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23 de março a 20 de abril de 2013

João Castilho Caos-Mundo


João Castilho 1978, Belo Horizonte, Brasil [Brazil], Vive e trabalha em [lives and Works in] Belo Horizonte, Brasil [Brazil]

Formação [Education] 2010 •Mestrado [Master Degree]. Artes Visuais [Visual Arts], Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil [Brazil] 2003 •Pós-graduação em Artes Plásticas e Contemporaneidade [Fine Arts and Contemporaneity]. Escola Guignard, Universidade do Estado de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil [Brazil] 2001 •Comunicação e artes. Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil [Brazil] Exposições individuais [Solo exhibitions] 2012 •Disruption. 1500 Gallery, Nova Iorque [New York], EUA [USA] 2011 •Hotel Tropical. Zipper Galeria, São Paulo, Brasil [Brazil]; Celma Albuquerque Galeria de Arte, Belo Horizonte, Brasil [Brazil] 2010 •Fundação Joaquim Nabuco, Recife, Brasil [Brazil] •Celma Albuquerque Galeria de Arte, Belo Horizonte, Brasil [Brazil] 2009 •Centro Cultural Simon I. Patiño, Santa Cruz, Bolívia [Bolivia] 2008 •Galeria Olido/Centro Cultural São Paulo, Brasil [Brazil] •Instituto Oi Futuro, Rio de Janeiro, Brasil [Brazil] 2007 •Celma Albuquerque Galeria de Arte, Belo Horizonte, Brasil [Brazil] 2006 •Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte, Brasil [Brazil]


Exposições Coletivas [Group Exhibitions] 2013 •Convite à Viagem - Rumos Artes Visuais 2011/2013. Paço Imperial, Rio de Janeiro, Brasil [Brazil] 2012 •Imagem Mi(g)rante. Zipper Galeria, São Paulo, Brasil [Brazil] •Lacónico. Centro Cultural LUX, Cidade da Guatemala, [Guatemala] •À Deriva - Rumos Artes Visuais. Museu de Arte de Joinville, Brasil [Brazil] •Through the Surface of the Pages. Harvard University, Cambridge, EUA [USA] •Documentário Imaginário. Oi Futuro, Rio de Janeiro, Brasil [Brazil] •Fio do Abismo - Rumos Artes Visuais. Casa das Onze Janelas, Belém, Brasil [Brazil] •Lago Film Fest - International Festival of Short Films and Documentaries. Revine Lago, Itália [Italy] •Métodos empíricos para a extração (ou construção) de uma forma. Celma Albuquerque Galeria de Arte, Belo Horizonte, Brasil [Brazil] •Eloge du Vertige. Maison Européenne de la Photographie, Paris, França [France] •Convite à Viagem - Rumos Artes Visuais 2011/2013. Itaú Cultural, São Paulo, Brasil [Brazil] •Mythologies: Brazilian Contemporary Photography. Shiseido Gallery, Tóquio [Tokyo], Japão [Japan] •Coleção Itaú de Fotografia. Centro Cultural Paço Imperial, Rio de Janeiro, Brasil [Brazil] •Segue-se Ver o Que Se Quisesse. Palácio das Artes, Belo Horizonte, Brasil [Brazil] •Métodos Empíricos para a Extração (ou Construção) de uma Forma. Celma Albuquerque Galeria de Arte, Belo Horizonte, Brasil [Brazil] •Rumos: Convite à Viagem. Itaú Cultural, São Paulo, Brasil [Brazil] 2011 •47º Salão de Artes Plásticas de Pernambuco. Recife, Brasil [Brazil] •Percursos e Afetos – Fotografias 1928-2011. Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil [Brazil] •Dali International Photography Exhibition. Dali, China

