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06 em foco Os aeroportos e a criação de riqueza 20 entre vidas Fernando Pinto, executivo e piloto

Magazine

Nº04 JANEIRO 2009

Refugiados: organizações portuguesas formam rede de ajuda

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editorial UM MOTOR PARA O TURISMO

A

relação entre o transporte aéreo e o desenvolvimento económico é uma via de dois sentidos. Se o movimento nos aeroportos resulta, em primeira instância, das actividades das populações, também é verdade que o desenvolvimento das regiões está intimamente associado à oferta de transporte aéreo. Voos frequentes, a preços competitivos, são determinantes para o desenvolvimento regional. O que faz dos aeroportos motores directos da actividade económica nas suas zonas de influência. Em particular, verificamos que todos os aeroportos geridos pela ANA estão localizados em regiões com grande vocação e potencial turístico. O turismo é mesmo uma das principais motivações do tráfego nos nossos aeroportos. Daí a importância de assegurar um alinhamento estratégico entre a ANA e as entidades que, a nível nacional e regional, são responsáveis pela promoção e desenvolvimento do sector. A ANA tem apostado sistematicamente na criação de parcerias com essas instituições. O objectivo é garantir condições competitivas de acessibilidade aérea que permitam o desenvolvimento continuado do turismo das regiões. As iniciativas conjuntas para apoio ao desenvolvimento de novas rotas são um dos resultados mais importantes desta colaboração. Os programas criados em parceria com o Turismo de Portugal, Agências Regionais de Promoção e parceiros privados são uma ferramenta primordial para o desenvolvimento e promoção de rotas aéreas

Voos frequentes, a preços competitivos, são determinantes para o desenvolvimento regional. José Heitor da Fonseca Co n s e l h o d e Ad m i n i s t ra ç ã o da ANA

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de interesse para o turismo. São plataformas que garantem uma desejável convergência entre os vários intervenientes, maximizando as probabilidades de sucesso das iniciativas ao integrarem os interesses do transporte aéreo, da promoção e do produto turístico. Com o seu activo envolvimento neste tipo de iniciativas, a ANA assume-se, cada vez mais, como um parceiro incontornável na concepção e implementação de soluções para impulsionar o turismo em Portugal.

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_sumário editorial 03

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em foco

Criam emprego, atraem negócios e impulsionam o turismo. Os aeroportos têm uma função chave no desenvolvimento económico e social das regiões onde se inserem.

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Fernando Pinto

chegadas

Para o turista mas não só. Os veículos ecológicos que circulam pela capital já conquistaram muitos lisboetas. Conheça Lisboa, ao seu ritmo.

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entre vidas 20

Plano de Expansão do Aeroporto de Lisboa

inovação 24 insights 26

38 FICHA TÉ CNICA

Nuremberga Medieval e moderna

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PROPRIEDADE: ANA - Aeroportos de Portugal SA Rua D - Edifício 120 - Aeroporto de Lisboa 1700-008 Lisboa - Portugal Tel (+351) 218 413 500 - Fax: (+351) 218 404 231 amagazine@ana.pt DIRECÇÃO: Octávia Carrilho PROJECTO GRÁFICO E EDITORIAL: Hamlet Rua da Pedreira Italiana Nº 1 Lote 15 2760-092 Caxias Tm. 967 073 248 info.hamlet@gmail.com REDACÇÃO: Cláudia Silveira EDIÇÃO: Cláudia Silveira e Jayme Kopke DESIGN: André Remédios FOTOGRAFIA: Um Ponto Quatro Carlos Ramos e Paulo Andrade PUBLICIDADE: Hamlet Rua da Pedreira Italiana Nº 1 Lote 15 2760-092 Caxias Tm. 967 073 248 IMPRESSÃO: Madeira & Madeira Rua Cidade de Santarém, Quinta do Mocho Zona Industrial - 2000-831 Santarém PERIODICIDADE: Trimestral TIRAGEM: 5 000 exemplares DEPÓSITO LEGAL: 273250/08 ISSN: 1646-9097

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ambientes

Sob a égide do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, um grupo de organizações portuguesas criou uma rede de angariação de fundos para os refugiados do continente africano. Uma iniciativa pioneira chamada HELPIN. follow me 34 partidas 38 lifestyle 42 aldeia global 48

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passageiro frequente

Do outro lado do Atlântico, Maria Vieira e Fernando Rocha relatam a sua mais recente aventura em viagem. Com o fiel “Xulo” por companhia.

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_em foco

PÓLOS DE DESENVOLVIMENTO Criam emprego, atraem negócios e impulsionam o turismo. Por todo o mundo os aeroportos assumem um papel importante no desenvolvimento económico e social das regiões onde estão inseridos.

As empresas de transporte de mercadorias optam por sediar-se nas áreas adjacentes dos aeroportos.

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ão muitos os executivos de Silicon Valley que guardam os seus jactos privados nos aeroportos internacionais de San Francisco e San Jose, que ficam ambos a pouca distância do Vale. Embora não exactamente por esta razão, para as centenas de empresas de alta tecnologia da baía de San Francisco é preciosa a proximidade não de um, mas de dois aeroportos. São vários os “business clusters” em todo o mundo que lucram por estar perto de um aeroporto internacional, como é o caso do M4 Corridor, em Londres (Heathrow), o Silicon Glen, na Escócia (Glasgow Prestwick) e as empresas de engenharia e semicondutores em Dresden, na Alemanha, para citar apenas alguns. As regras que ditaram a localização das empresas no passado já não são as mesmas neste início de século XXI. Numa economia global como a que temos hoje, a velocidade, a agilidade e a conectividade são valores imprescindíveis para o sucesso de uma empresa. E cada

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vez mais as ligações aéreas fornecem uma resposta fundamental a essa necessidade de rapidez. Os aeroportos e as suas áreas adjacentes tornaram-se ímanes para indústrias, empresas de distribuição, de entretenimento, turismo e outras que necessitam de uma ligação rápida a fornecedores distantes, clientes e parceiros. O professor e investigador norte-americano John Kasarda diz mesmo que as rotas aéreas funcionam como uma “internet física” que liga mercadorias, executivos, turistas, de forma rápida e eficiente, entre dois pontos distantes. Em todo o mundo, diz Kasarda, o desenvolvimento de rotas aéreas, a criação de negócios e o desenvolvimento económico andam de mãos dadas. Um estudo de 2004 realizado pelo ACI e pela York

Consulting sobre “Os Impactos Sociais e Económicos dos Aeroportos na Europa” concluiu que a acessibilidade aérea global foi um factor determinante na localização de negócios e no sucesso comercial em todas as regiões da Europa. O estudo relata que 31% das empresas que se mudaram para a região de Munique citaram o aeroporto como o principal factor que motivou a sua escolha. O estudo diz ainda que 80% das fábricas na região de Hamburgo dependem das ligações aéreas para levar os potenciais clientes a ver os seus produtos. Outra conclusão foi a de que a acessibilidade ao Aeroporto Charles de Gaulle foi fundamental na localização da sede de muitas multinacionais na região de Paris assim como de muitas empresas de tecnologia e outras indústrias de inovação. Em 2005 a consultora SH&E calculou os efeitos directos, indirectos e induzidos de um único voo diário para o Aeroporto Internacional de Denver, proveniente de 3 locais diferentes: México, Europa e Ásia. O voo

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A actividade hoteleira é outro sector que beneficia directamente das ligações aéreas.

oriundo do México iria gerar 25,7 milhões de dólares anuais para a região de Denver; o voo da Europa geraria 90,6 milhões anuais; e o voo vindo da Ásia seria responsável por 142,4 milhões ao ano. Quando se consideram os efeitos catalisadores (os empregos e receitas gerados por empresas situadas nas áreas que rodeiam o aeroporto e que beneficiam das facilidades do serviço aéreo), o impacto económico regional de voos internacionais aumenta consideravelmente. Um estudo de 2007 realizado pela empresa LAED sobre o impacto dos voos intercontinentais para o Aeroporto Internacional de Los Angeles na economia do sul da Califórnia revelou que cada voo asiático e europeu em 2006 gerou, em média, 3126 empregos, 156 milhões de dólares anuais em salários e 632 milhões anuais de receitas para as empresas da região.

Isso mesmo procurou demonstrar o Grupo do Partido Popular económico de regiões mais pequenas e remotas, nomeadamente Europeu no Comité das Regiões da UE através de um estudo nos países em desenvolvimento como o Brasil, China, Índia ou sobre a importância dos aeroportos regionais. Entre outras Tailândia. Nestes casos, nas províncias mais distantes existem coisas o estudo concluiu que, além de facilitarem o acesso à geralmente ligações de transportes deficientes e investir num região, permitindo que as comunidades das ilhas e regiões da aeroporto, incentivando temporariamente as ligações aéreas Europa Central e de Leste, na periferia da UE, participem mais entre estas regiões e hubs internacionais, pode ser uma frutífera activamente na Europa, esses aeroportos geram “Os estudos e relatórios de impactos económicos emprego, inclusão e coesão social. Outra das conclusões foi o papel fundamental são úteis para conhecer o real potencial das low cost nestes aeroportos de menor de atracção de desenvolvimento dos aeroportos”.

Além de facilitarem o acesso à região, os aeroportos regionais permitem que as comunidades das ilhas participem mais activamente na Europa. Na fotografia, o Aeroporto das Flores.

milhões de dólares

"Em 2005 a consultora SH&E calculou os efeitos directos, indirectos e induzidos de um único voo diário para o Aeroporto Internacional de Denver, proveniente de 3 locais diferentes: México, Europa e Ásia. O voo oriundo do México iria gerar 25,7 milhões de dólares anuais para a região de Denver; o voo da Europa geraria 90,6 milhões anuais; e o voo vindo da Ásia seria responsável por 142,4 milhões ao ano".

150 142.4 125 100 90.6 75 50 25

25.7

MEXICO

EUROPA

ASIA

As receitas anuais geradas por um voo diário proveniente de três locais diferentes para o Aeroporto de Denver, nos EUA.

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Estes estudos e relatórios de impactos económicos são úteis para conhecer o real potencial de atracção de desenvolvimento dos aeroportos. Eles avaliam e quantificam os impactos directos e indirectos das actividades que dependem dos aeroportos e são, muitas vezes, uma forma dos operadores aeroportuários ou os governos justificarem a presença de um aeroporto dentro ou na proximidade de uma cidade. Em Outubro passado decorreu em Kuala Lumpur, na Malásia, mais uma conferência ACED – Airports Catalysts for Economic Development, onde foram apresentados uma série de “case studies” que mostram a contribuição positiva dos aeroportos internacionais para o desenvolvimento regional e para o crescimento económico. A cidade aeroportuária é um importante novo negócio e um gerador de emprego por si só mas, mais importante, actua como catalisador do crescimento económico e da prosperidade. Não restam dúvidas de que os aeroportos, além de funcionarem como uma das principais infra-estruturas provedoras de acessibilidade nas sociedades modernas, têm um papel cada vez mais relevante no desenvolvimento das economias. No caso dos aeroportos regionais isso é particularmente visível.

