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O Amor a Mariana

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Por Rosangela Ataíde

Conto de amor e paixão, postado no blogue @narede. Um conto polêmico, e inspirador.

O Amor a Mariana


Mariana sempre fora da breca, menina assanhada, com Mariana ninguém podia. Seu pai não tinha paciência... Precisava dar um jeito em Mariana, vez ou outra pegava pelos cabelos da menina, dava­lhe uns sacodes e se enfurecia com o despudor da menina. Mariana da breca assanhada! Esse poderia ser seu nome e sobrenome, pois assim todos a conheciam. Em casa, junto de Mario e Marina seus irmãos mais velhos, Mariana se destacava como a sem vergonha, ninguém entendia. Nas brincadeiras, sua mãe ficava atenta, meninos perto dela nem pensar, sempre rolava uns amassos nas casinhas. Boneca? Que boneca? Ela queria mesmo cuidar da casa, ser a esposa da brincadeira. Já nos seus 12 anos Mariana começou o ginásio, e ia para escola sozinha, começou a namorar. Mariana adorava os beijos e amassos, mas não se apaixonava por ninguém. Um belo dia ao chegar na sua casa, encontrara um moreno, que ali vinha pedir a mão de sua irmã Marina. O moreno era tão lindo, e encantador... O moreno a seduzia! Moreno dos olhos de mel, dos lábios rosados. Um convite aos devaneios de Mariana. Ela passou por ele sem ser notada. Ergue­se e se apresentou num ato de pura ousadia. E tão logo a fitou, apaixonado o moreno ficou por Mariana. Amor secreto, contido no peito de ambos amantes. Amantes da alma, amantes do destino. Passaram­se quatro anos Marina ainda namorava o moreno de Mariana e junto ao seu amado resolveu se casar. Mariana sufocando a paixão no peito cedeu e resolveu se declarar ao moreno. Passando ao seu lado numa noite seresteira, roçou­lhe os lábios em seu rosto e o fez estremecer. O moreno surpreso, atordoado, suspirou e foi atrás da menina. Encontraram­se num lago próximo ao sitio em que morava, no lago havia uma cabana. Ao se encontrarem o mundo deles expandiu­se num raio atordoante de paixão e desejos encarnados em pele, carne, osso e alma. Nada mais existia nada mais importava! Logo que se olharam tudo se iluminou em contemplação de amor. Amor verdadeiro, o desejo de se querer bem. Ao se tocarem, explosões ecoaram em seus corpos; um toque suave, uma emoção ardente. Um misto de dor e paz; um grito contido... Doce e ao mesmo tempo salgado. As ancas de Mariana estavam preparadas para um combate, uma guerra em busca de todo o prazer que só o amor poderia oferecer. Logo após o amor, ainda emaranhados um noutro, ela veio amarga, cruel e impiedosa. Ela que tanto se opunha ao desejo do casal. A sensatez chegou acompanhada da moral, aquela! Julgadora, destrutiva! Cochichou suas verdades e os entregou a própria sorte. Decididos estavam, em não se encontrarem mais. Pessoas querida poderiam se ferir! Mas uma vez o tempo passou, após o casamento Mariana, ficou só em casa com a família, seu irmão também casou. Ela e o moreno só se viriam, em ocasiões festivas (natal, ano­novo, aniversários). Sempre com aquele aperto no peito e a vontade de fugir, que apenas ficara na vontade! Até que um dia Marina teve seu 1º filho e precisou da irmã, pois estava de resguardo. Mariana ajudou de bom grado. Sentia­se culpada pelo desejo reprimido e toda vez que aquele lindo moreno se aproximava ela suava, ela aquecia até a alma! Ela silenciava a alma e sofria. O moreno certo dia tomou coragem e a segurou levemente em seus braços no corredor da casa. Logo desistindo de beijá­la. Outros dias, outros apertos, beijos, a relação que aquecia e o sentimento de paixão e desejo crescendo. Tudo ficava cada vez mais intenso a ponto de ficar insuportável desligarem­se um do outro. Um ano depois num lindo entardecer de inverno: Mariana na cabana orava a virgem. Quando de repente ele entrou, fitou­a de soslaio e aproximando­se um doutro, não resistiram. Entregaram­se àquilo para o qual foram feitos. E ali; um noutro, corpos vibrando, mentes


enlouquecidas... Decidiram! Fugiriam, seriam felizes e nada poderia atrapalhar o que juntos iriam viver. Partiram numa manhã de outubro. Não deixaram recado ou bilhete algum. Deixaram a decepção e a dor, estas que ficaram para trás. Amaram­se, tiveram filhos, conheceram o mundo, foram felizes! Todos os invejavam, construíram um amor sólido e invejável. Desfrutaram de toda paixão e desejo com os quais foram abençoados ou aterrorizados. Um dia, Mariana quis arriscar e ver a família. Voltou e encontrou a raiva, o rancor e a tristeza. Mariana tentou o perdão da família. Mas não teve nenhum resultado. Marina nem sequer a recebeu. O pai foi cruel e a ofendeu. Mariana não entendia e se perguntava: Que pecado existia em amar? Se o amor é o dom maior que o mais Santo nos deixou? Mariana, não teve resposta. Voltou ao seu amor e tomou uma decisão: A de viver proporcionar a felicidade ao seu amor e ser feliz enquanto existisse.

Rosangela Ataíde


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