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Edição: Comunicação Abramus Redação: Comunicação Abramus e convidados Projeto Gráfico e Diagramação: Diego Paz Pauta e Revisão: Priscila Perestrelo e Laura Bahia Jornalista Responsável: Priscila Perestrelo

Notícias       

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Mercado „„…†‡  ˆ 

Artigo Especial ‰ †Š   ˆ   ‹    Capa Œ Ž 

Comunicação Abramus: Rua Castro Alves, 713 Aclimação - São Paulo/SP CEP: 01532-001 Telefone: +55 (11) 3636-6900

A Revista Abramus é uma publicação trimestral.

©2021 Abramus - Associação Brasileira de Música e Artes.

Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução parcial ou total sem autorização.


Em Alta €€’  ­Ž

Coluna Jurídica   “  ”

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Grandes Compositores  •ˆ  –

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Digital      ‘ 

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Notícias

         

O

mundo digital tornou mais fácil a produção e divulgação de músicas. As plataformas de música conquistaram a população e hoje se tornaram grandes meio oficiais de distribuição de música de artistas por todo o mundo. Mas é muito importante fazer todo o processo corretamente.

Esses códigos não são ISRC´S e não podem ser documentados pelo Ecad, ou seja, não tem validade no que diz respeito a arrecadação de direitos de execução pública. Os ISRC’s são gerados pelo Produtor Fonográfico, que pode ser pessoa jurídica ou pessoa física e a maneira correta de se gerar o ISRC é através da sua Associação. No Portal de Associados da Abramus é possível cadastrar obras e gerar o ISRC.

Muitos artistas, quando vão lançar as suas músicas nas plataformas, e não geraram o ISRC por qualquer motivo, como desconhecimento, tempo de execução do processo ou outra situação, se veem “tentados” a aceitar a criação de um código feito diretamente pelas agregadoras.

Consulte os tutoriais com o passo a passo disponíveis no nosso canal do YouTube.

  

       

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Campanha Artística Humanitária teve início em abril de 2020 e arrecadou mais de 30 toneladas de alimentos para os trabalhadores do mercado cultural. Além das doações em espécie, a iniciativa promoveu leilões com peças exclusivas de artistas. A última edição do Leilão dos artistas, realizada no dia 15/12/2020, teve a participação de nomes como Luan Santana, Linn da Quebrada, Fernandinho, Eduardo Dusek, MC Coringa, entre outros.

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A iniciativa da Abramus arrecadou mais de 30 toneladas de alimentos que foram distribuídos para 11 projetos nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre e Salvador. Entre técnicos de som, roadies, iluminadores, bilheteiros, carregadores, seguranças, músicos entre outras funções, foram aproximadamente 2400 famílias beneficiadas. Agradecemos aos artistas que participaram dessa empreitada junto conosco e as empresas D! Conexões Sociais, Mello Advogados, Abramus Digital, Tik Tok, FUGA Music e Trends Conference pelo apoio.       

Juntos, somos mais fortes!

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ABRAMUS PROMOVE DOAÇÃO DO GUARDA-ROUPA DE ZUZA HOMEM DE MELLO  

Para o Zuza, o músico tinha uma importantância fundamental na sociedade, como de fato tem.

 





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m dos maiores musicólogos e pesquisadores musicais do país, referência no Brasil e no exterior, Zuza Homem de Mello nos deixou em outubro do ano passado. “Ele morreu dormindo, de infarto, após termos brindado na noite de ontem todos os projetos bem sucedidos”, escreveu no Instagram Ercília Lobo, esposa de Zuza por 35 anos, em um post assinado pelos filhos e netos.

Autor de livros como Copacabana, a trajetória do samba-canção (1929-1958), A era dos festivais, uma parábola, e A Canção no Tempo (com o historiador Jairo Severiano), Zuza ajudou a contar a história musical do Brasil também em entrevistas, programas de rádio, shows e discos que produziu ao longo de sua trajetória.

Apaixonado por jazz, assistiu a performances de ídolos como Billy Holiday, Miles Davis, John Coltrane e Thelonious Monk. Na noite anterior, celebrava o término da biografia de João Gilberto. “Pra mim, existem duas palavras que definem o Zuza; música e risada, e o amor que ele tinha pela música era uma coisa incomensurável”, define Ercília Lobo, que é empresária e atuou como sócia-executiva e assistente do marido. "Eu e meus filhos pensamos em doar as peças de roupa do Zuza para os músicos, mas não sabíamos como fazê-lo. Ele ia querer muito que essas roupas chegassem até os músicos, uma categoria que ele respeitava e admirava tanto. Foi quando um grande amigo nosso, o Juca Novaes, que é músico e advogado de direitos autorais, me contou que a Abramus vinha promovendo várias ações em prol da categoria durante a pandemia, já que eles estão sofrendo demais, sem poder tocar. Fiquei muito feliz de ver a alegria com que a ideia da doação foi bem recebida na Abramus, pelo Roberto Corrêa de Mello. Aceitei na hora, era exatamente isso que nós queríamos”, conta Ercília. A Abramus abraçou imediatamente a causa e todas a peças foram catalogadas e doadas para o Sindicato dos Músicos de São Paulo (Sindimusp), uma iniciativa que já rendeu agradecimentos emocionados por parte de alguns

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beneficiados: "A gente fica muito feliz de ver que um desejo do Zuza pôde ser realizado. Ele tinha um respeito enorme pelos músicos, cada qual com a sua técnica, e amava todos. Para o Zuza, o músico tinha uma importância fundamental na sociedade, como de fato tem”.

Zuza Homem de Mello deixa ainda um acervo de 10 mil LPs, divididos entre álbuns de música clássica (cerca de 10%), música brasileira e jazz, em partes iguais. Se a quantidade impressiona, Ercília destaca o que de mais importante há nesse acervo:

"Não são apenas 10 mil LPs reunidos aleatoriamente, são 10 mil LPs escolhidos pelo Zuza, com a curadoria dele. Todos foram comprados porque ele gostava. Também não queremos que esse acervo vá pra casa de algum colecionador que o deixe trancado, entre quatro paredes. O Zuza sempre dizia que queria democratizar esse acervo para que principalmente os jovens tivessem acesso a ele. Por isso a gente acredita que o mais interessante é que a iniciativa privada adquira esse acervo e o disponibilize, mesmo que de forma digital, para quem quiser ouvir. É uma maneira de preservá-lo e também de dar acesso às capas, aos encartes, coisas que não existem mais nesse universo do streaming. Eu acho que tem muita coisa pra ser feita com esse acervo, ainda”, finaliza.