Os aviões privados são um dos sinais da prosperidade estimulada pelos aeroportos próximos a Silicon Valley.

dimensão. Tomando o exemplo da Ryanair no Aeroporto de Prestwick concluiu-se que anualmente os serviços da companhia geram 280 mil dormidas na região e 2,4 milhões em toda a Escócia e são responsáveis pela injecção de cerca de 130 milhões de euros na economia escocesa. Graças à actividade da Ryanair, 600 postos de trabalho foram criados na região e entre 1300 a 1800 em toda a Escócia. Outro exemplo bem-sucedido de um aeroporto regional é Shannon, na Irlanda, cuja construção promoveu o desenvolvimento de uma zona industrial numa região até então pouco populosa, desfavorecida e com poucas perspectivas de desenvolvimento. Menos reconhecido, nota John Kasarda, é o papel de pivot que os aeroportos e as rotas aéreas podem ter no desenvolvimento

ferramenta de desenvolvimento económico. É uma maneira de ligar de forma rápida e eficiente estas regiões mais remotas aos mercados nacionais e internacionais. Kasarda chama este sistema de “Global Link System”. Não por acaso o governo chinês atribuiu uma verba de 140 mil milhões de yuans (cerca de 14 mil milhões de euros) para que, entre 2006 e 2010, sejam construídos 49 novos aeroportos, 71 sejam ampliados e 11 sejam transferidos para outro local. A estimativa do governo chinês é que a indústria de aeroportos cresça 11% por ano entre 2006 e 2020.

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Google Earth 2008

_em foco

EAS YJE T

NOVAS ROTAS, MAIS TURISTAS

SK Y E U ROPE RYANAIR

Incentivar o turismo e contrariar a descida do tráfego aéreo é o objectivo da iniciativa conjunta do Turismo de Portugal e da ANA para o desenvolvimento de novas rotas aéreas. Mais destinos directos representam mais turistas e mais desenvolvimento económico para o país.

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ão cerca de 100 as propostas que a ANA e o Turismo de Portugal dirigiram recentemente a algumas companhias aéreas para a abertura de novas rotas ou aumento de frequências para Portugal. Esta iniciativa pretende contrariar o recente decréscimo de tráfego global nos aeroportos portugueses, que foi de 1,3% em Setembro, estimulando, ao mesmo tempo, o turismo nacional. As propostas inserem-se na Iniciativa de Apoio ao Desenvolvimento de Rotas Aéreas de Interesse Turístico (IDRAIT), um projecto conjunto do Turismo de Portugal, da ANA e da ANAM, que visa esforços concertados de todos os parceiros directamente implicados no desenvolvimento e promoção de rotas aéreas. Esta iniciativa baseia-se na convicção de que existe em Portugal espaço para o crescimento de ligações aéreas directas que facilitem o acesso ao país de turistas dos mercados internacionais. Com a criação de novas rotas pretende-se encorajar o desenvolvimento de mercados emissores de turistas para Portugal, através de acções de marketing voltadas para a promoção do país nesses mercados internacionais. Outra frente de actuação do programa é o apoio à criação de rotas aéreas competitivas que facilitem a ligação entre Portugal e esses mercados-chave. Foram pré-

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-identificadas 100 rotas (novas ou cuja frequência poderá aumentar) que representam novas oportunidades para os aeroportos de Lisboa, Porto, Faro, Açores e Madeira. Os apoios disponíveis variam consoante a região emissora, as condições do mercado e os benefícios (em número de visitantes) esperados para o turismo nacional. O apoio poderá ser variável (de acordo com o número de passageiros) para acções genéricas de marketing da companhia, ou fixo, para acções de promoção dirigidas especificamente àquela rota, através de um plano de promoção conjunto do Turismo de Portugal e da companhia aérea. A estreita cooperação com as companhias aéreas é fundamental para assegurar o impacto das campanhas de marketing. Todas as companhias aéreas e operadores turísticos que reúnam as condições exigidas pelo programa podem beneficiar desta iniciativa e podem apresentar os seus planos de desenvolvimento de rotas para apreciação. Em 2007 e 2008 foram realizadas as primeiras operações de atribuição de apoios que abrangeram três companhias aéareas: easyJet, SkyEurope e Ryanair. Os voos da easyJet apoiados foram Madeira-Londres Stansted, Madeira-Bristol, Faro-Liverpool e Faro-Newcastle. A SkyEurope recebeu incentivos para o voo Lisboa-Viena e a Ryanair teve apoio para as rotas Faro-Shannon, Faro-Charleroi, Faro-Frankfurt Hahn e Faro-Dusseldorf Weeze.

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_chegadas

POR LISBOA, AO SEU RITMO Muita gente concorda que a melhor forma de conhecer uma cidade é caminhando pelas suas ruas. Mas, no caso de uma cidade erguida em 7 colinas, caminhar pode ser um desafio. Para quem gosta pouco de andar ou simplesmente para uma experiência diferente, existem em Lisboa alternativas motorizadas, simpáticas e sobretudo ecológicas. Os roteiros abrangem as principais zonas e monumentos históricos de Lisboa.

Todos os percursos são indicados por um GPS áudio.

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S

abia que o primeiro sinal de trânsito de Lisboa foi colocado no século XVII no bairro de Alfama e dava prioridade aos coches que vinham a descer? Esta e muitas outras curiosidades divertidas sobre a história da cidade são dadas pela voz do GPS de uns pequenos triciclos amarelos que circulam pelas zonas mais turísticas de Lisboa. É impossível não olhar e gastar pelo menos alguns segundos a observar estes veículos e os animados passageiros que transportam. A Go Car Tours instalou-se no último Verão na Baixa, mais precisamente na Rua dos Douradores, e os triciclos estacionados à porta atraem a atenção de quem passa. Equipados com um motor a gasolina de baixo consumo e com um sistema de GPS áudio que dá indicações sobre o percurso, têm feito as delícias dos turistas e também de muitos lisboetas. Os interessados têm à disposição 3 rotas que mostram as diferentes faces da capital. Na rota Centro-Baixa, os pequenos bólides amarelos seguem pela baixa pombalina, Praça do Comércio, Bairro Alto, Chiado, Rossio... Ainda nesta rota é possível esticar um bocadinho e entrar em Alfama para ver a Casa dos Bicos, o Panteão Nacional, a Assembleia da

República ou passar pela casa de Amália Rodrigues. Sempre com a voz do GPS a acompanhar, dando instruções e fazendo comentários pertinentes. Por enquanto fala apenas português, inglês e francês mas em breve as capacidades linguísticas vão abranger também o alemão e o espanhol. Na Rota de Belém os passeantes desfrutam de um itinerário à beira-rio, numa das mais bonitas paisagens de Lisboa. Este percurso inclui passagens pela Torre de Belém, Mosteiro dos Jerónimos, CCB, Padrão dos Descobrimentos... E há sempre tempo para uma breve paragem nos pastéis de Belém. Para mostrar o outro lado da cidade, a Rota da Expo parte dos tradicionais bairros do Beato e de Xabregas para chegar à Lisboa moderna da Expo e do Parque das Nações. Os utilizadores, que podem também criar os seus próprios roteiros se preferirem, precisam ter carta de condução para guiar um Go Car, mas o sistema é fácil, semelhante ao de uma scooter: acelera e trava. Os triciclos são de 2 lugares e os preços

A utilização das Segway está restringida à zona de Alfama.

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variam entre €20 uma hora e €89 um dia inteiro. A ideia da Go Car Tours surgiu em 2004 em S. Francisco – outra cidade de subidas íngremes – e nesse mesmo ano a revista Time considerou-a a “Coolest Invention of the Year”. Entretanto expandiu-se para San Diego, Miami e Barcelona, até que João Mendes e Leonel Soares trouxeram o conceito para Lisboa. Quem preferir uma cor mais discreta pode optar pelos buggies vermelhos da Red Tours, mas fique a saber que o poder de atracção sobre os olhos dos transeuntes é exactamente o mesmo. Instalada no Terreiro do Paço, a Red Tours faz também aluguer

equipados com uma capa que protege os ocupantes, portanto a chuva não é impedimento para a realização do passeio. Já as segways podem apenas ser usadas no circuito de Alfama e a simpática voz do GPS chega através do capacete. Os preços começam nos €25 e o tempo médio de um tour é de 1h30 mas não é rigoroso. A Red Tours é uma empresa portuguesa e, segundo Susana Welsh, já recebeu pedidos de outras cidades, nacionais e estrangeiras, interessadas em importar o serviço. Se procura um programa diferente, esta é uma boa forma de (re)descobrir Lisboa. A um ritmo diferente e com olhos de ver.

Os veículos são eles próprios uma atracção, para turistas e locais.

de veículos ecológicos para percursos turísticos por Lisboa. Além dos buggies disponibiliza segways e bicicletas eléctricas. O conceito não difere muito do anterior, existe também um sistema áudio de GPS que dá indicações sobre o percurso, em português e inglês (espanhol, francês e italiano estão para breve). Neste caso as opções variam entre o Circuito do Castelo, o Soho Style (Chiado e Príncipe Real) e Belém. Dentro de pouco tempo a oferta contemplará ainda um passeio pelo grande “boulevard” de Lisboa: a Avenida da Liberdade. Mais tarde a empresa irá também permitir que o cliente trace o percurso que quer fazer. Os pequenos buggies, parecidos aos caddies de golfe, estão disponíveis em 2 ou 4 lugares e são

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Rua das Flores, 12 - 2º / 1200-195 Lisboa Tel. 213 243 680 / www.redtourgps.com

Red Tours Três rotas: Castelo, Chiado e Príncipe Real e Belém. Brevemente também Avenida da Liberdade. Buggies de 2 ou 4 lugares, Segways, Bicicletas eléctricas Os valores começam nos €25 e o tempo médio por tour é de 1h30

Rua dos Douradores,16 / 1100-540 Lisboa Tel. 210 965 030 / www.gocartours.eu

Go Car Tours Três rotas: Centro-Baixa, Belém e Expo. Triciclos de 2 lugares Os valores variam entre €20 uma hora e €89 um dia inteiro.

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_chegadas

O novo complexo de carga.

O Terminal 2 do Aeroporto de Lisboa serve os destinos domésticos.

MAIS E MELHOR AEROPORTO

O Plano de Expansão do Aeroporto de Lisboa segue a bom ritmo com a abertura das novas plataformas de estacionamento e de um novo complexo de carga. Até 2011 as áreas de passageiros e áreas operacionais serão também melhoradas e ampliadas. Tudo obras fundamentais na consolidação de Lisboa COMO “hub” europeu.

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s mais recentes inaugurações no Aeroporto de Lisboa, as plataformas de estacionamento Sul e Sul Nascente e o novo complexo de carga, são duas obras essenciais na concretização do Plano de Expansão do Aeroporto de Lisboa, que deverá estar completo até 2011. As novas plataformas vêm aumentar a capacidade de estacionamento em mais três aviões intercontinentais e seis de médio curso (ou um total de 12 aviões de médio curso), enquanto as infra-estruturas do novo complexo de carga vão permitir aumentar a capacidade para 100.000 toneladas por ano (podendo ir até às 150.000). No complexo estão incluídos terminais para os operadores Portway e Groundforce, um edifício dos CTT e um Edifício de Serviços. Dado o estrangulamento em que se encontrava o Aeroporto de Lisboa, a sua expansão tornou-se fundamental para suportar o crescimento de tráfego, tanto o actual como aquele que é esperado até 2017,

data prevista pelo governo para a abertura no novo aeroporto. A realização dos melhoramentos servirá para assegurar a capacidade de resposta ao crescimento da procura, durante a próxima década, enquanto o novo aeroporto não estiver operacional. Este alargamento é necessário para permitir o desenvolvimento das diversas actividades económicas que os aeroportos atraem. Só assim será possível superar os estrangulamentos que já se começavam a verificar e que representam custos relevantes para o país, nomeadamente num sector tão vital para a economia portuguesa como é o turismo. Nos últimos anos o Aeroporto de Lisboa assitiu a um aumento de rotas com a vinda de novas companhias e com o alargamento da frota da TAP, que se traduziram num crescimento de movimentos. A expansão do aeroporto é uma forma de garantir que não se perde o tráfego já alcançado e ao mesmo tempo de assegurar a posição de “hub” que o aeroporto tem vindo a consolidar enquanto plataforma

O novo complexo de carga vai permitir um aumento da capacidade para 100 000 toneladas por ano.

