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ESTE FOLHETO É PARTE INTEGRANTE DO ACERVO DO BEHETÇOHO EM FORMATO DIGITAL, SUA UTILIZAÇÃO É LIMITADA. DIREITOS AUTORAIS PROTEGIDOS.


INFORMAÇÕES SOBRE O PROJETO O Acervo Eletrônico de Cordéis do Behetçoho é uma iniciativa que pretende dar consequências ao conceito de (com)partilhamento dos artefatos artísticos do universo da oralidade, com o qual Behetçoho e Netlli estão profundamente comprometidos.

INFORMAÇÕES SOBRE A EQUIPE A equipe de trabalho que promoveu este primeiro momento de preparação e disponibilização do Acervo foi coordenada por Bilar Gregório e Ruan Kelvin Santos, sob supervisão de Edson Martins.

COMPOSIÇÃO DA EQUIPE Isabelle S. Parente, Fernanda Lima, Poliana Leandro, Joserlândio Costa, Luís André Araújo, Ayanny P. Costa, Manoel Sebastião Filho, Darlan Andrade e Felipe Xenofonte


GERALDO DE MOREIRA LACERDA

A FRUTA QUE ADテグ COMEU


O POETA MARANHÃO

Nome: Geraldo Moreira de Lacerda Data de Nascimento: 26/07/36

Local de Nascimento: Olho D’água de Santa Bárbara – Nova Olinda-Ce Profissão: Técnico Agrícola; atualmente funcionário do IBAMA. Exerce função de chefe do Centro de Visitantes da Floresta Nacional do Araripe (FLONA). Endereço Residencial: Sede Nacional do Araripe – Crato-Ce.

da

Floresta

Endereço para correspondência: IBAMA/FLONA-ARARIPE – Praça dr. Joaquim Fernandes Teles S/N Crato – ceará.

Destaque: É membro fundador da Academia de Cordelistas do Crato – Ceará – Cadeira Nº 06.

Publicações anteriores: Um livro intitulado “Coisas do Sertão”; vários cordéis e alguns folhetos técnicos e didáticos, todos de considerável sucesso.


Deficiente físico, casado com Gertrudes Gonçalves de Lacerda, de cujo matrimônio nasceram três filhos: Regidio, Celenita e Regiopidio. Na poesia, questiona principalmente os problemas que atingem o homem do campo. Reside na cidade de Crato – Ceará. Onde se inspira ao visualizar o Verde Vale do Cariri, Paraíso do Folclore e da Poesia. ELÓI TELES


Na minha primeira idade, Quando eu era pequenino, Andava pelo caminho Da minha realidade. E procurava inocente, Tudo quanto eu avistava E não podia tocar. Querendo desencantar, Tudo quanto me encantava.

Quando eu olhava pro céu, Via o mundo arredondado, Igual a um manto azulado, Em forma de um carrocel. Vendo a linha do horizonte, No pico de um grande monte, Encostado em nosso chão. Vê lá de perto eu querendo, Seguir para lá correndo, Sem saber que era ilusão.


Quanto mais eu me adiantava, Querendo desencantar, Ficava a me perguntar: Por que se distanciava? Mas eu segui iludido,, Pelo caminho comprido, Até o pique do monte. Desencantado eu fiquei, Quando lá não encontrei A linha do horizonte.

Vi grande vale na frente, Mais além o céu descia, Qual véu de seda macia, Tocando o chão novamente. Voltei calado e tristonho Como acordado de um sonho A minha mãe perguntei, Por que lá não encontrei O céu tocando o chão?


Minha mãe com muito afeto, Viu que estava no momento, De me dar ensinamento E disse: já está bem perto, De volta tudo entender, Para nunca se perder, No mundo da escuridão. Fiquei aqui prá me escutar E começou me contar A história de um tal Adão.

Disse que no Paraíso, Feito por Nosso Senhor, Tudo era paz e amor, Como a expressão de um sorriso. Então para complementar, Deus entendeu de botar, Ali um casal de gente Pra feliz ali ficar, Depois se multiplicar, Como se fosse semente.


Este casal inocente, Poderia desfrutar, Tudo tinha a se fartar, Mas Adão inconsciente Comeu a fruta do mal, E esclarecido afinal, Caiu no mesmo momento, No abismo de seu pecado, Por isto foi castigado, Diz o Velho Testamento.