Notícias

    

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AUTVIS, Associação Brasileira dos Direitos de Autores Visuais, coligada á Abramus, passou a representar o legado de Lina Bo Bardi, arquiteta modernista ítalo-brasileira conhecida por ter projetado o Museu de Arte de São Paulo (MASP) e um dos principais nomes da arquitetura e design brasileiro.

Esta grande artista, que é a principal referência feminina na arquitetura, junta-se a grandes nomes representados pela AUTVIS, como Niemeyer, Kobra, Irmãos Campana, Pablo Picasso, Frida Kahlo, Andy Warhol, Alemão Art, Guto Lacaz, Le Corbusier, Salvador Dalí, Alexander Calder, Eduardo Srur e mais de 50 mil artistas nacionais e internacionais. A AUTVIS é responsável pela gestão coletiva dos direitos autorais de artistas plásticos, fotógrafos, escultores, ilustradores, arquitetos, designers, grafiteiros, etc, ou seja, garante que os direitos autorais destes artistas sejam respeitados e devidamente remunerados, fazendo com que todas as reproduções de suas obras sejam autorizadas antecipadamente e que não sejam alteradas nem usadas sem os devidos créditos. Além disso, cuida também do Direito de Sequência, que é o direito que o artista tem de receber uma porcentagem da revenda de sua obra.

As obras de Lina Bo Bardi são agora licenciadas pela AUTVIS tanto em território nacional, quanto internacional.

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Achillina Bo, mais conhecida como Lina Bo Bardi, nasceu em Roma em 1914 e cursou a Faculdade de Arquitetura da Universidade de Roma durante a década de 1930.

Em 1946, casa-se com o jornalista Pietro Maria Bardi e em outubro deste ano, o casal desembarca no Rio de Janeiro, Brasil. P.M. Bardi, ao lado de Lina, é convidado a estruturar e dirigir o Museu de Arte de São Paulo (MASP), motivo decisivo para a permanência dos Bardi no país. O casal instala-se em São Paulo, na década de 1950 e Lina realiza seu primeiro projeto construído: a Casa de Vidro, considerada ícone da arquitetura moderna. P. M. Bardi naturaliza-se brasileiro em 1951 e Lina, em 1953. Lina se interessa pela realidade e produção do Brasil vernacular. Em Salvador, Bahia, a arquiteta fundou e dirigiu o MAM-BA e foi responsável pelo projeto de recuperação do Solar do Unhão, além de organizar mostras e ministrar cursos na UFBA. Vive na capital baiana de 1959 a 1964, quando é obrigada a abandonar a cidade em função do Golpe Militar.

De volta a São Paulo, Lina dedica-se ao projeto da segunda sede do MASP, na Avenida Paulista. Concluída em 1968, a obra se tornou cartão postal da cidade. No final da década de 1970, projeta mais uma obra icônica: o SESC Pompeia, importante referência para espaços públicos de cultura e convivência no Brasil.

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Um dos últimos empreendimentos do casal foi a criação, em 1990, do Instituto Quadrante, que passa a se chamar Instituto Lina Bo e P. M. Bardi em 1993, um ano após a morte da arquiteta. Bardi morreu em 1999, aos 99 anos, tendo dirigido o MASP por mais de quatro décadas.

     • Casa de Vidro, São Paulo/SP, 1951. • Museu de Arte de São Paulo, São Paulo/SP, 1968. • Casa do Chame-Chame, Salvador/BA, 1958. • Casa Valéria Cirell, São Paulo/SP, 1958. • Solar do Unhão - Museu de Arte Popular, Salvador/BA, 1963. • Igreja do Espírito Santo do Cerrado, Uberlândia/MG, 1976. • SESC Pompéia, São Paulo/SP, 1977/1986. • Teatro Polytheama, Jundiaí, São Paulo/SP, 1986. • Teatro Oficina, São Paulo/SP, 1984. • Nova Prefeitura de São Paulo, São Paulo/SP, 1990/1992. ©       

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Mercado

  ­ €‚€ƒ  Œ “—˜™     que o segmento de Serviços Digitais teve uma representatividade maior em 2020 em comparação a 2019 para o Ecad e chegou a 20% da arrecadação total. Mas isso só aconteceu porque todos os shows e eventos foram cancelados por conta da pandemia e os estabelecimentos comerciais ficaram fechados por vários meses.        Ž          

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A questão é que ainda precisaremos avançar em negociações importantes com as plataformas digitais. De forma geral, essas empresas possuem modelos de contratos internacionais e, ao iniciar as negociações, o Ecad mostra a essas empresas a necessidade de se adequar à legislação local e ao que é estabelecido no nosso mercado para proteger os direitos autorais no país, o que demanda tempo e entendimento.



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s últimos cinco anos já indicavam que o digital ocuparia mais espaço na indústria da música. Afinal, o mundo e os negócios em constante evolução demandaram a construção desse cenário. No ano passado, com a chegada da pandemia do coronavírus, todos tiveram de se adaptar às novidades que o mercado exigia. Sob o comando das associações de música, o Ecad precisou intensificar as negociações com todos os clientes, principalmente com as novas plataformas digitais que passaram a operar no Brasil, e redobrar o esforço para garantir a arrecadação dos direitos autorais dos segmentos de execução pública de música. E todo esse empenho precisará continuar em 2021.

A expectativa para 2021 é ter algumas negociações bem encaminhadas para que o digital possa seguir com um bom crescimento na arrecadação total. Por outro lado, temos segmentos que também devem ser acompanhados com atenção este ano. As TVs, tanto aberta quanto por assinatura, são um exemplo de segmento com sólida participação no trabalho realizado pelo Ecad.