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_chegadas

privilegiada de acesso à Europa, na encruzilhada com África e a América, sobretudo a do Sul, onde a TAP se destaca como líder de operação. A intervenção mais visível do Plano, à data, foi a construção do Terminal 2 que entrou em funções no Verão de 2007. Dedicado a Partidas de voos domésticos e ao processamento de passageiros em transferência de curta duração, o novo terminal recebeu mais de um milhão de passageiros durante o primeiro ano de actividade, com o Funchal à cabeça dos destinos mais procurados. A expansão do aeroporto permitiu já o alargamento e remodelação das áreas comerciais, fundamental na criação de oportunidades para os negócios nãoaviação. Este Verão foi inaugurada a nova zona de restauração e as áreas de retalho ganharam uma cara nova. Mas os projectos para a área comercial não se esgotam aqui e prevê-se que até a conclusão do Plano, em 2011, o espaço total dedicado às áreas comerciais ascenda a cerca de 13.000 m2. Em conclusão está a 1ª fase, referente ao projecto de ampliação do actual pier norte; e ainda a construção de três novas salas de embarque/desembarque nas antigas posições A24, A25 e A26, em pontes telescópicas (mangas) que são a continuação das salas que já existem no nível 5 da aerogare. Além destas serão construídas 7 novas portas, também servidas por pontes telescópicas, para embarque/desembarque de passageiros de voos não-Schengen. Esta obra vai atender às necessidades das companhias aéreas, sobretudo da TAP, de realizar os “transfers” — voos domésticos e internacionais em períodos de tempo aceitáveis. O novo pier terá dois decks

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desnivelados: no nível 5 funcionarão os embarques, e o 6º será exclusivo para os desembarques, o que evitará o cruzamento de passageiros. Com a expansão das áreas terminais de passageiros para norte da actual aerogare e para garantir as distâncias de segurança dos tanques de combustível e permitir a construção do novo edifício do busgate norte, no final de 2009 o grupo operacional de combustíveis terá uma nova localização. Vários estudos que foram realizados, com destaque para o de impacte ambiental, determinaram que estas instalações técnicas, assim como as respectivas áreas administrativas, ficarão a norte do novo no complexo de carga. Já ao nível das áreas operacionais, foi construída uma RESA (Runway End Safety Area), uma espécie de prolongamento da pista que acrescenta espaço de manobra nas aterragens e descolagens, e concretizou-se o prolongamento das luzes de guiamento da pista para norte, que serve para melhorar a visibilidade em condições meteorológicas mais adversas. Estão ainda previstas intervenções nos caminhos de circulação (Taxiways Y, W e Q) para optimização da capacidade da pista. Uma das principais insuficiências apontadas ao Aeroporto de Lisboa era a incapacidade de processar eficazmente a bagagem. De facto, perante o aumento de tráfego (que necessariamente agravou as condições operacionais dos handlers) os actuais sistemas de tratamento de bagagem (de Partidas e de Chegadas) têm-se revelado insuficientes, razão pela qual serão também alvo de uma ampliação que terminará em 2011. Ainda este ano será inaugurado o terminal de bagagem em transferência que vai aumentar a capacidade operacional de 1200 para 2400 bagagens/hora. Estima-se que o novo terminal permita que 70% da bagagem

As novas plataformas de estacionamento aumentaram a capacidade em mais três aviões intercontinentais e seis de médio curso. A verde, as áreas abrangidas pelo Plano de Expansão do Aeroporto de Lisboa.

Novo caminho de circulação.

seja processada em menos de 10 minutos. No final estimado deste Plano de Expansão, no primeiro trimestre de 2011, abrirá o novo edifício busgate norte, onde estará centralizado todo o processamento de passageiros (Partidas, Chegadas e transferências) e que vai ser construído no sentido Sul/ Norte, na continuação do terminal que já existe. As previsões apontam para que no final do Plano, cujo valor total de investimento é de 380 milhões de euros, a capacidade de processamento do aeroporto seja de 40 movimentos por hora (antes era de 36), equivalendo a cerca de 4300 passageiros por hora (antes era de 3200).

As áreas comerciais do Terminal 2 do Aeroporto de Lisboa.

65 anos em livro

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om a concretização deste Plano de Expansão escreve-se mais uma página na história do Aeroporto de Lisboa, que no ano passado festejou os seus 65 anos, agora documentados em livro. Além de contar a história do aeroporto, a obra é um testemunho da história da própria cidade e do país, evocando a memória de acontecimentos importantes do nosso passado recente e que, de uma forma ou de outra, passaram pelo aeroporto.

Este livro surge também como mais uma forma de divulgar o património cultural da ANA, nomeadamente o ANA Museu. Todas as fotografias utilizadas fazem parte do arquivo fotográfico da empresa e existem também muitas imagens de peças do acervo do Museu. Confirmado que está o novo aeroporto de Lisboa e entrando a empresa numa nova fase da sua existência, no livro fica também registado o esforço constante que foi feito, durante várias décadas, para actualizar as infra-estruturas do aeroporto e adaptá-las a novas realidades e tecnologias.

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_entre vidas © Pedro Monteiro - Fora de Série

Calculadora aeronáutica, um instrumento importante no planeamento de qualquer voo.

O GESTOR QUE SABE VOAR

Quando tudo indicava que seria piloto, tornou-se engenheiro e depois gestor. Não perdeu contudo o gosto por voar nem por construir. Depois de um ano difícil e na entrada de um ciclo de crise económica, o presidente executivo da TAP PORTUGAL diz que não é hora de mudar estratégias.

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Fernando Pinto é um dos poucos pilotos em Portugal habilitado a pilotar este hidroavião ultraleve.

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ste não foi um bom ano para a TAP. Aliás, a subida galopante do preço dos combustíveis fez de 2008 um mau ano para o transporte aéreo em geral. À data desta entrevista Fernando Pinto não tinha ainda valores exactos, mas o pesar com que aborda o tema não deixa dúvidas. “Não é uma boa sensação, depois do trabalho que foi feito por todo o grupo de trabalhadores que se dedicou e esforçou muito, ter um ano perdido como este”. Após um recorde de resultados em 2007, quando a empresa atingiu 32,8 milhões de euros de lucros, o maior da sua história, os resultados opostos têm um sabor mais amargo, sobretudo se induzidos por factores externos. Mas Fernando Pinto está habituado

a desafios. Quando chegou à presidência da TAP a empresa perdia 120 milhões de euros. Volvidos 8 anos e depois da reestruturação que operou na companhia, a preocupação já não é sobreviver, mas competir. Para o próximo ano não tem receitas milagrosas nem planeia alterações de estratégias, apenas continuar, cautelosamente, o processo de melhoria de eficiência e crescer mais moderadamente. “Ao longo destes 8 anos a empresa duplicou de tamanho, o que melhorou muito a eficiência porque basicamente os custos fixos se mantiveram mas os proveitos duplicaram. Agora estamos moderando um pouco mais o crescimento”. Ainda assim estão em cima da mesa algumas hipóteses de novos destinos, nomeadamente no Leste europeu e

na Escandinávia. Também em África existe, segundo Fernando Pinto, algum espaço de crescimento, aqui no que respeita ao número de frequências. Destinos novos que contribuem para continuar a desenvolver a placa giratória de Lisboa, uma das suas maiores apostas desde o início. A actual conjuntura económica também aconselha prudência uma vez que influi necessariamente no volume de passageiros, mas o presidente da TAP não tem dúvidas quanto à necessidade de um novo aeroporto em Lisboa. “Historicamente, as crises aparecem e o negócio do transporte aéreo é afectado mas é crescente. O maior erro que se pode cometer é mudar a estratégia por causa de um ciclo. Isso já aconteceu e acho que não deveríamos repetir esse erro de retardar a construção do novo aeroporto”. Com 57% da operação do dia-a-dia, a TAP é de longe o maior cliente do Aeroporto de Lisboa. Fernando Pinto nota a importância da adaptação do aeroporto ao crescimento de tráfego da companhia aérea portuguesa, nomeadamente através do Plano de Expansão, que decorre até 2011. Um dos aspectos mais relevantes é a ampliação das salas de embarque e desembarque de passageiros de voos não-Schengen, que passarão a ser servidas por mangas telescópicas – um requisito fundamental para Fernando Pinto. “A ausência das mangas é um problema porque nós competimos no longo curso com outros aeroportos da Europa que têm todas essas facilidades. Então, muitas vezes eu estou apanhando o passageiro no Brasil e levando-o, via Lisboa, para Paris ou para outros destinos até mais distantes na Europa, mas

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© TAP Portugal

ele tem a opção de ir por outros caminhos, por outros aeroportos”, explica, enfatizando a importância do conforto do passageiro na passagem pelo “hub”. “Perdese muito na possibilidade de crescimento por causa disso”, conclui. Os atrasos e os problemas com a bagagem também prejudicaram o crescimento, segundo Fernando Pinto, fazendo até “com que nós ‘segurássemos’ o crescimento para não ter mais problemas da forma como estávamos tendo”. Nesse aspecto realça a importância do programa AIMS (Acção Integrada de Melhoria de Serviço), que através de um esforço de reorganização conjunta entre a TAP, a Groundforce, a ANA e o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras contribuiu decisivamente para corrigir muitos problemas. “Hoje nós nos posicionamos muito bem em termos atrasos e processamento “A aviação estava no sangue e a minha de bagagem”. tendência era a de ser piloto. Aos 15 anos Fernando Pinto volta a referir o AIMS já voava planadores sozinho e fiz o curso para ilustrar o tipo de relacionamento que de piloto particular de aviões” a companhia e o operador aeroportuário alcançaram nos últimos anos, diferente do que pretensões – e que tudo indica será concretizada – é encontrou quando chegou. “Existia uma cultura de a existência de um terminal dedicado à Star Alliance, à confronto. Eu diria que em termos dos dirigentes semelhança do que acontece nos grandes aeroportos havia uma tentativa de entendimento, mas no do mundo. “Se o objectivo das alianças é a troca de terreno muitas vezes havia dificuldades na operação passageiros, faz todo o sentido que assim seja. Se os do dia-a-dia e era muito normal que uma apontasse passageiros estiverem no mesmo terminal o fluxo é a outra como a culpada do problema. Havia um mais fácil, até para o próprio aeroporto”, sustenta. desgaste grande na relação, mas em conjunto fomos Ao contrário do que se poderia esperar de um homem progredindo muito nesse aspecto e chegámos a uma com um cargo como o seu, onde os tempos livres não grande conquista que é o AIMS”. abundam, Fernando Pinto é supreendentemente um Relativamente às expectativas sobre o novo cultivador de hobbies. Desde que veio viver para aeroporto, Fernando Pinto diz que espera sobretudo Portugal e trocou a Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, que seja “friendly”, amigo do passageiro, confortável, pela Quinta da Beloura, em Sintra, pôde retomar uma rápido e eficiente. “Sendo mais confortável e rápido é das suas actividades preferidas: voar em planadores. óbvio que isso motiva a viagem. Pelo facto de ter mais Aliás, voar, simplesmente. Porque além dos planadores pistas e de os aviões sairem no horário existe, claro, também pilota ultraleves e aviões. A proximidade maior possibilidade de crescimento”. Outra das suas da Base Aérea de Sintra e do Aeródromo de Tires facilitaram o regresso. A sua vida está desde sempre ligada aos aviões. O pai foi piloto, o irmão mais velho também. Parecia traçado o destino de que também ele haveria de seguir por aí. E assim foi, por uns tempos. “A aviação