•Paisaje Sumergido. Ex Teresa Arte Actual, Cidade do México [Mexico City] •Conversações - Coleção Especial Livros de Artista. Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil [Brazil] •Fotoseptiembre. Cidade do México [Mexico City], México [Mexico] •Geração 00 – A Nova Fotografia Brasileira. SESC Belenzinho, São Paulo, Brasil [Brazil] •Festival Internacional de Fotografia de Porto Alegre, Brasil [Brazil] •Encubrimientos. Instituto Cervantes, Chicago, EUA [USA]; Instituto Cervantes, Beijing, China 2010 •Historias de Mapas, Piratas e Tesouros. Instituto Itaú Cultural, São Paulo, Brasil [Brazil] •Encubrimientos. Instituto Cervantes, Madri [Madrid], Espanha [Spain] •Kaunas Photo Festival, Kaunas, Lituânia [Lithuania] •Sobre Ilhas e Pontes. Galeria Candido Portinari, Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Brasil [Brazil] •Dez Anos do Clube de Fotografia. Museu de Arte Moderna de São Paulo, Brasil [Brazil] •Do Desejo Inconfesso. Micasa, São Paulo, Brasil [Brazil] •Projeções. Sala Helio Oiticica, Santander Cultural, Porto Alegre, Brasil [Brazil] •Coisário Cassino Museu. Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte, Brasil [Brazil] •Brazilian. 1500 Gallery, Nova Iorque [New York], EUA [USA] 2009 •60º Salão de Abril. Fortaleza, Brasil [Brazil] •Da Beleza Transfigurada. Micasa, São Paulo, Brasil [Brazil] •Videocidades, Imagem Pensamento. Cine Humberto Mauro, Belo Horizonte, Brasil [Brazil] •Da Gênese Convulsiva. Micasa, São Paulo, Brasil [Brazil] 2008 •Disseminação. Museu Inimá de Paula, Belo Horizonte, Brasil [Brazil] •Underwater Landscape. Noorderlicht Photogallery, Groningen, Holanda [Holland]


•Festival Internacional de Fotografia. Porto Alegre, Brasil [Brazil] •Paisagem Submersa. Galeria Luisa Strina, São Paulo, Brasil [Brazil]; Museu Mineiro, Belo Horizonte, Brasil [Brazil]; Silvia Cintra Galeria de Arte, Rio de Janeiro, Brasil [Brazil] •Sangue Novo. Museu Bispo do Rosário, Rio de Janeiro, Brasil [Brazil] •Nubes. Galeria Meninos de Luz, Rio de Janeiro, Brasil [Brazil] •Festival Internacional de Fotografia de Porto Alegre, Brasil [Brazil] 2007 •14º Salão da Bahia. Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador, Brasil [Brazil] •Coleção Pirelli/MASP de Fotografia. Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, Brasil [Brazil] •Individuais Simultâneas. Centro Cultural Usiminas, Ipatinga, Brasil [Brazil] •Cidadania... Brasileiros. Centro Cultural São Paulo, Brasil [Brazil] 2006 •Paisagem Submersa. Palácio das Artes, Belo Horizonte, Brasil [Brazil]; Galeria Box 4, Rio de Janeiro, Brasil [Brazil] •Arquivo Geral. Centro de Cultura Hélio Oiticica, Rio de Janeiro, Brasil [Brazil] •Prêmio Porto Seguro de Fotografia. São Paulo, Brasil [Brazil] •Muriliana. Palácio das Artes, Belo Horizonte, Brasil [Brazil] •5ª Biennale de la Photographie et des Arts Visuel. Liège, Bélgica [Belgium] 2005 •Além da Imagem. Centro Cultural Telemar, Rio de Janeiro, Brasil [Brazil] •Noorderlicht Photofestival. Groningen, Holanda [Holland] Prêmios [Awards] 2012 •Residência Artística [Artist Residency]. Fundação Armando Álvares Penteado, São Paulo, Brasil [Brazil] 2011 •Prêmio Ibram de Arte Contemporânea. Instituto Brasileiro de Museus, Brasília, Brasil [Brazil]