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O streaming é uma realidade para os amantes da música, mas é importante dizer que, em relação aos direitos autorais, ainda temos uma estrada a percorrer à frente. De fato, vimos

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Além disso, o segmento de Clientes Gerais – que engloba estabelecimentos com sonorização ambiental como bares, restaurantes, hotéis, academias, supermercados, shoppings, clínicas e outros – também pode servir como exemplo. Mesmo com o fechamento do comércio por vários meses ao longo de 2020, esse segmento manteve sua força e representou 17,5% da arrecadação total. Além do grande desafio de manter a arrecadação durante a pandemia, também enfrentamos outras adversidades ao longo do ano passado. Em 2020, a gestão coletiva da música precisou fazer uma mobilização nacional em prol da defesa dos direitos autorais. Contou com o apoio da classe artística nos embates para restabelecer o pagamento de direitos autorais pelo setor hoteleiro, que havia sido alterado pela MP 907, e contra as propostas da MP 948. Tivemos algumas batalhas no Congresso Nacional para manter a arrecadação com todos os direitos assegurados. É sempre importante reforçar que a proteção ao direito autoral é garantida pela Constituição Federal e assegurada pela legislação que rege o tema no país (Leis 9.610/98 e 12.853/13), o que permite que os criadores e demais artistas possam viver da sua arte. Nossa previsão é que 2021 ainda será um ano difícil, mas com um ensaio de retomada. Os shows e eventos ainda não devem ser liberados no primeiro semestre em razão da pandemia, mas esperamos que os segmentos de TV e Rádio se mantenham com bons números e que aconteça uma recuperação gradativa em Cinema e Clientes Gerais. Se estas estimativas se concretizarem, nossa arrecadação pode voltar a crescer neste ano e, consequentemente, também a distribuição de direitos autorais, destinada a compositores, intérpretes, músicos, editoras e produtores fonográficos, mas essa é uma aposta otimista!

Diariamente, nos esforçamos para que nossos clientes, que são as pessoas e empresas que usam música em seus eventos, negócios e estabelecimentos, reconheçam que ela é um produto e que seu uso gera um pagamento, como acontece com o uso de outros produtos. O combate à inadimplência se mantém constante para garantir aos profissionais da música o devido pagamento. O Ecad atende a todas as localidades do país de forma justa, buscando sempre o diálogo para entender a realidade de cada cliente e viabilizar o pagamento do direito autoral. Essa tem sido uma luta permanente e necessária.

A arrecadação do Ecad evoluiu e cresceu nesses últimos anos porque conseguimos fazer com que grande parte do mercado compreendesse a importância do direito autoral. Esse trabalho é permanente e desafiador. A música é um dos principais atrativos do nosso país e uma das mais importantes formas de expressão do nosso povo. Ela também é responsável por movimentar uma enorme cadeia produtiva, com milhares de profissionais que vivem dela e precisam ser remunerados como em qualquer outra profissão. Toda a gestão coletiva segue unida e firme no propósito de permitir que a música e seus profissionais sejam reconhecidos e valorizados.

A expectativa para 2021 é ter algumas negociações bem encaminhadas para que o digital possa seguir com um bom crescimento na arrecadação total.   

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Artigo Especial

   ­Ž  “     ”  •’ ‘ ‘–’—–˜  ’  …  não quer cantar em vez de dançar?” (Ouço a risada de Zuza nesse instante).

 





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u tenho sempre duas ou três perguntas a fazer a Zuza Homem de Mello todos os dias. As de hoje, enquanto lia a biografia de Ella Fitzgerald escrita por Geoffrey Mark Fidelman, era, primeiro, saber qualquer opinião sua sobre os anos da cantora na gravadora Decca, entre 1935 e 1955. Anos conturbados, mas divertidos, em que Ella surgia em plena era do swing cantando na orquestra do baterista Chick Webb depois de ser desprezada por Fletcher Henderson: “Não vejo nada demais nessa mulher”, ele disse. Ella foi participar de um concurso de dança no Apollo Theater mas travou e o apresentador quis saber, com pena: “Você

E outras perguntas chegam assim que o agente Norman Granz surge na história de Ella para tirá-la da Decca e levá-la para o seu próprio selo, o fenomenal Verve. Afinal, Zuza, Granz era um gênio ou um aproveitador? Ou os dois? O que você sabe sobre ele? Engoli a dúvida que quase me fez ligar para Ercília (que loucura: pensar em ligar numa manhã de domingo para saber se Zuza pode falar pela voz de Ercília) e torci pela idoneidade do autor do livro. Era o que me restava. Segui lendo as peripécias de Ella quando Zuza se aproximou mais uma vez dizendo que Peggy Lee, para ele, era a ou uma das grandes cantoras daqueles anos. Ele havia dito isso em um de nossos encontros no Bourbon Street, do amigo Edgar Radesca, e não me recordo se falou “a maior” ou “uma das maiores”. De qualquer forma, coloquei Peggy Lee para cantar Got You on My Mind enquanto virava mais uma página da biografia, me segurando para não ligar para Zuza e dizer: “Peggy Lee não chegava aos joelhos de Miss Fitz, Zuza.” (Que gargalhada boa ele volta a dar).

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Assim que Zuza se foi naquela manhã de 4 de outubro de 2020, um domingo, eu entendi quase em desespero o quanto sua família perderia. Ercília, sua mulher, só chorava. Depois, em um desses atos ególatras que as mortes provocam, tentava entender o tamanho do amigo que eu havia acabado de perder. Mas, alguns dias adiante, veio o terceiro instante, vivido depois do assombro da morte e de seu consequente luto e escolhido com um processo de decisão racional: afastar-se de quem se foi para evitar sofrer com a ausência ou reencontrá-lo para uma convivência silenciosa e produtiva? Claro que escolhi o segundo.

As pessoas precisam aprender a ouvir a música.      Sem interlocutores do tamanho de Zuza, algo que não se produzirá nem dentro nem fora das universidades, fiz um mergulho nos livros de nossos assuntos em comum para senti-lo por perto e segui pautando minhas reportagens para o jornal em que escrevo ouvindo sua voz doce e generosa. Quer ver como funciona?


Venho fazendo a lista dos nomes tentando entender o que realmente vale a pena ser indicado aos leitores e o que não passa de “fake cat”, uma gente jovem e elegantemente cool levantada por revistas que os adoram, como Jazzwise, Down Beat e Jazz Times, e que fazem produtores e jornalistas brasileiros correrem atrás de suas pistas, como cães bem treinados. Chego então à incontornável cantora de Charlottesville, na

Virgínia, chamada Veronica Swift, de 26 anos. Ela me soa incrível, um ponto fora da curva em tudo o que faz, ‘bebopeando’ como poucos ousam fazer em pleno 2021. Mas Zuza me olha em silêncio e depois diz: “Pergunte a si mesmo o porquê. Ao ouvir um disco, pergunte qual a razão de sua existência. O que o artista fez de especial ao gravá-lo.” Ele disse isso pela primeira vez quando estávamos no hall do Espaço Itaú de Cinema, na Rua Augusta, para alguma estreia da qual me esqueço, e segue me dizendo isso todos os dias. Uma frase de difícil aplicação e, claro, filtrada por vias extremamente pessoais, mas de uma indiscutível capacidade que os cristãos chamariam de “livramento”. De fato, Veronica é incrível por ser Veronica, ou por lembrar um pouco do que Ella Fitzgerald fazia desde 1935? Não está sendo fácil, Zuza, confesso que a moça parece mesmo ir além. E Zuza devolve com outra de suas frases: “Ouça. As pessoas precisam aprender a ouvir a música. Parar tudo o que estão fazendo e ouvir apenas a música.” É preciso ouvir Veronica mais e mais sem pressa nem necessidade de decidir nada. Apenas ouvi-la e deixar o coração sentir.