© Pedro Monteiro - Fora de Série

_entre vidas

estava no sangue e minha tendência era a de ser piloto. Aos 15 anos já voava em planadores sozinho, depois fiz o curso de PPA – piloto particular de aviões – e fiz as provas para instrutor de avião e piloto comercial”, conta. Mas paralelamente, e Voar é o seu hobby satisfazendo a vontade de construir alguma de eleição. Além de coisa, foi fazendo cursos técnicos e acabou aviões, também voa por se formar em Engenharia Mecânica na Universidade Federal de Rio Grande do Sul, com ultraleves e planadores. em Porto Alegre, onde nasceu. O seu destino mudou quando a Varig o convidou para coordenar um projecto de ensaios de turbinas e reactores que equipavam os seus B-747 e os DC-10. “Era um grande projecto e isso realmente me tentou. Foi a partir dali que eu comecei a me dedicar mais à engenharia e à gestão e foi assim que eu mudei de rumo na vida”. Pode ter-se perdido um grande piloto, mas aquilo que já alcançou na TAP (e antes nas brasileiras Rio-Sul e Varig) dizem sobre as suas qualidades de gestor. E continuou a voar, como hobby. Uma paixão que também já passou ao filho que o acompanha nas aventuras pelos ares, sobretudo em Évora para onde costumam ir no Verão. Sempre que pode também gosta de pegar no carro e sair por aí à descoberta de Portugal que, diz, não pára de o surpreender. “Seis meses antes de ter entrado para a TAP eu fiz um circuito por Portugal e me surpreendi muito. Depois vim morar aqui e todas as vezes que saio tenho boas novas surpresas. É um lugar muito agradável e tranquilo. A família toda gosta muito de Portugal”. E de que sente mais falta do Brasil? “A praia do Brasil realmente é muito boa...”. Por isso, de vez em quando, à sexta-feira, apanha o avião para Fortaleza, Natal ou Recife, para aproveitar um pouco o sol. “É uma grande coisa, principalmente quando aqui estamos no Inverno, poder com 7 horas de voo estar no Verão, numa praia maravilhosa”. A ginástica que procura fazer pelo menos duas vezes por semana, a fotografia, um prazer que divide com a filha, e até um teclado que dedilha mais para satisfação própria do que outra coisa, são outros dos passatempos a que se entrega. E quanto à outra paixão, a de construir? “Sempre tenho em cima da minha mesa, na cave lá em casa, algum aeromodelo em meio do processo de construção. Nas horas em que quero aliviar a cabeça, eu sento ali e fico fazendo alguma coisa. É a maneira que tenho de construir ainda algo”. “São hobbies demais”, brinca. E continua: ”Eu sempre procurei isso, porque acho que é fundamental que a pessoa se desligue nas horas de lazer. Eu descobri que a melhor terapia, a melhor de todas, é você ter hobbies, ter outros objectivos, crescer pessoalmente... Acho que todo o mundo tem que ter para Carta Jeppesen, ter força, para chegar aqui na segunda-feira renovado e outra grande poder enfrentar os problemas, que não são poucos, são companheira de qualquer muito grandes”. piloto.

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_inovação

Estes são apenas dois exemplos de soluções tecnológicas desenvolvidas em Portugal, mas na mostra estiveram em exposição muitas outras, orientadas para diversos sectores da economia como a energia, as telecomunicações, a educação, a saúde, o turismo, a mobilidade ou a segurança. Desde start-ups a empresas consolidadas, passando pela forte presença da Administração Pública (que é um dos maiores consumidores de tecnologia no mercado português), o Portugal Tecnológico juntou num espaço superior a 20.000 m2 as melhores soluções tecnológicas nas várias áreas. A ANA integrou o stand dedicado à área de Transportes “Portugal Vivo”, da responsabilidade do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, onde também estiveram outras empresas da mesma tutela, como a TAP, a Carris, o Metro e os CTT.

A ANA esteve presente no stand Portugal Vivo, do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, onde estiveram também empresas como a TAP, o Metro, a Carris, os CTT, o Porto de Lisboa e o Metro do Porto.

Esta solução foi desenvolvida com know how da ANA, tendo o INOV-INESC Inovação como principal fornecedor tecnológico, no âmbito do Programa PRIME/ADI-DEMTEC, co-financiado pela UE/FEDER. Como notou o primeiro-ministro José Sócrates na abertura do Portugal Tecnológico 2008, Portugal tem hoje uma balança comercial tecnológica positiva, querendo isto dizer que faz parte dos países que exportam mais bens e serviços tecnológicos do que aqueles que importam. A produção tecnológica tem já um impacto positivo na economia portuguesa e no final do terceiro trimestre de 2007 as exportações de produtos de alta tecnologia representavam 11,7% das exportações totais. No Portugal Tecnológico ficou patente que Portugal está apto a desenvolver conceitos e soluções que aumentam o potencial de exportação da nossa indústria e dos serviços de base tecnológica. E, além disso, possui empresas competitivas e abertas ao mundo. Alguns conceitos com

PORTUGAL HI-TECH A aposta nacional nas áreas da tecnologia e inovação como estratégia de crescimento futuro está a dar frutos. Portugal já está entre os países que exportam mais bens e serviços tecnológicos do que aqueles que importam. O Portugal Tecnológico 2008 mostrou que o país está cada vez mais hi-tech.

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ogo à entrada dos auditórios os visitantes eram surpreendidos por duas grandes colunas de cartão com difusores Bluetooth que distribuíam gratuitamente o programa da feira – o directório das empresas participantes, o calendário dos eventos, a localização dos stands – a todos os interessados que, claro, possuíssem um telemóvel com dispositivo Bluetooth. Munidos com essa informação, podiam circular à vontade pelos stands das cerca de 200 empresas e entidades ligadas ao mercado de tecnologia que se reuniram na FIL para o Portugal Tecnológico 2008. O R44FNPT é um simulador de voo desenvolvido pela Empordef (a holding das indústrias portuguesas de defesa), que em breve poderá ser usado nos cursos de pilotos de helicópteros. O PC Crash é um software, disponibilizado pela Carcrash, que facilita a reconstituição de acidentes nas estradas.

A sua presença centrou-se nos resultados do projecto SafeDrive_II – agora conhecido como A-Guidance. Tratase de um sistema inovador e de baixo custo para monitorar e controlar o fluxo de veículos, equipas e recursos no aeroporto, em coordenação com o controlo das aeronaves e com todas as outras operações no solo. Com base na geo-referenciação do lado ar e do posicionamento dos veículos, via satélite, através do sistema EGNOS e, no futuro, do GALILEO, a solução A-Guidance permite a detecção preventiva de infracções de regras ou de situações reais de perigo. Assim, aumenta a segurança operacional e garante que os recursos necessários estão no sítio certo, no momento certo.

projecção internacional, como o passaporte electrónico, as novas soluções de produção de energia renovável, o modelo de propagação de computadores portáteis e da banda larga, além de muitas outras ofertas nas áreas da saúde, segurança, ambiente ou logística, fazem prova da qualificação do sistema científico nacional e da sua interligação ao tecido empresarial. Em paralelo, o Portugal Tecnológico 2008 acolheu diversas conferências e seminários promovidos pelos expositores, onde foram debatidos temas relacionados com a exposição. Foram cerca de 32 mil as pessoas que entre os dias 18 e 23 de Novembro passaram pela FIL para conhecer a produção tecnológica nacional.

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_insights INFORMAÇÃO NA HORA, EM QUALQUER LUGAR

Se se atrasar para apanhar a avó no aeroporto pode sempre pôr a culpa no trânsito, mas nunca poderá dizer que não sabia a que horas chegava o avião. São várias as ferramentas com informação de voo à disposição: na internet, no telemóvel, no PDA e até nos hotéis.

PARTIDAS E CHEGADAS EM TEMPO REAL

MAPPING

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O Mapping é uma plataforma online, acessível a partir do site da ANA (clique em “Escolha o seu destino”) que permite consultar os voos regulares com ligação aos aeroportos nacionais. Tem a vantagem de toda a informação ser disponibilizada sobre um mapa, o que faz dele uma ferramenta útil para planear uma viagem. Ao seleccionar-se um destino, o sistema apresenta todas as alternativas de voos, directos e com escalas, operados pelas diferentes companhias, assim como os respectivos horários. O mapa pode ser personalizado de acordo com as preferências do utilizador. Por exemplo,

forma mais fácil de saber o horário de partida ou chegada de qualquer voo operado nos aeroportos da ANA é entrar no site da empresa e, logo na homepage, seleccionar o que lhe interessa. A informação é disponibilizada em tempo real. O sistema permite até guardar uma janelinha com a informação que seleccionou e ir seguindo o estado do voo no computador – prático para quem não tem tempo a perder e gosta de chegar em cima da hora. A ANA fornece também este serviço a hotéis com a possibilidade de as unidades o personalizarem, uma vez que se pode intercalar a informação de voo disponibilizada pela ANA com páginas de conteúdo informativo e/ou publicidade do próprio hotel. Este sistema de informação remota de voos foi desenvolvido pela ANA com o apoio da OutSystems e em colaboração com o Hotel Hilton de Vilamoura, onde foi implementado pela primeira vez. Com este serviço o Hilton tem uma ferramenta informática que lhe permite apresentar aos hóspedes a informação de voos do Aeroporto de Faro em tempo real. A ANA pretende no futuro estender este serviço a outras unidades hoteleiras do país.

podemos seleccionar só as companhias que nos interessam ou escolher apenas voos directos. Os horários podem também ser descarregados em PDF para o computador ou para um PDA. A mesma informação poderá ainda ser acedida através de telemóvel, no site http://ana.travelsked.com Este sistema, designado SRS Route Maps, foi desenvolvido pela empresa norte-americana Innovata, fornecedora de serviços electrónicos na área das viagens, nomeadamente a aeroportos e hotelaria.

O Mapping é uma ferramenta últil para planear uma viagem. Permite consultar os voos regulares dos aeroportos nacionais.

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INFOVOO 3223 Prático, mais prático não há. Através do telemóvel e por SMS é possível obter, através do número 3223, todas as informações sobre o estado de um determinado voo em tempo real. Basta enviar uma mensagem com o código do voo (Ex: TP1234) para o número 3223 e receberá imediatamente uma mensagem com o estado actual desse voo. Ao receber esta informação, que é igual à que consta nos

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monitores do aeroporto, o sistema propõe-lhe a Opção Alerta. Se confirmar esta opção será alertado, também via SMS, sobre as diferentes fases em que o voo se encontra: duas horas antes da chegada/partida, uma hora antes da chegada/partida e uma última vez, no momento da chegada/embarque. É um serviço destinado ao público em geral mas tem especial pertinência para quem viaja assiduamente e para os “meeters & greeters”, agentes de viagem e operadores turísticos, podendo mesmo ser usado como ferramenta de trabalho. O serviço tem um custo de €0,80 (mais €0,80 se optar pela opção Alerta) e por enquanto está disponível apenas no Aeroporto de Lisboa.

