 1º de junho de 1971, o São José passou a ser uma entidade autárquica, com personalidade jurídica própria e autonomia financeira e administrativa. Na década seguinte, em 9 de março de 1982, foi entregue aos joinvilenses o prédio onde hoje funcionam ambulatório, centro cirúrgico ambulatorial, unidade AVC e UTI neurológica. A área de influência do São José atinge hoje uma população de mais de 1 milhão de habitantes, compreendendo todo o Norte catarinense e ci­ dades vizinhas. É referência em urgência e emergência, tratamento inten­ sivo, neurocirurgia, oncologia, ortopedia e traumatologia, dispõe de pron­ to-socorro equipado para qualquer tipo de emergência. No dia 4 de junho, o São José completou 109 anos. É uma das maiores unidades públicas de saúde do Estado, apesar de municipal. Ao passar do primeiro centenário, o hospital enfrenta alguns dilemas, no entanto, o esforço tem sido constan­ te para prestar uma medicina cada vez mais humana e tecnológica. Joinville vem dando demonstrações evidentes de valorização do São José, que está cada vez mais avançado e procura prestar um atendimen­ to de excelência ao cidadão. Na ação promovida pela Acij, a campanha “Eu abraço o São José”, foi constatado esse pensamento coletivo em fa­ vor de um hospital cada vez mais atualizado. O cenário é favorável e está diretamente relacionado ao atendimento ao paciente e ao seu processo de recuperação, além de se refletir na satisfação e impactar positiva­ mente na imagem do hospital. Ao hospital, compete planejar, organizar, dirigir e coordenar a execu­ ção das atividades de prestação de serviços médico-assistenciais, em sis­ tema ambulatorial, hospitalar ou de emergência. Investir na qualificação do capital humano é uma solução para esse desafio. Afinal, são 109 anos de boas histórias e de sucesso conquistado que farão com que o Hospi­ tal São José, chamado carinhosamente de Zequinha, seja uma referência cada vez mais positiva para Joinville e seus cidadãos.

Ao passar dos 100 anos, uma das maiores unidades de saúde pública do Estado enfrenta alguns dilemas, mas mantém o esforço de prestar uma medicina cada vez mais humana e tecnológica"

Eduardo Missias de Oliveira Médico, cirurgião plástico, integrante do Núcleo de Saúde da Acij

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CURSOS & EVENTOS 11 e 12 de agosto Curso Gestão de Desempenho Acij, Joinville (47) 3461-3344/capacitacao@acij.com.br 11 de agosto Palestra “Soap Apresentações: Como Vender Ideias e Conquistar Audiências” Acij, Joinville (47) 3461-3344 /capacitacao@acij.com.br 5 a 23 de agosto Festival Gastronômico de Joinville (47) 3461-2515 www.gastronomiajoinville.com.br 1o a 4 de setembro Intermach 2015 Expoville, Joinville (47) 3451-3000 www.intermach.com.br

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NA ACIJ

As perspectivas da economia O economista Paulo Rabello, do Movimento Brasil Eficiente (MBE), par­ ticipa da reunião semanal da Acij no dia 17 de agosto. Rabello vem falar sobre o atual cenário da economia nacional. Além disso, discorre sobre as propostas do MBE, que tem o empresário Carlos Rodolfo Schneider entre as lideranças nacionais, e o livro “O Mito do Governo Grátis”, de autoria do economista. Doutor em economia pela Universidade de Chi­ cago, nos Estados Unidos, Rabello de Castro é presidente do Instituto Atlântico, diretor-presidente da SR Rating e fundador da RC Consultores, empresa de previsão econômica e análises de mercado.

Caravana do crédito No dia 21 de setembro, a Acij, em parceria com a Boa Vista SCPC, realiza a primeira “Caravana do crédito”, em Joinville. A iniciativa bus­ ca contribuir para o desenvolvimento e a eficiência das empresas na gestão do risco de crédito. A participação do público é gratuita, mas é necessária inscrição prévia. O número de vagas é limitado.


ACIJ NA MÍDIA DIVULGAÇÃO

Notícias do Dia, 18/05 “Em encontro com empresários na Acij (Associação Empresarial de Joinville) na noite desta segunda (18), o presidente da Celesc, Cleverson Siewert, deu uma notícia boa e outra ruim – mas já esperada – sobre o setor de energia elétrica. A primeira é que está praticamente descartada a possibilidade de racionamento no país neste ano, e a segunda se refere ao aumento de tarifa da distribuidora, previsto para agosto.”

Psicóloga Simone Klöber atua na área de Gestão de Pessoas

NOTICENTER, 15/06

Blog do Loetz, A Notícia, 26/05 “Há R$ 5 bilhões em investimentos de diferentes setores de negócios à espera de licenciamento ambiental por parte da Fatma. A informação é do secretário de Desenvolvimento Econômico do governo do Estado, Carlos Chiodini, que participou da reunião do conselho deliberativo da Associação Empresarial de Joinville (Acij) ontem à noite. Parte desses investimentos é voltada a empreendimentos de energia. Chiodini destacou que o órgão deverá ser modernizado com a criação do Instituto do Meio Ambiente e com a implantação de um plano de cargos e salários novo.”

“A Associação Empresarial de Joinville (Acij), em parceria com a Huma­ nus, promoveu na última quinta-feira (11) a palestra ‘Como reter talen­ tos através da sucessão’, com a psicóloga Simone Klober. O evento teve como objetivo sensibilizar para a importância da gestão da sucessão como o verdadeiro planejamento estratégico de recursos humanos, à medida que garante que a empresa continue inovadora, competitiva, forte e na plenitude do seu potencial. Simone é graduada em psicologia, mestre em gestão estratégica e especialista em recursos humanos, atua há mais de 15 anos em Gestão de Pessoas no desenvolvimento de exe­ cutivos e desenvolvimento organizacional.”

Noticenter, 2/06/2015 “A Capacitação Empresarial da Associação Empresarial de Joinville (Acij) promoveu na quarta-feira (28), a palestra ‘eSocial – Aspectos e Processos’, para 35 participantes. O evento buscou informar sobre o programa, um projeto do governo federal que vai unificar o envio de informações pelo empregador em relação aos seus empregados. Entre os temas abordados, foram apresentados tópicos como o conceito e o objetivo do eSocial e seus eventos, os tipos de informações e os novos prazos de entregas.”

Estela Benetti, Diário Catarinense, 18/05 “Foi com humor o recado do presidente da Acij, João Martinelli, ao mi­ nistro Joaquim Levy, para não arrochar demais as empresas. Ele citou algumas das mais conhecidas empresas de SC presentes, entre elas a Colcci, que tem Gisele Bündchen como garota-propaganda: ‘Ministro, a Gisele não pôde vir, mas o nosso recado para o senhor é o mesmo que ela costuma passar na hora dos desfiles: pode apertar o corpete, mas deixe espaço para a gente respirar’, brincou.”

Notícias do Dia, 09/06 “O presidente da Associação Empresarial de Joinville (Acij), João Joaquim Martinelli, e os diretores do exercício 2015/2016 permanecem nos cargos após eleições da entidade que aconteceram na noite desta segunda. Os conselhos superior e deliberativo foram recompostos em 50% dos membros e o conselho fiscal foi renovado em sua totalidade.”

Retenção de talentos

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POR QUE ACIJ BOAS-VINDAS

BMW GROUP ingressa na Acij A lista de associados da Acij recebeu mais um nome ilustre: o BMW Group. O diploma de associado foi entregue durante a reunião plenária de 6 de julho. Com 30 fábricas em 14 países, a empresa bateu no ano passado a marca histórica de 2 milhões de carros produzidos. Segundo Gerard Degen, presidente da BMW de Araquari, a expectativa para a unidade de Santa Catarina é de chegar a 100 mil veículos por ano, no auge do projeto. De acordo com Degen, a planta está respeitando o cronograma proposto: “Em setembro, as áreas de pintura e

funilaria entrarão em funcionamento. Até o momento, já foram montados 8.500 automóveis dos modelos Série 1, Série 3 e X1. Com a conclusão do projeto, também serão fabricados os modelos X3 e Mini Countryman”. Vladimir Mello, gerente de comunicação do grupo, apresentou um breve histórico da organização, que completará 100 anos em 2016. O primeiro produto da marca foi um motor de aviação, depois vieram as motocicletas e somente em 1929 os carros começaram a ser desenvolvidos. Hoje, no Brasil, são 700 funcionários. MAX SCHWOELK

Degen (2o à esq.) recebe a placa do vice-presidente Marcelo Hack e do presidente em exercício Moacir Thomazi (esq.)

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“Estar associado à Acij é participar ativamente da vida na sociedade de Joinville e região. Uma oportunidade de desenvolver o network de negócios, inclusive atendendo a própria entidade nas campanhas ‘Eu abraço o São José’ e ‘Vote certo, vote em Joinville’, entre outros trabalhos. Mas é no dia a dia com o trabalho dos núcleos que percebemos que a Acij é uma casa acolhedora que promove os empreendedores que visualizam ótimas oportunidades de crescimento" Marco Antonio Alho de Freitas, diretor da Linkers, agência de propaganda e marketing

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Equipe da Teken: estratégias de marca para maior vantagem competitiva

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Uma agência que marca Teken significa “símbolo” ou “sinal”, em africâner. “Reflete a ideia de deixar a nossa marca em nossos clientes. Tínhamos a proposta de encontrar um nome que sugerisse uma conexão mais próxima com a nossa cultura”, ex­ plica Clauber Rosa, um dos sócios da agência de propaganda e marketing. A empresa, que completa quatro anos em setembro, começou com os sócios Clauber e Gabriel Nunes, enquanto os dois ainda trabalhavam como free-lancers. “Tivemos experiências em diferentes meios de comu­ nicação e percebemos que poderíamos juntar competências para con­

seguir nos envolver a longo prazo com os clientes, acompanhando os processos de trabalho para de­ senvolver estratégias de marca que proporcionem maior vantagem competitiva”, relata Clauber. Com seis colaboradores e um consultor externo, a Teken obje­ tiva se tornar uma extensão de marketing para pequenas e médias empresas. Entre os trabalhos rea­ lizados pela agência, destacam-se marketing digital (sites, redes so­ ciais), campanhas institucionais, comerciais e internas, materiais impressos, apresentações e rede­ senho de marcas. Há dois anos, a Teken faz par­ te do quadro de associados à Acij, filiada ao Núcleo de Agências de Propaganda. “Nos associamos jus­ tamente pela aproximação comer­ cial com outras empresas de Join­ ville. O associativismo abre portas, podemos trocar experiências e utilizar essa porta de divulgação de serviços”, afirma o sócio. www.teken.com.br Av. Santos Dumont, 381, Sala 4 , Santo Antônio, Joinville (47) 3207-1935, ola@teken.com.br

Tecnologia e responsabilidade social Fundada no ano 2000, a PeopleOne é referência na área de serviços, soluções e produtos de TI. Uma das estratégias comerciais utilizadas é a presença nas en­ tidades empresariais. “Participamos ativamente do Núcleo de Jovens Empre­ sários”, diz Marcio dos Santos, gerente nacional. Uma das principais bandeiras da empresa é a responsabilidade social. Existem ações voltadas à preservação da ética e dos valores corporativos, satisfação e bem-estar dos funcionários, integração com a comunidade e preservação do meio ambiente. Um dos produtos é o Befective, programa ligado à gestão e à eficiência nas áreas fi­ nanceiras, que promete verificar o desempenho real de cada negócio. Entre as funcionalidades do Befective, destaca-se a “Multiempresa”, que permite ao responsável administrar suas empresas a partir da mesma plataforma. www.itpeopleone.com/pt Rua Fortaleza, Saguaçu, Joinville. (47) 3026-3236, contato@peopleone.com.br

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PeopleOne é referência em produtos e serviços de TI


Suntrader International Business Habilitada para efetuar processos de importação e exportação em diversos segmentos, a Suntrader direciona o seu foco à distribuição de materiais de acabamento para a construção civil. Rua Padre Antonio Vieira, 694 Saguaçu (47) 3227-4404 comercial@suntrader.com.br

Espaço Traços e Atos oferece atividades complementares

Arte e cultura para a criançada Um espaço para oferecer arte, cul­ tura e movimento para as crian­ ças. Era o sonho dos idealizadores do Espaço Cultural Traços e Atos. Aberta em 2014, a escola oferece atividades para os turnos opostos ao escolar. “As ações contribuem com a formação artística, física e intelectual dos alunos, de forma diferente daquelas trabalhadas nos colégios tradicionais. Mais que um negócio, nossa proposta é oferecer um espaço de desenvolvimento, formando cidadãos cultos e com gosto pelas artes”, conta o diretor Rodrigo Calegari Feldhaus. O número de aulas varia de acordo com a necessidade ou in­ teresse dos pais, que podem ma­ tricular os filhos de um a cinco dias por semana: “Temos aulas de artes, pintura, escultura, desenho, artesa­ nato, teatro, dança criativa, ballet, hip hop, música, culinária divertida, jardinagem, marcenaria, karatê, gi­ nástica, fitness kids, inglês, literatu­ ra, jogos e brincadeiras. As crianças em idade escolar participam do Clube da Tarefa, com supervisão de uma pedagoga”.

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A partir de agosto, o espaço lança dois projetos inovadores: o contraturno noturno e o coaching escolar. O primeiro vai funcionar entre 18h e 22h e tem como obje­ tivo auxiliar os pais que trabalham, nesse período, em shoppings, far­ mácias, hospitais, que estejam na faculdade ou em algum outro compromisso. A segunda ação se propõe a ajudar crianças que apre­ sentem dificuldades específicas de aprendizado. Segundo o diretor, o objetivo da escola é fazer a diferença na vida dos alunos, influenciando na for­ mação de pessoas. “Entendemos ser vital que a empresa cumpra um papel social. E o associativismo é uma excelente maneira de contri­ buir para o crescimento de Joinville. Por isso, entidades como a Acij têm grande importância na representa­ ção dos interesses da classe empre­ sarial e da própria cidade”, sublinha. www.tracoseatos.com.br Rua Presidente Affonso Penna, 925 Bucarein, Joinville. (47) 3227-9040 contato@tracoseatos.com.br

Semente da Terra Confeitaria Desde 1995, atende as necessidades da Região Leste de Joinville, no ramo de confeitaria, padaria e salgados de qualidade. Busca a evolução constante das práticas de fabricação com a introdução de novas tecnologias sempre que necessário, o que garante a qualidade dos produtos. Rua Jorge Augusto Emilio Muller, 110 Iririú, Joinville (47) 3437-4004 sac@sementedaterra.ind.br 2Rios Lingerie Inovação, exclusividade e sofisticação são os conceitos da marca, uma das maiores empresas do segmento, presente em mais de 20 países. Segundo a empresa, o parque fabril de 2.800 metros quadrados e o maquinário de última geração aliados à paixão de todas as colaboradoras pelo universo da moda tornam possível o objetivo de atingir as expectativas da mulher moderna, oferecendo o melhor que uma lingerie pode proporcionar. Rua Alberto Felippi, 875 Vila Nova (47) 3439-0032/sac@2rios.com Centro Empresarial Carlos Roberto Hansen (CRH) Reúne empresas de diversos segmentos nos seus 73 mil metros quadrados construídos e área total de 170 mil metros quadrados. Rua Xavantes, 54, Atiradores (47) 3441-5190 contato@crhempreendimentos.com

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5 TOQUES

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Facilidade. Lojas virtuais devem disponibilizar diversas opções de pagamento. Boleto bancário e cartão de crédito são os meios tradicionalmente utilizados pelos lojis­ tas. Quanto mais opções de pagamen­ to, melhor para os clientes.