Viver ao lado desse homem que se foi aos 87 anos enquanto dormia depois de finalizar uma biografia de João Gilberto, alivia sua partida, mas jamais substitui sua presença. Sua voz, em geral, vem para dizer o que já havia dito quando precisamos ouvi-lo ou o que entendemos que certamente diria. Mas há muita vida e muitas histórias do jazz, da bossa nova e dos festivais das quais jamais saberemos. Wynton Marsalis falou algo que nunca disse sobre a morte de um brasileiro na semana em que Zuza partiu: “Ele foi justificadamente o mais respeitado jornalista e musicólogo brasileiro especializado em música brasileira e jazz. Ele era um homem de espírito e graça incomuns, de alma e de engajamento com as possibilidades humanas através da arte da música. A curiosidade de Zuza transcendeu todas as fronteiras. Ele era a própria excelência.” Ah, Marsalis. Não era hora de falar isso, Zuza, mas acabo de me lembrar de Don Byron chamando os defensores da tradição dos anos de 1990, a turma bem vestida de Marsalis, de “jazzistas Armani”, lembra disso? (Eu nem acabo de dizer a frase e Zuza gargalha feito uma criança).

 



Desde o começo de 2020, o jazz sumiu dos jornais brasileiros. Se usávamos os festivais para falar deles, perdemos essa linha de transmissão e nem percebemos. Claro, o mundo e nós mesmos estávamos preocupados com coisas mais importantes como, por exemplo, sobreviver. Mas não é isso que, como dizia Zuza, o jazz é? A própria sobrevivência? Então, entendi que era o momento de buscar as apostas para o jazz de 2021 e sugeri uma matéria para o jornal. Um trabalho mais profundo de identificar esses nomes, levantar suas histórias e entrevistar alguns deles sem vender, e aí recorro a Zuza, gato por lebre (o velho ditado tem tudo a ver com jazz. “Cats” era a forma que chamavam os ases do bebop, não é mestre?).


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Capa

H E R M E T

Pascoal

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Inspiração e criatividade:

PRESTES A COMPLETAR 85 ANOS, HERMETO PASCOAL, MESTRE DOS SONS, CONVERSOU COM A REVISTA ABRAMUS  

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ompositor, arranjador e multi-instrumentista, Hermeto Pascoal, que em junho próximo completa 85 anos, mantém a mesma energia que o levou a ser considerado um dos maiores expoentes da música brasileira e internacional. Dono de uma obra absolutamente original, criou um método próprio que, generosamente, compartilha com todos os músicos que tocam ou já tocaram em seu grupo ao longo de décadas. Adepto de que a inspiração e a criatividade antecedem a teoria, Hermeto, também conhecido como o “Bruxo’, por suas alquimias e proezas musicais, acredita que a criação é fundamental para qualquer atividade humana. Para ele, a música é divina, e deve ser compartilhada com todos para felicidade geral, como nos contou em entrevista exclusiva para a Revista Abramus. Hermeto, você é conhecido por ser um multi-instrumentista. Toca piano, flauta, escaleta e sanfona. Mas qual foi o seu primeiro instrumento, o que o levou para a música?

Olha, eu não sinto a diferença das idades, eu só sinto se for subir uma escada. Na música, Nossa Senhora... por música eu subo qualquer escada!

Antes de me levar para a música, eu tive a intenção, a inspiração... De cara digo para você: eram coisas que eu ouvia no chão, em qualquer lugar. Eu era pequenino, tinha sete, oito anos de idade. Mas o que me lembro primeiro foi de um pife, aquela flauta do nordeste feita de bambu, que a gente fazia ali no mato, do nosso jeitinho mesmo. Esse foi o meu primeiro instrumento, quando eu descobri que era músico.

O Quarteto Novo, de 1967, deixou uma marca muito importante na música instrumental brasileira. Conta um pouco como o grupo foi formado. O Quarteto Novo era formado só por grandes músicos: Theo de Barros, Heraldo do Monte, Airto Moreira, todos músicos de primeira linha, músicos bacanas. Gostaram de mim, do meu trabalho, do meu jeito de tocar, e me convidaram para fazer parte do grupo. Porque era Trio Novo, não era Quarteto. Eu me descobri através do Quarteto Novo porque eu senti logo de cara que a música é universal. Não adianta você querer fazer uma coisa diferente, você faz uma coisa quase diferente que é semelhante. Ela é semelhante, porém com a personalidade de cada coisa, entendeu? O Quarteto Novo tem uma personalidade maravilhosa, cada músico com a sua, e a gente transformou aquilo em algo eternamente novo, não é coisa do passado, porque o passado é a coisa que sumiu, que não tem mais. A minha música está sempre comigo, em qualquer tempo, nem preciso chamar, ela é natural para mim.

Como foi que você descobriu que os objetos também podem fazer música? Tinha meu avô, cujo nome era Sena das Bolachas, porque ele dava muita bolacha para as crianças. Ele era o principal ferreiro daquela região de Alagoas, da Lagoa da Canoa, ele fazia e consertava as enxadas do povo. E qualquer coisa que ele batia enquanto trabalhava, para mim era um som, porque eu não aprendi nada, já nasci com a minha intuição assim. Ele me dava uns pedaços de ferro para eu jogar fora e como eu gostava, nem sabia dizer que era música: eu ficava lá com meu avô por causa daquilo, tentava ajudá-lo muitas vezes a mexer no fole, que era para acender o fogo. Eu, com oito anos, não tinha força para levantar o fole, mas eu gostava por causa do som que ele fazia. Então eu levei aqueles pedaços de ferro e fui pendurando no varal de roupa de mamãe. Comecei a bater um no outro, a criar coisinhas, musiquinhas, nada para decorar, tudo na hora. E aí mamãe me viu tocando, ficou achando que eu estava doido, foi correndo falar com meu avô, que veio ver e quase chorou. Ele disse para mamãe: “É música, ele está fazendo música”.

