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YARA PINA é artista e bibliotecária. É graduada em Biblioteconomia e Artes Visuais pela Universidade Federal de Goiás. Possui interesse em investigar diferentes contextos sociais e históricos, explorando os rastros da memória da violência e suas inscrições sobre os corpos violados e ausentes. A partir desse repertório, a artista busca também, por meio de suas ações, transitar entre a presença e a ausência, deixando no espaço físico apenas vestígios da passagem de seu corpo em confronto com outros "corpos". Atualmente, vive e trabalha em Goiânia. |Exposições / residências selecionadas|: Pivô Pesquisa 2020, Ciclo III Beck’s, Pivô (São Paulo, 2020), Mother, I see my self in your eyes (Laundromat Art Space, 2019 / Concrete Art Space, Flórida, 2019, USA); Frestas Trienal de Artes, Entre pós-verdades e acontecimentos (SESC Sorocaba, SP, 2017); Performatus 2, O que está a luz de nosso tempo discernimos no escuro (SESC Santos, 2017); Das Virgens em Cardumes e da Cor das Auras (Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, 2016); Bienal Internacional Desde Aquí (Bucaramanga, COL, 2014); Open Sessions (Drawing Center, Nova York, 2014-2015); Act + Object + Exchange (Drawing Center, New York, 2014); Name it by trying to name it (Drawing Center, New York, 2015); A Bela Morte: confrontos com a natureza morta no século XXI (Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS); Arte Pará 2012 (Museu Histórico do Estado do Pará, Belém, 2012). |Prêmios|: Salão de Abril de Fortaleza (Fortaleza, 2012, BR); FID Prize 2017 (Foire Internationale du Dessin, Paris, FR, 2016) |Acervos públicos|: Museu de Arte do Rio Grande do Sul, (Porto Alegre, RS); Centro Cultural da Universidade Federal de Goiás (Goiânia, GO); Museu de Artes Plásticas de Anápolis (Anápolis, GO)

Yara Pina +55 (62) 98432-6766 yarapina@gmail.com www.yarapina.com


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Yara Pina, Corpos-território, 2021, sombra agredida com o revezamento de carabinas, terra vermelha, vestígios de ação A violação sexual de mulheres como exercício de poder é recorrente em cenários de guerra, conflitos armados e disputa por controle territorial que reproduzem o modelo patriarcal do uso da violência para legitimar a dominação do sujeito masculino. Nesse sentido, o estupro coletivo é uma arma genocida utilizada não apenas para torturar e destruir grupos de populações consideradas inimigas, mas também como ato de punição, humilhação, vingança, objetificação e exploração sexual de crianças, jovens e mulheres. Com um histórico repleto de violações contra corpos femininos, tais como, o estupro de mulheres negras e indígenas como parte do projeto civilizatório do colonialismo, e de presas políticas na Ditadura Militar, dentre tantos outros casos, o estupro coletivo tem se perpetuado, ainda hoje, no Brasil, em várias cenas de violência onde o corpo da mulher é tomado como propriedade e território. Em regiões onde há conflitos por terra, por exemplo, jagunços estupram

mulheres do campo e mulheres indígenas como forma de aterrorizar suas comunidades. Além das violações, é comum o uso da violência armada a mando de fazendeiros para promover massacres e incendiar moradias com o intuito de expulsar os moradores de suas terras. Já em áreas urbanas, o estupro coletivo tem sido empregado como ato de punição e exploração sexual em territórios dominados pela milícia e pelo narcotráfico que propagam o horror e a política do medo, graças a ostentação e uso de seus poderes bélicos, com mortes e desaparecimento de corpos. No Brasil, temos, portanto, diferentes contextos de violência armada em que corpos femininos foram anexados ao controle territorial de grupos de violadores que fazem do estupro coletivo uma arma poderosa não apenas para inscrever o domínio que possuem sobre as vidas dessas vítimas, mas também sobre suas comunidades. Partindo desses campos de violência, proponho em Corpos-território refletir sobre o estupro coletivo de mulheres como estratégia recorrente, terrorista e genocida que tem como objetivo silenciar suas vozes ao mesmo tempo em que territorializa seus corpos. Durante a ação violo minha sombra, projetada na parede, utilizando carabinas em revezamento. A terra vermelha é, então, aplicada para formar a silhueta sobre as marcas da minha sombra e, também, para silencia-las simbolicamente, no momento em que derramo o pó da matéria sobre os canos das armas. (Yara Pina)


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“criminosos”, ou ainda, opositores políticos acusados de terrorismo e subversão).

Yara Pina,

As vítimas de execuções sumárias, hoje, no Brasil, carregam em seus corpos as mesmas marcas de violência que corroboram com a tal prática de extermínio estruturada a partir dos governos militares em prol de uma política nacional de segurança na luta contra o crime e os opositores do regime. Alvejar corpos à queima roupa, à curta distância, ou ainda realizar rajadas de tiros, atingindo regiões letais como tronco, nuca e cabeça, são rastros dessa perpetuação de terrorismo de Estado que vem sendo reaplicado em diferentes cenários de violência com a ampla participação de agentes das forças de segurança à serviço de uma política genocida e de práticas criminosas comandadas por milícias e grupos de extermínio.