Seleccione o seu aeroporto de partida. Exemplo: Lisboa.

Se optar por um destino que não seja servido por um voo directo, o sistema apresenta-lhe as opções de ligação disponíveis.

No mapa aparecem todas as ligações directas a partir de Lisboa. De seguida escolha o destino que pretende. Exemplo: Paris.

Surgem listadas todas as companhias aéreas que operam a rota seleccionada. Escolha a que pretende e pode visualizar os horários de todos os voos.

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_insights UM EVENTO SEM EMISSÕES DE CARBONO Muito a propósito, o 3º Fórum de Ambiente da ANA foi um evento “carbon free” já que todas as emissões de carbono causadas pela sua realização foram compensadas com a plantação de árvores em Sintra.

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ada um dos 116 participantes do 3º Fórum de Ambiente da ANA contribuiu com cerca de 86,6 kg de emissões de CO2 com a sua presença na reunião. Se o ambiente era o tema em discussão, nada faria mais sentido do que tornar o próprio evento livre de emissões. Por isso foram contabilizadas as emissões de CO2 associadas à sua realização, considerando as principais fontes: a deslocação dos participantes (a maior fatia), a climatização e iluminação da sala de reunião, o tratamento de resíduos e ainda a confecção das refeições. Contas feitas chegou-se a um valor de 10 toneladas de CO2. A forma escolhida para compensar as emissões produzidas foi a reflorestação com espécies autóctones de uma área abrangida pelo Projecto Parques de Sintra – Monte da Lua. Sob o o lema “Vamos crescer verde”, a ANA reuniu no seu 3º Fórum de Ambiente alguns dos principais parceiros para debater e dar a conhecer o trabalho realizado tendo por objectivo a protecção do ambiente, sendo a eficiência energética uma das áreas especificamente abordadas. Além da ANA, que esteve representada por colaboradores de várias unidades e pelo administrador responsável pela área de ambiente,

Rui Veres, participaram no Fórum algumas entidades externas cuja actividade se desenvolve no ambiente aeroportuário. Entre elas o Instituto Nacional de Aviação Civil, a Força Aérea Portuguesa, a NAER, a ANAM, a NAV, o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade e o Instituto Superior Técnico. A nível interno foram feitas diversas apresentações sobre temas e iniciativas em curso na empresa, como o Projecto EcoANA, o Ecoparking, a biodiversidade no Aeroporto de Faro, a Certificação Ambiental da ANA, a monitorização do ruído no Aeroporto de Lisboa, entre outros. Quanto aos parceiros externos, os assuntos foram variados. Enquanto a TAP apresentou a sua estratégia e compromisso em termos de eficiência energética, a NAER deu a conhecer os estudos ambientais em desenvolvimento na área do novo aeroporto e a Força Aérea Portuguesa o trabalho realizado em matéria de gestão de águas residuais. A promoção e sensibilização para as questões ambientais fazem parte da Política Ambiental da ANA há vários anos e o Fórum de Ambiente é organizado de dois em dois anos para debater estes temas dentro do universo da empresa. Todas as apresentações estão disponíveis para consulta no site da ANA em www.ana.pt/portal/page/portal/ ANA/ANA_EMPRESA

O programa de compensação de carbono adoptado prevê a reflorestação de uma área abrangida pelo Projecto Parques de Sintra – Monte da Lua.

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Para esta iniciativa foi criada a marca Helpin, com uma identidade verbal e visual próprias. Optou-se por uma palavra em inglês por ser uma língua universal, a língua das marcas, e por ser uma palavra que arrasta um conceito original de ajuda. Helpin remete para o movimento “helpinista” como uma forma de atingir objectivos mais altos. Para ter um elemento que a identifique imediatamente com Portugal foram introduzidas na marca as cores da bandeira nacional.

ORGANIZAÇÕES PORTUGUESAS SOLIDÁRIAS COM OS REFUGIADOS É uma iniciativa inédita a nível mundial em que António Guterres está pessoalmente empenhado. A convite do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados um conjunto de organizações portuguesas formou uma rede virtual de parceiros privados para angariar fundos para os refugiados do continente africano. HELPIN é o nome da solidariedade portuguesa.

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UNHCR – Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, lançou uma campanha que já juntou mais de 22 organizações portuguesas numa rede formada para angariar fundos de auxílio aos refugiados do continente africano. A rede foi baptizada com a marca HELPIN e conta com o cunho pessoal do Alto Comissário, António Guterres.

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Os protocolos assinados têm a duração de três anos (de 2008 a 2010) mas poderão estender-se por mais tempo e também alargar-se a outros países se a iniciativa se revelar bem sucedida. Aliás, um dos objectivos é que a rede se torne uma referência internacional em termos de solidariedade local. A ideia é que cada organização parceira coloque as suas competências ao serviço do UNHCR na ajuda aos refugiados.

HELPIN VOCÊ TAMBÉM Faça o seu donativo através do IBAN do UNHCR: CH72 0024 0240 FP10 2674 2 Banco: UBS AG Propósito do pagamento: Helpin Responsável do projecto: Susana Boudon (boudon@unhcr.org) www.unhcr.org

Uma empresa de publicidade, por exemplo, pode disponibilizar as suas equipas criativas para criar campanhas publicitárias de angariação de fundos, enquanto uma empresa de telecomunicações poderá veicular essa mesma campanha. A ANA é uma das 22 organizações que aceitaram o convite dirigido pelo UNHCR ao sector privado português e à sociedade civil. No âmbito da sua política de responsabilidade social a ANA aceitou tornar-se parceira do Comissariado e colaborar na procura de soluções para o problema dos refugiados no mundo. Além de uma contribuição financeira, a ANA compromete-se a realizar projectos de recolhas de fundos e a usar a sua rede de comunicação interna em campanhas de sensibilização junto dos colaboradores, parceiros e clientes. Fazem parte deste grupo fundador da Rede Portuguesa empresas como a TAP, a Xerox, a RTP, a Manpower Portuguesa,

Ivity, Bestcom, Jervis Pereira e instituições como a Federação Portuguesa de Futebol, a Fundação Calouste Gulbenkian e a Fundação EDP, entre outras. O facto de se tratar de uma organização virtual, sem custos de gestão e de estrutura, confere-lhe uma flexibilidade particular que permite colocar em prática iniciativas de grande envergadura e sem limitações burocráticas. A rede de parceiros portugueses tem como foco os refugiados no continente africano e o problema da alimentação e nutrição de vários milhares de pessoas. Os refugiados do Djibouti (6737), Quénia (224.380) e Eritreia (4.706) são actualmente os mais carenciados naquele continente, por isso os fundos que a rede portuguesa conseguir angariar no primeiro ano destinam-se a fazer frente aos problemas de alimentação deste grupo específico.

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Há 58 anos a trabalhar pelos refugiados Foi criado por uma resolução das Nações Unidas para durante três anos ajudar a realojar os refugiados europeus da Segunda Guerra Mundial. Passados 58 anos a trabalhar em permanência, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados tem hoje a seu cargo a protecção de cerca de 37 milhões de pessoas em todo o mundo.

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Construir um espaço de asilo com os Estados e parceiros é outra das preocupações do UNHCR.

O Helpin tem como foco os refugiados no continente africano e o problema da alimentação e nutrição de milhares de pessoas.

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Os campos de refugiados servem de abrigo a milhões de pessoas em todo o mundo.

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restes a fazer 19 anos, este vai ser um aniversário diferente para Salah. Em breve ele e a sua família deixarão a Índia, onde vivem há dois anos, para iniciar uma nova vida na Suécia. Um total de 137 palestinianos que deixaram Bagdad e encontraram refúgio provisório na Índia foram aceites por aquele país escandinavo para começar de novo. Após a mudança do regime em 2003 o dia-a-dia da população palestiniana no Iraque assumiu contornos de horror. Perseguições, raptos, lojas incendiadas e casas invadidas tornaram-se frequentes. Prestes a fazer 19 Agora Salah, o pai Thaier, a mãe Nihad e o irmão mais novo, Mohammad, anos, este vai ser receberam uma nova cidadania e fazem um aniversário planos para uma nova vida. diferente para Infelizmente a grande maioria das Salah. Em breve histórias dos refugiados no mundo não ele e a sua família tem um final tão feliz como a desta deixarão a Índia, família palestiniana. Muitos passam anos em campos de refugiados e onde vivem há quando conseguem finalmente voltar dois anos, para às suas casas não encontram nada iniciar uma nova para onde voltar. vida na Suécia. É por finais felizes como este que o UNHCR trabalha há quase 60 anos. A procura de soluções para os problemas dos refugiados no mundo, garantindo os seus direitos, protecção e sobrevivência tem sido a sua missão. Hoje existem no mundo cerca de 37 milhões de pessoas desalojadas das suas casas, vítimas de conflitos, perseguições, catástrofes naturais e violações dos direitos humanos. A grande maioria são mulheres e crianças. Afeganistão, Iraque, Congo, Somália, Chade, Sudão,

Timor Leste, Angola, Moçambique são alguns dos países onde os conflitos armados e as catástrofes naturais têm exigido a presença do UNHCR, presidido por António Guterres desde 2005. A Agência das Nações Unidas leva a estas pessoas protecção legal, abrigos, medicamentos, água e comida, apoios que têm um impacto real na vida de milhões de pessoas. Apesar de contar com um orçamento atribuído pelas Nações Unidas, este representa apenas 3% das necessidades reais da Agência. O grosso das contribuições, 94%, provém dos Estados e instituições multilaterais (UE) enquanto que as contribuições do sector privado representam 3%. António Guterres acredita que é possível conseguir mais e lançou recentemente um apelo de colaboração junto das empresas, organizações não governamentais e da própria sociedade civil para a colaboração na ajuda ao problema dos refugiados no mundo.

Este ano o orçamento total do UNHCR atingiu apenas metade das necessidades estimadas dos refugiados por que é responsável. A criação de novas parcerias e a procura de novos doadores é por isso uma necessidade premente para que se possa atender em tempo útil milhões de pessoas e ultrapassar os desafios que se colocam à missão, muitos de complexidade extrema. As dificuldades com que se debate o Comissariado foram agravadas pela subida acentuada do preço do petróleo e de alguns bens alimentares, como o trigo e o arroz, que aumentaram substancialmente as necessidades de financiamento do UNHCR no último ano. Hoje a agência das Nações Unidas para os refugiados está presente em 116 países e conta com mais de seis mil colaboradores, o que representa um colaborador para cerca de 6160 refugiados.