2010 •Conexão Artes Visuais. Funarte, São Paulo / Rio de Janeiro, Brasil [Brazil] •Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia. Funarte, Rio de Janeiro, Brasil [Brazil] 2009 •Bolsa de Mestrado [Master Degree Scholarship]. Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil [Brazil] 2008 •Prêmio Fundação Conrado Wessel de Arte. São Paulo, Brasil [Brazil] •Bolsa de Estímulo à Criação Artística. Funarte, São Paulo, Brasil [Brazil] •Bolsa de Pesquisa e Produção [Research and Production Scholarship]. •WSalão de Artes Plásticas de Pernambuco, Recife, Brasil [Brazil] 2007 •Residência Artística [Artist Residency]. Centre Soleil d’Afrique, Bamako, Mali 2005 •Prêmio Porto Seguro de Fotografia. São Paulo, Brasil [Brazil] •Bolsa Pampulha. Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte, Brasil [Brazil] Coleções públicas [Public collections] •Tokyo Metropolitan Museum of Photography, Tóquio [Tokyo], Japão [Japan]. •Coleção Pirelli/MASP de Fotografia, São Paulo, Brasil [Brazil] •Musée d’Art Modern et Contemporain, Liège, Bélgica [Belgium] •Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte, Brasil [Brazil] •Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador, Brasil [Brazil] •Museu de Arte Moderna de São Paulo, Brasil [Brazil] •Noorderlicht Photogallery, Groningen, Holanda [Holland] •The Mind´s Eye, Amsterdã [Amsterdam], Holanda [Holland] •Musée du Quai Branly, Paris, França [France] •Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, Brasil [Brazil] •Museu Mineiro, Minas Gerais, Brasil [Brazil] •Coleção Itaú de Fotografia Brasileira, São Paulo, Brasil [Brazil]


Caos-mundo Os trabalhos de João Castilho evidenciam relações entre a imagem fotográfica e a ampliação dos dispositivos narrativos. Castilho se interessa por observações sobre vínculos entre a paisagem e a visualidade pictórica, por exemplo, quando se dedica a intervir com pigmento colorido num deserto de sal. Ou ainda, ao observar fenômenos da natureza em ambientes interioranos, como nos redemoinhos do sertão mineiro. De outro modo, vemos a paisagem invadir estruturas de outdoor, nuvens se adequarem a conformação retangular como se preparadas para aquela moldura específica. Com isso, a presença de certa escritura da imagem o coloca em franca observação de alvos, momentos memoráveis, mirando a câmera, mas não se acomodando ao clic único. Os projetos de Castilho ultrapassam o uso da fotografia. Em recente produção videográfica, Morte Súbita o artista observou o momento pregnante de um disparo e fez um políptico com monitores que nublavam, eclipsavam as cenas, mas que coincidiam sincronicamente com o disparo do tiro. Um trabalho de extrema beleza e crueldade, não apenas pelo tiro disparado, mas por nos fazer refletir sobre a banalidade da imagem da morte, a espetacularização da mídia sobre tragédias diárias, tais como sequestros, assaltos, perseguições policiais. Para a exposição, João Castilho parte do conceito homônimo de Glissant, onde o autor se dedica a compreender os acontecimentos que nos fazem ultrapassar a dicotomia oralidade e escrita. No Caos-mundo, a existência de uma Totalidade-terra prevê uma reformulação na relação entre normas e regras, abrindo- se a compreensão de fatos políticos e estéticos advindos das margens da sociedade. Estamos confrontados ao resultado do uso da linguagem que transcende a norma culta. E, ao contrário do erro gramatical, esse abuso da narrativa nos lança alertas sobre a existência de uma impossibilidade de comunicação nas vias tradicionais. A escrita, como já nos alertara Jack Good, é a domesticação o pensamento. O caos, então, seria uma resposta, um escape. Na exposição, Castilho nos apresenta o vídeo Abismo. Partindo do fundo, da escuridão, vemos uma embarcação, repleta de gente, se deixar levar pelo movimento das águas. A imagem associativa mais óbvia, para o Brasil, seria a dos caminhos da colonização, as referências indígenas ou os navios negreiros. E o barco segue em direção à câmera, como se estivéssemos diante de um intervalo no filme, de um frame intermediário na narrativa mais completa. Porém, não há inicio ou fim. Eis que estamos diante de toda a história, de história nenhuma, de um hiato, onde a relação entre título e imagem nos faz espectadores de um acontecimento que acaba por não acontecer. O abismo, então, é o porvir, algo que possivelmente se encontraria logo depois daquele instante, onde os embarcados estão à deriva. Oralidade e escrita, assim, se apresentam como traumas da colonização, nos termos de Glissant. Em outro vídeo, Erupção, várias cenas concomitantes, separadas em múltiplos monitores, nos fazem intuir a presença de incêndios. Mas o assunto principal, novamente, só se deixa observar de esguelha, como se a câmera buscasse de maneira investigativa o acontecimento, sem ter certeza para que ponto se direcionar. Todas as imagens separadas vão nos dando a compreensão de que se trata do incêndio de um ônibus, fato corriqueiro na violência das metrópoles, ao mesmo tempo, aproximado à barbárie, ao irracional, à falta de civilidade ou ao colapso da civilização. Vivemos num Caos-mundo. As relações interpessoais, a manutenção da coletividade, a possibilidade de criar um uno estão corrompidas. Mas este sempre foi um desafio, como criar um uno sem manter hierarquias, sem reproduzir relações de poder, sem desenhar margens, periferias. Glissant nos incita a perceber que a poesia é uma possibilidade de “participação ao canto comum”. Ou seja, só a vertigem