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Estrutura. O correto funcio­ namento das lojas virtuais de­ pende primordialmente de um bom provedor de serviços de hospedagem. Hoje, o custo desse ser­ viço é acessível no Brasil, graças à con­ corrência. Fora do ambiente virtual é de praxe dizer que nada é 100% seguro, tanto que, normalmente, empreende­ dores trabalham com uma margem de perdas considerada aceitável. Na internet, esse princípio também é váli­ do, mas é importante se precaver para minimizar os riscos.

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FÁBIO ABREU

LOJAS VIRTUAIS

Como encarar a concorrência digital A internet mudou a forma como nos comunicamos e nos com­ portamos, dentro e fora do ambiente digital. Essa transformação afetou diretamente os empresários que, antes, buscavam atrair a atenção de seus clientes nas portas das lojas, e hoje concorrem com empresas de todo o mundo, na distância de um clique. Sem as barreiras físicas, as lojas virtuais aumentaram as opções dos consumidores e criaram novos desafios para a vida dos empreen­ dedores. Para auxiliá-los, o Serviço de Apoio as Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) criou a cartilha “Internet para pequenos negó­ cios – táticas para construir uma presença de sucesso na inter­ net”, disponível no site do órgão. A Revista 21 selecionou de lá cinco dicas para quem quer se sair bem nesse universo.

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Sem barreiras físicas. Para os pequenos negócios, a loja vir­ tual pode alavancar vendas. En­ quanto uma loja física depende de localização, ambiente, infraestrutu­ ra e divulgação, a virtual é uma opor­ tunidade de oferecer produtos para milhões de internautas. Além disso, as pessoas podem comprar artigos sem que você tenha de contratar um ven­ dedor e um caixa. Não rouba a cena da loja física, mas é excelente alternativa para complementar o seu negócio – desde que bem planejada.

4 5

24 horas. Uma loja virtual nun­ ca fecha. Funciona sete dias por semana, e o cliente sempre terá acesso para comprar.

Vitrine. Se você acha que o clien­ te não usa a internet, pense me­ lhor: 94% dos internautas pesqui­ sam sobre produtos e serviços antes de comprar. Se a sua empresa ou produto não estiver presente online, há uma boa chance do seu cliente (ou po­ tencial cliente) comprar do concorrente.


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OBJETOS DE DESEJO

ELEGÂNCIA E CONFORTO O novo design da 540 Sundancer traz um conceito moderno e qualidade garantida pela marca Sea Ray. Os destaques são o leme central, que aumenta a visibilidade do piloto, e o assento no cockpit, que pode ser convertido em um amplo solário. Ainda, no interior, um sofá em L que pode ser transformado em cama, elemento que amplia a funcionalidade e o espaço do barco sem abrir mão da elegância e do conforto. www.searaybrasil.com.br Comprimento total: 54'9" / 16,70 m Boca: 15'3" / 4,65 m Draft (Zeus): 50" / 127 cm. (Inboards): 54" / 137 cm Peso (Zeus Drives): 50,000 lbs / 22,679 kg Capacidade de combustível: 600 gal / 2,271 L Capacidade de água: 150 gal / 568 L Tanque de armazenamento: 68 gal / 257 L Ângulo “V” na popa: 21° FOTOS: DIVULGAÇÃO

APOSTANDO NA SOFISTICAÇÃO A mesa de pôquer luxuosa da Real Poker traz uma nova experiência para os jogadores e apreciadores, oferecendo design e praticidade. O modelo da foto à esq., disponível no site da marca, tem entrada especial para o dealer, permitindo uma melhor aproximação para o controle das cartas e mesas. As texturas da coluna da mesa e a pista para fichas são em mogno. Couríssimo em bege, tecido personalizado e borda baixa. Pode-se optar pelo embaralhador automático de cartas, de modo a dar mais velocidade e credibilidade ao jogo. Não acompanha porta-copos. É possível escolher a coluna da mesa em formato U ou em V

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40 HORAS DE BATERIA A Tag Heuer, fabricante suíça de relógios de luxo, tem um projeto de smart-watch que será lançado em novembro. A marca vai cuidar do design e fabricação do relógio, enquanto a Intel fornece o chip e o Google empresta sua plataforma Android War e ajuda no desenvolvimento do software. A promessa é de que o gadget terá bateria com duração de até 40 horas. A ideia da empresa é fazer frente ao Apple Watch e trazer muitas de suas funcionalidades, como geolocalização, distância caminhada no dia e altitude. US$ 1.400 (cerca de R$ 4.215) www.tagheuer.com/br Dicas para os “Objetos de desejo” da próxima edição? Escreva para revista21@mercadodecomunicacao.com.br

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REVISTA 21

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BRIEFING

Duplicação da Santos Dumont (esq.): prazo para outubro de 2016; SC-108 teve ordem de serviço assinada em julho

INFRAESTRUTURA (1)

Obra estratégica é finalmente retomada Após meses de interrupção, as obras de duplicação da Avenida Santos Dumont foram retomadas e já têm novo prazo de entrega: outubro de 2016. Em junho, um cronogra­ ma com estimativas de custos foi montado em reunião do governo do Estado com a Infrasul, empreiteira responsável pelo projeto. A obra foi paralisada no ano passado por di­ versos motivos, entre eles, impasse nas desapropriações e cobrança da empreiteira por reajuste no contra­ to. Sem recursos para bancar todas as desapropriações, o projeto foi re­ visto e levou um corte de 2,1 quilô­ metros, no trecho Sul, entre a João Colin e a Tenente Antônio João. Eli­

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minando-se a duplicação do trecho que vai da João Colin à rotatória das universidades, o custo estimado das desapropriações vai cair de R$ 57 mi­ lhões para R$ 22 milhões. O Banco Nacional de Desenvol­ vimento Econômico e Social (BN­ DES), financiador da obra, aprovou a alteração no projeto e o Estado reiniciou os serviços no trecho pró­ ximo ao aeroporto, onde os traba­ lhos foram retomados em junho. Dentro do prazo, também espera-se a entrega do elevado da Rua Tuiuti. O atraso, na visão de Marcelo Hack, vice-presidente da Acij, representa uma grande perda para a mobilida­ de de Joinville. “A avenida é, por con­

ta do aeroporto, uma das principais portas de entrada da cidade. Mas o maior problema se concentra nos bairros do entorno. Jardim Sofia, Jardim Paraíso e Aventureiro, juntos, somam mais de 60 mil habitantes. E essa região tem apenas duas gran­ des vias de escoamento, uma delas é a Santos Dumont”, avalia Hack. Segundo ele, outro problema cau­ sado pelas alterações do sistema viário no período de obras é o fato de que todo o movimento no sen­ tido Norte-Sul pela Santos Dumont deve obrigatoriamente passar pela Edgard Meister ou pela Rótula do Tecelão, dois gargalos do trânsito do Distrito Industrial Norte. A Rua Dona Francisca também ganhou projeto executivo de du­ plicação, no trecho que abrange a área industrial Norte de Joinville até a BR-101. A empreiteira Sotepa en­ tregou, em março, o projeto à Secre­


FOTOS: PENINHA MACHADO

AS OBRAS VIAS ONDE DEVEM OCORRER AS DUPLICAÇÕES DISTRITO INDUSTRIAL NORTE

JARDIM PARAÍSO Estrada da Ilha

Br-101

Aeroporto

Rua Tuiutí Rua Dona Francisca

Rua Hans D. Schmidt

JARDIM SOFIA Rua Edgar Meister

Av. Santos Dumont

AVENTUREIRO

Univille Rua Ten. Antonio João

Rótula do Tecelão

Rua João Colin

CENTRO

taria de Infraestrutura do governo estadual. De acordo com a Secre­ taria de Desenvolvimento Regional, o projeto seguiu para análise da prefeitura e, depois, será devolvido ao Estado para eventuais ajustes. Só então é que o trabalho começa. Para Hack, a duplicação é impres­ cindível. “Em seus pouco mais de seis quilômetros duplicáveis, estão indústrias como Embraco, Whirl­ pool e Schulz, além do condomínio Perini Business Park, que reúne 150 empresas. A região concentra 40% da riqueza da cidade mais populosa de Santa Catarina, ou seja, 4% do PIB do Estado”, calcula o vice-presi­ dente da Acij. Outro projeto de duplicação que beneficiará o Distrito Industrial é o que prevê a duplicação da rodovia SC-108, um trecho de 5,5 quilôme­ tros que compreende o eixo das vias Hans Dieter Schmidt e Edgar Nelson

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Meister. É um dos principais acessos ao Distrito Industrial Norte, ligando a BR-101 à Avenida Santos Dumont e ao aeroporto. O resultado da lici­ tação foi publicado no Diário Oficial de Santa Catarina em 3 de julho e a ordem de serviço foi assinada no dia 20. A empresa PB&M Consultoria e Meio Ambiente Ltda venceu, com a proposta no valor de R$ 247.984. O projeto vai contemplar a análise de pavimento, drenagem, melho­ ria dos acessos, interseções e tra­ vessias urbanas, faixas adicionais, sinalização vertical e horizontal. Em março, o governador Raimundo Colombo recebeu da Acij o pedido para duplicação da rodovia, ficando o Estado com a responsabilidade de contratar o projeto e os empre­ sários, de executarem a obra com abatimento da carga tributária no Imposto Sobre Circulação de Mer­ cadorias (ICMS).

2KM

Entre os desafios que o governo tem que enfrentar na questão de infraestrutura, Marcelo Hack ressalta o alto custo de desapropriações, que pode dificultar a viabilidade de algumas obras, além da numerosa frota de veículos. “Na última década, nenhuma obra expressiva de infraestrutura foi realizada em nossa cidade e, ao mesmo tempo, a quantidade de veículos cresceu exponencialmente. Com mais de 500 mil habitantes, não temos sequer um viaduto no perímetro urbano, exceto os da BR-101. Equilibrar essa equação demandará excelência e investimento pesado na área de projetos, com propostas de qualidade que possibilitem a captação dos recursos necessários para Joinville ter a infraestrutura adequada à sua relevância econômica”, pontua.

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INFRAESTRUTURA (2)

Sob novo comando, Águas de Joinville eleva meta de saneamento Investir no tratamento de esgoto, ampliando a rede coletora e cons­ truindo estações, é a meta do novo presidente da Companhia Águas de Joinville, Jalmei Duarte. Ao deixar a Secretaria de Desenvolvimento Eco­ nômico, o economista assume a companhia com a responsabilidade de, em três anos, aumentar a cobertura de tratamento de esgoto, avançando dos atuais 32% para 50%. No início de julho, a imprensa divulgou que a companhia vai assinar termo de cooperação com a Sanepar, responsável pelo abastecimento de água e saneamento no Paraná, para aprimorar o serviço em algumas áreas, como na parte comercial, buscando reduzir as perdas de água. Moacir Thomazi, vice-presidente da Acij e conselheiro da Águas de Join­ville, avalia que, no ano passado, muitos investimentos ficaram tra­ vados por demandas judiciais, licenças ambientais, documentações, entre outros motivos. Isso teria afetado os resultados. “Neste ano, iniciamos com um ritmo bem melhor. Não faltam recursos, mas, às vezes, a buro­ cracia complica. Acredito que 2015 será tão bom que conseguiremos ul­ trapassar as metas anteriores”, antevê. Jalmei Duarte explica que, entre 2013 e 2015, Joinville saltou de 17% para 32%, em um projeto que demandou recursos de R$ 60 milhões. “O investimento precisa ser feito com respeito ao dinheiro público. Tudo deve ser transparente e profissional. Evoluir no tratamento de esgoto traz qualidade de vida e saúde”, ressalta o presidente da Águas de Joinville. Outra obra que deve sair do papel na gestão do novo presidente é uma terceira Estação de Tratamento de Água, que será construída na Zona Sul do Rio Piraí.

Um dos principais projetos é a expansão da rede esgoto na Região Sul de Joinville, com obras como a nova Estação de Tratamento de Es­ goto (ETE) do Jarivatuba, que acabou tendo licitação e contrato suspensos pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em meados de julho. Resol­ vido o impasse jurídico, a estação virá para triplicar a capacidade de tratamento. Serão investidos apro­ ximadamente R$ 58 milhões. Mais R$ 82 milhões estão sendo alocados na rede de coleta, que integrará dez bairros. Guanabara, Fátima, Itaum, Petrópolis, João Costa, Santa Ca­ tarina, Jarivatuba, Parque Guarani, Boehmerwald e Itinga terão 20 mil casas atendidas pelo saneamento básico. “Além de levar saúde para as pessoas, haverá valorização dos imó­ veis da região”, afirma Jalmei Duarte. Mesmo com a expansão previs­ ta, que deve levar a cobertura de saneamento a 50% da cidade até 2018, Joinville ainda está atrasada em relação ao saneamento básico. Londrina (PR), que tem o mesmo porte, alcançou 90% da população atendida. A média nacional aponta para uma cobertura de 62%. FOTOS: DIVULGAÇÃO

Jalmei Duarte assume a companhia com a proposta de levar o tratamento de esgoto a 50% da população até 2018

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GUILHERME DIEFENTHAELER

MÚSICA AO SOL

Há sete anos, um projeto inspirador leva a música para crianças da rede municipal de ensino de São Francisco do Sul. É o trabalho do Instituto Porta do Sol, que tem patrocínio do Terminal Portuário Santa Catarina (Tesc). Em julho, mais uma turma se formou em instrumentos de cordas, com uma apresentação caprichada no Teatro X de Novembro. À frente do projeto, uma equipe de professores coordenada pelo casal Aldo e Cilene Gums.