Como surgiu o apelido de O Bruxo? Você gosta de ser chamado assim? Essa palavra Bruxo foi uma dádiva, porque essa grande jornalista, Ana Maria Bahiana, que na época morava aqui em Bangu (bairro do Rio de Janeiro), veio me entrevistar, e quando escutou algumas coisas da minha música, os shows que eu fazia, ela me chamou de Bruxo. Eu me surpreendi, porque na minha infância a minha avó sempre dizia, quando a gente fazia qualquer coisa errada, - cuidado, a bruxa vai chegar. Não tive medo, nem na época eu tive medo, imagina agora... Porque para a Ana, a pessoa que faz bruxaria é

Aos 84 anos você ainda compõe com a mesma energia?

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sou uma sequência no mundo, eu faço as coisas, eu vou fazendo, vou criando... Então, eu percebia a musicalidade de cada um, eu nunca dizia para eles “vocês façam assim”. Quando eu fazia um arranjo, tudo escrito, eu dizia para eles “olha, toquem bem à vontade”. Eu não botava aquelas coisas que se põem na teoria, nuances, acentuação nas notas, nada disso, que era para eles tocarem à vontade. Aí alguns me perguntavam – mas como? Isso não está escrito - aí, eu respondia “está escrito com a teoria de vocês, a minha teoria não existe”. Chama-se criar. Eles gostavam de não serem forçados a fazer como eu gosto, nem serem forçados a fazer todos a mesma coisa. Pode pegar cada um deles, o Carlos Malta, o Nivaldo Ornelas, o Mauro Senise, qualquer um deles: cada um tem a sua personalidade própria.

a pessoa inteligente, aquela pessoa que transforma as coisas que faz, da criação. E O Bruxo ficou aqui até agora, aos 84 anos. Você criou alguns conceitos que revolucionaram a forma de ouvir e sentir música. Um deles é a Música da Aura. Explica para a gente o que significa esse conceito. O som da aura, a intuição, a inspiração, a aura, é o que eu descobri quando era criança. A mamãe ficava conversando com as pessoas, as amigas dela, e eu ficava do lado, deitado no chão. Tinha uns sete, oito anos, e ficava dizendo para mamãe – olha, ela está cantando. Quer dizer, eu sentia e sinto hoje, que todo mundo está cantando. A nossa fala é como os passarinhos. Nós somos pássaros, nós somos árvores, nós somos várias coisas. E quando eu comecei a evoluir mais nos instrumentos, aí que fui vendo que era verdade mesmo. Eu só falei disso depois que eu gravei pela primeira vez “O Som da Aura”. E o que é o Som da Aura? Cada um de nós, como eu falei, é dono da sua própria música. Eu pego tudo o que eu falei aqui e faço o Som da Aura de tudo... A música é minha, se eu lhe entrevistar, a música é sua. E agora, de alguns anos para cá, isso está começando a explodir no mundo, mas se for querer fazer isso usando apenas a teoria, se machuca. Pode pegar a caneta, o papel para escrever, mas se não sentir aquilo legal, profundamente, não acontece.

A chegada da pandemia foi de alguma forma produtiva para você?

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Deus só deixa acontecer as coisas que Ele quer. Então, Deus está dando uma lição de vida para o mundo. O mundo está aprendendo. Eu acho isso muito positivo para o mundo, principalmente para aquilo que deveria estar acontecendo, mas não está. Deus não está dormindo, está acordado. Deus fala sempre - tem o céu aqui, mas se eu brincar tem o inferno aqui, também. Eu digo para Deus, e Ele ri – “pode me levar para o inferno, eu vou lá, a única coisa que eles podem fazer comigo é música...”

A digitalização dos meios de gravação permitiu que muita gente pudesse produzir música em casa. O que você acha desse novo cenário?

Quais os planos para 2021? Olha, eu penso até se Deus quiser me dizer quando é que eu vou voltar para lá, pro céu. No dia em que eu fizer plano para alguma coisa, acho que esse plano estará sendo para a minha morte. Não posso pensar no amanhã, só no agora. Como eu tenho certeza de que Deus existe – se Ele não existisse, tudo bem – eu digo para vocês: não existe pânico, não existe ficar pensando nisso e naquilo, porque pensamentos só temos os que ficam dentro da gente. Na minha cabeça, nada é premeditado. Porque quem premedita é egoísta.

Tem pessoas que não tem nem veia musical, praticamente nada musical. E o só teórico qualquer teórico faz, qualquer cara escreve e aí é só mexer no computador que ele vai fazendo o que se quer, por exemplo, se eu quero nota tal ... De primeiro eu aprendi a transportar os instrumentos, cada instrumento é no seu tom. O que acontece com esse negócio de computador é que está lá escrito a palavra saxofone: você aperta o botão e sai o saxofone, com aquela nota que você quer. Então o cara é só um teórico, não tem tempo nem para sentir nada, porque ele fica ligado só no saber. Isso é o saber primeiro, criatividade zero.

O que um jovem aspirante a músico deve fazer hoje para ter sucesso em sua carreira?

Os músicos que passam pela sua banda relatam que essa experiência foi fundamental em suas carreiras. Existe um método de ensino Hermeto Pascoal?

O maior sucesso é cada ser humano ser amado no que quer fazer. O que eu quero dizer é: se ame. Ame, ame-se sempre, tenha consciência das coisas, porque sendo assim você não depende do seu sucesso.

Meu método pode ser chamado de Vento, Pássaro Voando, Chuva, Mar, essas coisas, porque não para. Eu

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O maior sucesso é cada ser humano ser amado no que quer fazer.

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Digital

MÚSICA DIGITAL E PANDEMIA           

   Graças as plataformas de streaming, sejam elas de vídeo ou de música, a distância entre o artista e o seu público diminuiu. O crescimento no número de usuários nesses serviços já era uma constante, mas a situação da pandemia contribuiu para uma aceleração nesse processo. De acordo com as informações dos arquivos de distribuição das lojas de música on-line, o número de usuários do modelo free do Spotify, por exemplo, aumentou perto de 30% no período de março a novembro de 2020. E o crescimento na modalidade paga superou 13% no mesmo período. No momento onde temos uma retração econômica fortíssima, esses números são impressionantes.  