Zona de esfumaçamento, 2021, sombra agredida com golpes de carabina, cinzas de imagens de vítimas de execuções sumárias no Brasil, vestígios de ação No Brasil, a ocorrência de execuções sumárias tem sido protagonizada por policiais que estão a serviço de uma política nacional de segurança de “combate” à criminalidade e, também, de um poder terrorista lucrativo que conta ativamente com a atuação desses agentes do Estado em milícias e grupos de extermínio. Tal prática que conta, portanto, com a participação direta do Estado brasileiro foi sendo consolidada ao longo dos anos 60 como modus operandi pelos esquadrões da morte, grupos paramilitares formados por policiais civis e militares que possuíam amplo respaldo da política de repressão vigente no período da Ditadura Militar. Nesse sentido, fazia parte do projeto do regime repressor não apenas combater e torturar, mas também envolver o Estado na execução sumária e no desaparecimento do corpo do “inimigo interno” (moradores de comunidades periféricas, indivíduos em situação de pobreza, considerados potenciais

São atores que agem, portanto, legal e ilegalmente, de dentro Estado. Com o respaldo da lei, podemos citar as operações policiais que resultam em abatimento de corpos, chacinas em favelas e massacres nos presídios, tendo como discurso a manutenção da ordem, a guerra às drogas, a destruição de facções criminosas ou ainda a “redução” dos índices de criminalidade, mas que na realidade, atendem a uma política genocida que pode ser utilizada tanto para alavancar a popularidade política dos governantes como para glorificar e promover aqueles policiais que cumprem o lema “Bandido bom é bandido morto”. Já como integrantes de grupos criminosos, esses agentes estatais geralmente atuam ilegalmente por meio de grupos de 9


extermínios e milícias. Enquanto os primeiros são encarregados de fazer a “limpeza social”, se envolvendo muitas vezes na prestação de serviços ilícios a terceiros, as milícias, por outro lado, instalam as políticas da extorsão e do medo nas comunidades urbanas que estão sob seu forte domínio territorial, promovendo execuções sumárias de moradores, políticos e ativistas, com base em seus interesses políticos e econômicos Busco explorar esse campo de violência que permeia as diferentes formas de desempenho do Estado nas execuções sumárias como uma política de extermínio que foi estruturada há décadas com a participação de policiais nos esquadrões da morte que, por sua vez, deram origem às milícias. Hoje, esses homicídios continuam ocorrendo pelas mãos desses mesmos agentes de segurança que executam indivíduos movidos não apenas pelo amparo legal dos “autos de resistência seguidos morte” e da impunidade, mas também pela lógica lucrativa do crime.

política, social e econômica. Ao partirmos da relação intrínseca entre Estado, necropolítica e capital, estamos lidando com campos de violência em que as vítimas são sempre reduzidas a corpos matáveis, ou seja, populações pobres, negras, periféricas e marginalizadas. Durante a ação, agrido minha sombra projetada na parede com o cano de uma carabina, focando, principalmente, nas regiões letais de um corpo humano. Num segundo momento, utilizo as cinzas das imagens de vítimas de execuções sumárias, publicadas pela imprensa, para formar uma silhueta e, também, para destacar as marcas das agressões que ficaram na minha sombra. Como gesto final, encubro, com as cinzas, a carabina sobre o chão. (Yara Pina)

Como se trata de uma zona de violência difícil de delimitar, uma vez que esses policiais também integram grupos criminosos, muitas vezes difusos na forma de agir, talvez fosse preciso buscar o contorno dessas fronteiras nos rastros das execuções sumárias gravados sobre os corpos das vítimas. Chamo de zona de esfumaçamento, portanto, os diferentes campos de atuação do Estado na participação direta de execuções sumárias como prática exterminadora do “inimigo” que, por sua vez, atendem também a uma demanda

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Zona de esfumaçamento, produção de cinzas através da incineração de imagens das vítimas de execuções sumárias que foram publicadas pela imprensa

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de uma pseudo guerra no combate ao crime e às drogas.

Yara Pina,

Além de destruir vidas, muitas dessas ações policiais objetivam, também, e não são raros os casos, eliminar qualquer vestígio de suas mortes. Para isso, apagam-se cenas dos crimes, não revelam identidades, não divulgam nomes. Enfim, é preciso não deixar nenhum rastro dessas mortes até mesmo para que nem sejam reduzidas a meros registros numéricos. Tal é ocaso de Goiás que nos últimos anos, ou mais precisamente desde 2019, tem sido o único estado brasileiro a não divulgar os registros de mortes por operações policiais no Brasil. De acordo com os relatos da imprensa, tem sido frequente a ocorrência dessas “abordagens”, principalmente em residências localizadas nas regiões periféricas e com vítimas fatais. Nos anos anteriores, essas execuções já estavam em plena curva ascendente, colocando o estado nos primeiros lugares do ranking nacional em mortes causadas por intervenções.