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_follow me

FOI VOCÊ QUE PEDIU UM SLOT? I

sabel Cysneiros senta-se no seu escritório, no edifício da Direcção do Aeroporto de Lisboa, e prepara-se para explicar pacientemente o que faz afinal, a partir daquele gabinete que tem “Coordenação Nacional de Slots” escrito na porta. Apesar de existirem normas da IATA, a associação internacional do transporte aéreo, que já têm mais de 40 anos, a coordenação de slots é uma actividade relativamente nova na Europa e em Portugal. Uma actividade motivada pelo desequilíbrio crescente entre a expansão do transporte aéreo e a disponibilidade de infra-estruturas para fazer face à procura, o que resulta em aeroportos congestionados. Quando esta realidade já manifestava tornar-se um problema na Europa, em 1993, a Comissão Europeia publicou um regulamento que permite aos Estados membros designar de “coordenados” os aeroportos com sérias limitações de capacidade, obrigandoos a fazer uma avaliação de capacidade dos seus aeroportos por uma entidade independente. Isabel Cysneiros explica que a avaliação “foi feita por duas entidades, o EUROCONTROL e a IATA, e provou que a capacidade que os aeroportos tinham para ser distribuída era de facto a possível, não havendo como, a curto prazo, melhorar para satisfazer a procura”. A partir desse momento o Estado é obrigado a designar o aeroporto como coordenado e também a indicar um coordenador. Assim, em 2005 foi publicado um decretolei designando os aeroportos de Lisboa, Porto, Madeira e Faro como coordenados, embora este último apenas no período de Verão. “O coordenador é uma entidade ou um indivíduo, com currículo na área, que seja reconhecido pelos parceiros e o seu papel

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A sorte não entra nesta equação. A coordenação de slots num aeroporto é um jogo de regras claras e transparentes. Cabe ao coordenador distribuir um recurso que é escasso: o tempo para aterrar e descolar num aeroporto congestionado. é distribuir um recurso que é escasso, portanto algumas falsas ideias. “A capacidade aeroportuária tem de o distribuir de uma forma independente, é a quantidade de passageiros e carga que um transparente e não-discriminatória”, explica. “São aeroporto pode acomodar num determinado estes os princípios, por isso é que é desafiante”. período de tempo, é o resultado da capacidade de Os slots, convém esclarecer, são o tal “bem pista e da capacidade do terminal”, explica. “Quando escasso”, as faixas horárias de que as transportadoras falamos em problemas de capacidade não quer aéreas dispõem para aterrar ou descolar de um dizer que os aeroportos estejam esgotados, quer aeroporto coordenado. dizer apenas que há picos em que a procura é maior Em Portugal a coordenação de slots foi atribuída do que a infra-estrutura disponível”. à ANA e cabe a Isabel Cysneiros chefiar uma equipa O caso mais flagrante é o de Lisboa, onde a de 7 pessoas – 6 mulheres e um homem – que limitação de capacidade ocorre nas alturas de pico a partir dos seus computadores e com a ajuda de (geralmente de manhã das 7h às 9h, a meio do dia um programa informático gerem as solicitações das 12h às 14h, e à tarde das 17h às 19h), não das companhias. A decisão não é aleatória: os princípios da “O coordenador é uma entidade ou um distribuição estão definidos num indivíduo, com currículo na área, que seja Código de Conduta que também reconhecido pelos parceiros e o seu papel é designa que o coordenador seja distribuir um recurso que é escasso, portanto um elemento independente. tem de o distribuir de uma forma independente, É um sistema transparente e transparente e não-discriminatória”. qualquer pessoa pode aceder, através de um site na internet, à atribuiçao de slots existindo geralmente problemas durante o resto do que cada aeroporto faz. Existe ainda outro site que dia. Isto deve-se sobretudo à estratégia da TAP de só pode ser acedido pelas companhias aéreas e pelos fazer coincidir chegadas e partidas para potenciar os handlers. “A transparência do sistema é o garante voos de ligação entre diferentes destinos. da sua idoneidade”, nota Isabel, acrescentando que A coordenação de slots é uma actividade esta é a única forma de trabalhar já que “o slot é o estratégica e feita com muita antecedência. sucesso de uma rota e uma rota representa muito Apanhámos Isabel mesmo antes de viajar para uma dinheiro para uma companhia”. conferência da IATA em Atenas onde irá ser preparado Isabel Cysneiros começou a trabalhar em aviação o horário dos voos para o próximo Verão. Reuniões aos 18 anos, no tráfego da TAP. Apostou sempre como esta já conta, à vontade, com umas 30 no na formação, em Portugal e lá fora e quando a currículo. Antes como “scheduler”, do lado Portugália nasceu foi chefiar o seu Centro de da companhia aérea, agora como Controle Operacional. Era chefe de escala quando coordenadora de slots. foi convidada pelo INAC para estudar o dossier da coordenação de slots com vista a implementar em Portugal um sistema que cumprisse as regras do Régua calendário de consulta permanente com regulamento europeu. todos os prazos da actividade de Fala com empolgamento do seu trabalho e coordenação de slots a nível mundial. mostra-se genuinamente interessada em desfazer

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_follow me O parque de merendas do Aeroporto do Porto.

Faz com frequência acções de esclarecimento cujo objectivo é fundamentalmente um: “Fazer com que as pessoas percebam que o que fazem No dia-a-dia tem um impacto directo no ambiente”

BOM AMBIENTE As preocupações ambientais num aeroporto são semelhantes às de uma cidade. É preciso controlar o ruído, a qualidade do ar, tratar os esgotos, poupar no consumo de água. Sem esquecer a reciclagem e a sensibilização das pessoas. São estas as tarefas de Sofia Rocha, a quem cabe zelar pelo bom ambiente do Aeroporto do Porto. A sensabilização ambiental é uma parte importante do trabalho de Sofia Rocha. O material de divulgação serve de suporte às sessões de esclarecimento que realiza periodicamente.

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eixe ver se ainda sei qual é o meu”. Sofia baixa-se para procurar as etiquetas nos pinheirinhos que estão mais próximos, mas depressa desiste da tarefa ao verificar que já poucos ostentam o nome do funcionário que os apadrinhou. Desde há três anos que no Dia da Árvore o ritual se repete: os colaboradores do Aeroporto do Porto são convidados a plantar uma árvore numa das áreas despidas do aeroporto. Dos cedros, azevinhos e pinheiros mansos estes últimos são os que se têm mostrado mais resistentes. “Para além da função normal de purificador do ar, quando crescerem os pinheiros servirão de barreira contra o ruído dos aviões”, explica,

visivelmente orgulhosa do crescimento das árvores que agora já lhe chegam à cintura. A sensibilização ambiental é parte importante do trabalho de Sofia Rocha, técnica de ambiente a trabalhar actualmente no Serviço de Manutenção Mecânica, Civil e Ambiente do Aeroporto do Porto. Faz com frequência acções de esclarecimento cujo objectivo é fundamentalmente um: “Fazer com que as pessoas percebam que o que fazem no dia-a-dia tem um impacto directo no ambiente”. A reciclagem é uma das suas principais bandeiras e tem-se batido pela melhoria das taxas de aproveitamento que espera serem de 50% dentro de pouco tempo. Um trabalho recompensado por ver o Aeroporto do Porto entre os primeiros nesta matéria. “Tentamos que tudo o que possa ser valorizável seja de facto aproveitado, como é o caso do papel, pilhas, tinteiros, etc”. Todos os resíduos, tanto os equiparados a urbanos como os que resultam dos trabalhos de manutenção, são recolhidos e encaminhados para os respectivos destinos finais adequados. No caso dos orgânicos produzidos na restauração, por exemplo, são levados para compostagem. Responsável pela gestão da vertente ambiental do aeroporto, cabe-lhe também assegurar que todos os requisitos legais a que o aeroporto está obrigado, do ponto de vista do ambiente, sejam cumpridos. “É como uma mini-cidade, temos que garantir

que tudo funciona em conformidade”. Controlar e monitorizar são dois verbos chave no seu trabalho. O ruído no aeroporto é monitorizado por três estações fixas e uma móvel que é periodicamente deslocada para diferentes áreas da região. A supervisão desse sistema e a elaboração de um relatório anual que é enviado para a Inspecção-Geral do Ambiente e Ordenamento do Território e para o INAC são também competências de Sofia Rocha. Apesar de não ser obrigatória por lei, o controlo da qualidade do ar é uma boa prática instituída pela ANA há algum tempo e duas vezes por ano é chamado um laboratório que realiza essas medições. Da mesma forma, os efluentes gasosos das caldeiras responsáveis pelo  aquecimento da água utilizada no sistema de climatização e nos circuitos de água quente sanitária da aerogare são também monitorizados. No que respeita à água consumida no aeroporto, cabe-lhe  acompanhar tanto  o controlo da qualidade como da  quantidade distribuída. Existem contadores independentes em diversas áreas do aeroporto que permitem verificar mais facilmente os consumos e até na rega das áreas verdes há dispositivos amigos da poupança. “O nosso sistema de rega está equipado com sensores de humidade para que não aconteça  a incongruência  que é estar a chover e os sistemas de rega accionados”. Caso único entre os aeroportos do continente, o Aeroporto do Porto está dotado de uma ETAR própria porque quando foi construído, há 15 anos, não havia possibilidade de ligar os seus esgotos à rede pública. Vantagens da recente expansão, o Aeroporto do Porto foi equipado com alguns dos mais modernos (e ecológicos) equipamentos, como é o caso do sistema de drenagem de águas residuais que, por funcionar a vácuo, permite poupar muitos litros de água em cada descarga do autoclismo. Outros sistemas amigos do ambiente são, por exemplo, os separadores de hidrocarbonetos que, nas áreas onde há maior probabilidade de ocorrência de derrames de óleos ou combustíveis (lavagem de viaturas, oficinas, abastecimentos, estacionamento de aeronaves, etc.), separam a água das substâncias poluentes. “Estes sistemas permitem ter a certeza de que a água que sai do aeroporto está tratada”. Outro dos orgulhos de Sofia Rocha é o Parque de Merendas do aeroporto, um espaço que também foi alvo de uma recuperação paisagística. É ali que decorrem algumas das celebrações da empresa, quando o tempo está a favor, como a sardinhada organizada anualmente pela Direcção.

A estação móvel de monitorização do ruído é periodicamente deslocada para locais diferentes na periferia do aeroporto.

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_partidas

NUREMBERGA MEDIEVAL E MODERNA

Dentro da robusta muralha que ainda rodeia o centro histórico de Nuremberga encontram-se as principais atracções históricas e museus e também as melhores lojas, mercados, cafés e restaurantes. Tudo à distância de uma breve caminhada.

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uando o pintor renascentista Albrecht Dürer voltou a Nuremberga, depois das suas viagens por Itália e pelos Países Baixos, as ruas da Cidade Velha não deveriam ter um aspecto muito diferente daquele que têm hoje. Se conseguirmos abstrair-nos das lojas de marca, dos cafés franchisados e de todos os sinais exteriores do desenvolvimento da Baviera, é possível imaginar como seria a Nuremberga de 1500, quando a cidade era um centro de artes, cultura, ciência e engenho. O centro histórico de Nuremberga é uma pérola medieval e, diz-se, um dos mais bonitos de toda a Alemanha. Contudo, apesar de ter apresentado diversas vezes à UNESCO a candidatura a Património Cultural da Humanidade, a cidade viu sempre rejeitada essa pretensão. Caminhando pelas ruas empedradas, olhando as fachadas românticas em enxaimel, as torres das igrejas góticas, atravessando as pontes sobre o rio Pegnitz, pensamos que só pode ser má vontade dos senhores 38

da Unesco. Na verdade, pouco do que vemos remonta à Idade Média porque no final da Segunda Guerra quase nada ficou de pé. Ao contrário de outras cidades que tiveram a mesma sorte e depois optaram por começar do nada, em Nuremberga a maioria das construções medievais foram recuperadas a partir de planos originais existentes desde a Idade Média. A portentosa muralha que circunda todo o centro ao longo de cinco quilómetros resistiu como um sinal de que a cidade voltaria a brilhar. E voltou. Orgulhosa das suas raízes, do papel importante que teve na história do Sacro Império Romano-Germânico, é hoje a segunda cidade do estado da Baviera, com meio milhão de habitantes, indústrias, negócios, muitos eventos culturais e uma grande riqueza de tradições. O centro histórico – que se divide entre as paróquias de São Sebaldo, a Norte do Pegnitz, e de São Lorenço, a Sul – é também cenário para acontecimentos célebres. O mundialmente famoso Mercado de Natal, que se realiza na praça central em frente à Igreja de Nossa

As pontes sobre o rio Pegnitz, na cidade velha, oferecem algumas das melhores vistas de Nuremberga.