SERVIÇO

Economista online, ao seu dispor Entender o contexto econômico atual e aplicá-lo no dia a dia não é tarefa fácil. São siglas, valores, taxas que podem embaralhar quem não está acostumado com o tema. Pen­ sando nisso, a Ordem dos Economis­ tas de Santa Catarina (Oesc), passou a oferecer consultorias gratuitas pela internet. O serviço está disponível no site da instituição: www.oesc.org.br. Segundo André Schneider, pre­ sidente da Seccional Norte da Oesc, qualquer pessoa pode utilizar a ferra­ menta. “Atenderemos empresas por

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meio de seus representantes, sejam empresários ou funcionários. Entre­ tanto, nossa intenção é orientar a sociedade. Se necessário um traba­ lho mais profundo e específico, será indicada uma consultoria econômica para atender a demanda”, ressalta. O “Consulte um economista” surgiu motivado pelo frágil momen­ to da economia: “A Oesc já vinha recebendo questionamentos de forma constante. A intenção desse canal é facilitar e formalizar o aten­ dimento direto à sociedade”. De

acordo com Schneider, apenas diri­ gentes da Oesc responderão as con­ sultas. Ao total, são 39 economistas engajados na ação. Para fazer uma pergunta, basta acessar o site da entidade, clicar no banner da campanha e preencher o formulário que será enviado para um dos profissionais, conforme a temática levantada. Assim que elaborada, a resposta será encaminhada para a sede estadual da Oesc, responsável por devolver ao e-mail cadastrado.

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FOTOS: DIVULGAÇÃO

Proposta da hotelaria hospitalar é proporcionar um ambiente acolhedor, seguro e confortável para o paciente

ATENDIMENTO

Hospitais investem no conceito de hotelaria, para aprimorar serviços Transmitir ao paciente a sensação de conforto e comodidade – como se estivesse em casa – é o desafio das instituições de saúde que adotam o conceito de hotelaria. A atividade é recente nos hospitais brasileiros, difundida no país há aproximada­ mente 15 anos, mas remete a uma proposta intrínseca ao conceito de hospital, palavra que vem do latim “hospes” e significa hóspede, local no qual inicialmente eram recebidas as visitas. Apenas por volta do século 16, o sentido foi alterado e esse nome passou a designar o lugar onde eram tratadas pessoas doentes. A noção inicial de “receber hóspedes” se man­ teve em palavras correlatas, como “hospitalidade” e “hospitaleiro”, e, em pleno século 21, os hospitais es­ tão resgatando o sentido mais antigo do termo que os designa.

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O conceito tem mostrado que a eficiência passa por um olhar sensível às demandas do paciente. Proces­ sos e serviços são modificados, para oferecer assistência com segurança, conforto e qualidade, fidelizando os clientes. A hotelaria hospitalar é re­ conhecida como diferencial por pro­ porcionar um ambiente acolhedor, seguro e confortável em um momen­ to de fragilidade. A estrutura básica é constituída pela governança (lavan­ deria, rouparia, camareiras, higiene, limpeza e gerenciamento de resíduos sólidos), nutrição e dietética. Muitos hospitais já contam com lanchonete e restaurante. Também fazem par­ te desse planejamento noções de paisagismo, jardinagem, segurança pessoal e patrimonial, recepção, ma­ nutenção, estacionamento, loja de conveniência, floricultura, áreas de

lazer e infraestrutura de apoio como xerox, internet e motoboy. A migração para a hotelaria hos­ pitalar é gradual. Um dos primeiros passos é revisar os fluxos da estru­ tura física, de processos e interfaces. Em 2001, a administração do Hospi­ tal São José, de Joinville, passou por um processo semelhante e criou o Serviço de Nutrição e Hotelaria Hos­ pitalar. Em 2013, os setores foram separados em Serviço de Nutrição e Serviço de Higienização e Hotela­ ria, sendo o último responsável pela limpeza da instituição, entrega dos enxovais aos setores e adoção de uma tecnologia aliada ao conceito de hotelaria. Já no Hospital Dona Helena, a interação direta com o cliente é feita por meio do serviço de concierge, implantado em 2009. A iniciativa facilita a comunicação entre o paciente e os profissionais, agilizando solicitações e tornando a estadia o mais tranquila possível. O conceito foi agregado a toda a insti­ tuição e conta com o envolvimento de diferentes setores.


Roupas de cama são catalogadas Para monitorar o enxoval utilizado, o Hospital São José utiliza a tecnologia RFID, que permite o controle eficien­ te das peças. Roupas de cama, roupas cirúr­ gicas, uniformes e cobertores são catalogados por meio de um chip colocado dentro de uma etiqueta costurada às peças. Dessa forma, é possível monitorar a logística de dis­ tribuição, recolhimento, envio para a lavanderia e entrega do material limpo, evitando casos de perdas ou extravios. Também é feito o controle do tempo de uso de cada item. É mais uma ferramenta de aprimoramento de autonomia nas decisões que en­ volvem higienização e hotelaria.

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Chip em uma etiqueta ajuda a monitorar a logística de distribuição

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LOCALIZAÇÃO DAS CÂMERAS

2KM

SEGURANÇA PÚBLICA

As câmeras estão chegando Auxiliar em investigações, inibir cri­ mes e ajudar no acompanhamento do trânsito. São algumas das apli­ cações das câmeras de segurança, que já fazem parte da paisagem natural das cidades, na área públi­ ca ou privada. De acordo com esta­ tísticas da Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina (SSP/SC), o recurso permite a redução de

até 70% nos arrombamentos pra­ ticados fora do horário comercial. Pelo menos desde 2014, quando o governador Raimundo Colombo assinou convênio na Acij, Joinville aguarda a instalação de até 200 equipamentos, em regiões variadas do município. Pelo que se noticiou no final de julho, agora a questão vai deslanchar.

O monitoramento é o ponto mais preocupante, para o empresário Moacir Thomazi, vice-presidente da Acij. Ele lembra que, além da demora na instalação, é preciso considerar a necessidade de contratar pessoal especializado para fazer a cobertura dos equipamentos. “Não há dúvida de que a presença das câmeras inibe e também é útil no pós-crime. A Acij vem lutando muito por esse projeto, mas precisamos pensar nas formas de monitoramento, afinal, será necessário ter equipes 24 horas para acompanhar as imagens”, ressalta.

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Segundo o coronel Vânio Luiz Dalmarco, coordenador do sistema de videomonitoramento urbano da SSP/SC, todos os equipamentos estão disponíveis – câmeras, pos­ tes e caixas de proteção – e a ins­ talação dos postes de sustentação e das caixas protetoras já foi con­ cluída. Nesta primeira etapa, serão acionadas 100 câmeras, em pontos pré-definidos pela Polícia Militar de Joinville. “Agora, estamos construin­ do a rede de fibra óptica para a utili­ zação do sistema. A meta é iniciar a instalação de parte dessas câmeras em 60 dias e concluir a implantação dos equipamentos até o final deste ano”, anunciou o coronel em junho. A instalação das Centrais de Videomonitoramento Urbano faz parte do programa Pacto por Santa Catarina, do governo do Estado, em parceria com as prefeituras. Atual­ mente, 65 cidades dispõem do sis­ tema, com exatas 1.683 câmeras em funcionamento. A promessa da coordenação é alcançar outros 96 municípios em 2015, o que cor­ responderá a mais 891 câmeras em funcionamento. De acordo com o capitão Daniel Henrique Rodrigues, da coordenadoria de videomoni­ toramento, nas regiões em que os equipamentos são instalados se cria um “bolsão de segurança”, diminuindo consideravelmente a ocorrência de crimes. Além disso, o sistema ajuda como meio de prova em acidentes de trânsito. Em Joinville, serão 50 câme­ ras na Zona Norte e 50 no Sul. Até 2016, as outras 100 devem ser dis­ tribuídas em diversas áreas da ci­ dade. Depois da instalação da fibra óptica e da rede elétrica, o projeto parte para a construção e revitali­ zação das bases de monitoramen­ to. Todas as câmeras têm tecno­ logia full HD e o investimento no município está calculado em mais de R$ 1,5 milhão.


DIVULGAÇÃO

log assumirá um papel importante na cadeia de suprimentos dessas empresas, gerando maior arrecada­ ção para o município, pois todos os tributos envolvidos no desembaraço da exportação ou da importação ficarão na cidade”, explica o dire­ tor-executivo da empresa, Djalma Vilela.

O Clia de Joinville é o primeiro porto seco do país dentro de um condomínio industrial. A unidade licenciada para movimentar e armazenar cargas apresenta vantagens como unitização e desunitização de contêineres, serviços de embalagens e reembalagens, entreposto aduaneiro e transportes. Joinville foi escolhida estrategicamente, a fim de integrar de vez as atividades portuárias na região, uma vez que conta com órgãos de aprovação e dispõe de estrutura física para isso.

Multilog está instalada no Perini: primeiro porto seco em um condomínio

EMPRESA

Na trajetória dos investimentos Enquanto muitas empresas retraem investimentos, alarmadas pela crise, tem aquelas que remam contra a maré para impulsionar negócios. É o perfil adotado pela Multilog, que atua no setor de serviços em logís­ tica e registrou crescimento de 30% no ano passado. A partir da media­ ção de resultados, de um modelo de gestão por competências e estraté­ gias de longo prazo bem definidas, a empresa alia performance e produti­ vidade em uma gestão competitiva. Em 2014, a Multilog também atingiu

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84,7% do Índice de Satisfação dos Clientes, entrou para o grupo de Me­ lhores Empresas para se Trabalhar em Santa Catarina, da Great Place to Work, e, no início deste ano, passou a operar o primeiro Centro Logístico e Industrial Aduaneiro (Clia) de Join­ ville. “Joinville é a principal economia do Estado e percebemos grandes investimentos de empresas já ins­ taladas e de novas que prospectam na cidade. Como na região há forte presença de indústrias, o Clia Multi­

Presente há dois anos no Perini Business Park, a Multilog atua há 30 anos no setor de serviços adua­ neiros. Com sede em Itajaí e uma terceira unidade em Araquari, a em­ presa conta com extenso portfólio de soluções logísticas para naciona­ lização, captação externa, gerencia­ mento de estoque, centro de distri­ buição e transporte de mercadorias. Apostar na diversificação dos negócios, atendendo clientes de setores como o automotivo e náu­ tico, metal mecânico, saúde, papel, celulose e químico, é uma das estra­ tégias. O planejamento estratégico da Multilog prevê, até 2020, o cres­ cimento em 250%, em comparação com o faturamento de 2014. “O atual cenário de instabilidade deve ser revertido a partir do segundo semestre do próximo ano, por isso, apostamos alto no avanço da em­ presa”, relata o diretor-executivo.

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EM NÚMEROS

Passagens aéreas: a distância diminui A diferença entre o preço médio das passagens aéreas de Joinville e Curitiba para Congonhas caiu 150% entre o início de novembro de 2014 e o começo de julho de 2015. É o que mostra levantamento preparado pela Secre­ taria de Desenvolvimento Econômico da prefeitura de Joinville. Além disso, o preço médio em Joinville diminuiu 21% no período, contra uma alta de 73,7% em Curitiba. Valores em reais. Diferença entre o valor das passagens, nas mesmas datas pesquisadas*

Evolução do preço das passagens aéreas, em 31 dias entre 6 de novembro de 2014 e 6 de julho de 2015* JOINVILLE

CURITIBA

2.000

2.000

1.606,47

1.516,67

1.326,47

1.500

1.500

Maior diferença, em 12/3/2015

1.094,67 889,87

1.000

511,80

1.000

Em 6/11/2014

500

436,60

500

Menor diferença, em 6/7/2015

2015

2015 0

0

* PARA PASSAGENS COMPRADAS COM UM DIA DE ANTECEDÊNCIA

Os valores, por companhia aérea Os valores acima foram extraídos das médias dos preços das três companhias com voos partindo de Joinville. Gol e TAM têm passagens em queda e que se aproximam dos valores de Curitiba. Na Azul, que aplica valores mais baixos, a diferença dos preços praticados entre a capital paranaense e Joinville cresceu. GOL

TAM

2015

1.707,80

AZUL

2015

2015

2.183,80 1.289,80

1.283,80

1.395,80 927,80

990,00

989,80 568,80

689,80

589,80 376,80

Os preços das passagens em 6 de julho, compradas com antecedência de 1, 3, 7, 10, 15 e 30 dias JOINVILLE

CURITIBA

EMBARCAR EM JOINVILLE FOI A MELHOR OPÇÃO

GOL

AZUL

TAM

1.289,80

1.293,80

989,80

990,00

1.395,80

689,80 257,80 198,80

249,80 177,60 1

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3

7

10

15

30

1

3

7

10

15

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231,80 191,80 1

3

7

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Oferta e demanda

DIVULGAÇÃO

2015, até maio, ensaia aumento na oferta de voos, mas ainda está longe do pico de 2012. Média de passageiros/ mês em 2015 é de quase 20 mil. E média de passageiro por voo foi de 83 em maio/2015, contra 59 em jan/2012. Voos regulares, embarque e desembarque 639 509

Instalação do ILS

2012

2013

2014

Passageiros

2015

42.310

37.982

Pista do Aeroporto Lauro Carneiro de Loyola

Raio-x do aeroporto 2012

2013

2014

2015

Média de passageiros por aeronave 83,1 59,4

2012

2013

Os números, até maio Voos regulares 2012 3.001 2013 2.145 2014 2.391 2015 2.327 Passageiros 2012 185.899 2013 139.273 2014 197.890 2015 204.090

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2014

2015

O terminal tem 4 mil metros quadrados e capacidade para atender até 600 mil passageiros por ano. Tem 15 posições de check-in e um sistema automatizado para informação dos voos com telas de LCD, além de oferecer terraço panorâmico. O aeroporto é adequado ao conceito de aeroshopping, com 22 lojas (restaurante, cafeteria, lanchonete, bombonière, artesanato, revistaria, locadoras de veículos, agências de turismo, caixas eletrônicos, entre outros). A instalação do ILS (Sistema de Aproximação por Instrumentos) – Categoria 1, em 26 de junho de 2014, reduziu o número de cancelamentos de voos devido ao mau tempo. Fontes. Para os preços das passagens: Secretaria de Desenvolvimento Econômico da prefeitura de Joinville. Dias pesquisados: 6, 11, 17 e 24 de novembro e 1o, 8 e 15 de dezembro de 2014; 12, 21 e 26 de janeiro; 2, 9 e 24 de fevereiro; 2, 12, 16, 23 e 30 de março; 6, 20 e 27 de abril; 4, 11, 18 e 25 de maio; 1o, 8, 15, 22 e 29 de junho; e 6 de julho de 2015/ Para os números de voos e passageiros do Aeroporto de Joinville: Infraero

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CONJUNTURA

Made in SC Com o dólar no alto, pequenos negócios apostam nas exportações para ganhar mercado e competitividade Por Mayara Pabst No mundo inteiro, as bases econômicas estremecem por causa dele. O dólar vem alarmando empresários, com sua trajetória ascendente, em alta acumulada de 20% sobre o real, só no primeiro trimestre deste ano – é a maior valoriza­ ção da moeda americana em um primeiro trimestre desde 1999. De lá para cá, a cotação oscilou, mas continuou na casa dos R$ 3, promovendo acirrados debates sobre o que vem pela frente. Além do impasse em torno do ajuste fiscal, a su­ bida da moeda americana se reflete fortemente na desacele­ ração da economia. Indústrias passam a ter dificuldades para importar insumos e pagam mais caro para saldar dívidas no exterior. No bolso do consumidor, o encarecimento de produ­ tos, somando-se aos índices de inflação, é uma clara evidência do impacto da moeda estrangeira. De outra parte, há quem aproveite o cenário para lucrar e expandir os negócios, apostando na exportação. Para a in­ dústria nacional, o avanço dessas transações pode ajudar o Brasil e equilibrar a balança comercial – e o governo federal está atento a esse panorama.