A fruta que Adão comeu, Você nunca experimentando, Vai viver tudo alcançado E o céu será todo seu. Mas não queira, que é maldade. Não pense imoralidade Que o diabo a qualquer momento, Que lhe botar no pecado, Por isso tenha cuidado, Lembre o Velho Testamento


Depois daquela lição Fiquei mais atormentado, Porque depois de explicado, Ela chamou-me a atenção E fez esclarecimento, Dizendo: Em todo momento, Precisa lembrar da fé Que a fruta que Adão comeu, Quem por mau lhe ofereceu, Foi Eva sua mulher.

Eu fui crescendo e crescendo, Com aquilo no pensamento, Só vendo a cada momento, As coisas acontecendo. Eu nada disso entendia, Minha mãe sempre dizia: Meu filho não perca a fé. Lembre o Velho Testamento, Nunca esqueça um só momento, Não se iluda com mulher.


Certa vez eu numa fonte, A tardinha a meditar, Olhando o céu se encostar, Na terra em cima do monte. Lembrei daquela lição, Do Paraíso de Adão, Onde o pecado se deu. Procurei no pensamento, A história do Testamento E a fruta que Adão comeu.

Imaginei de verdade, Procurando distinguir, Como iria conseguir? E ter realidade? Da fruta que Adão comeu, Que a mim nunca apareceu, Pra eu saber como é que é? Minha mãe sempre ensinou, Que Adão a fruta encontrou, Na sedução da mulher.


Procurei no pensamento Que fruta tem uma mulher? Que seduz e tira a fĂŠ, Como diz o Testamento? Lembrei da fruta daqui, Que a gente chama piqui, E tem uma casca amargosa E uma pasta oleosa E no centro uma castanha.

Tirando a casca que cobre, Ela solta um forte cheiro, Que nos revela um tempero E o segredo se descobre. Se tira a massa oleosa, Descobre a parte espinhosa, Que nĂŁo deixa aparecer, A semente que germina E com o tempo determina, A nova planta nascer.


Lembrando a fruta cheirosa, Que a gente chama pequi, Comecei a refletir. Que fruta misteriosa? De repente vi chegar, Zefinha PA se banhar, Despida como nasceu., Olhei com toda cautela, Para ver no corpo dela, A fruta que AdĂŁo comeu.

Ela sem me perceber, Olhava para o poente, Mas logo ali de repente Mas viu e pode saber. Quem era e muito assustada, Tremendo e sobressaltada, Todo controle perdeu. Mesmo assim mostrou sorriso, Me lembrando o ParaĂ­so E a fruta que AdĂŁo comeu.


Cheguei para perto dela, Comecei a lhe tocar, Tive medo de pecar, Mas fui perdendo a cautela. Ela assustada me olhava E no seu corpo eu tocava E um tremor aconteceu. Eu perguntei sem maldade: Onde é que está de verdade? A fruta que Adão comeu?

Ela que estava com a mão, Bem colocada em sua frente, Disse: seja inteligente E faça qualquer ação! Eu senti nesse momento Que esqueci do Testamento, Meu corpo todo tremeu. Ela me olhava e sorria, Vi que a mão dela cobria, A fruta que Adão comeu.


E ali sem causar tormento Eu senti que a sedução, Abalou meu coração E eu mudei de pensamento. Estava em meu Paraíso, A trocar riso por riso Temendo perder a fé. Vi pela intuição, Vi fruta da perdição, Bem no colo da mulher.

Eu que nada entendia, Por ela fui abraçado, Nem estava acostumado, Só pensei que me perdia. Ela me deixou despido, Eu fui perdendo o sentido E em sua boca beijei. Senti seu corpo tremendo E sem querer mas querendo, Na fruta com a mão toquei.


E já tudo esclarecido, Eu tive um toque de amor E um sorriso sedutor, Me fez do mundo esquecido. Eu sem poder me conter, Nada mais pude temer, E assim tudo aconteceu. Perdi a minha estribeira, Comi pela primeira vez, A fruta que Adão comeu.

Dali por diante o tormento Me chega de vez em quando. As vezes fico pensando, Na história do testamento.. Mas fico a pensar comigo: Eu não mereço castigo, Porque não perdi a fé. Ache feio quem achar, O que nunca vou deixar, É de perseguir mulher. FIM


A fruta que adão comeu  
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