Corpos abatidos (2021) destroços recolhidos de locais onde ocorreram mortes por operações policiais em Goiânia, instalação, 250 cm Ø A espiral da violência que alimenta o genocídio da população negra e o extermínio de grupos de indivíduos marginalizados ou em situação de pobreza pode ser vista como reprodução de uma prática exterminadora que foi adotada como política de segurança, em vários estados brasileiros, desde a Ditadura Militar. Uma vez direcionada para combater o inimigo interno, tal política repressora deveria ser empregada taticamente contra moradores de rua, comunidades das favelas, militantes, subversivos, potenciais criminosos, comunistas, dentre tantos outros tratados como opositores pelo Estado. A partir desses resquícios históricos, Corpos abatidos reflete sobre uma política de segurança que ainda hoje alimenta a espiral da violência contra indivíduos acometidos com o abatimento de seus corpos durante operações policiais no Brasil. São ações registradas como “confrontos”, legalmente amparadas pelos “autos de resistência seguidos de morte”, mas que na realidade refletem o alto índice de letalidade à serviço

Em oposição ao apagamento dos rastros dessas mortes, a instalação Corpos abatidos traz a memória desses locais de vida e morte ao reunir pedaços de calçadas das residências das vítimas que tiveram suas casas invadidas pelos agentes de segurança, ou ainda de meios fios, pedras e fragmentos de asfalto, coletados de outras cenas de violência que serviram também de palco para os extermínios. Ainda que algumas mortes com os nomes das vítimas sejam divulgadas pela imprensa, é bem provável que a identidade de muitas delas, continuem desconhecidas e anônimas para a sociedade. (Yara Pina) 15


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vítimas do feminicídio, da transfobia e da homofobia.

Yara Pina,

Corpos à flor da terra são, portanto, aqueles que sofreram com a desumanização não apenas de suas vidas, mas também de suas mortes. Corpos violados, torturados, assassinados, que foram abandonados, embora encontrados, diretamente em contato com o solo, ou a poucos centímetros de profundidade deste, sem ritos funerários, em covas rasas ou valas comuns. Sobre a superfície da terra, se tornaram abjetos, insepultos, ou quase, já que seus restos mortais ficaram desprotegidos, sujeitos à rápida decomposição e, também, vulneráveis à ação destrutiva do tempo e de animais.

Corpos à flor da terra (2021) cabos de madeira enterrados sob a terra contendo marcas que remetem à profundidade das covas onde foram encontrados corpos de pessoas desaparecidas no Brasil instalação, 155 x 230 cm A desumanização post mortem que atinge as vítimas de diferentes cenários de violência pode envolver não apenas a ausência de sepultura e ritos funerários, mas também o desaparecimento de seus corpos como forma de apagar a autoria e os rastros das barbáries de suas mortes. Dessa forma, para que não sejam localizados, para que não reste qualquer traço humano, os corpos quando não destruídos, devem ser descartados, enterrados em cemitérios clandestinos ou ainda deixados em terrenos baldios, matagais ou zonas de difícil acesso. Como é o caso, hoje, por exemplo, das vítimas dos grupos de extermínios, do tribunal do tráfico, das milícias, das operações policiais – a população negra, grupos em situação de pobreza, marginalizados, “potenciais” criminosos -, ou ainda das

Dessa forma, muitos foram corrompidos, reduzidos a fragmentos de um corpo que foi despedaçado, ou ainda do que sobrou dele por meio das ossadas ou após a sua carbonização. Restos mortais que podem ser os últimos vestígios de um corpo humano, sujeito ao total apagamento, juntamente com sua identidade e memória, como aqueles que ainda não foram localizados, reconhecidos por suas famílias ou identificados pelo Estado, as vítimas dos massacres em presídios, os indigentes, os não-reclamados, que têm como destino final as covas rasas e as valas comuns dos cemitérios públicos. No Brasil, há muito tempo nos deparamos com os corpos à flor da terra. Podemos citar o caso dos milhares de cativos que não sobreviveram aos maus tratos do navio negreiro e tiveram seus corpos descartados, deixados insepultos, a um palmo da terra, sem nenhum rito, no

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cemitério onde também funcionava o mercado do Valongo. Já num passado mais recente, temos o caso da Vala clandestina de Perus, localizada no Cemitério de Dom Bosco de São Paulo para onde eram levados os corpos e os restos mortais das vítimas de terrorismo de Estado, os desaparecidos políticos da Ditadura Militar e os exterminados pelos Esquadrões da Morte. Corpos à flor da terra é uma instalação composta por cabos de pás de madeira, enterrados sob a terra, contendo marcas que remetem às profundidades das covas, entre 15 e 100 centímetros, onde foram encontrados os corpos de pessoas desaparecidas em várias cidades no Brasil. (Yara Pina)

