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ESTE FOLHETO É PARTE INTEGRANTE DO ACERVO DO BEHETÇOHO EM FORMATO DIGITAL, SUA UTILIZAÇÃO É LIMITADA. DIREITOS AUTORAIS PROTEGIDOS.


INFORMAÇÕES SOBRE O PROJETO O Acervo Eletrônico de Cordéis do Behetçoho é uma iniciativa que pretende dar consequências ao conceito de (com)partilhamento dos artefatos artísticos do universo da oralidade, com o qual Behetçoho e Netlli estão profundamente comprometidos.

INFORMAÇÕES SOBRE A EQUIPE A equipe de trabalho que promoveu este primeiro momento de preparação e disponibilização do Acervo foi coordenada por Bilar Gregório e Ruan Kelvin Santos, sob supervisão de Edson Martins.

COMPOSIÇÃO DA EQUIPE Isabelle S. Parente, Fernanda Lima, Poliana Leandro, Joserlândio Costa, Luís André Araújo, Ayanny P. Costa, Manoel Sebastião Filho, Darlan Andrade e Felipe Xenofonte


EUGENIO DANTAS

MAS O QUE É O CORDEL?


Peço licença ao leitor Para tentar responder A todos que me perguntam Sempre querendo saber A respeito do Cordel O que ele venha a ser. Mas o que é o cordel Me pergunta muita gente Eu pretendo responder Neste Cordel certamente Para que quem ler entenda Que é Cordel finalmente. O Cordel é um folheto Uma barata brochura Que a pessoa na feira Em um cordão dependura E que no interior Inda tem grande procura.


Sua forma literária Envolve muita ficção Mas tem saber popular De poética tradição Foi forma eficaz de se Fazer comunicação. Destinado para o povo Tem pouco valor venal Grosseira composição Feita em papel jornal Tem o volume pequeno Grande valor cultural. Os temas são variados Vão do folclore à política, Romances, paixões e mortes Faz elogio e faz crítica Tem estória mentirosa E tem também a verídica.


Figuras religiosas E do cangaço também Fala de homens valentes De quem coragem não tem Canta coisas desta terra E coisas lá do além. São histórias Brasileiras De sertanejos valentes Às vezes são peças cômicas Muitos temas diferentes Também a rapto de moças São algumas referentes. Há os Cordéis permanentes, Outros de ocasião, De fatos universais Ou de uma religião, De fome, de paz, de guerra Também de região.


O povão misterioso, História de Juvenal, Teve a morte de Getúlio, Um cordel especial E os cordéis de peleja São de agrado geral. O Nordeste Brasileiro É tema de cordelista Seja o seco sertão bravo Onde a água não é vista; O Nordeste que se alegra, O Nordeste masoquista. O nordeste que tem fé, O Nordeste valentão, Do Santo Padrinho Ciço E também de Lampião, Do engenho de rapadura, Das festas de apartação,


O nordeste verdejante Ali da beira do rio, O nordeste onde a miséria Chega a causar arrepio, Mas onde o cabloco forte Demonstra bravura e brio. Na capa destes folhetos Sempre há ilustração Um desenho que expressa O teor da narração; Chamamos xilogravura Esta representação. Alguns Cordéis têm retratos Ou vinhetos simplesmente Mas a partir de 40 Nós temos regularmente Desenho em xilogravura Na capa sempre presente.


A xilogravura expressa Anseios e ideais, A fantasia do povo De hoje, dos ancestrais O que o poeta pensa E escreve em seus anais. As estrofes do cordel São sempre metrificadas Geralmente sete sílabas São as formas mais usadas Embora noutros padrões Também sejam encontradas. Geralmente são seis versos Com as rimas alternadas A segunda, a 4ª a 6ª Entre si são as rimadas Se são sete a 5ª e 6ª Têm as rimas combinadas.


O bom cordelista rima Faz verso metrificado Qualquer pessoa que ler Vê tudo cadenciado; É muito feio o cordel Escrito de pé quebrado. O cordel é uma fonte De costumes, de história. De valores, de cultura, De tempos de muita glória, De tudo que constitui De nossa gente a memória. A origem do cordel Na Europa Ocidental Foi no século dezesseis Na Espanha e Portugal. Surgiu no Brasil depois Do período imperial.


Em Portugal destacamos Gil Vicente, Baltasar, Antônio José da Silva Que gostavam de cantar E de Nicolau da Silva Também devemos falar. História de João Calais, Os doze pares de França, A formosa Teodora Inda tenho na lembrança O capitão Belisário Eu lia quando criança. No Brasil foi no Nordeste Onde o Cordel floresceu Na cidade e no Sertão Sei que muita gente leu Mesmo com rádio e TV Ele ainda não morreu.


João Melquíades Ferreira, José Camelo Resende. João Martins de Atayde A gente lê e entende, Leandro Gomes de Barros Que ser o melhor pretende. Aliás foi o Leandro No Nordeste o principal Iniciador do gênero Que nasceu em Portugal. Também Francisco das Chagas Foi cordelista legal. A extinção do Cordel Quase que aconteceu No século que se passou Quando o rádio apareceu Também a televisão No Cordel um baque deu.


Porém a literatura De cordel de novo cresce Pois, nas Universidades O seu estudo aparece O interesse por ela Em toda parte acontece. Se encontramos Cordéis Nas feiras e nas calçadas, Também nas bibliotecas Mesmo as mais afamadas Estão ao lado das obras Que são ali pesquisadas. Até lá da Inglaterra Já pediram ao Cariri Que na nossa Academia Desta terra do pequi Escrevesse alguns Cordéis E enviasse prali.


É bom que nossas escolas Procurem valorizar A nossa literatura, A cultura popular, Sendo os nossos Cordéis Matéria para estudar. De algo tenho certeza Suceda o que suceder Televisão, internet Tudo isso vai crescer Porém, o nosso Cordel Sei que nunca vai morrer.

FIM



Mas o que é o cordel