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ESTE FOLHETO É PARTE INTEGRANTE DO ACERVO DO BEHETÇOHO EM FORMATO DIGITAL, SUA UTILIZAÇÃO É LIMITADA. DIREITOS AUTORAIS PROTEGIDOS.


INFORMAÇÕES SOBRE O PROJETO O Acervo Eletrônico de Cordéis do Behetçoho é uma iniciativa que pretende dar consequências ao conceito de (com)partilhamento dos artefatos artísticos do universo da oralidade, com o qual Behetçoho e Netlli estão profundamente comprometidos.

INFORMAÇÕES SOBRE A EQUIPE A equipe de trabalho que promoveu este primeiro momento de preparação e disponibilização do Acervo foi coordenada por Bilar Gregório e Ruan Kelvin Santos, sob supervisão de Edson Martins.

COMPOSIÇÃO DA EQUIPE Isabelle S. Parente, Fernanda Lima, Poliana Leandro, Joserlândio Costa, Luís André Araújo, Ayanny P. Costa, Manoel Sebastião Filho, Darlan Andrade e Felipe Xenofonte


SALETE MARIA

VIOLETA CARPINTEIRA DA CULTURA

JUAZEIRO DO NORTE 2008


De Violeta se diz É flor, é cor, é odor Sendo ‘rosa de Paris’ No Crato ramificou Faz parte do Cariri Qual uma flor de pequi Que neste solo brotou Imensa qual uma rocha Em bondade e ação É pequenina, a cabrocha Em corpo, em compleição Mas fulgura noite e dia Exsurge em poesia Faz da cultura oração Uma romeira elegante De echarpe e colar Um dia foi retirante Mas soube se emancipar


Acolheu os exilados Os expulsos, degredados Fez do exílio um lar Devota da liberdade Amante da natureza Pra ela não há idade Sorri qual uma princesa Ama reisado e lapinha Dança-do-côco e farinha Forró e azul-turquesa Uma mulher de seu tempo Tudo então lhe interessa Na vida ela põe fermento Tem paixão e nunca cessa Nasceu para construir Vive no mundo a parir Como disse Bia Lessa


De tudo que se imagina Seja do campo à cidade Com tudo ela combina Ela é possibilidade Erigiu neste lugar Espaço para estudar Chamado Universidade Impõe respeito inclusive Entre seus opositores Com tudo ela convive Preto, branco, multicores Não tolera violência É a mãe da paciência Ouvidora de clamores Nem sempre compreendida Certa vez foi destratada Outras vezes ofendida Noutras foi ovacionada


Mas segue sua missão: “operária em construção Carpinteira da estrada” Diz-se amante da serra E culturista da arte Guarda lembrança da terra De Beauvoire e Sartre Sabe que andou de jipe Que nasceu no Araripe Mas seu mundo é toda parte É forte e irrequieta Altiva, porém cortês De Dom Helder predileta Casou-se com um francês Irmã de Miguel Arraes Milita em nome da paz Assim a vida lhe fez:


Esta tua alma agreste Não te limita, te amplia A forma como te vestes O verbo que balbucias Nas terras por onde andaste Não viu mãe d’água nem traste Mas tudo te comovia Donde vem tua energia Teu bom humor, tua luz Tua elegância e magia O sonho que te conduz De tudo que tu encerras O povo de tua terra D’alguma forma faz jus Envolvida com a vida Vê poesia no ar Resoluta, decidida Quem poderá te odiar


Tua modéstia e lhaneza Jovialidade e destreza Muitas querem imitar Nesta tua tradição Vejo pós-modernidade Criativa intuição Prenhe de brasilidade Uma mulher de expressão Sertaneja de visão Singular-pluralidade Curadora de benditos Patrona de cantorias Paraninfa de malditos Concedente de alforrias Matriz, matrona, matreira Mãe, mulher, macaubeira Comandante de alegrias


Musa no superlativo Se chama agora teatro Simples em definitivo Imensa rosa do Crato Mocinha sai do sertão De pau-de-arara a avião Eis o teu primeiro ato Secretária da Cultura Psicóloga, professora Pelejante criatura Viajante, opositora Tens espírito solidário Vida é teu vocabulário Reinas, sendo ou não reitora Honra ao mérito, Senhora A República te dá Pra registrar na memória Do povo do Ceará


Tua conduta acertada (Mais do que condecorada) Só pode nos orgulhar! Viola ou Violeta Em Gil, Betania e Caetano A poesia te espreita Por tudo que é humano Vixe Maria, muié És maior que tua fé És com Deus, o Soberano! FIM



Violeta carpinteira da cultura