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Yara Pina, Corpos incorruptos (2020), facões, gotas de vela, fuligem e penas 3 objetos dimensões e formatos variados Corpos incorruptos é sobre os processos de luto que permeiam os corpos das vítimas de massacres em presídios. Detentos que tiveram seus corpos esquartejados, decapitados e carbonizados por integrantes de facções que por meio de suas armas espetacularizavam, entre as fumaças das chamas de incêndio, cenas de barbárie transmitidas ao vivo pelos aparelhos celulares.

los apodrecerem para então cumprir finalmente sua política de apagamento total, destruindo qualquer vestígio humano e apagando identidades. Se para muitas famílias o luto se torna impossível, já que não puderam se despedir do corpo de seu ente em estado precário, devido às ameaças das facções ou porque ainda aguarda pelo processo de identificação, para outras, a dor do luto se torna um ato político. Contra o apagamento dos traços humanos daqueles indivíduos que o Estado quis apropriar para então eliminar da sociedade, ocorre a reumanização post mortem desses corpos pelas famílias que precisam percorrer uma longa e dolorida jornada de enlutamento após os atos sangrentos. Em todos esses casos, enlutar os corpos se torna um ato político, uma vez que há o empenho em reunir as partes de um corpo que foi corrompido – ou o que restou dele – para dessa forma sepultar, preservar seu nome, sua identidade, e dar-lhe uma memória. (Yara Pina)

Os corpos das vítimas quando não identificados pelo Estado são entregues às famílias faltando pedaços – sem órgãos, cabeças, membros - ou em estágio avançado de decomposição. São vítimas que não tiveram direito a velórios, exumadas de forma improvisada ou até mesmo enterradas em valas comuns ou como indigentes. Sendo assim, podemos falar que esses indivíduos passaram por várias mortes. Uma vez desumanizados pelo sistema carcerário estão sujeitos a se tornarem massa informe, corpos abjetos, despedaçados e carbonizados pelas carnificinas que foram terceirizadas pelo Estado às facções. Por fim, o Estado sobrepõe mais uma vez a morte a esses corpos ao deixá-

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Yara Pina, Corpos sulcados, 2019, sombra e terra sulcadas com relha de arado, vestígios de ação A identificação do corpo da mulher com a terra está presente em várias mitologias e narrativas que ora remete ao sagrado e aos ritos de fertilidade, ora ao legado do patriarcado como meio de dominação e violência. Se o patriarcado se fez presente em várias sociedades como um sistema de coerção, poder e controle do corpo feminino, no caso do ocidente, por exemplo, esteve atrelado ao dualismo natureza e cultura, e seus desdobramentos, que reduziram a mulher a seu corpo, território a ser desbravado e explorado. Já nas colônias, a objetificação e territorialização de corpos femininos pelo homem branco europeu se deu como parte do projeto “civilizatório” moderno do ocidente a serviço do capitalismo. Por aqui, enquanto a “terra virgem” era devastada para fins extrativistas, mulheres indígenas e mulheres negras eram violentadas, escravizadas e exploradas como importante meio de reprodução e acumulação da força de trabalho. É com base em todos esses legados deixados pelos sistemas patriarcal e colonial, absorvidos pelo capitalismo, que se estruturou um sistema de opressão contra as mulheres, embora, para muitas, a violência esteja pra além da desigualdade de gênero. Uma vez que fatores

como racismo, etnia e classe social se tornaram determinantes sobre a vulnerabilidade e a invisibilidade a que foram sujeitadas na nossa sociedade. No caso das mulheres indígenas e das mulheres negras, por exemplo, a territorialização de seus corpos se mantém até hoje como resistente estratégia de dominação e poder. Reflexos esses que podem ser notados, por exemplo, nos extermínios de suas populações, nos índices cada vez mais crescentes de feminicídio e de violência sexual, na exploração sexual e da força de trabalho e, até mesmo, na criminalização da luta pelos direitos e controle sobre seus corpos. Partindo da relação entre o corpo da mulher e a terra como um meio de dominação e manifestação recorrente das violências de origens patriarcal e colonial, proponho nesta ação remeter a um instrumento agrícola de origem muito antiga e tradicionalmente submetido ao monopólio do sujeito masculino – o arado - para simbolizar não apenas o controle e exploração do homem sobre a terra e aos meios de produção, mas também sobre os corpos das mulheres. E a partir disso, também, refletir de que forma violações sofridas, no Brasil colonial, por mulheres negras e mulheres indígenas, estruturam sistematicamente opressões que perpetuam até hoje como forma deixa-las cada vez mais vulneráveis à violência sexual, ao feminicídio e à exploração de seus corpos. Num primeiro momento, a relha de um arado foi utilizada como uma arma para agredir minha sombra, deixando fissuras que foram, em seguida, preenchidas com a terra vermelha. Já sobre o chão, utilizei instrumento para reproduzir os sulcos de uma terra penetrada pelo arado. (Yara Pina)

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Tosquiadas, processo de oxidação de facas com urina masculina

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Yara Pina Tosquiadas, 2018, facas oxidadas com urina masculina, cabelo feminino, dimensões e formatos variáveis