das narrativas, das escrituras, pode nos irmanar. “Não podemos mais escrever nossa paisagem ou descrever nossa própria língua de maneira monolítica”, afirmará Glissant. No Caos-mundo deve haver a linguagem para transcender as línguas. Castilho parte, obviamente, da linguagem da fotografia, usada no cotidiano para tornar visível os fatos históricos ou banais, deste mundo-caos, criando uma suposta documentação da realidade, buscando denúncia, memória. Isto sempre foi desafiador para a fotografia, pois exercita outro tipo de permanência. Quando se inscreve uma imagem, os objetivos perdem a literalidade, não se intenciona mais a duração daquela impregnação da imagem no suporte. Criam-se transfigurações. É errôneo dizer que, nos primórdios da fotografia, o único interesse era retratar os fatos. A fotografia foi experimental desde muito tempo, como vemos em Man Ray ou Yevonde. Ainda assim, diante da imagem, podemos compreender os fatos ocorridos. Tornamo-nos cúmplices da informação. Porém, com marcos históricos que elaboraram a quebra das grandes narrativas, os desafios se intensificaram. Hoje, as narrativas são quebradas pelo próprio caos, homens-bomba, sequestros, violência. A isto o trabalho de Castilho se dedica, tornando-nos cúmplices do estarrecimento. Mas como suplantar a literalidade da informação? Por mais surrealista que possa parecer, o inacreditável está televisionado. De um lado, vemos que faz sol, de outro, vemos que chove, mas a arte não se apresenta. Esta era a crítica de Pablo Picasso à pintura impressionista, a qual ele chamava pejorativamente de “retiniana”, justamente no momento de maior intercâmbio entre pintura e fotografia. Hoje, poderíamos acrescer, vemos o que não podemos acreditar, o impensável, o inadmissível. E tudo vira imagem. Mas, o axioma “picassiano” permanece: o fato é saber “quando faz arte”. Sobre isso, vários dispositivos conceituais foram apontados por teóricos, a sobriedade (aboutness) de Arthur Danto, a finalidade sem fim de Kant, o intempestivo de Agamben. Todos concordam que a arte está às margens da mensagem, frequenta um lugar fronteiriço, se desenvolve no vazio da imaterialidade, permanecendo, mesmo quando apagamos as luzes dos museus. Portanto, já sabemos quando faz sol. O tiro e a morte tornaram-se banalizados pela imagem na repetição dos noticiários. E, ainda assim, queremos saber quando faz arte. A fotografia fora desafiada a exceder os limites da narrativa, informar sem finalidades, abrir-se a dispositivos, como num jogo. A imagem guardaria, então, um duplo sentido, dar a ver e transcender? Hoje, podemos arriscar a dizer não. A visualidade já não é mais objetivo da fotografia. A informação fotográfica é feita por uma clivagem autoral sempre, na escolha dos ângulos, na manipulação da narrativa. Poderíamos responder a Picasso dizendo, nem sempre faz sol como imaginamos, ainda que todos os signos visuais digam o contrário. Os deuses da chuva podem ser invocados, como fizera o Campo de raio de Walter de Maria. E “faz raio”, com estímulos do projeto de intervenção na natureza deflagrado pelo artista, mas concordamos que nem sempre “faz arte”. Há, então, como analisa Guattari, que se compreender a conquista pela arte numa “cidade subjetiva”. Aquela, onde o ser humano desterritorializado torna-se o turista que viaja imóvel, em cabines de avião, e faz desta condição sua busca por uma subjetividade sempre ameaçada de paralisia. Neste mundo, caótico, subjetivo, as terras natais estão perdidas. A cidade-mundo do capitalismo se desterritorializou, transformou-se num Caos-mundo. A arte, assim, se agrega à imensa máquina-cidade na produção de subjetividades imaginadas, como nos trabalhos de João Castilho.