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pandemia do COVID 19 parou o mundo em 2020. Mas muito mais do que isso, ela mudou comportamentos. E todos estão buscando a melhor forma de se adaptarem a essa nova realidade.

Nas mais diversas áreas, e ao redor do mundo, muitos projetos foram colocados no modo “on hold”. A grande maioria dos setores da economia sofreram, ainda sofrem. Com a indústria da música não foi diferente. Ainda vamos demorar para “voltar aos trilhos”. Com as suspensões de apresentações ao vivo, sejam os grandes shows ou apresentações em bares e casas menores, o contato do artista com o seu público foi afetado de forma consistente. E na busca por alternativas, afinal as crises também geram oportunidades, outras modalidades de consumir música ganharam mais força.



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As plataformas de vídeo também tiveram um aumento significativo de assinantes nesse período. No Brasil, o número de assinantes da Netflix já superou os de serviços tradicionais de TV por assinatura. Essa inversão na liderança dos serviços já acontece em outros países, como nos EUA, mas com certeza foi incentivada por aqui devido a pandemia.

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O Youtube também viu os seus usuários migrando do celular, tablet e computador para outros aparelhos como Smart TVs, Video Games, etc onde a experiência de consumo é feita em tela maior. O fenômeno das Lives, especialmente no Brasil, contribuiu para essa mudança, uma vez que pessoas passaram a se juntar na frente da TV para acompanhar na plateia do sofá da sala o “show” do seu artista preferido. De uma forma diferente da habitual, a música continuou sendo consumida nesse período possibilitando aos artistas lançarem novos produtos e se manterem conectados, ainda que virtualmente aos seus fãs. Importante fazer uma menção a como as plataformas digitais são democráticas, uma vez que permitem que os artistas, famosos ou não, dos mais diferentes gêneros e ritmos, divulguem seus trabalhos. E com toda essa música sendo consumida no ambiente digital, como ficam os direitos autorais de todos os envolvidos na cadeia produtiva da música? É muito dinheiro? São milhões de “plays” e de “streams” e as perguntas e as dúvidas se acumulam. Além das lojas digitais de música, novos integrantes passam a fazer parte deste processo, como as agregadoras ou distribuidoras. E como entender o papel de cada um nessa nova complexa dinâmica? As tradicionais gravadoras musicais, passaram a ter um novo concorrente para o mercado digital, que são as agregadoras ou distribuidoras de conteúdo. Assim como as gravadoras, os agregadores distribuem o conteúdo (fonogramas) para as lojas ou plataformas. E o que é distribuir o conteúdo? Significa colocar esse conteúdo nas lojas de música, de forma a que as músicas estejam disponíveis para serem consumidas por streaming ou download. A divisão dos royalties gerados pelo consumo da música nas plataformas digitais se dá, na maioria dos casos, da seguinte forma: 30% das verbas ficam com a plataforma como lucro, 58% com a parte conexa (gravadora ou com a agregadora) para a distribuição dos valores do fonograma, e os 12% restantes ficam para o pagamento da parte autoral, destinada aos autores, versionistas e as editoras musicais.

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E são nesses 12% que os compositores, tão afetados pela pandemia e pela falta de shows, estão tendo algum tipo de compensação e uma nova fonte de receita. Uma parte do valor chega aos compositores através do ECAD e outra parte, a maior dela, vem através do trabalho da Editora. Neste contexto, a Abramus também expandiu os seus negócios com a Abramus Digital, que atua há 10 anos para que Editoras Musicais recebam a sua fatia do que é consumido no ambiente digital. A Abramus Digital investiu em muita tecnologia, desenvolvendo um sistema próprio e robusto para atender as crescentes demandas deste serviço, integrado com uma com soluções de Business Inteligence – BI, que permite a análise específica e estratégica dos detalhes que envolvem o consumo de música no ambiente digital. O trabalho foi desenvolvido sob medida e de forma muito criteriosa, de acordo com a necessidade de cada editora, para atender as necessidades de um mercado cada vez mais exigente.

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A Abramus Digital investiu em muita tecnologia, desenvolvendo um sistema próprio e robusto para atender as crescentes demandas (...)

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Com quase 5 milhões de obras na base de dados, a empresa atualmente trabalha com a representação de mais de 150 editoras nacionais e internacionais, incluindo Kobalt, BMG, Downtown, Rocking Gorillas, WS, entre outras, além de contratos diretos todas as grandes plataformas em operação no Brasil, como Apple Music, Spotify, Youtube, Facebook, Amazon e etc.

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É importante ressaltar que a Abramus Digital não é uma Editora e não atua como tal. O trabalho é feito em parceria com as editoras filiadas com a prerrogativa para representá-las, gerindo, arrecadando e distribuindo direitos autorais decorrentes do consumo do repertório no ambiente digital de forma simples e transparente. A Editora autoriza a Abramus Digital a representar seu repertório junto as plataformas digitais e todo processo se inicia através do contrato.

Esse modelo, além de garantir a autonomia e a independência das editoras, gera modernidade ao processo e permite que mais e mais autores sejam beneficiados através dessa relação das editoras com a Abramus Digital. Além do trabalho envolvendo todo o fluxo da operação, a Abramus Digital também fornece relatórios, informações detalhadas e estratégias para melhorar a operação das editoras.

Em pleno crescimento, a distribuição de receita nos anos de 2019 e 2020 chegaram a quase 60 milhões de reais. E as perspectivas para o ano de 2021 estão em torno de 35 milhões de reais. Em tempos de crises, de novas possibilidades e de uma busca por transparência e soluções descomplicadas, a Abramus Digital têm se mostrado uma excelente opção para administração de música no ambiente digital.

O mercado digital não é para aventureiros. A Abramus Digital se preparou, estudou as demandas do mercado e investiu pesado em tecnologia para entregar o que existe de melhor para seus clientes.   

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Em Alta

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banda Blindagem pode ser considerada a cara paranaense do rock. Fundada em 1975 pelo atual diretor vice-presidente da Abramus, Paulo Juk, tornou-se a banda mais conhecida do Paraná ao longo dos anos. Foi a primeira do Estado a conseguir destaque nacional, com sucessos tocando nas rádios de todo o país e shows nos principais programas de televisão da época. Com sua própria linguagem e estilo, conquistou fãs de várias gerações, que continuam prestigiando a banda onde quer que ela toque.