O Männleinlaufen, o relógio mecânico da torre da Igreja de Nossa Senhora, é uma popular atracção entre os turistas.

Senhora (Frauenkirche), atrai todos os anos milhares de pessoas a Nuremberga e transforma a cidade num conto de fadas. Se não gosta de multidões é melhor ficar longe, mas o ambiente é realmente especial. Nesta praça, a Hauptmarkt, além do mercado, há atracções que chegam para gastar algum tempo. A começar pelo relógio da torre da igreja, o Männleinlaufen, que diariamenta antes do meio-dia faz juntar uma pequena multidão de cabeça no ar. Ao som das badaladas (das igrejas vizinhas) sete figurinhas mecânicas começam a andar à volta do Imperador Carlos IV, numa alusão à promulgação da Bula Dourada,

em 1356, que veio aumentar a importância da cidade dentro do Império. Outra atracção é o peculiar Schöne Brunnen, literalmente “a Fonte Bela”, um chafariz dourado do século XIV com 19 metros de altura. No gradeamento que o cerca está entrelaçado um anel que, diz o povo, tem o condão de realizar desejos se o girarmos três vezes. Está brilhante do uso e como nestas coisas nunca se sabe, o melhor é esperar na fila e fazer o nosso desejo. A “Fonte Bela” é também um popular ponto de encontro para os locais.

Nuremberga tem uma forte tradição no fabrico de brinquedos. Há-os para todos os gostos e bolsas.

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_partidas Mas o principal cartão postal de Nuremberga é o Castelo Imperial, um impressionante complexo de edifícios que coroa a ligeira colina rochosa que se eleva sobre a cidade. Um dos mais importantes da Idade Média, foi usado entre 1050 e 1571 por todos os imperadores do Sacro Império Romano-Germânico. Está aberto aos visitantes e algumas salas até podem ser alugadas para a realização de festas e eventos. Cidade de artes e ofícios, o artesanato tem uma tradição bem marcada em Nuremberga. No Pátio dos Artesãos (Handwerkerhof), podem-se admirar peças de artesanato tradicional que incluem a pintura em vidro, a fundição de estanho e o trabalho com couro. Outra actividade com muita história na cidade são os brinquedos. Nuremberga é a

cidade dos brinquedos e a Feira Internacional do Brinquedo (organizada pela primeira vez em 1950, apenas cinco anos após o fim da guerra) atrai quase tanta gente como o Mercado de Natal. No Museu do Brinquedo (Spielzeugmuseum) existe uma variedade de brinquedos históricos, em madeira, em papel e em lata. A oferta de museus é vasta e a dificuldade está mesmo em optar. A Casa Albrecht Dürer, apesar de não exibir os trabalhos do pintor que estão espalhados por diversas colecções no mundo (existe um quadro no Museu de Arte Antiga em Lisboa), permite uma visão sobre a vida e os instrumentos de trabalho do artista. Se não houver muito tempo, imperdível é uma visita ao Museu Germânico Nacional (Germanisches Nationalmuseum), que tem a mais importante colecção de arte

e história da cultura das regiões de língua alemã, com 1,2 milhões de objectos. Para os interessados no período mais sombrio da história da Alemanha, Nuremberga é também a cidade a visitar, já que teve uma ligação ao Partido Nazi como nenhuma outra no país. Após a ascensão ao poder, Hitler escolheu-a para receber entre 1933 e 1938 vários comícios do partido (as Reuniões de Nuremberga). No Centro de Documentação do Complexo do Congresso do Partido Nacionalista foi instalado um museu dedicado à história do Terceiro Reich. Situado na ala norte de um coliseu mandado contruir por Adolf Hitler no bairro Dutzendteich, nas antigas áreas de desfile do Partido Nazi, tem uma exposição permanente, “Fascínio e Poder”,

que aponta as causas e o contexto do surgimento do nazismo. Os Julgamentos de Nuremberga, que depois da Segunda Guerra Mundial julgaram os criminosos de guerra da Alemanha nazi, são outro facto histórico que ligará para sempre a cidade a este período. A sala nº600 do Palácio da Justiça de Nuremberga, procurada por muitos turistas, vai estar encerrada durante uns meses do próximo ano para obras. Para uma cidade com meio milhão de habitantes, Nuremberga apresenta dados ambientais exemplares. Quase 40 % do espaço urbano é ocupado por áreas verdes, como florestas, lagos e rios. Na área urbana não existem indústrias poluentes e uma gestão ecológica de resíduos assegura uma quota de reciclagem de 53%. Além

Célebre pelo seu mercado natalício, Nuremberga é também a cidade do Natal por excelência.

disso, as florestas Seebalder Reichswald e Lorenzer Reichswald formam um cinturão verde que rodeia a cidade. É um bom destino para uma escapada de fim-de-semana mas, caso tenha mais tempo, empreenda uma viagem pela famosa Rota dos Castelos, que entre Manheim e Praga (na República Checa), passando por Nuremberga, abrange mais de 70 castelos e palácios ao longo de 1000 quilómetros.

COMO IR A Air Berlin começou a 3 de Novembro a voar semanalmente, às segundas-feiras, de Ponta Delgada para Nuremberga. O voo, de quatro horas e meia, sai de Nuremberga às 8h35 e de Ponta Delgada às 12h40. A partir de Lisboa, Porto e Faro a Air Berlin também voa para Nuremberga, via Palma de Maiorca. Para mais informações consulte o site www.ana.pt O Aeroporto Internacional de Nuremberga está situado a 7 quilómetros a norte da cidade. A linha U2 do metro (U-Bahn) liga o aeroporto à estação Hauptbahnhof, no centro de Nuremberga, em cerca de 12 minutos.

Uma representação moderna da famosa lebre que Dürer, filho pródigo de Nuremberga, pintou em 1502.

Apesar do frio, vale a pena visitar a cidade no Inverno quando o dourado das árvores dá uma atmosfera especial à cidade.

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_lifestyle

TAPAS E PASTAS O

Cockpit Bar é já um clássico no Aeroporto de Lisboa, mas depois da remodelação, que lhe deu um novo e sofisticado look, poucos se lembrarão do anterior espaço por onde passaram tantas vezes. Um design arrojado e uma audaz combinação de cores, que vão do

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metalizado ao rosa e ao lilás, fazem do novo Cockpit uma paragem incontornável na passagem pela zona de restauração do aeroporto. Com o seu cardápio de tapas frias, quentes, minibocadillos, salgadinhos e aperitivos secos, é o sítio ideal para petiscar qualquer coisa antes de embarcar. A

acompanhar existe uma seleccionada carta de vinhos a copo, assim como aperitivos, licores e cocktails. Se a hora for ainda imprópria para petiscos, o passageiro tem à escolha três saborosas opções para começar o dia: o pequeno-almoço Continental, à Inglesa ou Natural.

A nova vida do Aeroporto de Lisboa passa também por novos conceitos de restauração em ambientes sofisticados. O renovado Cockpit Bar e o novo Oregano são dois dos espaços que tornam os momentos antes do embarque relaxantes e mais agradáveis. Certamente um bom motivo para chegar mais cedo ao aeroporto. Perto mas com um conceito muito diferente está o Oregano. Aqui encontramos a criativa e muito saudável cozinha mediterrânica aromatizada com os sabores do Sul, como os orégãos ou o manjericão. No menu há diariamente

sopas, saladas, sanduíches, massas variadas, pratos de peixe, de carne e quiches, para levar ou para desfrutar no agradável espaço da esplanada. Frutas e sumos naturais complementam a dieta mediterrânica e são uma mais valia para quem, mesmo em viagem, não descura a alimentação.

A Santa Fé Associates é a empresa responsável pelo novo design destes espaços, que se apresentam agora com uma imagem mais clean, actual e descontraída.

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_lifestyle DOCES TENTAÇÕES É sem dúvida o espaço mais colorido e apetitoso de todo o aeroporto. É quase impossível passar sem olhar e... entrar . A Cores Doces é o paraíso dos gulosos e um local a ter em conta por todos aqueles que gostam de chegar com uma doce lembrança .

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ão geralmente tidos como uma coisa dos mais pequenos, mas o adulto que nunca foi à caixinha dos doces das crianças lá de casa, que atire a primeira pedra. Por isso a Cores Doces, no Aeroporto de Lisboa, é uma loja para miúdos e graúdos. Ali encontramos todo o tipo de sabores, texturas e formas, com e sem açúcar. Gomas, chupa-chupas, rebuçados, alcaçuz, marshmallows, pastilhas elásticas, drageias, tudo com muita cor e variedade e com preço ao quilo. Os produtos contam com a qualidade e a experiência que a marca espanhola Vidal atingiu ao longo de 45 anos de actividade. Presente em países como Portugal, Reino Unido, Itália, EUA, Israel e França, a Vidal é líder no sector das guloseimas com uma vasta e variada gama de produtos. Igualmente irresistível é a montra dos sofisticados chocolates belgas. Os bombons têm nomes tão sugestivos como Jeanne d’Arc, Dakar, Liège ou Bonaparte, e há-os para todos os paladares: com recheio de avelã, creme de noz, creme de banana, ganache de whisky, etc.

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Para breve está prometida a célebre ginjinha em copo de chocolate, especialidade da vila de Óbidos, o local em Portugal com mais tradição no que a chocolate diz respeito. A Cores Doces é um novo conceito no Aeroporto de Lisboa, introduzido depois das obras de remodelação da área comercial. Além da loja na zona de restauração, existem duas “ilhas” estrategicamente colocadas, nas Chegadas e na zona dos balcões de check in. Para as crianças ou para alguém especial, as guloseimas da Cores Doces são um presente simpático quando se chega de viagem. Mesmo ao lado fica a loja da Olá, também uma novidade depois da renovação da área comercial. Aqui há gelados e batidos com a qualidade da marca que os portugueses se habituaram, ao longo de gerações, a identificar como sinónimo de gelado.

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AROMAS PARA O FRIO

_shopping

Os dias de Inverno pedem aromas quentes, intensos e fortes. Mais do que um acessório, um perfume é também uma forma de marcarmos o nosso estilo, a nossa imagem e modo de estar. Seleccionámos alguns. Escolha o seu.

À venda nas lojas Just for Travellers, nos aeroportos do continente (1º preço) e dos Açores (2ºpreço).