Exportações em Santa Catarina aquecem a balança comercial e contribuem para o incremento da competitividade de empresas regionais

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FOTOS: PENINHA MACHADO

No final de junho, foram anuncia­ das as medidas do Plano Nacional de Exportações, que visa incentivar e ampliar as exportações brasileiras. O planejamento se estrutura sobre cinco pilares: acesso a mercados, promoção comercial, facilitação do comércio, financiamento e garantia às exportações e aperfeiçoamento de mecanismos e regime tributários. A presidente Dilma Rousseff afir­ mou que o plano é “parte estratégi­ ca” da agenda para que a economia brasileira volte a crescer. E o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Co­ mércio Exterior, Armando Monteiro, lembrou que o Brasil é a sétima eco­ nomia do mundo e apenas o 25º país em termos de exportações de bens, sugerindo que há um longo cami­ nho a percorrer. Segundo o ministro, o governo quer incentivar a maior participação das micro, pequenas e médias empresas no comércio inter­ nacional, com fomento ao desenvol­ vimento regional. Nesse segmento, Joinville está alguns passos adiante. De acordo com dados da balança comercial da Secretaria de Comércio Exterior, nos cinco primeiros meses de 2015, Joinville exportou menos que no ano anterior, devido à redu­ ção dos investimentos de grandes empresas no exterior. A alta do dó­ lar, por outro lado, tem incentivado pequenos empreendedores a olhar para o mercado internacional como alternativa à baixa performance da economia brasileira. São muitos os exemplos positi­ vos. A Durmetal, que atua no forne­ cimento de componentes usinados, estreou em 2015 como exporta­ dora. Segundo Jairo Simas Júnior, diretor comercial, a alta do dólar e a diminuição da participação em transações nacionais foram deter­ minantes para esses novos investi­ mentos. “O panorama atual come­ ça a transformar a oportunidade da exportação em necessidade para se

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Simas Júnior, da Durmetal: com menor participação no mercado nacional, empresa apostou nas exportações para se manter competitiva

manter competitivo”, explica. A Durmetal manda produtos para o México, com previsão de expansão de para os próximos anos. De acordo com Simas, as principais características que o empreendedor precisa ter para experi­ mentar o mercado internacional são competitividade, qualidade e compro­ metimento, assim como o conhecimento do terreno a ser explorado. Para tanto, alguns órgãos e instituições fornecem auxílio relevante. Em Joinville, pequenos negócios que estão começando a lidar com expor­ tações podem contar com consultoria exclusiva, e muitas vezes vital, para o êxito do ingresso em outros países. O Programa de Internacionalização de Empresas (Pier), por exemplo, implantado na Univille, integra univer­ sidade/empresa/academia, auxiliando empreendedores interessados em ultrapassar as fronteiras do país.

A professora Jurema Tomelin, coordenadora do Pier, lembra que o empreendedor precisa ter em mente que o retorno de investimento pode ocorrer apenas em médio ou longo prazo, já que tanto a empresa quanto o mercado precisam de tempo para se adaptar. “Para pequenas e médias empresas, a exportação pode ser vantajosa se a transação for vislumbrada como um comprometimento gradual junto ao mercado externo, realizando investimentos em inovação e adequação de produtos ou serviços. Somente as empresas que conseguem investir em inovação e qualidade enxergam esse como um caminho viável”, explica a professora.


Em 2014, os principais produtos exportados por Santa Catarina foram frangos congelados, soja triturada e carnes de suínos congeladas. O Estado também é referência na exportação de motores e geradores elétricos, compressores para refrigeração, eletrodomésticos e equipamentos odontológicos. Em maio de 2015, as transações catarinenses totalizaram US$ 758 mil, correspondendo a 4,52% das exportações brasileiras no período. Nos últimos anos, os municípios catarinenses que mais exportaram foram Itajaí, Joinville e São Francisco do Sul, e os principais destinos dos produtos catarinenses são Estados Unidos, China, Japão, Holanda e Reino Unido.

A empresa A. & H. Meyer, sob a direção de Marc Heitmann, chegou a Joinville já de olho no mercado sul-americano de exportações

Base para novos mercados Segundo dados do Ministério da Indústria e Comércio, o total de expor­ tadoras atuantes no Brasil subiu de 18.809, em 2013, para 19.234, no ano passado. Santa Catarina tem um total de 1.586 exportadoras e Joinville é o município catarinense que apresenta o maior número de operadoras nesse segmento. Para continuar avançando, o empresariado precisa es­ tar disposto a se aventurar em um território muitas vezes desconhecido. Conhecer bem a dinâmica do mercado, os potenciais concorrentes, a sazonalidade, construir uma rede de relacionamentos e, só aí, partir para uma presença mais robusta no exterior. Essa foi a trajetória da A. & H. Meyer, que se instalou em Joinville na metade de 2014, já de olho na América do Sul. A empresa, com matriz na Alemanha, fornece compo­ nentes elétricos para a indústria de móveis e resolveu instalar uma filial no município por sua localização e infraestrutura, além da familiarida­ de do gestor Marc Heitmann com a cidade. Nascido na Alemanha, Heit­ mann chegou ao Brasil pela primeira vez aos 23 anos. “Desde o início do projeto, planejávamos ficar mais perto do continente sul-americano. Aqui, somos capazes de atender nossos clientes no mundo inteiro com o mesmo padrão de qualidade da matriz”, explica. Para Heitmann, a conquista de um cliente requer investimentos e, se a empresa começa a mirar no mercado internacional apenas no mo­

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mento da crise, já sai atrasada, porque precisa tempo para criar vínculos com o consumidor. “O re­ lacionamento com qualquer clien­ te é construído na base da con­ fiança. E a manutenção deve ser constante. Essa é a única forma de garantir bons negócios para todos os envolvidos em longo prazo”, sustenta. Questões logísticas e financeiras devem ser negociadas antes da primeira venda. O mais importante, para a A. & H. Meyer, é a qualidade e o perfil do produto destinado ao exterior, adaptado às necessidades de cada país. Criar a menor multinacional do mundo era o sonho de Horst Meyer, filho do fundador da A. & H. Meyer e dirigente da empresa na Alemanha. “‘Menor’ porque nossas operações são pequenas”, esclarece Marc Heitmann. Após quase 60 anos de fundação, a ma­ triz, localizada na Alemanha, tem apenas cerca de 100 funcionários.

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São 60 pessoas na filial asiática, na Malásia, que tem 15 anos de ope­ rações. No Brasil, seis profissionais atuam no ramo de produção de acessórios e conectores para pro­ jetos elétricos sob medida. A empresa se propõe a tornar ambientes de trabalho mais mo­ dernos e práticos – é possível fa­ zer vários tipos de módulos para instalar nas mesas, com conexão de tomadas normais, triplas e até entrada USB. Os projetos podem ser implantados em escritórios, salas de reunião e auditórios, per­ mitindo que o usuário facilmente plugue seu celular ou notebook. A necessidade de expansão para a América Latina surgiu à medida que aumentava o interes­ se dos clientes em atuar nessa re­ gião. “Demos esse passo também com o intuito de antecipar um movimento que julgamos que vai ocorrer, e assim fornecer nossos produtos para um mercado que ainda está carente em soluções para o ambiente corporativo”, res­ salta o diretor. Primeiro, cogitou­ -se abrir a filial no Uruguai. “Con­ tratado para ser o responsável pelo projeto, já conhecia Joinville da minha primeira estadia no Bra­ sil e fiz um forte marketing em fa­ vor da ‘nossa’ cidade. Aqui conheci minha esposa e aqui nasceu meu primeiro filho”, detalha. Para convencer a diretoria de que esta era a cidade certa, a lo­ calização ajudou bastante. “Es­ tamos próximos a aeroportos, portos, e ao lado da BR-101. Com a infraestrutura em nossa volta, alcançamos os clientes em poucas horas de viagem.” A empresa ven­ de réguas de energia elétrica para redes europeias e, recentemente, fechou contrato com as lojas da Apple. No Brasil, atende a clientes como o Aeroporto de Viracopos, em Campinas, e a indústria de ali­

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Proximidade com aeroportos e terminais portuários, como o de Itapoá, influenciaram a escolha de Joinville para instalação de uma filial da empresa A. & H. Meyer no Brasil

mentos Friboi. De acordo com Hellmann, as expectativas são positivas: “Tivemos a primeira exportação para o Chile e estamos empenhados em ampliar os negócios com países vizinhos de forma significativa. Va­ mos aumentar as vendas para a indústria e ajustar o quadro de funcio­ nários na produção para atender a demanda”

Na visão de Carla Regina Pinheiro, presidente do Núcleo de Negócios Internacionais da Acij, o cenário econômico atual brasileiro é favorável para as exportações, mas essa não deve ser uma estratégia apenas para aproveitar o contexto de alta do câmbio ou de baixa nas vendas internas. “Pequenas e médias empresas estão aproveitando o momento para se inserir no cenário internacional, mas é preciso cautela”, alerta Carla. “O mercado é exigente e pode, sim, ser um grande aliado, se levado a sério para a continuidade dos negócios. Planejamento e organização são as melhores alternativas para quem quer começar a exportar.”


EVOLUÇÃO DA BALANÇA COMERCIAL EXPORTAÇÕES

IMPORTAÇÕES

ANUAL, EM US$ BILHÕES Joinville

Santa Catarina

2,08

Brasil 16,0 229,1 225,1

1,27

8,9

0,55

60,4

3,1 0,16

0,9

2002

47,2

2002

2014

2014

2002

2014

MENSAL, EM US$ MILHÕES Joinville

Santa Catarina

Brasil

210,0 20.093,0

1.434,8

16.769,0 954,7

129,0 97,5

14.008,0

99,6 758,2

555,6

2014

16.026,0

2015

2014

2015

2014

2015 FONTE: WWW.DESENVOLVIMENTO.GOV.BR

Imersão no exterior O Plano Nacional de Exportações aponta os principais mercados que deverão concentrar os investimen­ tos do país e, entre eles, destacam-se os Estados Unidos. O país apresen­ ta potencial gigantesco, economia em franca recuperação e, aberto a parcerias econômicas, é alvo de um projeto catarinense que visa aproxi­ mar pequenos empreendedores da rota internacional. Concebido pelo Sebrae, o ExportaSC é um programa de internacionalização de negócios que vai além da simples destinação de produtos. A iniciativa contempla o acompanhamento, capacitação e

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treinamento de micro e pequenos empresários até a autossuficiência nos Estados Unidos. De acordo com Douglas Luís Três, gestor do programa, a empresa passa a contar com identidade jurídica em solo americano, o que garante robus­ tez ao processo, facilita incentivos fiscais e desperta confiança. Os em­ presários já participaram de missões técnicas, nos Estados Unidos, e de um curso sobre comportamento do consumidor. A capacitação continua ao longo de todo o projeto, por meio de visitas técnicas, outras ações pre­ senciais e encontros via web.

Até o final do ano, as 50 catari­ nenses selecionadas para o projeto terão desenvolvido seu potencial e alcançado patamares de qualida­ de internacional. Esse é o objetivo de Emílio da Silva Neto, sócio da Arco-Íris Alimentos e inscrito no programa. Fundada em 1985, a em­ presa havia iniciado exportações de forma pontual em 2004 e 2005. Na época, o dólar favorável incentivou as primeiras transações econômi­ cas, mas, com o cenário interno es­ tabilizado, congelou os investimen­ tos internacionais. Agora, voltou a olhar lá para fora.

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FOTOS: MAX SCHWOELK

O mercado de exportações exige elevado nível de qualidade, aprimoramento empresarial, flexibilidade e capacidade de adaptação. Segundo Emílio Neto, foram esses os principais fatores que levaram a Arco-Íris Alimentos a buscar o patamar internacional. “O reconhecimento como exportadora é uma meta, porque serve como referencial de qualidade. O acesso ao abrangente cenário global nos leva a investir no exterior, com planejamento prévio e conhecimento”, explica o empresário.

O conhecimento agregado à fa­ bricante de biscoitos, pães-de-mel e melado foi alcançado a partir na análise de um relatório de inteligên­ cia fornecido pelo ExportaSC. A par­ tir das capacitações e da consultoria, Neto percebeu que o mercado nor­ te-americano está preparado para vender qualquer produto – desde que o fabricante tenha as ferramen­ tas necessárias. “A concorrência é im­ placável e é preciso cumprir o que se promete. O cenário internacional de­ manda a competência das empresas e não há desculpas para erros em um país tão competitivo quanto os Esta­ dos Unidos”, explica. A meta da Arco-Íris é atribuir 5% do faturamento anual às exporta­ ções. Perto do objetivo, já vislum­ bra a expectativa de destinar seus produtos para outros países. Está fortalecendo seu posicionamento estratégico, institucional e de mar­ keting, e, segundo Douglas Três, essas são as bases para quem bus­ ca operar internacionalmente. “A empresa que internacionaliza seus negócios agrega conhecimentos e práticas, incorpora proposta de valor diferenciada da concorrên­ cia, aumenta a competitividade no mercado interno e diminui a depen­ dência do cenário nacional”, explica.