Marcelo Campos, 2013


Chaos-World João Castilho’s works highlight relations between photographic image and the broadening of narrative devices. Castilho is interested in observing links between landscape and pictorial visuals, illustrated, for example, by his interventions with coloured dye in a salt desert. Or by his observations of natural phenomena in countryside environments, like the whirlpools in the dry hinterland of Minas Gerais state. Elsewhere we can see landscape invading billboard structures, clouds that fit the rectangular shape as if prepared to be framed right there. Thus the presence of a certain writing of the image places him in clear view of his targets, memorable moments, aiming the camera, but not settling on a single click. Castilho’s projects go beyond the use of photography. In his recent videographic production, Morte Súbita (Sudden Death) the artist observed the pregnant moment of a gunshot and made a polyptych with monitors that clouded, eclipsed the scenes, but that coincided in synch with the shot. A work of extreme beauty and cruelty, not only by virtue of the bullet fired, but because it makes us reflect on the banality of the image of death, the sensationalisation of daily tragedies in the media, such as kidnappings, robberies and police chases. For this exhibition, João Castilho’s starting point is Glissant’s homonymous concept, where the author seeks to understand events that cause us to move beyond verbal and written dichotomy. In Chaos-World the existence of an Earth-Totality establishes a reformulation in the relation between norms and rules, opening up to the comprehension of political and aesthetic facts from the fringes of society. We are faced with the result of the use of language transcending its standard, textbook use. And, far from grammatical error, this abuse of the narrative alerts us about the existence of an impossible communication through traditional channels. Writing, as Jack Good maintained, is the domestication of thought. Chaos, therefore, would be a response, an escape. Castilho offers us in this exhibition the video Abismo (Abysm). Coming from the depths, from the darkness, we see a ship, full of people, being taken by the movement of the water. The most obvious association of the image for Brazil is the routes of the colonizers, indigenous references or slave ships. And the boat sails on toward the camera, as if we were watching an interval in the film, an intermediary frame of a more complete narrative. Yet, there is no beginning or end. Here we are before the whole story, and no story at all, a hiatus, where the relation between the title and the image makes us spectators of an event that has just that minute not happened. The abysm, therefore, is what is to come, something that might be found soon after that instant, where those aboard find themselves adrift. Speech and writing, therefore, are presented as traumas of the colonization, in Glissant’s terms. In another video, Erupção (Eruption), several simultaneous scenes separated in multiple screens lead us to intuit the presence of fires. But the main issue here, again, is only observable at an angle, as if the camera were seeking the event in an investigative manner, without knowing for sure in which direction it should be pointing. All the separate images lead to our understanding that it’s a bus that is on fire, a fact of life in the big city violence which although almost commonplace is, at the same time, borders on the barbaric, the irrational, on a lack of civility or the collapse of civilisation. We are living in a Chaos-World. Interpersonal relations, the maintenance of collective living, the possibility of creating a Oneness are corrupted. But this has always been a challenge; how to create a Oneness without keeping hierarchies, without reproducing power relations, without drawing margins, peripheries. Glissant incites us to perceive that poetry is an opportunity to “participate in the common chant”. In other words, only the dizziness of the narratives, of the writings, can unite