A série Tosquiadas tem como pano de fundo diferentes contextos sociais e históricos que testemunharam a tortura contra mulheres que tiveram seus cabelos cortados e/ou raspados em atos de punição e humilhação. São relatos históricos dessa prática, por exemplo, a Inquisição, a Segunda Guerra, a Escravatura e a Ditadura Militar. Nesse sentido, mas com um foco mais atual, esta série propõe refletir sobre a recorrência desse tipo de violência nos estados brasileiros com base nos fatos noticiados pela imprensa nos últimos anos. No momento, têm sido explorados dois contextos: o ambiente doméstico, em que homens praticam esse ato para humilhar e punir sua companheira, tomando seu corpo como uma propriedade, objeto de posse; e o narcotráfico, quando membros de facções cortam e raspam cabelos de mulheres como forma de afirmar domínio territorial e aplicar as penas do “tribunal do crime”, caso elas tenham desobedecido ao “código de ética”. (Yara Pina)

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Yara Pina A bela morte, 2019, clarim silenciado com cinzas dos nomes de vítimas de operações policiais e do exército no Brasil, vestígios de ação

A bela morte, chamada pelos antigos gregos de kalòs thánatos, envolvia honras e ritos fúnebres que homenageavam os heróis guerreiros com o intuito de glorificá-los e imortalizar a inscrição de seus nomes na memória social da pólis. Nesse sentido, a morte gloriosa, sua memória viva eternizada pelo canto poético do Aedo, era o oposto do esquecimento. Nesta obra, proponho a bela morte como um confronto entre silêncios: o silêncio como esquecimento dos nomes daqueles que morrem pelas mãos do Estado, e o silêncio como homenagem à memória dos nomes daqueles que morrem a serviço do Estado. A ação consiste em deixar vestígios no espaço expositivo após o ato de silenciar um clarim - instrumento de sopro utilizado para executar o toque de silêncio durante as honras fúnebres prestadas aos militares – soprando as cinzas dos nomes das vítimas de operações policiais e do exército para o interior do instrumento. (Yara Pina)

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A bela morte, transformação em cinzas dos nomes de vítimas de operações policiais e do exército no Brasil 40


A bela morte, produção de lista de nomes de vítimas de operações policiais e do exército no Brasil

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Yara Pina Gesto antígona, 2019, sombra agredida com rastelo, terra vermelha cinzas de Antígona de Sófocles (e de versões escritas no séc. XX), vestígios de ação Esta obra parte do gesto de desobediência de Antígona, na obra homônima de Sófocles, quando a heroína decide dar sepultamento ao seu irmão Polinices, mesmo contrariando o interdito da lei escrita pelos homens. Essas ordens, representadas pela figura do tirano Creonte, pretendiam punir com a morte aqueles que ousassem realizar ritos fúnebres ao corpo de seu irmão, já que Polinices, o traidor da polis, deveria ficar insepulto para que cães e aves de rapina o devorassem. Tendo como referência a violação das leis dos homens por Antígona, através de seu gesto político em nome de uma lei mais antiga e divina, esta ação tem como proposta rememorar seu mito através das cinzas resultadas da incineração da obra de Sófocles e de algumas versões da tragédia que foram realizadas e adaptadas por dramaturgos ao longo do século XX. Apesar das peculiaridades de seus períodos, assim como de seus contextos

sociais, essas reescrituras foram produzidas durante a vigência ou ainda sobre o reflexo do fascismo, de conflitos armados e de ditaduras que deixaram, além de rastros de violência e destruição, milhares de mortos e desaparecidos. Antigone de Jean Anouilh (França, 1944), Die Antigone des Sophokles de Bertolt Brecht (Suíça, 1948), Antígona furiosa de Griselda Gambaro (Argentina, 1986) e Antígona, de José Watanabe e Yuyachkani (Peru, 1999) são algumas dessas versões que denunciaram o extermínio de vidas pelo Estado e a importância do direito de sepultar dignamente os mortos. O ato de transgressão de Antígona continua atual, nos assombrando inclusive neste momento de transição nebulosa de nossa democracia, em que o Estado brasileiro ampara sua soberania na necropolítica, propagando não apenas a legitimação da morte, mas também decidindo quem tem direito ao luto e à memória. Após agredir minha sombra com um rastelo preencho as fissuras com cinzas até formar uma silhueta do meu corpo. A terra vermelha é então utilizada simbolicamente para deixar o rastro dos gestos de sepultamento das Antígonas, no momento em que as personagens utilizam suas mãos para cobrir o corpo dos mortos com a terra. (Yara Pina)

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Processo de incineração dos livros Antígona, Sófocles; Bertolt Brecht - Antigone des Sophokles (1948); Jean Anouilh - Antigone (1946); Griselda Gambaro - Antígona Furiosa (1986); José Watanabe – Antígona (1999)