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Em palestra na Acij, o cônsul honorário da República do Paraguai, Valter Ros de Souza, elucidou os benefícios experimentados pelas empresas brasileiras que optam por operar no país vizinho

Relações entre vizinhos Parceiro histórico de negócios, com proximidade geográfica, facilidades no transporte de cargas e vantagens para a instalação de indústrias bra­ sileiras. Esse é o perfil do Paraguai para empresários que pensam em investir no país. Estreitar as relações bilaterais entre Paraguai e Brasil pode se tornar produtivo para am­ bas as nações e a integração des­ sas cadeias produtivas favorece o empresariado brasileiro. O cônsul honorário da República do Paraguai, Valter Ros de Souza, explica que o incentivo à instalação de indústrias

brasileiras em território paraguaio contribui para o aumento da com­ petitividade do país. “Produzindo no Paraguai, a empresa pode usufruir de vantagens como baixa carga tri­ butária, energia elétrica mais barata e custos menores com mão de obra. Além disso, o Paraguai é o único país do Mercosul que tem a dispensa de alíquota, ou seja, está isento de ta­ rifas para exportar à comunidade europeia. É uma oportunidade que abre portas para o mercado global”, explica o cônsul. Nos últimos anos, as relações co­


merciais entre Brasil e Paraguai têm se estreitado, aumentando as opor­ tunidades. De acordo com dados do Ministério das Relações Exteriores, em 2014, quase 31% das exporta­ ções do Paraguai foram destinadas ao Brasil e 25,4% dos produtos im­ portados pelo Paraguai vieram de solo brasileiro. Anualmente, o Brasil vende US$ 3 bilhões ao Paraguai e compra US$ 1,4 bilhão. Desse mon­ tante, Santa Catarina é responsável pela exportação de US$ 300 milhões e importa US$ 180 milhões em pro­ dutos paraguaios. Ao passo que as transações co­ merciais entre os dois países aque­ cem o mercado, a instalação de em­ presas brasileiras em solo paraguaio se mostra um negócio promissor. Além das vantagens já citadas, em­ presários também se beneficiam com a Lei de Maquila, um regime tributário especial que permite que empresas estrangeiras instaladas no Paraguai possam importar in­ sumos, industrializar o produto e exportá-lo com alíquota única de 1%. Outra vantagem é o perfil do trabalhador paraguaio: jovens que buscam estabilidade financeira e familiar. Esse panorama cria um cenário que contribui para a baixa abstenção ao trabalho.

De acordo com dados da balança comercial, nos cinco primeiros meses de 2015, o Paraguai foi o sexto país que mais importou produtos joinvilenses e, considerando a possibilidade de relações comerciais em potencial, no mês de agosto, a Acij promoveu a Missão Empresarial Assunção. Destinada a empresários que buscam ver novos cenários de investimentos, os participantes foram recebidos pelo ministro da Indústria e Comércio, Gustavo Leite, e tiveram contato com empresas já instaladas no país.

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PRINCIPAIS DESTINOS Dos 30 principais parceiros comerciais de Joinville, nove apresentaram crescimento, entre jan/mai de 2014 e 2015. Valores em US$ milhões

58,92%

EUA: 118,2 115,2

foi a queda da China de jan/mai 2014 para o mesmo período de 2015. É a maior queda entre os 10 primeiros compradores de produtos joinvilenses

22,27% MEX: 87,4 80,4

foi a participação dos EUA nas exportações joinvilenses nos primeiros cinco meses de 2014. No mesmo período de 2015, o volume exportado para os americanos representou 24,93%

7,6%

foi a diminuição no volume de compras do Paraguai. Mas, graças ao recuo chinês, avançou um lugar no ranking do período

12,93%

foi a queda no volume de vendas joinvilenses para o exterior

ITA: 39,8

GBR: 30,2 ARG: 27,1

31,4 29,4 28,0

530,7 462,1

CHN: 26,0 PAR: 16,9

15,7 10,7

2014 2014

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2015

FONTE: WWW.DESENVOLVIMENTO.GOV.BR

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Tatiane atuou nos leilões judiciais da Busscar, Sulfabril e Cia. Lorenz

CASE

Plano de venda traz maior agilidade aos leilões judiciais No ramo há 11 anos, Tatiane Duarte busca inovar com o uso de estratégia comercial Por Guilherme Diefenthaeler. Processos que costumam se arrastar por anos, leilões judiciais de empresas falidas podem ganhar agilidade com a adoção de um simples instrumento comercial. São os chamados planos de venda, usualmente empregados em leilões corporativos, por exemplo, de bens in­ servíveis – aliás, uma modalidade cada vez mais comum para fazer caixa com materiais que deixam de ser necessários na produção. A estratégia dos planos de venda viabiliza a organização adequada das etapas do pro­ cesso judicial, leiloando primeiro o que pode ser depreciado, para que o caso chegue ao melhor termo possível. Há 11 anos no ramo, três como leiloeira oficial, a advogada Tatiane Duarte tem trabalhado sob essa ótica em desafios de impacto, como os leilões das massas falidas da Busscar (avaliada em R$ 489 milhões), da Sulfabril (R$ 160 milhões) e da Cia. Lorenz (R$ 63 milhões). Esta última, uma das pioneiras da indústria alimentícia no Brasil, ela avalia que foi exemplo de sucesso para a leiloaria, à medida que permitiu a venda de uma empresa em operação, com

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700 funcionários. “Quem comprou a Lorenz vai fazer novos projetos e re­ contratou todos os empregados. Foi perfeito”, orgulha-se Tatiane. Em entrevista à Revista 21, ela revela a expectativa de atingir re­ sultado semelhante no leilão da Tecnofibras, empresa vinculada à Busscar com o processo interrompi­ do em março. A experiência de Ta­ tiane vai ser relatada num livro que pretende lançar em 2016. O objeti­ vo é suprir a carência de bibliografia dedicada ao tema do leilão no país, abordando as operações relaciona­ das a processos de falência, além da história e evolução da leiloaria. “Também vou falar sobre o plano de venda nos processos judiciais, com a aplicação desta parte comercial”, antecipa Tatiane, que assistiu ao primeiro leilão aos 17 anos. Pouco depois, ao entrar na faculdade, ou­ viu de um professor que o ramo era “muito privativo, quase um cartório, de pai para filho”. Em sua atividade profissional, vem procurando des­ mentir o mestre.


PROJETO DE VENDA

Nos leilões corporativos, destinados à venda de ativos que uma empresa não precisa mais manter, elabora-se um projeto de venda – diferentemen­ te do leilão judicial, que segue um rito baseado na análise jurídica. Um leiloeiro especializado faz a análise antes de seguir em frente, para saber se não faltou alguma intimação, por exemplo. Quando comecei na área do leilão corporativo, percebi que lá a coisa andava mais rápida e funciona­ va, ao passo que no judicial há aquela demora, pelas formalidades. Daí que comecei a aplicar no leilão judicial a modalidade do corporativo, fazendo todo um projeto de venda. Em resu­ mo, queria contribuir para a celerida­ de quando o processo chega nessa fase – como auxiliar o juiz, os cartó­ rios, os oficiais de justiça, o advogado.

O leiloeiro é chamado para um lo­ teamento de tudo o que a empresa tem e que não serve mais. Isso inclui carros, máquinas, sobras de matéria­ -prima. A empresa que não mantém esse hábito fica surpresa quando en­ tra em contato conosco dizendo que tem uma máquina para vender e a equipe encontra muitas outras coi­ sas. Algumas fazem isso várias vezes por ano. Em um caso recente, como a indústria gerava sucata diariamente, elaboramos e leiloamos um contra­ to: quem arrematasse, teria direito a retirar todo mês esses saldos de matéria-prima que têm muito valor para determinados segmentos. Em contrapartida, a empresa deixaria as caçambas à disposição, o que reduz o custo para o próprio comprador. Tam­ bém se dá um destino para o que po­ deria virar lixo ambiental.

TRANSPARÊNCIA

CASO BUSSCAR

Quando o leiloeiro atua com visão de mercado, considerando a parte legal e a comercial, o processo ga­ nha celeridade. Para o arrematante, por exemplo, diminui o risco de difi­ culdades na liberação do bem, que arrastam os processos. Há ótimas oportunidades para se comprar em leilões, mas é preciso que o leiloeiro seja transparente. No caso da Tecno­ fibras, muitos proponentes tiveram receio de comprar uma empresa em operação, se iriam assumir os impos­ tos, encargos trabalhistas etc. – e isso não ocorre. É a diferença de comprar uma operação dentro de um proces­ so de falência: você compra sem pas­ sivo. Para vender a operação, é preci­ so desmistificar algumas coisas.

LIQUIDEZ RÁPIDA

O cenário econômico complicado traz oportunidades para leilões por­ que as empresas precisam fazer cai­ xa e buscam rentabilizar aquilo que ocupa espaço sem necessidade. Uma alternativa viável de liquidez rápida.

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Sou joinvilense, conheço a história da Busscar, é inevitável o envolvimento emocional no caso. No último leilão da Tecnofibras, os funcionários foram lá e questionaram quando iriam rece­ ber – é uma questão social, não ape­ nas comercial. O lado positivo é que tentamos trazer resultado para um processo que infelizmente chegou a esse estágio. A sociedade precisa dis­ so. Em primeiro lugar, buscamos ven­ der a operação da Tecnofibras, o que seria muito bom para a comunidade. Outro lado que estamos planejando é vender o próprio parque fabril, para que possa ser reativado. Estamos esperando o momento certo, econo­ micamente, para isso, e fazendo tudo com cautela, mas com o máximo de celeridade possível. Precisamos levar em conta a legislação, para garantir os direitos de todas as partes.

EMPRESA SAUDÁVEL

Junto com o gestor judicial Paulo Zi­ math e o professor Rainoldo Uessler, trabalhamos em grupo porque es­

tamos dedicados a um mesmo fim, que é vender a Tecnofibras em ope­ ração. Os próprios funcionários tor­ cem para isso, que venha um novo dono e reative a empresa com o gás que ela precisa. Agora, está num es­ tado delicado, em que não se pode injetar capital porque o que ela gera, precisa botar na massa falida. Essa fase complica a situação. Quando vier alguém e comprar, sabe que ela é viável e vai andar sozinha. É uma empresa muito saudável.

GANHA-GANHA

O comprador que adquirisse a Busscar levaria todo o know-how de uma empresa com parque fabril, capacidade para produzir 40 car­ rocerias por mês, qualidade, o his­ tórico da marca etc. Para a massa falida, nem se fala: a expectativa é de que venha alguém aqui, compre, recontrate pessoas para reativar a potência que era a Busscar. Se esse cenário não ocorrer, vamos ten­ tar vender como imóvel, por lotes. Agora, o mais importante é arre­ cadar valores para a massa falida. Mas vamos tentar vender a opera­ ção para reativar.

A QUEM INTERESSA?

As concorrentes da Busscar são as primeiras a vir especular. Quem mais nos procura são empresas que atuam no mesmo ramo, fabricantes de ônibus ou terceirizadas. No par­ que fabril, a Busscar tinha um mon­ te de miniempresas, da marcenaria que fazia móveis de madeira para os ônibus de turismo à estofaria etc. Há empresas desses segmentos que vêm interessadas nesses bens. Ou as próprias concorrentes, aí para comprar toda a operação. Se a con­ corrente nacional perceber que ela pode ser vendida para um terceiro, aí vem para a disputa; se não, vai ficar só olhando de camarote para avaliar como ficará o cenário.

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MOBILIDADE

Duas rodas e um milhão de possibilidades Ações de mobilidade urbana pretendem recuperar o lugar das bicicletas como transporte seguro, sustentável e rápido Por Letícia Caroline. O que Amster­ dã, na Holanda, Copenhague, na Dinamarca, e Sevilha, na Espanha, têm em comum? As três cidades estão entre as 20 melhores do mundo para se andar de bicicleta. Em Copenhague, por exemplo, me­ tade da população se movimenta pedalando. Adaptações no trân­ sito, conscientização e educação são alguns dos pontos que eleva­ ram tais cidades a esse patamar. A única brasileira citada no ranking é o Rio de Janeiro, destacada pelo sistema de compartilhamento de bikes e pelas possibilidades de

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expansão com as obras da Copa e das Olimpíadas, em 2016. Em San­ ta Catarina, Joinville recebeu o tí­ tulo de “Cidade das Bicicletas” em 1950, quando havia um carro para cada 111 pessoas e uma bicicleta para cada quatro cidadãos. Hoje, uma pesquisa da Univille apon­ ta que cada domicílio joinvilense tem até três “magrelas”. Dados do Instituto de Pesquisa e Plane­ jamento para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville (Ippuj), de 2011, indicam que 11,5% dos des­ locamentos diários são feitos de bicicleta. Não dá para dizer que

Joinville perdeu o título, mas o que é oferecido de prático aos ciclistas do município e como esse meio de transporte pode ser cada vez mais utilizado, com impactos na econo­ mia e na sustentabilidade? Quem opta por se locomover com bicicletas em Joinville tem disponível uma rede cicloviária de 140 quilômetros que, de acordo com Vladimir Tavares Constante, presidente do Ippuj, é uma das maiores do Brasil. Já existe projeto de expansão que prevê um total de 730 quilômetros. A meta está in­ cluída no PlanMob, conjunto de di­ retrizes lançado em março, com o objetivo de alavancar a mobilidade joinvilense. Entre as medidas com finalização prevista para 2015, estão a instituição dos planos de “caminhabilidade”, de infraestru­ tura e equipamentos públicos, de arborização, além do plano ciclo­ viário e das diretrizes de transporte coletivo. “Nosso principal obstá­ culo é a mudança de paradigma em relação ao uso da bicicleta e


FOTOS: DIVULGAÇÃO

Na página ao lado, na primeira foto, grupo Pedal na Trilha se aventura nas paisagens joinvilenses e, abaixo, ciclista pratica Freeride. Nas outras duas imagens, condições das estradas no município. À dir., o grupo Transporte Ativo

sua importância dentro do quadro da mobilidade sustentável e como motivadora de uma sociedade sau­ dável. Essa questão é difusa na própria administração pública, que, por décadas, tem focado as ações para mobilidade em um sistema viário construído para atender aos deslocamentos motorizados e indi­ viduais”, ressalta Vladimir. Em 2012, durante o Festival de Dança, foram ofertadas bicicletas para a população e para os visitan­ tes, em parceria com o banco Itaú. A ideia deve voltar às ruas de Joinville em breve, mas com outra formata­ ção. De acordo com o Ippuj, antes mesmo do lançamento do Plan­ Mob, o projeto já estava pronto, só aguardando abertura do processo de licitação, que deve ser anuncia­ do neste ano. O objetivo é ter 30 pontos de compartilhamento espa­ lhados pela cidade.

O PlanMob é um planejamento que visa também ao longo prazo. Até 2025, a meta é aumentar os atuais 11% de deslocamentos feitos por bicicleta para 20%, quase dobrando a proporção de uso das duas rodas. Para 2020, almeja-se a redução anual de 10% do número de acidentes de trânsito envolvendo ciclistas. Ao mesmo tempo, e para dar suporte a isso, os edifícios públicos deverão estar adaptados com bicicletários ou paraciclos seguros.