Em 1981, na 1º Festa Nacional da Música, realizada em Canela (RS), lançou o seu primeiro LP “Blindagem” pela gravadora Continental, com uma proposta em defesa da ecologia. O trabalho autoral foi fruto em parte da grande amizade de Ivo Rodrigues com o poeta Paulo Leminski e outras músicas compostas pelos demais integrantes da banda. Além do trabalho autoral, houve uma releitura de “Berço de Deus” (José Rico e Dino Franco), lançada pela dupla Milionário e José Rico. A gravação teve a participação de Almir Sater e acabou nas paradas de sucessos das rádios AM do Brasil. Ao mesmo tempo, a música “Marinheiro” (Ivo Rodrigues e Paulo Leminski) despontava com ótima execução nas FMs.

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Com a boa aceitação, a banda passou a ser convidada a participar de grande parte dos da época, como Chacrinha, Sergio Malandro, Silvio Santos, Ratinho, Bolinha e Perdidos na Noite. E não parou mais! Vieram novos lançamentos e projetos, como espetáculo ao vivo com a Orquestra Sinfônica do Paraná e regência do Maestro Alessandro Sangiorgi. Neste projeto executavam sucessos da banda e outras obras, como a “5º Sinfonia de Beethoven” com arranjo do guitarrista Steve Vai, e “Trenzinho Caipira” com um arranjo que aos poucos transforma a obra de Heitor Villa-Lobos na música “Lá Vai o Trem”, de autoria da banda. Em 2016, em uma reunião de diretoria da Abramus, Paulo Juk convida Roberto Menescal e Danilo Caymmi para participar de um evento da Blindagem com a Chamber Rock Orquestra, em Curitiba, mesclando MPB com Rock and Roll. Foi mais um espetáculo inesquecível. Em 2021, o primeiro LP lançado pela Banda Blindagem completa 40 anos. Para comemorar esta data, a banda formada por Paulo Juk, Rodriggo Vivazs, Pato Romero, Paulo Teixeira e Alberto Rodriguez, prepara uma série de eventos e campanhas para o público que sempre os acompanhou e para os novos que surgem a cada dia.

 

Estão previstos os lançamentos do LP Blindagem remasterizado e de toda discografia da banda em CD, o livro “Blindagem: Muito Além do Silêncio” e um álbum duplo com músicas inéditas e do CD “Rock Pinhão”, com homenagens a vários autores paranaenses com as músicas em nova roupagem. Também lançarão a cerveja Blindagem Stout Pinhão e peças como camisetas, canecas, máscaras e cartão Music Card. O bom Rock and Roll está de volta.

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Coluna Jurídica

ˆ ˆ ‚™ ” … no meio autoral. A dúvida trata-se da necessidade ou não de se registrar uma obra autoral, como por exemplo, a composição de uma música.

 





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rezado associado e estimada associada, na coluna jurídica de hoje, discorrerei acerca de um tema que, ao mesmo tempo que é de conhecimento de muitos, também é de desconhecimento de milhares de associados e de pessoas envolvidas na cadeia da produção artística nacional.

Falaremos, portanto, sobre como se dá a arrecadação e a distribuição dos valores referentes ao direito autoral e quais são os passos que um titular deve seguir para receber os valores que lhe competem. Contudo, antes de falarmos sobre a arrecadação e a distribuição do direito autoral a que cada titular tem direito, esclarecermos, muito brevemente, dúvida recorrente

O ordenamento jurídico brasileiro é muito claro no sentido de que não há a necessidade de se registrar uma obra autoral para que ele tenha a devida proteção legal. Todavia, sempre recomendamos ao artista que registre a sua obra em algum órgão público, como a Fundação da Biblioteca Nacional. Assim fazendo, o titular de direito autoral terá um forte indício a seu favor, de maneira que haverá uma prova concreta e demonstrável que ele realmente é o titular da obra. Demonstrará que foi ele foi quem gerou determinada obra. Por esta razão, apesar de não ser obrigatório o registro, a recomendação é para que o titular do direito autoral proceda ao registro de sua obra. Superada a questão do registro, o segundo passo é o titular do direito autoral se filiar a uma das associações do Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), a exemplo da Abramus. Será tão somente após sua filiação a uma das associações, que o titular poderá receber valores referentes ao seu direito autoral decorrentes de obras suas que tenham sido ou que serão tocadas publicamente.

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Com efeito, o titular do direito autoral terá direito ao recebimento de valores pagos pelos usuários de obra. São exemplos de usuários: as emissoras de rádio e televisão, os hotéis, os motéis, as academias, os restaurantes, os bares, as festas de casamento e todo e qualquer lugar que publicamente transmitir a obra do titular.

O valor que o Ecad arrecadará junto a cada usuário deverá ser de acordo com o regulamento interno do próprio Ecad...

Além dos usuários acima mencionados, por força de uma decisão do Superior Tribunal de Justiça, os provedores de internet e as plataformas de música digital também passaram a ser obrigados a pagar direitos autorais por execução pública. Logo, os principais usuários deste meio, como YouTube, o Spotify, Deezer, ITunes, dentre outros, passaram a ter a obrigação de pagar direitos autorais pela execução pública das obras tocadas em seus aplicativos. Pode-se notar que são inúmeras as fontes pagadoras de direito autoral.


Porém, para que o titular receba os valores de seus direitos, é necessário que esteja associado.

O valor que o Ecad arrecadará junto a cada usuário deverá ser de acordo com o regulamento interno do próprio Ecad, regulamento este que é aprovado pelas associações que o compõem.

A partir do momento em que o autor, os músicos acompanhantes, o editor, ou produtor fonográfico decidem se filiar a uma associação vinculada ao Ecad, eles outorgarão mandatos, verdadeiras procurações, para que estas associações os representem.

Cada usuário tem uma modalidade de pagamento. Por exemplo: as emissoras de televisão pagam um percentual sobre sua receita; já as casas de show, pagam um valor fixo por metro quadrado; e assim por diante.

A partir do momento em que o autor, os músicos acompanhantes, o editor, ou produtor fonográfico decidem se filiar a uma associação vinculada ao Ecad, eles outorgarão mandatos, verdadeiras procurações, para que estas associações os representem. De modo que, não apenas receberão os valores de direitos autorais que possuem direito no Brasil e no exterior (por força de convênios internacionais mantidos pelas associações com entidades congêneres), como também contarão com uma sólida e abrangente proteção jurídica, na defesa de seus direitos, em especial em indesejadas situações em que há inadimplências por parte daqueles que têm o dever de pagar direitos autorais. Até a próxima coluna!