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Yara Pina Sacrifício de aliança , 2019, facão amolado sobre entulhos, instalação, 200 cm Ø A obra tem como referência a rebelião na Colônia Agroindustrial de Aparecida de Goiânia, em janeiro de 2018, protagonizada por integrantes das duas maiores facções de tráfico de drogas do país. Após a barbárie que deixou feridos e mortos com corpos decapitados, esquartejados e carbonizados, a situação da unidade ganhou repercussão nacional atraindo, dessa forma, maior atenção do Tribunal de Justiça de Goiás que realizou inspeções no local e do Superior Tribunal de Justiça que cobrou respostas das autoridades do estado.

regionais sob seus controles. No caso de Goiás, o estado de fazer parte da rota internacional do narcotráfico, é considerado pelas facções como uma área estratégica para o escoamento das drogas e, também, por sua proximidade de Brasília. A instalação parte de uma ação em que reproduzo um ato praticado por detentos quando se preparam para confrontos e rebeliões - o gesto de amolar armas. O evento se desenvolveu no interior de um círculo construído com pedaços de entulhos que foram coletados durante a reforma do espaço físico do TJGO, iniciada em janeiro de 2018, mesmo mês do motim na unidade prisional. É dentro desse cenário que simboliza um rito sacrificial que ocorre o gesto de amolar um facão sobre a superfície de alguns destroços. (Yara Pina)

Sacrifício de aliança reflete, portanto, sobre o fortalecimento das facções como resultado da política de superencarceramento e a consequente omissão do Estado frente à precariedade e vulnerabilidade do sistema prisional. A atuação desses grupos também tem ganhado força com a ampliação de seu domínio territorial para outros estados, colocando dessa forma não só o comércio de drogas, mas também os presídios 47


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Reforma do Tribunal de Justiça de Goiás, 2018

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Yara Pina Armas comunais (2019) objetos fabricados com cabos de ferramentas rurais e relhas de arado, dimensões variáveis

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Yara Pina Criptografismos (2018) intervenções sobre poemas de Bertolt Brecht com cinzas dos nomes de ativistas e políticos assassinados no Brasil, instalação, 200 x 300 cm, 23 cm x 16 cm (cada folha)

Bertolt Brecht empregou a expressão Verwisch die Spuren - apague os rastros - em um de seus poemas como meio de resistência para se referir ao indivíduo em situação de ilegalidade e clandestinidade durante o recrudescimento do fascismo na Alemanha. Partindo do cenário atual e incerto da democracia brasileira, a obra Criptografismos utiliza alguns de seus escritos como pano de fundo para tratar do esquecimento das mortes de políticos e ativistas assassinados no Brasil. Com meu dedo polegar direito impregnado com cinzas dos nomes das vítimas cubro as frases dos poemas de Brecht ao mesmo tempo em que deixo rastros de minha ação. (Yara Pina) Poemas: Poemas de um manual para habitantes da cidade; A cronos; Acredite apenas; O abrigo noturno; Soube que vocês nada querem aprender; Quando o fascismo se tornava cada vez mais forte; Por muito tempo procurei a verdade; Quando me fizeram deixar o país; Nossos inimigos dizem; Epitáfio 1919; Canção do pintor Hitler; Alemanha; A emigração dos poetas; No segundo ano de minha fuga; Por que deveria meu nome ser lembrado?; Em tempos negros; Sobre a violência; Elogio do esquecimento; Visita aos poetas banidos; A inscrição invencível; Aos que hesitam; Conselho aos artistas plásticos sobre os destinos de suas obras nas próximas guerras; Epitáfio para Gorki; Os medos do regime; O povo é infalível; Sobre a atitude crítica; Verão de 1942; Cantar de mãe alemã; Na manhã do novo dia; E. P. Escolha de uma pedra tumular

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Criptografismos, intervenção sobre o poema “Por que deveria meu nome ser lembrado” de Bertolt Brecht com cinzas dos nomes de políticos e ativistas assassinados no Brasil 58


Criptografismos, intervenção sobre o poema “Quando o fascismo se tornava cada vez mais forte” de Bertolt Brecht com cinzas dos nomes de políticos e ativistas assassinados no Brasil 59


Criptografismos, produção de lista de nomes de políticos e ativistas assassinados no Brasil

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Criptografismos, transformação em cinzas da lista de nomes de políticos e ativistas assassinados no Brasil

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Yara Pina (esquerda) Instrução de ordem #1, 2018 sombra agredida com coronha e cano de espingarda carbonizada vestígios de ação (direita) Instrução de ordem #2, 2018 sombra agredida com cassetetes carbonizados vestígios de ação

O título das obras é uma referência aos exercícios de disciplina militar realizados durante as atividades de Ordem Unida no Brasil. As ações, porém, apresentam um modus operandi remanescente dos regimes autoritários – Estado Novo, Ditadura Militar - e ainda presente na atuação violenta da polícia civil e militar brasileira. Cacetadas, coronhadas, golpes com canos de fuzil, carabina e espingarda, juntamente com outros tipos de agressões, fazem parte da cultura da tortura praticada desde o período colonial. Nestas ações, utilizo cassetetes, o cano e a coronha da espingarda para proferir golpes contra minha sombra para deixar marcas.