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Faltam políticas públicas Desde 2010, a cidade mantém um núcleo de uma ação mundial, o Bicicletada Joinville. O movimento surgiu em 1992, em São Francisco, nos Estados Unidos, para estimular a ocupação das ruas com veículos movidos à propulsão hu­ mana, principalmente a bicicleta. Além de pedalar toda última sexta-feira do mês, o grupo atua ouvindo os anseios da população, cobrando o poder público e estimulando a conscientização para o uso das bikes. Fellipe Giesel, um dos integrantes, explica que, em Joinville, uma das principais ações foi a consulta pública a respeito da mobilidade urbana e o uso da bike. Com os resultados, foi elaborada uma “Carta Compromisso”, entregue aos candidatos a prefeito. Para ele, mesmo com o documento, ainda falta espaço participativo de diá­ logo entre governo e sociedade civil, principalmente ciclistas. “Faltam políticas públicas que confrontem interesses especulativos. Um exemplo é a ausência de ciclofaixa na Avenida Getúlio Vargas, uma das mais movimentadas da cida­ de. É necessário reduzir a velocidade máxima permitida dentro do perímetro urbano, além de integrar a bicicleta ao transporte coletivo, com bicicletários nos terminais e ônibus adaptados ao transporte de bikes”, ressalta. Para Fellipe, todos ganham com a utilização das bicicletas. Na área econô­ mica, pesquisadores da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, compro­ varam que, para cada dólar gasto com a construção de ciclovias, as cidades po­ dem economizar até US$ 24, graças à redução de custos com saúde, poluição e tráfego de motorizados. Em Nova York, a prefeitura investe em transporte por bicicletas e restringe o uso do automóvel. Com isso, o número de feridos em acidentes de trânsito caiu em torno de 45%. Já o volume de vendas das lojas de rua aumentou 49%. “Isso se explica: os automóveis estão sempre de passagem e é difícil parar em qualquer lugar. Já as bicicletas não têm essa di­ ficuldade”, observa.

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Entre 2013 e 2014, foram reali­ zados dois desafios intermodais em Joinville, com o apoio do curso de engenharia de mobilidade da UFSC. Valter Bustos, que participou do estudo e coordena o Museu da Bi­ cicleta (MuBi), explica que a bike foi considerada o veículo mais eficiente para distâncias até 10 quilômetros. “A bicicleta representa a possibilida­ de de deslocamentos seguros em um futuro muito próximo. A era do automóvel com motores de com­ bustão interna já passou e a fonte de combustível não é renovável. Gover­ nos que não atentarem para essas questões estarão condenando suas populações a viver no caos”, alerta. Para Valter, o município deve oferecer uma boa estrutura, que permita a utilização da bicicleta com eficiência e segurança. Pedalando constantemente por Joinville, ele já percebe mudanças significativas, com a ampliação de bicicletarias, lojas autorizadas e concessionárias, que atuam na prestação de serviços e venda de bicicletas.

Fernando Retzlaff organiza passeios ciclísticos desde 2000. Com a possibilidade de unir diversão ao trabalho, ele encontrou um nicho de mercado e montou, em 2005, a Pedal na Trilha, loja especializada nos serviços para ciclistas. “Não vendo bikes, vendo diversão e, de quebra, saúde”, afirma. Nos quase dez anos de atuação, Fernando viu o interesse e a procura por uma vida mais saudável turbinarem seu negócio. “Para estimular o uso da bicicleta, é preciso algo simples: o aumento de ciclovias. O que temos hoje são poucas ciclofaixas, sem segurança. Mas é algo que demora. A cidade é sempre voltada para o automóvel, o transporte individual, e o resultado se colhe no horário de pico”, observa.

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Charles viajou 747 dias com sua bicicleta, passando por 40 países

Pernas pra que te quero! “Pedalar mundo afora é assim, querer estar perdido, mas sabendo que não se está perdido.” Essa é a definição de Charles Zimmermann, professor universitário, autor do livro recém-lançado “Travessia – 747 dias de Bicicle­ ta pelo Mundo”. Ele percorreu 40 países com sua bike e percebeu as rique­ zas de cada continente, peculiaridades das populações e, principalmente, as condições de tráfego para um ciclista. Ao fazer vários mochilões e encontrar diversos cicloturistas, surgiu a ideia de se aventurar por meio das duas rodas. “Quando pedalei em Pequim, dei-me conta de que podia percorrer o mundo de bicicleta. Era muita bicicleta nas ruas, e mesmo assim rodei, rodei e não me perdi”, conta. Para ele, viajar com a “magrela” permite sentir cheiros e aromas de cada lugar, conhecer melhor as cidades por que passa e, consequen­ temente, as pessoas. Nas pedaladas, observou que as populações que passam pelo “boom” da globalização ainda estão muito focadas no automóvel. “No Brasil, por exemplo, continuamos nessa fase. Daqui para frente, seremos mais ques­ tionadores em relação ao uso desenfreado dos carros”, analisa. Para ele, países da Europa são os mais avançados, com ciclovias dentro das cidades e para viagens longas, o que acaba estimulando esse tipo de turismo.


Diálogo entre usuários e governos

Ciclistas são bem-vindos ao Instituto Juarez Machado

Arte e pedaladas Um amante da bicicleta e a possibilidade de estimular o uso desse veículo em Joinville. Quem visita o Instituto Juarez Machado, além de conferir as obras do artista plástico, pode se valer da “magrela” para não pagar entra­ da – o ingresso normal custa R$ 5 e R$ 2, a meia. Com bicicletário construí­ do na frente da sede, a ideia da equipe é promover a utilização da bicicleta para quem circula pela cidade. “Já recebemos um grupo oficial de ciclistas que homenagearam o Juarez. Nos fins de semana, temos as famílias que param com suas bicicletas”, conta Melina Mosimann, responsável pelo lo­ cal. Semanalmente, cinco a dez ciclistas visitam o local. Aos domingos, na Rua do Lazer, que ocorre na Avenida Hermann August Lepper, das 9 às 13 horas, é possível incentivar os pequenos ao uso consciente das bicicletas. O projeto “Rodinhas nunca mais”, além de ensinar as crianças a abandonar as rodinhas de apoio para andar de bike, estimula a divulgação das leis de trânsito, para garantir a boa convivência entre pedestres, ciclistas e automóveis. Uma minicidade é montada para que os participantes façam um percurso, respeitando as sinalizações de trânsito, como faixa de pedestres, ciclovias e semáforos. O projeto é iniciativa da plataforma de responsabilidade social da Tupy, em parceria com a Federação Catarinense de Ciclismo (FCC). Não é preciso ter bicicleta: há modelos para várias faixas etárias disponíveis aos interessados.

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Única cidade brasileira a integrar o ranking da Copenhagenize, consul­ toria de planejamento e marketing especializada em assuntos relacio­ nados ao transporte sobre duas rodas, o Rio de Janeiro começou a implantar sua malha cicloviária no final dos anos 80. Em 2003, com o crescimento da malha e a falta de campanhas de conscientização e educação, um grupo se uniu e formou a Transporte Ativo, organi­ zação representativa para diálogo mais próximo com a prefeitura. “A ideia é ser um elo entre o usuário e o administrador, para preencher a lacuna do planejamento cicloviário da cidade, da educação e da cons­ cientização”, afirma Zé Lobo, um dos integrantes. Hoje, a equipe levanta dados, cria ferramentas e dissemina in­ formações sobre o uso da bicicleta. “Tudo é feito de forma totalmente colaborativa, com resultados de uso livre. O envolvimento das orga­ nizações parceiras ajuda na troca de informações e na tentativa de replicar as mesmas atividades, com os mesmos conceitos por todo o país, para uma linguagem e enten­ dimento universal”, ressalta. Com o aumento dos problemas de saúde, poluição e mobilidade, a tendência é de se disseminar ainda mais o uso de veículos alternativos, entre eles a bicicleta, os patins e até mesmo skates. “A principal janela neste momento são os planos de mobilidade urbana sustentável que as cidades devem fazer. É uma exce­ lente hora para incluir a bicicleta no planejamento urbano. Outra opor­ tunidade como essa levará um bom tempo para surgir”, avisa.

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DIVULGAÇÃO

Cerimônias tradicionais se transformaram em eventos luxuosos: mercado que gira mais de R$ 20 bilhões no país

PERFORMANCE

Fábricas de sonhos Empresas especializadas na organização de festas de casamento e formaturas conquistam espaço em Joinville Por Karoline Lopes. Vestido, terno, aluguel de carros, local para a festa, buffet, decoração, bolo, som, ilumi­ nação, e por aí vai. Há muito tempo, os casamentos deixaram de ser ape­ nas uma celebração para se tornar verdadeiros espetáculos. Os forne­ cedores acompanham a evolução desse nicho gigantesco, que virou indústria pronta para satisfazer os desejos mais excêntricos. Segundo a Associação dos Pro­ fissionais, Serviços para Casamen­ to e Eventos Sociais (Abrafesta), em 2012, o setor movimentou cerca

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de R$ 14,8 bilhões. Em 2013, foram R$ 16 bilhões e, no ano passado, o total chegou a nada menos que R$ 20 bilhões. As cifras refletem as novidades que são apresenta­ das aos casais em feiras e eventos voltados para matrimônios. Hoje, quem quiser festejar a união pode transformar os rostos dos noivos em bonecos 3D para colocar em cima do bolo, criar uma réplica em chocolate do vestido da noiva para os convidados degustarem e servir bebidas em drones. E a ostentação começa antes mesmo da festa. En­

tre as principais tendências, desta­ ca-se o convite de casamento para colorir. Na onda do sucesso dos livros do segmento, vem até com caixa de lápis de cor. Em 2014, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 1 milhão de casamentos foram oficializados no Brasil. A maior parte – cerca de 48% – nos Estados de São Pau­ lo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais. No mesmo período, em Joinville, registraram-se 3.560 uniões, enquanto 1.621 processos de divórcio foram realizados. Para quem está planejando a fes­ ta, Eliane Karam, sócia-proprietária da Karam Eventos, faz o alerta: com o crescimento do mercado, muitas pessoas se aventuram sem expe­ riência. “Existem cerimonialistas que cobram abaixo do padrão, pois é um complemento na renda, um ganho extra. Tive noivas em Joinville que fecharam com outras empresas e depois choraram porque o resultado foi muito ruim”, revela. Há 37 anos na área, ela começou suas atividades com uma agência de propaganda de São Paulo. Hoje, é especializada na realização e assessoria de casamen­ tos e eventos empresariais. Carlos Fritz, diretor da Movi­ mento Eventos, corrobora a fala de Eliane: “Nosso mercado é amplo e exigente. Realmente, sobrevivem apenas os negócios íntegros, bem estruturados e sérios em seus com­ promissos”. Desde 2003, a empresa trabalha com outro tipo de sonho, cada vez mais comum: o das for­ maturas. Fritz explica que, assim como na organização de casamen­ tos, o importante é a realização dos desejos dos clientes. “Com atua­ lizações constantes e dedicação intensa, antecipamos fórmulas e ideias com criatividade e personali­ dade para acompanhar os avanços do mercado”, diz.


Entendendo os clientes PENINHA MACHADO

A decisão de juntar escovas de dentes é corajosa e a celebração com uma festa é a maneira que muitos casais encontram para dividir o momento com familiares e amigos. Mas é preciso saber em que empresa confiar. Eliane Karam aconselha os noivos a pesquisar e pesquisar antes de fechar o negócio. “Você tem que sentir o que o casal quer, dentro do limite de dinheiro disponível e sem margem de erro, pois não dá para fazer nova­ mente”, pondera. Ela conta que o processo de organização de cada cerimônia é alinhado com o perfil de quem contrata a Karam Eventos. Segundo a proprietária, essa etapa é um “levantamento completo de sonhos”. Primeiro, monta-se uma planilha para saber se o que é desejado está dentro da realidade fi­ nanceira. No segundo momento, a empresa busca alternativas para deixar o evento mais glamuroso, utilizando menos dinheiro: “As minhas noivas não perdem tempo visitando muitos fornecedores. Estamos realizando uma coisa que não é mensurável. Casamento é a arte do bem receber. São duas famílias celebrando um momento de amor”. As responsabilidades da empresa são referentes à organização, a parte de documentação da igreja e do cartório é encaminhada pelos noivos. “Nosso trabalho termina só quando o casal recebe o material de fotos e filmagens”, explica. Os custos variam bastante. De acordo com Eliane, embora já tenha realizado festas com cifras que passaram dos R$ 2,5 milhões, existem pa­ cotes econômicos, que custam entre R$ 20 mil e R$ 25 mil, e os mais caros, na faixa de R$ 300 mil. PENINHA MACHADO

Carlos Fritz, diretor da Movimento Eventos

Tão luxuosas quanto os casamentos, as formaturas atraem um grande público, seja para celebrar o fim do ensino médio ou da graduação. A Movimento Eventos, por exemplo, atende, em média, 200 formandos por mês. “São alunos de escolas e universidades locais e de todo o Planalto Norte de Santa Catarina”, conta o diretor Carlos Fritz. Costumeiramente realizados no início ou no final do ano, os bailes mantêm tradições como a valsa entre os formandos e seus pais e mãe e também apresentam inovações, como sessões de fotos em ambientes diferenciados. “Cada aluno desembolsa normalmente R$ 1 mil, mas esse valor pode aumentar. A partir do momento da nossa contratação, focamos numa organização criteriosa, pois é fundamental evitar imprevistos e proporcionar tranquilidade aos clientes”, completa Fritz.

Gustavo e Eliane Karam, sócios-proprietários da Karam Eventos: empresa atua no ramo há mais de 30 anos

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FERNANDO GOMES/AGÊNCIA RBS

O Plano Nacional de Melhoria da Prestação do Serviço Móvel Pessoal proposto pela Anatel analisa indicadores relativos a chamadas que completam ou caem, taxa de conexão e quedas na rede de dados, reclamações nas centrais de atendimento da prestadora e na Anatel e interrupção do serviço. Em Joinville, de janeiro de 2014 a janeiro de 2015, foram abertas 134 reclamações das cinco empresas de telefonia móvel (Claro, Nextel, Oi, Telefônica Vivo, TIM). Os objetos de reclamação foram cobrança indevida ou abusiva, rescisão ou alteração unilateral, serviço não concluído ou não fornecido, vício de qualidade e, ainda, venda, oferta ou publicidade enganosa.