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5 PARA ELA

PARA ELE 01 1 Million, Paco Rabanne €49/€44,10

Jasmin Noir, Bulgari 07 €62/€55,80

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02 Diamonds Men, Emporio Armani €56/€50,40

Magnifique, Lâncome 08 €61,50/€55,40

03 Gucci by Gucci Homme, Gucci €57,10/€51,40

L’Eau The One, Dolce & Gabbana 09 €49/€44,10

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04 Dior Homme Sport €39,70/€35,80

Be Delicious Night, DKNY 10 €39,60/€35,70

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05 Terre d’Hermès, Hermès €41/€36,90

Chloé Signature, Chloé 11 €52/€46,80

06 Infusion Homme, Prada €58/€52,20

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CH, Carolina Herrera, 12 €48/€43,20

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Eau Première Nº 5, Chanel 13 €72/€64,80

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Secret Obssesion, Calvin Klein 14 €51/€45,90

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Kenzo Winter, Kenzo 15 €53/€47,70

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_aldeia global

A A Magazine agradece a colaboração das seguintes pessoas e entidades na elaboração desta edição:

Fim de ano no Brasil sem stress

Operador mexicano entra na hotelaria

Da Irlanda para os EUA sem parar na Imigração

Emirates quer mais slots em Itália

António Guterres Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados Alexandra Müller Assessoria de imprensa da Air Berlin Ema Piçarra Gestora de Comunicação Just for Travellers Fernando Pinto Administrador Delegado da TAP Portugal Isabel Palma Coordenadora de Comunicação da TAP Portugal João Mendes - Go Car Tours Karola Gärtner Oficina de Turismo de Nuremberga Maria Tavares Gabinete de Comunicação e Imagem do Turismo de Lisboa Maria Viera e Fernando Rocha Susana Boudon Divisão de Projectos Especiais do UNHCR Susana Welsh - Red Tours

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operador aeroportuário mexicano Grupo Aeroportuario del Centro Norte vai desenvolver um hotel e áreas comerciais no movimentadíssimo aeroporto da Cidade do México, numa tentativa de aumentar as suas receitas. O Grupo comprou 90% do consórcio Grupo Hotelero T2 para construir um hotel NH e várias lojas no novo terminal do aeroporto que, estima-se, deverá servir mais de 9 milhões de passageiros em 2008. “Esperamos que este projecto nos permita aumentar as receitas de não-aviação e assim equilibrar as receitas totais”, disse Ruben Lopez, director executivo do Grupo. Responsável pela gestão de 13 aeroportos no Norte e Centro do México e nos destinos de praia Acapulco e Zihuataneio, o operador segue deste modo os passos do rival ASUR, que recentemente comprou terrenos para a construção de um hotel na costa do Pacífico. Os especialistas prevêem que os operadores aeroportuários irão enfrentar uma descida de tráfego de passageiros ainda mais acentuada nos próximo meses, em consequência da baixa da economia e do alto preço das passagens aéreas.

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Ministério da Defesa brasileiro e as principais empresas da aviação civil do país prepararam uma série de medidas para assegurar um fim de ano tranquilo para quem viajar de avião de e para o Brasil no final deste ano. Com a “Operação Feliz 2009” pretendese evitar o caos aéreo registado em 2006 e 2007 nos principais aeroportos brasileiros, com muitos atrasos e cancelamento de voos. A já débil situação do tráfego aéreo no Brasil tende a agravar-se nos últimos meses do ano por causa da época festiva, do final e reinício das aulas e porque o país é o destino de eleição de muitos estrangeiros para o “réveillon”. Entre outras medidas, as companhias aéreas comprometeram-se a não praticar overbooking (venda de passagens além da capacidade da aeronave) no período de 19 de Dezembro a 7 de Janeiro. Além disso, concordaram em endossar passagens de outras empresas, de forma a reduzir o transtorno de passageiros que forem vítimas de eventuais voos cancelados ou atrasos muito longos. A Polícia Federal e a Receita Federal também reforçarão as equipas que atendem as áreas internacionais dos aeroportos, principalmente os do Galeão, no Rio de Janeiro, de Guarulhos, em São Paulo, e de Brasília.

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s aeroportos irlandeses estão prestes a tornar-se os primeiros fora das Américas a disponibilizar integralmente serviços da Imigração norte-americana antes do embarque. Os voos a partir de Shannon, na costa Oeste da Irlanda, e de Dublin serão tratados à chegada aos Estados Unidos como voos domésticos. Isto permite às companhias voar para os terminais domésticos nos aeroportos americanos, menos congestionados e mais baratos, e permite aos passageiros passar sem parar nos balcões de controlo da Imigração. Por enquanto os passageiros ainda têm de passar na Alfândega e na inspecção dos serviços de agricultura à chegada aos EUA, mas brevemente estes procedimentos também deixarão de ser necessários. O governo irlandês acredita que estas estruturas poderão impulsionar a posição dos aeroportos do país enquanto “hubs” intercontinentais. Até agora apenas aeroportos no Canadá e nas Caraíbas dispunham de serviços da Imigração norte-americana.

companhia aérea Emirates, propriedade do governo do Dubai, quer aumentar significativamente os seus slots nos aeroportos em Itália, uma estratégia que irá impulsionar o turismo da Ásia e dos países do Golfo para Itália. A Emirates, que actualmente tem menos de 10 slots semanais em Itália, já pediu slots para 21 voos semanais para Roma, 21 para Milão e 14 para Veneza. Pretende também fazer 28 voos de carga por semana. Entretanto, a companhia aérea detida pelo Estado de Abu Dhabi, a Etihad Airways, também pretende operar sete voos semanais para Roma e outros tantos para Milão. “Isto significa que os Emiratos Árabes Unidos escolheram a Itália como a sua porta de entrada na Europa”, disse Adolfo Urso, o Secretário de Estado para a Indústria italiano. Urso referiu ainda que estes planos estão em sintonia com os esforços para relançar a companhia aérea nacional Alitalia. É de esperar que a Alitalia, que está a ser comprada por um consórcio formado por empresários italianos, ceda slots como parte do processo de compra, embora não tenha ainda sido tomada qualquer decisão sobre quantos ou quais serão cedidos.

ANA Ana Lúcia Paulo Divisão de Marketing Aeroportuário do Aeroporto de Lisboa Deolinda Santos Gabinete Desenvolvimento do Aeroporto de Lisboa Esmeralda Ferreira Direcção de Retalho Francisco Pita Divisão de Marketing e Apoio a Clientes do Aeroporto de Faro Heitor da Fonseca Conselho de Administração Ingrid Lourenço Divisão de Marketing Aeroportuário do Aeroporto de Lisboa Isabel Cysneiros Coordenação Nacional de Slots Luís Castanho ANA Consulting/Gabinete de Inovação e Projectos Tecnológicos Especiais Madalena Oliveira Centro de Serviços Partilhados/Informação Documentação e Cultura Sofia Rocha Núcleo de Ambiente do Aeroporto do Porto Susana Santos Direcção dos Serviços Técnicos Teresa Ribeiro Direcção de Sistemas e Tecnologias de Informação e Comunicação/Serviço de Gestão de Projectos

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_passageiro frequente

AS AURORAS LUSITANAS Maria Vieira e Fernando Rocha

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á cerca de um ano, o nosso  querido amigo  Miguel Fallabela ligou-nos do Brasil a dar-nos conta de um projecto que estava muito perto de ser aprovado pela Globo e para o qual tinha escrito um personagem especificamente para a Maria Vieira. Na altura, apesar de termos ficado muito contentes por voltar a ouvir a voz do nosso amigo carioca, não demos muita importância ao  convite e chegámos mesmo a relacionar  o  entusiasmo do Miguel com um eventual excesso de caipirinhas... Só alguns meses depois é que descobrimos que o Miguel, afinal,  estava sóbrio! Esse tal projecto, uma novela com o sugestivo título “Negócio da China”, tinha finalmente  sido aprovado pela Rede Globo. Depois de um aturado período de negociações, no passado dia 25 de Agosto aterrámos (nós e o nosso amado cachorrinho, o Xulo), no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. Assim que passámos as portas do avião e iniciámos o trajecto pelo interior da manga, até ao terminal, fomos recebidos pelo já nosso conhecido “bafo” tropical, tão característico dos países que fazem as nossas delícias como a Tailândia, a Malásia, a Indonésia, as Filipinas, a Polinésia Francesa... Enfim, todos esses locais encantadores que amamos e onde costumamos ser felizes. Dêem-nos uma boa chapada de ar quente e pegajoso e verão como rejubilamos! E foi assim, com um belo sorriso encavalitado nos beiços, que nos dirigimos ao tapete rolante onde haveríamos de recolher as nossas bagagens. Meia-hora depois, o sorriso já havia abandonado os nossos rostos, dando lugar a um par de carantonhas enfadadas com uma seca das grandes. A razão de tal decepção, que a dada altura já se tinha transformado em desespero, era muito simples: faltava-nos uma malita das quatro que tinhamos embarcado em Lisboa. Fomos informados que a tal malita, afinal,  havia sido retida na alfândega! “Descobriram cocaína na nossa mala”, exclamou a Maria, desorientada com o que nos estava a acontecer. “Maria, aqui no Brasil eles não importam cocaína, só exportam”, tranquilizou-me o Fernando. Finalmente, fomos conduzidos a uma porta  que ostentava  um letreiro onde se lia: “Ministério da Agricultura”. No gabinete fomos informados sobre  o criminoso conteúdo da nossa Samsonite: um saco de plástico contendo 100 gramas de ração para cachorro! Eis a gravidade do nosso delito.

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O facto é que não se pode transportar alimentos perecíveis para o interior do Brasil. Até aí, nada de novo, o mesmo se passa nos E.U.A., na Austrália, na Nova Zelândia e no Japão, países que já visitámos e onde não se pode levar nem sequer uma farinheira para matar saudades do nosso cantinho! Mas quem é que se ia lembrar da comida do cão? Nós, não, pelos vistos! Como sabíamos que chegaríamos de noite ao Rio de Janeiro, resolvemos levar um snack para o nosso querido Xulo, que entretanto, ainda dentro da sua transportadora, não fazia xixi nem cócó há cerca de 14 horas! Pobre animal. Um autêntico herói, é o que ele é. O cachorro mais asseado de toda a história canina! E agora, a parte engraçada do texto: a personagem da Maria na novela - a Dª Aurora - no terceiro episódio de “Negócio da China”, quando se prepara para entrar no Brasil, também fica retida na alfândega à conta do azeite, do vinho, dos enchidos, dos queijos e do pão que tenta “traficar” para o interior do país irmão. Que estranha coincidência! Ou será que a  actriz Maria Vieira leva o seu papel tão a sério que até resolve passar pelas mesmas emoções do seu personagem? Mas atenção, aqui, quem merece o Óscar não é a Parrachita. Não, neste caso, o laureado deve ser o Miguel Fallabela, que, em virtude  da sua  excelente capacidade de observação, resolveu homenagear  as  “Auroras” que diariamente são retidas na alfândega do Aeroporto Internacional do Galeão. Só no espaço de tempo (três horas!) em que os autores deste texto estiveram “presos” no gabinete do Ministério da Agricultura, por lá passaram igualmente mais três Donas Auroras, todas elas perigosas traficantes de delícias lusitanas. Está provado que o maior crime dos portugueses no Brasil é, afinal, o terrível apego à sua própria gastronomia. Por favor, Senhor Presidente Lula da Silva, conceda amnistia a estas pobres delinquentes... 

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A Magazine #4  

Refugiados: organizações portuguesas formam rede de ajuda.

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