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Instrução de ordem #2, carbonização de cassetetes

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Instrução de ordem #1, carbonização de carabina

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Yara Pina Marcas da infâmia #1, 2017 sombra agredida com golpes de espeto, cinzas de imagens de vítimas de feminicídio vestígios de ação

As ações têm como referência casos de feminicídio íntimo, em ambientes doméstico e familiar no Brasil, envolvendo o uso de instrumentos perfurantes, cortantes e contundentes utilizados pelos autores do crime para mutilar e desfigurar os corpos das vítimas. Com base nesses relatos, tenho desenvolvido uma série de silhuetas – em andamento - em que agrido minha sombra, violando principalmente partes do corpo relacionadas à feminilidade e sexualidade das mulheres. Ao preencher as marcas das violações com cinzas das imagens das vítimas – veiculadas pela imprensa - pretendo deixar em evidência as principais partes visadas pelos agressores.

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Yara Pina Marcas da infâmia #3, 2019 sombra agredida com golpes de chave de fenda, cinzas de imagens de vítimas de feminicídio vestígios de ação

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Marcas da infâmia #3, transformação em cinzas das imagens de vítimas de feminicídio

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Yara Pina Vestígios post mortem, 2018, objeto litúrgico contendo cigarros de maconha fumados com cinzas dos nomes de detentos assassinados em rebeliões, vestígios de ação

A ação consiste em realizar um rito funerário com as cinzas dos nomes de detentos assassinados em rebeliões durante os conflitos entre facções do narcotráfico nos presídios brasileiros. Devido à barbárie que os levaram à morte no interior dos presídios, carbonização, decapitações, esquartejamentos, os restos mortais de alguns corpos não chegaram sequer a serem identificados pelo Estado, muito menos reconhecidos e sepultados por suas famílias. Para realizar o rito funerário incinero os nomes das vítimas para, posteriormente, fumar suas cinzas misturadas ao cigarro de maconha. Se durante o rito a fumaça espalha os nomes, as cinzas que restam após o ato, se transformam em vestígios do esquecimento. (Yara Pina)

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Vestígios post mortem, transformação em cinzas dos nomes de detentos assassinados em rebeliões

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Vestígios post mortem, Cinzas dos nomes de vítimas de massacres em presídios misturadas à maconha

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Yara Pina Narcoinscritor, 2018, sombra agredida com golpes e inscrições de faca, terra recolhida de local onde ocorreu homicídios relacionados ao tráfico de drogas vestígios de ação

Narcoinscritor tem como referência a atuação do “tribunal do crime” em diferentes estados brasileiros envolvendo a disputa entre facções por territórios, rotas e ponto de comercialização de drogas. Uma das formas utilizadas para punir a vítima, além de retirar-lhe a própria vida, é violar seu corpo com um objeto perfurocortante para inscrever a sigla do nome da facção ou ainda palavras e expressões referentes aos delitos que contrariam o “código de ética”. Nesta ação, utilizo uma faca para agredir minha sombra – projetada na parede – visando principalmente partes alvejadas pelo tribunal do crime para inscrever a punição sobre o corpo da vítima, tais como inscrições, golpes de decapitação e esquartejamento. Para salientar tais regiões, utilizo a terra coletada de locais onde ocorreram homicídios, em Goiânia, em decorrência do acerto de contas e pela disputa por território. (Yara Pina)

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Yara Pina Vilipêndio a Vênus, 2017 sombra agredida com golpes de cutelo, molduras carbonizadas destruídas, terra vermelha vestígios de ação

Este trabalho reflete sobre a apropriação, controle e representação do corpo feminino pelo sujeito masculino do ocidente através da imagem de Vênus em suas diferentes manifestações. Como se sabe, a regulação do corpo feminino através desse ícone histórico e normativo foi utilizada para além do universo da arte pelo olhar masculino, seja através de uma apropriação simbólica, tal como aconteceu com as figuras femininas pré-históricas de diferentes culturas ao serem convencionalmente chamadas de Vênus, ou ainda através da denominação de partes do corpo da mulher, tal como o monte Vênus. O ataque a minha sombra com um cutelo, arma branca, é um deslocamento do gesto político e iconoclasta da sufragista Mary Richardson ao agredir, em 1914, a pintura Rokeby Venus de Velazquez. Diferentemente de seu ato, não se trata aqui de vilipendiar a imagem de um corpo feminino, mas de agredir a minha própria sombra. (Yara Pina)

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Yara Pina Sem título 2, 2016 silhueta em carvão, crânio bovino, golpes de facão e terra vermelha vestígios de ação Nesta metamorfose, proponho borrar as fronteiras entre o humano, o animal e a besta ao projetar a sombra de um ser antropozoomórfico, utilizando como “máscara” o crânio de um bovino que fora abatido. Num segundo momento, proponho uma cisão, ao entrar em confronto com essa imagem. (Yara Pina)

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Sem título 2 (2016), Crânio bovino carbonizado utilizado durante a ação

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Yara Pina Sem título 3 (2016) silhueta em carvão, golpes de facão e terra vermelha vestígios de ação Neste trabalho, violo um “corpo” – minha silhueta - que está com braços e pernas abertos, como estivesse suspenso e amarrado por esses membros. Com a terra vermelha preencho as fissuras dos cortes, como referência ao valor simbólico da terra como sangue, corpo e território.