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Aqueles que desconhecem o sistema de arrecadação e distribuição de direitos autorais no Brasil, que é um dos mais, se não o mais, organizado do mundo, especialmente por ter uma arrecadação centralizada, o questionamento principal que geralmente é feito, reside na seguinte pergunta: qual o benefício que eu, titular de direito autoral, terei em me filiar a uma associação, como por exemplo a Abramus?

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Grandes Compositores


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esde o lançamento de seu primeiro LP, em 1973, com apenas 21 anos, Raimundo Fagner vem imprimindo seu estilo personalíssimo à MPB. Artista de múltiplos talentos, colecionador de sucessos, vendedor de milhões de discos a partir da década de 1980, Fagner herdou o dom para a música do pai, Youssef Fares Haddad Lubous, que foi cantor de rádio no Líbano, antes de migrar para o Brasil. Graças ao irmão Fares Cândido Lopes Fares, foi apresentado, ainda bem menino, ao repertório de grandes cantores da Era do Rádio.

“A convite do meu parceiro e amigo Paulinho Tapajós fui à terra de seu pai, Paulo Tapajós, um pioneiro do rádio brasileiro. Foi um dos dias mais emocionantes da minha vida, ser homenageado por uma multidão cantando “Mucuripe”, à porta da casa dos Tapajós”, relembra Fagner.

Com tantas canções de fora da primeira seleção, valeria dar continuidade ao projeto? “Quando tínhamos dificuldade de definir alguma canção, pela quantidade e qualidade do repertório, ficava ainda mais a impressão entre nós de que valeria à pena fazer um segundo trabalho”.

É uma homenagem ao meu irmão. Eu devia esse disco.

Em 2020, 47 anos depois da estreia fonográfica, Fagner, nascido na cidade de Orós, interior do Ceará, foi buscar em sua memória afetiva inspiração para o álbum Serenata (Biscoito Fino), lançado no final do ano passado. Recebido com elogios pela crítica e pelo público, o projeto está intimamente conectado às suas primeiras lembranças e influências musicais. “Meu irmão Fares foi o grande seresteiro de Fortaleza, me criei ouvindo-o cantar com Evaldo Gouveia, grande compositor da MPB que era nosso vizinho e afilhado de meus pais. Na minha infância eu ouvia música de adulto, grandes seresteiros, especialmente Silvio Caldas, a quem considerava o maior. É uma homenagem ao meu irmão, eu devia esse disco. Ele também me influenciou na paixão pelo futebol e fez muito pelo esporte, tendo sido presidente do Fortaleza”, pontua Fagner, ele próprio um craque nas quatro linhas, como se sabe. A ideia se fortaleceu quando Fagner visitou a cidade de Conservatória (RJ), berço da seresta:

O novo álbum é uma seleção de serestas e clássicos da música popular brasileira, originalmente gravados por nomes como Francisco Alves, Sílvio Caldas, Orlando Silva e Vicente Celestino. Entre os compositores, Pixinguinha, Silvio Caldas, Cartola, Vinícius de Moraes e Chico Buarque, além da parceria de Fagner e Belchior em Mucuripe. “Tudo conspirou a favor. Acho que a minha relação com o José Milton como produtor, como amigo, como conhecedor que ele é desse repertório, foi fundamental. A gravadora Biscoito Fino também tem um perfil que nos soava o mais adequado para esse projeto”, conclui.

Um dos destaques de Serenata é a gravação da canção que dá título ao álbum: uma colaboração de Fagner com Nelson Gonçalves, feita com ajuda da tecnologia, tendo como base a voz de Nelson, extraída de um álbum de 1991. “Comecei a fazer seresta com as músicas dele, jamais imaginaria que um dia viesse a gravar com o Nelson.”

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Fagner também é ídolo e fonte de inspiração para centenas de crianças e adolescentes na faixa etária de 7 a 17 anos, beneficiados pelo trabalho da Fundação Raimundo Fagner, que nasceu da preocupação do artista com a pobreza e a exclusão social em seu município.

“Nós começamos este trabalho da Fundação há vinte anos, em Orós, mas a sede principal funciona no bairro Itamaraty, na periferia de Fortaleza. Tínhamos exemplo dentro de casa, com a generosidade de meus pais em hospedar e ajudar pessoas do interior, e


minhas irmãs lecionando nas redondezas do bairro onde morávamos. Eu mesmo me arriscava a ensinar os garotos de perto de casa. A ideia da Fundação só começou a decolar mesmo quando da minha amizade com o Ayrton Senna, e do apoio incondicional dos amigos do Café Santa Clara, hoje conhecido pela marca Três Corações.”   

Nos últimos tempos, Fagner vem se dedicando a repassar momentos importantes de sua trajetória para uma nova biografia: “Estou contando as minhas histórias, as minhas lembranças, da minha maneira, para o meu parceiro Zeca Baleiro. O livro da Regina Echeverria (de 2019) contemplou a expectativa de uma grande parte do meu público, mas estou no processo de reescrever muitas coisas, dando detalhes mais aprofundados.

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Principalmente os meus encontros: venho fazendo parcerias e escrevendo história com muitos artistas com quem tinha vontade de trabalhar e outros que já fazem parte de minha discografia.” E como Fagner não para, já tem projeto novo no horizonte.

É um momento muito rico de despertar para uma nova realidade e uma nova necessidade de criação. 

    

“Tenho produzido bastante nestes últimos anos, especialmente durante a pandemia, quando o recolhimento e distanciamento infelizmente se fizeram necessários. Tenho muita coisa pronta com meus parceiros habituais, como Fausto Nilo, Zeca Baleiro e Caio Silvio, além da produção constante com Moacyr Luz e Renato Teixeira, o que me deixa confortável para realizar até um álbum duplo de inéditas, se necessário. É um momento muito rico de despertar para uma nova realidade e uma nova necessidade de criação”.

O ano de 2021 promete: com o álbum “Serenata” conquistando muitos espaços na mídia, uma nova biografia sendo escrita e um disco de inéditas pronto para sair do forno, a agenda de Fagner certamente vai estar lotada.


A associação de direitos autorais mais completa do Brasil

A Abramus é a maior sociedade de Gestão Coletiva de Direitos Autorais do Brasil atuando na música, dramaturgia e artes visuais. São mais de 80 mil associados que confiam no trabalho da Abramus.

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Revista Abramus, Ed. 43  

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