Antena de operadora de telefonia móvel: melhorias e queixas

SERVIÇO

Sem sinal

Apesar dos investimentos, telefonia móvel ainda é a campeã de reclamações dos consumidores Mesmo com toda a modernização no sistema, falar no celular é uma in­ cógnita em inúmeros lugares. Você pode estar no meio de uma ligação importante e, de repente, ficar sem sinal. Na Serra Dona Francisca, por exemplo, existem as chamadas “áreas de sombra”, onde nenhuma opera­ dora oferece cobertura. Além disso, as operadoras de celular sempre figu­ ram nos rankings de reclamação do Procon, por diversos problemas. Em Joinville, a Oi aparece em terceiro lugar na lista das mais reclamadas em 2014, seguida pela Claro (5º) e pela TIM (6º). A Agência Nacional de Tele­

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comunicações percebeu a situação caótica e, em 2012, chegou a sus­ pender a venda e a habilitação de novas linhas de celulares das pres­ tadoras com pior desempenho no país, exigindo que todas apresen­ tassem planos de melhoria. Kleber Degracia, gerente do Procon Joinville, explica que o ór­ gão recebe poucas reclamações em relação à falta de sinal, já que esse tipo de problema costuma ser encaminhado diretamente à Ana­ tel. As operadoras têm o dever de oferecer sinal de qualidade em 80% da área urbana. O que ocorre é que boa parte do Jardim Paraíso, por exemplo, onde o sinal é de baixa qualidade, está caraterizada como rural – daí não haver obrigação de melhorias. Já na Serra Dona Fran­ cisca, as empresas alegam que o próprio relevo causa as dificulda­ des e a instalação de novas antenas travaria nas licenças ambientais.


O que fazer Ao se dirigir ao Procon, o cliente tem três opções: abrir uma re­ clamação, fazer carta de inves­ tigação prévia (CIP) ou consulta. A CIP antecede a reclamação. O consumidor narra os fatos e o Procon encaminha para a em­ presa, que pode resolver o pro­ blema antes que se abra uma reclamação. Se isso ocorre, a em­ presa é chamada para audiência. Das reclamações formalizadas, a TIM, em Joinville, foi a que mais solucionou dificuldades, respon­ dendo a 33 solicitações, seguida da Claro (25), Telefônica (19), Oi (oito) e Nextel (uma). O Plano Nacional de Melho­ ria da Anatel se encerrou em ju­ lho de 2014. No período de dois anos, as ações foram acompa­ nhadas trimestralmente, com avaliação dos resultados por meio da coleta de informações pelos fiscais da agência. Os da­ dos estão sendo analisados, mas a equipe da agência já decidiu que a fiscalização e a coleta de dados continuarão para publica­ ção constante dos resultados e análise do serviço prestado.

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A PALAVRA DAS OPERADORAS

Oi Entre janeiro de 2014 e março de 2015, investiu R$ 164 milhões em Santa Ca­ tarina, priorizando redes de telecomunicações, com foco no tripé operações, engenharia e tecnologia da informação. No ano passado, 56 novos sites 2G, 3G e 4G foram implantados no Estado e, neste ano, serão mais sete. Os sites são os locais onde ficam as antenas que transmitem sinal do telefone celular. Telefônica Vivo Em Joinville, tem 36 estações rádio base (ERBs), sendo 32 com tecnologia de quarta geração para atender os mais de 145 mil clientes. No primeiro semestre de 2015, ativou uma nova estação, expandiu a capacidade 3G em seis ERBs e aumentou a cobertura da rede de quarta geração. No ano passado, foram 42 expansões e novas ativações na cidade. Claro Já oferece coberturas 2G, 3G e 4G em Joinville, o que permite aos clientes acessar os serviços de voz e dados da operadora. De acordo com o App Serviço Móvel, da Anatel, nas medições realizadas no município, é a mais bem avalia­ da nos indicadores de voz e dados global. Faz investimentos constantes para a ampliação e qualidade da rede. Em 2015, o Grupo América Móvil empregará cerca de R$ 8 bilhões em infraestrutura no Brasil para atender a mais de 71 milhões de usuários. TIM Para 2015, a previsão é de continuidade das ações para melhoria de sinal, com a inauguração de novos sites de terceira geração nos bairros América, Saguaçu, Glória, Guanabara, Jardim Sofia, Morro do Meio e Aventureiro. Também prevê instalar equipamentos 3G e 4G nos novos sites que se­ rão localizados no Centro, Bom Retiro, Pirabeiraba e Rio Bonito. Em Santa Catarina, é líder de mercado com 43,8% de participação e 4 milhões de clientes. No primeiro trimestre de 2015, investiu quase R$ 1 bilhão em in­ fraestrutura no país, priorizando as coberturas das redes 3G e 4G.

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DIÁRIO DE VIAGEM

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FOTOS: ARQUIVO PESSOAL

Fragmentos de uma viagem: Santiago de Compostela O Diário de Viagem mostra a jornada da jornalista Taísa Rodrigues com seu companheiro Marcos Pessoa pelo Caminho de Santiago de Compostela. Ao todo, foram 850 quilômetros percorridos de bicicleta. “Dezesseis dias de pedalada e muito aprendizado. Passamos por grandes cidades e por vilas onde moravam apenas dez pessoas. Sol, chuva, ansiedade, alegria, receio, todos os climas e sentimentos misturados durante as 24 horas do dia, mas o que prevalece durante a peregrinação é o sentimento de gratidão”, conta Taísa. Confira algumas imagens cedidas pelo casal para a Revista 21.

Acima, paisagem em Logroño, Espanha. Em destaque, as bicicletas, meio de locomoção escolhido pelos viajantes. À direita, o casal aproveita o fim de tarde em Atapuerca

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Para saber mais detalhes sobre a empreitada, curta a página no facebook (www.facebook.com.br/fragmentosviagem).


Acima, Saint Jean Pied de Port, a primeira cidade francesa do Caminho Francês, que leva a Santiago da Compostela

Santiago de Compostela, Espanha

Na primeira foto, Taísa e Marcos posam junto ao símbolo do peregrino, em Carrion de Los Condes. Na imagem do centro, ele participa de um jogo de futebol com as crianças da cidade de Hornillos del Camino. À direita, o registro da chegada em Santiago de Compostela, no dia 24 de junho

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CONTRAPONTO

A vitrine das feiras de negócios em um ambiente de crise

FÁBIO ABREU

RICHARD SPIRANDELLI

Ferramentas de desenvolvimento Iniciadas na Alemanha há muitos anos, as feiras são hoje o principal instrumento de marketing e gerado­ res de negócios naquele país. Segun­ do pesquisas no mercado alemão, as feiras são o mais importante ins­ trumento relacionado à comunica­ ção business-to-business. Participar desses eventos representa um dos principais elementos nos processos de compra. As feiras contribuem para a competitividade. Também se destacam o estabelecimento de no­ vos canais de venda e na procura por investidores para projetos. De todos os instrumentos de negócios, as feiras são as que apre­ sentam o maior leque de funções: permitem a apresentação de no­ vos produtos e serviços, bem como

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a construção de relações de longo prazo com os clientes; são ambien­ tes de benchmarking, além de exce­ lentes canais para procura de novos negócios para pequenas empresas; geram efeito da mídia e imagem do expositor; produzem motivação para os funcionários; estimulam a comunicação pessoal e promovem envolvimento emocional. As feiras têm, também, funções macroeconômicas e sociais. O co­ nhecimento transmitido durante os eventos significa informação processada, refinada e colocada em um contexto correto, ou seja, feiras e congressos permitem a rápida e direta troca de conhecimento. Destaca-se ainda o contato en­ tre os negócios e a política: graças

à plataforma de diálogo – represen­ tantes de empresas e associações de um lado e representantes do go­ verno de outro –, questões sobre fi­ nanças, economia e políticas sociais são debatidas. Portanto, as feiras são uma excelente ferramenta de alavancagem de negócios para as grandes, médias e pequenas em­ presas em períodos de aceleração econômica – quando as políticas de captação de novos clientes e inves­ timentos estão fortes – ou mesmo em momentos de retração, quando as políticas de retenção dos clientes atuais e a melhoria dos processos in­ ternos ganham destaque. Richard Spirandelli é diretor da Messe Brasil, formado em Ciências da Computação pela PUC do Paraná


ANITA PIRES

Unindo comprador e vendedor As feiras de negócios são excelentes ferramentas de marketing, vendas e atualização de mercado. Segundo a União Brasileira dos Promotores de Feiras (Ubrafe), em 2014, o setor ge­ rou impacto econômico de R$ 16,3 bilhões e reuniu cerca de 818 milhões de visitantes. Para os expositores, uma oportunidade de estar na vitri­ ne, anunciando inovações, realizando demonstração de produtos e promo­ vendo experiências com suas marcas. Facilitam a realização de negócios no ato e permitem conhecer melhor os potenciais compradores e suas de­ mandas. Sem falar na visibilidade para a mídia. Para os visitantes, as feiras de negócios proporcionam a busca por novos produtos, oportunidades co­

merciais (locais ou internacionais) e benchmarking de modo prático e in­ terativo. São meios clássicos de unir quem compra com quem vende. Paralelas às grandes feiras de negócios costumam ser realizados congressos e convenções, atraindo público e realizando discussões téc­ nicas e científicas que promovem a inovação, a criatividade, novos pro­ dutos e serviços, além de novas for­ mas de avaliar a gestão e as relações de trabalho. Mas feiras, congressos e con­ venções são muito mais. O setor de eventos já representa 4,3% do PIB nacional, conforme o Dimensiona­ mento Econômico da Indústria de Eventos no Brasil (2013), realizada pela Associação Brasileira de Empre­

LYGIA VENY CASAS

Atrair olhares para sua marca Em tempos de desaceleração da eco­ nomia, todo empresário precisa cor­ tar custos e despesas. E as ações de comunicação e marketing geralmen­ te são as primeiras. Mas são essas atividades que colocam os serviços e produtos no mercado e que auxiliam na construção do relacionamento com o cliente. Participar ou organizar eventos é uma excelente estratégia, considerada uma das principais ferra­ mentas de marketing. O evento aproxima as pessoas, promove o diálogo, mexe com as emoções, marca presença. É um rico componente do mix de comunicação que engaja pessoas numa ideia. É a oportunidade de falar diretamente com o seu público, de atrair olhares para sua marca. Em 2014, foram rea­

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lizadas 2,2 mil feiras em todo o país, as quais geraram impacto econômi­ co de R$ 16,3 bilhões e reuniram 818 milhões de visitantes. Mesmo com a desaceleração da economia, o setor deve crescer 14% neste ano, segundo a União Brasileira dos Promotores de Feira (Ubrafe) e a Associação Brasilei­ ra de Empresas de Eventos (Abeoc). Ao participar de uma feira, o em­ presário tem a possibilidade de abrir mercados e fortalecer as relações comerciais; conhece as tendências e as novas tecnologias; pode falar di­ retamente com o seu público em um ambiente que proporcione melhor experiência do produto ou serviço; aumenta seu networking e gera ne­ gócios. Pequena ou grande empresa, ambas têm as mesmas chances e

sas de Eventos (Abeoc) em parceria com o Sebrae. Dos 590 mil eventos realizados por ano no Brasil, 18% são feiras. No Sul, o percentual sobre para 22%. Para as organizadoras de eventos, que faturaram R$ 72,2 bilhões em 2013, as feiras representam 58% dos eventos realizados. As organizadoras geram 5,48 milhões de empregos diretos, indiretos e terceirizados. As feiras são tão boas aliadas para ativar a economia que há um esforço enor­ me para sediar esse tipo de evento, reforçando a importância do marke­ ting de destinos e de estratégias as­ sertivas para captação. Anita Pires é vice-presidente de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Empresas de Eventos

oportunidades em uma feira. Quanto tempo um departa­ mento comercial leva para abordar dez pessoas? Agora, pense: que seja um evento de pequeno porte, as pessoas que lá estarão reunidas são as interessadas naquele tema. Ou seja, foram ao evento porque buscam informação e contatos na área. Qual o volume de negócios que uma feira pode gerar durante três dias? O empresário deve estar atento às oportunidades e constan­ temente repensar o seu negócio, principalmente na comunicação e marketing. E o mercado de eventos oferece um leque de possibilidades. Lygia Veny Casas é sócia da Multi Comunicação Integrada, com experiência na realização de eventos corporativos e públicos

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CABECEIRA

MONJA COEN

Há sabedoria nas transformações

Monja budista que lotou a Expoville afirma, em livro, que a transformação deve começar no plano pessoal

Na Expogestão deste ano, ela fez a plateia meditar. Com voz suave, por alguns minutos, a Monja Coen conduziu as mais de 1.600 pessoas que lo­ tavam o salão de convenções do tradicional encontro de negócios e gestão a um exercício respiratório que buscava confirmar a ideia de que essa prá­ tica pode, sim, ser realizada em qualquer lugar – não apenas em mosteiros ou templos. E mais: que o ato de meditar ativa o cérebro e contribui para tornar o indivíduo “autor e ator” da sua própria vida, em um constante pro­ cesso de transformação. A monja que foi repórter e trabalhou no Banco do Brasil, ao longo dos anos 1960, tornou-se a primeira mulher e a primeira pessoa de origem não­ -japonesa a assumir, já em 1995, a Federação das Seitas Budistas do país. Nos últimos anos, tem feito palestras em megaempresas como Google, Volkswagen e LinkedIn, falando sempre sobre como ensinar os funcionários a controlar as emoções e a expandir as capacidades. No ano passado, ela compilou em livro alguns desses preceitos. Em “A Sabedoria da Transformação: Reflexões e Experiências”, propõe ao leitor um olhar sobre si mesmo, reciclando valores e conceitos. O livro traça um paralelo entre fatos históricos e situações cotidianas, discorre sobre perso­ nagens ilustres e cidadãos comuns, tudo com o propósito de conscientizar sobre o quanto é importante a reflexão sobre as ações cotidianas para que comece aí, no plano pessoal, a transformação que, em geral, desejamos ver no mundo. “Monja Coen nos presenteia com um texto claro e objetivo, re­ cheado de amor ao próximo. É o tipo de livro que ajuda ao leitor a refletir sobre suas atitudes, a buscar a transformação, e que não deve deixar de ser lido até o final”, sintetiza o texto de apresentação da obra. Nestas duas páginas, trechos da entrevista que a monja concedeu em Joinville.

REAÇÃO NAS EMPRESAS

Eu falo de ser humano para ser humano. Sempre me surpreende que as corporações me chamem, mas... Se me chamam, eu vou. E eles aplaudem, então acho que gostam. Se vão colocar em prática ou não, é outra coisa, mas o pensamento que tenho não é nenhuma novidade. É natural na nossa espécie. Queremos o bem coletivo. Mas é preciso obser­ var a si mesmo em profundidade

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para aprender utilizar este equipa­ mento que é a mente e o corpo. Há vários portais para isso. Que portais vão se abrir? Algumas empresas já abriram, já têm áreas de recreação, dedicam momentos a aulas de me­ ditação, ioga, tai-chi...