us in brotherhood. “We can’t write any more of our landscape or describe our own language in a monolithic manner”, states Glissant. In Chaos-World there is a need for language to transcend languages. Castilho obviously starts from the language of photography, used in everyday life to make visible historical or trivial facts of this chaos-world, creating a supposed documentation of reality, seeking denouncement, memory. This has always been a challenge for photography, as it exercises another kind of permanence. When an image is inscribed, the objectives lose their literality; the objective is no longer the prolonged impregnation of the image in the support. Transfigurations are created. It’s wrong to say that, in the beginnings of photography, the only interest was to portray facts. Photography has been experimental for a long time, as we can see in Man Ray or Yevonde. Nevertheless, when faced with the image, we can understand the facts that have occurred. We become collaborators of the information. However, with historical milestones representing breaks in the major lines of narrative, these challenges have intensified. Today, the narratives are broken by chaos itself, suicide bombers, kidnappings, violence. And this is what Castilho’s work focuses on, making us collaborators of the blowout.  But how can one supplant the literality of the information? However surreal it may seem, the unbelievable is televised. On the one hand, we see that it’s sunny today, on the other, that it’s raining, but art is not presented. This was Pablo Picasso’s criticism of impressionist painting, which he pejoratively called “retinal”, precisely at the time of greatest exchange between painting and photography. Nowadays, we could add, that we can see what we cannot believe, the unthinkable, the inadmissible. And it all becomes image. But the “Picassian” axiom remains: the fact is to know “when one is making art”. On this, several conceptual devices have been identified by thinkers, Arthur Danto’s aboutness, Kant’s endless endeavour, Agamben’s untimeliness. They all agree that art is in the margins of the message, frequenting a border region, developed in the emptiness of immateriality, and remaining, even after the museum lights are switched off. Therefore, we already know when it’s sunny. Gunshots and death have become trivialized by the image in repeated news items. And, nonetheless, we want to know when to make art. Photography had been challenged to surpass the limits of the narrative, to inform without an end purpose, to open up to the devices, like in a game. Would the image, therefore, hold a dual meaning, to give to see and to transcend. Today, we could risk saying no. The visual aspect is no longer the objective of photography. Photographic information is made by an ever-innovative take, in the choice of angles, in the manipulation of the narrative. We could respond to Picasso by saying that it’s not always as sunny as we think, even if all the visual signs tell us otherwise. The rain gods may be invoked, as in Walter de Maria’s Lightning Field. And it “makes lightning”, stimulated by the intervention in nature project triggered by the artist, but we can agree that it doesn’t always “make art”. As Guattari concludes, therefore, one has to understand art’s achievement in a “subjective City”. That where the deterritorialised human being becomes the tourist who travels without moving, in aeroplane cabins, and uses this condition to search for a subjectivity under constant threat of paralysis. In this chaotic, subjective world, homelands are lost. The city-world of capitalism has been deterritorialised, and transformed into a Chaos-World. Art, therefore, joins the huge machine-city in the production of imagined subjectivities, as in the works of João Castilho. translation: Ben Kohn

Marcelo Campos, 2013


Realização I Accomplished by

Impressão I Printed by

Projeto Gráfico l Graphic Design

Fotos | Photos by Guilherme Gomes © abril 2013


Retirante 2012 impressão a jato de tinta [inkjet print] 105 x 310 cm (25 x 37,5 cm cada) [41.3 x 122 in] (9.8 x 14.8 in each)

Vade retro 2012/2013 impressão em jato de tinta [inkjet print] 80 x 120 cm [31.5 x 47.2 in]

A errância 2013 impressão em jato de tinta [inkjet print] 55 x 150 cm [21.6 x 59 in]

Vade retro 2012/2013 impressão em jato de tinta [inkjet print] 70 x 105 cm [27.6 x 41.3 in]

Vade retro 2012/2013 impressão em jato de tinta [inkjet print] 80 x 120 cm [31.5 x 47.2 in]

O exílio 2013 impressão em jato de tinta [inkjet print] 55 x 150 cm [21.6 x 59 in]

Vade retro 2012/2013 impressão em jato de tinta [inkjet print] 110 x 165 cm [43.3 x 65 in]

Vade retro 2012/2013 impressão em jato de tinta [inkjet print] 100 x 15 cm [39.4 x 59 in]

Erupção 2013 video instalação [video installation] 4’23’’

Vade retro 2012/2013 impressão em jato de tinta [inkjet print] 80 x 120 cm [31.5 x 47.2 in]

Vade retro 2012/2013 impressão em jato de tinta [inkjet print] 70 x 105 cm [27.6 x 41.3 in]

Abismo 2013 Full HD vídeo [Full HD vídeo] 2’44’’


João Castilho | Caos-mundo  
João Castilho | Caos-mundo  

Catálogo da exposição 'Caos-mundo' de João Castilho realizada na Zipper Galeria | De 23 de Março a 20 de Abril, 2013.

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