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Sem título 3, processo de carbonização de cadeiras

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Yara Pina Sem título 3 (2017) cadeiras carbonizadas arremessadas contra o canto da parede vestígios de ação

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Yara Pina Sem título 1 (2012/2017) (1) armas improvisadas feitas com objetos perfurantes e cortantes e tela, dimensões e formatos variáveis (2) no piso, lanças fabricadas com cacos de espelho, pedaços de molduras e tela, dimensões e formatos variáveis

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Yara Pina Sem título 2, 2011 rasgando uma tela preenchida com carvão em pó Registro deração, stills de vídeo Link: https://vimeo.com/manage/v ideos/87567237

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yara pina :: exposições coletivas / residências 2020 |Pivô Pesquisa, Ciclo III Beck’s, residência artística, São Paulo, Pivô |Conversas – resistências e convergências (MABEU, Belém, PA,) 2019 |2º Refluxo – Festival Experimental de Arte, Goiânia, Goiás |Mother, I see myself in your eyes, Laundromat Art Spce, Miami, USA | 24º. Salão Anapolino de Artes, Galeria Antônio Sibasolly, Anápolis, Goiás |Mother, I see myself in your eyes, Concrete Space, Florida, USA 2018 |One in a million, Gallery Nosco, Marseille, FR |Um acervo em construção, Centro Cultural da UFG |Um acervo em construção, Museu de Artes Plásticas de Anápolis |Loteamento, Galeria da Faculdade de Artes Visuais da UFG | Dialetos, Centro Cultural de São Paulo 2017 | Entre pós-verdades e acontecimentos, Frestas Trienal, SESC Sorocaba, SP 110


|Roçadeira#3, Encontros performáticos em lugares improváveis, Goiânia, GO |III Bienal do Sertão, Vitória da Conquista, BA | Performatus #2, SESC Santos, SP 2016 | Das Virgens em Cardumes e da Cor das Auras, Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, RJ | Não vivo sem meu corpo, R³ Gabinete de Arte, Goiânia, GO | Ruminescências, Dada Spring Brasil, Cabaret Voltaire Goiânia, Goiânia, GO | Diálogos Possíveis, Centro Cultural da UFG, Goiânia GO | Refluxo, Festival Experimental de Artes, Centro Cultural Cora Coralina, Goiânia, GO | Sobre o que agora se pode ver, R³ Gabinete de Arte, curadoria Divino Sobral, Goiânia, GO

2015 | Bienal Internacional Desde Aquí, Bucaramanga, Colômbia | Name it by trying to name it, Drawing Center, New York, Estados Unidos | Triangulações, Centro Cultural da UFG, Goiânia, Goiás, Brasil | Draw to perform II, International Symposium about Drawing Performance, Number 3, Londres, Reino Unido | Action + Object + Exchange, Satellite Contemporary, Las Vegas, Estados Unidos | Video Art Festival Now&After, Schusev Museum Architetecture, Moscow, Rússia 2014 | Repentista #2, Gallery Nosco, Londres, UK | 20º Salão de Arte Anapolino, Goiânia, Goiás, Brasil 97 | Arte Londrina II, Divisão de Artes Plásticas , Casa de Cultura UEL, Londrina, PR, Brasil

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| Action + Object + Exchange, Drawing Center, New York, Estados Unidos. 2013 | A Bela Morte: confrontos com a natureza morta no século XXI, Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil | Diálogo Desenho, Museu Universitário de Arte, Uberlândia, MG, Brasil 2012 | Drawing 2012 - International Exhibition of Contemporary Drawing, Place Suisse des Arts, Lausanne, Suiça | 31º Arte Pará, Belém, PA, Brasil | 6B Mostra de Desenho Contemporâneo, Centro Cultural da Justiça, Rio de Janeiro, RJ, Brasil | 63º Salão Abril de Fortaleza, Fortaleza, CE. Prêmio | Abre Alas 8, A Gentil Carioca, Centro Cultural Hélio Oiticica, Rio de Janeiro, RJ, Brasil 2011 | FAV.NOVA Inacabada, Galeria de Artes Visuais, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO, Brasil | 10º Salão Nacional de Arte de Jataí, GO, Brasil 98

:: individuais simultâneas 2010 | Exposição "Desenho, Instalação e Performance", Museu de Arte Contemporânea de Goiás, Goiânia, GO, Brasil | Exposição Fôlego, Museu de Arte de Goiânia, Goiás, Brasil

:: obras em acervos públicos / works in public collections | Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS

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| Centro Cultural da Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO | Museu de Artes Plásticas de Anápolis, Anápolis, GO :: prêmios / prizes |FID Prize, Foire du Internationale Dessin, Paris, 2017 | 63º Salão Abril de Fortaleza, Fortaleza, CE.

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