DO DISCURSO À PRÁTICA

Como a empresa dá melhores con­ dições de trabalho para as pessoas? Como se envolve na questão da se­

gurança no trabalho, por exemplo? Isso é o mais importante. Não esta­ mos transmitindo meditação como processo religioso. É como fazer a pessoa estar bem. E vai precisar criar, sim, um sistema em que cuidemos todos uns dos outros, e cuidemos com respeito a essa diversidade ma­ ravilhosa dos nossos ateísmos e reli­ giosidades. Além disso, não é impor uma prática religiosa a alguém, mas um olhar de compaixão, de sabedo­ ria, que compreende. Alguém que é capaz de ver o outro, não apenas a máquina, mas as necessidades do ser humano, inclusive para que ele possa produzir melhor. Se alguém chega para trabalhar e um colega percebe que ele não está bem, deve chamar para tomar um café, dar uma pausa, conversar um pouco, para que ele não tenha um acidente de trabalho porque está com a cabe­ ça muito cheia. Para isso é que existe o departamento de recursos huma­ nos, para lidar com o ser humano, e esses departamentos têm que ser fortalecidos, para que as pessoas possam ter a condição de ver quem precisa ser cuidado e atendido. Não é uma questão religiosa, que cada um tem a sua, mas como trabalhar com mais respeito à vida humana. Às ve­ zes, nos preocupamos tanto com o produto que não nos preocupamos com a pessoa que está produzindo e como esse produto vai ser usado no mercado para outras pessoas.

NÃO TER MEDO

Às vezes, quando se trabalha muito com segurança, as pessoas ficam até seguras demais. E elas têm medo de falar com o líder, dizer que isso não está bom. Criar essa intimidade para que a pessoa mais simples lá da planta possa vir falar com o líder e dizer que isso pode melhorar. Não ter medo de falar com escalões supe­ riores. Falar de forma amorosa aquilo que você pensa e que vai beneficiar


ANDRÉ KOPSCH

Palestra da monja na Expogestão deste ano: “Eu falo de ser humano para ser humano” a empresa e todos. A meditação aju­ da a pessoa a se centralizar, mas não precisa ser meditação zen-budista, apenas respira conscientemente e vai falar com quem pode fazer a diferen­ ça para que isso ocorra.

JOGO DE APARÊNCIAS

Estamos nos criando como pessoas que são conhecidas por aquilo que temos. Vivemos em um mundo em que as aparências contam, sim, algu­ ma coisa. Se você for trabalhar des­ cabelado, vão reparar. As aparências têm alguma coisa a ver, e as coisas que temos nos dão certo status so­ cial, mas não podemos ficar presos a isso. Temos que, dentro de nós, encontrar alguma coisa que é maior, porque essas coisas vêm e vão, são superficiais, de modismo.

LUCRO SOCIAL

As empresas estão descobrindo que apenas o lucro financeiro é insufi­ ciente para se manterem em pé. As que estão começando a pensar no lucro social e ambiental estão vivas. As que não prestaram atenção es­ tão morrendo. É da natureza desse desenvolvimento da consciência hu­ mana. Os jovens, desde as séries ini­ ciais, chegam em casa e dizem papai,

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mamãe, meio ambiente. Estamos fa­ zendo uma educação ambiental mui­ to forte e, se a empresa não entrar nesta, estará fora do mercado, vai ser condenada pelo próprio consumidor. Os consumidores estão começando a observar essas práticas, se a em­ presa está preocupada com o meio ambiente, pensando no bem-estar coletivo e da comunidade.

AUTO-CONHECIMENTO

Existem vários métodos. Acho que a meditação é o portal principal, e foi por isso que a escolhi. Eu era repór­ ter do Jornal da Tarde, isso acordou em mim várias questões, por que há tantas diferenças no mundo, por que a coisa está tão mal parada e no que eu posso usar a minha vida para melhorar. E uma das coisas que encontrei foram as práticas medita­ tivas, que pessoas que eu considera­ va inteligentes faziam. Beatles, Pink Floyd, Einstein, todos falavam de me­ ditação. É o auto-conhecimento que transcende o eu, não é só conhecer a minha historinha pessoal. Tenho que conhecer o que é a mente humana, que é esse corpo humano também, porque aí eu posso usá-la de forma mais adequada. O desconhecimento é que leva à falha. Como funciona a

mente, o que são emoções, sensa­ ções, e como vou poder responder à realidade, e não apenas reagir.

COMPETITIVIDADE

Não tem nada de errado em passar na frente do outro. Apenas não puxe o tapete do outro, não queira o mal do outro. Estimulamos uns aos ou­ tros com a competitividade. A com­ petitividade em si não é negativa. Ela nos provoca a produzir melhor, ir para a frente, fazer mais. Se não fi­ zermos isso, paramos no tempo. Tem pessoas que agem de forma impró­ pria, mas aí é outra coisa, aí estamos falando de doenças, de corrupção. Outra coisa estimulante é trabalhar com prazos. Que bom que tem prazo. Sem prazo, não fazemos nada. Pra­ zos, limites, competição não são obs­ táculos. Competição é da natureza. O errado é quando ela toma conta da gente. Conhecer a si mesmo é saber que o nosso saquinho de pele vem com todas as possibilidades. A Sabedoria da Transformação Monja Coen Editora Planeta, 192 páginas

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CLÁSSICO

Matemática é a base de todas as ciências Publicado pela primeira vez em 1938, o livro “O Homem que Calculava”, de Malba Tahan, foi relançado em julho pela editora Record, em homenagem aos 120 anos de nascimento do au­ tor. A obra, premiada pela Academia Brasileira de Letras, já foi traduzida para o inglês e espanhol. Júlio César de Mello e Souza, o Malba Tahan, es­ creveu mais de 15 livros enfocando costumes e tradições árabes e foi um conceituado matemático brasileiro. Em sua obra mais famosa, ele conta a história do jovem Beremiz, que tinha admirável capacidade de fazer intrincados cálculos men­ tais – e sem o auxílio de fórmulas

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decoradas. Entre suas peripécias está a divisão de 35 camelos entre três irmãos – em um cálculo justo, que contemplou plenamente os in­ teressados e obtendo o lucro espe­ rado com a transação. Outra boa intervenção do calculista foi formar todos os números inteiros de 1 a 100 utilizando sempre operações aritméticas de quatro algarismos. Essas façanhas consolidaram sua fama e o consagraram diante de reis, xeques, sábios e poetas. Embora não seja um livro didáti­ co, a obra é sempre muito recomen­ dada nas escolas para estimular o es­ tudo da matemática de forma leve e

lúdica. A história do jovem árabe que contava rebanhos como ninguém também ajuda a entender que geo­ metria, aritmética e álgebra podem não ser tão complicadas assim. “A matemática,que ensina o homem a ser simples e modesto, é a base de todas as ciências e de todas as artes”, diz o personagem Beremiz.

O Homem que Calculava Malba Tahan Editora Record


LANÇAMENTO

Para quem é inovador O livro do autor Djalma Rebouças de Oliveira procura analisar e dis­ cutir duas questões básicas para as empresas modernas. A primeira delas é o processo estruturado de análise, identificação, desenvolvi­ mento, absorção e aplicação das inovações pelas empresas, facili­ tando a consolidação das suas van­ tagens competitivas. Na segunda, procura refletir sobre o desenvolvi­ mento e a aplicação de um modelo administrativo direcionado para resultados, utilizando, na plenitu­ de, os processos de inovações con­ solidados pelas empresas. A partir de uma forte aborda­

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gem prática, como sustentação a toda a teoria básica necessária para a evolução do raciocínio lógi­ co e maior facilidade de aplicação nas empresas, o livro procura fazer uma estruturada e evolutiva inter­ ligação entre seus seis capítulos, facilitando o entendimento de seu conteúdo e a posterior aplicação prática. Ao final de cada capítulo, há questões para debate, bem como um exercício e um caso para otimi­ zar o entendimento dos assuntos inerentes a um modelo adminis­ trativo das empresas inovadoras e direcionadas para resultados.

Uma obra de atualização e re­ ciclagem profissional para os exe­ cutivos e demais funcionários de empresas que já trabalham ou pre­ tendem trabalhar com o modelo administrativo baseado na inova­ ção e no direcionamento para re­ sultados.

A Empresa Inovadora e Direcionada para Resultados Djalma de Pinho Rebouças de Oliveira Editora Atlas

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3 LIVROS

O universo do comércio exterior A seleção é da presidente do Núcleo de Negócios Internacionais da Acij, Carla Regina Pinheiro. Ela é sócia-diretora da Unique Consultoria Aduaneira e é formada em Administração com habilitação em Comércio Exterior pela Univille. Tem especialização em Direito Aduaneiro e Comércio Exterior.

Um pouco de história

Para estudantes e empresários

Negociações internacionais

Abordagem das relações internacio­ nais desde a Idade Média, com con­ ceitos e explicações para as políticas dos Estados nas interações com os demais. Indicado para quem quer um panorama das relações internacio­ nais, sendo importante leitura para interessados em aprofundar o estu­ do da matéria – profissionais ou estu­ dantes de Comércio Exterior, Direito Aduaneiro e Internacional e Relações Internacionais.

Clássico. A última edição aborda a globalização da economia e o inter­ câmbio de bens e serviços. Indicado para todos os envolvidos no comér­ cio exterior e para estudantes de Ad­ ministração, por tratar de assuntos como foco no condicionamento cor­ reto das empresas no mercado inter­ nacional, a importância de pessoas preparadas para os desafios com capacitação adequada, importação e exportação entre Estados.

O autor traz a sua experiência das negociações internacionais de ma­ neira descontraída, com histórias vivenciadas em suas viagens, algu­ mas com desenrolar cômico. Para o sucesso em negociações inter­ nacionais, é preponderante conhe­ cer as diversas culturas do mundo. Cada Estado tem sua própria cren­ ça, características e costumes, e essa obra oportuniza um pouco desses conhecimentos.

Relações Internacionais – Teoria e História Demétrio Magnoli Editora Saraiva

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Comércio Exterior Brasileiro José Lopes Vazquez Editoria Athas

Ao Redor do Mundo Fernando Dourado Filho Editora ABDR


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DICA 21

Você já perdeu o controle hoje? O que você faria ao descobrir que a amante do seu noivo está em sua festa de casamento? Como reagiria se alguém defecasse no seu carro novo? Seria capaz de envenenar a comida do responsável pelo suicídio do seu pai? Esses são os questionamentos levantados pelo filme argentino “Relatos Selvagens”, do diretor Damián Szifron, indicado ao Oscar 2015. Composta por seis curtasmetragens, a comédia é um estudo sobre o esgotamento psíquico humano. Apesar dos temas diferentes, os episódios se encontram no descontrole de seus personagens. As tragédias da ficção puxam as orelhas dos espectadores para que estes olhem para o mundo real de forma mais crítica e tolerante.

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O filme foi produzido pelo cineasta espanhol Pedro Almodóvar, responsável por títulos como “Tudo Sobre Minha Mãe”, “Fale com Ela” e “A Pele que Habito”.

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3 PERGUNTAS DIVULGAÇÃO

1

Como as empresas devem reagir à crise? No curto prazo, a resposta está em garantir a li­ quidez: não investir muito e tentar garantir que a liquidez permita à empresa ter opções melho­ res no horizonte de um a dois anos. Isso abre a oportu­ nidade de se internacionalizar, fazer fusões e aquisições, arbitragem e investimentos em fundos que oferecem vantagens neste momento. Uma estratégia financei­ ra combinada com o crescimento via alavancagem de compra de outras organizações. A médio e longo prazo, é preciso pensar no que vem por aí. Proponho cinco lógi­ cas: internacionalização, tecnologia e inovação, jogos de ganha-ganha ao longo da cadeia de suprimento, susten­ tabilidade para minimizar riscos e reforço à marca, que é uma importante blindagem em momentos de crise.

2

PAULO VICENTE DOS SANTOS Professor da Fundação Dom Cabral (FDC)

Em funções que desempenhou antes de assumir o Mi­ nistério da Fazenda, Joaquim Levy ganhou o apelido de “mãos de tesoura”, pela ênfase na contenção dos gastos públicos como princípio de atuação. O enge­ nheiro mecânico Paulo Vicente dos Santos, mestre em Administração Pública e professor da Fundação Dom Cabral (FDC), foi subsecretário de Levy no governo de Sérgio Cabral, no Rio de Janeiro, e brinca ao relatar seu encargo na pasta da Fazenda: “Fui uma das tesouras do Levy”. Nessa condição, coube ao professor elaborar um planejamento estratégico que mirasse não apenas no curto prazo – algo que, diz, infelizmente faz parte da cultura do setor público no Brasil. Paulo Vicente concedeu esta entrevista antes de ministrar palestra sobre estratégias de crescimento na Expogestão, em Joinville.

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As saídas são de longo prazo, então. O sr. tem visto o governo federal prometendo algo diferente, soluções de curto prazo? O governo tem contradições que precisa resolver. Precisa achar soluções de curto prazo para amenizar a cri­ se e buscar a popularidade para uma reeleição, mas, ao mesmo tempo, tem desafios de curto e médio prazo. Pen­ so que está fazendo pouco, 50% da história. De um lado, colocou o Joaquim Levy, com quem já trabalhei no passa­ do, que está cuidando da parte de receita, efetivamente. Mas o que não vejo é, do outro lado, cortarem custos na medida que seria necessário. Principalmente cortes inteli­ gentes, cortar em itens que dão pouco resultado. Isso dei­ xa um preço a ser pago mais para a frente, em três a qua­ tro anos. Os cortes que vêm sendo feitos são menores, comparativamente. O que o governo deveria é enxugar o número de ministérios, cargos em comissão, forçando o custeio e o gasto de pessoal para ajudar no ajuste fiscal.

3

Como chegamos até aqui? Uma série de decisões erradas no passado, princi­ palmente dos últimos dois grandes governos, do PSDB e do PT. No final, todos são sócios da lista de problemas atuais, que divido em sete grandes gargalos. Sistema de impostos confuso, caro e lento. Protecionismo exagerado. Falta de infraestrutura, de energia, de mão de obra qualificada – um problema gravíssimo – e falta de in­ vestimento em pesquisa e desenvolvimento. Por fim, fal­ ta de segurança pública e segurança nacional. Não foi em quatro anos da Dilma que a gente teve problemas com isso, mas em 20 ou 30. Achar que vai eleger Cristo e que ele vai, pelo milagre da reprodução das estradas, resolver o problema, não é real. O Brasil precisa pensar no médio e no longo prazo, o que não vejo o governo federal fazendo, até pela pressão de curto prazo.


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Revista 21 - Edição 20 - Jul/Ago 15  
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